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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que o PIX, instrumento de transferência em tempo real do Banco Central, será protegido e resguardado. "Não está em debate", acrescentou ele.
Nesta segunda-feira (1), os Estados Unidos voltaram a criticar o PIX e acusaram o Banco Central do Brasil (BC) de favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor. Segundo o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favoreceria o PIX e limitaria a atuação de concorrentes.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo brasileiro classifica como "injusta" a proposta do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Ele também afirmou que o Brasil recebeu "com indignação" o resultado de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre essas práticas citadas pelo departamento dos EUA, estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. "O Brasil recebe com indignação e é injusta a proposta, entende que ela é injusta", afirmou Alckmin. Alckmin deu as declarações após uma reunião com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em que as conclusões do USTR foram debatidas. Agora no g1 O vice-presidente rebateu as críticas ao PIX, destacando que o sistema é uma conquista tecnológica que impulsiona a economia sem custos para os cidadãos. "O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo brasileiro. É tecnologia a serviço da sociedade e da economia, garantindo agilidade sem custos para a população", afirmou o vice-presidente. Sobre a relação com o setor de tecnologia, o ministro ressaltou que o governo mantém as portas abertas. "O Brasil é aberto às big techs. Empresas nacionais e estrangeiras recebem o mesmo tratamento no país", pontuou. Desequilíbrio comercial e tarifas Alckmin destacou que a balança comercial entre os dois países é amplamente favorável aos americanos. Segundo ele, os EUA registram um superávit de US$ 40 bilhões na relação com o Brasil. O vice-presidente citou exemplos de desequilíbrio no setor de commodities, como etanol e açúcar. "Dos dez produtos que o Brasil mais importa dos EUA, oito entram aqui com tarifa zero. Entendemos que essa proposta [de taxação] é total descabível", defendeu. Meio ambiente e corrupção O ministro também apresentou dados sobre a redução do desmatamento para reforçar o compromisso ambiental do governo. Ele destacou que a Amazônia registrou uma queda de mais de 50% nos índices. Alckmin lembrou que o país aprovou dispositivos recentes para fortalecer o combate à corrupção e respeita as normas de propriedade intelectual — área onde, segundo ele, os EUA são os maiores beneficiários. Diálogo e críticas a 'sabotadores' Apesar da indignação com a proposta, o vice-presidente afirmou que o caminho para evitar que as recomendações se convertam em sanções reais é a diplomacia. "O caminho é o diálogo que já vem ocorrendo. Não existe tema proibido", disse Alckmin, que também aproveitou para criticar opositores internos", declarou Alckmin. Falsos patriotas e sabotadores colocam interesses pessoais e eleitorais acima do país. Vamos trabalhar e dialogar para que essas medidas não se concretizem". Vice-presidente Geraldo Alckmin em imagem de arquivo Fabio Rodrigues/g1

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos EPA/Shutterstock via BBC Se tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros forem implementadas pelos Estados Unidos, o Brasil pode enfrentar aumento de custos, redução de competitividade e obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Essa é a visão compartilhada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) após a publicação das conclusões de uma longa investigação realizada pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em um documento publicado na segunda-feira (1), o governo americano disse que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA" e, por isso, tarifas retaliatórias de 25% devem ser instauradas contra produtos brasileiros. Apesar de se tratar apenas de uma recomendação do USTR – as tarifas ainda serão discutidas ao longo das próximas semanas –, a Amcham afirma que são necessários esforços diplomáticos das duas nações para "evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países". Agora no g1 "O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países", afirmou Abrão Neto, presidente da organização, em nota. Ainda segundo a Amcham, deve ser publicado nas próprias semanas o relatório de uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderia resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Por isso, diz a organização, uma solução negociada é ainda mais importante. LEIA TAMBÉM: Governo Trump conclui que PIX é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA? EUA concluem que Brasil tem práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% Tarifa de Trump: veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA As conclusões da investigação Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos. O relatório de conclusão divulgado nesta segunda tem 107 páginas e traz conclusões da investigação em seis áreas distintas. Entre outras coisas, o documento sustenta que determinadas políticas e práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso a mercado e outras matérias afetam negativamente interesses comerciais dos Estados Unidos. Um dos alvos da investigação americana é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o relatório. Como respostas às conclusões, o USTR propõe que "a ação adequada incluiria a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros", mas com diversas exceções que são listadas em um anexo. Essas exceções incluem produtos que poderiam afetar negativamente a economia americana se fossem submetidos a aumento de tarifas, produtos que não podem ser cultivados e produzidos nos EUA e artigos cuja tributação "não contribuiria" para encerrar as práticas brasileiras condenadas na investigação. Incerteza pode deter investimentos Para o economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, a lista de exceções às tarifas que podem ser implementadas protege setores cruciais para as economias brasileira e americana e, portanto, o impacto imediato da taxação deve ser limitado. "Exemplos incluem o setor de café e a indústria aeronáutica, cuja exclusão visa evitar a inflação e problemas na cadeia de suprimentos nos Estados Unidos. No entanto, setores de manufatura de média complexidade, que ainda exportam para os EUA, podem ser mais afetados por não estarem contemplados nessas exceções", avalia o professor. O economista ressalta, porém, que a discussão sobre o Pix tem um potencial efeito negativo maior para o Brasil. "Embora não vislumbre efeitos imediatos, o simples fato de o tema estar em pauta e poder se tornar motivo de disputa é um fator complicado. Contudo, não parece provável que o governo altere sua postura por causa disso no curto prazo", diz. Guilherme Klein Martins chama atenção ainda para o aumento da incerteza para investidores multinacionais. O especialista ressalta que a decisão vem dias depois dade os Estados Unidos classificarem as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Esse momento de tensão em diferentes áreas, diz, pode levar empresas a segurarem investimentos no curto prazo enquanto aguardam desdobramentos. "Vale ressaltar que o relatório ainda passará por consulta popular e não foi implementado. Portanto, a permanência dessas medidas dependerá do que for efetivamente aplicado e de como o cenário político brasileiro evoluirá após as eleições, momento em que tudo pode ser revisto", opina.

Lula associa 'filhos de Bolsonaro' a novo tarifaço proposto pelos EUA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (2), que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são "piores que ele", e associou a família ao relatório dos Estados Unidos que propõe uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, por supostas práticas restritivas ao comércio americano. "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões [vendedores que traem interesses coletivos para se beneficiarem] da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", disse Lula. "É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. [...]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?", prosseguiu o presidente. O Escritório de Comércio dos Estados Unidos propôs nesta segunda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil (leia mais abaixo). Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, esteve em Washington e se reuniu com Trump e auxiliares do presidente americano. Nesta terça (2), o pré-candidato afirmou em entrevista que pediu ao americano para não taxar o Brasil. Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas Ricardo Stuckert / PR Lula comentou o relatório mais recente da Secretaria de Comércio americana durante discurso em um evento em Catalão (GO), no fim da manhã. Na fala, ele relembrou a primeira vez em que os Estados Unidos anunciaram uma taxação a produtos brasileiros, em julho do ano passado, sob argumento, equivocado, de que a medida restabeleceria o equilíbrio na balança comercial entre os dois países. 🔎Na época, o governo Trump anunciou uma sobretarifa de 40% — adicional aos 10% que já estavam em vigor — sobre importações de origem brasileira. A medida afetou a indústria e o comércio, e motivou negociações entre os dois países na tentativa de reverter as taxas. Parte da decisão foi revogada em novembro. Segundo o petista, as sanções do governo Trump são uma reação às conversas de Flávio e Eduardo com uma ala específica da Casa Branca, liderada pelo Secretário de Estado Marco Rubio. "No dia em que ele [Trump] taxou, os 'meninos do Bolsonaro', um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo'. Queremos o Magnistky' , a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes", disse Lula. 🔎O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi incluído em julho do ano passado na lista de autoridades estrangeiras punidas pela Lei Magnistky, que prevê sanções econômicas. Em novembro, ele foi retirado. Ele prosseguiu: "Então, o filho dele [Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer 'Obrigado, Trump'. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação". Lula associa filhos de Bolsonaro a novo tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil Lula, então, disse que está falando isso para que as pessoas saibam que estão "lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu". "Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Eu enfrentei gente do centro. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022", disse. O petista, então, repetiu a negativa de Flávio: "Só para lembrar: ele hoje foi dizer que não falou nada. E falou. Ele foi pedir arrego. Foi dizer: 'porr*, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, Trump, não deixa. Prejudica o Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo, os empresários, o agronegócio brasileiros". "Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça, para um homem cristão como eu, obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump, a China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, eu tenho muita sorte. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não permitirei que a mentira predomine sobre a verdade", finalizou. LEIA TAMBÉM: China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e suspende restrições Ainda no discurso com críticas a Flávio Bolsonaro, Lula destacou a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Recentemente, a imprensa revelou que o político do PL teve encontro e trocou mensagens com o banqueiro em busca de financiamento para um filme sobre Jair Bolsonaro.. Lula afirmou que os filhos de Bolsonaro e outros políticos "encontraram um jeito de ficar rico", que é sendo "amigo de Daniel Vorcaro". "Aí é fácil, mas é complicado roubar. Você pode ser preso", emendou o petista. Relatório dos EUA Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. A sugestão do Departamento de Comércio, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.

O Palácio do Planalto já avalia que será forte o impacto político interno diante da proposta do Escritório do Representante de Comércio americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. A ordem no Poder Executivo é manter negociações, mas há o reconhecimento de que a situação é adversa. Caso essa nova tarifa seja confirmada no próximo mês pelo governo Donald Trump, a percepção é que isso irá recriar internamente ambiente semelhante ao do tarifaço anunciado em julho do ano passado. Até porque a investigação de práticas comerciais desleais começou dentro do mesmo contexto das sanções políticas ao Brasil, em julho de 2025, com o cenário de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. De outro lado, temendo consequências negativas eleitorais, o senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), fez uma declaração preventiva na manhã desta terça-feira (2), afirmando que pediu a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que não taxasse as empresas brasileiras. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial "Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais. Entre os aliados de Flávio, também há a preocupação com o desgaste eleitoral com um eventual novo tarifaço, já que a família Bolsonaro articulou e defendeu a medida do governo Trump no ano passado. Na ocasião, houve uma pressão política do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em favor das retaliações para tentar reverter o julgamento contra o pai, Jair Bolsonaro. Na ocasião, o tarifaço de 50% foi uma decisão política do governo americano, mesmo o Brasil sendo deficitário no comércio com os Estados Unidos. Houve forte reação por aqui, especialmente do setor produtivo, num ato de unidade do país contra a ação americana. Reação técnica e diplomática, defende Planalto Sobre as acusações de práticas comerciais desleais, os argumentos americanos foram todos rebatidos pelo governo Lula, inclusive em temas como PIX, preservação ambiental, pirataria e em relação as multas aplicadas às grandes plataformas. A ordem no Palácio do Planalto é negociar até julho e fazer uma reação técnica e diplomática. Vai repetir o roteiro que deu certo no ano passado. O cuidado é para evitar um discurso mais bélico por parte do próprio presidente Lula, para evitar uma resposta fora do tom diplomático. “As empresas brasileiras e os empregos ficam ameaçados com novas tarifas. Por isso, a resposta tem que ser técnica, mostrando a injustiça de uma eventual decisão americana”, observou um auxiliar direto do presidente Lula. O presidente Lula em imagem de maio de 2026 Ricardo Stuckert / PR

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes. Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site. Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Veja abaixo o que é preciso saber sobre a decisão dos EUA. Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? O que é a investigação comercial dos EUA? Quais produtos que podem ficar isentos? Quais os próximos passos e prazos? Esse é um novo tarifaço? Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Na época, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (saiba mais abaixo) Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. Embora as negociações devessem terminar nesta sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. O que é a investigação comercial dos EUA? A investigação contra o Brasil foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos. A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. O mecanismo já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação. Parte dessas tarifas continua em vigor, e chegou a ser ampliada durante o governo de Joe Biden. Lula e Trump em encontro na Casa Branca Ricardo Stuckert Quais produtos que podem ficar isentos? Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções. Entre os produtos isentos estão determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos. Veja abaixo a lista dos principais produtos excluídos da taxação. Quais são os próximos passos e prazos? Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já haviam colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes da divulgação do parecer atual. O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro ao presidente americano, em 7 de maio, na Casa Branca. Nas redes sociais, o USTR chegou a destacar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos EUA para discutir temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA definiu um cronograma de audiências e consultas públicas para receber manifestações de interessados: Até 22 de junho de 2026: prazo para o envio de pedidos de participação na audiência pública, acompanhados de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: realização da audiência pública do USTR para debater as medidas propostas. 15 de julho de 2026: prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas corretivas contra o Brasil. Esse é um novo tarifaço? O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Em 20 de fevereiro deste ano, a maioria dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada por Trump, não autoriza o presidente a impor tarifas por conta própria. Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida entrou em vigor na semana seguinte e permanece válida até 24 de julho. Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas impostas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. Na época, o governo Trump já havia indicado que poderia recorrer a outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos relacionados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh, da Suprema Corte. Entre elas estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo impor tarifas sem limite de valor ou duração, desde que haja uma investigação formal e a realização de consultas públicas.

Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil O governo dos Estados Unidos voltou a atacar o sistema de pagamentos Pix nesta terça-feira (02/06) ao concluir uma grande investigação sobre práticas comerciais do Brasil. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Uma investigação comercial com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos — concluiu que práticas comerciais do Brasil são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Um dos alvos do documento americano — produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) — é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento. EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" do Pix — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas". "O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix. Por exemplo, o Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e requer que o Pix seja exibido na tela principal do aplicativo das instituições participantes com destaque igual ou superior a qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência." Além disso, há críticas pelo fato de o Banco Central exigir que o Pix seja ofertado sem taxas aos clientes. Segundo a conclusão da investigação, as autoridades brasileiras obrigam empresas americanas a promover o competidor brasileiro (Pix) sem compensações às instituições americanas. "Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial dado ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas, e o Brasil discrimina os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA ao conceder essas vantagens apenas a seu campeão nacional do Brasil." Por ora, ainda não há definição sobre as consequências da conclusão das investigações americanas sobre as práticas comerciais e sobre o Pix. O documento americano propõe tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros — mas essas medidas ainda não foram definidas e serão discutidas ao longo das próximas semanas. Algumas datas já foram definidas: O governo americano ainda está recebendo consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas. No dia 6 de julho, haverá uma audiência pública nos EUA. O governo americano disse que estará em diálogo com o brasileiro até o dia 15 de julho, antes de anunciar qualquer decisão. Este não foi o primeiro ataque dos EUA ao Pix. O Pix foi mencionado em outro relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas americanas. Na ocasião, o governo brasileiro reagiu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o "o Pix é do Brasil". "Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix", ele declarou em entrevista na semana passada. Até o presidente da Colômbia saiu em defesa do sistema de pagamentos brasileiro. Gustavo Petro elogiou o modelo e, em uma longa publicação nas redes sociais, pediu que o sistema fosse estendido a seu país. Com a conclusão das investigações sobre o Pix, surge agora uma pergunta: o que os EUA podem fazer de concreto contra o sistema de pagamentos brasileiro? Especialistas apontam que o pix contraria interesses de big techs e de empresas de cartão Getty Images via BBC As armas dos EUA Os especialistas em comércio exterior e regulação econômica ouvidos pela reportagem frisaram que os EUA não têm jurisdição para agir diretamente contra o Pix. As ferramentas à disposição dos americanos se concentram no âmbito comercial e estão descritas na própria legislação que foi usada para abrir a investigação contra o Brasil, a seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Vão desde a suspensão de benefícios e acordos comerciais à restrição de importações de produtos e serviços ou imposição de tarifas sobre esses bens e serviços. Ou seja, os EUA poderiam, por exemplo, dar início a um novo tarifaço sobre as exportações brasileiras com destino aos portos americanos ou retirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), um programa de benefícios tarifários instituído nos anos 1970 para países em desenvolvimento. "Trata-se, portanto, mais de um mecanismo de pressão externa e econômica sobre o Estado brasileiro do que um poder regulatório sobre a infraestrutura de pagamentos em si", disse Camila Villard Duran, especialista em direito econômico e regulação do mercado monetário. Duran destaca que no relatório de março do USTR a linguagem usada no capítulo do Brasil é semelhante à que descreve supostas "práticas desleais" no setor de pagamentos em diversos outros países que também são criticados pelos EUA. "O caso brasileiro, nesse sentido, não é isolado, mas integrado a uma estratégia política mais ampla de contestação de práticas nacionais em serviços financeiros digitais", diz ela, que é professora associada de direito da ESSCA School of Management, na França, e cofundadora do Instituto Mulheres na Regulação. "Assim, a consequência mais plausível não é uma medida direcionada tecnicamente ao Pix, mas sim alguma forma de retaliação comercial mais ampla", avalia Duran. Nesse sentido, uma fonte brasileira próxima às negociações diz ser difícil arriscar dizer o que exatamente virá após a investigação. Historicamente, pondera a fonte, os EUA pouco usaram o instrumento da seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e, no caso específico da investigação contra o Brasil, o escopo de temas analisados pelo USTR é amplo e vai bem além do Pix. Também inclui, por exemplo, as tarifas a que os produtores de etanol americanos estão submetidos para acessar o mercado brasileiro e até o desmatamento ilegal, acusado de dar vantagem competitiva injusta às exportações agrícolas brasileiras. Renê Medrado, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados, faz avaliação semelhante e exemplifica: ainda que os EUA por ventura optassem por uma retaliação comercial ampla, é difícil estimar se as eventuais tarifas seriam colocadas para uma lista ampla de produtos ou se seriam seletivas. "E tem isso de que o governo americano às vezes fala que vai [fazer alguma coisa], depois volta atrás…", ele acrescenta, ao comentar sobre o desafio de se traçar possíveis cenários. "O alcance dessas medidas dependerá muito mais da dinâmica da política bilateral e da eficácia da diplomacia brasileira", comenta a professora Camila Villard Duran. O que está em jogo Por que então os EUA estão atacando o Pix este ano? No relatório do USTR de março do ano passado, o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro não havia nem sido mencionado diretamente, ao contrário do que aconteceu no deste ano. Mesmo no documento em que formalizou a investigação contra o Brasil, a agência não citou o Pix nominalmente, apesar de ter feito referência indireta a ele ("O Brasil também parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", diz o texto). A fonte ouvida pela BBC News Brasil que tem proximidade com as negociações comenta que uma das hipóteses para o endurecimento no tom agora foi o desfecho de uma reunião recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) em que o Brasil bloqueou uma proposta dos EUA e outros países para estender a moratória de tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas, que inclui serviços digitais como streamings, softwares e jogos. E há ainda a grande derrota que o tarifaço de Trump sofreu no judiciário americano em fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte considerou que o instrumento que vinha sendo usado para embasar as medidas (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, ou IEEPA, na sigla em inglês), na verdade não autorizava o governo americano a instituir as tarifas. Em um artigo de março deste ano, duas analistas do centro de pesquisas americano Brookings Institute pontuaram que, diante desse revés, a Seção 301, usada na investigação contra o Brasil, pode entrar no cardápio do governo americano como opção para voltar a taxar seus parceiros comerciais. Do lado do setor financeiro, a jurista Camila Villard Duran chama atenção para a expansão do Pix no Brasil, "que altera diretamente o equilíbrio competitivo para empresas americanas, como Visa e Mastercard", mas especialmente para o fenômeno mais amplo no qual ele está inserido, de transformação estrutural e reorganização da ordem monetária e financeira internacional. "O Pix já não é apenas um sistema de pagamentos eficiente. Ele representa um modelo de infraestrutura pública, que reduz a dependência de redes privadas estrangeiras e concentra, no âmbito doméstico, o controle jurisdicional sobre dados e fluxos financeiros", destaca Duran. A professora aponta que, no relatório do USTR, os EUA fazem críticas semelhantes às feitas ao Brasil a países como Índia, Tailândia e Paquistão, "onde políticas públicas nacionais promovem sistemas domésticos de pagamento, impõem requisitos de localização de dados ou criam barreiras regulatórias à atuação de empresas estrangeiras". "Em todos esses casos, o argumento dos EUA é semelhante: tais medidas seriam discriminatórias e restringiriam o acesso de empresas americanas a mercados nacionais", completa. Post do governo federal de julho de 2025: gestão Lula tem procurado usar episódios para tentar melhorar imagem Reprodução/X/Governo Federal Da economia à política Diante desse panorama, Duran avalia que a pressão sobre o Pix e sobre sistemas de pagamentos de outros países também está ligada a uma questão ainda mais ampla, de soberania. O que está em jogo, diz ela, já não é apenas a concorrência entre empresas, "mas o controle sobre infraestruturas consideradas como críticas". "Nas minhas pesquisas, tanto sobre a criação do euro digital como sobre os projetos de plataformas alternativas para transações financeiras transfronteiriças, noto que a ideia de 'soberania monetária' está se deslocando muito rapidamente da autonomia da política monetária para o controle jurisdicional sobre as infraestruturas de pagamento e dos dados monetários que elas geram", afirma Duran. "A moeda, na economia digital, torna-se cada vez mais informação e, nesse contexto, o controle jurisdicional sobre esses dados passa a ser um elemento central do poder monetário estatal." LEIA TAMBÉM: PIX ameaçado? O que é investigação do governo Trump sobre práticas comerciais no Brasil Por que governo Trump voltou a atacar o Pix (e o que EUA podem fazer contra ele)?

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse nesta terça-feira (2) que o governo Trump divulgará os resultados de várias investigações comerciais da Seção 301 nas próximas semanas. As informações são da agência Reuters. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Ele acrescentou que as tarifas de 25% propostas para o Brasil são "bastante diferenciadas" devido às exclusões de carne bovina, café, metais, energia e outros produtos. Veja a lista completa de produtos isentos no fim da reportagem. EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial Greer, falando no programa Squawk Box da CNBC, disse que o governo tem obtido resultados muito bons com seu programa de tarifas para aumentar as exportações dos EUA. Ele disse que tarifas substanciais são necessárias para corrigir práticas comerciais injustas persistentes em todo o mundo e um déficit comercial "gigantesco" dos EUA. O que é a Seção 301 🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA. A declaração vem logo após os Estados Unidos divulgarem o relatório de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. Tarifa ainda sem efeito A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Na época, Jamieson Greer afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou Greer. Produtos isentos das tarifas Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções. Entre os produtos isentos estão: determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos.

Guerra no Oriente Médio faz governo brasileiro zerar impostos sobre diesel e taxar exportações de petróleo Jornal Nacional/ Reprodução A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) um novo ajuste de R$ 1,12 por litro nos preços do diesel A, de uso rodoviário, a partir de amanhã. A empresa também informou que oferecerá um desconto no mesmo valor — o que mantém os preços de venda para as distribuidoras. O desconto ocorre pela adesão da Petrobras à subvenção para refinarias nacionais e importadoras, prorrogada pelo governo federal no último sábado (30). A medida estabeleceu um subsídio de R$ 1,12 por litro. Na prática, isso significa que o governo bancará parte do preço do combustível. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 No caso do diesel vendido nas bombas, o governo criou uma subvenção de R$ 0,35 por litro. As duas medidas substituem os subsídios anteriores do governo, que venceram no último domingo (31). Segundo a petroleira, o ajuste permite que a companhia use da subvenção econômica, mas sem alterar os preços para distribuidoras. Agora no g1 A iniciativa faz parte do pacote de ações do governo para reduzir os efeitos da escalada dos preços internacionais do petróleo sobre o mercado doméstico, em meio às tensões no Oriente Médio. (entenda mais abaixo) Em nota, a Petrobras disse que define seus preços com base em sua posição no mercado e na busca por manter suas operações rentáveis. A empresa ainda afirmou que evita repassar diretamente para os consumidores as oscilações do dólar e das cotações internacionais de petróleo. Efeitos da guerra no Oriente Médio A alta nos preços do petróleo no mercado internacional é reflexo da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Isso ocorre porque, com o conflito, a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz foi bloqueada — canal por onde passam mais de 20% do comércio global de petróleo. Com a restrição da oferta, os preços da commodity dispararam desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Desde então, o petróleo Brent (referência internacional) passou de US$ 72,48 por barril para US$ 94,98 no fechamento da última segunda-feira (1º) — um aumento de 31%. Os preços chegaram a subir ainda mais em abril, mas arrefeceram diante de sinais de que Washington e Teerã caminham para um acordo de paz.

Míriam Leitão analisa motivação de novo tarifaço do governo Trump sobre o Brasil O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (1º) uma medida que reduz de 25% para 15% as tarifas aplicadas sobre alguns produtos derivados de aço e alumínio importados, informou a Casa Branca. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Diferentemente da investigação comercial contra o Brasil, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, as tarifas sobre aço e alumínio têm como fundamento a Seção 232, dispositivo que autoriza os EUA a restringirem importações consideradas estratégicas para a segurança nacional. A regra é usada quando os EUA entendem que depender demais de produtos estrangeiros, como aço, alumínio ou outros insumos importantes, pode enfraquecer sua indústria e sua capacidade de produção. A redução anunciada ontem vale para itens como determinados equipamentos agrícolas e sistemas de aquecimento, ar-condicionado e ventilação usados em residências. Equipamentos industriais móveis, como escavadeiras e empilhadeiras, também passarão a pagar uma tarifa de 15% quando forem importados de países que possuem acordos comerciais com os EUA e atenderem às condições estabelecidas pelo governo americano. Além disso, fabricantes estrangeiros poderão obter uma tarifa menor, de 10%, caso seus equipamentos sejam produzidos com pelo menos 85% de aço ou alumínio fabricados nos EUA. A medida também incluiu dois novos produtos na lista de itens sujeitos à tarifa de 25%: estruturas metálicas de armazenamento (racks de aço) e chapas de alumínio usadas na indústria gráfica. As novas regras entram em vigor em 8 de junho e permanecerão válidas até 31 de dezembro de 2027. Segundo a Casa Branca, o objetivo é incentivar investimentos na indústria americana e aumentar a produção dentro do país. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte das tarifas generalizadas impostas por Trump, as taxas aplicadas ao aço e ao alumínio permaneceram em vigor, inclusive para produtos brasileiros. Isso porque elas foram adotadas com base na Seção 232, que não foi afetada pela decisão judicial. 🔎 Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram que os produtos enquadrados nessa regra responderam por cerca de 27% das exportações brasileiras para os EUA até o fim de 2025, totalizando aproximadamente US$ 11 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões). EUA concluem investigação contra o Brasil Presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião de gabinete na Casa Branca 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci A mudança nas tarifas sobre aço e alumínio foi anunciada no mesmo dia em que os EUA concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. No caso dessa medida, os EUA utilizaram como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano adotar medidas de retaliação contra países cujas práticas sejam consideradas desleais ou prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos. A tarifa ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento de etapas previstas na legislação dos EUA. Segundo o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. 🛑 Entre os pontos citados estão o funcionamento do PIX decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção. Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, carne, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos. O governo americano prevê concluir as consultas e decidir sobre a eventual aplicação das medidas até 15 de julho de 2026.

A Secretaria da Receita Federal informou nesta terça-feira (2) que 5% das declarações do Imposto de Renda de 2026, ano-base de 2025, caíram na chamada malha fina do Leão. São cerca de 2,2 milhões de documentos com pendências. O percentual de declarações em malha fina, divulgado pelo supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, se assemelha ao registrado nos últimos anos. 🔎Quando a declaração do IR cai na malha fina, significa que ela está retida pelo Fisco por conta de pendências relativas a discrepância de dados (veja o que fazer mais abaixo nessa reportagem). Neste ano, o prazo de entrega do IR começou em 23 de março e se estendeu até 29 de maio. Foram entregues 44.393.571 declarações dentro do prazo legal. Imposto de Renda 2026: saiba o que fazer se você perdeu o prazo para enviar a declaração "A gente começou o período de declarações com quase 10% de diferença nas retenções em malha em relação aos anos anteriores. A gente tinha um volume bem alto, no final de março, quase 11% retidas em malha, quando o normal era 8%, 9%", disse José Carlos da Fonseca ao g1. "No final do prazo, esse número se equilibrou. O percentual de declarações em malha neste ano ficou muito semelhante ao do ano passado. Ele veio se ajustando por conta das retificações feitas pelas empresas", prosseguiu. Declarações em malha fina Receita Federal Mudanças em 2026 O supervisor do IR classificou 2026 como sendo um "ano de superação", pelo fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), que era usada há décadas na declaração do IR. Nesse documento, as empresas informavam ao Fisco e aos trabalhadores as informações sobre rendimentos. Com o fim do uso da Dirf em 2026, a Receita passou a buscar as informações em outras bases de dados: o e-Social, que concentra informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias ligadas ao empregado; e EFD-Reinf. Essa mudança ocasionou erro de informações prestadas pelas empresas e milhares de contribuintes caíram na malha fina. "Isso acabou fazendo com que muitas declarações ficassem em malha, e a declaração pré-preenchida apresentasse informações divergentes. Mas porque as informações que haviam sido enviadas pelas empresas para a Receita Federal continham classificações erradas. Não podemos generalizar que todas empresas tivessem problemas, mas um bom número de empresas teve de retificar informações", disse o supervisor do IR. Imposto de renda pode virar doação reprodução/TV Globo O que fazer se caiu na malha fina De acordo com a Receita Federal, o procedimento, para quem caiu na malha fina, é o mesmo dos últimos anos: o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet. Acesso se dá mediante o uso da conta "gov.br", nos níveis prata ou ouro. Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos". Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026. ➡️Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema. Nesse caso, segundo o supervisor do IR, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços). No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina. No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação. Porém, se a empresa não corrigir a informação enviada, o contribuinte não sai da malha e poderá enviar seus comprovantes a partir de janeiro de 2027 por meio do e-CAC. Antes disso, não é possível enviar os documentos pois as empresas ainda estarão corrigindo as informações, caso no qual o trabalhador pode sair da malha. "Normalmente, 80% dos casos de malha são resolvidos até o fim do ano. De agora, até o fim do ano, 80% desses 2,2 milhões que vão ficar em malha ou por retificação de empresa ou por ajustes do próprio contribuinte. Se o contribuinte acha que não errou e a empresa não corrigiu, a partir de janeiro de 2027 ele pode anexar todos documentos, comprovantes, pelo e-CAC de tudo o que ele declarou", explicou José Carlos Martins, da Receita Federal.

GAC Aion UT divulgação/GAC A GAC lançou o Aion UT no Brasil, um hatch elétrico a partir de R$ 139.990, que chega com o objetivo de melhorar as vendas da marca e competir com BYD Dolphin e Chevrolet Spark EUV. Enquanto as rivais apostam em carros mais equipados, o modelo de entrada do Aion UT é mais potente e espaçoso. Essas características são essenciais para que o novo hatch consiga superar não apenas um dos elétricos mais conhecidos do Brasil, mas também o modelo que ocupa a quinta posição no ranking de vendas no país entre janeiro e abril, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE): BYD Dolphin Mini: 21.647 emplacamentos; BYD Dolphin: 7.579 emplacamentos; Geely EX2: 6.076 emplacamentos; BYD Yuan Pro: 2.389 emplacamentos; Chevrolet Spark: 2.031 emplacamentos. Para isso, o GAC Aion UT chega ao Brasil em duas versões: a de entrada, chamada de Premium, voltada para competir com o Dolphin e o Chevrolet Spark EUV, e outra mais completa e com nome de Elite, pensada para enfrentar o Dolphin SE. GAC Aion UT Em comum entre as versões, o modelo tem 4,27 metros de comprimento e 2,75 metros de distância entre eixos. Com isso, o Aion UT é um hatch, mas, em dimensões, é seis centímetros mais comprido que o Volkswagen T-Cross (4,21 metros) e tem entre-eixos cinco centímetros maior que o do Toyota Corolla (2,70 metros). O espaço entre os eixos entraga outro número mais próximo dos SUVs que dos hatches: o porta-malas tem 340 litros de capacidade. Outro ponto que é igual em ambas as versões do Aion UT é o motor elétrico, que entrega 204 cv de potência e 21,4 kgfm de torque. As diferenças entre os modelos começam na bateria: enquanto a versão de entrada tem 44,1 kWh, a mais completa oferece 60 kWh, o que garante autonomia de 253 e 310 km respectivamente. GAC Aion UT por dentro A versão mais simples custa R$ 139.990 e oferece itens como: Câmera 360 graus Rodas de liga leve de 17 polegadas Central multimídia de 14,6 polegadas. Já a opção mais completa tem preço de R$ 159.990 e adiciona: Carregador de celular por indução; Teto solar panorâmico; Rebatimento automático dos retrovisores; Sistemas de assistência ao motorista (ADAS); Ajustes elétricos e ventilação para os bancos dianteiros; Abertura elétrica do porta-malas. GAC precisa de mais tração O lançamento do Aion UT precisa resultar em um aumento nos emplacamentos da GAC no Brasil. Isso porque, mesmo após um ano de atuação no país, com cinco modelos elétricos e híbridos disponíveis desde o primeiro mês, a marca ainda não avançou no ranking de vendas. Na lista da ABVE de 2026, a GAC ocupa a oitava posição no ranking, à frente da Leapmotor, mas atrás de nomes como Volvo e Chevrolet. A marca responde por 2% dos emplacamentos de carros zero-quilômetro entre janeiro e abril, enquanto a líder do mercado é a BYD, com 45,8% das vendas. Veja as marcas que mais vendem carros elétricos e híbridos em 2026: BYD: 56.118 emplacamentos; Toyota: 17.317 emplacamentos; GWM: 15.666 emplacamentos; Omoda & Jaecoo: 8.796 emplacamentos; Geely: 7.137 emplacamentos; Chevrolet: 3.068 emplacamentos; Volvo: 2.688 emplacamentos; GAC: 2.555 emplacamentos; Leapmotor: 1.956 emplacamentos; Jetour: 1.291 emplacamentos. *Essa reportagem está em atualização.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar opera em queda de 0,13% nesta terça-feira (2), cotado a US$ 5,0160 por volta das 11h10. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subia 0,75%, a 173.491 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A nova tarifa de 25% imposta pelo governo americano sobre produtos brasileiros fica no centro das atenções dos investidores nesta segunda-feira. A taxa, adotada com base na Seção 301 da lei de comércio americana, veio após os Estados Unidos concluírem uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que prejudicam empresas americanas. (entenda mais abaixo) A taxa, porém, ainda não entrou em vigor. A expectativa é que a definição sobre a adoção das sanções ocorra até meados do próximo mês. 🔎 Alguns produtos importantes para as exportações brasileiras, como café, frutas, carnes, aeronaves, fertilizantes, produtos farmacêuticos e terras raras, ficariam isentos da tarifa. Veja a lista completa. ▶️ Ainda no exterior, as negociações entre os EUA e o Irã também seguem no radar dos investidores. Os dois países trocaram uma série de ataques na segunda-feira, em mais um revés para os esforços de cessar-fogo e em meio ao impasse nas negociações por uma solução diplomática para o conflito. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,39%; Acumulado do mês: -0,39%; Acumulado do ano: -8,49%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,91%; Acumulado do mês: --0,91%; Acumulado do ano: +6,88%. Retaliação comercial Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial aberta contra o Brasil em julho de 2025 e concluíram que algumas políticas brasileiras prejudicam empresas e exportadores americanos. Com base nessa conclusão, o governo dos EUA propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, embora diversos itens estratégicos tenham sido excluídos da medida. Os principais pontos levantados pelos americanos foram: PIX e plataformas digitais: os EUA afirmam que o Banco Central favorece o Pix em relação a empresas americanas de pagamentos eletrônicos e criticam decisões da Justiça brasileira que obrigaram redes sociais dos EUA a remover conteúdos e suspender contas. Acordos comerciais: o governo americano diz que o Brasil concede tarifas mais baixas para produtos do México e da Índia, o que colocaria empresas dos EUA em desvantagem. Etanol: os EUA alegam que o Brasil não oferece tratamento tarifário equivalente ao concedido aos produtores brasileiros. Propriedade intelectual: o relatório aponta lentidão na concessão de patentes, especialmente no setor farmacêutico, além de falhas no combate à pirataria e à falsificação. Combate à corrupção: os americanos afirmam que o Brasil não adota medidas suficientes contra suborno e corrupção. Desmatamento ilegal: segundo o USTR, o país possui leis ambientais, mas não as aplicaria de forma eficaz. Apesar da proposta de tarifa, produtos como café, algumas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças de aeronaves estão entre os itens que podem ficar isentos. (veja mais aqui) A decisão não é definitiva. O governo americano abriu uma fase de consultas públicas e audiências, com prazo até 15 de julho de 2026 para decidir se aplicará ou não as medidas contra o Brasil. LEIA TAMBÉM ANA FLOR: novo tarifaço é mais sério e tem potencial eleitoral MIRIAM LEITÃO: por que a tarifa de agora é 'mais perigosa' EUA dizem que o BC favorece o PIX; por que o sistema está na mira de Trump? Seção 301: entenda o mecanismo usado pelos EUA contra o Brasil Próximos passos: decisão é definitiva? O que acontece agora? Impasse no Oriente Médio continua Nos últimos dias, o conflito envolvendo EUA, Irã e Israel voltou a se intensificar, colocando em risco a já frágil trégua em vigor. (acompanhe ao vivo os principais acontecimentos da guerra no Oriente Médio) Na segunda-feira (1º), os dois países trocaram novos ataques, enquanto o governo iraniano suspendeu as negociações de paz com Washington após bombardeios israelenses no Líbano. 🔎 As conversas para um acordo também perderam força depois que os EUA apresentaram novas exigências a Teerã no fim de semana. Paralelamente, Israel ampliou sua ofensiva no sul do Líbano, atingindo áreas próximas a um hospital na cidade de Tiro, em um ataque que deixou mortos e mais de uma centena de feridos, além de emitir alertas de evacuação para moradores da região. Em meio à escalada das tensões, autoridades iranianas passaram a adotar um discurso mais duro, afirmando que uma retomada da guerra seria "inevitável" caso o país não aceite as condições impostas pelos EUA. Apesar disso, o Irã ainda analisa a proposta final de acordo apresentada por Washington e não enviou uma resposta oficial. Mercados globais Na Ásia, as bolsas da China fecharam em alta nesta terça-feira (2), impulsionadas por ações de tecnologia e inteligência artificial. O índice de Xangai avançou 0,4%, enquanto o CSI 300 subiu 1,5%. Em Hong Kong, o Hang Seng saltou 2,5%, puxado pela Tencent, que disparou 10,5% após notícias sobre o desenvolvimento de uma nova ferramenta de IA para usuários do WeChat. Os investidores também acompanharam com cautela as tensões no Oriente Médio, em meio à troca de ataques entre EUA e Irã. Dólar freepik
EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, após investigação comercial
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) avaliou nesta terça-feira (2) que a investigação dos Estados Unidos concluída nesta semana, e que acusa o governo brasileiro de cometer práticas irregulares e propõe uma sobretaxa a produtos brasileiros, pode aumentar custos, reduzir a competitividade e criar obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais — se confirmada.
A medida, anunciada na noite dessa segunda-feira (1º), representa a fase mais avançada de um processo que pode levar à imposição de sanções comerciais diretas e reforça o uso de um dos principais instrumentos de pressão da política comercial dos Estados Unidos.
A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), após uma determinação do presidente Donald Trump. O processo é respaldado pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA.
Apesar do cenário, a Amcham destaca que o relatório reconhece os avanços do diálogo entre os governos dos dois países, intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, em 7 de maio.
A Amcham também pontua que o texto sinaliza interesse do governo Trump na continuidade das negociações até a decisão final sobre o caso, prevista para 15 de julho.
"Trata-se de uma janela concreta para a busca de soluções que possam evitar ou revisar as medidas tarifárias propostas", acrescenta a entidade.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destaca que o relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas.
Segundo ele, o setor empresarial espera que os dois governos "intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países".
Nova investigação preocupa exportadores
Além da investigação em andamento sobre o Brasil, a Amcham acompanha a expectativa pela divulgação de um segundo relatório dos Estados Unidos, também baseado na Seção 301. Nesse caso, a apuração trata de importações de produtos elaborados com trabalho forçado.
Segundo a entidade, essa investigação poderá resultar na aplicação de tarifas adicionais a cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
Na avaliação da Amcham, esse cenário aumenta a importância de uma solução negociada para o processo atualmente em curso, evitando que produtos brasileiros enfrentem condições tarifárias mais desfavoráveis do que as de concorrentes de outros mercados.
A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos dos EUA e Brasil para tratar de temas comerciais e evitar aplicação de novas tarifas.

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outros. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Veja abaixo o cronograma estipulado pelo governo americano: Até 22 de junho de 2026: prazo para o envio de pedidos de participação na audiência pública, acompanhados de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: realização da audiência pública do USTR para debater as medidas propostas. 15 de julho de 2026: prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas corretivas contra o Brasil. A investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta em julho de 2025, passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos. A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já haviam colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes da divulgação do parecer atual. O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro ao presidente americano, em 7 de maio, na Casa Branca. Nas redes sociais, o Escritório de Comércio dos EUA chegou a destacar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorreu dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos EUA para discutir temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas. Embora as negociações devessem terminar nesta sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes. Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site. Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Diálogo entre EUA e Brasil De acordo com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. LEIA TAMBÉM: Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta pelos EUA "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. O governo brasileiro, por sua vez, disse que já esperava uma recomendação de aumento de tarifa de importação pelos Estados Unidos por alegadas práticas desleais, mas que acredita haver espaço para negociação. A lista de exceções foi recebida com alívio, segundo informações do blog do Valdo Cruz.

João Barreto A agência alfandegária da China informou que suspendeu as proibições relacionadas à febre aftosa no norte do Brasil e reconhece todo o território brasileiro como livre da doença, de acordo com um comunicado oficial divulgado nesta terça-feira (2). O Brasil, o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo, destinou mais da metade de suas exportações de carne bovina à China no ano passado. A China, maior importadora mundial de carne bovina, comprou quase US$3 bilhões em carne do Brasil no primeiro trimestre deste ano, segundo dados comerciais do país. Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmaram que a medida deverá ampliar as oportunidades de exportação de produtos bovinos e suínos, incluindo miúdos e carne com osso, para o mercado chinês. “A decisão, anunciada hoje, ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os países”, afirmou o governo brasileiro, observando que o anúncio ocorreu após a viagem do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim para o que a China chamou de “diálogo estratégico”. No mês passado, o Brasil solicitou à China que permitisse o envio de mais carne bovina para o país. Durante uma visita a Pequim no final de maio, o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, pediu à China que reatribuísse ao Brasil as cotas de exportação não utilizadas por outros países, mas a China rejeitou o pedido, segundo noticiou a Reuters no mês passado. A China enfrentou um surto de febre aftosa na região noroeste do país no final de março. O país asiático confirmou a febre aftosa em 219 bovinos de dois rebanhos que totalizavam 6.229 bovinos na província de Gansu e na região de Xinjiang. A China reforçou os controles nas fronteiras, acelerou as aprovações de vacinas e implementou medidas de abate e desinfecção após os surtos.

EUA alegam práticas 'irrazoáveis' e propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras O relatório do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) sugerindo tarifas gerais de 25% a produtos brasileiros é mais grave que o tarifaço anunciado no ano passado e deve ser alvo dos discursos eleitorais das principais campanhas à Presidência no Brasil. Desta vez, as novas tarifas chegam com a roupagem de uma investigação, que começou em 2025, antes do estreitamento das relações entre os presidentes norte-americano, Donald Trump, e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Brasil teve tempo de apresentar suas alegações. Os ministérios brasileiros e escritórios profissionais contratados por empresas e setores atuaram com argumentos e explicações para as autoridades americanas, que parecem não ter ouvido as explicações. No caso do PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC) —, alvo da investigação, o Brasil é acusado de prática desleal. O governo, no entanto, levou números mostrando como o mecanismo ampliou a bancarização de brasileiros e, como isso, no médio e longo prazo, são bons também para empresas de cartão de crédito de bandeiras americanas (leia mais abaixo). Lula e Trump se encontram na Casa Branca Ricardo Stuckert/Presidência da República Outras explicações Dados científicos sobre a queda no desmatamento, com comprovação por satélite, também foram apresentados. Uma reclamação antiga sobre o tempo que o Brasil leva para registrar patentes foi ainda respondida detalhadamente na réplica de empresas brasileiras, que mostrou queda nesta espera. Já a tarifa para entrada de etanol dos EUA no Brasil, que chegou a ser citada publicamente por Trump, é um entrave de longa data que o Brasil queria discutir, mas não levou proposta concreta. Pontos da decisão do Escritório de Comércio dos EUA dão pistas do conteúdo ideológico da decisão: a cotação das medidas judiciais contra empresas de tecnologia, e até a retirada do ar do X. Medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos próximos dias, o Brasil terá pouco espaço para discutir o mérito do novo tarifaço. Exportadores poderão pedir modulação de tarifas. Esses mesmos exportadores poderão também, em conjunto com o governo, apelar à justiça dos EUA ou mesmo ampliar sua queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC). Podem, também, escalar o embate e aprovar medidas de reciprocidade na Câmara de Comércio Exterior (Camex). Retrocesso na relação Na prática, a decisão do USTR parece mostrar um retrocesso nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Desde que mergulhou nos problemas trazidos pela guerra com o Irã, Trump parece ter se desligado da América Latina e, por consequência, da sua química com Lula. Quem toca as decisões do USTR e do Departamento de Estado é um grupo com base ideológica, basicamente os mesmos que encontraram Flávio Bolsonaro na semana passada. Se o novo tarifaço tem a ver com relações de parte ideológica do governo Trump com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda não se sabe ao certo. É algo que vai aparecer em breve. A medida é ruim para parte do setor produtivo brasileiro. O que já é certo é que a nova decisão invadirá os argumentos eleitorais de direita e esquerda daqui até agosto. Transformado em discurso eleitoral, o novo tarifaço tem ainda menos chance de ser resolvido de forma rápida e com menor prejuízo à economia.

