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Entenda impacto da alta do petróleo com a guerra no oriente médio O forte aumento nos preços do petróleo, em meio à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, acendeu o alerta de governos em todo o mundo para uma possível alta global da inflação. O petróleo é matéria-prima de combustíveis — como gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha — e de diversos insumos, como plásticos, borracha, fertilizantes e medicamentos. Isso gera um efeito em cadeia, pressionando os custos de produção e a logística da indústria e do agronegócio. Além do transporte, o agro também sofre com o custo de funcionamento das máquinas agrícolas e com o encarecimento dos fertilizantes químicos. A produção de energia elétrica também tende a ser impactada, especialmente nas termelétricas — que geram energia a partir de combustíveis e costumam ser acionadas em períodos de seca, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos. ➡️ No Brasil, o presidente Lula anunciou a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira (a chamada subvenção) a produtores e importadores de diesel, em uma tentativa de conter o impacto dos preços do petróleo para os consumidores. Veja abaixo como diferentes países reagiram ao aumento de preços: Índia Segundo a agência de notícias Reuters, um funcionário do governo indiano informou que o país deve rever suas exportações de combustível se necessário. O objetivo seria garantir a disponibilidade nos mercados globais. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a Índia avalia os pedidos de fornecimento de combustível de seus vizinhos e somente aprovará as exportações se tiver volumes excedentes. Além disso, o país também proibiu os consumidores de gás natural canalizado de manter, obter ou reabastecer cilindros domésticos de gás liquefeito de petróleo. O governo ainda invocou poderes de emergência para ordenar às refinarias que maximizem a produção de GLP e reduzir a venda do produto para a indústria, a fim de evitar a escassez para as 333 milhões de residências que utilizam o GLP para cozinhar. Coréia do Sul A Coreia do Sul flexibilizou os limites da capacidade de geração de energia a carvão e elevou a utilização de usinas nucleares para até 80%. Além disso, o governo sul-coreano também considera a possibilidade de distribuir vouchers adicionais de energia para apoiar as famílias mais vulneráveis. China A China proibiu as exportações de combustíveis refinados para se antecipar a uma possível escassez de combustível no mercado interno, segundo informou a agência de notícias Reuters. O país também passou a liberar suprimentos de fertilizantes de reservas comerciais nacionais antes do plantio da primavera. Austrália A Austrália passou a liberar gasolina e diesel de suas reservas domésticas para aliviar a escassez que afeta as cadeias de suprimentos rurais, bem como a mineração e a agricultura. Japão O Japão pediu que a Austrália, seu maior fornecedor de gás natural liquefeito, aumente a produção para evitar a falta do produto no país. União Europeia Os líderes da União Europeia divulgaram uma série de medidas temporárias para atenuar o impacto da subida dos preços da energia. Além de possíveis cortes de impostos sobre a eletricidade, a região também propôs taxas mais baixas de rede e apoio estatal como possíveis soluções a curto prazo. Bangladesh Bangladesh informou que busca bilhões em financiamento externo para garantir as importações de combustível e gás natural liquefeito necessários ao país. Sérvia A Sérvia anunciou que vai reduzir os impostos especiais de consumo sobre o petróleo bruto em um total de 60%. O governo do país também estendeu a proibição de exportação de petróleo bruto e derivados de petróleo para proteger seu mercado de escassez e aumentos repentinos de preços. Itália A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que a Itália está considerando reduzir os impostos especiais de consumo para suavizar os preços dos combustíveis e está pronta para aumentar os impostos sobre as empresas responsáveis por lucrar indevidamente com a crise energética. Camboja O Camboja está importando mais combustível de fornecedores em Singapura e na Malásia para compensar a falta de abastecimento do Vietnã e da China. Malásia A Malásia aumentará os gastos com subsídios à gasolina de 700 milhões de ringgits (moeda local, equivalente a US$ 178,5 milhões) para 2 bilhões de ringgits (US$ 510 milhões). O objetivo é manter o preço fixo do combustível. Tailândia A Tailândia discutiu com o governo russo a possibilidade de comprar petróleo bruto, afirmou um vice-primeiro-ministro do país, reiterando que o governo tentaria limitar o preço do diesel no mercado interno a 33 baht (US$ 1,02) por litro. A Agência de Planejamento da Tailândia também afirmou que o governo congelará os preços de alguns produtos e fornecerá apoio aos agricultores. Grécia A Grécia vai oferecersubsídios para combustíveis e fertilizantes, além de descontos em passagens de ferry, num total de 300 milhões de euros (US$ 346 milhões), em abril e maio, para proteger consumidores e agricultores, afirmou o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. Eslovênia A Eslovênia limitou temporariamente a compra de combustível para combater a escassez nos postos de gasolina doméstico, causada em parte pelo abastecimento transfronteiriço e pelo armazenamento excessivo devido à guerra com o Irã. Filipinas As Filipinas anunciaram um plano para importar petróleo russo na próxima semana pela primeira vez em cinco anos, segundo informações da agência de notícias Reuters. O plano também prevê reduzir as contas de energia elétrica, à medida que os preços do GNL disparam, incentivando a geração de energia a carvão e regulamentando as tarifas de eletricidade. Vietnã O Vietnã fará a transição completa para gasolina com etanol antes do previsto, como parte de seus esforços para reduzir o uso de combustíveis fósseis, segundo um documento do governo. Indonésia O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, afirmou que pretende aumentar a produção de carvão do país. Além disso, indicou que o governo consiera a implementação de um imposto sobre lucros extraordinários nas exportações. Etiópia A Etiópia aumentou os subsídios aos combustíveis. Macedônia do Norte O governo da Macedônia do Norte decidiu reduzir o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) sobre os combustíveis para conter a alta dos preços nos postos de gasolina. Segundo o primeiro-ministro Hristijan Mickoski, o tributo será reduzido de 18% para 10%. A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (23) e terá duração de duas semanas. Sri Lanka O Sri Lanka informou que vai trazer medidas adicionais de racionamento de combustível para reduzir as filas e garantir o fornecimento extra de petróleo, afirmou um alto funcionário à Reuters. Crise do petróleo: entenda por que a ofensiva do Irã no mar ameaça o mercado global Reprodução/TV Globo *Com informações da agência de notícias Reuters.

Entenda impacto da alta do petróleo com a guerra no oriente médio A Agência Internacional de Energia (IEA) voltou a sinalizar a possibilidade de liberar mais petróleo dos estoques estratégicos para conter os impactos da crise provocada pela guerra no Irã. O diretor-executivo da entidade, Fatih Birol, afirmou que a medida pode ser adotada caso a situação se agrave. “Se for necessário, faremos isso. Vamos observar as condições, analisar os mercados e discutir com nossos países membros”, afirmou Birol nesta segunda-feira (23), durante evento em Canberra, na Austrália, segundo a agência Reuters. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A sinalização vem após uma ação considerada histórica. Em março, os países membros da IEA concordaram em liberar cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas — a maior retirada já feita pela agência. A medida foi adotada como resposta direta à alta dos preços globais e às incertezas geradas pelo cenário geopolítico. Mesmo com essa liberação, a agência avalia que o problema está longe de ser resolvido. A medida ajudou a aliviar parte da pressão no mercado, mas não eliminou os riscos associados à oferta global de petróleo. Birol reforçou que não há um preço específico que determine uma nova liberação de estoques. A decisão depende de uma análise ampla das condições do mercado e de alinhamento com os países membros. Nos bastidores, a IEA também tem mantido conversas com autoridades internacionais para coordenar possíveis respostas à crise, além de acompanhar cadeias logísticas e a demanda global por energia. Na semana passada, a agência sugeriu uma série de medidas para aliviar a pressão dos preços da energia sobre consumidores. Entre as sugestões estão trabalhar de casa e evitar viagens aéreas. O contexto da crise envolve ainda a importância do Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de passagem do petróleo no mundo. Qualquer instabilidade na região tem potencial para afetar diretamente o abastecimento global e pressionar ainda mais os preços. Birol classificou o cenário atual como mais grave do que crises anteriores e destacou que o impacto sobre os mercados ainda está sendo subestimado. “A solução mais importante para esse problema é a abertura do Estreito de Ormuz”, disse. Ele também alertou que os efeitos do conflito podem ser amplos e duradouros, com reflexos sobre a inflação e a atividade econômica em diversos países. Petróleo despenca após Trump sinalizar trégua no Irã Fumaça sobe após um ataque à refinaria de petróleo da Bapco, em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, na ilha de Sitra, Bahrein, em 9 de março de 2026. REUTERS/Stringer TPX IMAGES OF THE DAY Os preços do petróleo inverteram o sinal positivo visto pela manhã e passaram a operar em forte queda nesta segunda-feira, após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente americano anunciou uma trégua de cinco dias com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que representantes dos dois países tiveram "conversas muito boas e produtivas" no fim de semana e que ordenou o adiamento de qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana. Mas a agência iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, afirmou que não há conversas em andamento entre autoridades de Teerã e dos Estados Unidos. 🛢️Perto das 14h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência global, caía 9,23%, a US$ 101,84. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 8,41%, a US$ 89,97. Neste mês, países membros da Agência Internacional de Energia (IEA) concordaram em liberar 400 milhões de barris de petróleo para conter a alta dos preços globais. Reuters

Café robusta Globo Rural/Tv Globo Depois de um cenário desafiador, com altas temperaturas e poucas chuvas em dezembro, a safra brasileira de café 2026/27 segue beneficiada pelas condições climáticas favoráveis para o cultivo do grão desde janeiro deste ano na maioria das regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Cepea-Esalq), o campus da USP em Piracicaba. Segundo pesquisadores do Cepea, na primeira quinzena de março, o volumes de chuvas elevados auxiliaram o enchimento dos grãos de arábica e ajudaram o desenvolvimento final do robusta. 📈Safra recorde: o clima favorável mantém expectativa de uma safra recorde de café para 2026/27, impulsionada sobretudo pela produção do café arábica. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Em boletim do Cepea publicado no fim de fevereiro deste ano, o Centro de Estudos da Esalq já apontava expectativas positivas para a atual temporada, que pode ser a primeira desde a safra 2020/21 a superar o patamar de 60 milhões de sacas no Brasil, somando as modalidades arábica e robusta. "O que seria um recorde", projeta o Centro de Estudos da Esalq. No caso do robusta, pesquisadores do Cepea indicam que havia uma expectativa inicial menos promissora de produção para a atual temporada. Leia mais: Projeção de safra com colheita recorde pressiona preço médio do arábica em SP Contudo, com as condições climáticas também favoráveis, ainda que março registre chuvas menos volumosas que nos meses anteriores, agentes do setor consultados pelo Centro de Pesquisas têm passado a apostar em colheita próxima à observada na safra passada. Em Campinas (SP), no interior de São Paulo, uma das regiões produtoras acompanhadas pelo Cepea, o volume elevado de chuva começou ainda em janeiro. Lavoura de café arábica no Sul de Minas Gerais Lavoura de café arábica no Sul de Minas Gerais – Crédito: Divulgação Na Estação do Taquaral, em Campinas (SP), o acumulado do mês chegou a 339 milímetros, valor 79 milímetros acima da média histórica, que é de 261 milímetros para o período, de acordo com dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro). Café tipo robusta Arquivo Pessoal Chuvas em outras regiões produtoras Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em fevereiro, foram registrados 154,5 milímetros de chuva no município de Marília, na região central do estado de São Paulo. Os maiores acumulados ocorreram na Mogiana Paulista, no Cerrado Mineiro e no Sul de Minas. "Nas regiões produtoras de robusta, onde a colheita já pode ser iniciada a partir de abril, os volumes de chuvas em fevereiro estão bem inferiores aos observados em janeiro. Ainda assim, vale destacar que, em municípios mais ao norte do Espírito Santo, como Linhares, o excesso de precipitações no fim de janeiro pode ter prejudicado o desenvolvimento da safra em alguns talhões, influenciando o avanço de doenças", descreve o Cepea Retomada do setor em janeiro Após um período de negociações restritas, com ausências de vendedores e compradores ativos no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026. As cotações dos cafés robusta e arábica, o mais consumido no Brasil, fecharam a R$ 1,2 mil e R$ 2,2 mil a saca, respectivamente. Os valores são considerados positivos e atendem os patamares desejáveis pelos produtores, segundo o Cepea. Segundo o centro, o movimento de alta se intensificou a partir de 6 de janeiro, quando os contratos futuros (de março de 2026) registraram aumento de 1.450 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures). O movimento na bolsa de valores aumentou o volume comercializado no mercado brasileiro. Café fica 34,9% mais caro em Campinas, aponta levantamento Agentes consultados pelo Cepea indicam que, com a virada do ano, alguns agricultores tinham necessidade de fazer caixa, o que colaborou para o aumento da liquidez no período. Embora o mercado tenha esteja em viés de retomada, o cenário de pouca chuva em importantes regiões produtoras do Brasil preocupa agentes do setor cafeeiro em relação à safra 2026/2027, segundo o boletim divulgado pelo Cepea. "Dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condição que pode comprometer a formação dos grãos, resultando em cafés chochos", analisa o Cepea. Compra de fertilizantes O poder de compra de fertilizantes pelos produtores de café de São Paulo aumentou nos últimos meses de 2025. Os preços da saca de 60 kg do café arábica operou em cerca de R$ 2,2 mil em outubro. Os valores do café robusta fecharam em torno dos R$ 1.350 a saca. Chuvas volumosas deixam alerta sobre possíveis áreas de risco na região de Campinas Com as cotações nesse patamar, os produtores de São Paulo precisavam de 1,16 saca de arábica do tipo 6 para adquirir uma tonelada do adubo em 2025. 💰Em outubro de 2024, era preciso 1,44 saca de café para compra de fertilizante. Desde o início dos levantamentos feitos pelo Cepea, em 2011, a média histórica indica a necessidade de 2,6 sacas de café para pagar uma tonelada de fertilizante. "O poder de compra dos agricultores frente a importantes fertilizantes é considerado bom neste ano. Pesquisadores ressaltam que a retomada das chuvas nas regiões produtoras de café tende a viabilizar a realização de adubações nas lavouras, visando um bom desenvolvimento da safra 2025/26", detalham. Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

O C6 obteve uma decisão cautelar favorável da Justiça que permite ao banco voltar a oferecer empréstimos consignados. Na semana passada, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) havia suspendido o registro de novas operações desse tipo pelo banco. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na decisão que acolhe o pedido de tutela cautelar em caráter antecedente apresentado pelo Banco C6 Consignado S.A., proferida na última sexta-feira, o juiz federal Rodrigo de Godoy Mendes, da 6ª Vara Federal, apontou “desproporcionalidade” nas medidas adotadas pelo INSS. Segundo ele, suspender a principal atividade da instituição até que valores ainda em discussão sejam devolvidos configura uma medida de força sem respaldo jurídico. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Não é razoável nem proporcional. A impossibilidade de averbar novos contratos gera prejuízos financeiros diários e provável perda de participação de mercado”, acrescentou. “O restabelecimento do acesso ao sistema de consignações não impede a regular continuidade do processo administrativo sancionador, desde que garantido o devido processo legal, também não obstando a posterior determinação de ressarcimento de valores pelos meios legais adequados, caso, ao final do procedimento, seja comprovada a ilicitude da conduta da instituição financeira”, argumentou. Procurado nesta segunda-feira, o C6 confirmou a decisão, que corre em segredo de Justiça. O INSS não comentou de imediato. Consignado pesa 45% na carteira de crédito do C6 A carteira de crédito expandida do C6 Bank somava R$ 89,3 bilhões no fim do ano passado. Desse total, os empréstimos consignados — modalidade em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício do cliente — representavam 45%, segundo dados do próprio banco. O INSS havia suspendido, no início da semana passada, o recebimento de novos registros de crédito consignado do C6. O instituto afirmou que a medida ocorreu por descumprimento de cláusulas do acordo firmado entre as duas entidades e informou que a suspensão permaneceria até que fossem devolvidos valores cobrados indevidamente em pacotes de serviços descontados dos benefícios pagos pelo INSS, com as devidas correções. Na ocasião, o C6 — que tem como sócio o banco norte-americano JPMorgan Chase — afirmou que discordava integralmente da interpretação do INSS e que buscaria exercer seu direito de defesa na Justiça. Na decisão, o juiz da 6ª Vara também cita a defesa apresentada pelo C6. O banco sustenta que os produtos oferecidos — como seguro de vida e pacotes de benefícios — são legais e que a contratação ocorreu de forma autônoma e opcional pelos clientes, sem caracterizar venda casada. A decisão de Godoy Mendes determina a suspensão imediata dos efeitos do despacho do INSS publicado no último dia 16, “restabelecendo-se, por conseguinte, a habilitação e o acesso da parte requerente ao sistema para o recebimento de novas averbações de operações de crédito consignado administrado” pelo banco. O magistrado também suspendeu temporariamente, até nova decisão, “a exigência de devolução de valores como condição imperativa para a continuidade das atividades da instituição”. Sede do C6 Bank no Jardim Paulista, Zona Sul de São Paulo C6 Bank/Divulgação

Mercedes AMG GT 63 S é híbrido de 816 cv com motor a combustão 4.0 V8 Divulgação / Mercedes-Benz Nesta segunda-feira (23), a corte federal alemã em Karlsruhe negou o pedido de uma ONG que buscava proibir a venda de carros a combustão produzidos pela BMW e pela Mercedes-Benz a partir de 2030. O processo estava em andamento desde 2021 e já havia sido decidido a favor das montadoras em instâncias inferiores. A organização Deutsche Umwelthilfe (DUH) argumenta ainda que existiria um limite específico de emissões de poluentes para BMW e Mercedes e que as empresas estariam ultrapassando esse “orçamento de carbono”. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A corte reafirmou o entendimento dos julgamentos anteriores: não há uma cota individual de emissões de carbono estabelecida para cada fábrica. Um porta-voz da BMW afirmou à agência Reuters que a decisão oferece segurança jurídica às empresas que atuam na Alemanha. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entenda o caso Os ambientalistas da DUH entraram com o processo em 2021. Eles querem que as montadoras assumam um compromisso legal de parar a produção de carros a combustão a partir de 2030. Eles também pedem que as fábricas emitam apenas uma “fatia justa” de CO₂ em suas operações. Porém, não existe nenhuma lei que defina qual seria essa parcela para empresas como BMW ou Mercedes. O cálculo dessa “fatia” foi elaborado pela própria DUH com base em dados sobre aquecimento global. Essas informações vêm do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A pesquisa do IPCC, usada pelos ambientalistas, estima quanto carbono o planeta pode liberar sem que a temperatura global aumente mais do que 1,7 grau Celsius. De acordo com os cálculos, as metas atuais de emissões das empresas não seriam suficientes. A Daimler, dona da marca Mercedes, disse na ocasião que não via cabimento no argumento usado pelos ambientalistas. Já a BMW disse na época que suas metas de compromisso com o clima estavam à frente da indústria. *com informações da Reuters

FGC deve desembolsar quase R$ 5 bilhões para ressarcir clientes do Banco Pleno O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou nesta segnda-feira (23) que os os depositantes e investidores do banco Pleno já podem entrar com o pedido de garantia pelo aplicativo do fundo. No caso de empresas, informou que o pedido deverá ser concluído pelo site do FGC. "O número de credores com direito à garantia foi confirmado em 152 mil pessoas, com valor total de R$ 4,8 bilhões a ser pago pelo Fundo", informou o FGC, em nota. O Banco Pleno teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, junto com a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, em fevereiro deste ano. 🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, encerra as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até a extinção da instituição. O banco também deixa de integrar o sistema financeiro nacional. As instituições faziam parte do grupo do Banco Master, mas foram vendidas no segundo semestre do ano passado ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Banco Master. Reprodução/TV Globo Segundo o FGC, o Banco Pleno não faz mais parte do conglomerado Master. Assim, o liquidante irá apurar os valores a serem garantidos até o limite previsto na regulamentação. O Pleno tinha participação pequena no sistema financeiro brasileiro. Dados do BC indicam que, até setembro do ano passado, o banco concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor, que somavam R$ 18,07 trilhões. Isso equivale a aproximadamente R$ 7,2 bilhões. O FGC lembra que oferece garantia de até R$ 250 mil, por CPF ou CNPJ, para investimentos em produtos como conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA e LCD, por instituição financeira associada ou conglomerado. Existe um teto de R$ 1 milhão, a cada período de quatro anos, para garantias pagas por CPF ou CNPJ.

Veja os vídeos que estão em alta no g1 Pesquisadores de segurança digital identificaram um programa de espionagem (spyware) capaz de invadir iPhones e coletar informações dos usuários. A ferramenta foi encontrada recentemente em dezenas de sites na Ucrânia e pode explorar falhas em versões antigas do sistema operacional dos aparelhos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O software malicioso foi apelidado de “Darksword” por especialistas das empresas de segurança digital Lookout e iVerify, em parceria com pesquisadores do Google. Segundo estudos divulgados na última semana, o programa pode ser usado para acessar dados do telefone e até informações guardadas em carteiras digitais de criptomoedas. 🕵️♂️ O ataque acontece quando o usuário acessa determinados sites criados para explorar falhas de segurança no sistema do iPhone. Ao entrar nessas páginas, o programa malicioso pode ser ativado e passar a acessar o aparelho, permitindo a coleta de dados do dispositivo. Segundo caso de spyware contra iPhones revelado em março Este é o segundo caso identificado neste mês envolvendo ferramentas desse tipo voltadas para dispositivos da Apple. No início de março, pesquisadores já haviam revelado outro programa de espionagem digital, chamado “Coruna”, que também explorava falhas no sistema dos iPhones. Segundo os especialistas, a existência de duas ferramentas diferentes descobertas em pouco tempo indica que está crescendo o mercado de programas capazes de invadir celulares para roubar informações. “Agora existe uma cadeia confirmada de ferramentas desse tipo que acabaram nas mãos de grupos possivelmente criminosos interessados em ganhos financeiros”, afirmou Justin Albrecht, pesquisador da Lookout, à Reuters. Ataques em diferentes países Pesquisadores do Google disseram ter identificado campanhas de ataque que usaram o Darksword contra alvos em países como Arábia Saudita, Turquia, Malásia e Ucrânia. De acordo com a empresa, algumas dessas operações estariam associadas a um fornecedor comercial de tecnologia de vigilância chamado PARS Defense, sediado na Turquia. A empresa não respondeu a pedidos de comentário feitos pela Reuters. Os especialistas também descobriram que o programa era distribuído principalmente para usuários que utilizavam versões do sistema do iPhone entre iOS 18.4 e iOS 18.6.2, lançadas entre março e agosto do ano passado. Ainda não se sabe quantos aparelhos podem estar vulneráveis. No entanto, estimativas baseadas em dados públicos indicam que entre 220 milhões e 270 milhões de iPhones ainda utilizam versões do sistema que podem ser exploradas, segundo as empresas iVerify e Lookout. A Apple afirma que as falhas usadas nesses ataques já foram corrigidas em atualizações mais recentes do sistema. Segundo a empresa, usuários que mantêm o iPhone com o software atualizado já estão protegidos contra esse tipo de exploração. Apple recomenda atualização do sistema Em comunicado publicado na quinta-feira (19), a Apple afirmou que os ataques identificados exploram versões antigas do iOS por meio de conteúdos maliciosos na internet, como links ou sites comprometidos. A empresa disse ter investigado os casos e liberado atualizações de segurança para corrigir as vulnerabilidades assim que elas foram identificadas. A companhia reforça que manter o sistema atualizado é a principal medida para proteger os dados do usuário. Segundo a Apple, aparelhos com versões recentes do iOS não estavam expostos a esses ataques, e o navegador Safari também passou a bloquear automaticamente os endereços usados nas campanhas identificadas. Leia abaixo o comunicado completo da empresa. "Se o seu iPhone não estiver com a versão mais recente do software, atualize o iOS para proteger seus dados. Pesquisadores de segurança identificaram recentemente ataques baseados na web que têm como alvo versões desatualizadas do iOS por meio de conteúdos maliciosos na internet. Por exemplo, se você estiver usando uma versão antiga do iOS e clicar em um link malicioso ou acessar um site comprometido, os dados armazenados no seu iPhone podem correr risco de serem roubados. Investigamos cuidadosamente esses problemas assim que foram identificados e lançamos atualizações de software o mais rápido possível para as versões mais recentes do sistema operacional, a fim de corrigir as vulnerabilidades e interromper esse tipo de ataque. Se o software do seu iPhone estiver atualizado, você já está protegido. Manter o sistema atualizado é a medida mais importante que os usuários podem tomar para preservar a segurança dos produtos Apple, e dispositivos com software atualizado não estavam em risco nesses ataques relatados. Aparelhos com o Modo de Bloqueio (Lockdown Mode) ativado também estão protegidos contra esses ataques específicos, mesmo que utilizem versões mais antigas do software. Ainda assim, recomendamos que o dispositivo seja atualizado para a versão mais recente do iOS o quanto antes. Se o seu iPhone utiliza uma versão antiga do iOS, atualize para proteger seus dados. Dispositivos com as versões mais recentes e atualizadas do iOS 15 até o iOS 26 já estão protegidos. Caso você não tenha atualizado o software recentemente, atualize o iOS no seu iPhone. Em 11 de março de 2026, lançamos uma atualização de software para iOS 15 e iOS 16 com o objetivo de ampliar a proteção para aparelhos mais antigos que não conseguem instalar as versões mais recentes do sistema. Dispositivos com iOS 13 ou iOS 14 precisam ser atualizados para iOS 15 para receber essas proteções. Esses aparelhos também receberão, nos próximos dias, um alerta adicional para a instalação de uma Atualização Crítica de Segurança. O sistema Apple Safe Browsing, do navegador Safari, vem ativado por padrão e bloqueia os domínios de internet maliciosos identificados nesses ataques. Nota: usuários que não conseguem atualizar seus aparelhos podem considerar ativar o Modo de Bloqueio (Lockdown Mode), quando disponível, para se proteger contra conteúdos maliciosos na internet e outras ameaças." Apple lança o iPhone Air Nic Coury/AFP

Soja. Divulgação. Uma missão do Ministério da Agricultura do Brasil iniciou nesta segunda-feira (23) negociações com autoridades da China para discutir regras de inspeção fitossanitária da soja brasileira, segundo informações confirmadas por autoridades à agência Reuters. 🔎A inspeção fitossanitária é a verificação de produtos vegetais, como grãos e frutas, para garantir que estejam livres de pragas, doenças ou contaminantes. Esse controle é exigido no comércio internacional e, quando aprovado, permite a emissão de um certificado necessário para a exportação. A viagem ocorre após uma série de entraves recentes nas exportações. Nos últimos dias, cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pelos chineses por conterem ervas daninhas consideradas proibidas no país asiático. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Diante do impasse, autoridades chinesas concordaram em flexibilizar parte das exigências sanitárias. Em documento da Secretaria de Defesa Agropecuária, o governo brasileiro informou que não será mais adotado o critério de tolerância zero para a presença dessas impurezas nas cargas. Com isso, a China deixou de exigir que a soja brasileira esteja 100% livre de impurezas, como ervas daninhas. Ou seja, a fiscalização continua existindo, mas ficou menos rígida, o que facilita a liberação das cargas. Ainda assim, não há definição de um limite numérico para a tolerância, que deve ser discutido em novas rodadas de negociação entre os dois países. Até lá, a liberação dos carregamentos seguirá baseada em análise de risco. O endurecimento das exigências havia provocado dificuldades para exportadores brasileiros, que relataram problemas na emissão de certificados fitossanitários — documento essencial para o envio da soja ao exterior. Na semana passada, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil não flexibilizou a fiscalização dos embarques destinados à China, contrariando reportagens publicadas na imprensa. Procurado nesta segunda-feira, o ministério informou que as conversas com os chineses estão em estágio inicial e que ainda não há decisões definitivas, segundo a Reuters. As negociações devem continuar ao longo da semana, com a participação dos secretários de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, e de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua. O que aconteceu Nos últimos dias, a China devolveu 20 navios com cargas de soja enviadas pelo Brasil que descumpriram regras sanitárias do país, enquanto a Cargill – uma das maiores exportadoras de grãos – cancelou embarques para o parceiro asiático no dia 12 deste mês. 🌱 Isso representa entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas. No total, o Brasil deve exportar cerca de 112 milhões de toneladas no ano. Principal destino da soja brasileira, a China responde por cerca de 80% das exportações do produto. Na semana passada, Fávaro disse em coletiva de imprensa que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas que a preocupação dos chineses é legítima. Na ocasião, ele afirmou ainda que iria propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja. Apesar de o caso ter ganhado repercussão nos últimos dias, a situação não é nova, afirma Raphael Bulascoschi, analista do mercado de soja da StoneX Brasil. "O problema começou no final do ano passado, quando o GACC, órgão responsável pela fiscalização na China, informou ao governo brasileiro que carregamentos estavam chegando com excesso de sementes proibidas e materiais estranhos", diz Bulascoschi. "Recentemente, a China voltou a cobrar o Ministério da Agricultura de forma mais dura, o que levou o governo a adotar uma 'postura de tolerância zero' para evitar tensões diplomáticas e a emitir certificados fitossanitários com mais rigor", acrescenta. Na prática, diz ele, o Ministério passou a fazer inspeções mais frequentes e deixou de emitir certificados para carregamentos que não cumprem as exigências. "Sem esse certificado, as empresas ficam impedidas de entregar a carga na China e de receber o pagamento", explica. China flexibiliza regra sobre ervas daninhas na soja brasileira Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil

O governo federal lança, nesta segunda-feira (23), um catálogo inédito da Base Industrial de Defesa (BID) com o objetivo de ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional. A iniciativa, apresentada pelo ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, reúne informações estratégicas sobre produtos e fabricantes nacionais e busca facilitar a conexão com investidores, delegações estrangeiras e compradores do setor, em meio ao crescimento das exportações militares do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém, tem feito críticas recorrentes ao aumento dos gastos globais com a indústria bélica. Em discursos recentes em fóruns internacionais, Lula afirmou que o mundo “investe mais em guerra do que em paz” e defendeu o redirecionamento de recursos militares para áreas como combate à fome, redução das desigualdades e enfrentamento das mudanças climáticas. LEIA TAMBÉM: Lula critica investimento em guerras em detrimento ao combate à fome na abertura do G20 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O lançamento do projeto do governo ocorre em um momento de expansão das exportações brasileiras de produtos de defesa. Nos últimos anos, o setor mais que dobrou o volume de vendas externas, com o Brasil passando a fornecer equipamentos militares para cerca de 140 países, incluindo mercados na Europa e no Oriente Médio. Em 2025, a indústria bateu o recorde de 3,4 bilhões em exportações. Ao todo, a publicação reúne 154 empresas e 364 produtos, destacando a diversidade da produção nacional, que inclui embarcações, blindados e aeronaves. Disponível em português e inglês, o catálogo reúne empresas e produtos estratégicos para a projeção global do setor. O material é voltado a autoridades civis e militares, investidores, compradores e delegações estrangeiras. Esse avanço acompanha uma tendência global de aumento dos gastos militares, impulsionada por conflitos recentes. Nesse cenário, países buscam diversificar fornecedores e ampliar parcerias estratégicas — o que abre espaço para a indústria brasileira disputar novos contratos.
Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky, bilionário dono do OnlyFans
Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky,dono do OnlyFans Morreu nesta segunda-feira (23), o criador do OnlyFans, Leonid Radvinsky, aos 43 anos. A informação foi dada pela empresa, que tem sede em Londres. “Estamos profundamente tristes em anunciar a morte de Leo Radvinsky. Leo faleceu em paz após uma longa batalha contra o câncer”, disse a empresa em comunicado. “A família pediu privacidade neste momento difícil.” Nascido na cidade de Odesa, na Ucrânia, Radvinsky era proprietário do OnlyFans, plataforma fundada em 2016 que, originalmente, funcionava como uma rede social em que criadores podiam cobrar pelo acesso a qualquer tipo de post — de cursos a performances artísticas. Apesar disso, o site estourou mesmo em meados de 2020, com a compra e venda de conteúdo erótico. Discreto nas redes sociais e avesso à entrevistas, Radvinsky morava na Flórida, nos EUA. Uma biografia de um site atribuído ao bilionário, afirmava que ele passou "as últimas duas décadas construindo empresas de software e contribuindo para o movimento de código aberto". Junto com sua família, Radvinsky se mudou para os EUA ainda criança. Leonid Radvinsky em foto publicada no LinkedIn Reprodução LinkedIn Segundo a BBC, Radvinsky doou mais de US$ 1,3 milhão -- R$ 6,7 milhões -- em criptomoedas para seu país de origem, que foi invadido pela Rússia no início de 2022. Além do OnlyFans, Leonid também era dono da Leo, um fundo de capital de risco fundado em 2009, que foca no investimento em empresas de tecnologia. Na lista dos bilionários da Forbes, publicada no início de março, Radvinsky ocupava a 870ª posição do ranking que reúne os mais ricos do muo, seu patrimônio era de US$ 4,7 bilhões -- aproximadamente R$ 24,8 bilhões de reais. A morte do bilionário gera dúvidas sobre quem assumirá o comando do OnlyFans. Não há informações públicas sobre se Leonid tinha filhos, e a empresa também não divulgou quem deverá assumir seu lugar na gestão ou no controle do negócio. Em janeiro deste ano, a Reuters noticiou que Radvinsky estava em negociações para vender sua participação majoritária para uma empresa de investimentos chamada Architect Capital por cerca de US$ 5,5 bilhões -- cerca de R$ 29,2 bilhões. Mas as conversas ainda estavam em estágio inicial. Logo do OnlyFans é visto em computador. Plataforma é conhecida por conteúdo erótico Andrew Kelly/Reuters Além da carreria em computação, a biografia de Radvinsky no site afirma queo bilionário doava "muito tempo, esforço e dinheiro para causas sem fins lucrativos, como iniciativas de código aberto e instituições de caridade tradicionais". Entusiasta de assuntos ligados a helicóptero, Radvinsky se considerava como um "aspirante a piloto com cerca de 95 horas de voo, principalmente em um Bell 206B-3 JetRanger". 'Acham que sou louco': brasileiros contam por que escanearam íris em troca de criptomoedas O começo e o OnlyFans O negócio de Radvinsky começou quando ele ainda era estudante de economia da Northwestern University e fundou, no fim dos anos 1990, uma empresa chamada Cybertania. Segundo a Forbes, ele comandava sites que disponibilizavam senhas hackeadas. Em 2018, o ucraniano comprou uma participação na OnlyFans, fundado em 2016, e então pertencente à família Stokely, do Reino Unido. Abaixo, reveja reportagem do g1, publicada em fevereiro de 2022, sobre ex-BBBs que possuem perfil no OnlyFans: Semana Pop mostra quais ex-BBBs contam com perfil na plataforma OnlyFans

Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky,dono do OnlyFans Morreu nesta segunda-feira (23) o bilionário ucraniano-americano Leonid Radvinsky, dono do OnlyFans, aos 43 anos. A informação foi confirmada pela empresa à Bloomberg. Nascido em 1982 em Odessa, na Ucrânia — então parte da União Soviética —, ele se mudou com a família para os Estados Unidos ainda criança. LEIA TAMBÉM: Da infância na Ucrânia até a lista da Forbes: quem foi Leonid Radvinsky, bilionário dono do OnlyFans “Estamos profundamente tristes em anunciar a morte de Leo Radvinsky. Leo faleceu em paz após uma longa batalha contra o câncer”, disse a empresa em comunicado. “A família pediu privacidade neste momento difícil.” Radvinsky era dono da plataforma desde 2018, quando adquiriu uma participação majoritária na empresa. Leonid Radvinsky em foto publicada no LinkedIn. Reprodução Sob o comando de Radvinsky, a plataforma se tornou um fenômeno cultural ao permitir que criadores de conteúdo cobrassem diretamente por suas produções. O OnlyFans foi fundado em 2016 e ganhou fama por hospedar conteúdos considerados inadequados na maioria das redes sociais, crescendo rapidamente durante a pandemia. De acordo com a Bloomberg, Radvinsky negociava a venda de uma participação na empresa, mas as conversas ainda estavam em estágio inicial. Discreto nas redes sociais e avesso a entrevistas, Radvinsky morava na Flórida, nos Estados Unidos, e acumulava uma fortuna de US$ 4,7 bilhões, segundo a Forbes no ranking de bilionários de 2025. Ele ocupava a 870ª posição entre os mais ricos do mundo. Radvinsky iniciou sua trajetória nos negócios ainda como estudante de economia na Northwestern University, nos EUA, quando fundou, no fim dos anos 1990, uma empresa chamada Cybertania. Segundo a Forbes, ele administrava sites que disponibilizavam senhas obtidas por meio de invasões. Em 2018, o ucraniano comprou uma participação no OnlyFans, fundado em 2016 e então pertencente à família Stokely, do Reino Unido. Semana Pop mostra quais ex-BBBs contam com perfil na plataforma OnlyFans

Imposto de Renda 2026: prazo começa nesta segunda; veja mudanças e quem precisa declarar A Receita Federal recebeu até as 9h desta segunda-feira (23) quase 136 mil de declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, ano-base 2025. 💻 O prazo de envio começou nesta segunda-feira às 8h, e se estende até 29 de maio. Quem não entregar dentro do prazo fixado está sujeito a uma multa mínima de R$ 165,74 e valor máximo correspondente a 20% do imposto sobre a renda devido. Entregas do IR em 2026 Reprodução do site da Receita Federal O programa do Imposto de Renda foi liberado para "download" na quinta da semana passada (19), mas a entrega das declarações só teve início às 8h de hoje. O programa está disponível no próprio site da Receita Federal (clique aqui para acessar). O Fisco espera receber 44 milhões de declarações do Imposto de Renda deste ano. ➡️Quem envia a declaração mais cedo recebe a restituição primeiro. Por outro lado, se houver erros ou omissões na entrega, o contribuinte perde a posição na fila — na prática, vai para o fim do calendário de restituições. Imposto de renda: prazo começa dia 23 de março de 2026. Joédson Alves/Agência Brasil LEIA TAMBÉM: Prazo começa em 23 de março e se estende até 29 de maio Saiba quais são os limites para as deduções Declaração pré-preenchida estará disponível a partir do início do prazo Prioridades Vale lembrar que a Receita Federal prioriza a data de entrega das declarações e também observa uma fila para alguns grupos, que recebem a restituição antes de todo o resto (mesmo que tenham entregado a declaração nos últimos dias do prazo). Têm prioridade na restituição do Imposto de Renda, nesta ordem: idosos acima de 80 anos; idosos entre 60 e 79 anos; contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave; contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério; as restituições de contribuintes que, conjuntamente, utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição por meio do sistema de pagamento PIX; as restituições de contribuintes que, exclusivamente, utilizarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição por meio do sistema de pagamento PIX. Lotes de restituição Neste ano, as restituições serão pagas em quatro lotes. Em 2025, foram cinco lotes de restituição do Imposto de Renda. 🗓️Veja o calendário de restituições do IR em 2026: 1º lote: 29 de maio; 2º lote: 30 de junho; 3º lote: 31 de julho; 4º lote: 28 de agosto.

Escritório do BTG Pactual, em São Paulo BTG/Divulgação O BTG Pactual informou nesta segunda-feira (23) que iniciou o restabelecimento do serviço de PIX pela manhã, após a suspensão decorrente de um ataque hacker que desviou cerca de R$ 100 milhões da instituição no domingo (22). O roubo teria acontecido por meio de uma falha relacionada as operações por PIX. Interlocutores dizem que a maior parte dos recursos já foi recuperada, restando entre R$ 20 milhões a R$ 40 milhões a serem buscados. Os sistemas do Banco Central e do Pix não foram atacados, mas houve um “problema localizado” na instituição financeira – que foi identificado pela área técnica da autoridade monetária. Após o Banco Central identificar atividades atípicas nas contas da instituição, o BTG suspendeu todas as operações relacionadas ao PIX. De acordo com o banco, a invasão não conseguiu acesso as contas dos clientes e nenhum recurso foi extraído delas. Em nota, o banco confirmou o ataque e que medidas foram tomadas para diminuir o impacto. Além disso, informou que está "disponível" para tirar dúvidas dos clientes. Nota do BTG O BTG Pactual informa que iniciou o restabelecimento do serviço de PIX na manhã desta segunda-feira (23/03) após suspensão do serviço por medida preventiva no domingo (22/03). A paralisação ocorreu após identificação de atividades atípicas que acionaram os sistemas de segurança na manhã do domingo. O BTG Pactual esclarece que não houve acesso a contas de clientes nem exposição de dados de correntistas. O banco reforça, ainda, que a segurança das informações é prioridade e permanece disponível em caso de dúvidas em seus canais de atendimento.
Dólar opera em queda e vai a R$ 5,21, com foco em petróleo e falas de Trump sobre Irã; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar opera em queda de 1,53% nesta segunda-feira (23), cotado a R$ 5,2271 perto das 15h. Na mínima do dia, chegou a R$ 5,2146. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha alta de 3,29% no mesmo horário, aos 182.020 pontos. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Os preços do petróleo voltaram a ficar no centro das atenções nesta segunda-feira (23), após o presidente americano, Donald Trump, dizer que houve conversas produtivas entre os Estados Unidos e o Irã e que eventuais ataques a instalações energéticas iranianas seriam adiados. 🔎 Com isso, os preços da commodity passaram a operar em forte queda. Após ter alcançado os US$ 113 por barril, o petróleo tipo Brent (referência internacional) registrava queda de 9,77% perto das 15h, cotado a US$ 101,23 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, tinha um recuo de 8,95% no mesmo horário, cotado a US$ 89,44 o barril. ▶️ A sinalização de avanço no diálogo entre Washington e Teerã também teve reflexo nos mercados acionários. Nos EUA, os principais índices de Wall Street tinham alta de mais de 1,4% perto das 15h. ▶️ Em meio a um cenário de combustíveis mais caros, levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que o preço do diesel aumentou 20,6% na segunda semana de março em comparação com o período de 22 a 28 de fevereiro, alcançando R$ 7,65 por litro. ▶️ No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou na sexta-feira que a Petrobras pode recomprar a Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), situada na Bahia. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,11%; Acumulado do mês: +3,40%; Acumulado do ano: -3,28%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,81%; Acumulado do mês: -6,66%; Acumulado do ano: +9,37%. Trump anuncia trégua no Irã O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta manhã que determinou uma pausa de cinco dias em possíveis ataques contra instalações de energia do Irã. O anúncio foi feito em uma publicação na rede Truth Social, na qual ele disse que representantes dos dois países tiveram conversas recentes que classificou como produtivas. De acordo com Trump, os contatos ocorreram ao longo do fim de semana e trataram da possibilidade de encerrar o conflito no Oriente Médio. Diante do teor dessas conversas, ele afirmou ter orientado o Departamento de Guerra a adiar qualquer ataque contra usinas de energia e outras estruturas do setor no Irã durante esse período, enquanto as discussões continuam. A versão apresentada pelos Estados Unidos, porém, foi contestada por veículos de comunicação ligados ao governo iraniano. A agência Fars, associada à Guarda Revolucionária do Irã, informou nesta segunda-feira (23) que não há negociações em andamento entre autoridades de Teerã e de Washington. Citando fontes do governo iraniano, a agência também afirmou que Trump teria recuado após ameaças do Irã de atingir instalações de energia na região do Golfo. A agência Tasnim, também estatal, divulgou posição semelhante. Segundo o veículo, não houve nem haverá negociações entre os dois países. A publicação afirma que declarações desse tipo fariam parte de uma tentativa de pressão política e que, com esse cenário, o Estreito de Ormuz não voltaria às condições anteriores à guerra, nem haveria estabilidade nos mercados de energia. Já a agência Mehr informou que o ministro das Relações Exteriores do Irã avalia que a declaração de Trump teria como objetivo pressionar os preços do petróleo e do gás para baixo, após a alta registrada desde o início do conflito. O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre os dois países. No domingo, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou fechar completamente o Estreito de Ormuz e atacar usinas de energia em Israel, além de instalações que abastecem bases militares americanas na região do Golfo. A ameaça foi uma resposta a declarações feitas por Trump no sábado (21). Na ocasião, o presidente americano afirmou que poderia “obliterar” usinas de energia do Irã caso o país não reabrisse totalmente o Estreito de Ormuz em até 48 horas. O prazo terminaria por volta das 19h44 desta segunda-feira, no horário de Brasília. Um ataque a instalações de energia do Irã ampliaria o conflito entre os dois países, que já dura mais de três semanas. Mercados globais Os mercados reagiram com força nesta segunda-feira após as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã. O movimento foi sentido tanto nas bolsas americanas quanto no mercado de petróleo. Perto das 14h, os três principais índices de Wall Street operavam em alta: o Dow Jones subia 1,45%, enquanto o S&P 500 avançava 1,18% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 1,29%. Na Europa, o índice francês CAC 40 avançava 0,49%, enquanto o alemão DAX subia 1,22%. Já o britânico FTSE 100 tinha queda de 0,24%. Nos mercados asiáticos, que já encerraram as negociações desta segunda-feira, o dia foi marcado por quedas generalizadas nas bolsas. Na China, o índice de Xangai caiu 3,63%, registrando o pior desempenho desde abril de 2025. Já o CSI300 — que reúne algumas das maiores empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen — recuou 3,26%, alcançando o menor nível de fechamento em seis meses. Em Hong Kong, o índice Hang Seng também teve forte baixa, de 3,54%, no pior resultado em quase um ano. No Japão, o índice Nikkei caiu 3,48%, encerrando o pregão aos 51.515 pontos. Já na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou 6,49%, fechando aos 5.405 pontos. Em Taiwan, o índice Taiex registrou queda de 2,45%, terminando o dia aos 32.722 pontos. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Murad Sezer/ Reuters

Líderes da União Europeia e do Mercosul celebram em Assunção a assinatura do acordo de livre comércio que encerra mais de 25 anos de negociações. REUTERS/Cesar Olmedo O acordo de livre comércio da União Europeia (UE) com o Mercosul entrará em vigor em caráter provisório a partir de 1º de maio, informou a Comissão Europeia nesta segunda-feira (23). Com o envio do documento ao Paraguai — responsável legal pelos tratados do Mercosul —, a Comissão concluiu o último passo para a entrada em vigor do tratado enquanto os trâmites formais seguem em andamento. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A expectativa é que o pacto bilateral passe a ser aplicado provisoriamente entre a União Europeia e os países do Mercosul que já concluíram seus processos internos. Argentina, Brasil e Uruguai já finalizaram essa etapa, enquanto o Paraguai deve formalizar a notificação em breve. Por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo com o Mercosul 🔍 Assinado em 17 de janeiro após mais de 25 anos de negociações, o acordo UE-Mercosul prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e gera impactos que vão além do agronegócio, alcançando também diversos segmentos da indústria brasileira. Segundo o comissário de Comércio da União Europeia, Maroš Šefčovič, o acordo representa um passo importante para dar mais credibilidade ao bloco como parceiro comercial. “A prioridade agora é transformar esse acordo em resultados concretos e oferecer aos exportadores europeus as condições para aproveitar novas oportunidades de comércio, crescimento e emprego”, afirmou. Ele acrescentou que a aplicação provisória permitirá que os benefícios comecem a ser sentidos enquanto os trâmites formais seguem em andamento. “Isso vai nos permitir começar a cumprir essa promessa e fortalecer nossa posição no comércio global”, completou. O acordo de livre comércio foi promulgado pelo Congresso Nacional neste mês, sendo aprovado no Senado Federal em 4 de março após processo de votação no parlamento brasileiro iniciado na Câmara dos Deputados. Na mesma data da votação no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de "salvaguardas bilaterais", mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária. A medida foi uma resposta a regulamentação de salvaguardas feita pelo Parlamento Europeu após a assinatura do acordo. No caso brasileiro, no entanto, as regras valem para tratados comerciais no geral e não apenas para a relação bom a União Europeia. Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul. Arte/g1 Acordo enfrenta resistências Apesar de a maioria dos Estados-membros da UE ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola. Depois de o bloco europeu ter confirmado a aprovação do tratado entre os Estados-membros, a ministra da agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário do país seja colocado em risco pelo acordo comercial. Genevard citou como exemplo a recente suspensão, por um ano, da importação para a França de alguns produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na União Europeia, principalmente de origem sul-americana. Países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos. Já a França — que garantiu apoio de alguns países, como Polônia, Irlanda e Áustria — se opõe, principalmente por temer prejuízos ao setor agrícola diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. Agricultores e ambientalistas também criticam o acordo. O presidente da França, Emmanuel Macron, também criticou a decisão da União Europeia de acelerar a aplicação provisória do acordo comercial, classificando a medida como uma “má surpresa”. Em janeiro deste ano, o Parlamento Europeu decidiu enviar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia. A decisão pode atrasar a entrada em vigor do tratado de forma oficial por vários meses. A Corte vai verificar se o texto está de acordo com as regras do bloco europeu. Se houver problemas, o acordo terá que ser revisado, o que pode gerar novos atrasos. Caso contrário, o texto segue para votação final no Parlamento. Implicância ou realidade: entenda por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo com o Mercosul

Os economistas do mercado financeiro passaram a esperar uma alta maior da inflação neste ano e, também, uma redução menor da taxa básica de juros pelo Banco Central em 2026. As expectativas fazem parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (23) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera nesta segunda acima de US$ 100 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). Como consequência, a expectativa é de que o BC reduza menos os juros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Inflação em alta De acordo com a pesquisa do BC, o mercado passou a projetar que a inflação oficial, medida pelo IPCA, some 4,17% neste ano, contra a projeção anterior de 4,10%. Foi o segundo aumento seguido na estimativa. Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 3,80%. ➡️ Para 2028, a previsão subiu de 3,50% para 3,52%. ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte menor dos juros Diante da alta das pressões inflacionárias decorrentes do conflito, o mercado financeiro também passou a estimar uma redução menor da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano — após o primeiro corte em quase dois anos (autorizado na semana passada pelo BC). Para o fim de 2026, a estimativa do mercado para a taxa Selic subiu de 12,25% para 12,50% ao ano na última semana, embutindo uma redução menor no decorrer de 2026. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado de crescimento permaneceu subiu de 1,83% para 1,84%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do IBGE. ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%. Puxada pelo controle da energia elétrica e combustíveis, inflação de Rio Branco fecha 2025 abaixo da média nacional Reprodução Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio, ao fim deste ano, estável em R$ 5,40. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,47 para R$ 5,45.

