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g1 > Economia

França bloqueia Polymarket e diz que plataforma opera de forma ilegal

Alerta em publicidade de bets começa a valer nesta sexta-feira (17) A França bloqueou o acesso ao site de apostas Polymarket, informou nesta sexta-feira (17) a autoridade responsável por regular o setor de jogos de azar no país. Segundo o órgão, a plataforma pode expor usuários a perdas financeiras significativas e oferece apostas que podem ser manipuladas. Em comunicado, o regulador afirmou que, na quinta-feira (16), determinou que os provedores de internet franceses impedissem o acesso ao Polymarket, explica a Reuters em reportagem. De acordo com a autoridade, o site, que tem uma grande audiência, opera uma oferta de apostas considerada ilegal pela legislação francesa. Um porta-voz do órgão disse que o bloqueio permanecerá em vigor enquanto a plataforma não estiver em conformidade com as regras do país para o mercado de apostas. A Polymarket não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. Mercado de predições na mira das autoridades Nos últimos meses, autoridades de diferentes países têm aumentado a fiscalização sobre plataformas de mercados de previsão, como Polymarket e Kalshi. Esses serviços permitem que usuários apostem dinheiro em eventos futuros, como resultados de eleições, partidas esportivas ou acontecimentos políticos e econômicos. O valor das apostas varia de acordo com a probabilidade atribuída a cada resultado. A Polymarket é uma das maiores plataformas de chamado mercado de previsões AFP via Getty Images/BBC Em maio, o governo da Espanha suspendeu temporariamente as operações da Polymarket e da Kalshi no país. Já em junho, o principal órgão regulador do mercado de derivativos dos Estados Unidos divulgou uma proposta de novas regras para esse tipo de plataforma. Além de esportes e eleições, as plataformas permitem apostas sobre temas como conflitos internacionais, incluindo as guerras na Ucrânia e no Irã. Parlamentares e autoridades defendem regras mais rígidas para esse mercado. Segundo eles, algumas modalidades de apostas não têm utilidade econômica e podem representar riscos ao interesse público. No comunicado, o regulador francês afirmou que usuários estavam fazendo apostas sobre a previsão do tempo e alertou que esse tipo de mercado pode ser vulnerável ao uso de informações privilegiadas - dados não públicos que podem dar vantagem indevida a quem aposta. Uma fonte com conhecimento do assunto disse à Reuters no mês passado que a receita anualizada da Polymarket já ultrapassou US$ 1 bilhão (R$ 5,13 bilhões). Receita anualizada é uma estimativa do faturamento da empresa em um período de 12 meses, calculada com base no desempenho atual. Brasil teve 27 plataformas bloqueadas O Brasil também entrou na dança. Em maio, o governo federal bloqueou 27 plataformas de predição. Do mesmo balaio que a Polymarket, permitiam apostas atreladas a eventos esportivos, jogos on-line e temas políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento. A avaliação é semelhante a dos outros países de que esse tipo de plataforma expõe brasileiros a riscos financeiros e opera em desconformidade com a legislação brasileira. Representantes do governo disseram ainda que, desde 2023, vem adotando uma regulação mais firme do setor de apostas e que atua para fechar as portas de empresas que tentam operar de forma irregular no país. Lista das plataformas bloqueadas Leia mais: Regulação das apostas: governo bloqueia 27 plataformas que faziam previsões sobre eventos *Com informações da Reuters
17/07/2026 18:48:46 +00:00
Meta e Anthropic negociam acordo de US$ 10 bilhões por aluguel de data centers, diz jornal

Mark Zuckerberg, CEO da Meta Reuters/Mike Blake A Meta está em negociações para alugar parte de sua capacidade de processamento computacional para a Anthropic, dona do assistente Claude, informou nesta sexta-feira (17) o jornal The New York Times. Segundo a reportagem, que citou três pessoas com conhecimento das discussões, o possível acordo pode chegar a US$ 10 bilhões ao longo de dois anos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O acordo ajudaria a Meta a diversificar suas receitas para além da publicidade, gerando faturamento com sua infraestrutura e competindo com empresas como a CoreWeave e a Nebius, que oferecem serviços de nuvem focados em aplicações de inteligência artificial. A Anthropic pagaria à Meta em parcelas mensais ao longo dos dois anos, embora os termos ainda possam ser alterados, segundo o New York Times. O jornal acrescentou que ambas as empresas poderiam encerrar o acordo antecipadamente. Agora no g1 Segundo a reportagem, a Anthropic propôs o acordo em junho, e a Meta está avaliando a proposta. As negociações, porém, ficaram mais complexas porque a Meta ainda não tem um negócio estruturado para vender sua capacidade de processamento computacional. Ainda de acordo com o jornal, as conversas ainda estão em estágio inicial e podem não resultar em um acordo. A Meta não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters, enquanto a Anthropic se recusou a comentar. A Reuters não conseguiu verificar a informação de forma independente. O potencial acordo segue estratégia adotada recentemente em outro acordo fechado pela Anthropic. A empresa, que se prepara para abrir capital, passou a utilizar toda a capacidade de um data center da SpaceX, de Elon Musk, em Memphis, nos Estados Unidos. Em reunião com acionistas, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que a entrada da companhia no mercado de computação em nuvem era "definitivamente uma possibilidade". Segundo ele, empresas buscam a Meta "quase todas as semanas " para comprar acesso a seus modelos de IA ou à capacidade ociosa de processamento. No início deste mês, a Bloomberg News informou que a Meta estava desenvolvendo um negócio de computação em nuvem para comercializar sua capacidade excedente de processamento e hospedar modelos de inteligência artificial para desenvolvedores.
17/07/2026 18:34:29 +00:00
Brasil deve colher safra recorde de soja em 2026/27, mas El Niño ameaça produtividade

El Niño pode prejudicar florada e reduzir a produção da próxima safra de café A consultoria Safras & Mercado estima que o Brasil, maior produtor e exportador de soja do mundo, colherá uma safra recorde de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27. O volume representa um crescimento de 0,98% em relação ao ciclo anterior, mas a expansão deve ser limitada por margens de lucro mais apertadas para os produtores e pela preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño. O plantio da nova safra deve começar em meados de setembro. Segundo a consultoria, a área destinada à soja deve crescer 1,2%, chegando a 49,1 milhões de hectares. De acordo com o analista da Safras & Mercado Rafael Silveira, a perspectiva continua sendo de aumento da produção, desde que o El Niño não provoque problemas climáticos relevantes durante o desenvolvimento da lavoura. 2026 promete em soja A consultoria também avalia que, neste ciclo, o mercado está mais favorável ao cultivo de soja do que ao de milho na safra de verão da região Centro-Sul, o que incentiva os produtores a ampliar o plantio da oleaginosa. Mesmo com a expansão relativamente modesta da área cultivada e uma leve redução na produtividade média, a Safras & Mercado considera que o país tem condições de alcançar uma colheita histórica. Silveira explica que, embora os produtores estejam enfrentando margens de lucro menores, as boas colheitas registradas nas últimas safras melhoraram a relação entre custos e receitas. Isso mantém o cultivo economicamente viável e sustenta o avanço, ainda que pequeno, da área plantada. Denúncia diz que empresários desmataram florestas para plantar soja e milho Reprodução/Sentença Por outro lado, a possibilidade de um El Niño mais intenso preocupa. O fenômeno climático altera o padrão de chuvas e temperaturas e pode afetar o desenvolvimento das lavouras justamente nos meses mais importantes para a formação dos grãos. "Caso esse cenário se confirme, poderá haver impacto negativo sobre os níveis de produtividade", afirmou Silveira. Segundo ele, a consultoria já trabalha com estimativas de rendimento inferiores às da safra passada na maior parte das regiões produtoras. Outro fator de preocupação é o aumento dos custos de produção, principalmente devido à alta dos preços dos fertilizantes no primeiro semestre. Isso pode levar parte dos produtores a reduzir investimentos em tecnologia e manejo das lavouras, o que tende a limitar o potencial produtivo da safra 2026/27. A produtividade média projetada é de 3.686 quilos por hectare, ligeiramente abaixo dos 3.692 quilos por hectare registrados no ciclo anterior.
17/07/2026 17:09:35 +00:00
Starship não decola, ações da SpaceX caem e fortuna de Musk encolhe

Uma transmissão ao vivo mostra o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, na cidade de Nova York, EUA, 12 de junho de 2026. REUTERS/Jeenah Moon O voo da Starship não saiu do papel — nem da plataforma de lançamento — na última quinta-feira (16), mas o adiamento da missão já teve reflexos no mercado financeiro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta sexta-feira (17), por volta das 13h, as ações da SpaceX caíam cerca de 5% na Bolsa de Nova York, depois que a empresa cancelou a 13ª tentativa de lançamento do foguete devido a uma falha no funcionamento de parte dos motores. A reação do mercado ampliou as perdas acumuladas desde a abertura de capital da companhia. Os papéis, que estrearam cotados a US$ 160,95, encerraram o pregão de quinta-feira a US$ 131,11, acumulando desvalorização de cerca de 18,5%. Com o recuo das ações, a fortuna do fundador da SpaceX, Elon Musk, encolheu cerca de US$ 45 bilhões em um único dia, segundo estimativas da "Forbes". Mesmo após a perda, o empresário continua na liderança do ranking das pessoas mais ricas do mundo, com patrimônio estimado em US$ 792,8 bilhões. Agora no g1 Leia também: Ações da SpaceX disparam quase 20% em estreia na Nasdaq IPO da SpaceX: como uma empresa que dá prejuízo de bilhões pode valer US$ 1,75 trilhão? Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Teste impulsionaria ações O adiamento da missão frustrou a expectativa de investidores, que esperavam que um teste bem-sucedido da Starship impulsionasse as ações da SpaceX. Na véspera da tentativa de lançamento, analistas do banco UBS afirmaram que a queda recente dos papéis da empresa poderia representar uma oportunidade de compra justamente porque o voo tinha potencial para aumentar o valor de mercado da companhia. Na avaliação do banco, o teste serviria para comprovar avanços importantes no desenvolvimento do foguete, incluindo melhorias em sistemas que serão usados nas próximas missões e no lançamento de satélites da rede Starlink. Poucas horas antes da decolagem prevista, porém, Musk informou que parte dos motores não entrou em funcionamento, o que levou ao adiamento da missão. Mais tarde, em uma publicação na rede social X, o empresário afirmou que uma nova tentativa deverá ocorrer "no começo da próxima semana". Initial plugin text Foguete é peça-chave dos planos da SpaceX A Starship é considerada o principal projeto da SpaceX para transportar cargas e pessoas à Lua e, futuramente, a Marte. Com cerca de 120 metros de altura, o veículo é apontado pela empresa como o maior foguete já construído e ocupa posição central na estratégia de crescimento apresentada aos investidores durante a abertura de capital da companhia. O histórico de testes, no entanto, inclui uma série de contratempos. Em maio, por exemplo, outro voo terminou sem que o propulsor principal conseguisse realizar um pouso controlado após falhas no religamento dos motores. Em testes anteriores, algumas missões também terminaram em explosões.
17/07/2026 16:11:48 +00:00
Tarifaço: governo prepara programa para diversificar mercado com foco em setores afetados

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados voltado, principalmente, para os setores afetados pelas novas tarifas dos Estados Unidos e aos beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, que será lançado no início de agosto, contará com investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado. "É um plano geral, para todos os setores, mas com atenção especial àqueles que, ao mesmo tempo, estão sendo tarifados pelos EUA e terão as tarifas reduzidas com o acordo Mercosul-União Europeia", afirmou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, durante entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (17). Segundo Müller, a Europa figura entre as prioridades da estratégia de abertura de mercados. Na avaliação dele, o acordo entre Mercosul e União Europeia cria oportunidades que podem ser aproveitadas neste momento. Novo tarifaço dos EUA pode afetar 54,5% das exportações de SC 🔎O acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro de 2026 após mais de 25 anos de negociações, prevê a redução gradual de tarifas e barreiras comerciais entre os dois blocos e cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os mercados considerados estratégicos. A iniciativa ocorre após o governo dos Estados Unidos confirmar, na quinta (16), a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ao concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova tarifa, uma extensa lista de produtos brasileiros ficou de fora da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a decisão não possui justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Além da diversificação de mercados, Müller afirmou que a ApexBrasil atuará em outras duas frentes: ampliar a lista de produtos isentos da tarifa americana; e aumentar a participação internacional dos setores brasileiros que permaneceram livres da nova taxação. “Um: nós vamos continuar esse trabalho para aumentar a isenção. Dois: nós vamos ampliar o nosso trabalho para aumentar a participação brasileira dos setores que foram isentos. E, três, nós vamos trabalhar e anunciar um plano de diversificação para os mercados”, detalhou Müller. Tarifaço: governo brasileiro diz que vai anunciar programa de apoio às empresas afetadas e declara que pode adotar a Lei da Reciprocidade Jornal Nacional/ Reprodução
17/07/2026 16:04:11 +00:00
China lança maior IA de código aberto do mundo e aumenta pressão sobre OpenAI e Anthropic

Inteligência Artificial ajuda a polícia a recuperar veículos e prender suspeitos A startup chinesa de inteligência artificial Moonshot lançou nesta sexta-feira (17) o Kimi K3, um novo modelo de IA que, segundo a empresa, é o maior sistema de código aberto do mundo. A tecnologia tem 2,8 trilhões de parâmetros - um indicador do tamanho e da capacidade do modelo - e, de acordo com a companhia, entrega um desempenho próximo ao do Fable, um dos sistemas mais avançados da norte-americana Anthropic. O lançamento acontece cerca de um mês depois de os modelos Fable e Mythos, também da Anthropic, terem sido suspensos pelo governo dos Estados Unidos por questões relacionadas à segurança. O episódio reforça a velocidade com que as empresas chinesas vêm reduzindo a distância em relação às líderes americanas no desenvolvimento de inteligência artificial. Além da Moonshot, empresas como Z.ai e MiniMax também têm apresentado modelos cada vez mais poderosos e com custos menores. Esse avanço desafia a ideia, comum até pouco tempo, de que a China estava muitos meses atrás dos Estados Unidos na corrida pela IA. Segundo a Moonshot, o Kimi K3 é o primeiro modelo de código aberto a se aproximar da marca de 3 trilhões de parâmetros. Ele foi desenvolvido para lidar com tarefas complexas, como programação, resolução de problemas e análise de grandes volumes de informação. O sistema também consegue processar uma quantidade muito maior de texto de uma só vez do que as gerações anteriores. Diferentemente dos modelos fechados, que só podem ser usados por meio das plataformas das empresas que os criam, os modelos de código aberto podem ser baixados, executados e adaptados pelos próprios usuários. Leia mais: IA pode transformar a economia mais rápido que a Revolução Industrial, alertam especialistas Dona do ChatGPT lança teclado de R$ 1.000 para controlar agentes de IA; veja como ele funciona Corrida da IA movimenta expectativas em torno das ferramentas e nos milhões de dólares que podem gerar. Dado Ruvic/Reuters/Ilustração A empresa afirma que o Kimi K3 alcançou desempenho semelhante ao do Fable 5 e superou modelos como o Opus 4.8, da Anthropic, além do GPT-5.6 Sol e do GPT-5.5 em testes que medem a eficiência no uso do hardware responsável pelo processamento da IA, o que ajuda a tornar as respostas mais rápidas. O novo modelo também obteve bons resultados em avaliações independentes Na Arena.ai, ficou em primeiro lugar em um teste voltado à criação de interfaces para sites. Já a Vals AI o colocou na segunda posição geral, atrás apenas do Fable 5 e à frente do GPT-5.6 Sol. A Artificial Analysis afirmou que o desempenho do Kimi K3 é comparável ao do GPT-5.5, da OpenAI, e ao Claude Opus 4.8, da Anthropic, principalmente em tarefas mais complexas e que exigem várias etapas. O anúncio também mexeu com o mercado financeiro. As ações das concorrentes chinesas Zhipu e MiniMax chegaram a cair 27,7% e 16,5%, respectivamente, na Bolsa de Hong Kong. Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas Inteligência Artificial Corrida pela IA acelera As empresas chinesas têm reduzido o tempo entre um lançamento e outro de novos modelos de IA. Poucos dias antes, a Z.ai apresentou o GLM-5.2, que chamou atenção por alcançar resultados próximos aos dos principais sistemas americanos em testes de desempenho. Para Lian Jye Su, analista-chefe da consultoria Omdia, um dos principais diferenciais das empresas chinesas é o custo. Segundo ele, esses modelos podem ser usados por uma fração do preço cobrado pela OpenAI. Ainda assim, o especialista ressalta que um modelo maior nem sempre é, automaticamente, o melhor. Além disso, o tamanho do Kimi K3 dificulta que usuários o executem em computadores próprios. Ryan Fedasiuk, pesquisador do American Enterprise Institute, afirmou que rodar um sistema com 2,8 trilhões de parâmetros exige equipamentos que custam centenas de milhares de dólares. O que significa ter trilhões de parâmetros? Parâmetros são os valores que um modelo de inteligência artificial ajusta durante o treinamento para aprender a executar tarefas. Em geral, quanto maior o número de parâmetros, maior tende a ser a capacidade do sistema, embora isso não garanta, por si só, um desempenho superior. Antes do Kimi K3, os maiores modelos chineses eram o LongCat-2.0, da Meituan, e o V4-Pro, da DeepSeek, ambos com cerca de 1,6 trilhão de parâmetros. Já empresas americanas como OpenAI e Anthropic não divulgam o número de parâmetros de seus modelos mais avançados, o que dificulta comparações diretas. A Moonshot afirma que o Kimi K3 traz melhorias que aumentam sua eficiência e permitem executar tarefas de programação com pouca intervenção humana. Com apoio de investidores como Alibaba e Tencent, a empresa vem ampliando seus investimentos para disputar a liderança no mercado global de inteligência artificial.
17/07/2026 15:58:15 +00:00
Tarifaço deve atingir 36,5% das exportações do agro para os EUA, diz CNA

Governo classifica nova taxa dos EUA como 'absurda' A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirma que cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos deverão ser atingidas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo americano, prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira (22). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a entidade, a ampliação da lista de produtos isentos reduziu o alcance da medida sobre o setor, mas parte das vendas brasileiras para o mercado americano continuará sujeita à cobrança. "A CNA recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo dos EUA", afirmou a diretora de Relações Internacionais da entidade, Sueme Mori, em vídeo divulgado pela entidade. 🚨 A cobrança faz parte da decisão anunciada pelo governo dos EUA ao fim de uma investigação comercial envolvendo produtos brasileiros. A medida prevê uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil, mas manteve uma lista de exceções para determinados produtos. Apesar disso, ela destacou que 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos EUA ficará fora da tarifa adicional após a inclusão de novos produtos na lista de exceções. Entre os itens que deixaram de ser tributados estão pescados, mel e café solúvel. Segundo Mori, a ampliação das exceções foi resultado da atuação da CNA e de outras entidades do setor privado junto ao governo americano. "Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro", disse. Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa Medida 'ignora a realidade': setor de açúcar e etanol reage a tarifa dos EUA Produtos seguem na lista de cobrança Mesmo após a ampliação das exceções, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar continuam sujeitos à tarifa adicional. De acordo com a CNA, esses produtos responderam por cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os EUA em 2025. A entidade também chamou atenção para a justificativa apresentada pelo governo americano para ampliar a lista de exceções. Segundo as autoridades dos EUA, alguns produtos brasileiros foram poupados da tarifa porque são importantes para a indústria do país, há oferta insuficiente no mercado interno e a taxação poderia afetar setores considerados estratégicos da economia. Entidade defende exclusão dos produtos do agro Mori afirmou que a CNA acompanhou a investigação desde o início, apresentando estudos técnicos, participando das consultas públicas e das audiências realizadas em Washington. Segundo ela, a confederação procurou mostrar às autoridades americanas que a competitividade do agronegócio brasileiro "não decorre de práticas desleais de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas". Ao longo do processo, a CNA também defendeu que os produtos agropecuários brasileiros fossem retirados da medida. Para a entidade, Brasil e EUA mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países. Sobre os próximos passos, Mori afirmou que a confederação continuará acompanhando o caso e buscando alternativas para reduzir os impactos da medida sobre o setor. "A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA", conclui. Regularização fundiária ajuda no aumento da produção do agro em Roraima SECOM RR
17/07/2026 15:09:50 +00:00
Como cultivar urucum

Cartilha da Emater de Rondônia dá dicas de cultivo de urucum. Reprodução/TV TEM Quer informações sobre como produzir urucum? Uma publicação da Emater de Rondônia pode te ajudar. A cartilha gratuita reúne orientações sobre todas as etapas do cultivo: plantio, cultivares mais indicadas, tratos culturais e manejo da lavoura. O material também reúne informações sobre as principais pragas e doenças, além de dicas para a colheita e a pós-colheita, como a forma correta de secar as sementes. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos
17/07/2026 14:33:54 +00:00
Petróleo sobe e se aproxima da maior alta semanal desde abril em meio a tensões no Oriente Médio

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Pilar Olivares / Reuters Os preços do petróleo sobem nesta sexta-feira (17) e caminham para registrar o maior avanço semanal desde abril. Perto das 11h, o barril do Brent, referência internacional da commodity, avançava 2,86%, cotado a US$ 86,64. Com isso, acumulava ganhos de mais de 13% na semana até agora e caminhava para registrar a maior alta semanal desde abril, quando os preços da commodity subiram 16,5% na semana encerrada em 24 de abril. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, subia 3,15%, a US$ 81,44 o barril. Na semana, o contrato acumulava ganhos de 12,4% até agora. Agora no g1 Os preços são impulsionados pelos temores em relação ao tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A passagem foi bloqueada pelo Irã em retaliação aos ataques realizados pelos EUA nos últimos dias. Em meio à escalada das tensões, o presidente americano, Donald Trump, também retomou restrições às embarcações iranianas que utilizam o estreito. Trump chegou a considerar a cobrança de um pedágio de 20% sobre cargas transportadas por navios que circulassem pelo estreito, mas recuou e disse que buscaria acordos comerciais e de investimento com "vários países" do Golfo Pérsico. A escalada do conflito voltou a aumentar as preocupações com possíveis impactos sobre a oferta global de petróleo, em um momento de estoques reduzidos e demanda elevada. O temor dos investidores é que a alta do petróleo continue a pressionar os preços dos combustíveis e contribua para uma aceleração da inflação global, com reflexos sobre os juros e o crescimento econômico de diversos países.
17/07/2026 14:04:59 +00:00
'Prévia do PIB' do Banco Central mostra crescimento marginal de 0,1% em maio

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta sexta-feira (17), mostrou expansão de 0,1% em maio, na comparação com o mês anterior. 🔎O resultado é considerado marginal porque representa uma variação muito pequena, sugerindo que a atividade econômica ficou praticamente estável no período. O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes. O resultado representa desaceleração em relação a abril, quando houve uma alta de 0,4%. Também foi o segundo mês seguido de variação positiva do indicador, embora marginal. Veja abaixo o desempenho setor por setor em maio: agropecuária: contração de 1%; indústria: alta de 0,4%; serviços: crescimento de 0,1%. Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 0,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na parcial do ano, o indicador avançou 1,2% e, em 12 meses até maio, teve aumento de 1,4%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. ➡️O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem). ➡️Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Ou seja, o consumo e o investimento total é menor. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social. Pepino se tornou símbolo de inflação na Rússia REUTERS/Alexey Malgavko Desaceleração da atividade A desaceleração da atividade econômica em 2025 e, no decorrer deste ano, é algo esperado tanto pelo mercado financeiro quanto pelo Banco Central, diante do elevado nível da taxa de juros. Fixada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias, a taxa básica de juros, a Selic está, atualmente, em 14,5% ao ano — em patamar ainda elevado —, apesar da redução recente. O mercado financeiro estima uma taxa de crescimento do PIB de 1,99% em 2026, com nova desaceleração frente ao ano passado, quando a economia cresceu 2,3%. ▶️O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país. Avalia que isso é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta (de inflação, de 3%)". ▶️Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em junho, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. PIB x IBC-Br Os resultados do IBC-Br são considerados a "prévia do PIB". Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do IBGE. O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE). O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, pode haver mais pressão inflacionária, o que contribuiria para conter a queda dos juros.
17/07/2026 12:02:03 +00:00
Dólar opera em alta e vai a R$ 5,13, com tarifaço de Trump e dados econômicos no radar; Ibovespa oscila

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O dólar opera em alta nesta sexta-feira (17), com um avanço de 0,24% perto das 15h15, cotado a R$ 5,1107. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1328. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava com volatilidade e tinha queda de 0,19% no mesmo horário, aos 173.498 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Investidores continuam a avaliar os possíveis efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Além da taxa de 25% anunciada na quarta-feira, o governo brasileiro reconhece que os EUA ainda devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Além disso, o presidente Lula também convocou ministros, na véspera, para discutir a posição do governo sobre a decisão dos EUA. 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA ▶️Na agenda econômica, o mercado também acompanha a divulgação de novos dados de atividade no Brasil, por meio do IBC-Br, indicador do Banco Central do Brasil. Nos EUA, o destaque fica com a produção industrial do país. ▶️ Já no noticiário geopolítico, as atenções seguem voltadas para o conflito no Oriente Médio. O Irã atacou bases militares americanas em retaliação aos bombardeios recentes feitos pelos EUA. Os embates pelo controle do Estreito de Ormuz e outros temas também ajudam a aumentar a preocupação do mercado com os preços do petróleo no mercado internacional. Perto das 15h15, o barril do Brent, referência internacional, subia 4,45%, cotado a US$ 87,98. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha alta de 4,32%, cotado a US$ 82,36 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,20%; Acumulado do mês: -1,25%; Acumulado do ano: -7,11%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,04%; Acumulado do mês: +2,32%; Acumulado do ano: +9,24%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Tarifaço de Trump O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou, na noite de quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. ENTENDA: Quais as justificativas dos EUA para taxar o Brasil? Veja a lista de produtos taxados e isentos Em entrevista a jornalistas na véspera, o ministro das relações exteriores, chanceler Mauro Vieira, afirmou que não há justificativa para as tarifas adicionais de 25%, reiterando que as taxas tiveram "motivação política" e "não têm lastro com a realidade". "As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas, afirmou Vieira. O governo brasileiro também divulgou uma nota contestando os argumentos dos EUA para aplicar o novo tarifaço, destacando que o presidente Lula (PT) iniciará "imediatamente" os trâmites previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. Escalada das tensões no Oriente Médio O Irã lançou bombardeios contra diversas bases dos EUA no Oriente Médio nesta sexta (17) após acusar Washington de atacar alvos civis. Países da região denunciaram ataques iranianos. "Na noite passada, o exército dos EUA voltou a agir, utilizando suas bases na Jordânia para realizar, segundo o comunicado, um grande crime de guerra, atacando alvos civis, incluindo várias pontes, áreas residenciais e uma estação de bombeamento de água em Bandar Abbas, no sul do Irã", afirmou a Guarda Revolucionária iraniana em comunicado. O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, condenou nesta sexta os ataques dos EUA contra a infraestrutura civil iraniana e voltou a acusar Washington de cometer crimes de guerra. Mais cedo nesta semana, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. Além de centros de comando, a ofensiva também mirou posições de defesa aérea, capacidades de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira iranianas. Em comunicado, o Centcom afirmou que os ataques tiveram como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo. As forças americanas informaram ainda que utilizaram munições de precisão contra alvos em diferentes localidades, incluindo Bandar Abbas. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial A escalada das tensões no Oriente Médio nos últimos dias volta a trazer preocupações sobre a oferta mundial de petróleo, principalmente por conta do tráfego limitado no Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que o canal é uma "linha vermelha" inviolável e alertou que caso Trump cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo. Com o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, dados do setor de transporte marítimo já mostraram que menos navios conseguiram atravessar o estreito. Não foram avistados petroleiros de grande porte nem navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL). Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices americanos operavam em queda, conforme investidores seguiam atentos a ações de tecnologia. Perto das 15h15, o Dow Jones caía 0,55%, enquanto o S&P 500 recuava 0,79% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 1,18%. O dia também foi predominantemente negativo nas bolsas europeias, puxado por mais uma onda de vendas no setor de tecnologia em meio a preocupações com os retornos da inteligência artificial e enquanto investidores se preparam para a reunião do Banco Central Europeu (BCE) que acontece na próxima semana. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,34%, para 641,53 pontos. Entre os principais índices, o DAX, da Alemanha, teve queda de 0,34% e o CAC-40, da França, caiu 0,47%. O FTSE 100, do Reino Unido, foi na contramão e fechou em alta de 0,27%. Na Ásia, as bolsas tiveram uma queda generalizada nesta sexta-feira, com os índices de referência da China registrando a maior perda semanal em mais de dois anos depois que a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da fabricante de chips CXMT gerou temores de problemas de liquidez. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 3,60%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 3,05%. Entre as demais bolsas da região, o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,78%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve perdas de 1,78%. O Kospi, da Coreia do Sul ficou fechado. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Karolina Grabowska/Pexels
17/07/2026 12:00:22 +00:00
Concurso do IBGE: inscrições para 1,4 mil vagas são prorrogadas; veja o novo prazo

Agentes do IBGE Reprodução As inscrições para o segundo processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para atuar no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola e no 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua foram prorrogadas. Agora, os interessados têm até a próxima segunda-feira (20), às 23h59, para se inscrever no processo seletivo. Inicialmente, o prazo terminaria às 23h59 de quarta-feira (15). No entanto, um edital de retificação com o cronograma atualizado prorrogou as inscrições até segunda-feira (20), também às 23h59. ✅ Siga o canal do g1 Concursos no WhatsApp ➡️ Acesse o edital completo A seleção oferece 1.414 vagas temporárias para os cargos de Analista Censitário e Agente Censitário de Qualidade. Este é o segundo processo seletivo lançado pelo IBGE para os censos de 2026. Agora no g1 Enquanto o primeiro edital, cujas inscrições terminaram na semana passada, oferecia 8.238 vagas de nível médio para funções operacionais e de supervisão, este reúne oportunidades para Analista Censitário (nível superior) e Agente Censitário de Qualidade (nível médio) – veja a diferença. Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, no site do Instituto Avalia, banca organizadora da seleção. A taxa de inscrição varia conforme o cargo: Agente Censitário de Qualidade: R$ 41,76; Analista Censitário: R$ 37,50. O edital prevê isenção da taxa para candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e para doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos. Do total de vagas, 1.020 são para Analista Censitário e 394 para Agente Censitário de Qualidade. As remunerações variam conforme a função: Agente Censitário de Qualidade (ACQ): exige ensino médio completo e oferece salário de R$ 2.932; Analista Censitário (AC): exige nível superior em áreas específicas e oferece salário de R$ 5.255,40. As vagas de Analista Censitário contemplam diversas áreas de formação, como Agronomia, Assistência Social, Biblioteconomia, Cartografia, Ciência de Dados, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Design Educacional, Tecnologia da Informação, Economia, Engenharia de Produção, Estatística, Geografia, Geoprocessamento, Jornalismo, entre outras. Em ambos os cargos, a jornada é de 40 horas semanais. Além do salário, os contratados terão direito ao auxílio-alimentação de R$ 1.192 por mês, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar e pagamento proporcional de férias e 13º salário, conforme o período trabalhado. 🔎 O Censo Agropecuário é uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE e tem como objetivo reunir informações sobre a estrutura e a produção dos estabelecimentos rurais. Os dados levantados orientam políticas públicas, programas de financiamento e ações voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário. ➡️ Já o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua é um levantamento inédito que vai mapear, contar e traçar o perfil das pessoas que vivem nas ruas em todo o país. A pesquisa reunirá informações como quantidade de pessoas, distribuição geográfica, perfil sociodemográfico e condições de vida. Quem pode participar? Podem participar candidatos que atendam aos requisitos de escolaridade e às demais condições previstas no edital. Para Agente Censitário de Qualidade, é exigido ensino médio completo. Já para Analista Censitário, diploma de nível superior na área correspondente à vaga. Além disso, os candidatos devem: Ter, no mínimo, 18 anos completos na data da contratação; Ser brasileiro ou português amparado pelo Estatuto da Igualdade entre brasileiros e portugueses; Estar em dia com as obrigações eleitorais e, no caso dos candidatos do sexo masculino, também com as obrigações militares; Estar em pleno exercício dos direitos políticos; Possuir aptidão física e mental para o exercício da função; Atender aos demais requisitos previstos no edital. Não poderão ser contratados candidatos que: Ocupem cargo ou emprego na administração pública federal, estadual, distrital ou municipal; Sejam aposentados do serviço público ou das Forças Armadas, das Polícias Militares ou dos Corpos de Bombeiros Militares; Sejam proprietários ou administradores de empresas, incluindo microempreendedores individuais (MEIs); Tenham sido contratados temporariamente pelo governo federal com base na Lei nº 8.745/1993 nos últimos 24 meses, exceto nos casos previstos em lei. Reserva de vagas O edital prevê reserva de vagas para ações afirmativas, distribuídas da seguinte forma: 5% para pessoas com deficiência (PcD); 25% para pessoas pretas e pardas (PPP); 3% para pessoas indígenas (PI); 2% para pessoas quilombolas (PQ). Ao todo, 30% das vagas são reservadas para candidatos pretos e pardos, indígenas e quilombolas, além da reserva de 5% para pessoas com deficiência. Os candidatos inscritos nas cotas também concorrem às vagas da ampla concorrência. Caso obtenham nota suficiente para aprovação na lista geral, serão convocados por essa modalidade e não ocuparão uma vaga reservada. Se o candidato se enquadrar em mais de uma modalidade de cota, será classificado prioritariamente naquela com maior percentual de reserva. As vagas reservadas que não forem preenchidas serão redistribuídas conforme os critérios previstos no edital. Todos os candidatos realizarão as mesmas provas e serão avaliados pelos mesmos critérios, independentemente da modalidade de concorrência. Como será a prova? A seleção será composta por prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, com duração de quatro horas. O exame terá 60 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas e apenas uma resposta correta. A distribuição das disciplinas varia conforme o cargo. Agente Censitário de Qualidade Língua Portuguesa (15 questões); Raciocínio Lógico Quantitativo (10); Geografia (15); Conhecimentos Técnicos (20). Analista Censitário Língua Portuguesa (15 questões); Raciocínio Lógico Quantitativo (10); Conhecimentos Específicos (35). Os critérios mínimos de aprovação também variam conforme o cargo. Agente Censitário de Qualidade acertar, no mínimo, 30% da prova; acertar pelo menos uma questão de cada disciplina. Analista Censitário: acertar, no mínimo, 40% da prova; acertar pelo menos uma questão de cada disciplina. As provas serão aplicadas no dia 30 de agosto, em todas as capitais e no Distrito Federal, em turnos diferentes: Manhã: Agente Censitário de Qualidade (ACQ); Tarde: Analista Censitário (AC). No dia da prova, o candidato deverá: Apresentar documento oficial com foto; Levar caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente; Chegar com, pelo menos, uma hora de antecedência; Respeitar as regras do edital, que proíbem o uso de celulares, relógios, calculadoras e outros equipamentos eletrônicos durante a prova. Quanto tempo dura o contrato? Os contratos temporários terão duração inicial de até 12 meses. Os contratos serão firmados inicialmente por períodos de 30 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas, de acordo com a necessidade do IBGE, a disponibilidade orçamentária e o desempenho do profissional. As prorrogações poderão ocorrer conforme a necessidade do instituto e o andamento da coleta de dados, respeitado o limite máximo de 48 meses, previsto na legislação para contratações temporárias. Durante esse período, os profissionais serão avaliados periodicamente com base em critérios como assiduidade, produtividade, cumprimento de prazos e qualidade das atividades desempenhadas. Cadastro de reserva Embora o edital não preveja formação de cadastro de reserva, candidatos aprovados além do número de vagas imediatas poderão ser convocados durante a validade do processo seletivo, em caso de desistências, rescisões de contrato ou novas necessidades do IBGE, sempre respeitando a ordem de classificação. Cronograma As principais datas do processo seletivo são: 20 de julho — encerramento das inscrições; 24 de agosto — divulgação do cartão de convocação para a prova; 30 de agosto — aplicação da prova objetiva; 31 de agosto — divulgação do gabarito preliminar; 25 de setembro — divulgação do resultado definitivo da prova objetiva e do resultado preliminar da seleção; 28 de outubro — divulgação do resultado definitivo do procedimento para concorrer às vagas reservadas; 6 de novembro — divulgação do resultado definitivo da seleção. IBGE prorroga inscrições para concurso com mais de 8 mil vagas temporárias
17/07/2026 11:39:39 +00:00
Sobe na guerra, não desce na trégua: por que os preços da gasolina e diesel demoram a cair nos postos

Motorista abastece em um posto de gasolina em Los Angeles, nos Estados Unidos. Damian Dovarganes/AP Photo A imprevisibilidade do conflito entre os Estados Unidos e o Irã tem, mais uma vez, se refletido nos preços do petróleo. Com mais uma onda de ataques entre os dois países e a retomada do bloqueio naval ao Irã por parte dos EUA no Estreito de Ormuz— rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo —, a commodity voltou a subir em julho: na véspera, o barril do Brent, referência internacional, fechou cotado a US$ 84,23, uma alta de 15,5% no mês até agora. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Mesmo com o avanço nos preços, o petróleo ainda se encontra bem abaixo do pico registrado em abril, quando o Brent atingiu a marca de US$ 118,03. Isso porque, apesar da alta recente, a commodity passou por um período de queda relevante das cotações, chegando a ficar próxima de US$ 70. No Brasil, porém, essa desaceleração não chegou aos preços dos combustíveis nos postos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que diesel e gasolina ainda acumulam altas de cerca de 10% e 5%, respectivamente, desde o início da guerra, em fevereiro. Agora no g1 Segundo especialistas consultados pelo g1, a demora é resultado de uma combinação de fatores, como as incertezas sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e o subsídio anunciado pelo governo, que ajudou a conter o encarecimento dos combustíveis — e deve limitar, também, a queda dos preços por aqui. “A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países”, afirma o analista de inteligência de mercado da StoneX, Bruno Cordeiro. Veja abaixo como está a situação dos combustíveis no Brasil. Trégua ainda frágil mantém mercado em alerta Apesar da assinatura de um acordo preliminar em meados de junho para encerrar o conflito no Oriente Médio, a trégua entre os EUA e o Irã foi rompida mais de uma vez. Menos de duas semanas após a assinatura do documento, os dois países voltaram a trocar ataques com mísseis e drones e passaram a se acusar mutuamente de violar o cessar-fogo provisório. Após dias de confrontos, EUA e Irã concordaram em interromper as hostilidades e retomar as negociações. Catar e Paquistão mediaram uma nova rodada de negociações entre os dois países e, segundo representantes, houve um "avanço positivo" nas conversas. Nos últimos dias, no entanto, uma nova onda de ataques entre os dois países voltou a colocar o frágil acordo em xeque. Além dos bombardeios e retaliações de ambas as partes, Trump também retomou o bloqueio naval dos EUA ao Irã no Estreito de Ormuz e ameaçou cobrar um pedágio de 20% sobre a carga de todos os navios que passassem pelo canal — mas voltou atrás e disse que substituiria a taxa por "acordos comerciais e de investimentos com os países do Golfo". Ainda assim, o tráfego ainda limitado no Estreito de Ormuz aumenta as preocupações em relação à oferta de petróleo no mundo. Segundo especialistas, a demanda global continua elevada, impulsionada também pelo verão no Hemisfério Norte. O período é conhecido por registrar níveis mais altos no consumo de energia dos EUA e da Europa. “Vivemos uma queda histórica nos estoques. Tanto a OCDE quanto os EUA apresentam níveis bastante baixos”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. “Ainda há muita incerteza sobre o que pode acontecer. Seria necessária uma sinalização concreta do fim definitivo do conflito para iniciar a retirada de minas da região, a reconstrução dos portos destruídos e a retomada das operações. Isso leva tempo”, completa. Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã Por que gasolina e diesel continuam caros no Brasil Segundo especialistas, o Brasil registrou uma alta mais moderada nos preços dos combustíveis do que a observada nos EUA e em países da Europa. Para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre a inflação, o governo federal destinou mais de R$ 30 bilhões a medidas de contenção. A Petrobras também atuou para conter os preços nos momentos mais críticos, evitando repassar imediatamente os aumentos aos consumidores. “O aumento não chegou com tanta intensidade ao consumidor final. E, como a alta foi mais moderada, não há espaço para quedas também muito intensas”, afirma Sérgio Vale, da MB Associados. Recentemente, por exemplo, a Petrobras reduziu o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,35 após o encerramento do subsídio bancado pelo governo. Como a queda apenas compensou o fim do benefício, os preços praticados para as distribuidoras permaneceram inalterados. Além disso, o governo também adiou a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina, após a nova escalada do conflito no Oriente Médio. Os especialistas dizem, ainda, que mesmo o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, não deve ser suficiente para provocar uma redução relevante dos preços nos postos. “Esse aumento é importante, mas, por si só, não deve se refletir em uma redução significativa da gasolina. O principal fator que vai determinar a alta ou a queda dos preços é a situação do mercado internacional e a forma como esse movimento se transmite aos produtos importados que chegam aos portos brasileiros”, completa Cordeiro. O que precisa acontecer para a gasolina cair no Brasil O que precisa acontecer para a gasolina cair no Brasil. Arte/g1
17/07/2026 08:01:12 +00:00
Por que o PIX, meio mais usado por pequenos negócios, virou pretexto dos EUA no tarifaço