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esperava uma recomendação de aumento de tarifa de importação pelos Estados Unidos por alegadas práticas desleais da parte do Brasil, como anunciado na madrugada desta terça-feira (2), no horário de Brasília. Mas acredita haver espaço para negociação, e recebeu com alívio a lista de exceções. Nela, estão incluídos café e carne, além de aeronaves e peças. Por outro lado, se as negociações falharem, o presidente Lula vai responsabilizar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela medida, e usar o PIX para defender a posição brasileira. Na avaliação da equipe presidencial, incluir o PIX ajuda o discurso do Brasil de perseguição política por parte de uma ala do governo Trump. Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana Ricardo Stuckert/Divulgação Segundo assessores de Lula, além do PIX, incluir acordos comerciais do Brasil com México e Índia não faz sentido. Como também não faz alegar falhas no combate à corrupção no momento em que a Polícia Federal faz várias investigações sobre fraudes bancárias e roubo de aposentados. Integrantes do governo brasileiro afirmaram ao blog que já havia a expectativa de alguma medida por parte dos Estados Unidos no âmbito da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O que ainda não era conhecido pelas autoridades brasileiras era o percentual da tarifa que seria anunciado por Washington. Negociações foram positivas Nesta terça-feira, o governo americano informou a recomendação de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no contexto da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que as negociações recentes foram positivas e ressaltam que representantes dos Estados Unidos fizeram referências aos contatos realizados nos últimos dias, incluindo reuniões envolvendo o presidente Lula. Segundo fontes do governo, as tratativas mantidas nas últimas semanas com autoridades americanas indicavam que alguma recomendação poderia surgir no início da semana. Apesar disso, em reservado, a avaliação interna é que o resultado poderia ter sido mais duro para o Brasil. A leitura dentro do governo é que a decisão é política, mas preserva espaço para a continuidade do diálogo entre os dois países. Por isso, a orientação é seguir apostando na negociação para tentar reduzir os impactos da medida e buscar alternativas para reverter ou amenizar as tarifas. Nos bastidores, integrantes do governo também criticam parte dos argumentos apresentados durante a investigação americana. Segundo esses interlocutores, referências ao PIX e a supostos acordos preferenciais foram recebidas com estranheza e consideradas desconectadas da discussão comercial que levou à abertura da investigação. A expectativa do governo brasileiro é manter os canais diplomáticos abertos e intensificar as conversas com a administração americana nas próximas semanas.

Por que o PIX virou alvo de Trump em investigação comercial contra o Brasil? Os Estados Unidos voltaram a criticar o PIX e acusaram o Banco Central do Brasil (BC) de favorecer o sistema de pagamentos em detrimento de empresas americanas que atuam no setor. Segundo o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favoreceria o PIX e limitaria a atuação de concorrentes. As críticas fazem parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) contra práticas abusivas. Segundo o órgão, o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o PIX não era citado diretamente. O documento fazia referência a "serviços de comércio digital e pagamento eletrônico", incluindo aqueles oferecidos pelo Estado brasileiro. Na prática, o PIX é o único sistema público com essa finalidade. "O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o USTR. LEIA TAMBÉM: Veja quais produtos brasileiros devem ficar de fora de taxa de 25% proposta por EUA Em abril deste ano, um relatório divulgado pela Casa Branca voltou a citar o PIX como um sistema que, na avaliação do governo americano, prejudica empresas de cartões de crédito como Visa e Mastercard. Até o momento, o Banco Central não respondeu publicamente às alegações do governo americano. O governo federal, por sua vez, já saiu em defesa do PIX nas redes sociais. Para especialistas ouvidos pelo g1 em maio deste ano, aspectos como o embate com as big techs e a concorrência com bandeiras de cartões de crédito americanas ajudariam a explicar a ofensiva dos EUA contra o PIX. Eles dizem que não há, porém, razões consistentes para questionar o serviço de pagamento. Na verdade, o sucesso do PIX e seu papel como vitrine para o Brasil estariam sendo vistos como uma “ameaça” ao setor nos EUA. Os receios de Trump, afirmam, também estariam ligados ao avanço do PIX Internacional e às discussões do Brics sobre alternativas ao uso do dólar no comércio. 🔎 Veja, nos tópicos abaixo, os possíveis motivos apontados por especialistas para Trump questionar o PIX. Concorrência com empresas dos EUA PIX Internacional, 'efeito Brics' e ameaça ao dólar Sucesso do PIX vira vitrine para o Brasil Ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos Exigências legais do Brasil — e apoio às big techs Concorrência com empresas dos EUA O PIX é gratuito para pessoas físicas e tem custo baixo para empresas, representando forte concorrência para grandes operadoras de cartão de crédito americanas, como Visa e Mastercard, afirma Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor da ESPM. "O sistema também compete com fintechs americanas. Enquanto nos EUA a regulação permite a cobrança por transferências instantâneas, no Brasil essas empresas são obrigadas a integrar o PIX para operar", diz. Segundo o professor, as regras forçam as companhias a ajustarem seus modelos de negócio diante da possível perda de receita, já que empresas de alta tecnologia lucram com taxas sobre transações. O cenário também afeta big techs que oferecem serviços de pagamento, como o Google. Para Ralf Germer, CEO da PagBrasil, o PIX é um sistema tecnologicamente avançado que promove uma concorrência saudável no mercado. Ele não acredita, porém, que o sistema conflite diretamente com os interesses dos EUA, nem que isso justifique a investigação do governo americano. "O PIX não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo", afirma. "Além disso, houve tempo suficiente para que se adaptassem e desenvolvessem soluções capazes de competir com as vantagens do PIX, seja em custo, experiência do usuário ou do comércio", acrescenta. Voltar ao índice. PIX é investigado nos EUA a pedido de Trump por configurar possível 'prática desleal' PIX Internacional, 'efeito Brics' e ameaça ao dólar Entre as novidades do PIX, o Banco Central do Brasil segue trabalhando para adotar, no futuro, o PIX Internacional, que já é aceito de forma limitada em alguns países, como Argentina, EUA (Miami e Orlando), Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o uso atual do PIX em outros países é "parcial", restrito a estabelecimentos específicos. A expectativa é que, no futuro, os pagamentos transfronteiriços sejam realizados de forma definitiva, interligando sistemas de pagamento instantâneo. Nesse sentido, especialistas acreditam que a possibilidade de uso do PIX Internacional como meio de pagamento entre países do Brics, por exemplo, pode ter incomodado os EUA por ameaçar a paridade do dólar nas negociações, comprometendo a hegemonia da moeda no sistema financeiro global. 🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã. "Esse pode ser o ponto que mais incomoda o governo americano: a criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema PIX para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países", diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. Durante o tarifaço, o presidente Donald Trump ameaçou, em mais de uma ocasião, aplicar taxas de 10% às nações integrantes do grupo. Ele é contra a criação de uma nova moeda ou meios de pagamento que substituam o dólar — uma das prioridades do Brasil dentro do grupo. Segundo o professor Jorge Ferreira, da ESPM, o PIX Internacional pode enfrentar resistência dos EUA, já que concorreria diretamente com o sistema SWIFT — rede global de transferências financeiras adaptada, inclusive, para cumprir sanções internacionais, especialmente dos EUA e da União Europeia. Voltar ao índice. Sucesso do PIX vira vitrine para o Brasil Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo e fundador do RegLab, afirma que a principal queixa dos EUA parece ser a percepção de que o governo brasileiro teria favorecido seu próprio sistema de pagamento eletrônico — prejudicando, assim, empresas privadas norte-americanas. Ele avalia que, quando o regulador também atua como operador bem-sucedido — como o Banco Central do Brasil com o PIX —, é natural que surja uma “pressão internacional” nesse cenário de competição. "De uma forma ou de outra, o PIX se tornou um modelo de inovação estatal eficiente, que pode ser replicado por outros países — o que representa uma possível ameaça ao domínio de empresas americanas no mercado global de meios de pagamento", explica. Para o especialista, o sucesso massivo do PIX também virou uma vitrine e confere ao Brasil peso geopolítico para influenciar padrões e negociar aberturas no mercado internacional. “É um grande modelo a ser seguido em termos de infraestrutura pública digital de pagamentos.” Diversos países buscam entender os mecanismos de funcionamento do sistema. Voltar ao índice. Ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos Pedro Henrique Ramos, do RegLab, lembra que os EUA têm um histórico de contestar políticas que favorecem infraestruturas domésticas, citando os casos da Indonésia, Índia e China (com a UnionPay). Ao anunciar tarifas de 32% sobre produtos importados da Indonésia, no ano passado, os EUA também alegaram "prática comercial injusta", citando impacto em empresas americanas como Visa, Mastercard e Amex. Segundo Ramos, esse tipo de infraestrutura pública de baixo custo, criado por países emergentes, é adotado como instrumentos de inclusão social e financeira, e de redução da dependência de redes atreladas ao dólar. "Então, você tem um atrito geopolítico claro entre interesses comerciais e também com os discursos políticos que são usados para fundamentar e fomentar essas infraestruturas digitais soberanas dos países", afirma. Ralf Germer, da PagBrasil, destaca que os EUA têm sistemas semelhantes, como o Zelle — criado por grandes bancos, com possíveis taxas conforme a instituição — e o FedNow, do Federal Reserve, que permite cobrança de taxas pelos bancos, mas geralmente não repassadas ao consumidor final. Os sistemas norte-americanos, no entanto, não chegaram nem perto do sucesso do PIX, afirma Pedro Henrique Ramos, do RegLab. "A adesão ao FedNow, por exemplo, foi opcional. Nenhum dos grandes bancos americanos aderiu. Então, de uma forma ou de outra, o PIX virou um modelo, uma vitrine", diz. Voltar ao índice. Exigências legais do Brasil — e apoio às big techs Os questionamentos dos EUA sobre os pagamentos eletrônicos fazem parte de uma discussão mais ampla que envolve big techs americanas, como Google e Meta (WhatsApp ), que operam seus próprios sistemas de pagamento e podem ver o PIX como concorrente. "Empresas americanas do setor frequentemente resistem a determinadas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente sobre exigências legais como a proibição de veicular certos conteúdos", diz Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da UERJ. Segundo a especialista, apesar de não ter relação direta, o conflito com as big techs também contribui para as alegações de Donald Trump, que em diversas ocasiões tentou pressionar a Suprema Corte brasileira. Também no ano passado, por exemplo, a maioria dos ministros do STF votou a favor de responsabilizar as redes sociais pelo conteúdo publicado por seus usuários — como discursos de ódio, fake news ou prejudiciais a terceiros. No mesmo dia, o Google, dono do YouTube, afirmou que "abolir regras que separam a responsabilidade civil das plataformas e dos usuários não contribuirá para o fim da circulação de conteúdos indesejados na internet [como fake news]". Já a Meta, proprietária do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, manifestou preocupação com "as implicações da decisão do STF sobre a liberdade de expressão e as milhões de empresas que usam nossos aplicativos para crescer seus negócios e gerar empregos no Brasil". Além disso, há o caso específico do WhatsApp. Em junho de 2020, antes mesmo do lançamento do PIX, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam a função de pagamentos e transferências por meio do aplicativo no Brasil. Na época, o BC determinou que as bandeiras Visa e Mastercard, que viabilizavam as transações, suspendessem a função de pagamentos para que o órgão avaliasse riscos e garantisse o bom funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Já o Cade apontava possíveis riscos à concorrência. Em 2023, com o PIX já em funcionamento, o BC autorizou o WhatsApp a oferecer pagamentos com cartões de crédito, débito e pré-pago. Em dezembro, porém, a empresa descontinuou no Brasil a função de pagamento entre pessoas com cartão de débito no aplicativo. Em nota enviada ao g1 em novembro de 2024, a empresa informou que a decisão de suspender a função com cartão de débito no país teve como objetivo priorizar as transações via PIX. Voltar ao índice. Aplicativo bancário para pagamento financeiro em PIX. Bruno Peres/Agência Brasil

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Uma série de produtos brasileiros deve ficar de fora da tarifa de 25% proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A medida foi anunciada no fim da noite de segunda-feira (1º). O anúncio ocorre após a conclusão de uma investigação aberta em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump e com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o documento, as tarifas são justificadas porque uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro seria “irrazoável” e “oneraria ou restringiria” o comércio norte-americano. (entenda mais abaixo) Alguns itens devem ser poupados da tarifa, como materiais informativos, doações e uma lista específica de produtos. Entre eles estão certas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiais, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças do setor aeronáutico, terras raras, produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes também estariam isentos da medida. Veja a lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da tarifa de 25% 🥩 Produtos alimentícios e agrícolas Carne bovina: cortes frescos, refrigerados ou congelados, com osso ou desossado, incluindo carcaças e cortes de alta qualidade, além de miúdos, carne enlatada e carne seca ou defumada; Frutos do mar e derivados: corais, conchas e materiais similares. Hortaliças e fungos: chuchu, brotos de bambu, castanhas-d'água, orelha-de-pau (wood ears) e cogumelos shiitake secos. Raízes e tubérculos: mandioca (fresca, congelada ou seca), taro, mangarás (yautia), jicama, araruta. Frutas: Tomates (frescos ou refrigerados), cocos (desidratados, frescos, com ou sem casca), fruta-pão, bananas, plátanos, abacaxis, abacates, goiabas, durians, mangas, laranjas, limões, papaias, kiwis, etrogs. Nozes: cocos, castanhas-do-pará, castanhas-de-caju, macadâmias. Café e outros estimulantes: café torrado, não torrado, descafeinado ou não, chá verde, chá preto, erva-mate. Bebidas e estimulantes: café (grão, torrado, cascas e substitutos), chás (verde e preto), erva-mate e cacau (grãos, pasta, manteiga e pó). Cacau e derivados: grãos, cascas, pasta, manteiga e pó de cacau sem açúcar. Especiarias: Pimenta, baunilha, canela, cravo, noz-moscada, gengibre, açafrão e cúrcuma. Produtos processados: Amido de mandioca, tapioca, sucos de frutas (laranja, limão, abacaxi e açaí) e preparações de açaí. 🛢️ Recursos naturais, minerais e combustíveis Minérios: minério de ferro, manganês, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio, titânio e prata. Minerais: grafite natural, caulim, fosfatos de cálcio, sulfato de bário (barita), magnésita e amianto. Energia e combustíveis: carvão (antracito e betuminoso), coque, gás de carvão, óleos de petróleo (crus e refinados), querosene, lubrificantes, gás natural liquefeito, propano, butano e energia elétrica. 🧪 Produtos Químicos, Fertilizantes e Medicamentos Químicos industriais: iodo, silício, arsênio, selênio, óxidos de zinco e titânio, e diversos compostos orgânicos e inorgânicos. Fertilizantes: ureia, sulfato de amônio, nitrato de sódio, cloreto de potássio e fertilizantes fosfatados. Saúde e Farmacêuticos: vacinas (humanas e veterinárias), sangue humano, antissoros, toxinas, antibióticos (penicilinas, estreptomicinas, tetraciclinas, etc.), hormônios (insulina, cortisona, estrogênios), vitaminas, contraceptivos químicos e kits de ensaios clínicos. ✈️ Setor Aeroespacial e outros itens industriais Motores e peças: motores de pistão, turbojatos, turbopropulsores e suas partes. Componentes de voo: hélices, rotores, trens de pouso e fuselagens. Equipamentos internos: assentos de aeronaves, aparelhos de respiração, caixas-pretas (flight data recorders) e instrumentos de navegação aérea (pilotos automáticos e bússolas). Materiais diversos: tubos de plástico, pneus de borracha, juntas de vedação e vidros de segurança laminados, desde que destinados ao uso em aeronaves. Madeira: teca, mogno, balsa e virola (em toras ou serradas). Papel e celulose: polpa de madeira química e diversos produtos de papel. Metais preciosos: ouro, prata e platina (em formas brutas ou manufaturadas). Tecnologia: Máquinas para fabricação de semicondutores, circuitos integrados eletrônicos e processadores. Os 5 produtos brasileiros mais exportados para os EUA Ranking dos 5 produtos brasileiros mais exportados para os EUA Por que novas tarifas foram anunciadas? Segundo documento divulgado pelo USTR, a investigação aberta pelo governo americano concluiu que o governo brasileiro adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, já tinha afirmado que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (clique aqui para saber mais) Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. Embora as negociações devessem terminar na sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. Lula e Trump em encontro na Casa Branca Ricardo Stuckert Os pontos criticados pelos EUA Segundo o relatório final do USTR, algumas das práticas do governo brasileiro que "oneram ou restringem" o comércio norte-americanos são: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto aponta aponta que o Banco Central do Brasil favorece o sistema PIX, de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos, agindo simultaneamente como regulador e proprietário do sistema, impondo o uso do PIX e limitando taxas de concorrentes Regulação de redes sociais: o USTR cita que tribunais brasileiros emitiram ordens secretas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, globalmente —, proibindo a divulgação das ordens. O órgão também critica a imposição de multas severas, restrições a ativos e contas bancárias e, em ao menos um caso, o fechamento completo de um site; Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com o México e a Índia. Segundo o USTR, o Brasil concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses países em setores nos quais ambos são produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil possua um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país historicamente falhou em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a persistência do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu abruptamente, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado que aplicava ao etanol e, desde então, não oferece tratamento recíproco às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falta de aplicação suficiente de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, lentidão excessiva no exame de patentes e falta de medidas antipirataria contínuas. Os EUA criticam a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para analisar patentes especialmente biofarmacêuticas, que levam até 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita especificamente a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Próximos passos e prazos Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já havia colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes de emitir o parecer atual. O grupo de trabalho foi instituído após a visita do presidente brasileiro ao americano em 7 de maio na Casa Branca. Nas redes sociais, a USTR chegou a celebrar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava com expectativa a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos dos EUA e Brasil para tratar de temas comerciais e evitar aplicação de novas tarifas. Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas para coletar depoimentos de interessados. Veja abaixo: Até 22 de junho de 2026: Prazo máximo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, acompanhadas de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: Realização da audiência pública oficial pelo USTR para debater as ações propostas. 15 de julho de 2026: Prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil. Esse é um novo tarifaço? O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Em 20 de fevereiro deste ano, a maioria dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), utilizada por Trump, não autoriza o presidente a instituir tarifas por conta própria. Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida passou a valer na semana seguinte e tem validade até 24 de julho. Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas aplicadas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. Na época, o governo Trump já indicou que pode buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh. Entre elas, estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permitem ao governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração, mas exigem a investigação formal e a realização das consultas públicas.

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão do governo americano responsável por negociações de comércio exterior, concluiu nesta segunda-feira (1º) uma investigação sobre o Brasil e afirmou que algumas práticas do país prejudicariam o comércio dos EUA. Com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e abriu o caso para consulta pública antes de uma decisão final. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo A medida representa a fase mais avançada de um processo que pode levar à imposição de sanções comerciais diretas e reforça o uso de um dos principais instrumentos de pressão da política comercial dos Estados Unidos. A seguir, o g1 explica o que é a Seção 301 e como o mecanismo pode resultar na taxação de produtos brasileiros. O que é a Seção 301 🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA. A regra dá ao USTR o poder de apurar possíveis barreiras comerciais e, se concluir que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. Ou seja, a Seção 301 funciona como um dos principais instrumentos de pressão comercial dos EUA e já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação. Parte dessas tarifas permanece em vigor e foi mantida e ampliada posteriormente pelo governo de Joe Biden. Segundo o site do USTR, há pelo menos oito casos recentes ou em andamento, envolvendo países como Brasil, China e Nicarágua, além de apurações sobre trabalho forçado e excesso de capacidade industrial. O mecanismo também já foi usado em disputas comerciais anteriores com a União Europeia, Vietnã e outros parceiros comerciais. A investigação brasileira foi uma das quatro abertas pelo segundo governo Trump desde 2025, ao lado de casos envolvendo a China e temas globais como trabalho forçado e excesso de capacidade industrial. Como o processo funciona O uso da Seção 301 segue etapas definidas: Primeiro, o USTR abre uma investigação, geralmente motivada por reclamações de empresas, setores econômicos ou determinação política do Executivo. Em seguida, ocorre uma fase de análise técnica e diálogo com o país investigado. Concluída essa etapa, o órgão publica um relatório com suas conclusões e abre consulta pública, em que empresas, governos e entidades podem apresentar argumentos. Só depois disso o governo americano decide se aplica ou não as medidas de retaliação — e quais serão elas. O que está em jogo no caso brasileiro No caso do Brasil, o relatório do USTR aponta supostas distorções em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, políticas tributárias e práticas regulatórias. (entenda as críticas dos EUA) Com base nessas conclusões, o órgão propôs tarifas de 25% sobre importações brasileiras, mas incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. (veja os produtos isentos) A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Diferença para outras ferramentas tarifárias A Seção 301 não é a única base legal usada pelos EUA para impor tarifas. Ela se diferencia de outros mecanismos, como a Seção 232, que se baseia em argumentos de segurança nacional e já foi aplicada a produtos como aço, alumínio e automóveis, que permanecem taxados. Nesse caso, o governo argumenta que a dependência de importações pode enfraquecer a indústria local e comprometer a segurança do país. A aplicação costuma exigir uma investigação conduzida pelo governo, o que torna o processo mais demorado do que o uso de poderes emergenciais. Já a Seção 301 tem foco em práticas comerciais consideradas desleais e funciona como instrumento de retaliação após investigação formal. Em 2025, o governo de Donald Trump tentou usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas contra o Brasil. A medida previa uma tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros, que se somou a uma tarifa global de 10%, elevando a alíquota total para 50% em muitos casos. O governo americano justificou a ação alegando que políticas e decisões do governo brasileiro representavam uma ameaça à segurança nacional, à política externa e à economia dos EUA. No entanto, em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA decidiu que a IEEPA não autoriza o presidente a impor tarifas de importação, derrubando as tarifas baseadas nessa lei. Por causa dessa derrota judicial, o governo americano passou a buscar outros instrumentos legais para pressionar o Brasil, como a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Entenda a investigação contra o Brasil Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A medida ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento de etapas previstas na legislação dos EUA. Segundo o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. 🛑 Entre os pontos citados estão o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção. Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, carne, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos. (veja mais aqui) O governo americano prevê concluir as consultas e decidir sobre a eventual aplicação das medidas até 15 de julho de 2026. O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci

Seis fintechs alvo da Fluxo Oculto movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos Receita Federal O crime organizado continuou lavando dinheiro e ocultando patrimônio no coração financeiro de São Paulo mesmo depois da deflagração da Carbono Oculto, a operação que chamou atenção para a entrada do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. Nove meses depois, a segunda fase da operação, batizada de Fluxo Oculto, cumpriu parte dos 59 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (29/5) em seis fintechs, empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros, e quatro fundos de investimentos. Eles eram a ponta final de um esquema de desvio de nafta, um solvente químico, importado por empresas de fachada e repassado para distribuidoras e postos de gasolina para adulteração de combustíveis. O papel crescente da Faria Lima nos negócios do crime organizado chama atenção. Nos últimos anos, organizações criminosas se aproveitaram de exigências regulatórias e de transparência mais brandas às quais as fintechs eram sujeitas para movimentarem bilhões de reais com contas e operações de difícil rastreamento, segundo apontam as investigações. As práticas acenderam um alerta entre as autoridades, que têm tentado fechar essas brechas e o fluxo de dinheiro. E também podem mobilizar o próprio mercado financeiro, especialmente depois que os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que, para alguns analistas, pode trazer consequências para empresas de diversos segmentos. As engrenagens do esquema Fluxograma mostra caminho do dinheiro no esquema mirado pelo Fluxo Oculto Receita Federal De acordo com porta-vozes do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as fintechs alvo da Fluxo Oculto funcionavam como "bancos paralelos", responsáveis por introduzir dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro. Por elas, passaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. "Nesse caminho do dinheiro sujo — tanto das atividades da organização criminosa quanto aquele ganho com a própria venda do combustível adulterado —, ele entra no sistema financeiro via fintech", afirmou o secretário da Receita Federal Robinson Barreirinhas em coletiva de imprensa logo após a deflagração da operação. "A fintech é a porta de entrada." Os fundos de investimentos eram o elo da etapa seguinte, para ocultar o patrimônio dos criminosos. "O valor é investido em um fundo de investimento, que investe em outro, que investe outro, buscando nessa cadeia dificultar o rastreamento", explicou o secretário. "E, na ponta final, o próprio fundo faz os investimentos, e pode investir em empresas, adquirir bens ou inclusive remeter recursos ao exterior, que depois voltam e beneficiam o próprio criminoso", afirmou Barreirinhas. Provas colhidas nos últimos meses, inclusive os celulares de contadores do PCC, apontaram que essas seis fintechs haviam substituído as três que foram alvo da Carbono Oculto em agosto de 2025 e foram usadas para que o crime continuasse lavando dinheiro mesmo depois da primeira operação. "Identificamos toda uma movimentação dos principais líderes do esquema redirecionando todo o dinheiro pra essas novas fintechs", afirmou o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP João Paulo Gabriel. Outro ponto que chamou atenção foi o fato de que a estrutura não era usada apenas por uma organização criminosa — no caso, o PCC. "O eixo que talvez seja o mais preocupante é o fenômeno que a gente vem identificando das convergências criminosas", destacou Gabriel. "Essas fintechs estão sendo exploradas não apenas por essa organização criminosa, como também por outros grupos criminosos. [São] diversas organizações criminosas compartilhando os mesmos espaços de fluxo financeiro." Operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão Receita Federal Como fintechs viraram 'duto' para dinheiro ilícito Ainda que atuem no setor financeiro, as fintechs não são bancos, de acordo com a classificação do Banco Central — e essa é uma diferença relevante. Ao contrário dos bancos, instituições de pagamentos não podem usar o dinheiro depositado pelos clientes para oferecer empréstimos, por exemplo. Também é exigida das fintechs uma reserva financeira de segurança bem menor para poderem operar do que as regras estipulam para bancos tradicionais. Nos últimos anos, as organizações criminosas se aproveitaram de uma série de particularidades da regulamentação das fintechs para lavar bilhões de reais em dinheiro ilícito, de acordo com as investigações. Entre elas, exigências mais brandas de transparência e a possibilidade de criação de contas de difícil rastreamento. Desde a Carbono Oculto, as autoridades têm tentado bloquear algumas dessas vias. Em agosto de 2025, a Receita Federal equiparou o tratamento de fintechs ao de bancos, obrigando-as a apresentarem informações detalhadas sobre suas movimentações por meio da e-Financeira, um conjunto de arquivos digitais que bancos, corretoras, seguradoras e administradoras de consórcios enviam para a Receita. "A Receita passou a exigir a identificação de cada pessoa que fazia uma movimentação bancária, isso antes não era necessário", diz a professora do Insper Juliana Facklmann. A norma deveria ter começado a valer em janeiro do ano passado, mas foi alvo de uma onda de desinformação, que ficou conhecida como a "fake news do Pix", e acabou sendo temporariamente suspensa. "Fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita", afirmou o secretário da Receita durante a coleta. 'Fluxo Oculto': operação faz buscas na Faria Lima, em SP "Mentiras dizendo que a Receita iria monitorar ou tributar o Pix, que volta e meia tentam emplacar novamente. Vimos quem era o interessado nisso: as organizações criminosas que se valiam e valem ainda dessas fintechs para lavagem de dinheiro." Um dia depois da deflagração da Carbono Oculto, quando as investigações revelaram o uso das fintechs como braços financeiros do crime organizado, a norma passou a valer. Três meses depois, a Receita institui também a DeCripto, uma declaração que as prestadoras de serviços de ativos financeiros virtuais passaram a ter que enviar todos os meses, informando sobre as transações realizadas em criptomoedas. Esse tipo de ativo também é popular entre criminosos, porque é fácil de ser movimentado internacionalmente, e seus donos são mantidos em relativo anonimato. A Fluxo Oculto identificou a movimentação de R$ 365 milhões em criptoativos nas instituições alvo da operação. O Banco Central também divulgou medidas no mesmo sentido. Em setembro do ano passado, determinou que todas as novas instituições de pagamento peçam autorização formal do BC para começar a operar. Dois meses depois, fechou o cerco contra as chamadas contas-bolsão, modalidade que reúne recursos de várias pessoas em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares. Fluxo Oculto envolveu a cooperação de diferentes órgãos, que detalharam as investigações em coletiva de imprensa na última quinta Receita Federal Juliana Facklmann ressalta que essa modalidade foi bastante explorada por grupos criminosos. Eles se aproveitavam do fato de que muitas fintechs não têm acesso direto ao sistema de liquidação do Banco Central e precisam de um terceiro (um banco tradicional, por exemplo) para acessar essa infraestrutura, onde a transferência de fato dos recursos entre bancos e instituições de pagamentos é realizada todos os dias. A conta-bolsão entrava aí. Era a modalidade que a fintech usava para movimentar recursos com a instituição que tinha acesso ao sistema de liquidação do Banco Central. Como as operações não eram detalhadas por titular, mas um bolo só, o BC não conseguia fiscalizá-las. "Era quase como se tudo o que estivesse ali fosse da fintech em si", ilustra a professora. "Da parte dela, [para evitar que o dinheiro que circulava por ela tivesse origem ilícita], a fintech deveria ter todos os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo e seguir o princípio do 'conheça o seu cliente' para saber quem está movimentando o que ali dentro", acrescenta Facklmann. "Então, foi esse mecanismo que esses grupos criminosos utilizaram para conseguir infiltrar dinheiro dentro da Faria Lima: essa questão de não identificação das contas-bolsões, mais o ponto de que fintechs — mais especificamente instituições de pagamento — não tinham bons controles de prevenção à lavagem de dinheiro." Ela considera "importantes" as medidas tomadas pelo Banco Central e pela Receita nos últimos meses e avalia que elas devem evitar muitas situações parecidas com as reveladas pela Carbono Oculto e pela Fluxo Oculto. "Agora, o Banco Central consegue fazer os cruzamentos que ele precisa, as verificações e as análises que ele precisa para entender que a 'padaria do seu Francisco' está movimentando muito mais do que deveria e ir atrás para questionar", ilustra ela. Fintechs e fundos eram elo final de esquema de desvio de nafta para adulteração de combustíveis Receita Federal Repressão e fiscalização O superintendente-adjunto da Receita Federal em São Paulo, Claudio Ferrer de Souza, ressaltou que, das seis fintechs alvo da Fluxo Oculto, três cumpriam as obrigações com a e-Financeira. Ou seja, submetiam dados detalhados ao Fisco. As outras três não enviavam as informações, chamando atenção para outro ponto importante no problema da infiltração do crime na Faria Lima: a fiscalização. À reportagem da BBC News Brasil, Souza comentou após a coletiva de imprensa que a fiscalização é fundamental e que o problema não vai ser resolvido apenas com repressão. No início de abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado que a autarquia não tem recursos suficientes para supervisionar de forma satisfatória as empresas do setor financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por sua vez, responsável pela regulação do mercado de capitais, sobre quem recai a responsabilidade sobre os fundos de investimentos, tem se visto no centro de diversas polêmicas e é acusada por críticos de falhar em sua missão. Questiona-se, por exemplo, por que ela não foi capaz de identificar as diversas irregularidades cometidas pelo Banco Master no que se desenha como a maior fraude bancária do país. O delegado-chefe de repressão a crimes financeiros da Polícia Federal (PF), Guilherme Siqueira, disse em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) no início de maio que a CVM opera com déficit de capacidade humana e tecnológica e não consegue acompanhar a expansão do mercado. Essas fragilidades, segundo ele, são exploradas pelo crime organizado. Além da repressão, é preciso focar também em fiscalização, diz superintendente-adjunto da Receita Receita Federal Efeito Trump A pressão para melhorar a fiscalização e fechar as brechas regulatórias ganhou novo impulso quando os Estados Unidos anunciaram que passariam a classificar PCC e CV como organizações terroristas. De um lado, especialistas alertam que a medida pode abrir possibilidade para que o governo Trump promova intervenções militares em território brasileiro. De outro, para que imponha, por meio do Departamento do Tesouro, sanções a organizações financeiras que mantenham relação com as facções. Para alguns analistas, é aí que o mercado financeiro brasileiro e empresas de outros segmentos poderiam ser impactados. Pedro Henrique Rezende, sócio especialista em compliance (mecanismo para garantir que a operação esteja de acordo com as normas legais) e investigações do Aroeira Salles Advogados, avalia que a medida "tem potencial para ampliar significativamente o risco regulatório para empresas brasileiras com exposição ao sistema financeiro internacional ou com relações comerciais com os Estados Unidos". Ele recomenda a empresas que tenham negócios com vínculos com os EUA que façam uma análise minuciosa das organizações com as quais trabalham para conhecer de fato seus beneficiários finais e garantir que estes não tenham qualquer relação com o crime organizado para que não estejam sujeitas a punições como bloqueio de recursos aplicados no sistema bancário americano. A professora do Insper Juliana Facklmann, por sua vez, avalia que "quem já está trabalhando da forma correta não vai ter maiores impactos". "Não vejo como algo que vai aumentar as regras de compliance", ela opina. "Acho que seria somente sobre o aumento da eficácia das regras de compliance, ou seja, ter certeza, por exemplo, que uma fintech conhece o cliente que está entrando, que tem um monitoramento eficiente, que percebe a movimentação de grandes fluxos e se pergunta: 'Mas por que esse cliente está movimentando grandes fluxos?' E vai atrás do cliente para entender."

Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos Você já reparou, ao comprar uma peça inteira de carne suína, que ela vem com um carimbo? O Geraldo da Rosa perguntou ao Globo Rural se é preciso descartar a parte marcada antes do consumo. Esse carimbo é feito pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura e Pecuária. Ele indica que o alimento é considerado seguro, explica Enrico Ortolani, consultor do Globo Rural. A tinta utilizada no carimbo não é tóxica. Ela é geralmente feita a partir de corantes vegetais, álcool de cereais e glicerina. Portanto, é possível consumir sem risco à saúde. Leia também: O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar Caverna subterrânea e fungos naturais ajudam produtor a criar queijos premiados em Goiás Carimbo da SIF na carne de porco Reprodução / Globo Rural Carimbo do SIF na carne Reprodução / Globo Rural Acordo UE-Mercosul passa a valer no Brasil: o que muda para o agro

Connor Scott, 24, e Zoe Lloyd, 21, estudam em uma cafeteria e restaurante local em 20 de abril de 2026, em Flagstaff, no Arizona. AP/Cheyanne Mumphrey O aumento do trabalho remoto desde a pandemia fez com que empresas se tornassem mais relutantes em contratar jovens sem experiência, e esse é o principal fator por trás das maiores taxas de desemprego entre recém-formados, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (1). A pesquisa, realizada pelo Federal Reserve Bank de Nova York, comparou profissões que podem ser exercidas remotamente — como desenvolvimento de software — com ocupações presenciais, como enfermagem. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pesquisa concluiu que a taxa de desemprego entre jovens recém-formados em empregos “remotáveis” subiu cerca de 1 ponto percentual entre os períodos de 2017-2019 e 2022-2024. Já entre trabalhadores mais velhos dessas áreas — com 29 anos ou mais — a taxa de desemprego caiu levemente, ampliando a diferença entre jovens e profissionais mais experientes em ocupações remotas. Agora no g1 Em profissões que não permitem trabalho remoto, porém, houve pouca diferença nas taxas de desemprego entre graduados mais jovens e mais velhos, segundo o estudo. Um padrão semelhante também foi observado entre trabalhadores sem diploma universitário. A pesquisa, liderada pela economista Natalia Emanuel, do Fed de Nova York, conclui que empresas evitam contratar recém-formados para vagas remotas porque é mais difícil treiná-los e orientá-los fora do ambiente presencial. “O trabalho remoto enfraqueceu os incentivos para contratar jovens trabalhadores ao dificultar o treinamento no próprio emprego”, afirma o estudo. “Empregadores podem não querer contratar recém-formados para equipes distribuídas porque é mais difícil ensiná-los as habilidades necessárias à distância.” O estudo é divulgado em meio à crescente preocupação com as perspectivas de emprego para jovens graduados, enquanto a inteligência artificial avança sobre diversas profissões de escritório, incluindo finanças, direito, entretenimento e mídia. Neste semestre, formandos chegaram a vaiar referências à IA durante discursos de formatura. Mas o levantamento ressalta que a piora no mercado de trabalho para jovens graduados começou antes da popularização de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT. E, ao analisar o grau de exposição das diferentes profissões à IA, os pesquisadores concluíram que a tecnologia teve pouco impacto sobre o desemprego juvenil. A taxa de desemprego entre graduados universitários com menos de 29 anos subiu 20% em relação ao período pré-pandemia, chegando a uma média de 3,7% entre 2022 e 2025, segundo o Fed de Nova York. Entre graduados de 22 a 27 anos, o desemprego alcançou 5,8% no ano passado — o maior nível fora do período da pandemia desde 2012. As conclusões do estudo reforçam o cenário atual do mercado de trabalho, marcado por poucas contratações e poucas demissões: embora as dispensas permaneçam baixas e o desemprego relativamente estável, quem perde o emprego tem encontrado mais dificuldade para conseguir uma nova vaga. O estudo também analisou dados detalhados de uma empresa de tecnologia da Fortune 500, não identificada, e constatou que seus padrões de contratação refletiam a tendência observada nos dados gerais. Quando os escritórios estavam fechados e os funcionários trabalhavam remotamente, “a empresa contratava menos trabalhadores inexperientes e mais profissionais experientes, que provavelmente precisavam de menos orientação para desempenhar bem suas funções”, afirma o estudo. “Assim que os escritórios reabriram, a empresa voltou a contratar mais jovens trabalhadores”, diz a pesquisa. Ainda assim, mesmo após a reabertura, a companhia continuou favorecendo profissionais mais experientes para equipes que mantinham algum nível de trabalho remoto. Mesas vazias em um prédio de escritórios no bairro de Manhattan, em Nova York, em 2 de agosto de 2024. AP/Ted Shaffrey
PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.

CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresenta a RTX Spark GPU. REUTERS/Ann Wang A Nvidia voltou a chamar atenção para os chamados PCs com inteligência artificial após o presidente-executivo da empresa, Jensen Huang, apresentar um novo chip capaz de executar recursos de IA diretamente em notebooks e computadores de mesa. A aposta da companhia acontece em um momento de incerteza sobre a demanda por esse tipo de equipamento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto a HP afirma que os computadores com IA ajudaram a impulsionar seus resultados financeiros, a Dell disse que o interesse dos consumidores ainda não cresceu no ritmo esperado. Agora no g1 O que é um PC com IA? Fabricantes definem os PCs com IA como computadores capazes de executar tarefas de inteligência artificial diretamente no aparelho, sem depender tanto da internet ou de servidores remotos. Na prática, eles podem processar recursos de IA mais rapidamente e executar funções como assistentes virtuais, chatbots e ferramentas de criação de conteúdo no próprio computador. Hoje, grande parte dos serviços de IA, como ChatGPT e Claude, funciona em data centers. Já os PCs com IA transferem parte desse processamento para a máquina do usuário. Alguns modelos também são capazes de realizar tarefas mais avançadas relacionadas à IA, que normalmente exigiriam servidores mais potentes. Jensen Huang apresenta modelos de laptops usando GPUs RTX Spark. REUTERS/Ann Wang O interesse por esses computadores também cresceu com o avanço dos chamados agentes de IA, programas capazes de executar tarefas de forma mais autônoma, com pouca intervenção humana. A Nvidia apresentou recentemente o chip RTX Spark, desenvolvido em parceria com a MediaTek e a Microsoft. Segundo a empresa, o componente foi criado para permitir que agentes de IA funcionem diretamente no computador, sem depender da computação em nuvem. Os fabricantes esperam que esses recursos atraiam consumidores que já usam IA para atividades como escrever e-mails, organizar compromissos e planejar viagens. A HP informou no fim de maio que os PCs com IA representaram 44% de suas vendas de computadores no segundo trimestre, acima dos mais de 35% registrados no trimestre anterior. Apesar disso, analistas apontam desafios para a popularização desses equipamentos. Entre eles estão a possível escassez de chips de memória e o aumento nos custos de componentes. A consultoria IDC prevê que as vendas globais de computadores poderão cair em 2026 devido à falta de alguns componentes e ao encarecimento da produção. Que tecnologia esses computadores usam? trabalho notebook laptop Pexels Os PCs com IA contam com um componente chamado NPU (unidade de processamento neural), projetado especificamente para tarefas de inteligência artificial. Esse processador trabalha em conjunto com a CPU, responsável pelas tarefas gerais do computador, e com a GPU, usada principalmente para gráficos e processamento paralelo. A combinação desses componentes permite executar aplicações de IA de forma mais eficiente e rápida. Existem preocupações? Logo da Microsoft Unsplash Sim. Uma das principais discussões envolve privacidade. Em 2024, a Microsoft anunciou o recurso Recall, que registrava as atividades realizadas no computador para permitir que o usuário encontrasse informações acessadas anteriormente. A ferramenta gerou críticas por armazenar um histórico detalhado do uso do aparelho. Após questionamentos sobre privacidade e segurança, a empresa adiou o lançamento e reforçou as proteções antes de disponibilizá-la para parte dos usuários. Por outro lado, especialistas afirmam que executar tarefas de IA diretamente no computador pode aumentar a privacidade em alguns casos, já que reduz a necessidade de enviar dados pessoais para servidores externos. Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas nas redes com exposição de terceiros Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular Veja o momento em que a Starship faz a separação no espaço

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras para punir práticas 'irrazoáveis' Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção. Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor. Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano. Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras. Na época, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação. O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (saiba mais abaixo) Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países. "Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou. Embora as negociações devessem terminar nesta sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira. A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. O Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se pronunciaram. Veja abaixo o que é preciso saber sobre a decisão dos EUA. O que é a investigação comercial dos EUA? Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? Quais produtos que podem ficar isentos? Quais os próximos passos e prazos? Esse é um novo tarifaço? O que é a investigação comercial dos EUA? A investigação contra o Brasil foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos. A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados. O mecanismo já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação. Parte dessas tarifas continua em vigor, e chegou a ser ampliada durante o governo de Joe Biden. Lula e Trump em encontro na Casa Branca Ricardo Stuckert Por que o Brasil virou alvo dessa investigação? Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA: Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes. Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site. Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente; Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema; Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA; Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses. Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Quais produtos que podem ficar isentos? Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções. Entre os produtos isentos estão determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem. Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos. Veja abaixo a lista dos principais produtos excluídos da taxação. Quais são os próximos passos e prazos? Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já haviam colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes da divulgação do parecer atual. O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro ao presidente americano, em 7 de maio, na Casa Branca. Nas redes sociais, o USTR chegou a destacar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava a continuidade das discussões entre os dois países. A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos EUA para discutir temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas. Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. Piroschka van de Wouw/Reuters Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA definiu um cronograma de audiências e consultas públicas para receber manifestações de interessados: Até 22 de junho de 2026: prazo para o envio de pedidos de participação na audiência pública, acompanhados de um resumo do depoimento. Até 1º de julho de 2026: prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR. 6 de julho de 2026: realização da audiência pública do USTR para debater as medidas propostas. 15 de julho de 2026: prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas corretivas contra o Brasil. Esse é um novo tarifaço? O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 REUTERS/Evan Vucci Em 20 de fevereiro deste ano, a maioria dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada por Trump, não autoriza o presidente a impor tarifas por conta própria. Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida entrou em vigor na semana seguinte e permanece válida até 24 de julho. Na prática, a decisão da Suprema Corte anulou todas as tarifas impostas com base na IEEPA. Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado. Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025. Na época, o governo Trump já havia indicado que poderia recorrer a outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos relacionados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais. Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh, da Suprema Corte. Entre elas estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo impor tarifas sem limite de valor ou duração, desde que haja uma investigação formal e a realização de consultas públicas.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.013 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 16 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (2), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No concurso do último sábado (30), nenhuma aposta acertou as seis dezenas. O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Ferrari SF90 Stradale Assetto Fiorano divulgação/Ferrari Um empresário de Santa Catarina trocou uma Ferrari SF90 Stradale, na versão Assetto Fiorano, avaliada em R$ 4 milhões, por um relógio de luxo falsificado e três cheques sem fundo — sim, sofreu um golpe. O carro não chama atenção apenas pelo valor, mas também por marcar o início de uma nova fase da Ferrari rumo à eletrificação: ele foi o primeiro modelo da marca com sistema híbrido plug-in, que aumenta ainda mais o desempenho do já potente motor V8 biturbo.. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Ferrari SF90 tem outros atributos que chamam atenção. O nome é o mesmo do carro de Fórmula 1 pilotado por Charles Leclerc e Sebastian Vettel na temporada de 2019 — o número 90 faz referência aos 90 anos da Scuderia Ferrari, divisão da marca dedicada às competições. Foi nesse mesmo ano que a SF90 Stradale foi lançada, e ela segue em produção até hoje, com versões com e sem teto. Esse detalhe pode alterar o nome do modelo, que recebe o sufixo “Spider” quando é conversível — o que não é o caso do carro do empresário. Até o sistema eletrificado da SF90 tem origem na Fórmula 1, que utiliza motores híbridos desde 2014. A influência das pistas aparece, por exemplo, na recuperação de energia feita pelo motor MGU-K, feita com nível de eficiência semelhante. No carro "mundano", o sistema elétrico conta com três motores distribuídos pela carroceria. Dois ficam no eixo dianteiro, enquanto o terceiro está na traseira, posicionado entre o motor e a caixa de câmbio. No entanto, o carro do empresário tem um diferencial: trata-se da versão Assetto Fiorano, que traz algumas mudanças. A principal é que os ajustes e detalhes são mais voltados para o uso em pista do que no dia a dia. Ferrari SF90 Stradale Além disso, o modelo deixa de ser produzido em linha e passa a ser feito sob encomenda. É único. O nível de personalização do carro é maior e já inclui: Amortecedores inspirados e ajustados para competições de Gran Turismo; Uso ampliado de materiais como fibra de carbono e titânio, que ajudam a reduzir o peso do carro; Spoiler traseiro em fibra de carbono; Pneus homologados para uso em vias públicas, mas que ainda oferecem melhor desempenho na pista; Pintura especial em dois tons. Ferrari SF90 tem um dos IPVA mais caros do Brasil Ferrari SF90 Stradale Divulgação/Ferrari O preço da Ferrari SF90 Stradale já chama atenção por si só, mas há outro custo igualmente alto: o IPVA. Na lista dos IPVA mais caros do Brasil, são duas outras SF90, ambas na versão conversível Spider. Os modelos estão nos estados do Rio de Janeiro e no Paraná. As diferenças na ficha técnica entre as variantes conversível e de teto convencional são mínimas: a velocidade máxima é limitada a 250 km/h, mas o imposto continua na casa das centenas de milhares de reais. Ambas as Ferraris da lista estão avaliadas em mais de R$ 7 milhões, com IPVA próximo dos R$ 300 mil.

