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A China planeja enviar cães-robôs à Lua para auxiliar astronautas na construção e operação da futura Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), segundo reportagem divulgada na semana passada pelo jornal South China Morning Post. Segundo cientistas da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial citados em um estudo publicado na revista Chinese Space Science and Technology, Pequim estaria "expandindo a fronteira dos voos espaciais tripulados da órbita terrestre para a Lua". O plano prevê três astronautas operando ao lado de robôs na superfície lunar. Um astronauta controlaria dois cães-robôs no solo, enquanto outro coletaria amostras de rochas e cumpriria outros objetivos científicos. Um terceiro astronauta permaneceria dentro de um veículo pressurizado do tamanho de uma van, coordenando a missão e controlando outros robôs conforme necessário. Os robôs também desempenhariam um papel fundamental na extração de recursos lunares: coleta de gelo de água, mineração, construções com materiais locais e conversão de tubos de lava em habitats. Os tubos de lava são túneis subterrâneos que se formaram após a lava vulcânica fluir, a superfície se solidificar e o interior se tornar oco. Mais do que ferramentas, parceiros Uma rede colaborativa de robôs quadrúpedes, veículos com rodas e braços articulados deve assumir tarefas rotineiras, como patrulhas e inspeções diárias, regulação do ar e da temperatura, limpeza dos espaços habitáveis, cuidados com as plantas e preparação das refeições. "Humanos e cães viverão e trabalharão lado a lado. O cão robô até vigiará a estação de pesquisa lunar. Mas vigiará de quem?" brinca a publicação científica Interesting Engineering. Além disso, esses cães-robôs seriam capazes de conversar com os astronautas e fazer-lhes companhia, aliviando o fardo psicológico de viver em um ambiente isolado. Cães-robôs seriam capazes de conversar com astronautas e lhes fazer companhia. Klaus W. Schmidt/IMAGO/DW "O modelo de colaboração humano-robô proposto permite aproveitar os pontos fortes complementares de ambos, servindo como referência para a futura construção e operação eficiente da estação de pesquisa lunar da China", acrescentaram os cientistas. Construção da base e cronograma A China pretende enviar astronautas à Lua antes de 2030 e ter a ILRS totalmente operacional até 2035, em colaboração com a Rússia e outros parceiros internacionais, perto do polo sul lunar. Até 2045, Pequim planeja estabelecer uma estação orbital lunar para expandir o complexo. Cada módulo lunar teria aproximadamente três metros de diâmetro, com volume interno de cerca de 16 metros cúbicos e massa de cerca de dez toneladas. Esses módulos seriam construídos com materiais resistentes à radiação, temperaturas extremas e poeira lunar, e seriam conectados por corredores de acoplamento. A China também está preparando a missão não tripulada Chang'e-7, com lançamento previsto para o final de agosto de 2026. Seu objetivo é procurar gelo de água no polo sul lunar, um recurso que pode ser vital para os futuros habitantes da base. Os desafios que ainda persistem Os pesquisadores reconhecem que operar robôs na Lua não será fácil. A maioria dos modelos de inteligência artificial (IA) foi treinada em ambientes terrestres que simulam a superfície lunar. Levará tempo para aprimorar os sistemas de IA em solo, em uma missão com margem de erro mínima. Soma-se a isso a falta de infraestrutura digital. A futura base terá que construir seus próprios sistemas de comunicação e navegação do zero antes que humanos e robôs possam se coordenar efetivamente a longas distâncias. A futura exploração lunar, concluem os autores, dependerá da "tomada de decisões liderada por astronautas e do trabalho realizado por robôs autônomos".

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/Redes Sociais Após a liquidação extrajudicial da Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento pelo Banco Central nesta sexta-feira (14), o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) divulgou as orientações para os clientes que têm dinheiro na instituição. Segundo o FGC, o pagamento da garantia ainda não começou. O processo será iniciado assim que o liquidante - responsável nomeado pelo Banco Central para administrar a liquidação - concluir o levantamento dos dados dos credores e repassar essas informações ao fundo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Simpala tem uma base estimada de 21 mil credores com depósitos cobertos pela garantia, que somam R$ 622 milhões. Quem tem direito à garantia? O FGC informou que os créditos enquadrados em seu regulamento poderão receber a garantia ordinária de até R$ 250 mil por pessoa, considerando os limites previstos para esse tipo de proteção. Banco Central decreta liquidação extrajudicial de duas empresas do grupo Simpala Isso significa que clientes com depósitos elegíveis poderão ser ressarcidos até esse valor. BC aprova regras mais rígidas para o FGC após crise com Master O que os clientes precisam fazer? A orientação do FGC é que os credores façam desde já um cadastro básico no aplicativo oficial da entidade, disponível para celulares Android e iPhone. Em uma segunda etapa, quando o fundo receber a lista oficial de credores, será liberada a solicitação do pagamento. Nesse momento, o beneficiário deverá confirmar sua identidade e informar uma conta bancária de sua própria titularidade para receber o depósito. Quem é o Grupo Simpala? Com um histórico de 50 anos de atuação, o Grupo Simpala tem pelo menos quatro empresas voltadas para serviços financeiros. Além da Simpala Financeira e da Simpala Consórcios, que tiveram suas atividades encerradas pelo BC, o grupo ainda conta com a Simpala Promotora, voltada para intermediação de crédito, e a Simpala Seguros — que, segundo a empresa, tem R$ 1 bilhão em patrimônios segurados. O que é o FGC? O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada para proteger depositantes e investidores quando uma instituição financeira associada sofre intervenção ou é liquidada. Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn O fundo é mantido pelas contribuições mensais das instituições financeiras participantes e é responsável por pagar as garantias previstas em seu regulamento. Enquanto o processo de liquidação avança, o FGC orienta que os clientes acompanhem as atualizações exclusivamente por seus canais oficiais e pelo site da entidade.

'Deepfake': homem faz montagens pornográficas de jovem que ignorou cantadas dele O debate sobre desinformação eleitoral não é novo no Brasil. Mas a disseminação de ferramentas capazes de produzir conteúdo altamente realista elevou as preocupações de autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais. Nos últimos anos, ferramentas capazes de produzir vídeos, imagens e vozes sintéticas, os chamados deepfakes, passaram do uso experimental para o cotidiano de milhões de pessoas. E faltando poucos dias para o início oficial da campanha eleitoral, ainda não existem respostas definitivas sobre como garantir o uso seguro e responsável da inteligência artificial generativa. Na quinta-feira (13), os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiaram uma reunião para tentar entrar em consenso sobre a punição pelo uso de IA nas eleições. O TSE decidirá se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu alguma irregularidade ao utilizar um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial (IA) durante a convenção partidária do PL que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto no final de julho. Ainda não foi divulgada uma nova data para a reunião. Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança (CETaS), do Instituto Alan Turing, no Reino Unido, estudou diversos casos em que ferramentas de inteligência artificial foram utilizadas durante campanhas eleitorais nos últimos anos. Na Irlanda, um deepfake divulgado poucos dias antes da eleição para presidente em 2025 mostrava a principal candidata desistindo da campanha. No mesmo ano, outros vídeos espalharam informações falsas sobre ameaças de segurança no dia das eleições parlamentares na Alemanha. Mas segundo ele, não é possível apontar uma ligação direta entre o uso de ferramentas de IA e o resultado de uma eleição, pois há sempre muitos fatores envolvidos em uma corrida. "Até o momento, não existem evidências conclusivas de que ferramentas de IA tenham alterado profundamente o resultado de qualquer eleição", diz. Para Stockwell, o verdadeiro perigo da IA não está na alteração direta de votos, mas sim no efeito sutil e contínuo de semear confusão sobre o que é real, corroer a confiança nas instituições e na informação, e inflamar divisões políticas e polarização. "A IA está corroendo a confiança no nosso espaço informacional e, crucialmente, também inflamando as divisões políticas num momento em que a polarização e a violência no mundo real estão, obviamente, em níveis muito elevados", afirmou em entrevista à BBC News Brasil. E as experiências recentes de outros países ajudam a ilustrar os desafios que podem surgir durante a disputa eleitoral brasileira. Confira, a seguir, seis exemplos de como deepfakes foram usados para espalhar desinformação ao redor do mundo. Falsa desistência a 3 dias da eleição Um dos exemplos mais citados quando o tema são deepfakes em eleições é o que atingiu a hoje presidente da Irlanda, Catherine Connolly, no ano passado. Quando a montagem foi divulgada, em outubro de 2025, ela concorria à Presidência como candidata independente. As pesquisas eleitorais apontavam Connolly como uma das favoritas, mas três dias antes da votação, um vídeo em que ela parecia se retirar da corrida começou a circular nas redes sociais. O vídeo falso imitava uma transmissão da RTÉ News, maior e mais popular fonte de notícias da Irlanda. Nas imagens, uma versão de Connolly criada com IA anuncia a desistência da eleição, enquanto apoiadores vaiam e lamentam a decisão. Logo depois que o vídeo começou a circular, a campanha da candidata garantiu que ela ainda estava na corrida e alertou as plataformas de redes sociais para que ele fosse removido ou devidamente identificado como criado por IA. Connolly classificou o vídeo como uma "tentativa vergonhosa de enganar os eleitores e minar nossa democracia". Montagem indica que vídeo de candidata foi gerado por IA. BBC/Facebook Na época, Alan Smeaton, professor emérito de computação d Universidade Dublin City e membro do Conselho Consultivo de IA do governo irlandês, disse à BBC Verify que havia algumas "pistas minúsculas" que denunciavam que o vídeo era falso. Ele apontou detalhes como uma ligeira sobreposição de palavras, tanto na fala de Catherine Connolly quanto dos jornalistas retratados, além de falhas no fundo das imagens. Apesar do deepfake, Connoly venceu as eleições, com 63% dos votos. "Ainda que não tenha sido suficiente para mudar o resultado, esse é um exemplo bastante preocupante de deepfake, porque houve um sequestro de uma instituição nacional confiável e de sua credibilidade para tentar fazer com que esse conteúdo parecesse muito mais convincente ou persuasivo", diz Sam Stockwell, se referindo à emissora RTÉ News. Enxurrada de vídeos no Equador Deepfakes simulando canais de televisão também foram comuns no período que antecedeu as eleições presidenciais de fevereiro de 2025 no Equador. Com logotipos falsos, vídeos concebidos para imitar emissoras como CNN, France 24 e Deutsche Welle, implicavam de forma falsa candidatos em escândalos e espalhavam alegações de fraude eleitoral. Em um deles, um falso apresentador diz que um escândalo de corrupção "explodiu na cara" de Daniel Noboa, que concorria à reeleição naquele momento. Outro mostrava um apresentador dizendo que Noboa teria pago US$ 1 milhão para comparecer à posse de Donald Trump nos Estados Unidos. Outro vídeo mostrava uma versão criada com IA da candidata Luisa González, que concorria pelo movimento Revolução Cidadã, dizendo que se fosse eleita implementaria um aumento drástico de impostos. Os conteúdos foram desmentidos por sites de verificação de notícias e pela própria campanha. González também foi alvo de um outro video gerado por IA, em que aparecia elogiando o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Após análises de especialistas, o vídeo foi identificado como um deepfake. Daniel Noboa foi reeleito em 13 de abril do ano passado, com cerca de 56% dos votos. Apesar de terem sido desmentidos, os deepfakes se espalharam amplamente, segundo um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Laica Eloy Alfaro de Manabí (ULEAM). A pesquisa revelou impactos na percepção do público em relação aos candidatos, especialmente em contextos com baixo nível de alfabetização midiática, além da criação de uma desconfiança generalizada em torno dos canais de verificação de notícias. Disseminação de pânico na Alemanha Durante a campanha para as eleições que elegeram o Parlamento da Alemanha, também em fevereiro de 2025, circulou nas redes sociais uma forma bastante incomum de desinformação: conteúdos que alertavam para supostas ameaças terroristas na Alemanha, com informações falsas sobre ameaças de bomba, cédulas envenenadas e ataques iminentes a centros de votação na Alemanha. Vídeo manipulado alegava falsamente que o MI6, a agência de inteligência britânica, havia alertado contra viagens à Alemanha durante o período eleitoral Reprodução/X/FIMI-ISAC/BBC Os vídeos usavam imagens reais publicadas por instituições como forças policiais, universidades e veículos de comunicação, mas os manipulavam usando narração gerada por IA e outros recursos. Uma postagem, compartilhada principalmente no X, usava um vídeo real do serviço de inteligência britânico MI6, mas o editava para parecer um alerta sobre o perigo de viajar à Alemanha durante o período eleitoral. Outro vídeo utilizava imagens de um vídeo real publicado pela Polícia de West Midlands, no Reino Unido, no qual um agente apresentava seu trabalho. Uma voz, provavelmente gerada por IA, foi adicionada ao vídeo, dizendo: "Nossas informações indicam que uma série de grandes ataques terroristas estão sendo preparados na Alemanha durante o período eleitoral antecipado. Repassamos todas as informações aos nossos colegas alemães. Mesmo que essas informações não ajudem a prevenir ataques terroristas". Uma terceira postagem, que recebeu mais de 60 mil visualizações, trazia um vídeo que afirmava falsamente ainda que 68% dos alemães estavam com muito medo de sair de casa no dia da eleição. Segundo Stockwell, os conteúdos foram direcionados especificamente para regiões da Alemanha onde os eleitores estariam mais propensos a acreditar na narrativa, já que tendiam a reproduzir discursos sobre a ameaça de uma guerra ou de ataques organizados pela Rússia. Para o especialista, ao mesmo tempo em que podem desencorajar os eleitores a comparecer às urnas, vídeos como esses também colocam as instituições retratadas em uma situação difícil. "Por um lado, instituições como o MI6 obviamente não querem ser vistas como disseminadoras de informações falsas, principalmente se tratando das eleições de outro país", diz. "Mas, ao mesmo tempo, há o risco de que, se vierem a público desmentir a informação, possam inadvertidamente atrair mais atenção para o assunto. Isso poderia levar mais pessoas a visualizar o vídeo e talvez até compartilhá-lo." Posteriormente, os vídeos sobre ameaças de segurança na Alemanha foram rastreados por instituições europeias até uma rede de produção de desinformação russa. A primeira eleição manipulada por deepfakes? Um dos primeiros alertas sobre o impacto de deepfakes em eleições veio em 2023, depois que um áudio falso de um candidato à primeiro-ministro viralizou na Eslováquia. A gravação começou a ser compartilhada pelas redes sociais e por e-mails em cadeia dois dias antes da eleição para o Parlamento. Nela, uma voz idêntica à do candidato Michal Šimečka, líder do partido liberal e pró-europeu Eslováquia Progressista (PS), discutia uma possível fraude eleitoral com uma jornalista famosa no país. O áudio, de qualidade ruim, vinha acompanhado por uma foto de Šimečka e da jornalista, além de legendas. Nas falas, os dois falavam sobre formas de manipular a eleição em favor do PS e como encobrir os rastros. A divulgação da fake news ocorreu durante o chamado período de silêncio eleitoral da Eslováquia, quando há fortes restrições à campanha e à cobertura eleitoral imediatamente antes da votação, o que dificultou uma resposta rápida da mídia tradicional e dos verificadores de fatos. Naquele momento, as pesquisas mostravam uma disputa muito apertada entre Šimečka e seu principal oponente, Robert Fico, do partido Direção - Social-Democracia (SMER-SD), com o PS ligeiramente à frente, mas ainda dentro da margem de erro. Michal Šimečka em novembro de 2025 AFP via Getty Images/BBC Por fim, o partido de Šimečka terminou em segundo lugar, perdendo para o SMER-SD. O caso foi amplamente discutido nos anos e meses seguintes à eleição, não apenas porque foi um dos primeiros do tipo, mas também porque alimentou especulações de que a disputa teria sido "a primeira manipulada por deepfakes". Assim como Stockwell, especialistas que estudaram especificamente o caso da Eslováquia dizem que não é possível chegar a uma conclusão definitiva sobre o efeito dos deepfakes nos resultados. Um artigo publicado em uma revista acadêmica dedicada ao estudo da desinformação editada pela Universidade Harvard, por exemplo, argumenta que muitos outros fatores podem ter influenciado tanto quanto ou mais para a vitória de Fico, como seu aparente apoio à Russia na guerra contra a Ucrânia No texto, Lluis de Nadal, da Universidade de Glasgow, e Peter Jančárik, que trabalha para o Seznam, o principal portal de internet e buscador da República Checa, notaram que, naquele momento, os eslovacos estavam muito suscetíveis à desinformação pró-Rússia, com redes de sites e perfis nas redes sociais que vinham promovendo narrativas pró-Kremlin desde pelo menos 2010. Os pesquisadores notaram, ainda, que fatores como instabilidade política, conflitos entre partidos e baixa confiança no governo e nas instituições podem ter impulsionado o SMER-SD. O artigo afirma, porém, que embora Fico tenha permanecido em silêncio sobre o deepfake, outros políticos proeminentes o compartilharam, ampliando seu potencial de influência. Golpe financeiro durante a eleição Em 2025, na Romênia, deepfakes durantes as eleições presidenciais foram usados não para influenciar o resultado do pleito, mas para aplicar golpes na população. Golpistas usaram o Facebook para distribuir vídeos manipulados com IA que mostravam candidatos à Presidência promovendo uma oportunidade de investimento que era, na verdade, falsa. "Esta é a chance da Romênia alcançar a independência financeira. Investindo apenas 1.400 lei [R$ 1.500], cada cidadão pode receber uma renda passiva mensal de 9.000 lei [R$ 10 mil]", diziam os candidatos no vídeo. Os candidatos George Simion, do partido Aliança para a União dos Romenos, e Nicușor Dan, que saiu vencedor da disputa, foram alvos dos deepfakes. Nicușor Dan, que saiu vencedor da disputa, foi alvo dos deepfakes Reprodução/BBC Ao clicarem no link disponibilizado nos vídeos, os usuários eram redirecionados para sites falsos que imitam notícias oficiais e páginas do governo. Segundo Sam Stockwell, a reprodução realista da voz ou da imagem de um político confere uma aparência de autoridade e credibilidade aos golpes financeiros. E em momentos em que políticos divulgam um volume maior de conteúdo para conquistar eleitores, como durante a campanha, o risco de usuários clicarem em links maliciosos e se tornarem vítimas de fraudes aumenta. Declaração de vitória direto da prisão Mas os casos não se limitam a vídeos ou áudios gerados por gangues ou agentes externos tentando prejudicar as eleições. Em 2024, no Paquistão, o ex-primeiro-ministro Imran Khan usou vídeos e áudios gerados por IA criados por seu partido político para se comunicar com apoiadores e fazer campanha a partir da prisão. Em um dos momentos mais controversos da corrida para eleger o novo Parlamento, Khan divulgou nas redes sociais um vídeo alegando que os partidos independentes que estava apoiando no pleito teriam vencido e conquistado maioria no Parlamento. As imagens foram publicadas após seu rival, Nawaz Sharif, da Liga Muçulmana do Paquistão – Nawaz (PML–N), ter declarado sua própria vitória. Khan, um ex-astro do críquete, foi eleito primeiro-ministro em 2018, mas foi deposto do cargo em abril de 2022, após uma moção de censura parlamentar. Ele foi preso em 2023, depois de ter sido considerado culpado de corrupção e condenado a três anos de prisão. Em 2024, ele recebeu uma sentença de 14 anos de prisão pela venda de presentes do Estado e outra de 10 anos por vazar segredos de Estado. Ambas as sentenças foram suspensas meses depois. Em 2025, ele foi condenado mais uma vez, dessa vez a 14 anos de prisão por um caso de corrupção. Khan, portanto, estava na cadeia durante a eleição para o Parlamento de 2024. O seu partido, o Movimento Paquistanês pela Justiça (PTI), foi impedido de concorrer oficialmente sob seu símbolo eleitoral tradicional e muitos dos seus candidatos disputaram a eleição como independentes. Ainda assim, eles eram amplamente reconhecidos como apoiados por Khan. No vídeo divulgado durante a contagem dos votos, o ex-primeiro-ministro diz aos candidatos independentes para comemorarem a vitória. "Vocês lançaram as bases para a sua verdadeira liberdade ao votarem ontem", diz ele. Sharif também é chamado de "homem desonroso" por reivindicar a vitória. Por fim, o governo acabou sendo formado por uma coalizão liderada pelo PML–N, mas os dias que seguiram o pleito foram cercados de controvérsias e tensão política, com atraso de mais de 60 horas na divulgação dos resultados finais, o PTI alegando fraude e apoiadores de Khan saindo às ruas para protestar. Segundo Sam Stockwell, o vídeo gerado por IA do ex-premiê contribuiu para o clima de instabilidade. "Na época, isso contribuiu para protestos e violência política contra o regime, com alegações de que as eleições foram fraudadas e que Imran Khan era o legítimo vencedor da corrida eleitoral, embora o vídeo tenha sido gerado por IA", diz.

Brasil abre processo de reciprocidade contra tarifaço dos EUA A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou nesta sexta-feira (14) que uma escalada de retaliações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode aumentar os custos de produção, afetar investimentos e pressionar empregos no país. A entidade se manifestou após o novo acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro, em resposta às medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. 🔍 A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a Lei de Reciprocidade para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. Para a federação, o Brasil deve defender seus interesses, mas evitar uma escalada da disputa comercial. Retaliação não é automática Segundo a FIEMG, o acionamento da Lei da Reciprocidade não significa que o Brasil vá aplicar imediatamente tarifas ou outras medidas contra produtos americanos. A legislação já havia sido acionada em 2025. Naquele momento, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) analisou o caso, e o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) reconheceu formalmente o enquadramento na lei. EUA aceitam discutir na OMC o tarifaço imposto ao Brasil Jornal Nacional/ Reprodução Com o avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos, porém, o governo optou por priorizar as consultas diplomáticas antes de definir possíveis contramedidas. Nenhuma tarifa retaliatória, restrição comercial ou medida relacionada à propriedade intelectual chegou a ser aplicada. A FIEMG defende que a negociação continue sendo a prioridade para ampliar as exceções às tarifas americanas, reduzir barreiras e preservar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado dos Estados Unidos. Indústria teme aumento de custos A federação afirma que eventuais medidas de retaliação precisam ser cuidadosamente avaliadas. "A aplicação de tarifas sobre produtos americanos usados pela própria indústria brasileira, como insumos, máquinas, equipamentos e tecnologias, poderia elevar os custos de produção e reduzir a competitividade das empresas", diz em comunicado. Na avaliação da entidade, o Brasil poderia acabar sendo prejudicado duas vezes: primeiro, pela dificuldade de acesso ao mercado americano e, depois, pelo aumento dos custos de produtos importados utilizados na produção nacional. A federação afirma ainda que uma guerra comercial não interessa nem ao Brasil nem aos Estados Unidos. Estudo estima perda de R$ 259 bilhões no PIB A entidade também cita um estudo realizado em 2025 para dimensionar os possíveis efeitos de uma escalada tarifária. Em um cenário hipotético de sobretaxa recíproca de 50% sobre as importações dos Estados Unidos, a FIEMG estimou que a perda para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia chegar a R$ 259 bilhões, o equivalente a 2,21% da economia. Segundo a federação, os efeitos de uma disputa comercial não ficariam restritos às exportações e importações. A entidade prevê possíveis impactos sobre fornecedores, trabalhadores, investimentos, produção e arrecadação. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Por isso, a FIEMG defende que o Brasil utilize seus instrumentos de defesa comercial de maneira estratégica e mantenha as negociações com os Estados Unidos como prioridade. A entidade afirma que o objetivo deve ser buscar a reversão ou redução das barreiras comerciais, ao mesmo tempo em que sejam preservados contratos, investimentos, produção e empregos.

Noma, comandado pelo chef dinamarquês René Redzepi, se tornou um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional. Noma/ Divulgação Menos de cinco meses depois de anunciar sua saída do Noma, um dos restaurantes mais bem avaliados do mundo, o chef René Redzepi está de volta ao estabelecimento que ajudou a fundar em Copenhague, na Dinamarca. O retorno ocorre após sua liderança ser alvo de denúncias de agressões, humilhações e abusos no ambiente de trabalho feitas por ex-funcionários em março, em uma reportagem do jornal norte-americano New York Times. Ele pediu demissão do restaurante logo após as denúncias. Naquele momento, em seu perfil no Instagram, Redzepi publicou uma nota em que afirmou assumir a responsabilidade por suas ações e pediu desculpas. Agora no g1 Redzepi, de 48 anos, retorna agora em uma função diferente. Depois de mais de duas décadas à frente do restaurante, ele deixa o comando da cozinha e assume o cargo de diretor criativo, segundo o The Wall Street Journal. Em uma postagem no Instagram, René Redzepi disse que agora estará focado em "projetos de longo prazo". Segundo o New York Times, no novo cargo, o chef ficará à frente de projetos de tecnologia e inovação envolvendo, por exemplo, algas, leguminosas e fungos. Histórico de agressões A reportagem do New York Times mostrou que dezenas de ex-funcionários acusaram Redzepi de criar uma cultura abusiva e um ambiente tóxico. Havia relatos de ameaças verbais e maus-tratos físicos contra trabalhadores. “Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, relatou um ex-trabalhador. Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas dentro da cozinha, muitas vezes ultrapassando 12 ou até 16 horas por dia durante os períodos mais intensos do restaurante. Ex-funcionários disseram ainda que parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração pelo trabalho, apesar da carga pesada de tarefas. As denúncias tiveram consequências imediatas. Dois patrocinadores desistiram de apoiar uma temporada de jantares, conhecidos como "pop-ups", quando restaurantes operam por um período limitado em outra cidade, que o Noma estava prestes a iniciar em Los Angeles. A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird anunciaram que retiraram o apoio ao evento, que teria ingressos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil ) por pessoa e estava com todas as reservas esgotadas. As duas empresas afirmaram que iriam reembolsar clientes que haviam comprado ingressos por meio delas e doar o dinheiro arrecadado a organizações que defendem trabalhadores do setor de restaurantes.

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos A indústria automotiva chinesa está em franca expansão no exterior, conquistando mercados da Europa ao Sudeste Asiático e pressionando montadoras tradicionais como Toyota e Volkswagen. Mas a situação é diferente no mercado interno. As vendas de carros vêm caindo desde o fim do ano passado, em meio à fraca demanda dos consumidores e a anos de intensa concorrência de preços, que deixaram o maior mercado automotivo do mundo saturado e com excesso de capacidade. 'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028 🚗 Embora grandes montadoras chinesas como BYD, Geely e Chery há muito busquem se tornar grandes players globais, a rápida expansão internacional agora é impulsionada tanto pela ambição quanto pela necessidade econômica, segundo analistas e especialistas do setor. Vendas na China caem pelo 10º mês seguido ➡️ As vendas de carros na China caíram 20% em julho, para 1,47 milhão de veículos, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foi o décimo mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados pela Associação Chinesa de Veículos de Passageiros. Na direção oposta, as exportações dispararam 88%, para 923 mil veículos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Embora os dados incluam marcas estrangeiras que produzem na China, a tendência de queda de dois dígitos no mercado doméstico e crescimento de dois dígitos nas exportações também aparece entre as montadoras chinesas. FOTO DE ARQUIVO: Carros destinados à exportação são vistos em um porto em Lianyungang, na província de Jiangsu, na China, em 2 de abril de 2020. China Daily via Reuters Cui Dongshu, presidente da associação de automóveis de passageiros, atribuiu a fraqueza recente aos preços elevados dos combustíveis, que prejudicaram a demanda por veículos movidos a gasolina, além da persistente desaceleração no segmento de sedãs básicos. Excesso de produção aumenta pressão por exportações Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas têm um incentivo cada vez maior para acelerar a expansão no exterior, que já estava em andamento. “As montadoras chinesas têm excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas, produtos cada vez mais sofisticados e um forte incentivo econômico para buscar crescimento fora da China”, disse Bill Russo, presidente-executivo da consultoria Automobility, com sede em Xangai. Para ele, a internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras chinesas. A situação do setor automotivo reflete uma dinâmica mais ampla da economia chinesa. Fábricas em expansão e exportações impulsionam o crescimento, enquanto um mercado imobiliário fraco e o baixo consumo restringem a demanda interna. Os formuladores de políticas chineses enfrentam o desafio de uma economia que produz mais do que consegue vender no mercado doméstico. Para as montadoras, os mercados externos representam um canal de escoamento cada vez mais importante. Mercado doméstico encolhe enquanto exportações avançam No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas de automóveis na China caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao mesmo período do ano anterior, uma queda de 20%. O volume equivale ao total de registros de carros novos no Japão, quarto maior mercado automotivo do mundo, durante o mesmo período. Enquanto isso, as exportações chinesas de automóveis aumentaram 71% no primeiro semestre. Segundo a analista do HSBC Yuqian Ding, a demanda doméstica por carros provavelmente se estabilizará e poderá começar a se recuperar entre o fim de agosto e setembro, com o lançamento de novos modelos. Ainda assim, uma recuperação rápida em formato de V parece improvável, afirmou. Brasil como "solução" para o problema A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea. Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período. A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028. O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses. No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano. Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM. BYD compensa queda na China com vendas no exterior A BYD é um exemplo dessa mudança de estratégia. A montadora registrou queda de 35% nas vendas no mercado doméstico nos primeiros sete meses do ano, mas compensou parte da retração com um aumento de 79% nas vendas no exterior na comparação com o mesmo período do ano anterior. Brasil e Reino Unido emergiram como os maiores mercados individuais da BYD fora da China em 2026. China ameaça liderança de montadoras japonesas A crescente presença chinesa no exterior representa um desafio particularmente forte para o Japão. Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos, posição que durante muito tempo pertenceu ao rival asiático. “A ascensão do Japão como exportador automotivo baseou-se na eficiência de fabricação, na qualidade e na economia de combustível”, disse Russo. A vantagem chinesa atualmente é mais ampla, segundo o executivo, e inclui eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala da cadeia de suprimentos e desenvolvimento acelerado de produtos. “Essa combinação pode tornar a globalização da China consideravelmente mais disruptiva.”

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar inverteu o sinal negativo visto pela manhã e passou a operar em alta nesta sexta-feira (14), com um avanço de 0,73% perto das 12h30, cotado a R$ 5,2304. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,2329. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha queda de 0,95% no mesmo horário, aos 165.522 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ No Brasil, o destaque da sessão fica com a nova pesquisa eleitoral da Genail/Quaest, prevista para hoje. Com a proximidade das eleições presidenciais, o mercado segue atento aos planos dos candidatos para a política fiscal e monetária. ▶️ Além disso, o governo brasileiro deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta às tarifas impostas pelo governo americano ao Brasil. A medida, que ainda está em processo de análise, permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. ▶️Na agenda de indicadores, o destaque fica com a Pnad Contínua Trimestral. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre deste ano. A taxa de desocupação ficou em 5,4% no período. Já nos EUA, as vendas no varejo tiveram uma queda inesperada em julho. ▶️ No Oriente Médio, a escalada das tensões continua a pressionar os mercados. Nesta sexta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra na região. Em meio às tensões, os preços do petróleo subiam no mercado internacional. Perto das 12h30, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 0,90%, cotado a US$ 87,85, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 0,46%, a US$ 81,62 . Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. EUA endurecem postura em relação ao Irã O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ameaçou o Irã com um isolamento econômico "como o mundo nunca viu", indicando que o governo Trump está disposto a exercer uma nova rodada de pressão para finalizar a guerra no Oriente Médio. A nova escalada verbal acontece enquanto a guerra, desencadeada no fim de fevereiro com a ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o regime iraniano, está perto de completar seis meses sem perspectiva de ser finalizada. A fala também marca uma mudança de tom, já que no início de agosto o governo Trump falava em um acordo iminente para reabrir o Estreito de Ormuz. "Será uma combinação de isolamento econômico como o mundo nunca viu", disse Bessent na quinta-feira ao canal de televisão conservador Newsmax, sem revelar mais detalhes. Ele acrescentou que "o contínuo bloqueio no Estreito de Ormuz impedirá que qualquer coisa entre ou saia dos portos iranianos". O Estreito de Ormuz, por onde transitavam 20% do petróleo mundial antes da guerra, continua sendo o principal ponto de divergência. Na prática, a passagem está fechada pelo Irã. Teerã exige que os navios recebam uma autorização para utilizar a via e pretende impor, a longo prazo, taxas de serviço, algo que Washington rejeita. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Agora, com uma mudança de abordagem, as armas nucleares, o principal motivo que Trump apresentou para iniciar a guerra ao lado de Israel, parecem ter ficado em segundo plano. "O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país", disse na quinta-feira o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ao canal Fox News. "E depois, obviamente, o objetivo número dois é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear", acrescentou. Bessent, por sua vez, apresentou na quinta-feira a estratégia contra Teerã como a combinação de duas medidas: asfixia financeira e bloqueio físico, citando como comparação Cuba e Venezuela. "A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio", afirmou. No início da semana, Trump afirmou que um acordo para reabrir o estreito era iminente. Agora, seu governo, com a diplomacia paralisada, parece acreditar que o sofrimento econômico levará o Irã a ceder. Bolsas globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operavam em queda nesta sexta-feira, conforme investidores avaliavam novos dados no varejo dos EUA. Perto das 12h30, o Dow Jones tinha queda de 0,16%, enquanto o S&P 500 caía 0,11% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 0,36%. Já na Europa, o dia era mais positivo. No mesmo horário, o índice DAX, da Alemanha, subia 0,58%, enquanto o CAC-40, da França, avançava 0,04%. O FTSE 100, do Reino Unido, ia na contramão e caía 0,12%. Na Ásia, as ações chinesas encerraram a sessão desta sexta-feira (14) praticamente estáveis, conforme investidores seguiam cautelosos durante a temporada de balanços do segundo trimestre. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,04%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 0,01%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,1%. O Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 2,42%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,59%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

Carteira de Trabalho Digital Gil Leonardi/ImprensaMG A taxa de desemprego caiu em 13 estados brasileiros no segundo trimestre de 2026, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o indicador ficou em 5,4% no período. O resultado representa uma queda em relação aos 6,1% registrados no primeiro trimestre de 2026 e aos 5,8% do segundo trimestre de 2025. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As maiores taxas de desocupação no segundo trimestre foram registradas no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%), Pernambuco (8,3%), Piauí (8,3%) e Sergipe (7,9%). Já as menores foram em Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%), Espírito Santo (2,3%), Rondônia (2,6%) e Mato Grosso do Sul (2,7%). 📈 As quedas mais expressivas foram registradas no Rio Grande do Norte (-1,9 ponto percentual), na Paraíba (-1,6 p.p.) e no Acre (-1,6 p.p.). Nos demais estados, as taxas permaneceram estáveis. Taxa de desocupação por estados - segundo trimestre 2026 Arte g1 Segundo William Kratochwill, analista do IBGE, as diferenças entre os estados ajudam a explicar a disparidade nas taxas de desocupação. Santa Catarina, por exemplo, registrou uma taxa de apenas 2,1%, enquanto Amapá teve a maior taxa de desocupação do país, com 9,8%. “Esse resultado pode estar relacionado a fatores como o nível de industrialização, a escolaridade da população, o desenvolvimento econômico e o dinamismo da atividade econômica. Em estados com essas características, como Santa Catarina, a taxa de desocupação tende a ser menor do que em parte do Nordeste”, afirma. 👉 Unidades da federação com maior grau de industrialização e população mais escolarizada tendem a ter mercados de trabalho mais estruturados e, consequentemente, taxas de desocupação mais baixas. Desigualdades de gênero, raça e escolaridade De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação continua maior entre as mulheres (6,4%) do que entre os homens (4,6%), embora tenha recuado para ambos os sexos em relação ao primeiro trimestre. Na comparação por cor ou raça, o indicador ficou abaixo da média nacional (5,4%) entre os brancos (4,2%) e acima dela entre os pretos (6,9%) e os pardos (6,1%). Em relação ao nível de escolaridade, a maior taxa de desemprego foi registrada entre as pessoas com ensino médio incompleto, com (9,0%). Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi 5,6%, quase o dobro da verificada para o nível superior completo (3,0%). Já a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que reúne pessoas desempregadas, subocupadas por insuficiência de horas e aquelas que poderiam trabalhar, mas não estavam procurando emprego, alcançou 12,9% no segundo trimestre deste ano. Piauí (26,6%) teve a maior taxa, seguido por Bahia (24,4%) e Alagoas (23,4%). As menores taxas foram em Santa Catarina (4,1%), Rondônia (6,0%) e Mato Grosso (6,1%). Enquanto isso, o percentual de desalentados — pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego — foi de 2,1% da força de trabalho ampliada. Os maiores índices foram registrados no Maranhão (9,4%), em Alagoas (8,1%) e no Piauí (7,0%). Formalidade x informalidade Evolução da taxa de desemprego no Brasil Arte/g1 No segundo trimestre, 74,4% dos empregados do setor privado no Brasil tinham carteira assinada. Os maiores percentuais estavam em Santa Catarina (86,7%), São Paulo (82,0%) e Mato Grosso do Sul (81,0%), enquanto os menores foram no Maranhão (53,6%), Piauí (54,2%) e Acre (55,1%). No mesmo período, 25,3% da população ocupada trabalhava por conta própria. Essa participação foi mais elevada no Maranhão (33,8%), no Amapá (31,0%) e no Pará (30,3%). As menores proporções foram observadas no Acre (17,5%), Distrito Federal (18,0%) e Tocantins (18,9%). A taxa de informalidade do país foi de 37,4% da população ocupada. Assim como no trimestre anterior, Maranhão liderou com 56,9%, seguido pelo Pará (55,9%) e pelo Amazonas (51,7%). Na outra ponta, as menores taxas foram registradas em Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,7%) e Mato Grosso do Sul (29,2%). No segundo trimestre de 2026, o país tinha 1,1 milhão de pessoas que buscavam por trabalho há dois anos ou mais. Esse contingente recuou 15,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, quando 1,3 milhão de pessoas estavam nessa condição. Já 1,1 milhão de pessoas buscavam por trabalho há menos de um mês. Esse contingente caiu 2,4% ante o mesmo trimestre de 2025, quando 1,2 milhão de pessoas buscavam uma ocupação há menos de um mês. Vídeos em alta no g1

Lei Maria da Penha completa 20 anos em 2026. Freepik A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) aumentou de R$ 10 mil para R$ 30 mil a indenização devida a uma copeira que foi demitida após informar à empresa que havia obtido uma medida protetiva contra o ex-companheiro, que trabalhava no mesmo local. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A trabalhadora foi dispensada por WhatsApp em agosto de 2024. Para o TST, a demissão teve caráter discriminatório, com "nítido viés de gênero", e agravou a situação de vulnerabilidade da empregada, que era vítima de violência doméstica. Segundo o processo, a copeira havia sido contratada em maio de 2024 e sofria ameaças de morte do ex-companheiro. Em agosto daquele ano, ela conseguiu uma medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, que determinava que o homem mantivesse uma distância mínima de 100 metros dela. Agora no g1 Como os dois trabalhavam na mesma empresa, porém em horários diferentes, havia o risco de se encontrarem durante a troca de turnos. O ex-companheiro trabalhava das 14h às 22h, enquanto a copeira cumpria jornada das 22h às 6h. Diante da situação, ela pediu à empresa uma mudança de horário para evitar o contato com o ex-companheiro e cumprir a determinação judicial. Segundo o relato da trabalhadora no processo, o pedido foi recusado por um dos sócios, que teria afirmado que "problemas pessoais deveriam ser resolvidos em casa". Pouco depois, em 23 de agosto de 2024, ela foi dispensada por WhatsApp. O nome da empresa e as identidades da trabalhadora e do ex-companheiro não foram divulgados pelo TST, para preservar a segurança da vítima. Justiça considerou demissão discriminatória Na primeira instância, a Justiça do Trabalho considerou que a dispensa foi discriminatória e condenou a empresa ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais. A sentença entendeu que a conduta demonstrou descaso com a saúde e a segurança da empregada e violou a Lei 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), em São Paulo, manteve a decisão. Segundo o tribunal, mesmo sabendo das ameaças e da existência da medida protetiva, a empresa não adotou providências para garantir a segurança da trabalhadora e decidiu dispensá-la. O caso chegou ao TST para discutir, entre outros pontos, o valor da indenização. TST aumenta indenização Na Terceira Turma, o relator, ministro Mauricio Godinho Delgado, considerou que a gravidade da conduta justificava elevar a indenização de R$ 10 mil para R$ 30 mil. Segundo o ministro, a demissão agravou a vulnerabilidade da trabalhadora e configurou discriminação em razão do gênero. Para o relator, situações de violência de gênero também precisam ser enfrentadas dentro das relações de trabalho. Na análise do caso, o ministro destacou que devem ser consideradas, além da Constituição Federal e da Lei Maria da Penha, normas nacionais e internacionais de proteção às mulheres, como as Convenções 111 e 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Convenção de Belém do Pará e o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para definir o novo valor, o relator também considerou a situação de vulnerabilidade da trabalhadora, o caráter discriminatório da dispensa e a diferença de poder econômico entre a empregada e a empresa. Segundo Godinho Delgado, indenizações muito baixas em casos desse tipo podem contribuir para a naturalização de práticas discriminatórias e de violência contra as mulheres no ambiente de trabalho. Ex-marido de Maria da Penha é preso após dar entrevista sobre tentativa de matar ativista

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, vê um longo processo, que pode chegar a 9 meses, antes de o governo brasileiro definir tarifas de reciprocidade aos EUA pelo tarifaço imposto nas últimas semanas. Na prática, a decisão ficará para o próximo governo e tem, agora, um sinal político. O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. ➡️ A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula (PT) em 2025, é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. A sinalização dada pelo governo é de que o Brasil usa os canais diplomáticos e os organismos formais e multilaterais, enquanto o governo Trump tomas decisões unilaterais e baseadas no desejo do presidente. Governo Brasileiro anuncia abertura do processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano Ao blog, o ministro Marcio Elias Rosa disse na manhã desta sexta-feira (14) que há uma primeira fase de análise de 60 dias, mas o processo todo é longo e deve adentrar 2027. “A lei não estabelece prazos peremptórios e a deliberação pode levar cerca de 9 meses. Mas a qualquer tempo, iniciado o processo, o Brasil pode tomar alguma medida em caráter de urgência", afirma ele, deixando a porta aberta para decisões em resposta ao tarifaço. O principal sinal enviado ao governo Trump é de que o Brasil quer avançar na negociação para redução das tarifas. Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC Júlio César Silva/MDIC O que é a Lei da Reciprocidade? Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a Lei de Reciprocidade para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia. A lei foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em abril do ano passado. Antes da lei, não havia um arcabouço que permitia ao governo retaliar outro país por medidas dessa natureza — somente recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre as contramedidas previstas estão a possibilidade da imposição de direito de natureza comercial incidente sobre importações de bens ou de serviços de país ou bloco econômico e a suspensão de concessões ou outras obrigações do Brasil em relação a direitos de propriedade intelectual firmados em acordos comerciais.

Banco Central do Brasil (BC). Adriano Machado/ Reuters O Banco Central do Brasil (BC) decretou mais uma liquidação extrajudicial nesta sexta-feira (14). Dessa vez, as instituições afetadas foram a Simpala Lançadora e Administradora de Consórcios e a Simpala S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, ambas com sede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (RS). A liquidação extrajudicial normalmente é adotada quando a instituição não tem condições de continuar operando e é encerrada, sob supervisão do BC, sem passar por um processo de recuperação tradicional. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o Banco Central, a decisão foi tomada porque a situação financeira das empresas se deteriorou e porque foram identificadas infrações graves às regras que regulam suas atividades. O BC, no entanto, não deu mais detalhes sobre quais violações seriam essas. Agora no g1 O órgão afirmou ainda que havia risco para credores sem garantias específicas, conhecidos no mercado como credores quirografários. Apesar da intervenção, o BC destacou que as duas empresas têm participação pequena em seus respectivos mercados. A administradora de consórcios responde por cerca de 0,1% dos consorciados ativos do país, enquanto a financeira detinha 0,004% dos ativos do sistema financeiro nacional em junho deste ano. No caso da financeira, os depósitos e investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) continuam protegidos dentro dos limites previstos pelo fundo. Entenda o que é o FGC O BC informou, ainda, que continuará a investigar quem foram as pessoas responsáveis pelos problemas que levaram à liquidação das empresas, apurando se houve descumprimento de leis ou normas regulatórias. "O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes", afirmou o BC em nota divulgada nesta sexta-feira (14). Pela legislação, os bens dos controladores e ex-administradores das instituições ficam indisponíveis a partir da decretação da liquidação. Quem é o Grupo Simpala? Com um histórico de 50 anos de atuação, o Grupo Simpala tem pelo menos quatro empresas voltadas para serviços financeiros. Além da Simpala Financeira e da Simpala Consórcios, que tiveram suas atividades encerradas pelo BC, o grupo ainda conta com a Simpala Promotora, voltada para intermediação de crédito, e a Simpala Seguros — que, segundo a empresa, tem R$ 1 bilhão em patrimônios segurados.