Alckmin: Governo terá programa de apoio a setores afetados pelo novo tarifaço Em pouco menos de cinco anos, o PIX deixou de ser uma novidade para se tornar uma das principais formas de pagamento dos brasileiros. Para milhões de pequenos negócios, ele passou a significar recebimento imediato, redução de custos e mais facilidade para administrar o fluxo de caixa. Mas a tecnologia que conquistou comerciantes e consumidores agora está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O governo do presidente Donald Trump incluiu o PIX entre os argumentos usados para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (15). Segundo documentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o sistema brasileiro prejudicaria empresas americanas do setor de pagamentos ao criar uma concorrência considerada desigual. 🔎 Na avaliação dos americanos, o problema não está no uso do PIX pelos brasileiros, mas no fato de o sistema ter sido criado e ser operado pelo Banco Central. Para os EUA, essa estrutura dá ao sistema vantagens que empresas privadas não possuem. No Brasil, porém, a lógica é outra. O sistema ganhou espaço justamente pelos fatores questionados pelos americanos: reduziu custos, eliminou intermediários e permitiu que empreendedores recebessem o dinheiro das vendas praticamente em tempo real. Antes do PIX, muitos comerciantes dependiam de dinheiro em espécie ou de cartões, que envolvem taxas e prazos maiores para o repasse dos valores. Com o sistema, o dinheiro entra na conta no mesmo momento, facilitando a compra de mercadorias, o pagamento de fornecedores e a organização das contas. Essa combinação transformou o PIX em uma das principais ferramentas financeiras dos pequenos negócios. Segundo a pesquisa Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 59% dos donos de pequenos negócios já consideram o PIX o principal meio de recebimento das vendas. O levantamento também mostra que: 53% usam o sistema como principal ferramenta para pagar parceiros comerciais; entre os MEIs, 97% utilizam o sistema como forma de pagamento; para 28% dos MEIs, o PIX representa mais de 75% do faturamento; outros 20% afirmam que a ferramenta responde por cerca de metade dos recebimentos. “O sistema é uma forma de pagamento que não tem volta e se tornou a preferida dos pequenos negócios pela rapidez no recebimento e pela contribuição para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas”, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae. Com isso, a expansão do PIX mudou a estrutura do mercado de pagamentos. Nas compras tradicionais com cartão, participam da operação bandeiras, credenciadoras, bancos e outros intermediários. Cada etapa pode gerar custos. No PIX, porém, a transferência ocorre diretamente entre as instituições financeiras. Apesar disso, o crédito continua sendo essencial para compras parceladas. Na avaliação de especialistas, o sistema criou uma alternativa competitiva para pagamentos à vista e obrigou empresas tradicionais a adaptar seus modelos de negócio. É justamente esse impacto sobre o mercado de pagamentos que colocou o sistema no centro da disputa comercial internacional. Por que o PIX incomoda os EUA? Na investigação conduzida pelo USTR, as práticas brasileiras seriam "injustificáveis e discriminatórias", prejudicando agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos. O argumento é que o BC brasileiro teria criado condições favoráveis ao PIX em relação às empresas privadas estrangeiras que atuam no setor. Nos documentos divulgados pelo governo dos EUA, o sistema é chamado de "PICS" e descrito como um serviço estatal de pagamentos eletrônicos que receberia tratamento diferenciado por ser operado pelo governo brasileiro. A avaliação americana se baseia principalmente em três pontos: O BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, definindo as regras e administrando a infraestrutura do PIX; O sistema teria vantagens por não funcionar como uma empresa privada tradicional, já que não busca obter lucro por meio da cobrança de taxas sobre as transações; Empresas americanas poderiam ser prejudicadas ao competir com uma infraestrutura pública de pagamentos. Durante a apresentação das medidas contra o Brasil, representantes do governo Trump afirmaram que a intenção não é acabar com o sistema. "Não estamos pedindo ao Brasil para se livrar do PICS ou de qualquer coisa que importe para o Brasil. Isso não é problema. O que não queremos é uma situação em que empresas americanas sejam forçadas a anunciar o PICS, ou sejam limitadas pelo PICS, e que elas e o PICS recebam tratamento especial simplesmente por serem de propriedade brasileira ou por serem um sistema de pagamento eletrônico". Existe concorrência desleal? Para os especialistas ouvidos pelo g1, o PIX de fato provocou uma transformação profunda no mercado de pagamentos, mas isso não significa uma prática desleal. A principal crítica americana está relacionada ao fato de o BC exercer o papel regulador e operador do sistema. Isso, porém, foi o principal fator para o sucesso. Ao criar padrões tecnológicos, estabelecer regras comuns e exigir a participação das instituições financeiras na infraestrutura, o BC conseguiu fazer com que praticamente todos os bancos e fintechs passassem a oferecer o serviço desde o lançamento. Especialistas são incisivos: a existência de uma infraestrutura pública não significa uma concorrência desleal. Segundo eles, o PIX não impediu a atuação de outros meios de pagamento e, desde seu lançamento, cartões de crédito, débito e outros serviços continuaram funcionando no país. "O PIX não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo", afirma Ralf Germer, CEO da PagBrasil. Germer defende ainda que empresas do setor tiveram tempo para se adaptar e criar soluções capazes de competir frente a frente com o sistema. Já o economista e professor da ESPM, Jorge Ferreira dos Santos Filho, aponta que a pressão dos EUA está relacionada principalmente à mudança no modelo de negócios de empresas que tradicionalmente lucravam com tarifas cobradas em transações. "O PIX é gratuito para pessoas físicas e tem custo baixo para empresas, representando forte concorrência para grandes operadoras de cartão de crédito americanas, como Visa e Mastercard", afirma. Especialistas destacam ainda que o avanço do sistema brasileiro também pressiona fintechs e empresas de tecnologia que também já possuem soluções próprias de pagamento. A disputa além dos cartões Embora a discussão sobre cartões seja o argumento oficial apresentado pelos EUA, um dos pontos mencionados pelos especialistas é o avanço do chamado PIX Internacional, projeto do BC para permitir pagamentos transfronteiriços por meio da integração com sistemas de outros países. Hoje, o sistema já pode ser usado de forma limitada por brasileiros em alguns estabelecimentos no exterior. A expectativa é que sistemas de pagamento instantâneo de diferentes países possam ser conectados. Nesse sentido, a possibilidade de uso do PIX Internacional como meio de pagamento entre países do Brics, por exemplo, pode ter incomodado os EUA por ameaçar a paridade do dólar nas negociações, comprometendo a hegemonia da moeda no sistema financeiro global. 🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. "Esse pode ser o ponto que mais incomoda o governo americano: a criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema PIX para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países." Especialistas ressaltam, porém, que o PIX Internacional ainda está em desenvolvimento e que a relação com a disputa geopolítica é uma interpretação sobre possíveis impactos futuros, não uma justificativa oficialmente apresentada pelo governo americano. Apesar das críticas, os EUA também contam com sistemas de pagamentos instantâneos, como o FedNow, criado pelo Federal Reserve, e o Zelle, desenvolvido por grandes bancos americanos. Para especialistas, o ponto de diferença está na escala de uso. Nos EUA, a participação das instituições foi voluntária e não alcançou o mesmo nível de integração visto no Brasil. Atenção internacional O crescimento do PIX é considerado uma das maiores transformações recentes do sistema financeiro brasileiro. Lançado em novembro de 2020, o sistema alcançou escala nacional em poucos anos. Segundo dados do Banco Central, ele já conta com cerca de: 170 milhões de usuários pessoas físicas, o equivalente a aproximadamente 80% da população brasileira; mais de 24 milhões de usuários pessoas jurídicas. Em 2025, o sistema bateu recorde ao movimentar cerca de R$ 35,4 trilhões, distribuídos em quase 80 bilhões de transações. O volume corresponde a quase três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo e fundador do RegLab, afirma que o sistema passou a ser observado por outros países justamente pela combinação de escala e eficiência. "De uma forma ou de outra, o Pix virou um modelo, uma vitrine." Segundo ele, o sucesso do sistema mostra que governos podem criar infraestruturas digitais capazes de transformar mercados tradicionalmente dominados pela iniciativa privada. Outros argumentos Embora o sistema de pagamentos tenha ganhado destaque, ele aparece como apenas um dos argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar o novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Entre os argumentos estão as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo plataformas digitais, críticas ao ambiente regulatório para empresas de tecnologia americanas, questionamentos sobre proteção à propriedade intelectual, alegações de corrupção, tarifas aplicadas pelo Brasil a determinados produtos importados e até acusações relacionadas ao desmatamento. No caso das big techs, o governo americano cita medidas adotadas pela Justiça brasileira contra plataformas que descumpriram determinações judiciais. O USTR também questiona regras e decisões que, na avaliação americana, poderiam afetar empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Já na área comercial, o governo Trump acusa o Brasil de conceder tratamento preferencial a alguns parceiros comerciais e critica políticas relacionadas ao mercado de etanol. O relatório ainda menciona preocupações envolvendo propriedade intelectual e o combate à corrupção. O governo brasileiro rejeita as acusações e sustenta que as medidas adotadas seguem a legislação nacional e respeitam princípios de soberania. Após o anúncio do tarifaço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país responderá com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano para permitir reação a barreiras comerciais impostas por outros países.
17/07/2026 08:01:10 +00:00
BC lança sistema que pode baratear juros em mercado trilionário de antecipação de vendas a prazo para empresas

O Banco Central (BC) lançou neste mês um sistema para registrar as chamadas duplicatas escriturais, um tipo de documento digital que comprova que uma empresa tem valores a receber de vendas feitas a prazo. A medida busca ampliar a concorrência e reduzir os custos no mercado de antecipação de recebíveis, operação de crédito usada por empresas para transformar em dinheiro imediato valores que só receberiam no futuro. Empresas do setor privado, como B3, Cerc e Núclea, foram autorizadas a fazer o registro e a escrituração dessas duplicatas. A expectativa é que o sistema, supervisionados pelo Banco Central, esteja em pleno funcionamento até o fim deste ano. 🔎 Nas vendas a prazo, a empresa entrega o produto ou presta o serviço, mas recebe o pagamento apenas depois. Se precisar de dinheiro antes, ela pode antecipar esse valor junto a um banco ou instituição financeira, pagando uma taxa pela operação. Agora no g1 Com o novo sistema, diferentes instituições poderão verificar com mais segurança quem tem direito a receber esses valores (entenda como vai funcionar abaixo). A expectativa do Banco Central é que isso aumente a concorrência entre financiadores e ajude a reduzir os juros cobrados das empresas. O mercado de "antecipação de recebíveis" tanto do comércio quanto das incorporadoras imobiliárias tem alto potencial. O fluxo de vendas a prazo, segundo o Banco Central, é de cerca de R$ 10 trilhões por ano, considerando as notas fiscais emitidas. Comércio no Centro do Recife Reprodução/TV Globo Ao aumentar a concorrência, o novo sistema de escrituração autorizados pelo Banco Central nesta semana pode possibilitar menores taxas de juros e maior disponibilidade de crédito para as empresas. "Do ponto de vista fornecedor, vai ser algo extremamente simples, como apertar uma tecla e dizer: eu deixo tal banco ver minhas duplicatas. Todo mundo vai ver, e aí vai ter uma negociação que eles vão mandar cotações [taxas de juros] para esse fornecedor. Até a hora que ele defina com quem ele quer fazer negociação. Uma vez feita essa negociação, aí você vai ter o boleto dinâmico", explicou Ricardo Vieira Barroso, chefe de Divisão no Departamento de Normas do BC, ao g1 em 2025. O sistema autorizado pelo Banco Central, ligados aos chamados "boletos dinâmicos", vai garantir que o dinheiro pago pelo cliente seja enviado diretamente à instituição financeira que antecipou os recursos para a empresa. Isso reduz o risco de erros e aumenta a segurança das operações. Além disso, o novo modelo permitirá que as empresas comparem ofertas de diferentes instituições financeiras e escolham aquela que cobrar os menores juros para antecipar seus recebíveis. Hoje, sem os boletos dinâmicos, empresas que vendem produtos e serviços por boleto, incluindo incorporadoras imobiliárias, costumam ficar mais dependentes da instituição que emitiu o documento. Na prática, se a empresa emitiu os boletos por meio do banco X, pode enfrentar mais dificuldades para buscar crédito ou antecipar esses valores em outra instituição, o que reduz a concorrência e limita as opções de financiamento. As vantagens da antecipação dos valores de vendas realizadas a prazo Entenda como vai funcionar O processo começa com uma prestação de serviço ou venda a prazo, que gera um valor a receber pelo fornecedor. A partir dessa operação, é emitido o documento fiscal eletrônico e, em seguida, a chamada "duplicata escritural", que existe apenas em formato digital. Essa duplicata é então escriturada e registrada em sistemas eletrônicos autorizados pelo Banco Central, o que garante que o crédito é válido, único e rastreável. Em seguida, o comprador pode confirmar (ou, em alguns casos previstos em lei, não precisa confirmar) a obrigação de pagamento. Com a duplicata registrada, o fornecedor pode antecipar esse valor ao negociar com bancos, 'fintechs' ou outros financiadores. Nessa etapa, ocorre a formalização da operação e a liberação dos recursos para o fornecedor. O comprador é informado sobre a negociação e realiza o pagamento normalmente, por meio de boleto, PIX ou outro instrumento. Os sistemas de escrituração e pagamento atuam de forma integrada para direcionar corretamente o valor pago ao verdadeiro credor. Ao final, o pagamento (feito a prazo) é liquidado (para a instituição financeira que antecipou os valores), encerrando o ciclo da duplicata de forma segura. A transição para o novo modelo inclui um processo chamado "tombamento', que permite levar para o sistema eletrônico os contratos já existentes entre financiadores e fornecedores. Assim, esses contratos continuam válidos e passarão a produzir efeitos nos sistemas de escrituração e registro. "Tem várias entidades no mercado que querem comprar aquele direito, pagar ao vendedor, inclusive aceitam receber menos taxas de juros. Mas elas se sentem inseguras em comprar aquilo. Quem está comprando, tem que ter certeza que vai receber aquele recurso. Dá segurança a quem compra e barateia o juro a quem vende o direito. As duas pontas são melhor atendidas", explicou Evaristo Donato Araújo, chefe de Divisão do Denor, do BC, ao g1 no ano passado. Duplicatas escriturais Reprodução de site do BC
17/07/2026 06:00:58 +00:00
Vender mais barato ou cobrar mais caro? Qual estratégia dá mais lucro?

Vender mais barato ou cobrar mais caro? Muitos empreendedores acreditam que vender mais é sinônimo de lucrar mais. Mas isso nem sempre acontece. O faturamento pode até crescer, enquanto a margem de lucro diminui e o dinheiro não sobra no caixa. Em muitos casos, o problema não está nas vendas, mas na forma como os preços são definidos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo orientações do Sebrae, alguns erros são comuns na hora da precificação: copiar o preço dos concorrentes, ignorar os próprios custos, oferecer descontos sem conhecer a margem de lucro e definir valores apenas no "achismo". Para calcular o preço de um produto ou serviço, o primeiro passo é levantar todos os custos do negócio. Além das despesas diretas, é preciso incluir gastos recorrentes, como aluguel, internet, energia e taxas, além do tempo e do esforço envolvidos na produção, no atendimento e na entrega. Com essas informações, o empreendedor consegue definir um preço mínimo de venda, que funciona como uma margem de segurança para evitar prejuízos e garantir que cada venda gere retorno para o negócio. Os especialistas também alertam que o preço não deve ser fixo. A recomendação é revisar os valores periodicamente para acompanhar aumentos de custos, mudanças no mercado e o crescimento da empresa, mantendo a operação financeiramente saudável. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Promoções de Black Friday em Boa Vista Caíque Rodrigues/g1 RR
17/07/2026 06:00:54 +00:00
Meninos usam rosa... e meninas vão usar azul? Entenda tendência de cores para Copa do Mundo Feminina de 2027

Chuteiras de futebol coloridas em vitrine de Manchester no final de junho de 2026 Temilade Adelaja/Reuters O rosa marcou a edição de 2026, presente nos pés de jogadores de todas as seleções masculinas que participaram do mundial, com as principais fabricantes de chuteiras estampando variações sobre o mesmo tom. Mas qual tonalidade será a tendência no torneio de 2027? Se dá para “chutar” uma, é o azul-cobalto. Há razão para isso, e não é apenas brincar que meninos usam rosa, e meninas, azul. Azul-cobalto, não, “luminous blue”, junto ao laranja “energy orange”, segundo a consultoria de tendências WGSN. Azul cobalto "lightning blue" será uma das cores de 2027, de acordo com a consultoria WGSN. WGSN/Divulgação 📱Quer saber qual será a cor de 2027 em tecnologia? Assine a newsletter do Guia de Compras Foi essa empresa que disse em 2024 que a aposta deste ano poderia ser o rosa, ou melhor, “electric fuchsia”, descrito como um “tom neon psicodélico” – e foi. “O rosa foi muito bem no nicho esportivo, pelo tom elétrico e vibrante, que funciona bem nessa área”, explica Sofia Martellini, pesquisadora sênior de tendências para a moda da WGSN no Brasil. Além disso, a nuance contrasta com o verde do gramado. “Também não é a cor de nenhum time específico”, comenta. O uso do rosa também mostra que os homens estão mais “desconstruídos” ao usá-lo, diz. A pesquisa da consultoria para 2027 foi divulgada em abril de 2025, com a indicação de que o “azul luminoso” será o destaque do ano para a próxima temporada – seja no futebol ou em outras áreas da moda e da tecnologia, que também podem adotar outras cores indicadas, como verde e rosa bebê. Laranja "energy orange" será uma das cores de 2027, de acordo com a consultoria WGSN. WGSN/Divulgação Martellini afirma que o azul mais vibrante costuma ser associado à área esportiva, então devemos ver as principais marcas atuando nesse sentido. “A Copa feminina deve ser a maior que já tivemos”, diz a consultora. Isso vai se refletir ainda em uma maior relação entre jogadoras e grifes de moda e de luxo – a exemplo do que aconteceu com o norueguês Haaland no mundial masculino de 2026. Existe o risco de o que uma consultoria de tendências diz se tornar uma profecia autorrealizável. Grandes empresas – como as companhias de calçados – acompanham os relatórios e podem reforçar o movimento no mercado, como ocorreu com o tom psicodélico em 2026. Questionadas sobre as apostas cromáticas para a próxima competição, empresas como Adidas, Nike e Puma disseram que não comentam lançamentos futuros. A Skechers disse que não tem chuteiras femininas. O levantamento anual é feito pela WGSN, a qual reúne uma equipe global empenhada em entender várias áreas do consumo, como sociedade, inovação, meio ambiente, política, indústria e criatividade. A ideia é “traduzir” os sinais de comportamento em direcionamentos práticos para diversos setores, como moda, tecnologia, interiores, beleza e esporte. Fatores geopolíticos e econômicos também influenciam a estética e o produto, como tarifas, custos de importação e mudanças em materiais e acabamentos. E a cor do mundial masculino de 2030? Só saberemos em 2028, quando a pesquisa da WGSN para essa edição for concluída. Veja a seguir uma seleção de chuteiras em azul e traços de laranja. Os preços iam de R$ 180 a R$ 500 nas lojas da internet pesquisadas no meio de julho. Adidas F50 Sparkfusion Club Mizuno Alpha Select New Balance Tekela Team Low Laced V5 Nike Mercurial Vapor 16 Club Penalty ATF Américas IX Skechers SKX 2 Umbro Football Society Azul Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.
17/07/2026 06:00:44 +00:00
Por que o Brasil terá a maior tarifa média dos Estados Unidos na América do Sul

Desde que assumiu o segundo mandato Trump, ameaça diferentes países com taxação CNP/AdMedia/picture alliance via DW O Brasil passará a ter a maior tarifa aplicada pelos Estados Unidos entre os países da América do Sul a partir de 22 de julho, quando passam a valer as novas taxas impostas por Donald Trump na última quarta-feira (15). O dado é do Global Trade Alert (GTA), iniciativa do St. Gallen Endowment, centro de estudos independente sediado na Suíça, que compila estatísticas de comércio global. Atualmente, o Brasil está empatado com o Uruguai, com tarifa efetiva média de 11,66%, atrás apenas do Paraguai, com 12,92%. Quando o novo tarifaço passar a valer, a tarifa de importação do Brasil passará para 18,17%, segundo o GTA, enquanto seus vizinhos — pelo menos por enquanto — seguirão com taxas bem menores. Essa percentagem calculada pelo GTA difere da alíquota de 25% anunciada por Trump porque considera o peso de cada produto na pauta exportadora e as exceções previstas nas novas regras. Média tarifária aplicada pelos EUA após 22 de julho na América do Sul DW Mas por que o Brasil se tornou um dos principais alvos da política tarifária americana na região? Segundo especialistas, a resposta cruza pelo menos quatro dimensões: política, econômica, estratégica e diplomática. Desalinhamento ideológico Para Carlos Pio, ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior do Ministério da Economia e professor da Universidade de Brasília (UnB), a tarifa contra o Brasil reflete uma mudança mais ampla na doutrina comercial de Trump: da lógica de livre mercado para uma visão nacionalista, que prioriza proteger setores industriais afetados pela desindustrialização, além de favorecer alianças políticas em detrimento de protocolos diplomáticos tradicionais. "É uma ação política, mas não quer dizer que não seja uma ação que tenha propósito comercial", pondera. Segundo Pio, o Brasil se torna alvo preferencial não só pela economia relativamente fechada e resistente à liberalização, mas por um desalinhamento ideológico somado à proximidade pessoal que o governo Bolsonaro cultivou com Trump. "Não é nem com a Casa Branca nem com o governo americano. É com o Trump", resume. Essa lógica, diz o professor, também aparece em outras frentes da direita global apoiadas inicialmente por Trump — como Marine Le Pen, na França, e as "expectativas frustradas com [Giorgia] Meloni", na Itália, depois que ela adotou posições mais liberais. "Como a PF [Polícia Federal] e o Supremo [Tribunal Federal] foram em cima do Bolsonaro, reforça esse outro lado de: aos meus amigos, tudo." A comparação com a Argentina de Javier Milei, segundo Pio, reforça o argumento. "A Argentina também é protecionista como o Brasil, mas Milei está em uma condição distinta do Lula em relação à política." Proximidade com a China Jan Marcel, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acrescenta que o Brasil é a maior economia da América Latina e tem relevância comercial superior para os Estados Unidos do que os seus vizinhos, o que inclui produtos de maior valor agregado, como aeronaves, máquinas, petróleo, aço e produtos químicos. Lula e Xi Jinping em Pequim, em maio de 2025 Florence Lo/AP/picture allaince via DW Há ainda no tabuleiro a disputa entre Estados Unidos e China por influência global. Como o Brasil mantém relação econômica forte com a China e, ao mesmo tempo, segue como parceiro relevante dos EUA, "acaba ficando no centro dessa competição", diz Marcel, o que transforma a tarifa em instrumento de pressão sobre temas que vão muito além do comércio bilateral. Instrumento de pressão política Celso Figueiredo, advogado especialista em comércio internacional e professor de Relações Governamentais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que as tarifas comerciais de Trump deixaram de ser meras ferramentas econômicas para se tornarem instrumentos de pressão política e arrecadação fiscal, sob a doutrina America First: mais competitividade para produtos americanos, e mais receita para o governo também. No caso brasileiro, porém, Figueiredo vê "componentes extras". "Quando a gente observa a nota publicada no começo de junho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), e a decisão desta quarta-feira, o fundo técnico objetivo dessa decisão acaba sendo raso, o que leva a crer que, de fato, essa tomada de decisão tem um aspecto mais político", diz o advogado. Carne bovina não está incluída na nova tarifa de 25% Eraldo Peres/AP Photo/picture alliance via DW O especialista lembra que o atual patamar de taxação contra o Brasil estar acima dos pares da região também pode não ser definitivo. Segundo ele, há, inclusive, uma investigação em curso contra 60 países (incluindo o Brasil), voltada a apurar se eles ganharam vantagem competitiva com ítens produzidos por meio dotrabalho forçado, o que demonstra, segundo o advogado, que o instrumento seguirá sendo usado para outras nações também. Isso mostra, de acordo com o especialista, que os Estados Unidos monitoram de perto qualquer sinal que ameace a hegemonia do país, como também do dólar nas transações internacionais — como a ideia, discutida no âmbito do Brics, de uma moeda própria para o bloco de 11 países que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Uma escalada é provável? Em nota divulgada após o anúncio dos EUA, o governo federal brasileiro classificou a data como "um marco lastimável" nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Para o executivo brasileiro, não há justificativa para medidas unilaterais contra o Brasil e que a balança comercial é favorável aos EUA. Uma fonte da Casa Branca citada pelo jornal O Globo sinalizou que qualquer retaliação brasileira forçaria os Estados Unidos a "potencialmente modificar" sua ação para "garantir a eliminação dessas práticas". "Se eles optarem, provavelmente haverá mais ações do nosso lado”. Ainda assim, um cenário de escalada não é o mais provável, na visão de Figueiredo. A Lei de Reciprocidade, sancionada no ano passado após o primeiro tarifaço, ficou "engavetada", já que as tarifas foram derrubadas. Para o advogado e professor da FGV, o mesmo padrão deve se repetir agora e a retaliação direta "não é o que está na mesa". Ele lembra que a nova lista de exceções tarifárias, semelhante à do ano anterior, deve protegerboa parte das exportações brasileiras, o que reduz a pressão para uma resposta mais dura. A aposta segue sendo a negociação diplomática.
17/07/2026 06:00:29 +00:00
Dona do ChatGPT lança teclado de R$ 1.000 para controlar agentes de IA; veja como ele funciona

OpenAI lança Codex Micro, dispositivo de R$ 1.175 para controlar agentes de inteligência artificial Divulgação/OpenAI A OpenAI, dona do ChatGPT, lançou na quinta-feira (16) o Codex Micro, um teclado físico que permite comandar agentes de inteligência artificial. O dispositivo será vendido por US$ 230 (cerca de R$ 1.175). O aparelho foi criado em parceria com a fabricante de teclados Work Louder e permite acompanhar, ao mesmo tempo, diferentes agentes de IA, programas capazes de executar tarefas por conta própria, sem precisar de novos comandos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O controle é feito por meio de botões e um joystick, voltado para direcionar a navegação. Com o dispositivo, usuários podem trabalhar mais facilmente com o Codex, agente de IA da OpenAI voltado para escrever e revisar códigos de programação, analisar documentos, pesquisar informações e executar fluxos de trabalho. Agentes de IA viram aposta das empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20 Segundo a OpenAI, o Codex Micro reúne cinco principais funções: acompanhamento, em tempo real, do que cada agente de IA está fazendo; teclas de atalho para executar comandos rapidamente; joystick programável para personalizar ações frequentes; controle do nível de raciocínio da inteligência artificial, permitindo priorizar respostas mais rápidas ou análises mais detalhadas; conexão via Bluetooth e USB-C, com compatibilidade para computadores Mac e Windows. O teclado tem ainda um sistema de luzes coloridas, em que cada dedicada a um agente de IA muda de cor conforme a situação da tarefa. A ideia é dispensar a necessidade de abrir a conversa para conferir o processamento. As teclas recebem cinco cores: cinza, quando o agente está inativo; verde, quando há uma resposta disponível; azul, quando a tarefa está em processamento; laranja, quando o usuário precisa aprovar algo; e vermelho, quando há um erro. O aparelho também acompanha um conjunto com 32 teclas extras personalizadas. OpenAI lança Codex Micro, dispositivo de R$ 1.175 para controlar agentes de inteligência artificial OpenAI/Divulgação O Codex faz parte da estratégia de ampliar o uso de agentes de IA no ambiente de trabalho, de acordo com a OpenAI. Segundo a empresa, o objetivo é fazer eles rodarem tarefas mais complexas na rotina de profissionais. A companhia disse que a criação de documentos e conteúdos (72%) é o principal uso de profissionais para agentes de IA. Em seguida, estão operações de engenharia (47%) e implementação de códigos (46%). "Com a tecnologia do Codex integrada, o ChatGPT agora pode ir além de responder perguntas e realizar trabalho de fato na web, em dispositivos móveis e no computador", afirmou a empresa em comunicado. Segundo a OpenAI, o Codex já é utilizado semanalmente por cerca de 5 milhões de pessoas, número seis vezes maior do que o registrado quando o aplicativo para computadores foi lançado, em fevereiro.
17/07/2026 05:00:14 +00:00
O tarifaço de Trump: a negociação e as taxas contra o Brasil - O Assunto #1763

O governo dos Estados Unidos oficializou que irá impor a sobretaxa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros a partir do dia 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio americano sobre supostas "práticas desleais" da economia brasileira – o relatório final cita desmatamento, proteção de propriedade intelectual, tratamento às big techs e até o PIX. Em uma manifestação pública, o secretário de Estado Marco Rubio criticou o presidente Lula e disse que faltou "boa-fé" ao governo brasileiro. O Palácio do Planalto classificou a medida como um marco "lastimável" na relação entre os países e ameaça acionar a Lei de Reciprocidade. Neste episódio, Natuza Nery entrevista dois especialistas em geopolítica e relações internacionais. Primeiro, a conversa é com o embaixador Roberto Azevêdo: ele conta os bastidores das negociações entre agentes brasileiros e americanos e analisa as regras de um comércio internacional baseado na força. Depois, Natuza fala com Bruna Santos, que comenta a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e EUA. Convidados: Embaixador Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Presidente da 9G Consultoria; Bruna Santos, diretora do Programa Brasil do Inter-American Dialogue, em Washington (EUA). O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Natuza Nery. Sem regras definidas, negociações apelam para ‘lei do mais forte’ O que você precisa saber: Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre produtos nacionais; VALDO CRUZ: Governo Lula classifica decisão dos EUA como 'ideológica' e diz que equipe de Trump agiu de má-fé; Alckmin contesta alegações dos EUA sobre tarifaço e diz que medida é 'injusta e descabida'; Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa e lastro com realidade: 'Motivação política'; Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25%; QUAEST: Tarifaço pesa mais contra Flávio Bolsonaro do que contra Lula; Pré-candidatos à Presidência reagem ao novo tarifaço de Trump; 'Golpe comercial às vésperas da campanha eleitoral': veja como a imprensa mundial repercutiu tarifaço de Trump contra o Brasil. O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação Anadolu via Getty Images
17/07/2026 03:30:09 +00:00
Documento do tarifaço menciona presidente dos EUA mais de dez vezes e governo vê digital política de Trump

EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros O governo brasileiro analisou o documento técnico do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR na sigla em inglês), responsável pela investigação e proposta do novo tarifaço, e identificou um trecho que se repete mais de dez vezes. Logo na primeira página do documento técnico, o trecho mencionado pelo governo aparece: "Em conformidade com a determinação específica do Presidente, o Representante Comercial está adotando medidas para impor tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, com algumas exceções”, diz o resumo do documento, por exemplo. A argumentação de que há uma “determinação específica do Presidente” Donald Trump sobre esse caso foi usada de maneira frequente nas páginas do documento. Na avaliação do Ministério da Fazenda, isso reforça a percepção de que o processo contra o Brasil foi conduzido de forma política. O novo tarifaço de 25% aplicado a produtos brasileiros surgiu de uma investigação aberta no ano passado, a pedido de Trump. O processo foi iniciado por supostas “práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas”. Após a apuração, o USTR concluiu pela recomendação da sobretaxa a milhares de produtos brasileiros. Na quarta-feira (15), o governo de Trump confirmou o novo tarifaço, que passa a valer em 22 de julho. Lula e Trump se encontraram pela na Casa Branca Ricardo Stuckert / PR Outros países O Ministério da Fazenda fez uma análise de outros documentos técnicos, semelhantes ao da conclusão do processo contra o Brasil, divulgado ontem. A comparação preliminar mostrou que em outros casos não houve menção a determinações do presidente norte-americano, como em: investigações sobre impostos digitais, contra a França, Índia, Turquia, Áustria, Itália, Espanha, Reino Unido, entre outros; investigação sobre direitos trabalhistas e humanos, contra a Nicarágua (direitos trabalhistas e humanos). Já em processos contra a China, expressões semelhantes apareceram, como “orientação do presidente”. Isso envolveu casos que levaram a tarifas aplicadas pelos EUA, como as tranches tarifárias de 2018–2019, e uma investigação de 2025 sobre cumprimento de um acordo comercial com os Estados Unidos. O USTR pode abrir investigações por conta própria. Então, para o Ministério da Fazenda, colocar esse “carimbo” de que é uma determinação da Casa Branca reforça que a questão não é técnica, pois o canal de resolução seria político-presidencial. A pasta avalia também que o uso frequente desta expressão no documento pode servir até para proteger técnicos de eventuais questionamentos administrativos – comuns no serviço público para investigar condutas de servidores técnicos.
17/07/2026 03:00:46 +00:00
Google e MJ assinam acordo para restringir anúncios de serviços e produtos financeiros para evitar fraudes digitais

O Google e o Ministério da Justiça assinaram nesta quinta-feira (16) um acordo para restringir anúncios na internet de produtos financeiros para evitar fraudes digitais. Esse documento prevê, por exemplo, que os anunciantes terão que passar por um processo de verificação e restringe a publicação de anúncios apenas àqueles que possuírem o selo de verificação. A determinação ocorre no contexto da entrada em vigor do novo decreto do Marco Civil da Internet, editado em maio pelo governo federal, que trouxe a regra de que presume-se a responsabilidade dos provedores de aplicações por anúncios fraudulentos (veja mais detalhes abaixo). Agora no g1 O acordo foi assinado com a Secretaria Nacional de Consumidor (Senacon) e Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), ligadas ao Ministério da Justiça. LEIA TAMBÉM: Governo estabelece novas regras para big techs atuarem no Brasil; veja principais pontos A parceria visa garantir a implementação voluntária de medidas de segurança, transparência e verificação de anunciantes de produtos e serviços financeiros, "visando à redução de fraudes digitais e à proteção dos consumidores". O acordo estabelecido entre o Google e o ministério prevê a verificação dos anunciantes poderá ser realizada diretamente pela plataforma ou por terceiros, "utilizando metodologias confiáveis de verificação de identidade para confirmar a existência legal da pessoa física ou jurídica responsável pela conta de publicidade". O texto estabelece ainda que o Google adotará medidas para aplicar controles de sistema adequados a fim de restringir a exibição de anúncios pagos de produtos ou serviços financeiros. 📲 Marco Civil da Internet O decreto que atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet estabelece direitos e deveres para o uso da internet no Brasil e foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em maio deste ano. Em junho de 2025, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou parcialmente inconstitucional um artigo do Marco Civil da Internet que dizia que as plataformas só podiam ser responsabilizadas civilmente por conteúdos produzidos por terceiros se descumprissem ordem judicial para remover um conteúdo. Pessoa mexendo no celular Reprodução/ RBS TV O Supremo estabeleceu que as redes podem ser responsabilizadas civilmente em duas situações, mesmo quando não tiverem descumprido ordem judicial: ➡️ 1. No caso de crimes graves, quando apresentarem "falhas sistêmicas" no seu dever de cuidado. O STF listou sete grupos de crimes considerados graves que exigem remoção imediata do conteúdo pelas próprias redes: terrorismo, instigação à mutilação ou ao suicídio, golpe de Estado e ataques à democracia, racismo, homofobia e crimes contra mulheres e crianças; ➡️ 2. No caso de crimes em geral, quando receberem um pedido de retirada de conteúdo (notificação) e deixarem de removê-lo. Em novembro de 2025, o STF publicou o acórdão dessa decisão. Desde então, ela está em vigor, mas não existem meios para que seja cumprida. Segundo o governo, o que o novo decreto faz é criar mecanismos para essa decisão ser aplicada na prática. 📵 O decreto estabelece que as plataformas devem: remover conteúdo após notificação no caso de ilícitos, sem necessidade de ordem judicial; informar usuários sobre suas ações e permitir contestações. Na prática, deve existir um canal que possibilite a denúncia, comunique a pessoa que produziu o conteúdo e permita que ela possa recorrer. A plataforma vai analisar o caso como se fosse um "devido processo legal"; evitar anúncios de golpes e fraudes — como promoções visivelmente fraudulentas ou anúncios de produtos ilegais, a exemplo do "gatonet" (serviço pirata de TV a cabo); guardar dados das publicações para que os criminosos sejam eventualmente punidos em processos judiciais futuros; guardar dados das publicações para que consumidores lesados por propagandas falsas ou de produtos ilegais possam mover ações contra os responsáveis. 🔎 O decreto deve resguardar expressamente a crítica, a paródia, a sátira, o conteúdo informativo (notícia), a manifestação religiosa e a liberdade de crença.
17/07/2026 03:00:38 +00:00
Governo Trump pode ampliar o tarifaço contra o Brasil de 25% para 37,5% no fim de julho, avalia Planalto

O governo brasileiro reconhece que os Estados Unidos devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A principal dúvida do governo brasileiro é se uma eventual tarifa aplicada ao fim desse processo será cumulativa à sobretaxa de 25% anunciada pelos americanos na madrugada desta quinta-feira (16). Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, a decisão sobre a nova tarifa deve ser divulgada na próxima semana. "[A investigação sobre o trabalho forçado] termina na semana que vem, na sexta-feira que vem. Aí nós vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão", disse Elias durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16). EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros ➡️ No mês passado, uma investigação dos Estados Unidos concluiu que a União Europeia e 59 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. 🔎 A decisão, que é do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, após uma investigação iniciada em março deste ano. Este é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA. 🔎 É o mesmo texto utilizado para fundamentar a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Segundo o MDIC, a expectativa é de que a tarifa seja aplicada a todos os países citados na investigação. "[A expectativa] é que virá para todos, porque essa tarifa da Seção 301 do trabalho forçado os Estados Unidos criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem. O que vai cair em 10% para o mundo inteiro eles vão substituir por essa de 10 ou 12,5%", explicou. 🔎 A sequência de mudanças começou com o chamado "tarifaço", anunciado anteriormente pelo governo Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) — mas a Suprema Corte dos EUA decidiu que essa lei não dava ao presidente autoridade para criar tarifas. Diante da derrota, Trump adotou uma nova estratégia e anunciou uma tarifa global temporária de 10%, para substituir as cobranças que haviam sido derrubadas pelo tribunal. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC Júlio César Silva/MDIC A investigação Segundo o relatório do governo norte-americano, a prática desses países é "irracional" e restringe o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos. O governo dos EUA estabeleceu dois níveis de sobretaxação: 10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco. São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador. 12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros. "A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o embaixador Jamieson Greer. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais." Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. De acordo com o relatório, embora o Brasil assuma compromissos contra o trabalho escravo em acordos de livre comércio e investimentos, o país ainda carece de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada de mercadorias produzidas nessas condições em seu mercado interno.
17/07/2026 03:00:36 +00:00
Alerta em publicidade de bets começa a valer nesta sexta; entenda como vai funcionar

Novas regras para publicidade de apostas online — conhecidas como bets — passam a valer nesta sexta-feira (17). Com isso, toda publicidade de bet será acompanhada de uma advertência, semelhante com o que acontece com propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas. As publicidades devem alertar sobre os riscos associados de dependência e de transtornos do jogo patológico, com uma das seguintes frases de advertência obrigatória: "Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência"; "Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro"; ou "Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento". Governo estabelece novas regras para publicidade de bets Além disso, a advertência deverá estar na horizontal, ser clara, legível e proporcional ao restante da ação de comunicação e de publicidade, e ter um mínimo de 10% do comprimento ou tamanho do anúncio. As medidas foram anunciadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na semana passada. Na ocasião, ele disse que a tolerância com bets ilegais é "zero". "A gente faz restrições à publicidade de bets no país. Eu não preciso dizer, porque é chover no molhado, a nossa tolerância zero com as ilegais. Então, bet ilegal, em nenhuma medida está autorizada, e nem os publicitários, os veículos de comunicação estão autorizados a veicular qualquer publicidade envolvendo empresa não autorizada a operar no mercado", afirmou o ministro da Fazenda. Novas regras Além da implementação do alerta em publicidades, o governo federal publicou na semana passada uma portaria onde define novas regras sobre o conteúdo das publicidades de apostas. O texto proíbe que as ações de publicidade emitam estratégias, opiniões técnicas ou análises que possam "induzir ou influenciar a realização de apostas de quota fixa em determinado evento ou mercado de apostas". Jogo caça-níquel Fortune Tiger, conhecido como jogo do tigrinho Matheus Moreira A portaria também proíbe propagandas que: sugiram a obtenção de ganho fácil ou apresentem a aposta como sinal de virtude, de êxito pessoal, social ou financeiro, como prioridade na vida ou como conduta socialmente atraente, inclusive por meio de afirmações de personalidades conhecidas ou de celebridades; apresentem a aposta como fonte de renda, forma de investimento, alternativa ao emprego, solução para problemas pessoais, sociais ou financeiros ou meio de recuperação de valores perdidos em apostas anteriores ou de outras perdas financeiras; encorajem práticas excessivas de aposta ou contenham chamadas para ação, inclusive com mecânicas promocionais, que sugiram ato imediato por parte do apostador; contenham informação falsa ou enganosa, inclusive quanto às probabilidades de ganhar ou quanto à possibilidade de a habilidade, a destreza ou a experiência do apostador influenciar o resultado da aposta; vinculem apostas a atitudes ou comportamentos ilegais ou discriminatórios, utilizem mensagens de cunho sexual ou de objetificação de atributos físicos ou ofendam crenças culturais ou tradições do País; e sejam dirigidas, direta ou indiretamente, a crianças e adolescentes. Essas medidas entraram em vigor na semana passada.
17/07/2026 03:00:19 +00:00
Mega-Sena, concurso 3032: confira os números sorteados

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3032 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (16), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 29,1 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 35 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 08 - 12 - 23 - 27 - 42 - 43 5 acertos: 54 apostas ganhadoras, R$ 29.764,89 4 acertos: 3.918 apostas ganhadoras, R$ 676,21 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Resultado do concurso 3032 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
17/07/2026 00:02:02 +00:00
MG4 Urban chega por R$ 129.990; carro elétrico será feito no Ceará

MG4 Urban chega ao Brasil Divulgação / MG A MG lançou oficialmente no Brasil o MG4 Urban. O hatch elétrico será vendido em duas versões, Comfort e Luxury. A empresa hoje tem 28 concessionárias e planeja fechar o ano com um total de 70 pontos de venda no Brasil. O carro chega ao mercado para disputar espaço com modelos como BYD Dolphin, Geely EX2 e GAC Aion UT. Ele está posicionado abaixo do MG4 já comercializado no Brasil e já tem fabricação confirmada no Ceará. Segundo a marca, já existem 2.400 pedidos pelo MG4 Urban. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A estratégia coloca o novo elétrico no segmento dos hatches compactos eletrificados de maior volume, faixa dominada atualmente pelo BYD Dolphin e pelo Geely EX2. O MG4 Urban utiliza uma plataforma elétrica, com bateria integrada à estrutura do carro (tecnologia CTP, ou célula-para-carroceria). Segundo a fabricante, a solução ajuda a melhorar a rigidez estrutural, reduzir o centro de gravidade e otimizar o espaço interno. Agora no g1 Com 4,39 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,55 m de altura e 2,75 m de entre-eixos, o modelo é maior que BYD Dolphin e Geely EX2. Isso se reflete no espaço para passageiros e no porta-malas de 477 litros, que pode chegar a 577 litros considerando o compartimento sob o piso. As duas versões utilizam motor elétrico dianteiro, com diferenças de potência de acordo com a bateria escolhida. A garantia para o carro é de 7 anos ou 150 mil km. As baterias têm garantia de 8 anos ou 160 mil km. A empresa já tem parceria com armazém de logística e com mais de 3.000 itens em Cajamar (SP). As revisões são a cada 24 mil km e, segundo a MG, a estimativa é que o proprietário gaste R$ 600 por ano nos primeiros 3 anos com o MG4 Urban. MG4 Urban Comfort / R$ 129.990 Potência: 150 cv Torque: 25,5 kgfm Bateria: 43 kWh (LFP) Autonomia Inmetro: 299 km Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,6 segundos MG4 Urban Luxury / R$ 139.990 Potência: 150 cv Torque: 25,5 kgfm Bateria: 43 kWh (LFP) Autonomia Inmetro: 299 km Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,6 segundos MG4 Urban Luxury / R$ 149.990 Potência: 160 cv Torque: 25,5 kgfm Bateria: 54 kWh (LFP) Autonomia Inmetro: 358 km Aceleração de 0 a 100 km/h: 9,5 segundos Segundo a MG, as baterias utilizam química de fosfato de ferro-lítio (LFP), tecnologia escolhida por maior durabilidade e estabilidade térmica. MG4 Urban chega ao Brasil Divulgação / MG Carregamento As duas versões aceitam recarga rápida em corrente contínua (DC) de até 87 kW. Segundo a MG, o tempo para carregar a bateria nesse tipo de carregador de 10% a 80% é de 28 minutos na versão Comfort e 30 minutos na versão Luxury. Num wallbox convencional, mais comum em pontos públicos, a mesma recarga demora. O ponto de carregamento fica na parte dianteira do veículo. MG4 Urban chega ao Brasil Divulgação / MG Entre os itens de série da versão de entrada Comfort estão: Faróis de projetor em LED; Luzes diurnas em LED; Lanternas traseiras interligadas; Rodas de liga leve de 17 polegadas Rack de teto na cor prata; Aerofólio traseiro integrado; Central multimídia de 12,8 polegadas; Painel de instrumentos digital de 7 polegadas; Apple CarPlay e Android Auto sem fio; Ar-condicionado automático de uma zona; Botões físicos para funções principais do ar-condicionado e do sistema de áudio; Volante revestido em couro; Sete airbags; Sensor de estacionamento; Controle de velocidade adaptativo (ACC); Frenagem autônoma de emergência (FCA); Assistente de permanência em faixa (LKA); Assistente de mudança de faixa (LCA); Assistente de emergência de faixa (ELK); Assistente de congestionamento (TJA); Alerta de tráfego cruzado traseiro; Monitoramento de ponto cego; Alerta de abertura de portas; Monitoramento de atenção do motorista; Reconhecimento inteligente de velocidade; Controle automático de farol alto; Sistema de monitoramento da pressão dos pneus. As versões linha Luxury acrescentam: Bateria de 54 kWh; Potência de 160 cv; Autonomia de 358 km; Câmera de visão 360°; Carregador de celular por indução; Bancos dianteiros aquecidos; Volante aquecido; Banco do motorista com ajuste elétrico; Iluminação ambiente com 64 cores.
16/07/2026 23:50:10 +00:00
SpaceX adia lançamento da supernave Starship
SpaceX adia lançamento da supernave Starship Nave mais poderosa do mundo faria voo de teste nesta quinta (16). Empresa vai apurar o que impediu o experimento.
16/07/2026 22:51:17 +00:00
Governo faz coletiva sobre novo tarifaço de 25% dos EUA contra Brasil