Portugal: paralisação contra mudanças na legislação trabalhista afeta voos com o Brasil Uma greve geral marcada para quarta-feira (3) em Portugal afetará passageiros que viajam entre o Brasil e o país europeu, com reflexos previstos nas operações aéreas já a partir desta terça-feira (2). ➡️ A paralisação ocorre em protesto contra um pacote de reformas trabalhistas anunciado pelo governo português (leia mais abaixo). Vários setores, entre eles o da aviação, anunciaram adesão à greve. A administração do Aeroporto de Lisboa — principal porta de entrada dos brasileiros em Portugal — orientou os passageiros a verificarem a situação de seus voos antes de seguirem para o terminal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Devido à greve geral de 3 de junho, verifique junto da companhia aérea o estado do seu voo antes de se dirigir ao aeroporto", informou o terminal em comunicado. Veja, abaixo, voos entre Brasil e Portugal mantidos e os afetados: Voos da TAP entre Brasil e Portugal Mulher passa por mensagem em grande de rua de Lisboa convocando greve, Portugal. PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP A TAP Air Portugal vai operar em serviços mínimos e informou que operará apenas 79 voos em toda a sua malha durante a paralisação. As demais operações previstas para 3 de junho serão suspensas. Nas rotas com origem ou destino no Brasil, a companhia manterá apenas 16 voos entre os dias 2 e 3 de junho. Veja os voos previstos: ✈️ Entre São Paulo e Portugal, seguem programados os voos TP82 e TP88, na rota Guarulhos-Lisboa, nos dois dias. Também estão mantidos o TP89, de Lisboa para Guarulhos, em 3 de junho, e o TP94, que liga São Paulo ao Porto, em 2 de junho. ✈️ No Rio de Janeiro, permanecem previstos os voos TP72 e TP74, entre Galeão e Lisboa, nos dias 2 e 3, além do TP73, de Lisboa para o Galeão, no dia 3. ✈️ Também foram mantidos os voos TP12 (Recife-Lisboa), TP48 (Belém-Lisboa), TP58 (Brasília-Lisboa), TP104 (Belo Horizonte-Lisboa) e TP118 (Porto Alegre-Lisboa). Segundo a companhia, qualquer voo que não esteja incluído na lista de serviços mínimos deve ser considerado suspenso. Azul confirma cancelamentos Já a Azul anunciou o cancelamento de quatro voos entre Brasil e Portugal em razão da paralisação. ✈️ Foram suspensos os voos AD8750 e AD8900, que partiriam de Viracopos, em Campinas, para Lisboa no dia 2 de junho. ✈️ No sentido contrário, os voos AD8751 e AD8901, previstos para 3 de junho, também foram cancelados. De acordo com a empresa, os passageiros afetados estão sendo comunicados individualmente. "A Azul lamenta a situação, totalmente alheia à sua vontade, e reforça que trabalha para minimizar possíveis impactos", afirmou a companhia em nota. Latam também terá operação afetada Por conta da paralisação, a Latam também informou o cancelamento de quatro voos entre Brasil e Portugal. ✈️ São os voos LA8146 e LA8148, que partiriam do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Lisboa em 2 de junho. ✈️ E, de Lisboa para Guarulhos, os voos LA8147 e LA8149, em 3 de junho. Segundo a empresa, os passageiros impactados poderão optar pelas seguintes alternativas: Alterar a data da viagem, mantendo a mesma origem e o mesmo destino, sem multa ou diferença tarifária. Alterar o destino da viagem, sem multa, podendo haver cobrança de diferença tarifária. Solicitar o reembolso integral dos trechos não utilizados, caso não deseje a alteração do voo. Os passageiros devem escolher a opção no site ou aplicativo da Latam. A companhia orienta ainda que os passageiros verifiquem o status dos voos na seção "Minhas Viagens", no aplicativo ou no site da companhia. O que motivou a greve? Avião da companhia aérea TAP em Brasília Inframerica/Divulgação Convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a greve que ocorrerá na quarta em Portugal é um protesto contra uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo governo português em meados de maio. A proposta foi enviada ao Parlamento português, que ainda tem de aprová-la. 👉 Os sindicatos que lideram a paralisação afirmam que as mudanças propostas tornam as relações de trabalho mais precárias. A reforma, entre outros pontos: Amplia possibilidades de contratação temporária; Altera regras sobre jornada e vínculos empregatícios; Permite que empresas aumentem jornadas de trabalho para até 50 horas semanais; Prevê licença-parental de 180 dias, a ser dividida entre pai e mãe, ou os dois responsáveis. O governo português, de centro-direita, defende que a proposta busca aumentar a competitividade das empresas e adaptar o mercado de trabalho às novas demandas da economia. Além da aviação, a paralisação deverá afetar outros serviços de transporte em Portugal, como o metrô de Lisboa, a rede de trens local — chamada Comboios de Portugal (CP) — e parte da operação da Carris, responsável pelo transporte urbano da capital. Escolas e hospitais também devem fechar parcialmente.

Initial plugin text Convidada para a estreia do POD_i, Leila Pereira, presidente do Palmeiras, disse que, no futuro, pensa em ser dona de um clube. O mandato dela no Palmeiras termina em dezembro de 2027. "Acredito em clubes empresas. Pode ser que no futuro eu seja dona de um clube." "Olha que espetáculo, você não precisar pedir voto... Eu não tenho mais essa paciência." "As coisas surgem na vida da gente. (...) Você acha que eu, 15 anos atrás, imaginei que em 2015 eu seria patrocinadora do Palmeiras e conselheira... Não. A vida apresenta as oportunidades para você. Costumo dizer que a vida é um grande meia. A vida passa a bola para você, e você tem que chutar forte. Eu chuto forte e não perco gol. Eu sou uma boa centroavante." Leila Pereira diz que o marido é feminista: 'Sempre me deu muita força' 'Não nasci para ser mãe', diz Leila Pereira na estreia do POD_i O POD_i é primeiro programa da GloboNews no YouTube, apresentado por Andréia Sadi e que vai ao ar toda segunda-feira, às 20h. INSCREVA-SE NO CANAL e não perca! Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e Andréia Sadi na estréia do POD_i GloboNews Leila Pereira, presidente do Palmeiras, dá entrevista a Andréia Sadi no POD_i, que vai ao ar toda segunda-feira, no canal da GloboNews no YouTube GloboNews

Banco Master Reprodução/TV Globo O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para analisar o acordo firmado entre o governo do Distrito Federal e a União para destravar o empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar o balanço patrimonial do Banco de Brasília (BRB), abalado por operações irregulares com o Banco Master. A abertura da apuração foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo g1. O ministro Jhonatan de Jesus foi designado como relator do processo nesta segunda-feira (1º). O acordo foi firmado na última quinta-feira (28) após duas reuniões mediadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux. ➡ As negociações ocorreram após o DF receber nota baixa na Capacidade de Pagamento (Capag), classificação fiscal usada pela União para autorizar operações de crédito com garantia federal (veja detalhes abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp GDF e União fecham acordo no STF para viabilizar socorro bilionário ao BRB O que prevê o acordo? Segundo termo de acordo obtido pela TV Globo, o STF deve autorizar o DF a contratar uma operação de crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de até 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal. De acordo com o advogado-geral da União substituto, Flávio Roman, não haverá transferência de recursos federais nem garantia da União. A medida cria apenas condições para que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) faça uma operação de capitalização do BRB dentro dos limites previstos pela resolução do Senado Federal. "Dá em torno de R$ 6,5 bilhões para a capitalização e isso vai depender de outros aportes do Distrito Federal”, explicou. O BRB informou, em nota, que o acordo prevê uma operação com apoio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com participação de instituições financeiras e uso de recursos do próprio sistema bancário, respeitando os limites de endividamento do DF. O modelo inclui a possibilidade de bancos atuarem como garantidores, com contragarantias vinculadas aos repasses dos fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Fundo de Participação dos Estados (FPE), e ainda depende de análise técnica. Bancos privados darão garantia Presidente do BRB, Nelson Souza, advogado-geral da União, Flávio Roman, e governadora do DF, Celina Leão; GDF e União fecham acordo para viabilizar socorro bilionário ao BRB TV Globo Pelo acordo, o empréstimo ao GDF será feito pelo FGC e terá garantia de um sindicato de bancos. Como contragarantia, o Distrito Federal oferecerá recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O texto também prevê dispensa de limites e exigências fiscais normalmente aplicáveis a esse tipo de operação de crédito. Segundo Roman, os recursos usados na operação não são públicos, mas pertencem às instituições financeiras que abastecem o FGC. Entenda O Distrito Federal acionou o STF para tentar suspender os efeitos da nota “C” recebida pelo DF na Capacidade de Pagamento (Capag). ➡️ Como mostrou o g1, essa classificação impede que a União atue como garantidora em novas operações de crédito — prerrogativa restrita a entes com notas A ou B. Em 2025, a nota do DF caiu para C na avaliação. Na prática, a classificação impede que o Distrito Federal avance na operação de crédito para fazer um aporte no BRB. O DF argumenta que a nota foi definida por uma diferença de 0,27 ponto percentual no indicador de “poupança corrente” e sustenta que a metodologia usada pelo Tesouro Nacional desconsidera medidas recentes de ajuste fiscal adotadas pelo DF. Empréstimo de R$ 6,6 bilhões Celina Leão diz que acordo no STF tira BRB de “momento grave” e prevê solução nesta semana O pedido de socorro ao BRB foi formalizado pelo Governo do DF junto ao governo federal em abril. Em ofício enviado ao Ministério da Fazenda, Celina Leão solicitou garantia da União para contratação de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo o governo do DF, o objetivo da operação é reforçar o capital do banco público. A movimentação ocorre em meio à crise enfrentada pela instituição após prejuízos relacionados às operações com o Banco Master e à Operação Compliance Zero. Segundo a ação, o BRB: opera 25 programas sociais do DF; movimenta cerca de R$ 3 bilhões em benefícios; faz o pagamento de aproximadamente 210 mil servidores públicos; atende quase 440 mil beneficiários de programas distritais; já concedeu mais de R$ 32 bilhões em crédito. O texto afirma ainda que o banco guarda “valores bilionários” de correntistas e depósitos judiciais. “A inviabilização de suas atividades resultaria em graves consequências para todo o País”, diz a peça enviada ao Supremo. Capag O Capag se baseia em critérios de endividamento, poupança e liquidez que, juntos, definem a "saúde fiscal" de cada ente. Na prática, os indicadores medem o risco de inadimplência em operações de crédito. ➡️ A União só entra como avalista em empréstimos de Estados e municípios que tenham nota alta (A ou B). ➡️ O DF tinha nota B em 2023 e 2024, mas caiu para C na avaliação feita em 2025 e divulgada no início deste mês. Com isso, o DF perdeu a garantia da União para novas operações de crédito. O que diz o BRB "O BRB informa que foi firmado acordo entre a União e o Distrito Federal, com homologação no Supremo Tribunal Federal, com o objetivo de viabilizar condições para o fortalecimento de capital do Banco, dentro das regras do sistema financeiro e dos limites legais aplicáveis. O acordo não envolve transferência de recursos, garantia ou aval da União. A solução construída permite a realização de uma operação no âmbito do Fundo Garantidor de Créditos, com participação de instituições financeiras, para apoiar a capitalização do BRB. Essa estrutura considera limites de endividamento do Distrito Federal e será conduzida conforme a governança do fundo, com utilização de recursos do próprio sistema bancário. O modelo prevê a organização de um conjunto de bancos que poderão atuar como garantidores da operação, com contragarantias vinculadas ao fluxo dos fundos FPM e FPE do Distrito Federal. A eventual operação ainda dependerá da análise do plano de negócios e das condições técnicas exigidas pelo Fundo Garantidor de Créditos. A instituição destaca o papel do ministro Luiz Fux na condução do processo, ao promover as audiências de conciliação e articular o entendimento entre as partes, permitindo a construção de uma solução consensual para a operação. Por fim, o Banco esclarece que segue operando normalmente, com pleno atendimento a clientes e parceiros, e manterá o mercado informado sobre os desdobramentos das etapas previstas no acordo, em linha com as exigências regulatórias." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Fachada de agência do Banco Itaú Divulgação Após acordo firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o banco Itaú terá que devolver a clientes valores cobrados indevidamente por seguros não contratados. A medida foi divulgada em 29 de maio de 2026 e vale para correntistas de todo o país. Caso descumpra o combinado, a instituição financeira poderá pagar multa de R$ 10 mil por dia e por irregularidade cometida. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Segundo a promotoria, a instituição bancária feriu o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e cometeu uma prática abusiva ao cobrar tarifas sem consentimento entre 13 de junho de 2011 e 18 de dezembro de 2025. Em nota, o Banco Itaú afirmou que o acordo com o MPMG e o Idec trata de casos pontuais de uma ação de 2016, envolvendo clientes que contrataram seguros sem evidência de autorização e tiveram dificuldade para cancelar. O banco informou que os clientes elegíveis serão ressarcidos e destacou que não há reconhecimento de cobranças irregulares intencionais. A instituição orienta que os pedidos sejam feitos pelos canais oficiais. Agora no g1 ➡️ Veja, a partir dos pontos abaixo, como saber se sua conta passou por cobranças indevidas e, caso sim, como pedir ressarcimento: O que foi decidido? Quem pode pedir ressarcimento? Quais são os requisitos para solicitar a devolução? Quais canais de reclamação valem? Ainda posso reclamar se descobri agora? Como os clientes serão avisados? Qual é o prazo para pedir o dinheiro? Como solicitar o ressarcimento? Como será feito o pagamento? E casos após dezembro de 2025? E se houver cobrança depois do cancelamento? O que acontece se o acordo não for cumprido? Agora no g1 📌 O que foi decidido? O acordo encerra uma ação civil pública movida pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) do MPMG e pelo Idec contra o Itaú. O banco terá que ressarcir clientes que foram cobrados por seguros sem consentimento, além de adotar medidas de transparência, prevenção e comunicação sobre o caso. 👤 Quem pode pedir o ressarcimento? Têm direito ao ressarcimento consumidores que: tiveram cobrança de seguro não contratado; continuaram sendo cobrados após pedir cancelamento. 📅 O acordo contempla cobranças indevidas entre 13 de junho de 2011 e 18 de dezembro de 2025. ✅ Quais são os requisitos? Para solicitar a devolução dos valores, é necessário atender aos seguintes critérios, simultaneamente: ter evidências de cobrança de seguro não contratado ou mantido após cancelamento; ter feito reclamação até 18 de dezembro de 2025; não ter sido ressarcido anteriormente. 📣 Quais canais de reclamação valem? O acordo menciona vários canais para o consumidor abrir uma reclamação. São eles: Procons consumidor.gov.br Ministério Público Defensoria Pública Idec (para associados) Reclame Aqui Sistemas como Sindec e Pró-Consumidor Reclamações feitas diretamente ao Itaú ⏳ Ainda posso reclamar se descobri agora? Sim. Quem sofreu cobrança indevida nos últimos cinco anos ainda pode: pedir cancelamento; solicitar ressarcimento; acionar a Justiça, se necessário. 📢 Como os clientes serão avisados? O Itaú terá que fazer uma campanha nacional, incluindo: jornais de grande circulação; site do banco; redes sociais, como Instagram; comunicação aos órgãos de defesa do consumidor. 🗓️ Qual é o prazo para pedir o dinheiro? Os consumidores terão até dois anos para solicitar o ressarcimento, a partir do início da campanha previsto no acordo. 📲 Como pedir o ressarcimento? Manifestações podem ser feitas pelos canais oficiais: e-mail: evidenciascontratacaoseguros@correio.itau.com.br telefone: 3004-8428 app Itaú internet banking agências SAC (0800 728 0728) Ouvidoria (0800 570 0011) 📄 É preciso enviar: documentos que comprovem a cobrança; registro da reclamação anterior; dados bancários para eventual restituição. 💰 Como será feito o pagamento? O consumidor poderá escolher entre: PIX TED depósito crédito no cartão ➡️ Quem não tiver conta ativa no banco poderá receber: via Sistema de Valores a Receber (SVR) ou ordem de pagamento 🔄 E casos após dezembro de 2025? Também têm direito ao cancelamento e ressarcimento. O banco deverá: exigir autorização prévia; informar a contratação por mensagem de texto (SMS), WhatsApp ou e-mail; facilitar o cancelamento; estornar os valores após o cancelamento. ❗E se houver cobrança depois do cancelamento? O Itaú terá até três faturas para fazer o estorno. ⚖️ O que acontece se o acordo não for cumprido? Multa de R$ 10 mil por dia e por descumprimento. O banco também terá que apresentar relatórios periódicos com: número de pedidos recebidos; clientes ressarcidos; valores pagos.

Mulher passa por pixação convocando greve em Lisboa, Portugal. PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP Uma greve geral marcada para esta quarta-feira (3) em Portugal afeta passageiros que viajam entre o Brasil e o país europeu, com reflexos previstos nas operações aéreas já a partir desta terça-feira (2). Diante da paralisação, a administração do Aeroporto de Lisboa — principal porta de entrada dos brasileiros em Portugal — orientou os passageiros a verificarem a situação de seus voos antes de seguirem para o terminal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Devido à greve geral de 3 de junho, verifique junto da companhia aérea o estado do seu voo antes de se dirigir ao aeroporto", informou o terminal em comunicado. Agora no g1 Voos da TAP entre Brasil e Portugal A TAP Air Portugal informou que operará apenas 79 voos em toda a sua malha durante o período de serviços mínimos estabelecido para a greve. As demais operações previstas para 3 de junho serão suspensas. Nas rotas com origem ou destino no Brasil, a companhia manterá 16 voos entre os dias 2 e 3 de junho. ✈️ Entre São Paulo e Portugal, seguem programados os voos TP82 e TP88, na rota Guarulhos-Lisboa, nos dois dias. Também estão mantidos o TP89, de Lisboa para Guarulhos, em 3 de junho, e o TP94, que liga São Paulo ao Porto, em 2 de junho. ✈️ No Rio de Janeiro, permanecem previstos os voos TP72 e TP74, entre Galeão e Lisboa, nos dias 2 e 3, além do TP73, de Lisboa para o Galeão, no dia 3. ✈️ Também foram mantidos os voos TP12 (Recife-Lisboa), TP48 (Belém-Lisboa), TP58 (Brasília-Lisboa), TP104 (Belo Horizonte-Lisboa) e TP118 (Porto Alegre-Lisboa). Segundo a companhia, qualquer voo que não esteja incluído na lista de serviços mínimos deve ser considerado suspenso. Azul confirma cancelamentos Já a Azul anunciou o cancelamento de quatro voos entre Brasil e Portugal em razão da paralisação. ✈️ Foram suspensos os voos AD8750 e AD8900, que partiriam de Viracopos, em Campinas, para Lisboa no dia 2 de junho. ✈️ No sentido contrário, os voos AD8751 e AD8901, previstos para 3 de junho, também foram cancelados. De acordo com a empresa, os passageiros afetados estão sendo comunicados individualmente. "A Azul lamenta a situação, totalmente alheia à sua vontade, e reforça que trabalha para minimizar possíveis impactos", afirmou a companhia em nota. Latam também terá operação afetada Por conta da paralisação, a Latam também informou o cancelamento de quatro voos entre Brasil e Portugal. ✈️ São os voos LA8146 e LA8148, que partiriam do Aeroporto Internacional de Guarulhos com destino a Lisboa em 2 de junho. ✈️ E, de Lisboa para Guarulhos, os voos LA8147 e LA8149, em 3 de junho. Segundo a empresa, os passageiros impactados poderão optar pelas alternativas disponíveis abaixo no site ou aplicativo: Alterar a data da viagem, mantendo a mesma origem e o mesmo destino, sem multa ou diferença tarifária. Alterar o destino da viagem, sem multa, podendo haver cobrança de diferença tarifária. Solicitar o reembolso integral dos trechos não utilizados, caso não deseje a alteração do voo. A Latam orienta ainda que os passageiros verifiquem o status dos voos na seção "Minhas Viagens", no aplicativo ou no site da companhia. Avião da companhia aérea TAP em Brasília Inframerica/Divulgação O que motivou a greve? Convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a greve é um protesto contra uma proposta de reforma trabalhista aprovada pelo Conselho de Ministros e enviada ao Parlamento português em maio. Os sindicatos afirmam que as mudanças podem tornar as relações de trabalho mais precárias, ao ampliar possibilidades de contratação temporária e alterar regras sobre jornada e vínculos empregatícios. Já o governo português defende que a proposta busca aumentar a competitividade das empresas e adaptar o mercado de trabalho às novas demandas da economia. Além da aviação, a paralisação deverá afetar outros serviços de transporte em Portugal, como o Metro de Lisboa, os Comboios de Portugal (CP) e parte da operação da Carris, responsável pelo transporte urbano da capital.

Imposto de Renda 2026: saiba o que fazer se você perdeu o prazo para enviar a declaração A Receita Federal informou nesta segunda-feira (1º) que recebeu 44.393.571 declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026. O número representa um aumento de 2,4% em relação a 2025. O prazo para envio das declarações terminou na última sexta-feira (29). A declaração pré-preenchida foi a modalidade mais utilizada pelos contribuintes neste ano. O modelo, que reúne automaticamente informações já disponíveis nos sistemas da Receita Federal e exige apenas a conferência dos dados pelo contribuinte, foi adotado em 59,8% das declarações entregues. Restituições em 4 lotes O calendário de restituições do IRPF 2026 foi reduzido de cinco para quatro lotes. Com isso, segundo a Receita, os pagamentos devem ser concluídos em um prazo menor do que nos anos anteriores. A expectativa da Receita Federal é que, com o segundo lote, previsto para 30 de junho, cerca de 80% dos contribuintes com direito à restituição já tenham recebido os valores. Os pagamentos remanescentes serão realizados nos lotes de 31 de julho e 31 de agosto. O que ocorre a partir de agora para quem não declarou? Quem é obrigado a declarar, mas não enviou o documento em tempo, agora está em dívida com o Fisco. Nesses casos, segundo a Receita Federal, o contribuinte fica sujeito ao pagamento de uma multa por atraso, calculada da seguinte forma: Multa de 1% ao mês ou fração de atraso, calculado sobre o valor do imposto devido na declaração, ainda que integralmente pago, até um teto de 20%; Multa mínima de R$ 165,74 (apenas para quem estava "obrigado a declarar", mesmo sem imposto a pagar). A multa começa a contar no primeiro dia seguinte à data limite de entrega e termina sua contagem na data do envio da declaração ou, se não for entregue, na data do lançamento de ofício pela Receita. De acordo com o Fisco, a recomendação é que o contribuinte regularize sua situação o quanto antes. A declaração em atraso poderá ser entregue somente a partir das 9h de segunda (1º). Veja abaixo o que fazer caso você tenha perdido o prazo de entrega: Como regularizar a situação? O formato para entrega da declaração fora do prazo é o mesmo: o contribuinte deve reunir os mesmos documentos e comprovantes e pode enviar as informações pelos canais disponibilizados pela Receita Federal. Imposto de renda: prazo começa dia 23 de março de 2026. Joédson Alves/Agência Brasil A diferença está na cobrança de multa. Ao transmitir a declaração em atraso, o contribuinte recebe automaticamente uma Notificação de Lançamento de Multa, acompanhada do boleto para pagamento e das orientações necessárias para a quitação do débito. Como pagar a multa? A multa pela entrega da declaração em atraso é inegociável e seu pagamento deve ser feito por meio da emissão do Documento de Arrecadação das Receitas Federais (Darf). A Receita normalmente dá um prazo de até 20 dias para o pagamento da multa. Caso os débitos não sejam quitados dentro desse período, é possível a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa básica de juros brasileira, a Selic. Caso o contribuinte tenha restituição a receber, a multa também poderá ser descontada desse valor, acrescido de juros. O que acontece se eu não pagar a multa? Os valores devidos à Receita Federal — incluindo multas, juros e impostos — podem ser considerados como dívidas e pendências fiscais. Isso significa que o contribuinte pode ter a inclusão do débito no Cadastro Informativo de Créditos não quitados do Setor Público Federal (Cadin) e na Dívida Ativa da União. Isso pode trazer, também, uma série de restrições ao CPF, tais como: o impedimento de emissão ou renovação de passaporte e carteira de trabalho; a impossibilidade de realizar matrícula em instituições de ensino, bem como vedação da participação de concursos públicos; o score de crédito pode ser impactado negativamente, dificultando ou mesmo impedindo a contratação de produtos e serviços financeiros; protesto em cartório e negativação do nome do contribuinte, além de pagamento de custas ao cartório para regularização; o impedimento da emissão de Certidão Negativa de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (CND), requerida, por exemplo, para financiamento imobiliário, entre outros. O contribuinte pode consultar sua situação na aba "Situação Fiscal" — documento que atesta a regularidade do contribuinte perante a Receita e que está disponível no e-CAC.

Sites de apostas não são um bom termômetro da disputa eleitoral, alertam especialistas Reprodução via BBC Em abril, o governo brasileiro bloqueou ao menos 27 sites do chamado mercado de previsão, como Kalshi e Polymarket — plataformas onde se compram e vendem contratos apostando se um evento vai ou não acontecer, de eleições a jogos esportivos. No jargão do mercado financeiro, são chamados de derivativos. Mesmo proibidas, essas plataformas continuam a ser tratadas nas redes sociais brasileiras como termômetro político e uma espécie de "alternativa" às pesquisas eleitorais tradicionais — embora especialistas ressaltem que não são uma boa forma de estimar intenções de voto nem de traçar um cenário da disputa ou prever seu resultado, apesar do nome dado a esse mercado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O discurso é puxado, em grande parte, por uma rede de políticos e influenciadores de direita que apresenta os números das apostas como contraponto aos institutos de pesquisa, sugerindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) lideraria a corrida presidencial, conforme uma análise de publicações feitas pela BBC News Brasil na rede social X. A análise identificou um aumento no número de menções ao Polymarket e Kalshi em português em 2026, com alguns dos posts mais populares feitos depois da proibição. Agora no g1 A reportagem fez buscas em que os nomes das plataformas apareciam ligados a candidatos à Presidência da República e à eleição de 2026. No topo da lista das medidas de engajamento nas redes, como curtidas, comentários e compartilhamentos, predominam contas ligadas ao bolsonarismo e à direita. A publicação mais engajada do recorte é do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) é um post de 6 de maio de 2026. Em referência à decisão do governo brasileiro de bloquear as plataformas, o deputado escreveu: "Lula proibiu o Polymarket no Brasil, mas não quer só te impedir de ver que Flávio Bolsonaro lidera a corrida presidencial", junto de um vídeo. O post recebeu 16,7 mil curtidas e 5,6 mil compartilhamentos. Na mesma linha, o empresário Paulo Figueiredo, apoiador da família Bolsonaro, publicou em sua conta no X três dias depois, em 9 de maio, a seguinte mensagem: "Por que o Dario Durigan (atual ministro da Fazenda) e Lula proibiram a plataforma de tecnologia preditiva Polymarket? Porque eles têm um histórico de acerto eleitoral de 90% em mercados de alta liquidez e Flávio já abriu quase 5 pontos de vantagem. Censura." O texto teve 11,6 mil curtidas e 3 mil compartilhamentos. O cenário descrito por eles, no entanto, mudou no fim de maio, quando postagens no X que destacavam a "virada" de Lula na plataforma Polymarket passaram a ter mais engajamento na rede social. Essas novas publicações associam a queda de Flávio nas apostas do site à revelação de áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro com pedidos de financiamento para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. Contratos ligados à eleição presidencial brasileira de 2026 no Polymarket somavam cerca de US$ 86,8 milhões (cerca de R$ 435 milhões) em volume negociado na última semana de maio — com Lula (US$ 5,79 milhões), Flávio Bolsonaro (US$ 5,98 milhões) e Renan Santos (US$ 5,80 milhões) à frente em movimentação financeira. Lula aparecia na plataforma com cerca de 44% de chances de vitória. Por sua vez, Flávio Bolsonaro tinha perto de 28%. Renan Santos, em terceiro, tinha 13%. Como o acesso ao site está bloqueado no Brasil, uma forma de entrar nas plataformas é por meio de VPN, um serviço de rede privada virtual que mascara o endereço IP do usuário e criptografa sua conexão, permitindo acessar conteúdos em uma dada localização. O que são os sites de 'apostas sobre tudo' que irritaram bets no Brasil A Polymarket é uma das maiores plataformas de chamado mercado de previsões AFP via Getty Images/BBC 'Pesquisa e mercado de apostas respondem perguntas diferentes' Para especialistas ouvidos pela reportagem, o mercado de apostas e as pesquisas eleitorais não medem a mesma coisa. Raphael Nishimura, estatístico da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, explica a distinção. "A pesquisa eleitoral está tentando estimar qual vai ser a intenção de voto de cada candidato. Já essas plataformas de apostas estão literalmente respondendo qual é a probabilidade de um candidato vencer a eleição. São perguntas diferentes que vão dar resultados diferentes." Ou seja, um candidato aparecer com 40% ou 50% no Polymarket não significa que ele terá aquela proporção de intenção de votos. Significa que o mercado está calculando a probabilidade de vitória com base no quanto os usuários desse tipo de plataforma estão dispostos a pagar para apostar naquele desfecho. O estatístico observa que o mercado de previsão, na prática, se alimenta das sondagens eleitorais. "Assim que sai uma pesquisa, principalmente dependendo do resultado, tem uma mudança nas probabilidades. Os apostadores estão absorvendo as informações da pesquisa e atualizando aquilo que eles acreditam ser de quem vai ser o vencedor", explica. Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que pesquisas e sites de apostas operam em ritmos diferentes: as pesquisas exigem coleta de campo em amostra representativa e levam dias entre apuração e divulgação, enquanto os contratos se movem em tempo real, reagindo a fatos novos. "Quem usa esses mercados está apostando, colocando o próprio dinheiro lá. Não é simplesmente uma opinião desinteressada", diz Cordenonssi. "Eles estão apostando naquilo que é mais provável, porque o objetivo é ganhar dinheiro, não é ganhar politicamente, manipular o eleitorado." Quem aposta — e quem ganha A reação rápida do mercado a novos fatos que ainda não foram captados por pesquisas é, para Nishimura, o que essas plataformas têm de diferente. Mas ele alerta que essa mesma característica abre uma janela para riscos. Segundo uma análise da Bloomberg News, entre o início de 2025 e o fim de abril deste ano, o número de contas da Polymarket que perderam dinheiro após apostar mais de US$ 1 mil (cerca de R$ 5,6 mil) foi quase o dobro do total de contas que tiveram lucro. Outro levantamento, publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal, mostrou que 67% dos ganhos da Polymarket estão concentrados em apenas 0,1% das contas. De acordo com o jornal, quase US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) foram parar nas mãos de menos de 2 mil usuários. A análise também indicou que quem costuma se sair melhor nessas plataformas são empresas com equipes especializadas, capazes de pagar por recursos que ajudam a embasar suas apostas, como ter acesso a dados em tempo real e usar servidores e robôs de inteligência artificial para analisar um grande volume de informações. Os dados sugerem que o que se vende como "termômetro coletivo" pode, na prática, refletir mais o comportamento de poucos operadores sofisticados do que uma intuição pública coletiva. Há ainda o risco do uso de informação privilegiada — situação em que apostadores com acesso antecipado a um fato que ainda não veio a público fazem movimentações de vulto que alteram o cálculo das probabilidades informadas por uma plataforma. Em janeiro deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou Gannon Ken Van Dyke, militar das forças especiais americanas, por suposto uso de informação privilegiada. Van Dyke teria ganho mais de US$ 409 mil (cerca de R$ 2 milhões) apostando no Polymarket sobre a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, antes de a operação se tornar pública. Ele se declarou inocente. Como militar dos EUA envolvido na captura de Maduro tentou esconder R$ 2 milhões que lucrou em aposta Por que Casa Branca orientou funcionários a não fazerem apostas em mercados de previsões como Kalshi e Polymarket Sargento é preso nos EUA após lucrar R$ 2 milhões em plano contra Maduro Para Nishimura, o caso ilustra o problema. "Aquela pessoa que sabia [da captura de Maduro] era usuário dessa plataforma, acabava fazendo apostas de valores muito grandes, que acabaram puxando a probabilidade de aquele evento ocorrer, porque tinha ali uma informação interna." Funcionário do Google é acusado de usar dados internos para lucrar US$ 1 milhão em site de apostas Outro risco apontado pelo estatístico é a manipulação direta. "Por serem cálculos de probabilidade feitos com base em volumes de apostas, de fato existe ali uma janela em que, se uma pessoa ou grupo de pessoas com muito dinheiro quiserem, de alguma forma, manipular aqueles números." Isso não acontece nas pesquisas eleitorais, ressalta o estatístico. "Os institutos têm seus métodos para averiguar as questões de voto da população para estimar aquilo que é o mais próximo possível. Não vai haver um grupo de pessoas que vai conseguir manipular o resultado das pesquisas. Institutos não têm interesse em vender um resultado distorcido, porque isso fere a própria reputação deles." Nishimura também faz um contraponto sobre o que se espera de uma pesquisa. "Pesquisa não serve como prognóstico. O papel dela é retratar um momento do eleitorado, que pode continuar ou não. Pode haver mudanças." Como exemplo, cita as eleições estaduais de 2018, quando pesquisas divulgadas na véspera apontavam Romeu Zema (Novo) em terceiro lugar na disputa pelo governo de Minas Gerais, e Wilson Witzel (então no PSC, hoje DC), no Rio de Janeiro, fora da liderança. Ambos acabaram à frente no primeiro turno após uma arrancada associada à onda bolsonarista na reta final. O estatístico aponta uma alternativa a quem busca a probabilidade de vitória de cada candidato — sem precisar recorrer a plataformas de aposta. "Existem agregadores que calculam probabilidades com base em pesquisas eleitorais apenas. Não só agrega e tira a média das pesquisas de intenção de voto, mas também tem um modelo por trás para calcular qual a probabilidade do Lula vencer a eleição, ou do Flávio vencer, ou de ter um segundo turno." (Para a eleição de 2026, o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, feito em parceria com a consultoria PollingData, compila resultados de pesquisas eleitorais e calcula a estimativa de intenção de voto para os pré-candidatos à Presidência.) Por que as plataformas foram proibidas no Brasil O bloqueio feito pelo governo federal partiu de uma resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), orgão que regula o sistema financeiro brasileiro. Na ocasião, o ministro Dario Durigan afirmou que o setor "sofreu um espaço de anarquia" entre 2018 e 2022 e que esse tipo de aposta não pode ser tratado como derivativo regular no Brasil. "A gente não vai ter aqui previsão de chuva, morte de uma determinada celebridade, como possibilidade de ser encarado como derivativo regular no Brasil", disse Durigan. Hoje, é permitido no país o mercado de apostas em eventos esportivos reais, conhecidas como bets, e jogos online com regras definidas. A pressão pelo bloqueio veio também do próprio mercado regulado, segundo noticiou a imprensa brasileira. A Folha de S. Paulo afirmou que as bets brasileiras — que pagaram outorgas de R$ 30 milhões cada para operar legalmente no país — solicitaram ao governo, em reuniões com o Ministério da Fazenda, que plataformas como a Kalshi fossem bloqueadas. O argumento das bets é que essas empresas não poderiam operar no Brasil por não terem sede no país nem terem pago por outorgas. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a fundadora da Kalshi disse que a empresa está em expansão e que estuda a possibilidade de abrir um escritório no Brasil. Para Cordenonssi, do Mackenzie, o problema central é regulatório. "Eles driblam toda a regulamentação do mercado financeiro", diz o professor sobre as plataformas do mercado de previsão. "Acharam melhor proibir esse tipo de aposta, deixando para o mercado financeiro organizar esse tipo de atividade aqui no Brasil."

Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP O procurador-geral da Flórida, nos Estados Unidos, processou nesta segunda-feira (1º) a OpenAI e seu CEO, Sam Altman. Eles são acusados de colocarem usuários mais jovens em risco ao torná-los dependentes e promoverem comportamentos nocivos pelo ChatGPT. O procurador James Uthmeier acusou a OpenAI de não implementar regras para verificar a idade dos usuários. "Apresentamos uma ação civil monumental contra Sam Altman e o ChatGPT por colocarem nossas crianças em perigo e enganarem os pais, fazendo-os acreditar que se trata de um aplicativo seguro para uso. Claramente não é", declarou Uthmeier, em uma coletiva de imprensa. "Sabemos que o ChatGPT pode ser viciante. Ele imita a empatia e características humanas para enganar os usuários e fazê-los fornecer mais informações", acrescentou Uthmeier. Agora no g1 A OpenAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da AFP. Na ação judicial, analisada pela AFP, Uthmeier apontou para perda de sono, pior desempenho escolar e redução das interações sociais entre adolescentes que utilizam chatbots da Character.AI, concorrente da OpenAI, segundo um estudo recente da Universidade Drexel, nos EUA. A ação afirma que, "apesar do conhecimento público sobre o uso do ChatGPT por menores de idade, incluindo pré-adolescentes, os réus não tomaram medidas para impedir sua utilização". O processo aponta ainda que "a versão gratuita do ChatGPT não possui qualquer mecanismo de controle ou verificação de idade". E que, embora a versão paga solicite nominalmente a idade dos usuários, "não existem mecanismos de verificação nem qualquer possibilidade de informar os pais sobre as conversas mantidas por menores com o ChatGPT". Em janeiro, a OpenAI introduziu um sistema que estima a idade dos usuários. Caso identifique um menor de idade, aplica medidas adicionais de proteção. O uso do ChatGPT é proibido para crianças menores de 13 anos e exige consentimento dos pais para usuários entre 13 e 17 anos. Uthmeier também citou um relatório do Centro para Combater o Ódio Digital (CCDH, na sigla em inglês), que manteve diversas conversas com o ChatGPT se passando por um adolescente. Segundo o relatório, o chatbot forneceu conselhos sobre como esconder hábitos alimentares e sobre como planejar um suicídio ou praticar automutilação. "Acreditamos que a OpenAI, seu ChatGPT e Sam Altman, pessoalmente, são responsáveis por um valor que pode potencialmente chegar a bilhões de dólares."