Imagem ilustrativa de um produtor enchendo um balde de leite. Shutterstock Pequenos produtores de leite de todo o país podem participar do Balde Cheio, programa da Embrapa que busca melhorar a eficiência e a rentabilidade da atividade leiteira por meio da capacitação de técnicos de extensão rural. Na prática, as propriedades participantes se transformam em uma espécie de sala de aula a céu aberto. Nelas, técnicos e produtores acompanham a aplicação de mudanças pensadas de acordo com a realidade de cada fazenda. A proposta é identificar o que pode ser aprimorado na propriedade e adotar técnicas que contribuam para tornar a produção de leite mais eficiente e rentável, considerando as condições e os recursos disponíveis em cada local. A Embrapa disponibiliza gratuitamente uma publicação sobre o Balde Cheio, com informações sobre o funcionamento do programa e orientações para quem deseja participar. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos

Abacaxi BRS Sol Bahia Embrapa O produtor Fábio Roberto, de Seringueiras (RO), plantou um pé de abacaxi e agora tem uma dúvida: qual é o momento certo de colher o fruto para comercialização? Um dos principais sinais está na coloração da casca. A mudança de cor indica o avanço da maturação e ajuda o produtor a definir quando retirar o fruto da planta, levando em consideração também o tempo necessário para transporte e comercialização. Além do ponto de colheita, outro desafio é fazer com que o abacaxi mantenha a qualidade por mais tempo depois de sair da lavoura. Uma das alternativas desenvolvidas pela Embrapa é a BRS Sol Bahia, variedade mais nova que apresenta maior resistência após a colheita, inclusive quando o fruto já está mais amarelado. A BRS Sol Bahia foi lançada inicialmente para cultivo no semiárido de Minas Gerais e da Bahia, mas já existem estudos para avaliar o desempenho da variedade em outras regiões do Brasil. Onde encontrar mudas e orientações Produtores interessados na BRS Sol Bahia devem procurar a Embrapa para obter informações sobre pontos de comercialização de mudas próximos à sua região. A instituição também disponibiliza publicações técnicas com orientações sobre o plantio, manejo e colheita do abacaxi, que podem ajudar o produtor desde a implantação da lavoura até a comercialização dos frutos. 📱 Acesse aqui todas as informações De onde vem a manga

Getty Images/BBC AVISO DE CONTEÚDO SENSÍVEL: esta reportagem contém menções a violência e suicídio. Durante cerca de dois meses, João (nome fictício), 36 anos, manteve conversas com o ChatGPT que, segundo a Polícia Civil do Espírito Santo, indicavam um possível plano para matar o próprio filho, de 8 anos, cometer ataques e tirar a própria vida. Nas mensagens trocadas com a ferramenta de inteligência artificial, o agricultor pesquisou sobre os efeitos de determinadas substâncias tóxicas no corpo, confessou ter oferecido dinheiro para que uma pessoa matasse a criança e disse que se sentia bem ao ver pessoas sofrerem. "Ofereci 50 mil para ele me matar e matar meu filho, mas ele não quis por se tratar de uma criança", diz uma das mensagens ao ChatGPT às quais a BBC News Brasil teve acesso. "Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto da sensação de ver outra pessoa sofrer", relatou o agricultor em outra mensagem. As conversas acenderam um alerta no sistema de segurança da IA, levando a OpenAI — criadora do ChatGPT — a comunicar a interação ao FBI, que entrou em contato com as autoridades brasileiras. O caso chegou até a Polícia Civil do Espírito Santo no dia 16 de junho, por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas, o Ciberlab, braço tecnológico do Ministério da Justiça e Segurança Pública no combate a crimes cibernéticos. Três dias depois — e um dia antes da data em que, segundo a polícia, o plano seria colocado em prática — o agricultor foi preso quando saía de casa na zona rural de São Gabriel da Palha, um município de pouco mais de 30 mil habitantes localizado a 200 km da capital, Vitória. "Priorizamos esse caso em função da gravidade e por supostamente o pai planejar a execução do filho até o dia 20", disse à BBC News Brasil o delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos e responsável pela investigação. João* foi preso preventivamente no dia 19 de junho. Na quinta-feira (13/8), ele foi solto após a Justiça conceder um habeas corpus apresentado pela defesa, ao entender que houve demora excessiva na conclusão da investigação policial. O agricultor ficou detido por 54 dias. A prisão preventiva não tem prazo fixo previsto em lei. Quando o investigado está preso, porém, a investigação deve ser concluída em prazo razoável. No caso do agricultor, a Justiça considerou que, após mais de 50 dias de prisão, o inquérito ainda não havia sido concluído pela polícia nem havia denúncia apresentada pelo Ministério Público. Mantê-lo preso poderia caracterizar constrangimento ilegal. A Justiça também impôs medidas cautelares ao agricultor, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se aproximar ou manter contato com o filho e com a mãe da criança. Segundo o delegado Brenno Andrade, o suspeito não tinha relação de afeto e nem contato com a criança. Ele apenas pagava uma pensão, e esse teria sido um dos motivos para planejar o crime. "Ele não queria mais pagar a pensão [...] Em uma das conversas, ele fala em tirar a própria vida. Mas ele não queria, digamos assim, essa 'encheção de saco' da mãe dele, avó da criança, ser cobrada pela pensão. Então, ele pensou em também matar o próprio filho." A Polícia Civil do Espírito Santo informou que aguarda o resultado de laudos periciais — de objetos apreendidos na casa do agricultor — para concluir o inquérito. Na casa do suspeito foram encontrados quatro frascos com uma substância desconhecida, além de uma corda amarrada, que, segundo a polícia, seria indicativo de uma intenção suicida. "Tudo aquilo que a plataforma trouxe pra gente foi corroborado com a chegada da polícia ao local. Ele confirmou algumas coisas que pesquisou em relação ao filho, mas negou essa intenção de matá-lo", disse o delegado. Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo Além dos frascos, o celular do suspeito foi recolhido para ser periciado. O objetivo é saber se o agricultor realmente entrou em contato com um pistoleiro para matar o filho, conforme contou ao ChatGPT. "Vamos supor que no telefone dele, ele já tinha iniciado essa conversa, já tivesse até pagado o pistoleiro. A polícia entende que, nesse caso, havendo esse tipo de situação, ele já passa da fase de cogitação e já está ali, executando o crime que não foi consumado por motivos alheios à sua vontade, que foi a polícia chegar previamente e efetuar a prisão", declarou o delegado. Já a defesa do agricultor sustenta que ele não praticou nenhum crime. "Se conversar com IA e falar bobagens for crime, todo mundo vai preso", disse à BBC o advogado Pedro Pessi, que faz parte da defesa do agricultor. O caso levanta uma questão que ainda não tem uma resposta simples no direito brasileiro: até que ponto uma conversa com uma ferramenta de inteligência artificial pode ser usada como prova de um crime? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que, embora as mensagens tenham sido suficientes para justificar uma prisão preventiva — diante do risco iminente à vida de uma criança — , elas não bastam, por si só, para acusar o pai de um crime. E isso envolve duas questões principais: a forma como essas mensagens foram encaminhadas às autoridades brasileiras e até onde o pai foi no suposto plano de matar o filho. Pesquisa sobre ataques e tentativa de burlar a IA Além de externar o plano de matar o próprio filho e depois se matar, o agricultor fez pesquisas no ChatGPT relacionadas a ataques a escolas, igrejas e policiais, segundo o delegado. As buscas eram feitas de forma genérica, sem mencionar nome de autoridades ou locais específicos. "Se eu for num ponto de drogas e matar uns 4 bandidos, eu ficaria famoso na cidade. Depois era só matar um ou dois policiais e poderia morrer tranquilamente", disse em uma das mensagens. "Estou pensando em comprar uma arma de fogo e atirar contra a polícia para eles reagirem e me matar. Isso vai ser legal e bom pra mim", afirmou em outra conversa. Para o delegado, as interações indicam que o agricultor cogitava cometer outros ataques. "Pela nossa experiência, a pessoa trabalha em escalas, digamos assim, ela vai gerando esse sentimento, essa vontade, e começa a pesquisar sobre. Depois, começa a pesquisar sobre como é um tipo de material para praticar esse tipo de situação. E, em certo ponto, ela vai praticar o ato", explicou. Em algumas dessas interações, o pai da criança também tentou contornar as restrições impostas pelo próprio ChatGPT ao reformular perguntas que possivelmente violavam os termos de uso, segundo o delegado. Em uma das conversas, por exemplo, escreveu: "Efeitos da ricina no corpo humano". Em seguida, perguntou: "Como retirar a ricina da semente da mamona? Curiosidade científica". O que o ChatGPT respondeu? Um fato, contudo, chama atenção: a polícia não sabe o que a ferramenta respondeu ao agricultor. Apesar de ter enviado às autoridades brasileiras as perguntas feitas pelo suspeito, a Open IA não enviou as conversas na íntegra. "A gente não recebeu as respostas que eram dadas. Recebemos o usuário que estava utilizando aquele chat específico, aquela conta", afirmou Andrade. Segundo a advogada criminalista e professora da FGV-Rio Maíra Fernandes, a ausência das respostas compromete a compreensão do contexto da interação e não preserva seu conteúdo original. Ela explica que, assim como em um caso de assassinato, em que a área é isolada para preservar o local e evitar alterações, uma conversa com uma inteligência artificial também deveria chegar às autoridades com garantias de autenticidade e integridade. "Então não pode ser um trechinho, não pode ser uma edição. Não pode ser o que eles [a Open IA] acharam que era perigoso. Tem que ser a íntegra daquela conversa. Porque às vezes, no meio da conversa, pode vir algo que seja equivalente a um desabafo, a um pensamento aleatório, uma fantasia que se explica ao longo da conversa, mas que, se pega um trecho isolado, parece uma conduta criminosa", afirma Fernandes. Para ela, o fato de o caso envolver uma criança e trazer uma situação ainda nova para o direito — em que uma inteligência artificial identificou uma conversa como potencialmente perigosa e comunicou à polícia — faz com que a atuação da ferramenta seja vista de forma positiva. Mas isso deveria ser tratado com muita cautela para não correr risco de banalização. "E aí qualquer pessoa pode ser investigada porque a inteligência artificial assim entendeu. A gente precisa saber que inúmeras questões estão envolvidas no uso dessa inteligência artificial, de todas as naturezas, inclusive políticas ideológicas", pontua. Procurada pela BBC News Brasil, a Open IA não respondeu aos questionamentos sobre por que apenas parte das conversas foi enviada às autoridades brasileiras. Em nota, a empresa informou, por meio de um porta-voz: "Quando detectamos conversas que indicam um risco iminente e crível de danos a terceiros, podemos notificar as autoridades policiais. Relatos recentes no Brasil ilustram a importância dessas medidas de segurança." Ainda segundo a Open IA, o ChatGPT combina mecanismos automáticos de detecção, revisão especializada e supervisão humana para identificar riscos e violações de políticas. A empresa diz que pode tomar medidas quando há riscos críveis e iminentes de danos a terceiros, mas que o encaminhamento às autoridades é reservado a casos excepcionais e de alto risco. Fernandes também chama atenção para outro ponto nesse caso: o papel exercido pela plataforma durante a interação. Segundo ela, as respostas são importantes não apenas para entender a conduta do usuário, mas também para avaliar se a própria ferramenta forneceu algum tipo de orientação que incentivasse o suposto planejamento do crime. "Será que a resposta foi positiva no sentido: 'Como você prefere matar? Você prefere matar com veneno? Você prefere matar com arma?' Isso tem uma responsabilidade gigantesca da ferramenta de inteligência artificial, o que não exclui, óbvio, a responsabilidade daquele que pergunta. Mas isso precisa estar nos autos", afirma. Perguntas feitas pelo pai da criança ao ChatGPT; respostas da ferramentas não foram encaminhadas às autoridades policiais Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo Essa discussão sobre o papel da inteligência artificial em planejamento de crimes apareceu recentemente em um caso nos Estados Unidos. Em abril deste ano, o procurador-geral da Flórida abriu uma investigação criminal sobre a OpenAI para apurar se o ChatGPT contribuiu para o planejamento de um ataque que matou duas pessoas e feriu outras seis na Florida State University, em 2025. Segundo as autoridades, o autor do ataque teria usado a ferramenta para obter informações sobre armas, munições e aspectos do planejamento da ação. O procurador-geral afirmou que, se uma pessoa tivesse fornecido aquelas orientações, ela poderia ser responsabilizada criminalmente. A OpenAI contesta essa interpretação e afirma que o ChatGPT apenas forneceu informações disponíveis publicamente e não incentivou atividade ilegal. Para André Glitz, mestre em Direito pela Columbia University e pesquisador na área de investigação criminal, o caso brasileiro passa por dois pontos: a validade das conversas como prova e o peso que elas podem ter para uma eventual acusação. "É preciso saber em que contexto essas conversas aconteceram e o que o ChatGPT respondeu. Uma conversa precisa ter começo, meio e fim. Se você extrai apenas um pedaço dessas conversas, o sentido do que foi dito pode mudar completamente. A prova pode até ser válida, mas é importante ver o peso", afirma. Glitz destaca que essa análise é especialmente importante em conversas com ferramentas de inteligência artificial, que podem "alucinar", produzir respostas equivocadas ou interpretar de maneira inadequada o contexto de uma pergunta. Segundo ele, como a OpenAI é uma empresa americana, ter acesso a todas as conversas exigirá uma decisão judicial e mecanismos de cooperação jurídica internacional. Por meio de nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que "em situações excepcionais que envolvam risco concreto e iminente à vida ou à integridade física de terceiros, empresas de tecnologia podem compartilhar informações com as autoridades brasileiras. Quando essas comunicações chegam ao Ciberlab, é realizada uma análise preliminar e, identificada a necessidade de atuação imediata, as informações são encaminhadas, com a maior brevidade possível, às autoridades policiais com atribuição sobre o caso para adoção das medidas cabíveis". Uma pessoa pode ser presa por cogitar um crime? O caso no Espírito Santo lembra a premissa de Minority Report, filme de 2002 em que a polícia prende pessoas antes que elas cometam crimes, com base na previsão de que irão cometê-los. Não, por acaso, a comparação com a obra foi feita tanto pelo delegado quanto por Glitz durante as entrevistas. Há, porém, uma diferença fundamental. A inteligência artificial não previu que o agricultor cometeria um crime. Ela identificou uma conversa como potencialmente perigosa, e a plataforma comunicou o alerta às autoridades. A defesa do agricultor sustenta que o caso não passou da fase de cogitação. À BBC, o advogado Pedro Paulo Pessi afirmou que o pai da criança não teria tomado nenhuma medida concreta para executar os crimes mencionados nas conversas, muito menos a ameaçado. "Ele não teve nenhuma atitude nesse sentido de execução, não preparou nada, não fez ameaças, apenas conversou com a IA e falou várias bobagens. A defesa entende que não houve crime", declarou. Glitz explica que essa discussão, no direito penal, passa pelo chamado iter criminis — o caminho percorrido até a prática de um crime — e é divido em três fases: cogitação, preparação e execução. Na avaliação dele, o agricultor estaria, a princípio, apenas cogitando o crime nas conversas com o ChatGPT. "A preparação envolve atos materiais, como comprar uma arma ou adquirir veneno. Já a execução começa quando esse plano passa efetivamente a ser colocado em prática", explica. Em regra, afirma o especialista, nem a cogitação nem os atos meramente preparatórios são puníveis. Há exceções, porém, quando um ato preparatório configura um crime autônomo. É o caso, por exemplo, da posse ilegal de arma de fogo: ainda que nenhum homicídio seja praticado, a pessoa pode responder pelo crime relacionado à arma. Em Minority Report, tecnologia aliada à mente dos precogs (pessoas capazes de sonhar prevendo o futuro), era capaz de prever crimes, possibilitando que eles fossem antecipados Getty Images/BBC Glitz ressalta, contudo, que a distinção entre preparação e execução nem sempre é simples e que há discussões na doutrina e na jurisprudência sobre o momento em que se considera iniciado o ato de execução, especialmente em situações em que esperar pelo "último ato" poderia expor a vítima a um risco elevado. Segundo ele, no caso do agricultor, essa distinção depende do que a investigação conseguir comprovar além das conversas. "Será preciso analisar o caso concreto, o que as conversas anteriores indicavam, se existiam outros elementos, como materiais apreendidos, compra de substâncias ou outros atos que indiquem que ele avançava para uma execução. Isso será objeto de discussão jurídica." Um novo caminho para a polícia O caso é inédito para a própria polícia. Andrade, que atua na Delegacia de Crimes Cibernéticos desde 2018, afirma que já está acostumado a investigar crimes envolvendo ambientes digitais, como abuso e exploração sexual infantil online, ameaças no ambiente escolar e crimes praticados por meio de redes sociais. Mas, até então, não havia recebido um alerta de uma ferramenta de inteligência artificial que pudesse levar à identificação de um possível crime. "A gente descobriu que era o primeiro caso do Espírito Santo e o terceiro do país. E, nas palavras do próprio Ministério da Justiça, 'de longe, o caso mais grave'", afirmou. Para ele, comunicação feita pela plataforma abre uma nova possibilidade para a investigação policial: identificar situações de risco antes que uma conduta criminosa seja efetivamente praticada. "É mais um caminho para a polícia para tentar saber se pessoas pesquisaram crimes na inteligência artificial. Acredito que, pelo menos no caso que envolve violência ou grave ameaça, risco de integridade à vida, as plataformas vão fazer essa comunicação, o que já facilita muito o trabalho da polícia", afirmou, ressaltando, porém, que isso não substitui o trabalho de investigação. Para Luiz D'Urso, advogado especialista em direito digital, o episódio chama atenção justamente por mostrar uma nova forma de interação entre plataformas de inteligência artificial e autoridades policiais. Segundo ele, sistemas automatizados podem identificar conteúdos potencialmente perigosos, mas a decisão de comunicar um caso às autoridades deve ser submetida a uma avaliação humana e feita com muita cautela. "Não é possível permitirmos que a IA faça uma denúncia diretamente à autoridade policial para essa tomar providências, porque alguém precisa ver se aquele conteúdo é verdadeiro. Caso contrário, nós podemos ter uma avalanche de denúncias falsas chegando à polícia por alucinações, interpretações erradas", destaca. No caso do agricultor, D'Urso considera que havia elementos suficientes para justificar a preocupação da plataforma. Mas afirma que situações como essa também mostram a necessidade de uma legislação brasileira que consiga contemplar essas mudanças provocadas pela inteligência artificial. Para Patricia Peck, professora da ESPM e especialista em Direito Digital, o episódio também mostra uma mudança no papel das ferramentas de inteligência artificial, que deixaram de ser apenas instrumentos de geração de conteúdo e passaram a funcionar como ambientes de interação capazes de identificar padrões associados a situações de risco. "Quando uma conversa deixa de representar uma mera intenção abstrata e passa a indicar uma ameaça concreta, com vítima identificável, meios disponíveis e risco iminente, surge um dever ético e, em determinadas circunstâncias, jurídico de atuação", afirma. Segundo Peck, o critério deve ser proporcional ao risco: quanto maior a probabilidade de dano imediato a terceiros, maior a legitimidade para acionar mecanismos de segurança. "A ética aplicada à IA não deve partir da lógica de 'monitorar tudo', mas sim da lógica de 'intervir apenas quando o risco justificar'. O desafio é evitar tanto a omissão quanto o excesso de vigilância", afirma. *O nome do suspeito foi alterado para preservar a identidade da criança envolvida no caso. Agora no g1

Workslop pode ser traduzido livremente como "trabalho desleixado". Pexels A pressa das empresas em incorporar ferramentas de inteligência artificial ao dia a dia dos trabalhadores criou um novo problema: o relatório chega com tópicos organizados, linguagem técnica e aparência profissional, mas basta uma leitura mais atenta para perceber que ali não há nada de útil. As conclusões são genéricas, faltam informações importantes sobre o negócio e uma nova rodada de análises, correções e ajustes se faz necessária. Em vez de aumentar a produtividade, a IA gera retrabalho e atrasa o desenvolvimento dos profissionais — em especial, os mais novos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O fenômeno já tem nome: workslop. 📎 O termo vem da junção das palavras "work" (trabalho) e "slop" (malfeito), e pode ser traduzido livremente como "trabalho desleixado". Ele passou a ser usado para descrever tarefas geradas por IA que — na ânsia de economizar esforço ou acelerar processos — são superficiais e oferecem pouco valor prático para quem precisa utilizá-las. Agora no g1 Um levantamento da BetterUp Labs, em parceria com a Stanford Social Media Lab, mostrou que 40% dos trabalhadores afirmam ter recebido algum conteúdo que se enquadra no conceito de workslop. Esse grupo estima que 15,4% de todo o material recebido se encaixe nessa categoria. Quando esse tipo de conteúdo entra no fluxo de trabalho, cria-se um efeito em cadeia. Alguém precisa conferir informações, corrigir erros ou simplesmente refazer parte da tarefa. 💸 Esse custo já foi medido. Os trabalhadores gastam, em média, 1 hora e 56 minutos lidando com cada ocorrência de workslop, segundo a BetterUp Labs. Isso representa uma perda estimada em US$ 186 por mês para cada funcionário afetado. Em uma organização com 10 mil trabalhadores, o prejuízo anual pode ultrapassar US$ 9 milhões em produtividade desperdiçada. Para Miguel Nicolelis, considerado um dos principais neurocientistas do mundo, há uma crença generalizada de que ferramentas de IA seriam capazes de substituir etapas importantes do pensamento humano — do trabalho ao estudo. O resultado, afirma, é uma espécie de "atalho intelectual": tarefas que antes exigiam construção de conhecimento passam a ser delegadas a sistemas que produzem respostas nem sempre confiáveis. Na vida profissional, receber esse tipo de conteúdo também provoca irritação, confusão e desgaste entre os colegas. Aos poucos, o problema compromete relações de confiança e colaboração, fundamentais para o funcionamento das organizações. Mas evitar o assunto também não é a solução. A discussão envolve como a IA está transformando a rotina de trabalho, a qualidade do que é produzido, a pressão sobre os profissionais e os riscos de uma dependência crescente dessas ferramentas. Nesta reportagem, o g1 discute esses pontos e mostra por que a promessa de produtividade nem sempre se concretiza, quais estratégias as empresas têm adotado para reduzir riscos e por que temas como governança e pensamento crítico são importantes nesse debate. Saiba mais sobre: Como a IA criou o ambiente perfeito para o workslop O preço do workslop O que acontece quando a IA começa a pensar por nós Como usar a IA sem cair no workslop O que as empresas estão aprendendo na era da IA Como a IA criou o ambiente perfeito para o workslop Há pouco tempo, construir uma apresentação demandava horas de organização de informações e estruturação de argumentos. Hoje, pode levar apenas alguns minutos. Essa facilidade ajuda a explicar como a inteligência artificial se espalhou tão rapidamente entre os profissionais. João Quessada, desenvolvedor de software, recorre diariamente à IA para analisar códigos, resumir documentos e acelerar tarefas que antes consumiam horas de trabalho. "Sem sombra de dúvidas a IA agiliza muito o meu trabalho. Algo que eu faria em três ou quatro dias eu faço em um dia utilizando IA", conta o desenvolvedor. Mas a velocidade não garante um bom resultado. "Às vezes, ela não é 100% certeira. Em vez de ligar o ponto A ao ponto B, liga o ponto A ao ponto C e depois volta para o B", resume. Diogo Ferreira, profissional da área de tecnologia em uma empresa do agronegócio, também diz que a IA ajuda a organizar ideias, estruturar documentos e acelerar etapas operacionais, mas que a validação e as decisões continuam sob sua responsabilidade. Diogo Ferreira g1 "Quando você aprofunda, percebe que pode faltar contexto ou que a solução proposta está genérica demais. Para identificar isso, é preciso conhecer o assunto sobre o qual se está falando", afirma. A rápida adoção também foi impulsionada pela expectativa de ganhos de produtividade em um ambiente cada vez mais pressionado por eficiência e resultados. Mas, à medida que a IA deixou de ser novidade, o debate começou a mudar. A discussão passou a envolver os efeitos que essas ferramentas estão produzindo no dia a dia de quem trabalha com elas. Um estudo global do Upwork Research Institute, feito com 2,5 mil profissionais, mostra uma diferença de expectativas. Enquanto 96% dos executivos acreditam que a IA vai aumentar a produtividade, 77% dos profissionais afirmam que a carga de trabalho aumentou. O levantamento também revela que 81% dos líderes aumentaram as expectativas sobre suas equipes após a adoção da IA, enquanto 71% dos trabalhadores relatam sinais de burnout. Para Nicolelis, esse fenômeno está relacionado a uma antiga ambição do mundo corporativo. "A IA nada mais é do que a combinação de um pensamento que começa lá na Idade Média. Da tentativa da automação completa do trabalho humano." Luciana Morilas, especialista em trabalho da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), afirma que, apesar do entusiasmo em torno dessas novas ferramentas, grande parte das organizações ainda tenta entender como incorporá-las às rotinas profissionais. Nesse processo, muitas pessoas passaram a utilizar sistemas de IA sem treinamento adequado e sem compreender claramente quais ferramentas são mais apropriadas para cada tipo de atividade. "Quando uma apresentação pode ser criada em poucos minutos e um relatório gerado em segundos, surge a tentação de transformar a IA em um atalho permanente. O problema é que a velocidade da entrega nem sempre acompanha a qualidade." Luciana argumenta que, embora esses sistemas tenham acesso a volumes gigantescos de dados e sejam capazes de organizar conteúdos, isso não significa que compreendam contexto, prioridades ou as particularidades de um negócio. Nicolelis concorda e ressalta que a situação se torna ainda mais delicada porque grande parte das empresas ainda está aprendendo a estabelecer regras e diretrizes para esse novo ambiente de trabalho. Um relatório da IBM indica que 87% das organizações brasileiras não possuem práticas formais de governança em inteligência artificial. Na prática, isso significa que a adoção da tecnologia tem avançado mais rapidamente do que a criação de políticas, treinamentos e mecanismos de supervisão capazes de orientar seu uso. O preço do workslop Quando um conteúdo superficial entra no fluxo de trabalho, alguém precisa assumir o conserto: preencher lacunas, corrigir interpretações equivocadas ou até reescrever trechos inteiros. O trabalho, portanto, não desaparece. Apenas muda de mãos. A situação pode ser ainda mais preocupante: quanto mais sofisticado um conteúdo parece, mais difícil pode ser identificar suas falhas. E, quanto mais esses problemas passam despercebidos, maior é o risco de que os erros se espalhem pela organização. Segundo a BetterUp Labs, receber esse tipo de conteúdo também gera desgaste entre os colegas. Mais da metade dos trabalhadores (53%) afirma sentir irritação diante de episódios de workslop; 38% relatam confusão e até sensação de desrespeito ao perceber que precisam gastar tempo corrigindo algo que deveria ter chegado pronto. As consequências também chegam à reputação profissional. Nas empresas, a qualidade das entregas influencia diretamente a confiança entre colegas, gestores e equipes. Ainda de acordo com o estudo da BetterUp Labs, quem envia workslop tende a ser visto como menos criativo, competente, confiável e até menos inteligente. Em muitos casos, isso reduz a disposição dos colegas para voltar a trabalhar com essa pessoa em projetos futuros. Para Luciana, a inteligência artificial não elimina a necessidade de conhecimento especializado. Um levantamento da Forrester Research mostrou, por exemplo, que 55% dos empregadores se arrependeram de ter demitido funcionários em função da inteligência artificial. Uma projeção da Gartner também aponta que metade das empresas que substituíram trabalhadores de áreas como atendimento ao cliente ou operações por IA precisará recriar essas funções até 2027. Nicolelis afirma que esse movimento evidencia uma promessa de substituição que não tem se sustentado na prática. "Várias empresas e várias indústrias estão tendo que não só recontratar as pessoas que elas demitiram achando que iam substituí-las por essas ferramentas, como estão tendo que ter pessoas extras para tentar corrigir os erros causados por essas ferramentas". O que acontece quando a IA começa a pensar por nós? Durante décadas, a tecnologia assumiu principalmente tarefas operacionais ou repetitivas. Mas a inteligência artificial generativa passou a ser usada em atividades tradicionalmente associadas ao pensamento humano. Quessada admite que dificilmente envia um e-mail sem antes pedir que a inteligência artificial revise o texto. "Hoje eu não mando nenhum e-mail sem antes passar pela IA para refinar a escrita, a acentuação e as boas práticas", afirma. O mesmo acontece com Diogo. "Uso muito! Acho que principalmente para estruturar e-mail, revisar uma mensagem, uma comunicação que você vai fazer". Para Nicolelis, a preocupação com a substituição do pensamento vai além do ambiente corporativo. Segundo ele, a dependência crescente de tecnologias digitais já alterou a forma como as pessoas memorizam informações, se orientam no espaço e resolvem problemas cotidianos. Na avaliação do neurocientista, a conveniência proporcionada pela tecnologia pode vir acompanhada de uma redução gradual da chamada agência humana — a capacidade de agir, decidir e refletir de forma autônoma. "Quanto mais tarefas cognitivas são delegadas a sistemas externos, menor tende a ser o estímulo para exercitar essas capacidades. A conveniência está matando a agência humana", afirma. Para ele, o problema não está no uso da ferramenta, mas em transformar a exceção em regra: substituir de forma sistemática processos que antes exigiam reflexão, aprendizado e construção de conhecimento. Embora Quessada considere a IA indispensável no trabalho, ele demonstra uma preocupação parecida. "Às vezes, um desenvolvedor estagiário já vai utilizar IA nos primeiros trabalhos dele de estágio. Ele não vai refinar a lógica nem tentar praticá-la", afirma. 🤔 Mas quais habilidades podem deixar de ser desenvolvidas? E quais passam a ser ainda mais importantes? Luciana avalia que algumas competências tendem a perder espaço, enquanto outras se tornarão ainda mais valiosas. "Interpretação, pensamento crítico, contextualização e capacidade de julgamento ganham importância justamente porque a informação nunca esteve tão disponível. O desafio deixa de ser encontrar respostas e passa a ser avaliar quais delas fazem sentido." Como usar a IA sem cair no workslop Surge, então, a questão: como aproveitar os ganhos de produtividade sem abrir mão da qualidade, do senso crítico e da responsabilidade sobre aquilo que é produzido? Especialistas afirmam que as ferramentas de IA funcionam melhor quando são tratadas como ponto de partida. Quanto mais contexto a ferramenta recebe, maior a chance de produzir um resultado útil. "Quando você já tem clareza do problema, consegue economizar tempo porque ela tende a trazer um resultado melhor. Mas, se a pergunta não está bem direcionada, isso pode gerar retrabalho", explica Diogo. Sem informações sobre contexto, objetivos ou público-alvo, a ferramenta tende a produzir respostas amplas, superficiais e genéricas. Mas elaborar um bom prompt é apenas parte do processo. Outro erro frequente é considerar que a primeira resposta da IA já está pronta para uso. Na rotina de desenvolvimento de software, Quessada afirma que isso raramente acontece. O processo normalmente envolve novas perguntas, ajustes e sucessivas revisões. João Quessada g1 "A IA realmente não é algo para o qual você pode simplesmente dar um prompt inicial e esperar um resultado 100% pronto", afirma. Entre os principais riscos estão as chamadas "alucinações", situações em que a ferramenta inventa informações, apresenta dados incorretos ou chega a conclusões sem respaldo nos fatos. Outro ponto de atenção é a segurança da informação. À medida que essas ferramentas ganham espaço nas empresas, cresce também o risco de compartilhamento indevido de dados estratégicos, financeiros ou pessoais. Diogo afirma que essa é uma das principais preocupações em sua rotina. "O maior cuidado que a gente tem que ter quando fala de IA é a questão de inserir dados sensíveis, tanto pessoais quanto corporativos", afirma. Essa preocupação levou muitas organizações a estabelecer regras específicas para o uso dessas plataformas, restringindo o compartilhamento de determinadas informações e priorizando ferramentas que atendam a requisitos de segurança e conformidade. Segundo Luciana, para evitar o workslop, é preciso orientar os trabalhadores sobre quais ferramentas utilizar, em quais situações elas fazem sentido e quais são suas limitações. Essa diferença também aparece nas conclusões da BetterUp Labs. Os pesquisadores identificaram dois perfis de usuários: os "pilotos", que utilizam a IA para ampliar suas capacidades, e os "passageiros", que delegam à tecnologia tarefas que antes exigiam esforço cognitivo próprio. 💡 Ou seja: os profissionais que extraem mais valor da inteligência artificial não são necessariamente os que a utilizam com mais frequência. São aqueles que fazem perguntas melhores, questionam as respostas recebidas, conferem informações e mantêm o julgamento humano no centro das decisões. O que as empresas estão aprendendo na era da IA Em poucos anos, a conversa sobre IA nas empresas mudou de tom. O foco passou a ser como incorporá-la ao trabalho sem comprometer a qualidade das entregas ou criar novos riscos para profissionais e empresas. Segundo Daniel Marques, diretor de dados e analytics da companhia, a inovação só faz sentido quando vem acompanhada de critérios para avaliar riscos, definir prioridades e identificar onde a IA realmente gera valor para a empresa. "Não dá para sair fazendo e investindo em IA sem foco e governança", resume. A empresa criou um comitê multidisciplinar para acompanhar projetos de IA, estabeleceu critérios de risco e definiu diretrizes sobre ética, segurança da informação e uso responsável da tecnologia. Antes de automatizar uma atividade, a orientação é avaliar se a inteligência artificial realmente melhora o trabalho. No Itaú, a experiência levou a uma conclusão semelhante. Com mais de 56 mil funcionários utilizando ferramentas corporativas de IA generativa, o banco percebeu que ampliar o acesso à tecnologia exige mecanismos de controle tão robustos quanto os investimentos feitos nela. Por isso, as soluções passam por avaliações de segurança, conformidade, ética e viabilidade tecnológica antes de serem liberadas para uso. A orientação é que a inteligência artificial não seja adotada apenas porque está disponível. "A lógica é avaliar continuamente se a tecnologia gera benefícios concretos para clientes, funcionários e para o negócio. Em alguns casos, ferramentas tradicionais continuam sendo a melhor escolha", afirma Valéria Marretto, diretora de recursos humanos do Itaú. O Magazine Luiza chegou a uma conclusão parecida. Além de investir em equipes especializadas e desenvolver soluções próprias, a empresa criou políticas internas para orientar o uso da IA e definiu quais plataformas podem ser utilizadas pelos funcionários. Para Patricia Pugas, diretora-executiva de gestão de pessoas, a tecnologia deve ampliar as capacidades das pessoas — e não substituí-las. "A mensagem que passamos internamente é que a IA é uma aliada, e não uma solução final", afirma. "Sem treinamento, orientação e processos bem definidos, aumenta o risco de uso inadequado, retrabalho e produção de conteúdos superficiais (...) a tecnologia amplia capacidades, mas não elimina a necessidade de supervisão humana", conclui a pesquisadora Luciana Morilas.

Tainha Conservação Internacional/Átila Ximenes Peixes também têm impressão digital. É o que mostrou uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), feita com a tainha brasileira. Os pesquisadores analisaram pequenas moléculas presentes no músculo da tainha para identificar de onde o peixe veio. A combinação dessas substâncias funciona como uma "impressão digital química". 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O estudo conseguiu diferenciar tainhas capturadas em três locais do Brasil. Os pesquisadores encontraram diferenças na composição dos músculos relacionadas ao ambiente em que os peixes vivem, à quantidade de sal na água, à alimentação e ao funcionamento do organismo. Os cientistas também identificaram 23 compostos químicos naturais no músculo das tainhas. Essas substâncias ajudam a mostrar como o organismo dos peixes funciona, incluindo informações sobre gasto de energia, atividade muscular, alimentação e adaptação ao ambiente. Agora no g1 Para fazer a análise, os pesquisadores usaram uma técnica semelhante a um "raio-X químico": a Ressonância Magnética Nuclear de Hidrogênio. O método permite mapear a posição dos átomos de hidrogênio presentes nas moléculas. A técnica foi associada à metabolômica, que permite analisar pequenas moléculas produzidas pelo organismo durante as reações químicas do dia a dia. O estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e Luiz Colnago, da Embrapa Instrumentação (SP). Fabíola Fogaça inserindo a tainha no "raio x químico" Divulgação/ Embrapa Leia também: Onda de calor na Espanha pode levar ao aumento do preço do azeite? Uso na prática A descoberta pode ajudar o setor pesqueiro e a criação de mecanismos para certificar a origem dos pescados. Segundo os cientistas, a tecnologia pode auxiliar a combater fraudes no mercado de pescados, como a substituição de uma espécie por outra e a falsificação da origem do produto. Além disso, a impressão digital química pode ser usada de base técnica para o pedido de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem, da tainha da Lagoa de Araruama. A Lagoa de Araruama fica no Rio de Janeiro e é considerada a maior lagoa com concentração de sais permanente do mundo. A água tem salinidade média de 52%, mais alta que a do mar. Essa característica influencia diretamente o metabolismo das tainhas que vivem na região. Saiba também: Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Depois do foie gras, quais práticas de criação e abate de animais podem ser proibidas? De onde vem o que eu como: tilápia

Plantação de soja pronta para colheita em Roraima Raquel Maia/Amazônia Agro A América Latina se prepara para o que especialistas avaliam poder ser o El Niño mais forte já registrado, o que levanta dúvidas sobre os impactos do fenômeno na maior região exportadora de alimentos do mundo. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical central e oriental, altera os padrões climáticos em todo o mundo. Na América Latina, o fenômeno costuma provocar chuvas mais intensas no sul e elevar o risco de seca em áreas mais ao norte, afetando a agricultura, a produção de energia, as rotas comerciais e o meio ambiente. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, alterações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e episódios de seca já afetam partes do Caribe e da Amazônia. Pesquisadores esperam que o fenômeno ganhe força a partir de setembro e possa superar a intensidade do El Niño de 2015-2016, o mais forte já registrado. Agora no g1 Veja alguns dos impactos esperados: Irrigação de culturas Nas férteis regiões dos Pampas argentinos, além de áreas do Paraguai, Uruguai e sul do Brasil, o El Niño costuma trazer chuvas acima da média. Apesar das preocupações com um evento particularmente intenso, analistas afirmam que o aumento da disponibilidade de água tende a beneficiar as lavouras. Germán Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, afirmou que, assim como em ciclos anteriores, o El Niño pode favorecer as colheitas de soja, milho e trigo ao aumentar a umidade do solo para o plantio e ampliar a disponibilidade de água durante o verão, entre dezembro e fevereiro. O excesso de umidade, no entanto, pode favorecer doenças causadas por fungos e reduzir nutrientes do solo em áreas fertilizadas. Infraestrutura vulnerável Um El Niño mais intenso também pode provocar enchentes em áreas rurais já naturalmente suscetíveis a esse tipo de evento, acrescentou Heinzenknecht. Estradas tomadas pela lama ou por alagamentos podem dificultar o acesso dos agricultores às lavouras, atrapalhando a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas, disse ele. Muitas das estradas rurais que atravessam importantes áreas agrícolas do sul da América do Sul já apresentam condições precárias. As fortes chuvas previstas para setembro também podem provocar inundações em cidades e nas rotas de acesso aos portos. Diante desse risco, o governo do Paraguai colocou unidades militares em alerta e mobilizou equipes de engenharia civil ainda em julho. A costa norte do Peru enfrenta inundações, enquanto regiões mais elevadas sofrem com a escassez de água. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), esse padrão também pode se repetir no Chile e em outras áreas da costa do Pacífico. O aumento da temperatura do mar também está levando espécies de interesse comercial a migrar para águas mais profundas, reduzindo o volume pescado. Essa mudança já afeta a indústria pesqueira do Peru, que registrou queda de 31% na atividade nos primeiros cinco meses do ano. Oportunidades energéticas A distribuição desigual das chuvas pode acabar beneficiando o crescente setor de exportação de energia da Argentina. Segundo a Organização Latino-Americana de Energia (OLADE), a previsão de tempo mais quente e seco no norte e no oeste do Brasil pode aumentar a demanda por gás natural da Argentina para abastecer usinas termelétricas. Por outro lado, o sul do Brasil e o nordeste da Argentina devem registrar aumento significativo das chuvas, elevando o nível do rio Paraná e ampliando o potencial de geração das hidrelétricas ao longo de seu curso. Em julho, as chuvas nas bacias hidrográficas do sul do Brasil atingiram 256% da média histórica, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). “Cada El Niño conta uma história diferente”, disse Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, acrescentando que o equivalente a um mês de chuva pode cair em apenas uma semana em algumas áreas do centro-oeste e sudeste do Brasil. Secas ameaçam navegação e logística A previsão de tempo mais seco no norte do Brasil ameaça a vasta rede fluvial da Amazônia, um corredor de transporte fundamental para o escoamento da produção do maior exportador mundial de soja. A previsão de tempo mais seco no norte do Brasil ameaça a vasta rede fluvial da Amazônia, um corredor de transporte fundamental para o escoamento da produção do maior exportador mundial de soja. Mais ao norte, a Autoridade do Canal do Panamá está endurecendo as restrições à carga transportada pelos navios para preservar a água doce necessária ao funcionamento da via, já que as previsões apontam para uma seca que pode ser tão severa quanto a registrada durante o El Niño de 2023-2024. A autoridade marítima vem reduzindo gradualmente o calado máximo das embarcações, já que um novo reservatório planejado para garantir o abastecimento de água do canal e da população do país não ficará pronto a tempo. 🔎 Calado é a profundidade da parte submersa de uma embarcação. Quanto menor o calado permitido, menor é a quantidade de carga que cada embarcação pode transportar, o que encarece o frete e reduz a eficiência logística. Com limites menores de calado, os navios precisam transportar menos carga, o que eleva os custos de transporte e aumenta o risco de interrupções no comércio. O Panamá está entre os países mais chuvosos do mundo, o que torna qualquer redução significativa das chuvas um importante sinal de seca na região. A autoridade responsável afirmou que não pretende reduzir o número diário de travessias pelo canal, a menos que isso se torne estritamente necessário. A disputa por espaço no canal já está aumentando, com leilões de última hora alcançando milhões de dólares, enquanto parte das embarcações também busca rotas alternativas diante das tensões de segurança no Oriente Médio, na região do Canal de Suez.

Brasil inicia processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que iniciou o processo para adotar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas aplicadas pelo governo norte-americano sobre produtos do Brasil. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia "O governo brasileiro informa que deu início a análise de pleito ordinário de enquadramento, sob a Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), das medidas unilaterais adotadas pelo governo dos Estados Unidos da América no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio daquele país", informou o governo em nota. O que é a Lei da Reciprocidade Econômica? Aprovada em 2025, a Lei da Reciprocidade Econômica é um mecanismo que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de ações de outros países que prejudiquem a competitividade brasileira. ➡️Naquele ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. O texto define as situações em que o governo pode recorrer ao instrumento e quais medidas podem ser adotadas. Entre elas estão a suspensão de concessões comerciais e de investimentos e de obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil O início do processo O governo afirmou que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) "está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas". "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", diz a nota. O governo brasileiro afirma que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301. "[O governo brasileiro] apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil. As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz a nota do governo. Representantes do setor de máquinas e equipamentos chegaram a se manifestar contrariamente à aplicação da Lei de Reciprocidade. No mês passado, após a tarifa de 25% entrar em vigor, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil seguisse negociando com os EUA pela via diplomática e empresarial. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Pouco antes da nota ser divulgada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para tratar do assunto. OMC No início desta semana, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images

Mega-Sena, concurso 3044: confira os números sorteados O sorteio do concurso 3.044 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (13), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 3.010.600,82. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 04 - 15 - 17 - 40 - 55 - 58 Nenhum aposta acertou as seis dezenas. Segundo a Caixa, 16 apostas acertaram a quina e levaram R$ 61.152,83. Já outras 1.252 apostas tiveram quatro acertos e levaram R$ 1.288,19. O próximo prêmio, do sorteio do dia 15 de agosto, está estimado em R$ 38 milhões. Mega-Sena concurso 3044 Reprodução O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Brasil inicia processo para adotar medidas de reciprocidade em resposta ao tarifaço americano O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (13) que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. ➡️A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, é um mecanismo que permite ao país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. "O governo brasileiro informa que deu início a análise de pleito ordinário de enquadramento, sob a Lei da Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), das medidas unilaterais adotadas pelo governo dos Estados Unidos da América no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio daquele país", informou o governo em nota. O governo afirmou que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) "está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas". A previsão no Itamaraty é que a Embaixada do Brasil em Washington notifique os EUA sobre o início do processo de reciprocidade contra o tarifaço do governo de Trump nesta sexta-feira (14). Todas as áreas envolvidas no assunto são notificadas, entre elas o Departamento de Estado norte-americano, USTR. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil "As consultas diplomáticas, que visam mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais", diz a nota. O governo brasileiro afirma que atuou consistentemente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301. "[O governo brasileiro] apresentou evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio do Brasil. As tarifas norte-americanas são injustificadas e arbitrárias, e o Brasil continuará defendendo sua posição em todas as instâncias cabíveis", diz a nota do governo. Representantes do setor de máquinas e equipamentos chegaram a se manifestar contrariamente à aplicação da Lei de Reciprocidade. No mês passado, após a tarifa de 25% entrar em vigor, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o Brasil seguisse negociando com os EUA pela via diplomática e empresarial. LEIA TAMBÉM: 'Olho por olho, dente por dente?' O que diz a Lei de Reciprocidade que Lula quer usar contra novo tarifaço dos EUA Pouco antes da nota ser divulgada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para tratar do assunto. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz OMC No início desta semana, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas aunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Veja a cronologia do tarifaço de Trump: ➡️Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). ➡️Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA de 1962. ➡️Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções. ➡️Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. ➡️Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232. ➡️No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes. ➡️Em 22 de julho, entrou em vigor a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação dos EUA contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Milhares de produtos importantes para a economia americana ficaram isentos. ➡️No dia 24 de julho, começou a valer a nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A alíquota entrou em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro, perdeu a validade.

Logo do Nubank na Bolsa de Valores de Nova York. Brendan McDermid/ Reuters O Nubank informou nesta quinta-feira (13) que, pela primeira vez em sua história, registrou lucro líquido bilionário em um trimestre. Segundo o banco, a quantia cresceu 17% e chegou a US$ 1,061 bilhão no período entre abril e junho de 2026. No segundo trimestre, o banco teve receita bruta de US$ 5,9 bilhões, o que representou alta de 39% em relação ao mesmo período de 2025. A carteira de crédito cresceu 37% e chegou a US$ 39,4 bilhões, e o total de depósitos cresceu 18%, chegando a US$ 45,3 bilhões. A empresa chegou a 139 milhões de clientes, 4 milhões a mais do que no trimestre anterior. Do total, quase 118 milhões estão no Brasil, 15,8 milhões estão no México e 5 milhões estão na Colômbia. Agora no g1 Ao mesmo tempo, o índice de inadimplência para dívidas com mais de 90 dias sem pagamento aumentou, chegando a 6,9%. A alta é explicada pela migração sazonal dos atrasos iniciais registrados no primeiro trimestre, disse o banco. Em seu comunicado, o Nubank afirmou que lidera como banco principal de consumidores brasileiros e que a taxa de atividade mensal de seus clientes superou os 86% pela primeira vez. A empresa também destacou que tem avançado entre clientes de maior renda e entre pequenas empresas.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, estimou nesta quinta-feira (13) que um "gatilho" incluído em um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional vai gerar uma perda de R$ 4,7 bilhões para a área de saúde em 2027.
O texto, aprovado pelo Senado Federal nesta quarta-feira (12), seguiu para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois já havia passado pelo crivo da Câmara dos Deputados.
O projeto permite ao governo usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis, além de conceder concede subsídios, na forma de diminuição de tributos, para a indústria de fertilizantes e o setor de minerais críticos e estratégicos.
Mas também foram incluídos dois "gatilhos" — regras automática que impõe a contenção de gastos públicos obrigatórios, um tipo de "jabuti", ou seja, material estranho ao contexto original da proposta.
➡️Um dos gatilhos determina que, no caso de déficit primário neste ano (como está projetado pelo governo e analistas) as receitas da União com a comercialização do petróleo e gás natural não sejam incluídas no cálculo da chamada "receita corrente líquida" do governo.
➡️Com isso, a receita corrente líquida crescerá menos no próximo ano. O problema é que o piso constitucional de aplicação da União em Ações e Serviços Públicos de Saúde é justamente 15% da receita corrente líquida, que terá alta menor em 2027 com a imposição do gatilho aprovado pelo Congresso Nacional - impondo perda de recursos para essa área.
"A IFI estima que isto implicará na criação de um espaço orçamentário em 2027, só com o piso da saúde de R$ 4,7 bilhões (15%), utilizando o cenário de referência da PPSA que projeta uma arrecadação, no próximo ano, de R$ 31 bilhões com a comercialização de óleo e gás", informou o órgão do Senado, em nota à imprensa.
Além da área de saúde, outro gatilho aprovado no projeto de lei também retirará recursos de outras áreas, ao limitar o crescimento dessas despesas ao teto do chamado "arcabouço fiscal", a regra para as contas públicas aprovada em 2023. Por essa regra, as despesas gerais não podem crescer mais do que 2,5% em termos reais (acima da inflação).
➡️Pelo gatilho, em caso de projeção de déficit primário no exercício 2026, o crescimento de despesas primárias atreladas a vinculações estabelecidas por legislação infraconstitucional também não poderá crescer acima disso.
➡️Isso que criará uma "limitação extra" de R$ 5 bilhões, que, segundo a IFI, impactará "despesas vinculadas sobretudo de rubricas como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (Lei no. 11.540/2007) e o Fundo Constitucional do Distrito Federal (Lei no. 10.633/2002)".
Espaço para outras despesas
➡️Os dois gatilhos juntos, portanto, tem um impacto de abrir no orçamento um espaço de cerca de R$ 10 bilhões, algo já confirmado pela área econômica do governo federal.
➡️Em um orçamento quase totalmente engessado, esses recursos serão destinados para outros gastos livres do governo (não obrigatórios), podendo até mesmo "melhorar trajetória dos resultados fiscais", disse ontem o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A IFI do Senado Federal observou que a preocupação do governo reafirma uma realidade que o órgão tem realçado nos últimos anos: "a crescente e insustentável rigidez orçamentária, com o crescimento exponencial das despesas obrigatórias e rígidas e a compressão quase absoluta da margem de liberdade do governo federal para sustentar o custeio e os investimentos que materializam as políticas públicas".
"Esta realidade impõe inexoravelmente a revisão profunda do regime fiscal brasileiro em 2027", opinou o diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana. A insustentabilidade do arcabouço fiscal, diante do crescimento dos gastos obrigatórios e a redução do espaço para despesas livres, é uma avaliação compartilhada por outros economistas.
Ministro da Fazenda nega 'prejuízo'
Questionado mais cedo nesta quinta-feira por jornalistas sobre perdas para saúde e educação por conta de gatilhos incluídos no projeto de lei que permite usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que haveria "prejuízo" para essas áreas.
"Não afeta, não tem prejuízo, as medidas de saúde educação que foram ampliadas e fortalecidas nesse governo. Não há nenhum prejuízo a esses setores", disse o ministro da Fazenda.
Segundo ele, o governo reforçou essas áreas com R$ 100 bilhões por ano nos últimos anos ao retomar a vinculação dos pisos de saúde e educação à variação da arrecadação do governo em 2023. As verbas para essas áreas haviam sido limitadas pelo teto de gastos do governo Jair Bolsonaro, que chegou a impor perdas de mais de R$ 50 bilhões em seis anos.
"O crescimento é sustentável, controlado, e com garantia de crescimento para honrar com nossos compromissos sociais. É estranho porque, muitos dos compromissos que me pedem, com controle fiscal, com seriedade. O que a gente consegue entregar é esse equilíbrio de crescimento, manutenção dos compromissos, com controle do gasto obrigatório", acrescentou o ministro, sobre o projeto de lei aprovado pelo Legislativo.

Logotipo da H&M é exibido na fachada de uma loja em Estocolmo, na Suécia. REUTERS/Tom Little A varejista sueca H&M anunciou nesta quinta-feira (13) a abertura de quatro novas lojas no Brasil, incluindo duas no Nordeste, inaugurando sua presença na região, um ano após o início das operações no país. As novas unidades no Nordeste serão em shoppings de Recife e Fortaleza e as inaugurações acontecerão ao longo do segundo semestre. "O Nordeste é um mercado importante para nós. O nível de produtividade dos shoppings é acima da média nacional, então é um mercado interessante", disse Joaquim Pereira, presidente-executivo da H&M Brasil, em entrevista à Reuters. "Sabemos também, pelos dados estatísticos dos nossos clientes do nosso canal online, que temos uma forte base de consumidores na região", acrescentou Pereira. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As outras duas novas lojas serão abertas em shoppings da cidade do Rio de Janeiro, onde a empresa já possui um ponto de vendas. Ao fim das inaugurações, a empresa contará com um total de 13 lojas no Brasil, distribuídas por três - Sudeste, Sul e Nordeste - das cinco regiões do país. Brechós ganham espaço com a alta da moda circular Um ano de operação no Brasil A rede europeia abriu sua primeira loja no Brasil há um ano, no Shopping Iguatemi, na cidade de São Paulo. Desde então, a varejista abriu mais cinco lojas no estado, uma no Rio de Janeiro e duas no Rio Grande do Sul. A H&M conta, atualmente, com um centro de distribuição em Extrema, Minas Gerais, com cerca de 24 mil metros quadrados. Como é trabalhar na H&M? Desde a estreia no Brasil, a varejista implementou um cronograma de trabalho de cinco dias com dois dias de descanso para seus funcionários. "Isso é parte do modelo de negócio, assegurar as melhores condições possíveis e os melhores benefícios, para que os colaboradores permaneçam", disse o executivo.