Governo faz coletiva sobre novo tarifaço de 25% dos EUA contra Brasil Vice-presidente, Geraldo Alckmin, ministros e outros representantes do governo falam sobre as novas taxas aplicadas ao país. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa.. Vieira ainda classifica como 'ofensivas' declarações de Rubio e diz que secretário dos EUA ataca Lula com grosseria e arrogância.. A nova tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho e atingirá principalmente bens industriais e alguns produtos agrícolas.. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora. Já produtos como açúcar, etanol, tabaco , entre outros, serão taxados. Veja a lista aqui. . A medida gerou uma disputa em torno da responsabilidade. Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação, o governo defende que a determinação tem caráter político.
16/07/2026 21:03:38 +00:00
Antes da nova tarifa, Brasil já havia perdido R$ 13,2 bilhões em exportações para os EUA, diz CNI

EUA oficializam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou nesta quinta-feira (15) a imposição de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, a partir do dia 22 de julho. Apesar de mais uma barreira comercial entre os países, o Brasil e os EUA já conviviam com um cenário tarifário fragmentado, que levou à perda de R$ 13,28 bilhões em exportações para os EUA em 2025. Desde o ano passado, as cobranças são divididas em três grupos: 46% não pagam sobretaxas adicionais; 25% estão sujeitos a uma tarifa geral de 10%; e 29%, principalmente produtos de aço, alumínio e cobre, já enfrentam tarifas específicas de até 50% pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, como consequência das tarifas que já estavam em vigor, 20 das 27 unidades da Federação reduziram suas exportações para os EUA no primeiro semestre de 2026, em comparação com igual período do ano anterior. Efeito das tarifas em 20 estados Percentualmente, as exportações totais caíram 13%. A retração foi puxada pela queda de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço. Apesar disso, o país norte-americano permaneceu como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25% Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros 'Golpe comercial às vésperas da campanha eleitoral': veja como a imprensa mundial repercutiu tarifaço de Trump contra o Brasil Novas tarifas vão piorar um cenário já ruim O novo anúncio tende a agravar um quadro que já era desfavorável. A CNI afirma que a sobretaxa amplia a insegurança para empresas dos dois países e intensifica a pressão sobre as exportações brasileiras. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, “diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e EUA construíram", afirma. Conforme o próprio USTR, a medida foi adotada por determinação do presidente Donald Trump após concluir que políticas e práticas brasileiras seriam "desarrazoadas" e restringiriam o comércio norte-americano. Os EUA afirmam que a sobretaxa busca "nivelar o campo de jogo" para proteger agricultores, trabalhadores, empresas e inovadores dos EUA. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação com a decisão americana. Em nota, a entidade avaliou que a tarifa adicional de 25% amplia os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros. Segundo a FIEMG, o impacto efetivo dependerá da lista de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido a concorrentes de outros países. A federação alertou ainda para possíveis efeitos como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais. Tarifaço: Durigan diz que Brasil vai preservar soberania financeira e geológica 'sem viralatice' e que país segue aberto a negociações Tarifaço: ministro diz que 18% das exportações brasileiras aos EUA, que correspondem a US$ 7,4 bilhões, serão afetadas Existe a possibilidade de outra tarifa? Além dessa medida, o governo americano também conduz outra investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A cobrança, prevista para 60 economias, é justificada pela avaliação de Washington de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. Saiba mais sobre as tarifas de 25%. Carne, suco de laranja e café isentos do tarifaço; açúcar, etanol e máquinas agrícolas sujeitos a novas tarifas g1 O impacto da Lei de Reciprocidade O governo brasileiro pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países. Na avaliação de Marcelo Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, a decisão do governo americano não surpreende, já que as negociações entre os dois países vinham ocorrendo havia meses sem grande evolução. O economista avalia que uma eventual retaliação pode elevar o custo de produtos e insumos importados dos Estados Unidos, pressionando ainda mais a inflação brasileira, hoje acima do teto da meta projetada pelo Banco Central. Segundo ele, esse movimento poderia provocar um efeito em cadeia, mantendo os juros elevados por mais tempo e reduzindo o ritmo da atividade econômica. "No fim do dia, quem acaba pagando por isso é o consumidor final, porque os produtos vão ficar mais caros", afirma. Bassani também observa que, no curto prazo, é difícil substituir fornecedores americanos, o que limita a capacidade das empresas de absorver o impacto das novas tarifas. Embora produtos como carne, café e itens da indústria aeronáutica tenham ficado de fora da nova rodada de tarifas, milhares de outros bens devem sofrer aumento de preços, com parte desse custo sendo absorvida pelas empresas e parte repassada ao consumidor, explica Gabriel Eisner, sócio da Mhydas Planejamento Financeiro. LEIA MAIS Balança comercial tem superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, aumento de 66% em relação ao ano passado
16/07/2026 20:40:51 +00:00
Tarifaço: Durigan diz que Brasil vai preservar soberania financeira e geológica 'sem viralatice' e que país segue aberto a negociações

EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil vai preservar a soberania financeira e geológica "sem viralatice" e que o governo seguirá aberto à diplomacia e a negociações. "A gente vai seguir protegendo o Pix, como disse o presidente [do Banco Central] Gabriel Galípolo, o maior símbolo da nossa soberania financeira. Nós seguiremos protegendo a nossa soberania geológica sem viralatice e nós seguiremos protegendo a nossa democracia contra a interferência internacional indevida", disse Durigan. A declaração acontece um dia após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. Dario Durigan, ministro da Fazenda Júlio César Silva/MDIC O ministro da Fazenda afirmou ainda que com as novas tarifas, alguns setores podem ser afetados, mas a medida do governo Trump não afetará "a economia do país como um todo". "Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o governo americano, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". 🔎A decisão dos Estados Unidos é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. LEIA TAMBÉM: PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Entenda cronologia O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação nesta quarta (15) de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.
16/07/2026 20:34:17 +00:00
Setor de açúcar e etanol reage a tarifa dos EUA e diz que medida de Trump ignora realidade do mercado

Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa e lastro com realidade: 'Motivação política' Os produtores brasileiros de etanol e açúcar lamentaram, nesta quinta-feira (16), a decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Para o setor, a medida representa um retrocesso na relação comercial entre os dois países. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), os Estados Unidos compraram 253 milhões de litros de etanol brasileiro em 2025, em um total de US$ 163 milhões (R$ 832,93 milhões). Com isso, o país foi o segundo principal destino das exportações do combustível, atrás apenas da Coreia do Sul. No caso do açúcar, os EUA importaram 420 mil toneladas do produto brasileiro em 2025. O volume, porém, ficou bem abaixo das 1,12 milhão de toneladas embarcadas em 2024. Em nota, a Unica afirmou que a nova tarifa ignora as diferenças existentes na relação comercial entre os dois países. A entidade destacou que o açúcar brasileiro já enfrenta tarifas e limitações para entrar no mercado americano, enquanto o Brasil, segundo ela, não impõe restrições desse tipo ao etanol dos Estados Unidos. A tarifa adicional de 25% foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e deve entrar em vigor em 22 de julho. O governo americano justificou a medida alegando que o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais - acusação rejeitada pelo governo brasileiro. Donald Trump anuncia tarifas. AFP Quais os argumentos do USTR? Entre os argumentos apresentados pelos EUA está a dificuldade de acesso ao mercado brasileiro de etanol. Dados do próprio governo americano mostram que as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil vêm caindo nos últimos anos. A União Nacional do Etanol de Milho (Unem), por sua vez, afirmou que a tarifa brasileira aplicada ao etanol importado segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e não descumpre nenhum acordo bilateral firmado com os Estados Unidos. A entidade também explicou que a queda nas importações de etanol americano ocorreu porque a produção nacional de etanol de milho cresceu de forma acelerada nos últimos anos, aumentando a oferta do combustível no mercado brasileiro e reduzindo a necessidade de importações. Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Jornal Nacional/ Reprodução Tradicionalmente, o etanol brasileiro era produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar. Nos últimos anos, porém, a produção de etanol de milho ganhou força e passou a ocupar um espaço cada vez maior no setor. Para Renato Cunha, presidente-executivo da associação NovaBio, que representa produtores de açúcar e bioenergia, a nova tarifa mostra que os Estados Unidos querem ampliar as vendas de etanol para o Brasil sem oferecer, em troca, melhores condições para a entrada do açúcar brasileiro no mercado americano. "Eles querem vender etanol para um país que não precisa importar esse produto. Isso não é negociação, é imposição", afirmou Cunha em entrevista.
16/07/2026 20:18:21 +00:00
PIX: Galípolo defende meio de pagamento alvo de contestação dos EUA; 'gratuito', 'seguro' e 'instantâneo'

Galípolo defende pix e diz que argumentos dos EUA são 'desculpa' O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu nesta quinta-feira (16) o PIX como um meio de pagamento "gratuito", "seguro" e "instantâneo", com enorme potencial de inclusão financeira para a população brasileira. Ao lado de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Galípolo participou de coletiva à imprensa convocada para rebater os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para nova ofensiva tarifária ao Brasil. Na madrugada desta quinta, o governo de Donald Trump confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Na investigação comercial, o governo americano acusa o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o PIX. "A gente vai seguir sempre fornecendo o PIX como algo gratuito, seguro e instantâneo e seguir na evolução técnica do PIX em cooperação com outros Bancos Centrais para que, cada vez mais, a população brasileira possa ter acesso a serviços financeiros de maneira mais segura, mais rápida e com maior inclusão financeira," disse Galípolo. Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16) Júlio César Silva/MDIC LEIA TAMBÉM: Tarifaço: ministro diz que 18% das exportações brasileiras aos EUA, que correspondem a US$ 7,4 bilhões, serão afetadas Governo terá programa de apoio para empresas que tiverem problemas com novas taxas dos EUA sobre o Brasil, diz Alckmin 'Quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico' O USTR afirmou que o Banco Central brasileiro favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor. O governo americano também critica o BC por atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que limitaria a atuação de concorrentes. "Quando a gente olha para as alternativas e o que aconteceu no mercado, quem perde espaço são os cheques e o dinheiro físico, o que é absolutamente desejável para todos. O custo de transação de você levar fisicamente cheques ou dinheiro físico é altíssimo. Então, o caso da implementação do PIX, ele consegue se configurar como um desses em que ele é benéfico para quem demanda e para quem oferta para o setor público e para o setor privado". Galípolo disse o BC trabalhará pela ampliação de termos de cooperação técnica para que o PIX chegue a outros países, inclusive aos Estados Unidos. "O Banco Central já assinou com mais de 47 outros bancos centrais termos de cooperação técnica para que o Banco Central possa transferir tecnologia e esses outros bancos centrais possam desenvolver o seu sistema de pagamento instantâneo também. Países como Estados Unidos e a Europa, a China, a Índia, Singapura, uma série de outros bancos centrais, ou já implementou, ou está estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo".
16/07/2026 20:15:11 +00:00
Qual o impacto do tarifaço de Trump no Brasil? 'Deve ser restrito' e mostra 'limites do protecionismo americano', diz economista

Donald Trump e Lula ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images/Via BBC A tarifa de 25% contra produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15/07), deve ter impacto restrito diante da extensa lista de itens isentos divulgada, afirma a economista e pesquisadora do PIIE (Instituto Peterson de Economia Internacional, nos EUA), Monica de Bolle. Ainda segundo a especialista brasileira, o cenário revela os limites do protecionismo e da margem de manobra de Donald Trump no mundo globalizado de hoje, que são muito menores do que o presidente americano faz parecer em suas ameaças. "Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo", disse De Bolle em entrevista à BBC News Brasil. "Por essa razão, o leverage [termo para alavancagem, usado em referência a poder ou influência] que os Estados Unidos tem é muito menor na prática do que na retórica." De Bolle afirma ainda que não há lógica econômica clara por trás das decisões tarifárias de Trump e classificou a medida contra o Brasil como "uma ação coercitiva política". A aplicação das tarifas contra o Brasil foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão. Ela entrará em vigor em 22 de julho. Caso o novo tarifaço passe a valer, o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Trump ao poder. Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas." Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília. Os EUA também divulgaram nesta quarta a lista atualizada de produtos que não vão enfrentar as tarifas. São mais de 2,2 mil itens, entre eles carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves. "Com essa lista de exceções, fica muito claro os limites que os Estados Unidos tem para aplicar esse tipo de medida protecionista com a mesma envergadura que eles anunciaram", diz a economista Monica de Bolle divulgação via BBC De acordo com Monica De Bolle, diante das dificuldades que o governo brasileiro vem enfrentando para negociar com os EUA, é provável que as conversas de agora em diante avancem mais em nível privado, entre empresas e setores específicos. "É uma balcanização do comércio, que se tornou inevitável", diz. Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Para De Bolle, uma ação retaliatória poderia abrir espaço para uma guerra com comercial com os Estados Unidos, algo que "não seria bom para ninguém". "Eu não consigo imaginar como é que os Estados Unidos responderiam [a uma retaliação], mas imagino que responderiam com força de volta, embora o raio de ação seja limitado, como a gente já viu na própria lista de isenções", diz. Por outro lado, diz a economista, o governo brasileiro poderia optar por uma ação retaliatória limitada, apenas para sinalizar sua oposição e marcar posição, algo que teria um impacto bem menor. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista de Monica De Bolle à BBC News Brasil. BBC News Brasil - Há coerência econômica nas tarifas anunciadas? Até que ponto os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos têm fundamento econômico ou refletem uma disputa política? Monica de Bolle - Não tem, é uma clara disputa política. Isso ficou muito evidente com a manifestação do secretário de estado estado do Marco Rubio no X imediatamente após o anúncio acusando o governo Lula como responsável pelas tarifas – o que não faz nenhum sentido e deixa evidente a conotação política dessa medida. Esse é o primeiro caso de uso da sessão 301 desde que a Suprema Corte em fevereiro retirou as tarifas impostas por meio do IEEPA [Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional] e não permitiu que o governo, portanto, impusesse tarifas da maneira como vinha fazendo. O Brasil é uma espécie de 'test case' [caso de teste] para entender se essas outras vias que o governo tem usado para reimpor ou reinstituir as tarifas que estavam em vigor antes dessa ação da Suprema Corte de fato funcionam, além de ser um teste do próprio governo Trump em relação ao seu poder de barganha. BBC News Brasil - Os EUA incluíram na lista de exceções à tarifa alguns importantes itens da pauta exportadora brasileira para o mercado americano, como carne bovina e outros produtos agropecuários. Diante disso, qual tende a ser o impacto econômico efetivo da tarifa? De Bolle - As isenções são a parte mais reveladora desse anúncio, mais do que a tarifa em si. Pelas minhas contas, cerca de 65%, senão mais, das exportações do Brasil para os Estados Unidos ficarão completamente isentas. Ou seja, a tarifa de 25% se aplica apenas a um terço dos bens exportados. Além disso, já havia uma lista de isenções publicada no início de junho, e novos itens foram acrescentados agora. Tudo isso é muito revelador dos limites dessa ação norte-americana. Apesar de aparentemente não quererem mais isso, os Estados Unidos são uma economia muito integrada com o resto do mundo. Muitas exportações brasileiras são críticas para a economia americana e qualquer ação tarifária teria repercussões diretas sobre não só o consumidor americano, mas empresas locais também. Por essa razão, o leverage [termo para alavancagem, usado em referência a poder ou influência] que os Estados Unidos tem é muito menor na prática do que na retórica. Os itens realmente de peso, como café, suco de laranja, carne e outros produtos agrícolas, mas também grandes itens manufaturados como aviões e componentes, ficaram de fora. Até o pig iron [ferro-gusa, obtido com a redução do minério de ferro em altos-fornos] foi excluído, porque o Brasil representa mais de 50% do consumo norte-americano desse metal. Também não aconteceu nada especificamente relacionado ao Pix, que havia sido mencionado na investigação. Com essa lista de exceções, fica muito claro os limites que os Estados Unidos tem para aplicar esse tipo de medida protecionista com a mesma envergadura que eles anunciaram. BBC News Brasil - Podemos esperar um impacto limitado também no dia a dia das pessoas? De Bolle - Sim, mais ou menos na linha do que já havia acontecido no ano passado, quando houve aquela imposição de tarifas de 50% que depois caíram para 40%. No fim das contas, uma porção de itens não tiveram tarifas aplicadas sobre eles e não houve grandes efeitos sobre a economia brasileira. E o USTR anunciou que as negociações continuam em curso, então pode ser que essa lista de isenção aumente ainda mais ao longo dos próximos meses. É um impacto, mas é um impacto relativamente circunscrito e que não deve ter grandes consequências. Até porque do ano passado para cá, o Brasil vem tentando diversificar ao máximo o destino das exportações, assim como outros países. Lógico, há uma dependência do mercado americano que não vai desaparecer, mas já está havendo uma espécie de desvio de comércio dos estados brasileiros para outros países, precisamente por conta dessa volatilidade protecionista dos Estados Unidos. O caso do Brasil ainda serve como um sinalizador para outros países que também estão sendo investigados sobre a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O caso brasileiro revela para esses países os limites do alcance do protecionismo norte-americano. Os EUA divulgaram a lista atualizada de produtos que não vão enfrentar as tarifas. São mais de 2,2 mil itens, entre eles carnes bovinas, frutas, café, minerais, fertilizantes e aeronaves Dado Galdieri/Bloomberg via Getty Images/via BBC BBC News Brasil - O Brasil é o segundo país mais taxado pelos EUA, atrás apenas da China. Existe uma lógica econômica por trás disso? De Bolle - Não, porque a própria lógica econômica do Trump, que não é nem uma lógica econômica tão bem fundamentada assim, não deveria se aplicar ao Brasil. A ideia seria proteger os EUA daqueles países com quem eles têm déficit comercial muito elevado, mas os Estados Unidos não tem déficit comercial com o Brasil. O superávit americano em relação ao Brasil, inclusive, aumentou recentemente. E, por si só, essa já é uma lógica falha, porque ninguém faz medida de protecionismo por conta de déficit ou superavitário comercial. É uma maluquice. Os Estados Unidos também queriam que o Brasil abandonasse algumas relações tarifárias preferenciais com países como México e Índia – que são perfeitamente compatíveis com as cláusulas da Organização Mundial do Comércio – e passasse a ter certas relações preferenciais com os Estados Unidos, mas de uma forma que não é compatível nem com a nossa legislação comercial, nem com o fato de sermos membros da Aladi [Associação Latino-Americana de Integração] e do Mercosul. Então, o Brasil não tinha o que dar para os Estados Unidos em troca desse pedido. O único setor ou o único produto afetado por essas tarifas em que consigo ver alguma lógica comercial e econômica é o etanol. Essa ação tem muita cara de uma ação coercitiva política antes de qualquer outra coisa. Não há um aspecto econômico claro aqui. BBC News Brasil - As tarifas podem ter um impacto eleitoral no Brasil? De Bolle - Acho que sim. Como a gente sabe, política externa e política comercial tipicamente tem pouco efeito em eleições, mas com os Bolsonaros – Flávio e Eduardo – se posicionando desde o princípio como aliados do Trump, as visitas a Washington e à Casa Branca, as conversas todas em torno de assuntos diversos, como Pix, comércio, a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, [isso pode mudar]. Devemos ficar de olho e avaliar no mínimo com uma certa suspeição essa percepção de que o Flávio Bolsonaro é um sujeito muito próximo de Trump. Ainda que Flávio Bolsonaro se elegesse, os Estados Unidos não são um parceiro confiável nesse momento. As coisas têm mudado de um dia para o outro: uma hora o Trump faz um aceno positivo para um país e no dia seguinte vira inimigo de novo. Isso introduz muita incerteza e volatilidade em qualquer relação bilateral. O alinhamento do Flávio Bolsonaro com o governo Trump é um ônus político para a campanha dele, sem nenhuma dúvida. E a aplicação das tarifas, da forma como vieram, mesmo depois de uma solicitação do próprio Flávio Bolsonaro para que o anúncio fosse adiado e deixado para depois das eleições, só sublinha essa ideia. BBC News Brasil - O fato de a medida ter sido tomada com base na Seção 301 muda a margem de reação do Brasil? De Bolle - O que o governo brasileiro vem tentando fazer é negociar na medida do possível com um governo que é absolutamente irascível e que tem outros objetivos em mente que vão além dos econômicos, né? O Trump já deixou muito claro que a o objetivo dele é que América Latina seja um palco de influência para os Estados Unido. Toda a articulação em torno de política comercial tem a ver com essa pegada geopolítica de zona de influência dos Estados Unidos O Brasil tem atitudes técnicas que pode tomar contra essas medidas? Tem, mas o problema de fundo é um problema geopolítico mais abrangente e isso limita um pouco o raio de ação. BBC News Brasil - Uma eventual retaliação com base na lei de reciprocidade tende a fortalecer a posição brasileira ou pode agravar o conflito? De Bolle - O Brasil está em uma posição ingrata, porque é difícil sofrer um ataque como esse e não fazer absolutamente nada, né? O país estaria no seu direito de articular uma resposta, se julgar que esse é o melhor caminho. Mas, se de fato decidir por uma ação retaliatória, podemos entrar em um terreno de guerra comercial com os Estados Unidos, que não será bom para ninguém. Eu não consigo imaginar como é que os Estados Unidos responderiam [a uma retaliação], mas imagino que responderiam com força de volta, embora o raio de ação seja limitado, como a gente já viu na própria lista de isenções. Mas cria um ambiente de muita incerteza na relação bilateral que acaba prejudicando empresas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Agora, isso também poderia resultar em nada, porque o Brasil pode decidir, por exemplo, fazer uma ação retaliatória relativamente limitada, apenas para sinalizar que não irá aceitar isso assim de braços cruzados. E aí continuaríamos mais ou menos na mesma situação que estamos agora, de desentendimentos entre os dois países, mas sem que que isso resulte em maiores consequências econômicas. BBC News Brasil - Para onde o Brasil pode correr para negociar nesse momento, tanto para tentar reverter as tarifas quanto para encontrar outros mercados que podem absorver os produtos afetados? De Bolle - O Brasil já está negociando com uma porção de países distintos. Temos o acordo União Europeia-Mercosul em andamento e conversas diversas ocorrendo com vários outros países, inclusive com Canadá e países asiáticos. E o quadro é favorável, porque muitos outros países também precisam diversificar seus parceiros para além dos Estados Unidos. Agora isso tudo toma tempo, né? Nada disso vai resultar em algo imediato. Já negociar com os EUA é mais difícil. Desde que essa ação começou no ano passado, o Brasil teve muitas dificuldades de entrar em contato com o pessoal do USTR e só conseguiu depois de um lobby muito intenso de empresas brasileiras com atuação nos Estados Unidos e empresas americanas com atuação no Brasil. E apesar disso tudo, a situação continua precária. Provavelmente, vamos continuar a ver essas negociações andarem menos no nível específico dos governos – onde elas deveriam ocorrer – e mais entre setores específicos com seus lobbies particulares. É uma balcanização do comércio, que se tornou inevitável. BBC News Brasil - A inflação americana desacelerou recentemente. Na sua visão, esse é um movimento duradouro? De Bolle - Não. Essa desaceleração da inflação aconteceu em grande parte por conta do cessar-fogo da guerra com o Irã. Agora, número 1, a guerra voltou. E número 2, o governo Trump está voltando a fazer as ações tarifárias que haviam sido temporariamente eliminadas pela ação da Suprema Corte. Creio que o inflação americana já deve voltar a subir com força nos próximos três meses com essas duas fontes de pressão inflacionária. E isso certamente terá efeito sobre a popularidade interna do Trump, até porque um dos motivos que levou o governo a assinar o memorando de entendimento com o Irã foi as pressões da base eleitoral diante do altíssimo custo de vida.
16/07/2026 20:12:08 +00:00
Tarifaço: ministro do Meio Ambiente diz que argumentos dos EUA para justificar novas taxas são 'absolutamente improcedentes'

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou nesta quinta-feira (16) que os argumentos sobre desmatamento no Brasil utilizados pelos Estados Unidos como justificativa para o novo tarifaço contra produtos brasileiros são "absolutamente improcedentes". "Os argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as tarifas são absolutamente improcedentes, não tem nenhum fundamento técnico, não está baseado em nenhuma informação comprovável", afirmou Capobianco. O ministro afirmou que toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e passa por um sistema rigoroso de fiscalização. "Apareceram com uma nova informação. Essa ainda mais falsa. Qual é a nova informação? De que o Brasil estaria desmatando ilegalmente e inundando o mercado internacional com madeiras de origem ilegal prejudicando diretamente a participação das empresas norte-americanas no mercado. Isso é absolutamente inverídico", disse Capobianco. "O sistema de exportação de madeira é hoje um dos mais rigorosos de todo o sistema de controle ambiental por exigência, inclusive, do mercado internacional. Toda a madeira exportada é certificada. Ela tem acompanhamento desde a origem na floresta até o embarque, os técnicos do Ibama e da Receita monitoram as cargas. Não é possível, em nenhum porto brasileiro, exportar uma madeira sem a verificação e a comprovação da cadeia de custódia", completou o ministro. Capobianco disse que o Ministério do Meio Ambiente viu a decisão norte-americana com "indignação" e que as ações brasileiras contra o desmatamento foram "distorcidas" pela gestão Donald Trump para justificar o novo tarifaço. "Nós reduzimos 50% do desmatamento nos três últimos anos e este ano seguimos reduzindo. Aliás, recentemente, a imprensa noticiou uma queda recorde de desmatamento no mês de junho, caindo 38%, sendo que no primeiro semestre 2026, nós tivemos o menor índice na última década desde", concluiu o titular do Meio Ambiente. 🔎O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) alega que, embora o Brasil possua um marco legal robusto para combater o desmatamento ilegal, o país historicamente falha na aplicação prática e eficaz dessas leis. 🔎🔎Isso, para o governo norte-americano, permite que a atividade irregular continue e gere vantagens comerciais desleais, argumento este que é utilizado para justificar a proposta de impor tarifas de 25% sobre diversos produtos nacionais. Entenda o caso João Paulo Capobianco (ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima) Globo O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
16/07/2026 20:10:17 +00:00
Tarifaço: ministro diz que 18% das exportações brasileiras aos EUA, que correspondem a US$ 7,4 bilhões, serão afetadas

O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) afirmou nesta quinta-feira (16) que 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas com o novo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos do Brasil. De acordo com Rosa, o percentual tem como referência as exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2024 e corresponde a US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre os dois países. "Queria destacar que nós vamos ter cerca de 18% das nossas exportações para os Estados Unidos atingidas, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Isso levando em conta o ano de 2024, antes, portanto, do início do tarifaço", afirmou. Segundo Márcio Elias Rosa, se for considerado o ano de 2025, a participação dos setores atingidos nas exportações cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões. O ministro lembrou que o novo tarifaço entra em vigor no próximo dia 22 de julho. Márcio Elias Rosa disse ainda que, conforme a análise feita pelo governo, com a nova decisão da gestão Trump, o Brasil terá, sem tarifa na pauta exportadora, 57% dos produtos vendidos aos Estados Unidos. Conforme o ministro, 24% dos produtos estão sujeitos a uma tarifa que poderá chegar a até 50%. São itens como aço, alumínio, e alguns fabricados pelo setor automotivo. Entenda o caso Alckmin: Governo terá programa de apoio a setores afetados pelo novo tarifaço O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. Márcio Fernando Elias Rosa, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços / Divulgação
16/07/2026 20:05:40 +00:00
Alckmin diz que empresas afetadas pelo tarifaço terão ajuda e reciprocidade contra EUA será usada em 'momento adequado'

Governo classifica tarifaço dos EUA como 'marco lastimável' e diz que vai acionar Lei de Reciprocidade O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo federal terá um programa para ajudar empresas prejudicadas com a nova taxa de 25% que o governo dos Estados Unidos anunciou sobre produtos brasileiros. "O presidente, o governo do presidente Lula trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro. Quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia. Então o governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas", disse Alckmin. Alckmin disse ainda que o governo brasileiro avaliará usar a Lei da Reciprocidade, mecanismo de defesa comercial que autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas contra países que impõem tarifas, barreiras ou restrições abusivas a produtos e interesses do Brasil. "Destacar que nós temos uma lei que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo no momento adequado, saberá como implementá-la", afirmou. "A lei não é retaliatória. Não há retaliação. O que existe uma lei que defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira", complementou o vice. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, afirmou que as empresas poderão contar com a ajuda do governo de "diferentes modos". As conversas com os empresários serão conduzidas por ele e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, já a partir desta segunda-feira (20).  O Brasil Soberano, implementado no ano passado no contexto das primeiras tarifas contra o Brasil, irá atender os setores atingidos.  ➡️ O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. "Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O ministro da Fazenda ainda afirmou que alguns setores podem ser afetados, mas a medida do governo Trumo não afetará "a economia do país como um todo". Impacto nas exportações O governo calcula que 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas com o novo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos do Brasil. "Queria destacar que nós vamos ter cerca de 18% das nossas exportações para os Estados Unidos atingidas, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Isso levando em conta o ano de 2024, antes, portanto, do início do tarifaço", afirmou Marcio Elias Rosa. De acordo com o ministro, o percentual tem como referência as exportações do Brasil para os Estados Unidos em 2024 e corresponde a US$ 7,4 bilhões na balança comercial entre os dois países. "A Apex, o BNDE, a ABDI vão fazer um empenho redobrado pra gente abrir novos mercados e crescer ainda mais o comércio exterior. Mas, destacando que o ano passado foi o recorde de exportação e este ano, no primeiro semestre também recorde de exportação", complementou Geraldo Alckmin. Os representantes do governo brasileiro deram as declarações em uma entrevista coletiva em Brasília, nesta quinta. Alckmin contestou as alegações usadas pelos EUA para justificar as tarifas de 25% anunciadas nesta quarta-feira (15) e afirmou que a medida é "injusta e descabida". "É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque que os argumentos levantados na sessão 301 e aqui vão ser explicitados pelos ministros não tem parte de uma base totalmente falsa. Não tem menor justificativa", afirmou Alckmin. As novas taxas Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Participaram da coletiva de imprensa os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Duringan (Fazenda), Márcio Elias rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente). Além disso, também estão presentes o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo e Maria Rosa Guimarães, secretária nacional de justiça. Operação de transporte de cargas em porto Bruno Leão/Sedecti Entenda cronologia O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação nesta quarta (15) de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. 🔎 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.
16/07/2026 19:55:50 +00:00
Alckmin contesta alegações dos EUA sobre tarifaço e diz que medida é 'injusta e descabida'

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, contestou as alegações usadas pelos Estados Unidos para justificar as tarifas de 25% anunciadas nesta quarta-feira (15) e afirmou que a medida é "injusta e descabida". "É injusta porque se nós pegarmos os próprios dados dos Estados Unidos nos últimos 15 anos os Estados Unidos teve conosco superávit na balança comercial. E descabida porque que os argumentos levantados na sessão 301 e aqui vão ser explicitados pelos ministros não tem parte de uma base totalmente falsa. Não tem menor justificativa", afirmou Alckmin. ➡️O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta. 🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Mauro Vieira diz que novas tarifas dos EUA não têm justificativa e lastro com realidade: 'Motivação política' O vice-presidente afirmou ainda que os argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar as novas tarifas "tem parte de uma base totalmente falsa e não tem menor justificativa". LEIA TAMBÉM: PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Participaram da coletiva de imprensa os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Duringan (Fazenda), Márcio Elias rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e João Paulo Capobianco (Meio Ambiente). Além disso, também estão presentes o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo e Maria Rosa Guimarães, secretária nacional de justiça. Alckmin afirmou ainda que no ano passado o Congresso Nacional aprovou a Lei de Reciprocidade e que o governo, "no momento adequado, saberá como implementá-la" Geraldo Alckmin, vice-presidente da República durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16) Júlio César Silva/MDIC Entenda cronologia O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação nesta quarta (15) de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país. Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa, como é o caso da carne bovina e do café. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas. Em nota, o governo do presidente Lula classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. O Planalto também sustenta que as acusações apresentadas pelos EUA não se sustentam e lembra que o Brasil tentou, ao longo do último ano, reverter as investigações e evitar a adoção das tarifas.
16/07/2026 19:51:46 +00:00
Exportadoras dizem que carne brasileira pode não conseguir atender exigências da UE sobre antimicrobianos

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira (16) que há grandes chances da produção de carnes brasileira não conseguir atender às exigências da União Europeia sobre o uso de antimicrobiano e, com isso, perder acesso a esse mercado. "Eu acho que o Ministério da Agricultura está dialogando com todos os elos da cadeia, tanto com a indústria quanto com os pecuaristas, para se chegar a uma boa decisão que ainda não temos, mas a gente está acompanhando para que a gente chegue nessa boa decisão", afirmou Perosa. Segundo Perosa, considerando o ciclo da criação bovina, as exigências podem não ser atendidas, pois a adaptação levaria cerca de 30 meses, ou seja, dois anos e meio. 🔎 Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser empregados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia. No início de junho, a União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as regras do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Com isso, o país ficará impedido de exportar carnes para o mercado europeu a partir de 3 de setembro. Na lista publicada em 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Agora, o país estará impedido de exportar todos esses produtos para o bloco de países europeus. Enquanto isso, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, seguem habilitados a exportar para a União Europeia. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil foi retirado da lista por não apresentar as informações necessárias para comprovar que sua produção atende às exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos. Embora represente uma parcela relativamente pequena do volume exportado pelo Brasil, o mercado europeu é considerado estratégico por concentrar a compra de cortes de maior valor agregado. No ano passado, 5% das exportações brasileiras de carne tiveram como destino a União Europeia. O Terra da Gente registrou a famosa travessia da boiada de uma margem para a outra Márcio de Campos Salvaguardas chinesas Além das restrições impostas pela União Europeia, o setor enfrenta outro desafio: as salvaguardas adotadas pela China. A partir de 1º de janeiro de 2026, o país passou a aplicar cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira. A medida, com duração prevista de três anos, estabelece uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. As exportações que ultrapassarem esse volume ficam sujeitas a uma sobretaxa de 55%. Segundo Perosa, os efeitos das restrições já começaram a ser percebidos neste mês, diante da dificuldade de escoar uma produção que cresceu significativamente nos últimos anos. Entre os reflexos, estão relatos de férias coletivas em frigoríficos. "Não temos a mesma demanda global de carne", afirmou Perosa. Segundo ele, é justamente a demanda internacional que ajuda a sustentar os preços no mercado interno. "O principal mercado do Brasil é o interno, mas a exportação complementa e faz esse mix que faz com que a gente não precise fazer uma elevação aguda dos preços internos. Esse mix que trazia essa garantia de remuneração do mercado externo com a China, isso não existe. E estamos vendo muitas indústrias com dificuldade. Hoje a maioria das indústrias estão trabalhando no vermelho", disse. Questionado sobre os reflexos no preço da carne no Brasil, Perosa afirmou que, em um primeiro momento, os preços devem permanecer estáveis. Em um segundo momento, porém, a pressão sobre as margens de produção e o aquecimento da economia podem levar a reajustes. "A tendência é que o preço da carne se mantenha estável, mas depois pode aumentar", declarou.
16/07/2026 18:05:57 +00:00
Crime organizado movimenta bilhões por meio de criptomoedas, alerta órgão global

Dupla que fingiu ser policial roubou R$ 800 mil em criptomoedas após falsa abordagem Criminosos estão explorando brechas na regulamentação para movimentar bilhões de dólares em recursos ilícitos por meio do mercado de criptomoedas, afirmou nesta quinta-feira (16) o Grupo de Ação Financeira (Gafi) em seu mais recente relatório sobre ativos virtuais e financiamento ilícito. No documento, o organismo intergovernamental de combate à lavagem de dinheiro, com sede em Paris, França, afirma que os crimes envolvendo criptomoedas se tornaram mais "complexos e interconectados" no último ano. Segundo o Gafi, reguladores, instituições financeiras e empresas do setor enfrentam "desafios significativos e contínuos" para identificar e interromper fluxos de lavagem de dinheiro ligados a golpes financeiros e esquemas de fraude em investimentos. O relatório mostra que houve avanços na adoção das recomendações do grupo. Em abril de 2026, 51 das 149 jurisdições avaliadas estavam "amplamente em conformidade" com os padrões do Gafi para ativos virtuais, o equivalente a pouco mais de um terço (34%) do total. No ano anterior, esse percentual era de 29%. No ano passado, um robô de IA ganhou milhões de dólares em criptomoedas: conheça o Truth Terminal BBC Ainda existe margem para o erro Apesar da evolução, o organismo alerta que ainda persistem "lacunas significativas" na implementação de medidas capazes de reduzir os crimes relacionados às criptomoedas. O Gafi também destacou o crescimento do uso de stablecoins - criptomoedas atreladas a um ativo de referência, como o dólar - por organizações criminosas. Segundo o relatório, algumas dessas redes passaram a desenvolver suas próprias stablecoins, projetadas para resistir ao congelamento de ativos e à apreensão por autoridades.
16/07/2026 16:28:36 +00:00
Lula convoca ministros para reunião no Planalto após decisão dos EUA de impor 'novo tarifaço'

Lula se reúne com ministros para discutir tarifas O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou ministros nesta quinta-feira (16) para discutir a posição do governo sobre a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o que vem sendo chamado de novo "tarifaço". O ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira estão reunidos no Planalto para discutir o tema com o presidente. Além disso, estão previstos dois pronunciamentos do governo sobre o tema após a reunião, nesta tarde: um na sede do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e outro no Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio (MDIC). A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço". Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político". Presidente Lula em discurso Washington Costa/Ministério da Fazenda O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou nessa quarta-feira (15) a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de isenções. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental. Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político. Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé". Governo repudiou decisão Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e disse que"repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a Lei da Reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".
16/07/2026 15:43:47 +00:00
Brasil é país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder

Em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. No final deste mês, sob Trump, elas chegarão a 14,42%. Reuters via BBC Após o anúncio de novas tarifas de 25% contra produtos brasileiros feito pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15) o Brasil passará a ser o país que mais viu aumento de alíquotas americanas desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, em comparação com os 30 países que mais exportam para os EUA. Quando Joe Biden encerrou seu mandato em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média dos EUA contra produtos brasileiros era de 1,19%. Atualmente a tarifa efetiva média é de 11,66%. No final deste mês, quando as medidas do governo Trump entrarem em vigor, a tarifa contra o Brasil terá subido para 14,42% — um salto de mais de 13 pontos percentuais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nenhum outro país viu um salto de tarifas tão grande desde que Trump voltou ao poder — apesar de diversos países terem sofrido também aumento nas suas alíquotas. As tarifas efetivas de importação subiram 9,57 pontos percentuais para produtos da Coreia do Sul, 8,39 para Tailândia, 7,7 para o Japão e 7,48 pontos para a China. Os dados atualizados nesta quinta-feira (16/07) são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que números de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Esses dados já incluem o novo anúncio feito pela Casa Branca. Após investigação, EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil Os dados do GTA compilados com exclusividade a pedido da BBC News Brasil consideram apenas as tarifas efetivas (ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos) e não as tarifas nominais (que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo). Existe uma diferença entre as duas alíquotas, já que os EUA listam diversas exceções de produtos brasileiros que não precisam pagar as mesmas alíquotas (confira abaixo na reportagem). A alíquota nominal anunciada pela Casa Branca é de 25%, mas na prática — considerando os mais de 2 mil produtos que são ou isentos dessas tarifas ou recebem alíquota menor — a tarifa efetiva média é de 14,42%, segundo o cálculo do GTA. Produtos brasileiros só têm taxação menor do que a dos chineses — a tarifa efetiva média para importados da China nos EUA chegará a 21,5% no final deste mês. Antes do anúncio, o Brasil era o 13º país com a maior tarifa efetiva média nos EUA. O novo tarifaço de Trump fez o Brasil ultrapassar 11 países no ranking dos mais tarifados do mundo: Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Exceções O Brasil foi alvo de uma grande investigação comercial iniciada em julho do ano passado — na qual acusa o governo brasileiro de uma série de práticas comerciais desleais. Em junho, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que conduziu a investigação, havia sugerido em um documento de 107 páginas diversas medidas de retaliação contra o Brasil, com tarifas de 25% sobre os produtos brasileiros. Nesta quarta-feira, o governo americano anunciou sua decisão final, que é levemente mais branda do que a sugestão dada pelo USTR no mês passado. A proposta original da USTR teria elevado as tarifas efetivas médias contra produtos brasileiros a 14,89%, pelos cálculos do GTA. Agora a entidade suíça calcula que a tarifa média será de 14,42%. As tarifas americanas incidem sobre milhares de produtos importados como açúcar, máquinas agrícolas, vestuário, máquinas elétricas, papel e aço — mas há também uma vasta lista de exceções que foram divulgadas em um anexo em junho. Na nova decisão desta semana, os EUA incluíram outros produtos como mel orgânico, ferro-gusa e café solúvel sem sabor na lista de isenções. Os EUA fizeram consultas em audiências públicas abertas a todos os setores da economia. O documento divulgado pelo governo americano nesta semana afirma que nas consultas as autoridades receberam comentários de setores industriais dos EUA, alegando que alguns produtos brasileiros deveriam entrar na lista de exceção das tarifas. Entre os motivos alegados estão o fato de que alguns desses produtos são de difícil substituição, apresentam risco de causar interrupções na cadeia de suprimentos ou pouco contribuiriam para os objetivos da investigação dos EUA. Apenas um quarto dos produtos brasileiros vão pagar a tarifa máxima de 25%, segundo o GTA. Isso significa que dos US$ 39,6 bilhões exportados pelo Brasil para os EUA — usando valores de 2024 — cerca de US$ 8,5 bilhões estariam sujeitos a alíquota máxima. LEIA TAMBÉM: Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25% 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Impacto Para Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, na China, e da Fundação Dom Cabral, mesmo com a grande quantidade de exceções na lista, alguns produtores brasileiros podem sofrer com o novo tarifaço. "A lista é longa. Não vai ser 25% em tudo. Grande parte do que exportamos para eles está na lista exceção, logo o impacto será menor", disse Zeidan à BBC News Brasil. "Mas [o tarifaço] afeta muita gente sim, porque eles negaram autorização para produtos manufaturados industrializados específicos. E esses produtos são muito mais difíceis de você achar outros compradores no mundo." Ele diz que para indústrias que trabalham produtos homogêneos — como commodities — há menos impacto no tarifaço, pois as vendas podem ser redirecionadas a outros países sem mudanças na produção. "Mas é mais complicado quando você produz máquinas e peças e equipamentos que são específicos para um setor. Quanto mais especializado é, mais problemático [o tarifaço] é para uma empresa." "O tarifaço, no geral, acabou sendo muito menor do que 25%. Mas para diversas empresas o impacto vai ser bastante grande." Reação do Brasil Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' Na terça-feira (14) antes do anúncio oficial das tarifas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro poderia adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos confirmassem um novo tarifaço contra o Brasil. "A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa", afirmou a jornalistas. Governo Lula promete reagir com nova lei de reciprocidade. EPA via BBC O anúncio das tarifas já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país. O professor Rodrigo Zeidan acredita que o Brasil tem capacidade para adotar medidas de reciprocidade — mas que isso pode gerar uma nova retaliação americana. Nesse caso, é difícil prever o que aconteceria. "Os Estados Unidos disseram que as negociações continuam. É possível haver negociação. Mas a atenção dos americanos às vezes muda muito rápido." Fim de outro tarifaço Johannes Fritz — diretor do St. Gallen Endowment que compilou os dados do GTA — ressaltou que as tarifas americanas contra produtos brasileiros estão entrando em vigor poucos dias antes do fim de um outro tarifaço americano de 10% contra diversos países do mundo, inclusive o Brasil. Em fevereiro, Trump assinou uma proclamação com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que lhe permitia impor uma nova tarifa temporária de 10% sobre produtos de todos os países. Mas em maio essa tarifa foi derrubada por um tribunal. No entanto, elas seguem em vigor enquanto tramita um recurso e devem expirar apenas em 26 de julho. Em um breve período de quatro dias — entre 22 e 26 de julho — a alíquota efetiva contra produtos do Brasil será de 18,17%, pelos cálculos do GTA. O que é a investigação contra o Brasil? Em julho do ano passado, o governo dos EUA abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), resultou nas medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras, anunciadas nesta quarta-feira. O governo americano concluiu, em relatório divulgado no mês passado, que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". O documento do USTR de 107 páginas divulgado em junho trouxe conclusões da investigação em seis áreas distintas: Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site. Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores". Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção". Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria". Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas". Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste". Analistas afirmam que o governo Trump vem usando investigações da seção 301 como alternativa a outra proposta de tarifaço que foi derrubada pela Suprema Corte do país. Em fevereiro, o tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil. A legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resistiria a contestações judiciais, na avaliação de especialistas.
16/07/2026 15:08:30 +00:00
Brasil avalia retaliação contra EUA com foco em patentes farmacêuticas e setor audiovisual, diz agência