Grupo Oncoclínicas Divulgação O Fleury grupo de medicina diagnóstica conhecido por exames laboratoriais e de imagem, anunciou nesta segunda-feira (23) um aditivo para aderir a um acordo preliminar (term sheet) que envolve a Oncoclínicas, especializada no tratamento de câncer, e a Porto Seguro, que atua principalmente com seguros, planos de saúde e serviços financeiros. A ideia é criar uma nova empresa que reuniria clínicas de oncologia que hoje pertencem à Oncoclínicas. Essa nova companhia também poderia ficar com parte das dívidas da empresa, até um limite de R$ 2,5 bilhões. Para tirar o plano do papel, Fleury e Porto pretendem investir juntos R$ 500 milhões e ficariam no controle do novo negócio. Os detalhes de como essa divisão funcionaria ainda não foram definidos. Em comunicado ao mercado, o grupo Fleury afirmou que o projeto também inclui uma espécie de “empréstimo” que pode virar participação na empresa no futuro. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Esse valor também seria de R$ 500 milhões, com prazo de até quatro anos e rendimento atrelado ao CDI (uma taxa básica de juros do mercado). Por enquanto, tudo ainda está em fase inicial. As empresas têm um prazo de 30 dias para negociar os termos finais. Além disso, o negócio ainda depende de análises internas, auditorias e aprovação de órgãos reguladores. O Fleury destacou que nada foi fechado até agora. Dívidas e negociação com a Porto A negociação entre as gigantes do setor de saúde amplia tratativas já iniciadas no começo do mês. Em 13 de março, a Oncoclínicas e a Porto Seguro firmaram um acordo preliminar para criar uma nova empresa que reuniria as clínicas de oncologia do grupo. Pelo plano inicial, a Porto investiria R$ 500 milhões e assumiria poder de decisão, com pelo menos 30% de participação. O acordo poderia chegar a R$ 1 bilhão. Com mais de 140 unidades no país, entre clínicas e laboratórios, a Oncoclínicas enfrenta dificuldades financeiras, com dívidas superiores a R$ 4 bilhões. Nos últimos 12 meses, as ações da companhia, negociadas na B3 sob o código ONCO3, acumulam queda de 71,21%. Atualmente, o valor de mercado gira em torno de R$ 2,1 bilhões. A deterioração do cenário ganhou força após a crise do Banco Master, um dos principais acionistas da empresa. A proposta em discussão é que, com a criação de uma nova subsidiária, a Oncoclínicas consiga renegociar suas dívidas, oferecendo aos credores a possibilidade de converter os valores devidos em participação no novo negócio.

pessoa mexendo no celular mão RPC A Claro anunciou que vai adquirir 73% da Desktop, operadora brasileira de internet, por R$ 2,4 bilhões. As informações foram divulgadas no domingo (22), em comunicado ao mercado. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para ser concluída. Segundo o documento, o preço de R$ 2,4 bilhões foi calculado a partir da avaliação total da Desktop, estimada em R$ 4 bilhões, descontada a dívida da empresa, de cerca de R$ 1,6 bilhão — ou seja, o valor final reflete o total da empresa menos suas obrigações financeiras. Com isso, a Claro deve pagar aproximadamente R$ 20,82 por ação — valor 44,5% superior ao preço de fechamento da Desktop na sexta-feira (20), de R$ 14,40. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda segundo o documento, a expectativa é que a Claro lance uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar as ações restantes da Desktop por um valor igual ou superior a R$ 20,82. Esse tipo de oferta é comum em casos de mudança no controle societário de uma companhia. A Claro pertence à mexicana América Móvil, controlada pela família do bilionário mexicano Carlos Slim.

Trump dá ultimato para o regime dos aiatolás reabrir o estreito de Ormuz. Os preços do petróleo inverteram o sinal positivo visto pela manhã e passaram a operar em forte queda nesta segunda-feira (23), após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente americano anunciou uma trégua de cinco dias com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que representantes dos dois países tiveram "conversas muito boas e produtivas" no fim de semana e que ordenou o adiamento de qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas a agência iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, afirmou que não há conversas em andamento entre autoridades de Teerã e dos Estados Unidos. Perto das 15h (horário de Brasília), o barril do Brent, referência global, caía 9,77%, a US$ 101,23. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 8,95%, a US$ 89,44. As bolsas de Seul e Tóquio fecharam a segunda-feira em forte queda: o índice Nikkei, de Tóquio, caiu 3,47%, enquanto o Kospi, de Seul, recuou 6,5%, pressionado pelas importações de petróleo. Hong Kong caiu 3,5%, Xangai perdeu 3,6% e Sydney recuou 0,7%. Na Europa, as bolsas abriram em queda, mas a maioria dos índices virou o sinal após a notícia. Perto das 15h, Paris subia 0,79%, Madri tinha alta de 1,04% e Frankfurt de 1,22%. Já Londres caía 0,24%. Haverá uma pausa? O conflito no Oriente Médio, iniciado após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, provocou forte oscilação nos mercados globais, especialmente no petróleo após o conflito se espalhar por mais países. Em uma demonstração que a guerra já possui várias frentes, enquanto Trump anunciou uma pausa, o Exército de Israel informou que realizou uma série de "ataques a alvos do regime iraniano no coração de Teerã", em comunicado divulgado nas redes sociais às 8h59 (horário de Brasília). Em seguida, a agência iraniana Tasnim, citando uma fonte oficial sob anonimato, afirmou que o Estreito de Ormuz não voltará às condições anteriores ao conflito e que os mercados de energia devem seguir instáveis. No fim de semana, inclusive, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou fechar "completamente" o Estreito de Ormuz e atacar usinas de energia de Israel e instalações que abastecem bases americanas na região do Golfo. A ameaça foi uma resposta a Trump, que no sábado (21) disse que poderia “obliterar” usinas de energia do Irã caso Teerã não reabrisse totalmente o Estreito de Ormuz em até 48 horas. O prazo terminaria por volta das 19h44 (horário de Brasília) desta segunda-feira. "Se o Irã não ABRIR TOTALMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 horas a partir deste momento exato, os Estados Unidos atacarão e aniquilarão suas numerosas USINAS DE ENERGIA", ameaçou Trump em uma mensagem na rede Truth Social, indicando que atacará primeiro a maior delas. Um ataque às instalações energéticas iranianas seria considerado uma escalada significativa na guerra que os dois países travam há mais de três semanas. Acompanhe a cobertura do conflito. Trump anuncia trégua de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã, que nega diálogo Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters

Finnair encomendou até 46 aeronaves E195-E2 Divulgação/Embraer A Embraer anunciou nesta segunda-feira (23) um acordo para a venda de até 46 aeronaves do modelo E195-E2 à companhia aérea finlandesa Finnair. Segundo a fabricante brasileira, este é um dos maiores investimentos da empresa europeia em mais de duas décadas. O valor do negócio não foi divulgado. Do total previsto, são 18 pedidos firmes, além de 16 opções de compra e 12 direitos de aquisição futura. As entregas dos jatos estão previstas para começar no segundo semestre de 2027. A encomenda será incluída na carteira de pedidos da Embraer referente ao primeiro trimestre de 2026. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp De acordo com a Finnair, as novas aeronaves vão substituir modelos mais antigos da frota e fazem parte da estratégia da companhia para ampliar operações com maior eficiência e menor impacto ambiental. O E195-E2 é considerado um dos jatos de corredor único mais eficientes da categoria, com consumo de combustível até 35% menor em relação à geração anterior, além de menor emissão de dióxido de carbono (CO₂). A Finnair opera voos de passageiros e cargas com rotas na Ásia, América do Norte e Europa. Segundo a agência Reuters, a empresa também avalia a aquisição de até 12 aeronaves Airbus A320 ou A321 no mercado de usados. Embraer registra mais de R$ 40 bilhões de receita em 2025, maior número da história Embraer anuncia acordo para instalar linha de montagem final de jato na Índia Embraer teve em 2025 maior receita anual da história da empresa Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Veja se você tem direito a receber os valores esquecidos no PIS/Pasep Marcello Casal Jr/Agência Brasil Se você trabalhou com carteira assinada ou foi servidor público entre 1971 e 1988, vale a pena fazer uma checagem rápida: pode haver dinheiro esquecido no antigo fundo PIS/Pasep no seu nome. A consulta é gratuita, simples e leva poucos minutos — dá para fazer tudo pela internet. Um novo grupo poderá sacar o benefício a partir desta quarta-feira (25), com pagamentos iniciais para quem pediu até 28 de fevereiro. Quem solicitar até segunda-feira (31) recebe em 27 de abril; há outras datas ao longo do ano. Segundo o governo, o saldo médio disponível é de cerca de R$ 2,8 mil por pessoa, mas o valor varia de acordo com o tempo de trabalho e o salário da época. 🗓️ É importante ficar atento ao prazo: quem não pedir o ressarcimento até setembro de 2028 perderá o direito ao saque, e os recursos serão incorporados ao Tesouro Nacional. Para saber se há valores a receber, o trabalhador pode acessar o site Repis Cidadão, lançado recentemente pelo Ministério da Fazenda, ou usar o aplicativo do FGTS. Na própria plataforma Repis Cidadão, também é possível conferir o passo a passo para sacar o dinheiro, incluindo orientações para herdeiros, em caso de falecimento do titular. Para entrar no sistema, é preciso ter uma conta gov.br com nível prata ou ouro. A seguir, o g1 explica como fazer a consulta e tira as principais dúvidas sobre o tema. Como consultar se tenho dinheiro esquecido? Como pedir o ressarcimento dos valores? Quando vou receber? O que é o antigo PIS/Pasep? 1. Como consultar se tenho dinheiro esquecido? REPIS Cidadão, site lançado pelo Ministério da Fazenda para facilitar consulta e saque do antigo PIS/Pasep Reprodução Acesse o site http://repiscidadao.fazenda.gov.br/; Clique em "entrar com gov.br". Se você não tiver uma conta no sistema do governo federal, veja aqui como fazer; Faça login com seu CPF e senha, e clique em "autorizar"; Informe o NIS (Número de Identificação Social) do beneficiário. Ele pode ser encontrado na carteira de trabalho, no extrato do FGTS, no site Meu INSS e no CadÚnico, entre outras opções; Clique em "pesquisar". E, se você tiver valores a receber, o site vai orientá-lo sobre as próximas etapas. Volte ao início. 2. Como pedir o ressarcimento? A plataforma Repis Cidadão também ensina o procedimento para retirar o dinheiro, inclusive com orientações específicas para herdeiros, no caso de falecimento do beneficiário. Para acessá-la, é necessário ter conta gov.br nos níveis prata ou ouro. O trabalhador pode protocolar o pedido de ressarcimento em uma agência da Caixa Econômica Federal ou fazer a solicitação pelo aplicativo do FGTS. Ele vai precisar fazer login no app, acessar a opção "mais", "ressarcimento PIS/Pasep" e seguir as orientações para anexar os documentos exigidos. Se o pedido for feito pelo próprio beneficiário, basta que ele tenha em mãos um documento de identidade oficial. Já no caso de herdeiros, será necessário apresentar: Certidão PIS/Pasep/FGTS emitida pela Previdência Social com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte; ou Declaração de dependentes habilitados à pensão emitida pelo órgão pagador do benefício; ou Autorização judicial ou escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, se capazes e concordantes, atestando por escrito a autorização do saque e declarando não haver outros dependentes ou sucessores conhecidos. Volte ao início. 3. Quando vou receber? Após a solicitação, a Caixa vai analisar o pedido e enviar as informações ao Ministério da Fazenda. O pagamento será realizado diretamente na conta bancária do interessado na Caixa ou por meio de conta poupança social digital, de acordo com o calendário a seguir. Volte ao início. 4. O que é o antigo PIS/Pasep? O Programa de Integração Social (PIS) foi criado em 1970 para incrementar a poupança individual dos trabalhadores do setor privado. Logo depois, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) foi lançado para servidores públicos civis e militares, inspirado no mesmo princípio. Em 1975, os recursos dos dois programas foram transferidos para um único fundo: o Fundo PIS-Pasep, que parou de funcionar 1988, quando foi substituído pelo abono salarial atual. Em 2020, as cotas do fundo que não haviam sido sacadas foram transferidas para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, três anos depois, para uma conta única do Tesouro Nacional. Desde então, a Caixa abriu para que os trabalhadores com dinheiro esquecido na conta peçam o ressarcimento dos valores. Volte ao início.

Prazo para declarar imposto de renda começa na próxima segunda (23) O prazo para entrega do Imposto de Renda 2026 começa nesta segunda-feira (23) e se estende até 29 de maio. O programa para declaração já está disponível para download. ⚠️ A entrega após o prazo legal terá multa mínima de R$ 165,74 e máxima de 20% do imposto devido. Entre as mudanças na declaração deste ano estão: a possibilidade de os contribuintes informarem o nome social na declaração; aumento das informações disponíveis na declaração pré-preenchida; redução no número de lotes de restituição, de cinco para quatro; um tipo de "cashback" para contribuintes que tiveram retenção na fonte em 2025, mas que não vão apresentar a declaração neste ano. (entenda mais abaixo) A expectativa da Receita é de que cerca de 44 milhões de declarações sejam entregues neste ano. Veja nesta reportagem perguntas e respostas sobre a declaração do Imposto de Renda 2026. Quem é obrigado a declarar? Como baixar o programa? Até quando vai o prazo de declaração do Imposto de Renda 2026? Quando vou poder fazer a declaração pré-preenchida? A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil já está valendo? Quando vou receber a restituição? Quem tem prioridade para receber a restituição? Quais os documentos necessários para fazer a declaração? O que é o 'cashback' anunciado pelo Fisco? Quais são os limites para dedução? 1. Quem é obrigado a declarar? São obrigadas a fazer a declaração do IR 2026: quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado; contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior; quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Imposto de Renda 2026: veja quem deve declarar Voltar ao índice. 2. Como baixar o programa? 🖥️ Pelo computador O contribuinte poderá baixar os programas do Windows, Multiplataforma (zip) e Outros (Mac, Linux, Solaris). O programa está disponível no próprio site da Receita Federal (clique aqui para acessar). Veja o passo a passo: Acesse o site da Receita Federal e clique na opção "Baixar programa" para baixar a versão para Windows ou escolher uma das demais opções; Depois que o computador fizer o download do programa de instalação, uma caixa de introdução será aberta. Nessa aba, a orientação da Receita é que você finalize todos os programas em execução antes de prosseguir. Feito isso, basta clicar em "Avançar"; Em seguida, selecione a pasta onde pretende instalar o programa no seu computador. Você também tem a opção de criar uma pasta própria para o download, se quiser. Depois, clique em "Avançar" novamente; Confirme as configurações para a pasta de destino. Para facilitar, selecione a opção de "criar atalho na área de trabalho" — dessa forma, um ícone para o programa será criado. Em seguida, clique em "Avançar"; Pronto! A Instalação está concluída. Agora, basta clicar em "Terminar". 📱Pelo celular Os contribuintes que preferirem fazer a declaração por dispositivos móveis precisarão baixar o aplicativo da Receita Federal. ▶️ ATENÇÃO: Essa opção não pode ser usada, entre outros, por contribuintes que tenham recebido rendimento: de rendimentos tributáveis recebidos do exterior; que tenham ganhos de capital na alienação de bens ou direitos; que tenham ganhos de capital na alienação de bens ou direitos adquiridos em moeda estrangeira; que tenham ganhos de capital na alienação de moeda estrangeira em espécie; entre outros. Para ver todos os limites da declaração online e por aplicativo, clique aqui. Voltar ao índice. Imposto de renda Marcos Serra/g1 3. Até quando vai o prazo de declaração do Imposto de Renda 2026? O prazo para entrega da declaração vai de 23 de março a 29 de maio. Quem não entregar a declaração dentro do prazo fixado está sujeito a uma multa, que varia de um valor mínimo de R$ 165,74 até um montante máximo, que corresponde a 20% do imposto devido. Voltar ao índice. 4. Quando vou poder fazer a declaração pré-preenchida? De acordo com a Receita Federal, a declaração pré-preenchida estará disponível desde o primeiro dia do prazo de entrega. Ou seja, já nesta segunda-feira (23). 🔎 Na declaração pré-preenchida, a Receita Federal apresenta ao contribuinte informações sobre rendimentos, deduções, bens e direitos, além de dívidas e ônus reais — dados que são carregados automaticamente, sem necessidade de digitação. Neste ano, além das informações já disponibilizadas em anos anteriores, a declaração pré-preenchida também passará a informar: recuperação das informações de pagamento (DARFs); informações do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de renda variável (comum e day-trade); informações do eSocial – empregados domésticos; otimização na recuperação das informações dos dependentes (núcleo familiar). Para optar pela declaração pré-preenchida, o contribuinte precisa ter uma conta de nível prata ou ouro no gov.br. Voltar ao índice. 5. A isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil já está valendo? Não. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês foi aprovada pelo governo no final do ano passado. A medida também prevê um desconto progressivamente menor para rendas de até R$ 7.350 mensais. Apesar de entrar em vigor a partir de janeiro deste ano, as novas regras só serão declaradas no ano que vem. Isso porque a declaração deste ano se refere aos rendimentos recebidos em 2025. "Rendimentos que estão sendo recebidos neste ano vão estar sujeitos a ajustes, confirmação, na declaração do ano que vem. Na declaração deste ano, o contribuinte tem que considerar aquilo recebido no ano passado", explicou o supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca. SAIBA MAIS: ENTENDA: Isenção para quem ganha até R$ 5 mil só começa a valer na declaração de 2027 Isenção do IR: calcule quanto você deixará de pagar e como fica o imposto para a alta renda Voltar ao índice. 6. Quando vou receber a restituição? Diferentemente de anos anteriores, as restituições de 2026 serão pagas em quatro lotes. Segundo a Receita Federal, cerca de 80% dos pagamentos devem ser feitos nos dois primeiros lotes, ou seja, até o fim de junho. 🗓️ Veja o calendário de restituições do IR em 2026: 1º lote: 29 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 31 de julho 4º lote: 28 de agosto A Receita prioriza a data de entrega da declaração, mas também segue uma fila de prioridades para alguns grupos, que recebem a restituição antes dos demais — mesmo que tenham enviado o documento nos últimos dias do prazo. Quem envia a declaração mais cedo recebe a restituição primeiro. Por outro lado, se houver erros ou omissões, o contribuinte perde a posição na fila e vai para o fim do calendário de restituições. Voltar ao índice. 7. Quem tem prioridade para receber a restituição? A prioridade no recebimento das restituições do Imposto de Renda acontece na seguinte ordem: idosos acima de 80 anos; idosos entre 60 e 79 anos; contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave; contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério; contribuintes que adotarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição via PIX; contribuintes que adotarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição via PIX. Imposto de Renda 2026: duas primeiras restituições concentrarão 80% dos pagamentos Voltar ao índice. 8. Quais os documentos necessários para fazer a declaração? Você precisará ter em mãos informes de rendimentos da empresa em que trabalha, de instituições financeiras e de outras rendas recebidas no ano passado. Veja a lista de documentos necessários: Renda Informes de rendimentos de instituições financeiras, inclusive corretora de valores; Informes de rendimentos de salários, pró-labore, distribuição de lucros, aposentadoria, pensões etc.; Informes de rendimentos de aluguéis de bens móveis e imóveis recebidos de jurídicas etc.; Informações e documentos de outras rendas recebidas, tais como doações, heranças, dentre outras; Livro Caixa e DARFs de Carnê-Leão; Informes de rendimentos de participações de programas fiscais (Nota Fiscal Paulista, Nota Fiscal Paulistana, dentre outros). Bens e direitos Documentos que comprovem a compra e venda de bens e direitos ocorridas no ano-calendário; Cópia da matrícula do imóvel e/ou escritura de compra e venda; Boleto do IPTU; Documentos que comprovem a posição acionária de cada empresa, se houver. Dívidas e ônus Informações e documentos de dívida e ônus contraídos e/ou pagos no ano-calendário. Renda variável Controle de compra e venda de ações, inclusive com a apuração mensal de imposto (indispensável para o cálculo do Imposto de Renda sobre Renda Variável); DARFs de Renda Variável; Informes de rendimento auferido em renda variável. Pagamentos e deduções efetuadas Recibos de pagamentos de plano de saúde (com CNPJ da empresa emissora); Despesas médicas e odontológicas em geral (com CNPJ da empresa emissora); Comprovantes de despesas com educação (com CNPJ da empresa emissora, com a indicação do aluno); Comprovante de pagamento de previdência social e privada (com CNPJ da empresa emissora); Recibos de doações efetuadas; Recibos de empregada doméstica (apenas uma), contendo número NIT; Recibos de pagamentos efetuados a prestadores de serviços. Informações gerais Nome, CPF, grau de parentesco e data de nascimento dos dependentes; Endereços atualizados; Cópia completa da última Declaração de Imposto de Renda Pessoas Física entregue; Dados da conta para restituição ou débitos das cotas de imposto apurado, caso haja; Atividade profissional exercida atualmente. O contribuinte também pode precisar incluir informações complementares sobre alguns tipos de bens — como imóveis e veículos, por exemplo —, além de dados de conta-corrente e aplicações financeiras. Veja quais são essas informações: Imóveis: data de aquisição, área do imóvel, Inscrição municipal (IPTU), registro de inscrição no órgão público e registro no cartório de Imóveis; Veículo, aeronaves e embarcações: número do Renavam e/ou registro no correspondente órgão fiscalizador; Contas correntes e aplicações financeiras: CNPJ da instituição financeira. Voltar ao índice. 9. O que é o 'cashback' anunciado pela Receita? Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, haverá um tipo de "cashback" do Imposto de Renda 2026, voltado para contribuintes específicos. De acordo com o Fisco, esse valor será direcionado para quem: não precisa declarar neste ano de forma obrigatória (por estar fora da faixa de renda) e que, por isso, não enviará a declaração; teve alguma retenção na fonte em 2025; e que teria direito à restituição do IR. Sem o envio da declaração de ajuste no prazo legal, essas pessoas normalmente ficariam sem a restituição. Neste ano, porém, a Receita depositará os valores automaticamente, em um lote no mês de julho. Segundo a Receita, deverão ser alcançados cerca de 4 milhões de contribuintes. Imposto de Renda 2026: Receita terá 'cashback' na declaração para 4 milhões de contribuintes Voltar ao índice. 10. Quais são os limites para dedução? Segundo a Receita Federal, os contribuintes podem optar por dois modelos na entrega do documento: o simplificado ou o completo, que têm limites para dedução. Veja a seguir: Declaração simplificada A regra para fazer a declaração simplificada continua a mesma. Quem optar por ela terá um desconto "padrão" de 20% na renda tributável. Este abatimento substitui todas as deduções legais da declaração completa, entre elas aquelas de gastos com educação e saúde. No IR de 2026, esse desconto de 20% está limitado a R$ 16.754,34 – mesmo valor do ano passado. Declaração completa Quem teve gastos altos em 2025 com dependentes e saúde, por exemplo, pode optar por fazer a declaração completa do Imposto de Renda, pois esses gastos são dedutíveis. Veja os limites: Dependentes: o valor máximo é de R$ 2.275,08 por dependente, o mesmo do ano passado. Educação: nas despesas com educação (ensino infantil, fundamental, médio, técnico e superior, o que engloba graduação e pós-graduação), o limite de dedução permaneceu em R$ 3.561,50 por dependente. Despesas médicas: as deduções continuam sem limite, ou seja, o contribuinte pode declarar todo o valor gasto e deduzi-lo do Imposto de Renda. Imposto de Renda 2026: saiba quais são os limites para as deduções Voltar ao índice.

Escritório do BTG Pactual, em São Paulo BTG/Divulgação Um ataque hacker contra o banco BTG Pactual desviou cerca de R$ 100 milhões da instituição durante a manhã deste domingo (22). O roubo teria acontecido por meio de uma falha relacionada as operações por PIX. Interlocutores dizem que a maior parte dos recursos já foi recuperada, restando entre R$ 20 milhões a R$ 40 milhões a serem buscados. Os sistemas do Banco Central e do Pix não foram atacados, mas houve um “problema localizado” na instituição financeira – que foi identificado pela área técnica da autoridade monetária. Após o Banco Central identificar atividades atípicas nas contas da instituição, o BTG suspendeu todas as operações relacionadas ao PIX. De acordo com o banco, a invasão não conseguiu acesso as contas dos clientes e nenhum recurso foi extraído delas. Em nota, o banco confirmou o ataque e que medidas foram tomadas para diminuir o impacto. Além disso, informou que está "disponível" para tirar dúvidas dos clientes. Nota do BTG O BTG Pactual informa que identificou na manhã deste domingo (22/03) atividades atípicas relacionadas ao PIX. O banco esclarece que não houve acesso a contas de clientes e nenhum dado de correntista foi exposto. Enquanto investiga o caso, por medida de precaução, as operações por PIX estão suspensas. O BTG Pactual reforça, ainda, que a segurança das informações é prioridade e está disponível em caso de dúvidas em seus canais de atendimento.

Primeiro-ministro da China, Li Qiang, discursa em abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, na China, em 26 de julho de 2025. REUTERS/Xihao Jiang O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu no domingo (22) abrir ainda mais a economia do país para empresas estrangeiras e buscar um comércio mais equilibrado com seus parceiros, após um ano marcado por atritos comerciais e tarifas com os Estados Unidos e a União Europeia. A China importará mais produtos estrangeiros de alta qualidade e trabalhará com outros países para um comércio mais equilibrado e para ampliar sua participação no comércio global, disse Li no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, segundo a mídia estatal. O fórum anual, que dura dois dias e termina na segunda-feira, permite que Pequim apresente sua visão econômica e oportunidades de investimento a empresários estrangeiros, autoridades chinesas, economistas e acadêmicos. O evento ocorre após a segunda maior economia do mundo registrar um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025. Os desafios para Pequim são muitos, incluindo reduzir as preocupações de países e investidores sobre as práticas comerciais da China, a sobrecapacidade industrial e a dependência global de produtos chineses. Embora Li não tenha citado diretamente o superávit, suas declarações indicam que o tema preocupa o governo, já que pode afetar as relações internacionais em um momento de trégua temporária com os EUA no comércio. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, adiou uma viagem a Pequim para se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, devido à guerra no Irã, atrasando tentativas de reduzir as tensões entre as duas maiores economias do mundo. Em um discurso separado no fórum, o presidente do banco central da China, Pan Gongsheng, também tentou reduzir as preocupações sobre o superávit comercial. "Analisar os desequilíbrios econômicos globais requer olhar não apenas para o comércio de bens, mas também para os serviços, e não apenas para a conta corrente, mas também para a conta financeira", disse Pan, de acordo com uma transcrição de seu discurso publicada pelo Banco Popular da China, acrescentando que a China é o país com o maior superávit de bens, mas também com o maior déficit de serviços. Segundo Pan, a China não tem necessidade nem intenção de ganhar vantagem competitiva por meio da desvalorização da moeda. Incentivo ao investimento estrangeiro A China tenta reverter a queda no investimento estrangeiro direto, que recuou 5,7% em relação ao ano anterior, para pouco mais de 92 bilhões de iuanes (US$ 13,36 bilhões) em janeiro, após cair 9,5% ao longo de 2025. Em dezembro, a China incluiu 200 setores em uma lista elegível para incentivos ao investimento estrangeiro, que vão de isenções fiscais ao uso preferencial de terrenos, com foco em manufatura avançada, serviços modernos e setores verdes e de alta tecnologia. Li afirmou que empresas estrangeiras serão tratadas da mesma forma que as nacionais, permitindo que companhias de todos os países atuem com mais confiança e desenvolvam seus negócios na China. Em uma reunião separada, o ministro do Comércio, Wang Wentao, disse a líderes de um grupo farmacêutico dos EUA e a executivos de cinco grandes empresas do setor que a China vai reforçar a proteção à propriedade intelectual e aumentar a transparência das políticas.

Produção de tilápia cresce no interior paulista com investimento em tecnologia Reprodução/TV TEM A produção de tilápia-do-nilo cresce no interior de São Paulo. Em Riolândia, no noroeste do estado, uma empresa produz cerca de 300 toneladas de peixe por mês. Todo o pescado é enviado para frigoríficos de São Paulo e Minas Gerais, o que mostra a alta demanda pelo produto. Os peixes chegam de Monte Aprazível (SP) com cerca de 30 gramas e ficam nos tanques até atingirem entre 900 gramas e 1 quilo, peso considerado ideal para venda. Nesse período, recebem ração a cada 15 minutos, somando cerca de 350 quilos por dia. O manejo ajuda no crescimento saudável e no controle de doenças. Para manter a produtividade, a empresa aposta em tecnologia. Os tanques têm sistemas de imersão e submersão que facilitam a limpeza, e motores hidráulicos aceleram a retirada dos peixes. A produção começou em 2008 e vem passando por modernizações. Desde 2024, foram investidos cerca de R$ 3,5 milhões, incluindo uma balsa automatizada que melhora o abastecimento de ração e garante precisão na alimentação. O setor cresce junto com os investimentos em tecnologia. São Paulo é o segundo maior produtor de tilápia do Brasil, atrás do Paraná, e tem forte estrutura de processamento. Pesquisas do Instituto de Pesca também ampliam o conhecimento sobre a espécie, como a criação do primeiro banco de germoplasma da tilápia-do-nilo no país. Veja a reportagem exibida no programa em 22/03/2026: Produção de tilápia cresce no interior paulista com investimento em tecnologia VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Produtores comemoram safra recorde de abacate em Tupã após perdas no ano passado Reprodução/TV TEM Após um ano de perdas, produtores de abacate de Tupã (SP) celebram uma safra recorde em 2026. Em uma área de 50 hectares com 5 mil árvores, a produção mais que dobrou em relação aos melhores anos. A previsão é colher cerca de 1.100 toneladas, mais que o dobro da média de 500 toneladas registrada em anos anteriores. Quase metade da safra será exportada. O produtor Jorge Manfré, com 30 anos de experiência, afirma que nunca viu resultado tão positivo. Em 2025, perdeu 95% da safra por causa do clima. Em 2026, o cenário foi diferente. A chuva veio na medida certa e antecipou a safra, que costuma começar no fim de fevereiro. Outros produtores da região também registram bons resultados, com aumento na produção e variedade de tipos de abacate. O agrônomo Idoraldo Dassi Júnior explica que o clima foi decisivo para o bom desempenho. Mas alerta que o excesso de chuva exige mais cuidados no manejo. Com a safra maior, os produtores acompanham o mercado. O aumento da oferta pode reduzir o preço da fruta. Veja a reportagem exibida no programa em 22/03/2026: Produtores comemoram safra recorde de abacate em Tupã após perdas no ano passado VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Artesãs de Itapetininga transformam matéria-prima da natureza em joias biodegradáveis Reprodução/TV TEM No distrito de Gramadinho, em Itapetininga (SP), artesãs transformam sementes e cascas em biojoias. Entre os materiais usados está a chamada "pérola negra", que cai da árvore sempre que o tronco é balançado. Durante caminhadas pelo bairro rural, elas recolhem sementes e cascas de diferentes espécies, como a Leucena. O material coletado é a base para a produção artesanal das peças. Depois da coleta, as sementes passam por tratamento antifúngico e secagem. A Leucena, por exemplo, é descascada e cozida antes de ser usada. O resultado são peças versáteis, como explica a artesã Deise Almeida: "Depois de pronto essa linda peça que pode usar como colar, cinto e pulseira". Deise trabalhava como merendeira e não tinha experiência com artesanato. A mudança veio após um curso do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), ligado ao Sindicato Rural. "Eu me apaixonei pelo artesanato, principalmente pelas sementes", conta. As biojoias também têm função de proteção. Plantas como alecrim, arruda, citronela e pimenta ajudam a afastar insetos. Já entre as cascas mais usadas estão as de coco, guapuruvu, jatobá e jacarandá-brasília. A artesã Ione Berta destaca a sustentabilidade do trabalho. "É uma arte sustentável, né? Porque nada disso vai ser jogado fora. Depois que você não quiser mais, você pode desmanchar, fazer outro modelo ou jogar na natureza, porque ele decompõe da própria natureza", afirma. Hoje, 54 mulheres integram a cooperativa. Todas recebem capacitação em cursos profissionalizantes, que ensinam tanto a produção das peças quanto noções de empreendedorismo. O coordenador do Senar em Itapetininga, Bruno Galvão, destaca o impacto da iniciativa. "O importante do curso é fomentar, principalmente nas mulheres, uma economia criativa e uma renda fixa, e fomentar também o artesanato". Veja a reportagem exibida no programa em 22/03/2026: Artesãs de Itapetininga transformam matéria-prima da natureza em joias biodegradáveis VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Prática comum nos EUA permite pagamento por plasma Freepik Uma renda extra que vem do próprio corpo: vender plasma sanguíneo tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum entre americanos — inclusive na classe média. A prática, que mistura necessidade financeira com demanda médica global, movimenta bilhões de dólares e já virou rotina para muitas pessoas nos Estados Unidos. 💉 O plasma é a parte líquida do sangue, de coloração amarelada, e é essencial para a produção de medicamentos usados em tratamentos de doenças graves. Entre eles estão terapias para imunodeficiências, doenças hepáticas e distúrbios de coagulação. Segundo reportagem do jornal "The New York Times", cerca de 215 mil pessoas vendem plasma todos os dias no país. Embora o termo mais usado seja "doação", na prática, os participantes recebem pagamento — em média, entre US$ 60 (R$ 314) e US$ 70 (R$ 366) por sessão. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Como é permitido doar até duas vezes por semana, muitos chegam a faturar até US$ 600 (R$ 3,1 mil) por mês. Em alguns casos, há bônus para novos doadores ou incentivos para quem mantém frequência. Para muita gente, esse dinheiro tem destino certo: gasolina, supermercado, contas médicas ou até a prestação da casa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Alta demanda De acordo com o New York Times, os Estados Unidos respondem por cerca de 70% de todo o plasma coletado no mundo. Um dos principais motivos é que o país permite o pagamento aos doadores, prática desencorajada pela Organização Mundial da Saúde. O resultado é um setor altamente lucrativo: só em 2024, os EUA exportaram US$ 6,2 bilhões em plasma. Para grandes empresas farmacêuticas, o material é matéria-prima essencial. Em 2025, os doadores americanos produziram 62,5 milhões de litros de plasma — o maior volume já registrado, segundo dados citados pelo jornal. Quem são as pessoas que estão vendendo plasma A imagem de que apenas pessoas em situação extrema recorrem a esse tipo de renda já não reflete a realidade. A reportagem do New York Times encontrou filas com perfis diversos: profissionais de tecnologia tentando economizar para comprar uma casa professores buscando cobrir custos de saúde enfermeiros lidando com despesas de creche aposentados complementando a renda Muitos se consideram classe média — e afirmam que, até pouco tempo atrás, não imaginavam fazer isso. Um dos casos citados é o de Joseph Briseño, de 59 anos. Ele trabalha como supervisor em uma empresa de resíduos e ganha cerca de US$ 50 mil por ano. Ainda assim, passou a vender plasma duas vezes por semana para reforçar o orçamento. Ele descreve a atividade como um "segundo trabalho". "Isso pode ser dinheiro para gasolina, supermercado ou para guardar para emergências", disse ao New York Times. Em outro momento, admitiu: "Seria ótimo não precisar fazer isso por dinheiro extra". Outro sinal de mudança aparece na localização desses centros. Historicamente, as unidades de coleta se concentravam em áreas mais pobres — e frequentemente eram alvo de críticas por possível exploração econômica. Mas isso vem mudando. Um estudo citado pelo New York Times, conduzido por pesquisadores da Washington University e da Universidade do Colorado, mostra que novos centros estão sendo abertos cada vez mais em bairros de classe média e até em regiões mais ricas. Desde 2021, mais de 100 unidades foram inauguradas nesses locais, inclusive em subúrbios. Em Webster, no Texas, por exemplo, centros abriram perto de academias, lagos artificiais e escritórios financeiros — um cenário distante da imagem tradicional associada à prática. Como funciona e quanto se ganha O processo segue etapas padronizadas: Questionário de triagem (com histórico de saúde e hábitos) Checagem rápida de sinais vitais Pequena coleta de sangue para teste Sessão de cerca de uma hora para retirada do plasma Durante o procedimento, cerca de um litro pode ser coletado. Ao final, o pagamento costuma ser feito por meio de cartões pré-pagos. Também há programas com bônus por fidelidade ou indicação de novos doadores. Embora seja considerada uma prática segura, o New York Times destaca que ainda existem poucos estudos sobre efeitos de longo prazo. Mesmo com a expansão, o tema ainda carrega estigma. Segundo o New York Times, muitos doadores evitam contar que vendem plasma, por vergonha ou desconforto. Alguns falaram com o jornal apenas de forma anônima. Outros veem a prática de forma positiva — especialmente por contribuir com tratamentos médicos. Ainda assim, especialistas são categóricos: a principal motivação é financeira. Um estudo citado pelo New York Times aponta que, quando um centro de plasma se instala em uma região, a procura por empréstimos de curto prazo e juros altos (como os payday loans) cai quase 20% entre jovens nos primeiros três anos. Isso sugere que a venda de plasma funciona, na prática, como uma alternativa emergencial de renda. Para alguns especialistas, esses centros acabam atuando como uma espécie de "rede de segurança paralela" — ao lado de bicos, aplicativos e trabalhos informais. O que explica o fenômeno O avanço da venda de plasma não pode ser analisado isoladamente. Segundo o New York Times, ele está diretamente ligado a um problema maior: o descompasso entre o custo de vida e o crescimento dos salários. Mesmo pessoas empregadas, com renda estável, estão sentindo a pressão. Despesas como moradia, alimentação e saúde aumentaram — enquanto salários permaneceram estagnados. É o caso de muitos entrevistados, que relataram recorrer ao plasma para evitar dívidas, cobrir emergências ou simplesmente manter o padrão de vida. Em alguns casos, até aposentadorias e benefícios sociais se mostram insuficientes. E há demanda para essa quantidade de oferta. O New York Times aponta que algumas companhias já fecharam centros menos produtivos e estudam diminuir gradualmente os pagamentos aos doadores. Ao mesmo tempo, investem em tecnologia para coletar mais plasma por sessão.