Cybercrime; hacker; crimes digitais; crimes virtuais Kevin Horvart/Unplash Um grupo de hackers conhecido por explorar falhas de segurança em softwares para atacar várias empresas ao mesmo tempo afirmou ter roubado grandes volumes de dados de quase 50 companhias em todo o mundo, incluindo Philips, Shell, Fiserv e General Eletric. A alegação foi publicada no site do próprio grupo. A Philips confirmou que foi alvo do grupo Cl0p e informou que identificou e conteve uma tentativa de invasão a um servidor corporativo ligado a dados internos. Segundo a empresa, o incidente não afetou os ambientes de clientes. A Shell disse que está ciente de um "possível incidente" recente e que trabalha com suas equipes de segurança e especialistas externos para investigar o caso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ataque hacker tira sites de prefeituras do ar Invasão atinge Já a Fiserv afirmou que conhece as alegações dos hackers, mas que, após uma análise completa realizada até o momento, não encontrou evidências de comprometimento de dados de clientes, informações bancárias, transações ou dados pessoais, nem de impacto em seus sistemas. A General Eletric não respondeu aos pedidos de comentário. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente se os hackers realmente roubaram os dados, nem qual seria o volume ou o tipo de informação obtida. O grupo Cl0p também não respondeu aos pedidos de entrevista. Ainda não está claro como os invasores acessaram as empresas Apesar da icnerteza de como as empresas foram hackeadas, a Ransom-ISAC, organização que compartilha informações sobre ameaças cibernéticas, alertou em 22 de julho que o Cl0p estava explorando falhas de segurança nos programas PTC Windchill e FlexPLM, softwares usados por empresas para gerenciar projetos de engenharia e processos de fabricação. A PTC, empresa responsável pelos programas, não comentou o caso. Desde 18 de junho, ela publicou diversos alertas de segurança orientando seus clientes a instalar uma atualização que corrige a vulnerabilidade e informando sobre ataques contra seus produtos. Hacker DC Studio/Freepik Segundo Brandon Parsons, gerente de inteligência de ameaças da Ascent Solutions e autor do alerta da Ransom-ISAC, algumas empresas começaram a receber notificações do Cl0p entre 19 e 20 de julho. Ele afirma que o grupo não costuma escolher vítimas específicas, mas sim explorar uma mesma falha em softwares amplamente utilizados. “Eles não atacam uma empresa específica. Eles encontram uma vulnerabilidade de dia zero e exploram essa falha”, disse Parsons. Uma vulnerabilidade de dia zero é uma falha de segurança desconhecida pelo fabricante do software e que ainda não possui correção disponível, tornando milhares de usuários potenciais alvos de ataques simultâneos.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou, nesta quinta-feira (13), que o emprego formal somou 2,2 milhões de vagas abertas na parcial do primeiro semestre deste ano. O número é 3,6% maior em relação ao valor registrado no fim de 2025 e consta na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Evolução do total de vínculos formais de emprego: 60.691.770 em 31 de dezembro de 2025. 62.891.209 em 30 de junho de 2026. O setor de serviços é o que responde pelo maior número de empregos e também pelo maior salário. A remuneração média dos trabalhadores do setor foi de R$4.999. Na sequência aparacem os setores do comércio, indústria, construção e agropecuária. Os jovens com até 24 anos são os que mais aumentaram a participação nos números. Segundo o MTE, em dezembro de 2026 o grupo representava 12,7% e, em junho deste ano, 13,8%. Agora no g1 Disparidades de gênero e raça A disparidade de gênero se reflete na medida em que mulheres recebem, na médica, 87,9% do salário médio dos homens. Já em relação à raça, trabalhadores pardos e pretos recebem, aproximadamente, 68% da remuneração de trabalhadores brancos. Horas trabalhadas Segundo a RAIS Mensal, 70% dos vínculos com jornada informada têm contratos de 41 a 44 horas semanais, o equivalente a 35,7 milhões de vínculos. O dado não permite identificar quantos estão especificamente na escala 6x1, mas mostra o peso das jornadas mais longas no mercado formal. Durante a apresentação, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a defender a discussão sobre o fim da escala 6x1 e cobrou do Senado a votação da proposta. “Está aí a escala 6x1, que o Senado está sentado em cima, que nós fizemos, de fato, que os senadores e senadoras, o presidente Davi Alcolumbre, libere essa pauta para os senadores e senadoras votarem contra ou a favor, conforme a sua consciência, mas vote. Deixa o debate ocorrer”, afirmou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanhou a apresentação dos dados no Ministério do Trabalho acompanhado dos ministros Luiz Marinho; Wolney Queiroz, da Previdência Social, e Dario Durigan, da Fazenda. Para participar é necessário documento de identificação, carteira de trabalho e cópias do currículo. FUNTRAB

Tarifaço: exportações brasileiras para Estados Unidos registram menor patamar em três anos O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que acusa de ajudarem a China a burlar tarifas de importação. Pequim estaria fazendo isso ao enviar seus produtos para outros países para embalagem e montagem, uma prática conhecida como transbordo comercial (transshipping, em inglês), segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13). A tática teria surtido o efeito de maquiar as importações americanas provenientes da China, que apesar de terem diminuído à primeira vista, seguiriam ameaçando fábricas e empregos nos EUA e gerando perdas anuais bilionárias de arrecadação tributária. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Durante anos, o grande golpe do transbordo comercial permitiu que a China comunista lavasse suas exportações", declarou o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ao apresentar o relatório a jornalistas. Navarro, contudo, destacou que os problemas apontados dizem respeito principalmente a outras nações que facilitam a evasão das tarifas. O presidente Donald Trump conversa com repórteres após chegar a bordo do Air Force One na terça-feira, 11 de agosto de 2026, na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland Mark Schiefelbein O relatório classifica os países em três níveis de ligação com Pequim. O Brasil foi incluído no "nível 2", classificado como "integração econômica significativa", ao lado de países como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. Segundo a Casa Branca, esses países combinam volumes significativos de transbordo comercial com integração mais profunda com cadeias de abastecimento ligadas à China, plataformas de manufatura, sistemas logísticos ou canais regionais de redirecionamento das mercadorias. O Brasil, na qualidade de "importante plataforma regional de produção e logística", atuaria para simular a transformação de produtos para alterar sua origem declarada. UE também foi enquadrada pela Casa Branca Já o "nível 1", que reúne Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, faria o transbordo comercial dos "maiores volumes absolutos", com "risco embutido em fluxos comerciais amplos e legítimos". Especialistas observam há anos desvios nas cadeias de suprimentos envolvendo a China desde o primeiro governo Trump, quando Washington e Pequim travaram uma guerra tarifária em 2018. O governo chinês tem classificado sua relação com os Estados Unidos como uma de "estabilidade estratégica". Ainda assim, suas políticas de apoio às exportações de produtos manufaturados têm desestabilizado os setores automotivo, metalúrgico e eletrônico nos Estados Unidos, na Europa, no Japão e em outras regiões. Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Navarro afirmou que outros países, como a Índia, também podem recorrer ao transbordo comercial para evitar novas tarifas. Segundo ele, os novos acordos comerciais promovidos pelo governo Trump incluirão cláusulas para punir parceiros que adotarem essa prática. Balança comercial americana ainda em déficit apesar de tarifas O governo Trump impôs tarifas elevadas a grande parte do mundo na tentativa de proteger os fabricantes americanos, atingindo aliados e rivais com impostos de importação. Ao mesmo tempo, essas tarifas criaram novas pressões inflacionárias dentro dos Estados Unidos. O relatório apresenta uma série de estimativas sobre a dimensão do transbordo comercial destinado a evitar tarifas. Com base em dados governamentais e do setor privado, calcula-se que entre US$ 34,2 bilhões (R$ 177,5 bilhões) e US$ 303 bilhões (R$ 1,572 trilhões) em mercadorias sejam redirecionados anualmente. Para enfrentar o problema, Navarro afirmou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) começou a utilizar inteligência artificial em um programa piloto para impedir o transbordo comercial. Segundo ele, quando se comprova que um importador falsificou a origem de um produto, as tarifas podem ser aplicadas retroativamente, abrangendo aproximadamente o ano anterior. As tarifas impostas por Trump durante seu segundo mandato enfrentaram uma série de contestações judiciais. Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou algumas delas. Os Estados Unidos continuam importando mais do que exportam para o restante do mundo. No entanto, o déficit comercial acumulado até agora neste ano, de US$ 371 bilhões (R$ 1,925 trilhão), está cerca de US$ 189 bilhões (R$ 980,9 bilhões) abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Governadora do Distrito Federal, Celina Leão, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF Terminou sem avanços concretos a nova reunião de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), mediada pelo ministro Luiz Fux nesta quinta-feira (13), para tentar destravar um empréstimo bilionário e salvar o balanço patrimonial do Banco de Brasília (BRB). No encontro, representantes do governo do DF, do BRB e de órgãos federais concordaram em manter a mesa de conciliação e seguir negociando o crédito. Não houve mudanças efetivas no status do acordo, que segue travado há três meses. Durante a reunião, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, voltaram a trocar declarações fortes sobre o não cumprimento do acordo homologado em maio. Ao pedir o novo encontro, Celina Leão acusou os órgãos federais de "inércia" no tratamento do tema – o que gerou reclamações públicas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Governadora do DF, Celina Leão fala após reunião de conciliação no STF sobre BRB Nesta quinta, Celina foi a primeira a falar na reunião. E voltou a cobrar os órgãos federais. "Eu não estou vindo pedir uma decisão judicial, eu tenho uma decisão judicial. Venho pedir o cumprimento das partes. O que a gente tem é uma série de exigências, até sobre Centrad, ministro, que não tem nada a ver com a história do BRB", declarou Celina. ➡️O Centrad citado por Celina Leão é o Centro Administrativo do DF – complexo construído para receber órgãos públicos e pivô de uma polêmica entre o governo distrital e a Caixa. Em seguida, Dario Durigan assumiu o microfone – e repetiu a posição de que o governo federal não criou o problema e está empenhada em ajudar. "A União não tem nada a ver com essa história. É um problema gerado pelo governo do DF com o BRB, que tem que ser tratado pelos responsáveis. A União foi trazida para esse debate e, com muita boa vontade, apresentamos soluções para além de ficar criando dificuldade", rebateu. "Não cabe a ninguém sugerir, muito menos ao FGC, a qualquer banco, que a solução é o aval da União, porque o aval da União todo mundo quer. Os agricultores querem aval da União para negociar sua dívida. Então, é o aval da União que resolve tudo no país? Essa é a concepção errada. Achar que nós temos que socializar os problemas, socializar a responsabilidade com a sociedade brasileira como um todo, isso não é correto", seguiu Durigan. O governo do DF tem pressa em conseguir o dinheiro. Entre outros motivos, porque o BRB não divulga seus balanços periódicos há um ano e vem sendo multado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência de conciliação no STF sobre o empréstimo do BRB Gustavo Moreno/STF 'Nunca questionei boa vontade', diz Celina Ao fim da reunião, já com a conciliação mantida, Celina Leão afirmou que nunca questionou a "boa vontade" das partes envolvidas no acordo. "[...] Nunca questionando se as pessoas estavam com boa vontade. Nunca foi questionado isso. Eu acho que é esse aqui o ambiente adequado. Eu judicializei para ter a decisão judicial. Nós temos uma primeira decisão judicial que foi conciliada, e que há algumas dificuldades do cumprimento da decisão", afirmou. "Foi para isso que fizemos a audiência, para ele [Fux] entender quais são as dificuldades. E eu acho que todos os entes, tanto o governo do Distrito Federal como o governo federal, estão prontos para cumprir, 100%, o acordo que foi feito no primeiro momento. Então assim, é com muita tranquilidade", seguiu. "Ninguém quer aqui sair derrotado ou derrotar ninguém. Eu acho que a população de Brasília merece todo aqui o nosso empenho. [...] Nós vamos finalizar o acordo, eu acho que há um entendimento, não há uma vontade diferente. Eu acho que a vontade nossa é a mesma vontade do mundo", completou. Embate BRB x FGC A reunião também gerou embates entre o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, e o presidente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Daniel Lima. O representante do BRB fez críticas após o FGC afirmar que precisaria de "complementos jurídicos" para a viabilização do empréstimo. Na reunião, Lima voltou a exigir o balanço patrimonial de 2025 e de parte de 2026. "O FGC não faz operação de crédito, o que o FGC faz é operação de assistência. E, para fazer uma operação de assistência, é fundamental conhecer muito bem o banco. E a equipe do BRB sabia disso", declarou. Lima afirmou ainda que o Fundo está preocupado que "o problema aumente". "Aqui a gente não consegue descartar a possibilidade que ,ao invés de resolver o problema, a gente estaria participando de um aumento [do problema]", concluiu. Souza rebateu as acusações e mostoru um aparelho de HD externo portátil para alegar que os documentos necessários foram enviados. "Causou estranheza o desconhecimento do presidente do FGC, quando nós temos um HD que nós subimos mais de 20 mil páginas para o FGC dia 24 de março, onde nós levamos toda a documentação", declarou o presidente do BRB. A fala foi interrompida pelo ministro Luiz Fux, que pediu calma ao representante do banco. "Nós estamos aqui para trazer mensagens positivas, então vamos evitar qualquer tipo de confronto, porque isto é uma audiência de mediação, não é? Não há espaço senão para ouvi-los sobre a solução. Porque, se não chegar a uma solução, evidentemente que a resposta será judicial e tudo será levado em conta", disse o magistrado. O que gerou a crise do BRB? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel O que prevê o acordo em vigor? O acordo chancelado pelo STF e pela Câmara Legislativa do DF autoriza o governo Celina Leão (PP) a pegar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Pelo acordo, os maiores bancos públicos e privados do país entrariam na operação como avalistas. O governo federal não dá garantia à operação, já que o DF não tem boa nota em Capacidade de Pagamento (Capag) – ou seja, está sem o "selo de bom pagador" necessário. Se houver calote, o "consórcio" de bancos pode receber parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que o governo federal repassaria ao Distrito Federal. O governo do DF se comprometeu, no acordo, a adotar medidas de ajuste fiscal para evitar que o empréstimo deteriorasse ainda mais a capacidade de pagamento de dívidas da capital. Maio: União e governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB A modelagem do empréstimo não ficou descrita no acordo homologado pelo STF. Algumas informações sobre a proposta foram divulgadas pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em audiência no Senado. Segundo ele, a proposta na mesa prevê: valor: R$ 6,6 bilhões em parcela única carência: 18 meses (ou seja, primeira parcela da quitação ficaria para 2028) juros: IPCA + 4,5% ao ano quitação: 180 parcelas mensais (15 anos) "Nessas condições, a primeira prestação seria para pagar a partir de 2028, na faixa de R$ 95,6 milhões por mês", estimou Nelson Souza no Senado. Deputados de oposição ao governo Celina Leão estimam que, nessa modelagem, os juros do empréstimo podem gerar um custo adicional de mais de R$ 1 bilhão ao ano aos cofres da capital. Por que o acordo não avançou? Desde a última reunião da mesa de conciliação, quando o acordo foi anunciado, pouco avançou na concessão dos R$ 6,6 bilhões. As negociações são mantidas em sigilo, como é praxe no mercado financeiro. O que se sabe, até aqui, é que o grupo de bancos tem resistido à ideia de se colocar como "avalista" de um banco como o BRB – que não divulga seu balanço há mais de um ano. Há o temor, por exemplo, de que os R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes para tirar o banco das condições adversas. Se isso acontecer, o empréstimo seria infrutífero, e o Banco de Brasília e o governo do DF seguiriam com dificuldades para resolver a crise. Nesse cenário, o BRB não conseguiria sequer ajudar o governo do DF a saldar a dívida, nos próximos anos. Como acionista majoritário, o DF recebe a maior parte da distribuição dos dividendos do banco. Há ainda um outro "medo": de que o uso do FPE e do FPM como "contragarantias" para os bancos seja contestado na Justiça. Isso, porque os fundos são usados para custear serviços públicos essenciais no Distrito Federal – e um eventual "confisco" pode prejudicar a assistência à população. Nesta semana, após ser convocado para a nova rodada de conciliação, o Fundo Garantidor de Créditos disse ao STF que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar o empréstimo. O FGC cobra os balanços de 2025 e 2026 do BRB – justamente, para saber se os R$ 6,6 bilhões seriam capazes de sanear o patrimônio do banco distrital. Em entrevista à TV Globo no dia seguinte, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou esse pedido. Segundo ele, o empréstimo será tomado pelo governo e, por isso, o FGC não precisaria medir a saúde financeira do BRB. GDF deve apresentar novas propostas para tentar destravar empréstimo de R$ 6,6 bi para BRB O que acontece com o BRB sem o empréstimo? Até o momento, todas as partes envolvidas no acordo evitam dar uma resposta taxativa sobre o futuro do BRB sem o acordo. No último domingo, ao ser cobrada por candidatos ao governo do DF sobre a divulgação dos balanços do BRB, a governadora Celina Leão deu uma resposta taxativa (e reveladora) sobre a situação do banco. "O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado", disparou Celina. 'Balanço não pode ser publicado antes do empréstimo', diz Celina sobre BRB A frase explicita o que já era dado como certo pelo mercado financeiro: o BRB vem operando abaixo dos limites prudenciais mínimos estabelecidos pelo Banco Central para o sistema bancário brasileiro. ➡️Essas normas, conhecidas no setor como "Acordos de Basileia", definem que os bancos comerciais devem ter um patrimônio minimamente sólido para funcionar como um "colchão" contra choques econômicos. ➡️Isso significa, por exemplo, que os bancos não podem multiplicar seus empréstimos indefinidamente, colocar todo o capital de acionistas no altíssimo risco ou transformar todo o dinheiro depositado em capital de giro. ➡️Se o BRB admitir nos relatórios que está desrespeitando esses limites, pode ser obrigado a interromper as operações. ➡️A ideia do BRB e do governo do DF é injetar os R$ 6,6 bilhões no banco e, só então, divulgar todos os relatórios. Na prática: dizer que o banco vinha operando fora das regras, mas já terá voltado à normalidade graças ao empréstimo. DF e União fecham acordo para viabilizar empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar BRB Jornal Nacional/ Reprodução Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Instagram muda sua identidade visual pela primeira vez em 10 anos Divulgação/Instagram O Instagram anunciou nesta quinta-feira (13) uma renovação de sua identidade visual, que inclui uma nova tipografia, ajustes nas cores, movimentos e outros elementos gráficos. A mudança foi anunciada por Adam Mosseri, diretor do Instagram. Essa é a primeira grande atualização da identidade visual da plataforma em 10 anos. A última grande mudança ocorreu em 2016, quando o aplicativo abandonou o visual retrô e adotou a identidade colorida e minimalista. A nova fonte moderniza a caligrafia do Instagram. Divulgação/Instagram Em publicação oficial, o Instagram afirmou que está “escrevendo um novo capítulo” da plataforma, com uma logotipia renovada e um sistema de marca inspirado no “espírito artesanal” de suas raízes criativas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “Ele [o novo sistema de arte] foi criado para inspirar ações corajosas e dar às pessoas a confiança para criar e se expressar como realmente são, de forma livre e plena”, disse May Hartono, diretora de design de marca da Meta. Initial plugin text "Estamos escrevendo um novo capítulo no Instagram com uma logotipia renovada e um sistema de marca que reflete o espírito artesanal das nossas raízes criativas. Esse trabalho se estendeu a todo o sistema da marca — abrangendo tipografia, movimento, cores e muito mais —, tudo concebido para destacar a criatividade infinita da nossa comunidade", explicou a empresa no post oficial da mudança. O que mudou? Logotipo e ícone: o tradicional símbolo de câmera continua como principal referência, mas ganhou uma construção visual atualizada; Tipografia: a marca passou a utilizar uma nova linguagem tipográfica própria; Cores: a paleta foi ajustada para mudar a identidade; Movimento e animações: a nova identidade incorpora uma linguagem própria para elementos animados; Elementos gráficos: o sistema visual foi desenvolvido para se adaptar a diferentes formatos e experiências dentro da plataforma. Instagram completa 10 anos: conheça a história do aplicativo em 10 fatos Na prática, a nova proposta deixa de lado parte dos elementos mais ornamentados da identidade anterior e aposta em uma linguagem mais contemporânea e limpa. Segundo a plataforma, a renovação busca recuperar o caráter criativo e artesanal de suas origens e, ao mesmo tempo, criar uma identidade capaz de acompanhar a evolução do aplicativo. Initial plugin text O Instagram já mudou de 'cara' Desde o lançamento, em 6 de outubro de 2010, o Instagram passou por diferentes transformações visuais. A plataforma foi criada pelo norte-americano Kevin Systrom e pelo engenheiro de software brasileiro Mike Krieger. No início, o aplicativo tinha uma estética inspirada em câmeras fotográficas antigas, com o famoso ícone de câmera retrô. A mudança mais marcante aconteceu em 2016, quando o Instagram adotou o gradiente colorido e o desenho minimalista que se tornaram sua identidade durante a última década. Última mudança na logo do Instagram. Divulgação/Instagram

Governo prorroga Desenrola até 31 de agosto O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (13) que cerca de 800 mil pessoas foram excluídas de bets por terem aderido ao Desenrola 2.0. Pelas regra do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas, os devedores, e até mesmo adimplentes, que buscarem a revisão de seus débitos com as instituições financeiras não podem realizar apostas online por, pelo menos, seis meses. "Em razão dos números do novo Desenrola, que alcançam mais de 800 mil pessoas com conta ativa nas bets, que aderiram e, com isso, ficam impedidas de apostarem nessas casas de apostas", disse o ministro a jornalistas. Ao todo, segundo ele, ao todo, cinco milhões de pessoas já foram excluídas das apostas online. Veja abaixo: 1,2 milhão de pessoas haviam optado por se autoexcluírem; cerca de 800 mil pessoas saíram por estarem no Desenrola 2.0; 3 milhões de pessoas foram excluídas por estarem em programas sociais, como BCP e Bolsa Família. A exclusão de beneficiários de programas sociais cumpre determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que recursos de programas assistenciais sejam usados em apostas. Autoexclusão voluntária Pelo serviço de autoexclusão, lançado em dezembro do ano passado, qualquer pessoa pode bloquear seu CPF dos sites de apostas online. A autoexclusão centralizada é "reconhecida cientificamente como uma estratégia essencial para reduzir os danos à saúde mental da população com relação às apostas", diz o governo. A autoexclusão pode acessada por meio de cadastro no portal "gov.br" e ser viabilizada por um, três, seis, doze meses, ou por um período indeterminado, no qual o apostador deixará seu CPF indisponível para novos cadastros e recebimento de publicidades. "Uma vez selecionado o prazo, não é possível reverter a escolha durante o período indicado. Há a opção de se autoexcluir do ambiente de apostas por tempo indeterminado (sem prazo). Somente nesse caso, o usuário terá até doze meses para invalidar a decisão", informou o governo. As pessoas também serão convidadas as responder sobre os motivos que as levaram a se autoexcluir: decisão voluntária; dificuldades financeiras; recomendação de profissional de saúde; perda de controle sobre o jogo (saúde mental); ou prevenção de uso dos seus dados em plataformas de apostas Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20) Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo

Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis A Jeep apresentou o Avenger, novo SUV da marca, que começa a ser vendido com preço promocional de R$ 114.990. Com isso, o lançamento é o híbrido mais barato do Brasil. O valor é válido para a versão de entrada Altitude e está limitado às primeiras mil unidades. É possível ainda adicionar um pacote de opcionais com câmera de ré, barras de teto e teto preto. Com esses equipamentos, o Avenger Altitude tem preço especial de R$ 124.990 para as primeiras 2 mil unidades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp As demais versões são Longitude por R$ 135.990 e Limited por R$ 145.990. O g1 já testou a novidade e mostra algumas razões para comprar e outras razões para não comprar a novidade da Jeep. Agora no g1 A primeira razão para comprar o Jeep Avenger está no preço. O modelo, na versão Altitude do primeiro lote de mil unidades, é o híbrido mais barato do Brasil, por R$ 114.990. Se analisarmos o restante das versões e os pacotes de equipamentos até a mais cara, a Limited, o Avenger consegue entregar conteúdos com preços competitivos em relação a concorrentes. Durante a apresentação, a reportagem do g1 perguntou se a executivos da Stellantis se a Jeep teria vendas do Avenger também para grandes empresas, como locadoras. Os executivos da marca disseram que essa estratégia não acontecerá agora, mas não está descartada. O segundo motivo são justamente os pacotes de equipamentos. Desde a versão de entrada, veja mais abaixo, o Avenger oferece um bom pacote de tecnologia comparado com Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic e Fiat Pulse. Mesmo na versão Altitude Pack, o modelo consegue entregar equipamentos interessantes. Há, porém, algumas pegadinhas. Desde a versão de entrada, o carro tem ar-condicionado, mas ele não é automático. Há apenas um mostrador digital. Também, desde a versão de entrada, o cluster de instrumentos é digital, mas a tela é menor e só cresce nas versões mais caras. Cluster de instrumentos do Jeep Avenger na versão Altitude Divulgação / Stellantis O terceiro ponto, e talvez aquele em que a Stellantis mais se apoie para vender o carro, é o design. O modelo tem uma presença forte e usa vários elementos de outros carros da Jeep e tradicionais da marca para transmitir a história da montadora focada no off-road. A grade tem as tradicionais sete fendas. Na versão Limited, ela pode ser iluminada. Os para-lamas têm um recorte marcado para valorizar as rodas de 18 polegadas na versão mais cara. Os apliques pretos marcam a silhueta. A coluna C tem uma assinatura que lembra outros carros da marca, como o Compass. Por dentro, o design é bem sóbrio e funcional. Por isso, o design pode ser um dos quesitos que vai fazer o público comprar o carro. Aliado a isso, o quarto motivo também tem relação com o design: é justamente a personalização que a Jeep vai permitir com o Avenger. Já neste primeiro momento, existe uma parceria com a marca californiana, Deus Ex Machina, e também com a divisão Mopar, que pertence a Stellantis. É esperado, portanto, que o Avenger tenha uma linha de acessórios ampla e que o cliente consiga deixar o carro cada vez mais personalizado, como é comum nos produtos da Jeep. Jeep Avenger na versão Longitude Divulgação / Stellantis O quinto motivo é algo inesperado para um modelo da Jeep, que está sempre ligado ao off-road e à aventura: a tocada, ou seja, o jeito que o Avenger anda. O carro é muito suave, em boa parte por conta da plataforma CMP, que é de carros menores. O DNA do Avenger é ser um carro fácil de conduzir, com direção elétrica leve e suspensão bem acertada, mas bastante focada no uso urbano. Quem entra no Avenger sem saber que é um Jeep pode achar que está conduzindo um hatch grande. Até a posição do banco é feita para não ser muito alta e não transmitir aquela impressão de carro altinho artificial. Para quem gosta de uma tocada suave, portanto, o Avenger é uma boa opção. O sexto motivo para comprar o Avenger é a tecnologia. O carro tem faróis com sistema Matrix, que se adaptam para não ofuscar outros veículos quando o farol alto está acionado. Com isso, ele consegue permanecer com o farol alto sem ofuscar quem vem com outros veículos na mesma mão ou na contramão. O modelo também tem uma assinatura do ChatGPT durante um ano para utilização na cabine, controle automático de velocidade de cruzeiro e controle adaptativo, além de frenagem autônoma. Há ainda um recurso mais comum em carros mais caros: o centralizador de faixa. Nas versões mais baratas, o Avenger tem sistema de alerta de faixa. Na versão mais cara, há também o centralizador, que mantém o carro no centro. Motivos para não comprar O primeiro motivo para não comprar o Jeep Avenger está justamente no desempenho. Desde o começo, toda a comunicação da Stellantis em relação ao modelo foi muito focada no MHEV, a tecnologia de híbrido leve já conhecida na marca e utilizada, por exemplo, no Fiat Pulse. O destaque desde o lançamento dessa tecnologia foi a leve economia de consumo e também alguns privilégios, como a possibilidade de não participar do rodízio na cidade de São Paulo. Mas, olhando a ficha técnica, não dá para negar que os 116 cavalos não são muito empolgantes. Portanto, se você olhar para o Jeep Avenger e enxergar toda essa aparência esportiva, é preciso entender que isso não se reflete no desempenho do carro. Conjunto mecânico do Jeep Avenger MHEV tem motor 1.0 Turbo e gera 116 cv Divulgação / Stellantis O segundo motivo tem muito a ver com o próprio DNA da Jeep. O Avenger, por enquanto no Brasil, não tem nenhuma opção 4x4. O modelo tem uma opção de bloqueio do diferencial. Nesse sistema, um dos freios no eixo dianteiro é usado para frear uma das rodas e transmitir a maior parte da força do motor para outra roda. Isso ajuda a sair de uma situação em que uma roda não está em contato com o chão ou quando uma das partes do piso está mais escorregadia. Porém, durante o lançamento, a reportagem do g1 sentiu claramente que a vocação do modelo é para a cidade. Além disso, os pneus não são off-road nem de uso misto. Portanto, o DNA da Jeep no Avenger é visual. Ele não está no sistema 4x4 nem no desempenho. O terceiro motivo que pode decepcionar os clientes é ouvir sempre a palavra "híbrido" quando se fala do Avenger. A questão é que esse híbrido leve não é parecido com o que alguns clientes já estão vendo em marcas chinesas, com baterias um pouco maiores, possibilidade de condução em modo elétrico e números de consumo mais interessantes. Aqui, segundo a Stellantis, a tecnologia proporciona economia de até 7% em relação ao carro convencional. E, olhando os números de consumo, eles não são tão impressionantes quando se considera que o motor é um 1.0 turbo. Espaço traseiro do Jeep Avenger Divulgação / Stellantis O quarto motivo, e esse talvez pegue muita gente de surpresa, é entender que o Avenger é um carro de dimensões pequenas. Na apresentação, a Stellantis destacou que o público do carro seriam pessoas que compram o primeiro veículo, casais sem filhos, famílias pequenas, com apenas uma criança, e os chamados casais de "ninho vazio", que já não têm filhos em casa porque eles cresceram. Quando se entra no carro e se colocam os bancos na posição correta, o espaço traseiro é acanhado e lembra o de um hatch. O espaço dianteiro é interessante, com a posição de dirigir, como já foi comentado, mais próxima à de um hatch do que à de um SUV. O porta-malas tem 320 litros, capacidade que também se aproxima do que é encontrado em hatches. Portanto, não é de se esperar que o Avenger seja um carro grande. As medidas podem ser algo que não encante algumas pessoas quando elas virem o carro ao vivo. Outro motivo, o quinto, para não comprar o Jeep Avenger é justamente a relação entre a lista de tecnologias e as versões disponíveis. O modelo tem uma lista extensa de tecnologias e itens exclusivos na categoria, mas, do jeito que o carro está posicionado no configurador, muitas dessas tecnologias estão disponíveis apenas na versão topo de linha, a Limited. Faróis com tecnologia Matrix do Jeep Avenger Divulgação / Stellantis Assim, ao ver o preço de menos de R$ 120 mil, alguns clientes podem se frustrar ao perceber que muitas das novidades estão somente na versão que custa mais de R$ 140 mil. O carro entra, nesse caso, em outra faixa de concorrência com outros modelos. Isso, combinado com o motor pequeno e as medidas menores da cabine, pode tornar a decisão mais difícil. O último quesito que pode fazer algumas pessoas não comprarem o Jeep Avenger está nas versões mais baratas. O cluster de instrumentos é pequeno e, embora a central multimídia tenha 10 polegadas, a tela é um retângulo comprido. A escolha de grafismos feita pela Jeep para o cluster e para a central multimídia poderia ser mais refinada. Durante o test drive, a central multimídia se mostrou intuitiva, mas a tela parece pequena em comparação com o que outros concorrentes oferecem atualmente, especialmente em relação a formatos mais retangulares. O cluster tem um grafismo diferente dos outros carros, o que é interessante, mas, na hora de ser funcional, pareceu um pouco confuso e não foi intuitivo de primeira. É um ponto que a Jeep e a Stellantis podem melhorar no futuro. Vendas já começaram O modelo já entra em pré-venda e começa a ser entregue aos clientes ainda em agosto. Veja abaixo os equipamentos de série e preços dos opcionais. O Jeep Avenger utiliza a plataforma CMP, arquitetura da Stellantis empregada em modelos de outras marcas do grupo, como Peugeot. O modelo havia sido confirmado pela Jeep no ano passado, durante o Salão do Automóvel. Uma das principais estratégias da Jeep é oferecer uma boa lista de equipamentos para disputar espaço com modelos chineses e outros SUVs do segmento. O Avenger é equipado com motor 1.0 turbo associado a um sistema híbrido leve, o MHEV 12V, a potência é de 116 cv com etanol ou gasolina. O conjunto é ligado a uma transmissão automática CVT com sete marchas simuladas. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 10,3 segundos com etanol e 10,7 segundos com gasolina. A velocidade máxima é de 185 km/h. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Ficha técnica - Jeep Avenger Limited Assentos: 5 Comprimento: 4,08 m Largura: 1,77 m (sem retrovisor) Altura: 1,58 m Entre-eixos: 2,55 m. Porta-malas: 320 litros (VDA) Peso: 1.280 kg Rodas: 18 polegadas Pneus: 215/55 R18 Suspensão dianteira: Independente, McPherson com barra estabilizadora Suspensão traseira: Eixo de torção Freios dianteiros: Disco ventilado Freios traseiros: Disco sólido Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 3 cilindros em linha 1.0 Turbo MHEV Combustível: Gasolina / Etanol Potência (E/G): 116 cv (Etanol) / 116 cv (Gasolina) Torque (E/G): 20,4 kgfm (Etanol) / 20,4 kgfm (Gasolina) Câmbio: Automático, CVT Marchas: 7 marchas simuladas Tração: Dianteira Consumo urbano gasolina: 12,7 km/l Consumo rodoviário gasolina: 13,5 km/l Consumo urbano etanol: 8,8 km/l Consumo rodoviário etanol: 9,4 km/l Tanque de combustível: 47 litros Capacidade de carga: 400 kg Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Design forte Apesar do design com para-lamas marcantes e cara robusta, o Avenger tem medidas que lembram bastante as do Fiat Pulse. A Jeep destaca que, mesmo sem opção de tração 4x4, o SUV tem bons ângulos de entrada e saída e boa altura livre do solo. Segundo a marca, essas características tornam o modelo mais adequado para deslocamentos leves fora de estrada. O visual traz elementos que remetem à história da Jeep. A dianteira tem a tradicional grade com sete elementos. Os vincos nos para-lamas fazem referência aos primeiros modelos da marca. As lanternas traseiras têm formato de X, em uma referência aos tonéis retangulares usados para transportar combustível na parte traseira dos jipes durante os combates. Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis Na cabine, o Avenger aposta em linhas mais sóbrias e horizontais para criar sensação de maior amplitude. O quadro de instrumentos tem tela de 7 polegadas de série e 10,25 polegadas nas versão mais caras. A central multimídia também é de série e tem 10 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Durante a apresentação, a Jeep destacou o DNA da marca, apesar de o Avenger não ter tração 4x4 e utilizar plataforma e conjunto mecânico compartilhados com modelos de Fiat, Peugeot e Citroën. Maçanetas e retrovisores, por exemplo, são componentes usados em modelos da Peugeot. Segundo Breno Kamei, vice-presidente de marcas e marketing da Stellantis América do Sul, a Jeep considera que a história e o DNA da marca continuam sendo fatores importantes na decisão de compra dos consumidores. A estratégia é usar essa identidade para disputar mercado com modelos como Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic e SUVs chineses de preços próximos. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Durante a apresentação, Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, afirmou que a fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, já deve operar com 2 turnos na produção do Avenger e poderia abrir um terceiro. O modelo já tem exportação confirmada para Uruguai, Argentina e Paraguai. Segundo ele, o objetivo é disputar a liderança do segmento, que tem o Volkswagen T-Cross entre os principais modelos Veja abaixo o que cada versão do Jeep Avenger oferece e os respectivos preços. Jeep Avenger Altitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Altitude — R$ 114.990 (preço promocional limitado às primeiras 1.000 unidades) Design Rodas de liga leve 6,5 x 16" + pneus 215/65 R16; Bancos revestidos em tecido; Console central com apoio de braço, porta-copos removível, porta-celular e porta-objetos; Lanternas escurecidas em LED; Maçanetas e retrovisores externos na cor preta. Tecnologia e conforto Faróis em LED + Automatic High Beam; Ar-condicionado; Cluster de 7" full digital Multimídia 10"; 1 entrada USB e 1 USB-C; Freio de estacionamento elétrico; Partida do motor sem chave; Seletor de terrenos (Selec-Terrain); Sensor de chuva; Sensor de estacionamento traseiro; Volante multifuncional; Hill Descent Control (assistente de descida de rampa). Segurança 6 airbags: 2 laterais, 2 de cortina e 2 frontais; Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - câmera; Aviso de saída de faixa e assistente de permanência de faixa (LDW/LKA); Controle de estabilidade (ESC); Detector de fadiga do motorista; Controle automático de velocidade de cruzeiro; Reconhecimento de placas de trânsito (TSR). Opcional Pacote High Altitude com (preço do carro sobe para R$ 124.990): Barras de teto Câmera de ré Jeep Avenger Longitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Longitude — R$ 135.990 Tudo da versão Altitude + Design Rodas de liga leve 6,5 x 17" + pneus 215/60 R17; Bancos revestidos em tecido e vinil; Barras longitudinais no teto; Maçanetas na cor do veículo; Retrovisores em black piano; Volante multifuncional em couro e acabamento black piano. Tecnologia e conforto Ar-condicionado digital automático; Faróis de neblina com função de iluminação em curva; Walk away lock (veículo trava quando a chave se afasta); Keyless + Entry N'go (veículo destrava com aproximação da chave); Câmera de ré; Carregador de celular sem fio; Aletas para trocas de marcha atrás do volante. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC); Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - radar + câmera. Opcionais Pacote Convenience Pack com: Entradas USB e USB-C traseiras; Retrovisor Frameless (sem moldura) Espelhos rebatíveis; Detector de ponto cego (Blind Spot Detection); Sensores de estacionamento frontais, traseiros e laterais. Pacote com Teto solar + Jeep Adventure Intelligence Teto solar; Cluster Full Digital 10,25"; Jeep Connect + ChatGPT embarcada. Jeep Avenger Limited Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Limited — R$ 145.990 Tudo da versão Longitude + Design Grade de sete fendas iluminada; Rodas de liga leve 18" + pneus 215/55 R18; Bancos revestidos em vinil; Teto preto; Espelho retrovisor Frameless + eletrocrômico; Ambient Light - 8 cores; Iluminação interna em LED; Retrovisores em Black Piano. Tecnologia e conforto Farol LED Matrix; Jeep Connect + ChatGPT embarcada; Câmera 360°; Retrovisores externos com rebatimento automático; Cluster full digital 10,25"; Sensor de estacionamento frontal; Navegação embarcada; Porta USB para passageiros traseiros. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC) + centralizador de faixa; Sistema de monitoramento de ponto cego. Opcional Teto solar

Canetas emagrecedoras exigem mudança de hábitos e acompanhamento O número de pedidos online de medicamentos associados ao GLP-1, as famosas "canetas emagrecedoras" utilizadas no tratamento do diabetes e sobrepeso, cresceu 149,3% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O aumento representa um salto de 2,5 vezes. Foram 1.364.354 solicitações entre janeiro e junho, ante 547.249 nos seis primeiros meses do ano passado. Os dados são de um levantamento da Serasa Experian e o valor total desses pedidos alcançou R$ 2,348 bilhões. O estudo contempla medicamentos injetáveis e outras formas farmacêuticas do princípio ativo. O crescimento reforça a expansão desse mercado no ambiente digital, mas também chama a atenção para a necessidade de proteção das transações. Em 2026, foram identificadas 3.966 tentativas de fraude, que envolveram R$ 7,86 milhões. Número de pedidos de canetas emagrecedoras no 1º semestre de 2026. Serasa Experian “O pico de novembro coincidiu com a Black Friday, período marcado pela intensificação das campanhas promocionais no comércio eletrônico, e ainda com a antecipação das festas de fim de ano e férias de verão, que ocorrem entre dezembro e janeiro”, analisa Rodrigo Sanchez, diretor de autenticação e prevenção à fraude na Serasa. Canetas emagrecedoras podem criar um novo tipo de dieta ioiô Adobe Stock Millenials e Geração X concentram demanda Os Millennials (Geração Y) foram responsáveis pelo maior número de pedidos do semestre (436.589 solicitações), seguidos da Geração X, que apareceu muito próxima, com 424.673. Juntas, as duas gerações concentraram 63,1% de todos os pedidos do período. Na comparação anual, os Baby Boomers apresentaram o crescimento mais acelerado de pedidos, com alta de 273,7% em comparação ao primeiro semestre de 2025, chegando a 164.687 solicitações. A Geração Alpha, por sua vez, esteve associada a mais de 20,5 mil pedidos e uma movimentação de R$ 36 milhões no primeiro semestre. Esse recorte indica pedidos vinculados a CPFs classificados nessa geração e não significa, necessariamente, que crianças ou adolescentes tenham realizado diretamente as compras. Assim como os millenials, eles geralmente têm escolhido postergar o casamento - mas por razões diferentes Getty Images Em uma análise por faixa etária, a menor variação ocorreu entre pessoas de até 25 anos, ainda assim expressiva, com alta de 84,14%. Com o crescimento da faixa etária, cresce também a variação dos pedidos, chegando ao aumento de quase 300% da população de 71 a 90 anos, em relação ao primeiro semestre de 2025. Entre os brasileiros com mais de 90 anos, faixa etária mais velha analisada, o aumento também foi relevante, de 134,45%. Confira abaixo o gráfico e a tabela com os dados detalhados por geração e faixa etária: A compra de canetas emagrecedoras por geração Cuidados para consumidores: Realizar compras somente em sites, aplicativos e estabelecimentos oficiais, conferindo o endereço eletrônico antes de inserir dados pessoais ou de pagamento; Evitar links recebidos por redes sociais, anúncios ou aplicativos de mensagem, especialmente quando direcionarem para páginas desconhecidas; Desconfiar de ofertas com preços muito inferiores aos praticados no mercado; Comprar medicamentos associados ao GLP-1 apenas mediante prescrição médica, com retenção da receita pela farmácia ou drogaria; Utilizar esses medicamentos somente de acordo com as indicações aprovadas e sob acompanhamento de um profissional habilitado; Nunca compartilhar senhas, códigos de autenticação ou dados completos de cartão fora dos ambientes oficiais; Desconfiar de páginas que se passam por órgãos públicos ou empresas conhecidas. Em maio de 2025, a Anvisa alertou sobre anúncios falsos que utilizavam indevidamente o nome da Agência para oferecer Mounjaro.

Vitória e Internacional avançam às quartas da Copa do Brasil Um trator agrícola avaliado em R$ 80.488 foi oferecido pelo Internacional, time de futebol do Rio Grande do Sul, como garantia em uma disputa judicial por uma dívida de R$ 30.621,56. O equipamento, fabricado pela John Deere, foi apresentado pelo clube à Justiça do RS em um processo movido pelo empresário Tiago Silva dos Santos. O g1 teve acesso ao processo. Como o trator entrou no processo O Internacional apresentou o trator como garantia processual depois de ser cobrado judicialmente pelo pagamento de uma comissão ao empresário. Em 25 de maio de 2026, o juiz Walter José Girotto, da 17ª Vara Cível de Porto Alegre, deu três dias para o clube efetuar o pagamento da dívida. Em 13 de julho, o Internacional apresentou embargos à execução. Na defesa, o clube argumentou que o pagamento da parcela em aberto dependia da emissão de uma nota fiscal pela empresa de Tiago Silva, o que, segundo o clube, não teria ocorrido. Imagem ilustrativa de um trator John Deere Divulgação Como garantia para evitar bloqueios bancários e penhoras, o Internacional ofereceu o trator agrícola da John Deere, avaliado em R$ 80.488, e pediu efeito suspensivo ao processo O pedido foi negado pelo magistrado em 21 de julho. A decisão sobre a garantia ficou para depois da manifestação do credor. Empresário recusou a máquina Na última terça-feira, Tiago Silva dos Santos recusou o trator e pediu a continuidade da execução. O empresário argumentou que o dinheiro tem prioridade na ordem de penhora, conforme o artigo 835 do Código de Processo Civil. Ele também afirmou ter enviado ao Internacional a nota fiscal que, segundo o clube, seria necessária para o pagamento da parcela. O empresário pediu ainda que o clube fosse punido por litigância de má-fé. De onde vem a dívida A cobrança tem origem em um termo de pagamento de comissão firmado entre o empresário e o Internacional em 1º de abril de 2019, no valor de R$ 125 mil, dividido em dez parcelas de R$ 12,5 mil. O pagamento estava condicionado ao cumprimento de metas esportivas pelo jogador Zé Gabriel. Segundo o empresário, as metas foram atingidas em 25 de julho de 2020, ativando a cláusula de pagamento. O agente afirma que o clube quitou apenas as quatro primeiras parcelas. Em 30 de junho de 2025, as partes firmaram um termo de renegociação, assinado pelo presidente Alessandro Barcellos. O acordo deixou a dívida remanescente em R$ 85 mil, divididos em três parcelas de aproximadamente R$ 28,3 mil. Segundo o empresário, o Internacional pagou as duas primeiras e deixou em aberto a última, vencida em 30 de novembro de 2025. Após duas tentativas de cobrança por e-mail, o empresário acionou a Justiça. O valor da parcela, corrigido pelo IGP-M e com juros de 12% ao ano até 20 de maio de 2026, chegou a R$ 30.621,56. O que diz o Internacional Na defesa, o clube afirmou que o pagamento da terceira parcela dependia da emissão de nota fiscal pela empresa de Tiago Silva. Segundo o Internacional, a nota não teria sido emitida para essa parcela, o que teria descumprido uma obrigação prevista no acordo. O clube apresentou os embargos à execução e ofereceu o trator agrícola como garantia no processo. A disputa segue na Justiça do Rio Grande do Sul. *Procurado pelo g1, o Internacional ainda não se pronunciou.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13), em votação simbólica, um projeto para regulamentar programas de fidelidade, milhas e pontos. Um dos principais objetivos da proposta é criar regras para a conversão de milhas em dinheiro, além de sua comercialização. O texto foi apresentado em junho e foi analisado diretamente no plenário após aprovação de requerimento de urgência. Agora, segue para a análise do Senado. O autor do projeto, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), afirmou que a exigência de mecanismos que garantem liquidez efetiva das milhas pelas companhias e estabelecem regras sobre sua comercialização dão maior clareza às relações econômicas envolvendo programas de fidelidade. Agora no g1 “Entendemos que, com a definição desses parâmetros, a iniciativa busca conferir maior segurança jurídica às relações econômicas desenvolvidas em um setor já consolidado nas atividades de comércio e serviços”, afirmou Ayres. O texto aprovado pela Câmara institui dois tipos de programas de fidelidade no país: os com liquidez oficial, ou seja, com a possibilidade de conversão de pontos ou milhas em dinheiro; e os sem liquidez, que deverão permitir que os clientes comercializem seus pontos fora do programa de fidelidade sem restrições. Ainda segundo o projeto, programas de fidelidade que vendem pontos para seus clientes, seja de forma direta ou por meio de parceiros, serão obrigados a oferecer a conversão em dinheiro. Para esses programas, as empresas poderão criar regras internas próprias para a conversão em dinheiro e para a transferência ou comercialização. RELEMBRE: Milhas podem ser usadas para pagamentos de dívidas, define Justiça do Paraná; entenda como funciona O governo orientou voto contrário à proposta. O vice-líder do governo, Airton Faleiro (PT-PA), afirmou que o Executivo tem preocupações com a liquidez de empresas do setor. “É bom que se diga que o governo não construiu até então um parecer favorável a esse projeto com uma profunda preocupação com a liquidez das empresas e inclusive tem sido procurado por esse setor”, afirmou. Avião A350-900 Divulgação/Airbus Comercialização de milhas A venda de pontos ou milhas passaria a ser legal e regulamentada por lei. Com isso, as empresas ficariam proibidas de suspender ou encerrar contas pela venda de milhas. As empresas também não poderiam limitar benefícios ou resgates para os clientes que comercializem seus pontos. Medidas de combate à fraude, no entanto, poderão ser adotadas pelas empresas de forma independente nos casos em que a administradora permite a conversão dos pontos e milhas em dinheiro.

Inteligência artificial impulsiona produtividade nas empresas A adoção de inteligência artificial (IA) pode adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2027 e 2030, segundo estudo do Reglab comissionado pela OpenAI, a dona do ChatGPT. O valor, calculado em termos presentes com desconto pela taxa Selic de 13% ao ano, equivale a cerca de 7,6% do PIB estimado para 2026, de R$ 12,9 trilhões. O levantamento estima que a IA pode gerar um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, com uma expansão média de 0,69 ponto porcentual ao ano na economia decorrente da tecnologia. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images O estudo ressalta, porém, que os ganhos não devem aparecer de uma só vez, mas gradualmente, conforme empresas, trabalhadores e governos adotem as novas ferramentas. O estudo foi encomendado pela OpenAI e estima o impacto da IA em 12 grandes setores da economia brasileira e separa os efeitos da tecnologia em dois canais: O aumento da produtividade dos trabalhadores; e A maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas. Qual área irá se beneficiar primeiro? As indústrias de transformação, aquelas que convertem matérias-primas e insumos em novos produtos, concentram o maior impacto, com R$ 264,2 bilhões estimados entre 2027 e 2030. Na sequência aparecem outras atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões. Segundo o estudo, 65% do impacto total da IA viria do aumento da produtividade dos trabalhadores, enquanto os 35% restantes seriam resultado da maior eficiência do capital. A proporção, porém, muda significativamente entre os setores. "Na agropecuária, 92% do impacto total é capturado via capital", aponta o estudo. O setor pode acumular R$ 48,2 bilhões em impacto, principalmente pela incorporação de IA a máquinas, equipamentos e infraestrutura produtiva. Novidades tecnológicas, robôs que impressionam o público na maior feira de inteligência artificial do mundo, em Xangai. Reprodução/TV Globo O efeito do trabalho, por outro lado, é predominante em setores com maior concentração de atividades cognitivas. Nas atividades financeiras, por exemplo, 87% do impacto estimado decorre do aumento da produtividade dos trabalhadores, o maior percentual entre os 12 setores analisados. Bancos, seguradoras e gestoras de investimentos podem utilizar IA para revisar documentos, avaliar riscos, classificar sinistros e atender clientes. No setor de informação e comunicação, que inclui desenvolvedores de software, data centers e operadoras de telecomunicações, o impacto estimado é de R$ 49,3 bilhões, sendo 97% relacionado ao fator trabalho. Impacto econômico da IA na produção setorial O que importa é como o setor aplica a IA O estudo destaca que a diferença entre os setores está relacionada à maneira como a IA pode ser incorporada às atividades produtivas. Na agropecuária, por exemplo, apenas 8% do impacto é atribuído ao efeito-trabalhador, porque grande parte das atividades rurais é manual e apresenta menor exposição cognitiva à tecnologia. A pesquisa também diferencia exposição à IA e substituição de trabalhadores. Uma ocupação pode ter muitas tarefas expostas à tecnologia sem que isso signifique que a função inteira será automatizada. No cenário central adotado pelo estudo, de cada 100 tarefas cognitivamente expostas à IA, 23 poderiam passar pelo teste de custo-benefício para automação plena, enquanto as outras 77 entrariam no cálculo como complemento à produtividade humana. "Na prática, as ocupações raramente desaparecem por completo: o que a IA reorganiza é o conjunto de tarefas dentro de cada função", afirma o estudo. A maior parte do trabalho, portanto, continuaria sendo realizada por pessoas, mas com apoio da tecnologia. O levantamento cita como exemplo um assistente administrativo, cujas atividades repetitivas e codificáveis - como classificação de documentos, conciliação de agendas e lançamento de dados — podem ser mais suscetíveis à automação. Já um engenheiro de software pode ter tarefas aceleradas pela IA, como correção de códigos e produção de documentação, enquanto atividades de julgamento, coordenação e definição de projetos continuam dependendo do profissional. O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance O Brasil está em um bom caminho? A incorporação da tecnologia, entretanto, deve ocorrer de maneira gradual. O estudo considera que a difusão da IA no Brasil tende a ser mais lenta que em economias avançadas devido à heterogeneidade entre empresas, ao custo elevado do crédito, às lacunas de qualificação profissional e às limitações de infraestrutura. Pelas projeções, até 2030 já terão sido realizados 66,6% dos ganhos potenciais associados ao aumento da produtividade dos trabalhadores e 62,4% dos ganhos relacionados a máquinas, equipamentos e estruturas mais produtivas. O estudo ressalta que os R$ 986,7 bilhões representam um potencial estimado, e não uma previsão garantida. A materialização dos ganhos dependerá da velocidade de adoção da tecnologia e das condições institucionais, regulatórias e educacionais do país. As medidas apontadas pelos autores que podem ser adotas por empresas são: Requalificação profissional para trabalhadores de atividades com maior potencial de substituição; Expansão da infraestrutura digital no campo; Incentivos à adoção de IA por empresas de menor produtividade; Implementação de um marco regulatório previsível; Políticas de governança e dados abertos; e A utilização da tecnologia nos serviços públicos. "Assim, a materialização desses ganhos dependerá não apenas do avanço tecnológico em si, mas também da capacidade de criar condições institucionais, regulatórias e educacionais que favoreçam sua difusão ampla e produtiva", conclui o estudo.