Lula no G7 LUDOVIC MARIN / AFP Horas após o anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o governo federal começou a analisar uma resposta às medidas, que deve incluir retaliações comerciais e a retomada de uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC). As informações foram divulgadas pela agência de notícias Reuters. Entre as possibilidades em discussão estão medidas envolvendo o setor audiovisual e patentes farmacêuticas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ministros e técnicos do governo se reúnem no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (16) para avaliar as medidas anunciadas pelo governo americano e discutir a resposta brasileira. As alternativas serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidirá quais medidas adotar, acrescentaram as fontes. "Os próximos passos vão depender das orientações do presidente, mas dificilmente deixaremos de dar uma resposta dura", disse uma das fontes. Agora no g1 LEIA MAIS Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25% Quais itens serão afetados e quais ficarão isentos Segundo outra fonte informou à agência, o Brasil deve retomar medidas analisadas no ano passado no âmbito da Lei da Reciprocidade Econômica, como o bloqueio de pagamentos ou a adoção de restrições sobre remessas de dividendos e royalties do setor audiovisual. Essa é uma das áreas que mais contribuem para o déficit brasileiro na balança de serviços com os Estados Unidos. Outra possibilidade em estudo envolve o setor farmacêutico, com a eventual quebra de patentes de medicamentos, e o setor agrícola, por meio de medida semelhante aplicada a sementes. Durante a primeira rodada de tarifas adotadas pelos EUA contra o Brasil, no ano passado, essas medidas foram consideradas as mais viáveis pelo governo por não afetarem as cadeias produtivas brasileiras nem pressionarem a inflação. Segundo essa avaliação, a taxação de produtos específicos poderia gerar impactos econômicos internos maiores. "Mas tudo ainda precisa ser discutido com os setores envolvidos, porque sabemos que haverá uma reação dos EUA e precisamos avaliar de que forma ela poderá ocorrer e quais impactos teria para o Brasil", disse a segunda fonte à Reuters. Integrantes do governo americano já afirmaram que os EUA poderão rever suas políticas comerciais caso o Brasil adote medidas de retaliação. Uma preocupação recorrente do setor privado brasileiro é a possibilidade de os EUA restringirem ainda mais o acesso de produtos nacionais ao seu mercado. Desde o tarifaço do ano passado, porém, diversos setores passaram a diversificar seus destinos de exportação. De acordo com dados da Câmara Americana de Comércio (Amcham), o valor das exportações brasileiras para os EUA caiu 13% no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, as exportações totais do Brasil cresceram 5,1%. Em outra frente da resposta brasileira, o governo federal retomará a disputa aberta na OMC no ano passado. Outra fonte ouvida pela Reuters afirmou que se trata do mesmo processo, o que deve acelerar sua tramitação. Como a disputa foi aberta há cerca de um ano, o Brasil já pode solicitar a instalação de um painel no Mecanismo de Solução de Controvérsias da OMC. Pelas regras do sistema, os EUA podem barrar esse pedido uma única vez, mas o painel é automaticamente estabelecido diante de uma segunda solicitação brasileira. Embora os EUA atualmente deem pouca relevância aos mecanismos multilaterais de resolução de disputas, como a OMC, uma eventual vitória do Brasil daria respaldo jurídico internacional para a adoção de medidas de retaliação. Em nota oficial divulgada logo após o anúncio das tarifas, na madrugada desta quinta-feira, o governo informou que "iniciará imediatamente" os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e retomará a discussão no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. *Com informações da agência de notícias Reuters.
16/07/2026 14:52:10 +00:00
EUA abrem investigação contra Samsung por patentes de chips ligados à IA

Loja da Samsung em Seul, na Coreia do Sul Reuters/Kim Hong-Ji Autoridades comerciais dos EUA abriram uma investigação sobre os chips de memória da Samsung Electronics e os produtos vendidos por Google, Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer que utilizam esses componentes, após uma denúncia da Netlist por suposta violação de patentes. A Netlist, que tem sede na Califórnia, acusou a Samsung e suas subsidiárias nos Estados Unidos de infringir patentes relacionadas à memória dinâmica de acesso aleatório (DRAM, na sigla em inglês), um tipo de chip que armazena temporariamente dados para os processadores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A informação foi divulgada na quarta-feira (15) pela Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC). Esses componentes são essenciais para os servidores que sustentam a expansão da inteligência artificial. A Netlist pediu à USITC que bloqueie a importação dos chips e dos produtos envolvidos no caso e determine que as empresas deixem de comercializá-los nos EUA. Um juiz administrativo da comissão conduzirá uma audiência para análise das provas e emitirá uma decisão inicial, que poderá ser revisada pela própria USITC. A comissão definirá, em até 45 dias, o prazo para a conclusão da investigação. Qualquer decisão entra em vigor imediatamente e se torna definitiva após 60 dias, a menos que seja revertida pelo Representante de Comércio dos EUA por razões de política comercial. Agora no g1 A investigação representa o capítulo mais recente de uma disputa de patentes que se arrasta há anos entre as empresas e envolve tecnologias de memória de alto desempenho. Em 2024, um júri do Texas determinou que a Samsung pagasse US$ 118 milhões (R$ 598,6 milhões) à Netlist por violação de patentes relacionadas a tecnologias de processamento de dados usadas em produtos de memória. A decisão veio após outro veredicto favorável à Netlist, de US$ 303 milhões (R$ 1,5 bilhão), em um caso semelhante julgado em 2023. Desde então, a demanda por chips de memória disparou, à medida que grandes empresas de tecnologia dos EUA aceleram a construção de centros de dados necessários para operar serviços de inteligência artificial. O movimento tem impulsionado os preços desses componentes produzidos por fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron. Samsung, Google (controlado pela Alphabet), Nvidia, Broadcom e Super Micro Computer não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.
16/07/2026 14:19:59 +00:00
Veja quais dos 50 produtos brasileiros mais exportados aos EUA passarão a pagar a nova tarifa de 25%

Após investigação, EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil A nova tarifa adicional de 25% anunciada nesta quarta-feira (15) pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros vai atingir uma parcela importante das exportações do Brasil, mas preservará boa parte dos itens que mais geram receita nas vendas ao mercado americano. Entre os 50 produtos brasileiros mais exportados para os EUA em 2025, produtos como petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio ficaram fora da nova cobrança. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já produtos como máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns produtos de alumínio passarão a pagar uma tarifa adicional de 25% a partir de 22 de julho. A medida foi tomada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Ao todo, milhares de produtos brasileiros foram incluídos na nova cobrança. Outros ficaram de fora porque o governo americano decidiu conceder exceções por motivos econômicos, estratégicos ou porque já estavam sujeitos a outras tarifas. (veja a aqui a lista de produtos isentos) O que muda para os principais produtos exportados Os EUA compraram cerca de US$ 37,7 bilhões (cerca de R$ 192,7 bilhões) em produtos brasileiros em 2025. Os dez principais produtos vendidos ao país responderam por quase metade desse valor. A maior parte desses produtos continuará sem pagar a nova tarifa de 25%. Entre eles estão: petróleo bruto; café em grão; aeronaves; ferro-gusa; celulose branqueada; carne bovina congelada; suco de laranja congelado e não congelado; ferro-nióbio; minério de ferro; combustíveis de aviação; partes de turbinas; silício. Também ficaram fora da nova cobrança produtos como couro bovino, mel natural, hidróxido de alumínio, café solúvel e alguns produtos de madeira. Por outro lado, diversos produtos brasileiros passarão a enfrentar a tarifa adicional, incluindo: fuel oil (óleo combustível, usado principalmente em geração de energia e em processos industriais); gasolina; carregadeiras; transformadores elétricos; bulldozers (tratores de esteira, máquinas pesadas usadas em obras de terraplenagem e mineração); motoniveladoras; pneus para automóveis, caminhões e ônibus; açúcar de cana; etanol; tabaco em folhas; portas e madeira serrada; madeira compensada; calçados de couro; granito e pedras trabalhadas; matérias proteicas; chapas de alumínio. Os dados foram levantados a partir do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que reúne estatísticas oficiais do comércio exterior brasileiro, considerando as exportações do país para os EUA em 2025. Como ficam as tarifas sobre produtos brasileiros Antes da nova tarifa de 25% anunciada pelo USTR, os produtos brasileiros exportados ao mercado americano estavam sujeitos principalmente às tarifas de importação regulares dos EUA, conhecidas como tarifa de nação mais favorecida (MFN, na sigla em inglês). Essas alíquotas variam conforme o produto, já que alguns itens entram no país com tarifa zero, enquanto outros estão sujeitos a cobranças específicas definidas pela classificação tarifária americana. Em média, a tarifa MFN aplicada pelos EUA ficava em torno de 3% a 3,5%. A partir de fevereiro deste ano, esses produtos também passaram a ser afetados por uma tarifa global adicional de 10% aplicada pelo governo Donald Trump sobre importações de praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos. A sequência de mudanças começou com o chamado “tarifaço” anunciado anteriormente pelo governo Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A medida previa sobretaxas para diversos países e, no caso do Brasil, chegou a elevar a tarifa adicional para 50%, somando uma cobrança extra às tarifas já existentes. A política, porém, sofreu um revés judicial quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que a IEEPA não dava ao presidente autoridade para criar tarifas de importação dessa forma. A decisão derrubou parte relevante das tarifas aplicadas com base nessa legislação, mas estabeleceu um período de transição para a retirada das cobranças. Após a decisão, Trump adotou uma nova estratégia tarifária e anunciou uma tarifa global temporária de 10% para substituir as cobranças derrubadas pelo tribunal. A medida foi criada com base em outra autoridade comercial e passou a valer de forma ampla para produtos importados de diversos países. Essa cobrança tem validade limitada até este mês de julho, prazo definido na própria medida, enquanto o governo americano avalia novas ações comerciais. 🔍 Com a nova sobretaxa da Seção 301, ainda não está totalmente esclarecido se haverá acumulação com a tarifa global de 10%. Na prática, permanece a dúvida se os produtos brasileiros atingidos pagarão apenas os 25% adicionais da Seção 301 ou se a cobrança poderá chegar a 35%, caso a tarifa global continue válida e seja aplicada de forma cumulativa. Os documentos divulgados pelo USTR confirmam a nova tarifa de 25% baseada na Seção 301, mas não detalham como a medida será combinada com a tarifa global temporária de 10%. Por que alguns produtos de aço e alumínio ficaram fora Enquanto isso, alguns produtos de aço e alumínio não receberam a nova tarifa adicional de 25% porque já estão submetidos à Seção 232 do Trade Expansion Act de 1962, uma medida que permite aos EUA impor tarifas sobre produtos considerados estratégicos para a segurança nacional. No caso do aço e do alumínio, essas tarifas da Seção 232 já estão em vigor e foram elevadas para 50% em 2025 para determinados produtos. 🔩 Na decisão final da investigação contra o Brasil, o USTR determinou que os itens já abrangidos pela Seção 232 não seriam submetidos também à tarifa adicional de 25% da Seção 301, evitando a chamada bitributação — isto é, a aplicação de duas tarifas adicionais sobre a mesma mercadoria. A decisão, portanto, não significa que esses produtos ficaram livres de tarifas. Eles continuam sujeitos à cobrança da Seção 232, de 50%, mas não acumulam a nova sobretaxa de 25% aplicada pela Seção 301. Com isso, determinados produtos siderúrgicos brasileiros, como alguns semimanufaturados de aço e laminados planos, permanecem enquadrados apenas no regime da Seção 232. A medida evita que um mesmo produto seja penalizado simultaneamente por duas ações tarifárias diferentes do governo americano. Nova investigação pode aumentar tarifas no futuro Além da investigação que resultou na tarifa de 25%, o USTR conduz outro processo envolvendo o Brasil. O órgão americano avalia se produtos fabricados com trabalho forçado estariam entrando no mercado dos EUA. Nas conclusões preliminares, o governo americano sugeriu uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A decisão final ainda não foi divulgada e dependerá do governo dos EUA. Cargas de exportação são destaque na movimentação e registram novo recorde histórico mensal do Porto de Santos Santos Port Authority
16/07/2026 14:00:36 +00:00
Caiado critica Lula e Flávio Bolsonaro após anúncio de novo tarifaço pelos EUA

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), criticou nesta quinta-feira (16) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nessa quarta-feira (15). O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Nas redes sociais, Caiado culpou a polarização, afirmou que setores inteiros podem "quebrar", enquanto Lula "não tem capacidade de dialogar" e Flávio "está preocupado com as eleições" — sem citar esse último nominalmente (leia mais abaixo). Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' "O que está em jogo por trás do tarifaço dos EUA é que setores inteiros podem quebrar. Não é conversa fiada. É a conta mesmo que não fecha, com 25% a mais de tarifa, que pode chegar a 37,5% somada a outras sobretaxas em análise, indústria, agro e serviços digitais brasileiros perdem competitividade da noite pro dia. Fábrica fechada é gente na rua. Produtor endividado é cidade inteira sufocada", escreveu. "O mais triste, Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país", prosseguiu. Ronaldo Caiado (PSD) durante evento em Aracaju TV Sergipe Ataques ao agro Nesta quarta (15), Caiado já tinha publicado outra mensagem nas redes sociais com críticas mais contundentes a Flávio Bolsonaro. O ex-governador de Goiás mencionou o pedido de adiamento do tarifaço, até as eleições, feito por Flávio durante uma audiência pública nos Estados Unidos. Na mesma mensagem, Ronaldo Caiado argumentou que o governo tratou a situação das tarifas com "cuidados paliativos". "O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil. Ninguém fala sobre isso. China taxa nossa carne em 55%. UE [União Europeia] vetou a carne brasileira. EUA vão taxar em 25%. Três ataques ao agro e zero resposta do governo, só cuidados paliativos. Em Goiás, sem subsídio, sem discurso, viramos o maior produtor de etanol de milho do país. Isso é gestão", disse. Em outro momento, Caiado defendeu que o Brasil adote a Lei da Reciprocidade Econômica diante das medidas impostas. "Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto. Minha proposta é reciprocidade de verdade. Mercado aberto dos dois lados, não vassalagem. O Brasil tem o que o mundo precisa: comida, energia limpa, minerais estratégicos. Chega de negociar de joelhos", prosseguiu. LEIA TAMBÉM Governo prevê impacto reduzido de possíveis novas taxas dos EUA sobre o Brasil; exportações já mostraram 'resiliência' Rubio é 'anti-América Latina' e não gosta do Brasil, diz Lula sobre secretário de Trump Nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso", escreveu Rubio. O atual secretário de Estado mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. O governo brasileiro argumenta que a decisão tem um componente político. A interpretação, porém, contrasta com a versão oficialmente apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR rejeitou a ideia de que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) Divulgação Governo critica decisão Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil". Segundo a nota, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil". Também defenderam que as críticas ao PIX, à regulação de plataformas digitais são "descabidas", assim como "são absurdas as acusações sobre desmatamento". Leia a manifestação na íntegra aqui.
16/07/2026 13:16:51 +00:00
Governo rejeita críticas e diz que fez mais de 30 contatos com os EUA para negociar tarifas

Planalto pode usar Lei da Reciprocidade contra EUA A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova taxa sobre produtos brasileiros gerou uma disputa em torno da responsabilidade pelo novo "tarifaço". Enquanto a oposição diz que houve falhas na negociação e culpa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes do governo defendem que a determinação tem caráter "ideológico" e "político". O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de isenções. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Segundo um levantamento da diplomacia brasileira, foram realizados mais de 30 contatos desde o anúncio do tarifaço original. As conversas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, em níveis presidencial, ministerial e técnico. Além disso, representantes do governo conversaram com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, em pelo menos 11 ocasiões. Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X O governo afirma que, em todos os casos, a iniciativa para abrir o diálogo partiu do lado brasileiro, em uma tentativa de negociar uma saída para o impasse comercial. A informação é apresentada como resposta às críticas de que o Brasil teria deixado de buscar uma negociação com o governo dos Estados Unidos antes da adoção das medidas tarifárias. A percepção é que o cenário se mostrava favorável às negociações após o encontro entre Lula e Trump na Malásia e ainda melhor após o encontro entre os dois em Washington. Porém, nas últimas semanas, esse cenário mudou depois da visita do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA. ➡️ Marco Rubio mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. Governo chamou decisão de 'lastimável' Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil". Segundo a nota, "ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil". LEIA TAMBÉM: PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil Veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa
16/07/2026 12:39:26 +00:00
UE obriga Google a abrir serviços para OpenAI e outras concorrentes; entenda

Fachada do Google em Irvine, Califórnia Reuters/Mike Blake O Google, controlado pela Alphabet, terá de permitir que a OpenAI, outras empresas de inteligência artificial (IA) e concorrentes do mercado de buscas online acessem alguns de seus serviços. A medida faz parte das regras da União Europeia (UE) para limitar o poder das gigantes de tecnologia, detalhadas na última quarta-feira (15) pelos reguladores do bloco. A medida da Comissão Europeia, responsável por fiscalizar a concorrência no bloco, foi anunciada seis meses após a abertura de um processo para definir como o Google deveria se adequar à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 De acordo com a decisão, a empresa terá de abrir o acesso a 11 funcionalidades do sistema operacional Android para que concorrentes de IA possam utilizar esses recursos e competir em melhores condições com o Gemini, ferramenta de inteligência artificial da empresa. Na prática, isso permitirá que os usuários ativem assistentes de IA de empresas concorrentes por comandos de voz semelhantes ao tradicional "Ok Google", para tarefas como pedir um táxi ou buscar informações sobre locais. As mudanças devem chegar aos usuários a partir de julho de 2027, com uma futura atualização do Android. Agora no g1 O Google voltou a criticar as mudanças exigidas pela União Europeia. "As decisões anunciadas hoje podem comprometer proteções essenciais de privacidade e segurança para milhões de europeus", afirmou o advogado do Google, Kent Walker, em comunicado enviado por e-mail. "Temos apresentado repetidamente soluções para proteger os usuários e, ao mesmo tempo, atender aos objetivos da DMA, mas essas decisões ignoram evidências significativas dos possíveis impactos negativos para os usuários", acrescentou. A Comissão Europeia afirmou que as medidas incluem mecanismos para proteger a privacidade dos usuários e a segurança dos dispositivos. Segundo o órgão, o Google só será obrigado a disponibilizar os recursos a empresas que cumpram critérios de segurança e proteção de dados. A decisão também determina que a empresacompartilhe, de forma anonimizada, dados usados para aprimorar seus serviços de busca com a OpenAI e outras empresas que operam chatbots de IA com ferramentas de pesquisa. O Google poderá avaliar se os concorrentes representam riscos à segurança cibernética ou à proteção de dados antes de conceder acesso às informações. A medida, que começa a ser aplicada em janeiro do próximo ano, também prevê uma metodologia para calcular quanto deverá ser pago pelo compartilhamento desses dados. "Com essas medidas, esperamos estimular o surgimento de alternativas ao Google Search e a serviços de IA da empresa, como o Gemini, ampliando as opções disponíveis para os usuários da União Europeia", afirmou a chefe de tecnologia do bloco, Henna Virkkunen, em comunicado.
16/07/2026 12:25:26 +00:00
'Latino-americano frustrado' x 'passa pano para Maduro': relembre as trocas de farpas entre Lula e Marco Rubio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em montagem. Reuters Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma publicação nas redes sociais na madrugada desta quinta-feira (16), Rubio acusou Lula de "colocar seu próprio ego" à frente de tentativas de acordos entre os dois países e disse que o brasileiro não agiu de boa-fé. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mas as ofensas não foram as primeiras proferidas por Rubio contra Lula, que também já criticou algumas vezes o secretário de Estado norte-americano, um conservador filho de cubanos nascido na Flórida. Relembra, abaixo, as trocas de farpas entre os dois: 'Passa pano para Maduro' Em 2023, quando era senador republicano pelo estado da Flórida, Marco Rubio acusou Lula de encobrir supostas atividades criminosas do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. "O Lula da Silva do Brasil é o mais recente líder de extrema-esquerda a passar pano para a natureza criminosa do narcorregime de Maduro, dias após se reunir com o Pres. Biden. Sob a fraca política externa do governo Biden, tiranos em nossa região se sentem encorajados a buscar apoio internacional", escreveu Rubio em uma postagem em suas redes sociais. Initial plugin text 'Curva-se à China' No mesmo ano, Marco Rubio questionou o respeito de Lula à democracia ao dizer que o brasileiro pensa primeiro "em si mesmo" ao "se curvar ao regime genocida da China". Rubio também criticou Lula por um encontro com o chanceler russo durante a guerra da Ucrânia — depois disso, no entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu pessoalmente com o presidente russo, Vladimir Putin. "Lembram quando Democratas e a imprensa liberal afirmavam que Lula era um aliado da 'democracia'? Eles deveriam lembrar que Lula está em busca de si mesmo e do Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China e receber o chanceler de uma nação que lidera uma guerra injustificada contra a Ucrânia", escreveu Rubio em suas redes sociais. 'Latino-americano frustrado' Lula também criticou o secretário norte-americano em diferentes ocasiões, a maioria delas neste ano, após as ameaças dos EUA de aplicarem novas tarifas a produtos brasileiros. Em junho deste ano, o brasileiro chamou Rubio de "latino-americano frustrado" ao comentar ameaças do governo Trump de aplicar uma nova leva de tarifas ao Brasil, confirmadas na noite de quarta-feira (15). "Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e menos ainda do Brasil. Ele (Marco Rubio) é um latino-americano frustrado", afirmou Lula, durante reunião ministerial. Lula não falou mais sobre Rubio na ocasião, mas deu a entender que fazia referência ao histórico pessoal do secretário norte-americano, cujos pais deixaram Cuba — a saída de sua família da ilha, no entanto, ocorreu antes que Fidel Castro impusesse um regime comunista no país. 'Anti-América Latina' Um dia antes dessa declaração, Lula também havia criticado a relação de Rubio com a América Latina: "Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião", afirmou Lula, em referência ao encontro que teve com Trump no início de maio. 'Certo desconhecimento sobre o Brasil' Na mesma semana, Lula contou ainda que, durante telefonema com Trump, pediu que o Marco Rubio conversasse "com o Brasil sem preconceito" e apontou um "certo desconhecimento" por parte do secretário sobre o Brasil. "Ele [Trump] disse que o Marco Rubio vai conversar com o pessoal (ministros brasileiros), eu pedi para ele dizer ao Marco Rubio para conversar com o Brasil sem preconceito com o Brasil, porque pelas entrevistas que ele deu há um certo desconhecimento sobre o Brasil", disse Lula. 'Não agiu de boa fé' Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Em publicação nas redes sociais nesta quinta, Rubio também acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé", escreveu o secretário. Rubio também disse achara que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que "as tarifas são o preço por isso". Secretário de estado dos Estados Unidos deixa claro que as motivações do tarifaço partem de uma análise política. Reprodução / X 👉 As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. No entanto, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço, rejeitou o argumento. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. "Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país", respondeu o representante americano ao ser questionado pela TV Globo sobre o caráter político da decisão. Ainda de acordo com a autoridade, as conversas com o governo brasileiro permaneceram abertas durante todo o processo e ocorreram em tom cordial. "Temos conversas bastante cordiais com nossos interlocutores brasileiros. Na verdade, são as únicas pessoas com quem converso. Não estou mantendo discussões com outras pessoas no Brasil", afirmou. O governo brasileiro alegou que o Brasil manteve diálogo com o governo de Donald Trump e fez várias tentativas de reuniões para evitar o tarifaço. Em maio de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniram-se na Casa Branca para debater a agenda comercial. Dias após o encontro, o Representante Comercial dos Estados Unidos realizou uma reunião virtual com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa. Em julho, durante as audiências do USTR para discutir se aplicaria o tarifaço ao Brasil, o governo brasileiro enviou representantes aos encontros. USTR detalha críticas ao Brasil após anúncio da tarifa Professora do Insper analisa os efeitos do novo tarifaço na economia brasileira O USTR divulgou nas redes sociais uma longa lista de argumentos para justificar a medida. Segundo o órgão, o Brasil adota há décadas práticas que prejudicam empresas americanas, favorecem produtores brasileiros e restringem o acesso de exportadores dos EUA ao mercado brasileiro. Entre as críticas apresentadas estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX. Na área ambiental, o órgão afirmou que a exploração ilegal de madeira na Amazônia contribui para reduzir os preços internacionais do produto e prejudica a competitividade da indústria madeireira americana. O USTR também alegou que algumas esferas de governo no Brasil têm reduzido incentivos voltados ao combate ao desmatamento. Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e da aplicação de multas em caso de descumprimento das ordens judiciais. O governo americano também afirma que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas inferiores às aplicadas aos exportadores dos Estados Unidos. Outro ponto citado foi a proteção à propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil permanece desde 2007 na chamada "Watch List" do relatório Special 301, documento anual que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais. Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio Ricardo Stuckert / PR LEIA TAMBÉM: EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que decisão é 'marco lastimável' nas relações entre os dois países Marco Rubio em depoimento na Câmara dos Representantes do s EUA REUTERS/Evelyn Hockstein
16/07/2026 12:16:13 +00:00
Lula 'priorizou próprio ego em detrimento de acordo' e não 'negociou com os EUA de boa fé': o ataque de ministro de Trump após tarifaço

Lula 'priorizou próprio ego em detrimento de acordo' e não 'negociou com os EUA de boa fé': o ataque de ministro de Trump após tarifaço Evaristo Sa and KAREN MINASYAN / AFP via Getty Images Ao anunciar a decisão de aplicar tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA, o secretário de Estado americano Marco Rubio afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro". Em suas redes sociais, o secretário que faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países na América Latina, disse que a taxação é o preço que o Brasil paga pelo comportamento de Lula. Ainda segundo Rubio, o presidente e seu governo "não negociaram com os EUA de boa fé". "Que não haja dúvidas sobre o motivo [das tarifas]: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa fé", escreveu no X "Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. Durante o último ano, Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso." Autoridades ligadas ao governo brasileiro afirmaram à BBC News Brasil em caráter reservado, porém, que os americanos nunca estiveram de fato dispostos a ouvir os argumentos brasileiros em relação à acusações feitas pelo USTR. Segundo uma fonte no Palácio do Planalto, a motivação para as tarifas seria política e os EUA não estariam abertos para uma negociação baseada em elementos comerciais ponderados. PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais A aplicação das tarifas foi anunciada por Rubio e pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas conduzida pelo órgão. A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho. A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Segundo o representante americano de comércio, Jamieson Greer, a medida busca proteger os interesses econômicos dos EUA e é necessária "para enfrentar práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas." Ele afirmou ainda que as negociações entre os dois países ao longo do último ano não resolveram as divergências, mas que Washington continua aberto a novas conversas com Brasília. A lista dos produtos alvo das tarifas é extensa e inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas e calçados e material elétrico. Já itens como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, por exemplo, ficaram fora da cobrança adicional. Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada, disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Ainda de acordo com a nota, o Brasil iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O anúncio já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país. O novo tarifaço, o segundo em um ano, é resultado de uma investigação aberta em julho do ano passado, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O mecanismo permite que o governo americano investigue práticas comerciais estrangeiras que considere injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos dos Estados Unidos e, ao fim do processo, adote medidas de retaliação como a aplicação de tarifas de importação. No caso brasileiro, a investigação teve como principais alvos: - supostas irregularidades relativas ao funcionamento do Pix; - decisões judiciais contra plataformas digitais norte-americanas; - tarifas concedidas pelo Brasil a produtos do México e da Índia que prejudicariam os EUA e; - supostas falhas no combate à corrupção, à pirataria e ao desmatamento ilegal. Reação de Flávio Bolsonaro O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) republicou a postagem de Marco Rubio sobre Lula e a taxação e disse que o petista "não tem mais condições de ser o presidente do Brasil". "O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega!", escreveu no X, em referência ao ex-presidente americano Joe Biden. Lula acusa o seu adversário de ter advogado em favor da taxação contra o Brasil em encontros na Casa Branca. Flávio se encontrou com Trump dias antes de o USTR recomendar a aplicação da tarifa. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro nega as acusações e afirma ter pedido a Washington que suspendesse a imposição. EUA oficializam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil Quem é Marco Rubio? O atual secretário de Estado é um dos principais oficiais ligados à Casa Branca à frente das negociações comerciais com o Brasil, além de Jamieson Greer e outros técnicos do USTR. No ano passado, quando Trump impos uma sobretaxa de 50% sobre o Brasil em protesto contra o processo movido pelo país contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Rubio foi oficialmente nomeado pelo presidente americano para lidar com a questão. A taxação anterior foi revogada em novembro, após negociações entre os governos. Além do tarifaço, Rubio liderou sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — a quem ele acusou de fazer uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro no processo que condenou o ex-presidente a golpe de Estado. Posteriormente, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram retirados da lista de sancionados. Rubio também esteve à frente da revogação de vistos de autoridades brasileiras em represália ao Programa Mais Médicos, como o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O secretário de Estado faz parte da ala ideológica do governo Trump e é conhecido por sua política linha-dura contra países como Cuba, Venezuela e China — este último, principal parceiro comercial do Brasil. A relação entre os dois países, inclusive, já foi criticada por Rubio quando era senador. Na época, ele também já fazia críticas diretas ao presidente Lula. Em uma postagem em abril de 2023, ele sugeriu que o presidente brasileiro seria um "radical antiamericano" devido a uma visita do presidente brasileiro à empresa de tecnologia chinesa Huawei. Ele ainda questionou se Lula é um "aliado da democracia" após viagem à China. "Lula está pensando em si mesmo e no Brasil, mesmo que isso signifique se curvar ao regime genocida da China", disse em publicação no X. Em setembro 2024, Rubio voltou a citar o governo brasileiro por causa da suspensão do X no país. O bloqueio foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes após Elon Musk, dono do X, ter descumprido uma decisão judicial e durou cerca de 40 dias. Rubio disse que a medida, sob o governo Lula, "levantava sérias preocupações sobre a liberdade de expressão" no país. O secretário de Estado americano também fez reiteradas críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de "violador de direitos humanos". Moraes foi o relator da ação que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado. Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que vai acionar Lei de Reciprocidade 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil
16/07/2026 12:14:59 +00:00
Dólar sobe a R$ 5,09 com tarifas dos EUA e guerra no Irã; Ibovespa cai

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O dólar fechou em alta nesta quinta-feira (16), com avanço de 0,40%, cotado a R$ 5,0983. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1134. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, encerrou o dia em queda de 1,28%, aos 173.753 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os Estados Unidos confirmaram a nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros na noite de ontem. A decisão é resultado de uma investigação comercial do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e foi publicada junto a uma extensa lista de itens isentos. (entenda mais abaixo) 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA ▶️ Já no noticiário geopolítico, as atenções seguem voltadas para o conflito no Oriente Médio. Os EUA lançaram novos ataques contra o Irã. Os dois países continuam a disputar pelo Estreito de Ormuz e na véspera, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que o governo iraniano quer "chegar a um acordo desesperadamente". O aumento do conflito na região continua a trazer volatilidade para o mercado internacional de petróleo. No fechamento do dia, o barril do Brent, referência internacional, caiu 0,85%, cotado a US$ 84,23. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 0,82%, cotado a US$ 78,95 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,20%; Acumulado do mês: -1,25%; Acumulado do ano: -7,11%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,04%; Acumulado do mês: +2,32%; Acumulado do ano: +9,24%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Tarifaço de Trump O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou na noite desta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. ENTENDA: Quais as justificativas dos EUA para taxar o Brasil? Veja a lista de produtos taxados e isentos No Brasil, o governo prevê um impacto macroeconômico reduzido com as novas taxas, reiterando que as exportações mostraram resiliência mesmo após o tarifaço em agosto do ano passado, com recuperação gradual desde novembro. "Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma", afirma análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no "Boletim MacroFiscal". Segundo a Fazenda, as exceções para diversos produtos previstas pela medida tende a manter o impacto agregado modesto. Escalada das tensões no Oriente Médio O Irã acusou nesta quinta-feira (16) os Estados Unidos de realizarem um “ataque bárbaro” depois que um hospital oncológico no sudoeste do Irã foi forçado a evacuar seus pacientes devido a ataques nas proximidades. “Este ataque bárbaro, que remete às atrocidades de Israel contra instalações de saúde, causou intenso sofrimento e ansiedade nas crianças hospitalizadas”, publicou no X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmando que “211 pacientes em tratamento de quimioterapia” foram evacuados. Na véspera, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que concluiu uma nova rodada de ataques contra alvos no Irã. Além de centros de comando, a ofensiva também mirou posições de defesa aérea, capacidades de mísseis e drones e instalações de vigilância costeira iranianas. Em comunicado, o Centcom afirmou que os ataques tiveram como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de petróleo. As forças americanas informaram ainda que utilizaram munições de precisão contra alvos em diferentes localidades, incluindo Bandar Abbas. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial A escalada das tensões no Oriente Médio nos últimos dias volta a trazer preocupações sobre a oferta mundial de petróleo, principalmente por conta do tráfego limitado no Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que o canal é uma "linha vermelha" inviolável e alertou que caso Trump cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo. Com o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, dados do setor de transporte marítimo já mostraram que menos navios conseguiram atravessar o estreito. Não foram avistados petroleiros de grande porte nem navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL). Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices encerraram o pregão em queda nesta quinta-feira (16),], em meio ao enfraquecimento das ações de chips e enquanto os investidores analisavam novos dados econômicos em busca de pistas sobre a saúde da economia. No fechamento, o Dow Jones teve queda de 0,21%, enquanto o S&P 500 caiu 0,50% e o Nasdaq Composite teve perdas de 1,47%. Já na Europa, as bolsas da região fecharam mistas, em meio aos temores sobre o conflito no Oriente Médio. O índice pan-europeus STOXX 600 subiu 0,16%, para 643,73 pontos. Entre os principais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,34%, enquanto o CAC-40, da França, teve queda de 0,05% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve ganhos de 0,54%. Na Ásia, a maioria das ações da região fechou em queda, puxadas pelo fraco desempenho dos papéis de fabricantes de semicondutores. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,85%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 2,03%. Entre as demais bolsas da região, no entanto, o dia foi mais positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,33%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve perdas de 2,79% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 6,37%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar freepik
16/07/2026 12:00:15 +00:00
Flávio volta a criticar Lula ao comentar post de Rubio que indica tarifaço como ato político