A disputa entre a Anthropic e o Pentágono gira em torno do acesso ético à inteligência artificial de ponta Getty Images Enquanto o mundo observava a operação dos EUA na Venezuela e como a guerra com o Irã se tornava inevitável, uma batalha se desenhava em Washington — um alerta de que o futuro profetizado por anos, sobre o papel da inteligência artificial nas guerras, já havia chegado. Uma empresa de inteligência artificial do Vale do Silício se recusou a seguir ordens do Pentágono (o departamento de Defesa dos EUA). E o Pentágono a tratou como se fosse inimiga do Estado. Mesmo assim, sua tecnologia de IA continuou sendo usada porque as Forças Armadas dos EUA não podiam se dar ao luxo de ficar sem ela. Foi o que aconteceu entre a Anthropic e o departamento de Defesa nas últimas semanas. E embora tudo pareça uma mera disputa corporativa, é muito mais do que isso. É a primeira vez que uma empresa de IA confronta um aparato militar, recusando-se a eliminar limites éticos de sua tecnologia. O confronto deixou no ar questões que preocupam a todos: até que ponto os humanos já estão delegando decisões irreversíveis e letais a máquinas? Quem decide como a IA é usada? Essas não são perguntas retóricas. Especialistas da Universidade de Oxford alertam que este episódio "revela lacunas de governança antigas na integração da IA em operações militares. Essas lacunas são anteriores neste governo (dos EUA) e persistirão após a controvérsia atual". Por que — se a humanidade teme chegar a este ponto há tanto tempo — ainda existe um vácuo tão grande na governança da IA? É um vácuo que Logan Graham, líder da Equipe Vermelha da Anthropic, que analisa cenários negativos envolvendo tecnologia — de ataques cibernéticos a ameaças à biossegurança — conhece muito bem. "A intuição de algumas pessoas, por terem crescido em um mundo pacífico, é de que em algum lugar existe uma sala cheia de adultos que sabem como resolver tudo", disse ele à revista Time. "Não existem esses grupos de adultos. Não existe nem mesmo uma sala. A responsabilidade é sua." Pergunta difícil Em algum momento durante a operação que culminou em 3 de janeiro com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, a ferramenta Claude, da Anthropic, foi usada para processar dados e auxiliar na tomada de decisões. Essa informação foi divulgada independentemente pelo Wall Street Journal e pelo site Axios, citando fontes com conhecimento direto dos eventos, e posteriormente confirmada pela revista Time, que publicou um extenso perfil da Anthropic, a empresa sediada em San Francisco que criou o Claude. Nem o departamento de Defesa nem a Anthropic confirmaram oficialmente essa informação. Mas o que aconteceu em seguida está documentado e é muito mais revelador do que o próprio evento. A operação para capturar Nicolás Maduro foi o estopim da disputa envolvendo a Antrhopic Getty Images Após a captura de Maduro, um executivo da Anthropic contatou a Palantir — a empresa de análise de dados que atua como intermediária tecnológica entre o Vale do Silício e o governo dos EUA — e perguntou: nosso software foi usado nessa operação? A pergunta fez soar um alarme em Washington. Emil Michael, Subsecretário de Defesa e Diretor de Tecnologia do Pentágono, disse que isso gerou profunda preocupação: será que a Anthropic, em um conflito futuro, poderia "desligar seu modelo no meio de uma operação" — ativar algum mecanismo de rejeição — "e colocar vidas em risco"? A Anthropic contesta essa interpretação: a empresa afirma que nunca tentou limitar o uso do Pentágono em nenhum caso específico e que a pergunta era rotineira. Mas em seguida, houve uma rápida escalada de tensões. O Pentágono exigiu que a Anthropic concedesse acesso irrestrito à sua tecnologia para "todos os usos legais". A Anthropic recusou. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos", um rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky, e não para empresas americanas que simplesmente discordam do governo. A Anthropic processou o Pentágono por exceder sua autoridade e salvaguardas éticas, violando direitos fundamentais. Vários especialistas jurídicos acreditam que a empresa tem grandes chances de vencer a dispta jurídica. O presidente Donald Trump, por sua vez, ordenou que todas as agências federais parassem de usar a tecnologia da Anthropic. E coroou a controvérsia com uma mensagem na plataforma Truth Social, escrita inteiramente em letras maiúsculas: "Os EUA jamais permitirão que uma empresa progressista ('woke') e radical de esquerda dite como nossas grandes forças armadas lutam e vencem guerras." Em seu vocabulário e no de seus seguidores, "woke" é o maior dos insultos, um rótulo depreciativo para descrever ideias ou políticas progressistas relacionadas à identidade de gênero, desigualdade ou justiça social. Linhas vermelhas A Anthropic tem uma história singular. Foi fundada em 2021 por ex-pesquisadores da OpenAI com a premissa explícita de que a inteligência artificial representa um dos maiores riscos existenciais para a humanidade e que, precisamente por essa razão, é fundamental que aqueles que a desenvolvem sejam pessoas comprometidas em fazê-lo com segurança. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI Getty Images Em julho de 2025, a Anthropic assinou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa, o primeiro desse tipo: um laboratório de IA que integra seus modelos em fluxos de trabalho de missão em redes classificadas. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, justificou isso em um texto publicado em janeiro deste ano. Ele escreveu que a Anthropic apoiava as forças militares e de inteligência dos EUA porque "a única maneira de responder a ameaças autocráticas é igualá-las e superá-las militarmente". Ele acrescentou: "A formulação a que cheguei é que devemos usar IA para a defesa nacional em todas as suas formas, exceto aquelas que nos tornariam mais parecidos com nossos adversários autocráticos". Consequentemente, o contrato com o Pentágono estabeleceu duas "linhas vermelhas": o Claude não poderia ser usado para vigilância doméstica em massa ou para armas totalmente autônomas. Esses limites invioláveis não são arbitrários; eles se baseiam em um documento da empresa que serve como sua "alma". Seu objetivo declarado é "prevenir catástrofes em larga escala", incluindo a possibilidade de a IA ser usada por um grupo humano para "tomar o poder de forma ilegítima e não colaborativa". Amodei também argumentou perante o Pentágono que "os sistemas de IA de última geração simplesmente não são confiáveis o suficiente para alimentar armas totalmente autônomas". Neste contexto, não se trata de armas que decidem por conta própria a quem matar. "Autonomia" significa que um sistema pode atingir certos objetivos sozinho — ou com supervisão humana mínima — em ambientes complexos. Mas existem sistemas automatizados que ajudam a tomar decisões sobre ataques. Especialistas em inteligência artificial alertam para um problema conhecido como "viés de automação": quando as regras de uso são vagas, os humanos tendem a confiar nas recomendações da máquina mais do que deveriam. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A IA não substitui o julgamento humano de uma vez: ela o corrói aos poucos, até que o operador pare de questioná-lo. Em uma situação tensa, se o sistema — que você sabe que analisou uma imensa quantidade de informações — aponta para alguns pixels na tela como um alvo urgente, é fácil aceitar sua recomendação sem muita hesitação. Ou se um sistema de reconhecimento facial identifica alguém em uma multidão, um agente de segurança provavelmente confiará no resultado e procederá com a prisão. Existem precedentes concretos: em diversas ocasiões documentadas, vários departamentos de polícia nos EUA acabaram prendendo pessoas erradas. Isso coincide com a outra linha vermelha que enfureceu o governo Trump: a vigilância em massa, que afeta o cotidiano de pessoas que não estão em nenhuma zona de guerra. Cabe ressaltar que a Anthropic se opôs especificamente à vigilância em massa de cidadãos americanos. Sua posição não é universalista. Mas o princípio por trás dela tem um alcance mais amplo. E ganha urgência porque, paralelamente a esse conflito, o governo dos EUA anunciou planos para usar IA por meio da Palantir para apoiar as operações do ICE — a agência de imigração — rastreando a localização em tempo real e o histórico financeiro de pessoas sem documentos. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI Getty Images A vigilância em massa, em diferentes graus e em diversas populações, já existe. A questão não é mais se ela ocorre, mas sim quantos controles ainda existem sobre como ela é usada. Nesse contexto, as "linhas vermelhas" da Anthropic não são apenas filosofia corporativa: são, por ora, um dos poucos mecanismos concretos de controle e equilíbrio existentes. O problema é que as restrições são tão fortes quanto o mecanismo que as impõe. E quando o Pentágono rejeitou esses limites e exigiu acesso irrestrito, a Anthropic se viu sozinha para manter sua posição, sem um arcabouço legal para apoiá-la e sem regulamentação internacional para protegê-la, tendo apenas suas cláusulas contratuais como escudo. O que é considerado legal? A relutância do departamento de Defesa em permitir que uma empresa privada imponha limites é, para muitos, justificada. Embora as recentes operações militares em cidades dos EUA, na Venezuela e no Irã tenham sido conduzidas com mínima consulta ao Congresso, o uso de IA é tão crucial que deveria ser regulamentado por leis aprovadas por representantes democraticamente eleitos, argumentam alguns. Mas o Legislativo ainda não aprovou leis sobre o assunto. Assim, a exigência do Pentágono pela liberdade de usar o Claude para "todos os usos lícitos" parece razoável até que se questione o que, exatamente, é lícito nesse contexto. Não há uma definição consensual no direito internacional sobre o que constitui uma arma autônoma letal. O direito internacional humanitário — as normas que regem os conflitos armados desde as Convenções de Genebra — foi construído em torno de decisões humanas: um soldado apertando o gatilho e um comandante dando uma ordem. Esses marcos não contemplam sistemas que detectam, selecionam e eliminam alvos com mínima ou nenhuma intervenção humana direta. É o que os especialistas chamam de "vácuo de responsabilidade": uma deficiência crítica em que as estruturas legais existentes não conseguem determinar quem é o responsável quando um sistema autônomo comete uma violação. Se um drone com inteligência artificial matar civis, quem será responsabilizado? O programador? O comandante? A empresa que fabricou o sistema? O direito internacional não oferece uma resposta clara. E, na ausência de resposta, "uso lícito" significa, na prática, o que cada Estado decidir que significa. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um 'risco para a cadeia de suprimentos', rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky Getty Images Nesse contexto, surge uma questão delicada: essa discussão está sendo a feita no tempo certo? A resposta talvez seja: não oportuna o suficiente para ser preventiva; mas ainda assim, sim, oportuna o suficiente para ser útil. O debate formal sobre armas autônomas começou em 2013. Onze anos depois, o resultado são diretrizes voluntárias. Em 2024, durante uma conferência internacional em Viena, o Ministro das Relações Exteriores da Áustria incentivou o progresso com uma declaração inquietante: "Este é o momento Oppenheimer da nossa geração". Ele se referia ao momento em que a humanidade tomou consciência do poder destrutivo da bomba atômica: como naquela ocasião, a tecnologia já existe, e agora é preciso decidir como controlá-la. Só que, diferentemente das armas nucleares — caras, escassas e com uma marca inconfundível —, os sistemas autônomos são baratos, produzidos em massa e difíceis de rastrear. Portanto, são estruturalmente mais difíceis de controlar por meio de tratados. Naquele mesmo ano de 2024, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução criando um fórum, sob supervisão das Nações Unidas, para discutir os desafios e preocupações com o uso de armas autônomas e o que fazer sobre isso, com 166 votos a favor. Apenas três países votaram contra: Rússia, Coreia do Norte e Belarus. O voto mostra que a preocupação é quase universal. O que falta é um tratado vinculativo e mecanismos de aplicação, algo que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, vem defendendo há alguns anos. Alguns especialistas, no entanto, temem que, como aconteceu com outras armas, tal tratado só seja firmado após uma catástrofe. A lógica da velocidade Enquanto advogados e diplomatas debatem, engenheiros constroem. E o que eles constroem já está sendo usado. O general americano Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americanas e da Otan no Afeganistão, certa vez resumiu isso de forma contundente: nunca antes na história alguém foi capaz de ver, decidir e matar uma pessoa do outro lado do mundo em questão de minutos. Essa afirmação agora precisa ser atualizada. A questão não é mais apenas ver, decidir e matar, mas até que ponto estamos dispostos a delegar a decisão a uma máquina. Essa transição já está sendo testada no campo de batalha. Na Ucrânia, em dezembro de 2024, as forças do país realizaram a primeira operação totalmente não tripulada perto de Kharkiv: dezenas de veículos terrestres autônomos e drones atacaram posições russas sem nenhum soldado em terra. A lógica tática é esclarecedora. Os operadores lançam os drones e veículos autônomos sabendo que a comunicação com eles será bloqueada em poucos minutos. O sucesso depende de quão bem eles são programados para agir autonomamente quando isso acontecer. Eles navegam de forma independente, evitam interferências eletrônicas e continuam a missão mesmo sem supervisão humana. Isso não é um detalhe insignificante: os drones já causam entre 70% e 80% das vítimas nessa guerra, de acordo com estimativas da inteligência europeia. Assim que a Anthropic perdeu o contrato, sua rival OpenAI surgiu como alternativa Getty Images Na região do Golfo, a tendência aponta na mesma direção. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, reconheceu que a inteligência artificial é uma ferramenta fundamental para a identificação de alvos, permitindo que os EUA "analisem vastas quantidades de dados em segundos, para que nossos líderes possam tomar decisões mais inteligentes e mais rápidas do que o inimigo". Acordo com o OpenAI A história tem um final paradoxal. Dario Amodei declarou, referindo-se às exigências do Pentágono: "Não podemos, em sã consciência, atender ao pedido deles." A Anthropic perdeu o contrato. Horas depois do anúncio, a OpenAI chegou a um acordo com o Departamento de Defesa. E então algo inesperado aconteceu. No dia seguinte ao anúncio do novo acordo pelo Pentágono, o aplicativo Claude ultrapassou o ChatGPT da OpenAI na App Store da Apple pela primeira vez na história. Naquela semana, mais de um milhão de pessoas se cadastraram no Claude todos os dias, impulsionando-o ao primeiro lugar em mais de 20 países. As vendas da empresa dispararam entre o público em geral. E tem mais. Duas coalizões de trabalhadores da Amazon, Google, Microsoft e OpenAI pediram publicamente que suas empresas seguissem o exemplo da Anthropic. Dezenas de cientistas e pesquisadores de empresas concorrentes assinaram um parecer jurídico em apoio à Anthropic. Um general aposentado da Força Aérea, que liderou o Projeto Maven — o controverso programa de drones com IA que provocou protestos massivos de funcionários do Google em 2018 até a empresa abandonar o contrato — escreveu nas redes sociais que, embora se esperasse que ele apoiasse o Pentágono, simpatizava mais com a posição da Anthropic. E talvez igualmente importante: a Anthropic consolidou o apoio de seus próprios engenheiros, alguns dos profissionais mais requisitados do Vale do Silício, em um dos mercados de talentos mais competitivos do planeta, onde contratos para atrair ou reter esses indivíduos podem valer dezenas de milhões de dólares. LEIA TAMBÉM: FATO OU FAKE: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria Família encontra canadense no Brasil com ajuda de IA e descobre que ele morreu O anticristo na porta do Vaticano: palestra de bilionário de IA em Roma causa mal-estar na Igreja

Irrigação com pote de barro é solução para seca no Pará No sudeste do Pará, uma solução simples e eficiente está mudando a realidade de agricultores familiares que, por anos, viram suas colheitas se perderem por causa da estiagem. Batizado de Irrigapote, o sistema usa potes de argila enterrados para garantir água às plantas ao longo de todo o ano — sem depender de energia elétrica nem de altos investimentos (veja vídeo acima). O renascimento de uma propriedade A produtora Renata, de Tucuruí, é um dos exemplos dessa transformação. Depois de deixar a rotina estressante à frente de supermercados, ela encarou um grande desafio no campo: perdeu mais de mil plantas logo no início da produção por falta de água. A solução veio a partir de uma parceria entre a pesquisadora Lutieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, e uma universidade da Etiópia, onde a técnica foi desenvolvida. Como funciona o sistema O funcionamento do Irrigapote combina princípios simples da física e da biologia: Captação: a água da chuva é coletada por calhas nos telhados e armazenada em reservatórios; Distribuição: por meio de mangueiras e um sistema de boias, que evita desperdícios, a água chega até potes de argila enterrados próximos às plantas; Irrigação inteligente: as paredes porosas dos potes liberam a umidade de forma gradual. As raízes percebem essa umidade, crescem em direção ao pote e chegam a se fixar na argila para absorver a água diretamente. O sistema é eficiente: um único pote pode abastecer várias plantas, e há casos em que as raízes percorrem até 7 metros para alcançar a água. Alternativa mais barata para o produtor Para o pequeno produtor, o Irrigapote resolve dois dos principais desafios no campo: custo e acesso à energia. Enquanto sistemas tradicionais de irrigação exigem investimento alto e uso de eletricidade, a tecnologia com potes de argila é mais acessível. Uma área com 100 potes custa, em média, R$ 8 mil — sendo o principal gasto a compra do material. Em Capitão Poço, produtores de limão Taiti já começam a ver o retorno financeiro. Segundo o produtor João, o sistema permite produzir na entressafra, quando a caixa da fruta pode chegar a até R$ 100, o dobro do preço em períodos de maior oferta. Sistema de irrigação permite produzir alimentos o ano todo Interesse de novas comunidades O sucesso da técnica também tem chamado a atenção de comunidades indígenas, como a Aldeia Trocará, e de comunidades quilombolas. Nesses locais, o Irrigapote surge como uma alternativa prática e acessível para garantir segurança alimentar e viabilizar o cultivo de culturas perenes, como cacau e açaí.

O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. X/ Reprodução Aos 27 anos, Matheus Tavares chamou a atenção da internet ao anunciar que havia conseguido o "primeiro emprego". A frase, publicada nas redes sociais, viralizou rapidamente — mas também gerou muitas criticas. Não é que ele nunca tivesse trabalhado. Ao contrário: a trajetória começou ainda na adolescência, quando atuava como office-boy no centro de São Paulo enquanto estudava para concursos militares. Depois disso, vieram diferentes ocupações ao longo dos anos: fotógrafo em casa noturna, motoboy, vendedor, motorista de aplicativo, mecânico, técnico em celulares, além de pequenos negócios próprios e até importação de produtos 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mesmo assim, o reconhecimento social nem sempre acompanhou esse percurso. “Não era uma cobrança direta. Mas as pessoas olhavam meio com pena, como se eu estivesse sem rumo”, conta. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O que mudou agora não foi o início da vida profissional, mas o tipo de vínculo. Pela primeira vez, Matheus passou a trabalhar diretamente para uma empresa, com um contrato e um cargo definido: engenheiro de software. "Antes eu tinha trabalhos. Agora eu tenho um emprego. Hoje eu tenho um título, consigo dizer o que eu faço", afirma. O novo posto, porém, não é no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ele foi contratado como pessoa jurídica (PJ), após abrir um CNPJ. ➡️ Ainda assim, a repercussão do caso trouxe à tona discussões que vão além da história individual: o peso do vínculo formal, o julgamento sobre trajetórias fora da CLT e a ideia de que existe um “tempo certo” para ingressar no mercado. O peso do vínculo formal Criada em 1943, a CLT organiza as relações de trabalho no Brasil e garante direitos como férias, 13º salário e FGTS. Ao longo do tempo, esse modelo passou a ser associado também à ideia de estabilidade. Na prática, porém, o modelo não representa toda a realidade do mercado. Dados do IBGE indicam que cerca de 38,5 milhões de brasileiros estão na informalidade, grupo que inclui trabalhadores sem carteira assinada, autônomos e parte dos que atuam por conta própria. Para o professor Fernando Cardoso, especialista em mercado de trabalho, o vínculo formal ainda influencia a leitura sobre a trajetória de um profissional, mas deixou de ser determinante. "O foco está migrando da formalização para a capacidade de entrega", afirma. Segundo ele, experiências fora da CLT podem ser valorizadas, desde que apresentadas de forma estruturada, com resultados claros. Matheus Tavares construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Matheus Tavares O desafio de acessar o mercado Antes de conseguir a vaga atual, Matheus enfrentou dificuldades em processos seletivos — principalmente nas etapas iniciais. “Eu não passava do RH. Só consegui quando falei direto com o gestor técnico”, relata. A situação reflete um ponto levantado por especialistas: embora o mercado esteja em transição, ainda existem filtros baseados no histórico formal. O professor Edgard Rodrigues explica que empresas mais tradicionais tendem a valorizar o registro em carteira, enquanto outras já adotam critérios diferentes. "Há uma migração para recrutamentos que priorizam repertório, competências e capacidade de aprendizado", diz. No caso de Matheus, o avanço veio quando ele organizou suas experiências em forma de portfólio, reunindo projetos e soluções desenvolvidas de forma independente. Entrada tardia A idade também apareceu como um ponto de questionamento na repercussão do caso. Mas, para especialistas, esse debate precisa ser analisado à luz de transformações mais amplas. O economista Bruno Imaizumi, da LCA 4intelligence, explica que o mercado de trabalho brasileiro passa por mudanças estruturais que ajudam a entender trajetórias como a de Matheus. Entre elas, o envelhecimento da população, o maior tempo dedicado aos estudos e a própria redefinição do que significa construir uma carreira. "O mercado está mais dinâmico e as pessoas permanecem mais tempo em formação. Isso faz com que a entrada no mercado formal aconteça, muitas vezes, mais tarde", afirma. Para ele, o cenário recente também influencia esse movimento. Com a taxa de desemprego em níveis historicamente mais baixos, diferentes formas de ocupação — formais e informais — têm avançado simultaneamente. Nesse contexto, a ideia de um momento "certo" para começar perde força. “As carreiras estão menos lineares. O momento de entrada não define o potencial”, afirma o professor Edgard . Para Fernando Cardoso, o modelo tradicional — estudar, se formar e ingressar imediatamente no mercado formal — já não representa a maioria das trajetórias. "Entrar mais tarde pode significar chegar com mais repertório e mais clareza de objetivos', diz. Ainda assim, ele ressalta que o tempo de experiência formal pode influenciar o ponto de entrada em algumas carreiras, especialmente no início. Como provar experiência Se o mercado amplia suas formas de avaliação, cresce também a importância de como o profissional comunica sua trajetória. "Não basta listar atividades. É preciso mostrar impacto e aprendizado", afirma Edgard. Portfólios, projetos e exemplos concretos têm ganhado espaço nesse processo, especialmente em áreas mais técnicas. Segundo Cardoso, experiências fora da CLT costumam desenvolver habilidades valorizadas, como autonomia, adaptabilidade e resolução de problemas, mas precisam ser organizadas de forma estratégica. Estabilidade x autonomia A discussão também dialoga com mudanças na forma como o trabalho é percebido, principalmente entre os mais jovens, que tendem a ser mais seduzidos por trabalhos informais. Nas redes sociais, o termo "CLT" aparece frequentemente associado a rotinas desgastantes, com longos deslocamentos e baixa remuneração — percepção que, segundo a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, está ligada às condições enfrentadas por parte dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que alternativas como trabalho autônomo ou digital não garantem estabilidade. 'É importante considerar tanto a autonomia quanto a segurança envolvidas em cada modelo" afirma. Foi pensando nisso que, hoje, mesmo atuando como PJ, Matheus avalia outras possibilidades, incluindo propostas no regime CLT, apesar de ainda não possuir Carteira de Trabalho. Depois de anos em diferentes atividades, ele diz que a principal mudança não foi apenas o contrato, mas a forma como passou a organizar a própria trajetória. "Agora eu consigo enxergar um caminho", afirma.

O sorteio do concurso 2.987 da Mega-Sena, realizado na noite deste sábado (21), em São Paulo, acumulou -- nenhuma aposta acertou os seis números. O próximo pode pagar R$ 13 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 16 – 17 – 20 –28 – 46 – 47. 5 acertos ("quina") - 23 apostas ganhadoras: R$ 65.305,07; 4 acertos ("quadra") - 1.950 apostas ganhadoras: R$ 1.269,66. O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (24). A Caixa informou que a arrecadação total com o concurso 2.987, foi de R$ 37.692.798,00. Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

'Vlog de demissão': vídeos de desligamentos viralizam, mas exigem cuidados Quem acessou as redes sociais nos últimos dias provavelmente se deparou com “vlogs de demissão”, vídeos em que trabalhadores registram a rotina no dia em que são desligados da empresa. Curiosamente, os bastidores de um momento delicado da vida profissional têm atraído milhões de visualizações. É o caso de Victoria Macedo, de 28 anos, que publicou no TikTok um vídeo sobre o dia em que foi desligada da Natura. O post alcançou mais de 1,5 milhão de visualizações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A repercussão impulsionou seu perfil como criadora de conteúdo e abriu portas para novas oportunidades, com convites para entrevistas de emprego — mesmo antes de atualizar currículo ou portfólio. Formada em administração e com uma segunda graduação em publicidade e propaganda em andamento, Victoria construiu carreira no mercado corporativo desde os 16 anos, com passagens por bancos e, mais recentemente, pela Natura. Lá, ingressou como estagiária em 2024, foi efetivada após oito meses e atuou no planejamento comercial até a reestruturação que levou à sua saída. Victoria trabalhava na empresa havia quase dois anos quando foi desligada. Paralelamente, já produzia conteúdo sobre rotina profissional no TikTok – hábito que ganhou força após a efetivação. A familiaridade com as câmeras, inclusive, a levou a participar do programa de influenciadores internos da empresa, no qual colaboradores divulgam a marca de forma voluntária. “Eles analisam nossas redes antes de aprovar, então sabiam exatamente o tipo de conteúdo que eu produzia”, conta. Mesmo assim, decidiu registrar a demissão para explicar aos seguidores por que deixaria de mostrar o dia a dia na empresa. “Eu pensei: vou postar porque vou parar de produzir esse tipo de conteúdo e as pessoas podem estranhar”, diz. A identificação do público foi imediata, e o vídeo viralizou no dia seguinte. Para Victoria, o tema é sensível e universal: “Quase todo mundo já passou ou vai passar por isso. É um momento frágil, mas muito real.” Ela acredita que o sucesso está justamente no contraste com a narrativa tradicional das redes profissionais, que costuma destacar promoções e conquistas – como no LinkedIn. “As pessoas se enxergam ali, no dia difícil que quase nunca aparece na internet”, afirma. Victoria Macedo, de 28 anos, foi demitida da Natura em uma reestruturação da empresa e compartilhou o processo nas redes sociais. Reprodução/Tiktok O caso não é isolado. Ao buscar por “vlog de demissão” no TikTok, é possível encontrar diversos vídeos que somam milhões de visualizações sobre o tema. Apesar da popularização, especialistas ouvidos pelo g1 alertam que é preciso cautela ao compartilhar esse tipo de conteúdo. A exposição pode trazer consequências para a vida profissional, especialmente dependendo do que é divulgado. “A demissão em si não é o problema, faz parte da trajetória de qualquer pessoa. O ponto-chave é como ela é exposta”, afirma Raquel Nunes, líder de RH na HUG. A especialista explica que conteúdos que revelam conflitos, críticas diretas ou detalhes internos tendem a gerar alerta entre recrutadores. Já publicações estruturadas, que destacam aprendizados, podem até fortalecer a imagem profissional. Segundo ela, profissionais de seleção não avaliam apenas o fato de alguém ter sido desligado, algo comum, mas a maturidade demonstrada ao comunicar esse momento. “No fim, o que se avalia é a capacidade de lidar com situações difíceis sem expor terceiros ou informações sensíveis”, diz. Recrutadores de grandes empresas acompanham redes sociais com frequência, especialmente quando um conteúdo viraliza. Isso não elimina automaticamente um candidato, mas influencia a percepção sobre competências como confidencialidade, inteligência emocional e profissionalismo. Em tempos de redes sociais, cada postagem ajuda a construir – ou desgastar – a marca pessoal do profissional. Conteúdos sobre demissão podem mostrar resiliência e autoconhecimento, mas também podem transmitir impulsividade. No caso de Victoria, por exemplo, ela afirma que teve cautela ao produzir os vídeos. Evitou mostrar colegas, ambientes internos ou qualquer informação confidencial, mantendo o foco na própria experiência. “Se você pretende continuar no mercado, não faz sentido expor ou difamar a empresa”, diz. Do sucesso à demissão: saiba por que algumas empresas têm se incomodado com os ‘blogueiros CLT’ 📱 Palavra ‘demissão’ impulsiona engajamento Outro caso é o da mineira Thaís Borges, de 26 anos, conhecida nas redes como Thaís do Millenium. Após mais de uma década trabalhando como CLT – sendo três anos e meio como designer sênior em uma multinacional – foi desligada pela primeira vez durante uma demissão em massa. O que poderia ser apenas um episódio traumático acabou se tornando um impulso para ampliar a presença digital. Formada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Thaís começou a trabalhar aos 14 anos, como jovem aprendiz na área de marketing. Com o tempo, migrou para o design de produtos e construiu carreira no setor. Até então, nunca havia enfrentado o desemprego. “Foi um baque, mesmo tendo me preparado financeiramente”, conta. A virada aconteceu quando decidiu registrar a própria demissão – e a reação do marido ao receber a notícia. O vídeo, publicado sem grandes expectativas, viralizou rapidamente e já acumula mais de meio milhão de visualizações. Para o público, parecia o início de uma trajetória como criadora de conteúdo. Mas Thaís explica que já produzia vídeos sobre carreira há cerca de quatro anos. “Algumas pessoas acharam que comecei depois da demissão, mas não. Eu já falava de vida profissional”, diz. Segundo a criadora, a explosão de alcance não foi por acaso e a palavra “demissão” carrega uma força emocional capaz de conectar pessoas. “Situações traumáticas geram empatia. É natural que as pessoas se compadeçam”, afirma. Desde então, ela passou a usar o termo de forma estratégica em títulos, falas e hashtags — tanto para ampliar o alcance quanto para normalizar a experiência. Eu não sabia do poder que a palavra ‘demissão’ poderia ter.” Conhecida nas redes como Thaís do Millenium, Thaís Borges, de 26 anos, compartilha conteúdos sobre demissão e carreira. Reprodução/Instagram Apesar de já produzir conteúdo sobre carreira, foi após esse episódio que seus vídeos ganharam maior alcance. A partir disso, passou a compartilhar a rotina de recolocação profissional, mostrando etapas como atualização de currículo e portfólio. Para Thaís, falar abertamente sobre o desligamento ajuda a romper o tabu. “Antes, eu via ‘demissão’ como algo negativo, como se estivesse ligado à competência. Hoje, falo com todas as letras: fui demitida. Quero desmistificar isso”, afirma. A repercussão nas redes também teve impacto direto na carreira. Mesmo sem se candidatar a vagas, Thaís recebeu contatos de empresas e convites para processos seletivos, muitos deles por indicação de seguidores. “Eu fiquei impressionada com o poder da internet de fazer as coisas acontecerem”, diz. “Antes mesmo de eu assimilar o que estava acontecendo, já tinha empresa me chamando para conversar, sem eu ter enviado currículo”, completa. Há um mês e meio sem emprego formal, ela ainda avalia os próximos passos. Enquanto isso, atualiza currículo e portfólio em pequenos avanços – seu lema é “1% todo dia” –, enquanto mantém a produção de conteúdo. Para ela, produzir para as redes também é trabalho, que exige planejamento, rotina e dedicação. “Eu não quero me limitar agora dizendo que quero um emprego CLT ou focar só na produção de conteúdo. Estou me deixando aberta para o que vier”, finaliza. 🧠 O que explica o fenômeno? Para a pesquisadora e professora Issaaf Karhawi, da Universidade de São Paulo (USP), o fenômeno de transformar a demissão em conteúdo está ligado a mudanças mais amplas na forma como as pessoas se relacionam com a exposição nas redes sociais. Segundo ela, esse movimento nasce do “borrão” entre vida privada e esfera pública, cada vez mais evidente nas plataformas digitais. Trabalho, lazer e intimidade se misturam, e o cotidiano passa a ser empacotado como uma narrativa para as redes sociais. “Vivemos uma convocação permanente à visibilidade. Tudo precisa ser tornado público, empacotado como conteúdo”, afirma. Para a pesquisadora, filmar um momento tradicionalmente íntimo, como o desligamento, revela como a vida profissional foi incorporada às práticas culturais online. Karhawi diz que o TikTok tem papel central nessa lógica. A plataforma fortaleceu formatos como os vlogs, já conhecidos no YouTube, mas agora adaptados a vídeos curtos sobre rotina, trabalho e produtividade – especialmente entre os jovens profissionais. O TikTok se consolidou como um espaço de conteúdos mais autênticos, que fogem da estética perfeita de outras redes. Os vlogs de rotina de trabalho já eram comuns, e a demissão passou a ser incorporada como parte dessa narrativa.” A pesquisadora avalia que esses vídeos funcionam como uma “contra-narrativa” em relação ao padrão tradicional das redes, historicamente marcado por performance, sucesso e conquistas. Enquanto Instagram e LinkedIn costumam funcionar como vitrines de promoção, mérito e ascensão, o TikTok tem aberto espaço também para rupturas, frustrações e momentos de vulnerabilidade. “Esses vídeos mostram algo que normalmente não aparece nas redes: o momento difícil. Isso gera conexão porque contrasta com a lógica de sucesso que domina plataformas como LinkedIn e Instagram”, afirma. Ela também destaca que conteúdos com forte carga emocional tendem a ganhar mais alcance. “Vídeos como esses geram muitas reações. E o algoritmo tende a ampliar aquilo que mobiliza atenção, seja ela positiva ou negativa”, diz. A professora lembra ainda que o fenômeno não é totalmente novo. Vídeos de demissão já circularam com força em 2024, especialmente durante os layoffs (demissões) em massa na indústria de tecnologia. Hoje, esse tipo de publicação se consolidou quase como um subgênero dentro da plataforma, reunindo pessoas que compartilham experiências semelhantes. Apesar do potencial de engajamento, Karhawi faz um alerta: a viralização pode até abrir portas no universo da influência, dependendo da forma como o criador aproveita essa exposição, mas não garante recolocação profissional em setores tradicionais. “Cada mercado reage de forma muito diferente. O setor da comunicação, por exemplo, não funciona como o agronegócio ou a indústria farmacêutica. Em algumas áreas pode ser mais aceito, em outras pode gerar resistência”, explica. A pesquisadora enfatiza ainda que viralizar não significa consolidar uma carreira como influenciador. Isso porque a maioria dos criadores que vivem de conteúdo tem anos de dedicação, e não apenas um vídeo de grande repercussão. Além disso, muitos seguem conciliando a produção digital com empregos formais. “A ideia de que basta viralizar para viver de conteúdo não corresponde à realidade. Construir uma carreira digital exige consistência e tempo”, afirma. Para Karhawi, a popularização desses vídeos diz menos sobre a demissão em si e mais sobre a forma como as plataformas moldam a experiência humana. “Nada escapa do imperativo da visibilidade. Trabalho, relacionamentos, lazer, tudo passa pela lógica de transformar a vida em conteúdo”, conclui. Conheça os 'blogueiros CLTs', que mostram a rotina e os perrengues de trabalho nas redes sociais ⚠️ Cuidados ao expor a demissão nas redes Segundo a especialista em RH Raquel Nunes, existe uma diferença clara entre compartilhar uma experiência pessoal e expor a empresa. Falar sobre sentimentos, aprendizados e trajetória é legítimo. Já divulgar detalhes internos, citar nomes, envolver gestores ou buscar validação por meio de conflito tende a ser visto como comportamento de risco – tanto para a reputação do profissional quanto para sua empregabilidade. A orientação é evitar publicações feitas no calor do momento. “Nada de expor a empresa, o gestor ou informações internas. O ideal é focar no próprio processo e nos aprendizados”, afirma. Ela também recomenda que o trabalhador reflita antes de publicar: “Como isso seria interpretado em um processo seletivo?” Para a especialista, o tema deve ganhar ainda mais espaço com o avanço dos conteúdos sobre rotina de trabalho nas redes. Por isso, o cuidado com a imagem profissional se torna ainda mais relevante. “Conte sua história, mas com consciência de que ela também compõe sua reputação profissional”, completa. Além dos impactos na imagem, a exposição pode trazer consequências legais. Segundo a advogada trabalhista Isabel Cristina, do escritório Ferraz dos Passos, a liberdade de expressão do trabalhador não é absoluta – especialmente quando envolve a imagem do empregador. Compartilhar vídeos gravados dentro da empresa, mostrando colegas, chefes ou processos internos, pode caracterizar violação de confidencialidade e descumprimento de regras de compliance. De acordo com a especialista, muitas empresas possuem cláusulas que proíbem gravações ou a divulgação da marca sem autorização. Nesses casos, o trabalhador pode ser responsabilizado por danos à reputação da companhia. Se o conteúdo tiver tom irônico, ofensivo ou crítico, a situação pode ser interpretada como ato lesivo à honra do empregador – o que abre espaço para pedidos de indenização. O risco é ainda maior quando a publicação ocorre durante o aviso prévio ou enquanto o desligamento ainda está em andamento. 📌 Quando a demissão pode virar justa causa Nesses casos, a empresa pode até reverter uma dispensa comum em demissão por justa causa. Segundo o advogado trabalhista Cid de Camargo Júnior, isso pode acontecer quando há publicação de conteúdo ofensivo enquanto o contrato ainda está em vigor. Como o contrato ainda está ativo, a empresa pode reverter a dispensa para justa causa, desde que comprove a gravidade da conduta. Ele ressalta que a mudança não é automática e depende de análise da Justiça, já que a justa causa é a penalidade mais severa prevista na legislação trabalhista. Mesmo após o fim do vínculo, a empresa ainda pode recorrer à Justiça para pedir indenização por danos morais ou materiais. Embora não exista uma legislação específica sobre redes sociais nesses casos, as regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) podem ser aplicadas ao ambiente digital. Entre as situações previstas estão: ato lesivo à honra ou à imagem do empregador; mau procedimento; indisciplina ou insubordinação. Segundo especialistas, a Justiça do Trabalho já reconhece que o comportamento nas redes pode impactar diretamente a relação profissional. Trabalhador pode ser demitido por conta de publicações nas redes sociais? Veja como funciona Do sucesso à demissão: empresas têm se incomodado com os ‘blogueiros CLT’

Honda HR-V EXL é melhor que Toyota Yaris Cross O HR-V é o carro mais vendido da Honda no Brasil. A versão EXL se destaca como a opção mais equilibrada, com boa lista de equipamentos e preço competitivo dentro do segmento. Porém, duas novas ameaças surgiram recentemente para complicar a vida do SUV. A Toyota lançou o Yaris Cross XRX, com preço próximo e pacote de equipamentos atraente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp E a própria Honda apresentou o WR-V, que deixou de ser apenas um Fit modificado e se tornou um SUV compacto com qualidades importantes. Ainda faz sentido comprar o Honda HR-V EXL? O g1 responde essa dúvida. Bom recheio Analisada isoladamente, a versão EXL é a opção mais racional da linha HR-V. Acima dela estão as versões Advance e Touring, por R$ 203.300 e R$ 214 mil, respectivamente. Mas o cenário muda quando comparamos com o Toyota Yaris Cross. Honda HR-V EXL 2026 g1 | Fábio Tito A lista de equipamentos não desaponta. O HR-V EXL, que custa R$ 174.300, oferece ar-condicionado de duas zonas com saída de ar para o banco traseiro, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, carregador por indução, central multimídia com Apple CarPlay e Android Auto, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, volante e bancos de couro, além de ajustes de altura e profundidade no volante, entre outros itens. Ao analisar o que o Yaris Cross oferece na versão XRX, que custa R$ 178.990, percebe-se um equilíbrio entre os dois. No entanto, o Toyota não traz sensor de chuva nem ar-condicionado de duas zonas, apenas climatização automática. Por outro lado, o Yaris Cross tem teto solar panorâmico e abertura elétrica do porta-malas com função de aproximação. Sua multimídia é de 10 polegadas, enquanto a do Honda é de 8". Interior do Honda HR-V EXL 2026 g1 | Fábio Tito No quesito segurança, o HR-V EXL traz como destaque alerta de colisão frontal com frenagem automática, câmera para monitorar o ponto cego do lado direito, controle de velocidade adaptativo, assistente de permanência em faixa, sistema para evitar saída de pista, ajuste automático do farol alto, seis airbags, câmera de ré e controle de descida. Já o Toyota inclui câmera 360 graus, alerta de ponto cego (com aviso luminoso nos dois retrovisores externos) e alerta de tráfego cruzado na traseira. Porém, o Yaris Cross não possui assistente de permanência em faixa, sensor de chuva nem controle de descida. Assim, as listas de itens ficam bem próximas. Honda HR-V EXL 2026 g1 | Fábio Tito Tamanho importa As dimensões do HR-V contribuem para o bom espaço interno. Se na primeira geração o SUV tinha um teto mais arredondado, nesta segunda fase o foco é oferecer mais conforto aos ocupantes do banco traseiro. Comparando com o Toyota, as medidas dos dois são bastante próximas: Medidas Em dois pontos o HR-V perde terreno. Com 1.303 kg, ele é quase 100 kg mais pesado que o Toyota. E o porta-malas também favorece o rival: o Honda tem 354 litros, enquanto o concorrente oferece 400 litros. Desempenhos tímidos Quem escolhe o HR-V com motor 1.5 aspirado normalmente não busca desempenho em primeiro lugar, pois só tem 126 cv. O foco está no conforto e na condução pacata. O câmbio CVT é bem calibrado e funciona de maneira discreta, como se espera desse tipo de transmissão. Fórmula parecida a do Yaris Cross, que tem 122 cv no motor 1.5 aspirado. Motor 1.5 aspirado flex do Honda HR-V EXL 2026 g1 | Fábio Tito Apenas nas acelerações mais fortes o motor do Honda mantém o giro alto e faz ruído, algo normal em carros com câmbio continuamente variável. A suspensão absorve bem as imperfeições do asfalto e a direção elétrica privilegia o conforto. O HR-V é eficiente em entregar uma condução tranquila, ideal para quem enfrenta trânsito e valoriza suavidade. O Toyota Yaris Cross tem volante leve, suspensão bem ajustada como em outros modelos da marca, mas demonstra pouca força nas retomadas. Os dados de consumo do Inmetro mostram que o Honda gasta mais combustível na estrada. Já no uso urbano, há um empate técnico entre Yaris Cross e HR-V EXL. Honda HR-V EXL 2026 g1 | Fábio Tito O inimigo mora ao lado Ao analisar o ranking de vendas, é possível notar uma queda acentuada nos números do HR-V, mesmo ele ainda sendo o modelo mais vendido da Honda. Em janeiro de 2026, a marca registrou 35% menos emplacamentos do que no mesmo mês de 2025. E o principal responsável está dentro da própria Honda: o WR-V. O irmão mais novo tem medidas próximas às do HR-V, já que usa a mesma plataforma. Motor 1.5 e câmbio CVT também são os mesmos do modelo maior. A lista de equipamentos do WR-V EXL é ampla e, para complicar ainda mais para o HR-V, ele custa R$ 20 mil a menos. Hora de barganhar Assim, o Honda HR-V EXL ainda pode valer a pena por custar menos que o Yaris Cross. Porém, itens como teto panorâmico, central multimídia maior, câmera 360 graus e o apelo de novidade podem atrair muitos consumidores. A dica é negociar na concessionária Honda em busca de um desconto, já que a marca deveria reposicionar a versão para enfrentar o Toyota com mais competitividade e continuar fazendo sentido ao lado do WR-V EXL. Interior do Honda HR-V EXL 2026 g1 | Fábio Tito Honda HR-V EXL 2026 Veja abaixo a ficha técnica: Motor: 1.5 flex aspirado Potência: 126 cv a 6.200 rpm (com etanol ou gasolina) Torque: 15,8 kgfm a 4.600 rpm (com etanol) Câmbio: Automático CVT com 7 marchas simuladas Comprimento: 4,35 m Largura: 1,79 m Altura: 1,59 m Entre-eixos: 2,61 m Porta-malas: 354 litros Peso: 1.303 kg Tanque: 50 litros Consumo etanol: 8,8 km/l (cidade) / 9,9 km/l (estrada) Consumo gasolina: 12,5 km/l (cidade) / 13,9 km/l (estrada)