Azeite Freepik Os incêndios que atingem o sul da Europa neste verão reacenderam o alerta sobre a crise climática na região e voltaram os olhares para a Espanha, maior produtora mundial de azeite de oliva e um dos países afetados. A preocupação é com uma nova crise no preço do produto, o que, até agora, é uma hipótese afastada por associações do setor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Isso porque, apesar de o fogo ter atingido oliveiras em regiões pontuais, as áreas responsáveis pela maior parte do cultivo seguem longe dos focos e a expectativa é de uma safra recorde, o que deve manter os preços do produto estáveis globalmente. Onda de calor agrava incêndios e provoca crise energética na Europa Incêndios preocupam, mas não atingem áreas-chave A Espanha responde por 70% do azeite produzido na União Europeia e 45% do azeite consumido no mundo, segundo o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do país. Por essa razão, há uma preocupação sobre os impactos da crise climática nas plantações, incluindo de oliveiras. Na província de Castellón, por exemplo, um incêndio recente provocou entre 35 milhões e 40 milhões de euros em prejuízos à agricultura local, segundo a associação agrícola Asaja. Para o Conselho Oleícola Internacional (COI), há uma preocupação com os recentes incêndios que atingiram o país. Estrada na Espanha cercada pelas chamas de um incêndio florestal, em 9 de julho de 2026 EMA Infoca No entanto, neste momento, a entidade considera que "ainda é cedo para avaliar o impacto potencial na produção de azeite e de azeitonas" e que "uma avaliação confiável exigirá informações detalhadas das áreas afetadas e só poderá ser realizada quando a extensão dos danos tiver sido verificada pelas autoridades nacionais competentes". O Ministério da Agricultura da Espanha informou que está levantando dados sobre o impacto dos incêndios mais recentes em áreas agrícolas e pecuárias. A pasta ressaltou que as regiões mais atingidas pelos incêndios não são, em geral, grandes produtoras de azeite – com exceção de parte da Sierra de Espadán, também em Castellón, cujo impacto nas exportações é considerado pequeno. Para especialistas, a preocupação central não é o fogo em si nas áreas atingidas, mas os efeitos secundários do clima extremo. A Espanha enfrenta restrições hídricas prolongadas, o que reduz a umidade do solo e pode provocar a queda prematura das azeitonas antes da colheita. Além disso, ondas de calor sucessivas podem comprometer a qualidade dos frutos e elevar os custos de produção, que podem ser repassados ao consumidor final. O COI pondera que a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos "são motivo de preocupação cada vez maior para o setor olivícola". "As mudanças climáticas representam desafios significativos para o cultivo de oliveiras em toda a Bacia do Mediterrâneo, afetando a produção, a disponibilidade de água, a biodiversidade e a resiliência de longo prazo dos sistemas de cultivo de oliveiras", diz a associação internacional em nota à DW. Quase todo o azeite consumido no Brasil vem de outros países. Espanha e Itália são os principais produtores Alessandra Tarantino/AP Uma safra para segurar os preços Ainda assim, o cenário para a próxima colheita é considerado positivo. Segundo sites especializados do setor, as projeções apontam para uma safra histórica para o país. Para o azeitólogo Marcelo Scofano, um dos autores do livro Azeite de oliva: ancestralidade e novo alimento, a expectativa favorável se deve às chuvas abundantes registradas no último inverno europeu, que devolveram aos reservatórios espanhóis um volume de água satisfatório. "No entanto, estamos aguardando esse período porque as ondas de calor, com a frequência que estão vindo, não necessariamente com a intensidade, evaporam aquela água do solo. Mas os reservatórios ainda estão cheios, o que não acontecia já há bastante tempo. Então, a expectativa até o momento é de uma excelente safra, mas é também um momento de espera, observando o clima nas próximas três semanas", explica. O especialista lembra ainda que o setor de olivicultura vem passando por uma transição: sistemas tradicionais de cultivo cedem espaço ao modelo "superintensivo", que usa outra variedade de oliveira e depende de colheita mecanizada. A mudança busca enfrentar a escassez de mão de obra e tornar o uso da água mais eficiente diante dos desafios climáticos. Mecanismo contra queda de preços Diante da perspectiva de excesso de oferta, o Ministério da Agricultura da Espanha abriu uma consulta pública sobre as normas de comercialização do azeite para a safra 2026/2027, que começa em outubro. O período de contribuições vai de 23 de julho a 13 de agosto. Segundo a pasta espanhola, o objetivo das normas é garantir estabilidade no mercado. Entre os mecanismos previstos pela legislação da União Europeia está a possibilidade de retirada de parte da produção do mercado até a próxima campanha em caso de superprodução – uma medida pensada, sobretudo, para evitar quedas bruscas de preço que prejudiquem os produtores. "O mecanismo é mais focado na direção oposta, para evitar uma queda acentuada nos preços, que poderia comprometer a lucratividade dos agricultores no caso de uma colheita extraordinariamente grande", explica a pasta. O ministério destaca, porém, que a existência da regra não significa que ela será aplicada: na safra anterior, mesmo classificada como "muito boa" pela pasta, a produção não ultrapassou o limite de 120% da média das seis temporadas anteriores – patamar que aciona o mecanismo de retirada. Produção de azeite no Brasil representa apenas 1% do consumo total do país. Reprodução/RBS TV O que isso significa para o Brasil O comportamento do mercado espanhol afeta diretamente o Brasil, um dos maiores importadores de azeite do mundo. Entre 2023 e 2024, os consumidores brasileiros sentiram o impacto da seca na Península Ibérica, quando a garrafa de 500 ml chegou a ultrapassar os R$ 50 nas prateleiras. Segundo Scofano, no período, o país teve uma queda recorde na safra. "A Europa e, particularmente, a Península Ibérica, têm sido as regiões do mundo que mais estão sofrendo com as mudanças climáticas, calores extremos, frios extremos e, sobretudo, a ausência de chuva. A Andaluzia vive um processo de desertificação. O que chove no Brasil em um único dia, em regiões como a Mata Atlântica ou até mesmo o pampa gaúcho, chove em um ano na Andaluzia. Há três anos nós tivemos uma grande crise de preços porque foi o auge de uma seca que vinha sendo prolongada já há quase 10 anos." Hoje, o Brasil já conta com produção nacional de azeite, mas ela ainda é pequena: representa apenas 1% do consumo total do país, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Para a entidade, os preços dos produtos nacionais devem se manter estáveis. Para Scofano, ainda não há sinais de prejuízo para a próxima safra nem de alta nos preços. Pelo contrário, a perspectiva é de maior oferta. Mas ele pondera que o setor segue em alerta: mesmo com um inverno chuvoso, os frutos ainda podem ser afetados até a colheita, caso o calor persista ou incêndios atinjam as principais regiões produtoras. "De 2025 para 2026 tivemos invernos muito generosos, onde as chuvas voltaram e retornaram a níveis de mais de 10 anos. Isso fez com que o preço baixasse, e agora estamos na expectativa de que a próxima safra seja ainda mais generosa", resume o azeitólogo. "O que estamos vivendo agora é uma expectativa entre o que está acontecendo no verão e o que aconteceu no inverno passado. A contar com o que está acontecendo até agora, teremos uma excelente safra", finaliza.

Tribunal dos EUA considera ilegais diversas tarifas impostas por Donald Trump O governo dos Estados Unidos começou a devolver bilhões de dólares cobrados em tarifas comerciais a grandes empresas depois que as tarifas impostas por Donald Trump foram consideradas ilegais pela suprema corte americana em fevereiro deste ano. Um levantamento publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal mostra que mais de 40 multinacionais que integram o índice S&P 500 já reportaram cerca de US$ 9,6 bilhões em restituições. * O S&P 500 é um dos principais índices da bolsa de valores dos Estados Unidos e reúne as 500 maiores empresas de capital aberto do país. Ele serve como o termômetro mais importante da saúde econômica do mercado americano. Do montante total já informado pelas companhias, pelo menos US$ 2,1 bilhões já entraram efetivamente no caixa das empresas. O restante inclui reembolsos que foram aceitos pelo governo e registrados nos balanços como valores a receber. 💵 Os US$ 9,6 bilhões informados por multinacionais do S&P 500 representam apenas uma parcela do volume total em jogo no governo americano. Do montante global de US$ 166 bilhões cobrados em tarifas que foram anuladas, cerca de US$ 100 bilhões já foram encaminhados ao Tesouro dos Estados Unidos para a liberação dos pagamentos. Ao todo, a alfândega do país já aceitou mais de 252 mil solicitações de devolução de diversas companhias, o que indica que milhares de outras empresas, para além das gigantes listadas em bolsa, também estão na fila para reaver quantias milionárias (Veja mais detalhes abaixo). Uma das justificativas utilizadas pelo governo dos EUA na primeira rodada de tarifas foi utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional ((IEEPA, na sigla em inglês) para impor taxas a quase todos seus parceiros globais. Entre as medidas aplicadas com base na IEEPA estavam as tarifas “recíprocas” de alcance quase global e outras tarifas relacionadas ao combate ao tráfico de drogas letais nos EUA. No entanto, a Suprema Corte destacou que a IEEPA não menciona explicitamente a criação de tarifas. A lei apenas permite que o presidente “regule a importação” de bens estrangeiros após declarar emergência nacional para enfrentar ameaças consideradas “incomuns e extraordinárias”. Relembre os detalhes da suspensão aqui. ➡️ Vale lembrar que o governo de Donald Trump voltou a aplicar taxas de importação contra uma série de países, incluindo novamente o Brasil. A nova ofensiva comercial do governo americano inclui cobranças na Seção 232, além de uma alíquota adicional de 12,5% sob a alegação de uso de trabalho forçado no ecossistema de exportação brasileira. (Mais detalhes sobre as novas tarifas) Entenda o caminho desde a criação da taxa até a devolução do dinheiro: A engrenagem até a chegada desse dinheiro de volta às empresas funcionou em uma reação em cadeia. Tudo começou quando a administração americana passou a cobrar sobretaxas na alfândega sobre produtos vindos de diversos mercados globais, afetando diretamente a cadeia de exportação brasileira. Na prática, multinacionais dos EUA precisaram pagar esse imposto extra do próprio bolso no momento em que as mercadorias desembarcavam nos Estados Unidos. Na época, para amenizar esse prejuízo e não arcar com a conta sozinhas, as companhias repassaram parte da taxa para os preços cobrados dos consumidores ou pressionaram os custos dos fornecedores na origem. Como essas taxas foram invalidadas pela Justiça, conforme mencionado anteriormente, todo o valor arrecadado pela alfândega se tornou uma cobrança indevida do governo americano. É por isso que as empresas puderam acionar a União para reaver as quantias pagas a mais, dando início ao ciclo de reembolsos bilionários que agora entram no caixa corporativo. Apple e Nike lideram devoluções Entre as companhias com os maiores valores cobrados de volta da alfândega americana, a Apple aparece na liderança isolada, com quase US$ 2,2 bilhões em restituições. Na sequência das maiores devoluções estão a Nike, com US$ 986 milhões; a FedEx, com US$ 800 milhões; a Amazon, com US$ 640 milhões; e a General Motors, com US$ 500 milhões. No caso da Nike, a maior parte do dinheiro já foi recuperada. A empresa informou ter recebido US$ 302 milhões até o fim de maio e praticamente todo o restante do valor de US$ 986 milhões até meados de julho. Governo americano aceitou US$ 128,7 bilhões em pedidos Os US$ 9,6 bilhões informados pelas empresas representam apenas uma fração do volume total que o governo dos Estados Unidos terá de devolver. A U.S. Customs and Border Protection, agência responsável pela alfândega americana, já recebeu mais de 252 mil solicitações de reembolso. Ao todo, o órgão aceitou para processamento US$ 128,7 bilhões em pedidos de restituição de tarifas invalidadas. Apesar do volume bilionário a ser devolvido, o ressarcimento não significa o fim das taxas de importação para as empresas. A fabricante de máquinas Caterpillar, por exemplo, informou ter US$ 392 milhões a receber em restituições, mas prevê pagar US$ 2,2 bilhões em novas tarifas ao longo do ano. Algumas empresas pretendem devolver dinheiro a consumidores Com o retorno dos valores cobrados indevidamente, parte das empresas estuda repassar a devolução aos clientes que arcaram com preços mais altos na época da cobrança das taxas. A FedEx informou que pretende distribuir os US$ 800 milhões recuperados a clientes e transportadoras. A Costco e a IDEX, fabricante de equipamentos industriais, também confirmaram a intenção de repassar parte dos reembolsos aos seus consumidores. Navios porta-contêineres são vistos no porto de Santos. Alexandre Meneghini/ AP Photos Já a Amazon identificou casos em que é possível rastrear o custo das tarifas repassado diretamente aos compradores e planeja contatar esses clientes para devolver o dinheiro assim que receber os reembolsos. Nos demais casos, a empresa afirma que usará os recursos para continuar investindo em preços baixos.

O Congresso Nacional adiou mais uma vez a instalação da comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. Esse é o segundo adiamento. A previsão inicial era que a instalação ocorresse nesta quarta-feira (12), mas acabou adiada para esta quinta (13). E, agora, foi novamente desmarcada. No sistema do Senado, a previsão da nova de instalação é 1º de setembro, às 14h30. Ainda há uma indefinição em torno do nome do deputado que irá presidir o colegiado e o senador que será relator da MP (leia mais abaixo). 'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada A MP foi editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro. Com as novas regras, o ministro da Fazenda passou a ter a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Peças de roupa loja vestuário Uberaba 19-03-2021 Reprodução/TV Integração A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril. Os dois retomaram o diálogo na última semana e a instalação da comissão mista é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. Apesar disso, parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para Câmara e Senado, também pressionavam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar, em maio, uma MP para revogar uma taxa que ele mesmo criou foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. Em ano eleitoral, a medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança. Taxa das blusinhas A decisão do governo pela criação chamada "taxa das blusinhas" enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que argumentavam que a medida resultaria num encarecimento de produtos populares e de baixo valor e na redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico Os críticos da “taxa das blusinhas” também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Por exemplo, turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Em outra frente, empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro.

Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo A Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, negocia a compra da startup de inteligência artificial Decart AI em um negócio que poderia chegar a aproximadamente de US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões), as informações são da agência Bloomberg. A Decart é uma startup de inteligência artificial fundada em Israel que desenvolve tecnologias de infraestrutura para tornar os modelos de IA mais rápidos e eficientes. A empresa também cria seus próprios sistemas de inteligência artificial e tem a gigante Nvidia entre seus investidores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em maio, a Decart levantou US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela Radical Ventures. A Nvidia participou da captação como nova investidora, ao lado de empresas como Adobe, Amazon e Toyota Ventures. Com a rodada, a startup passou a ser avaliada em cerca de US$ 4 bilhões. A possível aquisição ocorre enquanto a Anthropic busca ampliar sua capacidade de processamento para atender ao aumento da demanda pelo Claude e se prepara para uma possível abertura de capital. 'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha Segundo as informações divulgadas pela agência, as negociações ainda estão em estágio inicial. Se o negócio for concluído, a equipe da Decart deverá ser incorporada à área da Anthropic responsável por melhorar o desempenho e a eficiência dos modelos de inteligência artificial. O chatbot Claude, da Anthropic, está entre os mais populares, rivalizando com o ChatGPT e o Gemini Reuters via BBC Entre os produtos da Decart está o Lucy, modelo capaz de editar vídeos em tempo real. A startup também desenvolveu o Oasis, que cria ambientes virtuais para treinar e testar robôs e sistemas de direção autônoma. Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar A Anthropic vem aumentando os investimentos em infraestrutura para acompanhar a expansão de seus serviços. Na semana passada, a empresa anunciou que está contratando engenheiros especializados em hardware e software para ajudar no desenvolvimento de chips personalizados e de modelos de IA mais rápidos e eficientes. Conheça a Anthropic A Anthropic, criadora do Claude, foi fundada em 2021 por Dario Amodei (atual CEO da companhia) e outros executivos que deixaram a OpenAI defendendo uma abordagem mais cautelosa para o desenvolvimento da IA. O Claude só chegou ao público em março de 2023, cerca de cinco meses após o lançamento do ChatGPT. Mesmo tendo entrado na disputa mais tarde e ainda sendo menos conhecido do grande público, o chatbot ajudou a impulsionar uma virada impressionante da Anthropic. Hoje, ela é a startup de IA mais valiosa do mundo. Avaliada em cerca de US$ 965 bilhões (R$ 4,87 trilhões), a companhia já supera a OpenAI em valor de mercado. No início de junho, a Anthropic protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. Com um valuation próximo de US$ 1 trilhão, a companhia poderá passar a integrar o grupo mais seleto das empresas listadas no mercado americano. Empresa tem modelo de IA mais perigoso do mundo Os modelos do Claude têm se mostrado cada vez mais potentes. "Eles costumam acertar muito nos lançamentos. Dá para perceber um grande cuidado no desenvolvimento dos produtos, que geralmente chegam ao mercado com um desempenho muito competitivo", diz Izabela Anholett. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que os sistemas mais avançados da Anthropic também ampliam os riscos associados à inteligência artificial. No início de 2026, a empresa anunciou o Claude Mythos, considerado por especialistas o modelo de IA mais perigoso do mundo atualmente. O sistema é descrito como extremamente rápido e capaz de encontrar brechas de segurança que passariam despercebidas por humanos. "Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia", afirma Izabela. Segundo ela, o risco está na capacidade do modelo de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas digitais. "O Mythos Preview [versão de teste] já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web", afirmou a Anthropic. "Devido ao seu alto poder e aos riscos que representa para a segurança nacional e geral, ele não foi liberado para o público comum. Em vez disso, a Anthropic criou um consórcio de empresas e agências governamentais com acesso à ferramenta", explica Diogo Cortiz. Entre os integrantes do grupo estão Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla. Cortiz lembra que um exemplo da eficácia do modelo veio de um relatório da Mozilla. Ao utilizar o Mythos para analisar o navegador Firefox, a organização identificou uma grande quantidade de vulnerabilidades e falhas até então desconhecidas. "Como parte de nossa colaboração contínua com a Anthropic, tivemos a oportunidade de usar uma versão inicial do Claude Mythos Preview no Firefox. A versão 150 do navegador, lançada nesta semana, traz correções para 271 vulnerabilidades identificadas durante essa avaliação inicial", disse a Mozilla em um relatório sobre o tema publicado em abril. Para Cortiz, embora o marketing das empresas de IA às vezes possa exagerar as capacidades de seus produtos, casos como esse mostram que a habilidade do Mythos para encontrar brechas de segurança é real — e ajudam a explicar por que seu acesso é tão restrito.

Correios são condenados após morte de trabalhador; entenda o caso Jornal Nacional/ Reprodução A Justiça do Trabalho condenou os Correios a adotar uma série de medidas de saúde e segurança no Centro de Entrega de Encomendas (CEE) de Santo André, no ABC Paulista, após a morte de um trabalhador durante o descarregamento de cargas na unidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão da 1ª Vara do Trabalho de Santo André determina o cumprimento de 16 obrigações relacionadas à prevenção de acidentes e às condições de trabalho, além do pagamento de R$ 200 mil por dano moral coletivo. Também foi fixada multa diária de R$ 15 mil por obrigação descumprida. A sentença é resultado de uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após uma denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP). O processo ainda não terminou. Tanto o MPT quanto os Correios recorreram da decisão, e o caso deverá ser analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O Ministério Público pede o aumento da indenização, enquanto a estatal questiona as obrigações impostas e as condenações financeiras. Acidente ocorreu durante descarregamento O caso que motivou a investigação ocorreu em outubro de 2024. Segundo o processo, um trabalhador utilizava uma paleteira hidráulica para descarregar contêineres de encomendas quando a carga tombou sobre ele em uma rampa inclinada. O empregado sofreu traumatismo craniano e morreu dois dias depois. De acordo com o MPT, as investigações identificaram os seguintes fatores que teriam contribuído para o acidente: ausência de freio no equipamento utilizado; falhas na amarração das cargas; desníveis na área de descarga; falta de proteções laterais adequadas. Durante a apuração, também foram relatados problemas em outras unidades dos Correios, entre eles deficiência de equipamentos para movimentação de cargas, falhas em treinamentos, irregularidades em pisos e plataformas e insuficiência de equipamentos de proteção individual (EPIs). Antes de recorrer à Justiça, o MPT propôs um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para que a empresa adequasse voluntariamente as condições de trabalho. Os Correios não aderiram à proposta e argumentaram que as medidas necessárias já haviam sido adotadas ou estavam em processo de implementação. O que a Justiça determinou? Na sentença, a Justiça apontou falhas na gestão de saúde e segurança do trabalho identificadas em fiscalizações, envolvendo manutenção de equipamentos, treinamentos, identificação de riscos e funcionamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). Entre as medidas determinadas estão: fornecimento de equipamentos adequados para movimentação de cargas; treinamento específico de trabalhadores que operam paleteiras e empilhadeiras; manutenção preventiva e inspeções periódicas dos equipamentos; adequação de pisos, rampas e plataformas; criação de procedimentos de segurança; implementação efetiva do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR); fornecimento contínuo de EPIs e materiais para amarração das cargas; regularização e capacitação da Cipa. A maior parte das obrigações deverá ser cumprida após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recursos. A procuradora do Trabalho Sofia Vilela de Moraes e Silva, responsável pela ação, afirmou que as medidas buscam reduzir os riscos de acidentes e garantir condições seguras e saudáveis aos trabalhadores. Os valores decorrentes da indenização e de eventuais multas deverão ser destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou a entidades indicadas pelo MPT. Em nota enviada ao g1, os Correios informaram que, após o acidente, acionaram os serviços de emergência e prestaram assistência à família do trabalhador. A estatal afirmou ainda que realizou uma apuração para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, incluindo as condições de trabalho relacionadas ao caso, e que segue prestando informações no processo. Veja a íntegra da nota: “Os Correios reiteram que, imediatamente após o acidente que vitimou o empregado, os serviços de emergência foram acionados e o trabalhador foi prontamente encaminhado ao hospital. A empresa também prestou toda a assistência necessária à família. A estatal realizou uma apuração rigorosa para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, incluindo a verificação das condições de trabalho relacionadas ao caso. Os Correios permanecem prestando todas as informações nos autos do processo.” 'Presenteísmo': por que tantos profissionais continuam trabalhando mesmo doentes?

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,25% nesta quinta-feira (13), cotado a R$ 5,1925. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,23%, aos 167.101 pontos. A alta do dólar e a queda da bolsa ocorreram em meio à saída de recursos estrangeiros do mercado brasileiro. Incertezas sobre os juros e o cenário eleitoral também seguem no radar dos investidores. Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, investidores internacionais retiraram R$ 11,93 bilhões nos primeiros sete pregões de agosto, até terça-feira — mesmo dia em que o Ibovespa caiu 2,56%, na maior queda em cinco meses. (entenda mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ No Brasil, o IBGE divulgou uma nova estimativa para a safra de grãos de 2026, de 347,4 milhões de toneladas, levemente acima da produção de 2025. As vendas no varejo também ficaram no radar, com alta de 0,5% em junho, enquanto o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) permanece em nível de pessimismo pelo 19º mês consecutivo. ▶️Entre os balanços corporativos, a Americanas foi destaque. A empresa quase triplicou o prejuízo no segundo trimestre deste ano, para R$ 274 milhões, na comparação com o mesmo período de 2025. Cogna, Minerva, Ultrapar, Positivo, Rede D'Or, CVC, Azzas, Hapvida e Banco do Brasil também divulgaram resultados. ▶️No exterior, os EUA divulgaram o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de julho, um indicador que mede a variação dos preços cobrados pelos produtores antes de os produtos chegarem ao consumidor. Os preços ao produtor nos Estados Unidos ficaram estáveis em julho com queda nos preços dos bens, embora um aumento no custo dos serviços sugira que a inflação pode permanecer elevada. O resultado é acompanhado de perto pelos mercados porque ajuda a avaliar a trajetória da inflação e pode influenciar as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros. ▶️ No Oriente Médio, o Irã afirmou que continua controlando o Estreito de Ormuz, contrariando declarações dos Estados Unidos de que teriam controle sobre a região. A disputa mantém no radar os possíveis efeitos sobre o transporte de petróleo e a segurança da navegação. Mesmo com as incertezas, o petróleo caiu nesta quinta-feira. O barril do Brent, referência internacional, recuou 2,15%, a US$ 87,07, enquanto o WTI, referência nos EUA, caiu 2,43%, a US$ 81,25. ▶️ A Agência Internacional de Energia (AIE) também revisou para baixo sua estimativa de consumo de petróleo, indicando que a atividade econômica mundial deve utilizar menos combustível do que o previsto anteriormente. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. EUA e Irã em impasse sobre o controle de Ormuz Os impasses entre os EUA e o Irã continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo no mercado internacional. Nesta quinta-feira (13), o Irã voltou a contradizer o presidente americano, Donald Trump, ao afirmar que o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global da commodity, está sob seu controle. Na véspera, Trump havia escrito em sua rede social Truth Social que os EUA tinham "controle total" da hidrovia estratégica. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Nas últimas semanas, o regime iraniano também contrariou Trump em outras alegações do líder norte-americano, como quando negou ter pedido para os EUA cancelarem novos ataques contra o país e também quando negou estar em negociações com o rival. Na quarta, Trump reafirmou sua narrativa de que o Irã está dizimado e chamou o país de "valentão do Oriente Médio". Mais cedo, autoridade iraniana falou a agência que "não houve nenhum progresso" nas negociações entre os dois países. Trump falou ainda em "muro de aço" ao se referir ao bloqueio naval que os EUA mantêm na entrada de Ormuz a navios iranianos ou que comercializem em portos do Irã. Com as negociações para o fim da guerra sem avanço, no entanto, o tráfego em Ormuz voltou a ficar comprometido. Desde então, o Irã e o Omã se aproximaram de um acordo para administrar o fluxo de navios pela via marítima, que excluiria o acesso a navios dos EUA e de Israel. Estrangeiros retiram R$ 11,9 bilhões da bolsa Investidores estrangeiros retiraram R$ 11,93 bilhões da bolsa brasileira nos primeiros sete pregões de agosto, até o dia 11, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, com base em dados da B3. O cálculo não considera recursos destinados a ofertas iniciais de ações (IPOs) e novas ofertas de ações de empresas já listadas (follow-ons). O valor já coloca agosto como o segundo mês com maior saída de recursos estrangeiros da B3 em 2026, atrás apenas de maio, quando foram retirados R$ 14,91 bilhões. Em apenas sete pregões, a saída de agosto já equivale a cerca de 80% do total registrado em maio, que teve 21 pregões. O ritmo também contrasta com o resultado de julho, quando os investidores estrangeiros colocaram R$ 2,56 bilhões na bolsa brasileira. No primeiro trimestre, o movimento havia sido ainda mais positivo: foram entradas de R$ 26,31 bilhões em janeiro, R$ 15,40 bilhões em fevereiro e R$ 11,66 bilhões em março. A partir do segundo trimestre, porém, o fluxo mudou de direção. Em maio, os estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões e, em junho, outros R$ 7,79 bilhões. Para a Elos Ayta, o principal ponto de atenção neste momento é a velocidade da saída em agosto. Como o mês ainda não terminou, não é possível saber se o movimento continuará no mesmo ritmo. Mas, se persistir, agosto poderá registrar uma das maiores retiradas de recursos estrangeiros da bolsa brasileira em 2026. Bolsas globais Em Wall Street, os índices americanos fecharam em alta nesta quinta-feira, impulsionados pelo bom desempenho do setor de tecnologia e conforme investidores repercutiam os novos dados da inflação ao produtos nos EUA. O Dow Jones teve alta de 0,13%, enquanto o S&P 500 subiu 0,65% e o Nasdaq Composite registrou ganhos de 0,81%. Já na Europa, a maioria dos mercados fechou em queda, conforme investidores aguardavam novos dados de inflação da zona do euro. A queda nos preços das commodities também pesou sobre os setores de energia e mineração. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou praticamente inalterado, aos 659,24 pontos. Já entre os demais índices, o DAX, da Alemanha, caiu 0,12%, enquanto o CAC-40, da França, recuou 0,28% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve perdas de 0,56%. Na Ásia, os mercados chineses recuaram nesta quinta-feira, puxados pelas perdas nas ações do setor de metais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve queda de 0,5%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,2%. O Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,56%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 1,16%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Planta da Braskem em Maceió, onde a petroquímica fazia exploração de sal-gema. Divulgação/Braskem A petroquímica Braskem está em negociações avançadas para um possível pedido de recuperação extrajudicial, que pode ser protocolado ainda neste mês para reestruturar mais de US$ 10 bilhões (R$ 51,6 bilhões) em dívidas de suas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. As informações foram divulgadas pela Reuters nesta quarta-feira (12). A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite renegociar dívidas com credores fora de uma recuperação judicial tradicional, com posterior homologação da Justiça. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A companhia corre contra o tempo até 24 de agosto. Nessa data, diz a Reuters, expira uma proteção obtida por meio de uma medida cautelar concedida em junho. Essa medida protege temporariamente a Braskem contra cobranças e execuções de credores enquanto negocia uma solução para suas dívidas. 🔎 Uma gestora de private equity é tipo de empresa que compra participações em companhias para reestruturá-las, expandi-las e obter lucro com sua valorização futura. Agora no g1 Procurada pela Reuters, a Braskem não quis comentar o assunto. A petroquímica foi recentemente adquirida pela IG4 Capital da Novonor (ex-Odebrecht) e enfrenta uma longa fase de dificuldades no setor petroquímico e deve precisar de três a cinco anos para superar os desafios herdados da gestão anterior, segundo a agência de notícias. A Petrobras também detém uma parte da empresa. LEIA TAMBÉM: Saque do FGTS: trabalhador que não consegue sacar terá novo caminho na Justiça; veja o que muda Além dos preços baixos no setor petroquímico, o caixa da Braskem foi pressionado pelos custos relacionados ao desastre ambiental provocado pela exploração de minas de sal em Alagoas, desastre ambiental que provocou o afundamento do solo em bairros de Maceió e levou à remoção de milhares de moradores. Embora a Braskem venha negociando alternativas com credores — incluindo bancos e investidores que compraram títulos de dívida da companhia — para evitar um longo processo de reestruturação, nenhum acordo foi alcançado até o momento. Os credores rejeitaram uma proposta da Braskem que previa cinco anos de carência para o pagamento do principal da dívida (o valor originalmente emprestado, sem considerar juros) e dois anos e meio de carência para o pagamento dos juros, segundo a Reuters. Se as atuais negociações avançarem, diz a agência, o pedido de recuperação extrajudicial da Braskem deverá prever um período de suspensão de cobranças de 90 dias, conhecido no mercado como "stay period", para negociar um plano mais amplo de reestruturação. Durante esse período, credores ficam temporariamente impedidos de cobrar dívidas ou executar garantias contra a empresa. Esse período daria tempo para que a empresa e seus credores chegassem a um acordo, ao mesmo tempo em que protegeria a companhia de eventuais medidas de cobrança. Paralelamente, a Braskem avalia alternativas para reestruturar a dívida de cerca de US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana. Uma das possibilidades é um pedido de Chapter 11, mecanismo de recuperação judicial dos Estados Unidos, em um cronograma que pode ser parcialmente alinhado ao processo brasileiro, disse uma das fontes. O Chapter 11 permite que empresas continuem operando enquanto renegociam suas dívidas sob supervisão judicial. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Clientes fizeram fila na frente das Lojas Americanas, no Salvador Shopping Divulgação Cinco meses após a Americanas solicitar o fim do processo de recuperação judicial, a empresa continua registrando perdas milionárias. Segundo os resultados da companhia, divulgados na noite de ontem (12), a Americanas teve um prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre deste ano. O resultado representa uma melhora em relação aos primeiros três meses do ano, quando a companhia reportou perdas de R$ 329 milhões. Mas ainda é mais do que o dobro — quase o triplo — do prejuízo apresentado no mesmo trimestre de 2025, de R$ 98 milhões. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em relatório divulgado na véspera, a varejista afirmou que entrou em um "novo ciclo estratégico". "Estamos construindo uma nova Americanas, com mais clareza sobre o futuro, o papel que desejamos ocupar na vida dos milhões de clientes e o que vai nos levar até lá: disciplina financeira a partir do resultado operacional", afirmou a administração da empresa no documento. Agora no g1 O resultado operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (conhecido no jargão do mercado como Ebitda), foi de R$ 145 milhões no segundo trimestre do período, valor 51,5% menor do que os R$ 299 milhões vistos no mesmo período do ano passado. Já a receita líquida somou R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 1,7% na mesma base de comparação. As vendas em mesmas lojas (SSS) caíram 0,6% no segundo trimestre, segundo os dados divulgados pela companhia. O recuo veio mesmo com os eventos sazonais dos últimos meses, como a Páscoa, a Copa do Mundo e as vendas de produtos de inverno. Relembre o caso O escândalo da Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando as Americanas divulgaram um fato relevante informando que haviam sido identificadas "inconsistências em lançamentos contábeis" nos balanços corporativos, estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões. Segundo a companhia, os valores referentes aos primeiros nove meses de 2022 e a exercícios anteriores não haviam sido registrados de forma adequada. À época, o então presidente Sergio Rial deixou o cargo apenas nove dias após assumir a função, assim como o diretor financeiro André Covre. Na ocasião, a empresa informou que havia detectado operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem de grandeza, nas quais era devedora perante instituições financeiras, mas que não estavam adequadamente refletidas nas demonstrações financeiras. No dia seguinte, 12 de janeiro, a revelação provocou forte turbulência no mercado financeiro. Instituições financeiras colocaram as ações das Americanas sob revisão, enquanto a B3 chegou a submeter os papéis da companhia a leilão diante da volatilidade. Ao final do pregão, as ações acumulavam queda de 77,33%, uma das maiores perdas diárias já registradas por uma empresa de capital aberto no Brasil. Naquele momento, Sergio Rial afirmou que o problema não se referia a valores inexistentes, mas sim a registros contábeis feitos de forma inadequada ao longo dos anos. Ele também explicou que a origem das inconsistências estava nas operações de risco sacado. 🔎 O risco sacado é uma modalidade comum no varejo em que uma instituição financeira antecipa o pagamento devido a fornecedores e passa a ser credora da empresa. No caso das Americanas essas obrigações não apareciam corretamente nos balanços, o que fazia reduzir artificialmente o endividamento da companhia. As investigações também apontam irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada (VPCs), incentivos comerciais concedidos por fornecedores ao varejo. Em 13 de janeiro de 2023, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma medida cautelar protegendo as Americanas contra o vencimento antecipado de dívidas, suspendendo temporariamente cobranças enquanto a empresa avaliava um eventual pedido de recuperação judicial. A decisão buscava impedir que credores esgotassem rapidamente os ativos da companhia e preservasse sua atividade econômica. Na mesma época, também vieram à tona informações de que executivos haviam vendido aproximadamente R$ 212 milhões em ações da empresa durante o segundo semestre de 2022, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada. O pedido de recuperação judicial veio apenas oito dias após a revelação das inconsistências contábeis, em 19 de janeiro de 2023. Na ocasião, a companhia informou possuir apenas R$ 800 milhões em caixa, valor muito inferior aos R$ 8,6 bilhões divulgados no balanço do terceiro trimestre de 2022, tornando sua situação financeira insustentável. Posteriormente, a recuperação judicial tornou-se uma das maiores da história empresarial brasileira, envolvendo dívidas superiores a R$ 50 bilhões. Em março de 2026, a companhia informou que havia cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após sua homologação e protocolou o pedido de encerramento do processo. A Justiça aceitou o encerramento, marcando a saída formal da empresa da recuperação judicial. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.043 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (13), em São Paulo. No concurso da última terça (11), uma aposta acertou os seis números e levou o prêmio de R$ 3 milhões. Veja os números sorteados: 03 - 16 - 24 - 30 - 49 - 54. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Saque do FGTS: trabalhador que não consegue sacar terá novo caminho na Justiça; veja o que O Tribunal Superior do Trabalho (TST) mudou a regra sobre qual Justiça deve julgar ações relacionadas ao saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A partir da nova orientação, o que vai definir o caminho processual é o motivo pelo qual o trabalhador quer retirar o dinheiro do Fundo. 🔎 O FGTS é uma reserva financeira do trabalhador. Todo mês, a empresa deposita 8% do salário em uma conta em nome do funcionário. O saque só é permitido em situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria e compra da casa própria. Na prática, pedidos relacionados ao fim ou à suspensão do contrato de trabalho, como demissão sem justa causa, rescisão indireta, acordo entre empregado e empregador ou encerramento das atividades da empresa, continuarão sendo analisados pela Justiça do Trabalho. Já situações em que o saque pode ser feito por um motivo que não depende da relação de emprego, como doença grave, aposentadoria, financiamento habitacional ou calamidade pública, deverão ser discutidas na Justiça comum. A decisão foi tomada durante o julgamento de um incidente de recursos repetitivos, mecanismo usado para uniformizar o entendimento dos tribunais sobre questões que se repetem em milhares de processos. Com isso, o TST alterou uma posição que vinha sendo adotada há anos pela própria Corte e buscou encerrar uma divergência com o Superior Tribunal de Justiça (STJ). ⚠️ A mudança não altera as regras de saque do FGTS. As situações em que o dinheiro pode ser retirado continuam exatamente as mesmas previstas na legislação. O que muda é para onde a ação judicial deverá ser encaminhada quando houver algum impasse e for necessário recorrer à Justiça. Segundo o próprio TST, a principal consequência prática da decisão é trazer mais segurança jurídica e acabar com as dúvidas sobre qual ramo do Judiciário deve julgar cada caso. Número de empresas que não depositam o FGTS dos empregados no prazo tem aumentado no Brasil Entenda a decisão O julgamento tratou de uma questão que há anos gerava divergências nos tribunais: quem deve analisar os pedidos de saque do FGTS quando o trabalhador precisa de uma decisão judicial para liberar os recursos. Até então, a posição predominante no TST era a de que praticamente todas as ações envolvendo movimentação do FGTS deveriam tramitar na Justiça do Trabalho. O STJ, por outro lado, defendia que muitos desses casos eram de competência da Justiça comum. Ao reavaliar o tema, o Tribunal do Trabalho separou as hipóteses de saque do FGTS em dois grupos: O primeiro reúne situações diretamente ligadas ao contrato de trabalho. É o caso da demissão sem justa causa, da rescisão indireta, da rescisão por acordo entre empregado e empregador e da extinção da empresa, por exemplo. Nessas situações, a liberação dos recursos depende da análise de questões trabalhistas. Por isso, a competência permanece com a Justiça do Trabalho. O segundo grupo engloba situações em que o direito ao saque não depende da análise da relação de emprego. Entram nessa lista casos como aposentadoria, doença grave, morte do trabalhador, financiamento habitacional e calamidade pública. Para o TST, em situações do segundo grupo, o juiz não precisa decidir questões trabalhistas nem analisar o contrato de trabalho. Basta verificar se a pessoa atende aos requisitos previstos em lei para movimentar a conta do FGTS. Por isso, esses casos deverão ser julgados pela Justiça comum. Como a decisão muda uma posição que já estava consolidada no próprio TST, os ministros estabeleceram uma regra de transição para evitar prejuízos às partes. Os processos que já tinham recebido sentença de mérito até a publicação do acórdão continuarão na Justiça do Trabalho até o fim, inclusive durante a fase de execução. Já os demais processos passarão a seguir a nova regra definida pelo tribunal. Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) Tribunal Superior do Trabalho
Vale a pena ter casa própria? Comprar ou alugar um imóvel depende da situação financeira e dos planos de cada pessoa. A casa própria traz segurança e, ao fim do financiamento, deixa um patrimônio para o proprietário. O aluguel oferece mais flexibilidade e permite investir o dinheiro que seria usado na compra. Quem compra à vista abre mão dos rendimentos que esse valor poderia gerar; quem financia paga juros; e quem aluga paga por um imóvel que não será seu. Para quem pretende ficar muitos anos no mesmo lugar e consegue comprar sem comprometer o orçamento, a casa própria pode fazer sentido. Já para quem precisa de mobilidade ou teria de comprometer uma parcela muito grande da renda com a compra, o aluguel pode ser mais vantajoso. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Veja como salvar uma orquídea com folhas e raízes secas ou murchas Quem tem orquídea em casa pode já ter se perguntado por que as folhas e as raízes da planta começaram a murchar. É o caso da Fátima, de Mogi Guaçu (SP), que pediu ajuda ao Globo Rural. A produtora de flores Vívian Klein Gunnewiek explica que o principal motivo é a falta de água: a planta precisa de mais do que recebe. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Quando a orquídea está no período vegetativo, em que tem apenas folhas e raízes, ela consome menos água e energia. Nessa fase, uma rega por semana é suficiente. Quando começa a florescer, porém, a planta fica mais exigente. As flores são os órgãos reprodutores da orquídea e precisam estar saudáveis e bonitas para atrair os polinizadores. Por isso, a planta direciona mais recursos para manter as flores por mais tempo e deixá-las atrativas. Se o solo não fornecer água e nutrientes suficientes, a orquídea começa a retirar água das próprias folhas e raízes. Portanto, a frequência das regas deve aumentar para uma vez a cada cinco ou seis dias. A quantidade de água deve ser abundante: é preciso molhar bem todas as raízes e deixar o excesso escorrer pelos furos no fundo do vaso. Para recuperar a planta que já murchou, a dica da produtora é regar bastante. Assim, as próximas folhas e raízes que nascerem serão saudáveis. Leia também: Terremoto afeta exportações de café da Colômbia e ameaça embarques internacionais Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção

Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel Representantes do governo federal, do governo do Distrito Federal e dos maiores bancos do país se reúnem, na tarde desta quinta-feira (13), em mais uma rodada de conciliação para tentar destravar um empréstimo bilionário para salvar o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A reunião foi pedida pelo governo do DF, que é acionista majoritário do BRB e, por isso, será o tomador do empréstimo. A governadora Celina Leão (PP) acusa os órgãos federais de "inércia" no tratamento do tema – o que gerou reclamações públicas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. A nova rodada de entendimentos será mediada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator da controvérsia no tribunal. Em maio, Fux homologou um acordo que estabeleceu as condições básicas para o crédito. Quase três meses depois, no entanto, a contratação do empréstimo segue travada. O governo do DF tem pressa em conseguir o dinheiro. Entre outros motivos, porque o BRB não divulga seus balanços periódicos há um ano e vem sendo multado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. O g1 explica abaixo: o que gerou a crise do BRB; o que prevê o acordo; por que o empréstimo segue travado; como deve ser a reunião desta quinta; o que acontece com o BRB sem o empréstimo. Representantes do DF, da União e do BRB anunciam acordo após reunião TV Globo O que gerou a crise do BRB? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Fachada do banco BRB. Reprodução/TV Globo O que prevê o acordo em vigor? O acordo chancelado pelo STF e pela Câmara Legislativa do DF autoriza o governo Celina Leão (PP) a pegar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Pelo acordo, os maiores bancos públicos e privados do país entrariam na operação como avalistas. O governo federal não dá garantia à operação, já que o DF não tem boa nota em Capacidade de Pagamento (Capag) – ou seja, está sem o "selo de bom pagador" necessário. Se houver calote, o "consórcio" de bancos pode receber parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que o governo federal repassaria ao Distrito Federal. O governo do DF se comprometeu, no acordo, a adotar medidas de ajuste fiscal para evitar que o empréstimo deteriorasse ainda mais a capacidade de pagamento de dívidas da capital. Maio: União e governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB A modelagem do empréstimo não ficou descrita no acordo homologado pelo STF. Algumas informações sobre a proposta foram divulgadas pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em audiência no Senado. Segundo ele, a proposta na mesa prevê: valor: R$ 6,6 bilhões em parcela única carência: 18 meses (ou seja, primeira parcela da quitação ficaria para 2028) juros: IPCA + 4,5% ao ano quitação: 180 parcelas mensais (15 anos) "Nessas condições, a primeira prestação seria para pagar a partir de 2028, na faixa de R$ 95,6 milhões por mês", estimou Nelson Souza no Senado. Deputados de oposição ao governo Celina Leão estimam que, nessa modelagem, os juros do empréstimo podem gerar um custo adicional de mais de R$ 1 bilhão ao ano aos cofres da capital. Por que o acordo não avançou? Desde a última reunião da mesa de conciliação, quando o acordo foi anunciado, pouco avançou na concessão dos R$ 6,6 bilhões. As negociações são mantidas em sigilo, como é praxe no mercado financeiro. O que se sabe, até aqui, é que o grupo de bancos tem resistido à ideia de se colocar como "avalista" de um banco como o BRB – que não divulga seu balanço há mais de um ano. Há o temor, por exemplo, de que os R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes para tirar o banco das condições adversas. Se isso acontecer, o empréstimo seria infrutífero, e o Banco de Brasília e o governo do DF seguiriam com dificuldades para resolver a crise. Nesse cenário, o BRB não conseguiria sequer ajudar o governo do DF a saldar a dívida, nos próximos anos. Como acionista majoritário, o DF recebe a maior parte da distribuição dos dividendos do banco. Há ainda um outro "medo": de que o uso do FPE e do FPM como "contragarantias" para os bancos seja contestado na Justiça. Isso, porque os fundos são usados para custear serviços públicos essenciais no Distrito Federal – e um eventual "confisco" pode prejudicar a assistência à população. Nesta semana, após ser convocado para a nova rodada de conciliação, o Fundo Garantidor de Créditos disse ao STF que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar o empréstimo. O FGC cobra os balanços de 2025 e 2026 do BRB – justamente, para saber se os R$ 6,6 bilhões seriam capazes de sanear o patrimônio do banco distrital. Em entrevista à TV Globo no dia seguinte, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou esse pedido. Segundo ele, o empréstimo será tomado pelo governo e, por isso, o FGC não precisaria medir a saúde financeira do BRB. GDF deve apresentar novas propostas para tentar destravar empréstimo de R$ 6,6 bi para BRB Como será a reunião desta quinta? A reunião será, mais uma vez, mediada pelo ministro do STF Luiz Fux. Jornalistas poderão acompanhar os debates na sala, sem filmar. Foram convocados representantes de: governo do Distrito Federal; BRB; Advocacia-Geral da União (AGU), em nome do governo federal; Ministério da Fazenda; Banco Central; Fundo Garantidor de Crédito; Banco do Brasil, na condição de representante do consórcio de bancos; Ministério Público Federal. Na conversa, o ministro Luiz Fux deve perguntar aos envolvidos se há, ou não, interesse na manutenção do acordo. O governo do Distrito Federal, que reclamou da demora, deseja manter o acordo e assinar o empréstimo. As outras pontas da negociação (FGC, bancos e governo federal) devem aproveitar o encontro para detalhar suas ressalvas. Ao fim da reunião, o grupo de autoridades deve anunciar uma nova etapa do acordo – seja para avançar o empréstimo, alterar os rumos da negociação ou até mesmo rescindir o trato que foi homologado. Na entrevista à TV Globo nesta terça, o secretário Valdivino de Oliveira afirmou que o governo estuda propor um modelo alternativo para o empréstimo, caso os bancos sigam se opondo à operação. Nessa nova modelagem, as parcelas do FPM e do FPE seriam oferecidas como garantia diretamente ao FGC. Ou seja: os bancos comerciais deixariam de constar no acordo como um "avalista intermediário". O que acontece com o BRB sem o empréstimo? Até o momento, todas as partes envolvidas no acordo evitam dar uma resposta taxativa sobre o futuro do BRB sem o acordo. No último domingo, ao ser cobrada por candidatos ao governo do DF sobre a divulgação dos balanços do BRB, a governadora Celina Leão deu uma resposta taxativa (e reveladora) sobre a situação do banco. "O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado", disparou Celina. 'Balanço não pode ser publicado antes do empréstimo', diz Celina sobre BRB A frase explicita o que já era dado como certo pelo mercado financeiro: o BRB vem operando abaixo dos limites prudenciais mínimos estabelecidos pelo Banco Central para o sistema bancário brasileiro. ➡️Essas normas, conhecidas no setor como "Acordos de Basileia", definem que os bancos comerciais devem ter um patrimônio minimamente sólido para funcionar como um "colchão" contra choques econômicos. ➡️Isso significa, por exemplo, que os bancos não podem multiplicar seus empréstimos indefinidamente, colocar todo o capital de acionistas no altíssimo risco ou transformar todo o dinheiro depositado em capital de giro. ➡️Se o BRB admitir nos relatórios que está desrespeitando esses limites, pode ser obrigado a interromper as operações. ➡️A ideia do BRB e do governo do DF é injetar os R$ 6,6 bilhões no banco e, só então, divulgar todos os relatórios. Na prática: dizer que o banco vinha operando fora das regras, mas já terá voltado à normalidade graças ao empréstimo. DF e União fecham acordo para viabilizar empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar BRB Jornal Nacional/ Reprodução Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que gatilhos incluídos no projeto que permite ao governo usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis devem reduzir em cerca de R$ 10 bilhões as despesas obrigatórias em 2027. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional nesta quarta-feira (12). "Há uma diminuição, uma mitigação desse ritmo de crescimento já vai ser percebido o ano que vem em torno de R$ 10 bilhões, que é aqui um pouco a evolução a menor do gasto obrigatório que a gente espera para o ano que vem, já abrindo o espaço fiscal importante para outras demandas discricionárias e mesmo pra nossa trajetória dos resultados fiscais", afirmou o ministro, em entrevista a jornalistas na sede da pasta. Agora no g1 O texto prevê duas travas para conter o avanço dos gastos no próximo ano. A primeira permite, em caso de déficit projetado pelo governo, desvincular da Receita Corrente Líquida (RCL) o crescimento de determinados fundos. A segunda limita o aumento desses recursos ao teto previsto no arcabouço fiscal, que é de no máximo 2,5% acima da inflação. Ao ser questionado quais despesas estariam sujeitas a trava, o ministro disse que não há uma limitação. "A gente vai perceber um seguido crescimento das vinculações. O que nós estamos fazendo é a compatibilização de algumas vinculações que não cresciam no ritmo do arcabouço", explicou ele, acrescentando: "Cresciam com outra variável isolada à receita corrente líquida ou alguma coisa passa a ter a trava do arcabouço, então a gente vai ter um crescimento limitado ao que o orçamento como um todo passará a crescer também paro ano que vem". Relação com o Congresso Durigan comentou, ainda, que sempre teve relação "aberta" e "franca" com o Congresso Nacional e disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também. Isso porque a relação do parlamento com o Executivo vinha estremecida desde abril, quando a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada no Senado. Na última semana, porém, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e Lula começaram a dar sinais de reaproximação. Nesta quarta-feira (12), os dois se reuniram no Palácio da Alvorada para tentar destravar a votação de projeto que o governo considera prioritários - o que se concretizou no decorrer da tarde. "Eu sempre digo, disse isso a vocês, politicamente, a relação que eu tenho com o Congresso Nacional sempre foi muito aberta e muito franca. Acho que o presidente Lula também sempre teve essa relação, tem algumas questões de tempo, mas eu diria que agora nós estamos vivendo um bom momento também do presidente Lula com as lideranças da do Congresso, tanto da Câmara quanto do Senado", relatou Durigan. "Então acho que ajuda, sim, e nós temos caminhado bem, inclusive agora na questão fiscal, eu também fico bastante satisfeito", complementou. Dario Durigan Globo

Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis A Jeep apresentou nesta quarta-feira (12) o Avenger, novo SUV da marca, que começa a ser fabricado em Porto Real (RJ) com preço inicial promocional de R$ 114.990. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O valor é válido para a versão de entrada Altitude e está limitado às primeiras mil unidades. É possível ainda adicionar um pacote de opcionais com câmera de ré, barras de teto e teto preto. Com esses equipamentos, o Avenger Altitude tem preço especial de R$ 124.990 para as primeiras 2 mil unidades. As demais versões são Longitude por R$ 135.990 e Limited por R$ 145.990. Agora no g1 O modelo já entra em pré-venda e começa a ser entregue aos clientes ainda em agosto. Veja abaixo os equipamentos de série e preços dos opcionais. O Jeep Avenger utiliza a plataforma CMP, arquitetura da Stellantis empregada em modelos de outras marcas do grupo, como Peugeot. O modelo havia sido confirmado pela Jeep no ano passado, durante o Salão do Automóvel. Uma das principais estratégias da Jeep é oferecer uma boa lista de equipamentos para disputar espaço com modelos chineses e outros SUVs do segmento. O Avenger é equipado com motor 1.0 turbo associado a um sistema híbrido leve, o MHEV 12V, a potência é de 116 cv com etanol ou gasolina. O conjunto é ligado a uma transmissão automática CVT com sete marchas simuladas. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 10,3 segundos com etanol e 10,7 segundos com gasolina. A velocidade máxima é de 185 km/h. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Ficha técnica - Jeep Avenger Limited Assentos: 5 Comprimento: 4,08 m Largura: 1,77 m (sem retrovisor) Altura: 1,58 m Entre-eixos: 2,55 m. Porta-malas: 320 litros (VDA) Peso: 1.280 kg Rodas: 18 polegadas Pneus: 215/55 R18 Suspensão dianteira: Independente, McPherson com barra estabilizadora Suspensão traseira: Eixo de torção Freios dianteiros: Disco ventilado Freios traseiros: Disco sólido Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 3 cilindros em linha 1.0 Turbo MHEV Combustível: Gasolina / Etanol Potência (E/G): 116 cv (Etanol) / 116 cv (Gasolina) Torque (E/G): 20,4 kgfm (Etanol) / 20,4 kgfm (Gasolina) Câmbio: Automático, CVT Marchas: 7 marchas simuladas Tração: Dianteira Consumo urbano gasolina: 12,7 km/l Consumo rodoviário gasolina: 13,5 km/l Consumo urbano etanol: 8,8 km/l Consumo rodoviário etanol: 9,4 km/l Tanque de combustível: 47 litros Capacidade de carga: 400 kg Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Design forte Apesar do design com para-lamas marcantes e cara robusta, o Avenger tem medidas que lembram bastante as do Fiat Pulse. A Jeep destaca que, mesmo sem opção de tração 4x4, o SUV tem bons ângulos de entrada e saída e boa altura livre do solo. Segundo a marca, essas características tornam o modelo mais adequado para deslocamentos leves fora de estrada. O visual traz elementos que remetem à história da Jeep. A dianteira tem a tradicional grade com sete elementos. Os vincos nos para-lamas fazem referência aos primeiros modelos da marca. As lanternas traseiras têm formato de X, em uma referência aos tonéis retangulares usados para transportar combustível na parte traseira dos jipes durante os combates. Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis Na cabine, o Avenger aposta em linhas mais sóbrias e horizontais para criar sensação de maior amplitude. O quadro de instrumentos tem tela de 7 polegadas de série e 10,25 polegadas nas versão mais caras. A central multimídia também é de série e tem 10 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Durante a apresentação, a Jeep destacou o DNA da marca, apesar de o Avenger não ter tração 4x4 e utilizar plataforma e conjunto mecânico compartilhados com modelos de Fiat, Peugeot e Citroën. Maçanetas e retrovisores, por exemplo, são componentes usados em modelos da Peugeot. Segundo Breno Kamei, vice-presidente de marcas e marketing da Stellantis América do Sul, a Jeep considera que a história e o DNA da marca continuam sendo fatores importantes na decisão de compra dos consumidores. A estratégia é usar essa identidade para disputar mercado com modelos como Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic e SUVs chineses de preços próximos. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Durante a apresentação, Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, afirmou que a fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, já deve operar com 2 turnos na produção do Avenger e poderia abrir um terceiro. O modelo já tem exportação confirmada para Uruguai, Argentina e Paraguai. Segundo ele, o objetivo é disputar a liderança do segmento, que tem o Volkswagen T-Cross entre os principais modelos Veja abaixo o que cada versão do Jeep Avenger oferece e os respectivos preços. Jeep Avenger Altitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Altitude — R$ 114.990 (preço promocional limitado às primeiras 1.000 unidades) Design Rodas de liga leve 6,5 x 16" + pneus 215/65 R16; Bancos revestidos em tecido; Console central com apoio de braço, porta-copos removível, porta-celular e porta-objetos; Lanternas escurecidas em LED; Maçanetas e retrovisores externos na cor preta. Tecnologia e conforto Faróis em LED + Automatic High Beam; Ar-condicionado; Cluster de 7" full digital Multimídia 10"; 1 entrada USB e 1 USB-C; Freio de estacionamento elétrico; Partida do motor sem chave; Seletor de terrenos (Selec-Terrain); Sensor de chuva; Sensor de estacionamento traseiro; Volante multifuncional; Hill Descent Control (assistente de descida de rampa). Segurança 6 airbags: 2 laterais, 2 de cortina e 2 frontais; Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - câmera; Aviso de saída de faixa e assistente de permanência de faixa (LDW/LKA); Controle de estabilidade (ESC); Detector de fadiga do motorista; Controle automático de velocidade de cruzeiro; Reconhecimento de placas de trânsito (TSR). Opcional Pacote High Altitude com (preço do carro sobe para R$ 124.990): Barras de teto Câmera de ré Jeep Avenger Longitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Longitude — R$ 135.990 Tudo da versão Altitude + Design Rodas de liga leve 6,5 x 17" + pneus 215/60 R17; Bancos revestidos em tecido e vinil; Barras longitudinais no teto; Maçanetas na cor do veículo; Retrovisores em black piano; Volante multifuncional em couro e acabamento black piano. Tecnologia e conforto Ar-condicionado digital automático; Faróis de neblina com função de iluminação em curva; Walk away lock (veículo trava quando a chave se afasta); Keyless + Entry N'go (veículo destrava com aproximação da chave); Câmera de ré; Carregador de celular sem fio; Aletas para trocas de marcha atrás do volante. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC); Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - radar + câmera. Opcionais Pacote Convenience Pack com: Entradas USB e USB-C traseiras; Retrovisor Frameless (sem moldura) Espelhos rebatíveis; Detector de ponto cego (Blind Spot Detection); Sensores de estacionamento frontais, traseiros e laterais. Pacote com Teto solar + Jeep Adventure Intelligence Teto solar; Cluster Full Digital 10,25"; Jeep Connect + ChatGPT embarcada. Jeep Avenger Limited Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Limited — R$ 145.990 Tudo da versão Longitude + Design Grade de sete fendas iluminada; Rodas de liga leve 18" + pneus 215/55 R18; Bancos revestidos em vinil; Teto preto; Espelho retrovisor Frameless + eletrocrômico; Ambient Light - 8 cores; Iluminação interna em LED; Retrovisores em Black Piano. Tecnologia e conforto Farol LED Matrix; Jeep Connect + ChatGPT embarcada; Câmera 360°; Retrovisores externos com rebatimento automático; Cluster full digital 10,25"; Sensor de estacionamento frontal; Navegação embarcada; Porta USB para passageiros traseiros. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC) + centralizador de faixa; Sistema de monitoramento de ponto cego. Opcional Teto solar

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (12) um projeto de lei que permite ao governo usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis. O texto recebeu 61 votos favoráveis e apenas dois contrários. O texto segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois já foi aprovado pela Câmara dos Deputados. ⛽ A proposta também concede subsídios, na forma de diminuição de tributos, para a indústria de fertilizantes e o setor de minerais críticos e estratégicos. A isenção ainda valerá para Copa do Mundo Feminina, que será sediada no Brasil em 2027. O texto, que só tratava inicialmente dos combustíveis, recebeu uma série de dispositivos alheios ao tema, os chamados jabutis. 🌎 A guerra do Irã contribuiu para elevação do custo dos combustíveis, assim como de insumos para a cadeia produtiva nacional, caso, por exemplo, dos fertilizantes. Agora no g1 Ao mesmo tempo, o cenário internacional também gera valorização do petróleo e gás extraídos no Brasil. O objetivo do projeto é justamente amortecer o prejuízo desses setores afetados usando a renda extra obtida pela venda do petróleo brasileiro. Mas, para que isso seja possível, uma exceção para essas medidas precisou ser criada por meio desta proposta. Isso porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) proíbem a concessão de benefícios fiscais sem indicação da fonte para compensá-los e do impacto que eles terão nas contas do governo. A LDO, inclusive, diz que fica proibida a "ampliação, prorrogação ou extensão do gasto tributário" e a criação de novas despesas obrigatórias. O projeto, então, contorna a norma em 2026. A inclusão de benefícios a setores, além de estratégias com fins eleitorais que interessam ao governo, costuma ser aprovada em ano eleitoral no Congresso. Em 2022, meses antes das eleições, o Congresso aprovou uma PEC que autorizava um "estado de emergência" no país, para permitir ao governo do então presidente Jair Bolsonaro a criação de uma série de benefícios às vésperas das eleições. Bomba de combustível em um posto em Brasília 7 de março de 2022. Reuters Tributos dos combustíveis Pela proposta, o governo poderá reduzir tributos sobre combustíveis e compensar a perda de arrecadação com o aumento extraordinário de receitas obtidas pela União em razão da alta internacional do petróleo. Para isso, poderá usar royalties, participações especiais da União decorrentes do resultado da exploração de petróleo ou gás natural, impostos recolhidos pelo setor de óleo e gás e dividendos de estatais ligadas ao segmento. Conforme o texto, a redução de impostos federais será usada na importação, produção e comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Para manter a competitividade dos biocombustíveis, a proposta determina que qualquer redução tributária concedida à gasolina preserve a vantagem competitiva do etanol. Caso a tributação federal da gasolina seja reduzida em 30% ou mais, as alíquotas sobre o etanol deverão ser zeradas. Além disso, o governo fica autorizado a conceder subvenção aos produtores de etanol para compensar eventuais perdas de competitividade. Para o período entre maio e agosto de 2026, o parecer prevê uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão ao setor. A proposta autoriza também os produtores de etanol a utilizar saldos credores de Pis/Pasep e Cofins e concede crédito fiscal a projetos destinados à produção de fertilizantes e suas matérias-primas no Brasil. A medida aprovada nesta quarta pelo Congresso também: tira do limite de gastos previsto no Arcabouço Fiscal R$ 2,5 bilhões de investimentos em defesa; permite antecipação de 2027 para 2026, em até R$ 3 bilhões, investimentos em educação e saúde bancados pelo Fundo Social (FS). No entanto, o texto prevê duas travas para conter o avanço dos gastos em 2027. A primeira permite, em caso de déficit projetado pelo governo, desvincular da Receita Corrente Líquida (RCL) o crescimento de determinados fundos. A segunda trava limita o aumento desses recursos ao teto previsto no arcabouço fiscal, que é de no máximo 2,5% acima da inflação. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com essas travas o governo deve reduzir em cerca de R$ 10 bilhões as despesas obrigatórias em 2027. "Há uma diminuição, uma mitigação desse ritmo de crescimento já vai ser percebido o ano que vem em torno de R$ 10 bilhões, que é aqui um pouco a evolução a menor do gasto obrigatório que a gente espera para o ano que vem, já abrindo o espaço fiscal importante para outras demandas discricionárias e mesmo pra nossa trajetória dos resultados fiscais", afirmou o ministro após a aprovação da proposta. Fertilizantes O texto autoriza benefício fiscal, por meio da redução nos impostos, para o setor de fertilizantes no valor de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2031. Quem será beneficiado será o produtor, no Brasil, de fertilizante ou de suas matérias-primas. Essas podem ser: de origem sintética, por meio de processos químicos. Exemplos: amônia e ureia; a partir de minérios, de rochas. Exemplos: calcário, potássio, gesso agrícola; de origem orgânica. Exemplos: esterco animal, farinha de ossos (fonte de fósforo e cálcio). Nesta terça (11), o Senado aprovou uma proposta que cria um programa específico, com oferta de financiamentos, para fomentar a indústria de fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio. "Apesar de o Brasil responder por 8% do mercado global de fertilizantes, a demanda brasileira tem sido atendida via importações, que hoje representam acima de 85% do total de fertilizantes empregados em nossas lavouras", explicou a relatora do projeto dos combustíveis na Câmara, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (12) decreto que regulamenta a abertura de mercado livre de energia elétrica para consumidores de baixa tensão (inferior a 2,3 kV) a partir de novembro de 2027. O decreto estabelece as regras para que consumidores como pequenos estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, indústrias de menor porte, hospitais e escolas possam escolher livremente o fornecedor de energia elétrica. Para os demais consumidores, incluindo os residenciais, essa possibilidade estará disponível a partir de novembro de 2028. Agora no g1 O presidente assinou a medida durante cerimônia no Palácio do Planalto. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pequenos estabelecimentos poderão ter redução de até 20% na conta de luz com a medida. No evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin também reforçou que mudança deve baratear o valor da energia. "Hoje os grandes consumidores conseguem ter acesso ao mercado livre e conseguem energia 23% mais barata, mas consumidor de menor tensão não consegue. Esse decreto assinado permite que no ano que vem o comércio e a pequena indústria entrem no mercado livre e em seguida o consumidor residencial, então vai baixar o preço da energia para todo mundo, nada que a competição, de se abrir mercado para todo mundo." O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Até 31 de dezembro de 2030, a função de Supridor de Última Instância será exercida pelas distribuidoras de energia elétrica. Depois desse período, outros agentes poderão desempenhar a atividade, conforme regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Energia Elétrica;Rede de Energia;Distribuição de Energia Fré Sonneveld A agência também terá que definir como será feita a transição entre os ambientes regulado e livre, com regras sobre informação e proteção ao consumidor, comparação de ofertas e migração entre os modelos de contratação. Lula também assinou outros três decretos nos setores de energia e transição energética que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e da captura e armazenamento de carbono.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) um projeto de lei que cria uma nova modalidade de garantia para a locação de imóveis através da consignação de parte do salário. 🏠 O limite estabelecido no projeto é de até 30% do salário. Com a consignação, o locatário fica dispensado de buscar fiadores para o contrato ou fazer um depósito caução, por exemplo. A garantia passa a ser a possibilidade de desconto na folha salarial. 💰 Podem participar da nova modalidade: empregados privados; servidores públicos; pensionistas; e aposentados. O projeto estava em tramitação na Câmara desde 2011 e agora segue para análise do Senado Federal. Após análise no Congresso Nacional, precisará ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora no g1 O autor do projeto, deputado Julio Lopes (PP-RJ), afirma que a medida visa dar mais garantia ao proprietário que teme a inadimplência. "Esse fator de risco faz com que um grande número de imóveis permaneçam fechados ou que o valores dos aluguéis permaneçam artificialmente elevados, acima do que seria razoável em condições normais de mercado", disse. Segundo ele, a nova modalidade poderá impulsionar o mercado imobiliário ao dar mais garantia a quem aluga o imóvel e dispensar o locatário da busca por fiadores. A consignação poderá ser feita por mais de um locatário para compor o valor total do aluguel, ou seja, com descontos direto na folha de mais de um trabalhador. Continuar no aluguel ou financiar um imóvel? Schluesseldienst/ Pixabay. O projeto também estabelece que, nesses casos, o locatário não precisará pagar multa pela devolução antecipada do imóvel caso a mudança de endereço aconteça por uma transferência exigida pelo empregador. Nos contratos firmados por essa nova modalidade, os imóveis poderão ser retomados do contrato de aluguel quando o contrato de trabalho for terminado.

Lei do Mato Groso pode enfranquecer moratória da soja na Amazônia O Supremo Tribunal Federal (STF) validou nesta quarta-feira (12) a moratória da soja, acordo entre as empresas do setor e que proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. No mesmo julgamento, os ministros decidiram que são válidas as leis de Mato Grosso e Rondônia que retiram benefícios fiscais das empresas que fazem parte do acordo da moratória. ➡️O que é a Moratória da Soja? É um pacto de adesão voluntária entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, visando preservar a floresta. Os ministros determinaram ainda que devem ser extintos os processos que questionam a ilicitude da moratória no Judiciário e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Plantação de soja pronta para colheita em Roraima Raquel Maia/Amazônia Agro Ficou definido ainda que a retirada ou redução de benefícios tributários para empresas que façam parte do acordo precisa respeitar os princípios da anterioridade anual e nonagesimal, que fixam prazo de um ano ou 90 dias para cobrança de tributos. O plenário do Supremo analisou duas ações. O PCdoB, PSOL, PV e Rede questionaram a lei de Mato Grosso que proíbe a concessão de incentivos fiscais e de terrenos públicos a empresas que aderirem ao acordo. A agência Reuters já havia reportado, em dezembro de 2025, que algumas das maiores "tradings" de soja do mundo estavam se preparando para romper o acordo, numa tentativa de preservar benefícios fiscais em Mato Grosso. Os partidos também questionaram uma lei de Rondônia que restringe incentivos fiscais e terrenos públicos a empresas vinculadas a acordos privados que limitem a expansão agropecuária, como a Moratória da Soja. As duas normas foram validadas pelo Supremo. Relator da ação de Mato Grosso, o ministro Flávio Dino defendeu que era preciso discutir a validade da moratória. Dino defendeu que se tratou de uma relação privada, fechada antes do código florestal, e que não impedia o poder público de conceder sua própria política de incentivos fiscais. O ministro propôs a extinção das ações que discutem na Justiça e no Cade a indenização pela moratória da soja. "Qualquer que seja a perspectiva institucional, constitucional, jurídica e ambiental não consigo enxergar vícios na moratória. É acordo de mercado, liberdade de iniciativa, as partes não são obrigadas a compatibilizar com outras partes, a não ser que haja vontade posta", afirmou. A maioria do plenário seguiu o voto de Dino. O ministro Dias Toffoli, relator da segunda ação, entendeu que não era papel do Supremo discutir a validade da moratória. Defendeu que essa questão deveria ser tratada pelo Cade. Toffoli votou pela validade das duas leis estaduais e propôs que fosse fixada a trava temporal para a retirada dos benefícios. Acompanharam o voto de Toffoli os ministros André Mendonça e Luiz Fux.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) um projeto que permite ao governo usar a receita extra obtida pela União com a venda de petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis e retira dos limites do arcabouço fiscal despesas com defesa. O texto segue para o Senado. A proposta, que inicialmente tratava apenas do preço dos combustíveis, recebeu uma série de dispositivos alheios ao tema, os chamados jabutis. A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), incluiu em seu parecer benefícios fiscais para outros setores, como o de minerais críticos e a produção de fertilizantes. Agora no g1 O documento foi protocolado nesta quarta-feira (12) na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia anunciado a tentativa do governo de ampliar o escopo da proposta, que trata ainda da isenção fiscal para a Copa do Mundo Feminina no Brasil em 2027. Segundo a relatora, a realização da Copa do Mundo Feminina é um “evento de projeção internacional que exige compromissos de isenção tributária assumidos pelo Estado brasileiro perante entidades organizadoras internacionais”. Efeitos da guerra O texto inicialmente buscava reduzir os efeitos econômicos do conflito entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio. Com as mudanças, ele também tira do limite de gastos previsto no Arcabouço Fiscal R$ 2,5 bilhões de investimentos em defesa. A proposta permite ainda antecipar de 2027 para 2026, em até R$ 3 bilhões, investimentos em educação e saúde bancados pelo Fundo Social (FS). A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO) Thiago Cristino/Câmara dos Deputados O texto já esteve na pauta da Câmara em diversas oportunidades no primeiro semestre, mas nunca foi votado. A versão final foi fechada na noite de terça (11) em reunião com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. A inclusão de benefícios a setores, além de estratégias com fins eleitorais que interessam ao governo, costuma ser aprovada em ano eleitoral no Congresso. Em 2022, meses antes das eleições, o Congresso aprovou uma PEC que autorizava um "estado de emergência" no país, para permitir ao governo do então presidente Jair Bolsonaro a criação de uma série de benefícios às vésperas das eleições. Impostos sobre combustíveis Pela proposta, o governo poderá reduzir tributos sobre combustíveis e compensar a perda de arrecadação com o aumento extraordinário de receitas obtidas pela União em razão da alta internacional do petróleo. Foto de posto de gasolina. Marcello Casal Jr./Agência Brasil Para isso, poderá usar royalties, participações especiais da União decorrentes da de resultado da exploração de petróleo ou gás natural, impostos recolhidos pelo setor de óleo e gás e dividendos de estatais ligadas ao segmento. Conforme o texto, a redução de impostos federais será usada na importação, produção e comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Biocombustíveis e fertilizantes Para manter a competitividade dos bicombustíveis, a proposta determina que qualquer redução tributária concedida à gasolina preserve a vantagem competitiva do etanol. Caso a tributação federal da gasolina seja reduzida em 30% ou mais, as alíquotas sobre o etanol deverão ser zeradas. Além disso, o governo fica autorizado a conceder subvenção aos produtores de etanol para compensar eventuais perdas de competitividade. Para o período entre maio e agosto de 2026, o parecer prevê uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão ao setor. A proposta autoriza também os produtores de etanol a utilizar saldos credores de Pis/Pasep e Cofins e concede crédito fiscal a projetos destinados à produção de fertilizantes e suas matérias-primas no Brasil.

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada O Congresso Nacional adiou para quinta-feira (13) a instalação da comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. Ainda há uma indefinição em torno do nome do deputado que irá presidir o colegiado e o senador que será relator da MP. A instalação estava prevista para esta quarta-feira (12). A MP foi editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro. Com as novas regras, o ministro da Fazenda passou a ter a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Peças de roupa loja vestuário Uberaba 19-03-2021 Reprodução/TV Integração A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre Lula e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril. Os dois retomaram o diálogo na última semana e a instalação da comissão mista é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. Apesar disso, parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para Câmara e Senado, também pressionavam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar, em maio, uma MP para revogar uma taxa que ele mesmo criou foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. Em ano eleitoral, a medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança. Dívidas rurais O Congresso Nacional instalou nesta quarta-feira (12) a comissão mista sobre a Medida Provisória de renegociação das dívidas de produtores rurais. A presidência do colegiado ficou com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), enquanto o relator será o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A MP foi editada em 15 de julho e permite a criação de linhas de crédito rural para composição de dívidas. Segundo o texto da MP, o objetivo da medida é apoiar ações de mitigação às mudanças climáticas, de enfrentamento de calamidades públicas e de compensação dos impactos de conflitos geopolíticos. Após a instalação, Renan Calheiros criticou o texto da MP por excluir estados das regiões Norte e Nordeste e sinalizou mudanças. “A MP não pode ser ponto de chegada. Cabe a essa comissão mista recuperar o que foi retirado e aprimorar o que precisa ser aprimorado", afirmou o senador. Taxa das blusinhas A decisão do governo pela criação chamada "taxa das blusinhas" enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que argumentavam que a medida resultaria num encarecimento de produtos populares e de baixo valor e na redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico. Os críticos da “taxa das blusinhas” também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Por exemplo, turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Em outra frente, empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro.

Mortes por álcool no trânsito têm queda de quase 20%, mas trajetória de queda não é mantida Adobe Stock A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu, nesta quarta-feira (12), parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. Multa por infração gravíssima é de R$ 293,47; com a multiplicação prevista no projeto, o valor salta para R$ 14.673,50. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. A proposta altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para aumentar as punições para motoristas que dirigirem sob influência de álcool. Agora no g1 O texto original, de autoria do deputado Gilvan Maximo (Republicanos-DF), previa multa agravada em até 100 vezes e suspensão do direito de dirigir por 10 anos quando o acidente resultasse em morte. No substitutivo apresentado pelo relator, deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), a multa para os casos com morte ficou estabelecida em 50 vezes, enquanto o período de suspensão da habilitação foi mantido em 10 anos. Para casos em que a vítima fique permanentemente inválida, a proposta prevê multa de 20 vezes e suspensão do direito de dirigir por cinco anos. Para que as penalidades sejam aplicadas, o texto estabelece que o motorista tenha se envolvido em um sinistro nas circunstâncias previstas na lei e que sua responsabilidade pela ocorrência tenha sido comprovada. Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ 13.075 óbitos A taxa de mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool caiu 19,5% no Brasil entre 2010 e 2024, mas o avanço perdeu força nos últimos anos e o número absoluto de vítimas voltou a crescer. Os dados mais recentes são de 2024 e mostram que o país registrou 13.075 óbitos associados à combinação de bebida alcoólica e direção, alta de 6,2% em relação ao ano anterior. A análise é do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), divulgada em junho de 2026. Criada em 2008, a Lei Seca estabeleceu tolerância zero para motoristas que dirigem após consumir bebidas alcoólicas. Desde então, o Brasil registrou uma redução de 19,5% na taxa de mortes atribuíveis ao álcool no trânsito por 100 mil habitantes entre 2010 e 2024. Mas a análise do CISA mostra que esse ritmo de queda vem desacelerando. O levantamento também mostra crescimento das consequências mais graves da combinação entre álcool e direção. Em 2025, foram registradas 102.440 internações relacionadas a esses eventos, número 1,9% superior ao do ano anterior.

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) interrompeu parte da logística de exportação de café do país e trouxe novas preocupações para o mercado internacional de uma das bebidas mais consumidas do mundo. A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil e Vietnã, e tem papel importante no fornecimento de café arábica lavado, uma variedade valorizada por grandes compradores internacionais. O país também exporta a maior parte de sua produção. AO VIVO: Acompanhe as últimas atualizações sobre o terremoto na Colômbia Eles produziram cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 kg na safra 2024/25 e exportaram aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025. ☕ A Colômbia tem uma longa tradição na produção de café, que se tornou parte da identidade do país e até rendeu aos produtores o apelido de “cafeteros”. Durante décadas o país manteve uma espécie de rivalidade no mercado com o Brasil para saber quem tem o "melhor café". Enquanto os colombianos se especializaram em cafés de maior qualidade e valor agregado, o Brasil se consolidou pela escala e pela variedade, produzindo tanto arábica quanto conilon. O impacto do terremoto, portanto, não se limita às regiões atingidas pelo desastre. Bloqueios e deslizamentos em estradas que ligam o interior do país ao porto de Buenaventura, no Pacífico, dificultam a saída do café colombiano para o exterior e podem provocar atrasos nas entregas caso a situação se prolongue. Imagens mostram destruição na área rural colombiana AgroLatam.com ➡️ A situação preocupa o mercado internacional pois além de a Colômbia ser uma das principais produtoras de café no mundo a situação se soma aos estoques globais baixos e a preocupação com os efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção mundial. Essa preocupação já aparece nas cotações internacionais. Na terça-feira (11), o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% e fechou a cerca de US$ 3,34 por libra-peso. A alta ocorreu em meio às preocupações com a oferta global, incluindo os possíveis impactos do terremoto sobre as exportações de café da Colômbia. 🔍 Por que a Bolsa de Nova York importa? O café é uma commodity, uma matéria-prima negociada no mercado internacional. A Bolsa de Nova York é uma das principais referências para o preço do café arábica. A cotação serve de parâmetro para negociações entre produtores, exportadores e compradores. Por isso, altas ou quedas podem influenciar o custo do café em diferentes países. O preço no supermercado, porém, também depende de câmbio, impostos e outros custos. A dimensão do problema aparece justamente na importância de Buenaventura para a cadeia. Em entrevista ao jornal local El Colombiano, o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), Gustavo Gómez afirmou que mais de 60% das exportações colombianas do grão passam pelo porto. Com as estradas bloqueadas, os exportadores não conseguem transportar normalmente a carga do interior até o terminal. Gómez afirmou que a estrada para Buenaventura não está habilitada para veículos de comércio exterior, incluindo aqueles destinados à exportação e importação. “Eu não posso, neste momento, levar carga até o porto de Buenaventura a partir do interior do país”, disse o dirigente. Café fica preso entre produção e exportação O problema não está concentrado apenas no acesso ao porto. O terremoto atingiu uma região que reúne parte importante da estrutura de processamento do café colombiano. Segundo Gómez, muitos exportadores mantêm instalações em Manizales, Pereira e Armenia, no chamado Eixo Cafeeiro, além de Cartago, no departamento de Valle del Cauca. Na prática, isso cria um gargalo em diferentes etapas da cadeia: o café pode ser produzido, processado e estar pronto para embarque, mas não consegue chegar ao porto. Até regiões produtoras que sofreram menos danos com o terremoto enfrentam dificuldades para transportar a produção. Huila, Tolima, Cauca e Nariño, por exemplo, também registram problemas para encontrar caminhões que levem o café até portos alternativos. Mais de 1.000 contêineres podem ficar represados Ainda não existe uma estimativa oficial de quanto café está efetivamente parado por causa da interrupção. A Asoexport, porém, calculou o possível impacto de uma semana de restrições. A Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas de café por mês. Em uma divisão aproximada por semanas, isso representa cerca de 250 mil sacas. Se as restrições persistirem durante uma semana, esse fluxo poderia equivaler a mais de 600 veículos e mais de 1.000 contêineres represados, segundo a associação. O número é uma projeção para dimensionar o gargalo e não significa que 250 mil sacas já estejam paradas. A dificuldade de retirar o café processado também começa a afetar as próprias empresas exportadoras. Sem espaço e transporte suficientes para escoar o produto, o setor pode reduzir o ritmo de processamento. Isso cria um efeito que chega aos produtores. Segundo Gómez, se a situação persistir, a dificuldade logística pode prejudicar também a compra de café dos agricultores. “As operações estão muito paradas, quase paralisadas, e isso pode prejudicar a compra de café”, afirmou. Setor tenta desviar café para outros portos Com Buenaventura comprometido, os exportadores passaram a avaliar alternativas na costa do Caribe. Entre as opções estão Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia. Segundo a Asoexport, operadores desses terminais trabalham em planos de contingência para receber cargas adicionais. A mudança de rota, porém, não resolve sozinha o problema. É preciso levar o café das regiões produtoras e das unidades de processamento até os portos do Caribe, e a falta de caminhões se tornou outro obstáculo. Além disso, algumas das próprias rotas alternativas estão afetadas por deslizamentos e bloqueios. Entre os caminhos atingidos está a rota Letras-Fresno-Manizales, utilizada para o transporte de cargas. Situação dos cafezais na colômbia AgroLatam.com A Asoexport trabalha com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte. A estratégia é utilizar os portos do Caribe enquanto necessário e retomar gradualmente as operações por Buenaventura quando as condições permitirem. Produtores também sofreram danos Enquanto os exportadores tentam manter o café em circulação, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) realiza levantamentos sobre os danos nas áreas produtoras. A entidade informou que famílias cafeicultoras de Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío tiveram impactos em casas, propriedades e infraestrutura rural. No Quindío, um dos principais departamentos do Eixo Cafeeiro, mais de 150 famílias produtoras já foram identificadas como afetadas no levantamento inicial. José Martín Vásquez Arenas, diretor-executivo do Comitê de Cafeicultores do Quindío, afirmou em pronunciamento divulgado nas redes sociais que equipes foram mobilizadas nos 12 municípios do departamento para avaliar a situação das propriedades. O levantamento busca dimensionar os danos e orientar a destinação de recursos para a recuperação das famílias. A instituição também pretende garantir a continuidade da assistência técnica e da compra do café produzido na região. O trabalho encontrou ainda danos estruturais em comitês municipais e armazéns de provisão agrícola de Filandia, Buenavista e Montenegro. As unidades foram fechadas preventivamente para avaliação das condições de segurança e infraestrutura. As demais unidades do departamento voltaram a funcionar nesta quarta-feira (12), segundo o Comitê de Cafeicultores do Quindío. Vásquez Arenas afirmou que a cafeicultura local já enfrentou outras situações adversas e que as famílias continuarão sendo acompanhadas. “A cafeicultura do Quindío demonstrou historicamente sua resiliência diante das adversidades, por isso não deixaremos nossas famílias cafeicultoras sozinhas”, disse. Problema pode chegar aos compradores internacionais O impacto da interrupção logística não termina na Colômbia. Se o café não consegue chegar aos portos, os exportadores podem ter dificuldade para cumprir os prazos acordados com compradores internacionais. ➡️A Asoexport afirma que os clientes no exterior estão sendo informados sobre a situação para evitar que eventuais atrasos sejam interpretados como problemas comerciais ou de produção das empresas. Ainda não há uma previsão definitiva para a normalização das exportações. O prazo dependerá da recuperação das estradas, da liberação do acesso a Buenaventura e da capacidade de utilização das rotas alternativas.

Trump admite que fez voo secreto O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi processado por duas organizações de mídia, divulgou a Bloomberg. O motivo foi o plano da Trump Media & Technology Group, empresa controladora da rede social Truth Social, de vender acesso antecipado às publicações de Trump na plataforma. O The Intercept, organização de notícias, e a Freedom of the Press Foundation, entidade sem fins lucrativos voltada à defesa da liberdade de imprensa, entraram com uma ação na Justiça de Nova York nesta quarta-feira (12) para tentar impedir o plano. Trump quer vender milissegundos de vantagem a investidores; entenda por que isso vale milhões As organizações classificaram a iniciativa como “extraordinária, corrupta e inconstitucional”. No mês passado, a empresa anunciou que passaria a cobrar pelo acesso mais rápido às publicações de Trump no Truth Social que podem influenciar os mercados financeiros. A decisão provocou críticas de democratas e também incomodou alguns defensores do livre mercado em Wall Street. Donald Trump fala com jornalistas em 11 de agosto de 2026 Kylie Cooper/Reuters O produto, chamado Truth API, custa entre US$ 60 mil (R$ 310,8 mil) e US$ 100 mil (R$ 518 mil) por mês. Trump é o maior acionista da Trump Media. Sua participação na empresa, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,18 bilhões), está em um fundo administrado por seu filho mais velho, Donald Trump Jr.

Bob Iger, ex-CEO da Disney Reuters O empresário americano Josh Kushner e Bob Iger, ex-CEO da Disney, estão comprando o Los Angeles Lakers, uma das equipes mais tradicionais e populares da NBA, principal liga de basquete dos Estados Unidos, por mais de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,5 bilhões). O negócio deve estabelecer um novo recorde para a venda de uma equipe esportiva. As informações foram divulgadas primeiro pela ESPN nesta quarta-feira (12). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Kushner é cofundador e sócio-gerente da empresa de investimentos Thrive Capital. Já Iger comandou a Disney e deixou o cargo de CEO da companhia neste ano. Os dois eram interessados no processo de expansão da NBA para Las Vegas, mas mudaram de estratégia e passaram a negociar a compra dos Lakers. A dupla vai adquirir o controle da equipe do empresário Mark Walter, que havia comprado a participação majoritária dos Lakers da família Buss por US$ 10 bilhões (cerca de R$ 49,2 bilhões), em 2025. Agora no g1 "Como fãs de longa data da NBA, estamos profundamente honrados com a oportunidade de assumir a responsabilidade pelo Los Angeles Lakers, uma das franquias esportivas mais icônicas do mundo", disseram Iger e Kushner em comunicado. Os novos proprietários afirmaram que pretendem manter a equipe competitiva e preservar o legado construído pela família Buss. Walter, por sua vez, afirmou que ser dono dos Lakers foi uma das maiores honras de sua vida. Ele também disse que deixará a equipe confiante de que "o melhor ainda está por vir". Josh Kushner é irmão mais novo de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. Ele é cofundador da Thrive Capital, empresa de investimentos que atua principalmente no setor de tecnologia. Bob Iger ficou conhecido por comandar a Disney e deixou o cargo de CEO da empresa neste ano. Em 2024, ele e a esposa, Willow Bay, também compraram o controle do Angel City FC, equipe de futebol feminino de Los Angeles. Uma das franquias mais valiosas do esporte LeBron James, do Los Angeles Lakers, arremessa a bola contra Jabari Smith Jr. e Amen Thompson, do Houston Rockets, durante o segundo tempo do jogo 1 da primeira rodada dos playoffs da NBA de 2026, na Crypto.com Arena Kirby Lee-Imagn Images/Reuters O Los Angeles Lakers foi fundado em 1947 e é uma das equipes mais tradicionais da NBA. O time chegou 32 vezes às finais e conquistou 17 títulos, empatado com o Boston Celtics como maior campeão da liga. A franquia foi comprada originalmente por Jerry Buss em 1979, por US$ 67,5 milhões. A negociação também incluía o The Forum, arena localizada em Inglewood, na Califórnia, e o Los Angeles Kings, equipe da NHL. O valor da nova negociação — superior a US$ 12 bilhões — mostra a forte valorização das franquias esportivas nos EUA, que pode beneficiar outras equipes da NBA *Com informações da Reuters e Bloomberg

Agência Nacional de Proteção de Dados determina que Discord suspenda transmissão de 'lives' no Brasil A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), que o Discord suspenda as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil. A medida preventiva estabelece prazo de três dias úteis para que a empresa cumpra a decisão. A suspensão será mantida até que o Discord comprove ter adotado medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. Veja mais abaixo como a plataforma funciona: Mas, afinal, o que é o Discord? O Discord é uma plataforma de comunicação digital que permite que os usuários conversem por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. No Brasil, a rede social diz que só permite acesso para adolescentes a partir dos 13 anos. O aplicativo é usado principalmente por adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo, e, inclusive, foi desenvolvido com esse propósito. Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr Segundo o site oficial do Discord, os empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy criaram a plataforma em 2015 em busca de uma “maneira confiável de conversar enquanto jogavam on-line”. Por meio de transmissões ao vivo de vídeos, os usuários assistem, participam dos jogos e fazem comentários. "O Discord é uma experiência multimídia. Você pode usá-lo para transmitir vídeos, jogar jogos de tabuleiro a distância, ouvir música em grupo e, simplesmente, passar tempo juntos", descreve a revista norte-americana de tecnologia Wired. Vale destacar que, apesar de ser difundido pelo público adolescente, o Discord também é usado para trabalhar e fazer cursos, por exemplo. Segundo a Wired, a plataforma conquistou ainda mais usuários durante a pandemia, momento em que conseguiu alcançar grupos além dos gamers. Em 2025, o Discord tinha 200 milhões de usuários mensais globalmente, dos quais 93% jogam on-line, segundo o próprio aplicativo. O Discord é pago? A versão básica do Discord é gratuita, mas a plataforma oferece planos pagos, chamados de “Nitro”. Eles incluem vantagens como a criação de emojis personalizados e o envio de arquivos maiores. Entenda a suspensão pela ANPD A pressão sobre o Discord aumentou após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a jovem teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos da plataforma. O caso levou órgãos do governo a questionar os mecanismos de verificação de idade, moderação de conteúdo e proteção de crianças e adolescentes adotados pelo Discord. Na semana passada, a ANPD abriu um processo para investigar possíveis falhas da empresa. Ao mesmo tempo, a Advocacia-Geral da União (AGU) passou a negociar com a plataforma medidas para reforçar a segurança de menores. A discussão ganhou ainda mais repercussão após a primeira-dama Janja da Silva defender o bloqueio do Discord no Brasil e cobrar providências do governo. Após reuniões com autoridades brasileiras, a empresa apresentou uma proposta com medidas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. Em nota, o Discord afirmou que recebeu a determinação e está "cuidadosamente analisando seu conteúdo". "A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação", diz o texto (veja na íntegra mais abaixo). Falhas na moderação de conteúdo e proteção a menores O Discord também esteve no centro de outros casos envolvendo menores. Nos últimos anos, agressores têm se aproveitado das transmissões de vídeo ao vivo da plataforma para, por exemplo, chantagear vítimas a cumprir desafios sob a ameaça de terem fotos íntimas vazadas, conforme reportagem do Fantástico mostrou em maio de 2023. A plataforma também se tornou um ponto de encontro para propagadores de narrativas de contracultura, como o movimento incel (celibatário involuntário), além de grupos de hackers e investidores em criptomoedas. O caso mais recente envolve uma empresária suspeita de torturar e matar animais para vender vídeos na plataforma. Segundo as investigações da Polícia Civil de São Paulo, ela gravava as agressões e comercializava as imagens para pessoas de países europeus. A mulher foi presa durante uma operação policial, mas acabou sendo liberada horas depois. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, explica que o Discord é um ambiente propício para esse tipo de situação por uma combinação de fatores: foi criado para o público gamer, por isso, é muito conhecido pelos jovens; permite formar grupos privados com facilidade, ao contrário de redes sociais que priorizam conteúdos públicos; a moderação é descentralizada. São os criadores das comunidades que fazem a maioria da moderação dos usuários e das mensagens de cada comunidade, dificultando o controle. 'Central da Família' Em setembro de 2023, o aplicativo lançou a ferramenta "Central da Família" (ou "Family Center", em inglês), que permite que responsáveis sejam informados sobre parte das atividades de seus filhos na plataforma. A ferramenta permite que os responsáveis saibam com quais usuários seu filho adolescente está conversando e de quais comunidades do Discord ele participa. No entanto, eles não podem ver o conteúdo dessas conversas. A empresa orienta que a ativação da Central da Família seja feita junto com o filho adolescente, já que a atividade da conta não será compartilhada sem a aprovação dele. Veja o passo a passo: Para ativar a ferramenta, é necessário que você tenha o aplicativo Discord no celular. No aplicativo, você vai acessar a opção "Central da Família", que pode ser encontrada em "Configurações do usuário". Então, clique em "ativar Central da Família". Nessa etapa, o adolescente vai precisar fornecer a você o código QR que será gerado no aplicativo dele. Ele fica disponível na guia da "Central da Família", na opção "Conectar com o pai". Você deve escanear o código fornecido pelo seu filho com seu aplicativo Discord. Depois que o adolescente aceitar a conexão, os dois terão acesso total à Central da Família. O que diz o Discord Veja o posicionamento na íntegra: “Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação. Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma. Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.” Rede sem lei: no Discord, criminosos violentam e humilham meninas menores de idade

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Banco Central (BC) firmaram nesta quarta-feira (12) um convênio que cria um grupo de trabalho para desenvolver uma sistemática nacional de registro e rastreamento das transferências de créditos de precatórios (sentenças judiciais). O acordo foi formalizado por meio da assinatura de uma portaria conjunta pelo presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em cerimônia em Brasília. RELEMBRE: PF investiga suspeita de liberação irregular de precatórios e repasse dos créditos a fundos de investimento O objetivo é criar uma estrutura que permita registrar a venda de direitos precatórios para aumentar segurança, facilitar a fiscalização e e evitar fraudes. Dessa forma, será possível acompanhar com mais clareza quem é o dono do crédito em cada etapa da cadeia de negociações (leia mais abaixo). Agora no g1 "A iniciativa decorre da necessidade de aperfeiçoamento da governança nacional da cessão de créditos de precatórios, matéria que, embora tenha natureza negocial privada, produz efeitos sobre crédito judicial submetido ao regime constitucional de pagamento, à ordem cronológica, à disponibilidade de valor líquido, às constrições incidentes e ao controle do tribunal competente", informou o Conselho Nacional de Justiça. Segundo o presidente do CNJ, Edson Fachin, a medida busca proporcionar mais transparência para evitar fraudes e, também, que a venda de direitos precatórios seja usada para acobertar crimes. "Objetivo não é impedir a circulação de créditos, mas garantia que ocorra com transparência, segurança jurídica, rastreabilidade e proteção aos credores, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade", explicou. Edson Fachin na abertura dos trabalhos do segundo semestre no STF Gustavo Moreno/STF Sistema unificado O presidente do BC, Gabriel Galípolo, observou que o mercado cumpre função de coordenar preços e permitir que diferentes agentes econômicos reajam à mesma informação. Por isso, um sistema unificado de preços público e acessível proporciona isonomia aos agentes. O grupo de trabalho buscará definir padrões de interoperabilidade entre os sistemas envolvidos, estruturar a integração com cartórios de notas, entidades registradoras e tribunais, e irá formular plano de implantação progressiva da nova estrutura. De acordo com o CNJ, a atuação conjunta se mostra necessária por conta da "complementaridade das competências institucionais". Ao CNJ compete a governança da política judiciária de precatórios, a definição dos padrões vinculados ao Sistema Nacional de Precatórios e Requisições de Pequeno Valor (SisPreq), a rastreabilidade da titularidade judicial do crédito e a disciplina da eficácia da cessão perante os tribunais. Ao Banco Central do Brasil compete, no âmbito de suas atribuições, contribuir para a definição dos requisitos técnicos e operacionais aplicáveis às entidades registradoras e à infraestrutura eletrônica de registro da cadeia de cessões. Foto, Gabriel Galipolo. Nesta terça (9) o Secretário Gabriel Galípolo indicado Diretor Bacen, fala com a imprensa sobre a indicação para diretoria de política monetária do Banco Central TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Trump diz que Irã quer matá-lo e jornalistas ‘vão junto’, mas não avisa equipe e imprensa O Irã deve se tornar em breve membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como o banco dos Brics, segundo o presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pelo presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati, segundo a Reuters. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O NDB é uma instituição financeira multilateral criada pelos países que formaram o grupo original: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O acordo para a criação do banco foi assinado em 2014, durante a Cúpula dos Brics em Fortaleza, no Ceará, e a instituição foi oficialmente estabelecida em 2015. A instituição também é uma alternativa às fontes tradicionais de financiamento internacional, como o Banco Mundial. Atualmente, o NDB é presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. Com sede em Xangai, na China, o NDB tem como principal objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e países em desenvolvimento. O banco pode conceder recursos para iniciativas em áreas como transporte, energia, saneamento e outros projetos de desenvolvimento. Por que o Irã quer entrar no banco? Presidente do banco central do Irã, Abdolnaser Hemmati, em Teerã WANA NEWS AGENCY O Irã aderiu oficialmente ao Brics em 2024, durante a expansão do grupo, e desde então vinha demonstrando interesse em também se tornar membro e acionista do NDB. A entrada no banco pode ampliar os canais de financiamento disponíveis para o país, que enfrenta amplas sanções impostas pelos Estados Unidos e outras restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional. Segundo a Reuters, esse cenário aumenta o interesse de Teerã em buscar alternativas ao sistema financeiro dominado pelo dólar. Os países do Brics também têm discutido formas de aumentar o uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras entre seus integrantes. Entrada ocorre em meio a divergências no Brics Cúpula do Brics no Rio de Janeiro em 2025 Eraldo Peres/AP/dpa/picture alliance A aproximação do Irã com o NDB acontece em um momento delicado para o Brics. A expansão do grupo aumentou sua representatividade, mas também tornou mais difícil construir posições comuns sobre conflitos internacionais. Em março deste ano, por exemplo, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel expôs essas diferenças. Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram posições mais críticas às retaliações iranianas contra países do Golfo. A falta de consenso impediu que o grupo emitisse uma declaração conjunta sobre o conflito. A situação contrastou com a resposta do Brics à guerra de 12 dias entre Israel e Irã, em 2025. Na ocasião, quando o Brasil ocupava a presidência rotativa do grupo, os dez países divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques e defendendo o diálogo. Hemmati participa nesta semana de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do Brics, realizada na Índia. O país ocupa neste ano a presidência rotativa do grupo.

Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação Milhares de manifestantes no estado de Jharkhand, no leste da Índia, estão realizando marchas até a assembleia legislativa estaudal para exigir uma investigação federal sobre supostas irregularidades em concursos de recrutamento para funcionários públicos, o cancelamento das provas e um processo de contratação mais transparente. A polícia chegou a utilizar canhões de água contra os manifestantes na segunda-feira (11/08), quando eles tentaram romper as barreiras de segurança a caminho da Assembleia Legislativa de Jharkhand. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O confronto marcou uma escalada significativa das tensões entre as autoridades e os manifestantes. O movimento começou em 25 de julho, quando os protestos passaram a ocupar o Estádio Jaipal Singh Munda, na capital estadual, Ranchi. Em cenas semelhantes aos protestos liderados por estudantes do movimento estudantil satírico Cockroach Janta Party (CJP), ou "Partido do Povo das Baratas", que tomaram Nova Déli no mês passado, para exigir a anulação de provas de seleção para universidades, alguns manifestantes também iniciaram uma greve de fome. Rahul Kranti, de 40 anos, candidato a um cargo público e um dos pelo menos seis participantes da greve de fome, foi transferido para a unidade de terapia intensiva após seu estado de saúde se deteriorar. "O futuro da juventude de Jharkhand não será vendido. Vou permanecer em greve de fome, esteja eu no hospital ou no local do protesto", disse Kranti à DW. Ele prometeu manter a mobilização até que o governo cancele os exames da Comissão de Serviço Público do estado de Jharkhand (JPSC), responsável pelos concursos para a administração estadual, e determine uma investigação criminal conduzida pelo Departamento Central de Investigações (CBI), principal agência federal de investigação da Índia. Após horas de negociações no domingo, o governo concordou em suspender o exame contestado da JPSC deste ano, e três membros da comissão renunciaram. Mas os manifestantes afirmam que essas concessões não atendem às suas exigências. Entre elas está o cancelamento do JSSC-CGL, um dos principais concursos para contratação de servidores estaduais em Jharkhand, além da realização de uma investigação federal sobre supostas irregularidades em todo o sistema de recrutamento público do estado. O que desencadeou os protestos em Jharkhand? Pelo menos seis manifestantes estão em greve de fome em Jharkhand ANI News/IMAGO via DW O estopim foi o mais recente exame para o serviço civil da JPSC, que oferecia apenas 103 vagas no governo. Mais de 2 mil candidatos foram aprovados para a etapa seguinte, quando os resultados foram divulgados no início de julho. Pouco depois, começou a circular nas redes sociais a imagem da folha de respostas de um candidato aprovado que teria deixado grande parte da prova em branco, levantando suspeitas de fraude. A polícia prendeu o candidato envolvido no centro da controvérsia, além de outras dez pessoas, e o presidente da comissão renunciou diante da pressão. Mas os manifestantes afirmam que essas medidas não enfrentam o problema estrutural. Quais são as reivindicações dos manifestantes? Devendra Nath Mahto está em greve de fome há nove dias e perdeu mais de 10 quilos. Somnath Sen/ANI via DW Os manifestantes em Jharkhand querem que os resultados do exame sejam anulados e que a prova seja reaplicada. Eles também exigem uma investigação independente, conduzida por juízes aposentados de tribunais superiores de outros estados ou por autoridades federais. Os manifestantes argumentam que uma investigação da polícia estadual não seria capaz de examinar adequadamente acusações envolvendo o próprio sistema de recrutamento de Jharkhand. A Jharkhand Chhatra Sangh (JCS), uma importante organização estudantil do estado, também exige maior transparência na divulgação das folhas de respostas e dos resultados, verificação biométrica dos candidatos, mecanismos mais rigorosos contra vazamentos de provas e responsabilização de autoridades e agências privadas terceirizadas de recrutamento. A organização estudantil também defende que exames suspeitos realizados nos últimos anos sejam investigados e, quando necessário, anulados e reaplicados. "O governo precisa reformar completamente o sistema de recrutamento da JPSC e da JSSC, investigar os responsáveis, colocar na lista negra as agências envolvidas em irregularidades e tornar os futuros exames transparentes e à prova de fraudes", afirmou S Ali, presidente nacional da entidade estudantil, à DW. Os protestos em Ranchi são inspirados pelo movimento estudantil de Déli? A insatisfação com os exames de recrutamento para o serviço público em Jharkhand vem se acumulando há anos ANI Photo via DW O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP, movimento estudantil que ganhou projeção nacional recentemente, encerrar uma mobilização de 36 dias em Nova Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina. O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP (o Partido do Povo das Baratas) encerrar sua mobilização de 36 dias em Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina. O movimento reuniu jovens em greves de fome e acampamentos diante do observatório histórico de Jantar Mantar, na capital indiana, e culminou com a renúncia do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan. O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, anunciou planos de viajar para Jharkhand, enquanto uma delegação do grupo já chegou a Ranchi para apoiar o movimento. Mas o movimento em Jharkhand é mais do que uma simples cópia do CJP. Os protestos são liderados pelo Fórum de Reformas JPSC-JSSC, juntamente com a Frente Revolucionária Democrática de Jharkhand. Entidades estudantis, incluindo a All-India Students Association (AISA) e a All India Students' Federation (AISF), também aderiram à mobilização. Neha Bora, presidente da AISA, visitou os manifestantes em Ranchi. "Seja em Jantar Mantar ou em Ranchi, esses protestos simbolizam a quebra de confiança que os jovens sentem em relação ao sistema", disse Bora à DW. "Eles exigem ser ouvidos, mas também estão pedindo mudanças que possam evitar crises semelhantes no futuro." Jharkhand tem uma longa história de lutas populares relacionadas à terra, à identidade e aos direitos políticos. A analista política Radhika Ramaseshan afirmou que os estudantes claramente se inspiraram nos protestos de Déli, mas também estão recorrendo a essa tradição local. "Jharkhand sem dúvida adotou a estratégia do CJP para chamar atenção para um conjunto diferente de questões que também afetam o futuro dos jovens", disse Ramaseshan à DW. "A diferença é que o alvo dos manifestantes é o governo de coalizão em Ranchi, que, assim como o governo federal, demorou a reagir", acrescentou. O ministro-chefe Hemant Soren afirmou estar aberto ao diálogo, enquanto as autoridades restringiram protestos em um raio de 750 metros da Assembleia Legislativa até 12 de agosto. "A solução para todos os problemas está no diálogo, e não em cassetetes e armas", declarou Soren durante o festival tribal anual de Jharkhand, realizado em Ranchi no domingo. Ele buscou assegurar aos estudantes que os responsáveis pelas supostas irregularidades nos processos de recrutamento serão severamente punidos. O que a juventude de Jharkhand espera do governo estadual? Estudantes protestam em Ranchi há mais de duas semanas Somnath Sen/ANI via DW Os protestos em Déli mostraram que um movimento estudantil organizado nas redes sociais e impulsionado pela indignação com suspeitas de fraude em concursos e exames pode pressionar autoridades e levar a mudanças concretas. Os manifestantes em Jharkhand já conquistaram uma vitória com o cancelamento do exame contestado da JPSC deste ano e a renúncia de três membros da comissão. Mas a juventude da Índia não pretende parar por aí. Os estados de Bihar, Uttar Pradesh e Rajasthan também enfrentaram grandes controvérsias envolvendo exames de recrutamento. O que tem faltado nesses locais é um movimento duradouro capaz de transformar essas queixas em pressão política mais ampla. Por enquanto, e apesar das concessões do governo estadual, os estudantes em Ranchi se recusam a encerrar os protestos. "Estamos esperando para ver o que vai acontecer. Esses exames fraudulentos precisam acabar, mas nossa paciência também está se esgotando", disse Motilal Mahto, um dos manifestantes, à DW.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,35% nesta quarta-feira (12), cotado a R$ 5,1793. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,22%, aos 167.507 pontos. Investidores repercutiram os novos dados de inflação dos Estados Unidos e acompanharam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. No Brasil, o cenário eleitoral e as dúvidas sobre o rumo dos juros também pesaram, após o JPMorgan citar os dois fatores em um relatório divulgado na véspera. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os novos dados de inflação dos EUA foram o destaque da sessão. O índice subiu 0,1% em julho, após queda de 0,4% em junho. Em 12 meses, houve uma desaceleração de 3,5% para 3,4%. Os dados vieram em linha com o esperado pelo mercado e ajudam a dar sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros americanos. (leia mais abaixo) ▶️ Ainda no exterior, o conflito no Oriente Médio seguiu no radar. Segundo a Bloomberg, o presidente americano, Donald Trump, reivindicou o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio de petróleo na região. O Irã, no entanto, continua a fazer ataques a navios que transitam pelo canal. As divergências entre os dois países voltam a levantar preocupações sobre a oferta global de petróleo. O barril do Brent, referência internacional, teve queda de 0,11%, cotado a US$ 88,81. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 0,26%, a US$ 82,98 o barril. ▶️ No Brasil, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) ficou no centro das atenções. O volume do setor ficou estável em junho em relação a maior e teve uma alta de 2% em comparação ao mesmo mês de 2025. Os dados foram divulgados pelo IBGE e vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. Trump reivindica controle de Ormuz Os impasses entre os EUA e o Irã continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo no mercado internacional. Na véspera, segundo informações da Bloomberg, Trump afirmou que detinha o controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global da commodity. A informação, no entanto, foi desmentida por Irã, que continua a fazer ataques intermitentes a navios que transitam pela região. Segundo dados divulgados pela Reuters, o número de embarcações monitoradas no Estreito caiu para oito na terça-feira, o menor nível em uma semana. A queda indica que os navios seguem receosos em cruzar o canal, em meio às tensões e ataques registrados. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Ao mesmo tempo, as negociações entre os dois países para um acordo de paz parecem estar em um impasse. No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Inflação dos EUA em linha com expectativas A inflação ao consumidor nos EUA subiu 0,2% em julho, enquanto o núcleo do índice, que exclui preços mais voláteis, avançou 0,1%. Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado e mostraram uma inflação mais próxima do comportamento habitual após a queda dos preços de energia ter ajudado o índice em junho. Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, os dados representam uma normalização da inflação americana. Segundo ele, os preços dos aluguéis responderam por cerca de dois terços da alta registrada em julho, um fator relevante porque essa categoria tende a demorar mais para refletir mudanças nos preços. O núcleo da inflação, que ainda está acima da meta de 2% do Fed, desacelerou de 2,6% para 2,5% em 12 meses. Na avaliação de Flores, como o resultado ficou muito próximo do esperado, o próximo dado de inflação antes da reunião do Fed, em setembro, deverá ter mais peso na decisão sobre os juros. "Com os dados atuais, a expectativa para a próxima decisão do Fed não deve mudar, com a probabilidade mais alta sendo a de manter as taxas de juros sem alteração", afirmou. Após a divulgação dos dados, os rendimentos dos títulos do governo americano, conhecidos como Treasuries, e o índice que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas tiveram queda. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários americanos fecharam sem uma direção única nesta quarta-feira, enquanto investidores avaliavam os novos dados de inflação americana e repercutiam os resultados de empresas. O Dow Jones caiu 0,06%, enquanto o S&P 500 subiu 0,26% e o Nasdaq Composite avançou 0,55%. Na Europa, as bolsas de valores fecharam em queda, conforme investidores analisavam os balanços corporativos e os desdobramentos no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,16%, aos 659,48 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,23%, enquanto o CAC-40, da França, teve queda de 0,46% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,10%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em leve alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelos ganhos nos setores de tecnologia e mobiliário, enquanto investidores aguardavam os novos dados de inflação dos EUA. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 0,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, avançou 0,3%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,8% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,68%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,83%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Foto de setengah lima sore Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre deste ano, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado pelo aumento das solicitações feitas por produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, em um cenário de crescimento das dívidas e dos custos no setor, informou a Serasa Experian nesta quarta-feira (12). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também registrou alta na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando foram contabilizadas 408 solicitações de recuperação judicial. Ainda assim, o total ficou abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2025, quando houve 628 pedidos. Agora no g1 "O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção dos altos custos de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo", afirmou, em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. Segundo ele, a evolução desse cenário até o fim do ano dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação das dívidas. "Por isso, reforçamos que renegociar dívidas e manter um planejamento financeiro devem ser prioridades, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso", afirmou. Mato Grosso concentra maior número de solicitações Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, registrou o maior número de pedidos de recuperação judicial entre os Estados, com 135 registros. Na sequência aparecem Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38), também importantes produtores de grãos. Entre as atividades, o cultivo de soja, principal cultura agrícola do país, concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42, segundo a Serasa. Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica cresceram 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, chegando a 196. Foi o maior avanço anual entre os três perfis analisados. Já os produtores rurais classificados como pessoa física "sem propriedades", categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 60 pedidos. Os pequenos proprietários registraram 44 solicitações, os grandes, 41, e os médios, 37. Ao todo, o segmento de pessoas físicas somou 182 pedidos, uma queda de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Motoristas e entregadores por aplicativo na Austrália terão condições mais justas no trabalho Rafael Ben Ari/Avalon/IMAGO Entregadores de alimentos e compras na Austrália receberão pelo menos 31,30 dólares australianos (cerca de 115 reais) por hora e terão seguro contra acidentes durante o trabalho, de acordo com novas regras aprovadas pelo tribunal de relações trabalhistas do país. A remuneração por hora, estabelecida em uma decisão emitida pela Comissão de Trabalho Justo (Fair Work Commission, FWC) nesta terça-feira (12/08), está acima do salário mínimo australiano de 26,44 dólares. A decisão da FWC, que pode servir de precedente para outros países, foi comemorada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes (Transport Workers Union, TWU) como "um momento histórico para a economia de aplicativos na Austrália". O sindicato classificou as novas regras como "um conjunto de padrões pioneiros no mundo". 'Sou meu próprio patrão, mas nunca sei quanto vou ganhar': o retrato de quem vive das entregas por aplicativo Quais direitos e proteções terão os entregadores por aplicativo? A remuneração mínima por hora será paga pelo tempo "ativo", ou seja, o período entre a aceitação de uma entrega e a conclusão do serviço. A decisão, que entra em vigor em 17 de agosto, também exige que as empresas ofereçam um "nível mínimo razoável de cobertura" por seguro contra acidentes pessoais durante o trabalho, sem especificar exatamente qual deve ser o valor dessa cobertura. Os trabalhadores, no entanto, continuarão responsáveis por manter o seguro contra danos a terceiros dos veículos utilizados nas entregas. Sindicatos e trabalhadores na Austrália há muito tempo defendem reformas em benefício dos profissionais que atuam por meio de aplicativos. Até agora, eles não estavam cobertos por muitas das proteções concedidas a outros empregados, já que eram classificados como "prestadores de serviços independentes". As novas regras devem afetar cerca de 250 mil trabalhadores. LEIA TAMBÉM: Café, banheiro e até videogame: a base criada por entregadores que oferece apoio e descanso entre as corridas Agora no g1 ONU avança para proteger trabalhadores de aplicativos A decisão da FWC foi anunciada após a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência das Nações Unidas, adotar em junho um novo tratado global voltado à garantia de condições dignas de trabalho na economia de aplicativos. Os padrões estabelecidos pelo tratado, o primeiro do gênero em âmbito global, ainda precisam ser ratificados pelos governos de cada nação. Na Austrália, o Parlamento aprovou leis em 2023 e 2024, sob o governo trabalhista de centro-esquerda, que concederam aos trabalhadores de aplicativos mais direitos de negociação sobre remuneração mínima e condições de trabalho.

Henrique Batista, de 36 anos, deixou o trabalho de entregas para se dedicar a canais dark no YouTube e mentorias Arquivo Pessoal Henrique Batista, de 36 anos, estava cansado de trabalhar entregando hambúrgueres. Ele e a mãe produziam os lanches em casa, em Paraopeba (MG), município com pouco mais de 24 mil habitantes, e Henrique cuidava das entregas de moto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão de mudar de profissão veio há dois anos, depois de um dia de trabalho difícil. "Tomei uma chuva fazendo entrega e falei: 'Não quero mais isso para a minha vida'. Então, peguei pesado. Três meses trabalhando pesado." Henrique havia encontrado um curso do youtuber Peter Jordan sobre como ganhar dinheiro criando canais com a ajuda de inteligência artificial (IA) para a maior plataforma de streaming do mundo. Agora no g1 Ele conta que comprou o curso por cerca de R$ 400 e passou a criar canais dark, também conhecidos como faceless (sem rosto, em inglês), porque quem produz o conteúdo não costuma aparecer nem usar a própria voz. "Vi como uma oportunidade de liberdade financeira", diz Henrique à BBC News Brasil. Com as ferramentas de IA, Henrique passou a fazer os roteiros dos vídeos, as narrações e as imagens. Para ele, é como "ter um funcionário que não gripa, que não tira férias e não dá dor de cabeça". Os temas são variados e acompanham tendências de conteúdos que já fazem sucesso em outros idiomas, como civilizações antigas e contos bíblicos, que ele não conhecia a fundo. É a IA que cuida de tudo. O faturamento — ou monetização, no jargão dos produtores de conteúdo — pode vir da participação na receita de anúncios exibidos nos vídeos. O valor varia conforme fatores como visualizações, perfil e localização da audiência. "Consegui monetizar um canal. Vi que eu poderia viver daquilo. Investi em outro. E deu certo", diz Henrique. Esse tipo de vídeo, feito quase totalmente com IA, virou uma dor de cabeça para o YouTube. Henrique Batista contou que trabalhava com venda e entrega de hambúrgueres antes de se dedicar aos vídeos de IA Arquivo Pessoal Ao mesmo tempo em que o Google, dono da plataforma, estimula e comercializa ferramentas de inteligência artificial, há uma pressão para que deixe de remunerar criadores que publicam conteúdos considerados ruins, pouco autênticos ou mesmo nocivos para os espectadores. Como mostrou a BBC News Brasil em reportagens recentes, há canais dark com milhões de visualizações que exploram a atenção de crianças com imagens hipnotizantes, tratam de saúde na terceira idade com soluções alarmantes e imagens de falsos médicos ou simplesmente divulgam conteúdos com informações falsas ou sem sentido. De acordo com uma pesquisa da empresa de IA Kapwing, 20% do conteúdo exibido para um novo usuário do YouTube é, atualmente, "vídeo de IA de baixa qualidade". Uma outra análise, do jornal New York Times, indicou que, após uma sessão de 15 minutos realizada depois de assistir a um canal infantil, mais de 40% dos vídeos assistidos pareciam conter imagens geradas por IA. O YouTube afirma que, embora seja permitido conteúdo gerado por IA, "combater o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA é uma prioridade máxima" e que adota padrões mais rígidos para o conteúdo voltado para espectadores mais jovens. "Isso inclui esforços contínuos para remover conteúdo de IA marcado como 'feito para crianças' quando ele não atende aos nossos princípios de qualidade", diz a plataforma em nota à BBC News Brasil. O Google afirma que todo o conteúdo do YouTube, inclusive o que é gerado por meio de IA, deve seguir as diretrizes da comunidade: "Isso abrange nossas políticas sobre desinformação médica, que proíbem informações incorretas a respeito de prevenção e tratamentos capazes de causar, comprovadamente, danos graves no mundo real". A empresa acrescenta que adiciona rótulos a conteúdos gerados por IA "para garantir que os espectadores estejam informados sobre o que estão assistindo". 'Quem faz sucesso é a exceção' A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema Arquivo Pessoal A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado estuda este mercado. Ela diz que as novas tecnologias potencializaram, nos últimos dois anos, uma promessa que já existia no marketing digital: trocar empregos tradicionais por uma rotina mais flexível e lucrativa. "A IA dobra a promessa. Promete ser mais fácil, com menos esforço, que tudo vai acontecer se só deixar a inteligência artificial trabalhar por você", diz Pinheiro-Machado, que é professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema. "A promessa é sempre que você vai ter mais tempo, e isso pega sempre muito forte em pessoas que não têm tempo. É uma promessa muito cruel, sempre voltada a ver os filhos crescerem e a aproveitar a vida." Mas conseguir emplacar na plataforma, porém, não é simples como muitos prometem, porque, para conseguir a sonhada monetização, dá trabalho. O YouTube exige para isso que um canal tenha ao menos 1 mil inscritos e 4 mil horas de conteúdo com exibição pública nos últimos 12 meses. A tecnologia pode facilitar tarefas, como a produção de posts, mas está longe de trazer automaticamente os ganhos prometidos, diz Pinheiro-Machado. "Muitas pessoas vão desistindo. Quem faz sucesso é exceção." A criadora de conteúdo Tai Squinalli, que produz vídeos de música com IA em espanhol, conta que trabalha até 12 horas por dia Arquivo Pessoal Tai Squinalli, de 43 anos, se viu em dificuldade em janeiro deste ano, quando, segundo ela, o YouTube parou de remunerá-la pelos cinco canais dark que ela administrava. "Foi uma onda de desmonetização em massa. Ninguém entendeu muito bem o que aconteceu", conta ela à BBC News Brasil — o YouTube tem dito que não remunera conteúdo considerado inautêntico, que é muitas vezes o caso de vídeos cujo roteiro e imagem foram gerados por IA. Dois meses antes, ela afirmou à reportagem que tinha conseguido seu maior faturamento fazendo isso desde que começou em meados do ano passado: R$ 75 mil em um único mês, dinheiro que usou para se sustentar nos meses sem receber da plataforma. Foi um alento para quem recorreu aos vídeos de IA para ter alguma renda depois que a pousada que ela administrava em Itacaré, na Bahia, fechou na pandemia e ela voltou grávida para Caxias do Sul (RS), onde morava antes. Ela conta que trabalhou por um tempo gravando anúncios de produtos, mas se viu de novo sem emprego quando os clientes começaram a fazer vídeos com IA. "Pensei: 'Meu Deus, mais uma vez tenho que me reinventar." Pagou cerca de R$ 1 mil por um curso sobre canais dark. Depois de seis meses quase sem renda, investiu mais R$ 600 em uma mentoria e passou a criar histórias fictícias em diferentes idiomas. Tai conta que hoje mantém outros canais dark de músicas e também conteúdo sobre desenvolvimento pessoal, ambos em espanhol e gerados por IA. "Mudei de nicho. Os canais de história perderam a monetização. Foi o nicho mais prejudicado." Ela diz que ganha hoje entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês com os vídeos e que prefere essa rotina a um emprego na sua área de formação, administração de empresas. "Eu gosto dessa liberdade, de não precisar ficar pedindo permissão para fazer as coisas. Ela conta que chega a trabalhar por até 12 horas por dia ou mais, inclusive à noite e aos finais de semana, mas acha que vale a pena. "Apesar de eu trabalhar muito, faço isso produzindo para mim", afirma. "Minha filha me pergunta: 'Mamãe, você nunca tira férias?' Não, mamãe não consegue." 'É um mercado dominado por gurus que são apresentados como os casos de sucesso' Canal Riqueza com IA associa tecnologia à renda extra, mas criador reconhece que nem todos conseguirão monetização Reprodução/YouTube A popularização dos vídeos feitos com IA impulsionou um outro segmento igualmente importante deste mercado: o das pessoas que ensinam a fabricar canais dark, muitas vezes junto com a promessa de que, assim, pode-se faturar alto, sem sair de casa ou ter complicações. Os cursos e mentorias são anunciados como "como fazer vídeos curtos e dizer adeus à CLT" ou "o prompt que vai te deixar milionário". A pesquisa liderada por Rosana Pinheiro-Machado acompanha influenciadores e alunos que participam de cursos sobre marketing digital e IA, no Brasil e em outros países. A pesquisadora aponta que uma das estratégias dos mentores é criar grupos de WhatsApp e listas de email para os alunos e disparar ofertas de métodos exclusivos para usar IA e ganhar dinheiro. "Você fica sendo bombardeado com promoções, com a ideia de dizer que você está perdendo a chance da sua vida", diz Pinheiro-Machado. "Apesar de prometer ser democrático, é um mercado dominado por gurus que chegaram primeiro e vendem sua fórmula. São esses que acabam sendo mostrados como casos de sucesso." Um dos canais que ensinam o método com IA é de Arthur Diniz, que se apresenta dizendo que "faturou seu primeiro milhão antes do primeiro beijo" e que já ensinou milhares de alunos "a transformar a internet em renda". Em seu canal, o Nova Riqueza IA, que tem 160 mil inscritos, Diniz ensina estratégias de negócios digitais "para construir prosperidade real, aquela que te permite viver bem, com saúde mental e propósito, sem se tornar escravo do trabalho". Em um dos vídeos mais recentes, com o título "Nova IA tá fazendo gente comum ganhar R$ 17.990 com apps", Diniz aparece à frente do computador e depois na praia, dizendo a uma IA: "Ganha dinheiro para mim". "Planeja, constrói, testa tudo sozinha e só me chama quando tudo terminar. Fechei o computador e fui viver a minha vida." Canal no YouTube promove uso de IA para obter dinheiro com vídeos Reprodução/YouTube Em outro, ele mostra como criou um perfil nas redes sociais que divulga mensagens bíblicas. "Nos últimos sete dias, essa estratégia secreta me gerou R$ 1109,65 só compartilhando versículos da Bíblia pelo celular. Melhor: sem aparecer, sem investir em anúncio, só usando o que eu já tenho no bolso. Você também tem, ou seja, o celular." Diniz argumenta no vídeo que qualquer pessoa pode copiar o método, e, "mesmo sem ter nenhuma experiência, já ter resultados financeiros". Ele então ensina a usar o Grok, a IA da empresa xAI, de Elon Musk, para gerar vídeos e depois gerar um texto no ChatGPT com frases bíblicas, para compartilhar junto do texto. A ideia é usar os vídeos como gancho para vender ebooks sobre estudos bíblicos. Diniz diz à BBC News Brasil que a mensagem que deseja passar a quem o segue é que IA reduz a barreira técnica para quem quer começar um canal dark. Mas ele reconhece que transformar os primeiros bons resultados em um negócio sustentável é outra história. "É justamente nessa etapa que a maioria das pessoas desiste. Por isso, não vejo contradição entre dizer que qualquer pessoa consegue começar e reconhecer que nem todas conseguirão construir um negócio de longo prazo", afirma Diniz. Apesar dos títulos provocativos, ele diz que não recomenda que seus seguidores abandonem o emprego. Já sobre os ganhos elevados que cita em seus títulos, ele afirma que "são baseados em casos reais". "Reconheço que um título, isoladamente, pode gerar expectativas diferentes do conteúdo completo", afirma Diniz. "Quando utilizo um valor mais alto, ele representa o melhor resultado daquele caso específico, que depois é explicado no próprio vídeo. Também faço questão de deixar claro que se trata de exemplos, que os resultados variam conforme a execução e que não existe promessa de ganho." Ele diz que, quando fala que IA faz o trabalho sozinha, isso diz respeito somente à parte técnica e não a todo o trabalho envolvido em um canal assim. "Isso não significa que um negócio funcione sozinho. O próprio vídeo dedica uma parte importante justamente às atividades que continuam sendo humanas: encontrar clientes, definir preços, vender, atender e acompanhar o trabalho." Ele também afirma que um criador deve ser transparente sobre o uso da IA e que a tecnologia "não substitui estratégia, responsabilidade nem bom julgamento". 'Tem roteiro que tem erro. Mas a gente não liga' Peter Jordan, empresário e youtuber brasileiro, é uma das vozes mais influentes no mercado de produção de canais dark no Brasil Reprodução/YouTube O youtuber Peter Jordan — que inspirou o entregador Henrique Batista, do início desta reportagem, a trocar de trabalho — é um dos mais influentes gurus dos canais dark no Brasil. Ele é criador e apresentador do canal Ei Nerd, que se apresenta como "o maior canal de cultura pop" brasileiro, com mais de 14,6 milhões de inscritos e 10 mil vídeos sobre celebridades, desenhos, curiosidades e afins. Tem mais de 4,5 bilhões de visualizações acumuladas desde que entrou no ar, em 2013. Jordan também está à frente do Nerd de Negócios, uma espécie de desdobramento empresarial do seu primeiro canal, onde ensina sobre marketing digital "de forma clara e simples, para que qualquer pessoa possa começar a empreender na internet". É ali que ele se apresenta como o dono de vários canais dark voltados para diferentes nichos e públicos e ensina como fazer sucesso e ter uma "renda passiva" com isso. Jordan diz que a velocidade de produção é uma das principais vantagens desse modelo de negócio. "Canal sem aparecer, a gente faz uma linha de produção tão rápida que chega a um ponto em que, estou falando da nossa equipe, a gente não se preocupa mais com roteiro. É um dos modelos mais lucrativos que existem", diz em um dos seus vídeos. Ele também diz que, para não comprometer o faturamento, não é possível corrigir os erros que a IA venha a cometer, e defende que eventuais falhas não necessariamente impedem um vídeo de ter bom desempenho. "Tem roteiro nosso que tem erro. Mas a gente não liga mais. A gente vai fazendo. O máximo que vai acontecer é o vídeo não ter view [visualização]", diz ele em um vídeo publicado em junho deste ano no YouTube, com mais de 200 mil visualizações. "Não vale você se preocupar a ponto de perder tempo na sua linha de processo de criação de vídeo. Isso é algo que ninguém vai te falar. Mas eu falo." Para ele, o público não se importa com esses erros, como falhas nas imagens geradas por IA. "A galera não quer saber disso. A galera quer só história, quer entrar, quer imergir. E não liga para esse tipo de coisa. As pessoas não comentam mais sobre esses erros. Elas estão curtindo esses vídeos." A BBC News Brasil pediu entrevista a Peter Jordan, mas ele não respondeu. 'Falsificação de conhecimento especializado' A falta de supervisão e checagem é um dos riscos dos vídeos produzidos de forma automatizada, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem. Outro ponto questionado por especialistas é a responsabilidade sobre o conteúdo divulgado, especialmente quando é gerado por IA, sem revisão. Shuo Niu, professor associado de Ciência da computação da Clark University, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores analisaram, em estudo publicado em março, 377 vídeos de 47 canais em inglês que ensinavam a usar IA para ganhar dinheiro. "Os criadores pareciam menos preocupados com autoria ou credibilidade e mais interessados em construir linhas de produção eficientes, capazes de gerar conteúdos com potencial para viralizar", afirma Niu. A facilidade de produzir vídeos em grande escala, avalia o pesquisador, pode reduzir a qualidade geral do conteúdo disponível nas plataformas. Um dos riscos é o que ele chama de "falsificação de conhecimento especializado": pessoas sem experiência em determinado assunto podem usar a IA para escrever roteiros e se apresentar como autoridades. É o caso, por exemplo, dos diversos perfis nas redes sociais de falsos médicos gerados por IA, como mostrou a BBC News Brasil. "Observamos muitos criadores afirmando que a IA sabe quase tudo e pode permitir que muitos usuários se apresentem como especialistas em nichos em alta, mesmo quando possuem pouco conhecimento relevante", diz Niu. Isso pode diminuir o alcance de criadores que investem tempo, conhecimento e trabalho na produção de conteúdo original, avalia o pesquisador. Niu também alerta que transformar informações geradas por IA em vídeos pode dar a elas uma aparência de autoria humana e de credibilidade. "Os espectadores podem presumir que uma história ou afirmação é confiável porque parece ter sido comunicada por uma pessoa real na internet." O risco seria maior para crianças e idosos, que podem ter mais dificuldade para reconhecer conteúdos sintéticos ou enganosos, avalia. Para João Victor Archegas, coordenador de Direito & Tecnologia e GovTech do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), o fato de um conteúdo atrair visualizações não elimina a responsabilidade ética de quem o publica. "Não é uma pessoa qualquer fazendo conteúdo para três, quatro pessoas que estão na rede de amigos. É um canal com milhares ou até milhões de seguidores, que está fazendo conteúdo que vai chegar a milhares ou milhões de pessoas". O professor Shuo Niu avalia que o YouTube tem responsabilidade direta sobre esse fenômeno, porque seus sistemas de recomendação e monetização podem incentivar a produção em massa de vídeos de baixa qualidade que atraem cliques. Para ele, a solução não é eliminar todo conteúdo feito com IA, que também pode reduzir tarefas trabalhosas e permitir novas formas de criatividade. O desafio, avalia, é diferenciar esses usos de práticas que imitam o trabalho alheio, fabricam conhecimento especializado ou enganam o público. O YouTube afirma que canais que usam IA continuam qualificados para monetização, ou seja, para exibir propaganda e serem pagos por isso, "desde que o produto final seja uma criação original que adicione uma perspectiva autêntica, siga nossas diretrizes de comunidade e de monetização, e divulgue adequadamente quando o conteúdo for alterado ou sintético". Em uma entrevista ao canal Creator Inside, em julho, o vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, Matt Halprin, disse que são considerados problemáticos vídeos em que o conteúdo seja genérico ou repetitivo, que busquem manipular as emoções dos espectadores ou criem personagens com IA para abordar temas considerados mais sensíveis, como finanças, questões legais ou saúde. Eduardo Rico, especialista em desenvolvimento de canais no YouTube, afirma que a IA não reduz necessariamente a credibilidade de um vídeo. O problema, diz, é usar a tecnologia sem controle ou preocupação com a veracidade, especialmente em temas como saúde e conteúdo infantil. "O que eu sou contra é usar de forma desenfreada, sem um mínimo de crivo, sem a mínima preocupação com a verdade do que está acontecendo naquele vídeo." Rico diz que a velocidade de produção não substitui a necessidade de criar algo que interesse ao público. "Você pode ter os melhores recursos e os melhores roteiros. Se a audiência não gostar do seu conteúdo, não tem estratégia que vá funcionar", diz. Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia
Como estoques recordes e avanço do agro brasileiro podem reduzir impacto do 'super El Niño' no mundo

Com fenômeno El Niño, tempo seco e quente amplia alerta para doenças de pele O sistema alimentar global está mais preparado para enfrentar os efeitos de um forte episódio de El Niño do que em eventos semelhantes no passado. Estoques de produtos agrícolas próximos de níveis recordes, avanços tecnológicos e o crescimento de países como Brasil e Rússia entre os grandes exportadores aumentaram a capacidade de compensar eventuais perdas de produção. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e análises de especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, a produção agrícola mundial vem crescendo acima do consumo e do aumento da população desde a década de 1980. O avanço foi impulsionado por variedades de plantas mais produtivas, maior uso de fertilizantes, melhorias na irrigação e técnicas mais eficientes de proteção das lavouras. Esses fatores elevaram a produtividade de culturas como arroz, trigo, milho e soja. "Mesmo durante condições de seca, melhor manejo da irrigação e ciência das culturas significam que ainda podemos produzir rendimentos comercializáveis", disse Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3. Segundo ele, ainda há riscos para a oferta e os preços dos alimentos, mas a preparação atual tende a tornar as consequências menos severas do que em décadas anteriores. Os graves efeitos do 'Super El Niño' na América Latina previstos pelos cientistas Super El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta El Niño ganha força e ameaça lavouras do planeta O fenômeno climático já começa a afetar o plantio em partes da Ásia, incluindo a Índia e países do Sudeste Asiático, além da Austrália. A falta de umidade ocorre ao mesmo tempo em que a escassez de fertilizantes e diesel provocada pela guerra no Irã aumenta os riscos para a produção agrícola mundial. A Índia enfrenta uma temporada de monções abaixo do esperado. Na Austrália, há preocupação com o clima mais seco nas principais regiões produtoras de trigo. Indonésia e Tailândia também registram impactos da falta de umidade. A situação pode se agravar nos próximos meses. Segundo Chris Hyde, meteorologista da empresa americana SkyFi, o El Niño, que já é considerado forte, deve ganhar intensidade no quarto trimestre e no início de 2027. O fenômeno ocorre quando há um aumento anormal da temperatura da superfície do oceano no Pacífico central e oriental. Em geral, provoca condições mais secas em grande parte da Ásia e aumenta as chuvas em regiões das Américas. Episódios severos registrados entre 1997 e 1998 e entre 2015 e 2016 reduziram a produção de culturas importantes e contribuíram para a escassez de alimentos, a inflação e a perda de atividade econômica em diferentes países. Estoques ajudam a criar uma reserva contra perdas Desta vez, o cenário da oferta é diferente. Estoques elevados de grãos, sementes mais resistentes à seca, previsões meteorológicas mais precisas, agricultura de precisão e sistemas de irrigação mais eficientes formam uma espécie de colchão contra perdas provocadas pelo clima. Na Índia, por exemplo, a semeadura das principais culturas está próxima do ritmo normal após um atraso no início da temporada. As chuvas de agosto e setembro, porém, serão importantes para o desenvolvimento das lavouras. Lavoura de café no Sul de Minas AME/Divulgação O país também possui grandes reservas de arroz. Segundo a Reuters, os estoques indianos equivalem a mais de um ano das exportações globais do cereal. A China concentra quase metade dos estoques mundiais de trigo. Essa reserva pode ajudar a reduzir a necessidade de importações caso uma eventual seca prejudique a produção da Austrália, uma das principais fornecedoras do mercado internacional. Os estoques globais de óleo de palma também estão próximos de níveis recordes. O produto responde por cerca de 60% das exportações mundiais de óleos comestíveis. Brasil ganhou peso na oferta mundial Além dos estoques, outra mudança importante nas últimas décadas foi o crescimento de novos grandes exportadores agrícolas. O Brasil é um dos principais exemplos. O país se tornou o maior fornecedor mundial de soja, e suas exportações cresceram mais de 13 vezes desde o El Niño de 1997 e 1998. A Rússia também ganhou espaço no mercado agrícola global. As exportações russas de trigo chegaram a 48 milhões de toneladas no ano passado, ante cerca de 1 milhão de toneladas em 1997 e 1998. A maior participação desses países significa que uma eventual quebra de safra em determinadas regiões pode ser parcialmente compensada pela produção de outros grandes fornecedores. Tecnologia aumenta resistência das lavouras A agricultura também passou a contar com ferramentas que praticamente não existiam durante os grandes episódios de El Niño do passado. Híbridos de milho tolerantes à seca foram amplamente adotados na África e nas Américas desde 2015. Variedades de trigo resistentes ao calor e à falta de água também ganharam espaço na Índia e na Austrália. No Sul e no Sudeste Asiático, variedades de arroz de ciclo mais curto ajudam os agricultores a lidar com períodos de chuva mais irregulares. Os produtores também passaram a utilizar satélites, previsões climáticas sazonais, mapas de umidade do solo e sistemas de aplicação de fertilizantes orientados por GPS. Essas ferramentas permitem identificar áreas mais vulneráveis e direcionar água e insumos de maneira mais eficiente. "Os governos têm informações muito melhores do que no passado e conseguem se preparar mais cedo", disse Maximo Torero, economista-chefe da FAO, à Reuters. Agricultores também começam a utilizar plataformas baseadas em inteligência artificial que combinam previsões do tempo, informações sobre o solo e dados das lavouras para recomendar períodos de plantio e irrigação, além da aplicação de fertilizantes e do controle de pragas. Guerras e fertilizantes ainda preocupam Apesar da maior capacidade de resposta, especialistas alertam que o sistema alimentar global continua vulnerável a choques simultâneos. As guerras no Oriente Médio e na região do Mar Negro podem comprometer parte dos ganhos proporcionados por estoques maiores e avanços tecnológicos. A crise no Estreito de Ormuz também afetou o fornecimento de combustíveis e fertilizantes. Antes do bloqueio relacionado à guerra no Irã, a passagem concentrava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito. Para Maximo Torero, da FAO, os efeitos do El Niño dependerão principalmente da evolução das condições climáticas no segundo semestre de 2026 e dos impactos dos conflitos sobre a disponibilidade e os preços dos insumos agrícolas. Assim, embora o mundo tenha hoje mais estoques, tecnologia e fornecedores capazes de compensar perdas, a combinação de clima extremo, conflitos e custos elevados de produção ainda pode pressionar a oferta e os preços dos alimentos.

Transpetro abre processo seletivo com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil A Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, publicou nesta quarta-feira (12), no Diário Oficial da União (DOU), os editais de seu novo concurso público. Ao todo, são oferecidas 281 vagas imediatas, além de 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades, distribuídas entre 61 cargos e ênfases dos quadros de terra e mar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp. As oportunidades contemplam profissionais de níveis médio, técnico e superior, com remunerações mínimas garantidas que variam de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde. Ao todo, foram publicados quatro editais. Para o quadro de terra, há um processo seletivo para cargos de nível médio/técnico e outro para nível superior. Já para o quadro de mar, um edital é destinado a oficiais e outro a suboficiais e guarnição. As vagas abrangem áreas como administração, contabilidade, manutenção, enfermagem, engenharia, tecnologia e advocacia, além de cargos marítimos, como auxiliar de saúde, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas, taifeiro e oficiais de máquinas e de náutica. No quadro de terra, a remuneração mínima garantida é de R$ 6.539,54 para nível médio/técnico e de R$ 14.973,62 para nível superior. No quadro de mar, a remuneração mínima garantida varia conforme o cargo, de R$ 5.464 a R$ 15.034,81. O maior valor é oferecido para segundo oficial de náutica. Veja abaixo os editais: ➡️ EDITAL 1 - Mar (auxiliar de saúde, condutor bombeador, condutor mecânico, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas e taifeiro). ➡️ EDITAL 2 - Mar (segundo oficial de máquinas e segundo oficial de náutica) ➡️ EDITAL 3 - Terra (nível médio/técnico) ➡️ EDITAL 4 - Terra (nível superior) As inscrições começam às 10h desta quarta-feira (12) e seguem até as 23h59 de 14 de setembro. As candidaturas devem ser feitas exclusivamente pela internet, no site da Fundação Cesgranrio, banca organizadora dos processos seletivos. A taxa de inscrição varia de acordo com o cargo: R$ 81,50 — nível médio/técnico: auxiliar de saúde, condutor bombeador, condutor mecânico, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas, taifeiro e Profissional Transpetro de Nível Médio – Júnior; R$ 117 — nível superior: segundo oficial de máquinas, segundo oficial de náutica e Profissional Transpetro de Nível Superior – Júnior. Candidatos inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde poderam solicitar a isenção da taxa, conforme os prazos estabelecidos nos editais. Terminal da Transpetro em Brasília, no DF. TV Globo Como será o processo seletivo? As etapas de seleção variam de acordo com o quadro — Mar ou Terra — e o nível de escolaridade dos cargos. Os candidatos às oportunidades do quadro de mar passarão por provas objetivas, exame de aptidão física e, quando aplicável, procedimentos de confirmação das condições declaradas para concorrer às vagas reservadas. As provas objetivas terão questões de conhecimentos específicos e gerais. O conteúdo varia conforme o cargo e pode incluir disciplinas como Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Inglês Técnico Marítimo. Já o exame de aptidão física, exclusivo para o Quadro de Mar, será composto por dois testes: Corrida de 12 minutos: distância mínima de 1.800 metros para homens e 1.500 metros para mulheres; Natação: percurso de 25 metros, em estilo livre e sem limite de tempo. Para os cargos do quadro de terra, não haverá exame de aptidão física. A seleção será feita por meio de provas objetivas e, para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas, por uma etapa de confirmação das condições declaradas. No nível médio, as provas terão 60 questões no total, divididas entre 40 questões de conhecimentos específicos, 10 de Língua Portuguesa e 10 de Matemática. Já no nível superior, serão 70 questões: 50 de conhecimentos específicos, 10 de Língua Portuguesa e 10 de Língua Inglesa. A exceção é a ênfase de Advocacia: além das 70 questões objetivas, os candidatos também farão uma prova discursiva, composta por duas questões, de caráter eliminatório e classificatório. Para quem concorrer às vagas reservadas, a seleção prevê avaliação de pessoas com deficiência (PcD), confirmação complementar da autodeclaração de candidatos negros e verificação documental de indígenas e quilombolas. As provas objetivas estão previstas para 29 de novembro e serão aplicadas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal. Os candidatos poderão escolher o local de realização das provas entre as opções disponibilizadas pela banca, independentemente do polo de trabalho para o qual estiverem concorrendo. A duração das provas varia conforme o cargo e o nível de escolaridade: Nível médio — Quadro de Terra: 4 horas; Nível superior — Quadro de Terra: 4 horas e 30 minutos; Advocacia — Quadro de Terra: 5 horas e 30 minutos; Oficiais — Quadro de Mar: 4 horas e 30 minutos. Após a aprovação, os candidatos convocados ainda precisarão comprovar os requisitos exigidos para o cargo e passar por exames médicos admissionais. Para os profissionais do quadro de mar, também está previsto teste toxicológico para detecção de substâncias psicoativas. Onde serão as vagas? No quadro de terra, as oportunidades serão distribuídas entre os polos Norte/Nordeste, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul. Para o quadro de mar, as vagas terão abrangência nacional. A distribuição das 281 oportunidades por cargo e polo, assim como os requisitos, etapas de seleção, conteúdo das provas e cronograma, estão detalhados nos editais. Segundo a Transpetro, os processos seletivos terão validade de um ano e meio, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. Editais com paridade de gênero Os processos seletivos também terão um mecanismo de paridade de gênero na segunda fase. Segundo a companhia, a iniciativa busca reduzir a sub-representação feminina nas carreiras contempladas pelos editais. Atualmente, cerca de 15% dos empregados da Transpetro são mulheres, enquanto os homens representam aproximadamente 85% do quadro. A medida será aplicada apenas na composição da segunda etapa. Para chegar a essa fase, todos os candidatos precisarão atingir a nota mínima exigida na primeira etapa. A classificação final continuará considerando o desempenho dos participantes. Cotas definidas antes dos editais Antes da publicação dos quatro editais, foi realizado um sorteio para definir os cargos, áreas e polos aos quais serão destinadas determinadas vagas reservadas a grupos étnico-raciais e pessoas com deficiência (PcD). De acordo com a Transpetro, 30% das vagas e do cadastro de reserva serão destinados a grupos étnico-raciais, distribuídos da seguinte forma: 25% para pessoas pretas e pardas; 3% para indígenas; 2% para quilombolas. Outros 10% são reservados a pessoas com deficiência. Os editais estabelecem, inclusive, a aplicação da reserva de 10% também na formação do cadastro de reserva. O sorteio foi realizado nos casos em que a quantidade de vagas por cargo, ênfase ou polo não permitia alcançar automaticamente os percentuais de reserva previstos na legislação. O procedimento não selecionou candidatos nem interfere na classificação nas provas. Ele serviu para definir a alocação das vagas reservadas entre os cargos, ênfases e polos. 📅 Cronograma Inscrições: 12 de agosto a 14 de setembro Pedido de isenção da taxa: 12 a 19 de agosto Cartão de confirmação/Local de prova: 24 de novembro Aplicação das provas: 29 de novembro Divulgação dos gabaritos: 30 de novembro Recursos contra questões/gabaritos: 30 de novembro e 1º de dezembro de 2026 Resultados finais: 23 de março de 2027 (Terra) e 27 de abril de 2027 (Mar) Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação
Órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo querem que bets sejam obrigadas a informar risco de perda para apostadores. Arquivo/Agência Brasil Um grupo de trabalho formado por representantes de diferentes órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo apresentou, na última semana, uma proposta inédita ao Ministério da Fazenda que prevê que sites e aplicativos de bets sejam obrigados a mostrar o risco de perda para apostadores antes da realização da aposta. Em sua justificativa, o Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC) afirmou que sites e aplicativos de apostas praticam uma publicidade enganosa por omissão — quando um anúncio deixa de informar um dado essencial sobre um produto ou serviço. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp "Tudo aquilo que é imprescindível para a escolha do consumidor tem que ser informado. Se ele [fornecedor] omite um dado indispensável para a decisão, aquela publicidade é enganosa por omissão", explicou a promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva, coordenadora do Núcleo de Atendimento ao Superendividado do Ministério Público do Espírito Santo. Segundo ela, a obrigatoriedade de apresentar informações completas sobre serviços e produtos já é prevista em lei, e inclui casas de apostas. No entanto, bets não têm cumprido a regra, indicando a necessidade de uma medida direta sobre o tema. LEIA TAMBÉM: Crise na Apex Partners: entenda afastamento de presidente e blindagem na Justiça "A gente entende que isso já é obrigatório pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, independentemente da atividade econômica. Só que, no caso das bets, as ofertas não trazem o risco da aposta. Acreditamos que uma normativa mais específica iria fortalecer essa obrigação”, completou. Agora no g1 Cálculo padrão e mesmo destaque que 'odds' Para garantir que os apostadores tenham acesso a informações completas antes de finalizar a aposta e consumir o produto oferecido, a proposta do CINDEC sugere que as plataformas de bets realizem um contrabalanço de informações a partir de três pontos: Fórmula matemática obrigatória: O ofício sugere a criação de uma fórmula padrão regulamentada pelo governo para o cálculo da probabilidade de perda. Esse cálculo deve ser feito a partir das próprias cotas (odds) oferecidas pela plataforma, garantindo que o apostador veja o percentual real de risco antes de confirmar qualquer lance. O mesmo peso visual do prêmio: A regra exige o chamado "contrabalanço informacional". Na prática, as bets seriam obrigadas a exibir a chance de perda com idêntico destaque espacial e gráfico das odds de ganho. Ou seja: a informação sobre o prejuízo provável deve ter o mesmo tamanho de letra, cor e visibilidade que o valor do prêmio prometido. Alerta de confirmação acima de 80%: Para apostas onde a probabilidade de perda calculada pela fórmula padrão seja superior a 80%, a plataforma deve integrar uma mensagem de confirmação específica ao fluxo da aposta. Esse alerta deve avisar explicitamente sobre o alto risco financeiro antes que o usuário finalize a operação. Como exemplo, o documento analisou uma aposta de odds de 17 — que promete pagar 17 vezes o valor apostado. No entanto, segundo o grupo de trabalho, o anúncio esconde o alto risco financeiro, uma vez que a probabilidade de perda é de aproximadamente 94%. "O consumidor que aposta R$ 10 pensa: 'Eu vou receber R$ 170. Nossa, então é um super negócio, é maravilhoso porque eu vou receber 17 vezes mais'. Só que essa mesma oferta não traz o risco. E quando buscamos uma análise técnica, ele é, na verdade, altíssimo. Nesse caso que a gente analisou , ele teria 94% de chance de perder. Isso é muito", explicou Sandra Lengruber. Sede do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) TV Gazeta Próximos passos O documento foi assinado por representantes do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), do Procon-ES, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Defensoria Pública do Estado e da Procuradoria-Geral do Estado. Como não existe um prazo legal para que o Ministério da Fazenda responda a sugestão, o grupo trabalha para que a proposta seja analisada e, futuramente, incorporada à regulamentação nacional através de um ato normativo da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). O que disse o Ministério da Fazenda Procurado pelo g1, o Ministério da Fazenda confirmou que a proposta foi recebida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Por nota, a pasta informou que a Secretaria possui uma agenda voltada ao "aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor de apostas de quota fixa" e que avalia permanentemente a necessidade de aperfeiçoamentos. Veja a nota na íntegra: "A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) informa que recebeu a proposta encaminhada pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Cindec) para análise no âmbito das competências da Secretaria, juntamente com as demais manifestações eventualmente apresentadas sobre o tema. A legislação brasileira estabelece que a exploração de apostas de quota fixa deve observar medidas de proteção aos apostadores e de promoção do jogo responsável. Nos termos da Lei nº 14.790/2023, os agentes operadores devem adotar sistemas e processos para monitorar a atividade dos apostadores desde a abertura da conta, com o objetivo de identificar sinais de dano ou de potencial dano associado ao jogo. Esse monitoramento deve considerar os valores gastos, os padrões de gastos, o tempo dedicado às apostas, os comportamentos observados, as interações do apostador com a plataforma, entre outros aspectos. A partir desses indicadores, os operadores devem ser capazes de identificar comportamentos potencialmente problemáticos e adotar medidas de prevenção e mitigação de riscos. Já a Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 detalha essas obrigações e estabelece uma série de mecanismos de proteção ao apostador e à promoção do jogo responsável, de forma a garantir que as práticas de jogos e apostas sejam realizadas de forma segura, saudável e consciente, prevenindo vícios e protegendo os consumidores apostadores, especialmente os mais vulneráveis. Entre eles, estão o monitoramento do comportamento de jogo, a realização de autotestes, a disponibilização de ferramentas de autolimitação e os mecanismos de suspensão e autoexclusão da conta. O apostador deve estabelecer limites para o tempo e os valores destinados às apostas, e podem suspender sua conta ou optar pela autoexclusão, inclusive por prazo indeterminado. Essas ferramentas foram estruturadas para ampliar a capacidade de o próprio apostador controlar sua atividade. Ao mesmo tempo, os agentes operadores têm o dever de monitorar continuamente o comportamento de seus usuários e, diante da identificação de sinais de comportamento potencialmente problemático, adotar as medidas previstas na regulamentação, inclusive alertando o apostador e oferecendo mecanismos de alertas, suspensão ou de exclusão. A Secretaria possui uma Agenda Regulatória voltada ao aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor de apostas de quota fixa. A SPA realiza o monitoramento contínuo da implementação dessas normas e avalia permanentemente a necessidade de aperfeiçoamentos regulatórios, com base em critérios técnicos, evidências e nas contribuições recebidas". Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Álcool, cigarro e home office: quais os limites da postura no trabalho remoto Bastaram alguns segundos de uma sessão virtual para desencadear uma investigação disciplinar no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O juiz Milton Lívio Lemos Salles apareceu diante da câmera bebendo vinho e fumando durante um julgamento. Um dia depois, foi afastado pela Corregedoria-Geral de Justiça, que também abriu uma sindicância para apurar os fatos. Os processos sob sua relatoria serão redistribuídos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O episódio chamou atenção pela conduta do magistrado. Mas outro detalhe também passou a fazer parte das discussões nas redes sociais: ele participava de uma sessão virtual fora do tribunal. E é justamente aí que surgem dúvidas cada vez mais comum com a expansão do trabalho remoto: quando o expediente acontece dentro da própria residência, as regras continuam as mesmas? O home office dá mais liberdade do que o trabalho presencial? Afinal, uma pessoa pode beber álcool durante uma reunião porque está em casa? O que aparece em uma videoconferência pode ser usado como prova em uma investigação ou processo disciplinar? E as consequências mudam quando quem está do outro lado da tela é um trabalhador contratado pela CLT ou um magistrado responsável por julgar processos? Especialistas em Direito do Trabalho e em Direito da Magistratura ouvidos pelo g1 explicam quais regras se aplicam a cada caso e quais condutas podem gerar consequências profissionais durante o trabalho remoto. Veja abaixo: O que dizem as regras para magistrados e trabalhadores CLT? E quando o trabalho é remoto? CLT estabelece punições ou pode dar direta à justa causa? Há punições ou consequências estabelecidas para magistrados? Empresas podem estabelecer regras próprias? Juiz foi afastado após beber e fumar em sessão virtual g1 O que dizem as regras para magistrados e trabalhadores CLT? Para trabalhadores contratados pela CLT, o consumo de álcool durante a jornada pode ter consequências disciplinares, mas a resposta depende das circunstâncias de cada caso. A advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho explica que o empregador pode considerar fatores como o impacto da conduta sobre o trabalho, as regras internas da empresa e eventuais prejuízos causados pela situação. O contexto também é importante para diferenciar o simples consumo de álcool de situações de embriaguez ou de comprometimento da capacidade de trabalho. 🔎 Há ainda uma diferença importante quando existe dependência alcoólica. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconhece que o alcoolismo pode ser tratado como doença, e não simplesmente como falta disciplinar. O cigarro é tratado de forma diferente. Apesar de poder contrariar regras internas das empresas ou ser considerado inadequado em determinadas situações profissionais, o consumo de cigarro, isoladamente, costuma resultar em medidas mais brandas, como advertências. Segundo a advogada, isso ocorre porque o álcool pode afetar diretamente a capacidade de trabalho, enquanto fumar costuma ser tratado como descumprimento das regras da empresa. No caso dos magistrados, a discussão vai além do simples ato de beber ou fumar. A especialista em direito da magistratura Daniela Poli Vlavianos explica que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) estabelece o dever de o juiz manter "conduta irrepreensível na vida pública e particular". O Código de Ética da Magistratura também prevê deveres ligados à dignidade, ao decoro, à prudência e à integridade da função jurisdicional. Por isso, segundo ela, o consumo de bebida alcoólica durante um julgamento pode ser visto de forma diferente do consumo na vida privada, já que ocorre enquanto o magistrado exerce uma função pública e participa de decisões que afetam os direitos das pessoas. E quando o trabalho é remoto? A resposta dos especialistas à ideia de que o trabalho remoto dá mais liberdade durante o expediente é praticamente unânime: não. No caso dos CLTs, a residência passa a funcionar como local de trabalho durante o expediente. Por isso, as regras de comportamento continuam valendo normalmente. "A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto", afirma Gabriela. Isso significa que o trabalhador continua sujeito às políticas internas da empresa mesmo quando está em casa. Para os magistrados, a lógica é semelhante. Segundo os especialistas, uma das principais confusões geradas pelo trabalho remoto é acreditar que estar em casa transforma uma atividade profissional em uma atividade privada. No caso dos juízes, o entendimento é justamente o contrário. "O ambiente físico pode ser particular, mas o espaço jurídico é público e institucional", afirma Vlavianos. O CNJ possui normas que determinam que audiências e julgamentos realizados por videoconferência sigam regras semelhantes às dos atos presenciais. As resoluções também exigem vestimenta adequada para magistrados durante atividades oficiais remotas. O também especialista em direito da magistratura Thiago Massicano lembra que uma videoconferência pode servir como elemento de prova. No ambiente corporativo, gravações e registros de reuniões podem embasar procedimentos disciplinares. No Judiciário, a própria gravação da sessão pode ser analisada em uma apuração administrativa. "Há ainda um agravante prático: a sessão virtual é gravada e transmitida, de modo que a conduta se torna documentalmente incontroversa e alcança projeção pública imediata, ampliando o dano à imagem institucional do Judiciário". " O magistrado que julga de casa não transforma o ato estatal em ambiente doméstico: ele leva a solenidade do Estado para dentro de sua residência. As normas específicas sobre videoconferência, tanto do CNJ quanto do TJMG, foram editadas justamente para impedir a informalização do rito, exigindo vestimenta adequada, ambiente neutro e dedicação exclusiva ao ato", reforça Massicano. CLT estabelece punições ou pode dar direta à justa causa? Dependendo das circunstâncias, sim. Gabriela explica que a comprovação de que um empregado consumiu bebida alcoólica durante o trabalho pode justificar até mesmo a demissão por justa causa, desde que não se trate de um quadro de alcoolismo reconhecido como doença. A exposição diante de clientes ou parceiros comerciais e eventuais prejuízos ao empregador podem agravar o cenário. Com o cigarro, a avaliação tende a ser diferente. A especialista afirma que fumar ou usar vape durante uma videoconferência pode gerar advertências e outras medidas disciplinares, mas normalmente não seria suficiente, por si só, para justificar uma demissão por justa causa. Ela ressalta, porém, que cada situação depende do contexto e das regras internas da empresa. Juiz Milton Lívio Lemos Salles apareceu em sessão do TJMG bebendo vinho e fumando Reprodução Há punições ou consequências estabelecidas para magistrados? Sim. A Loman e as normas disciplinares do CNJ preveem desde advertência até punições mais severas, como remoção compulsória, disponibilidade e outras sanções previstas na legislação da magistratura. A definição de uma eventual punição depende de fatores como a gravidade da conduta, a existência de reincidência, o eventual comprometimento da atividade jurisdicional, os prejuízos causados e os reflexos para a imagem do Poder Judiciário. Por isso, especialistas ressaltam que não é possível antecipar o desfecho do caso envolvendo o magistrado mineiro apenas com base nas imagens que se tornaram públicas. Vlavianos e Massicano também lembram que há precedentes de responsabilização disciplinar de magistrados por comportamentos considerados incompatíveis com os deveres do cargo e com a dignidade da função, embora não tenham identificado um caso idêntico ao episódio investigado pelo TJMG. Antes de qualquer sanção, será preciso apurar circunstâncias como o contexto da gravação, eventual comprometimento funcional, antecedentes e outros elementos do caso. "A responsabilização depende da apuração do contexto integral da gravação. Será necessário confirmar o conteúdo da garrafa, verificar se houve consumo de bebida, se o magistrado apresentava sinais de alteração de sua capacidade e se a conduta interferiu na condução ou na imagem de regularidade do julgamento. A gravação constitui um elemento relevante, mas a punição exige contraditório, ampla defesa e decisão fundamentada", afirma Vlavianos. Empresas podem estabelecer regras próprias? Especialistas em direito trabalhista explicam que as empresas têm autonomia para criar políticas internas de conduta, inclusive para trabalhadores que exercem suas atividades remotamente. 🔎 Essas normas podem tratar de comportamento em reuniões, uso da imagem corporativa, participação em videoconferências, consumo de álcool durante o expediente e outras situações relacionadas ao desempenho profissional. Na prática, o fato de o empregado estar em casa não impede a aplicação dessas regras. Durante a jornada, ele continua representando a empresa e exercendo suas funções normalmente. Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG

'Presenteísmo': por que tantos profissionais continuam trabalhando mesmo doentes? Trabalhar mesmo doente, ignorar sintomas e seguir a rotina apesar da recomendação médica é uma realidade para muitos brasileiros. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 André Cabral, de 45 anos, é um deles. Com 25 anos de atuação no setor de bares e restaurantes, enfrentou jornadas de até 15 horas por dia e colocou o trabalho acima da própria saúde, mantendo as atividades mesmo quando estava doente — comportamento que caracteriza o "presenteísmo". 🤔 Mas o que é presenteísmo? É o fenômeno em que o trabalhador continua exercendo suas funções mesmo sem condições físicas ou mentais adequadas. Embora esteja presente no ambiente de trabalho — ou conectado durante o expediente —, não consegue desempenhar plenamente suas atividades. Durante sete anos, André atuou como gerente-geral de uma rede de restaurantes e açougues em São Paulo, em que era responsável por cerca de 100 funcionários. As jornadas frequentemente ultrapassavam 12 horas por dia e, em algumas ocasiões, chegavam a 36 horas seguidas. "Eu passei praticamente seis anos trabalhando loucamente, no mínimo 12 a 15 horas por dia, muitas vezes sem folga", relata. Mesmo quando adoecia, evitava se afastar porque acreditava que sua ausência comprometeria a operação. Após ficar internado por 21 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por causa da Covid-19, voltou ao trabalho apenas quatro dias após receber alta da UTI. Também adiou por anos uma cirurgia para tratar uma hérnia por receio de se afastar do trabalho. A sobrecarga e os conflitos no ambiente corporativo acabaram afetando sua saúde mental. Com o tempo, recebeu o diagnóstico de burnout, passou a tomar antidepressivos, ansiolíticos e medicamentos para dormir e, mais tarde, desenvolveu hipertensão. "Minha saúde ficou em segundo plano. Eu achava que, se parasse por 15 dias, a operação não iria funcionar", diz. Pouco tempo depois de sofrer um acidente de trabalho e torcer o pé durante o expediente, André foi demitido em uma chamada de vídeo. Atualmente, move uma ação na Justiça contra a antiga empregadora. André Cabral, de 45 anos, colocou o trabalho acima da própria saúde, mantendo as atividades mesmo quando estava doente. Arquivo Pessoal Hoje, em um novo emprego, com jornada reduzida e menos responsabilidades, André afirma ter recuperado parte da qualidade de vida, embora ainda faça acompanhamento médico. A experiência mudou sua forma de enxergar o trabalho. A gente se sacrifica demais por um CNPJ. No fim, nenhum CNPJ vale o nosso CPF. Trabalho a gente recupera. Saúde, muitas vezes, não." O presenteísmo nas empresas Levantamentos recentes mostram que o presenteísmo tem se tornado uma preocupação crescente no mercado de trabalho brasileiro, impulsionado pela sobrecarga, pelo medo da demissão e pelo aumento dos problemas relacionados à saúde mental. Uma pesquisa da Heach Recursos Humanos mostra que 70,3% dos entrevistados afirmaram já ter trabalhado mesmo acreditando que deveriam descansar por motivos de saúde. Entre eles, o principal motivo foi evitar sobrecarregar colegas de equipe (35,4%), seguido pela percepção de que o problema de saúde não era grave (27,9%). O comportamento trouxe consequências: 39,7% disseram que o quadro de saúde piorou, enquanto 32% afirmaram que demoraram mais para se recuperar. Além disso, apenas 26,4% consideram que suas empresas incentivam claramente o afastamento quando necessário, e 89,4% acreditam que trabalhar doente aumenta o risco de erros ou acidentes. (saiba mais abaixo) Trabalhar doente é realidade para a maioria dos brasileiros Arte g1 Os números vão ao encontro dos resultados do Censo de Saúde Mental 2025, da Vittude. O estudo identificou um índice de presenteísmo de 32% entre os trabalhadores avaliados. Pesquisas da Pluxee também apontam a sobrecarga como parte da rotina de muitos trabalhadores. Apenas 40% conseguem fazer pausas regulares durante o expediente, enquanto outros 40% interrompem as atividades apenas quando encontram tempo. Os 20% restantes afirmam não conseguir fazer pausas ao longo da jornada. O levantamento mostra ainda que 28% já mudaram de emprego por questões relacionadas à saúde mental. Para a diretora de Recursos Humanos (CHRO) da Flash, Isadora Gabriel, o presenteísmo é um dos desafios mais silenciosos enfrentados pelas organizações porque nem sempre é percebido. "O profissional está presente, participa das reuniões e cumpre sua jornada. Mas estar no escritório ou online não significa estar em condições de entregar o melhor desempenho", explica a especialista. Segundo a executiva, à medida que o desengajamento aumenta, cresce também a perda de produtividade. Quando colaboradores continuam trabalhando mesmo emocionalmente esgotados, aumentam os riscos de erros, queda de eficiência e agravamento do quadro de saúde." Na avaliação de Isadora, investir em saúde mental e preparar lideranças para identificar sinais de esgotamento são estratégias para reduzir perdas e construir ambientes de trabalho mais saudáveis. Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, os resultados das pesquisas reforçam a necessidade de uma mudança cultural para que os trabalhadores possam cuidar da própria saúde sem receio de prejudicar a carreira ou a imagem profissional. Os males invisíveis do trabalho remoto para a saúde mental Adobe Stock Impactos de trabalhar doente Para o médico do trabalho Ricardo Pacheco, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho (Abresst), o presenteísmo é um fenômeno silencioso e mais difícil de identificar do que o absenteísmo, que corresponde à ausência do trabalhador. "É o corpo presente e a mente ausente. A pessoa está no posto de trabalho, mas com a capacidade de entrega comprometida", diz o especialista. Na avaliação de Pacheco, o presenteísmo aumenta o risco de acidentes. Segundo o médico, trabalhadores com febre, dores intensas ou sob efeito de medicamentos podem apresentar perda de reflexos, dificuldade de concentração e maior probabilidade de cometer erros, especialmente em atividades como transporte, indústria e agronegócio. Um profissional experiente que começa a esquecer procedimentos básicos ou comete erros repetidos pode estar sofrendo com exaustão física ou mental." Os impactos também são sentidos pelas empresas. Pacheco afirma que o presenteísmo pode gerar custos superiores aos do absenteísmo por provocar retrabalho, acidentes, queda de produtividade e até a disseminação de doenças entre colegas. A pandemia de Covid agravou o problema, diz o especialista. O trabalho remoto impulsionou o chamado "presenteísmo digital", quando profissionais continuam trabalhando mesmo doentes em frente ao computador. Ao mesmo tempo, setores como indústria, logística e agronegócio enfrentam uma pressão crescente por produtividade, o que dificulta o afastamento para cuidados médicos. Assédio moral no trabalho pode causar consequências na saúde mental e física da vítima Freepik O que diz a legislação Para a advogada trabalhista Elisa Alonso, o presenteísmo pode trazer consequências tanto para o trabalhador quanto para a empresa. Segundo ela, quando o empregador recebe um atestado médico, não deve permitir que o funcionário continue trabalhando, já que a finalidade do afastamento é justamente garantir sua recuperação. Autorizar ou exigir a continuidade das atividades pode agravar o quadro de saúde e gerar consequências trabalhistas para o empregador, especialmente quando houver prejuízos ao trabalhador." A especialista explica que a aptidão para o retorno ao trabalho é uma decisão médica e que o empregador não pode determinar que o funcionário volte antes do prazo indicado pelo profissional de saúde. Ela acrescenta que contatos pontuais sobre questões administrativas podem ocorrer durante a licença, mas o trabalhador não deve ser cobrado para executar tarefas, cumprir metas ou participar normalmente das atividades da empresa durante o período de afastamento. Segundo Elisa, trabalhar durante a licença médica pode retardar a recuperação, agravar a doença e aumentar o risco de enfermidades ocupacionais, além de comprometer a produtividade e elevar as chances de erros e acidentes. A advogada orienta que trabalhadores pressionados a continuar trabalhando mesmo doentes comuniquem formalmente o afastamento ao empregador, guardem mensagens, e-mails e outros documentos que comprovem eventuais cobranças e, se necessário, busquem orientação jurídica. Segundo a especialista, é possível recorrer à Justiça do Trabalho em casos de: Exigência de trabalho durante o afastamento médico; Pressão para que o empregado trabalhe mesmo sem condições de saúde; Descontos indevidos por faltas justificadas; Punições pelo exercício de direitos trabalhistas; Assédio relacionado à condição de saúde; Demissão discriminatória em razão da doença ou do afastamento; Prejuízos decorrentes de condutas ilícitas do empregador. Antes de recorrer à Justiça, a recomendação é reunir provas que demonstrem os fatos e que a empresa tinha conhecimento da condição de saúde do trabalhador. "Caso o trabalhador sofra ameaças, constrangimentos, pressão para trabalhar durante a licença ou uma dispensa possivelmente discriminatória, a situação poderá ser avaliada pela Justiça do Trabalho", completa a especialista. Ela também destaca que transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout merecem a mesma atenção que doenças físicas e podem justificar afastamentos quando houver indicação médica. Para a advogada, combater o presenteísmo exige uma mudança cultural nas empresas, com ambientes de trabalho mais saudáveis, respeito aos períodos de recuperação e compreensão de que o afastamento médico faz parte do tratamento e não deve ser encarado como falta de comprometimento. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será O projeto de uma nova aeronave tem atraído investidores com um visual que integra a área central às asas em um único componente. A promessa é de que a mudança ajudará companhias aéreas a economizar combustível em voos. Com um visual comparado ao de uma arraia, o avião Z4 está sendo desenvolvido pela americana JetZero. A empresa planeja realizar o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027 e iniciar o uso comercial no início da década de 2030. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Baseada na Califórnia, a JetZero anunciou em julho um acordo de US$ 3 bilhões com o governo dos Estados Unidos para financiar a construção de sua fábrica na Carolina do Norte. A fábrica servirá para acelerar a criação do avião que foge do padrão usado há décadas e pode representar a maior transformação no design de aeronaves desde o antigo Concorde, que deixou de operar em 2003. O Z4 está sendo projetado para transportar cerca de 250 passageiros distribuídos em seis seções dentro da cabine e oferecer um compartimento de bagagens para cada assento. Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 Divulgação/JetZero Em vez das janelas ao lado dos assentos, passageiros terão telas que oferecerão uma visão externa com um sistema de câmeras de alta definição. A iluminação natural virá de duas claraboias que ficarão perto das primeiras fileiras. A JetZero afirma que o avião poderá fazer voos de até 5.000 milhas náuticas, cerca de 9.200 km – para se ter uma ideia, a distância de voos entre São Paulo e Madri, na Espanha, é de cerca de 8.400 km. A fabricante diz que o estilo "arraia" melhorará a aerodinâmica do Z4 e fará com que a aeronave reduza o consumo de combustível em 30% a 50% em relação a modelos como o Boeing 787. Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos Divulgação/JetZero Segundo o Wall Street Journal, críticos do projeto apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto durante curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo. Outra preocupação é a saída de passageiros, já que as portas serão posicionadas em locais diferentes do padrão, o que dificultaria a adaptação em aeroportos projetados para aviões convencionais. Ainda de acordo com o jornal, a JetZero espera desenvolver o Z4 mais rapidamente ao usar componentes usados em outros aviões e que, por isso, já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), que regula o setor de aviação no país. A fabricante tem acordos com companhias aéreas como a United Airlines, que planeja comprar 200 unidades do Z4. Empresas como a Delta e a Alaska Airlines também estão apoiando o projeto. Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Reprodução/JetZero Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Divulgação/JetZero

Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis A Jeep do Brasil vai lançar nesta quarta-feira (12) o Avenger. O modelo mais importante da marca chega com motor T200 híbrido leve (MHEV) de 12V em todas as versões. O g1 acompanha o lançamento e vai trazer todas as informações durante o dia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Jeep ainda não divulgou oficialmente os dados técnicos do conjunto mecânico do Avenger, mas a motorização é a mesma utilizada no Fiat Pulse Audace 1.0 Turbo Hybrid. No Pulse, o motor 1.0 turbo de três cilindros gera 125 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, tanto com gasolina quanto com etanol. Jeep Avenger é apresentado no Salão do Automóvel 2025 O sistema híbrido leve do Avenger também conta com um motor elétrico de 4 cv e 1 kgfm de torque, além de uma bateria de 0,132 kWh. Ainda não foram divulgados dados oficiais de consumo do Jeep Avenger. Como referência, a ficha técnica do Fiat Pulse informa consumo de 9,3 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, os números são de 13,4 km/l e 14,4 km/l, respectivamente. Plataforma e dimensões A plataforma do Jeep é a CMP, também utilizada em modelos da Citroën e da Peugeot. As medidas do Jeep Avenger ainda não foram confirmadas, mas o modelo tem porte semelhante ao do Fiat Pulse. O SUV será produzido em Porto Real (RJ) e será o primeiro veículo híbrido MHEV fabricado na unidade. Galerias Relacionadas Design e cabine O Avenger terá as tradicionais sete fendas da Jeep iluminadas na dianteira e lanternas traseiras em formato de X. O desenho também inclui caixas de rodas trapezoidais, para-choques descritos pela marca como robustos, barras de teto, pintura em duas cores e rodas de liga leve de 18 polegadas com acabamento diamantado. A Jeep também destaca os ângulos de ataque e de saída e a altura em relação ao solo, mas ainda não confirmou essas medidas. Painel do novo Jeep Avenger Divulgação / Stellantis Segundo a Jeep, o interior foi desenvolvido com foco em ergonomia e conforto. A marca destaca a escolha dos materiais, os acabamentos, as formas e as texturas da cabine. O interior também terá uma assinatura luminosa, com iluminação integrada ao desenho. Segundo a marca, a cabine terá tecnologias intuitivas e uma ambientação voltada ao conforto. Entre os recursos tecnológicos anunciados para o modelo está um assistente de voz com ChatGPT embarcado, desenvolvido em parceria com a OpenAI. A Jeep afirma que o sistema permitirá aos ocupantes interagir com recursos de inteligência artificial a bordo.

O dinheiro do bônus da usina de Itaipu deve ajudar dar um alívio temporário nas contas de luz em agosto e reduzir o impacto da energia sobre a inflação do mês, avalia o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🔎 O bônus é uma forma de devolver aos consumidores o dinheiro que sobra da operação de Itaipu. A usina é administrada conjuntamente pelo Brasil e pelo Paraguai e está entre as maiores hidrelétricas do mundo. (Veja mais detalhes) O valor do bônus varia de acordo com o consumo de cada unidade e será aplicado diretamente na fatura. Não é necessário fazer cadastro ou solicitar o benefício. Os dados da inflação divulgados nesta terça-feira (11), referentes a julho, mostram que o grupo de despesas com habitação, o que inclui a energia elétrica, teve a maior alta entre grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto, de 0,99%. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento da conta de energia elétrica. 📈 A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, após alta de 1,53% em junho, e respondeu sozinha por 0,13 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. 💰 Nos sete primeiros meses do ano, os consumidores enfrentaram quatro meses de bandeira tarifária verde, em que não há custos adicionais, e três meses de bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Lucro de Itaipu deve dar alívio temporário para as contas de luz em agosto TV Verdes Mares/Reprodução Fernando Gonçalves, gerente do IBGE, explica que a cobrança adicional das bandeiras tarifárias já representa um diferencial na conta do consumidor final. A esse efeito se somam os reajustes concedidos pelas concessionárias De acordo com ele, desde abril diferentes distribuidoras passaram por reajustes, parte deles já incorporada ao cálculo da inflação. Em julho, um dos destaques foi Curitiba, por causa do reajuste aplicado na cidade. “De abril para cá, as concessionárias concederam reajustes e, boa parte delas, já foi apropriada" explicou Gonçalves ao g1. "Neste mês agora [julho], só destacamos Curitiba por conta do reajuste que houve lá", complementou, destacando que foi o maior até o momento. O diretor do IBGE disse que o comportamento observado em anos anteriores ajuda a explicar o efeito esperado do bônus de Itaipu sobre a inflação. Isso porque, com a apropriação do bônus de Itaipu, percebe-se uma queda na inflação desse setor. No mês seguinte, porém, há uma alta, porque o bônus incide apenas naquele período. Bônus de Itaipu Aprovado em junho pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o bônus de Itaipu é de R$ 872,1 milhões e constará nas contas de energia emitidas entre 1º e 31 de agosto. Para ter direito ao benefício, é preciso ter registrado consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025. O crédito será referente aos meses em que o consumo ficou abaixo desse limite. O benefício contempla consumidores das classes residencial e rural. A parcela brasileira da energia gerada pela usina é comercializada no mercado. Os excedentes financeiros dessa operação são destinados aos consumidores na forma do bônus, conforme previsto na legislação.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.043 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (11), em São Paulo. Uma aposta simples de Alvorada d'Oeste, em Rondônia, acertou as seis dezenas e levou o prêmio de R$ 3 milhões para casa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 10 - 11 - 16 - 37 - 42 - 53 1 aposta ganhadora: R$ 3.077.413,08 5 acertos: 48 apostas ganhadoras, R$ 20.836,65 4 acertos: 3.746 apostas ganhadoras, R$ 440,09 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3043 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Taxa de desemprego fica em 5,4%, em junho O desemprego entre os jovens aumentou no mundo em 2025, em meio ao crescimento econômico mais fraco, às tensões geopolíticas e à criação lenta de empregos. O cenário tem dificultado a entrada de jovens no mercado de trabalho e pode se agravar com os avanços da inteligência artificial (IA), alertou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (12), reportou a Reuters. A taxa global de desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos subiu para 12,4% no ano passado, ante 12,3% em 2023. O percentual equivale a 67 milhões de jovens desempregados em todo o mundo, segundo um novo relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por questões trabalhistas. Segundo o documento, o aumento interrompeu a melhora observada após a pandemia de Covid-19 e refletiu uma piora tanto na quantidade quanto na qualidade das vagas disponíveis para os jovens. O evento vai reunir cerca de 1,5 mil vagas de emprego Reprodução A OIT também apontou que a parcela de jovens que não trabalham, não estudam e não estão em cursos de formação profissional aumentou ligeiramente, chegando a 20%. Isso representa mais de 257 milhões de pessoas. "O cenário está piorando praticamente em todo lugar", afirmou o relatório. A taxa de desemprego entre jovens aumentou entre 2023 e 2025 em oito das 11 sub-regiões analisadas pela OIT. O avanço foi registrado tanto em países ricos quanto em economias de renda média e baixa, escreveu a Reuters. Países árabes e norte da África são os mais afetados O maior índice de desemprego entre jovens foi registrado nos Estados Árabes, com 26,2%, seguido pelo norte da África, com 22,6%. Algumas das maiores deteriorações, porém, ocorreram em economias mais ricas. Na América do Norte, a taxa de desemprego entre jovens subiu de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No norte, sul e oeste da Europa, o índice ficou em 15%. A OIT chamou atenção para a redução das vagas que exigem um nível intermediário de qualificação, como funções de escritório e administrativas, vendas e empregos na indústria. Esses trabalhos tradicionalmente funcionam como uma porta de entrada no mercado de trabalho para jovens que acabaram de concluir o ensino médio ou a universidade. A redução dessas oportunidades significa que há mais jovens disputando um número menor de vagas, aumentando o tempo de espera para conseguir emprego e o desemprego entre aqueles com formação de nível médio, segundo o relatório. Inteligência artificial pode aumentar pressão sobre empregos Essa tendência pode se intensificar à medida que a inteligência artificial transforme o ambiente de trabalho, trouxe a Reuters. A OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados atualmente por pessoas de 15 a 29 anos estão em áreas particularmente expostas às mudanças provocadas pela IA. Isso significa que são funções nas quais ferramentas de inteligência artificial podem substituir parte das tarefas realizadas hoje por trabalhadores ou mudar significativamente a forma como o trabalho é feito. Eleições 2026: fake news e inteligência artificial desafiam Justiça Eleitoral Se apenas 10% desses empregos fossem completamente eliminados, cerca de 5,6 milhões de jovens trabalhadores poderiam enfrentar desemprego, ter de mudar de carreira ou deixar o mercado de trabalho. A maior parte desse impacto ocorreria em países de alta renda. A OIT ressaltou que ainda há incerteza sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho no longo prazo, mas afirmou que os riscos não devem ser subestimados. Ao mesmo tempo, o número de vagas em áreas que exigem maior qualificação, como ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continua crescendo na maioria dos países. Nos países em desenvolvimento, porém, muitos jovens não têm condições financeiras de permanecer desempregados por muito tempo e acabam aceitando trabalhos mais instáveis e sem garantias. Quase nove em cada dez jovens trabalhadores em países de baixa e média-baixa renda estão em empregos informais, segundo a OIT. São trabalhos que, em geral, oferecem menos proteção trabalhista e acesso mais limitado a benefícios e mecanismos de proteção social.

Recuperação extrajudicial: empresa garante operação normal e sem demissões A Alliança Saúde informou nesta terça-feira (11) que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo autorizou o início do processo de recuperação extrajudicial da companhia e das demais empresas envolvidas. O valor da dívida ultrapassa o R$ 1 bilhão. A decisão foi publicada na segunda-feira (10), dentro do processo que analisa o pedido de aprovação do plano de recuperação financeira apresentado pelo grupo. O processo tramita sob o nº 4144507-69.2026.8.26.0100. Ao analisar o pedido, a Justiça entendeu que os requisitos previstos em lei foram cumpridos e permitiu que todas as empresas envolvidas sejam tratadas conjuntamente no processo. Grupo Alliança, dono de marcas como o laboratório CDB, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 1,1 bilhão Divulgação A decisão também considerou a forte integração entre as empresas nas áreas operacional, administrativa, financeira e patrimonial. Isso permite que a situação do grupo seja analisada de forma conjunta, levando em conta a relação entre as companhias. A Justiça determinou ainda a suspensão das cobranças judiciais e de outros processos relacionados às dívidas incluídas no plano, além de pedidos de falência que estejam relacionados a esses débitos. O que acontece agora? O próximo passo será a publicação de um edital para avisar os credores - pessoas ou empresas que têm valores a receber da Alliança - sobre o processo. Depois disso, eles terão 30 dias para apresentar eventuais contestações ao plano, conforme determina a Lei de Recuperação e Falências. "A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados acerca dos desdobramentos relevantes do processo", afirmou a Alliança no fato relevante. Alliança Saúde quer renegociar R$ 1,1 bilhão Na última quarta-feira (5), a Alliança Saúde deu entrada na Justiça o pedido de recuperação extrajudicial com o intuito de renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. De acordo com a Alliança, o plano já conta com a adesão de mais de 83 credores, entre instituições financeiras, fornecedores, prestadores de serviços e proprietários de imóveis e equipamentos. Juntos, eles representam cerca de 54% das dívidas incluídas na recuperação. A companhia informou que as negociações com outros credores continuam e que espera obter novas adesões. Como funciona o plano Segundo a Alliança, o plano proposto oferece diferentes alternativas para os credores receberem os valores devidos. São elas: Troca da dívida por ações: o credor pode converter o valor que tem a receber em ações da Alliança Saúde e se tornar acionista da empresa; Pagamento parcelado: outra opção prevê o pagamento de 30% da dívida em 11 parcelas anuais, após um período de carência de um ano. Os 70% restantes seriam perdoados; Dívidas menores: credores com valores de até R$ 15 mil poderão receber o valor em parcela única, em até 180 dias após a aprovação do plano.

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) um projeto que cria um programa, com oferta de financiamentos, para fomentar a indústria de fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio. O texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT). Fertilizantes Foto de Kashif Shah A relatora no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), alterou o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. Ela retirou a previsão de reserva do valor de R$ 10 bilhões em subsídios, entre 2027 e 2031, e de criação de um fundo específico para auxiliar o setor. Desta forma, ficará a critério do governo federal definir futuramente quanto será dado de crédito. A senadora, líder do PP no Senado, justificou a exclusão do trecho afirmando que ainda não é possível aferir o tamanho da renúncia fiscal que o governo terá de fazer nos próximos anos. Por isso, na versão da proposta que vai para sanção, o montante destinado ao novo programa não foi definido, pois terá de observar, a cada ano, "a disponibilidade orçamentária e financeira". Agora no g1 Esses recursos, que ficaram em aberto, se referem a créditos fiscais, ou seja, a uma redução nos impostos pagos pelo setor. Os deputados estipularam inicialmente que os créditos seriam concedidos a partir da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), essa parte do subsídio será tratada em um outro projeto, o que viabiliza a redução dos tributos sobre combustíveis. O que foi mantido na matéria aprovada pelos senadores é relativo aos empréstimos que serão disponibilizados à indústria. Linhas do BNDES e bancos habilitados Pelo texto, os valores serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai ofertar as linhas de crédito para os produtores de fertilizantes, assim como bancos habilitados por ele. Quem será beneficiado por esta política será o produtor, no Brasil, de fertilizante ou de suas matérias-primas. Essas podem ser: de origem sintética, por meio de processos químicos. Exemplos: amônia e ureia; a partir de minérios, de rochas. Exemplos: calcário, potássio, gesso agrícola; de origem orgânica. Exemplos: esterco animal, farinha de ossos (fonte de fósforo e cálcio). Empresas que aderem ao Simples Nacional ficam de fora do programa. Em seu parecer, Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, explica que o Brasil, "consolidou-se como uma das maiores potências agropecuárias do mundo, mas permanece altamente dependente da importação de fertilizantes, sobretudo dos macronutrientes essenciais à produção agrícola, como nitrogênio, fósforo e potássio". Arroz, café, trigo e mais: como a crise dos fertilizantes — em ano de El Niño — pode pressionar preços "Essa dependência torna o agronegócio brasileiro particularmente sensível às oscilações dos mercados internacionais, às interrupções das cadeias globais de suprimento e às tensões geopolíticas que afetam a produção e a logística desses insumos", concluiu. Percentuais de mistura obrigatória Pelo projeto, o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) vai definir uma quantidade de mistura obrigatória entre fertilizantes nacionais nos adubos vendidos no país. A proposta propõe os seguintes mínimos: 2% a partir de 1º de julho de 2027; 10% até 1º de janeiro de 2037; entre 10% e 30% a partir de 1º de janeiro de 2038, a depender uma análise técnica. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) divulgou que o Brasil responde por 8% do consumo mundial de fertilizantes e mais de 80% desse produto é comprado de outros países, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada O Congresso Nacional convocou para quarta-feira (12) a sessão para instalar a comissão mista para analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". Editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio, a MP perderá a validade caso não seja aprovada até 8 de setembro. Caso isso aconteça, a tributação de 20% será retomada. O agendamento da instalação da comissão mista é vista como um gesto do presidente do Senado Federal e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), ao governo federal. Os dois retomaram o diálogo na última semana após o rompimento causado pela rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), movimento articulado por Alcolumbre. A MP repassou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Nesta terça-feira (11), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que ainda conversaria com Alcolumbre e com o governo Lula para saber como será a análise da MP. "A Comissão Mista terá a presidência da Câmara e relatoria do Senado. É um dos temas que iremos tratar na reunião de líderes. A MP vence em meados do mês de setembro, então para que a taxação não volte, é necessário que o Congresso se debruce sobre o tema nas próximas semanas", disse Motta. Loja de roupas em Goiás Divulgação/CDL 'Taxa das blusinhas' A chamada "taxa das blusinhas" enfrentava resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que criticavam o encarecimento de produtos populares e de baixo valor e a consequente redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico. Os críticos da cobrança também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Por outro lado, varejistas brasileiros argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio nacional. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro. Já a decisão do governo de editar, em maio, uma medida provisória para revogar a "taxa das blusinhas" foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. A medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar uma mudança com forte apelo popular, já que a MP precisa ser aprovada por deputados e senadores para se tornar lei em definitivo.

Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar O Claude, assistente rival do ChatGPT, vai revelar que textos e imagens foram feitos com seus modelos de inteligência artificial. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (11) pela Anthropic, desenvolvedora da ferramenta. A empresa afirmou que fez a atualização para se adequar ao AI Act, lei da União Europeia que obriga empresas de tecnologia a criarem uma espécie de marca d'água sobre conteúdos gerados por inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Modelos do Claude lançados a partir de 2 de agosto já terão a marca d'água. Versões antigas também vão identificar textos e imagens gerados por IA, mas precisarão ser atualizados pela empresa, o que exigirá um período de transição. E, apesar de a exigência ser restrita à União Europeia, a identificação será aplicada em todo o mundo. Claude, da Anthropic, está entre os assistentes de IA mais populares do mundo, rivalizando com ChatGPT e Gemini Ryan Donegan/Flickr Segundo a Anthropic, a identificação será imperceptível para quem ler os textos gerados por sua IA e não vai mudar o sentido ou a qualidade do conteúdo. "Como a marca d'água faz parte do texto, ela o acompanhará quando for copiado e colado em outro lugar e poderá persistir mesmo após algumas edições", disse a emrpesa. No caso de imagens, o Claude vai informar como elas foram criadas por meio dos metadados que seguem o padrão de mercado. 🔎 Metadados são informações presentes nos arquivos que ajudam a descrever como eles foram criados. Os registros incluem detalhes como data e horário de criação. A Anthropic afirmou ainda que está trabalhando para oferecer ferramentas para usuários detectarem as marcas d'água incorporadas aos textos e às imagens geradas pelo Claude. A empresa prometeu divulgar os mecanismos de identificação no futuro.

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Pilar Olivares / Reuters A produção de petróleo no Oriente Médio deve permanecer parcialmente interrompida até o fim de 2027, informou um relatório divulgado nesta terça-feira (11) pela Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Segundo a agência, cerca de 600 mil barris diários de produção na região devem permanecer fora de operação até 2027, já que alguns produtores enfrentam dificuldades para retomar os níveis observados antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A EIA afirma que a interrupção deve persistir mesmo que os fluxos comerciais sejam restabelecidos no próximo ano. Em julho, o volume de produção interrompida na região atingiu, em média, 5,5 milhões de barris por dia, segundo estimativas da agência. Agora no g1 Entenda o caso As cotações do petróleo vivem um período de volatilidade desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, em meio a declarações polêmicas do presidente americano, Donald Trump, impasses nas negociações para um acordo de paz entre EUA e Irã e o consequentemente fechamento do Estreito de Ormuz. O principal impacto desse cenário tem sido na oferta global de petróleo e nos custos globais de energia, que também já começam a se refletir na inflação. Localizado entre Omã e o Irã, o Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas. Com o agravamento do conflito nos últimos meses, diversos países da região interromperam, por precaução, a produção de petróleo e gás. A interrupção também diminuiu os estoques globais da commodity, impulsionando os preços de energia pelo mundo. Entenda o que é o Estreito de Ormuz O aumento nos preços do petróleo e de energia em alguns países fizeram com que os bancos centrais de diversos países pelo mundo já levantassem preocupações com a inflação global, alertando um potencial aumento de juros. 🔎 Juros mais altos costumam estar associados a um menor acesso ao crédito e a uma desaceleração da economia. Com empréstimos mais caros, famílias tendem a reduzir o consumo e empresas ficam mais cautelosas para investir e expandir os negócios. Esse movimento ajuda a conter a inflação, mas também pode limitar o crescimento econômico. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil. Divulgação/ApexBrasil O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, classificou como “muito boa” e legítima a decisão da China de participar das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Para ele, a entrada chinesa no processo não representa uma “intromissão”, mas reforça a importância do sistema multilateral e da discussão envolvendo o Brasil. “Não é uma intromissão da China, é uma participação normal e legítima, como tem na OMC”, afirmou Müller em entrevista ao g1. Segundo ele, a participação de outros países em uma disputa inicialmente bilateral amplia a relevância do caso e mostra que o tema ultrapassa os interesses de Brasil e EUA. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “Quando outros países se interessam para participar, mostra a importância que tem”, disse. Para o presidente da ApexBrasil, a OMC é justamente o espaço adequado para que questões relacionadas ao comércio internacional sejam discutidas e, principalmente, resolvidas. Müller lembrou que Brasil e EUA defendem há décadas o uso da OMC para tratar de conflitos comerciais. “Levar esse assunto para a OMC é um gesto importante, porque a OMC é onde esses temas deveriam ser discutidos e mais do que discutidos, deveriam ser resolvidos”, afirmou. Agora no g1 Na avaliação do presidente da ApexBrasil, a participação chinesa também evidencia a relevância do Brasil no comércio internacional. “O fato da China ter entrado no processo, nós achamos que é muito bom, porque isso mostra o interesse da China”, disse. Para ele, o envolvimento de outros países demonstra que o Brasil “está longe de ser um país irrelevante”. O novo 'plano socorro' da Apex A avaliação ocorre em meio ao esforço do governo brasileiro para diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados específicos. Müller afirmou que o Brasil não deve substituir uma dependência por outra e que a estratégia da ApexBrasil busca ampliar as vendas para diferentes regiões. “Nós não podemos e não queremos mais depender de ninguém, porque a gente não precisa depender de ninguém”, afirmou. Segundo ele, o Brasil tem buscado ampliar sua presença na Europa, na Índia, no Canadá, no México, na África e em países asiáticos, como Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura. Para Müller, o crescimento das exportações brasileiras para determinados países também acompanha o avanço dessas economias. Ele citou a Índia como exemplo: há cerca de dez anos, o país ocupava a 40ª posição entre os destinos das exportações brasileiras; atualmente, segundo ele, já é o quarto mercado mais importante e um dos que mais cresceram. “É natural que a nossa exportação cresça para os países que estão crescendo mais”, afirmou. Por isso, segundo Müller, o plano de diversificação lançado pela ApexBrasil é uma resposta ao tarifaço americano, mas também faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão comercial. “Está muito claro para todos nós que nós não queremos e não vamos trocar uma dependência por outra”, disse. Sobre o plano de R$ 210 milhões apresentado pela ApexBrasil, Müller afirmou que a agência não pretende concentrar os recursos em poucos setores ou países. A estratégia, segundo ele, foi desenhada para atender às 5.300 empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço, que exportam cerca de 2 mil produtos atingidos pelas tarifas. “Não estamos apostando em setores, nós não estamos apostando em prioridades. Nós estamos apostando nas 5.300 empresas que estão sofrendo com o tarifaço”, afirmou. Müller disse ainda que a ApexBrasil trabalha com pelo menos 30 países e 29 setores, justamente porque o objetivo é contemplar o conjunto das empresas atingidas. “É um plano para todos, para todas as empresas brasileiras impactadas”, afirmou. Segundo ele, a capacidade de atender todo esse grupo é algo inédito para a agência. China e OMC, o que aconteceu? No dia 30 de julho, o Brasil enviou à OMC um pedido de consulta sobre as novas tarifas impostas pelos EUA, contestando as aplicações. São elas: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Em seguida, na segunda-feira (10), o governo dos EUA respondeu ao pedido e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem estar 'à disposição' para discutir tarifaço "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. Logo depois, no mesmo dia, a China pediu para participar de tais consultas. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização.

Time da ApexBrasil anunciado o 'plano socorro' para as exportadoras brasileiras. Isabela Ortiz/g1 A ApexBrasil anunciou nesta terça-feira (11) um plano de apoio às empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A agência vai destinar R$ 210 milhões para ajudar empresas de 35 setores a buscar novos mercados para reduzir a dependência dos EUA. Os recursos poderão custear despesas com consultorias especializadas, bolsas de exportação, participação em feiras internacionais e reuniões de negócios. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O programa terá duração de 12 meses e pretende atender 5,3 mil das 5,6 mil empresas atingidas pelas novas tarifas anunciadas pelos EUA. Como não se trata de um empréstimo, não haverá cobrança de juros ou taxas sobre os recursos. As inscrições começam nesta quarta-feira (12), pelo site da ApexBrasil. No cadastro, a empresa deverá informar dados sobre suas exportações e o objetivo do apoio. A análise será individual, e cada caso receberá um auxílio específico. Os principais objetivos são: Apoio a setores e às empresas exportadoras impactadas pelas tarifas; Diversificação de mercados para exportação; Manutenção da promoção comercial no mercado americano; Isenção de taxa de participação em ações diretas para empresas impactadas. Agora no g1 Segundo Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, o objetivo não é recuperar os R$ 210 milhões, mas preparar as empresas brasileiras para exportar. Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China estão entre os mercados apontados pela entidade como possíveis destinos para diversificar as exportações. Em exclusividade ao g1, o presidente afirmou que abrirá, em 2 de setembro, um escritório em Adis Adeba, na Etiópia, como parte da estratégia de ampliar a atuação brasileira na África e na Ásia. Segundo Müller, o escritório terá como objetivo trabalhar comercialmente esses mercados. Ao falar sobre a estratégia para a Ásia, Müller citou o interior da China, diferenciando-o da região litorânea, mas afirmou que o foco principal está nos países da ASEAN, bloco que reúne Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura. Segundo a Apex, 72% das 2,4 mil empresas atendidas e que exportam para os EUA já vendem para pelo menos um mercado adicional. Novo tarifaço Os Estados Unidos anunciaram duas novas tarifas aos produtos brasileiros. Uma delas é a tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais desleais. A outra é a sobretaxa de 12,5% aplicada a mais de 60 parceiros comerciais dos americanos, relacionada ao comércio de produtos que utilizam trabalho forçado. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a sobretaxa chega a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 23,1% das exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas a essas novas sobretaxas. Outros 24,2% são alcançados por tarifas setoriais previstas na Seção 232. Com as listas de exceções determinadas pelos EUA, pouco mais da metade das exportações brasileiras aos Estados Unidos — 52,7%, considerando os dados de 2024 usados pelo MDIC — não está sujeita às novas sobretaxas das Seções 301 nem às tarifas setoriais da Seção 232. Entre os produtos nessa categoria estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose. Isso ajuda a explicar por que a estratégia da ApexBrasil não é substituir o mercado americano, mas reduzir a dependência dele. As tarifas chegam em um momento de perda de participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 17,4 bilhões para o mercado americano, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a fatia dos EUA nas vendas externas brasileiras caiu de 12,1% para 9,4%. Em 2025, as exportações brasileiras para os americanos já haviam recuado para US$ 37,7 bilhões, depois do recorde de US$ 40,4 bilhões registrado em 2024. Enquanto as vendas aos Estados Unidos perderam espaço, a China manteve posição muito mais relevante como destino das exportações brasileiras.

Aplicativo "Meu INSS" Reprodução/TV Globo O governo ampliou a lista de doenças e condições que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária sem a exigência da carência mínima de 12 contribuições ao INSS. Desde julho, a gestação de alto risco passou a integrar a relação de situações que permitem o acesso ao benefício sem o cumprimento desse prazo. Com a mudança, o número de doenças e condições que dispensam a carência subiu para 18. Mesmo nesses casos, porém, o trabalhador continua precisando comprovar a incapacidade para o trabalho e manter a qualidade de segurado da Previdência Social. O auxílio por incapacidade temporária, também chamado auxílio-doença, é destinado a trabalhadores que contribuem para a Previdência Social e que ficam temporariamente impossibilitados de exercer suas atividades em razão de doença ou outra condição de saúde. Agora no g1 Mas não basta apenas ser um contribuinte para ter direito ao benefício. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) exige que o solicitante comprove, com perícia médica, a incapacidade para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos. Em regra, o trabalhador também deve ter pelo menos 12 contribuições mensais ao INSS. A exigência não vale para casos de acidente de qualquer natureza, doença profissional ou do trabalho e para os segurados acometidos por doenças e condições previstas em lei - como gestações de alto risco. O INSS também isenta o tempo de carência trabalhadores acometidos das seguintes doenças: Tuberculose ativa; Hanseníase; Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental; Neoplasia maligna; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilite anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; Hepatopatia grave; Esclerose múltipla; Acidente vascular encefálico (agudo); Abdome agudo cirúrgico; e Gestação de alto risco. A avaliação médica em relação à isenção é feita pela Perícia Médica Federal. Em alguns casos, ela pode ser feita por meio de análise documental, sem a necessidade do comparecimento presencial. Esse requerimento é denominado de Auxílio por incapacidade temporária – Análise Documental. Outra modalidade de requerimento é o "Domiciliar", no qual o solicitante envia um representante para apresentar a documentação necessária. Tem dia certo para pedir demissão? Advogados trabalhistas explicam que sim; veja as dicas Como solicitar? É possível fazer a solicitação através no site ou aplicativo "Meu INSS". Faça o login com a conta gov.br; Clique em “Novo pedido” ou no campo editável “Do que você precisa?”. Digite a palavra “incapacidade” e selecione a opção “Pedir Benefício por incapacidade”. Acompanhe o andamento pelo "Meu INSS", na opção “Consultar Pedidos”. Documentação Durante a solicitação, os trabalhadores precisam apresentar: Documentos médicos originais (exames, laudos, receitas); Documentos pessoais originais do interessado com foto (RG, CNH, CTPS ou outro documento dotado de fé pública que permita a identificação) e CPF; Procuração ou termo de representação legal (tutela, curatela, termo de guarda), se houver; Documentos pessoais originais do procurador com foto (RG, CNH, CTPS ou outro documento dotado de fé pública que permita a identificação) e CPF; Prorrogação do benefício Nos últimos 15 dias do auxílio por incapacidade temporária, caso o segurado acredite que o prazo concedido para a recuperação tenha sido insuficiente, poderá ser solicitada a prorrogação do benefício pela Central 135 ou pelo Meu INSS. Caso não concorde com o indeferimento ou a cessação do benefício, o trabalhador pode entrar com recurso à Junta de Recursos, em até 30 dias contados a partir da data em que tomar ciência da decisão do INSS Dúvidas Em caso de dúvidas, ligue para a Central de Atendimento do INSS pelo telefone 135. O serviço está disponível de segunda a sábado das 7h às 22h (horário de Brasília). Saiba o que a lei diz sobre reuniões fora do horário de trabalho contratual

Produção de cana-de-açúcar com irrigação por gotejamento fica no Vale do Açu, no Oeste potiguar Reprodução/Inter TV Cabugi O governo federal publicou, nesta terça-feira (11), uma medida que concede, em caráter extraordinário, apoio financeiro a produtores de cana-de-açúcar da Região Nordeste. O benefício será de R$ 12 reais por tonelada de cana-de-açúcar comercializada para os produtores que tiveram prejuízos econômicos na safra 2025/2026, por conta das tarifas americanas impostas às exportações brasileiras ou de eventos climáticos extremos. Segundo o governo, o objetivo da medida é preservar a renda dos produtores, manter a produção e proteger os empregos do setor sucroenergético. Agora no g1 Quais produtores serão beneficiados? Serão beneficiados os produtores de cana-de-açúcar que forneçam a produção para usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na Região Nordeste. A medida, no entanto, não se aplica a produtores que sejam sócios das usinas, destilarias ou cooperativas. Para receber o benefício, os produtores precisam estar em situação regular com a Conab e com os principais cadastros e órgãos do governo, incluindo Fazenda Nacional, INSS, FGTS, Sicaf e Cadin. Também não podem estar inscritos no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS). A medida estabelecer prazo até 30 de outubro para que os produtores apresentem a documentação junto a Conab que divulgará as informações sobre os beneficiários e os valores pagos. Segundo o decreto, os recursos destinados à subvenção econômica estão limitados a R$ 270 milhões do orçamento do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Manus havia sido comprada pela Meta Reprodução A startup chinesa de inteligência artificial Manus informou nesta terça-feira (11) que voltará a operar de forma independente e que excluirá parte dos dados de usuários como parte do processo de separação da Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram. "Como parte da nossa transição para operações independentes e para cumprir exigências regulatórias em determinadas jurisdições, os dados gerados por alguns usuários desde 29 de dezembro de 2025 serão excluídos ainda neste mês", informou a Manus em comunicado. A empresa afirmou que os usuários afetados serão avisados pelo aplicativo Manus e por e-mail e poderão fazer cópias de segurança de seus dados antes da exclusão. Agora no g1 Segundo o comunicado, a medida faz parte do processo de separação da empresa da Meta. Em abril, autoridades chinesas determinaram que a Meta desfizesse a aquisição da Manus, avaliada em mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões). A decisão foi tomada pelo Escritório do Mecanismo de Trabalho para Revisão de Segurança de Investimento Estrangeiro da China, e ocorreu em meio ao aumento da fiscalização de Pequim sobre investimentos americanos em startups chinesas que desenvolvem tecnologias consideradas estratégicas. A comissão não detalhou os motivos do veto. A Meta havia anunciado a aquisição da Manus em dezembro, em um caso incomum de grande empresa de tecnologia americana comprando uma companhia de IA com fortes vínculos com a China. O acordo continha várias etapas que ampliariam as ofertas de IA nas plataformas da Meta. Anteriormente, a empresa americana havia afirmado que não haveria "nenhum interesse de propriedade chinesa" na Manus após o fechamento do negócio, e que a startup encerraria seus serviços e operações na China. Ainda assim, em janeiro, o governo chinês anunciou que investigaria se a aquisição estaria em conformidade com suas leis e regulamentos. Em julho, a agência de notícias Reuters informou que a Tencent, gigante chinesa dos setores de jogos e internet, estaria negociando a compra de uma participação que poderia transformá-la na maior acionista da Manus. *Com informações das agências de notícias Reuters e Associated Press.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu nesta terça-feira (11) em Brasília com a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Theresa Lazaro. O governo das Filipinas preside atualmente a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), e o encontro acontece num momento em que o Brasil busca novos parceiros e ampliar relações comerciais em meio ao tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Inicialmente, Vieira e Maria Theresa estiveram no Palácio da Alvorada, residência oficial do governo, num encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois seguiram para o Palácio Itamaraty, também na capital, sede do Ministério das Relações Exteriores. A Asean reúne, além das Filipinas, países como Singapura, Vietnã e Indonésia, com os quai o Brasil defende que o Mercosul mantenha acordos comerciais, em razão do potencial de aumentar o comércio exterior e, na prática, reduzir a dependência de alguns mercados. Agora no g1 Segundo o Itamaraty, em 2025, o comércio entre o Brasil e os países da Asean ultrapassou US$ 38,4 bilhões, tornando o bloco o quinto maior parceiro comercial do país, atrás da China, da União Europeia, dos Estados Unidos e do Mercosul. Ainda de acordo com o ministério, os países da Asean são responsáveis por 15% de todo o superávit da balança comercial brasileira em 2025, com saldo positivo de US$ 10,3 bilhões. Nesse contexto, o Itamaraty afirmou que as Filipinas representam “importante mercado para produtos do agronegócio e do setor mineral”. Em 2025, conforme o ministério, o país se tornou o maior destino das exportações brasileiras de carne suína, com vendas de aproximadamente US$ 840 milhões. Chanceler Mauro Vieira Mateus Oliveira/MRE Tarifaço dos EUA A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas desleais na economia em relação a empresários americanos e falhou, assim como outros países, no combate à importação de produtos fabricados em países onde há trabalho forçado. Por isso, anunciou duas tarifas (de 25% e de 12,5%) contra produtos brasileiros vendidos no mercado americano. Desde então, a ordem interna no governo brasileiro tem sido abrir novos mercados e ampliar os já existentes, reduzindo a dependência do mercado americano. Em razão dos dois tarifaços, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas são discriminatórias, unilaterais e desrespeitam compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à entidade multilateral. Os Estados Unidos já responderam ao pedido de consultas, afirmando que estão “à disposição” das autoridades brasileiras para discutir o tarifaço - mas não sinalizaram se vão reverter ou não o tarifaço. Nesse cenário, a China também solicitou à OMC participar das discussões, alegando que as exportações do país podem ser prejudicadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Carros da Leapmotor prontos para exportação Divulgação / Leapmotor Dados da Associação de Automóveis de Passeio da China (CPCA) mostram que julho de 2026 foi o décimo mês consecutivo de queda nas vendas de automóveis no mercado doméstico da China. O recuo foi de 21,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 1,47 milhão de veículos. No mesmo período, as exportações da China dispararam 88,2%, para 923 mil veículos. O movimento mostra como as montadoras chinesas estão ampliando sua presença em outros mercados diante da desaceleração da demanda interna e da forte concorrência no maior mercado automotivo do mundo. Carros da China já correspondem a 52% dos importados no Brasil em 2026; eletrificados crescem 120% 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos A queda das vendas domésticas foi mais intensa do que a associação esperava. Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, o aumento dos preços dos combustíveis prejudicou principalmente os veículos movidos a gasolina, enquanto a demanda por sedãs de entrada também perdeu força. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas domésticas de veículos de passeio acumulam queda de 20,5%, o equivalente a cerca de 2,65 milhões de unidades a menos do que no mesmo período de 2025. Exportações ganham força O movimento é oposto no mercado externo. As exportações de veículos elétricos e híbridos plug-in cresceram 147,8% em julho, enquanto as vendas desses modelos no mercado doméstico recuaram 3,9%. As montadoras chinesas vêm ampliando a atuação, especialmente na Europa, no Sudeste Asiático, na América Latina e no Oriente Médio. A estratégia ajuda as fabricantes a compensar a menor demanda dentro do país e a aproveitar mercados onde a presença de marcas chinesas ainda está em expansão. Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, é um dos exemplos. A empresa enfrenta um mercado doméstico mais fraco, mas registrou recorde de remessas internacionais em julho, contribuindo para o terceiro mês consecutivo de crescimento de suas vendas globais. Brasil está entre os mercados que mais recebem carros chineses O movimento de expansão das montadoras chinesas já aparece com força no Brasil. Entre janeiro e julho, o país importou 344,1 mil veículos, alta de 25,7% em relação ao mesmo período de 2025. Mais de 180 mil vieram da China — 52,4% de todos os veículos importados pelo Brasil no período. As importações de veículos chineses cresceram 105,4% no acumulado do ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A ofensiva ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. No acumulado até julho, os emplacamentos de carros elétricos e híbridos avançaram 120,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Em julho, os eletrificados responderam por 23,5% dos emplacamentos de veículos no país, a maior participação registrada até então. Montadoras buscam espaço fora da China A expansão internacional ocorre em um momento de maior competição dentro da própria China. Com consumidores mais seletivos e uma grande quantidade de novos modelos, as fabricantes enfrentam pressão para manter preços competitivos e preservar margens. Segundo analistas, a demanda por substituição de veículos perdeu força depois do impulso provocado pelos subsídios, enquanto os consumidores passaram a selecionar mais os modelos antes de comprar. O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, resumiu o desafio das fabricantes: enquanto as montadoras tentam avançar para segmentos mais sofisticados, os consumidores chineses continuam priorizando veículos com melhor relação entre preço e benefício. Estratégia inclui produção no exterior Além de aumentar as exportações, as fabricantes chinesas também estão buscando produzir mais perto dos mercados consumidores. Um exemplo é a Geely, que fechou acordo com a Ford para produzir SUVs elétricos em uma fábrica da montadora americana na Espanha. A estratégia permite às empresas chinesas ampliar a capacidade de produção e facilitar o acesso ao mercado europeu. Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador Malu Vieira/ g1 BA No Brasil, o movimento também deve continuar. Sete novas marcas chinesas têm planos de entrar no mercado brasileiro até 2028, segundo levantamento divulgado pelo g1. A expansão aumenta a concorrência com fabricantes tradicionais e já começa a pressionar os preços. Segundo estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero quilômetro teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação. Pressão sobre o setor deve continuar Apesar do avanço das exportações, a fraqueza do mercado chinês pode continuar no segundo semestre. Analistas do Deutsche Bank avaliam que as montadoras devem enfrentar pressão sobre as margens com o aumento das promoções e dos custos de componentes, como baterias de lítio e memórias para semicondutores. O cenário cria uma situação paradoxal para a indústria chinesa: as vendas dentro do país perdem força justamente quando as montadoras aceleram a expansão internacional — e mercados como o Brasil ganham importância nessa estratégia. *Com informações da Reuters

Auxílio-doença sem carência: veja quais condições dão esse direito O Ministério da Previdência Social ampliou a lista de doenças e condições que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária — o antigo auxílio-doença — sem a exigência da carência mínima de 12 contribuições à Previdência Social. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde 24 de julho, a gestação de alto risco integra essa relação. A mudança foi estabelecida por uma portaria publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos ministros Wolney Queiroz, da Previdência Social, e Alexandre Padilha, da Saúde. Com a inclusão, subiu para 18 o número de doenças e condições que dispensam o cumprimento da carência mínima para a concessão do benefício. Em 2022, a lista já havia sido ampliada com a inclusão do acidente vascular encefálico agudo e do abdome agudo cirúrgico, nos casos considerados graves. O rol foi instituído pela Lei nº 8.213, de 1991, e, desde então, passou por duas ampliações: a de 2022 e a mais recente, que incluiu a gestação de alto risco. Veja abaixo a lista completa: Tuberculose ativa; Hanseníase; Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental; Neoplasia maligna; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilite anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; Hepatopatia grave; Esclerose múltipla; Acidente vascular encefálico (agudo); Abdome agudo cirúrgico; e Gestação de alto risco. Previdência Social Marco Favero/ Agencia RBS No caso do acidente vascular encefálico agudo e do abdome agudo cirúrgico, a dispensa da carência só se aplica quando os quadros apresentam evolução aguda e atendem aos critérios de gravidade. A avaliação para definir se o segurado se enquadra nas condições para a dispensa da carência é feita pela Perícia Médica Federal. Segundo a Previdência, nesses casos, o benefício pode ser concedido mesmo que o segurado não tenha cumprido a carência mínima de 12 contribuições ao INSS. Ainda assim, é necessário ter qualidade de segurado — ou seja, estar coberto pela Previdência Social — e comprovar a incapacidade para o trabalho. A carência também é dispensada nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa, além de doença profissional ou do trabalho. Nas demais situações, em regra, é necessário ter feito pelo menos 12 contribuições mensais ao INSS para ter direito aos benefícios por incapacidade. Quando um trabalhador pode ser afastado do trabalho por doença? O afastamento ocorre quando uma doença ou outra condição de saúde deixa o trabalhador temporariamente incapaz de exercer suas atividades profissionais. Para empregados com carteira assinada, a empresa é responsável pelo pagamento do salário durante os primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por incapacidade. A partir do 16º dia, o trabalhador pode ter direito ao auxílio por incapacidade temporária pago pelo INSS, desde que cumpra os requisitos para a concessão. O benefício é pago enquanto persistir a incapacidade temporária para o trabalho e pode ser prorrogado ou encerrado conforme a avaliação da perícia médica. Para comprovar a incapacidade, podem ser exigidos documentos como atestados, laudos e exames médicos. Como funciona a perícia médica? A incapacidade para o trabalho é verificada por meio de perícia médica. Ao solicitar o benefício, o segurado deve enviar, de forma on-line, pelo aplicativo ou site Meu INSS, documentos que comprovem sua condição de saúde, como atestados e laudos médicos. Os documentos devem estar legíveis e conter informações como o período de afastamento recomendado, o código da doença e a assinatura do profissional responsável. A perícia pode concluir que o segurado está temporariamente impossibilitado de trabalhar, o que pode resultar na concessão do auxílio por incapacidade temporária. Se for constatada incapacidade permanente, o trabalhador pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente — antiga aposentadoria por invalidez. Quem tem direito ao auxílio por incapacidade temporária? O benefício é destinado ao segurado do INSS que esteja temporariamente incapaz de trabalhar ou exercer sua atividade habitual e cumpra os requisitos previdenciários exigidos. Em regra, é preciso ter qualidade de segurado e cumprir uma carência mínima de 12 contribuições mensais. A exigência da carência, porém, é dispensada em situações previstas em lei, como nos casos das doenças e condições listadas acima, de acidentes de qualquer natureza e de doenças profissionais ou do trabalho. Podem ter direito ao benefício, por exemplo, empregados com carteira assinada, trabalhadores autônomos e outros contribuintes individuais, além de segurados facultativos, desde que cumpram os requisitos aplicáveis a cada caso. Mesmo quem deixou de contribuir para o INSS pode, em determinadas situações, continuar coberto pela Previdência por um período após a interrupção dos pagamentos. É o chamado “período de graça”, cuja duração varia conforme a situação do segurado. Como pedir o benefício? O pedido do auxílio por incapacidade temporária pode ser feito pelo Meu INSS. Após entrar na plataforma, o segurado deve selecionar “Novo pedido”, buscar por “incapacidade” e escolher a opção “Pedir Benefício por Incapacidade”. O andamento da solicitação pode ser acompanhado na própria plataforma, em “Consultar Pedidos”. O INSS orienta ainda que o segurado mantenha seus dados de contato atualizados para receber as notificações sobre o processo. Quais documentos devem ser apresentados? Entre os documentos exigidos estão: documentos médicos originais, como exames, laudos e receitas; documento de identificação com foto e CPF; procuração ou documento de representação legal, quando necessário; documento de identificação e CPF do procurador ou representante, se houver. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

Ilustração de logo do Bradesco. Reuters O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta terça-feira (11) que vê espaço para novos cortes na taxa básica de juros ainda neste ano, apesar de riscos como as eleições, a guerra no Oriente Médio e os efeitos do El Niño sobre a inflação. "A gente entende perfeitamente o movimento de política monetária do Banco Central, mas a taxa de juros está bem elevada [...] e, quando olhamos para a inflação, vemos espaço para reduzir essa taxa", afirmou em entrevista ao Radar GloboNews. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo Noronha, os economistas do Bradesco trabalham com a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) já na próxima reunião do colegiado, em setembro. O executivo destaca, no entanto, que acredita que novos cortes podem ocorrer posteriormente. "Já vemos sinais de desaceleração da economia brasileira. Nossos economistas trabalham com [uma redução de] 0,25 p.p., mas eu acredito que podemos ver novos cortes", completou. Agora no g1 🔎Quando a economia perde força, o consumo e os investimentos tendem a crescer em ritmo mais lento, o que reduz pressões sobre os preços e pode abrir espaço para cortes nos juros. Apesar do tom mais otimista, Noronha reconhece que ainda existem fatores que podem dificultar a trajetória de queda dos juros, como as eleições, os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e os impactos do El Niño, fenômeno climático pode afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos. "Temos um cenário ainda incerto e uma guerra sem desfecho definido, que afeta os preços do petróleo e pode pressionar a inflação por aqui", disse o presidente do Bradesco. Ele destacou que, embora o histórico mostre que as eleições costumam provocar volatilidade no câmbio, esse efeito tende a se concentrar no curto prazo. "Temos, de fato, uma volatilidade maior, mas concentrada em um período mais curto. Então continuo trabalhando com a expectativa de que os juros precisem permanecer acima da inflação, mas não em um patamar tão elevado quanto o atual", acrescentou Noronha. Nesta terça-feira, o Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom. Na semana passada, o comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para 14% ao ano. No documento, divulgado nesta terça-feira, o BC alertou para os possíveis impactos da alta dos preços do petróleo e dos eventos climáticos sobre a inflação brasileira. Segundo a instituição, caso esses riscos se concretizem, poderá ser necessária uma "reação firme" da política monetária. O BC também demonstrou preocupação com o possível impacto inflacionário das medidas de estímulo adotadas pelo governo federal. "O Comitê continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta". Endividamento das famílias ainda preocupa O presidente do Bradesco também afirmou que o endividamento das famílias e o comprometimento da renda seguem sendo motivo de preocupação. Segundo ele, embora o Desenrola — programa de renegociação de dívidas do governo federal — tenha produzido efeitos positivos, ainda há um longo caminho para garantir um crescimento sustentável da economia. "[O Desenrola] vem evoluindo e surtindo efeito, mas tudo tem seu limite. O que esperamos é um Brasil capaz de crescer acima de 3% ao ano e manter uma política fiscal equilibrada, evitando uma trajetória persistente de aumento da dívida pública", afirmou. Segundo Noronha, o equilíbrio das contas públicas é fundamental para manter a inflação sob controle e permitir juros mais baixos por mais tempo. "É isso que pode trazer mais tranquilidade para empresas e consumidores ao preservar empregos e renda. O pior inimigo da renda é a inflação. Com os preços sob controle e o país crescendo, temos condições de construir uma economia mais saudável do que a atual", disse. Noronha também afirmou que os candidatos à Presidência da República deveriam ser mais transparentes sobre seus planos para as contas públicas. "O Brasil já sabe o que precisa fazer para equilibrar as contas públicas. Mas, independentemente de qual governo assuma, será necessária vontade política para colocar essas medidas em prática. Acredito que o Congresso apoiará medidas responsáveis que ajudem o país a construir uma política fiscal mais equilibrada", concluiu.

Tarifaço americano: Brasil calcula que medida atinge 18% das exportações pros EUA As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, queda de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas e levou os embarques para o mercado americano ao menor nível para o período em três anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dados são do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em informações do Comexstat. A queda foi ainda maior entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens recuaram 31,5% no acumulado do ano, de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões. A retração nesse grupo de produtos mais taxados foi puxada principalmente pela madeira de coníferas, cujas vendas para os EUA desabaram 59,4% de janeiro a julho na comparação com o mesmo período do ano passado. O tombo no faturamento do setor atingiu em cheio outros itens da pauta, com quedas expressivas no sebo bovino, ovino ou caprino (-42,5%), nos granitos trabalhados (-42,1%), no fumo não manufaturado (-37,7%) e na exportação de portas e caixilhos (-35,3%) — um retrato de como o tarifaço americano vem encolhendo os ganhos da indústria e do setor extrativo brasileiro no ano. “Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa Exportações caem em julho Somente em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas para o mercado americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance Assim como na comparação Janeiro a Julho, entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a queda foi ainda mais forte em julho, de 25,7%. Na direção contrária, os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de aço e alumínio. Entre os produtos que registraram as maiores quedas no acumulado do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Semimanufaturados de ferro e aço também tiveram retração. Principais produtos da pauta exportadora brasileira para os EUA g1 Relembre como funcionam as sobretaxas impostas pelos EUA: Sobretaxas de 25% a 37,5% (Seção 301 - Tarifas mais altas):Atingem produtos como sebo bovino, fumo, madeira de coníferas e portas. Essa alíquota é a mais pesada porque combina duas punições comerciais cumulativas aplicadas pelos EUA sobre o mercado brasileiro. Foi essa categoria que liderou as maiores quedas em valor no ano (-31,5%). Sobretaxas de 12,5% (Seção 301 - Tarifa base): É a taxa de retaliação comercial padrão aplicada a itens como minério de ferro aglomerado, pedras de cantaria e outros silícios. "Seção 232" (Segurança Nacional): Agrupa bens industriais e estratégicos — como aço, alumínio, transformadores e maquinário pesado (tratores e pás carregadoras). Em vez de uma porcentagem fixa única, esses produtos seguem uma lei americana voltada à "segurança nacional", com regras setoriais específicas que variam de acordo com o tipo e a composição do bem. : Vendas aos EUA caem enquanto exportações ao mundo crescem O desempenho das exportações para os Estados Unidos ficou abaixo do registrado pelo Brasil nos demais mercados. Enquanto as vendas para os EUA recuaram 12,2% entre janeiro e julho, as exportações totais brasileiras cresceram 10,5% no mesmo período. Mesmo com a queda, os Estados Unidos continuam como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Entre os dez principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, quatro tiveram queda nas exportações para o mercado americano ao mesmo tempo em que registraram crescimento nas vendas para o restante do mundo. É o caso do petróleo bruto, cujas exportações para os EUA caíram 25,5%, dos semimanufaturados de ferro ou aço, com queda de 11,1%, do ferro-gusa, que recuou 7,9%, e da celulose, com baixa de 5,3%. Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos tiveram queda nas vendas no acumulado do ano. No restante do mundo, todos esses produtos registraram crescimento. Brasil tem déficit com os Estados Unidos As importações brasileiras de produtos americanos somaram US$ 23,2 bilhões entre janeiro e julho, queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. Com as exportações em queda, o Brasil acumulou déficit de US$ 2,3 bilhões no comércio com os Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano. O valor representa uma alta de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado. 🔍Déficit comercial: quando um país compra mais de outro do que vende. Somente em julho, as compras brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões, após sete meses consecutivos de retração. Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos no mês.

Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras Brasil proibiu a alimentação forçada de patos e gansos, mas mantém práticas como o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o confinamento em gaiolas. O Brasil proibiu, desde julho, a produção e a comercialização de alimentos obtidos a partir da alimentação forçada de animais, como o foie gras. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Se, por um lado, o país deu um passo importante na proteção dos animais, ainda há inúmeras práticas da pecuária que despertam críticas e, segundo especialistas e ativistas, exigem mudanças. O foie gras é produzido por meio da gavagem, técnica que utiliza tubos de metal ou plástico introduzidos na garganta de patos e gansos para despejar grandes quantidades de alimento no estômago. Veto ao foie gras no Brasil reacende tensão comercial com a França após acordo Mercosul-UE O objetivo é provocar o acúmulo de gordura no fígado, tornando-o maior e com uma textura que derrete na boca. Entre as práticas controversas que deveriam ser mudadas no país, segundo especialistas, estão o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o uso de gaiolas para porcas e galinhas. Essas condutas contrastam com a proteção contra a crueldade prevista na Constituição Federal. Foie Gras é proibido no Brasil. REUTERS/Aline Massuca "Os animais possuem dignidade intrínseca simplesmente por existirem. E essa dignidade está posta na Constituição Federal e já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Várias práticas não se justificam por serem intrinsecamente cruéis", afirmou Arthur Regis, especialista em Políticas Públicas da ONG Sinergia Animal. "Precisamos avançar ainda mais na abolição das piores práticas." Gaiolas, gado vivo e vacas grávidas Não há dúvida de que o foie gras é doloroso e cruel, afirmou a médica-veterinária Carla Forte Maiolino Molento, coordenadora do Laboratório de Bem-estar Animal (LABEA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Embora esse método tenha sido proibido, a especialista considera que interesses econômicos ainda prevalecem sobre o bem-estar animal no Brasil. Gado confinado em Barretos, São Paulo. Joel Silva/Reuters Há três práticas que deveriam ser proibidas com mais urgência, na análise da professora. O abate de jumentos, cujas peles são vendidas principalmente no mercado chinês, pode levar esses animais à extinção. "É difícil ter dados muito aproximados, porque não é monitorado como em uma indústria mais estabelecida. Mas estima-se que boa parte da população já tenha sido abatida." Uma outra é a exportação de gado vivo por via marítima. Todos os anos, milhões de bois, vacas e bezerros costumam passar semanas em alto mar, convivendo em ambientes apertados e cobertos de fezes e urina, antes de serem abatidos, geralmente em países do Oriente Médio. Muitos morrem nesta travessia. O abate de vacas grávidas é outra prática que deveria ser proibida, segundo a professora. De acordo com uma normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apenas fêmeas gestantes que estejam nos últimos 10% do período gestacional não devem, em circunstâncias normais, ser transportadas ou abatidas. Molento chamou a atenção para alguns detalhes da regulamentação que considera "pesadíssimos". A norma estabelece que os fetos não devem ser removidos do útero antes de cinco minutos após o término da sangria da fêmea gestante. Também determina que, caso um feto maduro e vivo seja removido do útero, deve-se impedir que ele infle os pulmões e respire. O que traria mais impacto, no entanto, tanto pelo número de animais afetados quanto pelo seu grau de sofrimento, seria o fim do uso de gaiolas, amplamente utilizadas para porcas e galinhas. "É algo extremo, que a gente naturalizou", afirmou Molento. Porcas, por exemplo, vivem em gaiolas do tamanho do próprio corpo, amamentando diversos filhotes, que depois serão abatidos. "Se você entra num galpão desses, o que você vê são animais no mais avançado estágio de depressão. Medo, tédio e frustração são alguns dos sentimentos provavelmente sentidos por elas." Trituração de pintinhos Há muito espaço para o Brasil avançar na adoção de práticas e processos que reduzam o sofrimento animal, avaliou George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da ONG Mercy For Animals. Uma das mais urgentes, na sua visão, é o transporte de gado vivo por via marítima. Além disso, ele também destaca a situação das aves de produção. Pintinhos Reprodução/RPC Entre as práticas usadas na indústria de produção de ovos está o descarte de pintinhos machos por trituração, asfixia ou sufocamento após a eclosão. "Eles são triturados porque não têm valor comercial. Pintinho macho não põe ovo. Você poderia perguntar: ‘Não põe ovo, mas ele poderia ser criado para produção de carne?'. Poderia. O problema é o ponto de vista da indústria", explicou Sturaro. Segundo o especialista, como as aves foram selecionadas para colocar ovos, elas não são tão eficientes para produzir carne. "Só que estamos falando de um animal que nasceu, um ser vivo, senciente, que tem um sistema nervoso e que é capaz de sentir medo, dor, desconforto. E ele é triturado vivo", disse Sturaro. Uma alternativa seria o uso da sexagem in ovo, uma tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião antes da eclosão. Esse método, segundo a Mercy For Animals, começou a ser usado na Itália e também vem sendo utilizado em outros países, como a Alemanha. Já no Brasil, estima-se que 85 milhões de pintinhos machos sejam mortos todos os anos. Outro problema dessa indústria de aves, segundo Sturaro, é o uso de gaiolas para galinhas poedeiras, criadas para a produção de ovos. "É um extremo sofrimento para os animais. Uma galinha poedeira passa praticamente toda a vida dentro de uma gaiola, de 18 a 24 meses. Depois é enviada para um abatedouro", explicou Sturaro. Por causa desse confinamento, uma prática usada para evitar que as galinhas se machuquem é a debicagem, ou seja, o corte do bico, feito por métodos mecânicos ou a laser. "Às vezes alguns animais brigam por não conseguirem acessar a comida ou a água de modo satisfatório. As galinhas brigam bicando umas às outras. Então, se elas têm os bicos naturais, os bicos inteiros, elas se ferem gravemente." A DW solicitou informações e posicionamentos ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa os setores da avicultura e da suinocultura do Brasil. Até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. A disputa no Congresso Organizações da sociedade civil acompanham mais de 500 proposições relacionadas à causa animal. Em abril, lançaram a Agenda Legislativa Animal 2026, apontando 20 projetos prioritários para sensibilizar os parlamentares e impulsionar a tramitação. No eixo de bem-estar animal e pecuária, as organizações apoiaram o projeto que proibiu a alimentação forçada de animais, utilizada na produção de foie gras. Também defenderam a aprovação de propostas como o fim do abate de equídeos, como os jumentos, a proibição da exportação de gado vivo, a adoção da sexagem in ovo e a implantação da rotulagem de produtos de origem animal. Outro projeto apoiado é o PL 2881/2024, que busca incluir na Lei de Política Agrícola o bem-estar animal como um princípio essencial. A proposta foi aprovada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas aguarda para ser discutida na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, onde há um parecer contrário. Na Agenda Legislativa Animal 2026, as organizações afirmaram que, apesar dos avanços e do volume de iniciativas, o "espaço dedicado à temática animal na agenda política e nos processos decisórios ainda é reduzido". "No Brasil nós temos uma resistência no Congresso Nacional muito grande a qualquer avanço no contexto das práticas agropecuárias, em virtude de termos uma bancada muito organizada, muito forte, a bancada do agronegócio", afirmou Arthur Regis, da Sinergia Animal. Muitos avanços, na opinião de Regis, decorrem das exigências de mercados internacionais e da sensibilização de parlamentares. Além disso, ele destaca a importância da sociedade, que pode pressionar os tomadores de decisão e deixar de consumir produtos associados à crueldade animal. "A partir do momento em que o consumo cai, a empresa ou o produtor vai se perguntar: ‘Por que meu produto não está sendo consumido?' Porque o consumidor percebeu que ele deriva de uma prática intrinsecamente cruel, como no caso do foie gras."

Imagem ilustrativa de frutas, legumes e verduras no supermercado. Tomate, batata-inglesa e cenoura lideraram as quedas de preços, enquanto leite e frutas registraram as maiores altas do mês. Divulgação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O maior impacto veio do grupo Habitação, que subiu 0,99%. Já a inflação de Alimentos e Bebidas caiu 0,67%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto a inflação dos alimentos consumidos em casa recuou (-1,14%), os preços das refeições fora de casa subiram (+0,55%). Agora no g1 As principais quedas foram no tomate (-29,09%), principal impacto negativo no resultado do mês, batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). No lado das altas, o destaque ficou com o leite longa vida (2,47%) e frutas (1,20%). Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche saindo de 0,13% para 0,76%, e a refeição de 0,15% para 0,42%, no mesmo período. Veja a seguir os 20 alimentos que ficaram mais caros e mais baratos em julho. Alimentos que encareceram Manga: 14,74% Limão: 10,59% Melancia: 7,78% Cebola: 7,74% Morango: 7,13% Mamão: 6,16% Banana-da-terra: 5,49% Pimentão: 5,15% Banana-maçã: 4,06% Milho (em grão): 3,53% Bacalhau: 3,51% Feijão-preto: 3,28% Peixe-palombeta: 3,19% Feijão-macáçar (fradinho): 3,04% Leite longa vida: 2,47% Peixe-dourada: 2,41% Banana-d'água: 2,39% Maracujá: 2,39% Vinho: 2,24% Pepino em conserva: 2,01% Alimentos que mais baratearam Pepino: -33,42% Tomate: -29,09% Batata-inglesa: -19,59% Cenoura: -14,41% Açaí (emulsão): -13,32% Abobrinha: -10,49% Laranja-lima: -10,41% Couve-flor: -9,64% Peixe-filhote: -6,5% Peixe-peroá: -5,73% Brócolis: -5,59% Peixe-tainha: -4,25% Peixe-cação: -3,94% Laranja-baía: -3,74% Melão: -3,7% Batata-doce: -3,6% Açúcar refinado: -3,41% Couve: -3,39% Sopa desidratada: -3,28% Abacaxi: -3,1% Leite foi um dos alimentos que mais encareceu em julho de 2026. Engin Akyurt / Unsplash

IPCA desacelera a 0,07% em julho O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando a alta havia sido de 0,16%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No acumulado de 2026, a inflação está em 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho. 🔎 Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece um objetivo de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%. O grupo Habitação teve a maior alta em julho, de 0,99%, puxado principalmente pelo aumento da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês, ante 1,53% em junho, e sozinha respondeu por 0,13 ponto percentual da inflação. Já Alimentação e bebidas ajudou a segurar a inflação, com queda de 0,67%. Entre os demais grupos, os preços variaram de uma queda de 0,66% em Vestuário a uma alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais. IPCA - Inflação oficial mês a mês Arte g1 Veja o resultado dos grupos do IPCA Alimentação e bebidas: -0,67%; Habitação: 0,99%; Artigos de residência: 0,07%; Vestuário: -0,66%; Transportes: 0,05%; Saúde e cuidados pessoais: 0,40%; Despesas pessoais: 0,22%; Educação: -0,03%; Comunicação: 0,04%. IPCA - Inflação oficial acumulada em 12 meses Arte g1 Alimentos mais baratos ajudam a segurar inflação Supermercado em São Paulo REUTERS/Paulo Whitaker Os preços de alimentos e bebidas caíram 0,67% em julho, principalmente por causa da redução de 1,14% nos alimentos comprados para consumo em casa. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão: 🍅 tomate (-29,09%), 🥔batata-inglesa (-19,59%), 🥕 cenoura (-14,41%) ☕ café moído (-2,45%). O tomate foi o produto que mais ajudou a reduzir a inflação no mês. Na outra ponta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas ficaram 1,20% mais caras. Já quem comeu fora de casa enfrentou uma alta maior nos preços. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55% em julho, contra 0,15% em junho. O preço dos lanches aumentou 0,76%, enquanto o das refeições subiu 0,42%. Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco teve a maior alta de preços em julho, de 0,32%, principalmente por causa do aumento das passagens aéreas e da energia elétrica. Belém teve a maior queda, de 0,45%, influenciada principalmente pela redução dos preços da gasolina e do açaí. IPCA: Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em julho Conta de luz pesa na inflação de julho O grupo Habitação acelerou de uma alta de 0,63% em junho para 0,99% em julho, principalmente por causa do aumento da energia elétrica residencial, que passou de 1,53% para 3,09%. A conta de luz foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual. O resultado considera reajustes nas tarifas de energia em algumas cidades: Em São Paulo, uma das concessionárias aumentou as tarifas em 8,85%, a partir de 4 de julho; Em Porto Alegre, o reajuste foi de 14,89%, válido desde 19 de junho; Em Curitiba, de 19,55%, desde 24 de junho. Além dos reajustes, a conta de luz continuou sendo influenciada pela bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,40%, refletindo reajustes aplicados em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. Já o gás encanado ficou 0,04% mais barato, devido a uma redução média de 2% nas tarifas no Rio de Janeiro. Plano de saúde e passagens aéreas ficam mais caros O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40% em julho, influenciado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, que ficaram 0,64% mais caros. O destaque foi o perfume, com alta de 1,04%. Os planos de saúde também subiram, 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já o grupo Transportes teve alta de 0,05%. As passagens aéreas subiram 11,67%, mas o resultado foi parcialmente compensado pela queda de 1,44% nos combustíveis. O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o diesel, 1,22%, e o gás veicular, 0,08%. Economistas veem espaço limitado para novos cortes de juros Apesar de estar dentro da meta do BC (4,50%), a inflação acumulada em 12 meses (4,44%) ainda está acima do centro da meta, de 3%. Isso significa que o IPCA está dentro da faixa considerada aceitável pelo BC, mas ainda não está no nível que a autoridade monetária considera ideal. 🔎 Por que a inflação importa para os juros? A inflação é um dos principais indicadores observados pelo Banco Central para decidir se deve manter, aumentar ou reduzir a Selic. Quando os preços sobem de forma persistente e as expectativas ficam acima da meta, o BC tende a manter os juros elevados por mais tempo. Quando a inflação está sob controle e as expectativas melhoram, pode haver espaço para reduzir a taxa. Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o IPCA de julho veio “levemente acima do esperado”, mas a diferença foi pequena, uma vez que o mercado projetava alta de 0,03%, contra os 0,07% registrados. Por isso, ele não espera que o resultado altere significativamente a estratégia do Copom para conter os juros. “Como a diferença entre realizado e projetado pelos analistas foi bem pequena, acredito que o Copom [Comitê de Política Monetária] ainda terá um tom mais cauteloso”, disse. Magno prevê que a Selic termine o ano em 13,75%, o que representaria apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao nível atual. Já Joel Freitas, diretor e sócio da M7, avaliou que o cenário de inflação continua relativamente favorável, principalmente porque a taxa acumulada em 12 meses está próxima do teto da meta. Ele ponderou, porém, que serviços como saúde, educação e alimentação fora de casa continuam pressionados pelo mercado de trabalho aquecido. Para os próximos meses, Freitas espera uma inflação mais controlada, mas destaca que o comportamento dos alimentos e das tarifas de energia elétrica ainda pode alterar esse cenário. Segundo ele, o fenômeno climático El Niño também pode representar um risco para os preços dos alimentos, já que mudanças nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produtividade das lavouras, atrasar colheitas e reduzir a oferta de produtos mais sensíveis às condições climáticas. “Caso esses impactos se confirmem, a atual trajetória de queda dos preços pode perder força ou até se reverter, com reflexos sobre a inflação. Por isso, o fenômeno deve seguir no radar do Banco Central como um possível vetor de pressão inflacionária nos próximos meses”, afirmou Freitas. Mesmo com a desaceleração dos preços, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação aos juros. Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom afirmou que há “riscos elevados” para a inflação e que o cenário atual exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária. Na semana passada, o BC reduziu a Selic de 14,50% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Para a próxima reunião, porém, o Comitê não indicou se continuará reduzindo os juros. Segundo a ata, a intensidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos. 💰 Os gastos públicos podem aumentar o consumo e dificultar a queda da inflação, além de gerar preocupação com a dívida do governo; 🛢️ O BC também monitora fatores externos, como a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, e climáticos, que podem encarecer produtos e se espalhar para outros preços. 📈 Outro ponto de atenção são as expectativas: as projeções do mercado para os próximos anos continuam acima da meta, o que pode levar o BC a manter os juros altos por mais tempo.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 2,50% nesta terça-feira (11), aos 167.875 pontos. Foi a maior queda desde 12 de março, quando o índice caiu 2,55%. O dólar fechou em alta de 0,98%, cotado a R$ 5,1606. O desempenho ruim teve como pano de fundo o cenário eleitoral no Brasil e as incertezas sobre o rumo dos juros no país. Os dois fatores foram citados em um relatório do banco JPMorgan, que reduziu a recomendação para a bolsa brasileira e afastou investidores estrangeiros. (veja mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Somou-se a isso o impasse na guerra do Oriente Médio, que reduziu a disposição dos investidores por ativos de maior risco. ▶️ Nos indicadores econômicos, a inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA, registrou mais uma desaceleração em julho, com alta de 0,07% no mês, após avanço de 0,16% no mês anterior. O resultado voltou a ficar dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, mas ainda está distante do centro, de 3%. ▶️ Também foi divulgada nesta terça a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o BC afirmou que reagirá "com firmeza" caso a forte volatilidade dos preços do petróleo afete os preços no Brasil. Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. ▶️ Investidores também seguiram atentos aos desdobramentos do tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil. Nesta terça, a ApexBrasil lançou um plano para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, com foco nos setores afetados pelas tarifas e na diversificação das exportações. ▶️ No exterior, as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz continuaram a pesar nos mercados. Trump ironizou, na véspera, as exigências divulgadas pelo Irã para encerrar a guerra e afirmou que também exigia uma indenização do país "por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente". Diante do impasse, os preços do petróleo oscilaram nesta terça-feira. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,39%, a US$ 88,94. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 1,16%, a US$ 83,08 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,52%; Acumulado do mês: +1,80%; Acumulado do ano: --5,98%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: --2,77%; Acumulado do mês: --5,77%; Acumulado do ano: +6,86%. Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Em post no Truth Social, Trump disse que o regime iraniano deve indenizar "todas as pessoas que matou e feriu gravemente", e falou que passará a fazer a mesma exigência nas futuras negociações entre os dois países. "É uma ideia interessante, pois agora eu também exijo indenização do Irã, por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas de beira de estrada e nos muitos conflitos pelos quais são famosos. (...) Além disso, indenizações devem ser pagas às famílias das centenas de milhares de manifestantes inocentes que o Irã matou nos últimos 50 anos, sem mencionar os 52 mil que foram mortos nos últimos cinco meses. Instruí meus representantes a incluírem isso firmemente em todas as negociações futuras", escreveu. As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia. Ibovespa "rebaixado" Um relatório do JPMorgan que reduziu sua recomendação para o Ibovespa, de "acima da média" para "neutra". Na prática, o banco passou a ver menos espaço para uma valorização do mercado brasileiro em relação a outras opções de investimento. Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a avaliação do JPMorgan está relacionada principalmente ao aumento das incertezas sobre o cenário brasileiro. Entre os pontos considerados pelo banco estão a possibilidade de os cortes da taxa básica de juros serem interrompidos depois de setembro e os efeitos das eleições de outubro sobre o mercado. A preocupação com os juros é relevante porque cortes na Selic tendem a reduzir o custo de financiamento das empresas e podem tornar investimentos em ações mais atrativos. Se o espaço para novas reduções diminuir, esse movimento perde força e pode afetar as expectativas para a Bolsa. O JPMorgan também reduziu sua projeção para o Ibovespa no fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos, segundo Magno. Para o analista, o aumento da percepção de risco no Brasil ajudou a pressionar não apenas as ações, mas também o dólar e as taxas negociadas no mercado para os juros futuros. Bolsas globais Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda, pressionados pelo recuo das ações de tecnologia e enquanto investidores avaliavam rumores de que os EUA e o Irã estariam perto de "algum tipo de acordo". O Dow Jones caiu 0,35%, aos 53.787,57 pontos. O S&P 500 recuou 0,33%, para 7.727,79 pontos. Já o Nasdaq Composite teve baixa de 0,60%, aos 26.445 pontos. Na Europa, os principais mercados da região fecharam o dia mistos, confore o otimismo com uma sólida temporada de balanços compensou a cautela em relação ao Estreito de Ormuz. O índice pan-europeu STOXX 600 ficou estável em 660,51 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, subiu 0,26%, enquanto o CAC-40, da França, caiu 0,13% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve perdas de 0,17%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em baixa nesta terça-feira, conforme investidores reavaliavam as perspectivas de um fim do conflito no Oriente Médio e da reabertura de Ormuz. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,8%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, recuou 0,8%. O Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,1% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,73%. O Nikkei, do Japão, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik

BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens inde Os países do Brics discutem formas de integrar seus sistemas de pagamentos rápidos e as moedas digitais emitidas por bancos centrais, afirmou nesta terça-feira (11) o presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra. Segundo Malhotra, a integração de sistemas de pagamentos e o uso de moedas digitais de bancos centrais, conhecidas como CBDCs, estão entre as alternativas avaliadas para facilitar pagamentos entre os países e reduzir custos nas transações internacionais. “Os pagamentos transfronteiriços são uma área de interesse para todos nós, incluindo os países do Brics, pois acreditamos que há grande potencial para reduzir custos”, disse Malhotra durante um evento em Mumbai. BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens indevidas “Várias opções estão em discussão, mas ainda estão em fase de debate, incluindo as CBDCs e as integrações entre sistemas de pagamentos rápidos”, acrescentou. Proposta pode entrar na agenda da cúpula de 2026 A discussão ocorre antes da cúpula do Brics de 2026, que será sediada pela Índia. O grupo reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países. 📅 A 18ª Cúpula do Brics de 2026 está prevista para 12 e 13 de setembro. A agência Reuters informou no início deste ano que o Banco Central da Índia recomendou ao governo que uma proposta para conectar as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países do Brics fosse incluída na agenda da cúpula. Foto de família da 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro Reprodução/gov.br A ideia faz parte dos esforços do bloco para facilitar transações entre seus integrantes e ampliar o uso de alternativas aos sistemas tradicionais de pagamentos internacionais. Brasil prepara "Pix internacional" O Banco Central brasileiro prevê, para os próximos anos, a evolução do PIX Internacional, com a integração do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro a plataformas de outros países. A ideia é permitir pagamentos transfronteiriços de forma mais rápida e ampliar o uso do PIX no exterior. 🔍O Pix já é aceito em alguns estabelecimentos no exterior, como na Argentina, nos EUA e em Portugal, mas de forma limitada, por meio de parcerias entre instituições financeiras. Atualmente, o PIX já é aceito de forma parcial em países como Argentina, Estados Unidos e Portugal, por meio de parcerias entre instituições financeiras. Nesses casos, o pagamento é feito instantaneamente em reais entre o cliente e uma instituição brasileira, que depois realiza a remessa ao exterior pelos sistemas tradicionais, com o estabelecimento recebendo na moeda local. *Com informações da Reuters

Ford Mustang GT Divulgação / Ford A Ford do Brasil havia anunciado em 21 de julho um recall para o Mustang por falha nos limpadores do para-brisa. Os modelos envolvidos foram fabricados entre 2024 e 2026. Na ocasião, o comunicado da Ford informava que o defeito só seria averiguado e solucionado no segundo trimestre de 2027. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Porém, um novo comunicado da montadora, divulgado nesta terça-feira (11), informa que as 1.371 unidades do Mustang no Brasil já podem passar pela inspeção imediatamente. O texto do comunicado da Ford também "destaca a importância do imediato atendimento a esta convocação". Entenda o recall Segundo a marca, existe o risco de o esguicho de água e os limpadores não funcionarem e, por isso, pode haver a diminuição ou perda de visibilidade. De acordo com a Ford, esta condição acaba “aumentando o risco de acidente com possíveis danos físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros”. Agora no g1 O motivo do possível defeito é uma falha na programação que pode afetar o funcionamento do motor do limpador quando a temperatura atinge 0 grau Celsius ou menos. “Nessa condição, os limpadores podem funcionar apenas na velocidade alta, e o esguicho de água do para-brisa pode não funcionar, sem aviso prévio ao condutor”, diz a Ford em nota. A inspeção e eventual reparo, segundo a Ford, levam aproximadamente 20 minutos. Se necessária, a substituição do motor dos limpadores do para-brisa é gratuita. Unidades envolvidas no recall: Mustang - Modelo 2024 - Chassis: de R5433555 até R5434492. Mustang - Modelo 2025 - Chassis: de S5405308 até S5504022. Mustang - Modelo 2026 - Chassis: de T5501127 até T5501731. Ford Bronco Sport Divulgação | Ford Ford pediu para não conduzir Bronco Sport e Maverick Em junho deste ano, a Ford já havia feito um outro recall e pediu para os proprietários não conduzirem os veículos envolvidos no recall. Os modelos Bronco Sport, fabricados entre 2021 e 2025, e Maverick, produzidos entre 2022 e 2025, poderiam apresentar um problema na fixação do braço inferior da suspensão dianteira. Segundo a Ford, 237 unidades dos dois veículos fazem parte deste recall. A montadora, na ocasião, recomendou que os proprietários dos veículos afetados evitassem conduzir os carros até que o atendimento seja realizado em uma concessionária. O chamado ocorreu devido a uma falha detectada no processo de montagem. Segundo a Ford, o braço inferior da suspensão dianteira, em ambos os lados dos veículos, poderia não estar fixado de maneira correta no suporte da roda dianteira. Ford do Brasil faz recall de Bronco Sport e Maverick e pede que unidades afetadas não seja Caso ocorra a falha de fixação, a peça poderá se soltar do suporte da roda. O defeito acarreta o risco de o motorista perder o controle do veículo em movimento, o que eleva a possibilidade de acidentes com danos físicos e riscos fatais aos ocupantes do automóvel e a terceiros. O tempo estimado para a execução do serviço é de cerca de 20 minutos, embora o prazo possa variar segundo o fluxo da concessionária escolhida. O atendimento aos proprietários do Bronco Sport e da Maverick já está aberto. Os clientes devem realizar o agendamento do serviço, disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

O Banco Central (BC) atualizou os dados e informou nesta terça-feira (11) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 5,12 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes. O balanço considera valores contabilizados até junho deste ano. Deste total: R$ 3,77 bilhões são recursos de 22,66 milhões de pessoas físicas; R$ 1,36 bilhão são valores de 2,1 milhões de empresas. Agora no g1 Em março, segundo o Banco Central, havia R$ 10,6 bilhões de valores esquecidos nas instituições financeiras. Parte do montante foi transferida para um fundo público para viabilizar o Desenrola 2.0. Em maio, o valor já havia recuado para R$ 6,2 bilhões. O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições. Governo anunciou uso do dinheiro; TCU apura Dinheiro esquecido: governo quer usar parte do valor para financiar o Desenrola 2.0 No começo de maio, o governo anunciou o uso, de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. No fim de maio, parte do dinheiro, cerca de R$ 5,7 bilhões, foi encaminhada para um fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo à época. Como informou o g1 em junho, o caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público. Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação). Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral. No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano. A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras. Relatório do Banco Central dos EUA de 2022 afirmou que o PIX é uma moeda digital Getty Images via BBC Como consultar o dinheiro esquecido Como consultar e resgatar o 'dinheiro esquecido' no Banco Central O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br. 🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução. 📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação. 💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade. Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos. Cédulas de dinheiro, em imagem de arquivo Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Imagem ilustrativa de carne bovina. Cindie Hansen/Unplash Após a União Europeia, a Noruega também decidiu que deixará de comprar produtos de origem de animal do Brasil a partir de 3 de setembro. O país nórdico não faz parte da UE, mas seguirá a decisão do bloco. O anúncio foi feito pela Mattilsynet, Autoridade Norueguesa de Segurança Alimentar. "[...] Remessas provenientes do Brasil não poderão ser importadas caso tenham certificado sanitário emitido em 3 de setembro de 2026 ou posteriormente. A regra permanecerá em vigor até que o Brasil eventualmente volte a ser incluído na lista de países terceiros autorizados", afirmou a Mattilsynet. A Noruega representa menos de 1% das exportações brasileiras de carne bovina, tanto em volume, como em valor, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura. Em maio, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar às nações do grupo, após alegar que o país não segue as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a UE considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias. 🔎Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser usados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia (entenda aqui). Exportações para União Europeia cresceram entre setores que devem ser embargados pelo bloco Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia. Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.