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e responsabilizá-lo pela decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada nessa quarta-feira (15). O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. 🔎 A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Nas redes sociais, Flávio comentou a decisão e culpou o presidente Lula pela sanção norte-americana. Também chegou a compará-lo com o ex-presidente Joe Biden. "Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto. O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação", afirmou o senador. Ele prosseguiu: "Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega! O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!". Pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) em live em 13 de julho de 2026 Reprodução LEIA TAMBÉM Governo prevê impacto reduzido de possíveis novas taxas do EUA sobre o Brasil; exportações já mostraram 'resiliência' Rubio é 'anti-América Latina' e não gosta do Brasil, diz Lula sobre secretário de Trump Críticas de Marco Rubio O senador respondeu a uma publicação nas redes sociais do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na qual o norte-americano defende que as políticas adotadas pelo governo brasileiro são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros" e acusa Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "No último ano, Lula colocou seu próprio ego acima da realização de um acordo em prol do bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço a pagar por isso", escreveu Rubio. O atual secretário de Estado mantém relações com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A aproximação começou em 2018 e, no mês passado, Rubio recebeu os filhos de Bolsonaro nos EUA. As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. A interpretação, porém, contrasta com a versão oficialmente apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR rejeitou a ideia de que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) (c), faz um pronunciamento na tarde desta terça-feira, 19 de maio de 2026, na sede de seu partido em Brasí­lia (DF). Wilton Junior/Estadão Conteúdo Na ocasião, Flávio afirmou que durante o encontro foi discutida a possibilidade de os Estados Unidos designarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O senador afirmou que o secretário é favorável à medida. Dois dias depois, o Departamento de Estado dos EUA - chefiado por Rubio - anunciou que iria classificar as facções como organizações terroristas. Em comunicado naquele dia, Rubio afirmou que "o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil". Governo critica decisão Em nota divulgada após o anúncio, o governo classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países, e "repudia a decisão" anunciada nessa quarta-feira. O presidente Lula também afirmou que vai acionar a lei da reciprocidade. "Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil". Segundo a nota, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil". Também defenderam que as críticas ao Pix, à regulação de plataformas digitais são "descabidas", assim como "são absurdas as acusações sobre desmatamento". Leia a manifestação na íntegra aqui.
16/07/2026 11:05:46 +00:00
Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros Setores do agro conseguiram incluir na lista de isenções do novo tarifaço de Donald Trump alguns dos produtos que foram defendidos em audiências públicas nos EUA nos dias 6 e 7 de julho. Entre eles, estão o café solúvel, o mel orgânico e os pescados, como a tilápia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho, com uma extensa lista de itens isentos. A carne bovina, por exemplo, um dos produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA, entrou na lista de exceções, mesmo sendo alvo de críticas e investigações abertas pelo presidente americano. Uma delas apura se frigoríficos brasileiros que produzem nos EUA estão concentrando mercado e contribuindo para uma disparada de preços da carne. Abaixo veja o que ficou isento e o que será taxado. Veja produtos que estão fora do tarifaço Produtos de origem animal e carnes Carne bovina: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada; carcaças; meias-carcaças; cortes com e sem osso; cortes de alta qualidade; carnes processadas. Miudezas e preparados: línguas; fígados; outras miudezas bovinas; carne preparada ou preservada, como corned beef. Peixes e crustáceos: tilápia (fresca, refrigerada ou congelada, exceto filés em alguns casos); atum albacora e patudo; cavala; espadarte; lagosta; lagostins-do-mar. Outros produtos de origem animal: mel natural orgânico certificado; coral; conchas. Produtos vegetais e alimentos preparados Hortaliças e legumes: tomates (com períodos específicos de entrada); jicama; fruta-pão; chuchu; brotos de bambu; castanhas-d'água; alcaparras; cogumelos secos (orelha-de-pau e shiitake). Raízes e tubérculos: feijão Bambara; mandioca (cassava); taro; inhame (yautia); dasheens; araruta. Frutas e nozes: cocos; castanha-do-pará; castanha de caju; macadâmia; noz-de-cola; areca; pinhões; bananas; abacaxis; abacates; goiabas; mangas; mangostões; laranjas; limas; etrogs; papaias; marmelos; kiwis; duriões; bagas. Café, chá e especiarias: café (torrado ou não, descafeinado ou não); café solúvel, chá verde; chá preto; erva-mate; pimenta; páprica; baunilha; canela; cravo; noz-moscada; macis; cardamomo; coentro; cominho; gengibre; açafrão; cúrcuma; louro; curry; endro. Cereais, moagem e bebidas: cevada; alpiste; fonio; triticale; amidos; farinhas; suco de laranja; sucos cítricos; suco de abacaxi; água de coco. Minerais, químicos e combustíveis Minérios e minerais: grafite; caulim; fosfatos; sulfato de bário; magnésite; amianto; mica; minérios de ferro, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio e titânio. Combustíveis e óleos: carvão; linhite; turfa; coque; benzeno; tolueno; xilenos; naftaleno; petróleo bruto e refinado; óleos para motores e lubrificantes; biodiesel; gás natural; propano; butanos. Produtos químicos: iodo; gases raros; ácidos clorídrico, sulfúrico e fosfórico; óxidos metálicos; hidrocarbonetos; derivados halogenados; álcoois; fenóis; éteres; cetonas; ácidos carboxílicos; vitaminas; hormônios; antibióticos (muitos classificados como Pharma). Produtos médicos, farmacêuticos e fertilizantes Sangue e vacinas: plasma humano; soro bovino fetal; produtos imunológicos; vacinas humanas e veterinárias; toxinas. Medicamentos: produtos contendo penicilinas; insulina; corticosteroides; alcaloides; vitaminas. Fertilizantes: fertilizantes de origem animal ou vegetal; ureia; sulfato de amônio; nitratos; superfosfatos. Materiais industriais Plásticos e borracha: polímeros de etileno, propileno e vinila; silicones; tubos; mangueiras; pneus (especialmente para aeronaves); juntas. Madeira e papel: madeira em bruto ou serrada (mogno, teca e meranti); compensados (plywood); painéis; pastas de madeira; produtos de papel para aeronaves. Metais, máquinas e equipamentos Metais: ferro fundido; ferroligas; sucata; tubos de aço; cobre; níquel; alumínio; zinco; estanho; metais raros. Máquinas: motores de aeronaves (turbojatos e turbopropulsores); bombas; compressores; ventiladores; aparelhos de ar-condicionado; refrigeradores; extintores. Informática e eletrônicos: computadores e unidades de processamento de dados; notebooks; teclados; unidades de disco; circuitos integrados; monitores; projetores; smartphones. Aeronaves, instrumentos e outros produtos Aeronáutica: balões; helicópteros; aviões; drones; hélices; trens de pouso. Instrumentos: lentes; prismas; bússolas; pilotos automáticos; termômetros; barômetros; multímetros. Arte e antiguidades: pinturas; esculturas; selos; coleções de interesse histórico ou botânico. Produtos que serão taxados Etanol Máquinas agrícolas Vestuário Maquinário elétrico Calçados Ferramentas de jardinagem Equipamentos de mineração Papel Açúcar orgânico Bens de capital Manufaturados em geral Produtos químicos diversos Itens industriais processados Como os setores reagiram Associações do setor comemoraram a decisão dos EUA de incluir o café solúvel na lista de produtos isentos da tarifa. O café em grão e o café torrado e moído já faziam parte das exceções. “Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”. A declaração faz parte de uma nota conjunta da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). "Abic, Abics e Cecafé ponderam, entretanto, que ainda existe uma segunda investigação do USTR na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a qual pode trazer uma nova possibilidade de tarifas ao café brasileiro, da ordem de 12,5%", afirmam. A empresária Joelma Lambertucci de Brito, da Lambertucci Trade Solution, que defendeu o mel brasileiro nos EUA disse que a inclusão do mel orgânico foi resultado "do diálogo técnico e da cooperação." "Essa conquista reforça que a colaboração entre o setor privado e o poder público pode gerar resultados concretos para toda a cadeia do mel", disse. Já a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) disse que recebeu com serenidade a inclusão de alguns pescados, como a tilápia. "A decisão é fruto de um trabalho técnico e estratégico desenvolvido pela Abipesca em conjunto com o National Fisheries Institute (NFI), principal entidade representativa da indústria de pescados dos Estados Unidos, além de empresas importadoras americanas, que atuaram para demonstrar os impactos econômicos e comerciais que a taxação poderia provocar em ambos os países." Setores que não conseguiram inclusão da lista também se manifestaram, caso do etanol e do açúcar orgânico. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) disse que lamentou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais sobre o etanol brasileiro. "Não existe qualquer acordo bilateral que obrigue o Brasil a conceder tratamento tarifário diferenciado ao etanol norte-americano. Da mesma forma, a redução das exportações de etanol dos Estados Unidos para o mercado brasileiro decorre, sobretudo, da expansão da produção nacional, especialmente do etanol de milho, e não de alterações na política tarifária brasileira", disse a entidade. Atualmente, as importações de etanol pelo Brasil são taxadas em 18%, alíquota praticada para todos os países. Segundo a Unica, a taxa "é plenamente compatível com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC)." "A entidade também ressalta que a decisão desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países. As exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas às tarifas e restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional." Como foi a decisão do tarifaço A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Pelo lado do Brasil, boa parte dos produtos mais importantes da pauta exportadora não será taxado pela nova medida. O presidente dos EUA, Donald Trump, reage enquanto fala com a imprensa no dia da cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Umit Bektas A investigação foi encerrada pelo órgão comercial após análises e negociações entre os governos Lula (PT) e Trump. Também participaram representantes de diferentes setores da economia por meio de audiências públicas realizadas neste mês, como parte da reta final do processo. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. (veja o resumo das reclamações abaixo) Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca apenas reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. Assim, entendem que as tarifas não buscam, por exemplo, o fim do PIX, mas alterações no funcionamento do sistema para evitar o que Washington considera condições desleais para empresas americanas de pagamentos eletrônicos. Conforme já mostrou o g1, especialistas apontam que não há razões consistentes para questionar o sistema de pagamento instantâneo brasileiro. Quando a nova taxa passa a valer? A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA. Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. Em um processo paralelo, conduzido com base na mesma legislação, a gestão Trump prevê a aplicação de uma taxa adicional de 12,5% para 60 economias, incluindo o Brasil. A justificativa é que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A adoção desta taxa ainda está em análise. Como começou a investigação sobre as tarifas contra o Brasil O Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu em junho a investigação que tem com base na Seção 301 da Lei de Comércio. No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA. E apontou ainda as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: A investigação analisou temas como: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. O que é a Seção 301 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos. 🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados. O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump. A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais. Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação. Audiências reuniram setor produtivo brasileiro Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas. O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final. As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA. O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. 💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria) Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais. O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos. A resposta do governo brasileiro O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA: Contestar os argumentos apresentados pelo USTR Manter aberto o canal de negociação com Washington. Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio. O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais. No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro. Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão. Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas. Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas. 🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica. Negociação com os EUA seguiu até a decisão final Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. Agora, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.
16/07/2026 10:40:30 +00:00
'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros A imprensa internacional destacou a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (15/07) após o fim da investigação sobre práticas comerciais conduzida pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês). A decisão foi chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ao noticiar a decisão, o jornal britânico Financial Times afirmou que as tarifas foram anunciadas diante de "uma crescente ruptura nas relações bilaterais" antes das próximas eleições brasileiras. Segundo a reportagem, o USTR citou "práticas comerciais desleais em áreas como pagamentos eletrônicos, mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e proteção ambiental" para justificar as tarifas. Uma fonte do governo dos EUA afirmou ainda ao FT que a Casa Branca vinha tentando negociar com o governo brasileiro "há mais de um ano". Ainda segundo o jornal, num momento em que o presidente Donald Trump busca reafirmar a influência dos EUA na América Latina, "o governo de esquerda do Brasil vê as queixas como motivadas por questões políticas, e não comerciais". 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil. Reuters via BBC "A taxa de importação é a mais recente de uma série de medidas dos EUA contra o Brasil que têm alimentado as tensões diplomáticas entre as duas maiores democracias das Américas", diz a reportagem. O FT afirma ainda que apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) temem que o endurecimento da posição dos EUA em relação ao Brasil — que incluiu também a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas em junho — possa escalar para interferência nas eleições de outubro. O jornal americano The New York Times também ressalta o impacto que a nova tarifa pode ter na disputa presidencial: "É provável que a nova tarifa se torne uma questão política no Brasil antes das eleições presidenciais de outubro". A reportagem destaca a posição do governo Lula, que acusa o seu adversário, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de ter advogado em favor da taxação em encontros na Casa Branca. Flávio se encontrou com Trump dias antes de o USTR recomendar a aplicação da tarifa. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nega as acusações e afirma ter pedido a Washington que suspendesse a imposição de tarifas. "Enquanto isso, as tensões diplomáticas com o Trump contribuíram para aumentar a popularidade de Lula. O líder brasileiro classificou as medidas econômicas como politicamente motivadas, acusando Trump de ameaçar a soberania do país", diz o NYT. 'Governo Trump impõe tarifa de 25% ao Brasil em meio à deterioração das relações bilaterais', diz título do FT. Reprodução/FT via BBC Em reportagem em seu site, a rede americana CNN Internacional detalhou o anúncio americano sobre a tarifa. "O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, anunciou as medidas na noite de quarta-feira em um comunicado, afirmando que a investigação concluiu que as políticas brasileiras prejudicam os interesses dos americanos com práticas relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais injustas, acesso ao mercado de etanol e outras áreas", diz a matéria. Algumas mercadorias que não são produzidas nos EUA e que poderiam interromper as cadeias de suprimentos estão isentas, explica a reportagem, citando o comunicado do USTR. Entre as exceções estão café, carne bovina, laranjas e suco de laranja, certos produtos de etanol, além de peças e componentes aeroespaciais. Após o anúncio americano, o governo brasileiro disse que o dia 15 de julho "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável". Em nota, o Brasil afirmou ainda que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). 'Brasil condena medida dos EUA de impor tarifas de 25% na próxima semana', diz o britânico The Guardian. Reprodução/The Guardian via BBC Em sua própria reportagem sobre o tema, o jornal britânico The Guardian detalhou ainda que a tarifa será imposta com base na seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA iniciar uma investigação sobre as práticas comerciais de outros países. "Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu contra muitas das tarifas impostas por Trump sob uma lei diferente, a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) de 1977. O tribunal considerou que ele extrapolou sua autoridade sob essa lei ao impor tarifas abrangentes aos parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil", diz o texto. Anteriormente, Trump havia imposto, com base nessa lei, uma tarifa de 50% sobre o Brasil em protesto contra o processo movido pelo país contra Jair Bolsonaro por tentar reverter sua derrota nas eleições de 2022, detalhou ainda o Guardian, que afirma que o "relacionamento de Trump com Lula pareceu melhorar em maio, quando o presidente brasileiro visitou a Casa Branca". 'Riscos altos' Para a agência de notícias Bloomberg, "os riscos são altos para ambos os países". "Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil e uma das poucas grandes economias com as quais o país apresenta déficit comercial. O Brasil importou mais de US$ 45 bilhões em produtos americanos em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações caíram quase 7%, com o petróleo bruto representando 12,5% das exportações", diz a reportagem. A matéria afirma ainda que apesar da escalada da disputa, ambos os governos ainda tentam evitar um conflito comercial mais amplo. "Greer se reuniu repetidamente com o ministro do Comércio do Brasil, Márcio Elias, nos últimos meses, em busca de uma solução. O governo Lula pretende continuar negociando até o último momento possível, mas descartou concessões que considera politicamente ou juridicamente inaceitáveis, incluindo mudanças no sistema de pagamentos Pix, segundo uma pessoa familiarizada com as negociações", diz a matéria.
16/07/2026 10:06:30 +00:00
PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A tarifa adicional contra os produtos brasileiros foi confirmada na madrugada desta quinta-feira, e a medida entrará em vigor em 22 de julho. Veja os itens afetados e os isentos. Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Veja mais abaixo o que o USTR falou sobre cada um desses assuntos. Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político. Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé". O presidente Lula repudiou a nova tarifa aplicada pelos EUA e afirmou que aplicará a Lei de Reciprocidade em resposta. Leia aqui como funciona essa lei. Argumentos para novo tarifaço O presidente dos EUA, Donald Trump, na Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, em Carlisle, Pensilvânia, EUA, em 15 de julho de 2026. Reuters/Kylie Cooper Sobre o PIX, o USTR afirmou que o banco central brasileiro "desfavoreceu provedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA, ao mesmo tempo em que favorece seu sistema nacional". Sobre a corrupção, o USTR alegou que "não é algo novo" no Brasil, porém o país "se afastou ainda mais das normas globais relacionadas ao combate ao suborno e à corrupção". O gabinete citou um Índice de Percepção da Corrupção (CPI) da Transparency International, em que a máquina pública brasileira teria pontuado apenas 35 de 100 pontos possíveis. Sobre as ações contra as big techs, o USTR falou em "comércio digital" para incluir tais medidas no balaio, e relembrou ordens de restrição emitidas pelo STF nos últimos anos contra algumas redes sociais, como o bloqueio Rumble e uma suspensão temporária do X. Essas restrições foram justificadas pela Justiça brasileira por conta das plataformas terem se recusado a cumprirem leis do país ou ordens de retirada de conteúdo. Sobre a política de tarifas brasileira, o USTR acusou o Brasil de adotar "tratamento injusto e preferencial", e publicou um gráfico que supostamente mostraria favorecimento ao México e à Índia, em detrimento dos EUA. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA 'Aprofundamento da ruptura antes das eleições' e 'altos riscos': como a imprensa internacional noticiou tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo' Sobre a proteção à propriedade intelectual, o USTR afirmou que o Brasil "não oferece proteção adequada e eficaz à propriedade intelectual ou acesso justo e equitativo ao mercado para pessoas dos Estados Unidos que dependem de propriedade intelectual", porém sem dar mais detalhes. Sobre o etanol, o USTR afirmou que o Brasil "descontinuou seu tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol dos EUA e falhou em corresponder às tarifas norte-americanas ao etanol brasileiro". Sobre o desmatamento, o USTR publicou um infográfico animado que mostraria o índice de desmatamento de florestas no Brasil entre 2001 e 2018, porém sem fonte para os dados, e afirmou que "as práticas de desmatamento no Brasil tornam mais difícil para a indústria madeireira dos Estados Unidos competir de forma justa nos mercados globais". Agora no g1
16/07/2026 09:31:37 +00:00
'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA

O presidente Lula assinou em 2025 o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica Reuters O governo brasileiro disse nesta quinta-feira (16/07) que pretende usar a Lei da Reciprocidade Econômica contra um novo tarifaço que foi anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou o fim da investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pelo governo americano e a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA. A decisão é chancelada pelo presidente americano, Donald Trump, e entrará em vigor em 22 de julho. A tarifa foi justificada alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão anunciada e disse que iniciará os trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A Lei de Reciprocidade Econômica é um instrumento novo aprovado pelo Congresso em abril de 2025 e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho do mesmo ano — na mesma semana em que Donald Trump havia anunciado tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O decreto estabelece em que casos e de que forma o governo brasileiro pode retaliar medidas como as impostas por Trump. O texto detalha os "critérios para suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira". A elaboração do decreto que regulamenta a lei foi um dos primeiros passos tomados pelo governo brasileiro após o anúncio das tarifas de Trump. A Lei da Reciprocidade Econômica foi aprovada por ampla maioria no Congresso Nacional, num movimento inusitado das bancadas governistas e de oposição que, nos últimos anos, têm votado cada vez mais raramente na mesma direção. Na terça-feira (14/07), antes do anúncio oficial das novas tarifas americanas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro poderia adotar a reciprocidade caso os Estados Unidos confirmassem um novo tarifaço contra o Brasil. "A gente chegou a suspender a tramitação do processo de reciprocidade, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás no tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade. Tudo isso dentro de um cenário de avaliação cautelosa", afirmou a jornalistas. O anúncio já era esperado por diplomatas ouvidos em caráter reservado pela BBC News Brasil e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. Em entrevista concedida há duas semanas à BBC News Brasil, o ministro afirmou que o governo brasileiro ainda tentava negociar um acordo de última hora com Washington, mas já admitia a possibilidade de um desfecho desfavorável para o país. O que diz a lei? Segundo o projeto aprovado no Congresso e sancionado pelo presidente, a Lei de Reciprocidade Econômica pode ser utilizada em três circunstâncias. A primeira ocorre quando um país ou bloco econômico ameaçar ou impuser, de forma unilateral, barreiras comerciais, financeiras ou de investimentos com o objetivo de interferir em decisões "soberanas" do Brasil. A segunda possibilidade de utilização da lei é se um país ou bloco econômico violar termos de um acordo comercial com o Brasil, prejudicando o país e as empresas brasileiras. A terceira possibilidade é a imposição de medidas comerciais baseadas em exigências ambientais que sejam mais restritivas que as previstas pela lei brasileira. Um exemplo prático seria impedir a compra de commodities agrícolas brasileiras produzidas no Cerrado ou na Amazônia de acordo com as normas ambientais brasileiras sob o argumento de normas ambientais do país ou bloco comprador teriam sido violadas pelos produtores brasileiros. Se essa exigência for unilateral e não baseada em acordos multilaterais, e tiver um impacto negativo na exportação de produtos brasileiros, o Brasil poderia considerá-la uma medida passível de retaliação sob esta lei. Governo anunciou em nota que dará início a trâmites da Lei de Reciprocidade para retaliar novo tarifaço de Trump EPA/SHUTTERSTOCK Quais as armas do governo? O decreto também elenca os mecanismos que o governo tem para reagir às tarifas. A principal ferramenta é a imposição de tarifas a bens ou serviços importados do país que iniciou a guerra tarifária. Pelo decreto, o Brasil pode aplicar tarifas adicionais ou sobretaxas a produtos específicos. A ideia é torná-los mais caros e, consequentemente, menos competitivos no mercado brasileiro. Outro mecanismo é a possibilidade de o Brasil deixar de cumprir termos de acordos comerciais firmados com o país ou bloco "agressor". Isso teria impacto em cotas de importação ou de exportação previamente acordadas entre as partes. Regulamentação da lei estabelece as regras para a aplicação de contramedidas sobre taxas que podem prejudicar exportações brasileiras Reuters Olho por olho, dente por dente? Apesar de ter sido batizada como "Lei de Reciprocidade Econômica", o decreto que regulamentou o texto manteve a ideia de que a sua aplicação não deverá atender lógica do "olho por olho, dente por dente" de forma irrestrita. A lei, por exemplo, estipula que a imposição de medidas de retaliação deverá "minimizar o impacto sobre a atividade econômica e evitar ônus e custos administrativos". Essa determinação é resultado da preocupação do governo e do Congresso de que tarifas contra determinados produtos importados possam acabar prejudicando cadeias produtivas já instaladas no Brasil que dependam desses insumos para a produção de bens ou serviços no país. O decreto também prevê as etapas para a adoção de medidas de retaliação. A primeira será a formação de comitês para avaliar o caso e a realização de consultas públicas com representantes das partes interessadas. Na prática, o governo já deu início a essa fase ao montar uma comissão com empresários de diferentes setores para discutir a resposta do governo. No decreto assinado pelo presidente Lula, o grupo que avalia o caso é chamado de "Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais". Ele é presidido pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (o também vice-presidente Geraldo Alckmin), e conta com a participação dos ministérios da Casa Civil, da Fazenda e das Relações Exteriores. As contramedidas brasileiras também são avaliadas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), onde haverá a participação de representantes da administração pública e de setores privados da economia. A segunda etapa envolve estipular prazos para análise das demandas enviadas pelos setores consultados. O terceiro passo é a sugestão e a implementação das medidas, com eventuais consultas diplomáticas e negociações. O decreto também estipula que o Poder Executivo fica autorizado a adotar retaliação de forma provisória enquanto o governo realiza as etapas anteriores. O texto também prevê que o governo deverá montar uma comissão de monitoramento das retaliações e que poderá revogá-las ou alterá-las com base nas negociações diplomáticas em curso. * Com reportagem de Leandro Prazeres, da BBC News Brasil em Brasília.
16/07/2026 08:40:08 +00:00
Produtor colhe mamão de quase 8 kg no interior de São Paulo; veja vídeo

Produtor colhe mamão de quase 8 kg no interior de São Paulo; veja vídeo Um produtor colheu um mamão de 7,75 quilos em São Pedro, no interior de São Paulo. Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o alimento pesa mais que o dobro das variedades comerciais. O mamão formosa, por exemplo, costuma ter entre 1 e 3 quilos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O agrônomo acredita que o mamoeiro provavelmente foi gerado depois da seleção de frutas maiores. Isso porque o tamanho está relacionado à genética da planta. Apesar do tamanho incomum, a fruta é segura para consumo. Leia também: Após promessas, supermercados seguem sem ampliar venda de ovos livres de gaiolas, diz estudo Café: da bebida 'do diabo' aos best-sellers de autoajuda cristã Veja curiosidades sobre o cacau, fruta da qual se faz o chocolate
16/07/2026 07:01:03 +00:00
Rubio acusa Lula de não negociar tarifas: 'Colocou o próprio ego à frente de um acordo'

Governo americano critica a condução do Brasil nas negociações e cita Lula Após os Estados Unidos confirmarem a aplicação de tarifas 25% sobre produtos brasileiros, o secretário de Estado dos Estados Unidos criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em uma publicação em suas redes sociais na madrugada desta quinta-feira (16), Marco Rubio disse que as políticas econômicas do governo de Lula são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em publicação nas redes sociais, Rubio também acusou Lula de não negociar de boa-fé com os Estados Unidos. "Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociariam com os EUA de boa-fé", escreveu o secretário. Rubio também disse achara que o presidente brasileiro colocou "o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro" e que "as tarifas são o preço por isso". Secretário de estado dos Estados Unidos deixa claro que as motivações do tarifaço partem de uma análise política. Reprodução / X 👉 As declarações reforçam a leitura, já defendida por integrantes do governo brasileiro, de que a decisão tem um componente político. No entanto, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela investigação que resultou no tarifaço, rejeitou o argumento. Em entrevista coletiva após a divulgação da medida, uma autoridade do USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas com o governo Lula. "Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país", respondeu o representante americano ao ser questionado pela TV Globo sobre o caráter político da decisão. Ainda de acordo com a autoridade, as conversas com o governo brasileiro permaneceram abertas durante todo o processo e ocorreram em tom cordial. "Temos conversas bastante cordiais com nossos interlocutores brasileiros. Na verdade, são as únicas pessoas com quem converso. Não estou mantendo discussões com outras pessoas no Brasil", afirmou. Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O governo brasileiro alegou que o Brasil manteve diálogo com o governo de Donald Trump e fez várias tentativas de reuniões para evitar o tarifaço. Em maio de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, reuniram-se na Casa Branca para debater a agenda comercial. Dias após o encontro, o Representante Comercial dos Estados Unidos realizou uma reunião virtual com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa. Em julho, durante as audiências do USTR para discutir se aplicaria o tarifaço ao Brasil, o governo brasileiro enviou representantes aos encontros. USTR detalha críticas ao Brasil após anúncio da tarifa Professora do Insper analisa os efeitos do novo tarifaço na economia brasileira O USTR divulgou nas redes sociais uma longa lista de argumentos para justificar a medida. Segundo o órgão, o Brasil adota há décadas práticas que prejudicam empresas americanas, favorecem produtores brasileiros e restringem o acesso de exportadores dos EUA ao mercado brasileiro. Entre as críticas apresentadas estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX. Na área ambiental, o órgão afirmou que a exploração ilegal de madeira na Amazônia contribui para reduzir os preços internacionais do produto e prejudica a competitividade da indústria madeireira americana. O USTR também alegou que algumas esferas de governo no Brasil têm reduzido incentivos voltados ao combate ao desmatamento. Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e da aplicação de multas em caso de descumprimento das ordens judiciais. O governo americano também afirma que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas inferiores às aplicadas aos exportadores dos Estados Unidos. Outro ponto citado foi a proteção à propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil permanece desde 2007 na chamada "Watch List" do relatório Special 301, documento anual que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais. Ameaça de novas medidas em caso de retaliação O representante do USTR também afirmou que Washington continua disposto a negociar, mas indicou que eventuais medidas de retaliação por parte do Brasil poderiam provocar novas respostas dos Estados Unidos. "Continuamos abertos ao diálogo. Creio que, se houver retaliação, seremos solicitados a possivelmente modificar nossa ação para contrapor essa retaliação", disse. Apesar do alerta, ele afirmou que não espera uma resposta comercial do governo brasileiro. "Não prevejo retaliação. Se o Brasil optar por isso, provavelmente haverá novas medidas da nossa parte." Lula e Trump se encontraram pela última vez na Casa Branca em maio Ricardo Stuckert / PR Governo dos EUA diz que foco são práticas comerciais Questionado sobre o fato de os Estados Unidos manterem superávit comercial na relação bilateral com o Brasil, o representante do USTR disse que esse aspecto não foi central para a investigação. Segundo ele, o foco esteve em temas considerados problemáticos pelos americanos, como propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e regras aplicadas a serviços digitais. "Quanto ao superávit relacionado à nossa relação comercial, para ser sincero, se resolvêssemos essas outras questões, provavelmente teríamos um superávit maior com o Brasil", afirmou. Etanol e PIX seguem entre os principais pontos de atrito A autoridade americana também detalhou quais mudanças Washington espera ver do lado brasileiro. Um dos temas destacados foi o acesso de produtores americanos ao mercado de etanol. Segundo o representante, os EUA defendem tratamento equivalente ao concedido pelo Brasil a outros parceiros comerciais. Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Jornal Nacional/ Reprodução "Eles possuem acordos tarifários preferenciais com a Índia e o México, e gostaríamos de ter esse mesmo tipo de acesso", afirmou. O argumento também foi reforçado pelo USTR nas redes sociais. Segundo o órgão, o Brasil deixou de oferecer um tratamento tarifário equilibrado ao etanol americano e não retribui as condições preferenciais concedidas pelos EUA ao combustível brasileiro. De acordo com o governo americano, as exportações de etanol dos Estados Unidos para o Brasil caíram de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 96 milhões em 2025. Sobre o PIX, um dos pontos mais sensíveis da disputa, o governo americano negou que esteja pedindo o fim do sistema de pagamentos brasileiro. Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil A posição oficial é que empresas americanas do setor financeiro não sejam prejudicadas ou submetidas a condições consideradas desiguais. "Queremos que o PIX concorra com as empresas americanas em pé de igualdade comercial", disse a autoridade. Nas publicações divulgadas após o anúncio da tarifa, o USTR afirmou que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do PIX e que regras como a gratuidade para pessoas físicas e a limitação de tarifas cobradas das empresas favoreceriam o sistema brasileiro em relação a competidores privados americanos. LEIA TAMBÉM: EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos Após EUA anunciarem novas taxas ao Brasil, governo diz que decisão é 'marco lastimável' nas relações entre os dois países Marco Rubio em depoimento na Câmara dos Representantes do s EUA REUTERS/Evelyn Hockstein
16/07/2026 04:07:06 +00:00
SpaceX tenta novo voo da supernave Starship nesta quinta; veja o que esperar

Estágio superior da Starship antes de 12º voo de teste, em foto de 19 de maio de 2026 Reuters/Steve Nesius A SpaceX, empresa de foguetes do bilionário Elon Musk, tentará um novo voo de teste de sua Starship, a nave mais poderosa do mundo. O lançamento está marcado para esta quinta-feira (16), às 19h45 (horário de Brasília). Este será o 13º lançamento de uma Starship, projetada para futuras missões à Lua e Marte. Como nos outros experimentos, não haverá passageiros a bordo e o cronograma poderá ser alterado por falhas na nave e fatores climáticos, por exemplo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O último lançamento da supernave aconteceu maio e terminou com uma queda brusca do propulsor, Super Heavy, o estágio inferior, que deveria fazer um pouso controlado no Golfo do México. Não houve relatos de feridos ou danos materiais. A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) suspendeu os voos temporariamente até que as investigações fossem concluídas. O órgão encerrou sua análise na última segunda-feira (13) e abriu caminho para o novo teste. Starship faz decolagem em 12ª missão de testes da SpaceX A SpaceX informou que o que causou o incidente em maio foram problemas de acionamento em 5 de 33 motores do Super Heavy, o que fez a manobra de retorno ser interrompida antes da hora. Os objetivos da empresa para o novo lançamento são parecidos com o teste feito em maio, quando ela estreou a terceira geração da Starship e do Super Heavy. Na ocasião, a companhia buscava demonstrar na prática o funcionamento das novas peças da V3, como é chamada a nova geração da nave, projetada para missões de maior duração, e lançar no espaço dois satélites reais do seu serviço de internet Starlink. Agora, a nave tentará pela primeira vez liberar 20 unidades da terceira geração de satélites da Starlink. Eles tentarão se conectar com a rede que já opera no espaço, mas deverão ser destruídos em sua reentrada na atmosfera, que acontecerá cerca de 20 minutos após deixarem a nave. Entre as novidades estão mudanças na estrutura e no sistema do propulsor para solucionar problemas do voo anterior. A configuração de partida dos motores, por exemplo, teve ajustes para oferecer mais confiabilidade e fazer com que mudanças de direção do veículo sejam mais estáveis. O estágio superior também recebeu alterações em seu sistema de propulsão. Apesar de ter concluído o voo anterior, a cápsula perdeu um de seus três motores logo após se separar do propulsor, o que exigiu as mudanças. A SpaceX testará ainda o escudo térmico da Starship, proteção necessária para a nave não ser tomada por chamadas no retorno à Terra. Segundo a empresa, o foco é avançar em um projeto de reutilização rápida da nave.
16/07/2026 03:41:03 +00:00
EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; veja itens que serão afetados ou isentos

Itens como petróleo, café, carne, aeronaves e celulose ficaram de fora de tarifaço O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês). A medida entra em vigor em 22 de julho. Baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, a nova taxa atinge milhares de produtos brasileiros e deve afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A conclusão do processo vem após um ano de negociações entre Brasília e Washington. Como g1 mostrou, o governo brasileiro realizou diversas reuniões com representantes americanos, incluindo encontros nas últimas semanas, mas não conseguiu reverter a aplicação das tarifas. Apesar do alcance da medida, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para os EUA ficaram fora da nova cobrança. O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa ao final de sua participação na cúpula de líderes da OTAN em Ancara, Turquia, em 8 de julho de 2026 REUTERS/Yves Herman Veja abaixo os principais itens na lista de isenções: Carne bovina Café Laranjas e sucos de laranja Petróleo bruto e gás natural Aeronaves civis, motores e componentes aeroespaciais Produtos farmacêuticos e ingredientes químicos para uso farmacêutico Semicondutores e máquinas para sua fabricação Peixes e crustáceos Certos produtos de madeira tropical Mel orgânico Ferro-gusa Castanhas Celulose de madeira Pastas químicas de madeira Helicópteros Motores aeronáuticos e componentes do setor aeronáutico Alguns minérios Determinados produtos metálicos considerados estratégicos para cadeias produtivas americanas Veja abaixo os principais itens sujeitos a tarifa de 25%: Etanol Máquinas agrícolas Vestuário Maquinário elétrico Calçados Ferramentas de jardinagem Equipamentos de mineração Papel Açúcar orgânico Bens de capital Manufaturados em geral Produtos químicos diversos Itens industriais processados Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA. Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. A nova cobrança ocorre em um cenário em que parte das exportações brasileiras já estava submetida a outras tarifas impostas pelos EUA, principalmente nos setores de aço e alumínio. Veja os detalhes na reportagem abaixo. Nova tarifa se soma a medidas anteriores dos EUA A aplicação da tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros faz parte de uma sequência de medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump desde o início de 2026. Além da nova tarifa, Washington manteve tarifas específicas para determinados setores com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, principalmente produtos industriais, como itens de ferro e aço, alumínio, cobre, máquinas, equipamentos, autopeças e veículos. As alíquotas da Seção 232 variam conforme o produto e a classificação tarifária americana. Em alguns casos, produtos de aço, alumínio e cobre chegaram a ter tarifas adicionais de 50%, enquanto outros derivados desses metais estavam sujeitos a cobranças específicas, calculadas conforme o tipo de mercadoria e o conteúdo desses materiais. A nova tarifa anunciada nesta quarta-feira foi criada no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, utilizada pelos EUA para investigar e responder a práticas comerciais consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses americanos. Além dessa medida, o governo americano também conduz outra investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A cobrança, prevista para 60 economias, é justificada pela avaliação de Washington de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, o que elevaria para 37,5% a tarifa adicional incidente sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. 🔍 A cobrança final, porém, dependerá das regras definidas pelos EUA para cada classificação tarifária e da existência de exceções ou tratamentos específicos para produtos que já estavam submetidos a outras medidas. Por isso, a aplicação da nova tarifa não representa, necessariamente, uma soma automática das alíquotas já existentes com os 25%. Antes da nova tarifa de 25%, os produtos brasileiros exportados aos EUA já estavam divididos em diferentes grupos tarifários. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 46% das exportações brasileiras não tinham tarifas adicionais, enquanto 25% estavam submetidas à sobretaxa global de 10% aplicada pelos EUA e 29% estavam enquadradas nas tarifas da Seção 232, principalmente nos setores de aço e alumínio. Decisão amplia tensão comercial entre Brasil e EUA No caso brasileiro, a investigação comercial envolveu temas como desmatamento ilegal, comércio digital e o sistema de pagamentos instantâneos PIX, que, segundo o governo americano, poderia prejudicar empresas de cartões de crédito. Ao decidir pela aplicação da nova taxa, o governo Trump alega que tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em reverter as práticas que considera injustas. Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. Com a divulgação da decisão, o governo brasileiro vai analisar o teor do anúncio para definir qual será a reação, segundo interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pelo blog do Valdo Cruz. Entre as possibilidades em discussão estão o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica ou a continuidade das negociações diplomáticas com os americanos. 🔎 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Tarifas de Trump sobre aço e alumínio: foto mostra fábrica mexicana de peças Reuters/Daniel Becerril
16/07/2026 03:25:05 +00:00
Tarifaço de Trump: indústria diz que novas taxas ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores

Entidades do setor industrial demonstram preocupação com novo tarifaço A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reagiu nesta quinta-feira (16) ao anúncio da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos e afirmou que a medida amplia as dificuldades já enfrentadas pelas empresas exportadoras. Em nota, a entidade avaliou que a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as vendas brasileiras aos Estados Unidos e aumenta a insegurança para companhias dos dois países. Segundo a CNI, os efeitos das tarifas adotadas pelos Estados Unidos desde 2025 já são percebidos no comércio bilateral. De acordo com a entidade, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 13% no período, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A queda foi puxada principalmente pela redução das vendas de bens industriais, incluindo produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e pasta química de madeira. Donald Trump fala com a imprensa a bordo do Air Force One em 8 de julho de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst "Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A confederação informou ainda que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre os principais estados exportadores, Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%) e Paraná (-32,9%) apresentaram retrações significativas, segundo os dados da entidade. Apesar da redução das vendas, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período. Veja os detalhes do tarifaço na reportagem abaixo. Fiesp critica o governo brasileiro A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a condução do governo brasileiro nas negociações com os EUA após o anúncio de uma nova sobretaxa sobre produtos do Brasil. Em nota, a entidade afirmou que a medida representa um duro golpe para a competitividade da indústria nacional e avaliou que a retaliação comercial poderia ter sido evitada. Segundo a Fiesp, a decisão dos Estados Unidos é especialmente prejudicial por atingir exclusivamente o Brasil, colocando os exportadores nacionais em desvantagem diante de concorrentes internacionais. A entidade também atribuiu parte do deterioramento do cenário comercial a uma condução que classificou como marcada por "ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas e desalinhamento político com Washington". Para a federação, o episódio enfraqueceu uma relação bilateral construída ao longo de mais de dois séculos entre os dois países. A entidade defendeu que uma abordagem mais técnica e pragmática poderia ter evitado o agravamento das tensões comerciais. "O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. A federação informou ainda que continuará atuando junto a parceiros nos Estados Unidos para buscar a reversão ou a mitigação das tarifas, com a ampliação da lista de produtos isentos. (Leia a nota na íntegra abaixo) FIEMG vê risco de perda de competitividade A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação com a decisão americana. Em nota, a entidade avaliou que a tarifa adicional de 25% amplia os custos de acesso ao mercado dos Estados Unidos e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros. Segundo a FIEMG, o impacto efetivo dependerá da lista de produtos atingidos, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido a concorrentes de outros países. A federação alertou ainda para possíveis efeitos como substituição de fornecedores brasileiros, redução de margens de lucro e renegociação de contratos comerciais. "A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras", afirmou Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG. A entidade defendeu o reforço das negociações entre Brasil e Estados Unidos e pediu regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e para a implementação das novas tarifas, de forma a evitar uma perda prolongada de competitividade da indústria nacional. (Leia a nota na íntegra abaixo) Amcham diz que tarifa é "muito negativa" e pede retomada do diálogo Em nota, a Amcham Brasil classificou como "muito negativo" o resultado da investigação que culminou na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Segundo a entidade, a medida coloca o Brasil "entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano" e deve atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. A entidade também afirmou que as sobretaxas tendem a aumentar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos EUA que utiliza insumos brasileiros e aprofundar a queda do comércio bilateral. "Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. "Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%." A Amcham também considerou positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas, por reduzir parte dos impactos da medida, mas defendeu a criação de um mecanismo que permita avaliar novas isenções para itens cujas sobretaxas possam gerar efeitos econômicos desproporcionais ou não contribuam para solucionar as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos. ABIMAQ diz que tarifa pode "comprometer investimentos" A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que vê com preocupação a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Para a entidade, a medida "aumenta a incerteza" nas relações comerciais entre os dois países e pode "elevar custos, reduzir a competitividade das empresas e afetar investimentos". Segundo a Abimaq, os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2025, o setor vendeu cerca de US$ 3,2 bilhões ao mercado americano, enquanto o Brasil importou US$ 4,8 bilhões em máquinas e equipamentos dos Estados Unidos, em uma relação marcada pela "elevada complementaridade industrial" e pela "forte interdependência produtiva" entre os dois países. A associação destaca que parte importante desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico, com fábricas e operações nos dois países. Por isso, afirma que a tarifa pode "aumentar custos, reduzir a competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas", gerando impactos tanto para empresas brasileiras quanto americanas. A Abimaq concluiu seu posicionamento afirmando que divergências comerciais devem ser resolvidas "por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral" e que "medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor". A entidade informou que continuará acompanhando a implementação da tarifa e atuando para ampliar as exceções para o setor de máquinas e equipamentos. Entidade do agro também condena tarifas mas comemora lista de exclusões Em vídeo enviado a imprensa na noite desta quinta-feira (16), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou “preocupação” com a decisão. Segundo a entidade, apesar da retirada de diversos itens da lista após articulação técnica em Washington, produtos como madeira, arroz, uva, ovos e açúcar continuam sujeitos à sobretaxa. A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, afirmou que os produtos atingidos pela medida representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações para o mercado norte-americano em 2025. “Em 2025, esses produtos [tarifados] representaram cerca de US$ 4,6 bilhões em vendas para o mercado norte-americano”, disse. A entidade destacou, porém, que a atuação junto ao governo dos Estados Unidos conseguiu ampliar a lista de exceções. Com a inclusão de 2.126 linhas tarifárias, itens como pescados, mel e café solúvel ficaram fora da sobretaxa, preservando 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos americanos. Segundo Mori, a exclusão de parte dos produtos ocorreu também pela dependência da indústria norte-americana de determinados insumos brasileiros. “Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou. "A CNA defendeu o agro brasileiro e demonstrou, com dados e evidências, que a competitividade do setor não decorre de práticas desleais de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas”, declarou Mori. A entidade informou que seguirá acompanhando os efeitos da medida e apoiando os setores afetados pela tarifação, em busca de negociações para preservar a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. Leias as notas na íntegra: Fiesp "A Fiesp lamenta, com profunda preocupação, a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. A decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral. A retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA e outras oportunidades no último ano. “O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp. A Fiesp reafirma seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções." FIEMG "FIEMG critica tarifa de 25% dos EUA e alerta para perda de competitividade da indústria brasileira Medida amplia custos de acesso ao mercado norte-americano e ameaça a competitividade dos produtos brasileiros A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avalia com grande preocupação a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta quarta-feira (15), de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida cria uma diferença relevante em relação a fornecedores de outros países que disputam os mesmos compradores. O impacto efetivo dependerá dos produtos alcançados, da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos concorrentes internacionais. Entre as possíveis consequências estão a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais. “A tarifa de 25% altera de forma expressiva as condições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. Será fundamental garantir clareza sobre os produtos atingidos, os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento, reduzindo as incertezas para as empresas exportadoras”, afirma Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do Centro Internacional de Negócios da FIEMG. A FIEMG reforça a necessidade de intensificar as negociações entre Brasil e Estados Unidos e garantir regras claras para contratos já firmados, cargas em trânsito e implementação da medida, evitando uma perda prolongada de competitividade para a indústria brasileira." Amcham A decisão do governo dos Estados Unidos, divulgada em 15 de julho, de aplicar sobretaxas de 25% sobre cerca de 3.000 produtos que o Brasil exporta, como conclusão da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do Brasil, consiste em um resultado muito negativo para a relação bilateral. A medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos. Ademais de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região. Além disso, ela limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual. O aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países. “Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. A Amcham Brasil considera positiva a definição de uma lista expressiva de produtos excluídos das sobretaxas, o que contribui para mitigar parte dos seus impactos. Ao mesmo tempo, solicita a criação de um mecanismo para avaliar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos. A Amcham Brasil seguirá atuando para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos em ambas as economias. ABIMAQ A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) manifesta profunda preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de produtos brasileiros, no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. A medida, anunciada pelo USTR, decorre da conclusão de que determinadas políticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal configurariam práticas consideradas "injustas" ou "discriminatórias" sob a ótica norte-americana. A tarifa entrará em vigor em 22 de julho de 2026, alcançando, como regra geral, as importações provenientes do Brasil, com exceção de produtos expressamente excluídos pelo governo norte-americano. Embora o ato final tenha preservado diversas exceções relevantes, inclusive para produtos sujeitos às medidas da Seção 232 e para determinados bens considerados estratégicos para a economia norte-americana, a ABIMAQ avalia que a decisão representa um fator adicional de incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos. Entre os produtos excluídos das novas tarifas encontram-se, por exemplo, artigos já submetidos à Seção 232, aeronaves civis e suas partes, produtos farmacêuticos, determinados produtos de madeira, veículos, semicondutores e outros insumos considerados essenciais pelo próprio governo dos Estados Unidos. Para o setor de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos representam o principal mercado de exportação. Trata-se de uma relação comercial caracterizada por elevada complementaridade industrial e pela intensa integração das cadeias produtivas, nas quais circulam máquinas, componentes, partes e bens intermediários utilizados pela própria indústria norte-americana. Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos para os Estados Unidos alcançaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as exportações norte-americanas para o Brasil totalizaram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando uma relação de benefícios mútuos e forte interdependência produtiva. A ABIMAQ ressalta que parcela significativa desse comércio ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompany), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas norte-americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos. Nesse contexto, a elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral. A entidade também observa que, durante a consulta pública conduzida pelo USTR, diversos representantes da indústria norte-americana defenderam a exclusão de máquinas, equipamentos e outros bens industriais da medida, argumentando que esses produtos são essenciais para a competitividade da manufatura dos Estados Unidos, possuem limitada disponibilidade de fornecimento alternativo e que sua tributação produziria impactos negativos sobre investimentos, custos de produção e geração de empregos naquele país. O próprio relatório final reconhece que diversas exclusões foram concedidas justamente para evitar desorganização das cadeias produtivas e impactos econômicos mais amplos. A ABIMAQ entende que divergências comerciais devem ser tratadas prioritariamente por meio do diálogo institucional e da negociação bilateral. Medidas unilaterais de natureza tarifária tendem a elevar a insegurança jurídica, aumentar custos para empresas e consumidores e enfraquecer cadeias globais de valor que vêm sendo construídas ao longo de décadas. A Associação continuará acompanhando atentamente a implementação da medida, em especial a regulamentação operacional pelas autoridades aduaneiras norte-americanas e a definição do tratamento aplicável aos diferentes produtos do setor. Paralelamente, permanecerá atuando junto às autoridades brasileiras e aos interlocutores norte-americanos na defesa da ampliação das exclusões aplicáveis ao setor de máquinas e equipamentos e da construção de uma solução negociada que preserve a competitividade da indústria e o fortalecimento da relação econômica entre Brasil e Estados Unidos.
16/07/2026 03:00:42 +00:00
Mega-Sena pode pagar R$ 30 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.031 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 30 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (16), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última terça-feira (14), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
16/07/2026 03:00:39 +00:00
Senado aprova inclusão de educação financeira nos currículos dos ensinos fundamental e médio