Denunciantes deram uma visão de dentro da corrida entre algoritmos que se seguiu ao crescimento explosivo do TikTok BBC/Getty Images Gigantes das redes sociais permitiram mais conteúdo nocivo nos feeds dos usuários, mesmo depois que pesquisas internas sobre os seus algoritmos mostraram que a indignação impulsionava o engajamento, disseram à BBC pessoas que são ou foram ligadas a essas empresas. Mais de uma dúzia de denunciantes e pessoas de dentro das empresas expuseram à BBC como essas companhias assumiram riscos de segurança em questões como violência, chantagem sexual e terrorismo, enquanto disputavam a atenção dos usuários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Um engenheiro da Meta, empresa que controla as redes sociais Facebook e Instagram, descreveu como recebeu orientação da direção da empresa para permitir mais conteúdo nocivo "limítrofe", que inclui misoginia e teorias conspiratórias, nos feeds dos usuários para competir com outra rede social, o TikTok. "Eles basicamente nos disseram que era porque o preço das ações estava em queda", disse o engenheiro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Um funcionário do TikTok deu à BBC acesso raro aos painéis internos da empresa com reclamações de usuários, além de outras evidências de como funcionários foram instruídos a priorizar vários casos envolvendo políticos em detrimento de uma série de denúncias de publicações nocivas envolvendo crianças. As decisões estavam sendo tomadas para "manter um relacionamento forte" com figuras políticas e evitar ameaças de regulação ou proibições, e não por causa dos riscos aos usuários, disse o funcionário do TikTok. Os denunciantes que falaram no documentário da BBC Inside the Rage Machine (Dentro da Máquina de Raiva, em tradução livre) oferecem uma visão detalhada de como o setor reagiu após o crescimento explosivo do TikTok, cujo algoritmo altamente envolvente de recomendação de vídeos curtos transformou as redes sociais, deixando rivais correndo para tentar acompanhar. Matt Motyl, pesquisador sênior da Meta, disse que o concorrente do TikTok criado pela empresa, o Instagram Reels, foi lançado em 2020 sem proteções suficientes. Pesquisas internas compartilhadas com a BBC mostraram que os comentários no Reels apresentavam prevalência significativamente maior de bullying e assédio, discurso de ódio e violência ou incitação à violência do que em outras partes do Instagram. Matt Motyl disse que a Meta lançou o Instagram Reels sem proteções suficientes BBC ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária Google, Meta e TikTok explicam como verificam idade de usuários no Brasil Como denunciar posts em Facebook, Instagram, TikTok, Kwai e outras redes sociais A empresa investiu na contratação de 700 funcionários para expandir o Reels, enquanto equipes de segurança tiveram negada a contratação de dois especialistas para lidar com a proteção de crianças e de mais dez profissionais para ajudar na integridade das eleições, disse outro ex-funcionário sênior da Meta. Motyl, da Meta, entregou à BBC dezenas do que descreveu como "documentos de pesquisa de alto nível mostrando todo tipo de danos aos usuários nessas plataformas". Entre eles, havia evidências que mostravam que o Facebook estava ciente de problemas causados por seu algoritmo. Segundo um estudo interno, o algoritmo oferecia aos criadores de conteúdo um "caminho que maximiza os lucros às custas do bem-estar de sua audiência", e "o atual conjunto de incentivos financeiros que nossos algoritmos criam não parece estar alinhado com nossa missão" de aproximar as pessoas ao redor do mundo. O documento afirma que o Facebook pode "escolher permanecer inativo e continuar alimentando os usuários com conteúdo de qualidade duvidosa, mas isso só funciona por algum tempo". Em resposta às alegações dos denunciantes, a Meta disse: "Qualquer sugestão de que ampliamos deliberadamente o conteúdo nocivo para ganho financeiro é incorreta." O TikTok afirmou que essas são "alegações fabricadas" e que a empresa investe em tecnologia que impede que o conteúdo nocivo seja visualizado. O Facebook estava ciente de que seu algoritmo tinha problemas BBC TikTok reúne perfis que exaltam Hitler e nazismo com códigos e posts explícitos Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Os algoritmos são uma "caixa-preta", cujo funcionamento interno é difícil de examinar, disse Ruofan Ding, que trabalhou como engenheiro de aprendizado de máquina no desenvolvimento do mecanismo de recomendação do TikTok de 2020 a 2024. Ele afirmou que era difícil construir sistemas como esse que fossem completamente seguros. "Não temos controle sobre o próprio algoritmo de aprendizado profundo [deep learning]." Segundo ele, os engenheiros não prestam muita atenção ao conteúdo das publicações. "Para nós, todo o conteúdo é apenas um ID, um número diferente." Ele disse que dependiam das equipes de segurança de conteúdo para remover publicações nocivas e impedir que fossem promovidas pelo algoritmo. Segundo ele, essa relação entre as equipes é como a de diferentes grupos que trabalham em partes de um carro. "Há a equipe responsável pela aceleração, pelo motor, certo? Então esperamos que a equipe que trabalha no sistema de freios esteja fazendo um bom trabalho", disse. Mas Ding disse que, enquanto o TikTok atualizava seu algoritmo quase toda semana para ganhar mais espaço no mercado, ele passou a ver mais conteúdo "limítrofe" ou publicações problemáticas aparecendo depois que os usuários já estavam há algum tempo assistindo a vídeos. Conteúdo limítrofe é um termo usado por empresas de redes sociais para descrever publicações prejudiciais, mas que não violam as regras, como posts misóginos, racistas, sexualizados e teorias conspiratórias. Instagram e TikTok Reuters Adolescentes disseram à BBC que as ferramentas para indicar que não querem ver conteúdo problemático não funcionam e que ainda recebem recomendações de violência e discurso de ódio nas principais redes sociais. Em um caso extremo, outro adolescente, Calum - hoje com 19 anos - disse que havia sido "radicalizado pelo algoritmo" desde os 14 anos. O algoritmo lhe mostrava conteúdo que o deixava indignado e o levou a adotar visões racistas e misóginas, afirmou. Os vídeos "me energizavam, mas não de um jeito bom", disse ele. "Eles só me deixavam muito irritado. Refletiam muito a forma como eu me sentia por dentro, que eu estava com raiva das pessoas ao meu redor." Especialistas da polícia antiterrorismo no Reino Unido, que analisam milhares de publicações nas redes sociais todos os anos, dizem ter observado um aumento e uma "normalização" de posts antissemitas, racistas, violentos e de extrema direita nos últimos meses. "As pessoas estão mais dessensibilizadas à violência no mundo real e não têm medo de compartilhar suas opiniões", disse um dos agentes. 'Deletem o TikTok' Ao longo de vários meses em 2025, a BBC conversou regularmente com um integrante da equipe de confiança e segurança do TikTok, a quem estamos chamando de Nick. A BBC teve acesso ao painel interno da empresa no laptop dele, que mostrava os casos analisados por sua equipe e como respondia a eles. "Se você se sente culpado diariamente por causa do que é instruído a fazer, em algum momento começa a pensar: devo dizer algo?", disse Nick. Ele acrescentou que o volume de casos que estavam avaliando era grande demais para acompanhar e garantir a segurança dos usuários, deixando adolescentes e crianças especialmente em risco. Segundo ele, cortes e a reorganização de algumas equipes de moderação - nas quais algumas funções estão sendo substituídas por tecnologia de inteligência artificial - reduziram a capacidade da empresa de lidar de forma eficaz com esse tipo de conteúdo. Conteúdos ligados a "terrorismo, violência sexual, violência física, abuso e tráfico" parecem estar aumentando, disse o denunciante. A realidade do que o aplicativo recomenda e das medidas tomadas contra conteúdos nocivos é "muito diferente, em muitos aspectos, do que as plataformas dizem ao público", acrescentou. Nick mostrou à BBC evidências de que o TikTok tratava alguns casos relativamente simples envolvendo políticos como prioridade maior para revisão pela equipe de segurança do que vários casos envolvendo danos a adolescentes. Em um exemplo, um político que havia sido ridicularizado ao ser comparado a uma galinha recebeu prioridade sobre um jovem de 17 anos que relatou ser vítima de cyberbullying e falsificação de identidade na França, e sobre uma jovem de 16 anos no Iraque que disse que imagens sexualizadas, supostamente dela, estavam sendo compartilhadas no aplicativo. Ao falar sobre o caso no Iraque, Nick disse: "Se você olha o país de onde vem esse relato, é de altíssimo risco porque envolve um menor e chantagem sexual. Mas, você pode ver aqui, a prioridade não é alta." Imagem de abril de 2023 mostra prédio do TikTok na Califórnia Mike Blake/Reuters Nick também mostrou exemplos de publicações que incentivavam pessoas a se juntar a grupos terroristas ou a cometer crimes e que não haviam sido classificadas como prioridade máxima. Quando a equipe de confiança e segurança pediu para priorizar casos envolvendo jovens em vez de casos políticos, disse o denunciante, eles foram orientados a não fazer isso e a seguir tratando os casos de acordo com a identificação que haviam recebido. Códigos e até 'trends': a tática de grupos nazistas para espalhar discurso de ódio no TikTok Segundo Nick, isso acontece porque, em sua avaliação, a empresa se preocupa menos com a segurança das crianças do que em manter um "relacionamento forte" com políticos e governos, para evitar regulações ou proibições que poderiam prejudicar seus negócios. Nick disse que, quando ele e outros funcionários levantaram algumas dessas preocupações com a direção, não houve receptividade, porque eles "não são expostos a esse conteúdo no dia a dia". O conselho de Nick aos pais cujos filhos usam o TikTok é: "Apaguem o aplicativo. Mantenham as crianças o mais longe possível dele pelo maior tempo possível." O TikTok afirmou que rejeita a ideia de que conteúdo político tenha prioridade sobre a segurança dos jovens e disse que a alegação "deturpa fundamentalmente a forma como os seus sistemas de moderação funcionam". TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo A equipe da qual Nick faz parte integra um sistema de segurança mais amplo, com várias equipes responsáveis por analisar denúncias sobre conteúdos. O TikTok afirmou: "Fluxos de trabalho especializados para determinadas questões não resultam na redução da prioridade de casos envolvendo segurança infantil, que são tratados por equipes dedicadas dentro de estruturas paralelas de revisão." Um porta-voz do TikTok disse que as críticas "ignoram a realidade de como o TikTok permite que milhões de pessoas descubram novos interesses, encontrem comunidade e sustentem uma economia vibrante de criadores". A empresa afirmou que contas de adolescentes têm mais de 50 recursos e configurações de segurança pré-definidos que são ativados automaticamente. Também disse que investe em tecnologia para impedir que conteúdos nocivos sejam exibidos, mantém regras rígidas de recomendação e oferece ferramentas para que os usuários personalizem sua experiência. 'Fazer o que for possível para recuperar o atraso' Em 2020, a disputa entre algoritmos ficou mais intensa quando o Instagram lançou o Reels, como resposta ao TikTok, que ganhou enorme popularidade durante a pandemia de Covid-19. Matt Motyl, que trabalhou como pesquisador sênior no Facebook e em sua empresa sucessora, a Meta, a partir de 2021, disse que essa foi a tentativa da companhia de "imitar" o "produto único" lançado pelo TikTok. Entre 2019 e 2023, seu trabalho envolvia "realizar experimentos em larga escala com, às vezes, centenas de milhões de pessoas" — que muitas vezes "não tinham ideia" de que isso estava acontecendo — para testar como o conteúdo era exibido nos feeds. "Os produtos da Meta são usados por mais de três bilhões de pessoas. Quanto mais tempo elas passam na plataforma, mais anúncios a empresa vende e mais dinheiro ganha. Mas é muito importante fazer isso da forma certa, porque quando isso não acontece, coisas muito ruins podem acontecer", disse. Quanto ao Reels, Motyl disse que a estratégia era avançar o mais rápido possível, independentemente do impacto sobre os usuários. Segundo ele, havia um "dilema comum entre proteger as pessoas de conteúdo nocivo e o engajamento". De acordo com um estudo que ele compartilhou com a BBC, a Meta estava tendo dificuldades para evitar danos no Reels após seu lançamento. O documento sugere que publicações no Reels tinham maior prevalência de comentários nocivos do que posts no feed principal do Instagram: 75% a mais de bullying e assédio, 19% a mais de discurso de ódio e 7% a mais de violência ou incitação à violência. Ele afirmou que havia um "desequilíbrio de poder", porque as equipes de segurança precisavam da aprovação das equipes responsáveis pelo Reels para lançar novos recursos que aumentassem a segurança dos usuários. Segundo Motyl, essas equipes tinham "incentivo para impedir o lançamento dessas ferramentas, porque o conteúdo tóxico gera mais engajamento do que conteúdo normal". Ícone do Instagram em um smartphone. Dado Ruvic/Reuters/Ilustração Brandon Silverman, cuja ferramenta de monitoramento de redes sociais Crowdtangle foi comprada pelo Facebook em 2016, participou de discussões em alto nível nesse período e disse que o CEO Mark Zuckerberg estava "muito paranoico" com a concorrência. "Quando ele percebe que há concorrência, não mede esforços nem dinheiro", disse Silverman. Ele afirmou que, nesse período, viu equipes de segurança lutando para conseguir aprovação para contratar poucos funcionários, enquanto a empresa priorizava a expansão do Reels. "Ao mesmo tempo, outra equipe disse: 'Acabamos de conseguir 700 pessoas para o Instagram Reels'. Eu pensei: ok", afirmou. Um ex-engenheiro da Meta, a quem estamos chamando de Tim, disse que, enquanto a empresa tentava competir com o TikTok, passou a permitir mais conteúdo nocivo limítrofe na plataforma. Segundo ele, sua equipe trabalhava para reduzir esse tipo de conteúdo, até que o "posicionamento de negócios" da empresa mudou. "Você está perdendo para o TikTok e, portanto, o preço das suas ações estava caindo. As pessoas começaram a ficar paranoicas e reativas e passaram a pensar: precisamos fazer tudo o que pudermos para recuperar o atraso. Onde podemos conseguir ganhar 2% ou 3% de receita no próximo trimestre?", disse Tim. Ele afirmou que a decisão de deixar de limitar conteúdos possivelmente nocivos, mas que não eram ilegais e geravam engajamento dos usuários, foi tomada por um vice-presidente sênior da Meta que, segundo ele, respondia diretamente a Mark Zuckerberg. Na época em que o Facebook dizia ser apenas um "espelho da sociedade", documentos internos compartilhados com a BBC por Motyl, o pesquisador sênior, revelam como a empresa sabia que estava amplificando conteúdo que deixava as pessoas irritadas e até incitava danos. Os documentos explicam que conteúdos sensíveis — como publicações ligadas a crenças morais ou que incentivam violência — tendem a gerar mais reação e engajamento na plataforma, especialmente quando provocam indignação. "Como esse conteúdo gera muito mais engajamento, nossos algoritmos passam a entender que os usuários gostam dele e querem ver mais", afirma o estudo. Silverman disse que, no início, a liderança da Meta parecia não saber como lidar com o conteúdo tóxico na plataforma e que houve um período em que a empresa estava "genuinamente introspectiva". Mas, segundo ele, essa posição "começou a se consolidar em uma espécie de postura defensiva". A atitude passou a ser a de que "não somos responsáveis por toda a polarização na sociedade", afirmou. "Ninguém está dizendo que vocês são responsáveis por toda a polarização. Estamos dizendo apenas que vocês contribuem para isso, e provavelmente de maneiras que poderiam evitar. Com algumas mudanças, essa contribuição poderia ser menor", afirmou Silverman. Um porta-voz da Meta negou as acusações feitas pelos denunciantes. "A verdade é que temos políticas rigorosas para proteger os usuários em nossas plataformas e fizemos investimentos significativos em segurança ao longo da última década", afirmou. A empresa também disse que "fez mudanças reais para proteger adolescentes online", incluindo a introdução de um novo recurso chamado Teen Accounts, "com proteções integradas e ferramentas para que os pais gerenciem a experiência de seus filhos adolescentes". Trend 'Caso ela diga não' estimula violência contra as mulheres e vira caso de polícia

Como funciona a Mega-sena O concurso 2.987 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 8 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (21), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Governo pede ICMS Zero sobre diesel para Estados Entidades do setor de combustíveis divulgaram nesta sexta-feira (20) uma nota conjunta em que pedem novas medidas ao governo federal para reduzir o risco de desabastecimento de diesel no Brasil. A nota é assinada pela Fecombustíveis e pelo Sincopetro, que representam o varejo, pela Abicom, que reúne importadoras de petróleo, pela Refina Brasil, que representa refinarias, e pelo Sindicom e BrasilCom, que representam distribuidoras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No documento, as entidades reconhecem um esforço inicial do governo federal para amenizar a forte alta do diesel, mas afirmam que as medidas anunciadas têm efeito limitado no preço final ao consumidor. Na semana passada, o presidente Lula anunciou a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira (a chamada subvenção) a produtores e importadores de diesel. A previsão é gastar R$ 30 bilhões para reduzir em R$ 0,64 por litro o preço na bomba. Em contrapartida, passou a ser aplicado um imposto sobre a exportação de petróleo. Mas, com o "desconto" bancado pelo governo, a Petrobras ganhou espaço para elevar o preço do diesel nas refinarias, acompanhando a alta do petróleo, sem repassar todo o impacto ao consumidor. Por isso, as entidades pediram novas ações do governo para baixar os preços do diesel, que já subiram quase 20% desde o início da guerra. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta que o governo tem uma "série de medidas" que podem ser adotadas, a depender da evolução dos preços dos combustíveis com o desenrolar da guerra. (veja abaixo) Veja abaixo os principais pontos. 1️⃣ Desconto não chega totalmente ao consumidor O governo anunciou corte de impostos e ajuda financeira para baratear o diesel. Mas isso vale para o diesel “A” (vendido pelas refinarias). O consumidor compra o diesel “B”, que é uma mistura de 85% diesel A e 15% biodiesel. Resultado: O desconto não é repassado de forma completa para o preço na bomba. 2️⃣ Aumento da Petrobras reduz o efeito das medidas A Petrobras aumentou o diesel A em R$ 0,38 por litro na venda para as refinarias. Considerando a mistura, isso gera impacto de cerca de R$ 0,32 por litro no diesel vendido ao consumidor. Resultado: Parte do alívio dado pelo governo é anulada por esse aumento. 3️⃣ Preços continuam altos em outras vendas Nos leilões da Petrobras, o diesel está sendo vendido acima do preço de referência das próprias refinarias da empresa. Resultado: Isso pressiona os custos em toda a cadeia. 4️⃣ Outros custos também pesam no preço final O valor do diesel não depende só das medidas do governo. Também entram na conta o preço do biodiesel, impostos estaduais (ICMS), custo do transporte, despesas operacionais e origem do combustível (nacional ou importado). Resultado: o impacto das isenções de impostos federais é limitado. 5️⃣ Parte do mercado segue preços internacionais Uma parcela importante do diesel vem de refinarias privadas e importadores. Essas empresas seguem os preços do mercado internacional. Resultado: mesmo com ações do governo, os preços continuam pressionados quando o petróleo sobe no exterior. 6️⃣ Risco de falta de diesel O setor vê um risco crescente de desabastecimento, principalmente se a Petrobras não alinhar seus preços ao mercado internacional e houver redução ainda maior na oferta de combustível. Resultado: com menos produto disponível e preços desalinhados, o preço pode ficar ainda mais pressionado. Corrida contra o tempo Em meio a uma severa alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o governo corre contra o tempo para evitar um problema em ano de eleição: um repique da inflação. Em questão de semanas, os ataques de EUA e Israel ao Irã espalharam um intenso conflito por toda a região. Um dos principais trunfos do Irã é o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Os iranianos alegam que, por conta dos ataques, o estreito foi fechado. Com o fluxo de comércio na região reduzido a menos da metade do habitual, o barril de petróleo saltou de cerca de US$ 60 no início do ano para US$ 115. A disparada da matéria-prima pressiona diretamente a Petrobras, que é responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil. Com o petróleo mais caro, a empresa precisa decidir entre repassar esse aumento — o que encarece o combustível para o consumidor — ou segurar os preços e reduzir suas margens de lucro. Esse cenário expõe como a política de preços da estatal também tem sido usada para conter a inflação. Para evitar um repasse integral da alta, o governo federal lançou um pacote para segurar o preço dos combustíveis. A isenção de PIS/Cofins representa apenas 5% do valor final do diesel. Para isso, inclusive, foi adicionada a subvenção: para dobrar o desconto. O governo, então, apelou aos governadores para que cortassem os impostos estaduais sobre os combustíveis. No caso do diesel, o ICMS representa quase 20% do valor final. Seria um desconto extra de cerca de R$ 1,20. Mas os governadores disseram “não”. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirmou que isentar o ICMS prejudicaria o financiamento de políticas públicas e que cortes no imposto “não costumam ser repassados ao consumidor final”. Diante disso, foi necessário apresentar uma nova proposta: os estados zeram o ICMS sobre importação do diesel até o fim de maio e o governo reembolsa metade do valor que não será arrecadado. Pelas contas do Ministério da Fazenda, a isenção custará R$ 3 bilhões por mês, e o governo devolveria R$ 1,5 bilhão. Como mostrou o g1, os estados devem recusar proposta. "Eu sigo muito confiante que a gente possa avançar, e não avançando, o que seria uma lástima, uma falta de compromisso, a gente iria para outros caminhos para não deixar a população desguarnecida", disse Dario Durigan, novo ministro da Fazenda. A preocupação do governo não é à toa. O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços.

Ícone do Instagram em um smartphone. Dado Ruvic/Reuters/Ilustração O Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informaram nesta sexta-feira (20) que firmaram um acordo judicial com a Meta contra a exploração do trabalho infantil artístico irregular nas redes sociais. A Meta, dona do Instagram, do Facebook e do Threads, se comprometeu a identificar, de forma proativa, os perfis que apresentem trabalho infantil artístico sem autorização judicial e trabalho proibido, disse o MPT. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A verificação por parte da empresa será periódica e vai considerar vários fatores, incluindo a presença de crianças ou adolescentes como protagonistas de conteúdos, o uso de contas com grande alcance (mínimo de 29 mil seguidores) e a atividade recente nas plataformas. Em caso de suspeitas, os responsáveis pelos perfis serão notificados para apresentar em até 20 dias alvará judicial que comprove a autorização para o trabalho infantil. O MPT e o MP-SP também poderão indicar perfis para análise. Caso a situação não seja regularizada, a conta será bloqueada no Brasil em até 10 dias. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' A Justiça do Trabalho em São Paulo proibiu, em agosto de 2025, o trabalho de influenciadores mirins no Instagram e no Facebook sem autorização judicial. A Meta entrou com uma liminar, mas a decisão foi mantida. O acordo também prevê que a Meta crie mecanismos de denúncia e sistemas de verificação de idade que impeçam a autodeclaração como único critério, além de restringir o acesso de menores de 18 anos a programas de monetização. A autodeclaração também foi proibida pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor na última terça-feira (17) – entenda o que mudou. A lei determina que plataformas direcionadas a crianças e adolescentes ou com acesso provável por esse público devem "adotar mecanismos para proporcionar experiências adequadas à idade". Os procuradores consideraram o acordo com a Meta "um avanço significativo em prol da proteção de crianças e adolescentes nas dinâmicas de trabalho em ambiente digital, especialmente diante do crescimento da produção de conteúdo por crianças e adolescentes nas redes sociais". O descumprimento do acordo poderá levar a multa de R$ 100 mil por criança ou adolescente em caso de ausência de bloqueio de conta irregular e de R$ 300 mil por descumprimento de outras obrigações de fazer. Ainda em caso de violação, a Meta será obrigada a recolher R$ 2,5 milhões a fundos de proteção à infância e à adolescência. ECA Digital: estão em vigor as novas regras para menores em redes sociais, jogos e sites

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Silveira/STF O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (20) para manter a prisão de Daniel Vorcaro e outros investigados por tentativa de atrapalhar as investigações do caso Master. O voto de Gilmar Mendes referendou as prisões, mas o decano fez alertas ao erros de outro escândalo, o da operação Lava Jato, mas acima de tudo explicitou divergências dentro da corte, afetada em cheio pela crise do caso Master. Gilmar Mendes não citou a Lava Jato por acaso: o relator do caso Master no STF, André Mendonça, é visto até hoje não apenas como um juiz da ala punitivista, mas como um defensor da operação que foi desmontada dentro do Supremo. É por isso que a principal crítica de Gilmar se deu pela alegação de que as prisões respondiam a um “clamor social” e a necessidade de “pacificação social”. O decano da corte chegou a dizer que houve apelo a “conceitos porosos e elásticos” para decretar as prisões. "O apelo a conceitos porosos e elásticos para a decretação de prisões preventivas recomenda um olhar crítico. Afinal, em um passado recente, essas mesmas fórmulas foram indevidamente invocadas pela força-tarefa da Lava Jato para justificar os mais variados abusos e arbitrariedades contra aqueles que, ao talante dos investigadores, eram escolhidos como alvos de persecução penal ancorada em razões políticas e ideológicas", diz o ministro na decisão. Gilmar vota para manter prisão de Vorcaro; placar termina em 4 a 0 Em seu voto, Gilmar acompanhou a decisão de Mendonça, mas fez acenos à defesa. Reclamou da exposição de pessoas com quem Vorcaro trocou mensagens e defendeu que a prisão domiciliar de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O decano, presidente da Segunda Turma do STF, foi o último a votar. O julgamento começou no dia 13 de março, no plenário virtual, data em que foi formada maioria para manter a detenção. Seu voto, também demonstrou que o caso Master será ambiente de tensão dentro da corte sob a relatoria de Mendonça. As menções, em conversas e outros materiais de Vorcaro, a ministros do STF e seus familiares, colocou a corte em modo de autoproteção e sob intenso escrutínio da opinião pública e aumentou as desconfianças internas. Por isso, o voto do decano aproveitou para fazer ressalvas sobre a fundamentação de medidas tomadas por Mendonça. Mendes afirma que o relator usou "clichês" e seguiu "atalhos processuais" para justificar a prisão do banqueiro. Vorcaro foi preso no dia 4 de março por ordem do ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria das investigações do caso Master. Nesta quinta-feira (19), ele foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a Superintendência da Polícia Federal. "A meu ver, algumas das expressões usadas na decisão ora submetida a referendo são um retrato do que esses dispositivos buscam combater: o recurso a clichês que serviriam para justificar a prisão de qualquer pessoa que é acusada de um crime", diz Mendes. "O alcance de bons resultados em investigações não pode se dar a partir de atalhos processuais, mas sim a partir da observância dos precisos limites da lei. Para o Estado, não há legitimidade fora da arena da legalidade, e atropelos ao direito de defesa e a regras processuais podem gerar espuma midiática e linchamentos morais no curto prazo, mas cobram um preço alto no futuro", afirma o decano.

Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta sexta-feira (20) que o país vai suspender temporariamente parte das sanções ao petróleo do Irã, com o objetivo de conter a alta dos preços no mercado global. Na prática, a medida permite a venda de petróleo iraniano que já está armazenado em navios no mar. Segundo Bessent, a autorização é pontual e terá duração limitada. Ele não detalhou quando a decisão entra em vigor nem por quanto tempo ficará válida. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Ao liberar temporariamente essa oferta existente para o mercado global, os EUA colocarão rapidamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo nos mercados internacionais, ampliando a disponibilidade de energia e ajudando a aliviar as pressões temporárias sobre a oferta causadas pelo Irã", publicou, no X, o secretário americano. Ele afirmou que os EUA usarão os barris iranianos contra Teerã para manter os preços sob controle enquanto dão continuidade à pressão sobre o país. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com o início da guerra, em 28 de fevereiro, o petróleo disparou no mercado internacional e chegou a US$ 120 — o maior nível desde 2022. Depois, recuou, mas segue acima de US$ 100, ainda em nível bastante elevado. O governo de Donald Trump passou, então, a buscar formas de conter a alta da commodity, atento ao impacto no bolso dos eleitores americanos e às eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. (leia mais) ⛽ O encarecimento do petróleo tende a pressionar os preços de gasolina e diesel e, em efeito cascata, outros produtos na economia americana — o que pode ampliar a insatisfação do eleitorado. Um dos principais fatores da disparada da commodity é o bloqueio, pelo Irã, do Estreito de Ormuz, principal rota global do petróleo, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial. A região — que também responde por cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) — registrou forte queda no tráfego de navios nas últimas semanas, após o Irã anunciar o bloqueio da área e ataques a petroleiros. Ao anunciar a suspensão das sanções, Bessent reforçou que a autorização temporária para venda do petróleo iraniano é estritamente limitada ao petróleo que já está em trânsito "e não permite novas compras ou produção". "Além disso, o Irã terá dificuldade para acessar qualquer receita gerada, e os Estados Unidos continuarão a manter pressão máxima sobre o país e sua capacidade de acessar o sistema financeiro internacional", declarou. Na semana passada, os EUA já haviam adotado medida semelhante em relação ao petróleo da Rússia, ao autorizar temporariamente a venda de cargas que estavam paradas em navios no mar. A licença, emitida pelo Departamento do Tesouro, permitiu a comercialização, até 11 de abril, de cargas de petróleo bruto e derivados embarcadas antes de 0h01 de 12 de março. Segundo Kirill Dmitriev, enviado do Kremlin para assuntos econômicos, a medida deve liberar cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo para o mercado. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, participa da 56ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, Suíça Reuters Veja a íntegra da publicação de Bessent: O Irã é a cabeça da serpente do terrorismo global e, por meio da Operação Epic Fury do presidente Trump, estamos vencendo essa batalha crucial em um ritmo ainda mais rápido do que o previsto. Em resposta aos ataques terroristas do Irã contra a infraestrutura energética global, o governo Trump continuará a mobilizar o poder econômico e militar dos Estados Unidos para maximizar o fluxo de energia para o mundo, fortalecer a oferta global e buscar garantir a estabilidade dos mercados. Hoje, o Departamento do Tesouro está emitindo uma autorização pontual e de curto prazo que permite a venda de petróleo iraniano atualmente retido no mar. No momento, o petróleo iraniano sancionado está sendo estocado pela China a preços baixos. Ao liberar temporariamente essa oferta existente para o mercado global, os Estados Unidos colocarão rapidamente cerca de 140 milhões de barris de petróleo nos mercados internacionais, ampliando a disponibilidade de energia e ajudando a aliviar as pressões temporárias sobre a oferta causadas pelo Irã. Em essência, usaremos os barris iranianos contra Teerã para manter os preços sob controle enquanto damos continuidade à Operação Epic Fury. Essa autorização temporária e de curto prazo é estritamente limitada ao petróleo que já está em trânsito e não permite novas compras ou produção. Além disso, o Irã terá dificuldade para acessar qualquer receita gerada, e os Estados Unidos continuarão a manter pressão máxima sobre o país e sua capacidade de acessar o sistema financeiro internacional. Até agora, o governo Trump tem trabalhado para levar cerca de 440 milhões de barris adicionais de petróleo ao mercado global, reduzindo a capacidade do Irã de explorar as interrupções no Estreito de Ormuz. A agenda pró-energia do presidente Trump elevou a produção de petróleo e gás dos Estados Unidos a níveis recordes, fortalecendo a segurança energética e reduzindo os custos de combustíveis. Qualquer interrupção de curto prazo agora tende a se traduzir em ganhos econômicos de longo prazo para os americanos — porque não há prosperidade sem segurança.

Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber O bilionário Elon Musk foi considerado culpado por fraudar acionistas do antigo Twitter em 2022, antes de comprar a rede social, informou nesta sexta-feira (20) a Bloomberg. Um júri federal dos Estados Unidos responsabilizou Musk por tuítes de que a negociação estava "temporariamente suspensa" e de que o Twitter tinha mais contas falsas do que números oficiais apontavam (saiba mais abaixo). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O processo foi aberto por antigos investidores do Twitter que acusaram Musk de tentar renegociar ou desistir da compra. Eles afirmaram que venderam suas ações do Twitter a preços artificialmente mais baixos entre 13 de maio e 4 de outubro de 2022 por conta das declarações do empresário. "Ele destruiu a empresa. Destruiu os executivos. E fez as ações despencarem", disse Mark Molumphy, um dos advogados dos acionistas, em suas alegações finais na última terça-feira (17). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' O nível dos danos ainda será determinado pela Justiça americana, informou a Bloomberg. Segundo Francis Bottini, outro advogado dos investidores, o prejuízo é estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões. "O fato de Musk ser o homem mais rico do mundo não lhe dá carta branca", disse Bottini. "Se você consegue influenciar os mercados com seus tuítes, você é responsável pelos danos que causa aos investidores". Michael Lifrak, um dos advogados de Musk, argumentou que o empresário tinha uma preocupação real com a quantidade de contas falsas na plataforma e que falar abertamente sobre o problema não demonstrava que ele tinha cometido ou pretendia cometer uma fraude. Em declaração conjunta, os advogados do bilionário classificaram a decisão do júri como "um obstáculo no caminho". "Aguardamos ansiosamente a absolvição em apelação", afirmaram. O júri considerou que os acionistas não conseguiram comprovar uma alegação de que Musk participou de um esquema estruturado para realizar a fraude. Relembre a compra do Twitter por Musk O interesse de Musk em comprar o Twitter foi revelado em abril de 2022, quando a empresa disse ter aceitado uma proposta de US$ 44 bilhões feita pelo empresário. No mês seguinte, ele acusou a empresa de subnotificar a quantidade de contas falsas ou voltadas para spam, conhecidas como bots. O Twitter informava que menos de 5% de sua base de usuários era de contas falsas ou de spam. Mas Musk disse que o índice chegava a pelo menos 20% de todas as contas da rede social, o que, segundo ele, diminuiria o valor do negócio. "Você não pode pagar o mesmo preço por algo que é muito pior do que eles alegaram", disse Musk em 2022, em meio ao embate com a antiga administração da empresa. Depois de Musk questionar os números oficiais, as ações do Twitter passaram a se desvalorizar. Em apenas um dia, elas caíram quase 11% na bolsa de Nova York. À época, o empresário retomou a negociação e concluiu a compra do Twitter em outubro de 2022. Sob seu comando, a plataforma abandonou o antigo símbolo do pássaro azul e passou a se chamar X. Esta não é a primeira vez que Musk enfrenta acionistas que alegam ter sido prejudicados por suas declarações. Em 2023, o empresário ganhou um caso contra investidores que alegaram ter sofrido perdas após ele afirmar falsamente que tinha "financiamento garantido" para fechar o capital da Tesla. Ainda sobre a compra o Twitter, Musk está em negociações para resolver um processo civil no órgão americano equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês). A SEC acusa Musk de demorar muito tempo para divulgar suas compras iniciais de participação na rede social em 2022. A alegação é de que ele pretendia comprar mais ações a preços baixos antes que investidores percebessem suas intenções.

O Banco Central do Brasil (BC) informou nesta sexta-feira (13) que houve vazamento de dados cadastrais vinculados a chaves PIX sob responsabilidade do Pefisa, Crédito, Financiamento e Investimento, em razão de falhas pontuais em sistemas dessa instituição. 🗓️ O vazamento dos dados aconteceu entre 30 de agosto de 2025 a 27 de fevereiro de 2026. 🗝️ Ao todo, foram expostos dados de 28.203 chaves, incluindo nome do usuário, CPF, instituição de relacionamento, número da agência, número e tipo da conta, data de abertura da conta e data de criação e de posse da chave PIX. 🔎 Em sua página na internet, a Pefisa informa que é uma fintech (empresa de tecnologia que oferecem serviços financeiros digitais) e braço financeiro do grupo Pernambucanas, sendo responsável pelo desenvolvimento e gestão de de produtos como cartões, empréstimos pessoais, seguros e contas dititais. "Não foram expostos dados sensíveis, tais como senhas, informações de movimentações ou saldos financeiros em contas transacionais, ou quaisquer outras informações sob sigilo bancário. As informações obtidas são de natureza cadastral, que não permitem movimentação de recursos, nem acesso às contas ou a outras informações financeiras", diz o Banco Central. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a autoridade monetária, as pessoas que tiveram seus dados cadastrais obtidos a partir do incidente serão notificadas exclusivamente por meio do aplicativo ou pelo internet banking de sua instituição de relacionamento. "Nem o BC nem as instituições participantes usarão quaisquer outros meios de comunicação aos usuários afetados, tais como aplicativos de mensagens, chamadas telefônicas, SMS ou e-mail", acrescentou a autoridade monetária. O Banco Central informa ainda que foram adotadas as ações necessárias para a apuração detalhada do caso e serão aplicadas as medidas sancionadoras previstas na regulação vigente. Banco Central comunica vazamento de dados cadastrais de 28,2 mil chaves PIX da Pefisa Reprodução/Redes sociais

Governo pede ICMS Zero sobre diesel para Estados Em meio a uma severa alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis do país subiu 19,41% em duas semanas, mostram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta sexta-feira (20). Na última semana, o preço médio no Brasil subiu mais 6,76%, passando de R$ 6,80 para R$ 7,26. Antes da guerra, o valor médio era de R$ 6,08. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Na tentativa de amenizar a alta, o presidente Lula anunciou a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira (a chamada subvenção) a produtores e importadores de diesel. Mas, com o "desconto" bancado pelo governo, a Petrobras decidiu elevar em 11,6% o preço do diesel nas refinarias, acompanhando a alta do petróleo no mercado internacional. Segundo o levantamento da ANP: ▶️ O preço médio do diesel nos postos do Brasil ficou em R$ 7,26 por litro. O maior valor foi de R$ 8,99, registrado em Brumado (BA). Já o menor preço foi encontrado em João Pessoa (PA), a R$ 5,79. ▶️ A gasolina teve preço médio de R$ 6,65 por litro, alta de 2,94% na última semana. O valor mais alto foi de R$ 9,39, registrado em Guarujá (SP). Já o menor preço foi encontrado em São Paulo (SP), onde a agência identificou o litro a R$ 5,49. ▶️ O etanol teve preço médio de R$ 4,70 por litro, alta de 1,29%. O maior valor foi de R$ 6,99, registrado em Santa Maria (RS). Já o menor preço foi encontrado em Lins (SP), a R$ 3,86. Neste mês, a guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112, aumentando em 86,67% o custo da matéria-prima usada na produção de combustíveis. Como o g1 já mostrou, o diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando o preço sobe, o custo do frete tende a aumentar — e acaba sendo repassado ao longo da cadeia produtiva. O aumento foge do padrão, já que o mercado costuma reajustar preços dessa forma após mudanças anunciadas pela Petrobras. O caso virou alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), depois que sindicatos do setor apontaram preços mais altos em várias regiões, mesmo sem alteração até então nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias. Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Vélizy-Villacoublay, perto de Paris. Alain Jocard/AFP Redução de impostos não impediu alta do diesel O governo brasileiro anunciou um pacote de medidas para tentar conter os efeitos da disparada do preço do petróleo sobre a inflação e reduzir o risco de desabastecimento de diesel no país. Entre as ações apresentadas estão: Zerar alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro; O aumento do imposto de exportação sobre o petróleo; Uma medida provisória que cria uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel; Novas regras de fiscalização para garantir que os benefícios cheguem ao consumidor final. Quais são os direitos do consumidor Quem compra combustível precisa ficar atento aos seus direitos. Segundo Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon-SP, a comunicação do posto deve ser clara e não pode levar o cliente a interpretações equivocadas. “O consumidor não pode ser atraído por uma propaganda que exibe um preço e, ao final, perceber que aquele valor só vale para uma forma específica de pagamento ou para um programa de fidelidade”, explica Orsatti. Essa prática pode gerar punição ao estabelecimento. Como identificar se o posto está com preços abusivos Orsatti explica que um preço é considerado abusivo quando aumenta sem um motivo que justifique a mudança. “Não existe um percentual específico para definir esse abuso; cada caso é avaliado de forma individual”. O consumidor pode denunciar à ANP e ao Procon se acreditar que o posto está cobrando valores abusivos. “Analisamos o preço exibido na bomba, o valor da nota fiscal da compra do combustível e verificamos se existe abuso”, afirma Orsatti. *Essa reportagem está em atualização.

Dos 5 milhões de brasileiros que vivem fora do país, de acordo com pesquisa do Ministério das Relações Exteriores, cerca de 3 milhões estão nos Estados Unidos. É a busca pelo chamado "sonho americano". Entre eles, um número crescente de profissionais da saúde que procuram melhores condições de trabalho, remuneração e qualidade de vida. Mas como abrir uma empresa de saúde nos EUA? Como empreender na área médica fora do Brasil? E mais: como os profissionais da saúde conseguem as licenças americanas? As respostas para essas e outras perguntas estão a seguir. “O brasileiro até volta ao Brasil para se consultar com o médico de confiança. Nem sempre o acesso é simples nos EUA. E foi nesse caminho que criei a Medstation, a Clínica do Brasileiro no Mundo. No nosso Programa de Embaixador, é possível empreender na área da saúde nos EUA”, afirma o médico e empresário Neymar Lima. Sede da Medstation na Flórida nos EUA Divulgação Como abrir uma empresa de saúde nos EUA? Empreender na área da saúde nos Estados Unidos exige planejamento, estrutura jurídica e adequação às normas locais. De forma resumida, especialistas apontam algumas etapas essenciais: Estruturação legal da empresa (LLC ou Corporation); Regularização junto aos órgãos estaduais de saúde Licenciamento profissional (para médicos, enfermeiros e outros profissionais); Credenciamento com seguradoras (insurance); Implantação de sistema de compliance e prontuário eletrônico; Equipe bilíngue e estrutura administrativa preparada. Segundo Neymar Lima, o maior erro é imaginar que basta replicar o modelo brasileiro. “O sistema americano é diferente. Aqui tudo passa por compliance, licença, seguro profissional. Se você não entender isso, pode comprometer todo o negócio”, explica. A trajetória da Medstation Neymar Lima dá dicas de como empreender na área médica no mercado norte-americano Divulgação Natural de Porto Velho (RO), Neymar formou-se em Goiás em 1990. Em 1994, construiu o maior hospital ortopédico de Palmas (TO) e foi um dos primeiros médicos concursados do estado. “Sempre cuidei de gente. Minha vida sempre foi dedicada à saúde”, relembra. Em 2012, decidiu se mudar para a Flórida. Começou do zero. “Iniciamos em uma sala de 150 metros quadrados. Ficamos até 15 dias sem atender nenhum paciente. Foi um momento difícil”, conta. Catorze anos depois, em 2026, a Medstation contabiliza oito unidades físicas nos Estados Unidos e cerca de 60 unidades online operadas por embaixadores. A rede atende entre 450 e 600 pessoas por dia, somando atendimentos presenciais e telemedicina. Entendendo o modelo Embaixador Um dos diferenciais da empresa é o chamado Programa Embaixador. Ao contrário do modelo tradicional de franquia, que envolve pagamento de royalties e obrigações contratuais rígidas, o embaixador se torna sócio da unidade. “Não vendemos franquia. O embaixador entra como sócio, como a face pública da unidade. Ele participa do crescimento do negócio”, explica Neymar Lima. Segundo a empresa, qualquer investidor pode participar, desde que passe por processo de qualificação e alinhamento estratégico. O modelo permite expansão mais rápida, com envolvimento direto do parceiro local e padronização administrativa centralizada. Entenda como funciona: O interessado investe na abertura ou aquisição de uma unidade online Medstation; Torna-se sócio da unidade, com participação nos resultados; Atua como representante local da marca, conectando-se com a comunidade brasileira; Não há pagamento de taxas mensais ou anuais de franquia; Maior liberdade de gestão em comparação ao modelo tradicional de franquia; Recebe apoio da Medstation em estrutura, processos e marca consolidada. Saúde para brasileiro nos EUA é problema? Para o brasileiro que vive fora, o maior medo não é lazer, segurança ou educação, e sim saúde. E as três principais barreiras identificadas na área da saúde para os brasileiros são: Acesso ao sistema; Idioma (barreira cultural e técnica); Custo. A Medstation aposta em consultas 100% em Português, telemedicina para facilitar o acesso e modelos de pagamento que tornam o atendimento viável para quem não possui seguro saúde. Educação continuada e HUB de carreira A Medstation funciona com um hub; entenda no conteúdo a seguir Divulgação Além das unidades médicas, a empresa investe em um projeto de Educação Continuada. O objetivo é ajudar profissionais brasileiros da saúde a conquistarem licenças nos Estados Unidos. “Muitos profissionais chegam aqui perdidos. Não sabem por onde começar. Nós orientamos, capacitamos e contratamos”, diz Neymar. Trata-se de um HUB completo de carreira e negócios na área da saúde, conectando médicos, enfermeiros, investidores e pacientes dentro do mesmo ecossistema. A clínica do brasileiro no mundo Acesse o site oficial da Medstation para saber mais e se inscreva no Programa Embaixador para empreender na área da saúde nos Estados Unidos.

Justiça do DF determina suspensão da lei que permite uso de terrenos públicos como garantia para empréstimos do BRB Jornal Nacional/ Reprodução A S&P Global – empresa de análises financeiras e classificação de risco – rebaixou o Banco de Brasília (BRB) para o nível 'brB-'. Segundo a empresa, o rebaixamento do banco ocorreu por conta de incertezas sobre a capacidade de capitalização. "Em nossa visão, os riscos jurídicos e políticos podem dificultar o plano de capitalização do banco, que também precisará de maiores níveis de provisionamento diante das perdas esperadas dos ativos adquiridos do Banco Master", aponta a S&P Global no comunicado desta quinta-feira (19). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O g1 entrou em contato com o Banco de Brasília, mas até a última atualização desta reportagem não houve resposta. Entenda a avaliação Justiça autoriza repasse dos imóveis públicos ao BRB Segundo o documento, após a operação Compliance Zero, em novembro de 2025, o BRB vem avaliando os possíveis impactos da aquisição de ativos do Banco Master, já que o Banco de Brasília queria comprar o Master. Com a perda potencial dos investimentos do BRB no Banco Master, o plano de capitalização do Banco de Brasília focou na lei distrital que autoriza o uso de bens e imóveis públicos de empresas estatais para reforçar o BRB. Mas, segundo a S&P Global, entre 16 e 18 de março, "uma série de eventos levantou dúvidas sobre a viabilidade do uso desses bens públicos para o aporte no BRB". E a avaliação é de que houve um aumento da incerteza jurídica em relação ao plano de capitalização do banco. "Nesse contexto, rebaixamos nosso rating de longo prazo do BRB de 'brBB' para 'brB-' e reafirmamos o rating de curto prazo de 'brB' da instituição", aponta a avaliação. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (20) que ainda aguarda resposta dos estados sobre a proposta do governo federal de zerar o ICMS, imposto estadual, sobre importação do óleo diesel até o fim de maio. Além disso, Durigan afirmou que o governo tem uma "série de medidas" que podem ser adotadas, a depender da evolução dos preços dos combustíveis com o desenrolar da guerra. O objetivo seria conter a escalada do preço do diesel diante da guerra no Oriente Médio. Pela proposição do Ministério da Fazenda, metade da perda de arrecadação dos estados seria compensada pela União. Em evento em São Paulo, Lula confirma Dario Durigan como substituto de Haddad De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a isenção do ICMS na importação do diesel custará R$ 3 bilhões por mês até o fim de maio, dos quais o governo se compromete a ressarcir R$ 1,5 bilhão por mês aos estados. A decisão será tomada até o fim de março. "Eu sigo muito confiante que a gente possa avançar, e não avançando, o que seria uma lástima, uma falta de compromisso, a gente iria para outros caminhos para não deixar a população desguarnecida", disse Durigan a jornalistas. Dario Durigan foi nomeado como novo ministro da Fazenda nesta sexta-feira (20), após o antigo titular da pasta, Fernando Haddad, ter deixado o cargo para concorrer ao governo de São Paulo nas próximas eleições. Ele era secretário-executivo da pasta, o número dois na linha de comando, até então. Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda Segundo ele, o governo segue muito atento para que o custo da guerra para os brasileiros, incluindo os caminhoneiros, que dependem do diesel para o transporte de cargas, assim como as famílias, "seja o mínimo possível'. Questionado por jornalistas sobre o alerta de importadores, distribuidores e representantes do setor de combustíveis de que pode faltar diesel no país se providências imediatas não forem tomadas, diante da defasagem do preço praticado no país em relação às cotações internacionais, Durigan afirmou que isso não acontecerá.
Governo pede ICMS Zero sobre diesel para Estados
Entidades do setor de combustíveis divulgaram nesta sexta-feira (20) uma nota conjunta em que pedem novas medidas ao governo federal para reduzir o risco de desabastecimento de diesel no Brasil.
A nota é assinada pela Fecombustíveis e pelo Sincopetro, que representam o varejo, pela Abicom, que reúne importadoras de petróleo, pela Refina Brasil, que representa refinarias, e pelo Sindicom e BrasilCom, que representam distribuidoras.
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No documento, as entidades reconhecem um esforço inicial do governo federal para amenizar a forte alta do diesel, mas afirmam que as medidas anunciadas têm efeito limitado no preço final ao consumidor.
Na semana passada, o presidente Lula anunciou a isenção de impostos federais e uma ajuda financeira (a chamada subvenção) a produtores e importadores de diesel. A previsão é gastar R$ 30 bilhões para reduzir em R$ 0,64 por litro o preço na bomba. Em contrapartida, passou a ser aplicado um imposto sobre a exportação de petróleo.
"Esses instrumentos naturalmente têm relevância para minimizar pressões de custo. Contudo, seus efeitos no preço final ao consumidor dependem da estrutura de formação do preço do diesel comercializado no país, bem como das condições de suprimento e tributação ao longo de toda cadeia", diz o texto.
Isso porque, com o "desconto" bancado pelo governo, a Petrobras ganhou espaço para elevar o preço do diesel nas refinarias, acompanhando a alta do petróleo, sem repassar todo o impacto ao consumidor.
Mas, segundo as entidades, o resultado é que o diesel vendido nos postos não está ficando mais barato.
Primeiro porque as medidas afetam o preço do diesel “A”, vendido pela Petrobras às distribuidoras.
O consumidor compra o “diesel B”, composto por 85% de diesel “A” e 15% de biodiesel. Por isso, os incentivos não são repassados automaticamente nem de forma integral ao produto vendido nos postos, dizem as associações.
Segundo as entidades, o aumento de R$ 0,38 no diesel “A”, anunciado pela Petrobras, representaria cerca de R$ 0,32 por litro no diesel “B”, que é o produto comprado pelos consumidores.
Outro exemplo citado pelas entidades são os leilões realizados pela Petrobras, nos quais o diesel “A” tem sido negociado entre R$ 1,80 e R$ 2 por litro. Esse valor, dizem, está acima do preço de referência das refinarias da própria companhia.
A nota também destaca que parte relevante do abastecimento nacional vem de refinarias privadas e de importadores. Essas empresas não atuam na extração de petróleo no Brasil e praticam preços do diesel “A” de acordo com as referências internacionais.
A percepção do setor é que a situação pode piorar se a Petrobras não alinhar seus preços aos do mercado internacional e continuar evitando vender volumes adicionais de combustível. Com menos produto disponível e preços desalinhados em relação aos importados, aumenta o risco de pressão ainda maior sobre os preços.
“Diante desse cenário se faz necessária a adoção de providências, com a maior brevidade possível, de modo a evitar o agravamento dos riscos de desabastecimento nacional”, diz o texto.
De acordo com a nota, o tamanho do efeito das medidas determinadas pelo governo depende de fatores como a proporção da mistura obrigatória, o custo do biodiesel, o ICMS, o frete, os custos operacionais e a origem do produto.
Corrida contra o tempo
Em meio a uma severa alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o governo corre contra o tempo para evitar um problema em ano de eleição: um repique da inflação.
Um levantamento da TruckPag, empresa que faz gestão de frotas, mostra que o preço do diesel no Brasil já chegou a uma média de R$ 7,22. No início da guerra do Oriente Médio, no final de fevereiro, o preço médio era de R$ 5,74.
Em questão de semanas, os ataques de EUA e Israel ao Irã espalharam um intenso conflito por toda a região. Um dos principais trunfos do Irã é o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Os iranianos alegam que, por conta dos ataques, o estreito foi fechado. Com o fluxo de comércio na região reduzido a menos da metade do habitual, o barril de petróleo saltou de cerca de US$ 60 no início do ano para US$ 115.
A disparada da matéria-prima pressiona diretamente a Petrobras, que é responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil. Com o petróleo mais caro, a empresa precisa decidir entre repassar esse aumento — o que encarece o combustível para o consumidor — ou segurar os preços e reduzir suas margens de lucro.
Esse cenário expõe como a política de preços da estatal também tem sido usada para conter a inflação. Para evitar um repasse integral da alta, o governo federal lançou um pacote para segurar o preço dos combustíveis.
A isenção de PIS/Cofins representa apenas 5% do valor final do diesel. Para isso, inclusive, foi adicionada a subvenção: para dobrar o desconto.
O governo, então, apelou aos governadores para que cortassem os impostos estaduais sobre os combustíveis. No caso do diesel, o ICMS representa quase 20% do valor final. Seria um desconto extra de cerca de R$ 1,20.
Mas os governadores disseram “não”. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirmou que isentar o ICMS prejudicaria o financiamento de políticas públicas e que cortes no imposto “não costumam ser repassados ao consumidor final”.
Diante disso, foi necessário apresentar uma nova proposta: os estados zeram o ICMS sobre importação do diesel até o fim de maio e o governo reembolsa metade do valor que não será arrecadado.
Pelas contas do Ministério da Fazenda, a isenção custará R$ 3 bilhões por mês, e o governo devolveria R$ 1,5 bilhão. Como mostrou o g1, os estados devem recusar proposta.
"Eu sigo muito confiante que a gente possa avançar, e não avançando, o que seria uma lástima, uma falta de compromisso, a gente iria para outros caminhos para não deixar a população desguarnecida", disse Dario Durigan, novo ministro da Fazenda.
A preocupação do governo não é à toa. O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços.
Por isso, o governo também reforçou a fiscalização da tabela do frete no Brasil, para garantir que os caminhoneiros não rodem “no prejuízo” e buscando impedir uma nova paralisação da categoria, que agravaria ainda mais a situação.
O economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, afirma que os aumentos indiretos causados pela alta do diesel podem elevar a inflação em 0,11 ponto percentual em 2026.
“O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel, já neste mês. Entre os efeitos indiretos, o aumento será espraiado ao longo dos próximos seis meses”, diz Romão.