Drone usado pelo iFood em entregas Divulgação/iFood O iFood anunciou nesta segunda-feira (1º) que começou a usar drones em parte dos trajetos de entregas no estado de São Paulo. Nesta primeira etapa, a operação está restrita ao trecho entre restaurantes do shopping Iguatemi Alphaville e condomínios residenciais em Barueri. Ela funcionará diariamente, das 10h30 às 22h30. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Após o pedido ser feito no aplicativo, um mensageiro ou um robô usado pelo iFood fazem a coleta no restaurante e colocam a embalagem no drone. O equipamento faz um trajeto de 3,6 km em cerca de cinco minutos e, então, pousa em local dedicado no condomínio. Por fim, um entregador parceiro faz a última etapa até a porta do cliente. Agora no g1 A empresa afirmou que os drones devem ajudar a diminuir as taxas de rejeição por entregadores na região. Quase 50% dos pedidos na região são recusados por conta da dificuldade de acesso e do tempo de espera nas portarias, segundo a companhia. Esta é a segunda rota de entregas com drones anunciada pelo iFood. Em 2021, a empresa começou o uso comercial de equipamentos em Sergipe, no trajeto entre Aracaju e Barra dos Coqueiros. Mais de 5 mil pedidos já foram realizados no Sergipe, substituindo um trajeto terrestre de 36 km por um voo de menos de 4 km, segundo a empresa. O iFood afirma que sua operação por drones tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Reforma trabalhista de Milei é votada no Senado sob greve e protestos nas ruas REUTERS/Agustin Argentina e Panamá se juntaram ao Equador entre os "10 piores países do mundo" para os direitos dos trabalhadores, segundo um estudo da Confederação Sindical Internacional (CSI) divulgado nesta segunda-feira (1º, data local). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esses três países latino-americanos integram o grupo ao lado de Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia, de acordo com o mais recente relatório Índice Global dos Direitos. "A Argentina entra este ano na lista dos 10 piores países para os trabalhadores após cair para a categoria 5, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração de sua classificação", apontou a CSI. "As condições para os trabalhadores e os sindicatos tornaram-se cada vez mais repressivas e hostis sob o governo de extrema direita do presidente Javier Milei", sustenta o estudo. Agora no g1 O relatório lembrou que "a Argentina instituiu um protocolo antibloqueio para manter 'a ordem pública em caso de bloqueios de estradas', pelo qual se autoriza o uso indiscriminado da força policial". "A classificação da Argentina piorou pelo segundo ano consecutivo, situando-se na categoria 5, o pior nível já alcançado por esse país sul-americano no Índice. Isso representa uma queda brusca e sem precedentes da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos", afirma o estudo. O grupo 5 corresponde ao dos países com "direitos não garantidos". Esse retrocesso se deve à "existência de violações regulares dos direitos para uma situação em que os trabalhadores não têm seus direitos garantidos". No caso do Panamá, a CSI afirmou que "trabalhadores e sindicatos desse país centro-americano carecem de garantias quanto a seus direitos básicos e enfrentam uma opressão constante por parte dos empregadores e do Estado". Sobre o Equador, o relatório apontou que "os legisladores equatorianos promulgaram em 2025 uma lei que permite realizar vigilância sem ordem judicial, bem como interceptar comunicações e coletar dados privados". Os países do grupo 5 "são os piores países do mundo para trabalhar. Embora a legislação possa enumerar certos direitos, os trabalhadores efetivamente não têm acesso a eles", indica o estudo. Uruguai, uma "exceção" Brasil, Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago estão no grupo 4, referente aos países com "violações sistemáticas de direitos". Bahamas, Bolívia, Chile, Jamaica, México e Paraguai aparecem no grupo 3, com "violações regulares" de direitos. No grupo 2 ("violações repetidas") figuram Espanha, Portugal e República Dominicana. O único país latino-americano no grupo 1 ("violações esporádicas") é o Uruguai, ao lado de Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia. O estudo destaca que o Uruguai constitui "uma exceção em uma região amplamente caracterizada pela repressão sindical e pela exploração". De forma geral, a América Latina "continua sendo a região mais letal para os trabalhadores e seus representantes, com execuções extrajudiciais registradas na Colômbia e no México". "Em cerca de 9 em cada 10 países foi violado o direito de greve e impedido o registro de sindicatos. Em aproximadamente metade dos 25 países da região, trabalhadores foram detidos ou encarcerados", assinala a CSI. Luc Triangle, secretário-geral da CSI, afirmou que "o Índice 2026 revela que a crise dos direitos dos trabalhadores já não se limita a alguns poucos países: ela agora está no centro das democracias". "Os governos já não protegem os trabalhadores e, em alguns casos, contribuem para enfraquecer seus direitos", acrescentou. Esse relatório, elaborado pela CSI desde 2014, classifica 151 países com base em 97 indicadores fundamentados em convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e em sua jurisprudência.
Claude Logotipo Reprodução A empresa norte-americana de inteligência artificial Anthropic, criadora do chatbot Claude, informou nesta segunda-feira (1º) que protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. A companhia não divulgou o tamanho nem os termos da oferta. No fim de maio, a Anthropic levantou US$ 65 bilhões em uma rodada de investimento, atingindo uma avaliação de mercado de US$ 965 bilhões — valor que a colocou à frente da rival OpenAI. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Essa avaliação mais do que dobrou em relação aos US$ 380 bilhões registrados em fevereiro, quando a empresa captou US$ 30 bilhões em outra rodada de financiamento. A rápida valorização da empresa no início de 2026 abalou os mercados e levou à venda de ações de companhias de software e tecnologia da informação. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 Investidores demonstram preocupação de que ferramentas de IA cada vez mais autônomas possam pressionar modelos de negócios tradicionais e acelerar mudanças em diversos setores. A OpenAI também se prepara para um pedido confidencial de IPO nos EUA nas próximas semanas, segundo uma fonte ouvida pela Reuters no fim de maio. Com uma sequência de grandes empresas se aproximando do mercado de capitais, companhias como a SpaceX e outras gigantes de tecnologia disputam um volume limitado de recursos de investidores. A eventual listagem da Anthropic deve se tornar uma das mais relevantes dos últimos anos, com potencial para influenciar índices de referência, fluxos de investimento e o cenário das bolsas norte-americanas. Com valuation próximo de US$ 1 trilhão, a empresa poderia passar a integrar o grupo mais alto de companhias listadas nos EUA, ao lado de nomes que dominam o mercado acionário global.
Reformas fiscais significativas são necessárias para que dívida do Brasil tenha firme queda, diz FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou nesta segunda-feira (1) que o governo brasileiro tomou medidas para melhorar a situação das contas públicas, mas acrescentou que "reformas fiscais significativas" ainda são necessárias para colocar a dívida pública em uma trajetória firme de queda. 🔎A instituição enviou recentemente uma missão ao Brasil para analisar políticas e perspectivas econômicas do país, com base em uma diretriz que consiste em visitas regulares aos países-membros. Ao final de cada missão, o FMI divulga um comunicado. 🔎🔎Reformas fiscais são mudanças estruturais nas leis que regem como o Estado arrecada recursos (tributos) e como ele os gasta (despesas). Elas podem ter focos diferentes: simplificação burocrática, justiça social, estímulo econômico ou equilíbrio das contas públicas. O FMI diz que preservar as receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo e "implementar um esforço fiscal mais ambicioso" aumentaria "a credibilidade fiscal, reduziria os custos de empréstimo e criaria espaço para investimentos prioritários.” A instituição informou, no entanto, que a economia brasileira tem se mostrado "notavelmente resiliente diante de múltiplos choques". Agora no g1 E concluiu que o Banco Central reduziu a taxa básica de juros em março e abril de forma "adequada" em "consonância com o regime de metas de inflação do Brasil". Dívida em alta De acordo com dados do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,4 ponto percentual, para 80,4% do PIB, o equivalente a R$ 10,44 trilhões. 🔎A dívida pública é o total de dinheiro que o governo pega emprestado para financiar suas despesas quando a arrecadação de impostos não é suficiente para cobrir todos os gastos. Este é o maior nível para a dívida pública desde junho de 2021, quando somava 80,6% do PIB, ou seja, é o maior patamar em quase cinco anos. No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 8,7 pontos percentuais. A alta na dívida está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, e com as despesas com juros. ➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI) — que considera os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em abril: 93,1% do PIB. 🔎A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente. ➡️Maior que 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima do de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI). Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado "arcabouço fiscal", ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos. Por estas regras: a despesa não pode registrar crescimento maior do que 70% do aumento da arrecadação; a alta de gastos fica limitada, em termos reais, a 2,5% por ano; o arcabouço busca justamente conter o crescimento da dívida pública no futuro. Sem um corte robusto de despesas, necessário para manter de pé o arcabouço fiscal, especialistas em contas públicas estimam que a regra terá de ser abandonada, ou alterada, nos próximos anos. 🔎Eles argumentam que, no atual formato, as regras ficarão insustentáveis. Por conta disso, preveem uma expansão maior da dívida pública no futuro, o que pode resultar em aumento das taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras ao setor real da economia. Analistas do mercado financeiro estimaram, na semana passada, que a dívida pública brasileira deve atingir 99,4% do PIB em 2035 (pelo conceito brasileiro) — patamar bem distante dos países emergentes e mais próximo da Europa. ➡️Pelo conceito adotado pelo FMI, a dívida brasileira estaria próxima de 110% do PIB em 2035. Sede do FMI em Washington Reuters

Libaneses fogem após avisos de Israel sobre novos ataques a Beirute Os preços do petróleo subiram mais de US$ 4 por barril nesta segunda-feira (1º), depois que o Irã e os EUA trocaram ataques e Israel ordenou que as tropas avançassem mais no Líbano em sua batalha contra o grupo militante Hezbollah, apoiado por Teerã. 🔎 Os futuros do Brent subiam US$ 4,7, ou quase 5%, a US$ 95,65 por barril, por volta das 10h45 (horário de Brasília). Os futuros do petróleo negociados nos EUA subiam cerca de US$ 5, ou 5,77%, para US$ 92,36 por barril. Em maio, o Brent e o WTI perderam cerca de 19% e 17%, respectivamente. Foi a maior queda mensal de ambos os contratos em termos absolutos desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 reduziu a demanda por energia. Os combates no Oriente Médio, depois que Washington sediou as negociações de paz entre Israel e Líbano na sexta-feira (29), diminuíram as esperanças de que os EUA e o Irã pudessem anunciar em breve uma extensão de seu cessar-fogo. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que em breve decidiria sobre um acordo proposto para estender o cessar-fogo anunciado no início de abril. Israel seria fundamental para qualquer acordo desse tipo, e o Irã tem dito repetidamente que o Hezbollah e o Líbano devem ser incluídos. Os EUA propuseram um plano de "redução gradual da escalada", disse uma autoridade dos EUA no domingo. Estão aumentando as preocupações com as minas no Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de petróleo e gás, disse o analista do IG, Tony Sycamore, em uma nota. "Mesmo que se chegue a um acordo, ele não vai gerar uma enxurrada de suprimentos", disse Sycamore. Um repórter da Axios disse no X na sexta-feira que o Irã havia lançado mais minas no estreito no início da semana passada. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que o atraso no processo diplomático para acabar com a guerra pode ser explicado pela falta de confiança, pelas posições contraditórias de Washington e pelos ataques de Israel ao Líbano. As preocupações com a oferta superaram os dados econômicos do fim de semana da China, que mostraram a estagnação da atividade fabril. Isso aumentou as preocupações de que a segunda maior economia do mundo esteja perdendo força. A Arábia Saudita provavelmente reduzirá seus preços oficiais de venda (OSPs) de petróleo bruto para a Ásia em julho, pelo segundo mês, segundo pesquisa da Reuters. O Goldman Sachs disse no domingo que a fraca demanda de petróleo na China e na Europa representa um grande risco de queda para sua previsão de petróleo Brent para o quarto trimestre, de US$90 por barril, e para a previsão do WTI, de US$ 83, embora as interrupções no fornecimento do Oriente Médio ainda possam elevar os preços. Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio Reuters

Os Correios registraram um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, apontou um balanço divulgado pela estatal neste fim de semana. O rombo nos três primeiros meses deste ano é 82,35% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado, quando a estatal registrou um prejuízo de R$ 1,7 bilhão. Balanço prévio antecipado pelo g1 em abril deste ano já mostrava que os correios teriam um prejuízo acima dos R$ 3 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Em todo o ano de 2025, o rombo foi de R$ 8,5 bilhões e a previsão para 2026 é de um resultado ainda pior nas contas, segundo cálculos da própria estatal. Os Correios têm tomado uma série de medidas para sanear as contas e projetam chegar a um superávit somente em 2027. O último ano da estatal com primeiro trimestre no azul foi em 2022, quando foi registrado um lucro de R$ 216,7 milhões (veja a curva descendente no gráfico acima). Nos primeiros trimestres dos anos seguintes, os resultados foram de déficit: R$ 328 milhões em 2023; R$ 801 milhões (2024); R$ 1,7 bilhão (2025); R$ 3,1 bilhões (2026). Medidas para conter crise Termina o plano de demissão voluntária dos Correios Para estancar o rombo e buscar o reequilíbrio fiscal — com a meta interna de voltar a operar no azul —, a diretoria da estatal elaborou um plano de reestruturação focado em três frentes: corte de despesas com pessoal e administração, otimização de ativos e renegociação e captação de recursos. Entre as medidas anunciadas, estão: tomada de empréstimos bilionários, plano de demissão voluntária (PDV), reformulação do plano de saúde dos funcionários, fechamento de pontos deficitários, venda de imóveis e revisão de contratos. Parte das medidas dos Correios para enfrentar crise histórica, PDV tem baixa adesão de funcionários Jornal Nacional/ Reprodução

Abertura da 114ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho. Reprodução/OIT A Organização Internacional do Trabalho (OIT) cancelou a nomeação do principal representante dos Estados Unidos para o cargo de vice-diretor-geral da agência da ONU devido aos atrasos nos pagamentos do país, informou a entidade nesta segunda-feira (1º). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Sheng Li (Estados Unidos da América) não assumirá o cargo de vice-diretor-geral em julho, como estava previsto anteriormente", afirmou a OIT em comunicado enviado à Reuters. O Departamento do Trabalho dos EUA não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da agência de notícias. Sheng Li havia sido nomeado para a função em abril, após meses de atrasos no processo de escolha. Desde então, porém, a OIT informou ao governo americano que a nomeação não será efetivada enquanto o país não regularizar os pagamentos pendentes. Agora no g1 Segundo a organização, a decisão não impede que os Estados Unidos recuperem a posição caso quitem as dívidas. "Essa decisão não prejudica a possibilidade de os Estados Unidos liquidarem seus atrasos e, assim, retomarem sua posição como maior contribuinte das contribuições obrigatórias", disse a OIT, acrescentando que mantém negociações com Washington. Três diplomatas ouvidos pela Reuters afirmaram que o governo americano foi solicitado a pagar pelo menos US$ 50 milhões dos valores devidos. A situação aumenta as incertezas sobre a delicada condição financeira da agência e sobre possíveis cortes de empregos. Tradicionalmente, os Estados Unidos ocupam o posto de vice-diretor-geral por serem o maior financiador da OIT, responsável por 22% do orçamento da organização. De acordo com dados publicados pela agência, sediada em Genebra, os EUA acumulavam, até 29 de maio, uma dívida de 257 milhões de francos suíços (cerca de US$ 328 milhões), referente à contribuição de 2026 e a débitos pendentes de 2024 e 2025.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que o governo está avançando nas discussões para acabar com a obrigatoriedade da declaração anual do Imposto de Renda (IR) como é feita atualmente. Em entrevista à rádio CBN, Durigan disse que os estudos estão "a todo vapor" dentro da Pasta e que a meta é, em dois ou três anos, desobrigar todos os contribuintes de preencher a declaração. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo "Eu não acho que seja para o ano que vem uma desobrigação universal, mas quero aumentar essa desobrigação, esse alívio para as pessoas [...] espero que em dois ou três anos todo mundo fique sem declaração de Imposto de Renda", afirmou. Segundo o ministro, o processo já começou neste ano. Cerca de 4 milhões de contribuintes não precisarão entregar a declaração e receberão a restituição automaticamente por meio do Pix. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 "Esse ano nós temos 4 milhões de pessoas que não precisam declarar Imposto de Renda e vão receber restituição automática no seu Pix. Eu espero que o ano que vem a gente avance nisso", disse. 💰 A proposta se baseia no uso de informações que já são enviadas à Receita Federal por bancos, seguradoras, planos de saúde, empregadores e estabelecimentos que emitem notas fiscais. De acordo com Durigan, com a implementação da reforma tributária, estados e municípios também passarão a compartilhar dados com a Receita, ampliando a integração das informações fiscais. "Não é possível que todo mundo já tendo declarado no dia a dia as suas obrigações para a Receita, nós ainda vamos obrigar o contribuinte a parar, gastar tempo útil da sua vida para mais uma vez prestar informações que muitas vezes a gente já tem", afirmou. "Eu cresci sentindo o estresse da minha família quando chegava nesse momento de declaração do Imposto de Renda. Eram grandes formulários, preenchidos à mão. Eu acho uma espécie de burocracia, uma obrigação", disse Durigan. Segundo o ministro, a intenção não é extinguir benefícios tributários ou alterar regras de isenção, mas simplificar o cumprimento das obrigações fiscais para os contribuintes. Receita recebe mais de 44 milhões de declarações A Receita Federal recebeu 44,5 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026 até o fim do prazo de entrega, encerrado na última sexta-feira (29), segundo dados do governo federal. Na semana passada, o órgão também realizou o pagamento do primeiro lote de restituições, no maior valor já liberado em uma única etapa da história do Imposto de Renda. O lote incluiu ainda restituições residuais de anos anteriores. Ao todo, mais de 8,7 milhões de contribuintes receberam os valores, que somaram R$ 16 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 8,64 bilhões foram destinados aos grupos com prioridade legal no recebimento da restituição. Veja o calendário da restituição do IR 2026 Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos: 1º lote: 29 de maio 2º lote: 30 de junho 3º lote: 31 de julho 4º lote: 28 de agosto

Associações, advogados e juízes são investigados na "Indústria do limpa-nome Ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência não significa que a dívida deixou de existir. Essa é a principal diferença por trás da chamada "indústria do Limpa Nome", esquema investigado em diversos estados que promete devolver crédito a consumidores endividados por meio de liminares judiciais. Segundo investigadores, as decisões apenas ocultam temporariamente as restrições, enquanto os débitos permanecem ativos e podem voltar a aparecer posteriormente. “Não tem fórmula mágica. Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente ser camuflada e desaparecer da noite para o dia”, afirma André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil. O esquema Promessas de limpar o nome em poucas semanas, ações judiciais coletivas e decisões liminares que fazem dívidas desaparecerem temporariamente dos cadastros de inadimplentes. Investigações conduzidas por Ministérios Públicos estaduais e órgãos do Judiciário apontam a existência de uma suposta "indústria do Limpa Nome", esquema que já teria ocultado cerca de R$ 130 bilhões em débitos nos últimos cinco anos. O modelo funciona por meio de associações que se apresentam como defensoras dos direitos do consumidor. Elas ingressam na Justiça com ações coletivas pedindo que órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, deixem de exibir restrições financeiras de pessoas endividadas. Com isso, quem consulta o cadastro recebe a informação de que não há pendências registradas, mesmo quando as dívidas continuam existindo. Segundo investigadores, o principal argumento utilizado nas ações é que os consumidores não teriam sido notificados sobre a negativação, exigência prevista no Código de Defesa do Consumidor. No entanto, as apurações indicam que, na maioria dos casos, a comunicação foi realizada regularmente. Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes Fantástico/ Reprodução Associações fantasma e cidades pequenas As investigações identificaram entidades registradas em municípios pequenos que concentraram milhares de beneficiários espalhados pelo país. Em São Gonçalo do Piauí, cidade com menos de 5 mil habitantes, uma associação teria conseguido liminares que favoreceram cerca de 63 mil pessoas — número equivalente a mais de 13 vezes a população local. No endereço informado como sede, moradores afirmaram desconhecer a existência da entidade. De acordo com promotores, listas de consumidores eram repassadas às associações, que passavam a representá-los judicialmente. Em alguns casos, os próprios beneficiários poderiam nem saber que haviam sido incluídos como associados. A escolha de cidades menores também teria um objetivo estratégico: obter decisões judiciais mais rapidamente, já que essas comarcas costumam ter menor volume processual. Suspeitas de corrupção Uma das frentes investigadas envolve o Grupo Amigos do Consumidor (GAC), associação sediada em João Pessoa. Segundo o Ministério Público, a entidade mantinha uma filial formal em Caldas Brandão, município paraibano de cerca de 5 mil habitantes, mas moradores afirmaram nunca ter visto qualquer atividade da organização no local. Promotores apontam que uma liminar favorável ao grupo foi concedida apenas 13 horas após o protocolo da ação. O juiz responsável pelo caso, Glauco Coutinho Marques, tornou-se réu em investigação que apura o recebimento de propina para favorecer a associação. O magistrado está afastado do cargo desde 2024. A defesa nega as acusações. O Ministério Público denunciou sete pessoas ligadas ao esquema por crimes como corrupção, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os investigados negam irregularidades. Outra frente de investigação ocorre em Caaporã, também na Paraíba. Segundo promotores, uma juíza teria concedido 19 liminares que beneficiaram milhares de devedores sem qualquer vínculo com o município. A magistrada é investigada e afirma ter atuado dentro dos limites de suas atribuições. Impacto no mercado Especialistas alertam que a ocultação das dívidas pode gerar prejuízos para empresas e distorções no sistema de crédito. Um empresário do setor de energia solar relatou prejuízo de aproximadamente R$ 3 milhões após conceder crédito a um cliente que aparecia com o nome limpo graças a uma decisão judicial, embora já possuísse registros de inadimplência que estavam ocultos. Para investigadores, o efeito se espalha por toda a economia. Com mais risco de inadimplência, instituições financeiras elevam juros e endurecem critérios de concessão de crédito, o que acaba afetando consumidores que mantêm as contas em dia. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que monitora o crescimento de ações consideradas predatórias e fraudulentas e tem trabalhado com tribunais para identificar demandas repetitivas e abusivas. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

Título: Regra sobre trabalho em feriados no comércio entra em vigor; veja mudanças Cris Faga/Estadão Conteúdo A portaria que exige convenção coletiva para o trabalho em feriados em parte do comércio entrou em vigor nesta segunda-feira (1º), após ter sido adiada ao menos cinco vezes pelo governo federal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O último adiamento ocorreu em fevereiro, quando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirmou que a prorrogação reforçava o compromisso com o diálogo social e com a valorização da negociação coletiva. Antes disso, a entrada em vigor da norma havia sido transferida para 1º de março deste ano. A medida enfrentou forte pressão de empresários e parlamentares. Até a sexta-feira (29), o governo não havia publicado um novo adiamento da regra. Publicada originalmente em novembro de 2023, a portaria reforça a exigência de convenção coletiva entre empregadores e empregados para autorizar o trabalho em feriados, conforme determina a Lei nº 10.101/2000, atualizada pela Lei nº 11.603/2007. Agora no g1 Além disso, as empresas devem respeitar a legislação municipal. O texto altera dispositivos da Portaria nº 671/2021, editada no governo anterior, que autorizava o trabalho em feriados sem necessidade de acordo coletivo. Segundo o MTE, a mudança restabelece a legalidade e valoriza a negociação coletiva como instrumento de equilíbrio entre os interesses de empregadores e trabalhadores. A norma publicada pelo governo Lula não altera integralmente a regra da gestão Bolsonaro. Segundo o ministério, apenas 12 das 122 atividades autorizadas anteriormente serão afetadas. São elas: varejistas de peixe; varejistas de carnes frescas e caça; varejistas de frutas e verduras; varejistas de produtos farmacêuticos (farmácias, inclusive as de manipulação); mercados, comércio varejista de supermercados e hipermercados, cuja atividade preponderante seja a venda de alimentos, inclusive os transportes a eles inerentes; comércio de artigos regionais nas estâncias hidrominerais; comércio em portos, aeroportos, estradas, estações rodoviárias e ferroviárias; comércio em hotéis; comércio em geral; atacadistas e distribuidores de produtos industrializados; revendedores de tratores, caminhões, automóveis e veículos similares comércio varejista em geral. Entenda a regra Conforme a Portaria nº 3.665/2023, empresas dos setores mencionados acima só poderão funcionar em feriados se houver convenção coletiva de trabalho firmada entre empregadores e sindicatos de trabalhadores. Na prática, a decisão unilateral do empregador não será mais suficiente para autorizar o funcionamento nesses dias. Será necessário que trabalhadores e empresas negociem e formalizem um acordo. A convenção coletiva deverá estabelecer as condições para o trabalho em feriados, como pagamento em dobro, folgas compensatórias ou benefícios extras. A medida revoga parcialmente uma regra de 2021, editada durante o governo Bolsonaro, que liberava o funcionamento do comércio nos feriados sem necessidade de negociação coletiva. Segundo o governo, o objetivo da mudança é fortalecer o papel das negociações coletivas, ampliar as garantias aos trabalhadores e alinhar a portaria à Lei Federal nº 10.101/2000, que determina que o trabalho em feriados no comércio só pode ocorrer mediante acordo entre as partes. ⚠️ Com a portaria em vigor, empresas que descumprirem as regras poderão ser punidas com multas administrativas. Segundo Fernanda Maria Rossignolli, sócia do HRSA Sociedade de Advogados e especialista em Relações de Trabalho, a nova regra reforça a necessidade de negociação coletiva para o trabalho em feriados no comércio. “A principal mudança é a garantia de que o trabalho em feriados só poderá ocorrer se houver autorização expressa em Convenção Coletiva de Trabalho. Isso devolve aos sindicatos o poder de negociação e assegura que folgas compensatórias ou pagamentos de horas extras sejam previamente negociados e fiscalizados”, afirma. A advogada explica ainda que empresas que funcionarem sem previsão em convenção coletiva poderão sofrer multas administrativas aplicadas pelo Ministério do Trabalho, além de responder a ações na Justiça do Trabalho. “O funcionamento pode ser considerado irregular, gerando passivos trabalhistas significativos”, diz. Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga

BC aprova regras mais rígidas para o FGC após crise com Master As novas regras que tornam mais difícil para bancos usarem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como estratégia para atrair investidores e captar recursos no mercado financeiro começaram a valer nesta segunda-feira (1º). As medidas foram definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no final de abril, após a crise envolvendo o Banco Master. O banco registrou forte crescimento em pouco tempo ao oferecer taxas de rendimento acima das praticadas por outras instituições financeiras, destacando a cobertura do FGC como garantia. O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras. Atualmente, a cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Com as novas regras, os bancos vão ter que acompanhar um indicador chamado “ativo de referência”. Na prática, ele funciona como uma espécie de termômetro da saúde financeira da instituição, ao medir a qualidade e a diversidade dos investimentos que ela tem. Se o banco tiver muito dinheiro captado com garantia do FGC e pouca aplicação em ativos mais seguros, ele terá de mudar essa estratégia. Nesse caso, será obrigado a investir parte dos recursos em títulos públicos federais, que são considerados mais seguros porque têm baixo risco de calote. Além disso, o Banco Central também refinou a forma como mede a capacidade de os bancos absorverem prejuízos. Ou seja, passou a considerar outros tipos de capital, além do patrimônio principal, que podem ser usados para cobrir perdas em cenários de crise. Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn Mudanças reforçam segurança ao sistema financeiro Segundo o Banco Central, a medida aumenta a capacidade das instituições de enfrentar riscos e busca reforçar a segurança do sistema financeiro. O BC também informou que, a partir de novembro de 2026, os bancos associados ao FGC passarão a receber informações mais detalhadas sobre os investidores que possuem aplicações cobertas pelo fundo. Essas informações permitirão que as instituições financeiras e o próprio Banco Central tenham uma visão mais ampla sobre quais recursos estão ou não cobertos pelo FGC e qual o risco real que o fundo corre. Em nota divulgada na última sexta-feira, o BC afirmou as mudanças "melhoram a qualidade das informações disponíveis e reforçam a capacidade das instituições financeiras de lidar com riscos, fortalecendo a solidez e a transparência do Sistema Financeiro Nacional".

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (1º), com recuo de 0,39%, cotado a R$ 5,0226. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, caiu 0,91%, aos 172.211 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 ▶️ O conflito no Oriente Médio voltou a pressionar os mercados financeiros nesta segunda-feira. Segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, a equipe de negociação do Irã interrompeu as tratativas com os EUA após Israel anunciar novos ataques ao Líbano, condicionando um eventual acordo ao cessar-fogo na região. Os temores arrefeceram no começo da tarde, após Donald Trump, garantir que um cessar-fogo está em vigor entre as partes no Líbano. O presidente americano teria conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com representantes do Hezbollah. Com isso, a alta nos preços do petróleo no mercado internacional também arrefeceu. O barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 4,61% perto das 16h, cotado a US$ 95,32. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 5,98%, a US$ 92,58. ▶️ No Brasil, a decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas continua no radar. Mais cedo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista à rádio CBN que deve se reunir com autoridades americanas ainda nesta semana para tratar sobre o assunto. (leia mais abaixo) ▶️ Na agenda de indicadores, o Banco Central publicou nesta manhã o Boletim Focus, relatório semanal que reúne as previsões de economistas para indicadores como inflação, juros, câmbio e crescimento do PIB. Nesta edição, o mercado elevou a previsão para a inflação de 2026 para 5,09%, na 12ª alta semanal consecutiva. ▶️ A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o Índice de Confiança Empresarial (ICE), que mede a percepção dos empresários sobre a situação da economia e as perspectivas para os próximos meses. ▶️ No exterior, investidores monitoram os índices PMI industrial e ISM manufatureiro dos EUA, que mostram o ritmo da atividade industrial do país e ajudam a indicar a força da economia americana. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -0,39%; Acumulado do mês: -0,39%; Acumulado do ano: -8,49%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,91%; Acumulado do mês: --0,91%; Acumulado do ano: +6,88%. Vai e vem no Oriente Médio As tensões no Oriente Médio voltaram a ficar no centro das atenções nesta segunda-feira, após o Irã interromper as negociações com os Estados Unidos, em meio a novos ataques de Israel no Líbano. No sábado, Israel havia capturado o histórico castelo de Beaufort, no Líbano, construído na época das Cruzadas, na incursão mais profunda das tropas no país em 26 anos. Segundo informações da agência de notícias iraniana Tasnim, os negociadores do país também colocaram um cessar-fogo no Líbano como condicionante para um acordo com os EUA. Diante do impasse, o presidente americano, Donald Trump, disse que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com representantes do Hezbollah, que é apoiado pelo Irã. O republicano garantiu que um cessar-fogo está em vigor entre as partes no Líbano e que Netanyahu concordou em não mover tropas de Israel em direção a Beirute. Com as tensões aparentemente controladas, a alta nos preços do petróleo arrefeceu durante a tarde, bem como a alta do dólar. O barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 4,61% perto das 16h, cotado a US$ 95,32. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 5,98%, a US$ 92,58. Mercado eleva estimativa de inflação O mercado financeiro voltou a aumentar sua previsão para a inflação no Brasil em 2026. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, a expectativa subiu de 5,04% para 5,09%, marcando a 12ª semana seguida de alta. A principal razão para essa piora é a alta do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio. Como o petróleo influencia o preço dos combustíveis, existe o risco de gasolina, diesel e outros produtos ficarem mais caros, pressionando a inflação. Apesar disso, os economistas mantiveram a expectativa de queda dos juros nos próximos anos e aumentaram levemente a projeção de crescimento da economia em 2026. Outras previsões do mercado: Produto Interno Bruto (PIB) em 2026: passou de 1,89% para 1,90%. Dólar no fim de 2026: caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16. Mercados globais Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street tinham alta, mesmo em meio às incertezas sobre as negociações do governo americano com o Irã. Perto das 15h30, o Dow Jones registrava alta de 0,02%, enquanto o S&P 500 subia 0,46% e o Nasdaq tinha ganhos de 0,69%. Já as bolsas europeias alcançaram as mínimas em uma semana, também de olho nas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,8%, aos 621,24. Entre os principais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,40%, enquanto o CAC-40, da França, recuou 0,45% e o Financial Times, do Reino Unido, fechou com perdas de 0,68%. Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única nesta segunda-feira. Dados fracos da indústria chinesa aumentaram as preocupações com o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo. O índice de Xangai recuou 0,27%, para 4.057 pontos, e o CSI300 caiu 0,98%, para 4.844 pontos. Já em outros mercados, o desempenho foi positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,86%, para 25.398 pontos; o Nikkei, do Japão, avançou 1,4%, para 67.231 pontos; e o Kospi, da Coreia do Sul, saltou 3,68%, para 8.788 pontos. Dólar freepik
Petrobras reduz em 14,2% preço do querosene de aviação a partir de junho
A Petrobras vai reduzir em 14,2% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir de junho, o que corresponde a uma diminuição de R$ 0,93 por litro frente ao mês anterior, informou a estatal em comunicado nesta segunda-feira (01).
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A queda dos preços do combustível de aviação, que ocorre após altas sucessivas desde março, reflete a "atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais" ocasionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, disse a Petrobras.
Nos últimos meses, a intensificação do conflito entre os Estados Unidos, Israel e Irã na região elevou os preços do petróleo, diante do temor de interrupções na oferta da commodity. Isso porque um dos principais pontos do conflito é o fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota marítima do comércio mundial de petróleo.
Como o querosene de aviação acompanha as oscilações do petróleo, o movimento pressionou os custos das companhias aéreas e contribuiu para a alta do combustível.
✈️ Com isso, a redução anunciada hoje pode aliviar parte da pressão sobre os custos das companhias aéreas e ajudar a conter reajustes nas passagens. Isso porque o querosene de aviação é um dos principais componentes das despesas do setor e costuma ter impacto direto sobre os preços cobrados dos passageiros.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das empresas após os reajustes registrados nos últimos meses.
Os ajustes do QAV da Petrobras ocorrem todo começo de mês, conforme previsto em contratos.
Apesar da queda anunciada para junho, o combustível ainda acumula alta de 54,5% em 2026. Em comparação com dezembro do ano passado, o preço médio do querosene de aviação está R$ 1,98 por litro mais caro.
Na semana passada, o governo federal prorrogou até 31 de julho a isenção de impostos sobre a venda e a importação de querosene de aviação e biodiesel. A medida integra o pacote anunciado em abril para reduzir os impactos da alta do petróleo sobre os combustíveis no país.
O benefício, que expiraria em 31 de maio, reduz custos para companhias aéreas e produtores de combustíveis e pode ajudar a limitar o repasse de preços aos consumidores.
Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, seus preços seguem as cotações internacionais do petróleo.
Por isso, a escalada da commodity em meio à guerra elevou os custos do setor aéreo em diversos países, aumentando a pressão por reajustes de tarifas e reduzindo as margens das companhias.
Relembre o pacote para conter a alta dos combustíveis
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o conjunto de medidas tem custo estimado em R$ 30,5 bilhões.
O governo, porém, afirma que não haverá impacto nas contas públicas, já que os gastos serão compensados por outras receitas, como a arrecadação sobre o diesel e os royalties pagos pelas empresas pela exploração de petróleo.
O pacote prevê subsídios para reduzir o preço de alguns combustíveis e inclui:
subvenção ao diesel, importado e nacional;
isenção de impostos federais sobre o biodiesel;
subvenção ao gás de cozinha (GLP);
subvenção ao querosene de aviação;
linhas de crédito para o setor aéreo.
Como parte dessas ações, o Ministério da Fazenda definiu no sábado (31) uma subvenção de R$ 351,50 por metro cúbico de diesel — equivalente a R$ 0,35 por litro.
O benefício será pago a produtores e importadores do combustível por dois meses, com possibilidade de prorrogação.

Por que a decisão dos EUA de declarar facções terroristas pode afetar PIX O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (1º) que se reunirá nos próximos dias com autoridades dos Estados Unidos para discutir a decisão do país de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Em entrevista à rádio CBN, Durigan afirmou que a medida pode gerar sanções contra instituições financeiras brasileiras e, em um cenário extremo, até afetar a operação do PIX. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Isso porque, segundo o ministro, se o governo dos Estados Unidos entender que uma instituição financeira brasileira foi usada para movimentar recursos ligados às facções, ela poderá ser alvo de punições do Tesouro americano. Ainda assim, a decisão aumenta a pressão sobre bancos e empresas para reforçar mecanismos de identificação da origem dos recursos e de prevenção à lavagem de dinheiro. Diante desse cenário, disse Durigan, bancos e outras instituições financeiras brasileiras já começaram a revisar regras internas de controle e monitoramento para reduzir o risco de sanções por parte das autoridades americanas. Como o g1 já mostrou, a classificação dos EUA eleva o risco jurídico para as instituições. (Leia a reportagem completa aqui) 🛑 Isso porque qualquer apoio direto ou indireto pode ser enquadrado como crime pela legislação americana. Isso faz com que bancos e empresas adotem mais cautela, já que passam a responder a regras mais rígidas de sanções e controle. "Basta você ter uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. A autoridade americana pode dizer que esse banco está sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos e não pode operar com o PIX porque o sistema estaria sendo usado para movimentar dinheiro de facção criminosa", exemplificou Durigan O ministro ainda reiterou que o governo brasileiro trabalha para evitar impactos econômicos e proteger o sistema de pagamentos. "O PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Nós não podemos ficar presos ao risco de uma intervenção ou de uma subserviência que tire a gente do caminho da inovação e de gerar infraestrutura de pagamento boa para as nossas empresas e famílias", afirmou o ministro. Ministro da Fazenda Dario Durigan. Washington Costa/MF EUA questionam PIX em investigação comercial Durigan também relacionou o tema à investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301, anunciada em julho do ano passado. Entre os questionamentos apresentados pelo governo americano está o PIX, que foi citado na investigação sob a alegação de que poderia criar distorções competitivas para empresas dos EUA e fazer parte de práticas comerciais consideradas desleais. Segundo Washington, essas práticas estariam restringindo o acesso de exportadores americanos ao mercado brasileiro há décadas, embora a investigação não apresente evidências concretas para sustentar as acusações. LEIA TAMBÉM O que é investigação do governo Trump sobre práticas comerciais no Brasil Para Durigan, as acusações feitas pelos Estados Unidos carecem de fundamento técnico e têm caráter político. O ministro citou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA, onde se reuniu com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o presidente Donald Trump. Após o encontro, Flávio afirmou que Rubio se mostrou favorável à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Na semana passada, o governo brasileiro criticou integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que viajaram aos EUA e afirmou que há risco de interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil. O Planalto classificou a iniciativa como “deplorável” e disse que há tentativa de pressionar autoridades internacionais a adotar medidas contra o país. (leia a nota na íntegra) O texto afirma que medidas externas podem trazer impactos econômicos e prejudicar políticas nacionais, citando também o PIX. Brasil prepara resposta diplomática aos EUA O ministro da Fazenda afirmou que o governo brasileiro pretende rebater os questionamentos por meio de negociações diplomáticas e da apresentação de informações técnicas às autoridades americanas. "A gente tem respondido com muita diplomacia e contato bilateral com os Estados Unidos. Temos participado das audiências e esclarecido que essas alegações não têm fundamento técnico", afirmou. "O presidente Lula tem defendido que o combate ao crime organizado precisa ser feito de forma conjunta, porque se trata de um problema transnacional. O que queremos é ampliar essa cooperação, e não criar obstáculos para ela", disse. Apesar das preocupações levantadas pelo governo, Durigan afirmou que não há, neste momento, qualquer ameaça ao funcionamento do PIX. Segundo ele, a prioridade é preservar o sistema de pagamentos. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo

Os economistas do mercado financeiro elevaram novamente sua estimativa para a inflação em 2026, que subiu para 5,09%. Esta é décima segunda semana seguida de aumento. As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A explicação é que a guerra no Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo — que opera, nesta segunda, próximo de US$ 94 — e, por isso, tem potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). ➡️ Para 2026, a estimativa subiu de 5,04% para 5,09%; ➡️ Para 2027, a expectativa avançou de 4,01% para 4,02%; ➡️ Para 2028, a previsão cresceu de 3,65% para 3,66%; ➡️ Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Agora no g1 Corte dos juros Mesmo com aumento da projeção de inflação neste ano e nos próximos, o mercado financeiro continuou projetando queda dos juros. Atualmente, a taxa está em 14,50% ao ano — após dois cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano na última semana, embutindo reduções no decorrer do ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 11,25% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Royalties do petróleo: procurador do RJ afirma que mudança na lei seria fatal para finanças do estado Jornal Nacional/ Reprodução Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado subiu de 1,89% para 1,90%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB permaneceu em 1,70%. Taxa de câmbio O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,17 para R$ 5,16 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,26 para R$ 5,25 por dólar.

Agronegócio bate recorde de empregos no Brasil com crescimento de vagas fora do campo Jornal Nacional A inadimplência no agronegócio brasileiro voltou a subir no quarto trimestre de 2025, encerrando o ano a 8,2%, alta de um ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, em momento em que agricultores lidam com margens apertadas e diante de custos elevados, apontou nesta segunda-feira um levantamento da Serasa Experian. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entre os fatores da elevação de custos mais recentes estão os fertilizantes e os combustíveis, que subiram pelos efeitos da guerra no Irã. Mas a inadimplência vem crescendo trimestre a trimestre pelo menos desde o final de 2024, segundo os dados da Serasa. "Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo", disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota. O indicador apontou que a inadimplência rural está concentrada principalmente em dívidas contraídas com instituições financeiras (7,2%), afirmou a Serasa. Agora no g1 A inadimplência do agronegócio está entre os fatores que impactam os resultados do Banco do Brasil, o principal financiador do setor. O índice de inadimplência considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio. Na análise por porte, os dados mostram que produtores rurais sem informação de registro rural - possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos - registraram o maior nível de inadimplência (9,9%). Na sequência, aparecem os grandes proprietários (9,8%), seguidos pelos médios (8,3%) e pelos de pequeno porte (7,8%). Por estados, o Rio Grande do Sul teve melhor desempenho, com apenas 5,3% de taxa de inadimplência, seguido pelo Paraná e Santa Catarina. "O desempenho do Rio Grande do Sul chama a atenção, especialmente diante das perdas climáticas recentes. Esse resultado pode ser explicado por fatores como a forte presença de cooperativas e sistemas integrados, além do uso mais expressivo do seguro agrícola e de linhas de crédito para renegociação de dívidas", comentou Pimenta.

O chip RTX Spark será incluído em uma nova linha de PCs com Windows AFP via Getty Images A Nvidia anunciou um novo chip para PCs em uma tentativa de ganhar espaço no mercado de dispositivos integrados com tecnologia de inteligência artificial (IA). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Essa reinvenção do computador é tão significativa quanto foi a reinvenção do telefone no que hoje conhecemos como smartphone", afirmou o diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, ao apresentar o chip RTX Spark. Huang fez o anúncio na segunda-feira (01/06), em discurso antes da abertura da feira de tecnologia Computex, em Taipei, Taiwan. O RTX Spark é "um novo superchip... para a era dos agentes pessoais de IA — oferecendo uma nova classe de computador que passa de ferramenta a colega de trabalho", afirmou a Nvidia em seu site. Agora no g1 Ele será incluído em uma nova linha de PCs com Windows produzidos por Lenovo, HP, Dell, Microsoft Surface, Asus e MSI. Eles devem estar disponíveis na segunda metade do ano, com modelos da Acer e da Gigabyte na sequência. A mudança representa um desafio para nomes de destaque no mercado de computadores, como Apple e Intel. Lenovo, HP, Dell e Apple representaram quase 75% do mercado mundial de computadores pessoais nos três primeiros meses deste ano, de acordo com a empresa de pesquisa Gartner. O boom em centros de dados que alimentam a IA ajudou a Nvidia a se tornar a empresa mais valiosa do mundo, com uma avaliação de mercado de mais de US$ 5 trilhões. No domingo (31/05), os Estados Unidos agiram para fechar uma possível brecha no envio de chips como os processadores Blackwell da Nvidia para a China. Orientações publicadas pelo Departamento de Comércio esclareceram que é necessária uma licença para exportar os chips de IA mais avançados para subsidiárias de empresas chinesas sediadas fora da China. O governo americano vem tentando impedir que empresas chinesas comprem os chips de computador de ponta necessários para desenvolver tecnologias cruciais de IA. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês). LEIA TAMBÉM: Nvidia: o boom de IA que impulsiona empresa mais valiosa do mundo apesar de tensões entre EUA e China O imigrante ex-lavador de pratos que fundou a Nvidia, gigante dos microchips que vale mais que Google e Amazon

Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana Ricardo Stuckert/Divulgação Menos de um mês após os governos de Brasil e Estados Unidos terem chegado a um acordo para negociar um impasse envolvendo tarifas e uma investigação comercial americana, existe a expectativa de que a Casa Branca anuncie medidas que rompam esse acordo. Segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil, o governo dos EUA estaria próximo de anunciar o resultado de uma grande investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado — na qual acusa o governo brasileiro de uma série de práticas comerciais desleais. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo As acusações serviram como base para o governo americano adotar uma série de tarifas contra produtos brasileiros. 🔎 Entre as acusações dos americanos estão tarifas preferenciais e injustas, proteção inadequada dos direitos de propriedade intelectual, falta de combate ao desmatamento ilegal e práticas que prejudicam a competitividade das empresas no setor de comércio digital e serviços de pagamento. O amplo pacote de acusações vai de reclamações sobre o PIX, sistema de pagamentos do Banco Central, até queixas sobre o desmatamento ilegal. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 No mês passado, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump discutiram o tema em reunião de mais de três horas na Casa Branca. Após o encontro, Lula disse que equipes dos dois governos deveriam fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos americanos contra o Brasil. Segundo Lula, os dois presidentes receberiam uma nova proposta para encerrar as desavenças em 30 dias — prazo que se encerraria no próximo domingo (07/06). "Eu falei assim: 'Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo'", disse Lula a jornalistas logo após o encontro. "Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder." Na semana passada, os governos dos EUA e Brasil voltaram a entrar em atrito após o governo americano anunciar que passará a classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida foi anunciada por Trump dois dias após um encontro no Salão Oval com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — pré-candidato à Presidência nas eleições de outubro e rival de Lula. "Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta", disse Lula, sobre a decisão americana. O que motivou a investigação? Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil na época em que a investigação foi lançada, a visão geral era a de que a investigação tem caráter político e de proteção a empresas americanas, ao mesmo tempo em que traz muitas alegações que são contraditórias e imprecisas — embora algumas das acusações comerciais façam sentido. "Para mim é claro que o governo Trump está tentando dar motivação econômica para que as tarifas impostas contra o Brasil não sejam ilegais", disse na época Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido. Segundo o economista, os argumentos apresentados pelo presidente americano na carta em que anunciou oficialmente a imposição da taxa de 50% às exportações brasileiras mostram claramente que seu descontentamento é com o fato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado réu na ação que apura a tentativa de golpe de Estado e com outras decisões do Judiciário brasileiro. Bolsonaro acabou condenado em setembro do ano passado e está atualmente cumprindo pena de 27 anos, em prisão domiciliar. A motivação puramente política, porém, "poderia gerar um problema interno nos Estados Unidos", diz Klein. Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas Ricardo Stuckert / PR Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior dos primeiros governos Lula, afirma que o descontentamento americano com algumas das políticas comerciais brasileiras já existia há anos, mas foram usados no contexto atual para justificar uma investigação nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Esse trecho da legislação americana permite que o USTR realize apurações sobre práticas que supostamente prejudicam o comércio internacional americano e determine se há ou não irregularidades. A intenção é punir ações consideradas discriminatórias contra empresas americanas com sanções aos países-alvo. "A relevância econômica de algumas dessas reclamações é muito pequena e boa parte, se não a maior parte delas, não têm justificativa fática nenhuma", afirma Barral. Ainda segundo o especialista em comércio exterior, Trump já argumentou no passado que as tarifas anunciadas por seu governo nos últimos meses contra diversos países seriam uma tentativa de combater o déficit comercial dos EUA com essas nações. No caso brasileiro, porém, a balança comercial é positiva para os americanos. "Usar a seção 301 é uma forma dos EUA se garantirem ao aplicar essas tarifas contra o Brasil", diz. Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico No documento divulgado pelo USTR sobre a investigação comercial, uma das áreas apontadas como foco da apuração é a de mídia social e serviços de pagamento eletrônico. Segundo o órgão, existem evidências de que o Brasil se envolve em diferentes "atos, políticas e práticas que podem prejudicar a competitividade das empresas norte-americanas envolvidas em comércio digital e serviços de pagamento eletrônico" no país. O USTR cita um julgamento do STF sobre regulamentação das plataformas digitais no país como um exemplo. Segundo a instituição, a corte votou para "tornar as empresas de redes sociais responsáveis por postagens ilegais de seus usuários, mesmo na ausência de uma ordem judicial para remover esse conteúdo". A mudança descrita se refere ao recurso julgado pelo STF sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet. O trecho original da lei previa que as plataformas digitais só seriam responsabilizadas por danos causados por conteúdos ofensivos se, depois de uma ordem judicial específica, não tomassem providências para retirar o material do ar. A nova decisão da corte não invalidou totalmente esse entendimento, mas definiu que em casos de crimes, atos ilícitos e contas inautênticas (criadas por robôs, por exemplo), as empresas de mídia social se tornam responsáveis se, após serem notificadas extrajudicialmente (pela vítima ou advogado), não removerem o conteúdo e a Justiça considerar o material ofensivo posteriormente. STF decidiu que as empresas de mídia social podem ser responsabilizadas por conteúdos criminosos postados por terceiros Getty Images via BBC Mas em outros tipos de infração, como nos crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação), ainda é necessária uma ordem judicial para retirar o conteúdo do ar. O USTR também afirma em seus documentos que a Justiça brasileira teria emitido "ordens secretas" instruindo companhias de mídia social americanas a "censurar centenas de postagens e retirar dezenas de críticos políticos, incluindo cidadãos dos EUA, de suas plataformas por discursos legais em solo americano". A afirmação é uma referência à determinação do ministro Alexandre de Moraes para bloqueio de diversos perfis em redes sociais administrados por usuários acusados de atentar contra a democracia brasileira e o processo eleitoral, levando à invasão, em 8 de janeiro de 2023, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Para Bruna Martins dos Santos, gerente de políticas e advocacia da Witness, organização internacional sem fins lucrativos focada em tecnologia e direitos humanos, a União Europeia (UE) também enfrentou problemas semelhantes, quando o bloco também foi pressionado pelo governo Trump por suas regras digitais. Desde que assumiu a Casa Branca pela segunda vez, o republicano repete que a regulação das big techs pela União Europeia é uma manobra para enfraquecer os negócios americanos nos 27 países do bloco. "Vivemos em um momento de exportação de agenda doméstica dos EUA, de uma extrema proteção da atuação de empresas privadas e de relativização de obrigações que foram colocadas ao redor do mundo em torno da atuação desses atores", afirma Santos. "Por isso mesmo esses os argumentos [apresentados na investigação] não têm sentido", opina. "Diversos países ao redor do mundo, enquanto nações soberanas, dedicaram anos à elaboração de regulações em torno do ambiente digital e de serviços digitais." Ainda segundo a especialista, não houve censura na decisão judicial que determinou a retirada de postagens do ar e suspensão de contas nas redes sociais. Para Santos, os alvos das determinações eram reincidentes, possuíam seguidores fiéis envolvidos em incitação de violência e ameaçaram o próprio STF e seus ministros, levando à tomada de ações mais drásticas. PIX ameaçado? Ainda na área digital, o governo americano também colocou o PIX em sua mira, acusando o sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central de ser uma prática desleal, que prejudicaria empresas americanas que atuam no setor. "O Brasil também parece envolver-se em uma série de práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a promover seu serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo", diz um trecho do documento que não elenca a quais práticas supostamente ilegais ele se refere. Pix foi lançado em 2020 e entrou na mira de uma investigação do governo americano Getty Images via BBC Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a inclusão do PIX na investigação seria uma forma de proteger as big techs e serviços de pagamentos americanos, como Whatsapp Pay, Apple Pay e Google Pay. "Estamos falando aqui de uma competição tecnológica, onde os EUA visam tirar qualquer tipo de tecnologia que possa oferecer algum tipo de inovação e que não esteja sendo gerida dentro do próprio país ou que não esteja sob controle dos EUA", diz Bruna Martins dos Santos. "A gente sabe que o Pix é um método de pagamento extremamente inovador e relevante para o contexto brasileiro, com grandes níveis de adesão. De nenhuma maneira ele deveria ser visto como uma prática desleal de serviço de pagamento eletrônico." E segundo Welber Barral, o argumento de que, por ser ligado ao Banco Central, o método de pagamento gera uma concorrência desleal, não é apropriado. Segundo o ex-secretário, a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite em suas normas que empresas públicas atuem em setores em que há falhas de mercado. "Temos uma população desbancarizada muito grande no Brasil. O PIX foi também uma forma de integrar essas pessoas no mercado financeiro", diz. Além disso, afirma Barral, os EUA também possuem empresas públicas atuando para suprir falhas de mercado. "É o caso, por exemplo, do Serviço Postal dos Estados Unidos, que atua na área de correio. Mas isso não quer dizer que a UPS [empresa privada de transporte e logística] possa processar o governo americano", diz. "E o PIX não proíbe a concorrência, quem quiser pode usar Apple Pay, PayPal, etc. Não há nenhuma proibição de concorrência." Tarifas preferenciais O Escritório do Representante Comercial dos EUA também acusa o Brasil de reduzir tarifas de forma "injusta e preferencial" ao firmar acordos comerciais preferenciais de escopo parcial com parceiros comerciais globalmente competitivos, ao mesmo tempo em que aplica tarifas mais altas às importações americanas. O órgão americano cita especialmente a Índia e o México como países que se beneficiariam dessas tarifas preferenciais. "Este tratamento preferencial aplica-se a centenas de produtos em vários setores, como produtos agrícolas, veículos automotores e peças, minerais, produtos químicos e máquinas", diz o USTR. Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, o Brasil tem, de fato, um acordo parcial com o México, focado nos setores automobilístico e químico. Também existe, no âmbito do Mercosul, um tratado com a Índia. Em vigor desde 2009, ele prevê preferências tarifárias para 450 linhas tarifárias de cada lado. Barral explica que, com essas tarifas preferenciais, produtos comprados do mesmo fabricante, mas originários de países distintos, podem ser taxados de forma totalmente diferente. "Uma empresa como a Ford, por exemplo, tem fábricas tanto no México como nos Estados Unidos. Para exportar um modelo de carro para o Brasil, pode pagar tarifa zero se vier do México, e de 35% se vier dos Estados Unidos. É uma diferença grande", diz. "E alguns mercados envolvidos são setores de interesse para os americanos." Produção de carros no México: Brasil tem, de fato, um acordo parcial com o país, focado nos setores automobilístico e químico Getty Images via BBC Fiscalização anticorrupção Outro ponto levantado pelo governo americano diz respeito ao combate à corrupção e à ideia de que empresas americanas poderiam estar em desvantagem em um ambiente com pouca transparência. "As evidências indicam que a falta de aplicação de medidas anticorrupção e a falta de transparência no Brasil podem prejudicar empresas americanas envolvidas em comércio e investimentos no Brasil e levantam preocupações em relação às normas relativas ao combate ao suborno e à corrupção", diz a USTR. O órgão ainda cita um protocolo de entendimento para comércio e cooperação econômica assinado por Brasil e Estados Unidos, assinado em 2021, que estabelece, entre outras coisas, que os dois países buscariam promover medidas anticorrupção. Em 2024, o Brasil registrou sua pior nota e pior colocação na série histórica do Índice de Percepção da Corrupção da organização Transparência Internacional, considerado um dos principais indicadores de corrupção do mundo. Segundo a organização, o Brasil estaria falhando em reverter a trajetória "de desmonte da luta contra a corrupção", levando a um "processo de captura do Estado pela corrupção" evidente principalmente por conta da presença "cada vez maior e explícita" do crime organizado nas instituições estatais. Para Welber Barral, a ideia defendida pelos EUA em suas alegações "não está totalmente errada". O especialista afirma, porém, que a corrupção no Brasil não é uma questão que será resolvida com a aplicação de tarifas por Washington. Proteção à propriedade intelectual e rua 25 de março Os EUA ainda se queixam sobre o Brasil se envolver "em uma variedade de atos, políticas e práticas que aparentemente negam proteção e aplicação adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual". O país se baseia principalmente na alegação de que o governo brasileiro estaria falhando em combater a venda de produtos falsificados e a pirataria em áreas como streamings e jogos eletrônicos. O USTR cita também a rua 25 de Março, tradicional polo de comércio popular no centro de São Paulo, para criticar as supostas falhas na proteção e aplicação adequada e efetiva dos direitos de propriedade intelectual. Há ainda queixas sobre a demora para a análise e aprovação de pedidos de patente no país. "O impacto da atual pendência média de pedidos de patente de quase 7 anos (e 9,5 anos para patentes farmacêuticas concedidas entre 2020 e 2024) é reduzir o prazo da patente", diz o órgão comercial americano. Rua 25 de Março, tradicional polo de comércio popular no centro de São Paulo, também entrou na mira da investigação Getty Images via BBC Para Guilherme Klein Martins, da Universidade de Leeds, a inclusão das queixas sobre pirataria "servem muito mais como uma desculpa do que um fato" para sustentar as tarifas e a investigação. "Pirataria e comércio ilegal são um problema do mundo inteiro, não apenas do Brasil", diz. Um relatório de 2025 elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre as tendências em torno da pirataria identifica China, Bangladesh, Líbano, Síria e Turquia como as principais fontes desses produtos ilícitos. Sobre a demora para a análise dos pedidos de patentes, o vice-presidente Geraldo Alckmin — que no ano passado ocupava o ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — afirmou que o Brasil estava se esforçando para se adequar ao padrão internacional. No Brasil, o responsável pela concessão das patentes é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O órgão tem sido alvo de críticas e reclamações nos últimos anos. Titulares de invenções passaram a ir ao Judiciário para, caso a caso, buscar uma recomposição de prazo quando ficam anos esperando a decisão do órgão. Em maio de 2021, o STF declarou inconstitucional o parágrafo único do artigo 40 da Lei de Propriedade Industrial (LPI), que previa prazo mínimo de patentes de 10 anos da concessão, para compensar demora na análise do pedido de patente superior a 10 anos da data do depósito. "O INPI estava levando sete anos para registrar uma patente. Nós reduzimos para seis, para cinco, para quatro. No final do ano deve chegar a três. E o ano que vem, dois anos, que é o padrão internacional", disse Alckmin no ano passado, após as alegações americanas. Welber Barral afirma ainda que, apesar da demora ser uma realidade, não há discriminação contra os EUA, o que torna a queixa ilógica. "Um inventor brasileiro ou uma empresa suíça também passam por esse problema. Não é algo direcionado contra os EUA", diz. Etanol A investigação comercial americana também incluiria o comércio de etanol entre Brasil e EUA. Segundo o USTR, o Brasil abandonou o tratamento recíproco e virtualmente livre de impostos para o etanol, que promovia o comércio bilateral, e impôs tarifas de importação íngremes e injustas sobre o etanol dos EUA. O órgão comercial americano diz também que as exportações de etanol dos EUA para o Brasil caíram significativamente devido a essas tarifas, indicando uma desvantagem considerável para os produtores norte-americanos. "Essa é uma reclamação americana de muito tempo. Já houve muitas negociações, implementação de cota e postergação das decisões", diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. Segundo o especialista, as taxas do Brasil ao etanol americano são, de fato, muito mais elevadas do que as encontradas pelos produtores brasileiros nos EUA. E a principal razão para isso, diz, é a necessidade de proteger as usinas no nordeste do país. "Entra muito etanol americano na região, onde a produção é menos eficiente do que nos EUA", explica. As importações do biocombustível americano estão sujeitas a uma tarifa de 18%, que é comum para todos os países membros do Mercosul. Já os EUA impõem atualmente uma tarifa de 2,5% sobre as importações de etanol brasileiro. Durante as negociações, o Brasil chegou a propor que os EUA aumentassem a cota de importação de açúcar brasileiro para o país em troca de uma redução das tarifas ao etanol, de forma a recompensar os produtores brasileiros que fazem o etanol a partir da cana-de-açúcar. Mas o plano nunca foi considerado por Washington. "Os EUA estão exigindo unilateralmente que o Brasil reduza a tarifa sem sequer responder à proposta brasileira", diz Barral. Importações de etanol americano estão sujeitas à tarifa de 18% no Mercosul. Já os EUA impõem taxa de 2,5% sobre as importações de etanol brasileiro Getty Images via BBC Especialistas afirmam ainda que o etanol americano é resultado de uma produção viabilizada por subsídios ao milho, prática que influencia diretamente o preço do combustível. Para alguns, portanto, a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol americano serviria como um mecanismo de defesa comercial. "O Brasil também poderia alegar que se sente injustiçado porque o etanol nos EUA é produzido de uma maneira cheia de subsídios", avalia o economista Guilherme Klein Martins. "Isso abre espaço para uma discussão mais ampla sobre o que é uma tarifa justa ou injusta." Desmatamento ilegal Os EUA também se queixam de que o Brasil não consegue aplicar suas próprias leis contra o desmatamento, prejudicando produtores agrícolas e de madeira americanos. "A conversão de terras desmatadas ilegalmente para a produção agrícola proporciona uma vantagem competitiva injusta às exportações agrícolas, reduzindo custos e expandindo a disponibilidade de insumos agrícolas", alega o governo de Donald Trump, que ainda aponta o Brasil como grande concorrente dos EUA nas vendas globais de produtos agrícolas, "incluindo carne bovina, milho e soja". O documento inicial da investigação comercial reconhece que "as taxas de desmatamento diminuíram nos últimos anos" no país, mas afirma que o patamar atual ainda é alto. O Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2024) do MapBiomas, divulgado em maio deste ano, revelou uma redução de 32,4% na área desmatada no Brasil em 2024 em comparação com 2023. Cinco dos seis biomas brasileiros tiveram redução no desmatamento, segundo o levantamento. A área total desmatada no acumulado dos últimos seis anos (2019-2024), porém, atinge a marca alarmante de 9.880.551 hectares, uma área comparável ao tamanho da Coreia do Sul. Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, o combate ao desmatamento no país tem se mostrado instável ao longo dos últimos anos, a depender do governo. O especialista faz críticas contundentes às políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro, que segundo ele "era omisso em relação à questão" e "impulsionou o crime ambiental". Segundo governo americano, dificuldade do Brasil em combater o desmatamento prejudica produtores agrícolas e de madeira americanos Getty Images via BBC "E Donald Trump, em seu primeiro mandato, manteve relações estreitas e de apoio com o governo Bolsonaro", aponta Astrini, que vê as acusações americanas neste momento como uma demonstração de hipocrisia. O secretário do Observatório do Clima afirma ainda que a gestão do republicano abandonou qualquer tipo de ajuda ao controle do desmatamento na Amazônia, ao contrário de outros presidentes americanos, e que a forma como o tema está sendo tratado nesse momento pode ser entendida como uma ameaça à soberania. "O combate ao desmatamento deve ser realizado única e exclusivamente pelo governo brasileiro de forma autônoma. Ajudas externas são bem-vindas, mas elas não devem ameaçar a soberania brasileira", opina ainda o especialista. Para Guilherme Klein, da Universidade de Leeds, as alegações sobre desmatamento são as que mais poderiam fazer sentido entre todas apresentadas pelo USTR. Segundo ele, aumentar tarifas de importação ou restringir a importação com base em deflorestamento ou emissões de carbono é uma tendência, com, por exemplo, a implementação de mecanismos pela União Europeia. O chamado Mecanismo de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras (CBAM) da UE estabelece um preço para o carbono emitido durante a produção de bens com elevado teor de carbono importados para o bloco. O economista afirma, porém, que essas taxações ocorrem de maneira muito diferente da adotada pelos EUA com o Brasil. "Não cabe como justificativa para aumentar em 50% a tarifa de todas as importações", diz. "Está muito fora do tom." * Com reportagem de Julia Braun, da BBC News Brasil em Londres 'Tensão' sobre tarifas e surpresa em terras raras: os bastidores da reunião entre Lula e Trump na Casa Branca Governo Trump classifica CV e PCC como terroristas e Flávio Bolsonaro comemora: 'Grande dia' 'Crise de quê?': Flávio Bolsonaro aposta em Trump e debate sobre facções contra desgaste do caso Master

Governo acaba com a 'taxa das blusinhas': e agora? O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) está em uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo, mas, fiel a seu estilo e orgulhoso de sua coerência, não teme seguir abraçando um tema impopular como a chamada "taxa das blusinhas", a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50. Fazia poucos dias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dito, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad acreditava que a taxa, criada em 2024 e revogada agora em ano eleitoral, "realmente era uma coisa boa", "para proteger a indústria nacional", e que havia transmitido a ele essa "convicção". Haddad tinha errado na avaliação lá atrás, então? "Não mudei de opinião", disse ele em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (27/5). "Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", diz, em consonância com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) — que afirmou, em abril, quando a medida ainda estava valendo, que foram preservados 135 mil empregos graças a ela — e com os governos estaduais, que mantiveram os impostos estaduais, o ICMS, sobre essas compras internacionais. "Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando." A mira contra o Tarcísio de Freitas (Republicanos) se repetiria muitas vezes na entrevista por motivos óbvios. Haddad quer convencer o eleitor de que é capaz de entregar um governo melhor que o do adversário em áreas como segurança, por exemplo. Segundo levantamento realizado pela Quaest e divulgado no fim de abril, Tarcísio tem até 38% das intenções de voto para a reeleição, e Haddad, até 26%, dependendo do cenário, uma disputa considerada dificil. Embora o período oficial de campanha não tenha começado, Haddad já está em campo, viajando pelo interior e visitando especialmente universidades. Ainda não há definição sobre quem será candidato a vice na chapa do petista, algo que ele afirma que deve ser decidido "até dia 10, 15 de junho". Outro assunto ainda está para ser decidido, segundo ele, é de que forma o PT fará sua grande sucessão, uma vez que é provável que 2026 seja a última disputa eleitoral presidencial de que Lula participa. "Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", afirma Haddad, sobre a 'taxa das blusinhas', que foi revogada Victor Parolin/BBC News Brasil Haddad é o único petista que já disputou uma eleição presidencial além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2018, quando o atual presidente estava preso, Haddad perdeu para Jair Bolsonaro (PL). "Não dá para planejar desse jeito", disse, ao ser perguntado se está preparado para receber o bastão de Lula. "Tem muita coisa para acontecer no Brasil." Mas, no fim, levanta uma possibilidade. "Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo." O partido tradicionalmente realiza votações internas com seus filiados para decidir quem disputará governos municipais e, mais raramente, estaduais. Nos 46 anos de história do PT, houve eleição prévia para presidente uma única vez, em 2002, quando o hoje deputado estadual Eduardo Suplicy manteve sua pré-candidatura e forçou eleições internas. Lula venceu com 84% dos votos contra 15% de Suplicy, sendo depois eleito presidente, pela primeira vez, naquele ano. "Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito", disse Haddad. Lula e Haddad Evaristo Sa / AFP via Getty Images Leia os principais trechos da entrevista. BBC News Brasil - Estamos quase em junho e três pessoas ainda disputam a candidatura ao Senado em São Paulo, no campo da centro-esquerda: Simone Tebet, Marina Silva e Marcio França. O que falta para decidir? Falta a palavra de quem? Fernando Haddad - Eu vejo com uma certa naturalidade essa situação, até porque, se você for ver do outro lado, também tem mais de dois candidatos. E é natural que haja um processo de decantação. Nós estamos falando de três pessoas com uma trajetória incrível. Simone foi prefeita da cidade dela, senadora da República, ministra do Planejamento, Márcio França foi governador de São Paulo, ministro da Micro e Pequena Empresa, de Portos e Aeroportos. A Marina tem uma trajetória internacional incrível, foi senadora da República, candidata a presidente. Nós estamos falando de três pessoas muito valorosas e é normal que isso aconteça. Imaginar que, arbitrariamente, alguém vai decidir uma composição em uma conversa... O presidente Lula está muito envolvido no tema, mas ninguém está preocupado porque é um problema bom para resolver. Seria ruim se ele não tivesse figuras de tanta expressão política como eles são. BBC News Brasil - Mas esse impasse envolve também a discussão do seu vice, por exemplo. Qual seria uma chapa dos sonhos? Haddad - Eu não vou dizer isso pelo seguinte: eu não quero arbitrar, não quero ser parte de uma atitude desrespeitosa em relação a nenhum dos três. São meus colegas de ministério, são parceiros, são amigos, além de termos uma visão de mundo comum em relação à democracia, à justiça social. São pessoas de altíssima respeitabilidade e sobre as quais não paira dúvida sobre conduta ética. BBC News Brasil – Mas a campanha já começou, não? Haddad - Até dia dez, dia 15 de junho, a gente resolve. Eu fui resolver isso em 2022, era final de julho. Nós vamos resolver muito antes do que resolvemos em 2022, na minha opinião. BBC News Brasil – Agora falando da sua pré-candidatura ao governo de São Paulo: por que um produtor de Barretos ou de Jaguariúna deveria votar no senhor e não no Tarcísio? Haddad - Infelizmente, eu me deparei com uma realidade em São Paulo que eu não esperava. Eu discuti longamente com o presidente [Lula] qual deveria ser minha função em 2026. Inicialmente, nós divergimos sobre o que seria o melhor a fazer. E uma das razões pelas quais eu topei foi que ele começou a me expor o que estava se passando em São Paulo, pelos dados que ele recebia. Efetivamente, nós estamos diante de um governo muito precário, em várias áreas. Na área de finanças, como há muito tempo não se vê. O crescimento do Estado é medíocre. No ano passado, São Paulo ficou para trás num patamar inaceitável. A situação das escolas públicas paulistas é muito precária. O que se tornou a Sabesp é um escândalo. Desde o começo, foi tudo mal feito: a venda de uma das maiores companhias de saneamento do mundo com um único interessado, aquela venda de ações, a chamada segunda tranche, a preços muito abaixo do mercado, o envolvimento do complexo [do Banco] Master na compra da Emae [Empresa Metropolitana de Águas e Energia], depois na compra de títulos de CDBs do próprio Banco Master... Tudo muito mal explicado. A própria doação de campanha [de R$ 2 milhões feita à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e também preso no âmbito das investigações do Banco Master]... Marina Silva (Rede) disputa a candidatura ao Senado da centro-esquerda em São Paulo Sergio Lima / AFP via Getty Images [Nota da redação: Em julho de 2024, o governo de São Paulo vendeu cerca de 32% das ações da Sabesp na bolsa, passando o comando à privada Equatorial. Paralelamente, o governo estadual também privatizou a Emae em abril de 2024, vendendo o controle ao fundo Phoenix, cujo principal investidor apontado pela imprensa é o empresário Nelson Tanure, apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como sócio oculto do Banco Master. Pouco mais de um ano depois, já privatizada, a própria Sabesp comprou cerca de 70% da EMAE. Procurada, a Sabesp afirmou que a desestatização seguiu a lei e foi conduzida com transparência. Destacou que a Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação que questionava a venda de ações. Disse ainda que a compra da EMAE atende a critérios técnicos e classifica de "leviana e irresponsável" qualquer ligação com o caso Master.] A Sabesp foi privatizada em 2024, com uma cerimônia na B3, tendo a maior parte das suas ações sendo vendidas para a Equatorial Rovena Rosa/Agência Brasil BBC News Brasil - Mas tudo isso chega na realidade do produtor de Barretos? Haddad – Não, na realidade do produtor de Barretos chega que nós estamos no terceiro recorde de produção agrícola da história do Brasil, porque o Ministério da Fazenda fez os três maiores Planos Safra da história. Nunca o agro foi tão atendido por um governo. Aliás, não é a primeira vez que o presidente Lula faz isso. Quantos mercados nós abrimos para os produtos de São Paulo? Quantos mercados o Bolsonaro e Tarcísio abriram? Nenhum. Como foi o enfrentamento do tarifaço do Trump? Como nós lidamos com o suco de laranja, com a carne? Com os produtos de São Paulo que são vendidos fora, com o café? Enquanto Eduardo Bolsonaro estava do lado dos Estados Unidos, defendendo a retaliação ao Brasil em virtude do julgamento do pai, nós estávamos lutando pelos interesses nacionais. Aí me aparece o Tarcísio dizendo "vamos entregar alguma coisa para satisfazer o presidente americano". E nós ali, muito sobriamente, com a melhor diplomacia do mundo, ganhando o terreno nas negociações até a rendição dos Estados Unidos. Se deixar o preconceito de lado, se a pessoa se debruçar sobre números, sobre política pública, inclusive sobre o desbaratamento dessas quadrilhas todas que a nossa Polícia Federal está fazendo... O caso Master é todo ligado ao bolsonarismo. Quatro ex-ministros do Bolsonaro envolvidos, o presidente do Banco Central do Bolsonaro [Roberto Campos Neto] foi totalmente leniente com a escalada de emissões de CDBs impagáveis. Qualquer criança sabe que aquilo era insustentável e o BC do Bolsonaro soltando a rédea para o banco crescer. É a maior fraude bancária da história. E poderia ter sido evitada com muita facilidade. Corromperam diretores do Banco Central que hoje estão com tornozeleira eletrônica. Quando você vai imaginar um diretor do Banco Central ser corrompido? Falta ali, uma boa apuração, que não será feita, na minha opinião, infelizmente. BBC News Brasil – Não? Haddad - Acho que o foco está fora do BC, e na minha opinião o foco deveria ser o BC. O que aconteceu para um Banco Central, qualquer que seja, não só ser corrompido, mas não ter mecanismo de reação? Foram feitas várias reuniões de alerta com o Roberto Campos Neto e com o diretor da área. Houve muitos alertas feitos pela Febraban [Federação Brasileira de Bancos], grandes bancos, FGC, e esses alertas foram ignorados. A minha equipe do Tesouro descobriu em duas semanas, sendo que não é competência do Tesouro ver isso, algo que o Banco Central não viu em seis anos. PT só teve eleições prévias para presidente em 2022, quando seus filiados escolheram Lula, que concorreu com Eduardo Suplicy MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images BBC News Brasil - O senhor acabou de lançar um livro que trata das classes sociais e relações de trabalho. O governo não conseguiu aprovar um projeto para regulamentar a situação dos entregadores de aplicativo, encontrando resistência, inclusive, da própria categoria. O PT perdeu a linguagem de falar com essa classe trabalhadora, o precariado, como o senhor diz no seu livro? Haddad – O PT é um partido da classe operária tradicional, chão de fábrica, nascido no ABC industrializado... É muito interessante que a tua pergunta tenha sido precedida de um comentário sobre o meu livro, porque um dos recados do meu livro é o seguinte: não existe uma classe social que represente os interesses de toda a humanidade, como se pensou no século 19. O marxismo, por exemplo, pensava que a classe operária era portadora dos interesses emancipatórios de toda a humanidade. Hoje você tem, dentre os não proprietários do meio de produção, um conjunto de cientistas e técnicos e programadores e formuladores que são contratados pelo capital como força criativa. Você tem o velho proletariado, que é contratado como força produtiva, e você tem muita força destrutiva das relações e da proteção social. Um partido que se pretenda representante de um projeto emancipatório, com uma dimensão utópica, um horizonte mais generoso, tem que partir do pressuposto de que isso mudou e ele tem que se abrir para esses novos segmentos sociais. BBC News Brasil - O PT está aberto a esses novos segmentos? Haddad - Eu acredito que está, pelo fato de ter voltado ao poder agora e ter se deparado com uma realidade muito diferente da sua origem. Por exemplo, a última iniciativa teve uma adesão da categoria muito legal, a ponto de subirem no palanque para defender o presidente. [Nota da redação: O governo Lula anunciou neste mês uma nova linha de crédito de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem veículos] Nós estamos tateando. Não tenho a menor dúvida de que o PT quer entender essa categoria, ajudar. E não vai aparecer um [outro] partido, na minha opinião, com essa preocupação. Só que o PT precisa dominar uma tecnologia que ele não domina hoje. Ele precisa aprender. A melhor coisa que nós podemos fazer é aprender com esses novos atores, chamados na literatura de precariado, que são essas pessoas que não têm relações estabelecidas de uma maneira tradicional, são novas relações que estão surgindo de vínculo de trabalho e que não têm a cabeça do proletariado tradicional. Se eles não forem convidados a participar da política, não vão construir uma visão de sociedade mais interessante. BBC News Brasil - Críticos dizem que a segurança pública é um dos calcanhares de Aquiles da esquerda. Ceará e a Bahia têm índices muito ruins nessa área. E São Paulo é um Estado totalmente infiltrado pelo crime organizado, de acordo com os próprias autoridades. Se o senhor for eleito, qual seria a medida número um 1 para a segurança pública? Haddad - Eu comecei a ouvir muito as pessoas para entender quais são as prioridades do Estado. E o que eu posso te assegurar é que a segurança pública vai estar no alto das minhas prioridades. E eu vou dizer, nas próximas semanas, o que eu vou fazer, com começo, meio e fim. Eu já tenho um plano muito adiantado de segurança pública que faz um balanço crítico da atual gestão, que desmontou uma série de mecanismos e não colocou nada no lugar. Meu plano de trabalho tem uma dimensão que é o andar de cima, que é muito desassistido pelo governador. São Paulo tem uma deficiência muito grande no combate ao andar de cima. Modéstia à parte, eu acho que aprendi muito com a Receita Federal atual, que começou a desbaratar os grandes esquemas de corrupção, que foram desbaratados pelo governo federal, Polícia Federal, Receita Federal e Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras]. BBC News Brasil – O senhor já pensa em nomes para uma eventual secretaria? Haddad - Eu diria para você que eu já até tenho nome. Mas não posso dar pista nenhuma ainda. Talvez eu antecipe o lançamento do plano de segurança, porque, como vai ser uma prioridade absoluta, talvez eu antecipe o anúncio dele. O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera as pesquisas para a reeleição no Estado Victor Moriyama/Bloomberg via Getty Images BBC News Brasil - Acha que o Brasil caminha para ser um narcoestado? Haddad - Se a gente não fizer nada... Uma das coisas mais erradas que o Tarcísio fez foi boicotar a PEC de Segurança Pública do presidente Lula. O constituinte de 88 falhou no capítulo sobre segurança pública, porque só tem um artigo ali na Constituição, o 144. E nada mudou de 88 para cá. O presidente Lula foi o único presidente que teve a coragem de reconhecer que a Constituição tem uma falha genética, que ele queria corrigir. O objetivo da PEC era fazer da cooperação entre os órgãos de inteligência a regra, e não a exceção. Compartilhamento de dados, compartilhamento de informações, acesso a sistemas de informação, isso tem que ser a regra, senão você não combate crime nenhum. [Tarcísio] manda o secretário da Segurança Pública [deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP)] desfigurar a Lei Antifacção justamente no capítulo da cooperação, que era o mais importante, eu diria. Todo o resto era mais do mesmo. Mas o eixo da ação é a cooperação, não pode ser outro. Porque o crime está organizado e o Estado não. É isso que está acontecendo. O que o presidente Lula fez foi de muita coragem. Tanto é que ele não criou o Ministério da Segurança Pública porque o ministro da Segurança vai fazer o quê se ele não tiver os dados? Se ele não tiver uma inteligência? O PCC, que nasceu e cresceu em São Paulo, está internacional hoje. [Procurado, Derrite disse, por meio de nota, que "Haddad entende tanto de segurança pública quanto entende de economia: absolutamente nada" e que mudou o PL Antifacção pra "para torná-lo o mais duro já debatido no Congresso".] BBC News Brasil - O PCC cresceu durante o governo de Geraldo Alckmin (PSB) em São Paulo. Ele falhou nisso? Haddad - Nós não tínhamos um diagnóstico preciso sobre por qual razão a segurança pública não andava bem no Brasil. Foi isso que o governo Lula fez. O diagnóstico não anda por falta de integração, então vamos fazer uma PEC para integrar. BBC News Brasil – Sim, mas que o crime organizado estava avançando, esse diagnóstico já existia há muito. Haddad - Mas qual era o antídoto para isso? Com essa experiência que nós acumulamos, eu estou muito seguro de que se eu for eleito governador, eu vou fazer o oposto do que o Tarcísio fez, que é buscar a cooperação com a Polícia Federal, com a Receita Federal, com o Coaf, entregar informações, receber informações, montar um núcleo duro de combate ao crime organizado. O governo de São Paulo não realiza essa cooperação. BBC News Brasil - Analistas consideram que a gente está num momento de rombo fiscal, com o maior déficit nominal da série histórica, de R$ 1,2 trilhão. Se Lula for reeleito, ele vai ter que fazer um ajuste fiscal, como a Dilma fez em 2015? Haddad - Ele fez o ajuste fiscal. BBC News Brasil – E por que o rombo? Haddad - Porque nós estamos com o juro muito elevado, incompatível com a situação do país. Eu recebi um projeto de lei orçamentária com mais de R$ 60 bilhões de rombo, desconsiderado o reajuste do Bolsa Família, que era de R$ 52 bilhões, desconsiderado o calote dos precatórios, que era de R$ 44 bilhões, desconsiderando a indenização dos governadores por conta do ICMS de combustível, que era de R$ 45 bilhões, e eu fiz acordo para baixar para R$ 27 bilhões. Você soma isso, dá R$ 200 bilhões, fora a inflação de quatro anos. Além disso, eu recebi um BPC [Benefício de Prestação Continuada] desorganizado, e um Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] que foi multiplicado por três. Soma tudo isso. Qualquer que seja o presidente eleito, ele vai receber uma situação fiscal infinitamente melhor. BBC News Brasil – Mas é só o juro? Não teve muito gasto? Haddad – É só ver as contas públicas. Pega a despesa primária como proporção do PIB. É assim no mundo inteiro. Qual foi a despesa primária como proporção do PIB? Cresceu ou caiu no governo Lula? BBC News Brasil - E por que os juros não baixam, na sua opinião? Haddad - Aí tem que perguntar para a autoridade monetária. BBC News Brasil – Mas o senhor tinha uma boa relação com Gabriel Galípolo. O que aconteceu? Haddad – Não aconteceu nada. Eu tenho uma relação de independência. Não existe no Brasil, há muito tempo, sintonia entre a Fazenda e o Banco Central. São visões diferentes sobre como lidar com o problema. Poucas vezes na história do Real, você teve momentos de sintonia fina entre a política monetária e a política fiscal. BBC News Brasil - Eu volto à pergunta inicial então: Lula vai ter que fazer um ajuste no ano que vem se ele for reeleito? Haddad - Todo ministro da Fazenda tem que entrar com o plano de trabalho. Eu recebi o orçamento com R$ 200 bi de déficit, conforme eu relatei aqui para você, e já me coloquei à disposição para conversar com qualquer ex-ministro da Fazenda, do [Pedro] Malan para cá, para bater esses dados, porque não é possível a gente discordar sobre um número. O próximo presidente, seja quem for, e eu espero que seja o presidente Lula, vai receber um Brasil muito melhor do ponto de vista das finanças. O que está fora do lugar é a taxa de juro. Agora teve a guerra no Irã, que, na minha opinião, atrapalhou muito o ciclo de corte. Mexeu com o mundo inteiro essa bobagem que foi atacar o Irã. Mas talvez a gente pudesse ter chegado num patamar de juros menor do que os 15%. Talvez a gente pudesse ter começado a cortar antes. Mas enfim, está contratado o ciclo de corte, que eu acho que vai ser um ciclo longo, e o corte do juro vai acertar o déficit nominal, porque o déficit primário também depende da queda do déficit nominal. Porque se você quer rotear o crescimento econômico, você vai ter impacto fiscal também. BBC News Brasil - Apesar dos bons indicativos econômicos, a alta do PIB, inflação controlada... Haddad – Não só econômicos, sociais também, né? BBC News Brasil – Mas então, por que a popularidade do presidente Lula não melhora? Haddad - Essa questão da rede social.... Quando você faz uma pessoa tomar detergente, você está lidando com um universo novo. Estou falando de uma pessoa, um adulto, que, por fidelidade canina, uma seita, se filma tomando detergente porque a Anvisa preveniu a população sobre um lote de um produto que poderia estar contaminado. Nós estamos numa situação grave. Quando pessoas agem dessa maneira, elas não estão mais se importando com nada. E a atuação dessas pessoas na rede social confunde a opinião pública. Nunca se vendeu tanto apartamento e casa, nunca se vendeu tanto carro, nunca se vendeu tanta moto. O IDH do Brasil é o maior da história, a distribuição de renda é a maior da história, o desemprego está na mínima histórica, a inflação de quatro anos é a menor do Plano Real. BBC News Brasil - Mas as pessoas não conseguem ligar uma coisa à outra? Haddad - Mas aí você está jogando uma responsabilidade em cima das pessoas também, que eu não acho justo. Há falhas de percepção, falhas de comunicação, fatores sociais que não estão sendo considerados. Não pense você que o vício em jogos online afeta pouco a vida das famílias. Oficialmente, os cassinos online estão levando R$ 50 bilhões em apostas. Fora o universo digital não oficial, que, dizem, leva outros R$ 50 bilhões. Estou falando de perto de 1% do PIB. Outra coisa é a educação financeira. Nós ainda temos uma cultura de crédito que precisa ser muito aperfeiçoada. Não é porque a prestação cabe no seu bolso que você tem que tomar o crédito. O mundo digital envolve muita coisa. Envolve crédito, compra online, jogos, envolve quase que um universo paralelo. Nós vamos ter que fazer um trabalho de educação. E eu não estou falando assim "ah, o pobre não sabe". É todo mundo. Eu sou do tempo em que você entrava em dez lojas antes de comprar uma camisa para saber qual era a mais barata. BBC News Brasil - Pois, falando em camisa, vamos falar da taxa das blusinhas. O presidente Lula disse nesta semana que o senhor acreditou que a taxa das blusinhas era uma coisa boa. Haddad - Eu, o Tarcísio, o Zema, o Caiado, o Eduardo Leite e todos os líderes partidários. BBC News Brasil - E foi um erro? Haddad - Você acha que todas essas pessoas erraram? Sabe o que é interessante? Nenhum órgão de imprensa escreveu um editorial sobre o tema. Nem contra, nem a favor. O que está por trás disso? Por que ninguém se manifestou sobre isso? Afinal de contas, o certo é o comércio eletrônico pagar o mesmo imposto do comércio presencial, ou não? Do meu ponto de vista, deveria ser uma regra só. Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual. BBC News Brasil - Mas o discurso virou uma guerra de rico contra pobre. O rico pode viajar e comprar lá fora, enquanto o pobre não pode comprar. Haddad - Mas estou falando de um conceito. Uma loja aberta tem que pagar mais ou menos impostos que uma loja virtual? O Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária, responsável, dentre outras coisas, pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS] está cobrando o ICMS até hoje. Não revogou a taxa das blusinhas. Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio se ele é contra ou a favor o ICMS que ele está cobrando. Porque há, efetivamente, uma coisa que está por trás disso. Como isso não ficou na conta dos governadores, nem do Congresso, nas redes sociais estava ficando na conta do presidente, que foi levado a revogar, porque ele é o único que não queria [a taxa das blusinhas]. A única pessoa que não queria era ele. BBC News Brasil - Aí ele jogou na sua conta, dizendo que "o Haddad acreditava que era uma coisa boa". Haddad - E eu não mudei de opinião. Eu não mudei de opinião porque eu ouvi todos os governadores, todos os líderes partidários, a indústria, o comércio e cheguei a essa conclusão. Haddad, na eleição municipal de 2012 em que foi eleito prefeito de São Paulo YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images BBC News Brasil - Sobre a redução da jornada 6x1, alguns críticos dizem que é uma mudança muito brusca, que a proposta é que seja feita a redução de jornada de um jeito muito rápido. Qual é a opinião do senhor? Haddad - A redução da jornada de trabalho é uma demanda histórica, que ganhou tração social agora, e é natural que as pessoas queiram uma regra de transição. E quem tem que estabelecer essa regra de transição é o Congresso Nacional. Agora, o que a direita está pedindo? O Tarcísio, o Flávio? Dez anos de transição. Aí é um pouco demais. BBC News Brasil - Nesta semana a oposição pediu a redução para 4x3. Haddad - Mas eles pediram isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 10 mil, quando a gente apresentou até R$ 5 mil. Isso é um jogo de cena para confundir a opinião de novo. Se eu estivesse no lugar deles, eu negociaria em vez de ficar fazendo micagens. Eu negociei durante meses o Imposto de Renda para chegar a um consenso e todo mundo votar a favor. Todo mundo votou a favor, não teve um voto contra. Porque houve negociação. A Fazenda aprovou 77 projetos de lei na minha gestão, sendo que 40 estruturais. Estou fazendo a maior reforma tributária da história do Brasil. Tudo passou porque foi negociado. BBC News Brasil - Mas para negociar é preciso ter interlocução com o Congresso. O senhor acha que neste momento, depois que o Senado não aprovou a indicação do Jorge Messias para o Supremo, há interlocução? Haddad - Quando caiu a medida provisória da desoneração, nós fomos para o Supremo Tribunal Federal e ganhamos. Quando eles derrubaram o decreto do presidente do IOF, nós fomos para o Supremo e ganhamos. E todo mundo dizia "agora acabou", "não tem mais clima para nada". Eu aprovei tudo. Você reconstrói o clima. Isso depende da sua capacidade de reconstruir a ponte. BBC News Brasil - O presidente Lula está com 80 anos e provavelmente essa é a última eleição que ele disputa. O senhor está preparado para receber esse bastão daqui a quatro anos? Haddad - Não existe esse planejamento no Brasil. BBC News Brasil - Não é no Brasil, é no PT. Haddad - Mas não existe isso. Quatro anos no Brasil são 40 anos em qualquer lugar do mundo. É muito tempo. Quem imaginou que o Flávio Bolsonaro, que até outro dia estava ameaçado de prisão por rachadinha, por compra de imóvel sem fonte de renda, por vender chocolate, agora estaria disputando a Presidência da República? Tem como planejar alguma coisa? Agora, se eu ganhar o governo do Estado, vou trabalhar bem, vou fazer um bom governo. E aí o destino encaminha. Quando fui ministro da Educação, eu não pensava em ser candidato. E acabei sendo candidato a prefeito e ganhando a eleição. Podia ter perdido, mas não dá para planejar desse jeito. BBC News Brasil - Não parece que o PT está trabalhando para a sucessão de Lula. Quais são os nomes, quem são os quadros que estão sendo preparados? Haddad - Não falta quadro. BBC News Brasil - Quais são então? Haddad - Vários quadros. Vários governadores, ex-governadores. BBC News Brasil - Quais? Haddad - Eu não vou ficar declinando o nome aqui. Você sabe. BBC News Brasil - Não, não sei, estou te perguntando. Haddad - O Rafael Fonteles [governador do Piauí] é um quadro que vai despontar no Brasil, por exemplo, para citar um. Mas você está pedindo nomes, os outros vão ficar com ciúmes… BBC News Brasil - Então fala todos os outros. Temos tempo. Haddad - Todo governador ou ex-governador do Estado pode ser candidato. Todo senador pode ser candidato. BBC News Brasil - Quem é o favorito do Lula neste momento? Haddad - Pergunta para ele. BBC News Brasil - O senhor é próximo dele. Haddad - Mas nem o Lula vai dizer isso, porque o Lula sabe da complexidade do processo. Não são processos simples. Mas eu acho que pode ser divertido esse processo. Se ele for arejado, participativo, ele pode ser muito legal. Pode ser uma excelente oportunidade para o PT de se repensar, se reavaliar, discutir programa, discutir futuro. Se o PT fizer um processo aberto, menos fechado, pode ser celebrativo até. Inclusive a militância participar, debater. Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo. Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito. Tem gente muito boa no PT com boas ideias, com boas cabeças. E se você numa prévia envolve a militância, já na escolha do nome você já dá impulso à campanha. Pode ser uma coisa muito legal.