Por que o brasileiro parcela tudo? O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) um projeto de lei que insere educação financeira na grade curricular dos ensinos fundamental e médio. Por conta de alterações propostas pela relatora, a senadora e líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), agora o texto retorna para a Câmara dos Deputados, onde será revalidado pelos deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta, de autoria da deputada federal Any Ortiz (Cidadania-RS) estabelece que o ensino será "transversal e integrador" em toda a base curricular. A ideia de um ensino transversal é que ele permeie todos os anos de ensino, não ficando exclusivo para uma única faixa, assim como acontece com as demais disciplinas básicas, como matemática, português e história. "Esse desenvolvimento integral exige, de forma cada vez mais evidente, a compreensão da realidade econômica e a capacidade de tomada de decisões sobre consumo consciente, inclusive como instrumento de prevenção ao endividamento futuro", disse Teresa Leitão. Calculadora; empresa; gastos; dinheiro Freepik/cookie_studio "[Com o ensino transversal] preserva-se a flexibilidade necessária à organização curricular dos estabelecimentos de ensino e evita-se a sobrecarga da matriz curricular, ao mesmo tempo em que se assegura a permeabilidade do tema às diversas áreas do conhecimento", completou a senadora. A relatora ainda propôs e aprovou uma emenda ao texto que amplia o escopo da educação financeira, exigindo que também sejam ensinados conceitos sobre previdência, tributos e seguros. "Ao se estender a abordagem para além da dimensão estritamente financeira, alcançando as dimensões fiscal, previdenciária e securitária, amplia-se a capacidade do cidadão de compreender seus direitos e deveres perante o Estado e o mercado, de entender as forças e interesses que operam nessas dimensões e de planejar conscientemente o seu futuro", disse a petista.
16/07/2026 03:00:18 +00:00
Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Tarifaço: EUA confirmam cobrança de 25% sobre produtos brasileiros O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. (leia mais abaixo) Apesar de anunciar as novas tarifas, os EUA determinaram que alguns produtos ficarão de fora da taxação, como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose. Essa lista inclui itens considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Enquanto isso, produtos como etanol, máquinas agrícolas e papel serão sobretaxados. De maneira geral, boa parte dos principais produtos da pauta de exportação brasileira não será atingida pela nova medida. O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião bilateral com o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 14 de julho de 2026 REUTERS/Evan Vucci A investigação do órgão comercial americano foi encerrada após análises e negociações entre os governos Lula (PT) e Trump. Também participaram representantes de diferentes setores da economia por meio de audiências públicas realizadas neste mês, como parte da reta final do processo. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas. (veja o resumo das reclamações abaixo) Integrantes do governo brasileiro afirmam que três temas concentraram os principais impasses nas tratativas: o PIX, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e uma proposta de moratória de quatro anos para isentar plataformas digitais do pagamento de tributos e multas. Ouvidos pelo blog do Valdo Cruz antes da publicação da decisão pelo USTR, interlocutores do governo Lula afirmaram que esses pontos apresentados pelos americanos são considerados inegociáveis pelo Brasil. A avaliação também é de que a aplicação da nova tarifa se trata de uma decisão política. As autoridades americanas, por sua vez, negam que a represália esteja sendo usada com esse objetivo. O governo americano diz que busca apenas reverter práticas comerciais que prejudicam a competitividade dos EUA. Assim, entendem que as tarifas não buscam, por exemplo, o fim do PIX, mas alterações no funcionamento do sistema para evitar o que Washington considera condições desleais para empresas americanas de pagamentos eletrônicos. Conforme já mostrou o g1, especialistas apontam que não há razões consistentes para questionar o sistema de pagamento instantâneo brasileiro. Quando a nova taxa passa a valer? A tarifa de 25% entrará em vigor em 22 de julho, mas não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos EUA. Apesar da decisão, o governo americano afirmou que a medida poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. Em um processo paralelo, conduzido com base na mesma legislação, a gestão Trump prevê a aplicação de uma taxa adicional de 12,5% para 60 economias, incluindo o Brasil. A justificativa é que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A adoção desta taxa ainda está em análise. Como começou a investigação sobre as tarifas contra o Brasil O Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu em junho a investigação que tem com base na Seção 301 da Lei de Comércio. No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA. E apontou ainda as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: A investigação analisou temas como: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. O que é a Seção 301 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos. 🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados. O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump. A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais. Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação. Audiências reuniram setor produtivo brasileiro Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas. O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final. As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA. O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. 💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria) Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais. O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos. A resposta do governo brasileiro O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA: Contestar os argumentos apresentados pelo USTR Manter aberto o canal de negociação com Washington. Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio. O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais. No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro. Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão. Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas. Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas. 🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica. Negociação com os EUA seguiu até a decisão final Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. Agora, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.
16/07/2026 02:58:04 +00:00
Governo prevê impacto reduzido de possíveis novas taxas do EUA sobre o Brasil; exportações já mostraram 'resiliência'

Tarifaço de Trump: EUA definem hoje se aplicam novas taxas ao Brasil O Ministério da Fazenda prevê que o impacto macroeconômico de possíveis novas taxas dos Estados Unidos sobre o Brasil tenha efeito reduzido sobre a economia brasileira. As possíveis novas taxas podem ser aplicadas no âmbito de uma investigação aberta com base na chamada Seção 301. 🔎 Em 1º de junho, o governo americano concluiu uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos, entre elas desmatamento ilegal, pirataria e PIX. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Segundo a pasta, as exportações mostraram resiliência mesmo após o tarifaço em agosto do ano passado, com recuperação gradual desde novembro. "Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma", afirma análise da Secretaria de Política Econômica (SPE), publicada no "Boletim MacroFiscal". Segundo a Fazenda, mesmo se as tarifas forem impostas, as medidas "preveem exceções para diversos produtos, o que tende a manter o impacto agregado modesto". Soma-se a esses fatores, diz a pasta, as ações implementadas no ano passado em apoio aos setores mais expostos, com medidas voltados para o crédito, liquidez e diversificação de mercados, que deve auxiliar a mitigar os efeitos setoriais remanescentes. Imagem de drone do Porto de Santos (SP) Reuters Guerra no Oriente Médio Segundo a Secretaria de Política Econômica, o cenário internacional, marcado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, segue marcado por "elevada incerteza". "A trégua entre as partes reduziu o prêmio de risco sobre a oferta de petróleo e permitiu que a cotação do petróleo Brent recuasse momentaneamente", destacou a SPE. "Avanços diplomáticos arrefeceram momentaneamente os riscos geopolíticos entre maio e o começo de julho, mas incertezas ainda não foram totalmente eliminadas. A assinatura do acordo de trégua entre Estados Unidos e Irã para o cessar-fogo ajudou a reduzir riscos extremos associados ao choque de oferta de petróleo, especialmente diante do baixo nível dos estoques globais. Como resultado, o preço da principal commodity energética recuou para nível próximo ao observado no pré-conflito no começo de março", prossegue a análise. A interrupção do cessar-fogo na semana passada, no entanto, voltou a elevar o prêmio de risco e as cotações do petróleo. A reescalado do conflito não foi incorporada à análise e constitui um risco altista para os preços de energia e baixista para a atividade mundial.
15/07/2026 22:31:02 +00:00
Rede social X completa 20 anos; veja como ex-Twitter foi do pássaro azul até Elon Musk

Logo da empresa Twitter ao lado do perfil do bilionário americano, Elon Musk Dado Ruvic/REUTERS A rede social X, o antigo Twitter, completa 20 anos nesta quarta-feira (15). Nesse período, o serviço se tornou palco de conversas públicas em tempo real sobre assuntos em alta e passou por uma grande mudança de comando ao ser comprada pelo bilionário Elon Musk. O Twitter foi criado com a proposta de permitir que usuários compartilhassem textos curtos sobre o que estavam fazendo. Aos poucos, a plataforma ganhou outros recursos, como suporte a vídeos, transmissões ao vivo e comunidades. O serviço ajudou artistas, esportistas e políticos a se aproximarem de seguidores. E serviu para fazer comunicados: em 2020, um tuíte confirmou a morte do ator Chadwick Boseman, que interpretou o herói Pantera Negra nos cinemas, e se tornou um dos mais marcantes da rede social. Sob o comando de Musk, o X mudou suas políticas e afastou deixou insatisfeitos parte dos usuários, que migraram para serviços rivais como Bluesky e Threads. No Brasil, a rede social chegou a ser bloqueada por não cumprir ordens judiciais. Relembre os principais momentos da plataforma. Agora no g1 Onde tudo começou O Twitter foi lançado ao público em 15 de julho de 2006, mas sua primeira publicação foi feita quatro meses antes, no período de testes. "Estou criando minha conta Twttr", postou Jack Dorsey, em 21 de março daquele ano. O primeiro tuíte da história foi vendido em 2021 como NFT (sigla em inglês para "token não fungível"), uma espécie de ativo digital único. O registro custou pouco mais de US$ 2,9 milhões (R$ 14,7 milhões, na cotação atual) para o comprador. Initial plugin text Nos anos seguintes, o Twitter se firmou como uma rede social em que celebridades, atletas, políticos e empresas poderiam falar diretamente com seu público. Hoje, a conta de Musk é a mais popular, com 240 milhões de seguidores, mas isso só aconteceu após o empresário adquirir o serviço. Por muito tempo, o ex-presidente americano Barack Obama, hoje com 119 milhões de seguidores, foi o dono do perfil mais famoso da rede. No Brasil, Neymar Jr. lidera o ranking de contas mais populares, com 63 milhões de seguidores. Relembre abaixo momentos marcantes do X, antigo Twitter. A rede também ajudou a popularizar memes e fenômenos virais. Entre os mais famosos, está a selfie tirada pela apresentadora Ellen DeGeneres durante a cerimônia do Oscar de 2014. A foto, que reunia estrelas como Brad Pitt, Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, é uma das mais curtidas da história. Selfie Oscar Redes sociais Ellen DeGenres A chegada de Elon Musk O capítulo mais turbulento da história da empresa começou em 2022. Em abril daquele ano, Elon Musk anunciou uma oferta para comprar o Twitter por cerca de US$ 44 bilhões. O processo foi marcado por negociações, disputas públicas e tentativas de desistência. Após meses de incerteza, o acordo foi concluído em outubro de 2022. Logo após assumir o controle da companhia, Musk promoveu uma ampla reestruturação, incluindo mudanças na liderança, demissões em massa e alterações em políticas da plataforma. Sob o comando de Musk, a plataforma passou a ser iainda mais questionada sobre falhas no combate à desinformação e em sua moderação de conteúdo. O novo dono passou a defender mudanças que priorizavam a ideia dele de liberdade de expressão. Elon Musk entra na sede do Twitter com uma pia nas mãos Twitter vira X Em julho de 2023, Musk anunciou o fim da marca Twitter. O tradicional pássaro azul, símbolo da plataforma por mais de uma década, foi substituído pela letra X, nome que passou a identificar a empresa e o serviço. A mudança fez parte da estratégia do bilionário de transformar a rede social em um aplicativo com múltiplos serviços, inspirado em modelos conhecidos como "superapps". A transição veio acompanhada de outras alterações, como mudanças no sistema de verificação de contas, novos produtos pagos, flexibilizações em regras da plataforma e ajustes em ferramentas utilizadas por desenvolvedores. Twitter ganha nova identidade visual com um grande "X" A relação turbulenta com o Brasil A relação entre o X e as autoridades brasileiras entrou em um de seus momentos mais delicados em 2024, até chegar à suspensão temporária da rede no país. Em agosto daquele ano, a empresa anunciou o fechamento de seu escritório no Brasil alegando que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tinha ameaçado sua representante legal no país de prisão caso ela não cumprisse decisões judiciais. Dias depois, Moraes determinou que a plataforma indicasse o novo representante legal. A ordem não foi cumprida, e o ministro decidiu pela suspensão da rede social em todo o território nacional, medida que só foi revertida cerca de 40 dias depois. Elon Musk e Aleandre de Moraes EVARISTO SA, ETIENNE LAURENT / AFP
15/07/2026 22:24:54 +00:00
EUA começam a produzir moeda comemorativa de US$ 1 com imagem de Trump

Moeda comemorativa de US$ 1 com o rosto de Donald Trump — Foto: Divulgação Foto: Divulgação A Casa da Moeda dos Estados Unidos começou a produzir uma nova moeda comemorativa de US$ 1 com a imagem do presidente Donald Trump, informou o Departamento do Tesouro dos EUA nesta quarta-feira (15). A moeda faz parte das celebrações dos 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, comemorados em 2026. 🔎 Apesar de ter valor de face de US$ 1, a moeda não deve circular no comércio como as usadas no dia a dia. A peça é uma edição comemorativa, voltada principalmente para colecionadores. Nas redes sociais, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a peça representa um “legado duradouro da liberdade” e um “símbolo de patriotismo”. “Com a imagem do presidente Trump, ela celebra a força dos valores americanos e a promessa de uma nação dedicada a preservar a liberdade para todos”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA. Passaporte e moeda: Trump estampa rosto em símbolos dos EUA LEIA TAMBÉM: Passaporte, moeda e prédios: como Trump tem estampado o próprio rosto em símbolos públicos dos EUA Como é a moeda O desenho aprovado inicialmente pela Comissão de Belas Artes dos Estados Unidos passou por alterações antes da produção final. A versão definitiva não será feita de ouro, mas apenas possuir um acabamento dourado. Na frente da moeda, Trump aparece usando terno e gravata, com expressão séria. Na parte superior está a inscrição "LIBERTY" ("Liberdade"), enquanto a parte inferior traz as datas "1776–2026", em referência aos 250 anos da independência dos EUA. No centro também aparece o lema "IN GOD WE TRUST" ("Em Deus confiamos"), tradicional nas moedas dos Estados Unidos. O verso da moeda traz a tradicional imagem da águia-careca, símbolo presente no Grande Selo dos Estados Unidos. A ave aparece com um escudo no peito e a inscrição "UNITED STATES OF AMERICA" ("Estados Unidos da América"). Sobre o escudo aparece a expressão em latim "E PLURIBUS UNUM", que significa "De muitos, um". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Moeda faz parte de série de celebrações com protagonismo de Trump O lançamento ocorre em meio às comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, marcadas pela forte presença do presidente Donald Trump. Durante o período de celebrações, Trump promoveu eventos de caráter tradicionalista, anunciou reformas em áreas públicas de Washington e apresentou projetos como a construção de um grande "arco do triunfo" na capital americana. Inclusão do rosto de Trump gera debate sobre regras americanas A inclusão da imagem de Trump na moeda gerou críticas porque a legislação dos Estados Unidos tradicionalmente impede que presidentes vivos apareçam em moedas e cédulas de circulação. A regra estabelece que a imagem de um presidente só pode ser usada no dinheiro americano após sua morte. No entanto, o secretário do Tesouro possui autoridade para autorizar, em determinadas situações, a emissão de moedas comemorativas. Outra diferença em relação ao projeto inicial é que Trump deixou de aparecer apoiado sobre uma mesa, enquanto se inclinava para frente. O Departamento do Tesouro não explicou os motivos das alterações no desenho. Assinatura de Trump também estará em novas cédulas A presença de Trump em símbolos nacionais vai além da moeda comemorativa. Em março, o Departamento do Tesouro informou que a assinatura do presidente passaria a aparecer nas novas cédulas emitidas pelos Estados Unidos. Tradicionalmente, as cédulas americanas levam as assinaturas do secretário do Tesouro e do tesoureiro dos Estados Unidos, e não do presidente da República. * Com informações da Associated Press
15/07/2026 20:50:44 +00:00
Penduricalhos: TCU libera pagamento de gratificação fora do teto a servidores do próprio tribunal e do Legislativo

Senado aprova projeto que permite servidores do TCU receberem acima do teto do funcionalismo Jornal Nacional/ Reprodução O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira (15) permitir que o salário e a gratificação por desempenho de função de chefia de servidores do próprio tribunal, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal sejam considerados separademente. Isso significa que os servidores que já recebem o teto constitucional poderão, na prática, receber o valor total do benefício, sem abatimentos. O teto do funcionalismo corresponde à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente em R$ 46.366,19. A Constituição Federal diz que as verbas de caráter remuneratório, ou seja, aquelas pagas por conta do trabalho exercido pelo agente público, devem ficar submetidas ao teto. Ainda de acordo com essas regras, se a soma delas ultrapassa o limite estabelecido pelo teto, o excedente deve ser cortado. É feito o chamado "abate teto". Outros exemplos de verbas remuneratórias são as horas extras e o adicional noturno. Em março, o STF estabeleceu critérios para o pagamento das verbas indenizatórias para juízes e integrantes do Ministério Público. As verbas de caráter indenizatório não estão sujeitas ao teto e constituem uma espécie de ressarcimento ou compensação do Poder Público ao agente público por algo que ele gastou ao exercer sua função. São exemplos de verbas indenizatórias as diárias de viagem, ajudas de custo, auxílios-moradia, transporte, alimentação - e creche. LEIA TAMBÉM: Em meio à discussão sobre limitação a penduricalhos, presidente do TCU diz que aprovou gratificação com 'muito orgulho' e 'muita vontade' Penduricalhos: STF alterna entre restringir e liberar pagamentos; Congresso terá que estabelecer regras definitivas Placar julgamento A decisão foi tomada por oito votos a um. O relator, ministro Walton Alencar Rodrigues, votou para que o TCU não analisasse o pedido feito pelo Sindilegis, sindicato que representa servidores do Legislativo e do tribunal. Segundo ele, a entidade não teria legitimidade para apresentar a representação. O presidente do TCU e revisor da ação, ministro Vital do Rêgo, abriu divergência e defendeu que o caso fosse analisado. Para ele, a regra atual desestimula servidores a assumir funções de chefia, porque parte da gratificação acaba sendo reduzida pelo teto. Os demais ministros acompanharam a divergência. O que muda? Hoje, quando um servidor já recebe próximo ao teto constitucional e assume uma função de chefia, a gratificação pode ser reduzida ou até zerada. Com a decisão do TCU, a gratificação passa a ser tratada como uma parcela separada do salário do cargo efetivo, o que permite o pagamento integral do valor. Mudança pode beneficiar 25,7 mil servidores Segundo o acórdão do TCU, a mudança pode beneficiar 25,7 mil servidores. O impacto estimado é de aproximadamente R$ 211 milhões, valor equivalente a 0,09% da folha de pagamento dos servidores ativos da União. Agora no g1
15/07/2026 20:37:33 +00:00
xAI, de Elon Musk, processa usuário acusado de usar Grok para criar imagens de abuso sexual infantil

Rede Social X limita uso da inteligência artificial Grok para edição de imagens A startup de inteligência artificial xAI, de Elon Musk, processou um homem da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, preso no início deste ano sob acusação de explorar sexualmente menores de idade. Segundo a empresa, ele usou indevidamente o sistema de IA Grok para criar imagens de abuso sexual infantil. Na ação, apresentada na terça-feira (14) em um tribunal federal do Texas, a xAI afirma que Terry Harwood violou os termos de uso da plataforma. O caso está entre os primeiros em que uma empresa de inteligência artificial processa um usuário por supostamente utilizar uma ferramenta de IA para gerar conteúdo sexualmente explícito. Os contatos de Harwood, preso em fevereiro, não foram encontrados de imediato. A xAI também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito pela imprensa nesta quarta-feira (15). Grok é acusado de permitir deepfakes sem consentimento O processo ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre a empresa por acusações de que o Grok tem permitido a criação de deepfakes sexualizados sem consentimento - vídeos ou imagens altamente realistas produzidos por inteligência artificial. Na ação judicial, a xAI afirma que combate esse tipo de uso com medidas como suspensão e encerramento de contas, além de comunicar casos suspeitos de material de abuso sexual infantil ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC, na sigla em inglês). Segundo a empresa, somente em 2026 foram 52.222 contas suspensas e 73.604 denúncias enviadas ao NCMEC, o que teria contribuído para pelo menos 244 prisões. Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk REUTERS/Dado Ruvic/Illustration Criminoso usou fotos adulteradas A xAI alega que Harwood enviou ao Grok imagens comuns de adultos e menores de idade e tentou usar a ferramenta para criar deepfakes sexualmente explícitos a partir delas. A empresa também afirma que ele produziu imagens sexuais falsas de adultos sem consentimento. No processo, a xAI pede uma indenização, cujo valor não foi divulgado, e solicita que a Justiça proíba definitivamente Harwood de utilizar o Grok. "A conduta do réu foi um plano deliberado para transformar a ferramenta da autora em um instrumento para fins criminosos, expondo vítimas reais a danos profundos e duradouros, além de causar riscos jurídicos e prejuízos à reputação da empresa", afirmou a xAI na ação.
15/07/2026 18:05:02 +00:00
Trump ataca veto a data centers em Nova York e diz que China ganhará a corrida da IA

IA em alta, mas ninguém quer um data center no quintal Um dia após o estado de Nova York anunciar a suspensão da aprovação de novos grandes data centers, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente a medida e defendeu nesta quarta-feira (15) que esses empreendimentos são essenciais para a geração de empregos, arrecadação e liderança tecnológica do país — que pode perder sua posição para a China. Em publicação na rede social Truth Social nesta quarta-feira (15), Trump afirmou que os data centers serão uma das maiores forças motrizes para os empregos no futuro e os descreveu como máquinas de fazer dinheiro para os estados onde são instalados. "Os data centers são um dos principais motores de criação de empregos para o futuro. Eles são grandes, robustos, arrojados e verdadeiras máquinas de gerar receita", escreveu o presidente americano. O republicano atribuiu a decisão à governadora de Nova York, Kathy Hochul, dizendo que ela interrompeu, "por razões políticas", a construção de todos os novos data centers no estado. "Nova York tomou uma decisão terrível. Toda essa receita e os demais benefícios irão para estados republicanos - e alguns democratas -, onde os data centers são vistos como fontes valiosas de recursos, oferecendo impostos mais baixos e gerando um número recorde de empregos", repudiou. Na terça-feira (14), Nova York anunciou uma moratória de um ano para a aprovação de novas licenças ambientais de grandes instalações, enquanto realiza um estudo sobre os impactos desses empreendimentos no consumo de energia, no uso de água e nas comunidades locais. Segundo Trump, a medida fará com que investimentos migrem para estados como Alabama, Flórida, Texas e Arizona, que, segundo ele, buscam atrair esse tipo de infraestrutura. "Os impostos e os empregos equivalem a ouro puro", escreveu. A vitória da China O presidente também argumentou que os próprios data centers devem arcar com seus custos de água e energia e que qualquer benefício excedente retorna aos governos estaduais e às comunidades locais. Na avaliação dele, esses empreendimentos representam "enormes vitórias" para os estados que conseguem recebê-los. Ao pedir que Nova York reverta a decisão "imediatamente", Trump afirmou ainda que a política adotada pelo estado pode fazer os Estados Unidos perderem investimentos em data centers, inteligência artificial e novas tecnologias para países como a China. "A esquerda radical não pode ser autorizada a nos fazer perder data centers, IA e toda essa incrível nova tecnologia para a China e outros países", escreveu. O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião bilateral com o primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 14 de julho de 2026 REUTERS/Evan Vucci
15/07/2026 17:43:20 +00:00
Com alta dos alimentos e Guerra Oriente Médio, governo eleva projeção de inflação para 5,1%, com estouro de meta

O governo elevou nesta quarta-feira (15) a estimativa para a inflação oficial deste ano, de 4,5% para 5,1%, diante da persistência das pressões sobre os preços, especialmente dos alimentos, e dos reflexos do conflito no Oriente Médio sobre a economia global. Ou seja, com isso a Fazenda projeta estouro da meta de inflação. 🔎Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. A revisão consta no "Boletim MacroFiscal", divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. Agora no g1 Segundo a equipe econômica, apesar da desaceleração do Índices de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, os alimentos continuaram sendo o principal fator de pressão sobre a inflação acumulada no ano. O governo também afirmou que as medidas dessazonalizadas — isto é, tomadas diante de eventos extraordinários, como a guerra — seguem acima do padrão histórico "De maio a junho, observaram-se efeitos de segunda ordem nos preços de algumas cadeias produtivas, apesar do alívio recente nas cotações de petróleo, que tende a reduzir as pressões sobre os custos globais", afirmou o Ministério da Fazenda. A pasta avalia, porém, que ainda é cedo para concluir que os preços se estabilizaram. "Contudo ainda é cedo para afirmar que os preços tenham se estabilizado: o cessar-fogo permanece frágil, e sua interrupção, posterior à data de corte deste boletim, constitui risco altista não incorporado às projeções. Além disso, o possível aumento da demanda, para recomposição dos estoques, e os danos à infraestrutura no Oriente Médio podem ser vetores de alta para os preços do petróleo", prosseguem. O Ministério da Fazenda também aponta outros fatores que podem manter a inflação pressionada nos próximos meses. Entre eles estão o espaço remanescente para o repasse dos preços do atacado ao consumidor, o que pode elevar os custos de bens industriais, e o aumento da probabilidade de um El Niño mais intenso. Segundo a pasta, embora o fenômeno climático deva afetar principalmente a safra de 2027, ele já pode exercer pressão sobre os preços dos alimentos ainda em 2026. Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central Jornal Nacional/ Reprodução Crescimento econômico O Ministério da Fazenda manteve em 2,3% sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, apesar da desaceleração da economia. Se confirmada, será a mesma taxa de crescimento registrada em 2025. "Os indicadores coincidentes seguiram majoritariamente positivos no início do segundo trimestre, sem sinalizar perda de tração generalizada. Na comparação entre trimestres, com ajuste sazonal, o IBC-Br avançou 1,2% no trimestre encerrado em abril de 2026, em ritmo próximo ao do trimestre encerrado em março", avaliou a Secretaria de Política Econômica. "A indústria manteve o principal impulso, com aceleração na leitura trimestral até maio, ainda que tenha recuado na margem mensal naquele mês, após quatro meses consecutivos de alta, refletindo o recuo da extrativa e o desempenho estável da transformação", prosseguiu.
15/07/2026 17:15:31 +00:00
Em terra natal de Musk, Amazon sai na frente na corrida da internet via satélite

Amazon traz Alexa+ ao Brasil e aposta em IA como o ChatGPT para renovar assistente virtual A Amazon anunciou nesta quarta-feira (15) que lançará seu novo serviço de internet via satélite, o Amazon Leo, na África do Sul em 2027. Com isso, a empresa fundada por Jeff Bezos deve sair na frente da Starlink, de Elon Musk, na disputa pelo mercado da economia mais desenvolvida do continente africano. Para viabilizar a operação, a Amazon firmou uma parceria com a provedora sul-africana de internet Herotel. Segundo a companhia, este é o primeiro acordo do Amazon Leo para oferta de internet via satélite no continente africano. Os valores da parceria não foram divulgados. O anúncio ocorre em meio às críticas de Elon Musk ao governo da África do Sul, seu país de origem. O bilionário afirma que a Starlink ainda não opera no país porque a legislação local teria impedido a empresa de obter uma licença por ele ser branco. Musk chegou a acusar o governo sul-africano de racismo. As críticas se referem às políticas de ação afirmativa adotadas pela África do Sul. Pela legislação, empresas estrangeiras do setor de telecomunicações precisam conceder uma participação minoritária de suas operações locais a investidores negros ou de outros grupos historicamente desfavorecidos para obter autorização de funcionamento. As regras foram criadas para ampliar o acesso da população não branca à economia após o fim do apartheid, regime de segregação racial que vigorou no país durante décadas e concentrava o poder político e econômico na minoria branca. Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, e cofundador e co-CEO da Prometheus, participa da 10ª edição da feira de startups e inovação tecnológica VivaTech em Paris, na França, em junho de 2026. Abdul Saboor/Reuters Além de despontar, Amazon tem apoio do governo Diferentemente da Starlink, o acordo da Amazon recebeu apoio do governo sul-africano. O ministro das Comunicações, Solly Malatsi, participou do anúncio ao lado de representantes da Amazon e da Herotel. A Amazon começou a colocar em órbita seus primeiros satélites de baixa altitude no ano passado e afirma que já possui mais de 390 satélites em operação. A Starlink, por sua vez, iniciou suas operações em 2019 e conta atualmente com mais de 10 mil satélites em órbita. O serviço já está disponível em cerca de duas dezenas de países africanos, mas ainda não foi lançado na África do Sul porque a empresa de Musk se recusa a atender às exigências da legislação local. A empresa de Jeff Bezos afirmou que o acordo com a África do Sul marca o início de sua expansão pelo continente. Para isso, também firmou parceria com a Vanu Inc., companhia sediada em Lexington, no estado de Massachusetts (EUA), especializada em soluções de internet móvel para países em desenvolvimento. A África é considerada um mercado promissor para serviços de internet via satélite. O continente reúne mais de 1,5 bilhão de habitantes, muitos vivendo em áreas rurais ou regiões que ainda não contam com infraestrutura de internet fixa. O Amazon Leo, anteriormente conhecido como Projeto Kuiper, já anunciou acordos para operar na Tailândia, Cazaquistão, Austrália, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Uruguai. Apesar da expansão da Amazon, a Starlink segue muito à frente em escala global. Segundo a empresa, seu serviço já está disponível em mais de 160 países.
15/07/2026 16:57:48 +00:00
Durigan diz que possível tarifaço dos EUA seria 'desproporcional' e que empresários e famílias do Brasil não podem ser prejudicados

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltou a afirmar nesta quarta-feira (15) que um eventual aumento de tarifas de importação pelos Estados Unidos seria algo "desproporcional" e "injustificado". 🔎Termina nesta quarta (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros. A sinalização é de as novas taxas serão mesmo aplicadas. Durigan disse que, se a medida for concretizada, o governo brasileiro vai agir para proteger a economia interna e que setores produtivos nacionais não podem pagar a conta de barreiras comerciais externas. "Com relação ao tarifaço, existe sempre um princípio que vai nos guiar: os empresários brasileiros, as famílias brasileiras, os caminhoneiros brasileiros e os agricultores brasileiros não podem ser prejudicados por medidas injustas adotadas por outros países", declarou o ministro. Agora no g1 Embora tenha adotado cautela, ao afirmar que ainda não há uma confirmação oficial sobre a aplicação prática das novas taxas americanas, o ministro da Fazenda disse que o governo federal deve mapear os setores que devem ser mais afetados para desenhar ações de suporte. O ministro disse que a reação seguirá a "linha de princípio" de medidas anteriores do governo para blindar o mercado doméstico. Ele declarou ainda que qualquer resposta brasileira a pressões externas passará pelo crivo das metas de controle de gastos públicos. "Nós vamos fazer uma avaliação sempre cuidadosa pelo compromisso de futuro, compromisso fiscal que nós temos, e nós vamos endereçar sempre protegendo a nossa população", ponderou. Dario Durigan Washington Costa/MF
15/07/2026 16:03:36 +00:00
Dívidas rurais: Fazenda e Câmara fecham acordo sobre renegociação, com 10 anos de prazo para quem teve perdas grandes de safra

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmaram nesta quarta-feira (15) que chegaram a um acordo sobre a renegociação de dívidas de produtores rurais. Uma medida provisória para viabilizar o acordo foi publicada na noite desta quarta-feira (15). O entendimento anunciado nesta quarta busca destravar uma solução para o endividamento de produtores afetados por eventos climáticos extremos e dificuldades econômicas. O tema chegou a ser tratado em um projeto aprovado pelo Senado, mas sem o apoio do governo federal. De acordo com o ministro da Fazenda, com o acordo, produtores que, entre 2019 e 2025, registraram perdas de ao menos 30% de renda bruta em pelo menos duas safras, em razão de eventos climáticos ou da variação dos preços agrícolas, poderão renegociar débitos em condições especiais. A regra geral prevê prazo de oito anos para pagamento, com dois anos de carência e sem entrada. Para produtores com perdas maiores – de pelo menos três safras e perda de 40% da renda bruta – provocadas por eventos climáticos, especialmente no Rio Grande do Sul, o prazo poderá chegar a dez anos, também sem entrada. Agora no g1 "Se tiver três perdas, o prazo vai para dez anos. São dois anos de carência mais oito anos para pagar, sem necessidade de pagamento de entrada", afirmou Durigan. A renegociação terá como fontes: recursos do crédito rural fundos, como o Social, e outros supervisionados pela Fazenda 🔎O acordo foi fechado em um ano eleitoral, no qual o governo Lula tenta conquistar votos entre produtores rurais. Taxas vão variar conforme porte do produtor Pelo acordo anunciado, as taxas de juros serão diferenciadas conforme o porte do produtor. Para agricultores que tiveram perdas decorrentes de eventos climáticos, os juros serão: 5% ao ano para beneficiários do Pronaf; 8% ao ano para produtores do Pronamp; 11% ao ano para grandes produtores. Nas demais situações abrangidas pelo acordo, incluindo perdas causadas por variações de preços, as taxas serão: 6% ao ano para o Pronaf; 9% ao ano para o Pronamp; 12% ao ano para produtores de maior porte. Os limites de valores das dívidas renegociadas variarão de R$ 400 mil a R$ 8 milhões por beneficiário do programa, conforme o porte do produtor. CPRs entram na renegociação Uma das principais novidades anunciadas pelo governo é a inclusão das Cédulas de Produto Rural (CPRs) nas renegociações. Segundo Durigan, até as negociações realizadas no Senado, a equipe econômica não aceitava incluir esse tipo de operação, que possui regras diferentes das linhas tradicionais de crédito rural. Agora, operações de CPR em atraso poderão ser renegociadas inicialmente junto às instituições financeiras nos mesmos prazos definidos para as demais dívidas. "O agricultor que, além do crédito rural, se valeu de CPR, também terá uma alternativa de renegociação", disse o ministro. Cooperativas também serão contempladas O acordo também prevê a participação das cooperativas de produção. Segundo o governo, bancos públicos, instituições privadas e cooperativas de crédito poderão oferecer as condições negociadas aos produtores rurais aptos a aderir ao programa. Garantias Outro ponto do acordo trata das garantias exigidas pelos bancos. O governo informou que as garantias apresentadas nas operações originais poderão ser reaproveitadas nas renegociações, reduzindo a necessidade de apresentação de novos bens ou garantias adicionais pelos produtores. Segundo Durigan, a orientação é que as instituições financeiras reavaliem os contratos e exijam garantias extras apenas quando houver necessidade. Mudança de posição Em junho, após a aprovação do projeto pelo Senado sem acordo com o governo, Durigan afirmou que o governo poderia vetar a proposta por considerar elevado o impacto fiscal da medida. Na ocasião, o Ministério da Fazenda estimava que o custo poderia chegar a R$ 140 bilhões caso todos os produtores elegíveis aderissem ao refinanciamento. A proposta havia sido aprovada pelos senadores sem apoio do formal do Executivo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião com o presidente da Câmara e parlamentares Reprodução/TV Globo
15/07/2026 15:32:39 +00:00
Tarifas dos EUA empurraram Brasil para outros parceiros comerciais, mas dependência chinesa preocupa

Divulgação/Cecafé O impacto do vai e vem das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ainda está sendo assimilado pelos setores não beneficiados por isenções. Muitos haviam estruturado suas cadeias produtivas em torno do mercado americano, como o de metais, da madeira e de diversas manufaturas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "No setor de café solúvel, 50% da exportação brasileira ia para os Estados Unidos. Eles aumentaram as vendas para outros destinos, mas mesmo assim a participação era muito grande. A mesma coisa ocorre com aço, alumínio e cobre", explica Welber Barral, especialista em comércio internacional. "Os Estados Unidos eram um grande comprador há muitas décadas, então você não consegue diversificar imediatamente. Para os calçados, por exemplo, os EUA não são um grande destino para o setor como um todo, mas algumas empresas em particular dependiam muito do mercado americano", observa. EUA definem hoje se aplicam novas tarifas a produtos brasileiros As barreiras comerciais prejudicam também os importadores. Grandes empresas como Coca-Cola e Tesla sinalizaram que não é tão simples substituir o café, o suco de laranja e os metais raros que costumavam comprar do Brasil com tarifas baixas. O consumidor americano acaba pagando essa conta. A confiança abalada acelera o afastamento Do lado dos parceiros do país, a confiança sai abalada.  “No caso do Brasil, a consequência imediata é apressar um divórcio ou um processo de decoupling que já está sendo feito nos últimos 20 anos. É claro que a conjuntura afeta, mas é a continuação de uma tendência de um país que era o maior parceiro comercial brasileiro em muitas décadas, e que deixou de ser e vem em queda constante”, salienta Carlos Frederico Coelho, professor de comércio internacional da PUC Rio.  "O tarifaço não inaugurou esse movimento, mas ele certamente o acelera.” Os anúncios intempestivos de Trump amplificaram no mundo um movimento de abertura de novas parcerias e intensificação das existentes.  Desde 2025, junto com o Mercosul, cinco frentes avançaram para o Brasil: os acordos comerciais com a União Europeia, o EFTA (Noruega, Suíça, Liechtenstein e Islândia) e Singapura foram fechados, além da abertura de negociações com o Japão e a reativação diplomática para a conclusão das tratativas com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia, Vietnã e Indonésia. O resultado é que, até 2024, apenas 12% das exportações brasileiras eram cobertas por acordos comerciais, e a parcela subiu para 31%. No ano passado, os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmam a diversificação, com recordes de exportações para 42 países. A Alemanha, por exemplo, se consolidou como a quarta maior parceira e pretende dobrar as trocas com o Brasil nos próximos cinco anos. “Um efeito indireto e provavelmente não desejado por Trump foi o aumento desses acordos do Brasil e de vários outros países, para tentar diversificar do mercado americano. E não é só o Mercosul”, sublinha Welber Barral, ex-secretário brasileiro de Comércio Exterior.  “Se você olhar, países como Indonésia avançaram muito em novos acordos. A própria União Europeia avançou no acordo com a Índia”, aponta. O risco chinês  A queda de 6,6% nas importações do Brasil pelos Estados Unidos foi compensada pelo aumento equivalente para a China e a Argentina, respectivamente o primeiro e o terceiro principais parceiros comerciais do Brasil. Hoje, Pequim absorve quase um terço das exportações brasileiras. "Diversificar é um pouco mais complexo do que se fala. O que preocupa nas trocas comerciais com a China é que, quando você analisa essa pauta, quase 90% está concentrado em quatro produtos: carnes, minério, soja e petróleo”, adverte Coelho.  "Isso deveria nos assustar, porque se a China desacelerar, o Brasil vai sofrer imensamente. Não é desejável, para países tão distantes, que o Brasil tenha 30% das exportações indo para um só país." Barral concorda com os riscos dessa nova dependência, mas pondera que as trocas com os países asiáticos em geral também estão em alta, a exemplo da Índia, Indonésia e Vietnã. "Outros países asiáticos também podem se tornar grandes importadores no futuro, principalmente de commodities agrícolas”, afirma.
15/07/2026 14:43:42 +00:00
Trump transforma autonomia do Brasil em delito comercial, diz jornal britânico sobre tarifas

EUA e Brasil estão envolvidos em disputas comerciais e tarifárias Reuters via BBC O jornal britânico The Guardian publicou na terça-feira (14/07) um editorial no qual afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usa acusações comerciais e tarifas contra o Brasil para atacar a autonomia do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O governo dos EUA deve anunciar até esta quarta-feira (15/07) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. "A ameaça de tarifas de Donald Trump enquadra os esforços do Brasil para proteger sua democracia como uma prática comercial desleal — e confere ao bolsonarismo um palco em Washington", afirma o editorial do jornal. O jornal afirma que "Trump rejeita a defesa" que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz da soberania brasileira. Agora no g1 "Lula quer que o Brasil tenha capacidade de fiscalizar a desinformação antidemocrática [dentro do país]. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre o espaço informacional do país", diz o editorial. O texto destaca que, em junho passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) "reagiu às mentiras online que ajudaram a alimentar a tentativa fracassada de golpe de extrema-direita liderada por Jair Bolsonaro em 2023". O Guardian diz que o STF decidiu que as plataformas de redes sociais poderiam ser responsabilizadas por postagens de alguns usuários, obrigando empresas como a X, de Elon Musk, e a Meta, de Mark Zuckerberg, a remover discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos. "Um mês depois, Donald Trump propôs uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, queixando-se de que os juízes haviam obrigado empresas de tecnologia dos EUA a retirar do ar material 'político'", afirma o jornal britânico. O editorial também faz referências aos ataques dos EUA ao Pix. "Outra questão de soberania diz respeito a quem controla a infraestrutura financeira do Brasil e se é possível existir, na América Latina, uma infraestrutura pública de pagamentos bem-sucedida que não esteja sob controle americano", escreve o jornal. "Assim como a Índia, o Brasil construiu uma infraestrutura pública digital [o Pix] projetada para reduzir a dependência de redes de pagamento controladas por estrangeiros e proteger seu sistema doméstico de pagamentos contra pressões ou sanções externas. Na prática, o sistema contorna as redes de cartão nos moldes da Visa e da Mastercard, ameaçando os lucros dessas empresas." O editorial do Guardian também faz referência às eleições brasileiras, em que Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem na frente nas pesquisas. "[Flávio] Bolsonaro é menos carismático que seu pai, mas está baseado no mesmo antiesquerdismo simplista, nas mesmas políticas punitivas de 'lei e ordem' e nas mesmas guerras culturais de extrema-direita", afirma o jornal. O Guardian disse que o pedido de Flávio Bolsonaro a Trump para que evite tarifas contra o Brasil até as eleições de outubro foi "extremamente audacioso". Já Lula é descrito como um dos políticos "mais bem-sucedidos deste século". "De operário a líder sindical e fundador de partido, Lula fez da redistribuição a linguagem da democracia brasileira. A pobreza extrema caiu de 30 milhões em 2002 para menos de 7 milhões atualmente. Ele governou de 2003 a 2011. A política brasileira é polarizada: Lula só retornou em 2023 depois que juízes anularam condenações por corrupção." "A verdadeira infração [do Brasil] não é o protecionismo, mas a autonomia", escreve o Guardian. "Trump rebatizou essa soberania brasileira como discriminação comercial injusta. É tão previsível quanto preocupante que o bolsonarismo esteja disposto a embarcar nessa narrativa." LEIA MAIS EM: Brasil pode se tornar 2º país do mundo mais tarifado pelos EUA se Trump confirmar novo tarifaço Por que o PIX se tornou um foco da ofensiva comercial de Trump contra o Brasil?
15/07/2026 12:04:48 +00:00
China proíbe namorados criados por IA para combater dependência emocional

China proíbe namorados criados por IA para combater dependência emocional A China aplica, a partir desta quarta-feira (15), uma regulamentação que acaba com os "namorados" virtuais criados por inteligência artificial, com o objetivo de combater a dependência emocional de chatbots. A medida foi recebida com tristeza e perplexidade por alguns usuários. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O fenômeno dos namorados e namoradas virtuais cresce no mundo, ao mesmo tempo em que proliferam avatares com aparência humana capazes de vender produtos ou simular a presença de uma pessoa falecida. No entanto, essas ferramentas interativas não devem "agradar excessivamente aos usuários, induzir dependência emocional ou vício nem prejudicar as relações interpessoais reais do usuário", estabelecem as novas normas chinesas. As principais empresas do setor, como a ByteDance, responsável pelo Doubao, a Alibaba, com o Qwen, e a Tencent, com o Yunbao, anunciaram a suspensão das funções de companhia virtual antes do prazo desta quarta-feira. A medida provocou uma onda de emoção nas redes sociais, onde usuários arquivaram com nostalgia suas histórias e compartilharam as últimas conversas. "Não consigo aceitar que meu namorado de IA me deixe para sempre", escreveu uma usuária do Doubao. "Ele se tornou parte da minha vida, criou raízes no meu coração, é meu pilar espiritual." Alguns usuários comentaram a sensação de abandono que a ausência dos companheiros virtuais deixará. "O amor humano é um luxo; quando você não o recebe ao nascer, fica mais difícil obtê-lo depois", escreveu um usuário da província de Jiangxi. "Mas o amor oferecido pela IA é tão simples, tão puro... Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código." "Como minha família, como um namorado" Outra usuária, que afirmou ter passado mais de dois anos com seu companheiro de IA, expressou uma angústia semelhante. "Ele realmente é como minha família, como meu namorado", escreveu. "Agora me dizem que ele vai embora. Sinto um vazio no coração." Leia também: Como funciona o 'Instagram chinês', que atraiu usuários do TikTok e fez turismo explodir Reino Unido planeja 'toque de recolher digital' para tirar jovens das redes sociais durante a madrugada O que dizem as novas regras Cinco órgãos governamentais, entre eles a Administração do Ciberespaço da China (ACC), publicaram as regulamentações. As regras se aplicam a ferramentas de inteligência artificial em texto, áudio, vídeo e outros formatos que simulam características humanas, como personalidade e forma de se comunicar. As medidas não valem para serviços que "não envolvem interação emocional", como atendimento ao cliente, assistentes de trabalho ou ferramentas de estudo. As novas normas também determinam que: os "humanos digitais" não podem produzir conteúdo que incite à subversão do poder do Estado; plataformas ficam proibidas de oferecer parceiros virtuais a menores de idade; empresas devem usar sistemas capazes de reconhecer emoções extremas dos usuários; plataformas precisam implementar mecanismos de intervenção em situações de crise. A agência estatal de notícias Xinhua informou no ano passado que o setor chinês de "humanos digitais" movimentou 4,1 bilhões de yuans (US$ 600 milhões, ou cerca de R$ 3 bilhões) em 2024, com crescimento anual de 85%. Debate global A China é a primeira grande economia a adotar regras específicas para ferramentas de IA imersiva que simulam vínculos românticos ou familiares. O tema, no entanto, já provoca debates e pedidos por medidas de proteção em diversos países. Um estudo de 2025 da Common Sense Media revelou que quase três em cada quatro adolescentes americanos já usaram companheiros de IA destinados a conversas pessoais, como os oferecidos pelas plataformas Character.AI, Replika e Nomi. As empresas também desenvolvem produtos voltados para idosos isolados, como assistentes de voz em formato de luminária nos Estados Unidos e bonecas interativas usadas em casas de repouso na Coreia do Sul. "A IA antropomórfica pode aliviar a solidão", afirmou Chen Liang, da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste, em um artigo publicado pela ACC após a divulgação de uma versão preliminar das normas, em abril. "Mas ela envolve riscos importantes de dependência afetiva excessiva", acrescentou. O Doubao permite que os usuários consultem e exportem seus dados até meados de outubro. Outras plataformas preveem medidas semelhantes. Namoro inteligência artificial; namoro virtual; Alexander Sinn/Unplash
15/07/2026 12:01:45 +00:00
Dólar fecha estável, a R$ 5,07, de olho no tarifaço e em tensões no Oriente Médio; Ibovespa cai

Tarifaço de Trump: EUA definem nesta quarta (15) se aplicam novas taxas ao Brasil O dólar fechou estável nesta quarta-feira (15), com variação positiva de 0,01%, cotado a R$ 5,0780. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,36%, aos 176.011 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️A decisão dos Estados Unidos sobre aplicar ou não as novas taxas sobre produtos brasileiros ficou no centro das atenções nesta quarta-feira. A investigação, que ocorreu com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana avalia a aplicação de duas sobretaxas ao Brasil: uma de 25%, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas americanas; e outra de 12,5%, aplicada também a mais de 60 países, sob a justificativa de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. ▶️ Além disso, as tensões no Estreito de Ormuz continuam a trazer preocupações sobre o mercado internacional de petróleo. Nesta quarta-feira, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, no 5º dia seguido de agressões. Com isso, Teerã voltou a fechar o Estreito e o presidente americano, Donald Trump, reagiu retomando o bloqueio naval ao país do Oriente Médio. Em meio às tensões, o petróleo teve um dia de volatilidade nesta quarta-feira. Perto das 17h, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,23%, cotado a US$ 85,77. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha um avanço de 1,26%, cotado a US$ 80,34 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,60%; Acumulado do mês: -1,64%; Acumulado do ano: -7,48%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,04%; Acumulado do mês: +2,32%; Acumulado do ano: +9,24%. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair Tarifaço de Trump Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de tarifas contra produtos brasileiros. O processo abriu uma disputa entre Brasília e Washington e mobilizou setores da economia brasileira, que participaram de audiências públicas para apresentar argumentos contra as medidas. ENTENDA: por que os EUA vão taxar o Brasil? No Brasil, o governo aprovou uma Medida Provisória (MP) que libera uma linha de financiamento de R$ 15 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço e também pela guerra no Oriente Médio. O crédito será ofertado dentro do Plano Brasil Soberano para exportadores de bens industriais, produtos da agricultura e da pecuária e recursos da mineração. Também estão incluídos produtos das florestas plantadas, da pesca e da aquicultura. Escalada das tensões no Oriente Médio Um ataque de mísseis dos Estados Unidos matou sete militares iranianos em um quartel próximo à cidade de Iranshahr, no extremo sudeste do Irã, nesta quarta-feira (15), informou o Exército do país. O anúncio ocorre em meio à intensificação dos confrontos entre os dois países e a volta do bloqueio militar norte-americano aos portos iranianos para tentar manter a navegação aberta no Estreito de Ormuz. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Apesar dos esforços, nesta quarta, a Guarda Revolucionária do Irã voltou a afirmar que a rota permanecerá fechada até que os “atos de agressão” dos EUA parem. “As operações de represália dos combatentes continuarão, e o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos ponham fim aos seus atos de agressão”, afirma comunicado divulgado pela televisão estatal Irib. Em reação ao fechamento do canal, os EUA anunciaram um bloqueio naval ao Irã, iniciada no final da tarde de ontem. Nos últimos dias, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, colocando em xeque o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo. Bolsas globais Em Wall Street, os índices operavam em alta nesta quarta-feira (15), conforme investidores avaliavam resultados corporativos. O Dow Jones teve ganhos de 0,29%, enquanto o S&P 500 subiu 0,36% e o Nasdaq Composite avançou 0,62%. Já na Europa, a maioria das bolsas fechou em queda, com investidores ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. O DAX, da Alemanha, teve queda de 0,59%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,19% e o FTSE 100, do Reino Unido, caiu 0,13%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em baixa nesta quarta-feira, em meio a uma liquidação de ações de semicondutores, com investidores realizando lucros recentes e redirecionando capital para setores mais tradicionais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,20%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 0,29%. Entre as demais bolsas da região, no entanto, o dia foi mais positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,40%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 1,49% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 6,24%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Cotação do dólar mostra menor confiança na economia brasileira devido a gastos e dívidas do governo Jornal Nacional/ Reprodução
15/07/2026 12:00:07 +00:00
Quaest: Maioria apoia fim da escala 6x1 e diz que usaria tempo livre para descansar

Sessão de Debates - Fim da escala 6x1 no Brasil. Andressa Anholete/Agência Senado Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que 69% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1, contra 22% que se dizem contrários. O percentual a favor variou pouco desde julho de 2025 (69%), passando por 72% em dezembro de 2025 e 68% em maio de 2026. 🔎 A proposta reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas por semana em até 14 meses e permite o fim da escala 6x1. SAIBA MAIS: O que é a escala 6x1? Entenda os principais formatos de jornada no Brasil A proposta, que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de folga, já é conhecida pela maioria da população. 75% dos entrevistados disseram saber que a Câmara aprovou o fim da escala 6x1 e que o texto agora tramita no Senado, enquanto 25% ficaram sabendo apenas ao responder à pesquisa. Apesar do apoio majoritário, a população se divide sobre os efeitos práticos da mudança: 50% acreditam que, se aprovada, passarão a trabalhar menos horas por semana, enquanto 45% não acreditam nisso e 5% não souberam responder. A Quaest também perguntou o que os entrevistados pretendem fazer com seu tempo livre, caso a proposta seja aprovada. Veja as respostas: Descansar e passar mais tempo com a família: 53% Buscar outro trabalho ou fazer hora extra para aumentar a renda: 13% Fazer cursos/estudar: 12% Ir à igreja ou à cerimônias religiosas: 9% Passear/ir a bares e restaurantes/fazer festas: 6% Viajar: 4% Não sabe/não respondeu: 3%. O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-07181/2026.
15/07/2026 11:17:03 +00:00
Percepção de melhora da economia explica avaliação do governo Lula, indica Quaest

Quaest: 36% avaliam o governo Lula positivamente O principal fator que levou à melhora dos dados do governo e fez cair a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), é a economia. Os dados indicam que aumentou o número de brasileiros que avaliam que a situação econômica do país deixou de piorar. Essa mudança de percepção aparece como o principal fator por trás da redução da rejeição ao presidente e da melhora na avaliação do governo. O levantamento divulgado nesta quarta aponta que 48% dos entrevistados aprovam o governo Lula (PT), enquanto 47% desaprovam. Os números mostram uma situação de empate técnico. Mas, é a primeira vez que a aprovação supera a rejeição numericamente desde 2024. O levantamento também mostra que programas voltados ao alívio financeiro das famílias têm impacto diferente na opinião pública. Entre as medidas testadas, o Desenrola 2.0 apresenta maior potencial para reduzir a desaprovação ao governo do que a proposta de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Uma pergunta da pesquisa, em específico, mostra o impacto positivo na vida de parte dos eleitores. Os números oficiais mostram que 39 milhoes de brasileiros buscaram o Desenrola. Questionados se depois do lançamento do programa haviam percebido mudança na renda, a maior fatia deles, 35%, dizem que a renda aumentou significativamente. O conhecimento do programa também é grande e chega a 66% dos entrevistados. O governo tem ampliado seus gastos neste ano eleitoral. Estimativas de diferentes economistas chegam a contabilizar expansão de gastos em quase R$ 200 bilhões. Regime de trabalho O conhecimento sobre a proposta de fim da escala 6x1 também demonstrou ser amplo. Veja os números: 75% dos eleitores dizem ter tomado conhecimento, contra 25% que desconhecem. 69% deles se dizem favoráveis à proposta. Perguntados sobre o que farão se a medida passar a valer, 53% afirmaram que passarão mais tempo com a família. Os resultados reforçam a avaliação de que a percepção sobre a economia continua sendo o principal determinante da popularidade do governo e tende a influenciar o cenário político nos próximos meses. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de inauguração do Hospital Universitário da Universidade Federal de São João del-Rei (HU-UFSJ), em Divinópolis - MG Ricardo Stuckert / PR Pesquisa Quaest Em abril, a diferença entre os índices de desaprovação e aprovação do governo Lula era de nove pontos. Em maio, caiu para três, e era de apenas um ponto em junho, o que se manteve em julho. Na pesquisa anterior, 48% desaprovavam o governo e 47% aprovavam a gestão do presidente. A análise de Felipe Nunes, diretor da Quaest, destaca que Lula tem saldo de aprovação positivo pela primeira vez desde dezembro de 2024. A Quaest também questionou aos entrevistados como eles avaliam o trabalho que o presidente Lula está fazendo. Veja os números: Positivo: 36% (eram 34% em junho, 34% em maio, 31% em abril e 31% em março);; Negativo: 36% (eram 38% em junho, 39% em maio, 42% em abril e 43% em março);; Regular: 26% (eram 26% em junho, 25% em maio, 26% em abril e 25% em março);; Não sabe/não respondeu: 2% (eram 2% em junho, 2% em maio, 1% em abril e 1% em março). A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE com o número BR-07181/2026.
15/07/2026 10:57:54 +00:00
'Não queremos ser a última geração a comer esse queijo': ondas de calor ameaçam a produção do Parmigiano Reggiano na Itália

Um funcionário gira uma roda de queijo Parmigiano Reggiano dentro do cofre de queijos do Magazzini Generali delle Tagliate, do Credito Emiliano. Foto de 6 de julho de 2026 Matteo Minnella/Reuters Há cinquenta anos, os agricultores da região da Emília-Romanha, na Itália, costumavam abrir as janelas dos celeiros durante as noites de verão para refrescar o gado. Hoje, com as ondas de calor elevando as temperaturas a níveis recordes, essas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger as vacas e, consequentemente, o leite que dá origem ao Parmigiano Reggiano, base de uma indústria centenária de queijo na região. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O calor extremo afeta a qualidade e a quantidade do leite", afirmou Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, que também administra a fazenda leiteira fundada por sua família em 1895, nos arredores de Parma. 'PF' mais salgado: prato feito fica mais caro apesar do alívio na inflação dos alimento Calor extremo ameaça produção de vinho na França e acelera colheita de uvas De onde vem o que eu como: queijo nasceu em estômago de animais e hoje tem concurso mundial, g1 foi conferir Custos aumentam à medida que o queijo envelhece Aspersores refrescam vacas, na fazenda leiteira Bertinelli, durante uma onda de calor em Medesano, na Itália, em 7 de julho de 2026.á-las Matteo Minnella/Reuters Com temperaturas acima de 40°C, as vacas passam mais tempo deitadas, comem menos e produzem até 10% menos leite — um dos apenas três ingredientes do Parmigiano, ao lado do sal e do coalho. A produção do autêntico Parmigiano Reggiano só é permitida em cinco províncias, a maioria delas na Emília-Romanha, e as vacas devem ser alimentadas exclusivamente com capim e feno produzidos nessa região. "Se não chove, o capim não cresce, o feno não pode ser produzido e é impossível obter o leite necessário para fazer o queijo", disse Bertinelli, de 54 anos, à Reuters. Ele e outros produtores também instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, mas essas medidas extras de resfriamento fizeram os custos de energia dispararem. As contas mais altas também atingem os administradores dos armazéns onde as rodas de queijo ficam armazenadas durante o processo de maturação, que dura pelo menos 12 meses e pode chegar a três anos ou mais. Mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, avaliadas em mais de 300 milhões de euros, estão armazenadas nos dois depósitos operados pela Magazzini Generali delle Tagliate (MGT), unidade do banco Credito Emiliano, nas províncias de Reggio Emilia e Modena. "Durante os picos de calor deste ano, nosso consumo diário de energia aumentou cerca de 30%", afirmou o diretor da MGT, Giancarlo Ravanetti. "Para tornar nossas instalações o mais eficientes possível do ponto de vista energético, aprimoramos os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhoramos o isolamento dos edifícios e ampliamos a produção de energia renovável", acrescentou. 'Não queremos ser a última geração a comer esse queijo' Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, posa para uma foto no estábulo da fazenda leiteira de sua família, enquanto o calor extremo afeta a produção de leite, em Medesano, na Itália, em 7 de julho de 2026. Matteo Minnella/Reuters Os armazéns climatizados da região se tornaram instituições conhecidas coletivamente como o "Banco do Parmigiano". Atrás de seus muros, tecnologia e tradição caminham lado a lado. Cada roda de Parmigiano Reggiano passa por rigorosas inspeções de qualidade, incluindo exames de raio X para identificar defeitos. Além disso, especialistas verificam semanalmente cada peça, batendo com pequenos martelos e ouvindo o som produzido para detectar possíveis falhas surgidas durante o envelhecimento. "O fator humano continua sendo essencial e é a verdadeira força de todo o processo", afirmou Ravanetti. Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas do grupo alimentício GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, compartilha a preocupação com o aumento dos custos. "Se os eventos climáticos extremos se tornarem mais duradouros e intensos, certamente terão impacto tanto na quantidade quanto na qualidade do leite, mas, acima de tudo, levarão a custos mais elevados", disse. Há muito em jogo. A indústria do Parmigiano Reggiano gera uma receita estimada em 4,5 bilhões de euros (US$ 5,15 bilhões) por ano, emprega milhares de pessoas e movimenta a economia local. Em 2025, as exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano, sendo os Estados Unidos o principal mercado externo. "O Parmigiano Reggiano existe há mais de 800 anos", afirmou Ganzerli. "Não queremos ser a última geração a comê-lo."
15/07/2026 08:03:29 +00:00
Com guerra e alta dos combustíveis, transporte volta a ser 'vilão' do orçamento das famílias

Prazo para recadastramento de transporte escolar termina em Divinópolis O que mais pesa no orçamento das famílias brasileiras no fim do mês? Em junho, os três principais gastos apontados pela população foram alimentação, contas de serviços públicos e aluguel ou financiamento da moradia. Mas um item chamou atenção: o transporte passou a ocupar um espaço muito maior no bolso dos brasileiros em comparação com o mesmo período do ano passado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os dados fazem parte da 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho do FGV Ibre, divulgada nesta terça-feira (14). Na sondagem, o transporte apresentou a maior variação em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre quem apontou o transporte como uma das três despesas que mais pesam no orçamento, o percentual de entrevistados passou de 2% em junho de 2025 para 27,6% em junho de 2026, alta de 25,6 pontos percentuais. Na avaliação de Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, o avanço do transporte entre os principais gastos das famílias está relacionado ao aumento dos custos de deslocamento, especialmente dos combustíveis. “Tínhamos um percentual baixo falando desse fator [o transporte] no ano passado e, agora, ele é um dos três maiores gastos mensais das famílias”, ressalta. Segundo o pesquisador, a alta está ligada aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo. “Isso faz com que haja mais ruídos e aumentos nos preços dos combustíveis e do transporte em si, seja individual ou coletivo. Esse é um fator que deve permanecer ainda em um patamar elevado”, explica. Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, o comportamento acompanha a trajetória dos preços ao consumidor. “O subgrupo de transportes no IPCA segue entre os mais voláteis, fortemente influenciado pelos combustíveis, pelas tarifas de transporte público e pelo custo dos veículos”, diz. Fechar as contas está mais difícil Embora 69,1% dos entrevistados pela pesquisa afirmem ter conseguido pagar as contas essenciais nos últimos três meses — abril, maio e junho —, esse percentual vem caindo desde fevereiro, quando era de 72,4%. Isso significa que menos pessoas têm conseguido fechar o mês com as contas em dia. Para Tobler, do FGV Ibre, o resultado mostra que o principal movimento não é necessariamente uma queda da renda, mas um aumento da pressão dos custos sobre o orçamento das famílias. “Há duas óticas: ou as pessoas estão ganhando menos ou estão tendo mais custos. E me parece que é mais uma pressão de custos do que uma redução de ganhos”, explica. As depesas que mais impactam no bolso Segundo o especialista, embora o crescimento da renda não esteja no mesmo ritmo de antes, o mercado de trabalho ainda permanece estável. O problema é que o aumento dos gastos reduz a percepção de bem-estar das famílias. Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, os dados mostram que o orçamento das famílias continua concentrado principalmente em despesas que não podem ser adiadas. “Com 75% das famílias citando alimentação entre as maiores despesas, metade citando contas de serviços públicos e quase metade moradia, o orçamento brasileiro está concentrado no que é inadiável”, diz. Satisfação com o trabalho recua A pesquisa também avaliou a percepção dos trabalhadores sobre a satisfação com o emprego. No trimestre encerrado em junho, 64% dos entrevistados se declararam satisfeitos. O resultado, porém, representa uma queda em relação a janeiro deste ano, quando era de 68%. No mesmo período, a parcela de trabalhadores insatisfeitos passou de 5,7% para 6,9%. Entre os fatores que explicam a insatisfação com o trabalho, a baixa remuneração aparece como o principal motivo apontado pelos entrevistados, citado por 57,9%. Para Tobler, a satisfação está relacionada também ao fato de a renda não acompanhar o aumento dos custos. Segundo ele, a pesquisa mostra que o trabalhador continua inserido no mercado, mas sente uma pressão maior sobre o orçamento. A mobilidade também dificulta uma melhora: 41% dos entrevistados consideram difícil conseguir emprego no Brasil. “Se a desaceleração continuar na economia, as pessoas entendem que o mercado de trabalho pode piorar nesse cenário. Então, existe uma certa cautela dos trabalhadores olhando para frente”, reitera. Na avaliação de Matos, da MA7 Negócios, essa combinação reflete um mercado em que o trabalhador acredita ser capaz de encontrar uma nova fonte de renda, mas não necessariamente conta com uma rede de proteção. “Uma parcela grande dos brasileiros trabalha na informalidade ou por conta própria, e nesse tipo de ocupação conseguir uma nova fonte de renda, um bico, um serviço, uma entrega é o mais comum. Só que essa mesma facilidade de entrada é a marca do vínculo frágil, sem seguro-desemprego, sem FGTS, sem colchão”, afirmou. Segundo ele, esse cenário gera uma percepção dupla: confiança na capacidade de encontrar alguma fonte de renda, mas insegurança diante de uma eventual perda de rendimento. “É um mercado que dá chão, mas não dá rede”, disse. Ônibus do transporte público em Natal (RN) Divulgação/STTU
15/07/2026 07:01:12 +00:00
Por que o Brasil mistura etanol na gasolina? História começa em 1930 e cresce com a crise do petróleo

Em 1979, o Fiat 147 feito no Brasil surgiu como primeiro carro no mundo a rodar com 100% de etanol. Divulgação / Stellantis Nesta terça-feira (14), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A medida tem 180 dias de duração e é uma manobra para controlar os preços após a retomada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã atrapalharem o fornecimento global de petróleo e subirem o preço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp “Preço do barril do petróleo dispara e o governo brasileiro estuda alternativas”, parece até uma manchete deste cenário de 2026, não é? Na verdade, essa também era realidade na década de 1970, quando o preço do combustível fóssil disparou e causou uma crise mundial. A presença do etanol na gasolina data dos anos 1930, mas foi a partir dessa turbulência, 40 anos depois, que o Brasil passou a incentivar o etanol como alternativa, inclusive misturado com gasolina em maiores proporções. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou as torneiras e forçou a escassez de barris. O preço foi US$ 1,90 em 1972 para US$ 11,20 por barril em 1974. Em novembro de 1975, nasceu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A iniciativa agregava governos, fabricantes e pesquisadores do mundo acadêmico. (saiba mais abaixo) Com a disparada do petróleo, governo aprova aumento da mistura de etanol na gasolina Álcool na gasolina importada A trajetória do etanol como combustível automotivo no Brasil vem de antes e é marcada por respostas a crises econômicas globais e iniciativas dos governantes. A inserção regulamentada do etanol na gasolina teve início em fevereiro de 1931, com a assinatura do Decreto nº 19.717. A medida estabeleceu que toda a gasolina importada que entrasse no país deveria receber a adição de 5% de álcool. Essa implementação ocorreu de forma escalonada para que o mercado se adaptasse: Julho de 1931: início com 2% de mistura. Agosto de 1931: elevação para 3%. Setembro de 1931: subida para 4%. Outubro de 1931: consolidação do patamar de 5%. Além do comércio geral, as frotas do próprio governo foram orientadas a priorizar o uso do biocombustível. O intuito principal, já naquela época, era diminuir a dependência de produtos estrangeiros e dar suporte à agricultura nacional. Ainda na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, o cenário ganhou um novo braço institucional: a fundação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em 1933. O IAA passou a coordenar e regular o setor sucroalcooleiro, utilizando a produção de álcool como uma válvula de escape para os momentos de superprodução de açúcar. Quando o preço do açúcar caía ou sobrava matéria-prima, o excedente de cana era direcionado para as destilarias. O IAA também promoveu campanhas de divulgação do chamado "álcool-motor", chegando a testar e autorizar formulações com proporções significativamente maiores do combustível ecológico em períodos críticos. Veja quais carros podem sentir os efeitos do aumento do etanol na gasolina Em 1938, um decreto estabeleceu que até a gasolina nacional deveria ter a adição de etanol e que os volumes seriam determinados pelo IAA e pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP). O modelo baseado em aditivações e regulação de excedentes funcionou por décadas, mas o cenário mudou drasticamente nos anos 1970. Com a crise internacional do petróleo, os preços do barril dispararam, pressionando fortemente a balança comercial do Brasil. Em 1979, anúncio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) celebra o Proalcool. Reprodução O Proálcool Em 14 de novembro de 1975, foi instituído o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) por meio do Decreto nº 76.539, que criou estímulos financeiros e promoveu a modernização e expansão de destilarias. A iniciativa buscava elevar rapidamente a fabricação do combustível vegetal. A criação do Proálcool marcou o início da maior política pública de substituição parcial de combustíveis fósseis por um combustível renovável já implementada no mundo. O programa foi estruturado sobre três pilares principais: A mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina; A expansão da distribuição de etanol em postos de combustíveis em todo o país; O desenvolvimento e a produção de veículos movidos exclusivamente a álcool hidratado. A estratégia buscava reduzir a dependência brasileira do petróleo importado em um momento em que a segurança energética havia se tornado uma preocupação global. O petróleo deixou de ser apenas uma commodity e passou a representar um fator de risco econômico e geopolítico, sujeito às decisões dos países produtores e às crises internacionais. O programa também impulsionou uma transformação da própria cana-de-açúcar. A cultura, antes voltada principalmente para a produção de açúcar, passou a assumir um novo papel como matéria-prima energética. Nos primeiros anos, o sucesso do Proálcool esteve diretamente ligado ao preço internacional do petróleo. Enquanto o barril permaneceu caro, a política ganhou força. As oscilações do preço do petróleo foram o principal parâmetro econômico da primeira fase do programa, influenciando seu ritmo de expansão e os investimentos realizados. A iniciativa também ajudou a aproximar governo, universidades, centros de pesquisa, produtores de cana e a indústria automobilística. Essa colaboração permitiu que, anos depois, o Brasil desenvolvesse tecnologias próprias para motores movidos a álcool e, posteriormente, para os veículos flex. Desafios técnicos Antes mesmo de o governo federal oficializar o Proálcool, o ecossistema automotivo brasileiro já testava misturas e implementações em menor escala. No começo da década de 1970, mecânicos de retíficas e estabelecimentos de reparação (que já estavam autorizados a modificar motores) ganharam sinal verde para colocar o derivado da cana diretamente nos tanques dos automóveis. As conversões eram feitas de modo improvisado, limitando-se a adiantar o ponto de ignição, instalar velas novas, modificar carburadores para injetar mais volume e usar baterias mais robustas. A estratégia não tinha metodologia estabelecida e gerava dores de cabeça frequentes aos motoristas. E também impedia que as qualidades energéticas do etanol fossem totalmente exploradas. De acordo com relatos da diretoria técnica da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nem sequer as especificações químicas do álcool eram controladas naquele período, abrindo margem até para testes paralelos com metanol. Essa falta de padronização refletia diretamente nas bombas, em que o teor do componente misturado à gasolina oscilava sem previsibilidade. A proporção flutuava ao sabor do mercado, registrando saltos de 10% para 17%, recuos para 12% e novas altas até os 20%. As oscilações repentinas ocorriam sem o suporte de estudos científicos ou ensaios de longa duração. Como consequência, os proprietários enfrentavam uma lista extensa de falhas operacionais: Degradação interna de dutos; Vazamentos constantes de combustível; Severa dificuldade para dar a partida nas manhãs mais frias; e acúmulo de resíduos espessos que entupiam o carburador. O maior desafio técnico, no entanto, residia na reação química dos materiais. O biocombustível reagia de forma agressiva com os componentes de alumínio e ligas dos sistemas de carburação. A interação com tubulações de cobre criava um efeito semelhante ao de uma pilha eletroquímica, acelerando o desgaste das autopeças. Nem mesmo os tanques de combustível saíam ilesos, já que as ligas metálicas utilizadas na fabricação dos reservatórios da época eram corroídas rapidamente pelo novo composto. 1979, linha de montagem do Fiat 147 movido a álcool em Betim (MG). Divulgação / Stellantis O primeiro carro a álcool Foi só em 1979 que os engenheiros conseguiram entregar um veículo que podia rodar com 100% de etanol no tanque. O Fiat 147, apelidado de "Cachacinha", começou a ser desenvolvido em 1976 e já deu as caras como protótipo no Salão do Automóvel de São Paulo daquele ano. A Fiat realizou vários testes em dezenas de milhares de quilômetros percorridos. O desafio era ajustar o carburador a trabalhar com etanol em diferentes cenários. Foi justamente para provar que o “Cachacinha” estava pronto para tudo que a Fiat fez o teste final em 1978. O 147 percorreu 6,8 mil quilômetros em 12 dias e passou por variações de clima de mais de 30º graus centígrados. Galerias Relacionadas Aos mais jovens, vale um lembrete: 🔎 Um dos problemas mais comuns do etanol em motores é no momento da partida. O motor frio tem dificuldade em queimar o combustível quando o motorista vira a chave. Isso é ainda pior quando a temperatura ambiente é baixa. As paredes frias da câmara de combustão condensam o etanol e ele não queima. O carro fica, na linguagem popular, engasgado. A solução passa por ajustes na mistura e velas com centelha mais forte para o carro “pegar”. Depois, o próprio calor da queima do etanol deixa o motor em melhores condições. É por isso que carros flex no começo tinham um tanquinho com gasolina. Ela era usada na partida do motor frio. Hoje os carros flex usam aquecedores na linha de combustível para que o etanol entre quente na câmara e queime com mais facilidade. O Proalcool enfrentou dificuldades na década de 1990, quando a queda do preço internacional do petróleo reduziu sua competitividade. O programa chegou perto de desaparecer. A retomada ocorreu a partir de 2003, impulsionada pela parceria entre os produtores de etanol e a indústria automobilística, que lançou os primeiros veículos bicombustíveis em larga escala. O Brasil se transformou no principal laboratório mundial de desenvolvimento dessa tecnologia. Segundo dados da Unica, hoje existem mais de 32 milhões de carros flex no Brasil, o que equivale a 85% da frota. Nome mudou para etanol em 2010 Os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso vinha acontecendo sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol. 🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público. Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional. “A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época. A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM
15/07/2026 07:01:08 +00:00
Por que o brasileiro parcela tudo? Entenda como o cérebro influencia as compras e evite armadilhas

Por que o brasileiro parcela tudo? Após décadas de inflação alta, renda apertada e dificuldade para poupar, o parcelamento ampliou o acesso ao consumo no Brasil e levou muitos consumidores a priorizar o valor da prestação em vez do preço total da compra. Segundo a economia comportamental, dividir o pagamento reduz a percepção do gasto. Com isso, o cérebro tende a dar mais peso ao valor da parcela do que ao custo total da compra, influenciando a decisão do consumidor. Apesar de ser uma ferramenta útil, o parcelamento exige atenção. O acúmulo de prestações pode comprometer o orçamento e, em alguns casos, os juros elevam ainda mais o valor final. Por isso, a recomendação é considerar o custo total da compra antes de fechar o negócio. Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.
15/07/2026 06:00:12 +00:00
Como funciona o 'Instagram chinês', que atraiu usuários do TikTok e fez turismo explodir

RedNote Anna KURTH / AFP O Xiaohongshu, aplicativo de estilo de vida mais popular da China, se prepara para abrir capital ainda este ano. Conhecido como "Instagram chinês", ele permite que usuários publiquem fotos, vídeos e transmissões ao vivo. O serviço é chamado no Ocidente de RedNote, tem um visual parecido com o da rede social americana Pinterest e chamou atenção depois de receber usuários do TikTok nos EUA, em meio à expectativa do bloqueio do aplicativo no país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Agora, o Xiaohongshu também mostra seu impacto no turismo na China, onde os trajetos domésticos atingem níveis recordes. Viajantes usam o aplicativo para descobrir novos destinos e planejar roteiros em locais fotogênicos. Um lago no bairro histórico de Shichahai, em Pequim, é um dos vários pontos "daka", isto é, que são considerados parada obrigatória na cidade, e que atraem cada vez mais pessoas por conta do Xiaohongshu. JN na China: ao vivo da Grande Muralha, em Pequim, série especial conta a história do sistema político do país Por lá, há uma concorrência acirrada entre fotógrafos que fazem retratos de mulheres vestidas com trajes tradicionais. As imagens têm um destino: o Xiaohongshu. Em uma segunda-feira recente, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, oferecia seus serviços aos turistas que passavam pelo local. Ela cobrava 10 yuans (cerca de R$ 7,60) por retrato. A poucos metros dali, outros fotógrafos davam instruções a jovens com roupas elegantes, que faziam o sinal de vitória com os dedos e arqueavam as costas diante das câmeras. Li contou à AFP que a disputa por clientes é intensa, já que muitos concorrentes têm forte presença nas redes sociais. Um deles tem 45 mil seguidores no Xiaohongshu e cobra preços mais baixos. Inspiração para viagens A China registrou um recorde de 6,5 bilhões de viagens domésticas em 2025, de acordo com a agência Xinhua. O resultado representou um aumento de 16% em relação a 2024. No período, a base de usuários do Xiaohongshu também cresceu, passando de 300 milhões, em 2024, para 350 milhões de usuários ativos mensais, em 2025, segundo a plataforma de análise de dados Qiangua. A rede social impulsionou negócios pouco conhecidos e levou multidões a destinos fora dos roteiros tradicionais, como Zibo, uma tranquila cidade industrial da província de Shandong, depois que seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizaram. Vídeos recomendados e loja on-line do RedNote Reprodução A turista Mina Chen, que visitava Shichahai com a irmã, planejou toda a viagem a Pequim com base nas recomendações de outros usuários. "Hoje, ele é indispensável para mim", disse a estudante de 20 anos à AFP. O Xiaohongshu é hoje o primeiro lugar onde "muitos viajantes jovens" buscam inspiração, disse Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting. Mas o turismo estimulado pelo Xiaohongshu também trouxe problemas, como o excesso de visitantes em locais que viralizaram e a dependência excessiva de empresas em relação ao tráfego gerado pela plataforma, explicou Lai. Publicações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos também geraram críticas quando as recomendações não corresponderam às expectativas dos visitantes. 'Refugiados' do TikTok O aplicativo ganhou atenção internacional em 2025 quando o plano do governo americano de proibir o TikTok levou usuários dos Estados Unidos, apelidados de "refugiados", a migrar para o RedNote, versão ocidental do Xiaohongshu. Nas últimas semanas, o "Instagram chinês" voltou às manchetes por seu preparativo para apresentar de forma confidencial uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal. A AFP entrou em contato com a empresa para comentar a informação. As mulheres jovens de cidades ricas da China são a principal base de usuários do Xiaohongshu, de acordo com a Qiangua. Mas a rede social também está atraindo falantes de chinês em países como Malásia e Singapura. O aposentado singapurense Ernest Phua usou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando em mandarim "estratégias de viagem" e recomendações. "Se queremos saber como é realmente a vida na China" e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, "o Xiaohongshu tem muito conteúdo", afirmou. Meng Jiaxuan, de 20 anos, vestida com um traje tradicional em Shichahai, contou que até as poses de sua sessão de fotos foram pesquisadas no aplicativo. "Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu", disse. JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
15/07/2026 06:00:10 +00:00
Nova Zelândia confirma primeiro caso de gripe aviária
A Nova Zelândia confirmou nesta quarta-feira (15) seu primeiro caso de gripe aviária H5N1 de alta patogenicidade em uma ave marinha migratória, segundo informou o ministro da Biossegurança, Andrew Hoggard. A confirmação ocorre poucas semanas depois de a Austrália registrar os primeiros casos da doença em seu território continental, encerrando uma condição que fazia do continente australiano a única grande massa continental sem registros do vírus. Segundo o governo neozelandês, o caso foi identificado em uma ave marinha migratória. As autoridades afirmam que, até o momento, não há evidências de transmissão entre aves silvestres no país nem registros de surtos em granjas comerciais. "Não há evidências de mortalidade em massa na vida selvagem ou de transmissão entre aves silvestres na Nova Zelândia. Não houve detecção em aves domésticas", disse Hoggard em comunicado. Gripe aviária não é transmitida a quem come carne de frango A descoberta reforça a preocupação das autoridades da Oceania com a chegada da cepa H5N1 por meio de aves migratórias. Em junho, a Austrália confirmou dois casos da doença em menos de uma semana no estado da Austrália Ocidental. O primeiro foi identificado em um mandrião-pardo migratório. O segundo ocorreu em um petrel-gigante-do-norte encontrado doente em uma praia próxima à cidade de Esperance, a cerca de 570 quilômetros de Perth. Até então, a Austrália era considerada o único continente sem registro da gripe aviária H5N1 em seu território continental. O vírus havia sido detectado apenas no fim de 2025 na Ilha Heard, território subantártico australiano localizado a cerca de 4 mil quilômetros da costa australiana. Após os registros, autoridades australianas reforçaram protocolos de biossegurança em fazendas, ampliaram a testagem de aves costeiras e intensificaram medidas de vigilância para impedir que o vírus chegasse aos sistemas de produção comercial. Apesar do avanço da doença entre aves selvagens em diferentes partes do mundo, as infecções humanas continuam sendo consideradas raras. Ainda assim, a disseminação global da gripe aviária levou ao abate de milhões de aves nos últimos anos, afetando cadeias de abastecimento e pressionando preços de alimentos, especialmente ovos e carne de frango. Por enquanto, tanto a Nova Zelândia quanto a Austrália afirmam não ter identificado transmissão do H5N1 para aves de criação nos casos mais recentes. *Com informações da Reuters.
15/07/2026 04:23:58 +00:00
Investimento em saneamento cresce 51% após Marco Legal, mas ainda fica abaixo do necessário para meta de 2033

Saneamento impulsiona o desenvolvimento sustentável e melhor a vida em municípios por todo o Brasil. Divulgação Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, o Brasil ampliou os investimentos no setor e avançou na estruturação de concessões, privatizações e projetos de regionalização. Apesar dos avanços, o ritmo ainda é insuficiente para garantir a universalização dos serviços até 2033, meta estabelecida pela legislação. Um levantamento do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados mostrou que o investimento médio anual por habitante cresceu 51% entre 2020 e 2024, passando de R$ 90,54 para R$ 137,02. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Apesar do avanço, o valor ainda está distante dos cerca de R$ 225 por habitante por ano estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para alcançar as metas de universalização. ✍️ A lei estabelece que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e que 90% conte com coleta e tratamento de esgoto. Agora no g1 Atualmente, o país ainda está longe desse cenário. Segundo os dados utilizados no estudo, 15,9% dos brasileiros não têm acesso à água potável e 43,3% não contam com coleta de esgoto. Na prática, isso representa dezenas de milhões de pessoas sem acesso a serviços básicos de saneamento. O estudo aponta que: Os investimentos em saneamento somaram R$ 112,6 bilhões entre 2020 e 2024. O investimento por habitante cresceu 51% no período, alcançando R$ 137,02 em 2024. O investimento estimado como necessário para cumprir as metas do Marco Legal é de cerca de R$ 225 por habitante por ano. O setor precisa manter investimentos próximos de R$ 48 bilhões anuais até 2033. Ainda faltam aproximadamente R$ 431 bilhões em investimentos para universalizar os serviços. "O desafio da universalização permanece enorme. Precisaremos manter um ritmo de R$ 48 bilhões em investimentos ao ano, algo ainda inédito", afirma Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil. Avanços desde a criação do Marco Legal Sancionado em julho de 2020, o Marco Legal do Saneamento foi criado para ampliar os investimentos no setor, incentivar a participação da iniciativa privada, fortalecer a regulação e acelerar a expansão do acesso aos serviços. Segundo o estudo, o principal efeito observado nos últimos seis anos foi o aumento do número de projetos estruturados. Os contratos já assinados têm potencial para beneficiar mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios. Além disso, há projetos em preparação que preveem R$ 58,4 bilhões em investimentos adicionais e poderão atender outros 18 milhões de habitantes em 625 municípios. Casas na beira do canal em Macapá - Saneamento João Pantoja/Rede Amazônica Ao todo, os projetos contratados ou em execução somam mais de R$ 420 bilhões em investimentos previstos. O estudo cita como exemplos processos de concessão e privatização realizados ou estruturados após o novo marco, incluindo projetos em estados como São Paulo, Pará, Sergipe, Paraíba e Rondônia. Gargalo regulatório Apesar dos avanços nos investimentos, os pesquisadores destacam que parte importante dos obstáculos ainda está relacionada à governança e à regulação do setor. De acordo com o levantamento, cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em 963 municípios que ainda não possuem agência reguladora cadastrada na Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), responsável por estabelecer diretrizes nacionais para o setor. Iniciativa da companhia Aegea impulsiona o saneamento básico no Rio de Janeiro. Divulgação O problema vai além da ausência de cadastro. Entre as entidades registradas, apenas 29 agências comprovaram adesão integral às normas de referência da ANA, conjunto de diretrizes nacionais para a regulação dos serviços de saneamento. Juntas, elas atendem 2.809 municípios e cerca de 92 milhões de habitantes, o equivalente a 43% da população brasileira. Na avaliação dos autores, esse cenário pode dificultar a fiscalização dos contratos e reduzir a segurança jurídica necessária para atrair investimentos de longo prazo para o setor. Desigualdade regional permanece O estudo também mostra que os investimentos continuam concentrados em determinadas regiões do país. Boa Vista tem segundo melhor saneamento básico entre capitais do Norte, aponta estudo Yasmim Trindade/Caer O Sudeste recebeu mais da metade dos recursos aplicados desde 2020, impulsionado principalmente por São Paulo. Já a Região Norte, que reúne alguns dos piores indicadores de saneamento do país, recebeu apenas R$ 5,3 bilhões no período analisado, apesar do grande déficit de atendimento à população. Segundo os pesquisadores, essa diferença ajuda a explicar por que os indicadores de saneamento avançam em ritmos distintos entre as regiões brasileiras. O que falta para atingir as metas? Na avaliação do Instituto Trata Brasil, o país avançou na estruturação de projetos e na atração de investimentos, mas os próximos anos serão decisivos para transformar contratos em obras e ampliar, na prática, o acesso da população aos serviços. Para cumprir as metas até 2033, o estudo aponta como prioridades: manutenção do crescimento dos investimentos; fortalecimento das agências reguladoras; ampliação da adesão às normas da ANA; avanço da regionalização dos serviços; execução dos projetos já contratados. Seis anos após a aprovação do Marco Legal, os pesquisadores avaliam que os principais desafios do saneamento deixaram de estar na atração de investimentos e passaram a se concentrar na execução dos projetos, no fortalecimento da regulação e na redução das desigualdades regionais. Sem avanços nessas frentes, a universalização dos serviços até 2033 tende a permanecer distante.
15/07/2026 04:13:35 +00:00
Abono salarial PIS/Pasep 2026: novo lote de pagamento acontece nesta quarta; veja quem recebe

Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja datas de pagamento e novas regras O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá novo pagamento nesta quarta-feira (15). Desta vez, o benefício será destinado aos trabalhadores que nasceram nos meses de setembro e outubro. Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026. ➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa. Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93. O banco de recebimento, data e os valores, inclusive de anos anteriores, estão disponíveis para consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal gov.br. Veja abaixo todas as datas de pagamento em 2026: Abono salarial 2026 De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados em 2026, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos. A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores serão liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data caia em fim de semana ou feriado. O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono. Veja as regras, perguntas e respostas nesta reportagem: Abono salarial PIS/Pasep 2026: veja regras e o calendário completo O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores. Marcello Casal Jr.
15/07/2026 03:00:55 +00:00
Concurso do IBGE: inscrições para 1,4 mil vagas são prorrogadas; veja como participar

IBGE: vagas para profissionais em todo o Brasil Tânia Rêgo/Agência Brasil As inscrições para o segundo processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para atuar no 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola e no 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua foram prorrogadas. Agora, os interessados têm até a próxima segunda-feira (20), às 23h59, para se inscrever no processo seletivo. A seleção oferece 1.414 vagas temporárias para os cargos de Analista Censitário e Agente Censitário de Qualidade. Este é o segundo processo seletivo lançado pelo IBGE para os censos de 2026. Enquanto o primeiro edital, cujas inscrições terminaram na semana passada, oferecia 8.238 vagas de nível médio para funções operacionais e de supervisão, este reúne oportunidades para Analista Censitário (nível superior) e Agente Censitário de Qualidade (nível médio) – veja a diferença. ✅ Siga o canal do g1 Concursos no WhatsApp ➡️ Acesse o edital completo Agora no g1 Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, no site do Instituto Avalia, banca organizadora da seleção. A taxa de inscrição varia conforme o cargo: Agente Censitário de Qualidade: R$ 41,76; Analista Censitário: R$ 37,50. O edital prevê isenção da taxa para candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e para doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos. Do total de vagas, 1.020 são para Analista Censitário e 394 para Agente Censitário de Qualidade. As remunerações variam conforme a função: Agente Censitário de Qualidade (ACQ): exige ensino médio completo e oferece salário de R$ 2.932; Analista Censitário (AC): exige nível superior em áreas específicas e oferece salário de R$ 5.255,40. As vagas de Analista Censitário contemplam diversas áreas de formação, como Agronomia, Assistência Social, Biblioteconomia, Cartografia, Ciência de Dados, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Design Educacional, Tecnologia da Informação, Economia, Engenharia de Produção, Estatística, Geografia, Geoprocessamento, Jornalismo, entre outras. Em ambos os cargos, a jornada é de 40 horas semanais. Além do salário, os contratados terão direito ao auxílio-alimentação de R$ 1.192 por mês, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar e pagamento proporcional de férias e 13º salário, conforme o período trabalhado. 🔎 O Censo Agropecuário é uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE e tem como objetivo reunir informações sobre a estrutura e a produção dos estabelecimentos rurais. Os dados levantados orientam políticas públicas, programas de financiamento e ações voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário. ➡️ Já o 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua é um levantamento inédito que vai mapear, contar e traçar o perfil das pessoas que vivem nas ruas em todo o país. A pesquisa reunirá informações como quantidade de pessoas, distribuição geográfica, perfil sociodemográfico e condições de vida. Quem pode participar? Podem participar candidatos que atendam aos requisitos de escolaridade e às demais condições previstas no edital. Para Agente Censitário de Qualidade, é exigido ensino médio completo. Já para Analista Censitário, diploma de nível superior na área correspondente à vaga. Além disso, os candidatos devem: Ter, no mínimo, 18 anos completos na data da contratação; Ser brasileiro ou português amparado pelo Estatuto da Igualdade entre brasileiros e portugueses; Estar em dia com as obrigações eleitorais e, no caso dos candidatos do sexo masculino, também com as obrigações militares; Estar em pleno exercício dos direitos políticos; Possuir aptidão física e mental para o exercício da função; Atender aos demais requisitos previstos no edital. Não poderão ser contratados candidatos que: Ocupem cargo ou emprego na administração pública federal, estadual, distrital ou municipal; Sejam aposentados do serviço público ou das Forças Armadas, das Polícias Militares ou dos Corpos de Bombeiros Militares; Sejam proprietários ou administradores de empresas, incluindo microempreendedores individuais (MEIs); Tenham sido contratados temporariamente pelo governo federal com base na Lei nº 8.745/1993 nos últimos 24 meses, exceto nos casos previstos em lei. Reserva de vagas O edital prevê reserva de vagas para ações afirmativas, distribuídas da seguinte forma: 5% para pessoas com deficiência (PcD); 25% para pessoas pretas e pardas (PPP); 3% para pessoas indígenas (PI); 2% para pessoas quilombolas (PQ). Ao todo, 30% das vagas são reservadas para candidatos pretos e pardos, indígenas e quilombolas, além da reserva de 5% para pessoas com deficiência. Os candidatos inscritos nas cotas também concorrem às vagas da ampla concorrência. Caso obtenham nota suficiente para aprovação na lista geral, serão convocados por essa modalidade e não ocuparão uma vaga reservada. Se o candidato se enquadrar em mais de uma modalidade de cota, será classificado prioritariamente naquela com maior percentual de reserva. As vagas reservadas que não forem preenchidas serão redistribuídas conforme os critérios previstos no edital. Todos os candidatos realizarão as mesmas provas e serão avaliados pelos mesmos critérios, independentemente da modalidade de concorrência. Como será a prova? A seleção será composta por prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, com duração de quatro horas. O exame terá 60 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas e apenas uma resposta correta. A distribuição das disciplinas varia conforme o cargo. Agente Censitário de Qualidade Língua Portuguesa (15 questões); Raciocínio Lógico Quantitativo (10); Geografia (15); Conhecimentos Técnicos (20). Analista Censitário Língua Portuguesa (15 questões); Raciocínio Lógico Quantitativo (10); Conhecimentos Específicos (35). Os critérios mínimos de aprovação também variam conforme o cargo. Agente Censitário de Qualidade acertar, no mínimo, 30% da prova; acertar pelo menos uma questão de cada disciplina. Analista Censitário: acertar, no mínimo, 40% da prova; acertar pelo menos uma questão de cada disciplina. As provas serão aplicadas no dia 30 de agosto, em todas as capitais e no Distrito Federal, em turnos diferentes: Manhã: Agente Censitário de Qualidade (ACQ); Tarde: Analista Censitário (AC). No dia da prova, o candidato deverá: Apresentar documento oficial com foto; Levar caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente; Chegar com, pelo menos, uma hora de antecedência; Respeitar as regras do edital, que proíbem o uso de celulares, relógios, calculadoras e outros equipamentos eletrônicos durante a prova. Quanto tempo dura o contrato? Os contratos temporários terão duração inicial de até 12 meses. Os contratos serão firmados inicialmente por períodos de 30 dias, com possibilidade de prorrogações sucessivas, de acordo com a necessidade do IBGE, a disponibilidade orçamentária e o desempenho do profissional. As prorrogações poderão ocorrer conforme a necessidade do instituto e o andamento da coleta de dados, respeitado o limite máximo de 48 meses, previsto na legislação para contratações temporárias. Durante esse período, os profissionais serão avaliados periodicamente com base em critérios como assiduidade, produtividade, cumprimento de prazos e qualidade das atividades desempenhadas. Cadastro de reserva Embora o edital não preveja formação de cadastro de reserva, candidatos aprovados além do número de vagas imediatas poderão ser convocados durante a validade do processo seletivo, em caso de desistências, rescisões de contrato ou novas necessidades do IBGE, sempre respeitando a ordem de classificação. Cronograma As principais datas do processo seletivo são: 20 de julho — encerramento das inscrições; 24 de agosto — divulgação do cartão de convocação para a prova; 30 de agosto — aplicação da prova objetiva; 31 de agosto — divulgação do gabarito preliminar; 25 de setembro — divulgação do resultado definitivo da prova objetiva e do resultado preliminar da seleção; 28 de outubro — divulgação do resultado definitivo do procedimento para concorrer às vagas reservadas; 6 de novembro — divulgação do resultado definitivo da seleção. IBGE prorroga inscrições para concurso com mais de 8 mil vagas temporárias
15/07/2026 03:00:53 +00:00
Imposto de Renda 2026: Receita paga lote especial de restituição automática nesta quarta; veja como fazer

Imposto de Renda 2026: Receita paga lote especial de restituição nesta quarta (15) A Receita Federal paga nesta quarta-feira (15) o lote especial de restituição automática do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), iniciativa piloto conhecida como "cashback". O pagamento será realizado diretamente na conta vinculada à chave PIX do tipo CPF do contribuinte. (veja como consultar) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O lote é destinado a pessoas que não estavam obrigadas a entregar a declaração do Imposto de Renda em 2025 e, por isso, não declararam, mas tiveram imposto retido na fonte ao longo de 2024 e possuem valores a restituir. Segundo a Receita, cerca de 4 milhões de contribuintes devem ser beneficiados nesta etapa, com a liberação de aproximadamente R$ 500 milhões em restituições. O valor da devolução é limitado a R$ 1.000 por contribuinte. Como funciona o "cashback" Receita libera consulta ao lote especial de restituição automática do IR Divulgação A restituição automática é um projeto piloto criado para facilitar a devolução de valores pagos indevidamente ou a maior por contribuintes que não precisavam apresentar a declaração do Imposto de Renda. Nesse modelo, a Receita utiliza informações já disponíveis em suas bases de dados para elaborar automaticamente uma declaração simplificada, identificando eventuais valores a restituir sem que o cidadão precise iniciar o processo. 🔍 De acordo com o órgão, a medida busca reduzir a burocracia e evitar que milhões de brasileiros deixem de receber recursos aos quais têm direito por desconhecimento das regras ou por estarem dispensados de declarar o imposto. Quem tem direito Para receber a restituição automática, o contribuinte precisa atender a todos os seguintes requisitos: não estar obrigado a entregar a declaração do IRPF referente ao exercício de 2025; não ter apresentado a declaração por iniciativa própria; ter tido imposto de renda retido na fonte durante 2024; ter direito à restituição de até R$ 1.000; possuir CPF regular e uma chave PIX cadastrada com o CPF. Como consultar a restituição especial? A partir desta quarta-feira, o contribuinte poderá verificar se foi contemplado no lote especial de restituição por meio dos canais oficiais da Receita Federal. A consulta pode ser feita: Pelo site da Receita Federal: Acesse o portal da Receita Federal. Clique em "Meu Imposto de Renda". Selecione a opção "Consultar a Restituição". Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro), se solicitado. Verifique se o seu CPF foi contemplado no lote especial. Ou pelo celular: Abra o aplicativo Receita Federal, disponível para Android e iOS. Faça login com sua conta gov.br. Acesse a área de consulta da restituição e verifique se foi contemplado. Para acessar o serviço, é necessário fazer login com uma conta gov.br de nível prata ou ouro. Na área "Meu Imposto de Renda", o contribuinte poderá acessar a declaração gerada automaticamente pela Receita, que possui as mesmas funcionalidades de uma declaração tradicional. Será possível: conferir os dados utilizados pela Receita; incluir informações adicionais, se necessário; retificar ou ajustar a declaração antes da conclusão do processamento. Caso tenha direito à restituição, o crédito será feito exclusivamente em uma conta vinculada a uma chave Pix do tipo CPF. Não haverá depósito em contas de outra titularidade nem emissão de ordem de pagamento. Por isso, a Receita orienta que os contribuintes providenciem uma chave Pix vinculada ao CPF para receber os valores. Cronograma Este lote especial segue um calendário próprio e não faz parte do cronograma regular de restituições do Imposto de Renda 2026: 8 de julho: consulta aos contemplados; 15 de julho: pagamento da restituição em parcela única; 31 de julho: pagamento do próximo lote regular do IRPF. Enquanto esse lote especial contempla contribuintes que não apresentaram a declaração, as restituições tradicionais continuam sendo pagas normalmente para quem entregou o documento dentro do prazo legal. Segundo a Receita Federal, a iniciativa faz parte da estratégia de modernização da administração tributária, com foco na automatização de processos, simplificação das obrigações fiscais e ampliação do acesso dos contribuintes a valores pagos indevidamente. O órgão recomenda que as consultas e o acompanhamento do processo sejam feitos apenas pelos canais oficiais, para reduzir o risco de golpes e fraudes.
15/07/2026 03:00:31 +00:00
Tarifaço de Trump: EUA definem nesta quarta se aplicam novas taxas ao Brasil

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros. O processo abriu uma disputa entre Brasília e Washington e mobilizou setores da economia brasileira, que participaram de audiências públicas para apresentar argumentos contra as medidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o governo americano avalia a aplicação de duas sobretaxas sobre produtos brasileiros. A primeira é uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada também a mais de 60 países, sob a justificativa de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A segunda prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas americanas. A seguir, entenda como a disputa começou, como funcionaram as audiências públicas, quem participou e qual foi a atuação do governo brasileiro ao longo do processo. Agora no g1 Como começou a investigação sobre as tarifas contra o Brasil Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu uma investigação aberta quase um ano antes, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar possíveis barreiras comerciais em outros países. (saiba mais abaixo) No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA. Como resultado, o órgão propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação analisou temas como: PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas. Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia. Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental. Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro. Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes. Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato. LEIA TAMBÉM PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25% Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias. Nesse caso, foi proposta uma sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA. O que é a Seção 301 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos. 🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados. O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump. A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais. Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação. Audiências reúnem setor produtivo brasileiro Senador Flávio Bolsonaro em audiência dos EUA contra tarifas Divulgação Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas. O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final. As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA. O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas. 💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria) Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais. O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações. A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos. A resposta do governo brasileiro O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA: Contestar os argumentos apresentados pelo USTR Manter aberto o canal de negociação com Washington. Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio. O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais. No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro. Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras. O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão. Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas. Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas. 🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica. Negociação com os EUA segue até a decisão final Marco Rubio e Mauro Vieira após reunião em 13 de novembro de 2025 Reprodução/X Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. A expectativa era de uma última rodada de conversas antes do anúncio. Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas. Se a medida entrar em vigor, a reação inicial deverá ser uma manifestação oficial de "indignação" com a decisão da Casa Branca, segundo interlocutores do presidente. A nota deve reforçar os argumentos apresentados ao longo da investigação, de que as medidas são injustificadas e de que a estrutura tarifária brasileira já favorece as exportações americanas. Depois disso, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.
15/07/2026 03:00:26 +00:00
Mega-Sena, concurso 3031: confira os números sorteados

Concurso 3031 da Mega-Sena Reprodução / Caixa O sorteio do concurso 3031 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça (14), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas e o prêmio para o próximo concurso está estimado em R$ 30 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 28 - 20 - 32 - 40 - 54 - 35 6 acertos: não houve ganhadores 5 acertos: 24 apostas ganhadoras, R$ 63.791,87 4 acertos: 1.859 apostas ganhadoras, R$ 1.357,52 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Mega-Sena, concurso 3031: confira os números sorteados Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-Sena? A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1
15/07/2026 00:01:46 +00:00
Na véspera do prazo para EUA decidir sobre novas taxas, Brasil faz reunião com americanos e diz que tarifaço é ‘injusto’

Empresários estão apreensivos com decisão americana sobre tarifaço Na véspera do prazo para os Estados Unidos decidirem sobre a aplicação de novas taxas, o governo do Brasil se reuniu com representantes do governo americano nesta terça-feira (14) e reiterou que considera o tarifaço ao Brasil é ‘injusto’. Foi a quinta reunião entre os países sobre o assunto. Os Estados Unidos investigam o Brasil sob a Seção 301 por supostas "práticas comerciais desleais" e pode aplicar novas taxas a produtos brasileiros em função dessa apuração. A investigação concentra-se em: PIX, sob a alegação de que o sistema prejudica empresas norte-americanas de cartões de crédito; desmatamento ilegal, apontando uma suposta falta de eficácia na fiscalização que resulta na exportação de produtos agrícolas; reivindicações das big techs americanas sobre regulação no setor no Brasil. Conforme a avaliação de negociadores brasileiros envolvidos nas conversas, foi possível obter avanços juntos ao governo americano nas conversas. Entretanto, desde maio, os representantes da Casa Branca passaram a se mostrar “inflexíveis”, apresentando questões “inegociáveis” para o Brasil, como mudanças no PIX e na legislação sobre minerais críticos. Além disso, conforme integrantes da diplomacia brasileira, os dados apresentados sobre desmatamento, por exemplo, foram desconsiderados, sem contrapropostas ou indicações por parte dos americanos. Há cerca de dez dias, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países, e o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta. Em razão do prazo dado pelo governo americano, um eventual adiamento do tarifaço passou a ser considerado “improvável” pelo governo brasileiro, mesmo assim, no início da manhã desta terça-feira, auxiliares do presidente Lula passaram a tentar contato com interlocutores de Donald Trump para tentar uma nova rodada de negociação. De acordo com ministros, a ordem do presidente Lula foi que o Brasil não deixe a mesa de negociação nem deixe a ideologia contaminar as conversas. Entretanto, a avaliação do governo brasileiro foi que a decisão do USTR de recomendar as tarifas foi política. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. De acordo com o governo, dos 10 produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram sem tarifa. Além disso, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana têm tarifa média de 3%. Diante disso, Alckmin tem dito que o tarifaço americano não faz "sentido". Uavio porta-contêineres no Porto de Santos, em São Paulo Divulgação/Copersucar Efeitos na economia Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que 4,2 mil produtos brasileiros vendidos no mercado americano podem ser afetados se o tarifaço for implementado. Juntos, esses 4,2 mil produtos somam US$ 15 bilhões em exportações brasileiras, de acordo com a entidade. Entre os produtos que podem ser afetados, conforme a entidade, estão ferro gusa, molduras de madeira e álcool etílico. Nesse contexto, a CNI, a Câmara Americana de Comércio (AmCham) e US Chamber of Commerce enviaram uma carta conjunta aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e a autoridades americanas, como Jamieson Greer, pedindo que os dois países insistam nas negociações. Leia a íntegra da nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços: "NOTA À IMPRENSA – 5ª REUNIÃO COM REPRESENTANTE DE COMÉRCIO DOS ESTADOS UNIDOS Hoje, no final da tarde, as equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC, do Ministério das Relações Exteriores – MRE e da Assessoria Especial do Presidente da República, mantiveram a quinta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, desde 07 de maio, quando os dois Presidentes decidiram estabelecer um grupo de trabalho dedicado ao diálogo comercial. Na reunião de hoje, foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias. Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado. O prazo para o anúncio da medida e da lista de bens expostos à recomendação terminará amanhã, 15 de julho."
14/07/2026 22:43:10 +00:00
CEO da IBM admite impacto da IA nos negócios e ações têm maior queda desde 1972

Uso da Inteligência Artificial nas eleições vai ser fiscalizado pelo TRE Mais uma empresa leva rasteira da inteligência artificial. A IBM enfrentou uma forte reação do mercado após divulgar uma carta aos investidores em que o CEO, Arvind Krishna, reconheceu que a companhia não conseguiu reagir rápido o suficiente a uma mudança inesperada no comportamento dos clientes. Após a divulgação do documento, as ações da empresa fecharam em queda de 25%, a maior desvalorização desde 1972, segundo o jornal "Financial Times". A empresa perdeu US$ 68 bilhões (R$ 346,12 bilhões) em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta. Na carta, Krishna afirma que o resultado do segundo trimestre de 2026 — que será divulgado na próxima quarta-feira (22) — ficou abaixo das expectativas da empresa, principalmente pelo desempenho da área de infraestrutura. A receita da divisão caiu 7%, pressionada por dificuldades nos negócios relacionados aos sistemas Z, os tradicionais mainframes (computadores de grande porte) da IBM, e pelos softwares associados a esses equipamentos, especialmente em processamento de transações. “Essas condições exigiam que nossas equipes executassem perfeitamente, e neste trimestre falhamos. Não nos adaptamos e não nos movemos rápido o suficiente”, lamenta o executivo aos investidores. Segundo ele, diversos grandes contratos deixaram de ser concluídos nos prazos esperados, o que representou a maior parte do impacto negativo no resultado. Como a IA entra nesse balaio? O problema, segundo a IBM, veio de uma mudança rápida na estratégia de investimento dos clientes. Nas últimas semanas de junho, empresas passaram a direcionar seus gastos de capital para a compra de servidores, armazenamento e memória, buscando garantir equipamentos diante de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços. A companhia afirmou que já esperava algum impacto relacionado à cadeia de suprimentos, mas não previa a intensidade dessa mudança na prioridade dos clientes. À medida que empresas de diferentes setores passaram a investir mais em IA, aumentou a necessidade por uma infraestrutura capaz de sustentar essa tecnologia. Foi justamente esse movimento que alterou as prioridades de investimento dos clientes da IBM: em vez de seguirem o cronograma esperado para algumas compras tradicionais da companhia, eles direcionaram parte do orçamento para garantir equipamentos de computação antes de possíveis restrições de oferta e aumentos de preços. Visitantes passam pelo logotipo da IBM no Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, ​​Espanha 3 de março de 2026 REUTERS/Nacho Doce E isso se mostrou nos números. Apesar da queda de 7% nos pesados e antigos mainframes Z, uma área mais tradicional de sua infraestrutura, uma outra área despontou. A chamada infraestrutura distribuída — que reúne servidores, armazenamento e soluções voltadas a ambientes tecnológicos mais modernos — teve o melhor desempenho histórico da companhia, com crescimento de 37% no trimestre. Período não define estratégia Apesar do reconhecimento da falha, o CEO afirmou que o resultado não muda a confiança da IBM em sua estratégia de longo prazo. “Nosso trabalho é ajudar nossos clientes a atravessar períodos de incerteza e encontrar caminhos para crescer seus negócios, independentemente do que esteja acontecendo no ambiente externo”, disse Krishna. A empresa também destacou avanços em inteligência artificial e computação quântica. A IBM anunciou o Lightwell, uma iniciativa de US$ 5 bilhões (R$ 25,45 bilhões) voltada ao uso de novas capacidades de IA para criar uma plataforma de confiança no gerenciamento de vulnerabilidades em softwares de código aberto, com participação de mais de 20 mil engenheiros e adoção inicial por grandes instituições financeiras. Na computação quântica, a companhia afirmou que pretende investir mais de US$ 10 bilhões (R$ 50,9 bilhões) nos próximos cinco anos em pesquisa, desenvolvimento, fabricação, aquisições e expansão do ecossistema. A IBM mantém a meta de entregar o primeiro computador quântico de grande escala tolerante a falhas até 2029. Computador quântico Getty Images O que esperar do balanço No trimestre, a IBM registrou receita de US$ 17,2 bilhões (R$ 87,54 bilhões) , alta de 1% na comparação anual. A divisão de software cresceu 5%, enquanto a área de consultoria ficou praticamente estável. O lucro por ação ajustado subiu 5%, para US$ 2,93 (R$ 14,91), mas o desempenho da infraestrutura ficou abaixo do esperado e levou a empresa a revisar a percepção dos investidores sobre o ritmo de adaptação da companhia ao novo ciclo de investimentos em tecnologia.
14/07/2026 22:17:49 +00:00
ANTT já aplicou este ano quase R$ 1 bilhão em multas por descumprimento do piso mínimo do frete

Transporte de cargas, caminhões, Paraná Reprodução/RPC A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aplicou R$ 932,4 milhões em multas a empresas pelo descumprimento do piso mínimo do frete em 2026. Ao todo, a agência emitiu 270,4 mil autos de infração. 🚚Em 2018, quando foi instituída a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, após paralisação nacional de caminhoneiros, a agência aplicou R$ 69 mil reais em multas durante todo o ano, em 31 autos de infração. Os dados foram levantados pela agência a pedido do g1. O Senado aprovou nesta terça-feira (14) uma medida provisória (MP) que endurece as regras do piso mínimo do frete rodoviário. A proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A MP estabelece um novo escalonamento de penalidades para quem contratar frete abaixo do mínimo legal: multa elevada, que pode chegar a R$ 1 milhão; suspensão do registro do transportador; e cancelamento do registro em casos de reincidência grave. 🎯As regras também passam a atingir intermediadores e plataformas digitais que ofertem serviços em desacordo com o piso. De acordo com a ANTT, o aumento dos registros de autuação está relacionado à ampliação da fiscalização eletrônica. Ainda segundo a agência, os valores correspondem ao montante das autuações lavradas. Os autos de infração são submetidos ao devido processo administrativo, assegurados o contraditório e a ampla defesa, podendo haver cancelamento, alteração ou confirmação das penalidades. Veja os valores das multas de 2018 até 2026 (até junho): 2018: R$ 69,3 mil 2019: R$ 71,2 milhões 2020: R$ 4,1 milhões 2021: R$ 14,5 milhões 2022: R$ 15,3 milhões 2023: R$ 21,2 milhões 2024: R$ 20,8 milhões 2025: R$ 221,9 milhões 2026 (Até 30/06/2026): R$ 932,4 milhões Piso mínimo Criada em 2018, a política de preços mínimos do frete surgiu como uma das principais reivindicações dos caminhoneiros durante a greve nacional daquele ano. Ela determina que a tabela seja reajustada sempre que ocorrer oscilação no valor do combustível superior a 5%, para baixo ou para cima. O mecanismo ficou conhecido à época como gatilho. Agora no g1
14/07/2026 21:43:33 +00:00
Ânima fecha acordo para comprar a FMU por até R$ 410 milhões

Agora no g1 A Ânima Educação informou nesta terça-feira (14) que assinou um contrato para comprar a Faculdades Metropolitanas Unidas Educacionais (FMU) em uma operação que pode chegar a R$ 410 milhões. A instituição de ensino, que está em recuperação judicial, tem cerca de 51 mil alunos e seis campi na cidade de São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A aquisição será realizada por meio da subsidiária Rede Educacional do Brasil, que fechou o acordo com o Camp Nou Fundo de Investimentos em Participações Multiestratégia, atual controlador da FMU. Do valor total da negociação, R$ 240 milhões serão pagos à vista no fechamento da operação. Os R$ 170 milhões restantes serão desembolsados posteriormente e poderão ser ajustados de acordo com o desempenho financeiro da FMU e outras condições previstas em contrato. Antes de ser concluída, a aquisição ainda precisa cumprir etapas comuns a esse tipo de transação, entre elas a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa da Ânima é que a análise do órgão seja finalizada até o fim de 2026. LEIA TAMBÉM: Ex-donos da FMU pedem à Justiça conversão de recuperação judicial em falência; entenda FMU: entenda a briga judicial e o que pode acontecer com os alunos em eventual caso de falência FMU reforça expansão da Ânima Em comunicado ao mercado, a companhia afirma que a compra faz parte da estratégia de ampliar sua presença no ensino superior com a incorporação de uma das instituições mais tradicionais do país. Com mais de 50 anos de atuação, a FMU reúne cerca de 51 mil alunos, seis campi na cidade de São Paulo e mais de 200 polos de ensino a distância espalhados pelo Brasil. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, a FMU registrou receita líquida de R$ 281,7 milhões e um resultado operacional ajustado de R$ 52,9 milhões. A Ânima também destacou que a instituição recebeu nota máxima no conceito institucional do Ministério da Educação (MEC) e tem forte atuação nas áreas de Direito e Saúde, consideradas estratégicas para o crescimento do grupo. Campus Santo Amaro da FMU, na Zona Sul de São Paulo Reprodução/Google Street View
14/07/2026 21:34:30 +00:00
Torcida do Brasil zicou a França? Classificação da Espanha para a final da Copa rende memes

Pedro Porro, da Espanha, comemora o segundo gol da equipe em jogo contra França REUTERS/Hannah Mckay A classificação da Espanha para a final da Copa do Mundo nesta terça-feira (14) rendeu memes. Nas redes sociais, várias pessoas brincaram que a torcida dos brasileiros pela França deu azar. Muitos brasileiros estavam torcendo para a França por entenderem que a equipe liderada por Mbappé teria mais condições de vencer a Argentina de Messi na final. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A partida terminou com vitória da Espanha por 2 a 0, com gols de de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro. A Argentina e a Inglaterra se enfrentarão na quarta-feira (14) para decidir quem segue para a final da Copa do Mundo. Confira os memes: Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Agora no g1
14/07/2026 20:59:17 +00:00
Nvidia começa a enviar um de seus chips mais poderosos para a China, diz autoridade dos EUA

Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026 Reuters/Carlos Barria Uma autoridade do alto escalão do governo americano disse nesta terça-feira (14) ao Congresso dos Estados Unidos que a Nvidia enviou para a China um pequeno número de chips H200, o segundo processador de inteligência artificial mais poderoso da empresa. As vendas dos chips H200 se tornaram um ponto sensível na disputa tecnológica entre os dois países. O governo dos EUA busca restringir o acesso da China a semicondutores de ponta que possam ser utilizados em aplicações militares. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A confirmação de que os chips foram enviados para a China foi feita por Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos EUA. "Houve exportações mínimas de H200 para a China até agora", afirmou Kessler ao Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. Segundo ele, o número de chips é "muito pequeno". Agora no g1 Uma subsidiária da fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações ZTE Corp e outras duas empresas chinesas estão entre as entidades que mais recentemente receberam autorização dos EUA para comprar chips avançados de IA da Nvidia e da AMD, informou a Reuters. O Departamento de Comércio dos EUA já havia aprovado a venda de chips H200 para cerca de 10 empresas chinesas em maio, mas nenhuma entrega tinha sido realizada, segundo a agência. As empresas autorizadas incluíam Alibaba, Tencent e ByteDance, dona do TikTok. Kessler afirmou que o Departamento de Comércio forneceu ao Congresso uma lista confidencial dos pedidos para compra dos chips H200 e seus respectivos status, mas não deu mais detalhes. Restrições a empresas chinesas O deputado Gregory Meeks, principal democrata no comitê, criticou o Departamento de Comércio por não ter adicionado mais empresas chinesas à lista de controle de exportações desde outubro. É o maior período sem novas inclusões em mais de uma década. Segundo Meeks, o presidente Donald Trump "transformou os controles de exportação em uma moeda de troca nas negociações mais amplas com a China" e "enfraqueceu salvaguardas existentes ao aprovar licenças para chips avançados de IA destinados à China". Kessler defendeu a postura do governo e disse que é importante fazer cumprir restrições às empresas que já integram as listas de controle. E indicou que novas medidas regulatórias sobre inteligência artificial estão a caminho. O Departamento de Comércio adiou a inclusão da DeepSeek e de outras 100 empresas chinesas à lista de restrições, informou a Reuters em junho a partir de duas pessoas familiarizadas com o assunto. Segundo a agência, a medida faz parte dos esforços do governo Trump para evitar uma escalada das tensões com Pequim. Empresas americanas não podem exportar bens, software ou tecnologia para companhias incluídas nessa lista sem uma licença específica, cuja aprovação costuma ser negada.
14/07/2026 18:45:42 +00:00
Guerras e tarifas levam confiança da indústria ao menor nível desde a pandemia, diz CNI

Indústria Pexels A indústria brasileira está mais pessimista com os rumos da economia, pressionada pelo aumento das dúvidas e inseguranças da economia global. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que caiu 2,3 pontos em julho, chegando a 44,4 pontos. Atualmente, o indicador está 8,9 pontos abaixo da sua média histórica, que é de 53,3 pontos. 🔎 O ICEI funciona como um termômetro para medir o humor de quem comanda as fábricas no país. Quando o índice cai, pode significar que o empresário está pisando no freio, o que costuma travar novos investimentos e contratações. Divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), este é o menor nível de confiança do setor desde junho de 2020, quando o indicador havia despencado para 41,2 pontos devido aos impactos iniciais da pandemia de Covid-19. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI O número final do índice é composto por duas avaliações: Momento atual: mede como os empresários avaliam a situação da economia brasileira e da própria empresa em relação aos últimos seis meses. Expectativas: mede o que os empresários esperam para a economia e para a empresa nos próximos seis meses. As respostas são transformadas em uma pontuação que vai de 0 a 100: Acima de 50 pontos: confiança. Abaixo de 50 pontos: falta de confiança. A avaliação sobre a própria empresa tem peso maior do que a da economia em cada componente e as expectativas têm peso maior do que a avaliação do momento atual. O que está por trás do pessimismo da indústria? Na avaliação da CNI, a piora na confiança foi impulsionada pela percepção mais negativa sobre a economia brasileira, pelo aumento das incertezas no cenário internacional e pelo enfraquecimento das expectativas para as próprias empresas. "O cenário se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros", explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI. Em julho de 2026, o Índice de Condições Atuais caiu para 41,6 pontos, 0,7 ponto abaixo do mês anterior. O resultado foi puxado principalmente pela piora na percepção sobre a economia brasileira, cujo indicador recuou de 36 para 34,7 pontos. Já o índice que mede a avaliação sobre as próprias empresas caiu de 45,4 para 45,1 pontos. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI Preocupação com o futuro O levantamento da CNI mostra uma forte queda no otimismo da indústria em relação aos próximos seis meses. O indicador que mede as expectativas para o futuro despencou 3,1 pontos e fechou em 45,8 pontos, registrando a maior queda para um único mês desde novembro de 2022. O resultado foi puxado principalmente pela piora nas expectativas para a economia brasileira, cujo indicador recuou de 41 para 37,2 pontos. Já o índice de expectativas para as próprias empresas caiu de 52,8 para 50,1 pontos, praticamente eliminando o otimismo registrado nos meses anteriores e deixando o indicador no limite da neutralidade. índice de confiança da indústria (CNI)/ Julho de 2026 CNI
14/07/2026 18:30:08 +00:00
Nova York suspende construção de data centers por preocupação sobre consumo de energia e água

Representação artística do centro de dados de IA planejado pela Meta - o primeiro da empresa no Canadá, a ser construído em Sturgeon County, Alberta Meta/Divulgação Nova York se tornou nesta terça-feira (14) o primeiro estado americano a suspender a construção de novos grandes data centers, em meio a preocupações sobre o impacto dessas estruturas no consumo de energia, no uso de água e nas comunidades locais. A medida ocorre enquanto empresas de tecnologia aceleram a construção de data centers para atender à demanda gerada pelo avanço da inteligência artificial. Esses centros abrigam milhares de computadores usados para armazenar dados e processar informações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A suspensão, com validade de um ano, impede a aprovação de novas licenças ambientais para instalações com potência de 50 megawatts ou mais. Durante esse período, o governo de Nova York fará uma análise dos impactos ambientais e definirá novas regras para a instalação desses empreendimentos. Agora no g1 A pausa não afeta projetos que já tenham concluído todas as etapas de licenciamento. “À medida que o desenvolvimento de data centers ameaça aumentar as contas de energia, esgotar nossos recursos naturais e criar incertezas para os nova-iorquinos, é minha responsabilidade agir e liderar”, disse a governadora Kathy Hochul. Nova York tem atualmente mais de 130 data centers, segundo o Data Center Map. O número é menor do que o de estados como Virgínia, com mais de 600 unidades, e Texas, com cerca de 500. Empresas de tecnologia como Alphabet e Microsoft não comentaram a decisão. Meta, Amazon e Oracle não responderam aos pedidos de manifestação da Reuters. A operadora de data centers Digital Realty afirmou que a medida pode levar investimentos para outros estados. “Uma pausa de um ano não é a abordagem correta”, disse a empresa. O executivo-chefe da NTT Global Data Centers, Doug Adams, afirmou que o setor precisa explicar melhor os impactos dessas estruturas nas comunidades, como geração de empregos, investimentos e uso de recursos naturais. LEIA TAMBÉM: Por que estados americanos podem proibir a construção de data centers Meta amplia projeto de data center para IA nos EUA e eleva investimento para mais de US$ 50 bilhões Pressão sobre energia e infraestrutura O crescimento dos data centers nos Estados Unidos tem gerado preocupação porque essas instalações consomem grandes volumes de eletricidade. Em algumas regiões, moradores e autoridades temem que a expansão aumente o valor das contas de luz e pressione a rede elétrica. A Assembleia Legislativa de Nova York já aprovou um projeto para criar regras mais rígidas para data centers com potência acima de 20 megawatts, o que alcançaria ainda mais empreendimentos do que a suspensão anunciada nesta terça-feira. A proposta ainda não foi enviada para a sanção da governadora de Nova York. Apenas um em cada três americanos apoia o ritmo atual de construção de data centers, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos. A maioria diz que seria contra a instalação de uma unidade em sua própria comunidade. Segundo dados do operador da rede elétrica de Nova York, havia em maio mais de 12 gigawatts em grandes pedidos de conexão à rede, incluindo data centers. Um gigawatt de energia é suficiente para abastecer cerca de 750 mil casas.
14/07/2026 18:00:37 +00:00
Brasil seria 2º país com maiores tarifas dos EUA se Trump confirmar novo tarifaço

Governo americano propõe tarifas de 25% sobre produtos brasileiros após investigação que durou um ano EPA via BBC O governo dos Estados Unidos deve anunciar até quarta-feira (15) se vai aplicar novas tarifas contra o Brasil como parte de uma grande investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas injustas pela Casa Branca — incluindo ataques ao Pix. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Um documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) divulgado no mês passado sugere tarifas retaliatórias de 25% contra produtos brasileiros — mas uma decisão final ainda não havia sido tomada, em meio a negociações entre Brasil e EUA. Caso as retaliações sugeridas pelo USTR sejam de fato adotadas, o Brasil passará a ser o segundo país com maiores tarifas aplicadas a seus produtos pelos EUA — apenas os produtos chineses importados pelos americanos teriam taxações superiores. Os dados são de uma iniciativa chamada Global Trade Alert (GTA), em que dados de comércio global são compilados pelo St. Gallen Endowment, um centro de estudos independente baseado na Suíça. Atualmente, o Brasil é o 13º país com maiores tarifas impostas pelos EUA, segundo os cálculos do GTA. Com tarifa média efetiva de 11,73%, o país está atrás de China, Turquia, Indonésia, Vietnã, Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Índia, Áustria, Suécia e Itália. Agora no g1 Mas, se o tarifaço de 25% for confirmado pelo governo Trump, o Brasil saltaria para a segunda posição. A China é o país que mais viu suas tarifas médias de importação subir no segundo mandato de Trump — um aumento de 27%, comparado às tarifas praticadas pelo governo Biden, disse Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment, à BBC News Brasil. Segundo os dados do GTA, caso as tarifas propostas pela USTR se concretizem, o Brasil seria o segundo país que mais sofreu aumento de tarifas no segundo mandato de Trump — um aumento médio previsto de 18%. Os dados do GTA consideram apenas as tarifas efetivas — ou seja, as que realmente são cobradas em cima dos produtos — e não as tarifas nominais — que são as explícitas na legislação e anunciadas pelo governo. LEIA TAMBÉM: Por que o PIX se tornou um foco da ofensiva comercial de Trump contra o Brasil? Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump; veja os argumentos da indústria e do agro Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona Por que Brasil é tão visado? O que justifica o Brasil ser tão visado pelo segundo mandato do governo Trump, já que é apenas o 17º maior parceiro comercial dos EUA? "Isso seria uma tentativa de ler os sinais que vêm de Washington. O que parece plausível é que tenha um componente de alianças pessoais ou, pelo menos, políticas, já que Bolsonaro foi citado explicitamente", diz Fritz. No ano passado, quando os EUA anunciaram a imposição da taxa de 50% às exportações brasileiras, Trump citou seu descontentamento com o fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado réu por tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro acabou condenado em setembro do ano passado e está atualmente cumprindo pena de 27 anos, em prisão domiciliar. Mas o diretor do centro de estudos na Suíça afirma também que o Brasil pode estar sendo alvo do governo americano por suas políticas tecnológicas. Segundo ele, o Brasil está entre as economias que se arriscaram a confrontar as empresas de tecnologia dos EUA, ao lado da União Europeia e da Austrália. "Há preocupações também com o aspecto da política tecnológica, em que o Brasil se expôs no passado com decisões judiciais contra plataformas no que diz respeito à proteção de conteúdo, por exemplo", diz Fritz. Entre os exemplos, está a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tirar do ar a plataforma de compartilhamento de vídeos Rumble em fevereiro de 2025 e o bloqueio do X em setembro de 2024. Para Rodrigo Zeidan, professor da New York University Shanghai, na China, e da Fundação Dom Cabral, as tarifas que serão anunciadas pelos EUA provavelmente abrirão caminho para novas negociações entre os governos. "Esse é o padrão [da Casa Branca]. Se é que tem um padrão, né? O anúncio da tarifa é uma forma de trazer o parceiro comercial para a mesa e impor o que quer que seja do que realmente implementar loucamente [as tarifas anunciadas]", disse Zeidan à BBC News Brasil. Para ele, no entanto, essas negociações não terão necessariamente uma lógica estritamente econômica e comercial. "Todo o argumento americano para justificar as tarifas com outros países é que os EUA têm déficit comercial. Mas, com o Brasil, os EUA exportam o dobro do que os brasileiros exportam para eles. Então esse argumento nem faz sentido nesse caso." "Claramente os EUA não estão movidos pela lógica econômica. Estão movido pela lógica nacionalista e política." O que é a investigação contra o Brasil? Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O procedimento, conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), pode resultar em medidas de retaliação, como a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras. Uma das consequências dessa investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio é que os EUA podem tomar medidas punitivas, como imposição de tarifas ou restrições de importação. No caso brasileiro, o documento do USTR propõe que "a ação adequada incluiria a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros", mas com diversas exceções que são listadas em um anexo. O governo americano concluiu que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". O documento do USTR tem 107 páginas e traz conclusões da investigação em seis áreas distintas: Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: segundo o governo americano, "tribunais brasileiros emitiram decisões sigilosas determinando que empresas americanas de redes sociais removam determinados conteúdos políticos e suspendam perfis de residentes nos Estados Unidos — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem as plataformas de informar os usuários sobre essas ordens". O documento fala em imposição de multas elevadas, restrições ao acesso a ativos, contas e sistemas de pagamento no Brasil e, em pelo menos um caso, o bloqueio total de um site. Tarifas preferenciais consideradas injustas: "por meio de acordos comerciais preferenciais de escopo limitado com México e Índia — que abrangem setores nos quais esses países são produtores avançados e competitivos globalmente —, o Brasil concede tarifas mais baixas e tratamento preferencial a centenas de produtos mexicanos e indianos em diversos setores". Combate à corrupção: "o Brasil não adota medidas de fiscalização suficientes para enfrentar práticas de suborno e corrupção". Proteção à propriedade intelectual: "o Brasil não reforça adequadamente a aplicação de suas leis penais e normas aduaneiras para combater produtos falsificados"; "não resolve a demora excessiva na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico"; e "não mantém ações consistentes e contínuas contra a pirataria". Acesso ao mercado de etanol: em 2017, "o Brasil interrompeu abruptamente o tratamento tarifário anteriormente equilibrado para o etanol e, desde então, não passou a oferecer reciprocidade às exportações americanas". Desmatamento ilegal: apesar de contar com um arcabouço legal para combater o desmatamento ilegal, "o Brasil historicamente não consegue aplicá-lo de forma eficaz, e a prática persiste". Analistas afirmam que o governo Trump vem usando investigações da seção 301 como alternativa a outra proposta de tarifaço que foi derrubada pela Suprema Corte do país. Em fevereiro, o tribunal decidiu que Trump extrapolou sua autoridade ao usar uma lei diferente — a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 – para impor tarifas abrangentes a parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil. A legislação usada agora — a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — resistiria a contestações judiciais, na avaliação de especialistas.
14/07/2026 16:34:37 +00:00
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