Empresas como a Kalshi permitem que usuários ganhem dinheiro especulando sobre eventos como o fechamento do Estreito de Ormuz durante a guerra Getty Images via BBC A Kalshi, plataforma da bilionária brasileira Luana Lopes Lara que transforma previsões sobre acontecimentos futuros em ativos negociáveis, foi banida em um dos estados dos EUA nesta sexta-feira (20). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A decisão partiu do tribunal de Nevada, que determinou a suspensão imediata da empresa por 14 dias. Segundo reguladores locais, a empresa não possui licença para operar atividades de apostas no estado. Uma audiência está marcada para 3 de abril, quando a Justiça deve decidir se mantém a proibição ao longo do processo. A determinação do Tribunal do Primeiro Distrito Judicial diz que a empresa não pode “oferecer uma bolsa de derivativos e mercado de previsão com contratos baseados em eventos ligados a esportes, eleições e entretenimento”. É a primeira vez que um estado americano força a Kalshi a interromper suas operações — e a decisão marca um novo golpe para a empresa, que vem em uma trajetória de crescimento acelerado. Luana Lara, a brasileira que se tornou a bilionária mais jovem do mundo sem herança Desde 2024, quando venceu uma batalha judicial contra a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e obteve autorização para operar contratos ligados a eleições, a Kalshi ampliou sua base de usuários e diversificou sua oferta. A empresa sustenta que seus produtos não configuram apostas, mas sim instrumentos financeiros — os chamados derivativos — e, por isso, deveriam ser regulados em nível federal. A CFTC, responsável por supervisionar esse mercado, tem apoiado essa interpretação e afirma ter jurisdição exclusiva sobre esse tipo de operação. Alguns reguladores estaduais, no entanto, têm uma visão diferente. Em Nevada, onde o setor de apostas tem um controle rígido, autoridades argumentam que contratos sobre resultados esportivos e eleitorais são, na prática, equivalentes a apostas tradicionais — e, portanto, exigem licença específica. A Kalshi foi responsável por colocar Luana Lopes Lara nos holofotes ao se tornar a bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna, sem ser herdeira. Recentemente, a empresa levantou mais de US$ 1 bilhão em uma nova rodada de investimentos, fazendo com que seu valor fosse avaliado em US$ 22 bilhões.

O presidente da Argentina, Javier Milei, faz um discurso especial durante a 55ª reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 23 de janeiro de 2025. Reuters O Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina cresceu 4,4% em 2025, informou o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) nesta sexta-feira (20). O resultado representa uma recuperação em relação a 2024, quando a economia retraiu 1,3%, conforme valores revisados. Esse foi o primeiro avanço do PIB sob a gestão do presidente ultraliberal Javier Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023. É também a primeira alta desde 2022, ano em que o país cresceu 6%, durante o governo de Alberto Fernández. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o Indec, o crescimento foi puxado pela alta do consumo privado (7,9%), do consumo público (0,2%), das exportações (7,6%) e da formação bruta de capital fixo (16,4%) — indicador que mede os investimentos em obras, máquinas e equipamentos. Pelo lado da oferta, destaque para os avanços da intermediação financeira (24,7%), da exploração de minas e pedreiras (8,0%) e de hotéis e restaurantes (7,4%). Já pesca (-15,2%) e serviços domésticos (-1,1%) registraram queda. PIB da Argentina Arte/g1 Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que, embora o resultado do PIB tenha sido positivo, ele ainda apresenta desafios estruturais, com crescimento concentrado em setores específicos e consumo interno ainda fraco — ou seja, os argentinos seguem consumindo pouco. 🔎 O consumo, por exemplo, segue em desaceleração e ainda não recuperou a queda registrada no ano anterior, mesmo com o resultado positivo em 2025, explica Tito Nolazco, diretor da Prospectiva Public Affairs Latam na Argentina. (leia mais abaixo) Nos últimos três meses de 2025, a economia argentina cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço foi de 2,1%. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Federico Servideo, diretor-presidente da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, explica que o consumo ainda baixo no país está diretamente ligado ao forte ajuste nas contas públicas promovido por Javier Milei. "Do lado da demanda, o crescimento do PIB foi sustentado principalmente pelas exportações, enquanto o consumo interno permaneceu fraco e o gasto público foi reduzido devido ao ajuste fiscal", avalia. A Argentina, que já enfrentava uma forte crise antes de 2023, passou por uma ampla reforma na economia sob o comando de Milei. Após assumir o cargo, ele paralisou obras federais e interrompeu o repasse de recursos aos estados, medidas que reduziram a atividade econômica em 2024. No chamado Plano Motosserra, o presidente também retirou subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais, provocando um aumento expressivo nos preços — com impacto direto no bolso dos consumidores. O cenário se estendeu para 2025. Isso fez o controle da inflação se tornar a principal obsessão do governo, embora a tarefa tenha se mostrado difícil. O índice de preços avançou 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, afetando diretamente o consumo. Em 2025, a inflação caiu para 31,5%, mas analistas avaliam ainda não ser o suficiente para a estabilização econômica. Tito Nolazco, da Prospectiva, destaca que Milei adotou medidas econômicas relevantes em seus dois primeiros anos de governo: implementou reformas pró-mercado, abriu a economia, eliminou restrições cambiais e reduziu a inflação. "Ele ainda não consegue, porém, que essa estabilização macroeconômica se traduza em geração de empregos, aumento do consumo e dinamismo da economia", analisa. Dados divulgados pelo Indec na quinta-feira (19) mostram que o desemprego subiu 1,1 ponto percentual em 2025, alcançando 7,5% — o maior nível desde a pandemia de Covid‑19. A taxa mede a proporção de pessoas sem trabalho que estão disponíveis e procurando emprego. Ano de transição Os dados de 2025 indicam que a economia argentina atravessa um momento de transição, com sinais de reorganização após o forte ajuste macroeconômico promovido por Milei, avalia Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo. "Embora esses avanços tenham sido acompanhados de custos no curto prazo, especialmente sobre o consumo e a atividade industrial, a economia apresentou sinais de reorganização, com melhora de alguns fundamentos, como o controle fiscal e a desaceleração inflacionária", diz. Conforme mostrou o g1, a Argentina registrou superávit nas contas públicas em 2024 e 2025, sob o governo Milei — ou seja, o país arrecadou mais do que gastou, mesmo considerando os juros da dívida. O país não alcançava dois anos consecutivos com resultado positivo desde 2008. A reorganização da economia, porém, ainda não se dá de forma equilibrada entre os setores. Segundo Jimena Zuniga, analista de geoeconomia da América Latina da Bloomberg Economics, o crescimento se manteve forte em alguns segmentos, como energia e mineração, mas continuou fraco em outros. "O setor manufatureiro e a maioria dos serviços — ou seja, os setores que empregam mais pessoas — permaneceram muito fracos. Por isso, embora as exportações tenham continuado crescendo sequencialmente, o consumo e o investimento praticamente não avançaram", analisa. Como os números impactam Milei — e o que esperar à frente Tito Nolazco, da Prospectiva, avalia que o principal desafio do governo de Milei em 2026 será gerar resultados concretos para os cidadãos, em busca de garantir uma base sólida de apoio social para o próximo ano eleitoral. O especialista projeta que o governo continuará com sua agenda de reformas no Congresso — muitas delas demandadas pelo setor privado —, mas ressalta que há um intervalo significativo entre a aprovação das medidas e seus efeitos reais na economia. "Explicar isso à população será fundamental do ponto de vista da comunicação governamental", afirma. Em fevereiro, Milei conseguiu aprovar no Congresso uma ampla reforma trabalhista que flexibiliza regras do mercado de trabalho. O governo comemorou o avanço de sua agenda de reformas, enquanto sindicatos e trabalhadores protestaram e prometeram disputas jurídicas. Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, destaca que o crescimento do PIB tem grande relevância política ao indicar que o programa econômico de Milei pode ter interrompido, em certa medida, a crise argentina. "Isso confere ao governo um ganho de credibilidade no curto prazo, especialmente junto a mercados e setores mais favoráveis às reformas", explica. Ele, entretanto, pondera que esse resultado traz ressalvas: o crescimento de 2025 reflete, em grande parte, a recuperação após a forte queda de 2024 e apresenta dados concentrados e pouco inclusivos. "A ausência de uma melhora consistente no emprego, no consumo e na atividade industrial limita o impacto político positivo do resultado", conclui. Economistas esperam que o PIB da Argentina volte a crescer em 2026. A pesquisa mais recente do banco central do país mostra que, em média, os analistas projetam alta de 3,4% para este ano.

O consignado CLT é o mais vantajoso do mercado financeiro atual Pegatroco/Divulgação O crédito consignado ao trabalhador com carteira assinada completa um ano de vigência neste sábado (21) com cerca de R$ 84 bilhões emprestados em novos contratos de crédito, segundo números do Ministério do Trabalho. Considerando a migração de contratos antigos, o valor de operações na plataforma somou R$ 117,1 bilhões, acrescentou o governo federal. A expectativa inicial do governo era bem maior: emprestar R$ 100 bilhões em três meses de vigência da nova modalidade de crédito. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o programa desempenhou um "papel fundamental" na inclusão financeira de trabalhadores que antes não tinham acesso a linhas formais de crédito. "O Crédito do Trabalhador permitiu que pessoas que antes recorriam apenas a agiotas tivessem acesso a empréstimos seguros. Além disso, possibilitou que outros saíssem do cheque especial ou quitassem o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), muitas vezes com juros elevados”, afirmou o ministro Luiz Marinho. 🔎 Os empréstimos são descontados da remuneração mensal do trabalhador, respeitado o limite legal da margem consignável (de até 35% da renda líquida para empréstimos e financiamentos). No crédito ao trabalhador, a busca pelos empréstimos pode ser feita por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) ou, também, diretamente nas instituições financeiras. FGTS como garantia A regulamentação do uso do saldo do FGTS dos trabalhadores como garantia aos empréstimos, algo prometido pelo governo como um diferencial da modalidade, uma forma de baixar os juros aos trabalhadores, porém, ainda não saiu do papel. A promessa inicial era de que a regulamentação sairia até 15 de junho do ano passado, passando depois para 10 de setembro de 2025. Nesta semana, o Ministério do Trabalho informou que há uma expectativa é que isso seja implementado neste semestre, com regras específicas definindo seu funcionamento. 🔎 Quando a garantia do FGTS estiver em vigor, todos os trabalhadores poderão usar até 10% do saldo do FGTS como garantia e, também, 100% da multa rescisória na demissão sem justa causa (que equivale a 40% do valor do saldo) — algo que contribuirá para baratear os juros e para estimular os bancos a emprestarem mais recursos. Em caso de demissão, os bancos poderão pegar o FGTS dado como garantia. Juros caem pouco no consignado CLT em 9 meses Comparação com aposentados e servidores Sem a regulamentação do uso das garantias, a taxa de juros média da modalidade ao setor privado operou, durante esse primeiro ano de vigência, no dobro dos empréstimos consignados aos servidores públicos e aos aposentados e pensionistas. ➡️Em janeiro deste ano, última informação disponibilizada pelo Banco Central, o juro do consignado CLT somou 3,85% ao mês, contra 1,81% ao mês dos aposentados e 1,79% ao mês dos servidores públicos. Mas a taxa do empréstimo da linha CLT ao setor privado ficou menor do que o cheque especial (7,52% ao mês) e cartão de crédito rotativo (14,81% ao mês), ambos registrados também em janeiro. Questionado pelo g1, o Ministério do Trabalho e Emprego admite que as garantias são um fator "importante para a queda de juros", mas acrescenta que "não dá para comparar os juros do consignado do setor público com a iniciativa privada". "O banco quando dá crédito para um trabalhador de carteira assinada ele calcula o risco, porque esse trabalhador pode perder o emprego, bem diferente do servidor público, que não perde o emprego", avaliou o governo federal, por meio de nota. De acordo com ranking disponibilizado pelo Banco Central, em sua página na internet, entre 25 de fevereiro e 3 de março, a taxa de juros da modalidade aos trabalhadores do setor privado varia de 1,62% a 7,07% ao mês. ➡️ As taxas médias divulgadas pelo BC não garantem que esse será o juro final para os trabalhadores. O valor efetivo dependerá da análise de risco feita pelas instituições financeiras, considerando fatores como garantia oferecida, tempo de trabalho e histórico de crédito. ➡️ Especialistas recomendam que os trabalhadores pesquisem amplamente no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, incentivando a concorrência entre os bancos antes de contratar um empréstimo. Sem teto para os juros Apesar dos juros mais altos, o governo informou que o governo não deve fixar teto para os juros do consignado ao setor privado, algo que existe na modalidade para os aposentados e pensionistas. "Há uma outra proposta que vai evitar juros abusivos. As instituições serão notificadas e, se não se adequarem, serão suspensas e até excluídas do programa", diz o Ministério do Trabalho. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) tem defendido que não é necessário fixar um teto para os juros, pois as taxas cobradas, segundo a entidade, serão mais baixas com a garantia dos recursos do FGTS. Impacto da regulamentação das garantias Para Fernanda Garibaldi, diretora executiva da Zetta, uma associação criada por empresas de tecnologia com atuação no setor financeiro, a ampliação do consignado privado depende do avanço do que ela chama de "pilares estruturais do programa". Um deles é a implementação das garantias. "A ausência de avanços na operacionalização dessas garantias pode limitar o potencial do programa", destaca Fernanda Garibaldi, da Zetta, que adiciona que também há preocupações sobre o "fluxo operacional a ser implementado das garantias que pode limitar a efetividade dos mecanismos para redução de risco do crédito e diminuição das taxas de juros". Outros fatores, segundo ela, incluem fortalecimento da fiscalização e uma implementação das garantias com "fluxo simplificado", além da contratação do crédito, com esse mecanismo, via canal da própria instituição financeira. "O acesso a dados mais completos, especialmente sobre os empregadores, é essencial para uma precificação mais adequada do risco e para a identificação de possíveis distorções ou práticas abusivas", complementou a especialista.

Donald Trump diz que já venceu a guerra com o Irã A revista britânica "The Economist" ironizou a ação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em sua capa desta semana. Com a manchete "Operação Fúria Cega", uma referência ao nome da ofensiva - Epic Fury, Fúria Épica em português -, a publicação retratou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um capacete de soldado cobrindo seus olhos. "A campanha imprudente contra o Irã enfraquecerá o presidente americano. Isso o deixará furioso. Fiquem avisados: ele é um péssimo perdedor", provocou a revista na legenda de sua publicação nas redes sociais. Capa da revista 'The Economist' Divulgação Na reportagem, a Economist destaca que a guerra está minando três das principais armas de Trump em seu governo: "sua capacidade de impor sua própria realidade ao mundo, seu uso implacável de influência e seu domínio sobre o Partido Republicano". Também diz que o regime iraniano está tendo sucesso em sua estratégia de prolongar o confronto e pressionar a indústria energética global com o bloqueio do Estreito de Ormuz, que levou o preço do petróleo a chegar aos US$ 110 por barril. "O presidente demonstrou uma notável capacidade de distorcer os fatos e, certamente, insiste que já triunfou no Irã. Contudo, a guerra revela uma verdade própria. (...) O tempo está a favor do Irã", ressalta o texto. Para a revista, uma guerra prolongada deve prejudicar também as eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrerão em novembro, para o Partido Republicano, o do presidente americano.

Representante da Amazon demonstra os recursos do Fire Phone, em foto de 18 de junho de 2014 Reuters/Jason Redmond A Amazon está se preparando para lançar um novo celular, mais de 10 anos depois de anunciar um aparelho que foi considerado um de seus maiores fracassos, revelou nesta sexta-feira (20) a agência Reuters. O novo projeto é conhecido internamente como Transformer e está sendo desenvolvido pela unidade de dispositivos e serviços da Amazon, afirmaram à Reuters quatro fontes que pediram anonimato porque não estavam autorizadas a discutir assuntos internos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O telefone é visto como um potencial dispositivo de personalização móvel capaz de se sincronizar com a assistente de voz Alexa e servir como um canal de contato com os clientes da Amazon ao longo do dia, explicaram as fontes. Em 2014, a Amazon lançou seu primeiro smartphone, na esperança de enfrentar a Apple e a Samsung. Em vez disso, o Fire Phone – supervisionado diretamente pelo fundador Jeff Bezos – foi descartado em pouco mais de um ano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' O projeto Transformer é o mais novo capítulo de um esforço de anos para levar ao mercado a visão de longa data de Bezos de um assistente de computação onipresente acionado por voz, semelhante ao computador controlado por voz da série de ficção científica "Star Trek". Bezos imaginou um smartphone com foco em compras e capacidade de competir com a Apple, oferecendo facilidades de entrega e descontos por meio da assinatura Prime. Com o aparelho, a Amazon poderia obter ainda mais dados sobre os usuários. As informações seriam combinadas com o histórico de compras e as preferências de conteúdo. Jeff Bezos e o Fire Phone AP O esforço da Amazon para lançar um novo smartphone não foi relatado anteriormente. A Reuters não conseguiu determinar alguns detalhes, como o preço previsto do telefone, a receita projetada com o aparelho ou o investimento que a empresa está fazendo no projeto. O cronograma para o projeto Transformer da Amazon também não está claro, e as fontes advertiram que ele poderia ser descartado se a estratégia mudar ou devido a preocupações financeiras. Um porta-voz da Amazon não quis comentar sobre o caso. Os recursos de personalização do novo telefone facilitariam comprar no site da Amazon, assistir ao Prime Video, acessar o Prime Music ou pedir comida em serviços de delivery parceiros como o Grubhub. Um dos principais focos do Transformer é a integração de recursos de inteligência artificial no celular. Isso eliminaria a necessidade de lojas de aplicativos tradicionais, que exigem o download e o registro de aplicativos antes que eles possam ser usados. A Alexa provavelmente seria um recurso central, mas não necessariamente o sistema operacional principal do telefone.

Colheita de soja no Piauí. Divulgação Autoridades da China aceitaram flexibilizar regras em relação à presença de ervas daninhas em carregamentos de soja importados do Brasil. A informação consta em um documento da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura, publicado nesta sexta-feira (20) no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do governo federal. Nos últimos dias, o país asiático devolveu cerca de 20 navios brasileiros carregados com soja por conterem ervas daninhas proibidas na China. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No documento, a SDA explica que, em uma reunião com as autoridades chinesas, o governo brasileiro explicou "que não é possível atestar a ausência absoluta de sementes de plantas daninhas em soja, dado as características de produção". O texto acrescenta que "as autoridades chinesas entenderam e aceitaram que não será adotado o critério de tolerância zero" nas cargas que saem do Brasil. Diante desse cenário, o governo brasileiro determinou a certificação de navios mesmo quando houver presença de plantas daninhas apontada em laudos laboratoriais. Apesar da flexibilização, ainda não há um limite numérico oficial definido para a tolerância de ervas daninhas. Segundo o documento, o percentual aceitável será discutido futuramente em negociações bilaterais entre representantes dos dois países. Até lá, a avaliação seguirá baseada em análise de risco e em medidas de mitigação, de acordo com o destino do produto. O que aconteceu Nos últimos dias, a China devolveu cargas de soja enviadas pelo Brasil que descumpriram regras sanitárias do país, enquanto a Cargill – uma das maiores exportadoras de grãos – cancelou embarques para o parceiro asiático no dia 12 deste mês. Principal destino da soja brasileira, a China responde por cerca de 80% das exportações do produto. Cerca de 20 navios brasileiros foram devolvidos pela China recentemente por apresentarem grãos de soja misturados a ervas daninhas proibidas no país asiático. Diante da situação, representantes do Ministério da Agricultura devem viajar à China na próxima semana para tratar do tema. Na terça-feira (17), o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, disse em coletiva de imprensa que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas que a preocupação dos chineses é legítima. Ele afirmou ainda que vai propor à China a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio de soja. Quando a pressão começou Apesar de o caso ter ganhado repercussão nos últimos dias, a situação não é nova, afirma Raphael Bulascoschi, analista do mercado de soja da StoneX Brasil. "O problema começou no final do ano passado, quando o GACC, órgão responsável pela fiscalização na China, informou ao governo brasileiro que carregamentos estavam chegando com excesso de sementes proibidas e materiais estranhos", diz Bulascoschi. "Recentemente, a China voltou a cobrar o Ministério da Agricultura de forma mais dura, o que levou o governo a adotar uma 'postura de tolerância zero' para evitar tensões diplomáticas e a emitir certificados fitossanitários com mais rigor", acrescenta. Na prática, diz ele, o Ministério passou a fazer inspeções mais frequentes e deixou de emitir certificados para carregamentos que não cumprem as exigências. "Sem esse certificado, as empresas ficam impedidas de entregar a carga na China e de receber o pagamento", explica. Agora, com a flexibilização por parte da China, as cargas devem ser liberadas. Interrupção da Cargill Segundo Bulascoschi, foi nesse contexto que a Cargill decidiu interromper as exportações para a China. O g1 procurou a companhia, que informou que suas entidades representativas — a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) — publicariam uma nota conjunta. No entanto, as entidades não têm dado explicações. Na nota conjunta, publicada na quinta-feira (12), disseram apenas que acompanham "de forma atenta" os "recentes desdobramentos" das exportações de soja. Impacto para as exportações Analistas da Hedgepoint Global Markets avaliam que o caso é pontual e não deve afetar o volume de soja exportado para a China. "A fila de navios nos portos brasileiros continua forte, com cerca de 17 milhões de toneladas de soja, sendo 10 milhões destinadas à China", afirma Thais Italiani, gerente de Inteligência de Mercado. "Até agora, não há registro de atrasos relevantes na saída de navios, o que indica que se trata de ajustes pontuais no processo de inspeção das cargas", acrescentou. Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint Global Markets, afirma que 20 navios com cargas de soja representam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas. "É pouco diante das 112 milhões de toneladas que o Brasil deve exportar no total no ano", conclui. Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil

Lula fala sobre exploração de petróleo na Margem Equatorial O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta sexta-feira (20) Minas Gerais para anunciar investimentos da Petrobras no estado na cifra de R$ 9 bilhões ao longo da próxima década. Ele também voltou a defender a exploração de petróleo na Margem Equatorial brasileira. O presidente esteve nesta tarde na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No discurso, Lula defendeu o papel estratégico da Petrobras para o desenvolvimento do país e destacou a importância da estatal na busca pela autossuficiência em petróleo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Segundo a Petrobras, os investimentos na Regap podem chegar a R$ 9 bilhões ao longo da próxima década, com potencial de geração de até 36 mil postos de trabalho. Apenas no atual plano de negócios da empresa, entre 2026 e 2030, estão previstos R$ 3,8 bilhões em aportes e cerca de 8 mil empregos. Os investimentos incluem a ampliação da produção de combustíveis e ações de transição energética, como a implantação do combustível sustentável de aviação (SAF) e a expansão do Diesel R. Produção de 60% da capacidade atualmente Lula afirmou que a Regap vem produzindo apenas 60% de sua capacidade. A Petrobras já iniciou obras para elevar a capacidade da refinaria, hoje em 166 mil barris por dia, com aumento previsto de 25 mil barris até 2027 e estudos para expansão de até 50%. A refinaria responde por cerca de 9% da produção de derivados da empresa e reúne 16 mil fornecedores, com contratos que somam cerca de R$ 28 bilhões. Também entrou em operação a primeira usina fotovoltaica da Petrobras em refinarias, com investimento de R$ 63 milhões, capaz de atender cerca de 10 mil residências e reduzir a emissão de 8 mil toneladas de CO₂ por ano. Segundo a estatal, a retomada dos investimentos ocorre após a saída da unidade do plano de desinvestimentos. O número de trabalhadores passou de cerca de 2 mil, em 2020 e 2021, para aproximadamente 3,8 mil atualmente. Lula discursa durante evento em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Thamer Pimentel/TV Globo Ampliação da exploração do petróleo Lula também voltou a defender a ampliação da exploração de petróleo no país, incluindo a chamada Margem Equatorial (faixa marítima que se estende do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte e é considerada uma nova fronteira exploratória). "Estamos tentando resolver a exploração do petróleo na Margem Equatorial, e vamos saber se temos o petróleo, porque tem na Guiana, tem no Suriname, não é possível que Deus tenha deixado um pouquinho para nós", afirmou o presidente durante o discurso. O projeto, no entanto, é alvo de críticas de ambientalistas, que apontam riscos à biodiversidade e a possíveis impactos em áreas sensíveis, como a foz do Rio Amazonas. Refinaria na Bahia vendida Lula também afirmou, ao discursar, que o governo vai comprar a refinaria na Bahia que era da Petrobras e foi vendida. "Venderam a Refinaria da Bahia. Nós vamos comprar refinaria da Bahia. Pode demorar um pouco, mas vamos comprar", afirmou Lula, sem anunciar data ou qualquer detalhe sobre a eventual recompra. Em novembro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Petrobras anunciou a conclusão da venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, na Bahia, para o grupo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes. Cenário internacional e eventual candidatura de Pacheco O presidente também comentou o cenário internacional, citando o conflito envolvendo os EUA, do presidente Donald Trump, e o Irã. Lula criticou os impactos das tensões geopolíticas nas economias brasileira e global. Durante o evento, Lula esteve acompanhado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de outras autoridades. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), não participou da agenda. Questionado pela imprensa sobre uma possível candidatura ao Palácio Tiradentes, Pacheco disse que precisa ser avaliada "com responsabilidade" e que há outros nomes cotados. Agenda em Sete Lagoas Após a agenda em Betim, Lula seguiu para Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, onde visitou a fábrica da Iveco e anunciou a entrega imediata de 324 ônibus escolares do Programa Caminho da Escola para municípios de todo o país. Ao todo, serão distribuídos mil veículos. Durante o evento, o presidente afirmou que o governo federal vai construir uma universidade em Betim, sem dar detalhes. Segundo ele, a prefeitura vai ceder o terreno. "Nós vamos fazer a universidade em Betim. Não tem outro jeito de salvar o Brasil se a gente não investir em educação. Não tem exemplo no mundo de um país que se desenvolveu sem antes investir na educação", disse Lula. O ministro da Educação, Camilo Santana, participou do evento, que contou também com a presença de parlamentares mineiros. Em discurso, o senador Rodrigo Pacheco chamou o presidente de "o maior político e maior democrata da nossa história". Vídeos mais assistidos do g1 MG

Pinterest Brett Jordan/Pexels O CEO do Pinterest, Bill Ready, defendeu nesta sexta-feira (20) que líderes globais proíbam o uso de redes sociais por jovens menores de 16 anos. A declaração foi feita em uma postagem no LinkedIn. Ready se manifestou enquanto ocorre, em Los Angeles, um julgamento sobre o impacto das redes sociais na vida de adolescentes. Google e Meta enfrentam acusações de que seus aplicativos contribuem para uma crise de saúde mental entre jovens. O júri está deliberando sobre o veredito. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Precisamos de um padrão claro: nada de redes sociais para adolescentes menores de 16 anos, respaldadas por uma aplicação real da lei e responsabilidade pelos sistemas operacionais de celulares e pelos aplicativos que rodam neles", escreveu Ready em um ensaio publicado em sua conta do LinkedIn. Pinterest é uma plataforma de compartilhamento de imagens. Ele citou como exemplo a legislação adotada na Austrália, que restringe o acesso de menores de 16 anos às plataformas. Procurado, o Pinterest não comentou a publicação. Ao defender a medida, Ready adota uma posição diferente da maioria dos líderes das grandes empresas de tecnologia, que enfrentam pressão crescente de reguladores, tribunais e legisladores para mudar a forma como crianças e adolescentes usam seus produtos, diante dos impactos na saúde mental. De acordo com o site da empresa, a idade mínima para criar uma conta no Pinterest nos Estados Unidos é de 13 anos. Nos últimos anos, a plataforma tem buscado se consolidar entre a geração Z — grupo que inclui pessoas nascidas entre 1997 e 2012. Segundo a empresa de análise Apptopia, cerca de um terço dos usuários do Pinterest tem entre 17 e 25 anos. Veja mais: O que países estão fazendo para regular o acesso de crianças às redes sociais Brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália

Luana Lopes Lara é cofundadora e diretora de operações da Kalshi Getty Images via BBC A mineira Luana Lopes Lara ganhou destaque internacional no final do ano passado ao ser apontada pela revista Forbes como "a bilionária mais jovem do mundo que construiu sua própria fortuna". Uma reportagem da revista destacava a trajetória singular de Lara — seus anos como bailarina do Bolshoi, suas medalhas em olimpíadas brasileiras de astronomia e matemática, seus estudos na prestigiosa universidade americana Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a fundação de uma empresa considerada inovadora — que culminou em uma fortuna pessoal estimada em US$ 1,3 bilhão. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas neste ano, a Kalshi, empresa cofundada por Lara — e da qual ela tem 12% de participação e trabalha como diretora de operações (COO) —, surgiu no noticiário em meio a polêmicas. A Kalshi é uma das maiores empresas dos chamados prediction markets — ou mercados de previsão — um setor que explodiu em popularidade nos Estados Unidos, tendo movimentando mais de US$ 44 bilhões em transações no último ano. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Empresas como a Kalshi estão mudando o mercado de apostas nos EUA, onde até 2018 era proibido realizar apostas esportivas. Apostas em eleições eram proibidas até 2024. Na Kalshi, e outras empresas rivais como a Polymarket, os usuários podem especular sobre diversas questões — como o resultado de eleições locais, se o banco central dos EUA reduzirá as taxas de juros ou qual ano Jesus voltará à Terra. Essas empresas não estão enquadradas nos EUA como negócios de apostas e jogos de azar. Diferentemente das bets (firmas de apostas tradicionais), em que as probabilidades são definidas pela própria empresa, as plataformas de mercados de previsão funcionam mais como uma bolsa de valores, permitindo que os usuários apostem uns contra os outros no resultado de eventos futuros por meio de algo chamado de "contratos de eventos". Esses eventos sempre têm como resultado um cenário de "sim" ou "não". Esse modelo permitiu que essas empresas ficassem sob supervisão dos reguladores financeiros nacionais da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC). Mas críticos dos mercados de previsões afirmam que essas plataformas realizam, na verdade, operações de apostas esportivas e jogos de azar — e que estariam tentando se "disfarçar" como "bolsas de negociações" para evitar regras e impostos mais rigorosos enfrentados pelas bets, que são regulamentadas pelos Estados. A divergência sobre quem deve fiscalizar os aplicativos gerou dezenas de batalhas judiciais nos EUA, à medida que os Estados começam a reivindicar seu direito de regulamentar essas empresas, em vez de deixar a supervisão a cargo da CFTC. No Brasil, há relatos de que brasileiros conseguem usar essas plataformas usando remessas internacionais com criptomoedas ou cartões internacionais. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, as plataformas de apostas tradicionais — as bets brasileiras — que pagaram por outorgas de R$ 30 milhões para operar no Brasil, vêm solicitando, em reuniões com o governo, que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda bloqueie a operação de plataformas como a Kalshi. Elas argumentam que essas empresas não poderiam operar no Brasil por não terem sede no país e nem terem pago pela outorga. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a fundadora da Kalshi disse que a empresa está em expansão e que estuda a possibilidade de abrir um escritório no Brasil. Apostas em guerra Recentemente apostas ligadas a ações militares envolvendo Irã, Venezuela e Israel despertaram a atenção pública para a Kalshi e outras empresas do segmento. Em teoria, essas apostas infringem as regras financeiras dos EUA, que proíbem a negociação de contratos relacionados a guerra, terrorismo, assassinato, jogos de azar ou outras atividades ilegais. As apostas realizadas no âmbito das empresas desse mercado de previsões poderiam ser consideradas contratos desse tipo, perante a lei, argumentam os críticos. Mas isso não impediu que empresas como a Kalshi realizassem milhões de transações. Críticos vêm exigindo medidas mais rigorosas contra os aplicativos, que, segundo eles, facilitam a especulação sobre a guerra — que seria potencialmente ilegal —, gerando riscos à segurança nacional e abrindo a porta para casos de informações privilegiadas e corrupção. "Basicamente, as apostas em quase tudo foram liberadas e se transformaram em algo muito macabro, como a morte de um chefe de Estado", disse Craig Holman, lobista de assuntos governamentais do grupo de defesa Public Citizen, que recentemente apresentou uma queixa contra empresas do mercado de previsões. Alguns casos ganharam notoriedade nos últimos dias. No mês passado, um homem do Estado de Montana apostou na Kalshi US$ 10 (cerca de R$ 45) na probabilidade de o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ser deposto até 1º de março. Ele decidiu pela aposta após ver notícias sobre o aumento das entregas de pizza perto do Pentágono enquanto navegava na internet de madrugada — um indício de que militares americanos estariam planejando uma grande operação iminente. A aposta nos eventos ligados ao aiatolá Khamenei acabaram sendo canceladas pela Kalshi. Mas no começo do mês, a empresa foi processada em uma ação coletiva por não pagar US$ 54 milhões a pessoas que fizeram as apostas sobre o aiatolá. A empresa tem regras que proíbem apostas envolvendo mortes de pessoas. Mas, segundo as pessoas que estão processando a Kalshi na Califórnia, a plataforma teria continuado aceitando contratos mesmo depois que as notícias da morte de Khamenei começaram a circular. Um porta-voz da Kalshi disse, segundo a agência de notícias Reuters, que as regras da empresa não mudaram e eram claras desde o início, pois "incluíam todas as precauções... para garantir que as pessoas não pudessem negociar com base no resultado da morte". "Nós até reembolsamos todas as taxas e perdas líquidas do nosso próprio bolso — na ordem de milhões de dólares — para garantir que nenhuma pessoa perdesse dinheiro neste mercado", disse o porta-voz. Empresas como a Kalshi permitem que usuários ganhem dinheiro especulando sobre eventos como o fechamento do Estreito de Ormuz durante a guerra Getty Images via BBC A Kalshi não é a única empresa do ramo envolvida em especulações ligadas a ações militares. Em janeiro, apostas na Polymarket (uma plataforma rival da Kalshi, que utiliza criptomoedas) de que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deixaria o poder até o fim do mês aumentaram nas horas que antecederam a sua prisão pelo governo americano. Um apostador ganhou quase meio milhão de dólares com a captura de Maduro, levantando questionamentos sobre se alguém lucrou com informações privilegiadas sobre a operação dos EUA. Diante desse novo mercado, parlamentares nos EUA defenderam mudanças na lei. O congressista Ritchie Torres, democrata de Nova York, apresentou um projeto de lei que busca proibir funcionários do governo de fazer negociações em mercados de previsão se tiverem "informações relevantes não públicas" relacionadas a uma aposta. O setor foi alvo de fiscalização e questionamentos por parte de reguladores durante o governo Biden. Mas recebeu uma acolhida mais favorável durante a presidência de Trump. Donald Trump Jr., filho do presidente, atua em funções de consultoria na Kalshi e possui investimentos na Polymarket. A negociação com informação privilegiada é ilegal no mercado de ações. Um porta-voz da Kalshi afirmou que o site "proíbe explicitamente qualquer forma de negociação com informação privilegiada, incluindo funcionários do governo negociando em mercados de previsão relacionados a atividades governamentais". Apostas em eleições estaduais Nesta semana, a procuradora-geral do Arizona acusou formalmente a Kalshi de aceitar apostas que seriam ilegais no Estado em resultados eleitorais e eventos esportivos. "A Kalshi pode se apresentar como um 'mercado de previsão', mas o que ela realmente faz é operar um negócio de jogos de azar ilegal e aceitar apostas em eleições no Arizona, o que viola a lei do Estado", disse a procuradora-geral Kristin Mayes. "Nenhuma empresa tem o direito de decidir quais leis seguir." Muitos americanos usam a Kalshi para apostar em eleições, como no caso do último pleito para prefeito de Nova York Getty Images via BBC A Kalshi enfrenta problemas legais parecidos em vários outros Estados, onde os órgãos reguladores entraram com processos acusando a plataforma de operar jogos de azar sem licença. A promotoria alega que a Kalshi aceitou apostas no resultado da eleição presidencial dos EUA de 2028, na eleição para governador do Arizona em 2026 e suas primárias republicanas, e na eleição para secretário de Estado do Arizona em 2026. Entre as apostas específicas citadas estava uma de US$ 2 sobre se (o vice-presidente) J.D. Vance venceria a presidência em 2028. As demais acusações alegam que a Kalshi operava um negócio de apostas esportivas sem licença, aceitando apostas de apenas US$ 1 em jogos da NFL, NBA, basquete universitário e Super Bowl. A Kalshi, com sede em Nova York, se defende dessas acusações alegando que suas atividades não são jogos de azar, mas algo mais próximo da negociação de mercado, e que isso a colocaria fora do alcance das autoridades estaduais. A empresa se posiciona como uma bolsa de "contratos de eventos" regulamentada pelo governo federal, em vez de uma casa de apostas esportivas tradicional. "Essas acusações são infundadas e estamos ansiosos para combatê-las no tribunal", disse a empresa. * Com informações de Natalie Sherman, da BBC News

Cotação do petróleo recua após Casa Branca sinalizar medidas para conter disparada O preço do petróleo perdeu força nesta sexta-feira (20) após sinais da Casa Branca para conter a crise de energia, depois de ter disparado na véspera com ataques a infraestruturas no Oriente Médio. O barril tipo Brent — referência global — chegou a atingir US$ 119 ontem, caiu para cerca de US$ 107 ao longo do dia e fechou em alta de 1,18%, cotado a US$ 108, 65. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ontem, o Irã atingiu instalações de produção de combustíveis em diferentes pontos do Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel a South Pars, maior campo de gás natural do mundo. 🔎Nesta sexta, por volta das 9h50 (horário de Brasília), o Brent era negociado a US$ 107,42 — ainda em patamar elevado, mas abaixo do pico recente —, em queda de 1,13%. Às 14h44, operava em alta de 2,18%, a US$ 111,02 o barril. A queda ocorre após declarações de autoridades americanas. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que os EUA avaliam retirar sanções ao petróleo iraniano e liberar volumes adicionais de reservas estratégicas. Já o presidente Donald Trump descartou o envio de tropas terrestres ao Oriente Médio e voltou a dizer que o conflito pode terminar em breve. Um comunicado conjunto de países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão, indicando apoio à segurança da navegação no Estreito de Ormuz, também ajudou a reduzir a pressão sobre os preços. "Expressamos nossa prontidão em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo Estreito", diz a declaração. "Saudamos o compromisso das nações que estão se engajando". O comunicado é visto como um gesto ao governo de Donald Trump, que vinha criticando aliados após a recusa em enviar embarcações militares para escoltar navios no estreito. Na quinta-feira (19), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chegou a classificar os países europeus como “ingratos”. Apesar disso, a nota não detalha como será a atuação no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Agência de energia pede redução no consumo Apesar do alívio, o impacto da alta recente ainda é sentido globalmente. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) recomendou medidas para reduzir o consumo de combustíveis, como incentivo ao trabalho remoto e menor uso de transporte aéreo. No dia 11 de março, os 32 países-membros da agência internacional concordaram em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência para conter a alta do preço dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio. É a maior liberação de reservas já feita pelos países da AIE. Até então, o recorde havia sido de 182,7 milhões de barris, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Governos também adotam ações locais: o Vietnã passou a estimular o uso de gasolina com etanol, mais barata, enquanto a Espanha anunciou corte de impostos sobre combustíveis. Nesta sexta, novas declarações do secretário de Energia dos EUA reforçaram o movimento de queda. Em entrevista à Fox Business, Chris Wright afirmou que, caso as sanções ao petróleo iraniano sejam suspensas, o combustível poderia chegar aos portos asiáticos em três a quatro dias, ampliando a oferta no mercado. Diesel dispara no Brasil com guerra no Irã O preço do diesel no Brasil disparou cerca de 25% desde o início da guerra no Oriente Médio, chegando a uma média de R$ 7,22, segundo levantamento da TruckPag com dados de milhares de postos. A alta acompanha o avanço do petróleo no mercado internacional e afeta diretamente o custo do combustível importado, que representa cerca de 30% do consumo nacional. O aumento foi generalizado, com altas expressivas em estados de todas as regiões, e já pressiona a cadeia logística — impactando desde o transporte de cargas até o preço final de produtos e alimentos. Especialistas apontam que os efeitos na inflação devem começar a aparecer nas próximas semanas. Mesmo com medidas do governo, como redução de tributos e subsídios, o repasse ainda não foi sentido nas bombas. A tendência do diesel segue atrelada à evolução do conflito e ao risco de interrupções no fornecimento global de energia. Na quinta, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pediu que a Petrobras aumente a oferta de combustíveis, mas afirmou não haver risco de desabastecimento no país. A agência também adotou medidas para reforçar o monitoramento de estoques, importações e preços. Reuters

Guerra no Oriente Médio: ataques à indústria energética fizeram preços do petróleo e do gás natural dispararem na quinta-feira (19). Jornal Nacional/ Reprodução A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) recomendou nesta sexta-feira (20) uma série de medidas para aliviar a pressão dos preços da energia sobre consumidores. Entre as sugestões estão trabalhar de casa e evitar viagens aéreas. Segundo a entidade, a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã elevou os preços da energia e aumentou preocupações com a inflação em todo o mundo. As propostas, de acordo com a IEA, são ações que podem ser adotadas por governos, empresas e famílias para reduzir o impacto recente da alta nos preços. Entre as medidas sugeridas estão o incentivo ao trabalho remoto, a redução dos limites de velocidade nas rodovias em pelo menos 10 km/h e a substituição de viagens de avião por outros meios de transporte, sempre que possível. “Recentemente, lançamos a maior liberação já realizada de estoques emergenciais de petróleo da IEA — e estou em contato próximo com governos ao redor do mundo, incluindo grandes produtores e consumidores de energia, como parte da nossa diplomacia energética internacional”, afirmou o diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, em comunicado. “Além disso, o relatório de hoje apresenta um conjunto de medidas imediatas e concretas que podem ser adotadas pelo lado da demanda por governos, empresas e famílias para proteger os consumidores dos impactos desta crise”, acrescentou. No dia 11 de março, a IEA decidiu liberar um volume recorde de 400 milhões de barris de petróleo de estoques estratégicos para conter a disparada dos preços globais do petróleo. Os Estados Unidos foram responsáveis pela maior parte da oferta. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Como anda o GAC GS3 O GAC GS3 marca não apenas a segunda leva de lançamentos da fabricante chinesa no Brasil, mas também uma nova fase: a chegada de um SUV a combustão em meio a tantos modelos asiáticos eletrificados. Seus objetivos são claros, de embolar uma das maiores disputas do mercado nacional. Com porte de SUV compacto, ele disputa mercado com Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross e Honda HR-V, mas com preço inicial de R$ 139.990. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Esse preço o coloca abaixo das versões de entrada dos rivais diretos e pouco acima dos modelos de categoria inferior, os subcompactos. Veja abaixo alguns exemplos. Fiat Pulse Impetus Turbo: R$ 151.490; Renault Kardian Iconic, versão topo de linha: R$ 149.990; Volkswagen Tera Highline, versão topo de linha: R$ 144.390; Honda HR-V EX, versão de entrada: R$ 166.400; Hyundai Creta Comfort Safety, versão de entrada: R$ 156.590; Volkswagen T-Cross Sense, versão de entrada: R$ 161.490. GAC GS3 divulgação/GAC Além do preço, o GAC GS3 aposta em um motor 1.5 turbo, de 170 cv, enquanto os principais concorrentes usam blocos 1.0 turbo. A marca também tenta atrair clientes com visual esportivo e bom acabamento interno, com destaque para a enorme central multimídia de 14,5 polegadas. O g1 passou uma tarde com o GS3 para entender como um comprador acostumado a SUVs de marcas como Volkswagen e Hyundai pode se sentir ao volante de um modelo chinês. Veja abaixo as primeiras impressões. Visual chamativo. É difícil passar pelo GS3 sem dedicar alguns segundos ao visual. Ele faz questão de parecer esportivo, e essa proposta aparece de forma clara em quase todas as linhas, predominantemente retas. No desenho da carroceria, as curvas ficam restritas à lateral das portas, ao capô, pequeno difusor abaixo do vidro do porta-malas e ao teto. Todo o restante aposta em ângulos retos, incluindo a lanterna traseira, a luz de rodagem diurna e os espelhos laterais. GAC GS3 A proposta esportiva também aparece na parte inferior do para-choque traseiro, que traz difusores de ar posicionados entre ponteiras cromadas, solução visual comum em modelos de perfil mais esportivo como BMW M2, Golf GTI, Audi RS3 e um tanto de Porsches. E há outro traço herdado de muitos esportivos: o porta-malas pequeno, com apenas 341 litros. É um volume baixo até mesmo para um SUV compacto de entrada. Volkswagen Tera: 350 litros; Renault Kardian: 410 litros; Fiat Pulse: 370 litros. GAC GS3 divulgação/GAC Por outro lado, o espaço que falta para bagagens se reflete em mais conforto para as pernas de quem vai no banco traseiro. Um adulto de 1,90 metro não encosta os joelhos no banco da frente. Somado a isso, o túnel central quase plano ajuda a melhorar o conforto dos passageiros. Por dentro, o visual não é tão minimalista quanto outros chineses. Os botões físicos e ajustes manuais chamam a atenção porque estão cada vez mais raros. Por outro lado, a central multimídia e o painel digital — esse de sete polegadas — deixam clara a proposta moderna do carro, típica de chineses. Também foge do padrão em um SUV de quase R$ 140 mil o acabamento de bons materiais em quase todas as áreas ao alcance das mãos. Até a lateral do câmbio, área onde a perna costuma encostar, é revestida com material macio. Há diferentes texturas de acabamento, inclusive no plástico que envolve a área do câmbio. GAC GS3 divulgação/GAC Há um capricho também na ergonomia. Todos os controles e comandos do ar-condicionado estão onde devem estar: ao alcance dos dedos. Os botões têm textura, o que ajuda o motorista a identificá-los pelo tato, sem precisar desviar os olhos da estrada. Eles também são levemente inclinados, solução semelhante à usada pela Peugeot. Outro ponto que remete à marca francesa é o ângulo da central multimídia, voltada para o motorista. Ainda assim, o passageiro consegue ver o conteúdo sem dificuldade, já que a tela mantém cores e brilho mesmo quando observada de lado. Para o motorista, a visualização é completa sem a necessidade de virar muito o rosto. A sensação lembra a de uma tela levemente curvada de cinema, que permite enxergar todo o conteúdo com menos movimento da cabeça. GAC GS3 divulgação/GAC WhatsApp.mídia responde rapidamente, como se espera desse tipo de carro, mas falta um controle de volume dedicado para o passageiro. Quem vai ao lado precisa deslizar o dedo na tela para ajustar o som. Esse comando ocupa parte da tela e chega a cobrir o mapa, algo que também acontece quando a seta é acionada. Nesse momento, câmeras laterais exibem imagens dos pontos cegos, recurso semelhante ao usado pela Honda, mas disponível nos dois lados do GS3. Não é difícil perder uma saída na estrada, justamente porque o mapa não aparece na central, ocupada pela imagem da câmera da direita. A qualidade da imagem é excelente, mas acaba atrapalhando a navegação. Há, sim, um ajuste para evitar essa situação, e o formato mais largo dos retrovisores laterais ajuda a compensar a ausência de um sensor de ponto cego. Assim que outro carro surge no limite do espelho, ele já fica visível quando o motorista olha para o lado. GAC GS3 Falta brilho nas retomadas Apesar de o motor 1.5 turbo, mais forte que todos os concorrentes diretos, foi nas retomadas que o g1 sentiu pouca empolgação ao volante do GS3. Em arrancadas, como nas saídas de semáforo, o desempenho é muito bom, ajudado pelo torque disponível a partir de 1.500 giros. O GS3 se mostra ágil nesse cenário, mas em retomadas, como ao acelerar novamente a partir de 60 km/h, a sensação de esportividade diminui. Nessas situações, há um atraso proposital de quase dois segundos na resposta do GS3. O termo não é por acaso: o diretor de engenharia da GAC, Leonardo Lukacs, explicou que esse ajuste na resposta ao acelerar foi adotado para atender às regras de emissão de gases no Brasil. GAC GS3 divulgação/GAC Ele também explicou outros dois pontos que reduzem a esportividade sugerida pelo design do GS3: não há trocas manuais no câmbio de dupla embreagem, banhado a óleo, com sete marchas, nem saída de escapamento integrada às ponteiras cromadas — as saídas do escapamento ficam escondidas atrás das ponteiras, direcionadas para baixo. Segundo Leonardo Lukacs, a ausência de trocas manuais, seja pelo câmbio ou por aletas atrás do volante, foi uma decisão de projeto. “Se houver demanda, o hardware permite que [as trocas manuais] sejam desenvolvidas. A mudança é simples.” No caso da saída do escapamento voltada para baixo, e não integrada à ponteira cromada, o executivo também citou exigências da regulamentação. “Todo carro tem que passar por pass-by noise. E, quando a saída é para baixo, é mais fácil passar do que para cima. Se você tiver ela para cima, além do risco de não passar, a temperatura do equipamento pode danificar qualquer parte plástica”, disse. Conhecida como “ruído de passagem”, essa medição usa microfones para verificar se o veículo ultrapassa o limite máximo de som permitido. O teste é obrigatório para a homologação de todos os carros vendidos oficialmente no Brasil e é conduzido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) em conjunto com o Ibama. A ausência de trocas manuais de marcha, o escapamento com ponteiras apenas decorativas e, sobretudo, o atraso nas retomadas de velocidade pesam contra a esportividade, que é um dos principais atrativos do GS3. Mesmo com essas ressalvas, o GS3 se mostra mais ágil e potente do que o Volkswagen Nivus GTS, por exemplo. O SUV de proposta esportiva da Volkswagen custa mais caro que a versão topo de linha do GS3: Volkswagen Nivus GTS: R$ 189.690; GAC GS3 Elite: R$ 159.990. O Nivus leva vantagem no porta-malas, ponto em que o GS3 perde para muitos dos SUVs concorrentes. Ele também é superior no acerto de suspensão, embora a diferença seja menor do que a vista em outros modelos chineses. No teste, considerando uma escala em que de um lado está a maciez excessiva típica de alguns carros chineses e, do outro, a rigidez maior dos modelos da Volkswagen, o GS3 se posiciona mais próximo do padrão da Volks. Embora o GS3 tenha mostrado firmeza e bom controle da carroceria em velocidades mais altas na rodovia Anhanguera, que liga São Paulo (SP) a Campinas (SP), o volante se revelou leve demais. Tanto em baixas quanto em altas velocidades, a sensação transmitida pelo volante lembra algo artificial, pouco consistente. Essa leveza vem de uma assistência elevada, que ajuda bastante em manobras e estacionamentos, especialmente para quem não usa o sistema automático para baliza que o carro tem. Em contrapartida, pode causar insegurança até mesmo em vias com limite de 40 km/h. Um ajuste para tornar a direção elétrica mais firme conforme a velocidade aumenta seria suficiente para corrigir esse comportamento. Vale a pena? O maior ativo do GAC GS3 é o preço. Ele custa menos do que os concorrentes, oferecendo mais potência, acabamento macio em várias áreas, câmera de visão 360 graus, visual esportivo, bom desempenho e um pacote tecnológico robusto. A principal desvantagem segue sendo o porta-malas. Quem tem família grande, costuma viajar com frequência ou precisa de espaço para carrinho de bebê pode desgostar do lançamento. Em praticamente todos os outros cenários, o GS3 se destaca por entregar mais e cobrar menos.