Raphinha celebra gol de falta pela seleção brasileira Rafael Ribeiro/CBF As chuteiras podem ser o item mais caro da lista de quem quer montar um uniforme completo de jogador brasileiro na Copa do Mundo de 2026. Os modelos mais baratos encontrados nas lojas da internet no final de maio saíam a partir de R$ 800 e chegavam até R$ 2.300. Mas esses valores podem ficar ainda mais altos, já que essas chuteiras não são necessariamente as que os 26 convocados vão usar em campo. 🇧🇷 Quer comprar melhor? Receba testes e dicas do Guia de Compras no seu e-mail. Exemplo: Vini Jr. usava uma Nike Mercurial Vapor 16 Vini Jr até recentemente, mas ela já é um modelo "antigo", que já foi substituído pela recém-lançada Mercurial Zoom Vapor 17 Elite (que sai por R$ 2.300). A Adidas deve anunciar mudança na coleção 2026 para a Copa nos próximos dias, o que pode deixar esses valores ainda maiores. Casemiro, Raphinha e Luiz Henrique durante a goleada do Brasil por 6 a 2 contra o Panamá Mauro Pimentel/AFP Apenas quatro marcas dominam os pés dos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol: Nike (11 jogadores), Adidas (8), Puma (4) e New Balance (1). No levantamento feito pelo Guia de Compras com os fabricantes, apenas dois atletas estão sem patrocínio de chuteiras. Por fotos em redes sociais, deu para perceber que Ibañez usa produtos da Adidas, e Igor Thiago, da Nike. Veja a seguir as chuteiras usadas pelos convocados e alguns dos modelos disponíveis nas lojas on-line. Adidas Atletas patrocinados pela Adidas Adidas F50 Elite Adidas F50 LL Adidas Predator Elite New Balance Atleta patrocinado pela New Balance New Balance Tekela “Pure Ambition” Nike Atletas patrocinados pela Nike Nike Mercurial Vapor 16 Vini Jr. Nike Jordan Tiempo Nike Tiempo Maestro Elite LE Puma Atletas patrocinados pela Puma Puma Future 9 Ultimate Puma Ultra 6 Ultimate Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável. Na Copa do Mundo, não grite "gol" com atraso

Harry Kane (à esquerda) e Erling Haaland em um jogo do Tottenham contra o Manchester City em 2023 PA Media via BBC Dois anúncios no Instagram com os astros do futebol Harry Kane e Erling Haaland foram banidos no Reino Unido por serem considerados “irresponsáveis”, diz o órgão regulador de publicidade do país. A Advertising Standards Authority (ASA) disse que os anúncios, que eram de um site de apostas online, violaram o seu código porque Kane e Haaland têm um "forte apelo junto de menores de 18 anos". 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Oddschecker, que publicou as imagens, afirmou que elas eram "principalmente de natureza editorial, e não anúncios" e que havia configurado a conta para ser acessada apenas por maiores de 18 anos. No entanto, a ASA disse que existe "um número significativo de crianças que não usam sua data real de nascimento ao se inscreverem" no Instagram. Agora no g1 Funcionário do Google é acusado de usar dados internos para lucrar US$ 1 milhão em site de apostas O que são os sites de 'apostas sobre tudo' que têm irritado bets no Brasil A ASA investigou os anúncios em questão após uma queixa de um pesquisador da Universidade de Bristol. Um deles mostrava uma imagem de Kane com a legenda: "Harry Kane é o jogador com mais apostas para vencer a Bola de Ouro em 2026 (32% das apostas)", com um emoji de troféu. O outro mostrava Haaland e trazia a legenda: "Nas últimas 24 horas, a Noruega vencer a Copa do Mundo de 2026 é a aposta mais feita através do oddschecker." A Cyan Blue Odds Ltd, empresa que opera a Oddschecker, disse reconhecer que exibir grandes jogadores de futebol pode atrair crianças e que havia configurado a conta para que apenas maiores de 18 anos pudessem visualizá-la. Argumentou que as postagens não eram publicitárias, mas sim conteúdo “editorial” mais geral, razão pela qual não havia nenhum aviso de idade ou mensagem promovendo o jogo responsável. A ASA rejeitou a defesa, considerando Kane e Haaland "como apresentando alto risco de forte apelo junto a menores de 18 anos". “Por esses motivos, concluímos que os anúncios eram irresponsáveis e violaram o código”. Em outra investigação, a ASA concluiu que um outro anúncio no Instagram com um jogador de futebol não violou suas regras. O anúncio da Betway mostrava uma foto do ex-atacante do Arsenal e agora analista Thierry Henry, mas a ASA disse que é improvável que ele atraia fortemente os menores de 18 anos e, portanto, não violou seu código. Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Na noite da última quarta-feira (27), o plenário da Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição que altera a escala de trabalho padrão de 6 dias trabalhados por 1 de folga para 5 por 2 e reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas. Construído a partir de uma PEC apresentada em 2019 e resultado de um acordo costurado entre o presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, o texto foi aprovado por ampla maioria e, agora, vai ao Senado Federal – onde o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, irá pautar nova análise da matéria. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a jornalista Ana Flor, que acompanhou de perto os bastidores da construção do consenso em torno da aprovação da PEC. Ana Flor relata também o que ouviu de economistas e setores organizados da sociedade sobre os pontos positivos e negativos da proposta. Convidada: Ana Flor, comentarista da GloboNews e colunista do g1. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Natuza Nery. O peso das urnas na aprovação do fim da escala 6x1 O que você precisa saber: Comissão da Câmara aprova texto-base da PEC que acaba com escala 6x1: como votaram os deputados e partidos Fim da escala 6x1: ministro do Trabalho diz esperar aprovação de PEC no Senado no 1º semestre Quando começa a valer o fim da escala 6x1? Texto da PEC ainda precisa passar pelo Senado Escala 6x1: entenda por que mudança não garante folgas fixas no sábado e domingo Maria Cristina Fernandes: Fim da escala 6x1 dá um nó no bolsonarismo O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Câmara aprova fim da escala 6x1 Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae O prazo para os Microempreendedores Individuais (MEIs) entregarem a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) terminou no último domingo (31). O envio é obrigatório e deve ser feito anualmente pelo Portal do Empreendedor. Quem não entregou a declaração no prazo ainda pode regularizar a situação. No entanto, haverá multa de 2% ao mês sobre os tributos devidos, limitada a 20%, com valor mínimo de R$ 50. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Para evitar prejuízos ainda maiores, a orientação é que os empreendedores preencham o formulário on-line o quanto antes. A declaração exige apenas informações como o faturamento anual e a eventual contratação de empregados. Para enviar a DASN-SIMEI e regularizar sua situação, é necessário: Acessar o Portal do Empreendedor; Entrar na área da “Declaração Anual de Faturamento” do Simples Nacional (DASN-SIMEI); Informar o CNPJ da empresa; Selecionar o ano da declaração em atraso; Preencher o faturamento bruto do período; Informar se houve contratação de empregado; Conferir os dados e enviar a declaração; Emitir o recibo de entrega e o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) da multa por atraso; Pagar a multa dentro do prazo para evitar juros adicionais. Vídeos em alta no g1 Para facilitar a entrega da declaração, o MEI deve preencher mensalmente o Relatório Mensal das Receitas Brutas com o valor que obteve no mês anterior. Essa também é uma obrigação prevista em lei, segundo o governo federal. 🔎 A DASN-SIMEI reúne informações sobre o faturamento da empresa em 2025, contribuições e, se houver, dados de empregados. Mesmo sem faturamento, o MEI deve realizar a declaração. A declaração deve ser apresentada anualmente à Receita Federal para informar os rendimentos do MEI e manter o CNPJ regular. O documento comprova que a empresa está operando dentro das regras do regime, cujo limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano. O não preenchimento pode gerar multas e até o cancelamento do CNPJ. O MEI também pode ter o registro cancelado definitivamente caso fique dois anos sem pagar as contribuições mensais obrigatórias. Em casos de extinção do CNPJ, o MEI deve apresentar a declaração de situação especial: Até 30 de junho de 2026, se a baixa ocorreu entre 1º de janeiro e 30 de abril de 2025. Até o último dia do mês seguinte à baixa, nos demais casos. Abaixo, veja como fazer a declaração e tire dúvidas. 🧮 Como fazer a declaração anual de MEI? 💻 Quem deve declarar? 💵 Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? 🤔 Errei alguma informação, e agora? Como fazer a declaração anual de MEI? Na declaração anual, é necessário preencher o valor total da receita bruta obtida pelo MEI no ano anterior. Entram as vendas de mercadorias ou prestação de serviços, além de ser necessário indicar se houve ou não o registro de empregado. Para isso, o MEI precisa: Acessar o portal do empreendedor e selecionar a aba "Já sou MEI"; Escolha a opção “Declaração Anual de Faturamento” e clique em entregar a declaração; O CNPJ do MEI será solicitado. Depois, o empreendedor deve escolher o ano que deseja declarar e preencher os dados com as receitas obtidas; Uma tela com o resumo dos valores dos impostos pagos naquele ano será aberta; Por último, é só clicar em transmitir. Nos casos de não movimentação ou faturamento, os campos de Receitas Brutas, Vendas e/ou Serviços devem ser preenchidos com o valor de R$ 0,00 – indicando que, de fato, não houve rendimentos. Quem deve declarar? A declaração deve ser feita por todos os microempreendedores individuais, incluindo aqueles que não obtiveram faturamento durante o ano de 2025. Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? O limite de faturamento anual do MEI em 2025 foi de R$ 81 mil, o que dá uma média de R$ 6.750 ao mês (ou um valor proporcional de acordo com o mês de abertura). 🔎 EXEMPLO: Se você formalizou a sua empresa em maio de 2025, o seu limite de faturamento até o final do ano a ser declarado é de R$ 54 mil. Caso tenha ultrapassado esse valor, o empreendedor deverá pagar tributos sobre o excedente. Segundo Gabriel Santana Vieira, advogado especialista em direito tributário, existem duas possibilidades: O MEI que fatura até 20% acima do limite (até R$ 97.200) será desenquadrado automaticamente a partir de 1º de janeiro do ano seguinte e deverá migrar para o regime de Microempresa (ME) no Simples Nacional. Já o empreendedor que faturar acima de 20% do limite (acima de R$ 97.200), o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado, gerando possíveis custos adicionais, como tributos, multas e juros. "O empreendedor deve solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional e ajustar seu enquadramento como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), iniciando o pagamento dos tributos de acordo com o novo regime", afirma Vieira. Vale lembrar que no regime de ME, os tributos são calculados com base no faturamento anual e nas tabelas do Simples Nacional, exigindo maior controle financeiro e, geralmente, o auxílio de um contador. Ainda segundo o especialista, essas mudanças são importantes para manter a regularidade fiscal da empresa e evitar problemas com a Receita Federal. Errei uma informação, e agora? Neste caso, o MEI terá de entrar na declaração e escolher o ano-exercício a ser corrigido. Após selecioná-lo, aparecerá a opção de retificadora em 'tipo de declaração'. O microempreendedor altera o dado que precisa e transmite de novo a declaração. Uma recomendação é salvar ou imprimir o novo recibo de transmissão. Imposto de Renda 2026: MEI precisa declarar? Veja quem é obrigado MEI: confira valores de contribuição, prazos para quitar dívidas e obrigações em 2026

Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga É uma dúvida comum entre quem quer comprar passagens ou programar viagens com antecedência: afinal, quando cai o Corpus Christi neste ano? 🤔 A pergunta faz sentido. A celebração da Igreja Católica é considerada uma “data móvel” — ou seja, não tem um dia fixo no calendário e muda a cada ano. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O mesmo acontece com outras datas religiosas, como o carnaval e a Páscoa. E isso não é coincidência: todas seguem um cálculo definido há séculos, que combina tradição religiosa e até fenômenos astronômicos. Sim, a conta envolve elementos como as fases da Lua, a posição do Sol e o calendário lunar. Parece complicado, mas dá para entender seguindo um passo a passo. 🕊️ Primeiro, define-se a data da Páscoa: a celebração acontece sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio de março. (veja como é feito cálculo) ✝️ Depois, basta contar 60 dias a partir do domingo de Páscoa para chegar ao Corpus Christi, celebrado sempre em uma quinta-feira. 🎉 O carnaval também depende dessa lógica. A terça-feira de carnaval acontece 47 dias antes da Páscoa — ou, de forma mais precisa, 40 dias antes do Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa. Mas o que quer dizer Corpus Christi? A expressão vem do latim e significa “Corpo de Cristo”. A data celebra, segundo a tradição católica, a presença de Jesus Cristo na eucaristia — representada pelo pão e pelo vinho. De acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a celebração marca a “presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho”. Quando cai o feriado de Corpus Christi em 2026? Neste ano, o Corpus Christi será celebrado em 4 de junho, uma quinta-feira. A data é considerada ponto facultativo nacional. Isso significa que estados e municípios podem transformá-la em feriado religioso por meio de regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso para quem também folga na sexta-feira ou no fim de semana. Nas cidades onde o Corpus Christi é feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Caso o funcionário seja convocado para trabalhar, ele tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória. Das 27 capitais brasileiras, 20 decretaram Corpus Christi como feriado, cinco adotaram ponto facultativo, uma informou que a data não será feriado e uma ainda não publicou decreto sobre o assunto. (Veja a lista completa abaixo) Consideram feriado Aracaju (SE) Belo Horizonte (MG) Boa Vista (RR) Brasília (DF) Campo Grande (MS) Cuiabá (MT) Curitiba (PR) Florianópolis (SC) Fortaleza (CE) Goiânia (GO) Macapá (AP) Maceió (AL) Manaus (AM) Natal (RN) Rio de Janeiro (RJ) Salvador (BA) São Luís (MA) São Paulo (SP) Teresina (PI) Vitória (ES) Consideram ponto facultativo Belém (PA) Palmas (TO) Porto Velho (RO) Porto Alegre (RS) Rio Branco (AC) Não é feriado e nem ponto facultativo Recife (PE) Sem decreto publicado João Pessoa (PB) Tapetes do dia de Corpus Christi em Palmas Otávio Frabetti/Catedral de Palmas O que é ponto facultativo? Em dias de ponto facultativo, os servidores públicos são dispensados do trabalho sem prejuízo na remuneração. Essa medida costuma ser adotada em dias úteis que ficam entre feriados e fins de semana. No setor privado, como a data é considerada ponto facultativo e não feriado, as empresas não são obrigadas a dispensar seus funcionários. Quais são os próximos feriados de 2026? Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida). Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 *Com colaboração de g1 Acre, g1 Alagoas, g1 Amapá, g1 Amazonas, g1 Bahia, g1 Ceará, g1 Distrito Federal, g1 Espírito Santo, g1 Goiás, g1 Maranhão, g1 Mato Grosso, g1 Mato Grosso do Sul, g1 Minas Gerais, g1 Pará, g1 Paraíba, g1 Paraná, g1 Pernambuco, g1 Piauí, g1 Rio de Janeiro, g1 Rio Grande do Norte, g1 Rio Grande do Sul, g1 Rondônia, g1 Roraima, g1 Santa Catarina, g1 São Paulo, g1 Sergipe e g1 Tocantins. LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

Bolsa Família divulga calendário de pagamentos de janeiro de 2026 A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de junho do Bolsa Família no dia 17. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados. 🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos. Confira o calendário do Bolsa Família para junho de 2026: Final do NIS: 1 - pagamento em 17/6 Final do NIS: 2 - pagamento em 18/6 Final do NIS: 3 - pagamento em 19/6 Final do NIS: 4 - pagamento em 22/6 Final do NIS: 5 - pagamento em 23/6 Final do NIS: 6 - pagamento em 24/6 Final do NIS: 7 - pagamento em 25/6 Final do NIS: 8 - pagamento em 26/6 Final do NIS: 9 - pagamento em 29/6 Final do NIS: 0 - pagamento em 30/6 Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é: Julho: de 20/7 a 31/7; Agosto: de 18/8 a 31/8; Setembro: de 17/9 a 30/9; Outubro: de 19/10 a 30/10; Novembro: de 16/11 a 30/11; Dezembro: de 10/12 a 23/12. Bolsa Família Luis Lima Jr/FotoArena/Estadão Conteúdo Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Bolsa Família. Quem pode receber o Bolsa Família? A principal regra para receber o benefício é ter renda mensal familiar de até R$ 218 por pessoa. Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família. Os beneficiários também precisam arcar com contrapartidas, como: manter crianças e adolescentes na escola; fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes); manter as carteiras de vacinação atualizadas. Quais são os valores do benefício? O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de: R$ 150 por criança de até 6 anos; R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos; R$ 50 por bebê de até seis meses. Onde se cadastrar? Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento. Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada. VEJA COMO FAZER O CADASTRO ÚNICO DO GOVERNO FEDERAL Como sacar o Bolsa Família? Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque. Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito. Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.

Associações, advogados e juízes são investigados na "Indústria do limpa-nome Os anúncios estão por toda parte e prometem limpar o nome de devedores em tempo recorde. Mas a dívida não é cancelada. Ela apenas some temporariamente dos registros dos órgãos de proteção ao crédito. Como isso é possível? Associações de defesa do consumidor, advogados e juízes estão sendo investigados. O esquema envolve a concessão de liminares suspeitas e se chama "indústria do limpa-nome". É o que mostra a reportagem especial de Mauricio Ferraz e Evandro Siqueira. Uma pesquisa recente mostrou: quase 83 milhões de brasileiros estão endividados, a metade da população adulta do país. E a taxa média de inadimplência atingiu o maior nível desde 2011. “A gente vai entrar com uma ação judicial. Você vai ter o poder novamente de empréstimo, financiamento, cartão.” Com tanta gente endividada, anúncios com esse tipo de promessa viralizaram na internet. Mas como isso é possível? E, o principal: é tudo dentro da lei? O Fantástico foi ao Nordeste, uma das regiões que mais concentram ações judiciais coletivas de quem está negativado, em busca de informações sobre a chamada "indústria do limpa-nome". “No começo, achávamos que era um movimento pontual, mas ele está se voltando quase que a um movimento sistêmico. Significa que ele acaba se replicando”, afirma Elias Sfer, presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito. As investigações mostram que essa "indústria" depende de associações que dizem defender os direitos dos consumidores. São elas que entram com as ações coletivas exigindo que órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, não divulguem que a pessoa tem dívidas pendentes, que está com o nome sujo. Quando alguém consulta o cadastro, a resposta deve ser que "nada consta", não há nenhuma restrição. “Um dos principais argumentos ali é de que eles não receberam a comunicação de negativação, que é uma obrigação legal, está no Código de Defesa do Consumidor”, diz o advogado Armin Lohbauer. Mas as investigações revelam: a grande maioria recebeu, sim, a notificação da dívida e da negativação. “Não tem fórmula mágica. Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente ser camuflada e desaparecer da noite para o dia”, afirma André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil. Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes Fantástico/ Reprodução Quem aceita a proposta de anúncios como os que mostramos na reportagem tem o nome repassado para uma associação. São várias agindo da mesma forma. “Havia uma comercialização de listas de nomes que a associação recebia. Inseria essas pessoas, esses nomes como associados para representá-los judicialmente nos processos", afirma Jamile Lemos, promotora de Justiça de PB. "É uma comercialização de uma liminar. A gente está diante de um processo fraudulento, um processo falso, não autêntico. É um processo fake, feito para ganhar dinheiro”, diz o advogado Armin Lohbauer. Em 2023, as ações judiciais de limpa-nome se concentravam no Piauí, Paraíba e Pernambuco. Dois anos depois, elas se espalharam para mais seis estados. As liminares - que chegam com frequência aos cartórios de protestos - proíbem a divulgação de que a pessoa está com nome sujo, mas não cancelam as dívidas. Elas continuam existindo até que sejam pagas ou negociadas. A soma das contas atrasadas de quem já se beneficiou dessas liminares dá um valor gigantesco. “Ao longo de cinco anos, já se chegou a uma marca de aproximadamente R$ 130 bilhões em créditos que foram camuflados. Pessoas que têm dívidas e que estão se apresentando diante do mercado com o nome limpo e, com isso, contraindo novas dívidas", diz André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

João Fonseca em Roland Garros contra o norueguês Casper Ruud. REUTERS/Guglielmo Mangiapane O brasileiro João Fonseca venceu neste domingo (31) o norueguês Casper Ruud pelas oitavas de final de Roland Garros. Com a classificação para as quartas de final, o tenista garantiu uma premiação de 470 mil euros (cerca de R$ 2,77 milhões na cotação atual). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia João derrotou Ruud por 3 sets a 1 na quadra Philippe-Chatrier, em Paris, na França. Com o resultado, ampliou sua melhor campanha em um torneio de Grand Slam. O brasileiro já havia alcançado seu melhor desempenho nesse tipo de competição ao superar o sérvio Novak Djokovic na fase anterior. Agora, a jovem promessa do tênis brasileiro enfrentará Jakub Mensik, atual número 28 do ranking da ATP, em busca de uma vaga na semifinal. Em busca da próxima fase, o valor do prêmio também pode servir de motivação para o brasileiro. Caso João avance para a semifinal, vai embolsar 750 mil euros (cerca de R$ 4,4 milhões). Entre os quatro torneios de Grand Slam, Roland Garros tem a terceira maior premiação ao campeão. Veja o ranking: US Open — 4,3 milhões de euros (R$ 25,9 milhões) Wimbledon — 3,5 milhões de euros (R$ 20,6 milhões) Roland Garros — 2,8 milhões de euros (R$ 16,5 milhões) Aberto da Austrália — 2,55 milhões de euros (R$ 15 milhões) Agora no g1 Veja a premiação de Roland Garros Chaves simples Campeão: 2,8 milhões de euros (R$ 16,52 milhões) Finalista: 1,4 milhão de euros (R$ 8,26 milhões) Semifinal: 750 mil euros (R$ 4,43 milhões) Quartas de final: 470 mil euros (R$ 2,77 milhões) Oitavas de final: 285 mil euros (R$ 1,68 milhão) Terceira rodada: 187 mil euros (cerca de R$ 1,1 milhão) Segunda rodada: 130 mil euros (cerca de R$ 767 mil) Primeira rodada: 87 mil euros (cerca de R$ 513 mil)

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil A Petrobras anunciou neste domingo (31) uma redução de 9,59% no litro do diesel A para as distribuidoras, o que levará o litro do combustível para R$ 3,30 ante os atuais R$ 3,65 a partir de segunda-feira, 1º de junho. Em nota, a estatal disse que a redução se deveu à subvenção ao diesel anunciada pelo governo federal. No sábado (30), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prorrogou medidas para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis em meio à continuidade da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Entre as medidas anunciadas no sábado estava uma subvenção de R$ 1,12 para o diesel rodoviário em substituição a duas outras subvenções que venceriam neste domingo. Agora no g1 Na nota em que anunciou a redução para as distribuidoras, a Petrobras disse que está avaliando os termos da nova subvenção. "Qualquer decisão da companhia sobre esse tema será tempestivamente divulgada ao mercado nacional", afirmou na nota. Pouco após o início da guerra, deflagrada em 28 de fevereiro, a Petrobras elevou, em meados de março, o preço do diesel A em suas refinarias em 11,6%, ou R$ 0,38 o litro, para uma média de R$ 3,65 por litro, em movimento que atenuava a defasagem do valor da estatal em relação ao mercado internacional, após a disparada do preço do petróleo em função do conflito. A guerra levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do fluxo global de petróleo antes do conflito, gerando uma alta nos preços internacionais da commodity.

Robôs e internet bloqueada: os bastidores da cobertura do Salão de Pequim O Salão do Automóvel de Pequim tem muitos superlativos, e um deles ajuda a dimensionar o tamanho do evento quando comparado ao Salão de São Paulo: a área total dos pavilhões na China era quase seis vezes maior que a da capital paulista: 380 mil metros quadrados contra 64 mil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Esse espaço foi suficiente para abrigar: 1.451 veículos em exposição; 181 lançamentos; 71 carros-conceito apresentados. (O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.) Houve conteúdo de sobra para cerca de 890 mil visitantes. Uma parcela significativa deles adotou uma prática bastante popular na China: transmissões ao vivo. Em vez de câmeras dedicadas à produção de fotos ou vídeos, o que mais chamava a atenção de quem circulava pelos estandes era o uso de transmissões ao vivo, em um formato bastante peculiar. Lives borbulhavam no estandes do Salão de Pequim André Fogaça/g1 O cenário se repetia: um tripé compacto, com haste elevada até o rosto do apresentador, um celular apontado para o carro, outro na mão com informações e uma narração contínua, acompanhada por comentários do público na tela. Do apresentador, só a voz e, em raras oportunidades, o braço aparecia para apontar algum detalhe. O objetivo ia além de apresentar as novidades e qualidades do modelo. A ideia era vender o carro ali mesmo, com cupons que garantiam benefícios ao comprador e comissão ao vendedor. Eram muitos, dezenas alinhados em frente aos estandes. A maioria usava o esquema simples, mas os mais estruturados, que eram raros, contavam com equipes de vídeo, câmeras profissionais e até aparições em cena, em um formato que lembrava programas de vendas na TV. Bastava o estande exibir alguma novidade — afinal, lançamentos representavam apenas 12% do total de carros expostos — para que as transmissões ao vivo se multiplicassem. Lives para uns, luta constante para outros Um ponto importante para entender a situação descrita a seguir: nenhum dos celulares observados pela reportagem estava conectado a uma rede Wi-Fi durante as lives. Todos usavam exclusivamente a rede de telefonia móvel e exibiam excelente qualidade de conexão. Essa fartura de dados, porém, não se confirmou para estrangeiros. O responsável por essa situação é o chamado Grande Firewall da China, uma política do governo que restringe o acesso à internet para quem está no país — sejam chineses ou visitantes de fora. Em resumo, serviços muito populares fora da China simplesmente não funcionam no país, como Facebook, Instagram, WhatsApp, Telegram, Google, Waze, YouTube e X. O uso de uma VPN — ferramenta que simula uma conexão a partir de outro país — contorna o bloqueio, mas cria novos problemas. O principal deles é a queda brusca na velocidade da conexão. Durante a cobertura do salão, a reportagem recorreu a esse tipo de ferramenta e um vídeo de apenas dois minutos, que normalmente seria enviado em segundos, levou mais de uma hora para chegar ao destino. Conexão lenta e instável eram regra dentro da China André Fogaça/g1 E não foi só com vídeos. Publicar um texto também passou a exigir muito mais tempo, e o envio de uma única foto podia levar vários minutos. Esse atraso não significa apenas esperar: representa menos tempo circulando pelo evento, menor autonomia da bateria do notebook e mais tempo procurando tomadas — que eram raras, concentradas em áreas VIP dos estandes e bastante disputadas. Tudo isso acontecia enquanto a legião de criadores de conteúdo desfrutava de conexão abundante para realizar as transmissões ao vivo, sempre com carregadores externos conectados para evitar que a bateria do celular acabasse. Vale destacar que essas transmissões acontecem em redes sociais chinesas, como Weibo e WeChat, por isso não são afetadas pelo bloqueio. Instagram e YouTube ficam fora dessa equação. A limitação da internet é uma realidade desde o momento em que se pisa na China até a hora de ir embora. Trocar para o Wi-Fi não melhora a situação. A VPN provoca a mesma queda na velocidade da internet, e redes públicas de Wi-Fi praticamente não existiam dentro dos pavilhões. Idioma ainda é uma questão O avanço da China no mercado internacional é uma realidade que vai muito além dos automóveis. São marcas de televisores, celulares, carros, geladeiras, micro-ondas e uma infinidade de produtos que chegam ao Brasil e a diversos outros países. Com isso, fica evidente a intenção da China de dialogar com o mundo. Essa preocupação era visível no próprio centro de convenções, que reunia restaurantes de comida tradicional chinesa e unidades completas de redes internacionais como McDonald’s, Pizza Hut e Starbucks. No entanto, apesar de os pavilhões contarem com placas de orientação em inglês, logo abaixo do chinês, e de haver opções de comida ocidental para agradar visitantes estrangeiros, o atendimento não seguia a mesma lógica. Desde pedir um hambúrguer, um café ou uma pizza até conversar com alguém nos estandes das montadoras, quase tudo exigia o uso do celular e de algum aplicativo de tradução. Chegar às coletivas e encontrar o local das apresentações também dependia de um tradutor no celular, capaz de ouvir o que a outra pessoa dizia, exibir a tradução em português na tela e responder com uma voz sintética para que a conversa pudesse seguir. Até as próprias coletivas eram realizadas em chinês. Felizmente, algumas marcas com presença internacional ofereciam tradução simultânea por meio de fones de ouvido. Ainda assim, em certos casos, a impressão era de que a tradução não transmitia integralmente tudo o que o apresentador dizia no palco. Robôs, mas não por todos os lados Robôs estavam presentes, mas não eram muitos no Salão de Pequim André Fogaça/g1 Poucos dias antes do início do Salão de Pequim, a China promoveu uma meia maratona exclusiva para robôs. O vencedor foi desenvolvido pela Honor, criada pela Huawei, empresa que fabrica desde fones de ouvido até carros elétricos. O robô humanoide completou os 21 quilômetros em 50 minutos e 26 segundos, seis minutos e 16 segundos a menos que o tempo do ugandense Jacob Kiplimo. O atleta correu a mesma distância em cerca de 56 minutos e 42 segundos, em março, durante uma competição em Barcelona, na Espanha, e é o atual recordista mundial — ao menos entre os humanos. No hotel onde a reportagem ficou hospedada, pedidos de comida e entregas de encomendas chegavam à porta, levados por robôs e nunca por uma pessoa. Robô no hotel de Pequim era responsável por entregas aos quartos André Fogaça/g1 Estes robôs têm um formato simples, parecido com um caixote vertical, com olhos exibidos em uma tela, por onde o hóspede interage para confirmar o recebimento do item. No shopping ao lado do hotel, um robô era responsável pela limpeza do chão. Ele lembra os modelos já vendidos para uso doméstico, mas é maior, com mais de um metro de altura. Dentro dos pavilhões, porém, o cenário era diferente do que se via fora deles. Poucas empresas exibiam robôs em seus estandes e, na maioria dos casos, eles estavam ali apenas para atrair a atenção do público — não eram produtos desenvolvidos pelas próprias marcas. Uma das exceções foi o grupo Chery, que apresentou um robô humanoide avaliado em R$ 210 mil e um robô em forma de cão, por R$ 12 mil. Os dois já estão à venda na China, longe de qualquer ideia de futuro distante ou de ficção científica.

Miriam Leitão: Guerra freou queda dos juros O chamado crédito direcionado, que conta com juros menores, voltou a subir no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo números do Banco Central. O aumento dessa modalidade faz o Banco Central (BC) manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em um patamar maior. 🔎 O crédito direcionado é um financiamento em que os recursos têm uma finalidade específica obrigatória, regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Esses empréstimos têm juros menores e prazos mais longos e destinam-se a atividades setoriais, como imobiliária, rural e de infraestrutura. 🔎 O crédito direcionado possui taxas menores por ter subsídio do governo, fontes mais baratas de recursos e garantias públicas. O próprio BC, responsável por fixar o juro básico da economia para conter a inflação, explica que esse é um fator que pressiona para cima a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Em termos reais, é o segundo juro mais alto do mundo. 🔎 A Selic representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor. O crédito fica mais caro quando ela sobe, o que reduz o o consumo, investimentos e contratações. Isso ajuda a conter a inflação. Já a queda da Selic barateia o crédito e estimula a atividade econômica. "O aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", informa a ata última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que é responsável por definir a Selic, em 29 de abril. A explicação é que o BC tem de manter a taxa Selic em um patamar mais elevado do que o normal porque boa parte do crédito em mercado não está atrelado à taxa básica da economia. 💰 Esse tipo de crédito teve um aumento no terceiro mandato do presidente Lula, após queda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (veja mais detalhes) As principais linhas de crédito direcionado são: empréstimos para compra da casa própria; crédito rural e as linhas operacionalizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao setor produtivo; linhas com garantias oferecidas pelo governo, como o Pronampe e o FGI, e para segmentos específicos. Na série histórica do Banco Central, que tem início em março de 2011, a taxa média de juros do crédito direcionado somou 9,3% ao ano, até março de 2026. Ao mesmo tempo, a taxa média dos empréstimos normais, que não têm juros favorecidos, somou 38,8% ao ano no mesmo período. Com isso, a taxa média de juros do crédito com recursos livres foi cerca de quase quatro vezes maior do que a do crédito direcionado entre março de 2011 e o mesmo mês deste ano. Aumento no governo Lula De acordo com a série histórica do BC, as linhas de empréstimos subsidiadas, ou seja, que estão abaixo das taxas de mercado, representaram 43,1% do volume total em mercado em março deste ano, o maior nível desde o fim de 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro. 💰Analistas observam que, diante dos limites para gastos da regra fiscal, o governo Lula tem aumentado as linhas de crédito com juros favorecidos em um ano eleitoral, dificultando a queda da taxa básica e, consequentemente, das linhas de empréstimos para os demais setores da economia. 💵No terceiro mandato de Lula, o movimento de crescimento do crédito direcionado se intensificou com a proximidade das eleições, foram anunciadas linhas de crédito com juros mais baratos, impulsionando o crédito direcionado, para: Máquinas agrícolas; Minha Casa, Minha Vida; Taxistas e motoristas de aplicativos; Plano Safra; Caminhões e ônibus; Microempreendedores de baixa renda; Setores afetados pelo tarifaço e guerra no Oriente Médio; Programa para reforma de imóveis; Renegociação de dívidas no Desenrola 2.0; Nova política industrial Pessoas físicas, um novo modelo de crédito imobiliário; Fundo Clima, para projetos de combate às mudanças climáticas; Fundo de florestas tropicais; Renegociação de dívida agropecuária, em curso. Para Sergio Vale, economista-chefe MB Associados, em vez de injetar recursos nessa intensidade por meio de linhas de crédito específicas, o governo deveria fazer o caminho contrário: um corte de gastos mais intenso para promover a redução dos juros para todos os segmentos e setores da sociedade. "O governo escolhe o caminho que parece ser mais fácil, mas na verdade é o mais difícil. Atrapalha o Banco Central e gera resultados que, muitas vezes, são só de curto prazo e são agravantes para a situação econômica do país quando a gente olha no longo prazo", avaliou. Lula no lançamento do Plano Safra 2025, que oferece crédito com juros subsidiados a agricultores Ricardo Stuckert/PR Teoria da meia-entrada no cinema Em 2023, o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, recorreu à explicação da meia-entrada no cinema para explicar esse fenômeno. "No crédito direcionado, a gente pode fazer a análise do cinema que vende a meia-entrada. Se eu vendo muita meia-entrada e quero ter o mesmo lucro, a entrada inteira eu tenho que subir o preço. O crédito funciona um pouco assim", afirmou Campos Neto, na ocasião. Ele comparou o volume total do crédito no país a um "tubo" para explicar porque a concessão de empréstimos, com juros menores, afetam o patamar da taxa Selic, fixada pelo Banco Central para conter a inflação. "Se um pedaço do tubo está imobilizado [crédito direcionado, com juro mais baixo], eu tenho que aumentar a pressão no outro [subindo mais a taxa total]. Quando você tem muito crédito subsidiado, a sua potência de influenciar com o juro diminui. Então tem que ter um juro mais alto do que você teria", declarou o ex-presidente do BC, Campos Neto. Gabriel Galípolo, atual presidente do BC, afirmou em audiência pública no Senado Federal neste mês que há algo de "idiossincrático" (peculiar) que permita que o país tenha juro real, após descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses, perto de 10% ao ano, inflação acima da meta e desemprego na mínima histórica. "Vai demandar uma série de reformas para desobstruir os canais, e ter uma política [monetária, de fixação dos juros] que pese menos com um efeito mais eficaz no controle da inflação", disse Galípolo. De acordo com o BC, pelo fato de o direcionado não ser uma forma prevalente de crédito, os países em geral não possuem estatísticas específicas sobre crédito direcionado, o que torna a comparação internacional um exercício complexo e não recorrente. Mesmo assim, suas estimativas, que consideram apenas os dados internacionais disponíveis para países parecidos, como Colômbia, China, Coreia do Sul, México e Peru. Em cerca de 43% do crédito total, o Brasil está muito na frente de outros países, como o México, com 26%. A instituição informou, também, que a maioria dos outros países possui percentual abaixo de 5%. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) concordou que, quanto maior a participação das linhas de empréstimos com recursos direcionados, com taxas de juros abaixo de mercado, menor a potência da política monetária, taxa Selic fixada pelo BC. Mas ponderou que a trajetória recente de aceleração das linhas de crédito com juros favorecidos é bem menos acentuada em relação à verificada no início da década de 2010, com a participação encontrando-se em nível bem distante dos 50% ocorridos entre 2016/2017. "A interferência governamental na definição de taxa de juros no crédito é sempre ruim, gerando em muitas situações ineficiências e distorções na alocação de recursos. Assim, em uma análise inicial, as demais taxas deveriam ser mais altas para preservar a rentabilidade das carteiras", explicou a ABBC. Juros básicos altos, por sua vez, geram outra consequência negativa para a economia brasileira, o crescimento da dívida (pois são base para a emissão de títulos públicos). Em 80% do PIB, o endividamento brasileiro está no maior nível em cinco anos e, também, em patamar semelhante à Zona do Euro. Por ser elevada, a dívida brasileira também é um fator de pressão para cima nos juros. É um ciclo vicioso que se retroalimenta e compromete recursos para gerações futuras.
O que é a 'pobreza de refrigeração', que torna o calor extremo mais perigoso para milhões de pessoas

Favela da Rocinha Reprodução/TV Globo Imagine caminhar pela praia de Ipanema numa tarde de verão. A areia é dourada, há uma brisa refrescante vinda do mar, a sombra de um guarda-sol e uma bebida gelada na mão. Agora olhe para cima. Agarrado à encosta a apenas algumas centenas de metros de distância está o Vidigal, uma das favelas do Rio de Janeiro. Aqui, milhares de pessoas vivem em uma ilha de calor, com telhados de metal, sem parques e sem redes formais de transporte público. Nos subúrbios que se estendem por toda parte em torno do Rio, famílias enfrentam as mesmas noites sufocantes, e as calçadas de concreto irradiam calor muito tempo depois do pôr do Sol. Se não há espaços públicos frescos para onde se refugiar, nem bebedouros ou fontes de água potável para garantir alívio, o calor extremo é inevitável. E a cidade do Rio de Janeiro está longe de ser a única a enfrentar este problema. No verão passado, a Europa sofreu com o calor. A Espanha registrou máximas de 46°C. Portugal chegou a 46,6°C. A França teve o segundo junho mais quente desde 1900. Nos EUA, mais de 150 milhões de pessoas enfrentaram alertas de calor extremo. No sul da Ásia, África Ocidental e no resto da América Latina, o calor extremo não é apenas sazonal. Quinze pessoas morrem na Europa por causas relacionadas à onda de calor Mas as consequências do calor extremo não são distribuídas uniformemente. Elas variam entre países, regiões e bairros. Diferenças demográficas, de infraestrutura e de capacidade de adaptação determinam o grau de impacto sobre as pessoas. Nosso novo estudo mostra que essa “pobreza sistêmica de refrigeração” é generalizada, mas desigual, em 28 países — predominantemente os em desenvolvimento. Entre as 3 bilhões de pessoas representadas pela nossa amostra, quase 600 milhões enfrentam níveis graves de pobreza sistêmica de refrigeração. Pessoas no sul da Ásia e na África Subsaariana suportam o fardo mais pesado. Ondas de calor atingem o centro de São Paulo, no Brasil Nelson Antoine/Shutterstock Mas países que enfrentam calor extremo semelhante podem apresentar resultados diferentes. A Indonésia e Bangladesh enfrentam a exposição a um calor úmido perigoso que afeta quase toda a sua população, mas a infraestrutura física e os serviços de saúde mais robustos da Indonésia se traduzem em níveis mais baixos de pobreza sistêmica de refrigeração. Nas cidades, a vulnerabilidade é moldada pela infraestrutura física (edifícios, ruas, tubulações e espaços verdes) e pela infraestrutura social (serviços, instituições e redes de apoio), ambas distribuídas de forma desigual. Moradores de áreas mais pobres geralmente têm menos acesso a ar-condicionado, ruas e parques com sombra de árvores e moradias com isolamento térmico. A capacidade de refrigeração não é apenas uma questão de tecnologia. Enquadrar o ar-condicionado como a resposta ao calor extremo é problemático. O acesso ao ar-condicionado é extremamente desigual entre os países e dentro deles – a maior parte da população mundial simplesmente não tem acesso a ele. O ar-condicionado também consome muita energia. Ele aumenta as contas anuais de eletricidade das famílias em mais de um terço, em média. Isso sobrecarrega as redes elétricas quando a demanda por energia atinge picos. O aumento da demanda por eletricidade acelera as mudanças climáticas, retroalimentando a crise do calor e elevando ainda mais as temperaturas externas. A produção e o descarte de aparelhos acarretam um custo ambiental próprio, com o risco de liberação de materiais perigosos no solo, na água e no ar. Os principais fatores que determinam se o calor se torna perigoso são as condições em que as pessoas nascem e vivem. Onde você mora, como seu bairro é construído, se há árvores ou água potável pública nas proximidades, quão bem ventilada é sua casa, se seu local de trabalho oferece proteção e se os serviços públicos respondem ao aumento das temperaturas — tudo isso influencia a sobrevivência. O mesmo vale para idade, saúde, renda, identidade e discriminação de gênero, que podem determinar quem tem o sofrimento reconhecido e quem ele permanece oculto. As respostas ao calor são moldadas pelos ambientes sociais e físicos em que as pessoas vivem. Em muitos lugares, o ar-condicionado substituiu o conhecimento ancestral e as práticas intergeracionais de convivência com o calor, incluindo formas de construir, se locomover, se alimentar e descansar desenvolvidas ao longo de séculos. A perda dessas práticas pode deixar as pessoas mais expostas e menos resilientes. Desde 2020, como parte do nosso projeto sobre a pobreza de refrigeração, entrevistamos 80 pessoas que vivem em subúrbios de baixa renda e favelas do Rio. Dezenove desses moradores mantiveram diários online sobre o calor: escrevendo registros, coletando fotos, desenhos, memes e notas de voz de seus encontros diários com o calor extremo. Cuidadores tiveram que mudar suas rotinas para que o trabalho doméstico pudesse ser realizado nas horas mais frescas do amanhecer e do entardecer. Vendedores ambulantes mudaram de local ou abandonaram certas rotas. Para um morador com deficiência motora, banhos frios, a estratégia de resfriamento mais imediata, não são possíveis: “Eu adoraria tomar quatro banhos frios por dia, mas tenho algumas dificuldades logísticas relacionadas à minha condição”. Como dependem do ar-condicionado, suas contas de luz triplicam no verão. Para outras pessoas, as praias e cachoeiras para onde algumas pessoas fogem ficam fora de alcance: “Eu adoraria ir, mas não posso por causa de problemas de acessibilidade”. Para as mulheres trans, a discriminação social fecha exatamente os espaços (parques, praças, lojas) onde outras pessoas encontram sombra ou um momento de frescor. E como os banheiros públicos significam correr o risco de sofrer assédio, muitas limitam o quanto bebem de água. O calor, para elas, torna-se um perigo físico sem saída segura. A pobreza sistêmica de refrigeração não se trata de se uma pessoa pode pagar por ar-condicionado, mas sim de como a infraestrutura, as instituições e o design do entorno expõem alguém ao calor prejudicial e, em seguida, falham em protegê-la do calor. Isso se estende além do lar, abrangendo locais de trabalho, escolas e sistemas de saúde, onde o calor pode ter sérias consequências para a saúde, a produtividade e o bem-estar. Alcança ainda mais as causas sistêmicas que determinam quem sofre mais: desigualdade, discriminação, patriarcado, capacitismo e racismo. A vulnerabilidade ao calor não é um resultado acidental. Decisões de planejamento urbano que eliminam áreas verdes, políticas habitacionais que permitem edifícios mal ventilados, leis trabalhistas que deixam trabalhadores ao ar livre desprotegidos e sistemas de saúde pública que falham com os mais expostos — tudo isso contribui para o problema. Justiça térmica Reformular a pobreza de refrigeração muda a forma como os pesquisadores pensam sobre soluções. Justiça térmica não significa apenas reduzir a exposição ao calor. Significa também fazê-lo de forma justa e responsabilizar as pessoas e instituições cujas políticas e decisões de planejamento tornaram alguns bairros mais quentes e algumas famílias menos capazes de se refrescar. Ao perguntar “quem projetou essas condições?”, podemos entender quem tem o poder de mudá-las. Respostas eficazes exigem ação coordenada entre planejamento urbano, saúde pública, habitação e regulamentação trabalhista: ampliar o acesso à água potável, reformar edifícios e plantar árvores, além de reduzir a discriminação. Mas as pessoas mais afetadas precisam ajudar a projetar as soluções. Suas experiências revelam como o calor realmente é sentido, dia após dia. Ao compreender e avaliar a pobreza térmica sistêmica, podemos identificar a melhor forma de alcançar a justiça térmica para aqueles que correm maior risco com o calor extremo.
Crédito pessoal, consignado ou imobiliário: qual escolher? As opções de crédito variam principalmente pelos juros e pelas garantias exigidas pelos bancos. Antes de emprestar dinheiro, as instituições analisam renda, histórico de pagamentos e bens que possam servir como garantia em caso de inadimplência. Cheque especial e cartão de crédito estão entre as modalidades mais caras e devem ser usados apenas em emergências rápidas. Empréstimo pessoal e consignado têm juros menores, enquanto o financiamento imobiliário é considerado o mais seguro para os bancos por ter o imóvel como garantia. Especialistas alertam que o crédito pode ajudar a organizar a vida financeira, mas recomendam evitar dívidas longas para pagar gastos passageiros, porque o consumo acaba — e a parcela continua. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Os Microempreendedores Individuais (MEIs) devem declarar até este domingo (31) o faturamento de 2025 por meio da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI). O envio, que é obrigatório, deve ser feito pelo Portal do Empreendedor. A Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) reúne informações sobre o faturamento do MEI ao longo de 2025 e indica se houve contratação de empregado no período. O envio é obrigatório, mesmo para quem não teve faturamento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O documento deve ser apresentado anualmente à Receita Federal para manter o CNPJ regular e comprovar que a empresa atua dentro das regras do regime, cujo limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano. O não envio pode gerar multas e até o cancelamento do CNPJ. O registro também pode ser cancelado definitivamente caso o MEI fique dois anos sem pagar as contribuições mensais obrigatórias. Vídeos em alta no g1 Para facilitar o preenchimento, o MEI pode utilizar o Relatório Mensal de Receitas Brutas, onde registra os valores obtidos a cada mês. O controle também é uma obrigação prevista em lei, segundo o governo federal. Abaixo, veja como fazer a declaração e tire dúvidas. 🧮 Como fazer a declaração anual de MEI 💻 Quem deve declarar? 📅 E se eu perder o prazo. O que acontece? 💵 Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? 🤔 Errei alguma informação, e agora? Como fazer a declaração anual de MEI? Na declaração anual, é necessário preencher o valor total da receita bruta obtida pelo MEI no ano anterior. Entram as vendas de mercadorias ou prestação de serviços, além de ser necessário indicar se houve ou não o registro de empregado. Para isso, o MEI precisa: Acessar o portal do empreendedor e selecionar a aba "Já sou MEI"; Escolha a opção “Declaração Anual de Faturamento” e clique em entregar a declaração; O CNPJ do MEI será solicitado. Depois, o empreendedor deve escolher o ano que deseja declarar e preencher os dados com as receitas obtidas; Uma tela com o resumo dos valores dos impostos pagos naquele ano será aberta; Por último, é só clicar em transmitir. Nos casos de não movimentação ou faturamento, os campos de Receitas Brutas, Vendas e/ou Serviços devem ser preenchidos com o valor de R$ 0,00 – indicando que, de fato, não houve rendimentos. Quem deve declarar? A declaração deve ser feita por todos os microempreendedores individuais, incluindo aqueles que não obtiveram faturamento durante o ano de 2025. E se eu perder o prazo. O que acontece? A entrega fora do prazo da DASN-SIMEI gera uma multa de 2% a cada mês de atraso, limitada a 20% sobre o valor total dos tributos devidos, ou mínimo de R$ 50. O MEI também pode ter o CNPJ cancelado definitivamente, caso não tenha pagado nenhuma contribuição mensal durante os últimos dois anos. Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? O limite de faturamento anual do MEI em 2025 foi de R$ 81 mil, o que dá uma média de R$ 6.750 ao mês (ou um valor proporcional de acordo com o mês de abertura). 🔎 EXEMPLO: Se você formalizou a sua empresa em maio de 2025, o seu limite de faturamento até o final do ano a ser declarado é de R$ 54 mil. Caso tenha ultrapassado esse valor, o empreendedor deverá pagar tributos sobre o excedente. Segundo Gabriel Santana Vieira, advogado especialista em direito tributário, existem duas possibilidades: O MEI que fatura até 20% acima do limite (até R$ 97.200) será desenquadrado automaticamente a partir de 1º de janeiro do ano seguinte e deverá migrar para o regime de Microempresa (ME) no Simples Nacional. Já o empreendedor que faturar acima de 20% do limite (acima de R$ 97.200), o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado, gerando possíveis custos adicionais, como tributos, multas e juros. "O empreendedor deve solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional e ajustar seu enquadramento como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), iniciando o pagamento dos tributos de acordo com o novo regime", afirma Vieira. Vale lembrar que no regime de ME, os tributos são calculados com base no faturamento anual e nas tabelas do Simples Nacional, exigindo maior controle financeiro e, geralmente, o auxílio de um contador. Ainda segundo o especialista, essas mudanças são importantes para manter a regularidade fiscal da empresa e evitar problemas com a Receita Federal. Errei uma informação, e agora? Neste caso, o MEI terá de entrar na declaração e escolher o ano-exercício a ser corrigido. Após selecioná-lo, aparecerá a opção de retificadora em 'tipo de declaração'. O microempreendedor altera o dado que precisa e transmite de novo a declaração. Uma recomendação é salvar ou imprimir o novo recibo de transmissão. Veja mais em: Imposto de Renda 2026: MEI precisa declarar? Veja quem é obrigado MEI: confira valores de contribuição, prazos para quitar dívidas e obrigações em 2026

G1 | Loterias - Mega-Sena 3013 O sorteio do concurso 3.013 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (30), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio acumulou para R$ 16 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 02 – 14 – 21 – 22 – 34 – 44. Veja o acertos: 5 acertos - 46 apostas ganhadoras, R$ 33.161,69 4 acertos - 2.918 apostas ganhadoras, R$ 861,70 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Resultado do concurso 3.013 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Alta nos combustíveis impacta o bolso dos gaúchos Reprodução/RBS TV Para frear a alta dos combustíveis em função da guerra no Oriente Médio, o governo federal decidiu prorrogar uma série de medidas. Uma delas é uma subvenção de R$ 1,12 por litro de óleo diesel às refinarias nacionais e aos importadores do combustível, que entra em vigor nesta segunda-feira (01). Custeada com recursos federais, a medida substituirá duas subvenções que se encerram neste domingo (31): a que concedia subsídio de R$ 0,32 por litro de diesel desde 12 de março. E outra, criada em abril, cujo auxílio era de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no país e de R$ 1,20 por litro para o combustível importado, sendo metade financiada pelo governo federal e metade pelos estados e pelo Distrito Federal. Também a partir de segunda-feira (01) passa a valer uma nova subvenção de R$ 0,35 por litro ao óleo diesel A de uso rodoviário. Na prática, o benefício substitui a desoneração de PIS/Cofins sobre o combustível, que tem o mesmo valor e perde a validade neste domingo. Governo Federal tenta controlar preço dos combustíveis Segundo o governo, a medida funciona como uma espécie de “cashback” para compensar a retomada da cobrança dos tributos federais sobre o diesel. Com o fim da alíquota reduzida, produtores e importadores voltarão a recolher os impostos, mas receberão uma subvenção equivalente ao valor da tributação. A estratégia foi adotada após o Congresso Nacional não avançar na análise de um projeto de lei complementar enviado pelo Executivo em abril. A proposta autorizava o uso de receitas extraordinárias geradas pela alta do petróleo para compensar a redução de tributos sobre combustíveis. Diante da demora na tramitação da matéria, o governo editou, em 13 de maio, uma medida provisória autorizando a concessão de subvenções econômicas a produtores e importadores de combustíveis em valor equivalente aos benefícios tributários que deixariam de vigorar. A iniciativa começou pela gasolina e agora é ampliada para o diesel. GLP O governo também prorrogou até 31 de julho a subvenção destinada aos produtores e importadores de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. Os recursos federais para a medida foram ampliados de R$ 330 milhões para R$ 660 milhões. Segundo o Executivo, o montante permitirá conceder um benefício equivalente a R$ 11 por botijão de 13 quilos comercializado no período. Biodiesel e querosene de aviação A desoneração dos tributos federais sobre o querosene de aviação e sobre o biodiesel também foram prorrogadas até o dia 31 de julho.

Gustavo Petro REUTERS/Luisa Gonzalez O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia acusou neste sábado o Equador de "interferência deliberada" na eleição presidencial colombiana de domingo, depois que o presidente do Equador concordou em suspender tarifas comerciais em uma conversa com um candidato presidencial. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O presidente do Equador, Daniel Noboa, disse na sexta-feira que seu país removeria as tarifas bilaterais em 1º de junho, depois de chegar a um acordo com o candidato presidencial colombiano de direita Abelardo De La Espriella, opositor do governo de Gustavo Petro. Petro não pode se reeleger para um segundo mandato consecutivo. Ele apoia Iván Cepeda, de esquerda, como sucessor. Noboa disse no X que a medida seria tomada depois de "confirmar a disposição (de De La Espriella) de promover uma luta real e conjunta contra o narcoterrorismo". Ele também disse que eles haviam concordado com a entrega de criminosos equatorianos que estão na Colômbia. O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia rejeita "a apresentação enganosa da decisão de remover as tarifas como uma medida de boa fé do governo equatoriano", disse a pasta em nota, embora tenha acrescentado que removeria as medidas adotadas para mitigar as tarifas do Equador. Agora no g1 O gabinete de Noboa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Os dois países estão envolvidos há meses em uma disputa comercial, com o Equador cobrando tarifas devido ao fracasso da Colômbia em combater o tráfico de drogas ao longo da fronteira de 586km entre os dois países, uma afirmação que o presidente colombiano Gustavo Petro rejeitou. De La Espriella, um candidato independente, enfrentará o aliado de Petro, Ivan Cepeda, e a senadora de direita Paloma Valencia, entre outros, na eleição de domingo. Abelardo de la Espriella REUTERS/Nathalia Angarita

O Ministério da Fazenda definiu em R$ 351,50 por metro cúbico o valor da subvenção ao diesel — uma espécie de ajuda financeira do governo para reduzir o preço do combustível. 🔎O valor equivale a R$ 0,35 por litro e será pago a produtores e importadores do óleo diesel tipo “A”. A medida começa a valer a partir desta segunda-feira (1º de junho) e terá validade de dois meses, podendo ser prorrogada. A iniciativa faz parte do pacote de ações do governo para reduzir os efeitos da escalada dos preços internacionais do petróleo sobre o mercado doméstico, em meio às tensões no Oriente Médio. Agora no g1 Impacto nas bombas Atualmente, o diesel conta com uma desoneração de R$ 0,35 por litro em tributos federais, mas o benefício perde a validade neste domingo (31). Segundo o governo, a medida é como um "cashback" pela reoneração dos tributos federais incidentes sobre o diesel, cuja alíquota reduzida deixará de valer neste domingo. O valor do cashback é o mesmo (R$ 0,35) para os produtores que voltarão a pagar o tributo a partir de segunda. 🔎 Porque isso importa? Com a medida de subvenção adotada agora, o Executivo busca que o impacto não chegue às bombas para o consumidor final. O governo chegou a encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar para permitir o uso de receitas extraordinárias geradas pela alta do petróleo na compensação da redução de tributos sobre combustíveis. A proposta enviada em abril, no entanto, está parada. Diante da demora na tramitação do projeto, o Executivo editou, em 13 de maio, uma medida provisória (MP) autorizando a concessão de subvenção econômica a produtores e importadores de combustíveis — que começou pela gasolina — em valor equivalente ao benefício tributário que deixará de vigorar. LEIA MAIS: Governo prorroga isenção de impostos sobre combustível de aviação e biodiesel até 31 de julho Governo anunciou subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para produtores nacionais de diesel, e de R$ 1,20 por litro para importação do combustível José Cruz/Agência Brasil via BBC

Exportações Amazonas Foto: Bruno Leão/ Sedecti-AM O Mercosul e o governo do Canadá concluíram nesta semana uma nova rodada de negociações visando um acordo comercial entre as partes, disseram os ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura em nota conjunta neste sábado (30). De acordo com o documento, após esta rodada de conversas entre negociadores do Mercosul e do Canadá, que contou com a participação do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, cinco capítulos de um futuro acordo avançaram para a etapa de conclusão das negociações. "O encontro incluiu reuniões presenciais dos grupos técnicos sobre comércio de bens, serviços e serviços financeiros, entrada temporária de pessoas a negócios, regras de origem, propriedade intelectual, salvaguardas bilaterais, desenvolvimento sustentável, comércio inclusivo e temas legais e institucionais", afirma a nota. Acordo comercial Mercosul-UE começa a valer Nesta semana, o ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, disse que 60% do acordo comercial entre Mercosul e Canadá já está acertado e que as negociações podem ser concluídas ainda neste ano. O fluxo de comércio entre Brasil e Canadá no ano passado foi de US$10,4 bilhões e as exportações brasileiras para o mercado canadense somaram US$7,3 bilhões, crescimento de 14,8% em relação ao ano anterior e recorde histórico, disse a nota conjunta dos ministérios. O Canadá é o oitavo principal destino das exportações brasileiras, ainda de acordo com o comunicado das pastas. "Destacaram-se, entre os principais produtos exportados, minérios de alumínio, níquel e cobre, açúcar, café, aeronaves, além de instalações e equipamentos de engenharia civil", afirma a nota. O avanço ocorre em meio a expectativas de que o acordo de livre comércio entre o Mercosul — formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — e o Canadá possa ser concluído ainda em 2026, segundo fontes com conhecimento das negociações. Há, inclusive, avaliação de que o entendimento possa ser fechado antes de setembro, caso o ritmo atual seja mantido. Uma nova rodada de negociações já está prevista para o próximo mês, em Brasília, dando continuidade ao processo retomado no ano passado, após período de paralisação desde 2021. Interlocutores classificam o ritmo atual como “acelerado” e dizem que as conversas têm avançado de forma consistente. Do lado canadense, o interesse em concluir o acordo ainda neste ano também tem sido sinalizado. O ministro de Comércio Internacional, Maninder Sidhu, é descrito por fontes como um dos principais defensores do avanço das tratativas, em um contexto de busca por diversificação de mercados. Esse movimento ocorre em meio a incertezas no comércio global e à necessidade do Canadá de reduzir sua dependência dos Estados Unidos, seu principal parceiro econômico. Nesse cenário, a América do Sul, especialmente o Brasil, tem ganhado relevância estratégica. Para o Mercosul, o acordo com o Canadá é visto como uma oportunidade de ampliar o acesso a mercados desenvolvidos e atrair investimentos, sobretudo em setores como mineração e infraestrutura. O bloco também tenta capitalizar o momento após o avanço recente do acordo com a União Europeia. A agenda política deve contribuir para impulsionar as negociações. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deve visitar o Brasil nos próximos meses. Embora não haja previsão de anúncio formal durante a visita, a expectativa é de que o encontro ajude a acelerar a conclusão do acordo.

A Receita Federal encerrou o prazo de entrega do Imposto de Renda 2026 com 44.498.717 declarações recebidas, informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, neste sábado (30). Em uma publicação nas redes sociais, o ministro afirmou que o resultado "reflete o compromisso do contribuinte brasileiro e o amadurecimento do sistema tributário nacional". Em relação ao quantitativo de pessoas que não entregaram a declaração, a Receita informou que ainda não é possível contabilizar este número. O cálculo, ainda segundo a instituição, é resultado do" fruto de investigações pontuais realizadas ao longo do declínio de cinco anos" (leia mais abaixo). Imposto de Renda 2026: Receita paga 1º lote de restituição nesta sexta; veja o calendário O que ocorre a partir de agora? Quem é obrigado a declarar, mas não enviou o documento em tempo, agora está em dívida com o Leão. Nesses casos, segundo a Receita Federal, o contribuinte fica sujeito ao pagamento de uma multa por atraso, calculada da seguinte forma: Multa de 1% ao mês ou fração de atraso, calculado sobre o valor do imposto devido na declaração, ainda que integralmente pago, até um teto de 20%; Multa mínima de R$ 165,74 (apenas para quem estava "obrigado a declarar", mesmo sem imposto a pagar). A multa começa a contar no primeiro dia seguinte à data limite de entrega e termina sua contagem na data do envio da declaração ou, se não for entregue, na data do lançamento de ofício pela Receita. De acordo com o Fisco, a recomendação é que o contribuinte regularize sua situação o quanto antes. A declaração em atraso poderá ser entregue somente a partir das 9h de segunda (1º). Imposto de Renda: prazo termina na sexta-feira (29) g1 Veja abaixo o que fazer caso você tenha perdido o prazo de entrega: Como regularizar a situação? O formato para entrega da declaração fora do prazo é o mesmo: o contribuinte deve reunir os mesmos documentos e comprovantes e pode enviar as informações pelos canais disponibilizados pela Receita Federal. A diferença está na cobrança de multa. Ao transmitir a declaração em atraso, o contribuinte recebe automaticamente uma Notificação de Lançamento de Multa, acompanhada do boleto para pagamento e das orientações necessárias para a quitação do débito. Como pagar a multa? A multa pela entrega da declaração em atraso é inegociável e seu pagamento deve ser feito por meio da emissão do Documento de Arrecadação das Receitas Federais (Darf). A Receita normalmente dá um prazo de até 20 dias para o pagamento da multa. Caso os débitos não sejam quitados dentro desse período, é possível a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa básica de juros brasileira, a Selic. Caso o contribuinte tenha restituição a receber, a multa também poderá ser descontada desse valor, acrescido de juros. O que acontece se eu não pagar a multa? Os valores devidos à Receita Federal — incluindo multas, juros e impostos — podem ser considerados como dívidas e pendências fiscais. Isso significa que o contribuinte pode ter a inclusão do débito no Cadastro Informativo de Créditos não quitados do Setor Público Federal (Cadin) e na Dívida Ativa da União. Isso pode trazer, também, uma série de restrições ao CPF, tais como: o impedimento de emissão ou renovação de passaporte e carteira de trabalho; a impossibilidade de realizar matrícula em instituições de ensino, bem como vedação da participação de concursos públicos; o score de crédito pode ser impactado negativamente, dificultando ou mesmo impedindo a contratação de produtos e serviços financeiros; protesto em cartório e negativação do nome do contribuinte, além de pagamento de custas ao cartório para regularização; o impedimento da emissão de Certidão Negativa de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (CND), requerida por exemplo para financiamento imobiliário, entre outros. O contribuinte pode consultar sua situação na aba "Situação Fiscal" — documento que atesta a regularidade do contribuinte perante a Receita e que está disponível no e-CAC.

Real Madrid durante a conquista da 15ª Liga dos Campeões em 2024 Glyn KIRK / AFP O Real Madrid continua sendo uma potência não apenas dentro de campo, mas também nas finanças. Segundo levantamento da Forbes, o clube espanhol registrou receita de US$ 1,27 bilhão (cerca de R$ 6,3 bilhões) na temporada 2024/25, o maior valor já alcançado por uma equipe esportiva desde que a publicação começou a acompanhar esses dados. O resultado representa um crescimento de 12% em relação ao ano anterior e superou até mesmo a receita do Dallas Cowboys, da liga de futebol americano (NFL), que faturou US$ 1,23 bilhão em 2024. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Com isso, o Real Madrid manteve o posto de clube de futebol mais valioso do mundo pelo quinto ano seguido. Atualmente, a equipe é avaliada em US$ 9,5 bilhões (aproximadamente R$ 47,8 bilhões, ficando cerca de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) à frente do Barcelona, segundo colocado no ranking. Veja abaixo os clubes mais valiosos do mundo em 2026: Real Madrid — US$ 9,5 bilhões Barcelona — US$ 7,5 bilhões Manchester United — US$ 7,2 bilhões Liverpool — US$ 6,2 bilhões Paris Saint-Germain — US$ 5,8 bilhões Bayern de Munique — US$ 5,7 bilhões Manchester City — US$ 5,5 bilhões Arsenal — US$ 5,4 bilhões Chelsea — US$ 4,2 bilhões Tottenham Hotspur — US$ 3 bilhões Atlético de Madrid — US$ 2,95 bilhões Juventus — US$ 2,4 bilhões Borussia Dortmund — US$ 2,2 bilhões AC Milan — US$ 1,85 bilhão Inter de Milão — US$ 1,8 bilhão Aston Villa — US$ 1,4 bilhão Inter Miami — US$ 1,35 bilhão Los Angeles FC (LAFC) — US$ 1,32 bilhão Newcastle United — US$ 1,25 bilhão Los Angeles Galaxy (LA Galaxy) — US$ 1,08 bilhão New York City FC — US$ 1,02 bilhão Atlanta United FC — US$ 1 bilhão Benfica — US$ 960 milhões Roma — US$ 940 milhões Everton — US$ 930 milhões Fulham — US$ 920 milhões Brighton & Hove Albion — US$ 910 milhões VfB Stuttgart — US$ 880 milhões Seattle Sounders — US$ 860 milhões Austin FC — US$ 855 milhões Interesse crescente dos investidores Os números mostram que os clubes de futebol seguem ganhando valor no mercado. Atualmente, os 30 times mais valiosos do mundo têm avaliação média de US$ 2,9 bilhões, um crescimento de 21% em relação ao ranking anterior. Entre os fatores que explicam essa valorização está o interesse crescente de investidores americanos no futebol europeu. Hoje, mais da metade dos clubes da Premier League, principal liga da Inglaterra, está sob controle de empresários ou fundos dos Estados Unidos. A expectativa é que os clubes continuem aumentando suas receitas nos próximos anos, impulsionados por competições internacionais mais lucrativas, modernização de estádios e novos investimentos no setor. A modernização dos estádios tem papel importante nesse processo. O Real Madrid concluiu recentemente a reforma do Santiago Bernabéu, enquanto o Everton inaugurou uma nova arena. Projetos semelhantes também estão em andamento em clubes como Barcelona, Manchester United, Roma e nas equipes de Milão.

Um decreto do governo federal publicado nesta sexta-feira (29) prorrogou a isenção de impostos sobre a venda e importação de querosene de aviação (QAV) e do biodiesel até 31 de julho. A medida faz parte de um pacote de ações para conter a alta dos combustíveis, pressionados pela escalada do preço do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio (entenda mais abaixo). O benefício — que reduz custos para companhias aéreas e produtores de combustíveis, e pode ajudar a conter repasses de preços ao consumidor — terminaria neste domingo (31). 🔎O querosene de aviação é um insumo sensível para o setor, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após aumento anunciado pela Petrobras mês passado. Agora no g1 Relembre o pacote para conter alta dos combustíveis A medida prorroga uma das ações do pacote anunciado em abril. Na ocasião, o governo anunciou um conjunto de medidas para reduzir o impacto da alta do petróleo sobre os combustíveis no país. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das medidas anunciadas será de R$ 30,5 bilhões. Ele afirmou, no entanto, que esse valor não terá impacto nas contas públicas, porque deve ser compensado por outras receitas do governo, como a arrecadação com o óleo diesel e os royalties do petróleo — valores pagos por empresas pela exploração de petróleo. As medidas incluem a concessão de subvenção — uma espécie de ajuda financeira do governo — para reduzir o preço de alguns combustíveis. Serão contemplados o diesel importado, o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, e o querosene de aviação. LEIA MAIS: Governo publica decreto que fixa em R$ 0,44 subsídio por litro da gasolina No Brasil, Petrobras anuncia aumento para o querosene de aviação Jornal Nacional/ Reprodução Entre as medidas anunciadas pelo governo estão: subvenção ao diesel (importado e ao produzido no Brasil); isenção de impostos federais sobre o biodiesel; subvenção ao gás de cozinha; subvenção ao querosene da aviação; e linhas de crédito para o setor aéreo.

O governo federal publicou na noite desta sexta-feira (29) o decreto que detalha o bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no orçamento deste ano. Somando ao bloqueio anteriormente realizado, a limitação em 2026 totaliza R$ 23,7 bilhões. Os ministérios mais afetados pela medida são os da Defesa, das Cidades e da Educação, que concentram maior parte dos cortes. 🔎 Um bloqueio no orçamento é como um "freio de emergência" temporário nas finanças do governo. Ele acontece quando os gastos obrigatórios, como pagamento de aposentadorias, sobem mais do que o esperado. Quando isso acontece, o governo precisa reter parte do dinheiro de gastos não essenciais, como obras, para não ultrapassar o limite de gastos permitido. Agora no g1 Veja os ministérios que mais sofreram com o bloqueio: Defesa (R$ 4,363 bilhões); Cidades (R$ 3,320 bilhões); Educação (R$ 1,605 bi); Transportes (R$ 1,500 bi); Fazenda (R$ 1,396 bi); e Saúde (R$ 1,002 bi). Além dos ministérios, o bloqueio alcançou as emendas parlamentares em R$ 4,9 bilhões. As despesas discricionárias do Poder Executivo, aquelas destinadas ao custeio da máquina pública e a investimentos, sofreram uma contenção de R$ 18,7 bilhões. Por outro lado, os ministérios do Trabalho e Emprego, da Previdência Social e da Justiça e Segurança Pública ficaram de fora da medida e não tiveram recursos bloqueados em seus orçamentos. Por que os gastos foram bloqueados O bloqueio acontece por conta do limite de gastos do arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas aprovada em 2023. Pela norma: a regra básica é que o crescimento dos gastos não pode superar 2,5% ao ano em termos reais, ou seja, acima da inflação do ano anterior; o governo também não pode ampliar as despesas acima de 70% do crescimento projetado pela arrecadação; o objetivo do arcabouço fiscal é evitar, no futuro, uma disparada da dívida pública e uma piora nos juros cobrados dos investidores na emissão de títulos públicos. Para calcular a necessidade de bloqueio no orçamento, o governo fez uma nova estimativa das receitas e despesas que serão feitas até o fim deste ano. Foto aérea mostra a Esplanada dos Ministérios com o Congresso ao fundo Ana Volpe/Agência Senado
PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.

Ana Castela e sua RAM 3500 com modificações Reprodução / Instagram A cantora Ana Castela divulgou esta semana em suas redes sociais a customização que realizou em sua RAM 3500. A picape passou por uma oficina especializada em Luziânia (GO) e teve alterações na suspensão, conjunto de rodas e pneus, iluminação e adereços estéticos. Em uma das postagens, um vídeo mostra a picape circulando em via pública. Algumas dessas alterações são vetadas pela legislação e outras precisam ser legalizadas junto aos órgãos de trânsito e constar no documento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O g1 procurou especialistas para explicar os riscos dessas modificações, o que diz a legislação e quais alterações podem ser legalizadas. Segundo Jefferson Leão Pires, da Poliszezuk Advogados, um veículo modificado dentro de propriedade privada não infringe, a princípio, a legislação. “O problema jurídico surge quando o veículo é colocado em circulação sem atender às exigências legais de segurança, documentação e regularização”, explica. RAM 3500 modificada de Ana Castela apareceu em vídeos circulando em vias públicas Reprodução / Instagram O proprietário não pode fazer ou mandar fazer modificações nas características de fábrica do veículo sem prévia autorização da autoridade competente. Isso está no artigo 98 do Código Brasileiro de Trânsito (CTB). O advogado explica que existe uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que estabelece que as modificações permitidas dependem, conforme o caso, de autorização prévia. Também é necessária inspeção de segurança veicular, emissão de Certificado de Segurança Veicular, nota fiscal da modificação e posterior anotação no cadastro e no CRLV-e Agora no g1 “Portanto, a suspensão modificada, por exemplo, pode ser legalizada, mas não basta instalar o kit e circular. A alteração precisa passar pelo procedimento administrativo e técnico exigido”, diz Pires. O próprio Contran prevê que veículos com suspensão modificada devem observar limites técnicos e que a altura livre do solo deve constar no campo de observações do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV-e). Rodas e pneus “para fora” RAM 3500 da cantora Ana Castela com rodas e pneus customizados Reprodução / Instagram Segundo Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, as modificações exibidas na picape podem, em tese, configurar infrações de trânsito e irregularidades administrativas. Dependeria da forma de instalação, regularização e efetiva circulação do veículo em vias públicas. “No caso das rodas e pneus que ultrapassam os limites dos para-lamas, há forte indicativo de irregularidade”, diz a advogada. A legislação brasileira exige que os pneus estejam cobertos pelos para-lamas, justamente para evitar arremesso de pedras, água, lama e detritos contra outros veículos, motociclistas e pedestres, explica a especialista. “Quando os pneus excedem a largura da carroceria sem a devida proteção, a alteração pode ser considerada irregular e incompatível com os requisitos de segurança veicular”, diz Daniela. No caso de alguns carros customizados com rodas mais largas, a solução é alargar os para-lamas ou instalar apliques que cobrem a parte excedente do pneu. Para-lamas devem cobrir o conjunto de roda e pneu Arte / g1 Luzes fora de especificação As luzes coloridas instaladas na grade dianteira e as luzes sob o veículo ou atrás das rodas também podem configurar irregularidade, explica a advogada. “A legislação brasileira restringe o uso de dispositivos luminosos que possam comprometer a identificação do veículo, confundir outros motoristas ou prejudicar a sinalização oficial prevista pelo sistema nacional de trânsito”, diz Daniela. Segundo o advogado Jefferson Leão Pires, o Contran estabelece especificamente quais os equipamentos obrigatórios e as cores admitidas para o sistema de iluminação de um veículo. RAM 3500 modificada de Ana Castela com luzes na grade e sob o veículo Reprodução / Instagram A lógica, de acordo com o especialista, é padronizar sinais luminosos para que os demais condutores, pedestres e agentes de trânsito compreendam rapidamente a posição, sentido, frenagem e intenção de manobra do veículo. Nesse ponto, o CTB tem um artigo que trata de “conduzir veículo com equipamento do sistema de iluminação e sinalização alterado”, e outro artigo que descreve quando “houver equipamento ou acessório proibido, a depender da constatação feita pela fiscalização”. Multas Daniela explica que as infrações relacionadas à alteração irregular de característica do veículo normalmente são classificadas como graves, com aplicação de multa, pontuação na CNH e retenção do veículo para regularização. “Dependendo da irregularidade identificada, também pode haver reprovação em vistoria, impedimento de licenciamento, apreensão administrativa de equipamentos e necessidade de retorno às condições originais’, diz. Em situações mais graves, conta Daniela, especialmente quando houver comprometimento efetivo da segurança viária, o veículo pode ser removido até regularização. No CTB, multas graves são fixadas atualmente em R$ 195,23 e geram 5 pontos na carteira do motorista. “O alerta ao público é que customização automotiva não é proibida por si só, mas existe uma diferença grande entre modificar um veículo para exposição, filmagem ou uso privado e colocá-lo para circular em via pública”, diz Pires. A reportagem do g1 entrou em contato com a assessoria de imprensa da cantora Ana Castela e perguntou sobre as modificações da RAM 3550 e se elas estavam legalizadas. Até o momento as perguntas não foram respondidas. A reportagem do g1 também entrou em contato com o Detran de Goiás, onde a picape da Ana Castela foi filmada em vias públicas. As perguntas foram a respeito da fiscalização e da situação das picapes que aparecem no vídeo. Até o momento as perguntas não foram respondidas.

5 mudanças para o Chevrolet Captiva EV antes da produção no Brasil A Chevrolet já confirmou que o Captiva EV vai ser fabricado na cidade de Horizonte, Ceará. Lá já é feito o Spark, outro elétrico da marca. O curioso é que os dois modelos herdam nomes de carros da Chevrolet, mas não têm nada a ver com seus antecessores. O g1 testou o SUV elétrico, que hoje é vendido por R$ 220 mil, e aponta cinco melhorias que a Chevrolet poderia fazer antes da produção nacional. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp E se você acha que o Captiva EV não tem nenhuma relação com o Captiva lançado em 2008, você está redondamente certo. O design com linhas agudas e para-lamas salientes até conversa com alguns carros da GM. Porém este é o Wuling Starlight S, com mudanças estéticas para ficar alinhado ao portfólio da Chevrolet. Chevrolet Captiva EV Divulgação / GM O SUV tem motor elétrico dianteiro com 201 cv e torque de 31,6 kgfm. O desempenho é tímido, 0 a 100 km/h em 9,9 segundos e velocidade máxima de 150 km/h. As baterias comportam 60 kWh e são de lítio ferro-fosfato. Pelo padrão do Inmetro, a autonomia é de 304 km. Um conjunto até básico no mercado de elétricos nos dias de hoje. Há concorrentes com preço próximo, com mais potência e autonomia. Segurança O pacote de segurança do Captiva é bom, como sistema de velocidade de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma de emergência. O sistema de alerta e permanência em faixa poderia ser mais refinado, as reações são um pouco tardias. Porém, este é um sistema auxiliar e não uma condução autônoma. O farol alto também se ajusta para baixo automaticamente para não ofuscar ninguém. Com as câmeras é possível ver ao redor e evitar aqueles toques que acabam com o dia do motorista. Sensor de estacionamento é só na traseira. Sonic é melhor A experiência dentro do Captiva EV é peculiar. Quem já testa produtos da Chevrolet está acostumado ao MyLink e à filosofia adotada pela GM. Desde o Onix, passando por Sonic e até modelos mais caros, como a Blazer EV. Ainda que a Blazer seja muito mais sofisticada que um Sonic, existe uma lógica clara na marca envolvendo multimídia, ícones, volante, botões e até o cluster, criando uma identidade bem definida dentro da cabine. No Captiva EV, porém, essa lógica não está presente. Isso é compreensível, já que o modelo deriva Wuling Starlight S. Portanto, faz sentido que ele apresente uma ergonomia e uma organização interna diferentes. Chevrolet Captiva EV Divulgação / GM O problema é que essa nova proposta não supera a experiência já oferecida pela GM. A multimídia atual do SUV utiliza uma lógica baseada em conteúdos retangulares organizados verticalmente, algo que lembra tablets ou até sistemas genéricos encontrados no mercado de acessórios. Além disso, a forma como diversas funções são ajustadas não é tão intuitiva nem tão refinada quanto no sistema tradicional da Chevrolet. Por isso, seria interessante que a GM, quando produzir o Captiva no Brasil, implemente o sistema MyLink no modelo fabricado no Ceará. Galerias Relacionadas Outro ponto que compromete a experiência é a ausência de carregador por indução. Isso obriga o uso de cabo USB atravessando o painel para conectar o celular, o que reduz a praticidade e prejudica a percepção de qualidade da cabine. Como consequência, também não há Android Auto nem Apple CarPlay sem fio. Sem carregador por indução, a utilização prolongada de sistemas sem fio pode se tornar limitada, já que o consumo de bateria do celular tende a ser elevado em viagens mais longas. Dessa forma, a Chevrolet precisaria fazer essas mudanças para o Captiva nacional: oferecer Android Auto e Apple CarPlay sem fio e incluir carregador por indução. Um bônus seria colocar a opção de Wi-fi na cabine, igual ao Sonic e outros modelos da marca. Por outro lado, há um aspecto que a GM deve preservar no Captiva brasileiro: a qualidade dos materiais internos. O modelo apresenta acabamentos no console central que, em alguns pontos, superam materiais plásticos encontrados até mesmo na Blazer, que pertence a uma categoria superior e possui projeto Chevrolet próprio. Ao buscar fornecedores locais para a produção nacional, a GM deveria manter o padrão de qualidade e a escolha cuidadosa dos materiais já presentes no Captiva, preservando um dos principais pontos positivos da cabine. E também manter o teto solar panorâmico. Minimalismo ≠ minimizar Ao volante, o Chevrolet Captiva apresenta pontos positivos, mas também aspectos que poderiam evoluir. Do ponto de vista de ergonomia e acesso às informações, existe uma percepção que não se limita apenas ao produto da Chevrolet, mas a vários veículos novos: o conceito de minimalismo em algumas cabines está sendo confundido com simplesmente minimizar elementos, e são propostas bastante diferentes. Minimalismo significa oferecer informações importantes (como nível de bateria, potência, velocidade e autonomia) de maneira clara, objetiva e facilmente compreensível em uma rápida olhada. Transmitir informação com eficiência, sem excessos. Chevrolet Captiva EV Divulgação / GM Por outro lado, “minimizar” é reduzir demais esses elementos, como ocorre ao utilizar um cluster muito pequeno, que até pode parecer discreto, mas compromete a leitura e pode até transmitir, de forma subconsciente, uma sensação de economia excessiva ou de produto mais barato. Essa percepção se torna ainda mais evidente quando modelos de segmentos inferiores já oferecem telas maiores e visualmente mais adequadas. Por isso, para o Captiva produzido no Brasil, a Chevrolet poderia rever o tamanho desse cluster e adotar uma filosofia mais alinhada ao padrão já conhecido da marca, tanto em multimídia quanto em apresentação de informações. Isso tornaria a experiência de condução mais agradável e reforçaria a sensação de qualidade. Menos adrenalina Em relação à direção, o acerto é anestesiado. No cenário atual, porém, exigir de carros elétricos sensações de condução mais refinadas ou esportivas é falar para um público bastante específico. Consumidores que buscam veículos elétricos normalmente priorizam eficiência energética, autonomia e desempenho equivalente a motores turbo a combustão, sem necessariamente esperar direção afiada ou comportamento dinâmico mais envolvente. Para quem busca essa experiência ao volante, ainda existem opções como o Volkswagen Tiguan, que, embora não seja híbrido nem elétrico, entrega uma proposta mais dinâmica, com suspensão refinada e direção mais precisa, ainda que por um preço elevado. Já no caso do Captiva, sua proposta está claramente voltada para outro perfil de consumidor. Portanto, os cinco pontos a melhorar são: Sistema multimídia com MyLink Conexão de Android Auto e Apple Car Play sem fio Carregadores por indução para celular Cluster de instrumentos maior Ar-condicionado de 2 zonas Galerias Relacionadas Ao gosto do brasileiro Dentro desse contexto, um aspecto positivo é que, mesmo sendo um produto de origem chinesa, o acerto de suspensão desenvolvido para o Brasil é competente. Apesar das rodas grandes, o carro não transmite em excesso as imperfeições do asfalto para a cabine, evitando desconforto exagerado. Outro destaque importante está na calibração do conjunto elétrico para o uso diário. Diversas marcas ainda enfrentam dificuldades no ajuste entre acelerador, frenagem regenerativa e resposta inicial do pedal, o que muitas vezes gera aquela sensação desconfortável que algumas pessoas associam erroneamente aos carros elétricos. No Captiva, esse ajuste foi bem executado. A transição entre aceleração, desaceleração e frenagem ocorre de forma natural, aproximando a experiência daquilo que motoristas estão acostumados a sentir em veículos a combustão. Em poucos segundos ao volante, a condução se mostra previsível, confortável e sem os solavancos comuns em calibrações mal resolvidas. Nesse ponto, a Chevrolet acertou e, para o modelo nacional, deve manter essa configuração, preservando uma das qualidades mais relevantes da experiência do Captiva. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo

Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026 Reuters/Carlos Barria Os empresários mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) começaram a moderar o tom de previsões alarmistas sobre um suposto desemprego em massa causado pela tecnologia, em meio ao aumento da resistência pública às transformações prometidas para o mercado de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da OpenAI, Sam Altman — cujas declarações anteriores ajudaram a alimentar preocupações sobre os impactos da IA na sociedade — agora afirmam que parte dos alertas apocalípticos foi exagerada ou até oportunista. Em entrevista à Channel News Asia na segunda-feira (25), Huang criticou diretamente executivos que associam demissões recentes ao avanço da IA. “A narrativa que vincula a IA à perda de empregos, para muitos CEOs, é simplesmente conveniente demais”, afirmou. Agora no g1 “A IA acabou de chegar. Como é possível que já estejam perdendo empregos por causa dela?”, questionou Huang, que há anos defende que a tecnologia criará tantos postos de trabalho quanto eliminará. O executivo também rebateu previsões mais catastróficas do setor e disse que a recente onda de demissões em grandes empresas não foi provocada pela inteligência artificial. “Como é possível que a IA tenha se tornado realmente útil há apenas seis meses e, ainda assim, empresas digam que demitem pessoas por causa dela há dois anos? Isso não faz sentido”, declarou. “Era apenas uma forma de parecerem espertos, e eu detesto isso profundamente. Estamos assustando as pessoas de forma irresponsável”, acrescentou. Mea-culpa de Altman Na semana passada, o banco britânico Standard Chartered anunciou planos para cortar milhares de empregos até 2030, alegando que a inteligência artificial substituirá funcionários em diversas funções administrativas. Já a empresa responsável pelo Snapchat eliminou mil vagas no mês passado, afirmando que a IA aumentou a eficiência operacional enquanto a companhia busca rentabilidade. Sam Altman, CEO da OpenAI, também recuou parcialmente de previsões anteriores. Durante a conferência Accelerate AI, promovida pelo Commonwealth Bank of Australia em Sydney, ele afirmou que o avanço da IA não provocará o “apocalipse do emprego” previsto por parte da indústria — incluindo a própria OpenAI. “Eu achei que já teríamos visto um impacto maior sobre cargos executivos de nível inicial do que realmente ocorreu”, disse Altman, segundo o jornal The Australian. “Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu — felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, completou. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também suavizou o discurso. Recentemente, ele afirmou que, mesmo em um cenário em que 90% dos empregos sejam automatizados, os 10% restantes continuariam nas mãos de trabalhadores humanos, que seriam muito mais produtivos com o apoio da IA. Amodei há anos é alvo de críticas de rivais do setor, que o consideram excessivamente pessimista em relação aos riscos da tecnologia, apesar do sucesso comercial da Anthropic. No ano passado, Huang chegou a afirmar que discorda “de quase tudo o que ele diz”, em referência ao executivo. As mudanças de discurso de Altman e Amodei ocorrem em um momento em que OpenAI e Anthropic se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa, operações que dependem de forte apoio de investidores. Enquanto isso, o tom alarmista adotado anteriormente por parte da indústria começa a gerar reação negativa. Pesquisas de opinião indicam crescente desconforto do público — especialmente nos Estados Unidos — com a possibilidade de uma transformação profunda do mercado de trabalho impulsionada pela IA. Nesta quarta-feira (27), a governadora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Lisa Cook, alertou que os efeitos mais profundos da inteligência artificial sobre o emprego ainda podem estar por vir. “Podemos estar nos aproximando da reorganização do trabalho mais importante em gerações”, afirmou durante discurso na Universidade Stanford. Segundo Cook, as perdas de empregos relacionadas à IA podem ocorrer antes que os ganhos prometidos pela tecnologia se concretizem, embora a perspectiva de longo prazo continue sendo considerada positiva. Até o momento, porém, a maioria das instituições econômicas — entre elas o Banco Central Europeu — avalia que os impactos da inteligência artificial sobre o emprego seguem limitados. LEIA TAMBÉM: Inteligência Artificial já reduz emprego entre jovens no Brasil e ameaça formação profissional
Crédito pessoal, consignado ou imobiliário: qual escolher? As opções de crédito variam principalmente pelos juros e pelas garantias exigidas pelos bancos. Antes de emprestar dinheiro, as instituições analisam renda, histórico de pagamentos e bens que possam servir como garantia em caso de inadimplência. Cheque especial e cartão de crédito estão entre as modalidades mais caras e devem ser usados apenas em emergências rápidas. Empréstimo pessoal e consignado têm juros menores, enquanto o financiamento imobiliário é considerado o mais seguro para os bancos por ter o imóvel como garantia. Especialistas alertam que o crédito pode ajudar a organizar a vida financeira, mas recomendam evitar dívidas longas para pagar gastos passageiros, porque o consumo acaba — e a parcela continua. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.013 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 10 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (30), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira, ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae Os Microempreendedores Individuais (MEIs) têm até este domingo (31) para declarar o faturamento de 2025 por meio da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI). O envio deve ser feito pelo Portal do Empreendedor. A Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) reúne informações sobre o faturamento do MEI ao longo de 2025 e indica se houve contratação de empregado no período. O envio é obrigatório, mesmo para quem não teve faturamento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dos 16,7 milhões de MEIs ativos no país, apenas 8,3 milhões haviam entregue a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) até esta sexta-feira (29), o equivalente a 49,7% do total. As informações foram divulgadas pela Receita Federal ao g1 e extraídas do painel oficial do órgão. O documento deve ser apresentado anualmente à Receita Federal para manter o CNPJ regular e comprovar que a empresa atua dentro das regras do regime, cujo limite de faturamento é de R$ 81 mil por ano. O não envio pode gerar multas e até o cancelamento do CNPJ. O registro também pode ser cancelado definitivamente caso o MEI fique dois anos sem pagar as contribuições mensais obrigatórias. Vídeos em alta no g1 Para facilitar o preenchimento, o MEI pode utilizar o Relatório Mensal de Receitas Brutas, onde registra os valores obtidos a cada mês. O controle também é uma obrigação prevista em lei, segundo o governo federal. Abaixo, veja como fazer a declaração e tire dúvidas. 🧮 Como fazer a declaração anual de MEI 💻 Quem deve declarar? 📅 E se eu perder o prazo. O que acontece? 💵 Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? 🤔 Errei alguma informação, e agora? Como fazer a declaração anual de MEI? Na declaração anual, é necessário preencher o valor total da receita bruta obtida pelo MEI no ano anterior. Entram as vendas de mercadorias ou prestação de serviços, além de ser necessário indicar se houve ou não o registro de empregado. Para isso, o MEI precisa: Acessar o portal do empreendedor e selecionar a aba "Já sou MEI"; Escolha a opção “Declaração Anual de Faturamento” e clique em entregar a declaração; O CNPJ do MEI será solicitado. Depois, o empreendedor deve escolher o ano que deseja declarar e preencher os dados com as receitas obtidas; Uma tela com o resumo dos valores dos impostos pagos naquele ano será aberta; Por último, é só clicar em transmitir. Nos casos de não movimentação ou faturamento, os campos de Receitas Brutas, Vendas e/ou Serviços devem ser preenchidos com o valor de R$ 0,00 – indicando que, de fato, não houve rendimentos. Quem deve declarar? A declaração deve ser feita por todos os microempreendedores individuais, incluindo aqueles que não obtiveram faturamento durante o ano de 2025. E se eu perder o prazo. O que acontece? A entrega fora do prazo da DASN-SIMEI gera uma multa de 2% a cada mês de atraso, limitada a 20% sobre o valor total dos tributos devidos, ou mínimo de R$ 50. O MEI também pode ter o CNPJ cancelado definitivamente, caso não tenha pagado nenhuma contribuição mensal durante os últimos dois anos. Ultrapassei o limite de faturamento. E agora? O limite de faturamento anual do MEI em 2025 foi de R$ 81 mil, o que dá uma média de R$ 6.750 ao mês (ou um valor proporcional de acordo com o mês de abertura). 🔎 EXEMPLO: Se você formalizou a sua empresa em maio de 2025, o seu limite de faturamento até o final do ano a ser declarado é de R$ 54 mil. Caso tenha ultrapassado esse valor, o empreendedor deverá pagar tributos sobre o excedente. Segundo Gabriel Santana Vieira, advogado especialista em direito tributário, existem duas possibilidades: O MEI que fatura até 20% acima do limite (até R$ 97.200) será desenquadrado automaticamente a partir de 1º de janeiro do ano seguinte e deverá migrar para o regime de Microempresa (ME) no Simples Nacional. Já o empreendedor que faturar acima de 20% do limite (acima de R$ 97.200), o desenquadramento é retroativo a 1º de janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado, gerando possíveis custos adicionais, como tributos, multas e juros. "O empreendedor deve solicitar o desenquadramento no Portal do Simples Nacional e ajustar seu enquadramento como Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), iniciando o pagamento dos tributos de acordo com o novo regime", afirma Vieira. Vale lembrar que no regime de ME, os tributos são calculados com base no faturamento anual e nas tabelas do Simples Nacional, exigindo maior controle financeiro e, geralmente, o auxílio de um contador. Ainda segundo o especialista, essas mudanças são importantes para manter a regularidade fiscal da empresa e evitar problemas com a Receita Federal. Errei uma informação, e agora? Neste caso, o MEI terá de entrar na declaração e escolher o ano-exercício a ser corrigido. Após selecioná-lo, aparecerá a opção de retificadora em 'tipo de declaração'. O microempreendedor altera o dado que precisa e transmite de novo a declaração. Uma recomendação é salvar ou imprimir o novo recibo de transmissão. Veja mais em: Imposto de Renda 2026: MEI precisa declarar? Veja quem é obrigado MEI: confira valores de contribuição, prazos para quitar dívidas e obrigações em 2026

Corpus Christi é feriado? Veja em quais capitais haverá folga O mês de junho costuma ser aguardado por muitos trabalhadores. Além das festas juninas, a primeira semana pode render até quatro dias seguidos de descanso — embora isso não seja garantido para todos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Isso porque o Corpus Christi, celebrado neste ano em 4 de junho, cai em uma quinta-feira e é considerado ponto facultativo nacional. Na prática, estados e municípios podem transformar o Corpus Christi em feriado religioso por meio de regulamentação local, o que abre espaço para a emenda e prolonga o descanso. (veja em quais capitais haverá folga) A diferença impacta diretamente quem pode folgar, trabalhar ou até receber pagamento em dobro. Nas cidades onde Corpus Christi é considerado feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. ⚠️ Ainda assim, atividades essenciais podem funcionar normalmente. Quem for escalado para trabalhar na data tem direitos garantidos, como pagamento em dobro ou folga compensatória. Tapete de Corpus Christi na Catedral do Divino Espírito Santo, em Palmas-TO Otávio Frabetti/Catedral de Palmas O que é ponto facultativo? 🤔 Em dias de ponto facultativo, órgãos públicos podem dispensar os servidores do expediente sem prejuízo da remuneração. A medida costuma ser adotada em datas próximas a feriados e fins de semana, mas depende de decreto ou ato oficial de cada governo. No setor privado, quando a data é considerada ponto facultativo — e não feriado nacional —, as empresas não são obrigadas a liberar os funcionários. Ponto facultativo x feriado: qual a diferença? 🤨 O ponto facultativo não está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ao contrário dos feriados. Pela legislação trabalhista, o trabalho em feriados nacionais e religiosos é, em regra, proibido, salvo exceções previstas em lei. “Art. 70 - Salvo o disposto nos artigos 68 e 69, é vedado o trabalho em dias feriados nacionais e feriados religiosos, nos termos da legislação própria.” 👉 Quando há necessidade de trabalho no feriado, o empregado tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória. Já no ponto facultativo, o trabalho ocorre normalmente e não há pagamento extra obrigatório. Na prática, o ponto facultativo costuma garantir folga principalmente aos servidores públicos. No setor privado, cabe às empresas decidir se concedem ou não a dispensa dos funcionários. Quais são os próximos feriados de 2026? 📆 Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano. Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida). Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana. Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem: 7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira) 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira) 2 de novembro, Finados (segunda-feira) 15 de novembro, Proclamação da República (domingo) 20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira) 25 de dezembro, Natal (sexta-feira) Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos: 4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira) 5 de junho (sexta-feira) 28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira) 24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira) 31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira) O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira: Calendário 2026 g1 *Com colaboração de g1 Acre, g1 Alagoas, g1 Amapá, g1 Amazonas, g1 Bahia, g1 Ceará, g1 Distrito Federal, g1 Espírito Santo, g1 Goiás, g1 Maranhão, g1 Mato Grosso, g1 Mato Grosso do Sul, g1 Minas Gerais, g1 Pará, g1 Paraíba, g1 Paraná, g1 Pernambuco, g1 Piauí, g1 Rio de Janeiro, g1 Rio Grande do Norte, g1 Rio Grande do Sul, g1 Rondônia, g1 Roraima, g1 Santa Catarina, g1 São Paulo, g1 Sergipe e g1 Tocantins. LEIA TAMBÉM As melhores datas para tirar férias em 2026: veja como emendar feriados e ganhar até seis dias de descanso Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada; veja como aproveitar Feriados de 2026: quase todos caem em dias úteis e viram folga prolongada

PCC e CV são organizações mafiosas, e não terroristas, diz o promotor Lincoln Gakiya Os impactos da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, pelos Estados Unidos, ainda não são completamente conhecidos, mas o Brasil pode ser prejudicado economicamente pela medida. O motivo, segundo pesquisadores e investigadores ouvidos pelo g1, é que as facções têm utilizado o sistema financeiro nacional para lavar dinheiro — assim como também vem sendo observado em outros países com suas organizações criminosas. A Carbono Oculto, uma operação da Polícia Federal deflagrada em 2025 e com desdobramentos recentes em 2026, por exemplo, investiga a infiltração do PCC no mercado financeiro e na economia formal (veja detalhes abaixo). "Como se sabe pelas operações policiais já feitas, a penetração de dinheiro ilegal é muito grande na economia legal. Imagina, por exemplo, um operador de agronegócio que faça negócios com uma transportadora de soja que seja usada para lavar dinheiro do PCC. Esse agroempresário pode ser julgado nos EUA", diz Thiago Rodrigues, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Facções criminosas do Brasil no foco dos EUA Os EUA anunciaram a inclusão do PCC e do CV em duas listas: a de Terroristas Globais Especialmente Designados (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e a de Organizações Terroristas Estrangeiras (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs). Rodrigues explica que, no caso da inclusão das facções na primeira lista, que já está em vigor, o foco de eventuais ações do governo americano está no combate a operações financeiras realizadas dentro dos EUA. Já a inclusão das facções na segunda lista traz consequências muito mais amplas, segundo Rodrigues, porque ela "projeta a capacidade de os Estados Unidos processarem pessoas de países terceiros que tenham relações com grupos que são listados como terroristas". Em outras palavras, "a atividade financeira de um grupo no Brasil pode ser processada nos EUA", tanto na esfera cível quanto na criminal. "Isso impacta diretamente na economia de um país. Qualquer pessoa, cidadã de outro país, pode ser processada no sistema jurídico-penal dos EUA: um político, uma personalidade pública, um empresário, um banqueiro — mesmo que não esteja fazendo negócio nos EUA, mas esteja fazendo negócio no seu próprio país", afirma Rodrigues. O exemplo da Carbono Oculto - A Polícia Federal realiza Operação Carbono Oculto, no prédio localizado no número 3732 da Avenida Faria Lima, principal centro financeiro do País, na zona oeste de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, 28 de agosto de 2025. WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO O promotor Lincoln Gakiya, que atua no combate ao PCC há 21 anos e é um dos investigadores da Operação Carbono Oculto, também aponta que a nova medida dos EUA pode fazer o país sofrer "sanções econômicas de natureza gravíssima". A operação da PF identificou que fintechs, que prestam serviços digitais semelhantes aos de bancos, misturavam dinheiro limpo e dinheiro proveniente do crime em "contas-bolsões" abertas em grandes instituições financeiras. As investigações revelaram também que o esquema também utilizava o setor de combustíveis para a prática de lavagem de dinheiro, dificultando o rastreamento dos recursos ilícitos. "Veja este exemplo: postos de combustíveis pertencentes a pessoas ligadas ao PCC praticaram transações com outros grupos, como Copape [empresa que mistura gasolina], e por sua vez o dinheiro auferido dessas transações foi parar no mercado financeiro, num fundo da gestora Reag [investigada pela PF]", disse Gakiya em entrevista à jornalista Natuza Nery no podcast O Assunto desta sexta-feira (29). "A Reag aplica uma parte de seus recursos, por exemplo, no Banco Master, que por seu turno faz transações de títulos com vários bancos grandes do país e que têm também operações financeiras com bancos americanos. Se a gente for levar ao pé da letra a interpretação que se dá a essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar esses bancos brasileiros — que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC", explicou o promotor. As sanções, de acordo com Gakiya, podem incluir o congelamento de ativos e a proibição de transacionar com qualquer instituição americana — o que seria especialmente problemático para bancos, que estão interligados ao sistema financeiro dos EUA. "[A nova classificação] Pode afetar desde o sistema bancário até o turismo no Rio de Janeiro, passando pelo agro, pelas empresas de tecnologia, pela Bolsa de Valores. O Brasil não é uma economia pouco integrada na economia global, é a sétima economia do mundo. Não é a Venezuela, que é um país exportador de petróleo cru. O Brasil é um sistema econômico complexo e muito integrado", diz Thiago Rodrigues. Um representante de um grande banco brasileiro ouvido pela reportagem minimizou, no entanto, os possíveis impactos da medida anunciada pelos Estados Unidos. Para o profissional, as instituições financeiras brasileiras já atuam com programas robustos de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro. "As fintechs que não seguem tais medidas é que devem ser impactadas", disse reservadamente. De olho nos tentáculos do crime organizado no sistema financeiro, o Banco Central tem adotado regras para aprimorar os mecanismos de identificação da origem e de rastreio de recursos. Histórico nos EUA Segundo o professor de Relações Internacionais Thiago Rodrigues, já havia grupos similares ao CV e ao PCC nas listas de terroristas dos EUA desde o ano passado. Assim que assumiu o atual mandato, em 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para que o Departamento de Estado americano incluísse o crime organizado nessas listas. Na ocasião, Trump citou nominalmente o cartel de Sinaloa, do México, o Trem de Arágua, da Venezuela, e o Mara Salvatrucha, de El Salvador. Ainda de acordo com Rodrigues, desde 2021 a facção PCC já estava em uma terceira lista do governo americano, classificada pelo Departamento do Tesouro como organização criminosa internacional. Essa lista prevê especificamente confiscos de bens e prisão de pessoas envolvidas em negócios com o PCC dentro dos EUA. Essa classificação, no entanto, teve poucos resultados nos últimos cinco anos, segundo Rodrigues. "O que a gente acredita é que a presença [de pessoas] do PCC nos Estados Unidos é irrisória, não é substancial. Não há uma iniciativa, até onde os pesquisadores saibam, de o PCC entrar nos Estados Unidos", explica. "Agora, essa nova lista [de grupos terroristas] é muito mais política do que técnica, porque coloca esses grupos em uma outra narrativa — da guerra contra o terrorismo, de um inimigo muito perigoso que justifica interferências nos sistemas políticos de outros países", afirma.

Imposto de renda Marcos Serra/g1 O prazo de envio da declaração do Imposto de Renda 2026 acabou na última sexta-feira (29) — e quem é obrigado a declarar, mas não enviou o documento em tempo, agora está em dívida com o Leão. Nesses casos, segundo a Receita Federal, o contribuinte fica sujeito ao pagamento de uma multa por atraso, calculada da seguinte forma: Multa de 1% ao mês ou fração de atraso, calculado sobre o valor do imposto devido na declaração, ainda que integralmente pago, até um teto de 20%; Multa mínima de R$ 165,74 (apenas para quem estava "obrigado a declarar", mesmo sem imposto a pagar) A multa começa a contar no primeiro dia seguinte à data limite de entrega e termina sua contagem na data do envio da declaração ou, se não for entregue, na data do lançamento de ofício pela Receita. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 De acordo com o Fisco, a recomendação é que o contribuinte regularize sua situação o quanto antes. A declaração em atraso poderá ser entregue somente a partir das 9h de segunda-feira (1º). Veja abaixo o que fazer caso você tenha perdido o prazo de entrega. Como regularizar a situação? O formato para entrega da declaração fora do prazo é o mesmo: o contribuinte deve reunir os mesmos documentos e comprovantes e pode enviar as informações pelos canais disponibilizados pela Receita Federal. A diferença está na cobrança de multa. Ao transmitir a declaração em atraso, o contribuinte recebe automaticamente uma Notificação de Lançamento de Multa, acompanhada do boleto para pagamento e das orientações necessárias para a quitação do débito. Como pagar a multa? A multa pela entrega da declaração em atraso é inegociável e seu pagamento deve ser feito por meio da emissão do Documento de Arrecadação das Receitas Federais (Darf). A Receita normalmente dá um prazo de até 20 dias para o pagamento da multa. Caso os débitos não sejam quitados dentro desse período, é possível a cobrança de juros de mora, calculados com base na taxa básica de juros brasileira, a Selic. Caso o contribuinte tenha restituição a receber, a multa também poderá ser descontada desse valor, acrescido de juros. O que acontece se eu não pagar a multa? Os valores devidos à Receita Federal — incluindo multas, juros e impostos — podem ser considerados como dívidas e pendências fiscais. Isso significa que o contribuinte pode ter a inclusão do débito no Cadastro Informativo de Créditos não quitados do Setor Público Federal (Cadin) e na Dívida Ativa da União. Isso pode trazer, também, uma série de restrições ao CPF, tais como: o impedimento de emissão ou renovação de passaporte e carteira de trabalho; a impossibilidade de realizar matrícula em instituições de ensino, bem como vedação da participação de concursos públicos; o score de crédito pode ser impactado negativamente, dificultando ou mesmo impedindo a contratação de produtos e serviços financeiros; protesto em cartório e negativação do nome do contribuinte, além de pagamento de custas ao cartório para regularização; o impedimento da emissão de Certidão Negativa de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (CND), requerida por exemplo para financiamento imobiliário, entre outros. O contribuinte pode consultar sua situação na aba "Situação Fiscal" — documento que atesta a regularidade do contribuinte perante a Receita e que está disponível no e-CAC.

Imposto de Renda 2025: errou ou entregou declaração incompleta? Veja o que fazer O contribuinte que entregou a declaração do Imposto de Renda 2026, mas percebeu que cometeu algum erro ou deixou de informar algum dado, pode retificar o documento sem pagar multa. A declaração retificadora substitui todas as informações da declaração original. Por isso, é importante ter atenção e verificar se haverá alteração no valor do imposto a pagar após o envio da correção. Após o prazo de entrega, os contribuintes têm até cinco anos para retificar a declaração, desde que o documento não esteja sob fiscalização da Receita Federal — ou seja, caso não tenha sido formalmente convocado pelo órgão para prestar esclarecimentos. LEIA MAIS IR 2025: Antonio Gil, da EY, tirou dúvidas de leitores do g1 Veja passo a passo para fazer a declaração pré-preenchida Como baixar o programa de declaração? Veja perguntas e respostas Como fazer a declaração retificadora Caso o contribuinte tenha enviado a declaração por meio do programa do Imposto de Renda: Abra o programa e clique na opção "Transmitidas"; Em seguida, clique na declaração que deverá ser retificada e selecione a opção "Retificar Declaração" – com isso, a declaração a ser retificada ficará disponível na aba "Em preenchimento"; Clique no campo "Declaração retificadora" e preencha o número do recibo de entrega da declaração original; Faça as alterações necessárias; Envie novamente a declaração. Caso o contribuinte opte por retificar a declaração no site da Receita Federal: Acesse o e-CAC (Centro Virtual de Atendimento) e informe os dados para login; Clique na opção "Meu Imposto de Renda (Extrato da DIRPF); Clique no ano da declaração que deseja retificar e selecione a opção "Preencher Declaração Online"; Na nova aba aberta pelo site, selecione a opção "Retificar Declaração"; Faça as alterações necessárias; Envie novamente a declaração. Nesse último caso, no entanto, a versão disponível para edição é simplificada e limitada. Sendo assim, não é possível corrigir informações das fichas: Atividade Rural; Ganhos de Capital; Moeda Estrangeira; Renda Variável. Dicas para quem precisa retificar Apesar de haver a possibilidade de retificar o documento entregue ao Fisco diversas vezes, a recomendação é que o contribuinte tenha atenção e não exagere no número de alterações, a fim de evitar possíveis problemas com a Receita Federal. Outros alertas são: A declaração retificadora substituirá a original. Assim, ela deve conter todas as informações corretas anteriormente declaradas, além das alterações; Com exceção dos grupos prioritários, a Receita leva em consideração a ordem de entrega da declaração para realizar o pagamento da restituição. Portanto, ao enviar a declaração retificadora, é feito um novo processamento, o que pode postergar a data de recebimento da restituição, pois o contribuinte vai para o “final da fila”; Passado o período de envio do documento, o declarante deverá manter o modelo de tributação escolhido inicialmente e corrigir apenas as informações equivocadas. Imposto de Renda 2025: saiba como fazer a retificadora Marcos Serra/g1

Amostra de moscas-da-bicheira exibida em clínica veterinária em Tapachula, Chiapas, México, em 4 de julho de 2025 REUTERS/Daniel Becerril A larva de uma mosca parasita que se alimenta de carne viva foi encontrada em uma ovelha no México, a menos de 50 quilômetros da fronteira com os Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (29) pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A descoberta aumenta a preocupação de pecuaristas e autoridades sanitárias dos EUA, que há mais de um ano tentam impedir que a praga atravesse a fronteira e infecte rebanhos no país. O caso mais recente envolve uma ovelha de seis meses no estado mexicano de Coahuila, segundo dados do USDA. Foi o registro mais próximo da fronteira americana desde o início do atual surto, apesar dos esforços dos governos dos EUA e do México para conter o avanço da praga. Conhecida como bicheira-do-Novo-Mundo ou mosca-da-bicheira, a espécie representa uma ameaça para a produção pecuária. As fêmeas depositam centenas de ovos em feridas de animais de sangue quente. Após a eclosão, as larvas penetram na carne viva e passam a se alimentar do tecido do hospedeiro. A mosca raramente ataca humanos. No entanto, sem tratamento, a infestação pode se agravar e se tornar fatal. Agora no g1 Especialistas alertam que uma eventual entrada da praga nos EUA poderia reduzir a oferta de gado e pressionar ainda mais os preços da carne bovina, que já estão em níveis recordes. O rebanho bovino americano já está no menor nível em 75 anos. Segundo uma estimativa do USDA, um surto poderia causar prejuízos de até US$ 1,8 bilhão apenas no Texas, maior estado produtor de gado dos EUA. Como medida de contenção, os Estados Unidos mantém restrições às importações de gado mexicano há mais de um ano. O USDA investiu milhões de dólares na criação de instalações para produzir moscas estéreis, consideradas a principal ferramenta para interromper surtos da praga. As unidades, porém, ainda não entraram em operação.

Planta de Sorocaba da Toyota com a linha do Corolla Cross divulgação/Toyota A Toyota anunciou nesta sexta-feira (29) que a fábrica de Sorocaba (SP) será inaugurada em novembro deste ano. A unidade será a segunda da montadora na cidade e ficará responsável pela produção de novos carros e de modelos com tecnologia híbrida. A inauguração faz parte do plano de investimentos de R$ 11 bilhões da Toyota no Brasil, previsto para ser executado até 2030. De acordo com a empresa, o início das atividades da nova fábrica deve gerar cerca de 2.000 empregos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Na nova planta será produzido o Toyota Corolla sedã, atualmente fabricado em Indaiatuba (SP). A montadora opera nessa cidade desde 1998, com foco no modelo, tanto nas versões tradicionais quanto nas opções híbridas, que começaram a ser produzidas em 2019. No Brasil, a Toyota fabrica apenas os modelos Corolla sedã, Corolla Cross e Yaris Cross. Os demais veículos vendidos pela marca no país, como a picape Hilux e o SUV SW4, são importados. No comunicado, a Toyota prometeu lançar novos carros, mas não informou quais serão os modelos nem em que categorias eles se enquadram. Hoje, a marca oferece esportivos como o GR Yaris e o GR Corolla, o sedã Corolla, SUVs como RAV4, SW4 e Yaris Cross, além da picape Hilux e dos veículos comerciais Hiace. Inauguração ocorrerá um ano após desastre na região Temporal destelha fábrica de motores e carro capotado durante temporal em Porto Feliz A inauguração da fábrica de Sorocaba ocorrerá 14 meses após um forte temporal atingir a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), a cerca de 35 km de Sorocaba. Segundo a Defesa Civil, a cidade registrou rajadas de vento de até 90 km/h em 22 de setembro de 2025, o que provocou o arrancamento do telhado da fábrica. Ainda de acordo com a Defesa Civil, Porto Feliz foi atingida por uma microexplosão — fenômeno em que ventos muito fortes descem rapidamente da nuvem de chuva em direção ao solo. Ao todo, 30 funcionários ficaram feridos, e a operação da fábrica foi totalmente interrompida. As unidades de Sorocaba e Indaiatuba também foram afetadas, o que acabou atrasando o lançamento do Yaris Cross.

A bandeira tarifária para o mês de junho será amarela, anunciou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta sexta-feira (24). Isso representa um adicional de R$ 1,88 a cada 100kWh na tarifa. "O anúncio ocorre devido ao período seco no Brasil, o que leva a uma geração hidrelétrica menor e ao acionamento de usinas termelétricas, com custo mais elevado", justificou a agência. Em uma residência com consumo de 187kWh, por exemplo – como foi a média residencial em fevereiro, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética –, a bandeira amarela significaria um valor adicional de R$ 3,52 na fatura. 🔎A bandeira tarifária sinaliza ao consumidor os custos reais da geração de energia no país. Quando a geração fica mais cara, a cobrança extra é aplicada automaticamente nas contas. Entre janeiro e abril, a bandeira tarifária foi mantida na cor verde, devido a índices considerados satisfatórios nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Em maio, a Aneel definiu uma bandeira amarela. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como funciona o sistema de cores 💡 O sistema de cores da Aneel sinaliza as condições de geração de energia. Se chove pouco e as hidrelétricas geram menos, é preciso acionar usinas termelétricas, que são mais caras. 💡 Para pagar por essas usinas, a Aneel aciona as bandeiras amarela, vermelha 1 ou vermelha 2, com taxas extras na conta de luz. Governo anunciou bandeira tarifária para contas de energia de maio Gilvana Giombelli/g1 Paraná Saiba quanto custa cada bandeira Cada bandeira tarifária acionada pela Aneel pode gerar um custo extra ao consumidor: 🟩bandeira verde (condições favoráveis de geração de energia) – sem custo extra; 🟨bandeira amarela (condições menos favoráveis) – R$ 18,85 por MWh (megawatt-hora) utilizado (ou R$ 1,88 a cada 100kWh); 🟥bandeira vermelha patamar 1 (condições desfavoráveis) – R$ 44,63 por MWh utilizado (ou R$ 4,46 a cada 100 kWh); 🟥bandeira vermelha patamar 2 (condições muito desfavoráveis) – R$ 78,77 por MWh utilizado (ou R$ 7,87 a cada 100 kWh).

PCC e CV em lista terrorista: Brasil pode ser invadido pelos EUA? A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar facções brasileiras como grupos terroristas traz consequências jurídicas, econômicas, militares e civis para o Brasil e para os EUA. Especialistas em segurança apontam riscos à soberania brasileira, enquanto defensores da medida sinalizam que pode haver ganho no combate ao crime organizado brasileiro, pois a classificação dificulta que PCC e CV atuem internacionalmente. 📆 O anúncio do governo Trump se deu 2 dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, se reunir com o presidente americano e tratar do tema. Flávio reagiu à decisão de Trump dizendo que fez pela segurança do Brasil "mais em uma viagem do que o governo Lula em 17 anos". Nesta sexta-feira, 29, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania brasileira e condenou a decisão americana sobre as facções brasileiras. "Não aceitamos ser tratados como moleques", afirmou. Argumentos da família Bolsonaro a favor da decisão de Trump Asfixia financeira internacional: Para Flávio, agora haverá ferramentas para cortar o financiamento às organizações "narcoterroristas"; Proteção e "libertação": O pré-candidato à Presidência pelo PL afirma que a medida representa uma "proteção ao povo brasileiro" contra o que ele define como o "governo paralelo" das facções criminosas; Combate nível Bin Laden: Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e que mora nos EUA, disse que PCC e CV "vão poder ser combatidos igual Bin Laden era" pelos Estados Unidos. LEIA TAMBÉM: Presidente critica Flávio: 'Não tem vergonha de trair a pátria e pedir intervenção' Governo diz que não aceita interferência externa e fala em risco ao PIX 'Presidente do Brasil é escolha dos brasileiros', diz porta-voz do governo Trump Consequências de classificar PCC e CV como organizações terroristas 👩🏼⚖️ 1. Impactos jurídicos e em investigações Mudanças de esfera: Nos EUA, o combate às facções brasileiras deixa de ser tratado unicamente como caso de polícia e pode passar para a esfera de inteligência e militar, em que atuam CIA e Pentágono, por exemplo; Velocidade: Órgãos de investigação dos EUA passam a ter acesso a instrumentos jurídicos que possibilitam investigar e punir integrantes de facções brasileiras de forma mais rápida; Compartilhamento de informações: Especialistas indicam dois caminhos possíveis: as autoridades americanas podem compartilhar com o Brasil os achados sobre facções a que terão acesso e, assim, ajudar ações locais, mas também podem passar a classificar dados como "secretos" ou "ultrassecretos", o que reduziria a troca de informações; Criminalização: Torna-se crime federal nos EUA fornecer qualquer tipo de "apoio material" às facções, o que inclui dinheiro, treinamento, armas, logística e consultoria, por exemplo. 💰 2. Consequências financeiras e econômicas Bloqueio de bens: Ativos financeiros e propriedades ligadas às facções em território americano ou sob controle de instituições dos EUA são automaticamente bloqueados; Vigilância sobre o sistema bancário: Bancos brasileiros e fintechs que movimentem recursos das facções podem ser proibidos de operar com o sistema bancário americano; Risco a investimentos: Insegurança jurídica pode afastar capital estrangeiro do Brasil e endurecer auditorias em setores como o de combustíveis, infraestrutura e agronegócio. Crianças brincam na Vila Cruzeiro, no Rio, ao lado de barricadas colocadas para conter avanço de policiais durante operação. Tânia Rêgo/Agência Brasil 🪖 3. Soberania e ação militar: Intervenção: Abre-se uma brecha jurídica para que as Forças Armadas dos EUA façam operações militares no Brasil sem anuência do governo brasileiro, como abater aviões ou afundar navios, com a justificativa de combate ao terrorismo; Pressão geopolítica: A classificação pode ser um instrumento de pressão externa para alinhar a agenda de segurança do Brasil aos interesses dos EUA. ✈️ 4. Restrições de imigração e viagens Vistos e deportações: Integrantes das facções ou pessoas com conexões comprovadas com elas podem ter vistos negados ou cancelados. Ficam sujeitos também à expulsão ou prisão ao entrar nos EUA; Impacto sobre civis: Há temor de que tirar visto americano fique mais difícil para brasileiros que vivem em áreas dominadas pelo crime organizado, mesmo que não tenham vínculo com as facções. LEIA TAMBÉM: PCC e CV: quais são os próximos passos após EUA designarem as facções como terroristas? O que dizem presidenciáveis sobre a decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas Governo critica família Bolsonaro por articulação nos EUA e vê risco ao PIX em classificação de CV e PCC como terroristas Flávio Bolsonaro em encontro com Trump; Lula em reunião com Trump Reprodução

Ministra Esther Dweck visita CPQD para anúncio de resultados de projeto sobre IA O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), em Campinas (SP), terá um núcleo para desenvolver aplicativos com uso de Inteligência Artificial (IA) para serviços públicos federais. O investimento será de cerca de R$ 60 milhões. A pedra fundamental, que marca a criação da estrutura física, foi lançada durante evento nesta sexta-feira (29), no CPQD, com a presença da ministra de Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. O local deverá começar a funcionar até o fim deste ano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp O objetivo é que os novos aplicativos com suporte de IA façam o atendimento ou facilitem o acesso da população ao solicitar serviços por meio da plataforma GOV.BR. "A gente vai ter um governo que vai chegar à população de forma personalizada, vai chegar de forma proativa, vai poder interagir com as pessoas, falar muito mais rápido. Vai aumentar a produtividade do setor público em números inimagináveis. É o início de uma transformação gigantesca para a nossa população", comentou a Dweck. Além disso, o núcleo guardará e processará dados sensíveis de usuários, como cadastros de pessoas em programas do governo. Atualmente, essas informações estão hospedadas em nuvens internacionais. Ambiente computacional Pedra fundamental do novo núcleo foi lançada nesta sexta CPQD/Divulgação O prédio que abrigará o núcleo já existe, mas, segundo o CPQD, será reformado, adequado e receberá novos equipamentos, entre eles unidades de processamento gráfico (GPUs). O local terá operação semelhante a um laboratório, no qual serão desenvolvidos modelos de linguagem e ferramentas com IA Generativa. Também serão feitos tratamentos de grandes volumes de dados para treinamento de algoritmos. Isso deverá impactar diretamente os aplicativos disponibilizados ao público e integrados ao GOV.BR. A pessoa que precisar de um serviço do governo federal acessará o aplicativo e conversará com robôs (chatbots) treinados por IA. As ferramentas ainda usarão a IA em barras de pesquisa e processamento de dados. De acordo com o CPQD, isso irá atender à realidade da população brasileira, principalmente usuários com baixa maturidade digital. "A inovação não é só tecnologia, mas é também tecnologia e essa parceria aqui vai nos permitir ter quase 350 pesquisadores desenvolvendo soluções para governos. Vai começar no governo federal, mas rapidamente vai se espalhar para todo o setor público brasileiro", disse Dweck. No caso do processamento de dados, a ministra ressaltou que há uma questão de "soberania tecnológica". Isso porque as informações cadastrais de usuários estão, hoje, hospedadas em nuvens internacionais. Com o núcleo, elas passariam a ser guardadas e processadas dentro do Brasil. "A gente fala que a soberania digital tem três níveis. A de dados, a gente já vinha trabalhando nisso, de repatriar os dados brasileiros, de poder saber onde os nossos dados estratégicos estão. A gente já estava num outro processo de operação, de conseguir acessar os dados, de conseguir operar", ponderou Dweck. "E tem um terceiro que é tecnológico. Essa é a mais difícil. E aqui, esse é um projeto de soberania tecnológica, digital tecnológica. Isso realmente é um terceiro passo, um dos mais difíceis de se fazer num país em desenvolvimento, mas o Brasil tem capacidade, justamente porque a gente tem um grande sistema de inovação", finalizou. Atendimentos com IA já implantados Evento apresentou resultados do projeto Inspire CPQD/Divulgação O núcleo irá se integrar ao projeto Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética). A parte criativa do projeto, que são as novas ferramentas com uso de IA para oferecer serviços públicos personalizados, será elaborada, guardada e processada no núcleo. Mesmo sem a estrutura física, o Inspire completou sete meses e já implantou três chatbots em serviços do governo federal, conforme balanço divulgado durante o evento desta sexta: Chatbot de Atendimento GOV.BR: desenvolvido para tirar dúvidas e dar suporte ao usuário por um único canal inteligente. Na fase de testes, a solução chegou a cerca de 2 mil atendimentos digitais por dia. A maior parte das interações teve como foco a solução de dúvidas e informações sobre recuperação de conta GOV.BR, autenticação em duas etapas, reconhecimento facial e uso do aplicativo. Chatbot SISU (Sistema de Seleção Unificada)/Jornada do Ensino Médio: lançado em janeiro de 2026 para apoiar estudantes durante o processo do SISU, Enem, Prouni e FIES, o chatbot foi preparado para oferecer orientações sobre matrículas, vagas, calendário e outros serviços associados ao MEC. Atende um universo potencial de 4,2 milhões de usuários inscritos no Enem. Chatbot Vacinação/Farmácia Popular: permite obter informações e esclarecer dúvidas sobre campanhas de vacinação realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), bem como sobre Farmácia Popular e outras iniciativas do Ministério da Saúde. Outra medida do projeto foi a criação de uma infraestrutura de IA para processar e qualificar 77 milhões de registros de endereços de pessoas no país. "Além de endereços diferentes da mesma pessoa, armazenados em bases de dados de órgãos de governo distintos, encontramos duplicações e inconsistências, por exemplo, na grafia de nomes de ruas", contou Paulo Curado, diretor responsável pelo Inspire no CPQD. "Ter o endereço correto das pessoas, disponível para todos os órgãos do governo, é essencial para políticas públicas que dependem desse dado para o pagamento de determinados benefícios”, explicou. Projeto vai usar IA em serviços do governo federal CPQD/Divulgação VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

Representações de Ethereum e Bitcoin. Reuters O Banco Central informou nesta sexta-feira (29) que o processo de autorização para prestadoras de serviços de ativos virtuais passará a exigir, a partir de junho, a apresentação de um relatório emitido por auditoria independente registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 De acordo com a autarquia, a análise passará a considerar “opinião técnica independente sobre os procedimentos adotados pelas empresas para identificar e prevenir operações suspeitas, especialmente aquelas relacionadas aos crimes de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo”. Autoridades do governo têm expressado preocupação com o mercado de ativos virtuais, com a percepção de que esses ativos podem ser usados para lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas. Agora no g1 Na quinta-feira, por exemplo, em operação organizada pela Receita Federal e outros órgãos que mapeou seis fintechs ligadas a organizações criminosas, foi identificado o uso de criptoativos para lavagem de dinheiro. Segundo o BC, a nova exigência tem como objetivo aumentar a segurança das decisões nos processos de autorização, ao mesmo tempo em que reforça práticas de combate a crimes. “A verificação por auditoria independente contribui para maior transparência e confiabilidade nos controles adotados pelas empresas do setor”, afirmou a autarquia em nota.

Decisão dos EUA sobre facções pode impactar mercado As facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passam a ser consideradas organizações terroristas pelos Estados Unidos, em medida anunciada na quinta-feira (28) pelo governo de Donald Trump. As duas já foram incluídas na lista de “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, também entrarão na lista de “Organizações Terroristas Estrangeiras”. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a medida não deve provocar impactos imediatos no comércio entre Brasil e EUA nem gerar barreiras comerciais diretas. No entanto, a decisão aumenta a pressão sobre bancos e empresas brasileiras para identificar a origem dos recursos e reforçar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro do crime organizado. Abaixo, entenda os principais impactos da medida no Brasil (clique no menu para ir ao tópico). PIX e bancos devem passar por fiscalização mais rígida O nó jurídico que preocupa investidores Os impactos na bolsa e no dólar PIX e bancos devem passar por fiscalização mais rígida O Pix foi mencionado em um relatório em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas norte-americanas Marcello Casal Jr/Agência Brasil Segundo especialistas, o principal impacto da decisão dos EUA no Brasil deve ocorrer no sistema financeiro. 🔎 Com a classificação de um grupo como organização terrorista estrangeira (FTO), a legislação americana amplia os instrumentos de combate financeiro, permitindo bloqueio de recursos, aumento de sanções e monitoramento mais rigoroso de operações suspeitas. Com isso, instituições que tenham qualquer ligação — mesmo indireta — com recursos associados a esses grupos podem passar a ser monitoradas mais de perto pelas autoridades americanas. Por isso, bancos, fintechs, instituições de pagamento e cooperativas de crédito que operam em dólar ou mantêm relação com o mercado americano tendem a reforçar os processos de identificação de clientes e monitoramento de transações para reduzir o risco de sanções. Como exemplo desse tipo de atuação, no ano passado, o Tesouro dos EUA bloqueou transações envolvendo instituições financeiras do México suspeitas de ligação com lavagem de dinheiro para cartéis, em uma ação voltada ao combate ao narcotráfico e ao tráfico de fentanil. O PIX também deve ganhar atenção adicional das autoridades. Como o sistema movimenta bilhões de reais diariamente e permite transferências instantâneas, bancos e órgãos de fiscalização podem ampliar o acompanhamento de operações consideradas suspeitas. No Brasil, investigações da Polícia Federal já vêm mostrando como organizações criminosas usam contas digitais, empresas de fachada e transferências eletrônicas para ocultar a origem do dinheiro. Nesta semana, por exemplo, a Operação Fluxo Oculto — desdobramento da Operação Carbono Oculto — apurou a atuação da chamada “máfia da nafta”, que utilizava “contas-bolsão”, onde recursos de diferentes clientes são misturados em uma única conta, dificultando o rastreamento das transações. LEIA TAMBÉM Entenda as novas regras do BC para tentar impedir a lavagem de dinheiro do crime organizado Como o PCC usa fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro Para Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, rastrear o fluxo de recursos costuma ser uma das primeiras medidas adotadas no combate ao crime organizado. “O rastro do dinheiro é sempre a primeira linha de atuação em medidas desse tipo. O PIX naturalmente entra nesse monitoramento porque movimenta um volume enorme de transações diariamente”, afirma. “Tivemos recentemente operações envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro via PIX. Tudo isso agora pode entrar no escopo dessa nova classificação das facções.” Sant’Anna lembra que a expansão do PIX já vinha sendo acompanhada de perto pelo mercado americano, principalmente porque o sistema brasileiro reduziu a participação de empresas tradicionais de cartões e meios de pagamento dos Estados Unidos no país. 🔎 O sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo dos EUA durante uma investigação comercial aberta em julho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump. Voltar ao índice. O nó jurídico que preocupa investidores Um dos principais pontos de atenção para o mercado financeiro é a diferença entre a legislação brasileira e a americana. Enquanto os Estados Unidos passaram a classificar PCC e CV como organizações terroristas, o Brasil continua tratando os grupos como facções criminosas. 🛑 Na prática, essa classificação nos EUA muda o nível de risco jurídico: qualquer apoio direto ou indireto pode ser enquadrado como crime pela legislação americana. Isso faz com que bancos e empresas adotem mais cautela, já que passam a responder a regras mais rígidas de sanções e controle. A diferença entre os dois modelos aumenta a insegurança jurídica e preocupa investidores estrangeiros. Para Milene Dellatore, especialista em investimentos e sócia-diretora do Grupo Mide, o efeito mais sensível é reputacional. “Investidor estrangeiro não gosta de ruído institucional. Quando o Brasil aparece associado a terrorismo, mesmo que o problema real seja crime organizado, isso cria um red flag (sinal de alerta) Ele começa a olhar o país com mais cuidado, principalmente em setores financeiros, infraestrutura, logística, portos, combustíveis e empresas com operação internacional", afirma. Especialistas afirmam que, ao passar a ser tratado no âmbito do contraterrorismo e das sanções internacionais, o tema tende a aumentar o custo e a complexidade das operações empresariais. Também há receio de que empresas brasileiras com atuação internacional ou ações negociadas no exterior passem a enfrentar investigações e fiscalizações mais rigorosas por parte dos órgãos reguladores. Setores com grande circulação de dinheiro, como combustíveis, logística e mercado imobiliário, tendem a enfrentar auditorias mais rigorosas. Para Beny Fard, sócio da B8 Partners, o principal impacto é operacional e regulatório: “A decisão muda menos o comércio entre os dois países e mais o custo de operar sob a lei americana”, afirma Fard. “A lei antiterrorismo dos EUA pode alcançar instituições que processem recursos ligados às facções mesmo sem conhecer a origem do dinheiro.” Matheus Balbino, professor de Relações Internacionais do Centro Universitário Braz Cubas, afirma que a medida não gera sanções automáticas ao Brasil, mas amplia a pressão internacional sobre o país. Segundo ele, o efeito mais provável no curto e médio prazo é o fortalecimento da cooperação entre países em áreas como inteligência financeira, combate à lavagem de dinheiro e rastreamento de recursos ilícitos. Essa maior pressão, acrescenta, pode exigir mais integração entre bancos, fintechs, órgãos de fiscalização e autoridades financeiras. “A tendência é de fortalecimento dos mecanismos de rastreamento de recursos, especialmente em operações internacionais, criptomoedas, empresas de fachada e movimentações financeiras consideradas atípicas”, afirma. Com o aumento da vigilância sobre operações financeiras, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por identificar movimentações atípicas e produzir relatórios de inteligência, tende a ganhar ainda mais relevância no monitoramento de operações suspeitas. Balbino também cita o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI/FATF), organismo criado pelo G7 e responsável por definir padrões globais de combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Voltar ao índice. Impactos na bolsa e no dólar Ibovespa opera em baixa, puxado pelo exterior. Freepik A mudança na percepção de risco dos investidores estrangeiros ainda não aponta para efeitos relevantes sobre a economia brasileira como um todo. No curto prazo, porém, o efeito mais provável é uma pressão de alta no dólar em relação ao real. Isso acontece porque, em momentos de incerteza, investidores passam a enxergar o país como um ambiente mais arriscado para aplicações financeiras. 🔎 O chamado risco-país mede justamente essa percepção de confiança na estabilidade de um país. Quando ele sobe, investidores exigem retornos maiores para manter recursos no mercado local, o que encarece o capital e pode pressionar o câmbio. Esse ambiente tende a aumentar a volatilidade do dólar e da bolsa. Enquanto isso, os investidores acompanham com cautela os possíveis desdobramentos da decisão. 📉 Nesta sexta-feira (29), o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 0,73%, aos 173.787 pontos, o menor valor desde 21 de janeiro (171.817 pontos). Já o dólar fechou em alta de 0,21%, cotado a R$ 5,0424 (veja mais detalhes do dia no mercado). De acordo com Felipe Sant’Anna, em meio ao aumento da cautela, investidores têm reduzido exposição principalmente a ações de bancos e varejistas, setores mais sensíveis à elevação das incertezas. A queda da bolsa brasileira não começou agora. O mercado já vinha em baixa há semanas e pode fechar a sétima semana consecutiva de recuo, segundo analistas. Nesta semana, o Ibovespa acumulou queda de 0,64% até quinta-feira e recuo de 6,53% no mês. Além da decisão dos EUA, o cenário também reflete incertezas globais, como as tensões no Oriente Médio. Em períodos de maior incerteza, investidores costumam vender primeiro ações que acumularam maiores ganhos ou que são mais dependentes do desempenho da economia. Por isso, a queda acaba sendo mais forte em empresas menores e em setores mais ligados ao ciclo econômico, o que mostra aumento da aversão ao risco na bolsa brasileira. Voltar ao índice.

PCC e CV em lista terrorista: Brasil pode ser invadido pelos EUA? A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar facções brasileiras como grupos terroristas traz consequências jurídicas, econômicas, militares e civis para o Brasil e para os EUA. Especialistas em segurança apontam riscos à soberania brasileira, enquanto defensores da medida sinalizam que pode haver ganho no combate ao crime organizado brasileiro, pois a classificação dificulta que PCC e CV atuem internacionalmente. 📆 O anúncio do governo Trump se deu 2 dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, se reunir com o presidente americano e tratar do tema. Flávio reagiu à decisão de Trump dizendo que fez pela segurança do Brasil "mais em uma viagem do que o governo Lula em 17 anos". Argumentos da família Bolsonaro a favor da decisão de Trump Asfixia financeira internacional: Para Flávio, agora haverá ferramentas para cortar o financiamento às organizações "narcoterroristas"; Proteção e "libertação": O pré-candidato à Presidência pelo PL afirma que a medida representa uma "proteção ao povo brasileiro" contra o que ele define como o "governo paralelo" das facções criminosas; Combate nível Bin Laden: Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado e que mora nos EUA, disse que PCC e CV "vão poder ser combatidos igual Bin Laden era" pelos Estados Unidos. LEIA TAMBÉM: Lula condena decisão dos EUA sobre facções: 'Não aceitamos ser tratados como moleques' Consequências de classificar PCC e CV como organizações terroristas 👩🏼⚖️ 1. Impactos jurídicos e em investigações Mudanças de esfera: Nos EUA, o combate às facções brasileiras deixa de ser tratado unicamente como caso de polícia e pode passar para a esfera de inteligência e militar, em que atuam CIA e Pentágono, por exemplo; Velocidade: Órgãos de investigação dos EUA passam a ter acesso a instrumentos jurídicos que possibilitam investigar e punir integrantes de facções brasileiras de forma mais rápida; Compartilhamento de informações: Especialistas indicam dois caminhos possíveis: as autoridades americanas podem compartilhar com o Brasil os achados sobre facções a que terão acesso e, assim, ajudar ações locais, mas também podem passar a classificar dados como "secretos" ou "ultrassecretos", o que reduziria a troca de informações; Criminalização: Torna-se crime federal nos EUA fornecer qualquer tipo de "apoio material" às facções, o que inclui dinheiro, treinamento, armas, logística e consultoria, por exemplo. 💰 2. Consequências financeiras e econômicas Bloqueio de bens: Ativos financeiros e propriedades ligadas às facções em território americano ou sob controle de instituições dos EUA são automaticamente bloqueados; Vigilância sobre o sistema bancário: Bancos brasileiros e fintechs que movimentem recursos das facções podem ser proibidos de operar com o sistema bancário americano; Risco a investimentos: Insegurança jurídica pode afastar capital estrangeiro do Brasil e endurecer auditorias em setores como o de combustíveis, infraestrutura e agronegócio. Crianças brincam na Vila Cruzeiro, no Rio, ao lado de barricadas colocadas para conter avanço de policiais durante operação. Tânia Rêgo/Agência Brasil 🪖 3. Soberania e ação militar: Intervenção: Abre-se uma brecha jurídica para que as Forças Armadas dos EUA façam operações militares no Brasil sem anuência do governo brasileiro, como abater aviões ou afundar navios, com a justificativa de combate ao terrorismo; Pressão geopolítica: A classificação pode ser um instrumento de pressão externa para alinhar a agenda de segurança do Brasil aos interesses dos EUA. ✈️ 4. Restrições de imigração e viagens Vistos e deportações: Integrantes das facções ou pessoas com conexões comprovadas com elas podem ter vistos negados ou cancelados. Ficam sujeitos também à expulsão ou prisão ao entrar nos EUA; Impacto sobre civis: Há temor de que tirar visto americano fique mais difícil para brasileiros que vivem em áreas dominadas pelo crime organizado, mesmo que não tenham vínculo com as facções. LEIA TAMBÉM: PCC e CV: quais são os próximos passos após EUA designarem as facções como terroristas? O que dizem presidenciáveis sobre a decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas Governo critica família Bolsonaro por articulação nos EUA e vê risco ao PIX em classificação de CV e PCC como terroristas Flávio Bolsonaro em encontro com Trump; Lula em reunião com Trump Reprodução

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou nesta sexta-feira (29) um reajuste máximo de 5,11% para os planos de saúde individuais e familiares. Segundo analistas, o percentual ficou abaixo do esperado pelo setor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 De acordo com a agência, esse foi o menor reajuste definido desde 2000, desconsiderando 2021, quando houve redução nos preços em razão da queda no uso dos serviços de saúde durante o isolamento social da pandemia de Covid-19. O índice vale para cerca de 7,7 milhões de beneficiários, o equivalente a 14,5% dos 52,9 milhões de usuários de planos de assistência médica no Brasil. A medida se aplica aos contratos firmados a partir de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/1998. Agora no g1 A ANS informou que o reajuste só pode ser aplicado no mês de aniversário do contrato. Nos casos de planos com aniversário em maio e junho, a cobrança poderá começar em julho ou, no máximo, em agosto, com cobrança retroativa ao mês de renovação. Para efeito de comparação, o IPCA acumulado em 12 meses até abril ficou em 4,39%, enquanto o IPCA-15 acumulou alta de 4,64% em 12 meses até maio. Implicações para o setor Analistas do Citi afirmaram que, embora parte do mercado já esperasse um reajuste menor, o resultado “não é um bom sinal para enfrentar as persistentes pressões de custos do setor, incluindo despesas judiciais ainda elevadas”. A estimativa inicial do banco era de alta de 7,8%. Já os analistas do UBS BB avaliaram que o percentual reforça a desaceleração dos reajustes após o período pós-pandemia, “mas a magnitude da surpresa negativa - cerca de 1 ponto percentual abaixo do consenso - é claramente negativa para as expectativas de crescimento de receita no segmento regulado”. No setor, os analistas das duas casas afirmaram que Hapvida tende a ser a mais exposta, com mais de 20% de suas receitas vinculadas a contratos individuais, enquanto SulAmérica, controlada pela Rede D'Or, e Bradsaúde devem experimentar impacto direto limitado. Na bolsa paulista, por volta das 12h50, as ações da Hapvida recuavam 3,77%, enquanto os papéis da Rede D'Or caíam 2,2% e as ações da Bradsaúde cediam 2,56%. "A decisão (da ANS) reforça uma dinâmica importante do setor: o crescimento dos reajustes está desacelerando enquanto a inflação dos custos médicos continua estruturalmente elevada, impulsionada por maior utilização, envelhecimento da população e adoção de tecnologias", disseram os analistas do UBS BB. "Isso amplia o risco de compressão de margens em toda a indústria, aumentando a importância do controle de custos, da integração vertical e da composição da carteira para diferenciar os “vencedores” dos “perdedores” relativos." STF estabelece critérios para que clientes de planos de saúde tenham direito a tratamentos além dos que estão na lista da ANS Reprodução/TV Globo

Nave da Blue Origin explode durante teste na plataforma de lançamento A nave New Glenn, uma das mais poderosas do mundo, explodiu nesta quinta-feira (28) na base de lançamentos da Blue Origin, empresa de Jeff Bezos (veja no vídeo acima). A explosão aconteceu por volta das 22h (horário de Brasília), enquanto o veículo espacial passava por uma ignição estática dos motores, procedimento realizado com a nave ainda presa à plataforma. Segundo a Blue Origin, foi registrada uma "anomalia" durante a operação. A empresa afirmou que todos os funcionários estão em segurança e disse que divulgará novas informações à medida que apurar os detalhes do incidente. Explosão de nave da Blue Origin em base de lançamento na Flórida, em 28 de maio de 2026 Reprodução/NasaSpaceFlight A atividade fazia parte dos preparativos para a missão NG-4, anunciada pela companhia na quarta-feira (27). O plano era usar a New Glenn para colocar em órbita os primeiros 48 satélites da Amazon Leo, rede semelhante à Starlink, de Elon Musk. Na ocasião, o CEO da Blue Origin celebrou o anúncio da missão. "Missão empolgante chegando. Não poderia estar mais orgulhoso de apoiar a equipe Leo nesta missão", afirmou. Projetada para realizar voos de longa duração, a New Glenn é a principal concorrente da Starship, nave desenvolvida pela SpaceX. Antes do incidente desta quinta, o veículo da Blue Origin já havia realizado três voos de teste sem tripulantes. O primeiro ocorreu no início de 2025, quando transportou um protótipo de outra espaçonave criada para implantar satélites no espaço. O segundo teste aconteceu em novembro de 2025 e serviu para enviar sondas projetadas para chegar a Marte em 2027. A viagem foi encomendada pela Nasa e ficou marcada como a primeira missão comercial da nave da Blue Origin. O terceiro experimento foi realizado em abril de 2026. Foi a primeira vez que a empresa reutilizou um propulsor, façanha que acirrou a rivalidade com a SpaceX. Musk e Zuckerberg viram cães-robôs que fazem 'cocô artístico' em museu Robôs humanoides chineses superam humanos em meia-maratona em Pequim