Maionese Hellmann's em uma loja em Manhattan, Nova York, EUA Reuters A Unilever está conversando para vender sua área de alimentos para a McCormick & Company, dona de temperos, em um possível acordo que reuniria marcas conhecidas como Hellmann’s e Knorr com o molho picante Cholula, segundo a agência de notícias Reuters. A empresa confirmou que recebeu uma proposta, e as negociações seguem em andamento — o que fez suas ações subirem cerca de 1%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A venda faz parte da estratégia de focar mais em produtos de beleza e cuidados pessoais. Hoje, a área de alimentos ainda representa uma parte importante do negócio, mas vem enfrentando dificuldades porque muitas pessoas estão reduzindo o consumo de alimentos industrializados. Além disso, especialistas alertam para os impactos desses produtos na saúde, e o uso de remédios para emagrecimento também tem levado as pessoas a comerem menos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mesmo sendo uma divisão grande — avaliada em até 31 bilhões de euros (US$ 33,8 bilhões) — ela cresce mais devagar. Ainda assim, não há garantia de que o negócio será fechado, e os detalhes não foram divulgados. Unilever e Kraft Heinz A Unilever e a Kraft Heinz chegaram a conversar sobre uma possível união, que juntaria marcas conhecidas como Hellmann’s e ketchup Heinz em uma só empresa, mas o acordo não saiu do papel, segundo o Financial Times. A ideia mostra que as duas companhias estão enfrentando dificuldades, já que as pessoas têm consumido menos alimentos industrializados e mudado seus hábitos. Enquanto a Unilever vem diminuindo sua atuação nessa área, a Kraft Heinz também tenta reorganizar seus produtos para voltar a crescer.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 1,79% nesta sexta-feira (20), cotado a R$ 5,3085. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 2,25%, aos 176.219 pontos. O dia foi marcado por maior cautela nos mercados, com investidores em busca de ativos considerados mais seguros, como a moeda americana. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Esse movimento reflete os temores em torno da intensidade e da duração da guerra no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou aliados da Otan de “covardes” e afirmou não querer um cessar-fogo no Irã. O conflito entra na quarta semana neste sábado (21). ▶️ O cenário segue elevando a instabilidade nos mercados e impulsionando os preços do petróleo. Após atingir US$ 119 na quinta-feira e registrar leve queda, a commodity voltou a subir nesta sexta-feira. 🔎 O Brent — referência global — era negociado a US$ 111,97 por volta das 17h. Já o gás natural na Europa, que chegou a subir 35% na quinta, recuava 4,20% no mesmo horário. ▶️O dia foi de poucos indicadores no cenário local. O principais bancos centrais — Federal Reserve, Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Nacional Suíço e Banco do Japão — optaram por manter os juros estáveis, enquanto monitoram os impactos econômicos do conflito. ▶️ No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) cobrou mais oferta de combustíveis da Petrobras, mas disse não ver risco de desabastecimento. A ANP reforçou o monitoramento do mercado, enquanto distribuidoras apontam alta na demanda e menor oferta. ▶️ Enquanto isso, um levantamento mostra que o preço do diesel já chegou a uma média de R$ 7,22. No início da guerra do Oriente Médio, no final de fevereiro, o preço médio era de R$ 5,74. ▶️ No campo político, os investidores analisam a indicação do secretário-executivo Dario Durigan, número dois na hierarquia da pasta, para comandar o ministério até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a saída de Haddad para concorrer ao governo de São Paulo. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,11%; Acumulado do mês: +3,40%; Acumulado do ano: -3,28%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,81%; Acumulado do mês: -6,66%; Acumulado do ano: +9,37%. Trump nega um cessar-fogo no Irã Trump disse nesta sexta-feira que não quer um cessar-fogo no Irã. A guerra entrará na quarta semana neste sábado, sem qualquer sinal de negociação para encerrar o conflito. "Podemos dialogar, mas não quero um cessar-fogo", disse Trump a repórteres. "Não se faz um cessar-fogo quando se está literalmente aniquilando o outro lado. (...) Não é isso que queremos." Questionado se Israel estaria disposto a encerrar a guerra assim que os EUA concluírem sua ação militar, Trump respondeu: "Acho que sim". O presidente também falou sobre o Estreito de Ormuz. Segundo ele, "seria bom" se China e Japão ajudassem a garantir a segurança no canal marítimo. O estreito de Ormuz, controlado por Teerã, está fechado desde o início dos ataques de EUA e Israel. A passagem é essencial para o escoamento de 20% do petróleo e gás mundial, e seu bloqueio tem afetado o preço do combustível e derivados de petróleo no mundo — inclusive nos EUA, onde uma inflação alta pode impactar na popularidade de Trump e nas eleições legislativas de novembro. No Brasil, o diesel acumulou alta de cerca de 25% desde o início do conflito, refletindo o avanço do petróleo no mercado internacional e pressionando a cadeia logística e a inflação. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pediu que a Petrobras aumente a oferta de combustíveis e reforçou o monitoramento do setor, mas afirmou que não há risco de desabastecimento no país. Bancos centrais mantêm taxas de juros após a guerra Os principais bancos centrais de países ricos mantiveram os juros estáveis nesta semana, mas deixaram claro que podem voltar a subir as taxas caso a inflação aumente por causa da guerra e da alta nos preços da energia. Com o conflito no Oriente Médio, investidores passaram a acreditar menos em cortes de juros no curto prazo e até começaram a considerar novas altas em algumas economias, como Reino Unido e zona do euro. Além do banco central dos EUA, que manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, outros países, como Reino Unido, Canadá e Europa, também seguraram suas taxas, mas com tom mais cauteloso. Na contramão, o banco central da Rússia reduziu os juros para 15% ao ano, após sinais de desaceleração da inflação e de maior equilíbrio na economia. Ainda assim, alertou que o cenário externo ficou mais incerto e que novos cortes dependerão do comportamento dos preços. 👉Na prática, o cenário é de incerteza: se a guerra continuar pressionando os preços, os bancos centrais podem manter juros altos por mais tempo ou até aumentar as taxas para tentar controlar a inflação. Haddad entra na disputa pelo governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) foi anunciado ontem (19) como pré-candidato ao governo de São Paulo e afirmou que disputa para ganhar. Mais cedo, Dario Durigan foi escolhido como substituto de Haddad no Ministério da Fazenda. O evento para o lançamento da candidatura aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Além do ex-ministro, também subiram ao palco o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice, Geraldo Alckmin (PSB), e o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Haddad destacou que não vê a candidatura como “sacrifício” e defendeu seu projeto político, com foco em sintonia com o governo federal. Uma pesquisa recente do Datafolha mostra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança das intenções de voto, com Haddad em segundo lugar, mas ainda distante. O cenário indica disputa competitiva para a eleição de 2026 no estado. Mercados globais Em Wall Street, as principais bolsas fecharam em queda, refletindo a cautela dos investidores. O índice Dow Jones caiu 0,97%, aos 45.576,83 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 1,51%, aos 6.506,67 pontos. O Nasdaq, por sua vez, teve perdas de 2,01%, aos 21.647,61 pontos. As bolsas da China tiveram uma semana negativa e registraram a maior queda desde novembro, pressionadas pelas tensões no Oriente Médio e pelo clima de incerteza no mercado global. Os principais índices fecharam em queda, com destaque para Xangai (-1,24%), CSI300 (-0,35%) e Hang Seng (-0,88%). No acumulado da semana, as perdas foram mais intensas, refletindo a cautela dos investidores. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar e real Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

Como melhorar a produção de ovos e frango caipira? Veja dicas Reprodução/RPC Produtores interessados em melhorar a produção de ovos e frangos caipiras podem acessar gratuitamente uma cartilha com orientações técnicas sobre o tema. O material foi elaborado pela Emater-MG e reúne recomendações sobre manejo, incluindo organização dos piquetes, alimentação do plantel e cuidados com a saúde e o bem-estar animal. A cartilha está disponível online.📱Acesse aqui Agricultor encontra 'tomate' em pé de batata

Por que a taxa de mortalidade de bezerras é alta no Brasil Um dos principais desafios das fazendas leiteiras no Brasil é a alta mortalidade de bezerras recém-nascidas. Historicamente, as perdas giravam em torno de 10%, mas um projeto que reúne profissionais, universidades e institutos de pesquisa vem mostrando que é possível reduzir esse índice com investimento em estrutura e atenção ao manejo básico. Desde 2017, o programa Alta Cria acompanha dados de mais de 200 propriedades em 10 estados, com forte presença em Minas Gerais. A proposta é transformar conhecimento técnico em soluções práticas para o produtor. “O ideal é não passar de 3% de mortalidade. Já temos produtores que saíram da média de 10% e hoje trabalham com 2% ou até 1%”, afirma o zootecnista Rafael Azevedo, coordenador do projeto. Produção mais que dobra na fazenda Produtores de leite adotam medidas para reduzir a mortalidade de bezerras Em Coromandel (MG), os irmãos Fernando e Henrique Silva assumiram a fazenda da família após a morte do avô, em 2008 (veja reportagem completa no vídeo acima). Apesar da tradição na atividade, eles perceberam que seria necessário profissionalizar a gestão para se manter no mercado. Os investimentos em genética e conforto animal fizeram a produtividade saltar de 17 para 43 litros de leite por vaca por dia. Ainda assim, a mortalidade das bezerras continuava sendo um problema. “Morria quase tudo, vamos dizer assim”, relatam. Segundo especialistas, as causas são diversas: doenças no umbigo e diarreia nos primeiros dias de vida; problemas respiratórios até os 90 dias; e a chamada tristeza parasitária, transmitida pelo carrapato, a partir dos três meses. Para reverter esse cenário, os produtores investiram R$ 550 mil em um novo sistema de criação. O antigo modelo, com sombreamento a campo, deu lugar a 96 casinhas individuais, que protegem melhor os animais do clima e da umidade. O manejo também mudou. O protocolo passou a incluir cura do umbigo com iodo, pesagem e o fornecimento de colostro — o primeiro leite — em até duas horas após o nascimento, essencial para garantir a imunidade das bezerras. O cuidado começa antes do nascimento A cerca de 200 km dali, em Carmo do Paranaíba (MG), o produtor Eldes Braga conseguiu reduzir ainda mais as perdas. Em um rebanho com cerca de 350 nascimentos por ano, apenas seis bezerras morrem — o equivalente a cerca de 1,7%. No início, a realidade era bem diferente. “De três que nascia, duas morria”, lembra. A mudança veio quando ele passou a focar no cuidado com as vacas ainda na gestação. O produtor investiu em um galpão exclusivo para os animais prenhes, com sistema de resfriamento por água e ventilação, para reduzir o estresse térmico. “A vida desse animal depende dos cuidados que a gente dá para a mãe”, afirma. Além do conforto, as vacas recebem alimentação específica, com proteínas e nutrientes que ajudam a fortalecer a imunidade da mãe e da cria. O resultado também aparece na produção: as novilhas passaram a parir mais pesadas, com média de 670 kg, o que contribui para maior produção de leite na fase de lactação. Produção exige profissionalização Para os produtores, a principal lição é que a atividade leiteira exige cada vez mais profissionalização. “Valeu muito a pena. Estamos aqui hoje porque fizemos o dever de casa”, diz Henrique Silva. O bom manejo das bezerras garante a reposição do rebanho e a substituição de animais menos produtivos, o que sustenta a rentabilidade no longo prazo. Desde 2024, os pesquisadores do projeto também iniciaram um levantamento semelhante voltado para fazendas de gado de corte.

Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Vélizy-Villacoublay, perto de Paris. Alain Jocard/AFP Um levantamento da TruckPag, empresa que faz gestão de frotas, mostra que o preço do diesel no Brasil já chegou a uma média de R$ 7,22 nesta quarta-feira (19). No início da guerra do Oriente Médio, no final de fevereiro, o preço médio era de R$ 5,74. As informações da empresa vêm de mais de 143 mil transações de compra de diesel em 4.664 postos. Cerca de 94% desses postos estão em rodovias. Nos últimos 30 dias, 81,9% dessas transações foram feitas por caminhões. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Evolução diária do preço do diesel no Brasil segundo dados da TruckPag Arte / g1 Na última semana a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já havia registrado aumento de 11% no preço do diesel, comparado à semana anterior. Os dados oficiais de preços da ANP são publicados semanalmente. Os preços são coletados nos três primeiros dias úteis da semana, analisados e divulgados, geralmente, na sexta-feira. Isso causa algum atraso para mostrar variações bruscas. "Num choque como esse, onde os preços subiram quase 1% ao dia, essa janela de atraso da ANP é significativa", explica Kassio Seefeld, CEO da TruckPag. “Na prática, nossos dados mostram que o preço transacionado no posto já subiu quase R$ 1,50 na média nacional desde 28 de fevereiro”, diz Seefeld. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Estados com maiores aumentos O levantamento da TruckPag mostra que alguns estados tiveram subidas expressivas desde 28 de fevereiro. Na região Norte, Tocantins viu o litro do diesel aumentar 37,1%. Já no Nordeste, o Piauí registrou alta de 28%. O diesel em Goiás registrou a maior subida no Centro-Oeste, com 29,2%. São Paulo teve aumento de 27% e ficou no topo no Sudeste. Na região Sul, Santa Catarina teve o maior aumento: 29,9%. Aumento do preço do diesel em R$ e em percentual, dados da TruckPag Arte / g1 Guerra pressiona preços Os preços do barril do petróleo e derivados registraram fortes altas nas últimas semanas. Ataques a refinarias e reservas, além do impasse pelo Estreito do Ormuz, pressionam o mercado. “Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado direto no mercado internacional. Quando o barril sobe 80% em 20 dias, esse diesel chega mais caro no porto e a distribuidora não tem como absorver. O repasse vai para o posto, e do posto vai para o transportador”, explica Seefeld. Variação de preço do diesel por estado segundo dados da ANP Arte / g1 O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, essa pressão sobre a inflação brasileira pode começar a aparecer em cerca de um mês, a depender da intensidade do conflito e de quanto pode durar o fechamento do Estreito de Ormuz. Nas últimas semanas, o governo federal anunciou diminuição de tributos e um subsídio de R$ 0,32 para o diesel. Porém o efeito ainda não é sentido nas bombas dos postos. Saiba mais na reportagem abaixo. Petróleo em alta encarece diesel e gasolina; veja como guerra pesa no bolso do brasileiro

Conheça o robô humanoide projetado para usar armas em guerras Uma empresa americana está construindo um robô humanoide para fins militares. O objetivo é que ele consiga lidar de forma autônoma com logística, navegação e até mesmo identificação de alvos em um conflito. Batizado de Phantom-01, ele foi criado pela Foundation Future Industries, uma empresa de São Francisco, nos Estados Unidos, que o classifica como o seu primeiro robô humanoide voltado ao mercado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O robô tem 1,80 m de altura e pesa 80 kg. Segundo a fabricante, ele foi projetado para transportar cargas de até 40 kg e andar com velocidade de até 6,1 km/h, mais rápido do que a maioria dos humanos. No momento, o Phantom-01está sendo treinado para fins não letais, como a movimentação de materiais e execução de tarefas em fábricas. Mas o uso militar é o objetivo da fabricante a longo prazo, adiantou à Reuters Sankaet Pathak, criador da Foundation Future Industries. "Nosso objetivo é construir robôs totalmente autônomos. É definitivamente um processo, então leva tempo para chegarmos lá", afirmou. "Eventualmente, sim, queremos que os robôs também sejam capazes de identificar alvos e, então, usar armas", disse Pathak. "Não vemos um cenário em que eles dispensem a supervisão humana". Phantom-01, robô desenvolvido pela americana Foundation Future Industries Reuters Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' O executivo comparou o robô com drones de guerra que podem se mover e identificar alvos por conta própria, mas dependem da ação humana para realizar ataques. "É necessário um comando humano antes de executar qualquer operação que envolva o uso de armas", explicou Pathak. "Mas até esse momento, que inclui muitas tarefas de pegar, colocar e mover objetos, necessárias em logística, manufatura e gerenciamento de suprimentos em cenários de guerra ou defesa, é importante serem realizadas de forma autônoma". Ainda segundo o executivo, o Phantom-01 foi projetado para operar com um computador integrado, em vez de depender da comunicação com uma rede externa. Desse jeito, a empresa espera fazer o robô ficar menos exposto a ataques cibernéticos. A segunda geração do robô deverá ser revelada em abril pela Foundation Future Industries. A empresa disse que a nova versão é mais fácil de ser fabricada em larga escala e que espera vender milhares de unidades ainda este ano. No mercado de robôs humanoides, o Phantom-01 enfrenta a concorrência do Optimus, da Tesla, Digit, da Agility Robotics, e Apollo, da Apptronik, por exemplo. Phantom-01, robô desenvolvido pela americana Foundation Future Industries Reuters/Aleksandra Michalska

Nesta quinta-feira (19), Fernando Haddad encerrou sua gestão à frente do Ministério da Fazenda. No mesmo evento, o presidente Lula anunciou o substituto: o então número 2 da pasta, Dario Durigan, que ocupava o posto de secretário-executivo. Horas depois, o PT confirmou que Haddad é pré-candidato ao governo de São Paulo. O balanço da gestão registra vitórias e derrotas. Haddad ganhou a pecha de ser um ministro que aumentou excessivamente os impostos e viu a dívida pública subir 7 pontos percentuais no período – está em quase 79% do PIB. Nos índices macroeconômicos, ele deixa o cargo com a inflação dentro do teto da meta, desemprego na menor taxa da série histórica e recorde na renda média do brasileiro. E o PIB cresceu acima das expectativas em todos os anos. Nos pouco mais de três anos em que comandou a Fazenda, Haddad conseguiu viabilizar a aprovação de pautas como o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Thomas Traumann para analisar o legado de Haddad na economia brasileira. Ele, que é comentarista da GloboNews, colunista do jornal O Globo e autor do livro “O pior emprego do mundo: 14 ministros da Fazenda contam como tomaram as decisões que mudaram o Brasil e mexeram no seu bolso”, explica o que deu certo e o que deu errado nesses três anos – e projeta os desafios da economia brasileira para a eleição e após. Convidado: Thomas Traumann, comentarista da GloboNews, colunista do jornal O Globo e autor do livro “O pior emprego do mundo: 14 ministros da Fazenda contam como tomaram as decisões que mudaram o Brasil e mexeram no seu bolso”. O que você precisa saber: Haddad deixa o Ministério da Fazenda: veja os principais marcos da gestão PIB acima do esperado, dívida em alta: o balanço da gestão Haddad em 10 gráficos Em evento em São Paulo, Lula confirma Dario Durigan como substituto de Haddad Quem é Dario Durigan, que vai assumir Ministério da Fazenda PT anuncia pré-candidatura de Haddad ao governo de SP O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco e Juliene Moretti. Colaboraram neste episódio Arthur Stabile e Janize Colaço. Apresentação: Natuza Nery. O legado de Haddad na economia O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Haddad durante discurso no lançamento do Plano Safra para agricultura familiar Reprodução/Canal Gov

CPMI sobre desconto ilegal de benefícios quer ouvir dez ex-presidentes do INSS Reprodução/TV Globo Aposentados e pensionistas podem contestar descontos indevidos ligados a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até esta sexta-feira (20). Segundo o último balanço divulgado pelo órgão, em 16 de março, mais de 6 milhões de pessoas contestaram as cobranças, sendo que 4,3 milhões já aderiram ao acordo. Mais de 750 mil beneficiários ainda estão aptos a ingressar na negociação. Ao todo, foram devolvidos aos segurados em todo o país quase R$ 3 bilhões. Os valores corrigidos são devolvidos em até três dias úteis. Prazo para contestar desconto do INSS termina na sexta-feira (20) Quem pode aderir ao acordo de ressarcimento Podem ingressar no plano de devolução os aposentados e pensionistas que: contestaram descontos indevidos e não receberam resposta da entidade responsável em até 15 dias úteis; receberam resposta considerada irregular, como assinaturas falsas ou gravações de áudio no lugar de comprovantes válidos; sofreram descontos entre março de 2020 e março de 2025; possui processo judicial em andamento, desde que ainda não tenham recebido os valores — nesse caso, é preciso desistir da ação para aderir ao acordo, que é de natureza administrativa. Como contestar e aceitar o acordo de ressarcimento? A adesão, que é gratuita, pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS ou presencialmente, nas agências dos Correios. A contestação, por sua vez, também pode ser realizada pela Central 135. Veja o passo a passo Contestar o desconto indevido por meio dos canais oficiais. Aguardar a resposta da entidade, com prazo de 15 dias úteis. Se a entidade não responder, o sistema libera automaticamente a opção de adesão. Em caso de resposta irregular, o INSS também irá liberar a adesão. Aderir ao acordo por meio do app Meu INSS ou nas agências dos Correios. A Central 135 não está habilitada para essa opção. E se a entidade respondeu? Caso a entidade responda a contestação, os documentos estarão em análise. Segundo o INSS, o beneficiário será notificado e poderá aceitar a justificativa, contestar por suspeita de falsidade ideológica ou declarar que não reconhece a assinatura. O instituto informa que, se houver nova contestação, a entidade terá até cinco dias úteis para devolver os valores. Se não devolver, o caso vai passar por uma auditoria e o beneficiário poderá contar com apoio jurídico das Defensorias Públicas Estaduais para buscar as medidas judiciais cabíveis. Grupos especiais O INSS informou que realizará automaticamente a contestação dos descontos indevidos para beneficiários em situações específicas que ainda não solicitaram o reembolso. Esse procedimento, chamado de contestação de ofício, segundo o INSS, contempla idosos com 80 aos ou mais, indígenas e quilombolas.

Agricultor encontra 'tomate' em pé de batata Um produtor de batatas de Patrocínio (MG) levou um susto ao ver pequenos frutos verdes, semelhantes a tomates, surgirem em sua plantação de batata. Apesar de parecer incomum, o fenômeno tem explicação científica: trata-se da frutificação natural da batata. Segundo a agrônoma Fernanda Quintanilha, da Embrapa Clima Temperado, a semelhança com o tomate ocorre porque as duas plantas pertencem à mesma família botânica, a das solanáceas. Apesar do aspecto, os frutos não devem ser consumidos, pois são tóxicos, alerta a pesquisadora (veja detalhes no vídeo acima). O valor para a investigação Se não servem para o consumo humano, esses frutos têm grande valor para a ciência. Dentro de cada um dos “tomatinhos” há centenas de sementes botânicas. Na Embrapa, elas são usadas em programas de melhoramento genético da batata. A partir dessas sementes, surgem os primeiros clones de novos materiais, que passam por avaliações para identificar características desejáveis para o cultivo. Após cerca de uma década de pesquisas, um desses materiais pode ser lançado no mercado como uma nova cultivar. "Tomatinhos" no pé de batata? Vale a pena plantar estas sementes? Para o produtor comum, como Alberto, a recomendação é cautela. Embora seja possível gerar uma planta a partir dessas sementes, o resultado é imprevisível devido à grande variação genética. Em muitos casos, a planta pode nem produzir tubérculos — as batatas consumidas — ou apresentar características bem diferentes do esperado. Por isso, para a produção, a orientação é manter o uso das tradicionais batatas-semente, e não das sementes presentes nos frutos.

Sede do Santander Brasil em São Paulo. Amanda Perobelli/ Reuters O presidente-executivo do Santander Brasil, Mário Leão, comunicou ao banco que está deixando o cargo, que será ocupado por Gilson Finkelsztain, atualmente presidente-executivo da B3, anunciou nesta quinta-feira (19) a divisão brasileira do espanhol Santander. A saída de Finkelsztain foi confirmada pela B3 em fato relevante separado ao mercado, com a operadora da bolsa de valores de São Paulo citando decisão de comum acordo entre o executivo e o conselho de administração da companhia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Leão, que estava há onze anos no grupo, incluindo os últimos cinco como CEO, deixará o cargo até julho, enquanto Finkelsztain, que lidera a B3 desde 2017, sairá no final do primeiro semestre, em ambos os casos para assegurar uma transição organizada. O Santander não informou a razão da saída de Leão. "Nossa organização atingiu um nível de maturidade que permite conduzir este processo sucessório de forma estruturada e planejada, em um momento bastante oportuno. Isso garantirá a continuidade da execução da nossa estratégia por meio de uma equipe que tenho orgulho de ter liderado", afirmou Leão em nota divulgada pelo Santander. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A sucessão será conduzida de forma transparente e organizada e contará com a participação direta do Sr. Mario Leão, que seguirá liderando o Santander Brasil até a conclusão do processo, prevista para meados de 2026, garantindo, assim, uma transição cuidadosa e estruturada", afirmou o Santander. "Sob a liderança de Mario, o banco completou um ciclo estratégico bem-sucedido, acelerando a estratégia de transformação operacional do banco, diversificando ainda mais suas operações com foco na rentabilidade sustentável e crescente, e com forte ênfase no relacionamento e na experiência dos clientes", afirmou o Santander em comunicado à imprensa. Leão desempenhou um papel importante na transformação do Santander Brasil e no fortalecimento de seu posicionamento no Brasil, afirmou a presidente-executiva do Santander, Ana Botín. A executiva destacou ainda que a experiência e o reconhecimento no setor financeiro brasileiro de Finkelsztain o tornam bem qualificado para liderar a próxima fase de crescimento "neste mercado tão relevante, à medida que seguimos executando nossa estratégia e promovendo crescimento com rentabilidade". No ano passado, Finkelsztain foi indicado como membro do conselho de administração do Santander Brasil, mas desistiu da nomeação. Além da B3, ele acumula experiência em instituições como Citibank e J.P. Morgan, além do próprio Santander Brasil, onde trabalhou entre 2011 e 2013. "Volto ao Santander Brasil muito feliz para assumir a liderança do banco neste momento", afirmou Finkelsztain. "Nosso foco será transformar a base sólida em entregas relevantes para clientes, acionistas e para a sociedade. O Brasil é um mercado de grandes oportunidades e estou entusiasmado com o potencial do que podemos construir nos próximos anos." De acordo com a B3, a permanência de Finkelsztain no cargo nos próximos meses busca assegurar "a adequada transição de suas responsabilidades e a continuidade das operações e da execução da estratégia da companhia". "Durante sua gestão, a B3 consolidou-se como uma das principais infraestruturas de mercado financeiro do mundo, conduzindo uma transformação profunda em seu modelo de negócios, cultura organizacional e papel no desenvolvimento econômico do Brasil", afirmou o grupo em nota à imprensa. A B3 disse que informará oportunamente o nome do sucessor, uma vez concluído o processo em curso, afirmou a companhia.

G1 em 1 Minuto: Imposto de Renda 2026: quando vou receber a restituição? A Secretaria da Receita Federal decidiu antecipar e liberou o chamado "download" do programa do Imposto de Renda 2026 nesta quinta-feira (19). O programa está disponível no próprio site da Receita Federal (clique aqui para acessar). A previsão inicial era que o download estivesse disponível nesta sexta-feira (20), às 8h, mas, devido à conclusão antecipada dos testes finais e à estabilidade das versões para todas as plataformas, o programa foi disponibilizado na noite desta quinta. A transmissão da declaração, entretanto, só será possível a partir das 8h próxima segunda-feira (23), quando começa o prazo oficial de envio do IR deste ano. Ou seja, o contribuinte terá a sexta-feira e também o final de semana para começar a adiantar a declaração do Imposto de Renda, e, assim que o prazo legal tiver início, na segunda-feira, poderá transmitir o documento. ➡️Quem envia a declaração mais cedo recebe a restituição primeiro. Por outro lado, se houver erros ou omissões na entrega, o contribuinte perde a posição na fila — na prática, vai para o fim do calendário de restituições. LEIA TAMBÉM: Prazo começa em 23 de março e se estende até 29 de maio Saiba quais são os limites para as deduções Declaração pré-preenchida estará disponível a partir do início do prazo Receita espera receber 44 milhões de declarações neste ano Imposto de renda: prazo começa dia 23 de março de 2026. Joédson Alves/Agência Brasil Prioridades Vale lembrar que a Receita Federal prioriza a data de entrega das declarações e também observa uma fila para alguns grupos, que recebem a restituição antes de todo o resto (mesmo que tenham entregado a declaração nos últimos dias do prazo). Têm prioridade na restituição do Imposto de Renda, nesta ordem: idosos acima de 80 anos; idosos entre 60 e 79 anos; contribuintes com alguma deficiência física ou mental ou moléstia grave; contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério; as restituições de contribuintes que, conjuntamente, utilizarem a declaração pré-preenchida e optarem por receber a restituição por meio do sistema de pagamento PIX; as restituições de contribuintes que, exclusivamente, utilizarem a declaração pré-preenchida ou optarem por receber a restituição por meio do sistema de pagamento PIX. Receita Federal anuncia regras do Imposto de Renda 2026 Lotes de restituição Neste ano, as restituições serão pagas em quatro lotes. Em 2025, foram cinco lotes de restituição do Imposto de Renda. 🗓️Veja o calendário de restituições do IR em 2026: 1º lote: 29 de maio; 2º lote: 30 de junho; 3º lote: 31 de julho; 4º lote: 28 de agosto. Quem é obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado; contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitos à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguida de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; quem deseja atualizar bens no exterior; quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005.

INSS antecipou pagamento de abono salarial Jornal Nacional/ Reprodução O governo federal decidiu antecipar o 13º aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi publicada em edição extra do "Diário Oficial da União" desta quinta-feira (19). O pagamento será efetuado em duas parcelas: a primeira corresponderá a 50% sobre o valor do benefício devido na competência de abril e será paga junto aos benefícios do mês; a segunda parcela corresponderá à diferença entre o valor total do 13º salário e a parcela antecipada. O valor será pago junto aos benefícios de maio. Segundo o decreto, caso o benefício seja encerrado antes de 31 de dezembro de 2026, o beneficiário receberá o valor proporcional do 13º salário. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além disso, haverá um ajuste de contas entre o valor já pago e o valor efetivamente devido, aplicável tanto a benefícios temporários quanto a benefícios permanentes, caso a cessação ocorra antes da data programada. O pagamento vale para beneficiários que tenham recebido em 2025: auxílio por incapacidade temporária; auxílio-acidente; aposentadoria; pensão por morte; ou auxílio-reclusão. O Ministério da Previdência informou que a antecipação vai injetar R$ 78,2 milhões na economia do país entre abril e maio.

G1 | Loterias - Mega-Sena 2986 O sorteio do concurso 2.986 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (19), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 8 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 01 - 05 - 13 - 26 - 41 - 53 5 acertos - 33 apostas ganhadoras: R$ 30.740,63 4 acertos - 2.117 apostas ganhadoras: R$ 789,87 O próximo sorteio da Mega será no sábado (21). Mega-Sena, concurso 2.986 Reprodução/Caixa Como funciona a Mega-sena Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) cobrou nesta quinta-feira (19) a Petrobras aumente a oferta de combustíveis no Brasil. Mas afirmou não ver indícios de desabastecimento no setor. Ainda assim, a diretoria da agência aprovou, nesta quinta-feira (19), um conjunto de medidas para reforçar o monitoramento do mercado nacional de gasolina e diesel, com o objetivo de garantir o abastecimento. Segundo a ANP, as ações buscam, “diante do cenário internacional, intensificar o acompanhamento de estoques e importações e prevenir eventuais problemas futuros”. Entre as ações está o envio de notificação à Petrobras, determinando que a empresa oferte de forma imediata os volumes de combustíveis referentes aos leilões de diesel e de gasolina pura de março de 2026, que haviam sido cancelados. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além disso, a Petrobras deverá apresentar à ANP informações detalhadas sobre importações previstas, produtos a serem ofertados, preços de compra e venda, locais de internalização, datas de chegada e identificação dos navios, entre outros dados. Outras medidas adotadas incluem: Sobreaviso: Produtores, importadores e distribuidores deverão enviar regularmente à ANP informações sobre estoques e importações até o encerramento da medida. De acordo com a ANP, o mecanismo permitirá um monitoramento mais dinâmico do abastecimento e subsidiará eventuais ações preventivas. Envio de informações ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre a situação atual do abastecimento nacional para avaliação do órgão. Flexibilização de regras de estoque: a ANP estabeleceu a obrigatoriedade de manutenção de estoques médios semanais de gasolina pura e de diesel (S10 e S500) por produtores e distribuidores. Segundo a ANP, com a flexibilização as empresas poderão disponibilizar os combustíveis ao mercado sem a exigência de manter os níveis mínimos de estoque. Notificação sobre abusividade de preços: produtores, distribuidores e importadores deverão adotar todas as medidas "operacionalmente cabíveis para preservação do abastecimento". Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil Distribuidoras dizem que demanda aumentou e oferta diminuiu Em carta endereçada ao governo federal mais cedo, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis relatou que as distribuidoras associadas têm observado "aumento relevante da demanda por produtos". "Porém, relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais nos meses de março e abril por parte da Petrobras, o que estressa o fluxo regular de produtos”, afirmou. Segundo o sindicato, o volume importado de Diesel S-10 vem aumentando ano após ano e as distribuidoras seguem cumprindo seu papel de supridoras estruturais do mercado. "O cenário de momento aponta a necessidade de um aumento abrupto do uso de produto importado o que gera disrupção e stress na cadeia logística a partir dos portos”, disse o Sindicom.

Imagem de Daniel Vorcaro na prisão. Reprodução O Supremo Tribunal Federal (STF) pode rediscutir o direito de a Polícia Federal (PF) fechar sozinha delações premiadas sem a anuência do Ministério Público Federal, ou se a participação de procuradores poderia voltar a ser necessária. A possibilidade é aventada por ministros da corte ouvidos pelo blog já sob a perspectiva da delação de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que foi transferido nesta quinta-feira para a Superintendência da PF em Brasília já para iniciar conversas com advogados sobre o que propor delatar. Em junho de 2018, o STF decidiu em plenário, por 8 votos a 3, que a PF e polícias estaduais podem fechar acordos de colaboração mesmo sem a participação do Ministério Público, derrotando a Procuradoria-Geral da República (PGR). Os ministros dão como certo que o STF será novamente questionado por alguma das partes envolvidas na investigação do caso Master. Um pedido para reanalisar o caso poderia ser apresentado por partes envolvidas no caso Master ou pela própria PGR. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A PGR foi quem ajuizou a ação questionando a legitimidade de delegados para celebrar os acordos de colaboração. Parte dos ministros que votaram pelo direito da PF já estão aposentados, o que tornaria o placar de um novo julgamento imprevisível. A decisão abriu as portas para a realização da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), colaboração que foi um dos principais elementos da condenação de Bolsonaro e outros réus por tentativa de golpe de Estado. Aventar um novo questionamento à jurisprudência do STF também revela a preocupação dentro do STF sobre o que Daniel Vorcaro pode falar se fechar uma delação premiada e como a participação da PGR pode tornar o processo de coleta de provas da delação mais exigente. Hoje, a PGR é vista entre analistas do Judiciário como próxima de parte do STF. Há ainda o temor sobre uma delação coordenada pelo relator do caso no STF, ministro Andre Mendonça, que é visto até por seus pares como favorável a delações.

O governo publicou nesta quinta-feira (19) uma medida provisória que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. O texto estabelece punições mais duras para empresas que descumprirem os valores estabelecidos na tabela do frete – incluindo multas de R$ 10 milhões e até a proibição temporária de operar no setor. O objetivo da proposta é reforçar o controle sobre o mercado de transportes e garantir que os preços praticados não fiquem abaixo dos custos operacionais mínimos definidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). 🚚A Tabela do Frete, oficialmente chamada de Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, é uma norma que estabelece o valor mínimo que deve ser pago pelo serviço de transporte de cargas no Brasil. Punições para empresas e contratantes Ministério dos Transportes diz que governo vai intensificar ações contra empresas que descumprem tabela do frete As sanções foram divididas de acordo com o perfil do infrator, poupando o Transportador Autônomo de Cargas (TAC) das suspensões de registro, mas atingindo empresas de transporte e contratantes. Entre as punições para as empresas de transporte, estão: suspensão cautelar: o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) pode ser suspenso em caso de descumprimento reiterado. cancelamento do registro: Em casos considerados graves, a empresa pode ter o registro cancelado, ficando proibida de atuar no setor por até 2 anos. Já as punições para os contratantes (embarcadores) podem ser: multas: As penalidades financeiras para quem contratar frete abaixo do piso podem variar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, em situações de reincidência. proibição de contratação: além da multa, o contratante pode ser impedido de realizar novos fretes por determinado período. Responsabilização de sócios A MP inova ao permitir a desconsideração da personalidade jurídica, o que significa que as punições e cobranças podem atingir diretamente o patrimônio dos sócios e do grupo econômico envolvido na infração. Além disso, a regra alcança o ambiente digital: plataformas ou empresas que anunciarem fretes com valores abaixo do piso mínimo também estarão sujeitas a penalidades. "Com essa medida provisória, teremos instrumentos mais efetivos para fazer uma fiscalização firme em cima de quem descumpre a tabela do frete, o que vai ajudar o caminhoneiro nesse momento de alta do preço internacional do petróleo, é mais uma demanda da categoria que o governo atendeu", afirmou Renan Filho, ministro dos Transportes. Maior rigor na fiscalização A principal ferramenta de controle será o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). Com a MP, toda operação deve ser registrada obrigatoriamente com este código, que detalha os valores pagos e o piso mínimo aplicável. A fiscalização será potencializada pela integração de dados entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a Receita Federal e os fiscos estaduais e municipais. O CIOT passará a ser vinculado diretamente ao Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e), permitindo que a ANTT bloqueie automaticamente operações que apresentem valores abaixo do permitido por lei. Fila de caminhões em MT Marcos Souza

Concurso dos Correios oferece mais de 3 mil vagas de nível médio e superior Correios/Divulgação Os Correios anunciaram a prorrogação por mais um ano da validade do concurso público com 3,5 mil vagas e formação de cadastro de reserva para cargos de níveis médio e superior. A informação foi divulgada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (19). Com a decisão, a seleção ficará válida até 14 de abril de 2027. Na prática, os aprovados poderão ser convocados até essa data — embora a estatal ainda não tenha iniciado as chamadas. ➡️Edital de adiamento (Agente de Correios - carteiro) ➡️Edital de adiamento (Analista de Correios - nível superior) Os resultados finais do concurso dos Correios foram homologados e divulgados em abril do ano passado. Mais de 1 milhão de candidatos fizeram as provas em 2024, a maioria para o cargo de carteiro. Esta é a maior seleção da estatal dos últimos 13 anos. Ao todo, o concurso vai preencher 3.511 vagas imediatas. São 3.099 para o cargo de carteiro (agente de Correios), com salário inicial de R$ 2.429,26, e 412 para analista de Correios, de nível superior, cuja remuneração inicial é de R$ 6.872,48. ✅ Siga o canal do g1 Concursos no WhatsApp A carreira de analista é dividida em várias especialidades. Há vagas para advogado, analista de sistemas, arquiteto, arquivista, assistente social e engenheiro. E elas estão distribuídas nas 28 superintendências estaduais (SE) dos Correios. Do total de vagas a serem preenchidas, 30% são reservadas para negros (pretos e pardos) e indígenas, e 10% para pessoas com deficiência. Além da remuneração, que aumenta conforme o tempo de serviço e o mérito do funcionário, os Correios oferecem uma série de benefícios que ajudam a complementar a renda dos trabalhadores selecionados, como: Vale-alimentação/refeição: quase R$ 1,4 mil por mês. Vale-transporte: disponível para todos os funcionários. Plano de saúde: possibilidade de adesão. Auxílio-creche/auxílio-babá: até R$ 714,72 para empregadas com filhos menores de 7 anos. Reembolso de despesas para filhos dependentes de cuidados especiais: até R$ 1.030,58. Adicional de atividades externas: 30% do salário-base (inicialmente R$ 728). Adicional por serviço no fim de semana: 15% do salário-base pelas horas trabalhadas. Gratificação de "quebra de caixa": R$ 267,64 para quem atua em guichês de agências. As vagas ofertadas estão distribuídas em cidades de todo o país, e os candidatos vão concorrer somente com os inscritos da mesma localidade, selecionada no momento da inscrição. (veja o mapa) ➡️ No caso do cargo de carteiro, as vagas foram divididas em "macrorregiões", que receberam o nome de uma cidade, mas englobam vários municípios naquela área. É possível ver essa relação no Anexo II do edital. Crise A demora no início das convocações está diretamente ligada à crise financeira enfrentada pelos Correios. De acordo com documento do Tesouro Nacional divulgado em fevereiro, a estatal pode registrar um rombo de R$ 9,1 bilhões em 2026. Além disso, a empresa acumula atrasos em pagamentos que somam R$ 3,7 bilhões, incluindo débitos com fornecedores, tributos e obrigações com funcionários, como repasses ao fundo de pensão Postalis e ao plano de saúde Postal Saúde. Nos últimos meses, a dívida da estatal também cresceu de forma significativa, com aumento em compromissos como INSS patronal e tributos como PIS/Cofins. Diante desse cenário, os Correios têm adotado medidas para reduzir custos, como o Plano de Desligamento Voluntário (PDV), que pode chegar a até 10 mil desligamentos somente neste ano. 📝 O maior concurso dos últimos 13 anos Os Correios não realizavam um concurso público em âmbito nacional desde 2011, quando 1,1 milhão de pessoas se inscreveram para mais de 9 mil oportunidades. Desta vez, foram 1,6 milhão de inscritos, e o processo preencherá mais de 3,5 mil vagas. No entanto, os sindicatos alegam que essa quantia não é suficiente para suprir o déficit de mão de obra na empresa. No ano passado, inclusive, a estatal abriu um Programa de Desligamento Voluntário, que viabilizou a saída de trabalhadores. Por isso, especialistas em concursos públicos acreditam que um número bem maior de candidatos será chamado para ocupar os cargos nos próximos meses, apesar de os editais publicados não especificarem oportunidades de cadastro reserva. Concurso dos Correios: resultado preliminar é divulgado; veja como acessar

Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda O secretário-executivo Dario Durigan, atual número dois na linha de comando do Ministério da Fazenda, deve chefiar a pasta até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Esta quinta-feira (19) é o último dia de trabalho de Fernando Haddad à frente do Ministério. Ele vai deixar a linha de frente do Executivo para concorrer ao governo de São Paulo. O próprio ministro confirmou a informação nesta quinta-feira (19), num evento em São Paulo. Mesma cerimônia em que o presidente Lula pediu para Durigan se apresentar para as pessoas como substituto de Haddad. "Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario, levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. [Ele] será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", disse Lula. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Trajetória Desde 2023 no Executivo, Durigan ajudou nas chamadas "medidas de recomposição de receitas", ou seja, nos aumentos de tributos anunciados pelo governo nos últimos anos, assim como na articulação e regulamentação da reforma tributária sobre o consumo e no fechamento de uma renegociação sobre a dívida dos estados, entre outros temas. Antes da área econômica, trabalhou como consultor na Advocacia-Geral da União, entre 2017 e 2019, e no setor privado, entre 2020 e 2023, como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. Ele coordenava temas relacionados a políticas públicas e comunicação. Durigan também fez parte da equipe de Haddad em 2015 e 2016, na prefeitura de São Paulo. Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), o novo ministro da Fazenda tem perfil mais discreto, menos afeito aos holofotes. Entretanto, possui bom trânsito dentro do governo e é visto por interlocutores como bom articulador junto aos setores da economia real. Desafios na Fazenda À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan terá de coordenar as ações da área econômica do governo durante a campanha presidencial de Lula à uma nova reeleição, período que costuma ser tenso, marcado por embates com a oposição e divulgação de notícias falsas. Temas como o fim da jornada 6 por 1, do Imposto de Renda sobre lucros e resultados dos trabalhadores, entre outros, devem entrar na pauta. A área econômica também citou, recentemente, a possível revisão de benefícios sociais e uma reforma de encargos sobre a folha de pagamentos. Outro assunto da pauta econômica em 2026 é a regulamentação e a transição da reforma tributária. O governo trabalha para implementar a CBS, seu imposto sobre consumo, em 2027 e, para isso, divulga normas operacionais de transição neste ano (período de testes). Na regulamentação da reforma tributária, embora boa parte dos temas já tenham sido abordados pelo Congresso, um deles, extremamente polêmico, ainda terá de ser debatido no Legislativo: o imposto seletivo, chamado de imposto do pecado. Pelas regras, esse imposto será cobrado sobre produtos com externalidade negativa na economia, ou seja, que geram problemas sociais e repercussões de aumento de gastos, como bebidas alcoólicas e cigarros, entre outros. O problema é que tende a haver um aumento de preços desses produtos com a regulamentação, um debate que acontecerá em ano eleitoral. Além disso, Durigan também terá de conduzir o processo orçamentário até o fim de 2026, período no qual o governo tem por meta retomar o superávit em suas contas (considerando os limites do arcabouço fiscal e o abatimento de precatórios). Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além da busca por receitas para cumprir a meta fiscal, o novo ministro também terá de lidar com as restrições impostas pelo arcabouço fiscal. Segundo analistas, o espaço para os gastos livres dos ministérios será apertado neste ano, o que tende a levar a bloqueios de despesas dos ministérios. 💵 A explicação é que há um limite para despesas totais fixado pelo arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas aprovada em 2023. As despesas não podem ter aumento real, corrigidas pela inflação, acima de 2,5% ao ano. 💰 Os chamados gastos obrigatórios, como benefícios, pensões e salário dos servidores públicos, estão crescendo mais do que 2,5% ao ano e comprimindo o espaço para os investimentos e despesas livres do governo — que vai ficando cada vez menor. Para completar o quadro, Durigan terá de enfrentar um cenário internacional mais complicado diante da guerra no Oriente Médio e seu impacto no preço do petróleo — que já disparou para mais de US$ 100 por barril, contra US$ 72 antes do conflito. O resultado direto é mais inflação neste ano, via contaminação dos dos preços dos combustíveis, e uma queda menor do juro, podendo afetar a geração de empregos. O Ministério da Fazenda já anunciou um pacote de medidas, entre elas redução de impostos e subsídios para o diesel.

Secretário executivo da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda Com a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda para concorrer ao governo de São Paulo, o secretário-executivo Dario Durigan, número dois na linha de comando, deve chefiar a pasta até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi confirmada pelo próprio presidente nesta quinta-feira (19), durante um evento em São Paulo de abertura da 17ª Caravana Federativa. O petista lia a nominata, antes de discursar, quando pediu para Durigan se levantar para as pessoas o conhecerem. "Queria cumprimentar o companheiro Dario Durigan. Dario, levanta aí, levanta para as pessoas conhecerem o Dario. [Ele] será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olha bem para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas", afirmou. Haddad estava presente na ocasião e também discursou em tom de balanço de gestão. Em sua declaração, ele destacou os desafios dos últimos anos na economia e agradeceu o apoio do Congresso Nacional na aprovação das pautas de interesse do governo (leia mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Hoje, para mim é um dia especial, é um dia que eu estou deixando o Ministério da Fazenda. E, hoje, eu queria agradecer as pessoas que estão aqui e vou explicar o porquê. Ontem [quarta], eu tive a alegria de visitar Câmara e Senado para agradecer o empenho que foi feito pelo Congresso Nacional em aprovar as medidas econômicas necessárias para trazer o Brasil até aqui", frisou. "Mas, eu faço questão de também cumprimentar os prefeitos do Brasil e de São Paulo, os governadores do Brasil, porque, sem o pacto federativo ter sido recuperado, nós teríamos chegado até aqui", reforçou. Trajetória de Durigan Desde 2023 no Executivo, Durigan ajudou nas chamadas "medidas de recomposição de receitas", ou seja, nos aumentos de tributos anunciados pelo governo nos últimos anos, assim como na articulação e regulamentação da reforma tributária sobre o consumo e no fechamento de uma renegociação sobre a dívida dos estados, entre outros temas. Antes da área econômica, trabalhou como consultor na Advocacia-Geral da União, entre 2017 e 2019, e no setor privado, entre 2020 e 2023, como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp. Ele coordenava temas relacionados a políticas públicas e comunicação. Durigan também fez parte da equipe de Haddad em 2015 e 2016, na prefeitura de São Paulo. Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), o novo ministro da Fazenda tem perfil mais discreto, menos afeito aos holofotes. Entretanto, possui bom trânsito dentro do governo e é visto por interlocutores como bom articulador junto aos setores da economia real. Desafios na Fazenda À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan terá de coordenar as ações da área econômica do governo durante a campanha presidencial de Lula à uma nova reeleição, período que costuma ser tenso, marcado por embates com a oposição e divulgação de notícias falsas. Temas como o fim da jornada 6 por 1, do Imposto de Renda sobre lucros e resultados dos trabalhadores, entre outros, devem entrar na pauta. A área econômica também citou, recentemente, a possível revisão de benefícios sociais e uma reforma de encargos sobre a folha de pagamentos. Outro assunto da pauta econômica em 2026 é a regulamentação e a transição da reforma tributária. O governo trabalha para implementar a CBS, seu imposto sobre consumo, em 2027 e, para isso, divulga normas operacionais de transição neste ano (período de testes). Na regulamentação da reforma tributária, embora boa parte dos temas já tenham sido abordados pelo Congresso, um deles, extremamente polêmico, ainda terá de ser debatido no Legislativo: o imposto seletivo, chamado de imposto do pecado. Pelas regras, esse imposto será cobrado sobre produtos com externalidade negativa na economia, ou seja, que geram problemas sociais e repercussões de aumento de gastos, como bebidas alcoólicas e cigarros, entre outros. O problema é que tende a haver um aumento de preços desses produtos com a regulamentação, um debate que acontecerá em ano eleitoral. Além disso, Durigan também terá de conduzir o processo orçamentário até o fim de 2026, período no qual o governo tem por meta retomar o superávit em suas contas (considerando os limites do arcabouço fiscal e o abatimento de precatórios). Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além da busca por receitas para cumprir a meta fiscal, o novo ministro também terá de lidar com as restrições impostas pelo arcabouço fiscal. Segundo analistas, o espaço para os gastos livres dos ministérios será apertado neste ano, o que tende a levar a bloqueios de despesas dos ministérios. 💵 A explicação é que há um limite para despesas totais fixado pelo arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas aprovada em 2023. As despesas não podem ter aumento real, corrigidas pela inflação, acima de 2,5% ao ano. 💰 Os chamados gastos obrigatórios, como benefícios, pensões e salário dos servidores públicos, estão crescendo mais do que 2,5% ao ano e comprimindo o espaço para os investimentos e despesas livres do governo — que vai ficando cada vez menor. Para completar o quadro, Durigan terá de enfrentar um cenário internacional mais complicado diante da guerra no Oriente Médio e seu impacto no preço do petróleo — que já disparou para mais de US$ 100 por barril, contra US$ 72 antes do conflito. O resultado direto é mais inflação neste ano, via contaminação dos dos preços dos combustíveis, e uma queda menor do juro, podendo afetar a geração de empregos. O Ministério da Fazenda já anunciou um pacote de medidas, entre elas redução de impostos e subsídios para o diesel.

Estados não devem aceitar proposta para redução do ICMS A decisão do momento entre governadores é de não aceitar a proposta do governo federal para zerar a cobrança de ICMS sobre o diesel. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), apresentou uma contraproposta que deve ser analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). O governo federal propôs aos estados, nessa quarta-feira (18), zerar o ICMS sobre importação do diesel até o fim de maio, sendo que metade de suas perdas seria compensada pela União. De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, a isenção do ICMS na importação do diesel custará R$ 3 bilhões por mês até o fim de maio, dos quais o governo se compromete a ressarcir R$ 1, 5 bilhão por mês aos estados. Mas, o entendimento dos governadores é rejeitar a proposta. Secretários de Fazenda de estados como Goiás, Distrito Federal e São Paulo, por exemplo, avaliam que não é possível abrir mão da arrecadação do ICMS sobre o combustível, por causa do impacto nas contas públicas. O imposto é uma das principais fontes de receita das unidades federativas. 🔎Como o ICMS é um imposto estadual, cada estado tem autonomia para tomar suas decisões sobre tributos, de modo que eles não são obrigados a baixar o imposto. Governo pede ICMS Zero sobre diesel para Estados Em nota, o governo do Paraná informou que trabalha, junto ao Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), em soluções que não comprometam o equilíbrio das contas públicas, os repasses obrigatórios aos municípios e o setor produtivo. O estado defende que qualquer mudança na carga tributária do diesel seja precedida de consenso entre as unidades da federação. O governo paranaense também destacou que os estados ainda enfrentam perdas de arrecadação provocadas pelas leis complementares aprovadas em 2022, que reduziram as alíquotas sobre combustíveis. Já o Ministério da Fazenda afirmou, em nota, que mantém diálogo com os governadores para buscar um acordo, em consenso, sobre o tema. Gasolina e diesel ficam mais caros em Fortaleza na segunda semana de março, aponta ANP. Fabiane de Paula/SVM Lula reforçou pedido Mais cedo, em evento em São Paulo, o presidente Lula reforçou o pedido aos governadores para que reduzam o ICMS sobre os combustíveis. O presidente comentava sobre os impactos internos provocados pela guerra no Oriente Médio. Lula voltou a criticar aumentos no preço do álcool, da gasolina e as pessoas que, segundo ele, se aproveitam da situação. Lula já tinha feito um pedido público informalmente aos governadores, que rejeitaram a proposta. Depois disso, uma equipe do Ministério da Fazenda se reuniu com representantes dos estados para formalizar a demanda. Medidas do governo O governo tem se articulado para tentar diminuir os impactos internos provocados pelo aumento do preço do petróleo, em decorrência da guerra. O diesel, por exemplo, já ficou mais caros para os distribuidores. Na semana passada, o Executivo anunciou redução de impostos federais sobre o diesel, além de subsídios para produtores e importadores. A preocupação do Planalto é com os custos logísticos e seu impacto nos preços de alimentos e outros produtos. Ao mesmo tempo em que negocia com os estados, o governo preparou um pacote de medidas para endurecer a fiscalização do piso mínimo do frete e punir empresas que descumprem a regra. ➡️O Executivo, com isso, tem se articulado também para evitar uma nova greve de caminhoneiros diante da escalada dos preços do diesel.

Lula diz estar 'triste' com decisão do BC de reduzir taxa de juros em 'só' 0,25 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (19) que está "triste" com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, de reduzir a taxa de juros em 0,25 ponto percentual apenas. O petista deu a declaração durante um evento do governo federal em São Paulo, um dia após a reunião do Copom que reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira diminuição desde maio de 2024. Lula disse que esperava um corte maior, de 0,5 ponto percentual, e lamentou a decisão do colegiado do Banco Central, que considerou os impactos da guerra no Irã para fixar a redução. "Hoje é um dia que eu poderia estar mais feliz, mas eu estou triste. Estou triste, Fernando Haddad, porque eu esperava que o nosso Banco Central abaixasse o juros em pelo menos 0,5, e abaixou só 0,25, dizendo que é por causa da guerra. Porra, essa guerra até no nosso Banco Central, não é possível", criticou Lula. "Nós estamos fazendo um sacrifício, que vocês não têm noção, pra fazer a economia crescer, para fazer a geração de emprego, para aumentar os salários, vocês não têm noção. O Haddad vai passar para a história como o ministro da Fazenda mais exitoso do país, porque ele conseguiu aprovar uma reforma tributária que há 40 anos se esperava", acrescentou o presidente. 🔎 A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. A decisão do Copom Na decisão sobre a redução da Selic, o Copom afirma que, no cenário atual, diz que é necessário reunir informações que permitam aumentar a clareza "sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo". O começo do processo de queda dos juros no Brasil ocorre apesar das incertezas internacionais, decorrentes da guerra no Irã — que tem pressionado o petróleo para mais de US$ 100 por barril, contra US$ 72 antes do conflito. A disparada do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada. Na decisão, o Copom afirma que os conflitos no Oriente Médio afetam "direta e indiretamente" a inflação no Brasil e que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos. O presidente Lula durante evento do governo federal em São Paulo Reprodução/CanalGov

Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil A China está restringindo as exportações de fertilizantes para proteger seu mercado interno, segundo várias fontes do setor, informou a agência de notícias Reuters. A medida coloca pressão adicional sobre os mercados globais que já estão lutando contra a escassez causada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã. O país é o terceiro maior fornecedor de fertilizantes do Brasil. Segundo dados do Comexstat, plataforma do Ministério do Comércio Exterior, o país representou 11,5% das compras brasileiras em 2025, totalizando mais de US$ 93 milhões. O país também é importante para o restante do mundo. Seus embarques foram avaliados em mais de US$13 bilhões no ano passado. Apesar disso, a China já tem um histórico de controle das exportações para manter os preços baixos para os agricultores. As remessas pelo Estreito de Ormuz, bloqueado pela guerra, são responsáveis por cerca de um terço do suprimento por via marítima. Em meados de março, Pequim proibiu as exportações de misturas de fertilizantes de nitrogênio e potássio e de certas variedades de fosfato, disseram fontes à Reuters. A proibição, que não foi formalmente revelada, foi reportada no início desta semana pela Bloomberg News. Além das proibições existentes e das cotas de exportação de ureia, apenas alguns fertilizantes -- principalmente o sulfato de amônio -- podem ser exportados, disseram cinco fontes à Reuters. Isso significaria que cerca de metade das exportações da China no ano passado estão restritas, potencialmente até 40 milhões de toneladas, de acordo com uma estimativa da Reuters. "Esse padrão é consistente: a China restringe os suprimentos em vez de vir em socorro durante a escassez global", disse Matthew Biggin, analista sênior de commodities da BMI à Reuters. "As restrições à exportação existem por causa do equilíbrio interno apertado -- eles estão priorizando a segurança alimentar e isolando seu mercado interno dos choques de preços", disse. As restrições de Pequim, como a medida tomada na semana passada de proibir as exportações de combustível refinado, ocorrem no momento em que os governos limitam as exportações de produtos cujos insumos foram ameaçados pela interrupção da guerra, agravando a escassez e os preços mais altos em todo o mundo. Os preços internacionais da ureia aumentaram cerca de 40% em relação aos níveis anteriores à guerra. Na China, os futuros da ureia estão próximos de uma máxima de 10 meses. Apesar disso, para os produtores brasileiros, esse encarecimento deve afetar apenas as safras que são plantadas a partir do segundo semestre, aponta Paulo Pavinato, professor associado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Isso ocorre porque o fertilizante usado agora já foi comprado. Nos Estados Unidos, a situação é diferente: os produtores ainda estão adquirindo o produto e podem sentir o impacto de forma imediata. Saiba mais: Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil; entenda Por que fertilizantes são importantes? Os fertilizantes são essenciais para o crescimento das plantas e o rendimento das colheitas. Os preços mais altos podem levar à redução do uso, ou os agricultores podem mudar para culturas que exijam menos fertilizantes. No ano passado, a China enviou ao Brasil, à Indonésia e à Tailândia cerca de um quinto de suas importações de fertilizantes, e esse número ficou em um terço para a Malásia e a Nova Zelândia, de acordo com dados do International Trade Centre. Para a Índia, foi cerca de 16%, de acordo com dados comerciais. Entre metade e 80% dessas exportações estão agora restritas, de acordo com uma análise da Reuters dos dados alfandegários chineses. "Compradores esperavam que a China interviesse e preenchesse a lacuna de fornecimento, mas essa decisão apenas restringirá ainda mais o fornecimento", disse um funcionário de uma empresa de fertilizantes com sede em Nova Délhi, em referência às recentes restrições. O funcionário da empresa não quis se identificar devido à sensibilidade do assunto. ‘Situação precária’: caminhoneiros sem água e banheiro por dias em porto no Pará revelam falhas no transporte de safras Quando as exportações vão ser retomadas? Na quarta-feira, as Filipinas disseram que a China havia garantido que as exportações de fertilizantes não seriam restringidas. Questionado sobre os comentários um dia depois, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China encaminhou a questão para outros departamentos. A Administração Geral de Alfândega da China, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e o Ministério do Comércio não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters. Em uma conferência sobre fertilizantes em Xangai na quarta-feira (18), cinco vendedores disseram que não esperavam que as proibições de fertilizantes fossem suspensas antes de agosto, após o período de pico de exportação da China, de junho a agosto. Os produtores estão atentos aos sinais do governo após o plantio da primavera para saber se as proibições poderiam ser estendidas. Por que a China devolveu cargas de soja do Brasil e uma grande exportadora cancelou embarques Sem banheiro e água: caminhoneiros relatam dias em fila em porto no Pará

Governo federal propõe aos estados zerar o ICMS sobre a importação de diesel A escalada da guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz já prejudicam o bolso do brasileiro. O centro do problema está no preço do barril de petróleo, que chegou a US$ 115 nesta quinta-feira (19), reforçando o aumento de preços de combustíveis e energia. Em uma semana, o preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis do país subiu mais de 11%, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Passou de R$ 6,08 para R$ 6,80. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, essa pressão sobre a inflação brasileira pode começar a aparecer em cerca de um mês, a depender da intensidade do conflito e de quanto pode durar o fechamento do Estreito de Ormuz. O economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, afirma que os aumentos indiretos causados pela alta do diesel podem elevar a inflação em 0,11 ponto percentual em 2026. “O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel, já neste mês. Entre os efeitos indiretos, o aumento será espraiado ao longo dos próximos seis meses”, diz Romão. Outro fator que pressiona os preços é o dólar, que chegou à casa dos R$ 5,26, uma alta de 2,5% desde o início do conflito. Em momentos de tensão geopolítica, investidores tendem a buscar proteção em ativos considerados mais seguros, como a moeda americana. Isso aumenta a demanda pelo dólar e faz a cotação subir. Um dólar mais caro encarece produtos importados e também aqueles que, embora produzidos no Brasil, têm preços definidos no mercado internacional — como combustíveis e diversas commodities. Além disso, muitos insumos usados pela indústria são cotados em dólar. Com a alta da moeda, esses custos das empresas sobem e acabam sendo repassados ao consumidor final, pressionando ainda mais a inflação. Entenda mais abaixo. Petróleo, indústria e agro Desde o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, o salto no preço do petróleo no mercado internacional foi o efeito mais marcante. Em relação ao fim de 2025, quando a commodity fechou cotada a US$ 60, o valor quase dobrou. “Quanto mais o conflito se prolongar e comprometer o fluxo de petróleo pelo mundo, maior será a tendência de alta nos preços do barril”, afirma André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). O petróleo é matéria-prima de combustíveis — como gasolina, diesel, querosene de aviação e gás de cozinha — e de diversos insumos, como plásticos, borracha, fertilizantes e medicamentos. Isso gera um efeito em cadeia, pressionando os custos de produção e a logística da indústria e do agronegócio. Uma alta no preço do diesel, por exemplo, tende a elevar o custo do frete rodoviário, o que pode resultar em aumento nos preços de produtos transportados por estradas. “Além disso, a gasolina é um dos itens mais relevantes para a inflação, representando 5% do IPCA”, afirma o especialista. Além do transporte, o agronegócio sofre com o custo de funcionamento das máquinas agrícolas e com o encarecimento dos fertilizantes químicos — que também são parte relevante das importações brasileiras vindas do Irã. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que adubos e fertilizantes químicos responderam por 93,5% do total importado pelo Brasil do país do Oriente Médio em janeiro deste ano. Há impacto também na produção de energia elétrica, especialmente nas termelétricas. Elas geram energia a partir de combustíveis e costumam ser acionadas em períodos de seca, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos. “A indústria brasileira está inserida em cadeias globais, e qualquer instabilidade em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz repercute nos fretes, nos seguros e na energia”, diz o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe. Por outro lado, o aumento nos preços do petróleo costuma favorecer a balança comercial do Brasil, já que o país é um grande exportador da commodity e seu valor influencia diretamente o resultado financeiro das petrolíferas. “Isso já pode pressionar por um ajuste no preço da gasolina. Se houver anúncio, é provável que o valor acompanhe a tendência do petróleo e permaneça elevado enquanto a commodity continuar em alta”, afirma André Braz. Pressão no dólar e nos juros 🔎 A moeda americana é uma das mais negociadas do mundo e pode ser comprada e vendida com facilidade, sem grandes distorções de preço. Por isso, em momentos como esse, investidores costumam vender aplicações mais arriscadas, como ações na bolsa, e migrar para opções mais seguras, como o dólar. “O dólar normalmente se valoriza em momentos de incerteza e cautela internacional, o que pode aumentar a pressão inflacionária causada por insumos importados”, explica Lilian Linhares, da Rio Negro Family Office. Embora o impacto do dólar dependa de um período mais prolongado de valorização da moeda, a especialista diz que esse é um fator ao qual o BC deve estar atento ao definir a política de juros no país. “A projeção para a inflação no médio prazo continua alinhada à meta, o que permite que o Banco Central conduza a política monetária nesse cenário de incerteza, com cautela e atenção a eventuais choques de oferta”, afirma. Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa básica de juros de 15% para 14,75% ao ano. Foi o primeiro corte desde maio de 2024. Por outro lado, o BC deixou de indicar novos cortes nas próximas reuniões por conta da guerra no Oriente Médio. O conflito foi citado quatro vezes no comunicado como fonte de incerteza para as decisões futuras. "No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", disse o Copom. O BC reforçou que a guerra no Oriente Médio afeta a cadeia global de suprimentos e os preços de commodities, o que influencia a inflação no Brasil. Por isso, o comitê decidiu aguardar novos desdobramentos para avaliar quanto tempo o conflito vai durar e quais serão seus efeitos sobre a economia. "Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio", diz o comunicado. Juros mais altos também têm impacto direto no dia a dia da economia. Quando as taxas sobem, pegar crédito fica mais caro — seja no cartão, no financiamento ou no empréstimo. Com isso, famílias e empresas tendem a consumir e investir menos. Esse movimento esfria a atividade econômica e reduz o ritmo de crescimento, justamente como forma de conter a inflação.

Trump ameaça destruir totalmente parte iraniana do maior campo de gás do mundo A escalada do conflito no Oriente Médio fez os preços do petróleo e do gás dispararem e levou as bolsas mundiais a operar em queda nesta quinta-feira (19). A tensão aumentou após novos ataques do Irã contra o Catar e ameaças de retaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com o risco de uma nova alta da inflação global, bancos centrais adotam cautela em relação a possíveis cortes nas taxas de juros. Na Europa, três das quatro principais bolsas europeias registravam quedas de 2% ou mais por volta do meio-dia. O índice de Frankfurt liderava as perdas, com recuo de 2,56%, seguido por Milão (-2,46%) e Londres (-2,19%). Em Paris, o índice CAC 40 caía 1,83%. Nos Estados Unidos, Wall Street também abriu em baixa. Os contratos futuros apontavam queda de 0,37% para o Dow Jones Industrial Average, 0,54% para o Nasdaq Composite e 0,38% para o S&P 500. Mesmo com alguma estabilização ao longo do dia, os preços da energia continuam pressionando os mercados. O Brent crude oil, referência global do petróleo, era negociado a US$ 113,92 por barril, alta de 6,09%. Mais cedo, o barril chegou a US$ 118,03, cerca de 10% acima do valor do dia anterior. Já o contrato futuro de gás natural TTF natural gas futures — referência na Europa — subia 17,47%, para € 64,21 por megawatt-hora. Instalações de produção de gás natural liquefeito da Qatar Energy em 2 de março de 2026 REUTERS/Stringer Escalada dos ataques Nas últimas 24 horas, importantes campos de petróleo e gás no Oriente Médio, ao redor do Golfo, foram alvos de ataques, aumentando os temores de uma crise de produção e abastecimento. "A escalada geopolítica atingiu um novo patamar", observou o analista John Plassard, chefe de estratégia de investimentos do Cité Gestion Private Bank. "Os mercados de ações estão sendo pressionados pelo medo, pelos ataques a instalações de GNL (gás natural liquefeito) no Catar e pelo fato de o Fed não ter pressa em socorrer os mercados", disse Neil Wilson, analista da Saxo Markets. "Israel atacou o campo de gás de South Pars, no Irã, provocando retaliação de Teerã, que lançou ataques contra o terminal de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, e ameaçou realizar novos ataques contra outros países do Golfo", observou ele. No Kuwait, duas refinarias também foram incendiadas após um ataque com drones na manhã desta quinta-feira (19). Banco da Inglaterra mantém juros O Banco da Inglaterra (BoE) manteve sua taxa básica de juros inalterada em 3,75% nesta quinta-feira, seguindo a liderança do Fed no dia anterior, e adiando indefinidamente o retorno à meta de inflação, devido à disparada dos preços da energia. "A guerra no Oriente Médio elevou os preços da energia globalmente. Isso já é visível nos postos de gasolina e, se continuar, contribuirá para contas de energia mais altas para as famílias este ano”, alertou o presidente do Banco Central britânico, Andrew Bailey. Na quarta-feira, o Fed, manteve sua taxa básica de juros inalterada, mas o presidente, Jerome Powell, alertou que "as repercussões dos eventos no Oriente Médio sobre a economia dos EUA são incertas". "No curto prazo, o aumento dos preços da energia elevará a inflação geral", advertiu ele. Reunião do BCE Os mercados aguardam agora a reunião do Banco Central Europeu (BCE), na tarde desta quinta-feira. A expectativa é que as taxas de juros no bloco subam, diante da alta dos preços do petróleo e dos riscos de inflação na zona do euro. Mas a mensagem da presidente, Christine Lagarde, será analisada com atenção. "A declaração do BCE provavelmente será restritiva, possivelmente indicando um aperto da política monetária ainda este ano, dependendo da duração do conflito no Oriente Médio e de seu impacto a médio prazo nos preços do petróleo", prevê o analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote. O conflito levou a uma quase paralisação do Estreito de Ormuz pelo Irã – uma importante via navegável por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. O impacto já é sentido na Europa nos preços dos combustíveis e nas empresas, principalmente nas que consomem muita energia. Caso o conflito se prolongue, economistas alertam para o risco de crescimento ainda mais fraco combinado com inflação mais alta — um cenário especialmente desafiador para o BCE. LEIA TAMBÉM: Preço do petróleo ultrapassa US$115 após ataques a reservas de energia no Oriente Médio Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos? Governo corre contra o tempo para evitar uma ‘crise do diesel’ ainda maior

A Secretaria do Tesouro Nacional comprou nesta semana R$ 49 bilhões em títulos públicos, que haviam sido colocados nos últimos anos no mercado financeiro, por conta dos efeitos da guerra no Oriente Médio. Trata-se da maior operação de recompra já realizada pela instituição. Oficialmente, o Tesouro informa que o objetivo da atuação é "oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos". A taxa Selic, fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que atualmente está em 14,75% ao ano, tem efeito somente no curto prazo. Já a curva de juros do mercado futuro, afetada pelos leilões do Tesouro Nacional, é definida pelas condições do mercado (oferta e demanda). O cenário global das últimas semanas, com a eclosão da guerra no Oriente Médio, pressionou para cima a curva de juros. 🔎Em termos práticos, ao recomprar papeis do mercado financeiro, o Tesouro Nacional aumenta a demanda por esses títulos, o que eleva o seu preço e, consequentemente, diminui sua taxa de juros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como esses papeis têm prazos longos, seus juros servem de base para a chamada "curva", ou seja, as apostas do mercado para os próximos anos. A atuação tem o efeito, portanto, de injetar "liquidez" ao mercado financeiro, ou seja, liberar recursos aos bancos, e, com isso, conter movimento desordenado de pressão altista na curva de juros — que serve de base para o mercado fixar as taxas cobradas nos empréstimos a empresas e pessoas físicas. "Acho que o Tesouro agiu corretamente. O mercado estava apreensivo e sem como dar saída para títulos que naturalmente estavam perdendo valor diante do novo cenário para os juros, em razão dos efeitos da guerra. As intervenções de recompra foram corretas. Sim, são volumosas, mas o Tesouro provavelmente até saiu no lucro nessas operações. Com isso, normaliza-se o mercado É a decisão típica para momentos como esse", avaliou o economista-chefe da Warren Brasil, Felipe Salto. Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters Impacto da guerra O início da guerra no Oriente Médio têm pressionado o mercado internacional de energia, com disparada no preço do petróleo para um patamar acima de US$ 100 por barril (contra US$ 72 antes do conflito). A alta do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país pelo aumento do diesel, apesar de a Petrobras ainda não ter anunciado reajustes da gasolina. A expectativa do mercado para a inflação em 2026 já subiu na semana passada. A preocupação imediata, segundo analistas, é com a falta de abastecimento de diesel no país, além do impacto do aumento dos preços no dólar e na inflação. O que já está resultando em um cenário de corte menor dos juros básicos da economia. Nesta quinta, o Banco Central (BC) avaliou que o cenário global "prospectivo" (futuro) "segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais", ou seja, subida do petróleo, pressão sobre o dólar, os juros futuros e impacto na bolsa de valores - que opera em queda hoje. "As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram. Somam-se a essas incertezas, aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco", avaliou o BC.

Israel bombardeia campo de gás natural no Golfo Pérsico O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, condenou nesta quinta-feira os ataques do Irã ao principal polo de gás do país. A ofensiva ocorreu um dia após Teerã lançar uma série de ações contra infraestruturas energéticas no Golfo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp “Este ataque tem repercussões significativas para o fornecimento global de energia. Ações como essa não trazem benefício direto a nenhum país; ao contrário, prejudicam e impactam diretamente as populações”, afirmou o premiê em entrevista coletiva. A declaração foi feita após danos extensos à instalação de Ras Laffan, considerada o principal centro de processamento e exportação de gás natural do país. Reunião de chanceleres de países do Oriente Médio X / Reprodução Guerra se espalha Ao contrário de conflitos recentes na região, como a guerra entre Irã e Israel de junho de 2025 e entre Israel e Hamas, a atual Guerra no Irã extrapolou as fronteiras dos países diretamente envolvidos e se alastrou pelo Oriente Médio. Os combates, que entram agora na terceira semana, tiveram início em 28 de fevereiro com bombardeios conjuntos de EUA e Israel contra o território iraniano, resultando na morte do líder supremo do país, Ali Khamenei. Uma escola com estudantes também foi atingida, entre outros alvos. Trump ameaça explodir campo de gás iraniano caso país não pare de atacar Catar O Irã lançou ataques retaliatórios pouco depois, não só contra Israel, mas também em direção a embaixadas, a bases americanas espalhadas pela região e também a alvos civis, como prédios que supostamente abrigariam funcionários americanos. Ao mesmo tempo, Hezbollah e Israel intensificaram as hostilidades em meio ao conflito, arrastando o Líbano, inclusive sua capital, Beirute, para o teatro de operações. De todos os países do Golfo, é o que costuma ter melhores relações com o Irã, já que tanto seu governo quanto sua população são de maioria xiita. O país, porém, também abriga a maior base aérea americana da região, atacada por Teerã. Doha interrompeu sua produção de gás natural depois de ter duas instalações danificadas por ataques iranianos. Dois caças do Irã também foram abatidos pela Força Aérea catari.

Ataque israelense provoca incêndio no campo de gás South Pars, no Irã Após rejeitar o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para enviar navios militares ao Estreito de Ormuz, países europeus e o Japão disseram nesta quinta-feira (19) que estão "prontos" para se juntar aos "esforços" para liberar a passagem pelo canal marítimo. Em um comunicado conjunto, governos de Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão afirmaram ainda que vão tomar medidas para estabilizar o mercado de energia, afetado pelos ataques do Irã a infraestruturas no Golfo Pérsico. O preço do petróleo disparou após os novos ataques. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: acompanhe todas as notícias sobre a guerra no Irã "Expressamos nossa prontidão em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo Estreito", diz a declaração. "Saudamos o compromisso das nações que estão se engajando". A nota é um aceno ao governo de Donald Trump, que havia criticado os aliados após eles negarem o pedido por embarcações militares para escoltar navios comerciais no estreito. Nesta quinta-feira (19), o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, chamou os países europeus de "ingratos". Estreito de Ormuz Arte/g1 O comunicado, no entanto, não especifica de que forma os países ajudariam no Estreito de Ormuz, uma via marítima no Oriente Médio por onde circulam navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. 👉 O Irã, que fica em uma das pontas do estreito, disse ter fechado a passagem e vem atacando navios que passam por lá. O comunicado conjunto ainda elogia a liberação de reservas estratégicas de petróleo pelos Estados Unidos e diz que "tomaremos outras medidas para estabilizar os mercados de energia, incluindo trabalhar com certos países produtores para aumentar a produção". Veja os vídeos que estão em alta no g1 'Não é nossa guerra' No início da semana, países da Europa haviam rejeitado o pedido de Trump para que enviassem navios militares ao Estreito de Ormuz e ajudassem na guerra contra o Irã. O ministro da Defesa da Alemanha, um dos países que haviam negado o pedido de Trump, disse que não ajudaria porque "esta não é a nossa guerra". "O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos", disse o ministro Boris Pistorius

Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. SAHAR AL ATTAR / AFP O Irã estuda cobrar taxas de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz, segundo um parlamentar do país. A medida pode representar uma tentativa de transformar em receita o controle estratégico da via, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás liquefeito comercializados no mundo. Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, Teerã tem interrompido o tráfego marítimo no estreito para embarcações que, segundo o governo, têm ligação com seus adversários e aliados. De acordo com a "Iranian Students' News Agency", o parlamentar afirmou que o Congresso analisa um projeto que prevê a cobrança de pedágios e taxas de países que utilizam a rota para transporte marítimo, energia e alimentos. Trump diz que EUA não precisam de ninguém para reabrir o Estreito de Ormuz Um assessor do líder supremo do Irã disse que um “novo regime para o Estreito de Ormuz” será implementado após o fim do conflito. A proposta permitiria ao país impor restrições marítimas a nações que adotaram sanções contra Teerã. “Ao usar a posição estratégica do Estreito de Ormuz, podemos sancionar o Ocidente e impedir que seus navios passem por essa via”, afirmou Mohammad Mokhber nesta quinta-feira, segundo a agência Mehr News Agency. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,58% nesta quinta-feira (19), cotado a R$ 5,2152. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,35%, aos 180.271 pontos. O dia foi marcado por cautela elevada, em meio à alta do petróleo e do gás natural após novos ataques do Irã a instalações de energia. Um novo discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no entanto, trouxe certo alívio aos mercados ao indicar que o conflito pode não se prolongar. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Ele afirmou que Estados Unidos e Israel estão “vencendo, e o Irã está sendo dizimado”, acrescentando que o arsenal de mísseis e drones iraniano está sendo fortemente degradado e será destruído. O dólar, que subia, passou a cair após a declaração. ▶️ Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Benjamin Netanyahu se comprometeu a não atacar campos de energia do Irã. “Eu disse a ele: ‘Não faça isso’, e ele não fará”, declarou a repórteres no Salão Oval. ▶️ O Irã anunciou uma nova fase da guerra nesta quinta, passando a mirar estruturas de energia no Golfo ligadas aos EUA, em retaliação ao ataque de Israel ao maior campo de gás do mundo em território iraniano. Ação provocou uma disparada nos preços do petróleo e do gás natural. 🔎 O Brent — referência do mercado — alcançou o maior nível em mais de uma semana e superando os US$ 115 por barril. Por volta das 17h desta quinta, o preço futuro do gás natural na Europa registrava alta de cerca de 12%. Mais cedo, o gás chegou a subir 35% na região. ▶️ No Brasil, o governo tenta conter uma alta do diesel em ano eleitoral, em meio à disparada do petróleo com a guerra no Oriente Médio. A proposta é zerar o ICMS sobre a importação do combustível até o fim de maio, com metade das perdas dos estados compensada pela União. ▶️ No campo político, os investidores analisam a indicação do secretário-executivo Dario Durigan, número dois na hierarquia da pasta, para comandar o ministério até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a saída de Haddad para concorrer ao governo de São Paulo. ▶️ Com poucos indicadores no cenário local, os investidores voltam a atenção para as decisões de juros ao redor do mundo, como os anúncios do Banco do Japão (BoJ), do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA. ▶️ Ainda no radar estão as as decisões de juros: no Brasil, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano, enquanto, nos EUA, o Federal Reserve manteve as taxas entre 3,50% e 3,75% ao ano. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,86%; Acumulado do mês: +1,58%; Acumulado do ano: -4,98%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,47%; Acumulado do mês: -4,51%; Acumulado do ano: +11,88%. Novos ataques no Oriente Médio A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase, segundo o Irã, que anunciou ataques a instalações de energia ligadas aos Estados Unidos como resposta aos bombardeios contra sua própria infraestrutura, atribuídos a Israel com apoio americano. A escalada teve início após o ataque ao campo de gás South Pars, no Irã — o maior do mundo —, e ganhou força com a retaliação iraniana, que atingiu estruturas energéticas em países como Catar e Arábia Saudita, incluindo uma importante unidade de processamento de gás no território catariano. Diante desse cenário, os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira, com o barril superando US$ 115, enquanto o gás natural também subiu forte na Europa. O movimento reflete o temor de interrupções no fornecimento global de energia. Nos EUA, o governo de Donald Trump teria apoiado a ofensiva inicial, mas tenta conter novos ataques a esse tipo de infraestrutura, enquanto avalia os próximos passos conforme a reação do Irã. Ao declarar que o Irã está sendo "dizimado", Benjamin Netanyahu citou o arsenal iraniano de mísseis e drones como ponto estratégico. “O que estamos destruindo agora são as fábricas que produzem os componentes para fabricar esses mísseis e para produzir as armas nucleares que eles estão tentando desenvolver”, afirmou Netanyahu. Decisões de juros Na quarta-feira, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte desde maio de 2024, decisão já esperada pelo mercado. 👉 Mesmo com a queda, o BC sinalizou cautela e não indicou novos cortes por conta das incertezas com a guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo e os impactos na inflação. O comitê destacou que vai acompanhar os efeitos do conflito na economia antes de decidir os próximos passos. Com isso, o Brasil continua a ter o segundo maior juro real do mundo, com 9,51%. 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída a inflação prevista para os próximos 12 meses. A liderança do ranking, antes ocupada pela Rússia, passou para a Turquia, que registrou uma taxa real de 10,38%. Os russos aparecem na terceira posição, com juros reais de 9,41%. Enquanto isso, nos EUA, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. Apesar das incertezas, o banco central americano ainda prevê um possível corte de 0,25 ponto ainda este ano, mas alertou que pode mudar de ideia se o cenário externo piorar com os conflitos. 👉 Juros altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e podem impactar países como o Brasil, pressionando a inflação e dificultando a queda dos juros por aqui. Nesta quinta, o Banco da Inglaterra também decidiu manter os juros. A instituição avalia os riscos de inflação decorrentes da guerra, e alguns membros levantaram a possibilidade de um aumento. Mercados globais Em Wall Street, as principais bolsas fecharam em queda. As perdas, que chegaram a ser mais intensas ao longo do pregão, perderam força diante da expectativa de investidores de que o conflito no Oriente Médio possa desacelerar. O índice Dow Jones caiu 0,44%, enquanto o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq teve baixa de 0,28%. Os investidores também avaliaram os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que caíram para 205 mil, abaixo do esperado, indicando um mercado de trabalho ainda estável, apesar das incertezas globais. Na Europa, os mercados também fecharam em queda, refletindo as tensões geopolíticas e a cautela com a inflação. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra votou por unanimidade pela manutenção dos juros, diante dos riscos inflacionários ligados à guerra no Oriente Médio. Parte dos dirigentes, inclusive, sinalizou a possibilidade de novas altas, o que provocou uma forte venda de títulos públicos de curto prazo. Entre as bolsas, o índice britânico FTSE 100 recuou 2,35%, enquanto o DAX, da Alemanha, caiu 2,76% e o CAC 40, da França, teve baixa de 2,03%. Na Ásia, as bolsas também fecharam em queda nesta quinta-feira, com investidores mais cautelosos diante da escalada do conflito e das incertezas sobre a economia global. Em Xangai, o principal índice recuou 1,4%, aos 4.006 pontos, após chegar a ficar abaixo dos 4.000 no intradia, enquanto o CSI300 caiu 1,6%, a 4.583 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 2%, aos 25.500 pontos, e, no Japão, o Nikkei registrou forte queda de 3,4%, aos 53.372 pontos. Também houve perdas na Coreia do Sul (-2,7%), Taiwan (-1,9%), Austrália (-1,6%) e Cingapura (-0,8%). *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar e real Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

A liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master, ou seja, sua retirada do mercado, não gerou efeitos no âmbito do sistema financeiro nacional, pois os mecanismos de proteção existentes foram acionados. Mas, o cenário internacional, marcado pela guerra no Oriente Médio, segue apresentando riscos. As avaliações constam na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central. A reunião aconteceu em 11 e 12 de março, mas o documento foi divulgado somente nesta quinta-feira (19) pela autoridade monetária. "Os mecanismos de proteção existentes associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro", diz o Banco Central, sobre a liquidação de bancos ligados ao Master. 🔎O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade. Sede do Banco Master, em São Paulo Getty Images via BBC Enquanto a Polícia Federal investiga irregularidades no Master, nove instituições financeiras ligadas ao banco de Daniel Vorcaro, que está preso, foram liquidadas. São elas: Banco Master S/A Banco Master de Investimento S/A Banco Letsbank S/A Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários Reag Trust Will Financeira Banco Pleno Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A Banco Master Múltiplo S/A Antes do caso vir à tona, o FGC possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa, para o exercício de sua atividade. As liquidações do conglomerado, incluindo a do próprio Master, do Will Bank e do Pleno, estão consumindo R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados. O valor tem como base estimativas feitas pelo próprio fundo. Para capitalizar novamente o FGC, o BC anunciou, no início deste mês, resolução para que os bancos direcionem o fundo recursos recolhidos dos depósitos compulsórios. A medida poderá injetar cerca R$ 30 bilhões, no decorrer de 2026, no FGC. Banco Central decreta liquidação do Banco Pleno Guerra no Oriente Médio Na outra frente da guerra, explosões sacudiram os subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano Jornal Nacional/ Reprodução De acordo com análise do Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central, o cenário global "prospectivo" (futuro) "segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais", ou seja, subida do petróleo e mudanças no dólar, por exemplo. "As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram. Somam-se a essas incertezas, aquelas relacionadas aos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, à sustentabilidade fiscal de economias centrais e à valorização dos ativos de risco", avaliou o BC. A autoridade monetária observou, porém, que o sistema financeiro internacional tem demonstrado "resiliência", apesar de a "incerteza de política econômica" permanecer elevada. "A materialização recente de riscos geopolíticos aumentou a volatilidade nos mercados. Até o momento, os efeitos concentram-se nos preços de commodities, sem contágio em mesma proporção para outros ativos financeiros. O regime de câmbio flutuante segue absorvendo choques e o sistema financeiro internacional segue em realocação ordenada de posições", concluiu.

Ferrari 296 GTB Divulgação/ Ferrari Segundo a Reuters, a montadora italiana de carros esportivos Ferrari suspendeu nesta quinta-feira (19) temporariamente as entregas no Oriente Médio, enquanto a guerra avança na região. “Estamos monitorando de perto os desdobramentos no Oriente Médio e as possíveis implicações para o nosso negócio”, afirmou a empresa em comunicado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp “Neste momento, suspendemos temporariamente as entregas na região, enquanto gerenciamos algumas entregas por via aérea”, acrescentou a companhia. A região do Oriente Médio é importante para o resultado de vendas da Ferrari. Segundo o balanço mais recente, de 2024, a marca italiana vendeu 479 carros naquele mercado. Pode não parecer muito, mas vamos comparar com a China, que só fica atrás do Estados Unidos no número de bilionários e tem população de 1,4 bilhão de pessoas. Os chineses compraram da 814 carros da Ferrari no mesmo período. Esses dados não incluem Hong Kong nem Taiwan. A Ferrari tem 10 pontos de venda no Oriente Médio, segundo dados da empresa. Número bem maior do que a soma de toda a América do Sul, que só tem quatro lojas da marca. Abu Dhabi tem parque temático da Ferrari Felipe Massa e Fernando Alonso na atração Formula Rossa do Ferrari World de Abu Dhabi em 2013 Divulgação / Ferrari A paixão pela Ferrari no Oriente Médio é tão grande, que a marca italiana tem um parque temático licenciado em Abu Dhabi. Lá é possível experiementar uma das montanhas russas mais rápidas do mundo. Chamada de Formula Rossa, a atração acelera de 0 a 100 km/h em menos de 2 segundos e alcança 240 km/h. Nas curvas, os ocupantes sentem os efeitos de até 4,8 g. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Preço internacional do petróleo volta a subir Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira (19). O Brent — referência do mercado — atingiu o maior nível em mais de uma semana e superou os US$ 115 por barril. A alta ocorreu após o Irã atingir instalações de produção de combustíveis em diferentes pontos do Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel a South Pars, maior campo de gás natural do mundo. A escalada de tensão pressionou o mercado. Por volta das 12h05 desta quinta-feira (19), o preço futuro do gás natural na Europa registrava alta de cerca de 14%. Mais cedo, chegou a subir 35% na região. SIGA as últimas atualizações da guerra 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em resposta ao ataque israelense, o Irã atingiu instalações de energia no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. No Kuwait, duas refinarias da estatal de petróleo foram atingidas por drones e tiveram incêndios. A QatarEnergy disse que um dos ataques do Irã destruiu 17% da capacidade de GNL do gás natural do Catar por três a cinco anos. No fim da noite de quarta-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país e o Catar não tiveram qualquer envolvimento no ataque e nem tinham conhecimento prévio da ação. Trump afirmou ainda que Israel não deve realizar novos ataques ao campo de South Pars. Preço do petróleo Por volta das 7h52 (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent avançavam 6,58%, a US$ 114,45 por barril. Mais cedo, chegaram a subir quase US$ 8, atingindo o maior nível desde 9 de março, com pico de US$ 115,10 na sessão. Já o petróleo WTI, dos Estados Unidos, subia 1,05%, para US$ 96,46 por barril, após ter avançado quase US$ 4 mais cedo, sendo negociado a US$ 100,02. O WTI tem sido negociado com o maior desconto em relação ao Brent em 11 anos, refletindo a liberação de reservas estratégicas pelos EUA e custos mais altos de transporte. Ao mesmo tempo, os novos ataques a instalações energéticas no Oriente Médio reforçaram a pressão de alta sobre o Brent. “A escalada no Oriente Médio, os ataques à infraestrutura de petróleo e a morte da liderança iraniana apontam para uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo”, afirmou Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, em nota. Reação nas bolsas de valores As tensões no Oriente Médio refletem negativamente no mercado financeiro. Nos EUA, o Dow Jones futuro caía 0,38%, enquanto o S&P 500 recuava 0,45% e o Nasdaq 100 tinha baixa de 0,61%, por volta das 9h27 (de Brasília); Na Europa, o índice britânico FTSE 100 recuava 2,40%, enquanto o DAX, da Alemanha, caía 2,41% e o CAC 40, da França, tinha baixa de 1,77%. Na Ásia, em Xangai, o principal índice recuou 1,4%, aos 4.006 pontos, após chegar a ficar abaixo dos 4.000 no intradia, enquanto o CSI300 caiu 1,6%, a 4.583 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 2%, aos 25.500 pontos, e, no Japão, o Nikkei registrou forte queda de 3,4%, aos 53.372 pontos. Países árabes e islâmicos condenam ataques Chanceleres e autoridades de 12 países árabes e islâmicos condenaram, em reunião realizada em Riad, os ataques do Irã contra países da região e pediram a interrupção imediata das ofensivas. Em declaração conjunta, os governos criticaram o uso de mísseis e drones contra áreas civis e infraestrutura estratégica, defenderam o direito à legítima defesa e cobraram de Teerã o respeito ao direito internacional para conter a escalada. O encontro reuniu autoridades de Catar, Azerbaijão, Bahrein, Egito, Jordânia, Kuwait, Líbano, Paquistão, Arábia Saudita, Síria, Turquia e Emirados Árabes Unidos. Danos a instalações A estatal QatarEnergy informou que houve “danos extensos” após mísseis iranianos atingirem a cidade industrial de Ras Laffan, responsável por processar cerca de um quinto do gás natural liquefeito (GNL) consumido no mundo. Na Arábia Saudita, um porto de petróleo no Mar Vermelho também foi atingido. Os bombardeios mostram que o Irã ainda consegue prejudicar a operação militar de Estados Unidos e Israel. Ao mesmo tempo, revelam falhas nos sistemas de defesa aérea em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento global de energia. Os ataques também sugerem falta de alinhamento entre Estados Unidos e Israel na condução da guerra, mesmo após quase três semanas de conflito. O governo de Trump avalia enviar mais tropas para o Oriente Médio e considera uma operação com tropas terrestres no Oriente Médio, segundo fontes ouvidas pela Reuters. Entre as alternativas discutidas está garantir a passagem segura de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, principalmente com uso de forças aéreas e navais. Fontes afirmam, no entanto, que a missão também pode envolver o envio de tropas à costa iraniana. O governo americano também discute a possibilidade de deslocar forças terrestres para a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã. Segundo autoridades, a operação seria de alto risco, já que o país tem capacidade de atingir a área com mísseis e drones. Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters

Governo avalia pedir indenização contra distribuidoras e postos para conter preço do diesel Em meio a uma severa alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o governo corre contra o tempo para evitar um problema em ano de eleição: um repique da inflação. O preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis do país subiu mais de 11% em uma semana, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Passou de R$ 6,08 para R$ 6,80. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em questão de semanas, os ataques de EUA e Israel ao Irã espalharam um intenso conflito por toda a região. Um dos principais trunfos do Irã é o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Os iranianos alegam que, por conta dos ataques, o estreito foi fechado. Com o fluxo de comércio na região reduzido a menos da metade do habitual, o barril de petróleo saltou de cerca de US$ 60 no início do ano para US$ 110. A disparada da matéria-prima pressiona diretamente a Petrobras, que é responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no Brasil. Com o petróleo mais caro, a empresa precisa decidir entre repassar esse aumento — o que encarece o combustível para o consumidor — ou segurar os preços e reduzir suas margens de lucro. Esse cenário expõe como a política de preços da estatal também tem sido usada para conter a inflação. Para evitar um repasse integral da alta, o governo federal lançou um pacote para segurar o preço dos combustívei Primeiro, anunciou a isenção de impostos federais e uma “ajuda de custo” (a chamada subvenção) a produtores e importadores de diesel. A previsão é gastar R$ 30 bilhões para reduzir em R$ 0,64 por litro o preço na bomba. Em contrapartida, será aplicado um imposto sobre a exportação de petróleo. Com esse “desconto” bancado pelo governo, a Petrobras ganhou espaço para elevar o preço do diesel nas refinarias, acompanhando a alta do petróleo, sem que todo o impacto chegue ao consumidor. Assim, a empresa evita prejuízos com o custo mais alto da matéria-prima e divide com o governo o efeito do aumento na bomba. Até agora, as medidas ainda não mostraram efeito. A isenção de PIS/Cofins representa apenas 5% do valor final do diesel. Para isso, inclusive, foi adicionada a subvenção: para dobrar o desconto. O governo, então, apelou aos governadores para que cortassem os impostos estaduais sobre os combustíveis. No caso do diesel, o ICMS representa quase 20% do valor final. Seria um desconto extra de cerca de R$ 1,20. Mas os governadores disseram “não”. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirmou que isentar o ICMS prejudicaria o financiamento de políticas públicas e que cortes no imposto “não costumam ser repassadas ao consumidor final”. Diante disso, foi necessário apresentar uma nova proposta: os estados zeram o ICMS sobre importação do diesel até o fim de maio e o governo reembolsa metade do valor que não será arrecadado. Pelas contas do Ministério da Fazenda, a isenção custará R$ 3 bilhões por mês, e o governo devolveria R$ 1,5 bilhão. A decisão será tomada até o dia 28 de março. A preocupação do governo não é à toa. O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços. Por isso, o governo também reforçou a fiscalização da tabela do frete no Brasil, para garantir que os caminhoneiros não rodem “no prejuízo” e buscando impedir uma nova paralisação da categoria, que agravaria ainda mais a situação. O economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, afirma que os aumentos indiretos causados pela alta do diesel podem elevar a inflação em 0,11 ponto percentual em 2026. “O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel, já neste mês. Entre os efeitos indiretos, o aumento será espraiado ao longo dos próximos seis meses”, diz Romão.

Fiat Titano Endurance ganhou desconto de R$ 37 mil na Argentina Divulgação / Stellantis Mesmo sem participar da mais recente isenção de impostos, carros das marcas Volkswagen, Fiat, DS, Peugeot e Hyundai ficaram mais baratos na Argentina. Os descontos oferecidos neste mês de março chegam a até 10 milhões de pesos argentinos (R$ 37 mil, em conversão direta). Esse movimento ocorre por uma reorganização de preços após o fim do chamado “imposto do luxo”, um tributo interno que deixará de existir na Argentina a partir de abril de 2026. A decisão faz parte das medidas do presidente Javier Milei e resultou em reduções significativas em veículos mais caros. O Porsche 911 Turbo S, por exemplo, ficou mais de R$ 600 mil abaixo do valor anterior. Já o Ford Mustang Dark Horse teve queda próxima de R$ 200 mil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Preços mais competitivos Na Volkswagen, o Vento GLI (Jetta GLI no Brasil) ficou 7% mais barato e agora custa 77,7 milhões de pesos argentinos (R$ 289 mil). As duas versões do Tiguan, Life e R-Line, tiveram redução de 8,7%. Toda a linha Amarok recebeu cortes de preço que, em média, chegaram a 6%. A Hyundai reduziu em US$ 2 mil (R$ 10.400) o preço do Tucson 1.6 Turbo, que agora parte de US$ 46 mil (R$ 239 mil). Os primeiros compradores ainda recebem ingressos para jogos da Argentina na Copa do Mundo. Volkswagen Vento GLI tem desconto de 7% na Argentina Divulgação / Volkswagen A Fiat também adotou condições especiais de financiamento e baixou os valores. A picape Titano, na versão Endurance manual 4x2, custa agora 39,9 milhões de pesos (R$ 148 mil), o que representa um desconto de R$ 37 mil. Modelos da Peugeot e da DS, ambas pertencentes à Stellantis, também ficaram mais baratos na Argentina. A Jeep, porém, ainda não revisou seus preços. Clientes podem ficar insatisfeitos Esse cenário de redução de preços e maior disponibilidade de estoque depende da estratégia de cada montadora e do contexto externo, explica Cássio Pagliarin, da Bright Consulting. Ele lembra que algo semelhante ocorreu na China, quando houve realocação de oferta após o fim dos incentivos para carros elétricos. As fabricantes passaram a direcionar seus modelos para outros mercados, como o Brasil. Mesmo com menor margem de lucro, empresas chinesas conseguem escoar a produção ao enviar veículos para o Brasil. Na Argentina, a margem também pode diminuir, mas as marcas buscam evitar acúmulo de estoque. O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa durante a sessão de abertura da 144ª legislatura do Congresso Nacional, no prédio do Congresso Nacional REUTERS/Agustin Marcarian Por outro lado, há efeitos negativos. O primeiro surge entre consumidores que compraram carros recentemente pagando valores mais altos e agora veem o preço do veículo cair rapidamente. “O consumidor sai perdendo com isso. O ideal é que a própria marca entre em contato com o cliente e busque alguma forma de reduzir a insatisfação”, afirma Pagliarin. Outro impacto ocorre no mercado de usados. Quem depende do carro atual para comprar um novo provavelmente terá de recalcular tudo. Já quem planejava vender um usado acordou com o veículo valendo menos. A estimativa é que, quando um carro zero quilômetro recebe desconto, cerca de 60% dessa queda é repassada imediatamente para os usados. Assim, se um modelo novo fica 5% mais barato, o seminovo perde cerca de 3% do valor, explica o consultor.

O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. X/ Reprodução "Hoje é um dia especial. Pela primeira vez, nos meus 27 anos, consegui meu primeiro emprego". O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. A mensagem emocionada, escrita no primeiro dia de trabalho, rapidamente viralizou. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, entre elogios e mensagens de apoio, também surgiram críticas: "Me pergunto como tu chegou nessa idade sem se sentir um completo inútil", escreveu um usuário. Diante da repercussão, Matheus voltou às redes para explicar o que não havia dito no primeiro post. Não se tratava de nunca ter trabalhado. Ao contrário: ele construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Já foi office-boy, fotógrafo, garçom, vendedor, corretor, motoboy, motorista de aplicativo, mecânico, camelô, trabalhou com manutenção de celulares e chegou a abrir pequenos negócios. Ao g1, ele detalhou: o 'primeiro emprego" a que se referia era, na verdade, o primeiro vínculo com uma empresa — ainda que não seja no regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Aos 27 anos, nunca fui CLT. Mas agora tenho meu primeiro emprego formal, meu primeiro cargo, meu primeiro vínculo com uma empresa. Antes eu tinha trabalhos. Agora tenho um emprego”, resume. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo Matheus, a oportunidade como engenheiro de software surgiu por meio de um contrato como pessoa jurídica (PJ) em uma empresa de São Paulo (SP). CLT: profissional contratado com carteira assinada, possui vínculo empregatício e tem acesso a direitos como férias, 13º salário e FGTS. PJ: contratado como pessoa jurídica, atua como prestador de serviços, emite nota fiscal e não tem vínculo empregatício nem benefícios previstos na CLT. Mas, apesar da explicação de Matheus, a repercussão já havia tomado grandes proporções. O tweet — acompanhado da foto no primeiro dia de trabalho — viralizou e extrapolou a história individual. A discussão ganhou novos contornos: existe idade certa para começar a trabalhar? Profissionais sem vínculo formal são mal vistos? É possível construir carreira fora da CLT? Mudar de área depois dos 25 anos é arriscado? Em um Brasil em que 38,5 milhões de pessoas ainda vivem na informalidade, segundo dados recentes do IBGE, e com o envelhecimento da população em andamento, histórias como a de Matheus ajudam a iluminar uma transformação mais profunda no mercado de trabalho. Trajetória fora do mercado formal Antes de chegar à tecnologia, Matheus percorreu um caminho irregular. Começou cedo: aos 14 e 15 anos, conciliava escola, cursinho e trabalho como office-boy no centro de São Paulo. Na época, queria seguir carreira militar, mas não conseguiu aprovação antes de atingir o limite de idade. Depois disso, vieram mudanças de cidade, trabalhos diversos e dificuldade para acessar o mercado formal. Em Canoas (RS), atuou como motoboy, teve os primeiros contatos com tecnologia e chegou a abrir uma loja de manutenção. Mais tarde, voltou a dirigir por aplicativo. Com problemas no carro e sem dinheiro para consertos, aprendeu mecânica por conta própria, o que acabou virando profissão por um período. Ao longo desses anos, Matheus afirma que nunca deixou de trabalhar. Mas também nunca teve um vínculo formal. O momento atual do mercado também influencia esse movimento, explica o economista da 4intelligence, Bruno Imaizumi. O desemprego atingiu o menor nível da série histórica do IBGE ano passado, indicando maior abertura de vagas. "No momento em que o Brasil se encontra (mercado de trabalho aquecido), todos os tipos de ocupação vem ganhando força, especialmente com carteira assinada e conta própria. Nos últimos anos, vimos o avanço da formalização do mercado de trabalho, mas ainda há muito para melhorar". Entre elogios e mensagens de apoio, post de Matheus Tavares também surgiram críticas X/ Reprodução Há uma idade certa para começar? O cenário exposto por Imaizumi ajuda a explicar por que trajetórias como a de Matheus são mais comuns do que parecem — e abre espaço para um debate que foi além do caso individual: afinal, ainda faz sentido falar em uma idade “certa” para começar uma carreira? Para o economista, a resposta passa por mudanças estruturais que vêm redesenhando o mercado de trabalho. O envelhecimento da população, o maior tempo dedicado aos estudos e a transformação do próprio conceito de carreira ajudam a explicar por que entradas mais tardias no mercado formal deixaram de ser exceção. "Hoje, buscamos pessoas com maior qualificação por meio do estudo. Há também diferenças no que significa sucesso profissional para um jovem de hoje em comparação com duas gerações atrás. Antes, sucesso estava ligado a fazer carreira em uma única empresa. Hoje, isso não é mais verdade". A avaliação é compartilhada pelo professor Edgard Rodrigues. Segundo ele, a ideia de um “timing ideal” perdeu força diante de trajetórias cada vez mais diversas. “As carreiras estão menos lineares, e o momento de entrada não define o potencial do profissional”, afirma. Na prática, isso significa que começar mais tarde não é, necessariamente, um problema — desde que haja preparo. Para Daniel Consani, CEO do Top RH, o mercado já começou a absorver essa mudança. “As pessoas entram, saem, mudam de área, empreendem. O que conta hoje não é quando você começou, mas o quanto está preparado agora", afirma. Matheus Tavares construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Matheus Tavares Desafios para validar a experiência profissional A história de Matheus também expõe uma distinção importante — e muitas vezes invisível: a diferença entre trabalhar e ter um emprego formal. Durante anos, ele acumulou experiências, responsabilidades e aprendizados. Ainda assim, enfrentou barreiras ao tentar acessar o mercado formal, especialmente em processos seletivos. “Eu era barrado no RH antes de falar com o gestor técnico”, relata. A dificuldade revela um desafio comum a quem vem da informalidade: transformar experiência prática em algo reconhecido pelas empresas. Segundo Rodrigues, esse filtro ainda existe, mas vem mudando. “Empresas mais modernas estão migrando para modelos de recrutamento que focam mais em competências reais do que no histórico formal”, explica. Consani reforça que essa mudança já é perceptível no dia a dia do recrutamento. “A ausência de carteira assinada pode gerar questionamentos, mas não é mais um impeditivo. O que pesa é a consistência e a capacidade de gerar resultado.” Como apresentar experiências fora da CLT Se antes a informalidade era vista como fragilidade, hoje ela pode se transformar em vantagem competitiva — dependendo de como o profissional apresenta sua trajetória. “Quem trabalhou como PJ, freelancer ou em aplicativos desenvolveu habilidades como autonomia, gestão do tempo e relação com o cliente”, afirma Consani. Rodrigues complementa que até experiências consideradas simples podem gerar repertório relevante. O ponto central está na capacidade de traduzir essas vivências para a linguagem do mercado. Ou seja, mais do que listar atividades, é preciso mostrar impacto: o que foi feito, como foi feito e quais resultados foram alcançados. A repercussão do caso também evidenciou um julgamento ainda presente: a ideia de que quem não seguiu uma trajetória tradicional está "atrasado". Para os especialistas, esse tipo de visão persiste, sobretudo em ambientes mais conservadores. Mas vem perdendo espaço. “Empresas mais competitivas já perceberam que trajetórias diferentes contribuem para inovação”, diz Consani. Rodrigues acrescenta que novas gerações tendem a reduzir esse tipo de preconceito, inclusive em relação à idade e ao tempo de carreira. “Não adianta ter experiência se você não consegue organizá-la e comunicá-la”, ressalta Rodrigues. Consani concorda que o problema, muitas vezes, não está na trajetória, mas na forma como ela é apresentada. “Não é sobre quanto tempo você levou, mas sobre o que construiu nesse tempo.” Para ele, assumir a própria história, estruturar uma linha de evolução e destacar aprendizados e resultados pode mudar completamente a percepção do recrutador.

Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos? BBC Guerras raramente têm vencedores claros. E as populações civis costumam pagar o preço mais alto. Com os mercados globais de energia e as cadeias de abastecimento desordenadas, alguns países estão se preparando para enfrentar severas consequências econômicas. Mas outros conseguiram encontrar novas oportunidades estratégicas em meio ao caos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã trazem consequências dramáticas para a região e para o mundo. Ela desestabilizou os países do Golfo e levou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas em todo o Oriente Médio. Além da zona de guerra, o pico dos preços do petróleo e a interrupção do tráfego marítimo no Golfo, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, elevam os custos para empresas e consumidores. Mas quais países podem sair ganhando ou perdendo em meio à crise? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Rússia O Irã é um importante aliado e parceiro militar da Rússia. A morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), marca mais um revés para Moscou no campo externo, após a deposição de Bashar al-Assad, na Síria, e a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, pelos Estados Unidos. Ainda assim, o conflito no Oriente Médio poderá oferecer à Rússia uma vantagem na sua própria guerra, afastando os recursos militares americanos da Ucrânia. "O esgotamento dos interceptadores e mísseis Patriot é benéfico para a Rússia, pois ele limita o que a Ucrânia pode conseguir no mercado", explica à BBC News Rússia a professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na França. A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, marca mais um revés diplomático para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Anadolu via Getty Images via BBC Mas a maior demanda de drones iranianos Shahed por Teerã, provavelmente, não trará impactos significativos às capacidades de Moscou na Ucrânia, segundo especialistas. "A Rússia dependeu do Irã para cooperação no setor de defesa durante um período muito específico, no início da guerra na Ucrânia, quando o Irã forneceu drones Shahed e, o mais importante, a tecnologia de produção e licenças desses drones, em 2022-2023", explica à BBC News Hanna Notte, diretora para a Eurásia do Centro de Estudos sobre Não Proliferação, nos Estados Unidos. "Estamos, agora, em um estágio em que a Rússia não precisa do Irã para prosseguir com a guerra na Ucrânia", prossegue ela. "A Rússia pode produzir drones Shahed sozinha." Shahed-136, drone 'kamikaze' BBC Paralelamente, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem asfixiado o transporte de petróleo e gás, fazendo os preços dos combustíveis dispararem. Isso pode dar um certo alívio financeiro para a Rússia, que sofre pressões significativas devido à guerra na Ucrânia. O orçamento federal da Rússia considera a exportação do petróleo do país a US$ 59 por barril. Mas, agora, o preço do petróleo bruto aumentou significativamente e chegou a atingir quase US$ 120 por barril. E, com a maior parte dos países do Golfo reduzindo sua produção, a Rússia pode conseguir exportar mais petróleo para mercados importantes, como a China e a Índia. Na última semana, o governo americano anunciou uma flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo da Rússia. A medida prevê uma isenção temporária de cerca de 30 dias para permitir que países comprem petróleo e produtos petrolíferos russos sancionados que já estavam em navios no mar, numa tentativa de conter a alta global dos preços da energia. Embora limitada, a medida pode facilitar temporariamente as exportações russas e gerar receitas adicionais para Moscou. China A China ainda não sofreu efeitos graves da guerra no Irã. Mas ainda irá sentir as pressões. Apenas cerca de 12% do petróleo bruto importado pela China vem do Irã, segundo o Centro de Política Energética Global. Além disso, Pequim detém estoques de petróleo suficientes para vários meses e poderá facilmente pedir ajuda à Rússia em seguida. Mas o "setor industrial orientado à exportação" da China também será atingido, segundo Fyfe. As exportações representam cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês — o valor total das mercadorias produzidas e dos serviços fornecidos pelo país. Por isso, elas se tornaram um importante motor da sua economia, prejudicada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo doméstico. A interrupção do tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz não é um grande problema para a China, mas chegar ao Oceano Atlântico é fundamental para os produtos chineses que se dirigem ao Ocidente. E, no outro lado da Península Arábica, o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia, a Europa e a África, sofreu ataques dos houthis do Iêmen, uma milícia armada apoiada pelo Irã. "É muito provável que o tráfego no mar Vermelho seja novamente muito prejudicado, com navios cargueiros de longo curso da Ásia que desejam chegar à bacia do Atlântico sendo desviados para contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança", explica Fyfe. "Existe um alto custo a pagar por isso", afirma o especialista em Oriente Médio Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres. O trajeto "aumenta a viagem em 10 a 14 dias. E, dependendo da mercadoria, para um navio médio, o custo adicional é de cerca de US$ 2 milhões. Mas a guerra no Irã pode oferecer oportunidades diplomáticas para a China, que tenta se posicionar como um parceiro responsável em comparação com os Estados Unidos, segundo Philip Shetler-Jones, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês). O presidente chinês, Xi Jinping, continuará projetando sua imagem como líder global estável e previsível, em oposição ao líder americano, Donald Trump. E o conflito poderá também ser uma chance para Pequim "procurar indicações" sobre como Trump pode reagir sobre outros temas polêmicos, como Taiwan, a ilha autogovernada reivindicada pela China. Economias emergentes Imensamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, os países do sudeste asiático devem ser fortemente atingidos pela guerra. Alguns deles já tomaram medidas drásticas de austeridade, na esperança de reduzir seus impactos econômicos o mais cedo possível. No Vietnã, o preço do óleo diesel já aumentou em 60% desde o início da guerra. E o governo pediu a todos que trabalhem de casa, quando possível. As Filipinas importam cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio. Os funcionários do setor público do país, agora, trabalham quatro dias por semana, exceto pelos serviços de emergência. Restrições similares foram impostas no Paquistão, com exceção dos bancos. Sempre que possível, foram emitidas ordens para que os funcionários trabalhassem de casa e as aulas das universidades ocorrem via internet. Em pronunciamento pela televisão, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif declarou que é fundamental conservar e racionar cuidadosamente as reservas de combustível do país. Em Bangladesh, o governo enfrenta o pânico dos consumidores. Longas filas nos postos de gasolina levaram ao racionamento. É permitida a compra de 10 litros por dia para os carros e apenas dois litros para as motocicletas. Mas as consequências da guerra podem ir muito além da falta de energia. Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes para abastecer o solo com nutrientes necessários para o cultivo de alimentos e aumentar a resistência das safras. Qualquer interrupção pode gerar insegurança alimentar global. "30% da ureia do mundo, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz", explica Quilliam. "A ureia vem de produtos petroquímicos, derivados do processo de refração de petróleo bruto." "Por isso, se você retirar 30% da ureia dos mercados globais, haverá impactos concretos sobre a segurança alimentar mundial." Após os ataques às suas instalações, a QatarEnergy — um dos maiores exportadores de gás do mundo e produtor de ureia para a fabricação de fertilizantes — precisou declarar força maior, uma medida de emergência que permite às empresas suspender temporariamente a produção e fornecimento. "Você poderá muito bem observar impactos em termos de segurança alimentar e inflação daqui a seis a nove meses", segundo Quilliam. "Pode ainda não se materializar, mas, à medida que a produção for prejudicada ou os agricultores enfrentarem dificuldades para conseguir fertilizantes, veremos um impacto de longo prazo." Com colaboração da BBC News Hindi e de Elizaveta Fokht, da BBC News Rússia.

Peter Thiel na Conferência Bitcoin, em 7 de abril de 2022, em Miami Beach, Flórida. AP Photo/Rebecca Blackwell, Arquivo O bilionário de tecnologia Peter Thiel iniciou, neste domingo (15), uma série de palestras em Roma que geraram mal-estar na Igreja Católica. Os encontros, que duraram até esta quarta-feira (18), discutiram o conceito de anticristo. Segundo o jornal "The New York Times", nesta segunda-feira (16), o crachá dos convidados indicava que a conferência se chamava "O Anticristo Bíblico". O jornal afirmou ainda que ao menos um padre participou do evento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos em alta do g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o jornal, embora Thiel já tenha realizado encontros semelhantes em outras cidades, a Igreja só começou a se manifestar por causa da proximidade do evento com o Vaticano. Na véspera da chegada de Thiel a Roma, o padre Paolo Benanti, que aconselha o papa sobre inteligência artificial, publicou um ensaio com o título: "Heresia americana: Peter Thiel deveria ser queimado na fogueira?". No texto, ele afirma que o bilionário atua como um "teólogo político" no Vale do Silício. "Toda a ação de Thiel pode ser vista como um ato prolongado de heresia contra o consenso liberal: um desafio aos próprios fundamentos da convivência civil, que ele agora considera ultrapassados", escreveu Benanti. Em outra frente, um jornal da Conferência Episcopal Italiana — que reúne bispos do país — também publicou textos com críticas a Thiel. Um artigo alertava que líderes de tecnologia não deveriam definir seus próprios limites éticos e defendia que governos garantam a supervisão democrática das plataformas digitais e combatam a disseminação de desinformação. Interesses de Thiel Conhecido por ter fundado a PayPal e a Palantir Technologies, Thiel vem ampliando o interesse por temas religiosos e filosóficos. Thiel já realizou encontros semelhantes em São Francisco e Paris. Nas palestras, o empresário discutiu cenários em que uma figura com características do anticristo poderia surgir no mundo. O empresário afirma se basear em profecias bíblicas para alertar que um anticristo poderia surgir ao tentar criar um governo mundial único, prometendo evitar desastres como guerras nucleares, avanços da inteligência artificial e mudanças climáticas. Os encontros desta semana foram fechados ao público e à imprensa, com participação restrita a convidados. O endereço não foi divulgado e, segundo os organizadores, o grupo reuniu participantes dos setores acadêmico, tecnológico e religioso.

Sem banheiro e água: caminhoneiros relatam dias em fila em porto no Pará “A situação era precária. Banho era no igarapé, banheiro era o mato. Não tem o que fazer”, relata o caminhoneiro Álvaro José Dancini. Ele ficou dias parados dentro de um caminhão para chegar ao porto de Miritituba, no Pará, para escoar a safra de soja. Ele não foi o único: no fim de fevereiro, a fila de caminhões chegou a 45 km, o equivalente a entre 1.200 e 1.500 caminhões, e invadiu a BR-163. O local é uma das principais rotas de escoamento da produção no Norte do país, recebendo grãos do Mato Grosso. Os motoristas ficaram sem ter onde dormir, sem água para beber ou banheiro perto. O motorista Jefferson Bezerra também enfrentou o congestionamento. Ele ficou 40 horas parado na estrada e mais 12 horas esperando dentro do porto. “Quem tinha alguma coisa dentro do caminhão, comia. Quem não tinha, ficava com fome. Ainda bem que os postos ali mais próximos passavam com carro dando água para nós”, disse. Além do desconforto, os caminhoneiros também têm prejuízo financeiro. "A gente depende de fazer os fretes. Então, se você fica três dias parado numa fila, é três dias que você não está recebendo nada, porque eles não pagam a estadia. É só prejuízo”, conta Renan Galina. Da esquerda para a direita, os caminhoneiros Renan Galina, Álvaro José Dancini e Jefferson Bezerra Arquivo pessoal Esse engarrafamento é apenas um exemplo dos problemas para transportar a produção agrícola no Brasil: há muitos caminhões chegando aos portos ao mesmo tempo, porque a produção é grande e faltam armazéns para guardar os grãos; o transporte depende, principalmente, de caminhões, que carregam menos carga do que trens ou embarcações; muitas estradas não têm asfalto ou estão em más condições, o que deixa o transporte mais lento e caro. Dependência das rodovias deixa o transporte do agro mais caro Arte / g1 Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja e os desafios do transporte no Arco Norte Dependência de estradas ruins No caso das safras agrícolas, a dependência do transporte rodoviário pode gerar prejuízos, explica Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT). "Esse tipo de carga seria ideal para trafegar por modalidades que têm a vocação de transportar grandes volumes de carga, com um custo de transporte menor, que seriam as ferrovias e as hidrovias”, afirma. Isso não acontece com os caminhões. Eles transportam menos carga e consomem mais diesel. Um caminhão consome cerca de um litro a cada 2 km no transporte de grãos. Deste modo, em uma viagem de 2 mil km até o porto de Santos, o consumo pode chegar a 1 mil litros, exemplifica Thiago Péra, professor do grupo de pesquisa e extensão em logística da Esalq-USP. Esse gasto é agravado pelas distâncias percorridas, uma vez que o Brasil tem dimensões continentais, explica o professor. "Essa é uma questão infraestrutural importante no transporte, que traz uma perda da competitividade do agronegócio brasileiro”, afirma Péra. No porto de Miritituba, onde os motoristas ficaram parados, o único acesso é por caminhão. "E os terminais não têm dado conta, nessa época, de todo o volume que chega de carga naquela região", relata. O motorista Jefferson Bezerra confirma essa situação. “Os portos não têm pátio suficiente para caminhão e usam a rodovia como área de espera”, diz. O problema da dependência das rodovias se agrava com a baixa qualidade das estradas. Apenas cerca de 12,4% são pavimentadas, segundo dados da CNT. "Você não tem opções de caminhos”, afirma Rezende. Existem ainda as chamadas estradas vicinais, que são aquelas sem asfalto que conectam as regiões de produção até as rodovias para fazer o escoamento. Além disso, buracos e má sinalização também são problemas. “Isso causa um aumento do custo de transporte. Porque, basicamente, as rodovias em condições precárias reduzem a velocidade do caminhão, aumentam gastos com pneu, com manutenção e, principalmente, aumenta o consumo de combustível”, afirma Péra. Para os caminhoneiros, as estradas ruins também causam danos. Bezerra, por exemplo, quebrou o caminhão em fevereiro, depois de passar por um buraco. “A estrada está se desmanchando em buraco [...] Histórias de prejuízo, todos os dias. É uma mola que quebra, é um eixo que quebra”, relata também Dancini. Sem ter onde armazenar Os caminhões chegam praticamente no mesmo momento aos portos por um motivo: faltam armazéns para guardar os grãos. “A gente bate recorde de produção, só que a infraestrutura não acompanha. Então, a gente tem um primeiro gargalo ali, ainda na lavoura”, afirma a diretora executiva Rezende. Segundo dados da CNT, o país consegue armazenar apenas cerca de 80% da produção agrícola. "Tudo que é produzido hoje tem que ser escoado de forma imediata. Então, acaba fazendo com que o caminhão vire um armazém”, afirma. “Aí vão todos os caminhões simultaneamente entregar para a exportação. Só que chega lá no porto, o ele não tem capacidade, muitas vezes, de recepção de todo esse volume”, afirma Péra. Muitos caminhões parados nas filas dos portos geram menos oferta de veículos para transporte. Com isso, o preço do frete dispara na época da colheita. Segundo o caminhoneiro Galina, o congestionamento acontece todos os anos durante a safra, entre janeiro e a primeira quinzena de março. " O caminhão que era para estar viajando, trabalhando, fica parado na fila. O faturamento cai até para menos da metade. A gente aguarda o ano todo para fazer essa safra, para pagar as dívidas do caminhão. Mas vem a fila, e na hora de pagar as contas, a gente não consegue faturar”, afirma o caminhoneiro Bezerra. Leia também: Com denúncias de animais em meio a fezes e com pouco espaço, exportação de gado vivo dobra em 3 anos no Brasil Produtos mais caros O aumento do custo do transporte não afeta apenas empresas. Ele também pesa no valor dos alimentos. “Tudo isso encarece o nosso custo do Brasil, que é um conjunto de distorções que torna a nossa economia mais cara. Então a gente tem bens e serviços mais caros no país por conta dessa infraestrutura precária”, explica Péra. “O problema é que você tem que percorrer distâncias muito maiores para você chegar no mesmo destino”, afirma Rezende. Isso porque caminhos mais longos aumentam o tempo de viagem e o consumo de combustível. Por isso, ajustar a infraestrutura beneficiaria o Brasil internamente e no mercado internacional. “Isso gira mais o agronegócio brasileiro, a economia, geração de emprego, renda e uma série de fatores”, diz o professor da Esalq. Falta de investimento Segundo Péra, o Brasil investe apenas entre 0,4% e 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura. "É muito baixo, principalmente quando comparado com Estados Unidos e China, que têm um percentual acima de 2%. O Brasil teria que chegar a no mínimo 2% para conseguir gerar infraestrutura e garantir uma maior competitividade”, afirma. Na comparação com o crescimento das safras, o transporte em outros modais, como ferrovia e hidrovia, vem caindo. “Porque basicamente o volume que a gente tem produzido e exportado tem aumentado mais do que o crescimento da infraestrutura ferroviária no país, por exemplo”, diz o professor. Ele explica que o mesmo acontece com os armazéns. Rezende concorda. Para ela, é preciso ampliar e recuperar a malha rodoviária existente e investir para aumentar as modalidades de transporte. "Quando você tem integração entre as modalidades, você faz com que esse transporte seja eficiente”, afirma. Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja brasileira Saiba também: Cocô e xixi de porcos podem virar água potável (e até mesmo cerveja) com sistema de tratamento; entenda

ECA Digital: estão em vigor as novas regras para menores em redes sociais, jogos e sites Com a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) na terça-feira (17), ao menos dois sistemas operacionais independentes anunciaram que não prestariam mais serviços no Brasil. Os avisos foram feitos pelos projetos de software livre e código aberto MidnightBSD e Arch Linux 32, que dizem não ter condições de cumprir as exigências do ECA Digital. Apesar disso, até quinta-feira (19), eles ainda estavam disponíveis para download no Brasil. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os MidnightBSD e o Arch Linux 32 são sistemas de nicho baseados nos sistemas FreeBSD e Linux, respectivamente. Não há números oficiais sobre a quantidade de usuários, mas o Arch Linux 32, por exemplo, tem somente 5.400 usuários cadastrados em seu fórum online. Versões mais populares de sistemas abertos, como Ubuntu, Red Hat e Debian, seguem operando no país. O ECA Digital determina, por exemplo, que sistemas operacionais e lojas de aplicativos devem aferir a idade ou a faixa etária dos usuários. Depois, a informação precisa ser enviada para plataformas como redes sociais, que devem oferecer experiência adequada. As decisões dos dois sistemas levaram tanto a críticas ao ECA Digital, conhecido como Lei Felca, quanto a avaliações de que a saída deles foi uma decisão precoce. LEIA MAIS ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária Google, Meta e TikTok explicam como verificam idade de usuários no Brasil Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes MidnightBSD, sistema operacional de código aberto que funciona como alternativa ao Windows Lucas Holt/Wikimedia Commons Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, disse que, como os sistemas têm código aberto, cada pessoa poderia modificar a programação e derrubar verificações exigidas pelo ECA Digital. "Qualquer um dos recursos exigidos pela Lei Felca, se implantados no sistema [de código aberto], podem ser modificados, adulterados, desligados ou até removidos pelo próprio usuário", afirmou. "A lei não dá garantias explícitas e não arbitrárias de que [os projetos] possam continuar desenvolvendo essa tecnologia com segurança jurídica e financeira no país". Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), afirmou que o ECA Digital estabelece sistemas operacionais como parceiros, e não como alvos, na fiscalização para proteger crianças e adolescentes. "Os sistemas operacionais não são nem mesmo apontados como a causa dos problemas das violações de direitos de crianças e adolescentes como a gente verifica, por exemplo, na dinâmica das redes sociais", disse. "O foco da lei não é derrubar o sistema operacional, é trazê-los como parceiros para auxiliar especificamente na questão da aferição de idade, sem nenhuma caça às bruxas". ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária O que dizem os sistemas O MidnightBSD classificou a verificação prevista no ECA Digital como uma "bobagem" e incentivou usuários a pedirem uma mudança da lei. "Jamais conseguiremos cumprir as exigências do Brasil". "Não somos uma empresa e não temos receita para pagar por serviços de verificação. Também não acreditamos nessas leis. Elas foram criadas para proteger grandes empresas, não crianças", disse o projeto. "Revisamos nossa licença para incluir jurisdições adicionais que implementem leis de verificação de idade. Residentes do Brasil não estão mais autorizados a usar o MidnightBSD". Apesar da declaração, até terça-feira (17), ainda era possível baixar o sistema operacional por meio do site oficial do projeto. Administradores do Arch Linux 32 chegaram a suspender o site no Brasil sob a alegação de que "não é possível prestar serviços na sua jurisdição". Na quinta-feira (19), porém, o site estava no ar novamente. O aviso no site do Arch Linux 32 afirmava que o bloqueio seria mantido até as leis serem esclarecidas, revogadas ou alteradas para isentar projetos de software livre e de código aberto. O Arch Linux 32 é voltado para processadores de 32 bits, presentes em computadores antigos. Ele foi criado a partir do Arch Linux "padrão", destinado a máquinas mais modernas, de 64 bits, e muito mais usado. "Não possuímos a infraestrutura legal ou os recursos financeiros para implementar os mecanismos de 'garantia de idade auditável' e 'verificação de identidade' exigidos por essas leis", dizia o comunicado durante o bloqueio. "Para evitar multas catastróficas que forçariam o encerramento permanente deste projeto globalmente, fomos obrigados a implementar este bloqueio regional". Arch Linux 32, sistema operacional de código aberto que funciona como alternativa ao Windows Reprodução ECA Digital exige representante no Brasil O ECA Digital também determina que os serviços tenham representante legal no Brasil para responder a eventuais intimações e questionamentos de autoridades. Isso não exige a criação de uma empresa no país. "Basta um representante que, nesse momento, pode ser uma pessoa física com CPF, um advogado. É só um ponto de contato que pode servir até para as comunidades descentralizadas", explicou Rená, do IRIS. Na avaliação de Ayub, da Sage Networks, a lei força as plataformas de código aberto a tomarem uma decisão: bloquear o acesso no Brasil para não descumprir as regras ou ignorar as exigências e torcer para escaparem de uma punição. "A maioria desses sistemas são desenvolvidos por programadores voluntários, sem financiamento ou receita. Ter um escritório ou advogado os representando no Brasil antes de terem desrespeitado qualquer outra lei além do ECA Digital é um custo proibitivo", avaliou. Pessoa digitando computador FreePik Ele apontou ainda para uma "insegurança jurídica" e disse que a exigência de aferição de idade em todos os sistemas e lojas de aplicativos pode afetar serviços como redes sociais e assistentes de inteligência artificial, por exemplo. Plataformas que não demonstrarem estar agindo para proteger crianças e adolescentes poderão ser punidas com advertência, multa de até 10% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração, suspensão ou proibição no Brasil. "Qualquer inovação via internet, novo site, app, inteligência artificial ou serviço que surja de alguma garagem ou quarto universitário no mundo será, desde o seu nascimento, ilegal no Brasil e sujeita às sanções de multa e bloqueio de forma discricionária da ANPD". Rená, por outro lado, disse que sistemas podem terceirizar a aferição para parceiros, o que facilitaria a adequação à lei. E destacou que eventuais sanções seguem um rito, considerando a gravidade da violação e o direito à defesa. "Esse descumprimento vai ser analisado com o devido processo legal, com proporcionalidade e razoabilidade. Isso quer dizer que não é qualquer pequena violação que vai gerar um bloqueio", afirmou. ECA Digital começa a valer e impõe novas regras para crianças e jovens

Como funciona a Mega-sena O concurso 2.986 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (18), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última terça-feira, três apostas acertaram as seis dezenas e dividiram o prêmio de R$ 104,5 milhões. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

EUA registram domínio 'alien.gov' após Trump mandar divulgar arquivos de supostos ETs O governo dos Estados Unidos registrou na quarta-feira (18) os domínios "alien.gov" e "aliens.gov", que terminam com uma extensão exclusiva para órgãos públicos do país. Os endereços surgiram um mês após o presidente Donald Trump ordenar a publicação de arquivos americanos sobre "vida alienígena". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Eles foram identificados por um perfil na rede social Bluesky que monitora endereços virtuais de órgãos federais dos EUA. E podem ser confirmados por meio do site who.is, que reúne dados sobre registros de domínios. Apesar do registro, ainda não é possível acessar nenhum site nos dois endereços. À imprensa dos EUA, a Casa Branca não deu detalhes além da expressão "fiquem atentos", seguida de um emoji de alienígena 👽. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos em foto de 17 de março de 2025 Reuters/Kylie Cooper Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' Veículos de imprensa dos EUA têm ligado o endereço à ordem de Trump para abrir arquivos confidenciais sobre a suposta existência de extraterrestres. "Devido ao grande interesse demonstrado, instruirei o Secretário da Guerra e outros Departamentos e Agências relevantes a iniciarem o processo de identificação e divulgação de arquivos governamentais relacionados à vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAPs) e objetos voadores não identificados (OVNIs)", disse Trump em fevereiro. A declaração foi feita dias após o ex-presidente Barack Obama comentar a possibilidade da existência de vida extraterrestre no podcast do apresentador Brian Tyler Cohen. "Eles são reais, mas eu não os vi, e não estão sendo mantidos na... 'Área 51'. Não há nenhuma instalação subterrânea, a menos que haja essa enorme conspiração e eles tenham escondido isso do presidente dos Estados Unidos", disse Obama. A "Área 51" é uma instalação confidencial da Força Aérea dos EUA em Nevada que é tema de teorias da conspiração sobre a suposta presença de corpos de alienígenas e uma nave espacial. Arquivos da CIA divulgados em 2013 indicaram que o local servia para testes de aviões espiões ultrassecretos. Arquivos de E.T.s: Trump rebate Obama e manda revelar documentos sobre alienígenas Trump reclamou da declaração e acusou Obama de revelar informações sigilosas. "Ele cometeu um grande erro", disse o atual presidente. Críticos afirmaram que Trump está usando a discussão sobre existência de vida alienígena como estratégia para mudar o foco. "Eles lançaram mão da arma definitiva de distração em massa, mas os arquivos de Epstein não vão desaparecer, nem mesmo para alienígenas", disse o deputado republicano Thomas Massie, em fevereiro. O parlamentar acusou o governo de ser pouco transparente na divulgação de informações sobre o caso de Jeffrey Epstein, bilionário acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores. O Pentágono, nos últimos anos, iniciou um esforço para investigar relatos de objetos voadores não identificados (OVNIs), e líderes militares de alto escalão disseram em 2022 que não encontraram evidências que sugerissem que alienígenas visitaram a Terra. Um relatório do Pentágono de 2024 disse que as investigações do governo dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial não encontraram evidências de tecnologia extraterrestre e que a maioria dos avistamentos era de objetos e fenômenos comuns identificados erroneamente. ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária