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Vitória e Internacional avançam às quartas da Copa do Brasil Um trator agrícola avaliado em R$ 80.488 foi oferecido pelo Internacional, time de futebol do Rio Grande do Sul, como garantia em uma disputa judicial por uma dívida de R$ 30.621,56. O equipamento, fabricado pela John Deere, foi apresentado pelo clube à Justiça do RS em um processo movido pelo empresário Tiago Silva dos Santos. O g1 teve acesso ao processo. Como o trator entrou no processo O Internacional apresentou o trator como garantia processual depois de ser cobrado judicialmente pelo pagamento de uma comissão ao empresário. Em 25 de maio de 2026, o juiz Walter José Girotto, da 17ª Vara Cível de Porto Alegre, deu três dias para o clube efetuar o pagamento da dívida. Em 13 de julho, o Internacional apresentou embargos à execução. Na defesa, o clube argumentou que o pagamento da parcela em aberto dependia da emissão de uma nota fiscal pela empresa de Tiago Silva, o que, segundo o clube, não teria ocorrido. Imagem ilustrativa de um trator John Deere Divulgação Como garantia para evitar bloqueios bancários e penhoras, o Internacional ofereceu o trator agrícola da John Deere, avaliado em R$ 80.488, e pediu efeito suspensivo ao processo O pedido foi negado pelo magistrado em 21 de julho. A decisão sobre a garantia ficou para depois da manifestação do credor. Empresário recusou a máquina Na última terça-feira, Tiago Silva dos Santos recusou o trator e pediu a continuidade da execução. O empresário argumentou que o dinheiro tem prioridade na ordem de penhora, conforme o artigo 835 do Código de Processo Civil. Ele também afirmou ter enviado ao Internacional a nota fiscal que, segundo o clube, seria necessária para o pagamento da parcela. O empresário pediu ainda que o clube fosse punido por litigância de má-fé. De onde vem a dívida A cobrança tem origem em um termo de pagamento de comissão firmado entre o empresário e o Internacional em 1º de abril de 2019, no valor de R$ 125 mil, dividido em dez parcelas de R$ 12,5 mil. O pagamento estava condicionado ao cumprimento de metas esportivas pelo jogador Zé Gabriel. Segundo o empresário, as metas foram atingidas em 25 de julho de 2020, ativando a cláusula de pagamento. O agente afirma que o clube quitou apenas as quatro primeiras parcelas. Em 30 de junho de 2025, as partes firmaram um termo de renegociação, assinado pelo presidente Alessandro Barcellos. O acordo deixou a dívida remanescente em R$ 85 mil, divididos em três parcelas de aproximadamente R$ 28,3 mil. Segundo o empresário, o Internacional pagou as duas primeiras e deixou em aberto a última, vencida em 30 de novembro de 2025. Após duas tentativas de cobrança por e-mail, o empresário acionou a Justiça. O valor da parcela, corrigido pelo IGP-M e com juros de 12% ao ano até 20 de maio de 2026, chegou a R$ 30.621,56. O que diz o Internacional Na defesa, o clube afirmou que o pagamento da terceira parcela dependia da emissão de nota fiscal pela empresa de Tiago Silva. Segundo o Internacional, a nota não teria sido emitida para essa parcela, o que teria descumprido uma obrigação prevista no acordo. O clube apresentou os embargos à execução e ofereceu o trator agrícola como garantia no processo. A disputa segue na Justiça do Rio Grande do Sul. *Procurado pelo g1, o Internacional ainda não se pronunciou.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13), em votação simbólica, um projeto para regulamentar programas de fidelidade, milhas e pontos. Um dos principais objetivos da proposta é criar regras para a conversão de milhas em dinheiro, além de sua comercialização. O texto foi apresentado em junho e foi analisado diretamente no plenário após aprovação de requerimento de urgência. Agora, segue para a análise do Senado. O autor do projeto, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), afirmou que a exigência de mecanismos que garantem liquidez efetiva das milhas pelas companhias e estabelecem regras sobre sua comercialização dão maior clareza às relações econômicas envolvendo programas de fidelidade. Agora no g1 “Entendemos que, com a definição desses parâmetros, a iniciativa busca conferir maior segurança jurídica às relações econômicas desenvolvidas em um setor já consolidado nas atividades de comércio e serviços”, afirmou Ayres. O texto aprovado pela Câmara institui dois tipos de programas de fidelidade no país: os com liquidez oficial, ou seja, com a possibilidade de conversão de pontos ou milhas em dinheiro; e os sem liquidez, que deverão permitir que os clientes comercializem seus pontos fora do programa de fidelidade sem restrições. Ainda segundo o projeto, programas de fidelidade que vendem pontos para seus clientes, seja de forma direta ou por meio de parceiros, serão obrigados a oferecer a conversão em dinheiro. Para esses programas, as empresas poderão criar regras internas próprias para a conversão em dinheiro e para a transferência ou comercialização. RELEMBRE: Milhas podem ser usadas para pagamentos de dívidas, define Justiça do Paraná; entenda como funciona O governo orientou voto contrário à proposta. O vice-líder do governo, Airton Faleiro (PT-PA), afirmou que o Executivo tem preocupações com a liquidez de empresas do setor. “É bom que se diga que o governo não construiu até então um parecer favorável a esse projeto com uma profunda preocupação com a liquidez das empresas e inclusive tem sido procurado por esse setor”, afirmou. Avião A350-900 Divulgação/Airbus Comercialização de milhas A venda de pontos ou milhas passaria a ser legal e regulamentada por lei. Com isso, as empresas ficariam proibidas de suspender ou encerrar contas pela venda de milhas. As empresas também não poderiam limitar benefícios ou resgates para os clientes que comercializem seus pontos. Medidas de combate à fraude, no entanto, poderão ser adotadas pelas empresas de forma independente nos casos em que a administradora permite a conversão dos pontos e milhas em dinheiro.

Inteligência artificial impulsiona produtividade nas empresas A adoção de inteligência artificial (IA) pode adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2027 e 2030, segundo estudo do Reglab comissionado pela OpenAI, a dona do ChatGPT. O valor, calculado em termos presentes com desconto pela taxa Selic de 13% ao ano, equivale a cerca de 7,6% do PIB estimado para 2026, de R$ 12,9 trilhões. O levantamento estima que a IA pode gerar um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, com uma expansão média de 0,69 ponto porcentual ao ano na economia decorrente da tecnologia. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images O estudo ressalta, porém, que os ganhos não devem aparecer de uma só vez, mas gradualmente, conforme empresas, trabalhadores e governos adotem as novas ferramentas. O estudo foi encomendado pela OpenAI e estima o impacto da IA em 12 grandes setores da economia brasileira e separa os efeitos da tecnologia em dois canais: O aumento da produtividade dos trabalhadores; e A maior eficiência de máquinas, equipamentos e estruturas produtivas. Qual área irá se beneficiar primeiro? As indústrias de transformação, aquelas que convertem matérias-primas e insumos em novos produtos, concentram o maior impacto, com R$ 264,2 bilhões estimados entre 2027 e 2030. Na sequência aparecem outras atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões. Segundo o estudo, 65% do impacto total da IA viria do aumento da produtividade dos trabalhadores, enquanto os 35% restantes seriam resultado da maior eficiência do capital. A proporção, porém, muda significativamente entre os setores. "Na agropecuária, 92% do impacto total é capturado via capital", aponta o estudo. O setor pode acumular R$ 48,2 bilhões em impacto, principalmente pela incorporação de IA a máquinas, equipamentos e infraestrutura produtiva. Novidades tecnológicas, robôs que impressionam o público na maior feira de inteligência artificial do mundo, em Xangai. Reprodução/TV Globo O efeito do trabalho, por outro lado, é predominante em setores com maior concentração de atividades cognitivas. Nas atividades financeiras, por exemplo, 87% do impacto estimado decorre do aumento da produtividade dos trabalhadores, o maior percentual entre os 12 setores analisados. Bancos, seguradoras e gestoras de investimentos podem utilizar IA para revisar documentos, avaliar riscos, classificar sinistros e atender clientes. No setor de informação e comunicação, que inclui desenvolvedores de software, data centers e operadoras de telecomunicações, o impacto estimado é de R$ 49,3 bilhões, sendo 97% relacionado ao fator trabalho. Impacto econômico da IA na produção setorial O que importa é como o setor aplica a IA O estudo destaca que a diferença entre os setores está relacionada à maneira como a IA pode ser incorporada às atividades produtivas. Na agropecuária, por exemplo, apenas 8% do impacto é atribuído ao efeito-trabalhador, porque grande parte das atividades rurais é manual e apresenta menor exposição cognitiva à tecnologia. A pesquisa também diferencia exposição à IA e substituição de trabalhadores. Uma ocupação pode ter muitas tarefas expostas à tecnologia sem que isso signifique que a função inteira será automatizada. No cenário central adotado pelo estudo, de cada 100 tarefas cognitivamente expostas à IA, 23 poderiam passar pelo teste de custo-benefício para automação plena, enquanto as outras 77 entrariam no cálculo como complemento à produtividade humana. "Na prática, as ocupações raramente desaparecem por completo: o que a IA reorganiza é o conjunto de tarefas dentro de cada função", afirma o estudo. A maior parte do trabalho, portanto, continuaria sendo realizada por pessoas, mas com apoio da tecnologia. O levantamento cita como exemplo um assistente administrativo, cujas atividades repetitivas e codificáveis - como classificação de documentos, conciliação de agendas e lançamento de dados — podem ser mais suscetíveis à automação. Já um engenheiro de software pode ter tarefas aceleradas pela IA, como correção de códigos e produção de documentação, enquanto atividades de julgamento, coordenação e definição de projetos continuam dependendo do profissional. O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance O Brasil está em um bom caminho? A incorporação da tecnologia, entretanto, deve ocorrer de maneira gradual. O estudo considera que a difusão da IA no Brasil tende a ser mais lenta que em economias avançadas devido à heterogeneidade entre empresas, ao custo elevado do crédito, às lacunas de qualificação profissional e às limitações de infraestrutura. Pelas projeções, até 2030 já terão sido realizados 66,6% dos ganhos potenciais associados ao aumento da produtividade dos trabalhadores e 62,4% dos ganhos relacionados a máquinas, equipamentos e estruturas mais produtivas. O estudo ressalta que os R$ 986,7 bilhões representam um potencial estimado, e não uma previsão garantida. A materialização dos ganhos dependerá da velocidade de adoção da tecnologia e das condições institucionais, regulatórias e educacionais do país. As medidas apontadas pelos autores que podem ser adotas por empresas são: Requalificação profissional para trabalhadores de atividades com maior potencial de substituição; Expansão da infraestrutura digital no campo; Incentivos à adoção de IA por empresas de menor produtividade; Implementação de um marco regulatório previsível; Políticas de governança e dados abertos; e A utilização da tecnologia nos serviços públicos. "Assim, a materialização desses ganhos dependerá não apenas do avanço tecnológico em si, mas também da capacidade de criar condições institucionais, regulatórias e educacionais que favoreçam sua difusão ampla e produtiva", conclui o estudo.

Azeite Freepik Os incêndios que atingem o sul da Europa neste verão reacenderam o alerta sobre a crise climática na região e voltaram os olhares para a Espanha, maior produtora mundial de azeite de oliva e um dos países afetados. A preocupação é com uma nova crise no preço do produto, o que, até agora, é uma hipótese afastada por associações do setor. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Isso porque, apesar de o fogo ter atingido oliveiras em regiões pontuais, as áreas responsáveis pela maior parte do cultivo seguem longe dos focos e a expectativa é de uma safra recorde, o que deve manter os preços do produto estáveis globalmente. Onda de calor agrava incêndios e provoca crise energética na Europa Incêndios preocupam, mas não atingem áreas-chave A Espanha responde por 70% do azeite produzido na União Europeia e 45% do azeite consumido no mundo, segundo o Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação do país. Por essa razão, há uma preocupação sobre os impactos da crise climática nas plantações, incluindo de oliveiras. Na província de Castellón, por exemplo, um incêndio recente provocou entre 35 milhões e 40 milhões de euros em prejuízos à agricultura local, segundo a associação agrícola Asaja. Para o Conselho Oleícola Internacional (COI), há uma preocupação com os recentes incêndios que atingiram o país. Estrada na Espanha cercada pelas chamas de um incêndio florestal, em 9 de julho de 2026 EMA Infoca No entanto, neste momento, a entidade considera que "ainda é cedo para avaliar o impacto potencial na produção de azeite e de azeitonas" e que "uma avaliação confiável exigirá informações detalhadas das áreas afetadas e só poderá ser realizada quando a extensão dos danos tiver sido verificada pelas autoridades nacionais competentes". O Ministério da Agricultura da Espanha informou que está levantando dados sobre o impacto dos incêndios mais recentes em áreas agrícolas e pecuárias. A pasta ressaltou que as regiões mais atingidas pelos incêndios não são, em geral, grandes produtoras de azeite – com exceção de parte da Sierra de Espadán, também em Castellón, cujo impacto nas exportações é considerado pequeno. Para especialistas, a preocupação central não é o fogo em si nas áreas atingidas, mas os efeitos secundários do clima extremo. A Espanha enfrenta restrições hídricas prolongadas, o que reduz a umidade do solo e pode provocar a queda prematura das azeitonas antes da colheita. Além disso, ondas de calor sucessivas podem comprometer a qualidade dos frutos e elevar os custos de produção, que podem ser repassados ao consumidor final. O COI pondera que a crescente frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos "são motivo de preocupação cada vez maior para o setor olivícola". "As mudanças climáticas representam desafios significativos para o cultivo de oliveiras em toda a Bacia do Mediterrâneo, afetando a produção, a disponibilidade de água, a biodiversidade e a resiliência de longo prazo dos sistemas de cultivo de oliveiras", diz a associação internacional em nota à DW. Quase todo o azeite consumido no Brasil vem de outros países. Espanha e Itália são os principais produtores Alessandra Tarantino/AP Uma safra para segurar os preços Ainda assim, o cenário para a próxima colheita é considerado positivo. Segundo sites especializados do setor, as projeções apontam para uma safra histórica para o país. Para o azeitólogo Marcelo Scofano, um dos autores do livro Azeite de oliva: ancestralidade e novo alimento, a expectativa favorável se deve às chuvas abundantes registradas no último inverno europeu, que devolveram aos reservatórios espanhóis um volume de água satisfatório. "No entanto, estamos aguardando esse período porque as ondas de calor, com a frequência que estão vindo, não necessariamente com a intensidade, evaporam aquela água do solo. Mas os reservatórios ainda estão cheios, o que não acontecia já há bastante tempo. Então, a expectativa até o momento é de uma excelente safra, mas é também um momento de espera, observando o clima nas próximas três semanas", explica. O especialista lembra ainda que o setor de olivicultura vem passando por uma transição: sistemas tradicionais de cultivo cedem espaço ao modelo "superintensivo", que usa outra variedade de oliveira e depende de colheita mecanizada. A mudança busca enfrentar a escassez de mão de obra e tornar o uso da água mais eficiente diante dos desafios climáticos. Mecanismo contra queda de preços Diante da perspectiva de excesso de oferta, o Ministério da Agricultura da Espanha abriu uma consulta pública sobre as normas de comercialização do azeite para a safra 2026/2027, que começa em outubro. O período de contribuições vai de 23 de julho a 13 de agosto. Segundo a pasta espanhola, o objetivo das normas é garantir estabilidade no mercado. Entre os mecanismos previstos pela legislação da União Europeia está a possibilidade de retirada de parte da produção do mercado até a próxima campanha em caso de superprodução – uma medida pensada, sobretudo, para evitar quedas bruscas de preço que prejudiquem os produtores. "O mecanismo é mais focado na direção oposta, para evitar uma queda acentuada nos preços, que poderia comprometer a lucratividade dos agricultores no caso de uma colheita extraordinariamente grande", explica a pasta. O ministério destaca, porém, que a existência da regra não significa que ela será aplicada: na safra anterior, mesmo classificada como "muito boa" pela pasta, a produção não ultrapassou o limite de 120% da média das seis temporadas anteriores – patamar que aciona o mecanismo de retirada. Produção de azeite no Brasil representa apenas 1% do consumo total do país. Reprodução/RBS TV O que isso significa para o Brasil O comportamento do mercado espanhol afeta diretamente o Brasil, um dos maiores importadores de azeite do mundo. Entre 2023 e 2024, os consumidores brasileiros sentiram o impacto da seca na Península Ibérica, quando a garrafa de 500 ml chegou a ultrapassar os R$ 50 nas prateleiras. Segundo Scofano, no período, o país teve uma queda recorde na safra. "A Europa e, particularmente, a Península Ibérica, têm sido as regiões do mundo que mais estão sofrendo com as mudanças climáticas, calores extremos, frios extremos e, sobretudo, a ausência de chuva. A Andaluzia vive um processo de desertificação. O que chove no Brasil em um único dia, em regiões como a Mata Atlântica ou até mesmo o pampa gaúcho, chove em um ano na Andaluzia. Há três anos nós tivemos uma grande crise de preços porque foi o auge de uma seca que vinha sendo prolongada já há quase 10 anos." Hoje, o Brasil já conta com produção nacional de azeite, mas ela ainda é pequena: representa apenas 1% do consumo total do país, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Para a entidade, os preços dos produtos nacionais devem se manter estáveis. Para Scofano, ainda não há sinais de prejuízo para a próxima safra nem de alta nos preços. Pelo contrário, a perspectiva é de maior oferta. Mas ele pondera que o setor segue em alerta: mesmo com um inverno chuvoso, os frutos ainda podem ser afetados até a colheita, caso o calor persista ou incêndios atinjam as principais regiões produtoras. "De 2025 para 2026 tivemos invernos muito generosos, onde as chuvas voltaram e retornaram a níveis de mais de 10 anos. Isso fez com que o preço baixasse, e agora estamos na expectativa de que a próxima safra seja ainda mais generosa", resume o azeitólogo. "O que estamos vivendo agora é uma expectativa entre o que está acontecendo no verão e o que aconteceu no inverno passado. A contar com o que está acontecendo até agora, teremos uma excelente safra", finaliza.

Tribunal dos EUA considera ilegais diversas tarifas impostas por Donald Trump O governo dos Estados Unidos começou a devolver bilhões de dólares cobrados em tarifas comerciais a grandes empresas depois que as tarifas impostas por Donald Trump foram consideradas ilegais pela suprema corte americana em fevereiro deste ano. Um levantamento publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal mostra que mais de 40 multinacionais que integram o índice S&P 500 já reportaram cerca de US$ 9,6 bilhões em restituições. * O S&P 500 é um dos principais índices da bolsa de valores dos Estados Unidos e reúne as 500 maiores empresas de capital aberto do país. Ele serve como o termômetro mais importante da saúde econômica do mercado americano. Do montante total já informado pelas companhias, pelo menos US$ 2,1 bilhões já entraram efetivamente no caixa das empresas. O restante inclui reembolsos que foram aceitos pelo governo e registrados nos balanços como valores a receber. 💵 Os US$ 9,6 bilhões informados por multinacionais do S&P 500 representam apenas uma parcela do volume total em jogo no governo americano. Do montante global de US$ 166 bilhões cobrados em tarifas que foram anuladas, cerca de US$ 100 bilhões já foram encaminhados ao Tesouro dos Estados Unidos para a liberação dos pagamentos. Ao todo, a alfândega do país já aceitou mais de 252 mil solicitações de devolução de diversas companhias, o que indica que milhares de outras empresas, para além das gigantes listadas em bolsa, também estão na fila para reaver quantias milionárias (Veja mais detalhes abaixo). Uma das justificativas utilizadas pelo governo dos EUA na primeira rodada de tarifas foi utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional ((IEEPA, na sigla em inglês) para impor taxas a quase todos seus parceiros globais. Entre as medidas aplicadas com base na IEEPA estavam as tarifas “recíprocas” de alcance quase global e outras tarifas relacionadas ao combate ao tráfico de drogas letais nos EUA. No entanto, a Suprema Corte destacou que a IEEPA não menciona explicitamente a criação de tarifas. A lei apenas permite que o presidente “regule a importação” de bens estrangeiros após declarar emergência nacional para enfrentar ameaças consideradas “incomuns e extraordinárias”. Relembre os detalhes da suspensão aqui. ➡️ Vale lembrar que o governo de Donald Trump voltou a aplicar taxas de importação contra uma série de países, incluindo novamente o Brasil. A nova ofensiva comercial do governo americano inclui cobranças na Seção 232, além de uma alíquota adicional de 12,5% sob a alegação de uso de trabalho forçado no ecossistema de exportação brasileira. (Mais detalhes sobre as novas tarifas) Entenda o caminho desde a criação da taxa até a devolução do dinheiro: A engrenagem até a chegada desse dinheiro de volta às empresas funcionou em uma reação em cadeia. Tudo começou quando a administração americana passou a cobrar sobretaxas na alfândega sobre produtos vindos de diversos mercados globais, afetando diretamente a cadeia de exportação brasileira. Na prática, multinacionais dos EUA precisaram pagar esse imposto extra do próprio bolso no momento em que as mercadorias desembarcavam nos Estados Unidos. Na época, para amenizar esse prejuízo e não arcar com a conta sozinhas, as companhias repassaram parte da taxa para os preços cobrados dos consumidores ou pressionaram os custos dos fornecedores na origem. Como essas taxas foram invalidadas pela Justiça, conforme mencionado anteriormente, todo o valor arrecadado pela alfândega se tornou uma cobrança indevida do governo americano. É por isso que as empresas puderam acionar a União para reaver as quantias pagas a mais, dando início ao ciclo de reembolsos bilionários que agora entram no caixa corporativo. Apple e Nike lideram devoluções Entre as companhias com os maiores valores cobrados de volta da alfândega americana, a Apple aparece na liderança isolada, com quase US$ 2,2 bilhões em restituições. Na sequência das maiores devoluções estão a Nike, com US$ 986 milhões; a FedEx, com US$ 800 milhões; a Amazon, com US$ 640 milhões; e a General Motors, com US$ 500 milhões. No caso da Nike, a maior parte do dinheiro já foi recuperada. A empresa informou ter recebido US$ 302 milhões até o fim de maio e praticamente todo o restante do valor de US$ 986 milhões até meados de julho. Governo americano aceitou US$ 128,7 bilhões em pedidos Os US$ 9,6 bilhões informados pelas empresas representam apenas uma fração do volume total que o governo dos Estados Unidos terá de devolver. A U.S. Customs and Border Protection, agência responsável pela alfândega americana, já recebeu mais de 252 mil solicitações de reembolso. Ao todo, o órgão aceitou para processamento US$ 128,7 bilhões em pedidos de restituição de tarifas invalidadas. Apesar do volume bilionário a ser devolvido, o ressarcimento não significa o fim das taxas de importação para as empresas. A fabricante de máquinas Caterpillar, por exemplo, informou ter US$ 392 milhões a receber em restituições, mas prevê pagar US$ 2,2 bilhões em novas tarifas ao longo do ano. Algumas empresas pretendem devolver dinheiro a consumidores Com o retorno dos valores cobrados indevidamente, parte das empresas estuda repassar a devolução aos clientes que arcaram com preços mais altos na época da cobrança das taxas. A FedEx informou que pretende distribuir os US$ 800 milhões recuperados a clientes e transportadoras. A Costco e a IDEX, fabricante de equipamentos industriais, também confirmaram a intenção de repassar parte dos reembolsos aos seus consumidores. Navios porta-contêineres são vistos no porto de Santos. Alexandre Meneghini/ AP Photos Já a Amazon identificou casos em que é possível rastrear o custo das tarifas repassado diretamente aos compradores e planeja contatar esses clientes para devolver o dinheiro assim que receber os reembolsos. Nos demais casos, a empresa afirma que usará os recursos para continuar investindo em preços baixos.

O Congresso Nacional adiou mais uma vez a instalação da comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. Esse é o segundo adiamento. A previsão inicial era que a instalação ocorresse nesta quarta-feira (12), mas acabou adiada para esta quinta (13). E, agora, foi novamente desmarcada. No sistema do Senado, a previsão da nova de instalação é 1º de setembro, às 14h30. Ainda há uma indefinição em torno do nome do deputado que irá presidir o colegiado e o senador que será relator da MP (leia mais abaixo). 'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada A MP foi editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro. Com as novas regras, o ministro da Fazenda passou a ter a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Peças de roupa loja vestuário Uberaba 19-03-2021 Reprodução/TV Integração A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril. Os dois retomaram o diálogo na última semana e a instalação da comissão mista é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. Apesar disso, parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para Câmara e Senado, também pressionavam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar, em maio, uma MP para revogar uma taxa que ele mesmo criou foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. Em ano eleitoral, a medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança. Taxa das blusinhas A decisão do governo pela criação chamada "taxa das blusinhas" enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que argumentavam que a medida resultaria num encarecimento de produtos populares e de baixo valor e na redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico Os críticos da “taxa das blusinhas” também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Por exemplo, turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Em outra frente, empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro.

Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo A Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, negocia a compra da startup de inteligência artificial Decart AI em um negócio que poderia chegar a aproximadamente de US$ 6 bilhões (R$ 31 bilhões), as informações são da agência Bloomberg. A Decart é uma startup de inteligência artificial fundada em Israel que desenvolve tecnologias de infraestrutura para tornar os modelos de IA mais rápidos e eficientes. A empresa também cria seus próprios sistemas de inteligência artificial e tem a gigante Nvidia entre seus investidores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em maio, a Decart levantou US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela Radical Ventures. A Nvidia participou da captação como nova investidora, ao lado de empresas como Adobe, Amazon e Toyota Ventures. Com a rodada, a startup passou a ser avaliada em cerca de US$ 4 bilhões. A possível aquisição ocorre enquanto a Anthropic busca ampliar sua capacidade de processamento para atender ao aumento da demanda pelo Claude e se prepara para uma possível abertura de capital. 'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha Segundo as informações divulgadas pela agência, as negociações ainda estão em estágio inicial. Se o negócio for concluído, a equipe da Decart deverá ser incorporada à área da Anthropic responsável por melhorar o desempenho e a eficiência dos modelos de inteligência artificial. O chatbot Claude, da Anthropic, está entre os mais populares, rivalizando com o ChatGPT e o Gemini Reuters via BBC Entre os produtos da Decart está o Lucy, modelo capaz de editar vídeos em tempo real. A startup também desenvolveu o Oasis, que cria ambientes virtuais para treinar e testar robôs e sistemas de direção autônoma. Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar A Anthropic vem aumentando os investimentos em infraestrutura para acompanhar a expansão de seus serviços. Na semana passada, a empresa anunciou que está contratando engenheiros especializados em hardware e software para ajudar no desenvolvimento de chips personalizados e de modelos de IA mais rápidos e eficientes. Conheça a Anthropic A Anthropic, criadora do Claude, foi fundada em 2021 por Dario Amodei (atual CEO da companhia) e outros executivos que deixaram a OpenAI defendendo uma abordagem mais cautelosa para o desenvolvimento da IA. O Claude só chegou ao público em março de 2023, cerca de cinco meses após o lançamento do ChatGPT. Mesmo tendo entrado na disputa mais tarde e ainda sendo menos conhecido do grande público, o chatbot ajudou a impulsionar uma virada impressionante da Anthropic. Hoje, ela é a startup de IA mais valiosa do mundo. Avaliada em cerca de US$ 965 bilhões (R$ 4,87 trilhões), a companhia já supera a OpenAI em valor de mercado. No início de junho, a Anthropic protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. Com um valuation próximo de US$ 1 trilhão, a companhia poderá passar a integrar o grupo mais seleto das empresas listadas no mercado americano. Empresa tem modelo de IA mais perigoso do mundo Os modelos do Claude têm se mostrado cada vez mais potentes. "Eles costumam acertar muito nos lançamentos. Dá para perceber um grande cuidado no desenvolvimento dos produtos, que geralmente chegam ao mercado com um desempenho muito competitivo", diz Izabela Anholett. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que os sistemas mais avançados da Anthropic também ampliam os riscos associados à inteligência artificial. No início de 2026, a empresa anunciou o Claude Mythos, considerado por especialistas o modelo de IA mais perigoso do mundo atualmente. O sistema é descrito como extremamente rápido e capaz de encontrar brechas de segurança que passariam despercebidas por humanos. "Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia", afirma Izabela. Segundo ela, o risco está na capacidade do modelo de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas digitais. "O Mythos Preview [versão de teste] já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web", afirmou a Anthropic. "Devido ao seu alto poder e aos riscos que representa para a segurança nacional e geral, ele não foi liberado para o público comum. Em vez disso, a Anthropic criou um consórcio de empresas e agências governamentais com acesso à ferramenta", explica Diogo Cortiz. Entre os integrantes do grupo estão Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla. Cortiz lembra que um exemplo da eficácia do modelo veio de um relatório da Mozilla. Ao utilizar o Mythos para analisar o navegador Firefox, a organização identificou uma grande quantidade de vulnerabilidades e falhas até então desconhecidas. "Como parte de nossa colaboração contínua com a Anthropic, tivemos a oportunidade de usar uma versão inicial do Claude Mythos Preview no Firefox. A versão 150 do navegador, lançada nesta semana, traz correções para 271 vulnerabilidades identificadas durante essa avaliação inicial", disse a Mozilla em um relatório sobre o tema publicado em abril. Para Cortiz, embora o marketing das empresas de IA às vezes possa exagerar as capacidades de seus produtos, casos como esse mostram que a habilidade do Mythos para encontrar brechas de segurança é real — e ajudam a explicar por que seu acesso é tão restrito.

Correios são condenados após morte de trabalhador; entenda o caso Jornal Nacional/ Reprodução A Justiça do Trabalho condenou os Correios a adotar uma série de medidas de saúde e segurança no Centro de Entrega de Encomendas (CEE) de Santo André, no ABC Paulista, após a morte de um trabalhador durante o descarregamento de cargas na unidade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão da 1ª Vara do Trabalho de Santo André determina o cumprimento de 16 obrigações relacionadas à prevenção de acidentes e às condições de trabalho, além do pagamento de R$ 200 mil por dano moral coletivo. Também foi fixada multa diária de R$ 15 mil por obrigação descumprida. A sentença é resultado de uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após uma denúncia do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de São Paulo (Sintect-SP). O processo ainda não terminou. Tanto o MPT quanto os Correios recorreram da decisão, e o caso deverá ser analisado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). O Ministério Público pede o aumento da indenização, enquanto a estatal questiona as obrigações impostas e as condenações financeiras. Acidente ocorreu durante descarregamento O caso que motivou a investigação ocorreu em outubro de 2024. Segundo o processo, um trabalhador utilizava uma paleteira hidráulica para descarregar contêineres de encomendas quando a carga tombou sobre ele em uma rampa inclinada. O empregado sofreu traumatismo craniano e morreu dois dias depois. De acordo com o MPT, as investigações identificaram os seguintes fatores que teriam contribuído para o acidente: ausência de freio no equipamento utilizado; falhas na amarração das cargas; desníveis na área de descarga; falta de proteções laterais adequadas. Durante a apuração, também foram relatados problemas em outras unidades dos Correios, entre eles deficiência de equipamentos para movimentação de cargas, falhas em treinamentos, irregularidades em pisos e plataformas e insuficiência de equipamentos de proteção individual (EPIs). Antes de recorrer à Justiça, o MPT propôs um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) para que a empresa adequasse voluntariamente as condições de trabalho. Os Correios não aderiram à proposta e argumentaram que as medidas necessárias já haviam sido adotadas ou estavam em processo de implementação. O que a Justiça determinou? Na sentença, a Justiça apontou falhas na gestão de saúde e segurança do trabalho identificadas em fiscalizações, envolvendo manutenção de equipamentos, treinamentos, identificação de riscos e funcionamento da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). Entre as medidas determinadas estão: fornecimento de equipamentos adequados para movimentação de cargas; treinamento específico de trabalhadores que operam paleteiras e empilhadeiras; manutenção preventiva e inspeções periódicas dos equipamentos; adequação de pisos, rampas e plataformas; criação de procedimentos de segurança; implementação efetiva do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR); fornecimento contínuo de EPIs e materiais para amarração das cargas; regularização e capacitação da Cipa. A maior parte das obrigações deverá ser cumprida após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de recursos. A procuradora do Trabalho Sofia Vilela de Moraes e Silva, responsável pela ação, afirmou que as medidas buscam reduzir os riscos de acidentes e garantir condições seguras e saudáveis aos trabalhadores. Os valores decorrentes da indenização e de eventuais multas deverão ser destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou a entidades indicadas pelo MPT. Em nota enviada ao g1, os Correios informaram que, após o acidente, acionaram os serviços de emergência e prestaram assistência à família do trabalhador. A estatal afirmou ainda que realizou uma apuração para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, incluindo as condições de trabalho relacionadas ao caso, e que segue prestando informações no processo. Veja a íntegra da nota: “Os Correios reiteram que, imediatamente após o acidente que vitimou o empregado, os serviços de emergência foram acionados e o trabalhador foi prontamente encaminhado ao hospital. A empresa também prestou toda a assistência necessária à família. A estatal realizou uma apuração rigorosa para esclarecer as circunstâncias do ocorrido, incluindo a verificação das condições de trabalho relacionadas ao caso. Os Correios permanecem prestando todas as informações nos autos do processo.” 'Presenteísmo': por que tantos profissionais continuam trabalhando mesmo doentes?

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar ganhou força no final da manhã desta quinta-feira (13) e subia 0,23% perto das 11h30, cotado a R$ 5,1914. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, seguia volátil, com queda de 0,04% no mesmo horário, aos 167.432 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Na agenda econômica, o IBGE divulga uma nova estimativa da safra de grãos de 2026, com expectativa de produção de 347,4 milhões de toneladas, levemente acima de 2025. As vendas no varejo, que subiram 0,5% em junho na comparação mensal, também ficam no radar, assim como o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que segue em nível de pessimismo há 19 meses consecutivos . ▶️Entre os balanços corporativos do dia, destaque para a Americanas, que quase triplicou o prejuízo no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025, para R$ 274 milhões. Uma série de outros resultados também ficam no radar, como Cogna, Minerva, Ultrapar, Positivo, Rede D'Or, CVC, Azzas, Hapvida, Banco do Brasil, entre outros. ▶️No exterior, os EUA divulgam o Índice de Preços ao Produtor (PPI) de julho, um indicador que mede a variação dos preços cobrados pelos produtores antes de os produtos chegarem ao consumidor. Os preços ao produtor nos Estados Unidos ficaram estáveis em julho com queda nos preços dos bens, embora um aumento no custo dos serviços sugira que a inflação pode permanecer elevada. O resultado é acompanhado de perto pelos mercados porque ajuda a avaliar a trajetória da inflação e pode influenciar as próximas decisões do Federal Reserve (Fed) sobre a taxa de juros. ▶️ O Irã afirmou que continua controlando o Estreito de Ormuz, importante rota de transporte de petróleo do mundo, contrariando declarações dos Estados Unidos de que teriam controle sobre a região. A disputa reforça as tensões entre os dois países e mantém a atenção do mercado voltada para possíveis impactos no comércio internacional de petróleo e na segurança da navegação. Mesmo com o impasse, os preços do petróleo caíam nesta quinta-feira. Por volta das 11h30, o barril do Brent, referência internacional, caía 2,82%, cotado a US$ 86,47. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuava 3,17%, a US$ 80,63 o barril. ▶️ A Agência Internacional de Energia (AIE) também revisou para baixo sua estimativa de consumo de petróleo, indicando que a atividade econômica mundial deve utilizar menos combustível do que o previsto anteriormente. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. EUA e Irã em impasse sobre o controle de Ormuz Os impasses entre os EUA e o Irã continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo no mercado internacional. Nesta quinta-feira (13), o Irã voltou a contradizer o presidente americano, Donald Trump, ao afirmar que o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global da commodity, está sob seu controle. Na véspera, Trump havia escrito em sua rede social Truth Social que os EUA tinham "controle total" da hidrovia estratégica. LEIA MAIS O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel? Nas últimas semanas, o regime iraniano também contrariou Trump em outras alegações do líder norte-americano, como quando negou ter pedido para os EUA cancelarem novos ataques contra o país e também quando negou estar em negociações com o rival. Na quarta, Trump reafirmou sua narrativa de que o Irã está dizimado e chamou o país de "valentão do Oriente Médio". Mais cedo, autoridade iraniana falou a agência que "não houve nenhum progresso" nas negociações entre os dois países. Trump falou ainda em "muro de aço" ao se referir ao bloqueio naval que os EUA mantêm na entrada de Ormuz a navios iranianos ou que comercializem em portos do Irã. Com as negociações para o fim da guerra sem avanço, no entanto, o tráfego em Ormuz voltou a ficar comprometido. Desde então, o Irã e o Omã se aproximaram de um acordo para administrar o fluxo de navios pela via marítima, que excluiria o acesso a navios dos EUA e de Israel. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices americanos operavam em alta nesta quinta-feira, impulsionados pelo bom desempenho do setor de tecnologia e conforme investidores repercutiam os novos dados da inflação ao produtos nos EUA. Perto das 11h30, o Dow Jones tinha alta de 0,39%, enquanto o S&P 500 subia 0,75% e o Nasdaq Composite tinha ganhos de 1,05%. Já na Europa, os mercados estavam mistos. No mesmo horário, o DAX, da Alemanha, subia 0,08%, enquanto o CAC-40, da França, caía 0,18% e o FTSE 100, do Reino Unido, tinha perdas de 0,50%. Na Ásia, os mercados chineses recuaram nesta quinta-feira, puxados pelas perdas nas ações do setor de metais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve queda de 0,5%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,2%. O Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,56%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 1,16%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Planta da Braskem em Maceió, onde a petroquímica fazia exploração de sal-gema. Divulgação/Braskem A petroquímica Braskem está em negociações avançadas para um possível pedido de recuperação extrajudicial, que pode ser protocolado ainda neste mês para reestruturar mais de US$ 10 bilhões (R$ 51,6 bilhões) em dívidas de suas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. As informações foram divulgadas pela Reuters nesta quarta-feira (12). A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite renegociar dívidas com credores fora de uma recuperação judicial tradicional, com posterior homologação da Justiça. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A companhia corre contra o tempo até 24 de agosto. Nessa data, diz a Reuters, expira uma proteção obtida por meio de uma medida cautelar concedida em junho. Essa medida protege temporariamente a Braskem contra cobranças e execuções de credores enquanto negocia uma solução para suas dívidas. 🔎 Uma gestora de private equity é tipo de empresa que compra participações em companhias para reestruturá-las, expandi-las e obter lucro com sua valorização futura. Agora no g1 Procurada pela Reuters, a Braskem não quis comentar o assunto. A petroquímica foi recentemente adquirida pela IG4 Capital da Novonor (ex-Odebrecht) e enfrenta uma longa fase de dificuldades no setor petroquímico e deve precisar de três a cinco anos para superar os desafios herdados da gestão anterior, segundo a agência de notícias. A Petrobras também detém uma parte da empresa. LEIA TAMBÉM: Saque do FGTS: trabalhador que não consegue sacar terá novo caminho na Justiça; veja o que muda Além dos preços baixos no setor petroquímico, o caixa da Braskem foi pressionado pelos custos relacionados ao desastre ambiental provocado pela exploração de minas de sal em Alagoas, desastre ambiental que provocou o afundamento do solo em bairros de Maceió e levou à remoção de milhares de moradores. Embora a Braskem venha negociando alternativas com credores — incluindo bancos e investidores que compraram títulos de dívida da companhia — para evitar um longo processo de reestruturação, nenhum acordo foi alcançado até o momento. Os credores rejeitaram uma proposta da Braskem que previa cinco anos de carência para o pagamento do principal da dívida (o valor originalmente emprestado, sem considerar juros) e dois anos e meio de carência para o pagamento dos juros, segundo a Reuters. Se as atuais negociações avançarem, diz a agência, o pedido de recuperação extrajudicial da Braskem deverá prever um período de suspensão de cobranças de 90 dias, conhecido no mercado como "stay period", para negociar um plano mais amplo de reestruturação. Durante esse período, credores ficam temporariamente impedidos de cobrar dívidas ou executar garantias contra a empresa. Esse período daria tempo para que a empresa e seus credores chegassem a um acordo, ao mesmo tempo em que protegeria a companhia de eventuais medidas de cobrança. Paralelamente, a Braskem avalia alternativas para reestruturar a dívida de cerca de US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana. Uma das possibilidades é um pedido de Chapter 11, mecanismo de recuperação judicial dos Estados Unidos, em um cronograma que pode ser parcialmente alinhado ao processo brasileiro, disse uma das fontes. O Chapter 11 permite que empresas continuem operando enquanto renegociam suas dívidas sob supervisão judicial. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Clientes fizeram fila na frente das Lojas Americanas, no Salvador Shopping Divulgação Cinco meses após a Americanas solicitar o fim do processo de recuperação judicial, a empresa continua registrando perdas milionárias. Segundo os resultados da companhia, divulgados na noite de ontem (12), a Americanas teve um prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre deste ano. O resultado representa uma melhora em relação aos primeiros três meses do ano, quando a companhia reportou perdas de R$ 329 milhões. Mas ainda é mais do que o dobro — quase o triplo — do prejuízo apresentado no mesmo trimestre de 2025, de R$ 98 milhões. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em relatório divulgado na véspera, a varejista afirmou que entrou em um "novo ciclo estratégico". "Estamos construindo uma nova Americanas, com mais clareza sobre o futuro, o papel que desejamos ocupar na vida dos milhões de clientes e o que vai nos levar até lá: disciplina financeira a partir do resultado operacional", afirmou a administração da empresa no documento. Agora no g1 O resultado operacional, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (conhecido no jargão do mercado como Ebitda), foi de R$ 145 milhões no segundo trimestre do período, valor 51,5% menor do que os R$ 299 milhões vistos no mesmo período do ano passado. Já a receita líquida somou R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre, uma queda de 1,7% na mesma base de comparação. As vendas em mesmas lojas (SSS) caíram 0,6% no segundo trimestre, segundo os dados divulgados pela companhia. O recuo veio mesmo com os eventos sazonais dos últimos meses, como a Páscoa, a Copa do Mundo e as vendas de produtos de inverno. Relembre o caso O escândalo da Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando as Americanas divulgaram um fato relevante informando que haviam sido identificadas "inconsistências em lançamentos contábeis" nos balanços corporativos, estimadas inicialmente em cerca de R$ 20 bilhões. Segundo a companhia, os valores referentes aos primeiros nove meses de 2022 e a exercícios anteriores não haviam sido registrados de forma adequada. À época, o então presidente Sergio Rial deixou o cargo apenas nove dias após assumir a função, assim como o diretor financeiro André Covre. Na ocasião, a empresa informou que havia detectado operações de financiamento de compras em valores da mesma ordem de grandeza, nas quais era devedora perante instituições financeiras, mas que não estavam adequadamente refletidas nas demonstrações financeiras. No dia seguinte, 12 de janeiro, a revelação provocou forte turbulência no mercado financeiro. Instituições financeiras colocaram as ações das Americanas sob revisão, enquanto a B3 chegou a submeter os papéis da companhia a leilão diante da volatilidade. Ao final do pregão, as ações acumulavam queda de 77,33%, uma das maiores perdas diárias já registradas por uma empresa de capital aberto no Brasil. Naquele momento, Sergio Rial afirmou que o problema não se referia a valores inexistentes, mas sim a registros contábeis feitos de forma inadequada ao longo dos anos. Ele também explicou que a origem das inconsistências estava nas operações de risco sacado. 🔎 O risco sacado é uma modalidade comum no varejo em que uma instituição financeira antecipa o pagamento devido a fornecedores e passa a ser credora da empresa. No caso das Americanas essas obrigações não apareciam corretamente nos balanços, o que fazia reduzir artificialmente o endividamento da companhia. As investigações também apontam irregularidades envolvendo verbas de propaganda cooperada (VPCs), incentivos comerciais concedidos por fornecedores ao varejo. Em 13 de janeiro de 2023, a Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma medida cautelar protegendo as Americanas contra o vencimento antecipado de dívidas, suspendendo temporariamente cobranças enquanto a empresa avaliava um eventual pedido de recuperação judicial. A decisão buscava impedir que credores esgotassem rapidamente os ativos da companhia e preservasse sua atividade econômica. Na mesma época, também vieram à tona informações de que executivos haviam vendido aproximadamente R$ 212 milhões em ações da empresa durante o segundo semestre de 2022, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada. O pedido de recuperação judicial veio apenas oito dias após a revelação das inconsistências contábeis, em 19 de janeiro de 2023. Na ocasião, a companhia informou possuir apenas R$ 800 milhões em caixa, valor muito inferior aos R$ 8,6 bilhões divulgados no balanço do terceiro trimestre de 2022, tornando sua situação financeira insustentável. Posteriormente, a recuperação judicial tornou-se uma das maiores da história empresarial brasileira, envolvendo dívidas superiores a R$ 50 bilhões. Em março de 2026, a companhia informou que havia cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após sua homologação e protocolou o pedido de encerramento do processo. A Justiça aceitou o encerramento, marcando a saída formal da empresa da recuperação judicial. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.043 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (13), em São Paulo. No concurso da última terça (11), uma aposta acertou os seis números e levou o prêmio de R$ 3 milhões. Veja os números sorteados: 03 - 16 - 24 - 30 - 49 - 54. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Saque do FGTS: trabalhador que não consegue sacar terá novo caminho na Justiça; veja o que O Tribunal Superior do Trabalho (TST) mudou a regra sobre qual Justiça deve julgar ações relacionadas ao saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A partir da nova orientação, o que vai definir o caminho processual é o motivo pelo qual o trabalhador quer retirar o dinheiro do Fundo. 🔎 O FGTS é uma reserva financeira do trabalhador. Todo mês, a empresa deposita 8% do salário em uma conta em nome do funcionário. O saque só é permitido em situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria e compra da casa própria. Na prática, pedidos relacionados ao fim ou à suspensão do contrato de trabalho, como demissão sem justa causa, rescisão indireta, acordo entre empregado e empregador ou encerramento das atividades da empresa, continuarão sendo analisados pela Justiça do Trabalho. Já situações em que o saque pode ser feito por um motivo que não depende da relação de emprego, como doença grave, aposentadoria, financiamento habitacional ou calamidade pública, deverão ser discutidas na Justiça comum. A decisão foi tomada durante o julgamento de um incidente de recursos repetitivos, mecanismo usado para uniformizar o entendimento dos tribunais sobre questões que se repetem em milhares de processos. Com isso, o TST alterou uma posição que vinha sendo adotada há anos pela própria Corte e buscou encerrar uma divergência com o Superior Tribunal de Justiça (STJ). ⚠️ A mudança não altera as regras de saque do FGTS. As situações em que o dinheiro pode ser retirado continuam exatamente as mesmas previstas na legislação. O que muda é para onde a ação judicial deverá ser encaminhada quando houver algum impasse e for necessário recorrer à Justiça. Segundo o próprio TST, a principal consequência prática da decisão é trazer mais segurança jurídica e acabar com as dúvidas sobre qual ramo do Judiciário deve julgar cada caso. Número de empresas que não depositam o FGTS dos empregados no prazo tem aumentado no Brasil Entenda a decisão O julgamento tratou de uma questão que há anos gerava divergências nos tribunais: quem deve analisar os pedidos de saque do FGTS quando o trabalhador precisa de uma decisão judicial para liberar os recursos. Até então, a posição predominante no TST era a de que praticamente todas as ações envolvendo movimentação do FGTS deveriam tramitar na Justiça do Trabalho. O STJ, por outro lado, defendia que muitos desses casos eram de competência da Justiça comum. Ao reavaliar o tema, o Tribunal do Trabalho separou as hipóteses de saque do FGTS em dois grupos: O primeiro reúne situações diretamente ligadas ao contrato de trabalho. É o caso da demissão sem justa causa, da rescisão indireta, da rescisão por acordo entre empregado e empregador e da extinção da empresa, por exemplo. Nessas situações, a liberação dos recursos depende da análise de questões trabalhistas. Por isso, a competência permanece com a Justiça do Trabalho. O segundo grupo engloba situações em que o direito ao saque não depende da análise da relação de emprego. Entram nessa lista casos como aposentadoria, doença grave, morte do trabalhador, financiamento habitacional e calamidade pública. Para o TST, em situações do segundo grupo, o juiz não precisa decidir questões trabalhistas nem analisar o contrato de trabalho. Basta verificar se a pessoa atende aos requisitos previstos em lei para movimentar a conta do FGTS. Por isso, esses casos deverão ser julgados pela Justiça comum. Como a decisão muda uma posição que já estava consolidada no próprio TST, os ministros estabeleceram uma regra de transição para evitar prejuízos às partes. Os processos que já tinham recebido sentença de mérito até a publicação do acórdão continuarão na Justiça do Trabalho até o fim, inclusive durante a fase de execução. Já os demais processos passarão a seguir a nova regra definida pelo tribunal. Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) Tribunal Superior do Trabalho
Vale a pena ter casa própria? Comprar ou alugar um imóvel depende da situação financeira e dos planos de cada pessoa. A casa própria traz segurança e, ao fim do financiamento, deixa um patrimônio para o proprietário. O aluguel oferece mais flexibilidade e permite investir o dinheiro que seria usado na compra. Quem compra à vista abre mão dos rendimentos que esse valor poderia gerar; quem financia paga juros; e quem aluga paga por um imóvel que não será seu. Para quem pretende ficar muitos anos no mesmo lugar e consegue comprar sem comprometer o orçamento, a casa própria pode fazer sentido. Já para quem precisa de mobilidade ou teria de comprometer uma parcela muito grande da renda com a compra, o aluguel pode ser mais vantajoso. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Veja como salvar uma orquídea com folhas e raízes secas ou murchas Quem tem orquídea em casa pode já ter se perguntado por que as folhas e as raízes da planta começaram a murchar. É o caso da Fátima, de Mogi Guaçu (SP), que pediu ajuda ao Globo Rural. A produtora de flores Vívian Klein Gunnewiek explica que o principal motivo é a falta de água: a planta precisa de mais do que recebe. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Quando a orquídea está no período vegetativo, em que tem apenas folhas e raízes, ela consome menos água e energia. Nessa fase, uma rega por semana é suficiente. Quando começa a florescer, porém, a planta fica mais exigente. As flores são os órgãos reprodutores da orquídea e precisam estar saudáveis e bonitas para atrair os polinizadores. Por isso, a planta direciona mais recursos para manter as flores por mais tempo e deixá-las atrativas. Se o solo não fornecer água e nutrientes suficientes, a orquídea começa a retirar água das próprias folhas e raízes. Portanto, a frequência das regas deve aumentar para uma vez a cada cinco ou seis dias. A quantidade de água deve ser abundante: é preciso molhar bem todas as raízes e deixar o excesso escorrer pelos furos no fundo do vaso. Para recuperar a planta que já murchou, a dica da produtora é regar bastante. Assim, as próximas folhas e raízes que nascerem serão saudáveis. Leia também: Terremoto afeta exportações de café da Colômbia e ameaça embarques internacionais Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção

Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel Representantes do governo federal, do governo do Distrito Federal e dos maiores bancos do país se reúnem, na tarde desta quinta-feira (13), em mais uma rodada de conciliação para tentar destravar um empréstimo bilionário para salvar o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). A reunião foi pedida pelo governo do DF, que é acionista majoritário do BRB e, por isso, será o tomador do empréstimo. A governadora Celina Leão (PP) acusa os órgãos federais de "inércia" no tratamento do tema – o que gerou reclamações públicas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. A nova rodada de entendimentos será mediada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator da controvérsia no tribunal. Em maio, Fux homologou um acordo que estabeleceu as condições básicas para o crédito. Quase três meses depois, no entanto, a contratação do empréstimo segue travada. O governo do DF tem pressa em conseguir o dinheiro. Entre outros motivos, porque o BRB não divulga seus balanços periódicos há um ano e vem sendo multado pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários. O g1 explica abaixo: o que gerou a crise do BRB; o que prevê o acordo; por que o empréstimo segue travado; como deve ser a reunião desta quinta; o que acontece com o BRB sem o empréstimo. Representantes do DF, da União e do BRB anunciam acordo após reunião TV Globo O que gerou a crise do BRB? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Fachada do banco BRB. Reprodução/TV Globo O que prevê o acordo em vigor? O acordo chancelado pelo STF e pela Câmara Legislativa do DF autoriza o governo Celina Leão (PP) a pegar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Pelo acordo, os maiores bancos públicos e privados do país entrariam na operação como avalistas. O governo federal não dá garantia à operação, já que o DF não tem boa nota em Capacidade de Pagamento (Capag) – ou seja, está sem o "selo de bom pagador" necessário. Se houver calote, o "consórcio" de bancos pode receber parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) que o governo federal repassaria ao Distrito Federal. O governo do DF se comprometeu, no acordo, a adotar medidas de ajuste fiscal para evitar que o empréstimo deteriorasse ainda mais a capacidade de pagamento de dívidas da capital. Maio: União e governo do DF fecham acordo pra socorrer BRB A modelagem do empréstimo não ficou descrita no acordo homologado pelo STF. Algumas informações sobre a proposta foram divulgadas pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em audiência no Senado. Segundo ele, a proposta na mesa prevê: valor: R$ 6,6 bilhões em parcela única carência: 18 meses (ou seja, primeira parcela da quitação ficaria para 2028) juros: IPCA + 4,5% ao ano quitação: 180 parcelas mensais (15 anos) "Nessas condições, a primeira prestação seria para pagar a partir de 2028, na faixa de R$ 95,6 milhões por mês", estimou Nelson Souza no Senado. Deputados de oposição ao governo Celina Leão estimam que, nessa modelagem, os juros do empréstimo podem gerar um custo adicional de mais de R$ 1 bilhão ao ano aos cofres da capital. Por que o acordo não avançou? Desde a última reunião da mesa de conciliação, quando o acordo foi anunciado, pouco avançou na concessão dos R$ 6,6 bilhões. As negociações são mantidas em sigilo, como é praxe no mercado financeiro. O que se sabe, até aqui, é que o grupo de bancos tem resistido à ideia de se colocar como "avalista" de um banco como o BRB – que não divulga seu balanço há mais de um ano. Há o temor, por exemplo, de que os R$ 6,6 bilhões não sejam suficientes para tirar o banco das condições adversas. Se isso acontecer, o empréstimo seria infrutífero, e o Banco de Brasília e o governo do DF seguiriam com dificuldades para resolver a crise. Nesse cenário, o BRB não conseguiria sequer ajudar o governo do DF a saldar a dívida, nos próximos anos. Como acionista majoritário, o DF recebe a maior parte da distribuição dos dividendos do banco. Há ainda um outro "medo": de que o uso do FPE e do FPM como "contragarantias" para os bancos seja contestado na Justiça. Isso, porque os fundos são usados para custear serviços públicos essenciais no Distrito Federal – e um eventual "confisco" pode prejudicar a assistência à população. Nesta semana, após ser convocado para a nova rodada de conciliação, o Fundo Garantidor de Créditos disse ao STF que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar o empréstimo. O FGC cobra os balanços de 2025 e 2026 do BRB – justamente, para saber se os R$ 6,6 bilhões seriam capazes de sanear o patrimônio do banco distrital. Em entrevista à TV Globo no dia seguinte, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, contestou esse pedido. Segundo ele, o empréstimo será tomado pelo governo e, por isso, o FGC não precisaria medir a saúde financeira do BRB. GDF deve apresentar novas propostas para tentar destravar empréstimo de R$ 6,6 bi para BRB Como será a reunião desta quinta? A reunião será, mais uma vez, mediada pelo ministro do STF Luiz Fux. Jornalistas poderão acompanhar os debates na sala, sem filmar. Foram convocados representantes de: governo do Distrito Federal; BRB; Advocacia-Geral da União (AGU), em nome do governo federal; Ministério da Fazenda; Banco Central; Fundo Garantidor de Crédito; Banco do Brasil, na condição de representante do consórcio de bancos; Ministério Público Federal. Na conversa, o ministro Luiz Fux deve perguntar aos envolvidos se há, ou não, interesse na manutenção do acordo. O governo do Distrito Federal, que reclamou da demora, deseja manter o acordo e assinar o empréstimo. As outras pontas da negociação (FGC, bancos e governo federal) devem aproveitar o encontro para detalhar suas ressalvas. Ao fim da reunião, o grupo de autoridades deve anunciar uma nova etapa do acordo – seja para avançar o empréstimo, alterar os rumos da negociação ou até mesmo rescindir o trato que foi homologado. Na entrevista à TV Globo nesta terça, o secretário Valdivino de Oliveira afirmou que o governo estuda propor um modelo alternativo para o empréstimo, caso os bancos sigam se opondo à operação. Nessa nova modelagem, as parcelas do FPM e do FPE seriam oferecidas como garantia diretamente ao FGC. Ou seja: os bancos comerciais deixariam de constar no acordo como um "avalista intermediário". O que acontece com o BRB sem o empréstimo? Até o momento, todas as partes envolvidas no acordo evitam dar uma resposta taxativa sobre o futuro do BRB sem o acordo. No último domingo, ao ser cobrada por candidatos ao governo do DF sobre a divulgação dos balanços do BRB, a governadora Celina Leão deu uma resposta taxativa (e reveladora) sobre a situação do banco. "O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado", disparou Celina. 'Balanço não pode ser publicado antes do empréstimo', diz Celina sobre BRB A frase explicita o que já era dado como certo pelo mercado financeiro: o BRB vem operando abaixo dos limites prudenciais mínimos estabelecidos pelo Banco Central para o sistema bancário brasileiro. ➡️Essas normas, conhecidas no setor como "Acordos de Basileia", definem que os bancos comerciais devem ter um patrimônio minimamente sólido para funcionar como um "colchão" contra choques econômicos. ➡️Isso significa, por exemplo, que os bancos não podem multiplicar seus empréstimos indefinidamente, colocar todo o capital de acionistas no altíssimo risco ou transformar todo o dinheiro depositado em capital de giro. ➡️Se o BRB admitir nos relatórios que está desrespeitando esses limites, pode ser obrigado a interromper as operações. ➡️A ideia do BRB e do governo do DF é injetar os R$ 6,6 bilhões no banco e, só então, divulgar todos os relatórios. Na prática: dizer que o banco vinha operando fora das regras, mas já terá voltado à normalidade graças ao empréstimo. DF e União fecham acordo para viabilizar empréstimo de até R$ 6,5 bilhões para salvar BRB Jornal Nacional/ Reprodução Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que gatilhos incluídos no projeto que permite ao governo usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis devem reduzir em cerca de R$ 10 bilhões as despesas obrigatórias em 2027. A proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional nesta quarta-feira (12). "Há uma diminuição, uma mitigação desse ritmo de crescimento já vai ser percebido o ano que vem em torno de R$ 10 bilhões, que é aqui um pouco a evolução a menor do gasto obrigatório que a gente espera para o ano que vem, já abrindo o espaço fiscal importante para outras demandas discricionárias e mesmo pra nossa trajetória dos resultados fiscais", afirmou o ministro, em entrevista a jornalistas na sede da pasta. Agora no g1 O texto prevê duas travas para conter o avanço dos gastos no próximo ano. A primeira permite, em caso de déficit projetado pelo governo, desvincular da Receita Corrente Líquida (RCL) o crescimento de determinados fundos. A segunda limita o aumento desses recursos ao teto previsto no arcabouço fiscal, que é de no máximo 2,5% acima da inflação. Ao ser questionado quais despesas estariam sujeitas a trava, o ministro disse que não há uma limitação. "A gente vai perceber um seguido crescimento das vinculações. O que nós estamos fazendo é a compatibilização de algumas vinculações que não cresciam no ritmo do arcabouço", explicou ele, acrescentando: "Cresciam com outra variável isolada à receita corrente líquida ou alguma coisa passa a ter a trava do arcabouço, então a gente vai ter um crescimento limitado ao que o orçamento como um todo passará a crescer também paro ano que vem". Relação com o Congresso Durigan comentou, ainda, que sempre teve relação "aberta" e "franca" com o Congresso Nacional e disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também. Isso porque a relação do parlamento com o Executivo vinha estremecida desde abril, quando a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada no Senado. Na última semana, porém, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e Lula começaram a dar sinais de reaproximação. Nesta quarta-feira (12), os dois se reuniram no Palácio da Alvorada para tentar destravar a votação de projeto que o governo considera prioritários - o que se concretizou no decorrer da tarde. "Eu sempre digo, disse isso a vocês, politicamente, a relação que eu tenho com o Congresso Nacional sempre foi muito aberta e muito franca. Acho que o presidente Lula também sempre teve essa relação, tem algumas questões de tempo, mas eu diria que agora nós estamos vivendo um bom momento também do presidente Lula com as lideranças da do Congresso, tanto da Câmara quanto do Senado", relatou Durigan. "Então acho que ajuda, sim, e nós temos caminhado bem, inclusive agora na questão fiscal, eu também fico bastante satisfeito", complementou. Dario Durigan Globo

Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis A Jeep apresentou nesta quarta-feira (12) o Avenger, novo SUV da marca, que começa a ser fabricado em Porto Real (RJ) com preço inicial promocional de R$ 114.990. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O valor é válido para a versão de entrada Altitude e está limitado às primeiras mil unidades. É possível ainda adicionar um pacote de opcionais com câmera de ré, barras de teto e teto preto. Com esses equipamentos, o Avenger Altitude tem preço especial de R$ 124.990 para as primeiras 2 mil unidades. As demais versões são Longitude por R$ 135.990 e Limited por R$ 145.990. Agora no g1 O modelo já entra em pré-venda e começa a ser entregue aos clientes ainda em agosto. Veja abaixo os equipamentos de série e preços dos opcionais. O Jeep Avenger utiliza a plataforma CMP, arquitetura da Stellantis empregada em modelos de outras marcas do grupo, como Peugeot. O modelo havia sido confirmado pela Jeep no ano passado, durante o Salão do Automóvel. Uma das principais estratégias da Jeep é oferecer uma boa lista de equipamentos para disputar espaço com modelos chineses e outros SUVs do segmento. O Avenger é equipado com motor 1.0 turbo associado a um sistema híbrido leve, o MHEV 12V, a potência é de 116 cv com etanol ou gasolina. O conjunto é ligado a uma transmissão automática CVT com sete marchas simuladas. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 10,3 segundos com etanol e 10,7 segundos com gasolina. A velocidade máxima é de 185 km/h. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Ficha técnica - Jeep Avenger Limited Assentos: 5 Comprimento: 4,08 m Largura: 1,77 m (sem retrovisor) Altura: 1,58 m Entre-eixos: 2,55 m. Porta-malas: 320 litros (VDA) Peso: 1.280 kg Rodas: 18 polegadas Pneus: 215/55 R18 Suspensão dianteira: Independente, McPherson com barra estabilizadora Suspensão traseira: Eixo de torção Freios dianteiros: Disco ventilado Freios traseiros: Disco sólido Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 3 cilindros em linha 1.0 Turbo MHEV Combustível: Gasolina / Etanol Potência (E/G): 116 cv (Etanol) / 116 cv (Gasolina) Torque (E/G): 20,4 kgfm (Etanol) / 20,4 kgfm (Gasolina) Câmbio: Automático, CVT Marchas: 7 marchas simuladas Tração: Dianteira Consumo urbano gasolina: 12,7 km/l Consumo rodoviário gasolina: 13,5 km/l Consumo urbano etanol: 8,8 km/l Consumo rodoviário etanol: 9,4 km/l Tanque de combustível: 47 litros Capacidade de carga: 400 kg Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Design forte Apesar do design com para-lamas marcantes e cara robusta, o Avenger tem medidas que lembram bastante as do Fiat Pulse. A Jeep destaca que, mesmo sem opção de tração 4x4, o SUV tem bons ângulos de entrada e saída e boa altura livre do solo. Segundo a marca, essas características tornam o modelo mais adequado para deslocamentos leves fora de estrada. O visual traz elementos que remetem à história da Jeep. A dianteira tem a tradicional grade com sete elementos. Os vincos nos para-lamas fazem referência aos primeiros modelos da marca. As lanternas traseiras têm formato de X, em uma referência aos tonéis retangulares usados para transportar combustível na parte traseira dos jipes durante os combates. Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis Na cabine, o Avenger aposta em linhas mais sóbrias e horizontais para criar sensação de maior amplitude. O quadro de instrumentos tem tela de 7 polegadas de série e 10,25 polegadas nas versão mais caras. A central multimídia também é de série e tem 10 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Durante a apresentação, a Jeep destacou o DNA da marca, apesar de o Avenger não ter tração 4x4 e utilizar plataforma e conjunto mecânico compartilhados com modelos de Fiat, Peugeot e Citroën. Maçanetas e retrovisores, por exemplo, são componentes usados em modelos da Peugeot. Segundo Breno Kamei, vice-presidente de marcas e marketing da Stellantis América do Sul, a Jeep considera que a história e o DNA da marca continuam sendo fatores importantes na decisão de compra dos consumidores. A estratégia é usar essa identidade para disputar mercado com modelos como Volkswagen Tera, Chevrolet Sonic e SUVs chineses de preços próximos. Jeep lança o Avenger no Brasil com preço inicial de R$ 114.990 Divulgação / Stellantis Durante a apresentação, Herlander Zola, presidente da Stellantis América do Sul, afirmou que a fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, já deve operar com 2 turnos na produção do Avenger e poderia abrir um terceiro. O modelo já tem exportação confirmada para Uruguai, Argentina e Paraguai. Segundo ele, o objetivo é disputar a liderança do segmento, que tem o Volkswagen T-Cross entre os principais modelos Veja abaixo o que cada versão do Jeep Avenger oferece e os respectivos preços. Jeep Avenger Altitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Altitude — R$ 114.990 (preço promocional limitado às primeiras 1.000 unidades) Design Rodas de liga leve 6,5 x 16" + pneus 215/65 R16; Bancos revestidos em tecido; Console central com apoio de braço, porta-copos removível, porta-celular e porta-objetos; Lanternas escurecidas em LED; Maçanetas e retrovisores externos na cor preta. Tecnologia e conforto Faróis em LED + Automatic High Beam; Ar-condicionado; Cluster de 7" full digital Multimídia 10"; 1 entrada USB e 1 USB-C; Freio de estacionamento elétrico; Partida do motor sem chave; Seletor de terrenos (Selec-Terrain); Sensor de chuva; Sensor de estacionamento traseiro; Volante multifuncional; Hill Descent Control (assistente de descida de rampa). Segurança 6 airbags: 2 laterais, 2 de cortina e 2 frontais; Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - câmera; Aviso de saída de faixa e assistente de permanência de faixa (LDW/LKA); Controle de estabilidade (ESC); Detector de fadiga do motorista; Controle automático de velocidade de cruzeiro; Reconhecimento de placas de trânsito (TSR). Opcional Pacote High Altitude com (preço do carro sobe para R$ 124.990): Barras de teto Câmera de ré Jeep Avenger Longitude Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Longitude — R$ 135.990 Tudo da versão Altitude + Design Rodas de liga leve 6,5 x 17" + pneus 215/60 R17; Bancos revestidos em tecido e vinil; Barras longitudinais no teto; Maçanetas na cor do veículo; Retrovisores em black piano; Volante multifuncional em couro e acabamento black piano. Tecnologia e conforto Ar-condicionado digital automático; Faróis de neblina com função de iluminação em curva; Walk away lock (veículo trava quando a chave se afasta); Keyless + Entry N'go (veículo destrava com aproximação da chave); Câmera de ré; Carregador de celular sem fio; Aletas para trocas de marcha atrás do volante. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC); Aviso de colisão frontal com frenagem de emergência (AEB) - radar + câmera. Opcionais Pacote Convenience Pack com: Entradas USB e USB-C traseiras; Retrovisor Frameless (sem moldura) Espelhos rebatíveis; Detector de ponto cego (Blind Spot Detection); Sensores de estacionamento frontais, traseiros e laterais. Pacote com Teto solar + Jeep Adventure Intelligence Teto solar; Cluster Full Digital 10,25"; Jeep Connect + ChatGPT embarcada. Jeep Avenger Limited Divulgação / Stellantis Jeep Avenger Limited — R$ 145.990 Tudo da versão Longitude + Design Grade de sete fendas iluminada; Rodas de liga leve 18" + pneus 215/55 R18; Bancos revestidos em vinil; Teto preto; Espelho retrovisor Frameless + eletrocrômico; Ambient Light - 8 cores; Iluminação interna em LED; Retrovisores em Black Piano. Tecnologia e conforto Farol LED Matrix; Jeep Connect + ChatGPT embarcada; Câmera 360°; Retrovisores externos com rebatimento automático; Cluster full digital 10,25"; Sensor de estacionamento frontal; Navegação embarcada; Porta USB para passageiros traseiros. Segurança Controle automático da velocidade cruzeiro adaptativo (ACC) + centralizador de faixa; Sistema de monitoramento de ponto cego. Opcional Teto solar

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (12) um projeto de lei que permite ao governo usar a receita extra, a partir da venda de petróleo, para reduzir impostos sobre combustíveis. O texto recebeu 61 votos favoráveis e apenas dois contrários. O texto segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pois já foi aprovado pela Câmara dos Deputados. ⛽ A proposta também concede subsídios, na forma de diminuição de tributos, para a indústria de fertilizantes e o setor de minerais críticos e estratégicos. A isenção ainda valerá para Copa do Mundo Feminina, que será sediada no Brasil em 2027. O texto, que só tratava inicialmente dos combustíveis, recebeu uma série de dispositivos alheios ao tema, os chamados jabutis. 🌎 A guerra do Irã contribuiu para elevação do custo dos combustíveis, assim como de insumos para a cadeia produtiva nacional, caso, por exemplo, dos fertilizantes. Agora no g1 Ao mesmo tempo, o cenário internacional também gera valorização do petróleo e gás extraídos no Brasil. O objetivo do projeto é justamente amortecer o prejuízo desses setores afetados usando a renda extra obtida pela venda do petróleo brasileiro. Mas, para que isso seja possível, uma exceção para essas medidas precisou ser criada por meio desta proposta. Isso porque a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) proíbem a concessão de benefícios fiscais sem indicação da fonte para compensá-los e do impacto que eles terão nas contas do governo. A LDO, inclusive, diz que fica proibida a "ampliação, prorrogação ou extensão do gasto tributário" e a criação de novas despesas obrigatórias. O projeto, então, contorna a norma em 2026. A inclusão de benefícios a setores, além de estratégias com fins eleitorais que interessam ao governo, costuma ser aprovada em ano eleitoral no Congresso. Em 2022, meses antes das eleições, o Congresso aprovou uma PEC que autorizava um "estado de emergência" no país, para permitir ao governo do então presidente Jair Bolsonaro a criação de uma série de benefícios às vésperas das eleições. Bomba de combustível em um posto em Brasília 7 de março de 2022. Reuters Tributos dos combustíveis Pela proposta, o governo poderá reduzir tributos sobre combustíveis e compensar a perda de arrecadação com o aumento extraordinário de receitas obtidas pela União em razão da alta internacional do petróleo. Para isso, poderá usar royalties, participações especiais da União decorrentes do resultado da exploração de petróleo ou gás natural, impostos recolhidos pelo setor de óleo e gás e dividendos de estatais ligadas ao segmento. Conforme o texto, a redução de impostos federais será usada na importação, produção e comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Para manter a competitividade dos biocombustíveis, a proposta determina que qualquer redução tributária concedida à gasolina preserve a vantagem competitiva do etanol. Caso a tributação federal da gasolina seja reduzida em 30% ou mais, as alíquotas sobre o etanol deverão ser zeradas. Além disso, o governo fica autorizado a conceder subvenção aos produtores de etanol para compensar eventuais perdas de competitividade. Para o período entre maio e agosto de 2026, o parecer prevê uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão ao setor. A proposta autoriza também os produtores de etanol a utilizar saldos credores de Pis/Pasep e Cofins e concede crédito fiscal a projetos destinados à produção de fertilizantes e suas matérias-primas no Brasil. A medida aprovada nesta quarta pelo Congresso também: tira do limite de gastos previsto no Arcabouço Fiscal R$ 2,5 bilhões de investimentos em defesa; permite antecipação de 2027 para 2026, em até R$ 3 bilhões, investimentos em educação e saúde bancados pelo Fundo Social (FS). No entanto, o texto prevê duas travas para conter o avanço dos gastos em 2027. A primeira permite, em caso de déficit projetado pelo governo, desvincular da Receita Corrente Líquida (RCL) o crescimento de determinados fundos. A segunda trava limita o aumento desses recursos ao teto previsto no arcabouço fiscal, que é de no máximo 2,5% acima da inflação. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com essas travas o governo deve reduzir em cerca de R$ 10 bilhões as despesas obrigatórias em 2027. "Há uma diminuição, uma mitigação desse ritmo de crescimento já vai ser percebido o ano que vem em torno de R$ 10 bilhões, que é aqui um pouco a evolução a menor do gasto obrigatório que a gente espera para o ano que vem, já abrindo o espaço fiscal importante para outras demandas discricionárias e mesmo pra nossa trajetória dos resultados fiscais", afirmou o ministro após a aprovação da proposta. Fertilizantes O texto autoriza benefício fiscal, por meio da redução nos impostos, para o setor de fertilizantes no valor de R$ 5 bilhões entre 2027 e 2031. Quem será beneficiado será o produtor, no Brasil, de fertilizante ou de suas matérias-primas. Essas podem ser: de origem sintética, por meio de processos químicos. Exemplos: amônia e ureia; a partir de minérios, de rochas. Exemplos: calcário, potássio, gesso agrícola; de origem orgânica. Exemplos: esterco animal, farinha de ossos (fonte de fósforo e cálcio). Nesta terça (11), o Senado aprovou uma proposta que cria um programa específico, com oferta de financiamentos, para fomentar a indústria de fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio. "Apesar de o Brasil responder por 8% do mercado global de fertilizantes, a demanda brasileira tem sido atendida via importações, que hoje representam acima de 85% do total de fertilizantes empregados em nossas lavouras", explicou a relatora do projeto dos combustíveis na Câmara, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (12) decreto que regulamenta a abertura de mercado livre de energia elétrica para consumidores de baixa tensão (inferior a 2,3 kV) a partir de novembro de 2027. O decreto estabelece as regras para que consumidores como pequenos estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, indústrias de menor porte, hospitais e escolas possam escolher livremente o fornecedor de energia elétrica. Para os demais consumidores, incluindo os residenciais, essa possibilidade estará disponível a partir de novembro de 2028. Agora no g1 O presidente assinou a medida durante cerimônia no Palácio do Planalto. Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pequenos estabelecimentos poderão ter redução de até 20% na conta de luz com a medida. No evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin também reforçou que mudança deve baratear o valor da energia. "Hoje os grandes consumidores conseguem ter acesso ao mercado livre e conseguem energia 23% mais barata, mas consumidor de menor tensão não consegue. Esse decreto assinado permite que no ano que vem o comércio e a pequena indústria entrem no mercado livre e em seguida o consumidor residencial, então vai baixar o preço da energia para todo mundo, nada que a competição, de se abrir mercado para todo mundo." O decreto também estabelece as regras para a migração ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) e prevê ainda o Supridor de Última Instância (SUI), responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo consumidor deixe de prestar o serviço. Até 31 de dezembro de 2030, a função de Supridor de Última Instância será exercida pelas distribuidoras de energia elétrica. Depois desse período, outros agentes poderão desempenhar a atividade, conforme regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Energia Elétrica;Rede de Energia;Distribuição de Energia Fré Sonneveld A agência também terá que definir como será feita a transição entre os ambientes regulado e livre, com regras sobre informação e proteção ao consumidor, comparação de ofertas e migração entre os modelos de contratação. Lula também assinou outros três decretos nos setores de energia e transição energética que regulamentam políticas voltadas ao combustível sustentável de aviação, ao hidrogênio de baixa emissão de carbono e da captura e armazenamento de carbono.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) um projeto de lei que cria uma nova modalidade de garantia para a locação de imóveis através da consignação de parte do salário. 🏠 O limite estabelecido no projeto é de até 30% do salário. Com a consignação, o locatário fica dispensado de buscar fiadores para o contrato ou fazer um depósito caução, por exemplo. A garantia passa a ser a possibilidade de desconto na folha salarial. 💰 Podem participar da nova modalidade: empregados privados; servidores públicos; pensionistas; e aposentados. O projeto estava em tramitação na Câmara desde 2011 e agora segue para análise do Senado Federal. Após análise no Congresso Nacional, precisará ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora no g1 O autor do projeto, deputado Julio Lopes (PP-RJ), afirma que a medida visa dar mais garantia ao proprietário que teme a inadimplência. "Esse fator de risco faz com que um grande número de imóveis permaneçam fechados ou que o valores dos aluguéis permaneçam artificialmente elevados, acima do que seria razoável em condições normais de mercado", disse. Segundo ele, a nova modalidade poderá impulsionar o mercado imobiliário ao dar mais garantia a quem aluga o imóvel e dispensar o locatário da busca por fiadores. A consignação poderá ser feita por mais de um locatário para compor o valor total do aluguel, ou seja, com descontos direto na folha de mais de um trabalhador. Continuar no aluguel ou financiar um imóvel? Schluesseldienst/ Pixabay. O projeto também estabelece que, nesses casos, o locatário não precisará pagar multa pela devolução antecipada do imóvel caso a mudança de endereço aconteça por uma transferência exigida pelo empregador. Nos contratos firmados por essa nova modalidade, os imóveis poderão ser retomados do contrato de aluguel quando o contrato de trabalho for terminado.

Lei do Mato Groso pode enfranquecer moratória da soja na Amazônia O Supremo Tribunal Federal (STF) validou nesta quarta-feira (12) a moratória da soja, acordo entre as empresas do setor e que proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. No mesmo julgamento, os ministros decidiram que são válidas as leis de Mato Grosso e Rondônia que retiram benefícios fiscais das empresas que fazem parte do acordo da moratória. ➡️O que é a Moratória da Soja? É um pacto de adesão voluntária entre as empresas compradoras da oleaginosa, que está em vigor há quase 20 anos e proíbe a aquisição do grão cultivado de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, visando preservar a floresta. Os ministros determinaram ainda que devem ser extintos os processos que questionam a ilicitude da moratória no Judiciário e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Plantação de soja pronta para colheita em Roraima Raquel Maia/Amazônia Agro Ficou definido ainda que a retirada ou redução de benefícios tributários para empresas que façam parte do acordo precisa respeitar os princípios da anterioridade anual e nonagesimal, que fixam prazo de um ano ou 90 dias para cobrança de tributos. O plenário do Supremo analisou duas ações. O PCdoB, PSOL, PV e Rede questionaram a lei de Mato Grosso que proíbe a concessão de incentivos fiscais e de terrenos públicos a empresas que aderirem ao acordo. A agência Reuters já havia reportado, em dezembro de 2025, que algumas das maiores "tradings" de soja do mundo estavam se preparando para romper o acordo, numa tentativa de preservar benefícios fiscais em Mato Grosso. Os partidos também questionaram uma lei de Rondônia que restringe incentivos fiscais e terrenos públicos a empresas vinculadas a acordos privados que limitem a expansão agropecuária, como a Moratória da Soja. As duas normas foram validadas pelo Supremo. Relator da ação de Mato Grosso, o ministro Flávio Dino defendeu que era preciso discutir a validade da moratória. Dino defendeu que se tratou de uma relação privada, fechada antes do código florestal, e que não impedia o poder público de conceder sua própria política de incentivos fiscais. O ministro propôs a extinção das ações que discutem na Justiça e no Cade a indenização pela moratória da soja. "Qualquer que seja a perspectiva institucional, constitucional, jurídica e ambiental não consigo enxergar vícios na moratória. É acordo de mercado, liberdade de iniciativa, as partes não são obrigadas a compatibilizar com outras partes, a não ser que haja vontade posta", afirmou. A maioria do plenário seguiu o voto de Dino. O ministro Dias Toffoli, relator da segunda ação, entendeu que não era papel do Supremo discutir a validade da moratória. Defendeu que essa questão deveria ser tratada pelo Cade. Toffoli votou pela validade das duas leis estaduais e propôs que fosse fixada a trava temporal para a retirada dos benefícios. Acompanharam o voto de Toffoli os ministros André Mendonça e Luiz Fux.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) um projeto que permite ao governo usar a receita extra obtida pela União com a venda de petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis e retira dos limites do arcabouço fiscal despesas com defesa. O texto segue para o Senado. A proposta, que inicialmente tratava apenas do preço dos combustíveis, recebeu uma série de dispositivos alheios ao tema, os chamados jabutis. A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), incluiu em seu parecer benefícios fiscais para outros setores, como o de minerais críticos e a produção de fertilizantes. Agora no g1 O documento foi protocolado nesta quarta-feira (12) na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia anunciado a tentativa do governo de ampliar o escopo da proposta, que trata ainda da isenção fiscal para a Copa do Mundo Feminina no Brasil em 2027. Segundo a relatora, a realização da Copa do Mundo Feminina é um “evento de projeção internacional que exige compromissos de isenção tributária assumidos pelo Estado brasileiro perante entidades organizadoras internacionais”. Efeitos da guerra O texto inicialmente buscava reduzir os efeitos econômicos do conflito entre os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio. Com as mudanças, ele também tira do limite de gastos previsto no Arcabouço Fiscal R$ 2,5 bilhões de investimentos em defesa. A proposta permite ainda antecipar de 2027 para 2026, em até R$ 3 bilhões, investimentos em educação e saúde bancados pelo Fundo Social (FS). A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO) Thiago Cristino/Câmara dos Deputados O texto já esteve na pauta da Câmara em diversas oportunidades no primeiro semestre, mas nunca foi votado. A versão final foi fechada na noite de terça (11) em reunião com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. A inclusão de benefícios a setores, além de estratégias com fins eleitorais que interessam ao governo, costuma ser aprovada em ano eleitoral no Congresso. Em 2022, meses antes das eleições, o Congresso aprovou uma PEC que autorizava um "estado de emergência" no país, para permitir ao governo do então presidente Jair Bolsonaro a criação de uma série de benefícios às vésperas das eleições. Impostos sobre combustíveis Pela proposta, o governo poderá reduzir tributos sobre combustíveis e compensar a perda de arrecadação com o aumento extraordinário de receitas obtidas pela União em razão da alta internacional do petróleo. Foto de posto de gasolina. Marcello Casal Jr./Agência Brasil Para isso, poderá usar royalties, participações especiais da União decorrentes da de resultado da exploração de petróleo ou gás natural, impostos recolhidos pelo setor de óleo e gás e dividendos de estatais ligadas ao segmento. Conforme o texto, a redução de impostos federais será usada na importação, produção e comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Biocombustíveis e fertilizantes Para manter a competitividade dos bicombustíveis, a proposta determina que qualquer redução tributária concedida à gasolina preserve a vantagem competitiva do etanol. Caso a tributação federal da gasolina seja reduzida em 30% ou mais, as alíquotas sobre o etanol deverão ser zeradas. Além disso, o governo fica autorizado a conceder subvenção aos produtores de etanol para compensar eventuais perdas de competitividade. Para o período entre maio e agosto de 2026, o parecer prevê uma subvenção de até R$ 1,2 bilhão ao setor. A proposta autoriza também os produtores de etanol a utilizar saldos credores de Pis/Pasep e Cofins e concede crédito fiscal a projetos destinados à produção de fertilizantes e suas matérias-primas no Brasil.

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada O Congresso Nacional adiou para quinta-feira (13) a instalação da comissão mista que vai analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas. Ainda há uma indefinição em torno do nome do deputado que irá presidir o colegiado e o senador que será relator da MP. A instalação estava prevista para esta quarta-feira (12). A MP foi editada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio e, caso não seja aprovada até 8 de setembro, perde a validade e tributação de 20% é retomada a partir de 9 de setembro. Com as novas regras, o ministro da Fazenda passou a ter a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Peças de roupa loja vestuário Uberaba 19-03-2021 Reprodução/TV Integração A tramitação da MP estava travada em função do rompimento entre Lula e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do mês de abril. Os dois retomaram o diálogo na última semana e a instalação da comissão mista é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. Apesar disso, parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para Câmara e Senado, também pressionavam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar, em maio, uma MP para revogar uma taxa que ele mesmo criou foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. Em ano eleitoral, a medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança. Dívidas rurais O Congresso Nacional instalou nesta quarta-feira (12) a comissão mista sobre a Medida Provisória de renegociação das dívidas de produtores rurais. A presidência do colegiado ficou com o senador Renan Calheiros (MDB-AL), enquanto o relator será o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). A MP foi editada em 15 de julho e permite a criação de linhas de crédito rural para composição de dívidas. Segundo o texto da MP, o objetivo da medida é apoiar ações de mitigação às mudanças climáticas, de enfrentamento de calamidades públicas e de compensação dos impactos de conflitos geopolíticos. Após a instalação, Renan Calheiros criticou o texto da MP por excluir estados das regiões Norte e Nordeste e sinalizou mudanças. “A MP não pode ser ponto de chegada. Cabe a essa comissão mista recuperar o que foi retirado e aprimorar o que precisa ser aprimorado", afirmou o senador. Taxa das blusinhas A decisão do governo pela criação chamada "taxa das blusinhas" enfrentou resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que argumentavam que a medida resultaria num encarecimento de produtos populares e de baixo valor e na redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico. Os críticos da “taxa das blusinhas” também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Por exemplo, turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Em outra frente, empresários do varejo nacional argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio brasileiro. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro.

Mortes por álcool no trânsito têm queda de quase 20%, mas trajetória de queda não é mantida Adobe Stock A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados deu, nesta quarta-feira (12), parecer favorável a um projeto de lei que endurece as punições para quem causar um acidente dirigindo embriagado. O texto aprovado na comissão prevê suspensão do direito de dirigir por 10 anos e multa equivalente a 50 vezes a penalidade prevista para o motorista que dirigir sob influência de álcool e se envolver em acidente que resulte em morte. Multa por infração gravíssima é de R$ 293,47; com a multiplicação prevista no projeto, o valor salta para R$ 14.673,50. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A matéria deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei o projeto ainda precisa ser votado e aprovado no Congresso. A proposta altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para aumentar as punições para motoristas que dirigirem sob influência de álcool. Agora no g1 O texto original, de autoria do deputado Gilvan Maximo (Republicanos-DF), previa multa agravada em até 100 vezes e suspensão do direito de dirigir por 10 anos quando o acidente resultasse em morte. No substitutivo apresentado pelo relator, deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), a multa para os casos com morte ficou estabelecida em 50 vezes, enquanto o período de suspensão da habilitação foi mantido em 10 anos. Para casos em que a vítima fique permanentemente inválida, a proposta prevê multa de 20 vezes e suspensão do direito de dirigir por cinco anos. Para que as penalidades sejam aplicadas, o texto estabelece que o motorista tenha se envolvido em um sinistro nas circunstâncias previstas na lei e que sua responsabilidade pela ocorrência tenha sido comprovada. Blitz Lei Seca Magbo Segllia/GovRJ 13.075 óbitos A taxa de mortes no trânsito relacionadas ao consumo de álcool caiu 19,5% no Brasil entre 2010 e 2024, mas o avanço perdeu força nos últimos anos e o número absoluto de vítimas voltou a crescer. Os dados mais recentes são de 2024 e mostram que o país registrou 13.075 óbitos associados à combinação de bebida alcoólica e direção, alta de 6,2% em relação ao ano anterior. A análise é do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), divulgada em junho de 2026. Criada em 2008, a Lei Seca estabeleceu tolerância zero para motoristas que dirigem após consumir bebidas alcoólicas. Desde então, o Brasil registrou uma redução de 19,5% na taxa de mortes atribuíveis ao álcool no trânsito por 100 mil habitantes entre 2010 e 2024. Mas a análise do CISA mostra que esse ritmo de queda vem desacelerando. O levantamento também mostra crescimento das consequências mais graves da combinação entre álcool e direção. Em 2025, foram registradas 102.440 internações relacionadas a esses eventos, número 1,9% superior ao do ano anterior.

Mortos em terremoto na Colômbia passam de 250; milhares continuam feridos e desabrigados O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira (10) interrompeu parte da logística de exportação de café do país e trouxe novas preocupações para o mercado internacional de uma das bebidas mais consumidas do mundo. A Colômbia é o terceiro maior produtor mundial de café, atrás apenas de Brasil e Vietnã, e tem papel importante no fornecimento de café arábica lavado, uma variedade valorizada por grandes compradores internacionais. O país também exporta a maior parte de sua produção. AO VIVO: Acompanhe as últimas atualizações sobre o terremoto na Colômbia Eles produziram cerca de 14,8 milhões de sacas de 60 kg na safra 2024/25 e exportaram aproximadamente 13 milhões de sacas em 2025. ☕ A Colômbia tem uma longa tradição na produção de café, que se tornou parte da identidade do país e até rendeu aos produtores o apelido de “cafeteros”. Durante décadas o país manteve uma espécie de rivalidade no mercado com o Brasil para saber quem tem o "melhor café". Enquanto os colombianos se especializaram em cafés de maior qualidade e valor agregado, o Brasil se consolidou pela escala e pela variedade, produzindo tanto arábica quanto conilon. O impacto do terremoto, portanto, não se limita às regiões atingidas pelo desastre. Bloqueios e deslizamentos em estradas que ligam o interior do país ao porto de Buenaventura, no Pacífico, dificultam a saída do café colombiano para o exterior e podem provocar atrasos nas entregas caso a situação se prolongue. Imagens mostram destruição na área rural colombiana AgroLatam.com ➡️ A situação preocupa o mercado internacional pois além de a Colômbia ser uma das principais produtoras de café no mundo a situação se soma aos estoques globais baixos e a preocupação com os efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção mundial. Essa preocupação já aparece nas cotações internacionais. Na terça-feira (11), o contrato de café arábica para setembro subiu 1,04% e fechou a cerca de US$ 3,34 por libra-peso. A alta ocorreu em meio às preocupações com a oferta global, incluindo os possíveis impactos do terremoto sobre as exportações de café da Colômbia. 🔍 Por que a Bolsa de Nova York importa? O café é uma commodity, uma matéria-prima negociada no mercado internacional. A Bolsa de Nova York é uma das principais referências para o preço do café arábica. A cotação serve de parâmetro para negociações entre produtores, exportadores e compradores. Por isso, altas ou quedas podem influenciar o custo do café em diferentes países. O preço no supermercado, porém, também depende de câmbio, impostos e outros custos. A dimensão do problema aparece justamente na importância de Buenaventura para a cadeia. Em entrevista ao jornal local El Colombiano, o presidente da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), Gustavo Gómez afirmou que mais de 60% das exportações colombianas do grão passam pelo porto. Com as estradas bloqueadas, os exportadores não conseguem transportar normalmente a carga do interior até o terminal. Gómez afirmou que a estrada para Buenaventura não está habilitada para veículos de comércio exterior, incluindo aqueles destinados à exportação e importação. “Eu não posso, neste momento, levar carga até o porto de Buenaventura a partir do interior do país”, disse o dirigente. Café fica preso entre produção e exportação O problema não está concentrado apenas no acesso ao porto. O terremoto atingiu uma região que reúne parte importante da estrutura de processamento do café colombiano. Segundo Gómez, muitos exportadores mantêm instalações em Manizales, Pereira e Armenia, no chamado Eixo Cafeeiro, além de Cartago, no departamento de Valle del Cauca. Na prática, isso cria um gargalo em diferentes etapas da cadeia: o café pode ser produzido, processado e estar pronto para embarque, mas não consegue chegar ao porto. Até regiões produtoras que sofreram menos danos com o terremoto enfrentam dificuldades para transportar a produção. Huila, Tolima, Cauca e Nariño, por exemplo, também registram problemas para encontrar caminhões que levem o café até portos alternativos. Mais de 1.000 contêineres podem ficar represados Ainda não existe uma estimativa oficial de quanto café está efetivamente parado por causa da interrupção. A Asoexport, porém, calculou o possível impacto de uma semana de restrições. A Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas de café por mês. Em uma divisão aproximada por semanas, isso representa cerca de 250 mil sacas. Se as restrições persistirem durante uma semana, esse fluxo poderia equivaler a mais de 600 veículos e mais de 1.000 contêineres represados, segundo a associação. O número é uma projeção para dimensionar o gargalo e não significa que 250 mil sacas já estejam paradas. A dificuldade de retirar o café processado também começa a afetar as próprias empresas exportadoras. Sem espaço e transporte suficientes para escoar o produto, o setor pode reduzir o ritmo de processamento. Isso cria um efeito que chega aos produtores. Segundo Gómez, se a situação persistir, a dificuldade logística pode prejudicar também a compra de café dos agricultores. “As operações estão muito paradas, quase paralisadas, e isso pode prejudicar a compra de café”, afirmou. Setor tenta desviar café para outros portos Com Buenaventura comprometido, os exportadores passaram a avaliar alternativas na costa do Caribe. Entre as opções estão Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia. Segundo a Asoexport, operadores desses terminais trabalham em planos de contingência para receber cargas adicionais. A mudança de rota, porém, não resolve sozinha o problema. É preciso levar o café das regiões produtoras e das unidades de processamento até os portos do Caribe, e a falta de caminhões se tornou outro obstáculo. Além disso, algumas das próprias rotas alternativas estão afetadas por deslizamentos e bloqueios. Entre os caminhos atingidos está a rota Letras-Fresno-Manizales, utilizada para o transporte de cargas. Situação dos cafezais na colômbia AgroLatam.com A Asoexport trabalha com o governo colombiano para recuperar os corredores de transporte. A estratégia é utilizar os portos do Caribe enquanto necessário e retomar gradualmente as operações por Buenaventura quando as condições permitirem. Produtores também sofreram danos Enquanto os exportadores tentam manter o café em circulação, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) realiza levantamentos sobre os danos nas áreas produtoras. A entidade informou que famílias cafeicultoras de Risaralda, Valle del Cauca, Caldas, Antioquia, Chocó e Quindío tiveram impactos em casas, propriedades e infraestrutura rural. No Quindío, um dos principais departamentos do Eixo Cafeeiro, mais de 150 famílias produtoras já foram identificadas como afetadas no levantamento inicial. José Martín Vásquez Arenas, diretor-executivo do Comitê de Cafeicultores do Quindío, afirmou em pronunciamento divulgado nas redes sociais que equipes foram mobilizadas nos 12 municípios do departamento para avaliar a situação das propriedades. O levantamento busca dimensionar os danos e orientar a destinação de recursos para a recuperação das famílias. A instituição também pretende garantir a continuidade da assistência técnica e da compra do café produzido na região. O trabalho encontrou ainda danos estruturais em comitês municipais e armazéns de provisão agrícola de Filandia, Buenavista e Montenegro. As unidades foram fechadas preventivamente para avaliação das condições de segurança e infraestrutura. As demais unidades do departamento voltaram a funcionar nesta quarta-feira (12), segundo o Comitê de Cafeicultores do Quindío. Vásquez Arenas afirmou que a cafeicultura local já enfrentou outras situações adversas e que as famílias continuarão sendo acompanhadas. “A cafeicultura do Quindío demonstrou historicamente sua resiliência diante das adversidades, por isso não deixaremos nossas famílias cafeicultoras sozinhas”, disse. Problema pode chegar aos compradores internacionais O impacto da interrupção logística não termina na Colômbia. Se o café não consegue chegar aos portos, os exportadores podem ter dificuldade para cumprir os prazos acordados com compradores internacionais. ➡️A Asoexport afirma que os clientes no exterior estão sendo informados sobre a situação para evitar que eventuais atrasos sejam interpretados como problemas comerciais ou de produção das empresas. Ainda não há uma previsão definitiva para a normalização das exportações. O prazo dependerá da recuperação das estradas, da liberação do acesso a Buenaventura e da capacidade de utilização das rotas alternativas.

Trump admite que fez voo secreto O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi processado por duas organizações de mídia, divulgou a Bloomberg. O motivo foi o plano da Trump Media & Technology Group, empresa controladora da rede social Truth Social, de vender acesso antecipado às publicações de Trump na plataforma. O The Intercept, organização de notícias, e a Freedom of the Press Foundation, entidade sem fins lucrativos voltada à defesa da liberdade de imprensa, entraram com uma ação na Justiça de Nova York nesta quarta-feira (12) para tentar impedir o plano. Trump quer vender milissegundos de vantagem a investidores; entenda por que isso vale milhões As organizações classificaram a iniciativa como “extraordinária, corrupta e inconstitucional”. No mês passado, a empresa anunciou que passaria a cobrar pelo acesso mais rápido às publicações de Trump no Truth Social que podem influenciar os mercados financeiros. A decisão provocou críticas de democratas e também incomodou alguns defensores do livre mercado em Wall Street. Donald Trump fala com jornalistas em 11 de agosto de 2026 Kylie Cooper/Reuters O produto, chamado Truth API, custa entre US$ 60 mil (R$ 310,8 mil) e US$ 100 mil (R$ 518 mil) por mês. Trump é o maior acionista da Trump Media. Sua participação na empresa, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,18 bilhões), está em um fundo administrado por seu filho mais velho, Donald Trump Jr.

Bob Iger, ex-CEO da Disney Reuters O empresário americano Josh Kushner e Bob Iger, ex-CEO da Disney, estão comprando o Los Angeles Lakers, uma das equipes mais tradicionais e populares da NBA, principal liga de basquete dos Estados Unidos, por mais de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,5 bilhões). O negócio deve estabelecer um novo recorde para a venda de uma equipe esportiva. As informações foram divulgadas primeiro pela ESPN nesta quarta-feira (12). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Kushner é cofundador e sócio-gerente da empresa de investimentos Thrive Capital. Já Iger comandou a Disney e deixou o cargo de CEO da companhia neste ano. Os dois eram interessados no processo de expansão da NBA para Las Vegas, mas mudaram de estratégia e passaram a negociar a compra dos Lakers. A dupla vai adquirir o controle da equipe do empresário Mark Walter, que havia comprado a participação majoritária dos Lakers da família Buss por US$ 10 bilhões (cerca de R$ 49,2 bilhões), em 2025. Agora no g1 "Como fãs de longa data da NBA, estamos profundamente honrados com a oportunidade de assumir a responsabilidade pelo Los Angeles Lakers, uma das franquias esportivas mais icônicas do mundo", disseram Iger e Kushner em comunicado. Os novos proprietários afirmaram que pretendem manter a equipe competitiva e preservar o legado construído pela família Buss. Walter, por sua vez, afirmou que ser dono dos Lakers foi uma das maiores honras de sua vida. Ele também disse que deixará a equipe confiante de que "o melhor ainda está por vir". Josh Kushner é irmão mais novo de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. Ele é cofundador da Thrive Capital, empresa de investimentos que atua principalmente no setor de tecnologia. Bob Iger ficou conhecido por comandar a Disney e deixou o cargo de CEO da empresa neste ano. Em 2024, ele e a esposa, Willow Bay, também compraram o controle do Angel City FC, equipe de futebol feminino de Los Angeles. Uma das franquias mais valiosas do esporte LeBron James, do Los Angeles Lakers, arremessa a bola contra Jabari Smith Jr. e Amen Thompson, do Houston Rockets, durante o segundo tempo do jogo 1 da primeira rodada dos playoffs da NBA de 2026, na Crypto.com Arena Kirby Lee-Imagn Images/Reuters O Los Angeles Lakers foi fundado em 1947 e é uma das equipes mais tradicionais da NBA. O time chegou 32 vezes às finais e conquistou 17 títulos, empatado com o Boston Celtics como maior campeão da liga. A franquia foi comprada originalmente por Jerry Buss em 1979, por US$ 67,5 milhões. A negociação também incluía o The Forum, arena localizada em Inglewood, na Califórnia, e o Los Angeles Kings, equipe da NHL. O valor da nova negociação — superior a US$ 12 bilhões — mostra a forte valorização das franquias esportivas nos EUA, que pode beneficiar outras equipes da NBA *Com informações da Reuters e Bloomberg

Agência Nacional de Proteção de Dados determina que Discord suspenda transmissão de 'lives' no Brasil A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, nesta quarta-feira (12), que o Discord suspenda as transmissões ao vivo na plataforma no Brasil. A medida preventiva estabelece prazo de três dias úteis para que a empresa cumpra a decisão. A suspensão será mantida até que o Discord comprove ter adotado medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. Veja mais abaixo como a plataforma funciona: Mas, afinal, o que é o Discord? O Discord é uma plataforma de comunicação digital que permite que os usuários conversem por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. No Brasil, a rede social diz que só permite acesso para adolescentes a partir dos 13 anos. O aplicativo é usado principalmente por adolescentes que querem jogar e conversar ao mesmo tempo, e, inclusive, foi desenvolvido com esse propósito. Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr Segundo o site oficial do Discord, os empresários Jason Citron e Stanislav Vishnevskiy criaram a plataforma em 2015 em busca de uma “maneira confiável de conversar enquanto jogavam on-line”. Por meio de transmissões ao vivo de vídeos, os usuários assistem, participam dos jogos e fazem comentários. "O Discord é uma experiência multimídia. Você pode usá-lo para transmitir vídeos, jogar jogos de tabuleiro a distância, ouvir música em grupo e, simplesmente, passar tempo juntos", descreve a revista norte-americana de tecnologia Wired. Vale destacar que, apesar de ser difundido pelo público adolescente, o Discord também é usado para trabalhar e fazer cursos, por exemplo. Segundo a Wired, a plataforma conquistou ainda mais usuários durante a pandemia, momento em que conseguiu alcançar grupos além dos gamers. Em 2025, o Discord tinha 200 milhões de usuários mensais globalmente, dos quais 93% jogam on-line, segundo o próprio aplicativo. O Discord é pago? A versão básica do Discord é gratuita, mas a plataforma oferece planos pagos, chamados de “Nitro”. Eles incluem vantagens como a criação de emojis personalizados e o envio de arquivos maiores. Entenda a suspensão pela ANPD A pressão sobre o Discord aumentou após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a jovem teria sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos da plataforma. O caso levou órgãos do governo a questionar os mecanismos de verificação de idade, moderação de conteúdo e proteção de crianças e adolescentes adotados pelo Discord. Na semana passada, a ANPD abriu um processo para investigar possíveis falhas da empresa. Ao mesmo tempo, a Advocacia-Geral da União (AGU) passou a negociar com a plataforma medidas para reforçar a segurança de menores. A discussão ganhou ainda mais repercussão após a primeira-dama Janja da Silva defender o bloqueio do Discord no Brasil e cobrar providências do governo. Após reuniões com autoridades brasileiras, a empresa apresentou uma proposta com medidas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma. Em nota, o Discord afirmou que recebeu a determinação e está "cuidadosamente analisando seu conteúdo". "A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação", diz o texto (veja na íntegra mais abaixo). Falhas na moderação de conteúdo e proteção a menores O Discord também esteve no centro de outros casos envolvendo menores. Nos últimos anos, agressores têm se aproveitado das transmissões de vídeo ao vivo da plataforma para, por exemplo, chantagear vítimas a cumprir desafios sob a ameaça de terem fotos íntimas vazadas, conforme reportagem do Fantástico mostrou em maio de 2023. A plataforma também se tornou um ponto de encontro para propagadores de narrativas de contracultura, como o movimento incel (celibatário involuntário), além de grupos de hackers e investidores em criptomoedas. O caso mais recente envolve uma empresária suspeita de torturar e matar animais para vender vídeos na plataforma. Segundo as investigações da Polícia Civil de São Paulo, ela gravava as agressões e comercializava as imagens para pessoas de países europeus. A mulher foi presa durante uma operação policial, mas acabou sendo liberada horas depois. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, explica que o Discord é um ambiente propício para esse tipo de situação por uma combinação de fatores: foi criado para o público gamer, por isso, é muito conhecido pelos jovens; permite formar grupos privados com facilidade, ao contrário de redes sociais que priorizam conteúdos públicos; a moderação é descentralizada. São os criadores das comunidades que fazem a maioria da moderação dos usuários e das mensagens de cada comunidade, dificultando o controle. 'Central da Família' Em setembro de 2023, o aplicativo lançou a ferramenta "Central da Família" (ou "Family Center", em inglês), que permite que responsáveis sejam informados sobre parte das atividades de seus filhos na plataforma. A ferramenta permite que os responsáveis saibam com quais usuários seu filho adolescente está conversando e de quais comunidades do Discord ele participa. No entanto, eles não podem ver o conteúdo dessas conversas. A empresa orienta que a ativação da Central da Família seja feita junto com o filho adolescente, já que a atividade da conta não será compartilhada sem a aprovação dele. Veja o passo a passo: Para ativar a ferramenta, é necessário que você tenha o aplicativo Discord no celular. No aplicativo, você vai acessar a opção "Central da Família", que pode ser encontrada em "Configurações do usuário". Então, clique em "ativar Central da Família". Nessa etapa, o adolescente vai precisar fornecer a você o código QR que será gerado no aplicativo dele. Ele fica disponível na guia da "Central da Família", na opção "Conectar com o pai". Você deve escanear o código fornecido pelo seu filho com seu aplicativo Discord. Depois que o adolescente aceitar a conexão, os dois terão acesso total à Central da Família. O que diz o Discord Veja o posicionamento na íntegra: “Recebemos a determinação da ANPD e estamos cuidadosamente analisando seu conteúdo. A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários. O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência. Investigamos rapidamente e removemos o servidor privado, acessível somente por convite, envolvido no caso pouco depois de sua criação, e seguimos cooperando com as autoridades policiais na investigação. Além disso, nossa investigação encontrou evidências de que a atividade criminosa foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord e continuou nessas plataformas após os indivíduos envolvidos terem sido banidos do Discord. Temos o compromisso com a segurança dos nossos usuários e contamos com equipes dedicadas em desarticular a atuação desses grupos, derrubar conteúdos que violem nossas políticas e tomar medidas contra os responsáveis por essas condutas em nossa plataforma. Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet.” Rede sem lei: no Discord, criminosos violentam e humilham meninas menores de idade

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Banco Central (BC) firmaram nesta quarta-feira (12) um convênio que cria um grupo de trabalho para desenvolver uma sistemática nacional de registro e rastreamento das transferências de créditos de precatórios (sentenças judiciais). O acordo foi formalizado por meio da assinatura de uma portaria conjunta pelo presidente do CNJ, ministro Luiz Edson Fachin, e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em cerimônia em Brasília. RELEMBRE: PF investiga suspeita de liberação irregular de precatórios e repasse dos créditos a fundos de investimento O objetivo é criar uma estrutura que permita registrar a venda de direitos precatórios para aumentar segurança, facilitar a fiscalização e e evitar fraudes. Dessa forma, será possível acompanhar com mais clareza quem é o dono do crédito em cada etapa da cadeia de negociações (leia mais abaixo). Agora no g1 "A iniciativa decorre da necessidade de aperfeiçoamento da governança nacional da cessão de créditos de precatórios, matéria que, embora tenha natureza negocial privada, produz efeitos sobre crédito judicial submetido ao regime constitucional de pagamento, à ordem cronológica, à disponibilidade de valor líquido, às constrições incidentes e ao controle do tribunal competente", informou o Conselho Nacional de Justiça. Segundo o presidente do CNJ, Edson Fachin, a medida busca proporcionar mais transparência para evitar fraudes e, também, que a venda de direitos precatórios seja usada para acobertar crimes. "Objetivo não é impedir a circulação de créditos, mas garantia que ocorra com transparência, segurança jurídica, rastreabilidade e proteção aos credores, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade", explicou. Edson Fachin na abertura dos trabalhos do segundo semestre no STF Gustavo Moreno/STF Sistema unificado O presidente do BC, Gabriel Galípolo, observou que o mercado cumpre função de coordenar preços e permitir que diferentes agentes econômicos reajam à mesma informação. Por isso, um sistema unificado de preços público e acessível proporciona isonomia aos agentes. O grupo de trabalho buscará definir padrões de interoperabilidade entre os sistemas envolvidos, estruturar a integração com cartórios de notas, entidades registradoras e tribunais, e irá formular plano de implantação progressiva da nova estrutura. De acordo com o CNJ, a atuação conjunta se mostra necessária por conta da "complementaridade das competências institucionais". Ao CNJ compete a governança da política judiciária de precatórios, a definição dos padrões vinculados ao Sistema Nacional de Precatórios e Requisições de Pequeno Valor (SisPreq), a rastreabilidade da titularidade judicial do crédito e a disciplina da eficácia da cessão perante os tribunais. Ao Banco Central do Brasil compete, no âmbito de suas atribuições, contribuir para a definição dos requisitos técnicos e operacionais aplicáveis às entidades registradoras e à infraestrutura eletrônica de registro da cadeia de cessões. Foto, Gabriel Galipolo. Nesta terça (9) o Secretário Gabriel Galípolo indicado Diretor Bacen, fala com a imprensa sobre a indicação para diretoria de política monetária do Banco Central TON MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Trump diz que Irã quer matá-lo e jornalistas ‘vão junto’, mas não avisa equipe e imprensa O Irã deve se tornar em breve membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como o banco dos Brics, segundo o presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pelo presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati, segundo a Reuters. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O NDB é uma instituição financeira multilateral criada pelos países que formaram o grupo original: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O acordo para a criação do banco foi assinado em 2014, durante a Cúpula dos Brics em Fortaleza, no Ceará, e a instituição foi oficialmente estabelecida em 2015. A instituição também é uma alternativa às fontes tradicionais de financiamento internacional, como o Banco Mundial. Atualmente, o NDB é presidido pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. Com sede em Xangai, na China, o NDB tem como principal objetivo financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em economias emergentes e países em desenvolvimento. O banco pode conceder recursos para iniciativas em áreas como transporte, energia, saneamento e outros projetos de desenvolvimento. Por que o Irã quer entrar no banco? Presidente do banco central do Irã, Abdolnaser Hemmati, em Teerã WANA NEWS AGENCY O Irã aderiu oficialmente ao Brics em 2024, durante a expansão do grupo, e desde então vinha demonstrando interesse em também se tornar membro e acionista do NDB. A entrada no banco pode ampliar os canais de financiamento disponíveis para o país, que enfrenta amplas sanções impostas pelos Estados Unidos e outras restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional. Segundo a Reuters, esse cenário aumenta o interesse de Teerã em buscar alternativas ao sistema financeiro dominado pelo dólar. Os países do Brics também têm discutido formas de aumentar o uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras entre seus integrantes. Entrada ocorre em meio a divergências no Brics Cúpula do Brics no Rio de Janeiro em 2025 Eraldo Peres/AP/dpa/picture alliance A aproximação do Irã com o NDB acontece em um momento delicado para o Brics. A expansão do grupo aumentou sua representatividade, mas também tornou mais difícil construir posições comuns sobre conflitos internacionais. Em março deste ano, por exemplo, a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel expôs essas diferenças. Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram posições mais críticas às retaliações iranianas contra países do Golfo. A falta de consenso impediu que o grupo emitisse uma declaração conjunta sobre o conflito. A situação contrastou com a resposta do Brics à guerra de 12 dias entre Israel e Irã, em 2025. Na ocasião, quando o Brasil ocupava a presidência rotativa do grupo, os dez países divulgaram uma declaração conjunta condenando os ataques e defendendo o diálogo. Hemmati participa nesta semana de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do Brics, realizada na Índia. O país ocupa neste ano a presidência rotativa do grupo.

Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação Milhares de manifestantes no estado de Jharkhand, no leste da Índia, estão realizando marchas até a assembleia legislativa estaudal para exigir uma investigação federal sobre supostas irregularidades em concursos de recrutamento para funcionários públicos, o cancelamento das provas e um processo de contratação mais transparente. A polícia chegou a utilizar canhões de água contra os manifestantes na segunda-feira (11/08), quando eles tentaram romper as barreiras de segurança a caminho da Assembleia Legislativa de Jharkhand. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O confronto marcou uma escalada significativa das tensões entre as autoridades e os manifestantes. O movimento começou em 25 de julho, quando os protestos passaram a ocupar o Estádio Jaipal Singh Munda, na capital estadual, Ranchi. Em cenas semelhantes aos protestos liderados por estudantes do movimento estudantil satírico Cockroach Janta Party (CJP), ou "Partido do Povo das Baratas", que tomaram Nova Déli no mês passado, para exigir a anulação de provas de seleção para universidades, alguns manifestantes também iniciaram uma greve de fome. Rahul Kranti, de 40 anos, candidato a um cargo público e um dos pelo menos seis participantes da greve de fome, foi transferido para a unidade de terapia intensiva após seu estado de saúde se deteriorar. "O futuro da juventude de Jharkhand não será vendido. Vou permanecer em greve de fome, esteja eu no hospital ou no local do protesto", disse Kranti à DW. Ele prometeu manter a mobilização até que o governo cancele os exames da Comissão de Serviço Público do estado de Jharkhand (JPSC), responsável pelos concursos para a administração estadual, e determine uma investigação criminal conduzida pelo Departamento Central de Investigações (CBI), principal agência federal de investigação da Índia. Após horas de negociações no domingo, o governo concordou em suspender o exame contestado da JPSC deste ano, e três membros da comissão renunciaram. Mas os manifestantes afirmam que essas concessões não atendem às suas exigências. Entre elas está o cancelamento do JSSC-CGL, um dos principais concursos para contratação de servidores estaduais em Jharkhand, além da realização de uma investigação federal sobre supostas irregularidades em todo o sistema de recrutamento público do estado. O que desencadeou os protestos em Jharkhand? Pelo menos seis manifestantes estão em greve de fome em Jharkhand ANI News/IMAGO via DW O estopim foi o mais recente exame para o serviço civil da JPSC, que oferecia apenas 103 vagas no governo. Mais de 2 mil candidatos foram aprovados para a etapa seguinte, quando os resultados foram divulgados no início de julho. Pouco depois, começou a circular nas redes sociais a imagem da folha de respostas de um candidato aprovado que teria deixado grande parte da prova em branco, levantando suspeitas de fraude. A polícia prendeu o candidato envolvido no centro da controvérsia, além de outras dez pessoas, e o presidente da comissão renunciou diante da pressão. Mas os manifestantes afirmam que essas medidas não enfrentam o problema estrutural. Quais são as reivindicações dos manifestantes? Devendra Nath Mahto está em greve de fome há nove dias e perdeu mais de 10 quilos. Somnath Sen/ANI via DW Os manifestantes em Jharkhand querem que os resultados do exame sejam anulados e que a prova seja reaplicada. Eles também exigem uma investigação independente, conduzida por juízes aposentados de tribunais superiores de outros estados ou por autoridades federais. Os manifestantes argumentam que uma investigação da polícia estadual não seria capaz de examinar adequadamente acusações envolvendo o próprio sistema de recrutamento de Jharkhand. A Jharkhand Chhatra Sangh (JCS), uma importante organização estudantil do estado, também exige maior transparência na divulgação das folhas de respostas e dos resultados, verificação biométrica dos candidatos, mecanismos mais rigorosos contra vazamentos de provas e responsabilização de autoridades e agências privadas terceirizadas de recrutamento. A organização estudantil também defende que exames suspeitos realizados nos últimos anos sejam investigados e, quando necessário, anulados e reaplicados. "O governo precisa reformar completamente o sistema de recrutamento da JPSC e da JSSC, investigar os responsáveis, colocar na lista negra as agências envolvidas em irregularidades e tornar os futuros exames transparentes e à prova de fraudes", afirmou S Ali, presidente nacional da entidade estudantil, à DW. Os protestos em Ranchi são inspirados pelo movimento estudantil de Déli? A insatisfação com os exames de recrutamento para o serviço público em Jharkhand vem se acumulando há anos ANI Photo via DW O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP, movimento estudantil que ganhou projeção nacional recentemente, encerrar uma mobilização de 36 dias em Nova Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina. O protesto em Ranchi começou poucos dias depois de o CJP (o Partido do Povo das Baratas) encerrar sua mobilização de 36 dias em Déli contra o vazamento de provas do exame nacional de ingresso em cursos de medicina. O movimento reuniu jovens em greves de fome e acampamentos diante do observatório histórico de Jantar Mantar, na capital indiana, e culminou com a renúncia do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan. O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, anunciou planos de viajar para Jharkhand, enquanto uma delegação do grupo já chegou a Ranchi para apoiar o movimento. Mas o movimento em Jharkhand é mais do que uma simples cópia do CJP. Os protestos são liderados pelo Fórum de Reformas JPSC-JSSC, juntamente com a Frente Revolucionária Democrática de Jharkhand. Entidades estudantis, incluindo a All-India Students Association (AISA) e a All India Students' Federation (AISF), também aderiram à mobilização. Neha Bora, presidente da AISA, visitou os manifestantes em Ranchi. "Seja em Jantar Mantar ou em Ranchi, esses protestos simbolizam a quebra de confiança que os jovens sentem em relação ao sistema", disse Bora à DW. "Eles exigem ser ouvidos, mas também estão pedindo mudanças que possam evitar crises semelhantes no futuro." Jharkhand tem uma longa história de lutas populares relacionadas à terra, à identidade e aos direitos políticos. A analista política Radhika Ramaseshan afirmou que os estudantes claramente se inspiraram nos protestos de Déli, mas também estão recorrendo a essa tradição local. "Jharkhand sem dúvida adotou a estratégia do CJP para chamar atenção para um conjunto diferente de questões que também afetam o futuro dos jovens", disse Ramaseshan à DW. "A diferença é que o alvo dos manifestantes é o governo de coalizão em Ranchi, que, assim como o governo federal, demorou a reagir", acrescentou. O ministro-chefe Hemant Soren afirmou estar aberto ao diálogo, enquanto as autoridades restringiram protestos em um raio de 750 metros da Assembleia Legislativa até 12 de agosto. "A solução para todos os problemas está no diálogo, e não em cassetetes e armas", declarou Soren durante o festival tribal anual de Jharkhand, realizado em Ranchi no domingo. Ele buscou assegurar aos estudantes que os responsáveis pelas supostas irregularidades nos processos de recrutamento serão severamente punidos. O que a juventude de Jharkhand espera do governo estadual? Estudantes protestam em Ranchi há mais de duas semanas Somnath Sen/ANI via DW Os protestos em Déli mostraram que um movimento estudantil organizado nas redes sociais e impulsionado pela indignação com suspeitas de fraude em concursos e exames pode pressionar autoridades e levar a mudanças concretas. Os manifestantes em Jharkhand já conquistaram uma vitória com o cancelamento do exame contestado da JPSC deste ano e a renúncia de três membros da comissão. Mas a juventude da Índia não pretende parar por aí. Os estados de Bihar, Uttar Pradesh e Rajasthan também enfrentaram grandes controvérsias envolvendo exames de recrutamento. O que tem faltado nesses locais é um movimento duradouro capaz de transformar essas queixas em pressão política mais ampla. Por enquanto, e apesar das concessões do governo estadual, os estudantes em Ranchi se recusam a encerrar os protestos. "Estamos esperando para ver o que vai acontecer. Esses exames fraudulentos precisam acabar, mas nossa paciência também está se esgotando", disse Motilal Mahto, um dos manifestantes, à DW.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,35% nesta quarta-feira (12), cotado a R$ 5,1793. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,22%, aos 167.507 pontos. Investidores repercutiram os novos dados de inflação dos Estados Unidos e acompanharam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. No Brasil, o cenário eleitoral e as dúvidas sobre o rumo dos juros também pesaram, após o JPMorgan citar os dois fatores em um relatório divulgado na véspera. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os novos dados de inflação dos EUA foram o destaque da sessão. O índice subiu 0,1% em julho, após queda de 0,4% em junho. Em 12 meses, houve uma desaceleração de 3,5% para 3,4%. Os dados vieram em linha com o esperado pelo mercado e ajudam a dar sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros americanos. (leia mais abaixo) ▶️ Ainda no exterior, o conflito no Oriente Médio seguiu no radar. Segundo a Bloomberg, o presidente americano, Donald Trump, reivindicou o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio de petróleo na região. O Irã, no entanto, continua a fazer ataques a navios que transitam pelo canal. As divergências entre os dois países voltam a levantar preocupações sobre a oferta global de petróleo. O barril do Brent, referência internacional, teve queda de 0,11%, cotado a US$ 88,81. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 0,26%, a US$ 82,98 o barril. ▶️ No Brasil, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) ficou no centro das atenções. O volume do setor ficou estável em junho em relação a maior e teve uma alta de 2% em comparação ao mesmo mês de 2025. Os dados foram divulgados pelo IBGE e vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,88%; Acumulado do mês: +2,16%; Acumulado do ano: --5,64%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,06%; Acumulado do mês: -6,05%; Acumulado do ano: +3,79%. Trump reivindica controle de Ormuz Os impasses entre os EUA e o Irã continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo no mercado internacional. Na véspera, segundo informações da Bloomberg, Trump afirmou que detinha o controle do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global da commodity. A informação, no entanto, foi desmentida por Irã, que continua a fazer ataques intermitentes a navios que transitam pela região. Segundo dados divulgados pela Reuters, o número de embarcações monitoradas no Estreito caiu para oito na terça-feira, o menor nível em uma semana. A queda indica que os navios seguem receosos em cruzar o canal, em meio às tensões e ataques registrados. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Ao mesmo tempo, as negociações entre os dois países para um acordo de paz parecem estar em um impasse. No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Inflação dos EUA em linha com expectativas A inflação ao consumidor nos EUA subiu 0,2% em julho, enquanto o núcleo do índice, que exclui preços mais voláteis, avançou 0,1%. Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado e mostraram uma inflação mais próxima do comportamento habitual após a queda dos preços de energia ter ajudado o índice em junho. Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, os dados representam uma normalização da inflação americana. Segundo ele, os preços dos aluguéis responderam por cerca de dois terços da alta registrada em julho, um fator relevante porque essa categoria tende a demorar mais para refletir mudanças nos preços. O núcleo da inflação, que ainda está acima da meta de 2% do Fed, desacelerou de 2,6% para 2,5% em 12 meses. Na avaliação de Flores, como o resultado ficou muito próximo do esperado, o próximo dado de inflação antes da reunião do Fed, em setembro, deverá ter mais peso na decisão sobre os juros. "Com os dados atuais, a expectativa para a próxima decisão do Fed não deve mudar, com a probabilidade mais alta sendo a de manter as taxas de juros sem alteração", afirmou. Após a divulgação dos dados, os rendimentos dos títulos do governo americano, conhecidos como Treasuries, e o índice que mede o desempenho do dólar frente a outras moedas tiveram queda. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices acionários americanos fecharam sem uma direção única nesta quarta-feira, enquanto investidores avaliavam os novos dados de inflação americana e repercutiam os resultados de empresas. O Dow Jones caiu 0,06%, enquanto o S&P 500 subiu 0,26% e o Nasdaq Composite avançou 0,55%. Na Europa, as bolsas de valores fecharam em queda, conforme investidores analisavam os balanços corporativos e os desdobramentos no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,16%, aos 659,48 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,23%, enquanto o CAC-40, da França, teve queda de 0,46% e o FTSE 100, do Reino Unido, recuou 0,10%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em leve alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelos ganhos nos setores de tecnologia e mobiliário, enquanto investidores aguardavam os novos dados de inflação dos EUA. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 0,6%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, avançou 0,3%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,8% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,68%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,83%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais Foto de setengah lima sore Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre deste ano, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço foi impulsionado pelo aumento das solicitações feitas por produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, em um cenário de crescimento das dívidas e dos custos no setor, informou a Serasa Experian nesta quarta-feira (12). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também registrou alta na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando foram contabilizadas 408 solicitações de recuperação judicial. Ainda assim, o total ficou abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2025, quando houve 628 pedidos. Agora no g1 "O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção dos altos custos de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo", afirmou, em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta. Segundo ele, a evolução desse cenário até o fim do ano dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação das dívidas. "Por isso, reforçamos que renegociar dívidas e manter um planejamento financeiro devem ser prioridades, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso", afirmou. Mato Grosso concentra maior número de solicitações Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, registrou o maior número de pedidos de recuperação judicial entre os Estados, com 135 registros. Na sequência aparecem Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38), também importantes produtores de grãos. Entre as atividades, o cultivo de soja, principal cultura agrícola do país, concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42, segundo a Serasa. Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica cresceram 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, chegando a 196. Foi o maior avanço anual entre os três perfis analisados. Já os produtores rurais classificados como pessoa física "sem propriedades", categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 60 pedidos. Os pequenos proprietários registraram 44 solicitações, os grandes, 41, e os médios, 37. Ao todo, o segmento de pessoas físicas somou 182 pedidos, uma queda de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Motoristas e entregadores por aplicativo na Austrália terão condições mais justas no trabalho Rafael Ben Ari/Avalon/IMAGO Entregadores de alimentos e compras na Austrália receberão pelo menos 31,30 dólares australianos (cerca de 115 reais) por hora e terão seguro contra acidentes durante o trabalho, de acordo com novas regras aprovadas pelo tribunal de relações trabalhistas do país. A remuneração por hora, estabelecida em uma decisão emitida pela Comissão de Trabalho Justo (Fair Work Commission, FWC) nesta terça-feira (12/08), está acima do salário mínimo australiano de 26,44 dólares. A decisão da FWC, que pode servir de precedente para outros países, foi comemorada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes (Transport Workers Union, TWU) como "um momento histórico para a economia de aplicativos na Austrália". O sindicato classificou as novas regras como "um conjunto de padrões pioneiros no mundo". 'Sou meu próprio patrão, mas nunca sei quanto vou ganhar': o retrato de quem vive das entregas por aplicativo Quais direitos e proteções terão os entregadores por aplicativo? A remuneração mínima por hora será paga pelo tempo "ativo", ou seja, o período entre a aceitação de uma entrega e a conclusão do serviço. A decisão, que entra em vigor em 17 de agosto, também exige que as empresas ofereçam um "nível mínimo razoável de cobertura" por seguro contra acidentes pessoais durante o trabalho, sem especificar exatamente qual deve ser o valor dessa cobertura. Os trabalhadores, no entanto, continuarão responsáveis por manter o seguro contra danos a terceiros dos veículos utilizados nas entregas. Sindicatos e trabalhadores na Austrália há muito tempo defendem reformas em benefício dos profissionais que atuam por meio de aplicativos. Até agora, eles não estavam cobertos por muitas das proteções concedidas a outros empregados, já que eram classificados como "prestadores de serviços independentes". As novas regras devem afetar cerca de 250 mil trabalhadores. LEIA TAMBÉM: Café, banheiro e até videogame: a base criada por entregadores que oferece apoio e descanso entre as corridas Agora no g1 ONU avança para proteger trabalhadores de aplicativos A decisão da FWC foi anunciada após a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência das Nações Unidas, adotar em junho um novo tratado global voltado à garantia de condições dignas de trabalho na economia de aplicativos. Os padrões estabelecidos pelo tratado, o primeiro do gênero em âmbito global, ainda precisam ser ratificados pelos governos de cada nação. Na Austrália, o Parlamento aprovou leis em 2023 e 2024, sob o governo trabalhista de centro-esquerda, que concederam aos trabalhadores de aplicativos mais direitos de negociação sobre remuneração mínima e condições de trabalho.

Henrique Batista, de 36 anos, deixou o trabalho de entregas para se dedicar a canais dark no YouTube e mentorias Arquivo Pessoal Henrique Batista, de 36 anos, estava cansado de trabalhar entregando hambúrgueres. Ele e a mãe produziam os lanches em casa, em Paraopeba (MG), município com pouco mais de 24 mil habitantes, e Henrique cuidava das entregas de moto. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A decisão de mudar de profissão veio há dois anos, depois de um dia de trabalho difícil. "Tomei uma chuva fazendo entrega e falei: 'Não quero mais isso para a minha vida'. Então, peguei pesado. Três meses trabalhando pesado." Henrique havia encontrado um curso do youtuber Peter Jordan sobre como ganhar dinheiro criando canais com a ajuda de inteligência artificial (IA) para a maior plataforma de streaming do mundo. Agora no g1 Ele conta que comprou o curso por cerca de R$ 400 e passou a criar canais dark, também conhecidos como faceless (sem rosto, em inglês), porque quem produz o conteúdo não costuma aparecer nem usar a própria voz. "Vi como uma oportunidade de liberdade financeira", diz Henrique à BBC News Brasil. Com as ferramentas de IA, Henrique passou a fazer os roteiros dos vídeos, as narrações e as imagens. Para ele, é como "ter um funcionário que não gripa, que não tira férias e não dá dor de cabeça". Os temas são variados e acompanham tendências de conteúdos que já fazem sucesso em outros idiomas, como civilizações antigas e contos bíblicos, que ele não conhecia a fundo. É a IA que cuida de tudo. O faturamento — ou monetização, no jargão dos produtores de conteúdo — pode vir da participação na receita de anúncios exibidos nos vídeos. O valor varia conforme fatores como visualizações, perfil e localização da audiência. "Consegui monetizar um canal. Vi que eu poderia viver daquilo. Investi em outro. E deu certo", diz Henrique. Esse tipo de vídeo, feito quase totalmente com IA, virou uma dor de cabeça para o YouTube. Henrique Batista contou que trabalhava com venda e entrega de hambúrgueres antes de se dedicar aos vídeos de IA Arquivo Pessoal Ao mesmo tempo em que o Google, dono da plataforma, estimula e comercializa ferramentas de inteligência artificial, há uma pressão para que deixe de remunerar criadores que publicam conteúdos considerados ruins, pouco autênticos ou mesmo nocivos para os espectadores. Como mostrou a BBC News Brasil em reportagens recentes, há canais dark com milhões de visualizações que exploram a atenção de crianças com imagens hipnotizantes, tratam de saúde na terceira idade com soluções alarmantes e imagens de falsos médicos ou simplesmente divulgam conteúdos com informações falsas ou sem sentido. De acordo com uma pesquisa da empresa de IA Kapwing, 20% do conteúdo exibido para um novo usuário do YouTube é, atualmente, "vídeo de IA de baixa qualidade". Uma outra análise, do jornal New York Times, indicou que, após uma sessão de 15 minutos realizada depois de assistir a um canal infantil, mais de 40% dos vídeos assistidos pareciam conter imagens geradas por IA. O YouTube afirma que, embora seja permitido conteúdo gerado por IA, "combater o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA é uma prioridade máxima" e que adota padrões mais rígidos para o conteúdo voltado para espectadores mais jovens. "Isso inclui esforços contínuos para remover conteúdo de IA marcado como 'feito para crianças' quando ele não atende aos nossos princípios de qualidade", diz a plataforma em nota à BBC News Brasil. O Google afirma que todo o conteúdo do YouTube, inclusive o que é gerado por meio de IA, deve seguir as diretrizes da comunidade: "Isso abrange nossas políticas sobre desinformação médica, que proíbem informações incorretas a respeito de prevenção e tratamentos capazes de causar, comprovadamente, danos graves no mundo real". A empresa acrescenta que adiciona rótulos a conteúdos gerados por IA "para garantir que os espectadores estejam informados sobre o que estão assistindo". 'Quem faz sucesso é a exceção' A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema Arquivo Pessoal A antropóloga brasileira Rosana Pinheiro-Machado estuda este mercado. Ela diz que as novas tecnologias potencializaram, nos últimos dois anos, uma promessa que já existia no marketing digital: trocar empregos tradicionais por uma rotina mais flexível e lucrativa. "A IA dobra a promessa. Promete ser mais fácil, com menos esforço, que tudo vai acontecer se só deixar a inteligência artificial trabalhar por você", diz Pinheiro-Machado, que é professora da University College Dublin e diretora do Laboratório de Economia Digital e Política Extrema. "A promessa é sempre que você vai ter mais tempo, e isso pega sempre muito forte em pessoas que não têm tempo. É uma promessa muito cruel, sempre voltada a ver os filhos crescerem e a aproveitar a vida." Mas conseguir emplacar na plataforma, porém, não é simples como muitos prometem, porque, para conseguir a sonhada monetização, dá trabalho. O YouTube exige para isso que um canal tenha ao menos 1 mil inscritos e 4 mil horas de conteúdo com exibição pública nos últimos 12 meses. A tecnologia pode facilitar tarefas, como a produção de posts, mas está longe de trazer automaticamente os ganhos prometidos, diz Pinheiro-Machado. "Muitas pessoas vão desistindo. Quem faz sucesso é exceção." A criadora de conteúdo Tai Squinalli, que produz vídeos de música com IA em espanhol, conta que trabalha até 12 horas por dia Arquivo Pessoal Tai Squinalli, de 43 anos, se viu em dificuldade em janeiro deste ano, quando, segundo ela, o YouTube parou de remunerá-la pelos cinco canais dark que ela administrava. "Foi uma onda de desmonetização em massa. Ninguém entendeu muito bem o que aconteceu", conta ela à BBC News Brasil — o YouTube tem dito que não remunera conteúdo considerado inautêntico, que é muitas vezes o caso de vídeos cujo roteiro e imagem foram gerados por IA. Dois meses antes, ela afirmou à reportagem que tinha conseguido seu maior faturamento fazendo isso desde que começou em meados do ano passado: R$ 75 mil em um único mês, dinheiro que usou para se sustentar nos meses sem receber da plataforma. Foi um alento para quem recorreu aos vídeos de IA para ter alguma renda depois que a pousada que ela administrava em Itacaré, na Bahia, fechou na pandemia e ela voltou grávida para Caxias do Sul (RS), onde morava antes. Ela conta que trabalhou por um tempo gravando anúncios de produtos, mas se viu de novo sem emprego quando os clientes começaram a fazer vídeos com IA. "Pensei: 'Meu Deus, mais uma vez tenho que me reinventar." Pagou cerca de R$ 1 mil por um curso sobre canais dark. Depois de seis meses quase sem renda, investiu mais R$ 600 em uma mentoria e passou a criar histórias fictícias em diferentes idiomas. Tai conta que hoje mantém outros canais dark de músicas e também conteúdo sobre desenvolvimento pessoal, ambos em espanhol e gerados por IA. "Mudei de nicho. Os canais de história perderam a monetização. Foi o nicho mais prejudicado." Ela diz que ganha hoje entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por mês com os vídeos e que prefere essa rotina a um emprego na sua área de formação, administração de empresas. "Eu gosto dessa liberdade, de não precisar ficar pedindo permissão para fazer as coisas. Ela conta que chega a trabalhar por até 12 horas por dia ou mais, inclusive à noite e aos finais de semana, mas acha que vale a pena. "Apesar de eu trabalhar muito, faço isso produzindo para mim", afirma. "Minha filha me pergunta: 'Mamãe, você nunca tira férias?' Não, mamãe não consegue." 'É um mercado dominado por gurus que são apresentados como os casos de sucesso' Canal Riqueza com IA associa tecnologia à renda extra, mas criador reconhece que nem todos conseguirão monetização Reprodução/YouTube A popularização dos vídeos feitos com IA impulsionou um outro segmento igualmente importante deste mercado: o das pessoas que ensinam a fabricar canais dark, muitas vezes junto com a promessa de que, assim, pode-se faturar alto, sem sair de casa ou ter complicações. Os cursos e mentorias são anunciados como "como fazer vídeos curtos e dizer adeus à CLT" ou "o prompt que vai te deixar milionário". A pesquisa liderada por Rosana Pinheiro-Machado acompanha influenciadores e alunos que participam de cursos sobre marketing digital e IA, no Brasil e em outros países. A pesquisadora aponta que uma das estratégias dos mentores é criar grupos de WhatsApp e listas de email para os alunos e disparar ofertas de métodos exclusivos para usar IA e ganhar dinheiro. "Você fica sendo bombardeado com promoções, com a ideia de dizer que você está perdendo a chance da sua vida", diz Pinheiro-Machado. "Apesar de prometer ser democrático, é um mercado dominado por gurus que chegaram primeiro e vendem sua fórmula. São esses que acabam sendo mostrados como casos de sucesso." Um dos canais que ensinam o método com IA é de Arthur Diniz, que se apresenta dizendo que "faturou seu primeiro milhão antes do primeiro beijo" e que já ensinou milhares de alunos "a transformar a internet em renda". Em seu canal, o Nova Riqueza IA, que tem 160 mil inscritos, Diniz ensina estratégias de negócios digitais "para construir prosperidade real, aquela que te permite viver bem, com saúde mental e propósito, sem se tornar escravo do trabalho". Em um dos vídeos mais recentes, com o título "Nova IA tá fazendo gente comum ganhar R$ 17.990 com apps", Diniz aparece à frente do computador e depois na praia, dizendo a uma IA: "Ganha dinheiro para mim". "Planeja, constrói, testa tudo sozinha e só me chama quando tudo terminar. Fechei o computador e fui viver a minha vida." Canal no YouTube promove uso de IA para obter dinheiro com vídeos Reprodução/YouTube Em outro, ele mostra como criou um perfil nas redes sociais que divulga mensagens bíblicas. "Nos últimos sete dias, essa estratégia secreta me gerou R$ 1109,65 só compartilhando versículos da Bíblia pelo celular. Melhor: sem aparecer, sem investir em anúncio, só usando o que eu já tenho no bolso. Você também tem, ou seja, o celular." Diniz argumenta no vídeo que qualquer pessoa pode copiar o método, e, "mesmo sem ter nenhuma experiência, já ter resultados financeiros". Ele então ensina a usar o Grok, a IA da empresa xAI, de Elon Musk, para gerar vídeos e depois gerar um texto no ChatGPT com frases bíblicas, para compartilhar junto do texto. A ideia é usar os vídeos como gancho para vender ebooks sobre estudos bíblicos. Diniz diz à BBC News Brasil que a mensagem que deseja passar a quem o segue é que IA reduz a barreira técnica para quem quer começar um canal dark. Mas ele reconhece que transformar os primeiros bons resultados em um negócio sustentável é outra história. "É justamente nessa etapa que a maioria das pessoas desiste. Por isso, não vejo contradição entre dizer que qualquer pessoa consegue começar e reconhecer que nem todas conseguirão construir um negócio de longo prazo", afirma Diniz. Apesar dos títulos provocativos, ele diz que não recomenda que seus seguidores abandonem o emprego. Já sobre os ganhos elevados que cita em seus títulos, ele afirma que "são baseados em casos reais". "Reconheço que um título, isoladamente, pode gerar expectativas diferentes do conteúdo completo", afirma Diniz. "Quando utilizo um valor mais alto, ele representa o melhor resultado daquele caso específico, que depois é explicado no próprio vídeo. Também faço questão de deixar claro que se trata de exemplos, que os resultados variam conforme a execução e que não existe promessa de ganho." Ele diz que, quando fala que IA faz o trabalho sozinha, isso diz respeito somente à parte técnica e não a todo o trabalho envolvido em um canal assim. "Isso não significa que um negócio funcione sozinho. O próprio vídeo dedica uma parte importante justamente às atividades que continuam sendo humanas: encontrar clientes, definir preços, vender, atender e acompanhar o trabalho." Ele também afirma que um criador deve ser transparente sobre o uso da IA e que a tecnologia "não substitui estratégia, responsabilidade nem bom julgamento". 'Tem roteiro que tem erro. Mas a gente não liga' Peter Jordan, empresário e youtuber brasileiro, é uma das vozes mais influentes no mercado de produção de canais dark no Brasil Reprodução/YouTube O youtuber Peter Jordan — que inspirou o entregador Henrique Batista, do início desta reportagem, a trocar de trabalho — é um dos mais influentes gurus dos canais dark no Brasil. Ele é criador e apresentador do canal Ei Nerd, que se apresenta como "o maior canal de cultura pop" brasileiro, com mais de 14,6 milhões de inscritos e 10 mil vídeos sobre celebridades, desenhos, curiosidades e afins. Tem mais de 4,5 bilhões de visualizações acumuladas desde que entrou no ar, em 2013. Jordan também está à frente do Nerd de Negócios, uma espécie de desdobramento empresarial do seu primeiro canal, onde ensina sobre marketing digital "de forma clara e simples, para que qualquer pessoa possa começar a empreender na internet". É ali que ele se apresenta como o dono de vários canais dark voltados para diferentes nichos e públicos e ensina como fazer sucesso e ter uma "renda passiva" com isso. Jordan diz que a velocidade de produção é uma das principais vantagens desse modelo de negócio. "Canal sem aparecer, a gente faz uma linha de produção tão rápida que chega a um ponto em que, estou falando da nossa equipe, a gente não se preocupa mais com roteiro. É um dos modelos mais lucrativos que existem", diz em um dos seus vídeos. Ele também diz que, para não comprometer o faturamento, não é possível corrigir os erros que a IA venha a cometer, e defende que eventuais falhas não necessariamente impedem um vídeo de ter bom desempenho. "Tem roteiro nosso que tem erro. Mas a gente não liga mais. A gente vai fazendo. O máximo que vai acontecer é o vídeo não ter view [visualização]", diz ele em um vídeo publicado em junho deste ano no YouTube, com mais de 200 mil visualizações. "Não vale você se preocupar a ponto de perder tempo na sua linha de processo de criação de vídeo. Isso é algo que ninguém vai te falar. Mas eu falo." Para ele, o público não se importa com esses erros, como falhas nas imagens geradas por IA. "A galera não quer saber disso. A galera quer só história, quer entrar, quer imergir. E não liga para esse tipo de coisa. As pessoas não comentam mais sobre esses erros. Elas estão curtindo esses vídeos." A BBC News Brasil pediu entrevista a Peter Jordan, mas ele não respondeu. 'Falsificação de conhecimento especializado' A falta de supervisão e checagem é um dos riscos dos vídeos produzidos de forma automatizada, segundo pesquisadores ouvidos pela reportagem. Outro ponto questionado por especialistas é a responsabilidade sobre o conteúdo divulgado, especialmente quando é gerado por IA, sem revisão. Shuo Niu, professor associado de Ciência da computação da Clark University, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores analisaram, em estudo publicado em março, 377 vídeos de 47 canais em inglês que ensinavam a usar IA para ganhar dinheiro. "Os criadores pareciam menos preocupados com autoria ou credibilidade e mais interessados em construir linhas de produção eficientes, capazes de gerar conteúdos com potencial para viralizar", afirma Niu. A facilidade de produzir vídeos em grande escala, avalia o pesquisador, pode reduzir a qualidade geral do conteúdo disponível nas plataformas. Um dos riscos é o que ele chama de "falsificação de conhecimento especializado": pessoas sem experiência em determinado assunto podem usar a IA para escrever roteiros e se apresentar como autoridades. É o caso, por exemplo, dos diversos perfis nas redes sociais de falsos médicos gerados por IA, como mostrou a BBC News Brasil. "Observamos muitos criadores afirmando que a IA sabe quase tudo e pode permitir que muitos usuários se apresentem como especialistas em nichos em alta, mesmo quando possuem pouco conhecimento relevante", diz Niu. Isso pode diminuir o alcance de criadores que investem tempo, conhecimento e trabalho na produção de conteúdo original, avalia o pesquisador. Niu também alerta que transformar informações geradas por IA em vídeos pode dar a elas uma aparência de autoria humana e de credibilidade. "Os espectadores podem presumir que uma história ou afirmação é confiável porque parece ter sido comunicada por uma pessoa real na internet." O risco seria maior para crianças e idosos, que podem ter mais dificuldade para reconhecer conteúdos sintéticos ou enganosos, avalia. Para João Victor Archegas, coordenador de Direito & Tecnologia e GovTech do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), o fato de um conteúdo atrair visualizações não elimina a responsabilidade ética de quem o publica. "Não é uma pessoa qualquer fazendo conteúdo para três, quatro pessoas que estão na rede de amigos. É um canal com milhares ou até milhões de seguidores, que está fazendo conteúdo que vai chegar a milhares ou milhões de pessoas". O professor Shuo Niu avalia que o YouTube tem responsabilidade direta sobre esse fenômeno, porque seus sistemas de recomendação e monetização podem incentivar a produção em massa de vídeos de baixa qualidade que atraem cliques. Para ele, a solução não é eliminar todo conteúdo feito com IA, que também pode reduzir tarefas trabalhosas e permitir novas formas de criatividade. O desafio, avalia, é diferenciar esses usos de práticas que imitam o trabalho alheio, fabricam conhecimento especializado ou enganam o público. O YouTube afirma que canais que usam IA continuam qualificados para monetização, ou seja, para exibir propaganda e serem pagos por isso, "desde que o produto final seja uma criação original que adicione uma perspectiva autêntica, siga nossas diretrizes de comunidade e de monetização, e divulgue adequadamente quando o conteúdo for alterado ou sintético". Em uma entrevista ao canal Creator Inside, em julho, o vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, Matt Halprin, disse que são considerados problemáticos vídeos em que o conteúdo seja genérico ou repetitivo, que busquem manipular as emoções dos espectadores ou criem personagens com IA para abordar temas considerados mais sensíveis, como finanças, questões legais ou saúde. Eduardo Rico, especialista em desenvolvimento de canais no YouTube, afirma que a IA não reduz necessariamente a credibilidade de um vídeo. O problema, diz, é usar a tecnologia sem controle ou preocupação com a veracidade, especialmente em temas como saúde e conteúdo infantil. "O que eu sou contra é usar de forma desenfreada, sem um mínimo de crivo, sem a mínima preocupação com a verdade do que está acontecendo naquele vídeo." Rico diz que a velocidade de produção não substitui a necessidade de criar algo que interesse ao público. "Você pode ter os melhores recursos e os melhores roteiros. Se a audiência não gostar do seu conteúdo, não tem estratégia que vá funcionar", diz. Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia
Como estoques recordes e avanço do agro brasileiro podem reduzir impacto do 'super El Niño' no mundo

Com fenômeno El Niño, tempo seco e quente amplia alerta para doenças de pele O sistema alimentar global está mais preparado para enfrentar os efeitos de um forte episódio de El Niño do que em eventos semelhantes no passado. Estoques de produtos agrícolas próximos de níveis recordes, avanços tecnológicos e o crescimento de países como Brasil e Rússia entre os grandes exportadores aumentaram a capacidade de compensar eventuais perdas de produção. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e análises de especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, a produção agrícola mundial vem crescendo acima do consumo e do aumento da população desde a década de 1980. O avanço foi impulsionado por variedades de plantas mais produtivas, maior uso de fertilizantes, melhorias na irrigação e técnicas mais eficientes de proteção das lavouras. Esses fatores elevaram a produtividade de culturas como arroz, trigo, milho e soja. "Mesmo durante condições de seca, melhor manejo da irrigação e ciência das culturas significam que ainda podemos produzir rendimentos comercializáveis", disse Andrew Whitelaw, da consultoria agrícola australiana Episode 3. Segundo ele, ainda há riscos para a oferta e os preços dos alimentos, mas a preparação atual tende a tornar as consequências menos severas do que em décadas anteriores. Os graves efeitos do 'Super El Niño' na América Latina previstos pelos cientistas Super El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta El Niño ganha força e ameaça lavouras do planeta O fenômeno climático já começa a afetar o plantio em partes da Ásia, incluindo a Índia e países do Sudeste Asiático, além da Austrália. A falta de umidade ocorre ao mesmo tempo em que a escassez de fertilizantes e diesel provocada pela guerra no Irã aumenta os riscos para a produção agrícola mundial. A Índia enfrenta uma temporada de monções abaixo do esperado. Na Austrália, há preocupação com o clima mais seco nas principais regiões produtoras de trigo. Indonésia e Tailândia também registram impactos da falta de umidade. A situação pode se agravar nos próximos meses. Segundo Chris Hyde, meteorologista da empresa americana SkyFi, o El Niño, que já é considerado forte, deve ganhar intensidade no quarto trimestre e no início de 2027. O fenômeno ocorre quando há um aumento anormal da temperatura da superfície do oceano no Pacífico central e oriental. Em geral, provoca condições mais secas em grande parte da Ásia e aumenta as chuvas em regiões das Américas. Episódios severos registrados entre 1997 e 1998 e entre 2015 e 2016 reduziram a produção de culturas importantes e contribuíram para a escassez de alimentos, a inflação e a perda de atividade econômica em diferentes países. Estoques ajudam a criar uma reserva contra perdas Desta vez, o cenário da oferta é diferente. Estoques elevados de grãos, sementes mais resistentes à seca, previsões meteorológicas mais precisas, agricultura de precisão e sistemas de irrigação mais eficientes formam uma espécie de colchão contra perdas provocadas pelo clima. Na Índia, por exemplo, a semeadura das principais culturas está próxima do ritmo normal após um atraso no início da temporada. As chuvas de agosto e setembro, porém, serão importantes para o desenvolvimento das lavouras. Lavoura de café no Sul de Minas AME/Divulgação O país também possui grandes reservas de arroz. Segundo a Reuters, os estoques indianos equivalem a mais de um ano das exportações globais do cereal. A China concentra quase metade dos estoques mundiais de trigo. Essa reserva pode ajudar a reduzir a necessidade de importações caso uma eventual seca prejudique a produção da Austrália, uma das principais fornecedoras do mercado internacional. Os estoques globais de óleo de palma também estão próximos de níveis recordes. O produto responde por cerca de 60% das exportações mundiais de óleos comestíveis. Brasil ganhou peso na oferta mundial Além dos estoques, outra mudança importante nas últimas décadas foi o crescimento de novos grandes exportadores agrícolas. O Brasil é um dos principais exemplos. O país se tornou o maior fornecedor mundial de soja, e suas exportações cresceram mais de 13 vezes desde o El Niño de 1997 e 1998. A Rússia também ganhou espaço no mercado agrícola global. As exportações russas de trigo chegaram a 48 milhões de toneladas no ano passado, ante cerca de 1 milhão de toneladas em 1997 e 1998. A maior participação desses países significa que uma eventual quebra de safra em determinadas regiões pode ser parcialmente compensada pela produção de outros grandes fornecedores. Tecnologia aumenta resistência das lavouras A agricultura também passou a contar com ferramentas que praticamente não existiam durante os grandes episódios de El Niño do passado. Híbridos de milho tolerantes à seca foram amplamente adotados na África e nas Américas desde 2015. Variedades de trigo resistentes ao calor e à falta de água também ganharam espaço na Índia e na Austrália. No Sul e no Sudeste Asiático, variedades de arroz de ciclo mais curto ajudam os agricultores a lidar com períodos de chuva mais irregulares. Os produtores também passaram a utilizar satélites, previsões climáticas sazonais, mapas de umidade do solo e sistemas de aplicação de fertilizantes orientados por GPS. Essas ferramentas permitem identificar áreas mais vulneráveis e direcionar água e insumos de maneira mais eficiente. "Os governos têm informações muito melhores do que no passado e conseguem se preparar mais cedo", disse Maximo Torero, economista-chefe da FAO, à Reuters. Agricultores também começam a utilizar plataformas baseadas em inteligência artificial que combinam previsões do tempo, informações sobre o solo e dados das lavouras para recomendar períodos de plantio e irrigação, além da aplicação de fertilizantes e do controle de pragas. Guerras e fertilizantes ainda preocupam Apesar da maior capacidade de resposta, especialistas alertam que o sistema alimentar global continua vulnerável a choques simultâneos. As guerras no Oriente Médio e na região do Mar Negro podem comprometer parte dos ganhos proporcionados por estoques maiores e avanços tecnológicos. A crise no Estreito de Ormuz também afetou o fornecimento de combustíveis e fertilizantes. Antes do bloqueio relacionado à guerra no Irã, a passagem concentrava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo bruto e gás natural liquefeito. Para Maximo Torero, da FAO, os efeitos do El Niño dependerão principalmente da evolução das condições climáticas no segundo semestre de 2026 e dos impactos dos conflitos sobre a disponibilidade e os preços dos insumos agrícolas. Assim, embora o mundo tenha hoje mais estoques, tecnologia e fornecedores capazes de compensar perdas, a combinação de clima extremo, conflitos e custos elevados de produção ainda pode pressionar a oferta e os preços dos alimentos.

Transpetro abre processo seletivo com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil A Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, publicou nesta quarta-feira (12), no Diário Oficial da União (DOU), os editais de seu novo concurso público. Ao todo, são oferecidas 281 vagas imediatas, além de 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades, distribuídas entre 61 cargos e ênfases dos quadros de terra e mar. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp. As oportunidades contemplam profissionais de níveis médio, técnico e superior, com remunerações mínimas garantidas que variam de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde. Ao todo, foram publicados quatro editais. Para o quadro de terra, há um processo seletivo para cargos de nível médio/técnico e outro para nível superior. Já para o quadro de mar, um edital é destinado a oficiais e outro a suboficiais e guarnição. As vagas abrangem áreas como administração, contabilidade, manutenção, enfermagem, engenharia, tecnologia e advocacia, além de cargos marítimos, como auxiliar de saúde, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas, taifeiro e oficiais de máquinas e de náutica. No quadro de terra, a remuneração mínima garantida é de R$ 6.539,54 para nível médio/técnico e de R$ 14.973,62 para nível superior. No quadro de mar, a remuneração mínima garantida varia conforme o cargo, de R$ 5.464 a R$ 15.034,81. O maior valor é oferecido para segundo oficial de náutica. Veja abaixo os editais: ➡️ EDITAL 1 - Mar (auxiliar de saúde, condutor bombeador, condutor mecânico, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas e taifeiro). ➡️ EDITAL 2 - Mar (segundo oficial de máquinas e segundo oficial de náutica) ➡️ EDITAL 3 - Terra (nível médio/técnico) ➡️ EDITAL 4 - Terra (nível superior) As inscrições começam às 10h desta quarta-feira (12) e seguem até as 23h59 de 14 de setembro. As candidaturas devem ser feitas exclusivamente pela internet, no site da Fundação Cesgranrio, banca organizadora dos processos seletivos. A taxa de inscrição varia de acordo com o cargo: R$ 81,50 — nível médio/técnico: auxiliar de saúde, condutor bombeador, condutor mecânico, cozinheiro, eletricista, moço de convés, moço de máquinas, taifeiro e Profissional Transpetro de Nível Médio – Júnior; R$ 117 — nível superior: segundo oficial de máquinas, segundo oficial de náutica e Profissional Transpetro de Nível Superior – Júnior. Candidatos inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde poderam solicitar a isenção da taxa, conforme os prazos estabelecidos nos editais. Terminal da Transpetro em Brasília, no DF. TV Globo Como será o processo seletivo? As etapas de seleção variam de acordo com o quadro — Mar ou Terra — e o nível de escolaridade dos cargos. Os candidatos às oportunidades do quadro de mar passarão por provas objetivas, exame de aptidão física e, quando aplicável, procedimentos de confirmação das condições declaradas para concorrer às vagas reservadas. As provas objetivas terão questões de conhecimentos específicos e gerais. O conteúdo varia conforme o cargo e pode incluir disciplinas como Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Inglês Técnico Marítimo. Já o exame de aptidão física, exclusivo para o Quadro de Mar, será composto por dois testes: Corrida de 12 minutos: distância mínima de 1.800 metros para homens e 1.500 metros para mulheres; Natação: percurso de 25 metros, em estilo livre e sem limite de tempo. Para os cargos do quadro de terra, não haverá exame de aptidão física. A seleção será feita por meio de provas objetivas e, para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas, por uma etapa de confirmação das condições declaradas. No nível médio, as provas terão 60 questões no total, divididas entre 40 questões de conhecimentos específicos, 10 de Língua Portuguesa e 10 de Matemática. Já no nível superior, serão 70 questões: 50 de conhecimentos específicos, 10 de Língua Portuguesa e 10 de Língua Inglesa. A exceção é a ênfase de Advocacia: além das 70 questões objetivas, os candidatos também farão uma prova discursiva, composta por duas questões, de caráter eliminatório e classificatório. Para quem concorrer às vagas reservadas, a seleção prevê avaliação de pessoas com deficiência (PcD), confirmação complementar da autodeclaração de candidatos negros e verificação documental de indígenas e quilombolas. As provas objetivas estão previstas para 29 de novembro e serão aplicadas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal. Os candidatos poderão escolher o local de realização das provas entre as opções disponibilizadas pela banca, independentemente do polo de trabalho para o qual estiverem concorrendo. A duração das provas varia conforme o cargo e o nível de escolaridade: Nível médio — Quadro de Terra: 4 horas; Nível superior — Quadro de Terra: 4 horas e 30 minutos; Advocacia — Quadro de Terra: 5 horas e 30 minutos; Oficiais — Quadro de Mar: 4 horas e 30 minutos. Após a aprovação, os candidatos convocados ainda precisarão comprovar os requisitos exigidos para o cargo e passar por exames médicos admissionais. Para os profissionais do quadro de mar, também está previsto teste toxicológico para detecção de substâncias psicoativas. Onde serão as vagas? No quadro de terra, as oportunidades serão distribuídas entre os polos Norte/Nordeste, Rio de Janeiro, São Paulo e Sul. Para o quadro de mar, as vagas terão abrangência nacional. A distribuição das 281 oportunidades por cargo e polo, assim como os requisitos, etapas de seleção, conteúdo das provas e cronograma, estão detalhados nos editais. Segundo a Transpetro, os processos seletivos terão validade de um ano e meio, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período. Editais com paridade de gênero Os processos seletivos também terão um mecanismo de paridade de gênero na segunda fase. Segundo a companhia, a iniciativa busca reduzir a sub-representação feminina nas carreiras contempladas pelos editais. Atualmente, cerca de 15% dos empregados da Transpetro são mulheres, enquanto os homens representam aproximadamente 85% do quadro. A medida será aplicada apenas na composição da segunda etapa. Para chegar a essa fase, todos os candidatos precisarão atingir a nota mínima exigida na primeira etapa. A classificação final continuará considerando o desempenho dos participantes. Cotas definidas antes dos editais Antes da publicação dos quatro editais, foi realizado um sorteio para definir os cargos, áreas e polos aos quais serão destinadas determinadas vagas reservadas a grupos étnico-raciais e pessoas com deficiência (PcD). De acordo com a Transpetro, 30% das vagas e do cadastro de reserva serão destinados a grupos étnico-raciais, distribuídos da seguinte forma: 25% para pessoas pretas e pardas; 3% para indígenas; 2% para quilombolas. Outros 10% são reservados a pessoas com deficiência. Os editais estabelecem, inclusive, a aplicação da reserva de 10% também na formação do cadastro de reserva. O sorteio foi realizado nos casos em que a quantidade de vagas por cargo, ênfase ou polo não permitia alcançar automaticamente os percentuais de reserva previstos na legislação. O procedimento não selecionou candidatos nem interfere na classificação nas provas. Ele serviu para definir a alocação das vagas reservadas entre os cargos, ênfases e polos. 📅 Cronograma Inscrições: 12 de agosto a 14 de setembro Pedido de isenção da taxa: 12 a 19 de agosto Cartão de confirmação/Local de prova: 24 de novembro Aplicação das provas: 29 de novembro Divulgação dos gabaritos: 30 de novembro Recursos contra questões/gabaritos: 30 de novembro e 1º de dezembro de 2026 Resultados finais: 23 de março de 2027 (Terra) e 27 de abril de 2027 (Mar) Aprovado em 1º lugar no CNU 2025 tem posse negada por divergência sobre a formação
Órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo querem que bets sejam obrigadas a informar risco de perda para apostadores. Arquivo/Agência Brasil Um grupo de trabalho formado por representantes de diferentes órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo apresentou, na última semana, uma proposta inédita ao Ministério da Fazenda que prevê que sites e aplicativos de bets sejam obrigados a mostrar o risco de perda para apostadores antes da realização da aposta. Em sua justificativa, o Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (CINDEC) afirmou que sites e aplicativos de apostas praticam uma publicidade enganosa por omissão — quando um anúncio deixa de informar um dado essencial sobre um produto ou serviço. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp "Tudo aquilo que é imprescindível para a escolha do consumidor tem que ser informado. Se ele [fornecedor] omite um dado indispensável para a decisão, aquela publicidade é enganosa por omissão", explicou a promotora de Justiça Sandra Lengruber da Silva, coordenadora do Núcleo de Atendimento ao Superendividado do Ministério Público do Espírito Santo. Segundo ela, a obrigatoriedade de apresentar informações completas sobre serviços e produtos já é prevista em lei, e inclui casas de apostas. No entanto, bets não têm cumprido a regra, indicando a necessidade de uma medida direta sobre o tema. LEIA TAMBÉM: Crise na Apex Partners: entenda afastamento de presidente e blindagem na Justiça "A gente entende que isso já é obrigatório pelo próprio Código de Defesa do Consumidor, independentemente da atividade econômica. Só que, no caso das bets, as ofertas não trazem o risco da aposta. Acreditamos que uma normativa mais específica iria fortalecer essa obrigação”, completou. Agora no g1 Cálculo padrão e mesmo destaque que 'odds' Para garantir que os apostadores tenham acesso a informações completas antes de finalizar a aposta e consumir o produto oferecido, a proposta do CINDEC sugere que as plataformas de bets realizem um contrabalanço de informações a partir de três pontos: Fórmula matemática obrigatória: O ofício sugere a criação de uma fórmula padrão regulamentada pelo governo para o cálculo da probabilidade de perda. Esse cálculo deve ser feito a partir das próprias cotas (odds) oferecidas pela plataforma, garantindo que o apostador veja o percentual real de risco antes de confirmar qualquer lance. O mesmo peso visual do prêmio: A regra exige o chamado "contrabalanço informacional". Na prática, as bets seriam obrigadas a exibir a chance de perda com idêntico destaque espacial e gráfico das odds de ganho. Ou seja: a informação sobre o prejuízo provável deve ter o mesmo tamanho de letra, cor e visibilidade que o valor do prêmio prometido. Alerta de confirmação acima de 80%: Para apostas onde a probabilidade de perda calculada pela fórmula padrão seja superior a 80%, a plataforma deve integrar uma mensagem de confirmação específica ao fluxo da aposta. Esse alerta deve avisar explicitamente sobre o alto risco financeiro antes que o usuário finalize a operação. Como exemplo, o documento analisou uma aposta de odds de 17 — que promete pagar 17 vezes o valor apostado. No entanto, segundo o grupo de trabalho, o anúncio esconde o alto risco financeiro, uma vez que a probabilidade de perda é de aproximadamente 94%. "O consumidor que aposta R$ 10 pensa: 'Eu vou receber R$ 170. Nossa, então é um super negócio, é maravilhoso porque eu vou receber 17 vezes mais'. Só que essa mesma oferta não traz o risco. E quando buscamos uma análise técnica, ele é, na verdade, altíssimo. Nesse caso que a gente analisou , ele teria 94% de chance de perder. Isso é muito", explicou Sandra Lengruber. Sede do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) TV Gazeta Próximos passos O documento foi assinado por representantes do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), do Procon-ES, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), da Defensoria Pública do Estado e da Procuradoria-Geral do Estado. Como não existe um prazo legal para que o Ministério da Fazenda responda a sugestão, o grupo trabalha para que a proposta seja analisada e, futuramente, incorporada à regulamentação nacional através de um ato normativo da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF). O que disse o Ministério da Fazenda Procurado pelo g1, o Ministério da Fazenda confirmou que a proposta foi recebida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Por nota, a pasta informou que a Secretaria possui uma agenda voltada ao "aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor de apostas de quota fixa" e que avalia permanentemente a necessidade de aperfeiçoamentos. Veja a nota na íntegra: "A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) informa que recebeu a proposta encaminhada pelo Centro Integrado de Defesa do Consumidor do Espírito Santo (Cindec) para análise no âmbito das competências da Secretaria, juntamente com as demais manifestações eventualmente apresentadas sobre o tema. A legislação brasileira estabelece que a exploração de apostas de quota fixa deve observar medidas de proteção aos apostadores e de promoção do jogo responsável. Nos termos da Lei nº 14.790/2023, os agentes operadores devem adotar sistemas e processos para monitorar a atividade dos apostadores desde a abertura da conta, com o objetivo de identificar sinais de dano ou de potencial dano associado ao jogo. Esse monitoramento deve considerar os valores gastos, os padrões de gastos, o tempo dedicado às apostas, os comportamentos observados, as interações do apostador com a plataforma, entre outros aspectos. A partir desses indicadores, os operadores devem ser capazes de identificar comportamentos potencialmente problemáticos e adotar medidas de prevenção e mitigação de riscos. Já a Portaria SPA/MF nº 1.231/2024 detalha essas obrigações e estabelece uma série de mecanismos de proteção ao apostador e à promoção do jogo responsável, de forma a garantir que as práticas de jogos e apostas sejam realizadas de forma segura, saudável e consciente, prevenindo vícios e protegendo os consumidores apostadores, especialmente os mais vulneráveis. Entre eles, estão o monitoramento do comportamento de jogo, a realização de autotestes, a disponibilização de ferramentas de autolimitação e os mecanismos de suspensão e autoexclusão da conta. O apostador deve estabelecer limites para o tempo e os valores destinados às apostas, e podem suspender sua conta ou optar pela autoexclusão, inclusive por prazo indeterminado. Essas ferramentas foram estruturadas para ampliar a capacidade de o próprio apostador controlar sua atividade. Ao mesmo tempo, os agentes operadores têm o dever de monitorar continuamente o comportamento de seus usuários e, diante da identificação de sinais de comportamento potencialmente problemático, adotar as medidas previstas na regulamentação, inclusive alertando o apostador e oferecendo mecanismos de alertas, suspensão ou de exclusão. A Secretaria possui uma Agenda Regulatória voltada ao aperfeiçoamento contínuo da regulamentação do setor de apostas de quota fixa. A SPA realiza o monitoramento contínuo da implementação dessas normas e avalia permanentemente a necessidade de aperfeiçoamentos regulatórios, com base em critérios técnicos, evidências e nas contribuições recebidas". Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Álcool, cigarro e home office: quais os limites da postura no trabalho remoto Bastaram alguns segundos de uma sessão virtual para desencadear uma investigação disciplinar no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O juiz Milton Lívio Lemos Salles apareceu diante da câmera bebendo vinho e fumando durante um julgamento. Um dia depois, foi afastado pela Corregedoria-Geral de Justiça, que também abriu uma sindicância para apurar os fatos. Os processos sob sua relatoria serão redistribuídos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O episódio chamou atenção pela conduta do magistrado. Mas outro detalhe também passou a fazer parte das discussões nas redes sociais: ele participava de uma sessão virtual fora do tribunal. E é justamente aí que surgem dúvidas cada vez mais comum com a expansão do trabalho remoto: quando o expediente acontece dentro da própria residência, as regras continuam as mesmas? O home office dá mais liberdade do que o trabalho presencial? Afinal, uma pessoa pode beber álcool durante uma reunião porque está em casa? O que aparece em uma videoconferência pode ser usado como prova em uma investigação ou processo disciplinar? E as consequências mudam quando quem está do outro lado da tela é um trabalhador contratado pela CLT ou um magistrado responsável por julgar processos? Especialistas em Direito do Trabalho e em Direito da Magistratura ouvidos pelo g1 explicam quais regras se aplicam a cada caso e quais condutas podem gerar consequências profissionais durante o trabalho remoto. Veja abaixo: O que dizem as regras para magistrados e trabalhadores CLT? E quando o trabalho é remoto? CLT estabelece punições ou pode dar direta à justa causa? Há punições ou consequências estabelecidas para magistrados? Empresas podem estabelecer regras próprias? Juiz foi afastado após beber e fumar em sessão virtual g1 O que dizem as regras para magistrados e trabalhadores CLT? Para trabalhadores contratados pela CLT, o consumo de álcool durante a jornada pode ter consequências disciplinares, mas a resposta depende das circunstâncias de cada caso. A advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho explica que o empregador pode considerar fatores como o impacto da conduta sobre o trabalho, as regras internas da empresa e eventuais prejuízos causados pela situação. O contexto também é importante para diferenciar o simples consumo de álcool de situações de embriaguez ou de comprometimento da capacidade de trabalho. 🔎 Há ainda uma diferença importante quando existe dependência alcoólica. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconhece que o alcoolismo pode ser tratado como doença, e não simplesmente como falta disciplinar. O cigarro é tratado de forma diferente. Apesar de poder contrariar regras internas das empresas ou ser considerado inadequado em determinadas situações profissionais, o consumo de cigarro, isoladamente, costuma resultar em medidas mais brandas, como advertências. Segundo a advogada, isso ocorre porque o álcool pode afetar diretamente a capacidade de trabalho, enquanto fumar costuma ser tratado como descumprimento das regras da empresa. No caso dos magistrados, a discussão vai além do simples ato de beber ou fumar. A especialista em direito da magistratura Daniela Poli Vlavianos explica que a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) estabelece o dever de o juiz manter "conduta irrepreensível na vida pública e particular". O Código de Ética da Magistratura também prevê deveres ligados à dignidade, ao decoro, à prudência e à integridade da função jurisdicional. Por isso, segundo ela, o consumo de bebida alcoólica durante um julgamento pode ser visto de forma diferente do consumo na vida privada, já que ocorre enquanto o magistrado exerce uma função pública e participa de decisões que afetam os direitos das pessoas. E quando o trabalho é remoto? A resposta dos especialistas à ideia de que o trabalho remoto dá mais liberdade durante o expediente é praticamente unânime: não. No caso dos CLTs, a residência passa a funcionar como local de trabalho durante o expediente. Por isso, as regras de comportamento continuam valendo normalmente. "A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto", afirma Gabriela. Isso significa que o trabalhador continua sujeito às políticas internas da empresa mesmo quando está em casa. Para os magistrados, a lógica é semelhante. Segundo os especialistas, uma das principais confusões geradas pelo trabalho remoto é acreditar que estar em casa transforma uma atividade profissional em uma atividade privada. No caso dos juízes, o entendimento é justamente o contrário. "O ambiente físico pode ser particular, mas o espaço jurídico é público e institucional", afirma Vlavianos. O CNJ possui normas que determinam que audiências e julgamentos realizados por videoconferência sigam regras semelhantes às dos atos presenciais. As resoluções também exigem vestimenta adequada para magistrados durante atividades oficiais remotas. O também especialista em direito da magistratura Thiago Massicano lembra que uma videoconferência pode servir como elemento de prova. No ambiente corporativo, gravações e registros de reuniões podem embasar procedimentos disciplinares. No Judiciário, a própria gravação da sessão pode ser analisada em uma apuração administrativa. "Há ainda um agravante prático: a sessão virtual é gravada e transmitida, de modo que a conduta se torna documentalmente incontroversa e alcança projeção pública imediata, ampliando o dano à imagem institucional do Judiciário". " O magistrado que julga de casa não transforma o ato estatal em ambiente doméstico: ele leva a solenidade do Estado para dentro de sua residência. As normas específicas sobre videoconferência, tanto do CNJ quanto do TJMG, foram editadas justamente para impedir a informalização do rito, exigindo vestimenta adequada, ambiente neutro e dedicação exclusiva ao ato", reforça Massicano. CLT estabelece punições ou pode dar direta à justa causa? Dependendo das circunstâncias, sim. Gabriela explica que a comprovação de que um empregado consumiu bebida alcoólica durante o trabalho pode justificar até mesmo a demissão por justa causa, desde que não se trate de um quadro de alcoolismo reconhecido como doença. A exposição diante de clientes ou parceiros comerciais e eventuais prejuízos ao empregador podem agravar o cenário. Com o cigarro, a avaliação tende a ser diferente. A especialista afirma que fumar ou usar vape durante uma videoconferência pode gerar advertências e outras medidas disciplinares, mas normalmente não seria suficiente, por si só, para justificar uma demissão por justa causa. Ela ressalta, porém, que cada situação depende do contexto e das regras internas da empresa. Juiz Milton Lívio Lemos Salles apareceu em sessão do TJMG bebendo vinho e fumando Reprodução Há punições ou consequências estabelecidas para magistrados? Sim. A Loman e as normas disciplinares do CNJ preveem desde advertência até punições mais severas, como remoção compulsória, disponibilidade e outras sanções previstas na legislação da magistratura. A definição de uma eventual punição depende de fatores como a gravidade da conduta, a existência de reincidência, o eventual comprometimento da atividade jurisdicional, os prejuízos causados e os reflexos para a imagem do Poder Judiciário. Por isso, especialistas ressaltam que não é possível antecipar o desfecho do caso envolvendo o magistrado mineiro apenas com base nas imagens que se tornaram públicas. Vlavianos e Massicano também lembram que há precedentes de responsabilização disciplinar de magistrados por comportamentos considerados incompatíveis com os deveres do cargo e com a dignidade da função, embora não tenham identificado um caso idêntico ao episódio investigado pelo TJMG. Antes de qualquer sanção, será preciso apurar circunstâncias como o contexto da gravação, eventual comprometimento funcional, antecedentes e outros elementos do caso. "A responsabilização depende da apuração do contexto integral da gravação. Será necessário confirmar o conteúdo da garrafa, verificar se houve consumo de bebida, se o magistrado apresentava sinais de alteração de sua capacidade e se a conduta interferiu na condução ou na imagem de regularidade do julgamento. A gravação constitui um elemento relevante, mas a punição exige contraditório, ampla defesa e decisão fundamentada", afirma Vlavianos. Empresas podem estabelecer regras próprias? Especialistas em direito trabalhista explicam que as empresas têm autonomia para criar políticas internas de conduta, inclusive para trabalhadores que exercem suas atividades remotamente. 🔎 Essas normas podem tratar de comportamento em reuniões, uso da imagem corporativa, participação em videoconferências, consumo de álcool durante o expediente e outras situações relacionadas ao desempenho profissional. Na prática, o fato de o empregado estar em casa não impede a aplicação dessas regras. Durante a jornada, ele continua representando a empresa e exercendo suas funções normalmente. Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG

'Presenteísmo': por que tantos profissionais continuam trabalhando mesmo doentes? Trabalhar mesmo doente, ignorar sintomas e seguir a rotina apesar da recomendação médica é uma realidade para muitos brasileiros. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 André Cabral, de 45 anos, é um deles. Com 25 anos de atuação no setor de bares e restaurantes, enfrentou jornadas de até 15 horas por dia e colocou o trabalho acima da própria saúde, mantendo as atividades mesmo quando estava doente — comportamento que caracteriza o "presenteísmo". 🤔 Mas o que é presenteísmo? É o fenômeno em que o trabalhador continua exercendo suas funções mesmo sem condições físicas ou mentais adequadas. Embora esteja presente no ambiente de trabalho — ou conectado durante o expediente —, não consegue desempenhar plenamente suas atividades. Durante sete anos, André atuou como gerente-geral de uma rede de restaurantes e açougues em São Paulo, em que era responsável por cerca de 100 funcionários. As jornadas frequentemente ultrapassavam 12 horas por dia e, em algumas ocasiões, chegavam a 36 horas seguidas. "Eu passei praticamente seis anos trabalhando loucamente, no mínimo 12 a 15 horas por dia, muitas vezes sem folga", relata. Mesmo quando adoecia, evitava se afastar porque acreditava que sua ausência comprometeria a operação. Após ficar internado por 21 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por causa da Covid-19, voltou ao trabalho apenas quatro dias após receber alta da UTI. Também adiou por anos uma cirurgia para tratar uma hérnia por receio de se afastar do trabalho. A sobrecarga e os conflitos no ambiente corporativo acabaram afetando sua saúde mental. Com o tempo, recebeu o diagnóstico de burnout, passou a tomar antidepressivos, ansiolíticos e medicamentos para dormir e, mais tarde, desenvolveu hipertensão. "Minha saúde ficou em segundo plano. Eu achava que, se parasse por 15 dias, a operação não iria funcionar", diz. Pouco tempo depois de sofrer um acidente de trabalho e torcer o pé durante o expediente, André foi demitido em uma chamada de vídeo. Atualmente, move uma ação na Justiça contra a antiga empregadora. André Cabral, de 45 anos, colocou o trabalho acima da própria saúde, mantendo as atividades mesmo quando estava doente. Arquivo Pessoal Hoje, em um novo emprego, com jornada reduzida e menos responsabilidades, André afirma ter recuperado parte da qualidade de vida, embora ainda faça acompanhamento médico. A experiência mudou sua forma de enxergar o trabalho. A gente se sacrifica demais por um CNPJ. No fim, nenhum CNPJ vale o nosso CPF. Trabalho a gente recupera. Saúde, muitas vezes, não." O presenteísmo nas empresas Levantamentos recentes mostram que o presenteísmo tem se tornado uma preocupação crescente no mercado de trabalho brasileiro, impulsionado pela sobrecarga, pelo medo da demissão e pelo aumento dos problemas relacionados à saúde mental. Uma pesquisa da Heach Recursos Humanos mostra que 70,3% dos entrevistados afirmaram já ter trabalhado mesmo acreditando que deveriam descansar por motivos de saúde. Entre eles, o principal motivo foi evitar sobrecarregar colegas de equipe (35,4%), seguido pela percepção de que o problema de saúde não era grave (27,9%). O comportamento trouxe consequências: 39,7% disseram que o quadro de saúde piorou, enquanto 32% afirmaram que demoraram mais para se recuperar. Além disso, apenas 26,4% consideram que suas empresas incentivam claramente o afastamento quando necessário, e 89,4% acreditam que trabalhar doente aumenta o risco de erros ou acidentes. (saiba mais abaixo) Trabalhar doente é realidade para a maioria dos brasileiros Arte g1 Os números vão ao encontro dos resultados do Censo de Saúde Mental 2025, da Vittude. O estudo identificou um índice de presenteísmo de 32% entre os trabalhadores avaliados. Pesquisas da Pluxee também apontam a sobrecarga como parte da rotina de muitos trabalhadores. Apenas 40% conseguem fazer pausas regulares durante o expediente, enquanto outros 40% interrompem as atividades apenas quando encontram tempo. Os 20% restantes afirmam não conseguir fazer pausas ao longo da jornada. O levantamento mostra ainda que 28% já mudaram de emprego por questões relacionadas à saúde mental. Para a diretora de Recursos Humanos (CHRO) da Flash, Isadora Gabriel, o presenteísmo é um dos desafios mais silenciosos enfrentados pelas organizações porque nem sempre é percebido. "O profissional está presente, participa das reuniões e cumpre sua jornada. Mas estar no escritório ou online não significa estar em condições de entregar o melhor desempenho", explica a especialista. Segundo a executiva, à medida que o desengajamento aumenta, cresce também a perda de produtividade. Quando colaboradores continuam trabalhando mesmo emocionalmente esgotados, aumentam os riscos de erros, queda de eficiência e agravamento do quadro de saúde." Na avaliação de Isadora, investir em saúde mental e preparar lideranças para identificar sinais de esgotamento são estratégias para reduzir perdas e construir ambientes de trabalho mais saudáveis. Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, os resultados das pesquisas reforçam a necessidade de uma mudança cultural para que os trabalhadores possam cuidar da própria saúde sem receio de prejudicar a carreira ou a imagem profissional. Os males invisíveis do trabalho remoto para a saúde mental Adobe Stock Impactos de trabalhar doente Para o médico do trabalho Ricardo Pacheco, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Segurança e Saúde no Trabalho (Abresst), o presenteísmo é um fenômeno silencioso e mais difícil de identificar do que o absenteísmo, que corresponde à ausência do trabalhador. "É o corpo presente e a mente ausente. A pessoa está no posto de trabalho, mas com a capacidade de entrega comprometida", diz o especialista. Na avaliação de Pacheco, o presenteísmo aumenta o risco de acidentes. Segundo o médico, trabalhadores com febre, dores intensas ou sob efeito de medicamentos podem apresentar perda de reflexos, dificuldade de concentração e maior probabilidade de cometer erros, especialmente em atividades como transporte, indústria e agronegócio. Um profissional experiente que começa a esquecer procedimentos básicos ou comete erros repetidos pode estar sofrendo com exaustão física ou mental." Os impactos também são sentidos pelas empresas. Pacheco afirma que o presenteísmo pode gerar custos superiores aos do absenteísmo por provocar retrabalho, acidentes, queda de produtividade e até a disseminação de doenças entre colegas. A pandemia de Covid agravou o problema, diz o especialista. O trabalho remoto impulsionou o chamado "presenteísmo digital", quando profissionais continuam trabalhando mesmo doentes em frente ao computador. Ao mesmo tempo, setores como indústria, logística e agronegócio enfrentam uma pressão crescente por produtividade, o que dificulta o afastamento para cuidados médicos. Assédio moral no trabalho pode causar consequências na saúde mental e física da vítima Freepik O que diz a legislação Para a advogada trabalhista Elisa Alonso, o presenteísmo pode trazer consequências tanto para o trabalhador quanto para a empresa. Segundo ela, quando o empregador recebe um atestado médico, não deve permitir que o funcionário continue trabalhando, já que a finalidade do afastamento é justamente garantir sua recuperação. Autorizar ou exigir a continuidade das atividades pode agravar o quadro de saúde e gerar consequências trabalhistas para o empregador, especialmente quando houver prejuízos ao trabalhador." A especialista explica que a aptidão para o retorno ao trabalho é uma decisão médica e que o empregador não pode determinar que o funcionário volte antes do prazo indicado pelo profissional de saúde. Ela acrescenta que contatos pontuais sobre questões administrativas podem ocorrer durante a licença, mas o trabalhador não deve ser cobrado para executar tarefas, cumprir metas ou participar normalmente das atividades da empresa durante o período de afastamento. Segundo Elisa, trabalhar durante a licença médica pode retardar a recuperação, agravar a doença e aumentar o risco de enfermidades ocupacionais, além de comprometer a produtividade e elevar as chances de erros e acidentes. A advogada orienta que trabalhadores pressionados a continuar trabalhando mesmo doentes comuniquem formalmente o afastamento ao empregador, guardem mensagens, e-mails e outros documentos que comprovem eventuais cobranças e, se necessário, busquem orientação jurídica. Segundo a especialista, é possível recorrer à Justiça do Trabalho em casos de: Exigência de trabalho durante o afastamento médico; Pressão para que o empregado trabalhe mesmo sem condições de saúde; Descontos indevidos por faltas justificadas; Punições pelo exercício de direitos trabalhistas; Assédio relacionado à condição de saúde; Demissão discriminatória em razão da doença ou do afastamento; Prejuízos decorrentes de condutas ilícitas do empregador. Antes de recorrer à Justiça, a recomendação é reunir provas que demonstrem os fatos e que a empresa tinha conhecimento da condição de saúde do trabalhador. "Caso o trabalhador sofra ameaças, constrangimentos, pressão para trabalhar durante a licença ou uma dispensa possivelmente discriminatória, a situação poderá ser avaliada pela Justiça do Trabalho", completa a especialista. Ela também destaca que transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout merecem a mesma atenção que doenças físicas e podem justificar afastamentos quando houver indicação médica. Para a advogada, combater o presenteísmo exige uma mudança cultural nas empresas, com ambientes de trabalho mais saudáveis, respeito aos períodos de recuperação e compreensão de que o afastamento médico faz parte do tratamento e não deve ser encarado como falta de comprometimento. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

Projeto de 'avião-arraia' promete tornar voos mais baratos; veja como ele será O projeto de uma nova aeronave tem atraído investidores com um visual que integra a área central às asas em um único componente. A promessa é de que a mudança ajudará companhias aéreas a economizar combustível em voos. Com um visual comparado ao de uma arraia, o avião Z4 está sendo desenvolvido pela americana JetZero. A empresa planeja realizar o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027 e iniciar o uso comercial no início da década de 2030. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Baseada na Califórnia, a JetZero anunciou em julho um acordo de US$ 3 bilhões com o governo dos Estados Unidos para financiar a construção de sua fábrica na Carolina do Norte. A fábrica servirá para acelerar a criação do avião que foge do padrão usado há décadas e pode representar a maior transformação no design de aeronaves desde o antigo Concorde, que deixou de operar em 2003. O Z4 está sendo projetado para transportar cerca de 250 passageiros distribuídos em seis seções dentro da cabine e oferecer um compartimento de bagagens para cada assento. Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4 Divulgação/JetZero Em vez das janelas ao lado dos assentos, passageiros terão telas que oferecerão uma visão externa com um sistema de câmeras de alta definição. A iluminação natural virá de duas claraboias que ficarão perto das primeiras fileiras. A JetZero afirma que o avião poderá fazer voos de até 5.000 milhas náuticas, cerca de 9.200 km – para se ter uma ideia, a distância de voos entre São Paulo e Madri, na Espanha, é de cerca de 8.400 km. A fabricante diz que o estilo "arraia" melhorará a aerodinâmica do Z4 e fará com que a aeronave reduza o consumo de combustível em 30% a 50% em relação a modelos como o Boeing 787. Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos Divulgação/JetZero Segundo o Wall Street Journal, críticos do projeto apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto durante curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo. Outra preocupação é a saída de passageiros, já que as portas serão posicionadas em locais diferentes do padrão, o que dificultaria a adaptação em aeroportos projetados para aviões convencionais. Ainda de acordo com o jornal, a JetZero espera desenvolver o Z4 mais rapidamente ao usar componentes usados em outros aviões e que, por isso, já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA), que regula o setor de aviação no país. A fabricante tem acordos com companhias aéreas como a United Airlines, que planeja comprar 200 unidades do Z4. Empresas como a Delta e a Alaska Airlines também estão apoiando o projeto. Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Reprodução/JetZero Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero Divulgação/JetZero

Jeep lança o Avenger no Brasil Divulgação / Stellantis A Jeep do Brasil vai lançar nesta quarta-feira (12) o Avenger. O modelo mais importante da marca chega com motor T200 híbrido leve (MHEV) de 12V em todas as versões. O g1 acompanha o lançamento e vai trazer todas as informações durante o dia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Jeep ainda não divulgou oficialmente os dados técnicos do conjunto mecânico do Avenger, mas a motorização é a mesma utilizada no Fiat Pulse Audace 1.0 Turbo Hybrid. No Pulse, o motor 1.0 turbo de três cilindros gera 125 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, tanto com gasolina quanto com etanol. Jeep Avenger é apresentado no Salão do Automóvel 2025 O sistema híbrido leve do Avenger também conta com um motor elétrico de 4 cv e 1 kgfm de torque, além de uma bateria de 0,132 kWh. Ainda não foram divulgados dados oficiais de consumo do Jeep Avenger. Como referência, a ficha técnica do Fiat Pulse informa consumo de 9,3 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, os números são de 13,4 km/l e 14,4 km/l, respectivamente. Plataforma e dimensões A plataforma do Jeep é a CMP, também utilizada em modelos da Citroën e da Peugeot. As medidas do Jeep Avenger ainda não foram confirmadas, mas o modelo tem porte semelhante ao do Fiat Pulse. O SUV será produzido em Porto Real (RJ) e será o primeiro veículo híbrido MHEV fabricado na unidade. Galerias Relacionadas Design e cabine O Avenger terá as tradicionais sete fendas da Jeep iluminadas na dianteira e lanternas traseiras em formato de X. O desenho também inclui caixas de rodas trapezoidais, para-choques descritos pela marca como robustos, barras de teto, pintura em duas cores e rodas de liga leve de 18 polegadas com acabamento diamantado. A Jeep também destaca os ângulos de ataque e de saída e a altura em relação ao solo, mas ainda não confirmou essas medidas. Painel do novo Jeep Avenger Divulgação / Stellantis Segundo a Jeep, o interior foi desenvolvido com foco em ergonomia e conforto. A marca destaca a escolha dos materiais, os acabamentos, as formas e as texturas da cabine. O interior também terá uma assinatura luminosa, com iluminação integrada ao desenho. Segundo a marca, a cabine terá tecnologias intuitivas e uma ambientação voltada ao conforto. Entre os recursos tecnológicos anunciados para o modelo está um assistente de voz com ChatGPT embarcado, desenvolvido em parceria com a OpenAI. A Jeep afirma que o sistema permitirá aos ocupantes interagir com recursos de inteligência artificial a bordo.

O dinheiro do bônus da usina de Itaipu deve ajudar dar um alívio temporário nas contas de luz em agosto e reduzir o impacto da energia sobre a inflação do mês, avalia o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 🔎 O bônus é uma forma de devolver aos consumidores o dinheiro que sobra da operação de Itaipu. A usina é administrada conjuntamente pelo Brasil e pelo Paraguai e está entre as maiores hidrelétricas do mundo. (Veja mais detalhes) O valor do bônus varia de acordo com o consumo de cada unidade e será aplicado diretamente na fatura. Não é necessário fazer cadastro ou solicitar o benefício. Os dados da inflação divulgados nesta terça-feira (11), referentes a julho, mostram que o grupo de despesas com habitação, o que inclui a energia elétrica, teve a maior alta entre grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto, de 0,99%. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento da conta de energia elétrica. 📈 A energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, após alta de 1,53% em junho, e respondeu sozinha por 0,13 ponto percentual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. 💰 Nos sete primeiros meses do ano, os consumidores enfrentaram quatro meses de bandeira tarifária verde, em que não há custos adicionais, e três meses de bandeira amarela, que acrescenta R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. Lucro de Itaipu deve dar alívio temporário para as contas de luz em agosto TV Verdes Mares/Reprodução Fernando Gonçalves, gerente do IBGE, explica que a cobrança adicional das bandeiras tarifárias já representa um diferencial na conta do consumidor final. A esse efeito se somam os reajustes concedidos pelas concessionárias De acordo com ele, desde abril diferentes distribuidoras passaram por reajustes, parte deles já incorporada ao cálculo da inflação. Em julho, um dos destaques foi Curitiba, por causa do reajuste aplicado na cidade. “De abril para cá, as concessionárias concederam reajustes e, boa parte delas, já foi apropriada" explicou Gonçalves ao g1. "Neste mês agora [julho], só destacamos Curitiba por conta do reajuste que houve lá", complementou, destacando que foi o maior até o momento. O diretor do IBGE disse que o comportamento observado em anos anteriores ajuda a explicar o efeito esperado do bônus de Itaipu sobre a inflação. Isso porque, com a apropriação do bônus de Itaipu, percebe-se uma queda na inflação desse setor. No mês seguinte, porém, há uma alta, porque o bônus incide apenas naquele período. Bônus de Itaipu Aprovado em junho pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o bônus de Itaipu é de R$ 872,1 milhões e constará nas contas de energia emitidas entre 1º e 31 de agosto. Para ter direito ao benefício, é preciso ter registrado consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025. O crédito será referente aos meses em que o consumo ficou abaixo desse limite. O benefício contempla consumidores das classes residencial e rural. A parcela brasileira da energia gerada pela usina é comercializada no mercado. Os excedentes financeiros dessa operação são destinados aos consumidores na forma do bônus, conforme previsto na legislação.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.043 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (11), em São Paulo. Uma aposta simples de Alvorada d'Oeste, em Rondônia, acertou as seis dezenas e levou o prêmio de R$ 3 milhões para casa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 10 - 11 - 16 - 37 - 42 - 53 1 aposta ganhadora: R$ 3.077.413,08 5 acertos: 48 apostas ganhadoras, R$ 20.836,65 4 acertos: 3.746 apostas ganhadoras, R$ 440,09 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3043 da Mega-Sena. Reprodução/Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Taxa de desemprego fica em 5,4%, em junho O desemprego entre os jovens aumentou no mundo em 2025, em meio ao crescimento econômico mais fraco, às tensões geopolíticas e à criação lenta de empregos. O cenário tem dificultado a entrada de jovens no mercado de trabalho e pode se agravar com os avanços da inteligência artificial (IA), alertou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta quarta-feira (12), reportou a Reuters. A taxa global de desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos subiu para 12,4% no ano passado, ante 12,3% em 2023. O percentual equivale a 67 milhões de jovens desempregados em todo o mundo, segundo um novo relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por questões trabalhistas. Segundo o documento, o aumento interrompeu a melhora observada após a pandemia de Covid-19 e refletiu uma piora tanto na quantidade quanto na qualidade das vagas disponíveis para os jovens. O evento vai reunir cerca de 1,5 mil vagas de emprego Reprodução A OIT também apontou que a parcela de jovens que não trabalham, não estudam e não estão em cursos de formação profissional aumentou ligeiramente, chegando a 20%. Isso representa mais de 257 milhões de pessoas. "O cenário está piorando praticamente em todo lugar", afirmou o relatório. A taxa de desemprego entre jovens aumentou entre 2023 e 2025 em oito das 11 sub-regiões analisadas pela OIT. O avanço foi registrado tanto em países ricos quanto em economias de renda média e baixa, escreveu a Reuters. Países árabes e norte da África são os mais afetados O maior índice de desemprego entre jovens foi registrado nos Estados Árabes, com 26,2%, seguido pelo norte da África, com 22,6%. Algumas das maiores deteriorações, porém, ocorreram em economias mais ricas. Na América do Norte, a taxa de desemprego entre jovens subiu de 8,3% em 2023 para 9,8% em 2025. No norte, sul e oeste da Europa, o índice ficou em 15%. A OIT chamou atenção para a redução das vagas que exigem um nível intermediário de qualificação, como funções de escritório e administrativas, vendas e empregos na indústria. Esses trabalhos tradicionalmente funcionam como uma porta de entrada no mercado de trabalho para jovens que acabaram de concluir o ensino médio ou a universidade. A redução dessas oportunidades significa que há mais jovens disputando um número menor de vagas, aumentando o tempo de espera para conseguir emprego e o desemprego entre aqueles com formação de nível médio, segundo o relatório. Inteligência artificial pode aumentar pressão sobre empregos Essa tendência pode se intensificar à medida que a inteligência artificial transforme o ambiente de trabalho, trouxe a Reuters. A OIT estima que 6,1% dos empregos ocupados atualmente por pessoas de 15 a 29 anos estão em áreas particularmente expostas às mudanças provocadas pela IA. Isso significa que são funções nas quais ferramentas de inteligência artificial podem substituir parte das tarefas realizadas hoje por trabalhadores ou mudar significativamente a forma como o trabalho é feito. Eleições 2026: fake news e inteligência artificial desafiam Justiça Eleitoral Se apenas 10% desses empregos fossem completamente eliminados, cerca de 5,6 milhões de jovens trabalhadores poderiam enfrentar desemprego, ter de mudar de carreira ou deixar o mercado de trabalho. A maior parte desse impacto ocorreria em países de alta renda. A OIT ressaltou que ainda há incerteza sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho no longo prazo, mas afirmou que os riscos não devem ser subestimados. Ao mesmo tempo, o número de vagas em áreas que exigem maior qualificação, como ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação, continua crescendo na maioria dos países. Nos países em desenvolvimento, porém, muitos jovens não têm condições financeiras de permanecer desempregados por muito tempo e acabam aceitando trabalhos mais instáveis e sem garantias. Quase nove em cada dez jovens trabalhadores em países de baixa e média-baixa renda estão em empregos informais, segundo a OIT. São trabalhos que, em geral, oferecem menos proteção trabalhista e acesso mais limitado a benefícios e mecanismos de proteção social.

Recuperação extrajudicial: empresa garante operação normal e sem demissões A Alliança Saúde informou nesta terça-feira (11) que a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo autorizou o início do processo de recuperação extrajudicial da companhia e das demais empresas envolvidas. O valor da dívida ultrapassa o R$ 1 bilhão. A decisão foi publicada na segunda-feira (10), dentro do processo que analisa o pedido de aprovação do plano de recuperação financeira apresentado pelo grupo. O processo tramita sob o nº 4144507-69.2026.8.26.0100. Ao analisar o pedido, a Justiça entendeu que os requisitos previstos em lei foram cumpridos e permitiu que todas as empresas envolvidas sejam tratadas conjuntamente no processo. Grupo Alliança, dono de marcas como o laboratório CDB, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 1,1 bilhão Divulgação A decisão também considerou a forte integração entre as empresas nas áreas operacional, administrativa, financeira e patrimonial. Isso permite que a situação do grupo seja analisada de forma conjunta, levando em conta a relação entre as companhias. A Justiça determinou ainda a suspensão das cobranças judiciais e de outros processos relacionados às dívidas incluídas no plano, além de pedidos de falência que estejam relacionados a esses débitos. O que acontece agora? O próximo passo será a publicação de um edital para avisar os credores - pessoas ou empresas que têm valores a receber da Alliança - sobre o processo. Depois disso, eles terão 30 dias para apresentar eventuais contestações ao plano, conforme determina a Lei de Recuperação e Falências. "A Companhia manterá seus acionistas e o mercado informados acerca dos desdobramentos relevantes do processo", afirmou a Alliança no fato relevante. Alliança Saúde quer renegociar R$ 1,1 bilhão Na última quarta-feira (5), a Alliança Saúde deu entrada na Justiça o pedido de recuperação extrajudicial com o intuito de renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. De acordo com a Alliança, o plano já conta com a adesão de mais de 83 credores, entre instituições financeiras, fornecedores, prestadores de serviços e proprietários de imóveis e equipamentos. Juntos, eles representam cerca de 54% das dívidas incluídas na recuperação. A companhia informou que as negociações com outros credores continuam e que espera obter novas adesões. Como funciona o plano Segundo a Alliança, o plano proposto oferece diferentes alternativas para os credores receberem os valores devidos. São elas: Troca da dívida por ações: o credor pode converter o valor que tem a receber em ações da Alliança Saúde e se tornar acionista da empresa; Pagamento parcelado: outra opção prevê o pagamento de 30% da dívida em 11 parcelas anuais, após um período de carência de um ano. Os 70% restantes seriam perdoados; Dívidas menores: credores com valores de até R$ 15 mil poderão receber o valor em parcela única, em até 180 dias após a aprovação do plano.

O Senado aprovou nesta terça-feira (11) um projeto que cria um programa, com oferta de financiamentos, para fomentar a indústria de fertilizantes em meio à guerra no Oriente Médio. O texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT). Fertilizantes Foto de Kashif Shah A relatora no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), alterou o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. Ela retirou a previsão de reserva do valor de R$ 10 bilhões em subsídios, entre 2027 e 2031, e de criação de um fundo específico para auxiliar o setor. Desta forma, ficará a critério do governo federal definir futuramente quanto será dado de crédito. A senadora, líder do PP no Senado, justificou a exclusão do trecho afirmando que ainda não é possível aferir o tamanho da renúncia fiscal que o governo terá de fazer nos próximos anos. Por isso, na versão da proposta que vai para sanção, o montante destinado ao novo programa não foi definido, pois terá de observar, a cada ano, "a disponibilidade orçamentária e financeira". Agora no g1 Esses recursos, que ficaram em aberto, se referem a créditos fiscais, ou seja, a uma redução nos impostos pagos pelo setor. Os deputados estipularam inicialmente que os créditos seriam concedidos a partir da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), essa parte do subsídio será tratada em um outro projeto, o que viabiliza a redução dos tributos sobre combustíveis. O que foi mantido na matéria aprovada pelos senadores é relativo aos empréstimos que serão disponibilizados à indústria. Linhas do BNDES e bancos habilitados Pelo texto, os valores serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai ofertar as linhas de crédito para os produtores de fertilizantes, assim como bancos habilitados por ele. Quem será beneficiado por esta política será o produtor, no Brasil, de fertilizante ou de suas matérias-primas. Essas podem ser: de origem sintética, por meio de processos químicos. Exemplos: amônia e ureia; a partir de minérios, de rochas. Exemplos: calcário, potássio, gesso agrícola; de origem orgânica. Exemplos: esterco animal, farinha de ossos (fonte de fósforo e cálcio). Empresas que aderem ao Simples Nacional ficam de fora do programa. Em seu parecer, Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, explica que o Brasil, "consolidou-se como uma das maiores potências agropecuárias do mundo, mas permanece altamente dependente da importação de fertilizantes, sobretudo dos macronutrientes essenciais à produção agrícola, como nitrogênio, fósforo e potássio". Arroz, café, trigo e mais: como a crise dos fertilizantes — em ano de El Niño — pode pressionar preços "Essa dependência torna o agronegócio brasileiro particularmente sensível às oscilações dos mercados internacionais, às interrupções das cadeias globais de suprimento e às tensões geopolíticas que afetam a produção e a logística desses insumos", concluiu. Percentuais de mistura obrigatória Pelo projeto, o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) vai definir uma quantidade de mistura obrigatória entre fertilizantes nacionais nos adubos vendidos no país. A proposta propõe os seguintes mínimos: 2% a partir de 1º de julho de 2027; 10% até 1º de janeiro de 2037; entre 10% e 30% a partir de 1º de janeiro de 2038, a depender uma análise técnica. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) divulgou que o Brasil responde por 8% do consumo mundial de fertilizantes e mais de 80% desse produto é comprado de outros países, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

'Taxa das blusinhas' pode voltar em setembro se medida provisória não for aprovada O Congresso Nacional convocou para quarta-feira (12) a sessão para instalar a comissão mista para analisar a medida provisória (MP) que acaba com o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". Editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 12 de maio, a MP perderá a validade caso não seja aprovada até 8 de setembro. Caso isso aconteça, a tributação de 20% será retomada. O agendamento da instalação da comissão mista é vista como um gesto do presidente do Senado Federal e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), ao governo federal. Os dois retomaram o diálogo na última semana após o rompimento causado pela rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), movimento articulado por Alcolumbre. A MP repassou ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. Nesta terça-feira (11), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que ainda conversaria com Alcolumbre e com o governo Lula para saber como será a análise da MP. "A Comissão Mista terá a presidência da Câmara e relatoria do Senado. É um dos temas que iremos tratar na reunião de líderes. A MP vence em meados do mês de setembro, então para que a taxação não volte, é necessário que o Congresso se debruce sobre o tema nas próximas semanas", disse Motta. Loja de roupas em Goiás Divulgação/CDL 'Taxa das blusinhas' A chamada "taxa das blusinhas" enfrentava resistência de grande parte dos consumidores brasileiros, que criticavam o encarecimento de produtos populares e de baixo valor e a consequente redução da atratividade das plataformas internacionais de comércio eletrônico. Os críticos da cobrança também apontavam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior. Turistas que retornam ao Brasil de viagens internacionais podem trazer produtos sem pagar imposto, desde que respeitado o limite da cota de isenção. Por outro lado, varejistas brasileiros argumentam que a isenção para compras internacionais de baixo valor favorece produtos importados e cria uma concorrência desigual com o comércio nacional. O setor defende a chamada "isonomia tributária", com uma tributação mais equilibrada entre produtos nacionais e importados, sob o argumento de proteger empresas e empregos no país. A discussão também ganhou espaço no debate político. A decisão de estabelecer uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 foi alvo de críticas da oposição, que classificou a medida como mais um "aumento de imposto" e acusou o governo de promover uma "sanha arrecadatória". A aprovação da cobrança no Congresso exigiu intensa articulação do governo e de representantes do varejo brasileiro. Já a decisão do governo de editar, em maio, uma medida provisória para revogar a "taxa das blusinhas" foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral. A medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar uma mudança com forte apelo popular, já que a MP precisa ser aprovada por deputados e senadores para se tornar lei em definitivo.

Claude, rival do ChatGPT, vai revelar quem criou texto com IA; veja como vai funcionar O Claude, assistente rival do ChatGPT, vai revelar que textos e imagens foram feitos com seus modelos de inteligência artificial. A mudança foi anunciada nesta terça-feira (11) pela Anthropic, desenvolvedora da ferramenta. A empresa afirmou que fez a atualização para se adequar ao AI Act, lei da União Europeia que obriga empresas de tecnologia a criarem uma espécie de marca d'água sobre conteúdos gerados por inteligência artificial. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Modelos do Claude lançados a partir de 2 de agosto já terão a marca d'água. Versões antigas também vão identificar textos e imagens gerados por IA, mas precisarão ser atualizados pela empresa, o que exigirá um período de transição. E, apesar de a exigência ser restrita à União Europeia, a identificação será aplicada em todo o mundo. Claude, da Anthropic, está entre os assistentes de IA mais populares do mundo, rivalizando com ChatGPT e Gemini Ryan Donegan/Flickr Segundo a Anthropic, a identificação será imperceptível para quem ler os textos gerados por sua IA e não vai mudar o sentido ou a qualidade do conteúdo. "Como a marca d'água faz parte do texto, ela o acompanhará quando for copiado e colado em outro lugar e poderá persistir mesmo após algumas edições", disse a emrpesa. No caso de imagens, o Claude vai informar como elas foram criadas por meio dos metadados que seguem o padrão de mercado. 🔎 Metadados são informações presentes nos arquivos que ajudam a descrever como eles foram criados. Os registros incluem detalhes como data e horário de criação. A Anthropic afirmou ainda que está trabalhando para oferecer ferramentas para usuários detectarem as marcas d'água incorporadas aos textos e às imagens geradas pelo Claude. A empresa prometeu divulgar os mecanismos de identificação no futuro.

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Pilar Olivares / Reuters A produção de petróleo no Oriente Médio deve permanecer parcialmente interrompida até o fim de 2027, informou um relatório divulgado nesta terça-feira (11) pela Administração de Informação Energética (EIA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Segundo a agência, cerca de 600 mil barris diários de produção na região devem permanecer fora de operação até 2027, já que alguns produtores enfrentam dificuldades para retomar os níveis observados antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A EIA afirma que a interrupção deve persistir mesmo que os fluxos comerciais sejam restabelecidos no próximo ano. Em julho, o volume de produção interrompida na região atingiu, em média, 5,5 milhões de barris por dia, segundo estimativas da agência. Agora no g1 Entenda o caso As cotações do petróleo vivem um período de volatilidade desde o início do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, em meio a declarações polêmicas do presidente americano, Donald Trump, impasses nas negociações para um acordo de paz entre EUA e Irã e o consequentemente fechamento do Estreito de Ormuz. O principal impacto desse cenário tem sido na oferta global de petróleo e nos custos globais de energia, que também já começam a se refletir na inflação. Localizado entre Omã e o Irã, o Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas. Com o agravamento do conflito nos últimos meses, diversos países da região interromperam, por precaução, a produção de petróleo e gás. A interrupção também diminuiu os estoques globais da commodity, impulsionando os preços de energia pelo mundo. Entenda o que é o Estreito de Ormuz O aumento nos preços do petróleo e de energia em alguns países fizeram com que os bancos centrais de diversos países pelo mundo já levantassem preocupações com a inflação global, alertando um potencial aumento de juros. 🔎 Juros mais altos costumam estar associados a um menor acesso ao crédito e a uma desaceleração da economia. Com empréstimos mais caros, famílias tendem a reduzir o consumo e empresas ficam mais cautelosas para investir e expandir os negócios. Esse movimento ajuda a conter a inflação, mas também pode limitar o crescimento econômico. *Com informações da agência de notícias Reuters.

Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil. Divulgação/ApexBrasil O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, classificou como “muito boa” e legítima a decisão da China de participar das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Para ele, a entrada chinesa no processo não representa uma “intromissão”, mas reforça a importância do sistema multilateral e da discussão envolvendo o Brasil. “Não é uma intromissão da China, é uma participação normal e legítima, como tem na OMC”, afirmou Müller em entrevista ao g1. Segundo ele, a participação de outros países em uma disputa inicialmente bilateral amplia a relevância do caso e mostra que o tema ultrapassa os interesses de Brasil e EUA. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 “Quando outros países se interessam para participar, mostra a importância que tem”, disse. Para o presidente da ApexBrasil, a OMC é justamente o espaço adequado para que questões relacionadas ao comércio internacional sejam discutidas e, principalmente, resolvidas. Müller lembrou que Brasil e EUA defendem há décadas o uso da OMC para tratar de conflitos comerciais. “Levar esse assunto para a OMC é um gesto importante, porque a OMC é onde esses temas deveriam ser discutidos e mais do que discutidos, deveriam ser resolvidos”, afirmou. Agora no g1 Na avaliação do presidente da ApexBrasil, a participação chinesa também evidencia a relevância do Brasil no comércio internacional. “O fato da China ter entrado no processo, nós achamos que é muito bom, porque isso mostra o interesse da China”, disse. Para ele, o envolvimento de outros países demonstra que o Brasil “está longe de ser um país irrelevante”. O novo 'plano socorro' da Apex A avaliação ocorre em meio ao esforço do governo brasileiro para diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência de mercados específicos. Müller afirmou que o Brasil não deve substituir uma dependência por outra e que a estratégia da ApexBrasil busca ampliar as vendas para diferentes regiões. “Nós não podemos e não queremos mais depender de ninguém, porque a gente não precisa depender de ninguém”, afirmou. Segundo ele, o Brasil tem buscado ampliar sua presença na Europa, na Índia, no Canadá, no México, na África e em países asiáticos, como Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura. Para Müller, o crescimento das exportações brasileiras para determinados países também acompanha o avanço dessas economias. Ele citou a Índia como exemplo: há cerca de dez anos, o país ocupava a 40ª posição entre os destinos das exportações brasileiras; atualmente, segundo ele, já é o quarto mercado mais importante e um dos que mais cresceram. “É natural que a nossa exportação cresça para os países que estão crescendo mais”, afirmou. Por isso, segundo Müller, o plano de diversificação lançado pela ApexBrasil é uma resposta ao tarifaço americano, mas também faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão comercial. “Está muito claro para todos nós que nós não queremos e não vamos trocar uma dependência por outra”, disse. Sobre o plano de R$ 210 milhões apresentado pela ApexBrasil, Müller afirmou que a agência não pretende concentrar os recursos em poucos setores ou países. A estratégia, segundo ele, foi desenhada para atender às 5.300 empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço, que exportam cerca de 2 mil produtos atingidos pelas tarifas. “Não estamos apostando em setores, nós não estamos apostando em prioridades. Nós estamos apostando nas 5.300 empresas que estão sofrendo com o tarifaço”, afirmou. Müller disse ainda que a ApexBrasil trabalha com pelo menos 30 países e 29 setores, justamente porque o objetivo é contemplar o conjunto das empresas atingidas. “É um plano para todos, para todas as empresas brasileiras impactadas”, afirmou. Segundo ele, a capacidade de atender todo esse grupo é algo inédito para a agência. China e OMC, o que aconteceu? No dia 30 de julho, o Brasil enviou à OMC um pedido de consulta sobre as novas tarifas impostas pelos EUA, contestando as aplicações. São elas: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Em seguida, na segunda-feira (10), o governo dos EUA respondeu ao pedido e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem estar 'à disposição' para discutir tarifaço "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. Logo depois, no mesmo dia, a China pediu para participar de tais consultas. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização.

Time da ApexBrasil anunciado o 'plano socorro' para as exportadoras brasileiras. Isabela Ortiz/g1 A ApexBrasil anunciou nesta terça-feira (11) um plano de apoio às empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A agência vai destinar R$ 210 milhões para ajudar empresas de 35 setores a buscar novos mercados para reduzir a dependência dos EUA. Os recursos poderão custear despesas com consultorias especializadas, bolsas de exportação, participação em feiras internacionais e reuniões de negócios. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O programa terá duração de 12 meses e pretende atender 5,3 mil das 5,6 mil empresas atingidas pelas novas tarifas anunciadas pelos EUA. Como não se trata de um empréstimo, não haverá cobrança de juros ou taxas sobre os recursos. As inscrições começam nesta quarta-feira (12), pelo site da ApexBrasil. No cadastro, a empresa deverá informar dados sobre suas exportações e o objetivo do apoio. A análise será individual, e cada caso receberá um auxílio específico. Os principais objetivos são: Apoio a setores e às empresas exportadoras impactadas pelas tarifas; Diversificação de mercados para exportação; Manutenção da promoção comercial no mercado americano; Isenção de taxa de participação em ações diretas para empresas impactadas. Agora no g1 Segundo Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, o objetivo não é recuperar os R$ 210 milhões, mas preparar as empresas brasileiras para exportar. Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Singapura, Índia e China estão entre os mercados apontados pela entidade como possíveis destinos para diversificar as exportações. Em exclusividade ao g1, o presidente afirmou que abrirá, em 2 de setembro, um escritório em Adis Adeba, na Etiópia, como parte da estratégia de ampliar a atuação brasileira na África e na Ásia. Segundo Müller, o escritório terá como objetivo trabalhar comercialmente esses mercados. Ao falar sobre a estratégia para a Ásia, Müller citou o interior da China, diferenciando-o da região litorânea, mas afirmou que o foco principal está nos países da ASEAN, bloco que reúne Malásia, Indonésia, Vietnã e Singapura. Segundo a Apex, 72% das 2,4 mil empresas atendidas e que exportam para os EUA já vendem para pelo menos um mercado adicional. Novo tarifaço Os Estados Unidos anunciaram duas novas tarifas aos produtos brasileiros. Uma delas é a tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros após uma investigação que apontou supostas práticas comerciais desleais. A outra é a sobretaxa de 12,5% aplicada a mais de 60 parceiros comerciais dos americanos, relacionada ao comércio de produtos que utilizam trabalho forçado. Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a sobretaxa chega a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 23,1% das exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas a essas novas sobretaxas. Outros 24,2% são alcançados por tarifas setoriais previstas na Seção 232. Com as listas de exceções determinadas pelos EUA, pouco mais da metade das exportações brasileiras aos Estados Unidos — 52,7%, considerando os dados de 2024 usados pelo MDIC — não está sujeita às novas sobretaxas das Seções 301 nem às tarifas setoriais da Seção 232. Entre os produtos nessa categoria estão café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose. Isso ajuda a explicar por que a estratégia da ApexBrasil não é substituir o mercado americano, mas reduzir a dependência dele. As tarifas chegam em um momento de perda de participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou US$ 17,4 bilhões para o mercado americano, uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a fatia dos EUA nas vendas externas brasileiras caiu de 12,1% para 9,4%. Em 2025, as exportações brasileiras para os americanos já haviam recuado para US$ 37,7 bilhões, depois do recorde de US$ 40,4 bilhões registrado em 2024. Enquanto as vendas aos Estados Unidos perderam espaço, a China manteve posição muito mais relevante como destino das exportações brasileiras.

Aplicativo "Meu INSS" Reprodução/TV Globo O governo ampliou a lista de doenças e condições que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária sem a exigência da carência mínima de 12 contribuições ao INSS. Desde julho, a gestação de alto risco passou a integrar a relação de situações que permitem o acesso ao benefício sem o cumprimento desse prazo. Com a mudança, o número de doenças e condições que dispensam a carência subiu para 18. Mesmo nesses casos, porém, o trabalhador continua precisando comprovar a incapacidade para o trabalho e manter a qualidade de segurado da Previdência Social. O auxílio por incapacidade temporária, também chamado auxílio-doença, é destinado a trabalhadores que contribuem para a Previdência Social e que ficam temporariamente impossibilitados de exercer suas atividades em razão de doença ou outra condição de saúde. Agora no g1 Mas não basta apenas ser um contribuinte para ter direito ao benefício. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) exige que o solicitante comprove, com perícia médica, a incapacidade para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos. Em regra, o trabalhador também deve ter pelo menos 12 contribuições mensais ao INSS. A exigência não vale para casos de acidente de qualquer natureza, doença profissional ou do trabalho e para os segurados acometidos por doenças e condições previstas em lei - como gestações de alto risco. O INSS também isenta o tempo de carência trabalhadores acometidos das seguintes doenças: Tuberculose ativa; Hanseníase; Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental; Neoplasia maligna; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilite anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; Hepatopatia grave; Esclerose múltipla; Acidente vascular encefálico (agudo); Abdome agudo cirúrgico; e Gestação de alto risco. A avaliação médica em relação à isenção é feita pela Perícia Médica Federal. Em alguns casos, ela pode ser feita por meio de análise documental, sem a necessidade do comparecimento presencial. Esse requerimento é denominado de Auxílio por incapacidade temporária – Análise Documental. Outra modalidade de requerimento é o "Domiciliar", no qual o solicitante envia um representante para apresentar a documentação necessária. Tem dia certo para pedir demissão? Advogados trabalhistas explicam que sim; veja as dicas Como solicitar? É possível fazer a solicitação através no site ou aplicativo "Meu INSS". Faça o login com a conta gov.br; Clique em “Novo pedido” ou no campo editável “Do que você precisa?”. Digite a palavra “incapacidade” e selecione a opção “Pedir Benefício por incapacidade”. Acompanhe o andamento pelo "Meu INSS", na opção “Consultar Pedidos”. Documentação Durante a solicitação, os trabalhadores precisam apresentar: Documentos médicos originais (exames, laudos, receitas); Documentos pessoais originais do interessado com foto (RG, CNH, CTPS ou outro documento dotado de fé pública que permita a identificação) e CPF; Procuração ou termo de representação legal (tutela, curatela, termo de guarda), se houver; Documentos pessoais originais do procurador com foto (RG, CNH, CTPS ou outro documento dotado de fé pública que permita a identificação) e CPF; Prorrogação do benefício Nos últimos 15 dias do auxílio por incapacidade temporária, caso o segurado acredite que o prazo concedido para a recuperação tenha sido insuficiente, poderá ser solicitada a prorrogação do benefício pela Central 135 ou pelo Meu INSS. Caso não concorde com o indeferimento ou a cessação do benefício, o trabalhador pode entrar com recurso à Junta de Recursos, em até 30 dias contados a partir da data em que tomar ciência da decisão do INSS Dúvidas Em caso de dúvidas, ligue para a Central de Atendimento do INSS pelo telefone 135. O serviço está disponível de segunda a sábado das 7h às 22h (horário de Brasília). Saiba o que a lei diz sobre reuniões fora do horário de trabalho contratual

Produção de cana-de-açúcar com irrigação por gotejamento fica no Vale do Açu, no Oeste potiguar Reprodução/Inter TV Cabugi O governo federal publicou, nesta terça-feira (11), uma medida que concede, em caráter extraordinário, apoio financeiro a produtores de cana-de-açúcar da Região Nordeste. O benefício será de R$ 12 reais por tonelada de cana-de-açúcar comercializada para os produtores que tiveram prejuízos econômicos na safra 2025/2026, por conta das tarifas americanas impostas às exportações brasileiras ou de eventos climáticos extremos. Segundo o governo, o objetivo da medida é preservar a renda dos produtores, manter a produção e proteger os empregos do setor sucroenergético. Agora no g1 Quais produtores serão beneficiados? Serão beneficiados os produtores de cana-de-açúcar que forneçam a produção para usinas, destilarias ou cooperativas localizadas na Região Nordeste. A medida, no entanto, não se aplica a produtores que sejam sócios das usinas, destilarias ou cooperativas. Para receber o benefício, os produtores precisam estar em situação regular com a Conab e com os principais cadastros e órgãos do governo, incluindo Fazenda Nacional, INSS, FGTS, Sicaf e Cadin. Também não podem estar inscritos no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS). A medida estabelecer prazo até 30 de outubro para que os produtores apresentem a documentação junto a Conab que divulgará as informações sobre os beneficiários e os valores pagos. Segundo o decreto, os recursos destinados à subvenção econômica estão limitados a R$ 270 milhões do orçamento do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Manus havia sido comprada pela Meta Reprodução A startup chinesa de inteligência artificial Manus informou nesta terça-feira (11) que voltará a operar de forma independente e que excluirá parte dos dados de usuários como parte do processo de separação da Meta, empresa dona do Facebook e do Instagram. "Como parte da nossa transição para operações independentes e para cumprir exigências regulatórias em determinadas jurisdições, os dados gerados por alguns usuários desde 29 de dezembro de 2025 serão excluídos ainda neste mês", informou a Manus em comunicado. A empresa afirmou que os usuários afetados serão avisados pelo aplicativo Manus e por e-mail e poderão fazer cópias de segurança de seus dados antes da exclusão. Agora no g1 Segundo o comunicado, a medida faz parte do processo de separação da empresa da Meta. Em abril, autoridades chinesas determinaram que a Meta desfizesse a aquisição da Manus, avaliada em mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,2 bilhões). A decisão foi tomada pelo Escritório do Mecanismo de Trabalho para Revisão de Segurança de Investimento Estrangeiro da China, e ocorreu em meio ao aumento da fiscalização de Pequim sobre investimentos americanos em startups chinesas que desenvolvem tecnologias consideradas estratégicas. A comissão não detalhou os motivos do veto. A Meta havia anunciado a aquisição da Manus em dezembro, em um caso incomum de grande empresa de tecnologia americana comprando uma companhia de IA com fortes vínculos com a China. O acordo continha várias etapas que ampliariam as ofertas de IA nas plataformas da Meta. Anteriormente, a empresa americana havia afirmado que não haveria "nenhum interesse de propriedade chinesa" na Manus após o fechamento do negócio, e que a startup encerraria seus serviços e operações na China. Ainda assim, em janeiro, o governo chinês anunciou que investigaria se a aquisição estaria em conformidade com suas leis e regulamentos. Em julho, a agência de notícias Reuters informou que a Tencent, gigante chinesa dos setores de jogos e internet, estaria negociando a compra de uma participação que poderia transformá-la na maior acionista da Manus. *Com informações das agências de notícias Reuters e Associated Press.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu nesta terça-feira (11) em Brasília com a secretária de Negócios Estrangeiros das Filipinas, Maria Theresa Lazaro. O governo das Filipinas preside atualmente a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), e o encontro acontece num momento em que o Brasil busca novos parceiros e ampliar relações comerciais em meio ao tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Inicialmente, Vieira e Maria Theresa estiveram no Palácio da Alvorada, residência oficial do governo, num encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois seguiram para o Palácio Itamaraty, também na capital, sede do Ministério das Relações Exteriores. A Asean reúne, além das Filipinas, países como Singapura, Vietnã e Indonésia, com os quai o Brasil defende que o Mercosul mantenha acordos comerciais, em razão do potencial de aumentar o comércio exterior e, na prática, reduzir a dependência de alguns mercados. Agora no g1 Segundo o Itamaraty, em 2025, o comércio entre o Brasil e os países da Asean ultrapassou US$ 38,4 bilhões, tornando o bloco o quinto maior parceiro comercial do país, atrás da China, da União Europeia, dos Estados Unidos e do Mercosul. Ainda de acordo com o ministério, os países da Asean são responsáveis por 15% de todo o superávit da balança comercial brasileira em 2025, com saldo positivo de US$ 10,3 bilhões. Nesse contexto, o Itamaraty afirmou que as Filipinas representam “importante mercado para produtos do agronegócio e do setor mineral”. Em 2025, conforme o ministério, o país se tornou o maior destino das exportações brasileiras de carne suína, com vendas de aproximadamente US$ 840 milhões. Chanceler Mauro Vieira Mateus Oliveira/MRE Tarifaço dos EUA A Casa Branca alega que o Brasil adota práticas desleais na economia em relação a empresários americanos e falhou, assim como outros países, no combate à importação de produtos fabricados em países onde há trabalho forçado. Por isso, anunciou duas tarifas (de 25% e de 12,5%) contra produtos brasileiros vendidos no mercado americano. Desde então, a ordem interna no governo brasileiro tem sido abrir novos mercados e ampliar os já existentes, reduzindo a dependência do mercado americano. Em razão dos dois tarifaços, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas são discriminatórias, unilaterais e desrespeitam compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à entidade multilateral. Os Estados Unidos já responderam ao pedido de consultas, afirmando que estão “à disposição” das autoridades brasileiras para discutir o tarifaço - mas não sinalizaram se vão reverter ou não o tarifaço. Nesse cenário, a China também solicitou à OMC participar das discussões, alegando que as exportações do país podem ser prejudicadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Carros da Leapmotor prontos para exportação Divulgação / Leapmotor Dados da Associação de Automóveis de Passeio da China (CPCA) mostram que julho de 2026 foi o décimo mês consecutivo de queda nas vendas de automóveis no mercado doméstico da China. O recuo foi de 21,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 1,47 milhão de veículos. No mesmo período, as exportações da China dispararam 88,2%, para 923 mil veículos. O movimento mostra como as montadoras chinesas estão ampliando sua presença em outros mercados diante da desaceleração da demanda interna e da forte concorrência no maior mercado automotivo do mundo. Carros da China já correspondem a 52% dos importados no Brasil em 2026; eletrificados crescem 120% 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos A queda das vendas domésticas foi mais intensa do que a associação esperava. Segundo Cui Dongshu, secretário-geral da CPCA, o aumento dos preços dos combustíveis prejudicou principalmente os veículos movidos a gasolina, enquanto a demanda por sedãs de entrada também perdeu força. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas domésticas de veículos de passeio acumulam queda de 20,5%, o equivalente a cerca de 2,65 milhões de unidades a menos do que no mesmo período de 2025. Exportações ganham força O movimento é oposto no mercado externo. As exportações de veículos elétricos e híbridos plug-in cresceram 147,8% em julho, enquanto as vendas desses modelos no mercado doméstico recuaram 3,9%. As montadoras chinesas vêm ampliando a atuação, especialmente na Europa, no Sudeste Asiático, na América Latina e no Oriente Médio. A estratégia ajuda as fabricantes a compensar a menor demanda dentro do país e a aproveitar mercados onde a presença de marcas chinesas ainda está em expansão. Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, é um dos exemplos. A empresa enfrenta um mercado doméstico mais fraco, mas registrou recorde de remessas internacionais em julho, contribuindo para o terceiro mês consecutivo de crescimento de suas vendas globais. Brasil está entre os mercados que mais recebem carros chineses O movimento de expansão das montadoras chinesas já aparece com força no Brasil. Entre janeiro e julho, o país importou 344,1 mil veículos, alta de 25,7% em relação ao mesmo período de 2025. Mais de 180 mil vieram da China — 52,4% de todos os veículos importados pelo Brasil no período. As importações de veículos chineses cresceram 105,4% no acumulado do ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A ofensiva ocorre em um momento de forte crescimento dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. No acumulado até julho, os emplacamentos de carros elétricos e híbridos avançaram 120,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Em julho, os eletrificados responderam por 23,5% dos emplacamentos de veículos no país, a maior participação registrada até então. Montadoras buscam espaço fora da China A expansão internacional ocorre em um momento de maior competição dentro da própria China. Com consumidores mais seletivos e uma grande quantidade de novos modelos, as fabricantes enfrentam pressão para manter preços competitivos e preservar margens. Segundo analistas, a demanda por substituição de veículos perdeu força depois do impulso provocado pelos subsídios, enquanto os consumidores passaram a selecionar mais os modelos antes de comprar. O secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, resumiu o desafio das fabricantes: enquanto as montadoras tentam avançar para segmentos mais sofisticados, os consumidores chineses continuam priorizando veículos com melhor relação entre preço e benefício. Estratégia inclui produção no exterior Além de aumentar as exportações, as fabricantes chinesas também estão buscando produzir mais perto dos mercados consumidores. Um exemplo é a Geely, que fechou acordo com a Ford para produzir SUVs elétricos em uma fábrica da montadora americana na Espanha. A estratégia permite às empresas chinesas ampliar a capacidade de produção e facilitar o acesso ao mercado europeu. Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador Malu Vieira/ g1 BA No Brasil, o movimento também deve continuar. Sete novas marcas chinesas têm planos de entrar no mercado brasileiro até 2028, segundo levantamento divulgado pelo g1. A expansão aumenta a concorrência com fabricantes tradicionais e já começa a pressionar os preços. Segundo estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero quilômetro teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação. Pressão sobre o setor deve continuar Apesar do avanço das exportações, a fraqueza do mercado chinês pode continuar no segundo semestre. Analistas do Deutsche Bank avaliam que as montadoras devem enfrentar pressão sobre as margens com o aumento das promoções e dos custos de componentes, como baterias de lítio e memórias para semicondutores. O cenário cria uma situação paradoxal para a indústria chinesa: as vendas dentro do país perdem força justamente quando as montadoras aceleram a expansão internacional — e mercados como o Brasil ganham importância nessa estratégia. *Com informações da Reuters

Auxílio-doença sem carência: veja quais condições dão esse direito O Ministério da Previdência Social ampliou a lista de doenças e condições que dão direito ao auxílio por incapacidade temporária — o antigo auxílio-doença — sem a exigência da carência mínima de 12 contribuições à Previdência Social. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde 24 de julho, a gestação de alto risco integra essa relação. A mudança foi estabelecida por uma portaria publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos ministros Wolney Queiroz, da Previdência Social, e Alexandre Padilha, da Saúde. Com a inclusão, subiu para 18 o número de doenças e condições que dispensam o cumprimento da carência mínima para a concessão do benefício. Em 2022, a lista já havia sido ampliada com a inclusão do acidente vascular encefálico agudo e do abdome agudo cirúrgico, nos casos considerados graves. O rol foi instituído pela Lei nº 8.213, de 1991, e, desde então, passou por duas ampliações: a de 2022 e a mais recente, que incluiu a gestação de alto risco. Veja abaixo a lista completa: Tuberculose ativa; Hanseníase; Transtorno mental grave, desde que esteja cursando com alienação mental; Neoplasia maligna; Cegueira; Paralisia irreversível e incapacitante; Cardiopatia grave; Doença de Parkinson; Espondilite anquilosante; Nefropatia grave; Estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante); Síndrome da deficiência imunológica adquirida (Aids); Contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina especializada; Hepatopatia grave; Esclerose múltipla; Acidente vascular encefálico (agudo); Abdome agudo cirúrgico; e Gestação de alto risco. Previdência Social Marco Favero/ Agencia RBS No caso do acidente vascular encefálico agudo e do abdome agudo cirúrgico, a dispensa da carência só se aplica quando os quadros apresentam evolução aguda e atendem aos critérios de gravidade. A avaliação para definir se o segurado se enquadra nas condições para a dispensa da carência é feita pela Perícia Médica Federal. Segundo a Previdência, nesses casos, o benefício pode ser concedido mesmo que o segurado não tenha cumprido a carência mínima de 12 contribuições ao INSS. Ainda assim, é necessário ter qualidade de segurado — ou seja, estar coberto pela Previdência Social — e comprovar a incapacidade para o trabalho. A carência também é dispensada nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa, além de doença profissional ou do trabalho. Nas demais situações, em regra, é necessário ter feito pelo menos 12 contribuições mensais ao INSS para ter direito aos benefícios por incapacidade. Quando um trabalhador pode ser afastado do trabalho por doença? O afastamento ocorre quando uma doença ou outra condição de saúde deixa o trabalhador temporariamente incapaz de exercer suas atividades profissionais. Para empregados com carteira assinada, a empresa é responsável pelo pagamento do salário durante os primeiros 15 dias consecutivos de afastamento por incapacidade. A partir do 16º dia, o trabalhador pode ter direito ao auxílio por incapacidade temporária pago pelo INSS, desde que cumpra os requisitos para a concessão. O benefício é pago enquanto persistir a incapacidade temporária para o trabalho e pode ser prorrogado ou encerrado conforme a avaliação da perícia médica. Para comprovar a incapacidade, podem ser exigidos documentos como atestados, laudos e exames médicos. Como funciona a perícia médica? A incapacidade para o trabalho é verificada por meio de perícia médica. Ao solicitar o benefício, o segurado deve enviar, de forma on-line, pelo aplicativo ou site Meu INSS, documentos que comprovem sua condição de saúde, como atestados e laudos médicos. Os documentos devem estar legíveis e conter informações como o período de afastamento recomendado, o código da doença e a assinatura do profissional responsável. A perícia pode concluir que o segurado está temporariamente impossibilitado de trabalhar, o que pode resultar na concessão do auxílio por incapacidade temporária. Se for constatada incapacidade permanente, o trabalhador pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente — antiga aposentadoria por invalidez. Quem tem direito ao auxílio por incapacidade temporária? O benefício é destinado ao segurado do INSS que esteja temporariamente incapaz de trabalhar ou exercer sua atividade habitual e cumpra os requisitos previdenciários exigidos. Em regra, é preciso ter qualidade de segurado e cumprir uma carência mínima de 12 contribuições mensais. A exigência da carência, porém, é dispensada em situações previstas em lei, como nos casos das doenças e condições listadas acima, de acidentes de qualquer natureza e de doenças profissionais ou do trabalho. Podem ter direito ao benefício, por exemplo, empregados com carteira assinada, trabalhadores autônomos e outros contribuintes individuais, além de segurados facultativos, desde que cumpram os requisitos aplicáveis a cada caso. Mesmo quem deixou de contribuir para o INSS pode, em determinadas situações, continuar coberto pela Previdência por um período após a interrupção dos pagamentos. É o chamado “período de graça”, cuja duração varia conforme a situação do segurado. Como pedir o benefício? O pedido do auxílio por incapacidade temporária pode ser feito pelo Meu INSS. Após entrar na plataforma, o segurado deve selecionar “Novo pedido”, buscar por “incapacidade” e escolher a opção “Pedir Benefício por Incapacidade”. O andamento da solicitação pode ser acompanhado na própria plataforma, em “Consultar Pedidos”. O INSS orienta ainda que o segurado mantenha seus dados de contato atualizados para receber as notificações sobre o processo. Quais documentos devem ser apresentados? Entre os documentos exigidos estão: documentos médicos originais, como exames, laudos e receitas; documento de identificação com foto e CPF; procuração ou documento de representação legal, quando necessário; documento de identificação e CPF do procurador ou representante, se houver. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

Ilustração de logo do Bradesco. Reuters O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta terça-feira (11) que vê espaço para novos cortes na taxa básica de juros ainda neste ano, apesar de riscos como as eleições, a guerra no Oriente Médio e os efeitos do El Niño sobre a inflação. "A gente entende perfeitamente o movimento de política monetária do Banco Central, mas a taxa de juros está bem elevada [...] e, quando olhamos para a inflação, vemos espaço para reduzir essa taxa", afirmou em entrevista ao Radar GloboNews. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo Noronha, os economistas do Bradesco trabalham com a possibilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) por parte do Comitê de Política Monetária (Copom) já na próxima reunião do colegiado, em setembro. O executivo destaca, no entanto, que acredita que novos cortes podem ocorrer posteriormente. "Já vemos sinais de desaceleração da economia brasileira. Nossos economistas trabalham com [uma redução de] 0,25 p.p., mas eu acredito que podemos ver novos cortes", completou. Agora no g1 🔎Quando a economia perde força, o consumo e os investimentos tendem a crescer em ritmo mais lento, o que reduz pressões sobre os preços e pode abrir espaço para cortes nos juros. Apesar do tom mais otimista, Noronha reconhece que ainda existem fatores que podem dificultar a trajetória de queda dos juros, como as eleições, os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e os impactos do El Niño, fenômeno climático pode afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos. "Temos um cenário ainda incerto e uma guerra sem desfecho definido, que afeta os preços do petróleo e pode pressionar a inflação por aqui", disse o presidente do Bradesco. Ele destacou que, embora o histórico mostre que as eleições costumam provocar volatilidade no câmbio, esse efeito tende a se concentrar no curto prazo. "Temos, de fato, uma volatilidade maior, mas concentrada em um período mais curto. Então continuo trabalhando com a expectativa de que os juros precisem permanecer acima da inflação, mas não em um patamar tão elevado quanto o atual", acrescentou Noronha. Nesta terça-feira, o Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom. Na semana passada, o comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,25 p.p., para 14% ao ano. No documento, divulgado nesta terça-feira, o BC alertou para os possíveis impactos da alta dos preços do petróleo e dos eventos climáticos sobre a inflação brasileira. Segundo a instituição, caso esses riscos se concretizem, poderá ser necessária uma "reação firme" da política monetária. O BC também demonstrou preocupação com o possível impacto inflacionário das medidas de estímulo adotadas pelo governo federal. "O Comitê continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta". Endividamento das famílias ainda preocupa O presidente do Bradesco também afirmou que o endividamento das famílias e o comprometimento da renda seguem sendo motivo de preocupação. Segundo ele, embora o Desenrola — programa de renegociação de dívidas do governo federal — tenha produzido efeitos positivos, ainda há um longo caminho para garantir um crescimento sustentável da economia. "[O Desenrola] vem evoluindo e surtindo efeito, mas tudo tem seu limite. O que esperamos é um Brasil capaz de crescer acima de 3% ao ano e manter uma política fiscal equilibrada, evitando uma trajetória persistente de aumento da dívida pública", afirmou. Segundo Noronha, o equilíbrio das contas públicas é fundamental para manter a inflação sob controle e permitir juros mais baixos por mais tempo. "É isso que pode trazer mais tranquilidade para empresas e consumidores ao preservar empregos e renda. O pior inimigo da renda é a inflação. Com os preços sob controle e o país crescendo, temos condições de construir uma economia mais saudável do que a atual", disse. Noronha também afirmou que os candidatos à Presidência da República deveriam ser mais transparentes sobre seus planos para as contas públicas. "O Brasil já sabe o que precisa fazer para equilibrar as contas públicas. Mas, independentemente de qual governo assuma, será necessária vontade política para colocar essas medidas em prática. Acredito que o Congresso apoiará medidas responsáveis que ajudem o país a construir uma política fiscal mais equilibrada", concluiu.

Tarifaço americano: Brasil calcula que medida atinge 18% das exportações pros EUA As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, queda de 12,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas e levou os embarques para o mercado americano ao menor nível para o período em três anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os dados são do Monitor do Comércio Brasil Estados Unidos, elaborado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) com base em informações do Comexstat. A queda foi ainda maior entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, atualmente entre 25% e 37,5%. As exportações desses itens recuaram 31,5% no acumulado do ano, de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões. A retração nesse grupo de produtos mais taxados foi puxada principalmente pela madeira de coníferas, cujas vendas para os EUA desabaram 59,4% de janeiro a julho na comparação com o mesmo período do ano passado. O tombo no faturamento do setor atingiu em cheio outros itens da pauta, com quedas expressivas no sebo bovino, ovino ou caprino (-42,5%), nos granitos trabalhados (-42,1%), no fumo não manufaturado (-37,7%) e na exportação de portas e caixilhos (-35,3%) — um retrato de como o tarifaço americano vem encolhendo os ganhos da indústria e do setor extrativo brasileiro no ano. “Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa Exportações caem em julho Somente em julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% em relação ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompeu a recuperação registrada em junho, quando as vendas para o mercado americano haviam crescido pela primeira vez desde agosto do ano passado, período em que as tarifas mais elevadas começaram a ser aplicadas. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance Assim como na comparação Janeiro a Julho, entre os produtos sujeitos às maiores sobretaxas, a queda foi ainda mais forte em julho, de 25,7%. Na direção contrária, os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de aço e alumínio. Entre os produtos que registraram as maiores quedas no acumulado do ano estão sebo bovino, madeira compensada, portas, fumo, madeira de coníferas, granito, torneiras e sucos de frutas. Semimanufaturados de ferro e aço também tiveram retração. Principais produtos da pauta exportadora brasileira para os EUA g1 Relembre como funcionam as sobretaxas impostas pelos EUA: Sobretaxas de 25% a 37,5% (Seção 301 - Tarifas mais altas):Atingem produtos como sebo bovino, fumo, madeira de coníferas e portas. Essa alíquota é a mais pesada porque combina duas punições comerciais cumulativas aplicadas pelos EUA sobre o mercado brasileiro. Foi essa categoria que liderou as maiores quedas em valor no ano (-31,5%). Sobretaxas de 12,5% (Seção 301 - Tarifa base): É a taxa de retaliação comercial padrão aplicada a itens como minério de ferro aglomerado, pedras de cantaria e outros silícios. "Seção 232" (Segurança Nacional): Agrupa bens industriais e estratégicos — como aço, alumínio, transformadores e maquinário pesado (tratores e pás carregadoras). Em vez de uma porcentagem fixa única, esses produtos seguem uma lei americana voltada à "segurança nacional", com regras setoriais específicas que variam de acordo com o tipo e a composição do bem. : Vendas aos EUA caem enquanto exportações ao mundo crescem O desempenho das exportações para os Estados Unidos ficou abaixo do registrado pelo Brasil nos demais mercados. Enquanto as vendas para os EUA recuaram 12,2% entre janeiro e julho, as exportações totais brasileiras cresceram 10,5% no mesmo período. Mesmo com a queda, os Estados Unidos continuam como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Entre os dez principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, quatro tiveram queda nas exportações para o mercado americano ao mesmo tempo em que registraram crescimento nas vendas para o restante do mundo. É o caso do petróleo bruto, cujas exportações para os EUA caíram 25,5%, dos semimanufaturados de ferro ou aço, com queda de 11,1%, do ferro-gusa, que recuou 7,9%, e da celulose, com baixa de 5,3%. Entre os principais produtos sujeitos às sobretaxas, cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos tiveram queda nas vendas no acumulado do ano. No restante do mundo, todos esses produtos registraram crescimento. Brasil tem déficit com os Estados Unidos As importações brasileiras de produtos americanos somaram US$ 23,2 bilhões entre janeiro e julho, queda de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. Com as exportações em queda, o Brasil acumulou déficit de US$ 2,3 bilhões no comércio com os Estados Unidos nos primeiros sete meses do ano. O valor representa uma alta de 122,3% em relação ao mesmo período do ano passado. 🔍Déficit comercial: quando um país compra mais de outro do que vende. Somente em julho, as compras brasileiras de produtos americanos cresceram 0,6%, para US$ 4,3 bilhões, após sete meses consecutivos de retração. Com isso, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos no mês.

Brasil é o segundo país a proibir produção e comércio de foie gras Brasil proibiu a alimentação forçada de patos e gansos, mas mantém práticas como o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o confinamento em gaiolas. O Brasil proibiu, desde julho, a produção e a comercialização de alimentos obtidos a partir da alimentação forçada de animais, como o foie gras. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Se, por um lado, o país deu um passo importante na proteção dos animais, ainda há inúmeras práticas da pecuária que despertam críticas e, segundo especialistas e ativistas, exigem mudanças. O foie gras é produzido por meio da gavagem, técnica que utiliza tubos de metal ou plástico introduzidos na garganta de patos e gansos para despejar grandes quantidades de alimento no estômago. Veto ao foie gras no Brasil reacende tensão comercial com a França após acordo Mercosul-UE O objetivo é provocar o acúmulo de gordura no fígado, tornando-o maior e com uma textura que derrete na boca. Entre as práticas controversas que deveriam ser mudadas no país, segundo especialistas, estão o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o uso de gaiolas para porcas e galinhas. Essas condutas contrastam com a proteção contra a crueldade prevista na Constituição Federal. Foie Gras é proibido no Brasil. REUTERS/Aline Massuca "Os animais possuem dignidade intrínseca simplesmente por existirem. E essa dignidade está posta na Constituição Federal e já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Várias práticas não se justificam por serem intrinsecamente cruéis", afirmou Arthur Regis, especialista em Políticas Públicas da ONG Sinergia Animal. "Precisamos avançar ainda mais na abolição das piores práticas." Gaiolas, gado vivo e vacas grávidas Não há dúvida de que o foie gras é doloroso e cruel, afirmou a médica-veterinária Carla Forte Maiolino Molento, coordenadora do Laboratório de Bem-estar Animal (LABEA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Embora esse método tenha sido proibido, a especialista considera que interesses econômicos ainda prevalecem sobre o bem-estar animal no Brasil. Gado confinado em Barretos, São Paulo. Joel Silva/Reuters Há três práticas que deveriam ser proibidas com mais urgência, na análise da professora. O abate de jumentos, cujas peles são vendidas principalmente no mercado chinês, pode levar esses animais à extinção. "É difícil ter dados muito aproximados, porque não é monitorado como em uma indústria mais estabelecida. Mas estima-se que boa parte da população já tenha sido abatida." Uma outra é a exportação de gado vivo por via marítima. Todos os anos, milhões de bois, vacas e bezerros costumam passar semanas em alto mar, convivendo em ambientes apertados e cobertos de fezes e urina, antes de serem abatidos, geralmente em países do Oriente Médio. Muitos morrem nesta travessia. O abate de vacas grávidas é outra prática que deveria ser proibida, segundo a professora. De acordo com uma normativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), apenas fêmeas gestantes que estejam nos últimos 10% do período gestacional não devem, em circunstâncias normais, ser transportadas ou abatidas. Molento chamou a atenção para alguns detalhes da regulamentação que considera "pesadíssimos". A norma estabelece que os fetos não devem ser removidos do útero antes de cinco minutos após o término da sangria da fêmea gestante. Também determina que, caso um feto maduro e vivo seja removido do útero, deve-se impedir que ele infle os pulmões e respire. O que traria mais impacto, no entanto, tanto pelo número de animais afetados quanto pelo seu grau de sofrimento, seria o fim do uso de gaiolas, amplamente utilizadas para porcas e galinhas. "É algo extremo, que a gente naturalizou", afirmou Molento. Porcas, por exemplo, vivem em gaiolas do tamanho do próprio corpo, amamentando diversos filhotes, que depois serão abatidos. "Se você entra num galpão desses, o que você vê são animais no mais avançado estágio de depressão. Medo, tédio e frustração são alguns dos sentimentos provavelmente sentidos por elas." Trituração de pintinhos Há muito espaço para o Brasil avançar na adoção de práticas e processos que reduzam o sofrimento animal, avaliou George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da ONG Mercy For Animals. Uma das mais urgentes, na sua visão, é o transporte de gado vivo por via marítima. Além disso, ele também destaca a situação das aves de produção. Pintinhos Reprodução/RPC Entre as práticas usadas na indústria de produção de ovos está o descarte de pintinhos machos por trituração, asfixia ou sufocamento após a eclosão. "Eles são triturados porque não têm valor comercial. Pintinho macho não põe ovo. Você poderia perguntar: ‘Não põe ovo, mas ele poderia ser criado para produção de carne?'. Poderia. O problema é o ponto de vista da indústria", explicou Sturaro. Segundo o especialista, como as aves foram selecionadas para colocar ovos, elas não são tão eficientes para produzir carne. "Só que estamos falando de um animal que nasceu, um ser vivo, senciente, que tem um sistema nervoso e que é capaz de sentir medo, dor, desconforto. E ele é triturado vivo", disse Sturaro. Uma alternativa seria o uso da sexagem in ovo, uma tecnologia capaz de identificar o sexo do embrião antes da eclosão. Esse método, segundo a Mercy For Animals, começou a ser usado na Itália e também vem sendo utilizado em outros países, como a Alemanha. Já no Brasil, estima-se que 85 milhões de pintinhos machos sejam mortos todos os anos. Outro problema dessa indústria de aves, segundo Sturaro, é o uso de gaiolas para galinhas poedeiras, criadas para a produção de ovos. "É um extremo sofrimento para os animais. Uma galinha poedeira passa praticamente toda a vida dentro de uma gaiola, de 18 a 24 meses. Depois é enviada para um abatedouro", explicou Sturaro. Por causa desse confinamento, uma prática usada para evitar que as galinhas se machuquem é a debicagem, ou seja, o corte do bico, feito por métodos mecânicos ou a laser. "Às vezes alguns animais brigam por não conseguirem acessar a comida ou a água de modo satisfatório. As galinhas brigam bicando umas às outras. Então, se elas têm os bicos naturais, os bicos inteiros, elas se ferem gravemente." A DW solicitou informações e posicionamentos ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa os setores da avicultura e da suinocultura do Brasil. Até a publicação desta reportagem, não obteve retorno. A disputa no Congresso Organizações da sociedade civil acompanham mais de 500 proposições relacionadas à causa animal. Em abril, lançaram a Agenda Legislativa Animal 2026, apontando 20 projetos prioritários para sensibilizar os parlamentares e impulsionar a tramitação. No eixo de bem-estar animal e pecuária, as organizações apoiaram o projeto que proibiu a alimentação forçada de animais, utilizada na produção de foie gras. Também defenderam a aprovação de propostas como o fim do abate de equídeos, como os jumentos, a proibição da exportação de gado vivo, a adoção da sexagem in ovo e a implantação da rotulagem de produtos de origem animal. Outro projeto apoiado é o PL 2881/2024, que busca incluir na Lei de Política Agrícola o bem-estar animal como um princípio essencial. A proposta foi aprovada na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas aguarda para ser discutida na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, onde há um parecer contrário. Na Agenda Legislativa Animal 2026, as organizações afirmaram que, apesar dos avanços e do volume de iniciativas, o "espaço dedicado à temática animal na agenda política e nos processos decisórios ainda é reduzido". "No Brasil nós temos uma resistência no Congresso Nacional muito grande a qualquer avanço no contexto das práticas agropecuárias, em virtude de termos uma bancada muito organizada, muito forte, a bancada do agronegócio", afirmou Arthur Regis, da Sinergia Animal. Muitos avanços, na opinião de Regis, decorrem das exigências de mercados internacionais e da sensibilização de parlamentares. Além disso, ele destaca a importância da sociedade, que pode pressionar os tomadores de decisão e deixar de consumir produtos associados à crueldade animal. "A partir do momento em que o consumo cai, a empresa ou o produtor vai se perguntar: ‘Por que meu produto não está sendo consumido?' Porque o consumidor percebeu que ele deriva de uma prática intrinsecamente cruel, como no caso do foie gras."

Imagem ilustrativa de frutas, legumes e verduras no supermercado. Tomate, batata-inglesa e cenoura lideraram as quedas de preços, enquanto leite e frutas registraram as maiores altas do mês. Divulgação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O maior impacto veio do grupo Habitação, que subiu 0,99%. Já a inflação de Alimentos e Bebidas caiu 0,67%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto a inflação dos alimentos consumidos em casa recuou (-1,14%), os preços das refeições fora de casa subiram (+0,55%). Agora no g1 As principais quedas foram no tomate (-29,09%), principal impacto negativo no resultado do mês, batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). No lado das altas, o destaque ficou com o leite longa vida (2,47%) e frutas (1,20%). Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche saindo de 0,13% para 0,76%, e a refeição de 0,15% para 0,42%, no mesmo período. Veja a seguir os 20 alimentos que ficaram mais caros e mais baratos em julho. Alimentos que encareceram Manga: 14,74% Limão: 10,59% Melancia: 7,78% Cebola: 7,74% Morango: 7,13% Mamão: 6,16% Banana-da-terra: 5,49% Pimentão: 5,15% Banana-maçã: 4,06% Milho (em grão): 3,53% Bacalhau: 3,51% Feijão-preto: 3,28% Peixe-palombeta: 3,19% Feijão-macáçar (fradinho): 3,04% Leite longa vida: 2,47% Peixe-dourada: 2,41% Banana-d'água: 2,39% Maracujá: 2,39% Vinho: 2,24% Pepino em conserva: 2,01% Alimentos que mais baratearam Pepino: -33,42% Tomate: -29,09% Batata-inglesa: -19,59% Cenoura: -14,41% Açaí (emulsão): -13,32% Abobrinha: -10,49% Laranja-lima: -10,41% Couve-flor: -9,64% Peixe-filhote: -6,5% Peixe-peroá: -5,73% Brócolis: -5,59% Peixe-tainha: -4,25% Peixe-cação: -3,94% Laranja-baía: -3,74% Melão: -3,7% Batata-doce: -3,6% Açúcar refinado: -3,41% Couve: -3,39% Sopa desidratada: -3,28% Abacaxi: -3,1% Leite foi um dos alimentos que mais encareceu em julho de 2026. Engin Akyurt / Unsplash

IPCA desacelera a 0,07% em julho O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma desaceleração em relação a junho, quando a alta havia sido de 0,16%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No acumulado de 2026, a inflação está em 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, a alta é de 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados até junho. 🔎 Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece um objetivo de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%. O grupo Habitação teve a maior alta em julho, de 0,99%, puxado principalmente pelo aumento da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 3,09% no mês, ante 1,53% em junho, e sozinha respondeu por 0,13 ponto percentual da inflação. Já Alimentação e bebidas ajudou a segurar a inflação, com queda de 0,67%. Entre os demais grupos, os preços variaram de uma queda de 0,66% em Vestuário a uma alta de 0,40% em Saúde e cuidados pessoais. IPCA - Inflação oficial mês a mês Arte g1 Veja o resultado dos grupos do IPCA Alimentação e bebidas: -0,67%; Habitação: 0,99%; Artigos de residência: 0,07%; Vestuário: -0,66%; Transportes: 0,05%; Saúde e cuidados pessoais: 0,40%; Despesas pessoais: 0,22%; Educação: -0,03%; Comunicação: 0,04%. IPCA - Inflação oficial acumulada em 12 meses Arte g1 Alimentos mais baratos ajudam a segurar inflação Supermercado em São Paulo REUTERS/Paulo Whitaker Os preços de alimentos e bebidas caíram 0,67% em julho, principalmente por causa da redução de 1,14% nos alimentos comprados para consumo em casa. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão: 🍅 tomate (-29,09%), 🥔batata-inglesa (-19,59%), 🥕 cenoura (-14,41%) ☕ café moído (-2,45%). O tomate foi o produto que mais ajudou a reduzir a inflação no mês. Na outra ponta, o leite longa vida subiu 2,47% e as frutas ficaram 1,20% mais caras. Já quem comeu fora de casa enfrentou uma alta maior nos preços. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55% em julho, contra 0,15% em junho. O preço dos lanches aumentou 0,76%, enquanto o das refeições subiu 0,42%. Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, Rio Branco teve a maior alta de preços em julho, de 0,32%, principalmente por causa do aumento das passagens aéreas e da energia elétrica. Belém teve a maior queda, de 0,45%, influenciada principalmente pela redução dos preços da gasolina e do açaí. IPCA: Preço dos alimentos: o que ficou mais caro e o que barateou em julho Conta de luz pesa na inflação de julho O grupo Habitação acelerou de uma alta de 0,63% em junho para 0,99% em julho, principalmente por causa do aumento da energia elétrica residencial, que passou de 1,53% para 3,09%. A conta de luz foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês, com impacto de 0,13 ponto percentual. O resultado considera reajustes nas tarifas de energia em algumas cidades: Em São Paulo, uma das concessionárias aumentou as tarifas em 8,85%, a partir de 4 de julho; Em Porto Alegre, o reajuste foi de 14,89%, válido desde 19 de junho; Em Curitiba, de 19,55%, desde 24 de junho. Além dos reajustes, a conta de luz continuou sendo influenciada pela bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Ainda no grupo Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,40%, refletindo reajustes aplicados em Salvador, Porto Alegre, Brasília e Rio Branco. Já o gás encanado ficou 0,04% mais barato, devido a uma redução média de 2% nas tarifas no Rio de Janeiro. Plano de saúde e passagens aéreas ficam mais caros O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40% em julho, influenciado principalmente pelos produtos de higiene pessoal, que ficaram 0,64% mais caros. O destaque foi o perfume, com alta de 1,04%. Os planos de saúde também subiram, 0,42%, refletindo os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já o grupo Transportes teve alta de 0,05%. As passagens aéreas subiram 11,67%, mas o resultado foi parcialmente compensado pela queda de 1,44% nos combustíveis. O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o diesel, 1,22%, e o gás veicular, 0,08%. Economistas veem espaço limitado para novos cortes de juros Apesar de estar dentro da meta do BC (4,50%), a inflação acumulada em 12 meses (4,44%) ainda está acima do centro da meta, de 3%. Isso significa que o IPCA está dentro da faixa considerada aceitável pelo BC, mas ainda não está no nível que a autoridade monetária considera ideal. 🔎 Por que a inflação importa para os juros? A inflação é um dos principais indicadores observados pelo Banco Central para decidir se deve manter, aumentar ou reduzir a Selic. Quando os preços sobem de forma persistente e as expectativas ficam acima da meta, o BC tende a manter os juros elevados por mais tempo. Quando a inflação está sob controle e as expectativas melhoram, pode haver espaço para reduzir a taxa. Para Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o IPCA de julho veio “levemente acima do esperado”, mas a diferença foi pequena, uma vez que o mercado projetava alta de 0,03%, contra os 0,07% registrados. Por isso, ele não espera que o resultado altere significativamente a estratégia do Copom para conter os juros. “Como a diferença entre realizado e projetado pelos analistas foi bem pequena, acredito que o Copom [Comitê de Política Monetária] ainda terá um tom mais cauteloso”, disse. Magno prevê que a Selic termine o ano em 13,75%, o que representaria apenas mais um corte de 0,25 ponto percentual em relação ao nível atual. Já Joel Freitas, diretor e sócio da M7, avaliou que o cenário de inflação continua relativamente favorável, principalmente porque a taxa acumulada em 12 meses está próxima do teto da meta. Ele ponderou, porém, que serviços como saúde, educação e alimentação fora de casa continuam pressionados pelo mercado de trabalho aquecido. Para os próximos meses, Freitas espera uma inflação mais controlada, mas destaca que o comportamento dos alimentos e das tarifas de energia elétrica ainda pode alterar esse cenário. Segundo ele, o fenômeno climático El Niño também pode representar um risco para os preços dos alimentos, já que mudanças nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produtividade das lavouras, atrasar colheitas e reduzir a oferta de produtos mais sensíveis às condições climáticas. “Caso esses impactos se confirmem, a atual trajetória de queda dos preços pode perder força ou até se reverter, com reflexos sobre a inflação. Por isso, o fenômeno deve seguir no radar do Banco Central como um possível vetor de pressão inflacionária nos próximos meses”, afirmou Freitas. Mesmo com a desaceleração dos preços, o Banco Central mantém uma postura cautelosa em relação aos juros. Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom afirmou que há “riscos elevados” para a inflação e que o cenário atual exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária. Na semana passada, o BC reduziu a Selic de 14,50% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Para a próxima reunião, porém, o Comitê não indicou se continuará reduzindo os juros. Segundo a ata, a intensidade do ciclo de cortes dependerá da evolução dos indicadores econômicos. 💰 Os gastos públicos podem aumentar o consumo e dificultar a queda da inflação, além de gerar preocupação com a dívida do governo; 🛢️ O BC também monitora fatores externos, como a alta do petróleo em meio à guerra no Oriente Médio, e climáticos, que podem encarecer produtos e se espalhar para outros preços. 📈 Outro ponto de atenção são as expectativas: as projeções do mercado para os próximos anos continuam acima da meta, o que pode levar o BC a manter os juros altos por mais tempo.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 2,50% nesta terça-feira (11), aos 167.875 pontos. Foi a maior queda desde 12 de março, quando o índice caiu 2,55%. O dólar fechou em alta de 0,98%, cotado a R$ 5,1606. O desempenho ruim teve como pano de fundo o cenário eleitoral no Brasil e as incertezas sobre o rumo dos juros no país. Os dois fatores foram citados em um relatório do banco JPMorgan, que reduziu a recomendação para a bolsa brasileira e afastou investidores estrangeiros. (veja mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Somou-se a isso o impasse na guerra do Oriente Médio, que reduziu a disposição dos investidores por ativos de maior risco. ▶️ Nos indicadores econômicos, a inflação oficial brasileira, medida pelo IPCA, registrou mais uma desaceleração em julho, com alta de 0,07% no mês, após avanço de 0,16% no mês anterior. O resultado voltou a ficar dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, mas ainda está distante do centro, de 3%. ▶️ Também foi divulgada nesta terça a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o BC afirmou que reagirá "com firmeza" caso a forte volatilidade dos preços do petróleo afete os preços no Brasil. Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. ▶️ Investidores também seguiram atentos aos desdobramentos do tarifaço dos Estados Unidos sobre o Brasil. Nesta terça, a ApexBrasil lançou um plano para ampliar a presença de produtos brasileiros em novos mercados, com foco nos setores afetados pelas tarifas e na diversificação das exportações. ▶️ No exterior, as incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz continuaram a pesar nos mercados. Trump ironizou, na véspera, as exigências divulgadas pelo Irã para encerrar a guerra e afirmou que também exigia uma indenização do país "por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente". Diante do impasse, os preços do petróleo oscilaram nesta terça-feira. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,39%, a US$ 88,94. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 1,16%, a US$ 83,08 por barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,52%; Acumulado do mês: +1,80%; Acumulado do ano: --5,98%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: --2,77%; Acumulado do mês: --5,77%; Acumulado do ano: +6,86%. Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na segunda-feira, no entanto, Trump ironizou o pedido de indenização do Irã que deveria ser pago por Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Em post no Truth Social, Trump disse que o regime iraniano deve indenizar "todas as pessoas que matou e feriu gravemente", e falou que passará a fazer a mesma exigência nas futuras negociações entre os dois países. "É uma ideia interessante, pois agora eu também exijo indenização do Irã, por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente com suas bombas de beira de estrada e nos muitos conflitos pelos quais são famosos. (...) Além disso, indenizações devem ser pagas às famílias das centenas de milhares de manifestantes inocentes que o Irã matou nos últimos 50 anos, sem mencionar os 52 mil que foram mortos nos últimos cinco meses. Instruí meus representantes a incluírem isso firmemente em todas as negociações futuras", escreveu. As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia. Ibovespa "rebaixado" Um relatório do JPMorgan que reduziu sua recomendação para o Ibovespa, de "acima da média" para "neutra". Na prática, o banco passou a ver menos espaço para uma valorização do mercado brasileiro em relação a outras opções de investimento. Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, a avaliação do JPMorgan está relacionada principalmente ao aumento das incertezas sobre o cenário brasileiro. Entre os pontos considerados pelo banco estão a possibilidade de os cortes da taxa básica de juros serem interrompidos depois de setembro e os efeitos das eleições de outubro sobre o mercado. A preocupação com os juros é relevante porque cortes na Selic tendem a reduzir o custo de financiamento das empresas e podem tornar investimentos em ações mais atrativos. Se o espaço para novas reduções diminuir, esse movimento perde força e pode afetar as expectativas para a Bolsa. O JPMorgan também reduziu sua projeção para o Ibovespa no fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos, segundo Magno. Para o analista, o aumento da percepção de risco no Brasil ajudou a pressionar não apenas as ações, mas também o dólar e as taxas negociadas no mercado para os juros futuros. Bolsas globais Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em queda, pressionados pelo recuo das ações de tecnologia e enquanto investidores avaliavam rumores de que os EUA e o Irã estariam perto de "algum tipo de acordo". O Dow Jones caiu 0,35%, aos 53.787,57 pontos. O S&P 500 recuou 0,33%, para 7.727,79 pontos. Já o Nasdaq Composite teve baixa de 0,60%, aos 26.445 pontos. Na Europa, os principais mercados da região fecharam o dia mistos, confore o otimismo com uma sólida temporada de balanços compensou a cautela em relação ao Estreito de Ormuz. O índice pan-europeu STOXX 600 ficou estável em 660,51 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, subiu 0,26%, enquanto o CAC-40, da França, caiu 0,13% e o FTSE 100, do Reino Unido, teve perdas de 0,17%. Na Ásia, as ações chinesas fecharam em baixa nesta terça-feira, conforme investidores reavaliavam as perspectivas de um fim do conflito no Oriente Médio e da reabertura de Ormuz. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caiu 0,8%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, recuou 0,8%. O Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 1,1% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,73%. O Nikkei, do Japão, permaneceu fechado. * Com informações da agência de notícias Reuters. Cédulas de dólar bearfotos/Freepik

BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens inde Os países do Brics discutem formas de integrar seus sistemas de pagamentos rápidos e as moedas digitais emitidas por bancos centrais, afirmou nesta terça-feira (11) o presidente do Banco Central da Índia, Sanjay Malhotra. Segundo Malhotra, a integração de sistemas de pagamentos e o uso de moedas digitais de bancos centrais, conhecidas como CBDCs, estão entre as alternativas avaliadas para facilitar pagamentos entre os países e reduzir custos nas transações internacionais. “Os pagamentos transfronteiriços são uma área de interesse para todos nós, incluindo os países do Brics, pois acreditamos que há grande potencial para reduzir custos”, disse Malhotra durante um evento em Mumbai. BC trabalha em PIX Internacional e em garantia e prepara novas regras contra golpes e mensagens indevidas “Várias opções estão em discussão, mas ainda estão em fase de debate, incluindo as CBDCs e as integrações entre sistemas de pagamentos rápidos”, acrescentou. Proposta pode entrar na agenda da cúpula de 2026 A discussão ocorre antes da cúpula do Brics de 2026, que será sediada pela Índia. O grupo reúne Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países. 📅 A 18ª Cúpula do Brics de 2026 está prevista para 12 e 13 de setembro. A agência Reuters informou no início deste ano que o Banco Central da Índia recomendou ao governo que uma proposta para conectar as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais dos países do Brics fosse incluída na agenda da cúpula. Foto de família da 17ª Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro Reprodução/gov.br A ideia faz parte dos esforços do bloco para facilitar transações entre seus integrantes e ampliar o uso de alternativas aos sistemas tradicionais de pagamentos internacionais. Brasil prepara "Pix internacional" O Banco Central brasileiro prevê, para os próximos anos, a evolução do PIX Internacional, com a integração do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro a plataformas de outros países. A ideia é permitir pagamentos transfronteiriços de forma mais rápida e ampliar o uso do PIX no exterior. 🔍O Pix já é aceito em alguns estabelecimentos no exterior, como na Argentina, nos EUA e em Portugal, mas de forma limitada, por meio de parcerias entre instituições financeiras. Atualmente, o PIX já é aceito de forma parcial em países como Argentina, Estados Unidos e Portugal, por meio de parcerias entre instituições financeiras. Nesses casos, o pagamento é feito instantaneamente em reais entre o cliente e uma instituição brasileira, que depois realiza a remessa ao exterior pelos sistemas tradicionais, com o estabelecimento recebendo na moeda local. *Com informações da Reuters

Ford Mustang GT Divulgação / Ford A Ford do Brasil havia anunciado em 21 de julho um recall para o Mustang por falha nos limpadores do para-brisa. Os modelos envolvidos foram fabricados entre 2024 e 2026. Na ocasião, o comunicado da Ford informava que o defeito só seria averiguado e solucionado no segundo trimestre de 2027. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Porém, um novo comunicado da montadora, divulgado nesta terça-feira (11), informa que as 1.371 unidades do Mustang no Brasil já podem passar pela inspeção imediatamente. O texto do comunicado da Ford também "destaca a importância do imediato atendimento a esta convocação". Entenda o recall Segundo a marca, existe o risco de o esguicho de água e os limpadores não funcionarem e, por isso, pode haver a diminuição ou perda de visibilidade. De acordo com a Ford, esta condição acaba “aumentando o risco de acidente com possíveis danos físicos aos ocupantes do veículo e a terceiros”. Agora no g1 O motivo do possível defeito é uma falha na programação que pode afetar o funcionamento do motor do limpador quando a temperatura atinge 0 grau Celsius ou menos. “Nessa condição, os limpadores podem funcionar apenas na velocidade alta, e o esguicho de água do para-brisa pode não funcionar, sem aviso prévio ao condutor”, diz a Ford em nota. A inspeção e eventual reparo, segundo a Ford, levam aproximadamente 20 minutos. Se necessária, a substituição do motor dos limpadores do para-brisa é gratuita. Unidades envolvidas no recall: Mustang - Modelo 2024 - Chassis: de R5433555 até R5434492. Mustang - Modelo 2025 - Chassis: de S5405308 até S5504022. Mustang - Modelo 2026 - Chassis: de T5501127 até T5501731. Ford Bronco Sport Divulgação | Ford Ford pediu para não conduzir Bronco Sport e Maverick Em junho deste ano, a Ford já havia feito um outro recall e pediu para os proprietários não conduzirem os veículos envolvidos no recall. Os modelos Bronco Sport, fabricados entre 2021 e 2025, e Maverick, produzidos entre 2022 e 2025, poderiam apresentar um problema na fixação do braço inferior da suspensão dianteira. Segundo a Ford, 237 unidades dos dois veículos fazem parte deste recall. A montadora, na ocasião, recomendou que os proprietários dos veículos afetados evitassem conduzir os carros até que o atendimento seja realizado em uma concessionária. O chamado ocorreu devido a uma falha detectada no processo de montagem. Segundo a Ford, o braço inferior da suspensão dianteira, em ambos os lados dos veículos, poderia não estar fixado de maneira correta no suporte da roda dianteira. Ford do Brasil faz recall de Bronco Sport e Maverick e pede que unidades afetadas não seja Caso ocorra a falha de fixação, a peça poderá se soltar do suporte da roda. O defeito acarreta o risco de o motorista perder o controle do veículo em movimento, o que eleva a possibilidade de acidentes com danos físicos e riscos fatais aos ocupantes do automóvel e a terceiros. O tempo estimado para a execução do serviço é de cerca de 20 minutos, embora o prazo possa variar segundo o fluxo da concessionária escolhida. O atendimento aos proprietários do Bronco Sport e da Maverick já está aberto. Os clientes devem realizar o agendamento do serviço, disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

O Banco Central (BC) atualizou os dados e informou nesta terça-feira (11) que ainda existem, nas instituições financeiras, R$ 5,12 bilhões em "recursos esquecidos" pelos clientes. O balanço considera valores contabilizados até junho deste ano. Deste total: R$ 3,77 bilhões são recursos de 22,66 milhões de pessoas físicas; R$ 1,36 bilhão são valores de 2,1 milhões de empresas. Agora no g1 Em março, segundo o Banco Central, havia R$ 10,6 bilhões de valores esquecidos nas instituições financeiras. Parte do montante foi transferida para um fundo público para viabilizar o Desenrola 2.0. Em maio, o valor já havia recuado para R$ 6,2 bilhões. O sistema do BC permite consultar se pessoas físicas (inclusive falecidas) e empresas deixaram valores para trás em bancos, consórcios ou outras instituições. Governo anunciou uso do dinheiro; TCU apura Dinheiro esquecido: governo quer usar parte do valor para financiar o Desenrola 2.0 No começo de maio, o governo anunciou o uso, de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões, dos recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos para viabilizar descontos no Desenrola 2.0 – novo programa de renegociação de dívidas. No fim de maio, parte do dinheiro, cerca de R$ 5,7 bilhões, foi encaminhada para um fundo público, o Fundo de Garantia de Operações (FGO), para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, parte do dinheiro desse fundo vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito. "Os recursos não reclamados serão utilizados para o FGO garantir operações do próprio sistema financeiro. Haverá segregação de 10% do saldo transferido que ficará disponível para cobrir eventuais pedidos de resgate [pelos correntistas]", informou o governo à época. Como informou o g1 em junho, o caso entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público. Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação). Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral. No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano. A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras. Relatório do Banco Central dos EUA de 2022 afirmou que o PIX é uma moeda digital Getty Images via BBC Como consultar o dinheiro esquecido Como consultar e resgatar o 'dinheiro esquecido' no Banco Central O único site no qual é possível fazer a consulta e saber como solicitar a devolução dos valores para pessoas jurídicas ou físicas, incluindo falecidas, é o https://valoresareceber.bcb.gov.br. 🔑Via sistema do Banco Central, os valores só serão liberados para aqueles que fornecerem uma chave PIX para a devolução. 📞Caso não tenha uma chave cadastrada, é preciso entrar em contato com a instituição para combinar a forma de recebimento. Outra opção é criar uma chave e retornar ao sistema para fazer a solicitação. 💰No caso de valores a receber de pessoas falecidas, é preciso ser herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal para consultá-los. Também é necessário preencher um termo de responsabilidade. Após a consulta, é preciso entrar em contato com as instituições nas quais há valores a receber e verificar os procedimentos. Cédulas de dinheiro, em imagem de arquivo Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Imagem ilustrativa de carne bovina. Cindie Hansen/Unplash Após a União Europeia, a Noruega também decidiu que deixará de comprar produtos de origem de animal do Brasil a partir de 3 de setembro. O país nórdico não faz parte da UE, mas seguirá a decisão do bloco. O anúncio foi feito pela Mattilsynet, Autoridade Norueguesa de Segurança Alimentar. "[...] Remessas provenientes do Brasil não poderão ser importadas caso tenham certificado sanitário emitido em 3 de setembro de 2026 ou posteriormente. A regra permanecerá em vigor até que o Brasil eventualmente volte a ser incluído na lista de países terceiros autorizados", afirmou a Mattilsynet. A Noruega representa menos de 1% das exportações brasileiras de carne bovina, tanto em volume, como em valor, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura. Em maio, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar às nações do grupo, após alegar que o país não segue as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a UE considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias. 🔎Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser usados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia (entenda aqui). Exportações para União Europeia cresceram entre setores que devem ser embargados pelo bloco Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia. Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.

Fachada do banco BRB. Reprodução/TV Globo O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) afirmou, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não recebeu todas as informações necessárias para analisar a operação de empréstimo pedida pelo Banco de Brasília (BRB). O banco estadual se encontra em crise após negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025 (veja detalhes abaixo). O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Ainda de acordo com o documento, o FGC diz que ainda é necessário ter acesso às demonstrações financeiras de 2025 e do primeiro semestre auditadas e que, sem a análise, não pode verificar a viabilidade da operação. Também não há, até o momento, formalização de manifestação de vontade por parte de instituições financeiras que compareceriam como garantidoras de tal eventual crédito. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux marcou para esta quinta-feira (13) uma nova audiência de conciliação no acordo entre a União e o BRB para viabilizar um empréstimo, atendendo a um pedido. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. O que diz o BRB "O BRB informa que os dados necessários para a análise da operação de capitalização vêm sendo disponibilizados às instituições responsáveis pela avaliação da proposta, observados os ritos próprios do processo. Tanto o Banco Central quanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) possuem acesso às informações requeridas no âmbito das discussões sobre a solução de capitalização, por meio do plano de capital e do plano de negócios. As demonstrações financeiras de 2025 serão divulgadas após a conclusão do processo de capitalização. O cronograma foi impactado pelas medidas adotadas pela atual administração para reforçar a governança, aprofundar os processos de auditoria e assegurar total transparência na apresentação das informações financeiras da instituição. O Banco permanece focado na implementação das medidas de fortalecimento patrimonial, com o objetivo de preservar sua solidez, a confiança dos clientes, investidores e depositantes, e sua capacidade de continuar cumprindo seu papel estratégico para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Selic: Copom reduz taxa básica de juros para 14% ao ano O Banco Central observou nesta terça-feira (11) que a inflação para os consumidores desacelerou nos últimos meses, embora ainda permaneça acima da meta, e apontou que há pressão dos gastos públicos (estimulando a demanda) e de choques de oferta, como a alta do petróleo — decorrente da guerra no Oriente Médio. As análises constam na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia brasileira foi reduzida para 14% ao ano — no quarto corte seguido. Em termos reais, porém, o juro brasileiro ainda é o maior do mundo, segundo levantamento da MoneYou. "No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", informou o BC, a ata do Copom. ➡️Com isso, a autoridade monetária não indicou o que poderá fazer na próxima reunião do Copom, marcada para 15 e 16 de setembro, deixando a porta aberta para tomar a decisão somente nos dias do encontro — com base nos últimos indicadores da economia. 🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Inflação de junho é a menor para o mês em 3 anos, mas ainda está acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central Jornal Nacional/ Reprodução ➡️O BC acrescentou que o cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, com as expectativas de inflação para os próximos anos acima da meta (central de 3%) e "riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária". "O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", informou o Banco Central. Gastos públicos O Banco Central informou, na ata da última reunião do Copom, que há evidências de que a política de juros altos, implementada nos últimos anos, apesar dos cortes recentes da taxa Selic, estejam surtindo efeito sobre a inflação — que tem mostrado desaceleração. "Embora a política monetária [juros altos] esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo [taxas ainda elevadas para padrões brasileiro e internacionais]", informou o Copom. ➡️O BC apontou, também, que a chamada "política fiscal" (relativa aos gastos públicos) tem um impacto de curto prazo na inflação, "majoritariamente" por meio de estímulo à demanda agregada (pressionando a taxa de juros). Avaliou, ainda, que o aumento de gastos "tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros". "Uma política fiscal que atue de forma contracíclica [corte de gastos para conter a inflação] e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade", acrescentou. Em entrevista ao g1 no começo de julho, o ministro da Fazenda, negou que decisões do governo federal sejam a principal causa dos juros elevados no país e afirmou que a equipe econômica fará um ajuste nas contas públicas nos próximos anos para cumprir as metas fiscais. "Eu não estou procurando culpados. Porque assim, quem é menos culpado é o Ministério da Fazenda por conta da taxa de juros. (...) Nós temos que discutir qual a razão da taxa de juros estar nesse patamar. O debate fiscal, ele importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil", disse o ministro da Fazenda, na ocasião. Choques de oferta O Banco Central avaliou, também, que a política de gastos públicos não é a única a pressionar a inflação corrente e as expectativas para os próximos anos. Segundo a instituição, choques de oferta, como o aumento do preço do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio, por exemplo, também têm impactado para cima os preços. "Choques de oferta têm exercido influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva. O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza, mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem", afirmou o BC. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 5,02%, 4,22% e 3,80% - todas acima da meta central de inflação. Outros recados BC avaliou que o ambiente externo permanece "incerto" em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas (taxa de juros nos EUA, por exemplo). "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", acrescentou. A atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação, como busca o Banco Central. "Indicadores correntes apontam para desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda do produto agregado", informou. O BC informou que segue acompanhando "detidamente" o mercado de trabalho. "O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia", concluiu.

Escritório com decoração natalina Pexels O governo federal definiu as regras para o recesso de Natal e Ano Novo dos servidores públicos federais em 2026. O período será dividido em dois blocos: de 21 a 25 de dezembro e de 28 de dezembro a 1º de janeiro de 2027. A regra vale para servidores e empregados públicos, temporários e estagiários que trabalham em órgãos do governo federal. O recesso é facultativo. Ou seja, quem não quiser aderir deverá trabalhar normalmente, mantendo a jornada habitual. Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026 Como será o recesso Os servidores deverão se dividir entre os dois períodos para garantir que os serviços públicos continuem funcionando, principalmente aqueles que envolvem atendimento ao público. Assim, cada órgão deverá organizar o revezamento dos funcionários entre as duas semanas. O recesso, portanto, não significa que todos os servidores ficarão afastados ao mesmo tempo. As horas não trabalhadas durante o recesso deverão ser compensadas posteriormente. O período para fazer essa compensação começa em 1º de outubro de 2026 e vai até 31 de maio de 2027. Para quem trabalha presencialmente e não participa do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), a compensação poderá ser feita com a antecipação do início da jornada ou com a extensão do horário de trabalho, respeitando o funcionamento do órgão. Já quem participa do PGD, seja presencialmente ou em teletrabalho, deverá compensar as horas por meio do cumprimento das entregas previstas no plano de trabalho. A compensação poderá aumentar a jornada em, no máximo, duas horas por dia para servidores, empregados públicos e contratados temporários. Para estagiários, o limite é de uma hora por dia. Quem aderir ao recesso e não compensar as horas dentro do prazo terá desconto proporcional na remuneração. A regra foi estabelecida pela Portaria SRT/MGI nº 6.342, publicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no Diário Oficial da União na última terça-feira (4).

Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais Hollie Adams/Reuters Plataformas com mais de 1 milhão de crianças e adolescentes como usuários deverão publicar até 17 de setembro relatórios de transparência para informar o que fazem para proteger menores de idade em seus serviços, conforme despacho da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) publicado no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira (11). Estes serão os primeiros de uma série de relatórios que deverão ser divulgados a cada semestre no site das empresas. A publicação é exigida pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), lei que completa um ano da publicação também em 17 de setembro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O ECA Digital também ficou conhecido como Lei Felca porque a aprovação aconteceu depois da publicação de vídeo viral que tratou da adultização. A lei determina que plataformas devem apresentar nos relatórios quais são os canais para receber denúncias de infrações contra menores de idade, quantas notificações receberam e quais foram as decisões tomadas. Entenda nova regra que exige confirmação de idade de usuários por sites e aplicativos As empresas também deverão informar quais medidas tomaram para identificar atos ilícitos e contas infantis em seus serviços, bem como quais melhorias fizeram com foco na proteção dos mais jovens. O documento deverá detalhar ainda os métodos usados para chegar aos dados divulgados. Os materiais serão analisados pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável por monitorar a aplicação e regulamentar trechos da lei de proteção online de crianças e adolescentes. Segundo a ANPD, os relatórios funcionarão como uma prestação de contas à sociedade e ao poder público sobre as ações tomadas por cada serviço. Com os relatórios, o órgão espera ter mais informações sobre as práticas de mercado com canais de denúncia, moderação de conteúdo, identificação de contas infantis e gestão de riscos, o que deverá ajudar a definir futuras regulamentações do ECA Digital. Para o primeiro relatório, o período de referência será de 1º de janeiro a 30 de junho de 2026. Como as obrigações previstas no ECA Digital só entraram em vigor em 17 de março, porém, empresas que não tiverem informações relativas a janeiro e fevereiro poderão limitar o documento ao período de 17 de março a 30 de junho. Independentemente do período considerado, o primeiro relatório deverá ser publicado até 17 de setembro. A partir do segundo relatório, os períodos passarão a coincidir com os semestres civis: de 1º de janeiro a 30 de junho, com publicação até 1º de agosto; de 1º de julho a 31 de dezembro, com publicação até 1º de fevereiro do ano seguinte. A ANPD também recomendou que as plataformas obrigadas enviem uma cópia do relatório ao órgão no momento em que o documento for publicado em seus sites.

Unidade de empacotamento da JBS em Greeley, no estado americano do Colorado Shannon Stapleton/Reuters Uma reportagem publicada nesta terça-feira (11/8) no Financial Times, um dos mais prestigiosos periódicos de economia, destacou uma mudança em curso na JBS, a maior processadora de carne do mundo: a ascensão de Wesley Batista Filho, de 34 anos, ao comando da empresa. "Um descendente da dinastia empresarial brasileira Batista se tornará presidente-executivo da JBS, enquanto o maior frigorífico do mundo devolve o cargo mais alto a um membro de sua família controladora", diz trecho da reportagem, assinada de Brasília (DF). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A mudança deve acontecer em janeiro. Batista Filho, que é filho do ex-CEO Wesley Batista e neto do fundador José Batista Sobrinho, hoje lidera a divisão da JBS nos Estados Unidos, a maior da empresa em termos de vendas. "Será uma gestão de continuidade", disse Batista Filho, que trabalha há 15 anos na empresa de sua família, em entrevista ao Financial Times. Agora no g1 "A JBS tem uma trajetória de grande crescimento, dando continuidade à estratégia de diversificação e agregando novas geografias." As ações da empresa nos EUA, porém, caíram 5,8% na segunda-feira (10/8), segundo o periódico de economia. "A JBS registrou na segunda-feira um prejuízo líquido de US$ 102 milhões no segundo trimestre. Suas receitas aumentaram 14%, para US$ 23,9 bilhões", diz a reportagem. Embora o texto não atribua razões à queda, Batista Filho é o primeiro membro da família a retomar o comando da empresa após os escândalos de corrupção que levaram seu pai, Wesley, e seu tio, Joesley, a se afastarem de cargos executivos e levaram ao posto máximo da empresa o executivo Gilberto Tomazoni. "Conheço sua capacidade de execução, sua maneira de pensar sobre os desafios e estou muito confiante de que estamos tomando a decisão certa", disse Tomazoni ao Financial Times a respeito de seu sucessor. Sudeste Asiático na mira Montagem com fotografias dos irmãos Wesley e Joesley Batista Getty Images/BBC News Mundo A reportagem destaca ainda que o conglomerado privado da família Batista, a J&F, tem interesses que incluem as áreas de fintech, mineração, cosméticos e energia. Um dos principais focos do novo manda-chuva da JBS, no entanto, deve ser o Sudeste Asiático, região que Batista Filho descreveu como "a nova fronteira geográfica" da empresa. Segundo o Financial Times, a JBS anunciou que o fundo soberano indonésio Danantara investirá US$ 2,2 bilhões na empresa por uma participação de 25% em uma joint venture que abrangerá essa região, além da Austrália e da Nova Zelândia. A empresa, no momento, também diversifica seus esforços nas áreas de carnes suína e avícola, além de peixes, ovos e alternativas de proteína à base de plantas. Em 2025, Wesley Batista indicou que o aumento dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 (as canetas emagrecedoras) estava impulsionando a demanda por proteína para prevenir a perda muscular. "Antes, os médicos diziam para não comer tantos ovos ou tanta proteína. Agora é o contrário", observou ele.
Auditoria vai apurar crise na Apex A Apex Partners, plataforma de investimentos do Espírito Santo, enfrenta uma crise após uma investigação interna apontar "inconsistências financeiras" na empresa. O fundador e sócio da companhia, Fernando Cinelli, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, foram afastados do comando da empresa na última quinta-feira (6). Segundo informações apresentadas pelo jornalista Abdo Filho, os sócios da Apex descobriram uma dívida de R$ 985,6 milhões. O valor foi informado pela própria empresa em uma ação apresentada à Justiça na sexta (7), na qual pediu uma blindagem temporária de seus ativos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A situação ainda está em fase de apuração. Uma auditoria externa deve ser contratada para identificar o que provocou o problema, qual é a extensão das dívidas e se houve impacto nos negócios e nos investimentos dos clientes. Confira as principais dúvidas sobre o caso: O que é a Apex Partners? A Apex Partners é uma plataforma de investimentos fundada no Espírito Santo. A empresa tem cerca de 8 mil clientes, a maior parte deles no estado, e também atua em outras unidades da federação. A companhia administra mais de R$ 17 bilhões e possui investimentos tanto na chamada economia real — como galpões, prédios residenciais e salas comerciais — quanto no mercado financeiro. Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta O que significa a dívida de quase R$ 1 bilhão? A informação consta em uma ação apresentada pela própria Apex à Justiça na sexta (7) após Fernando Cinelli, que era presidente da empresa, e o diretor financeiro, Eduardo Siqueira, serem afastados dos cargos pelos sócios. Entre os argumentos apresentados pelos sócios está o de que eles não tinham conhecimento da dívida de quase R$ 1 bilhão na empresa. Ainda não está definido, porém, o que provocou esse passivo e qual é exatamente o impacto dele sobre os negócios da companhia. Quem tem investimentos na Apex pode retirar o dinheiro? Neste momento, há uma restrição temporária para os saques de um dos fundos ligados à Apex. A Justiça concedeu uma blindagem de 60 dias para que a situação da empresa seja analisada. Além disso, o BTG, responsável pelo fundo da Apex, suspendeu os saques logo após a crise vir à tona, na quinta (6). A medida busca evitar que uma retirada generalizada de recursos agrave a situação enquanto o tamanho do problema ainda é investigado. LEIA TAMBÉM: GOLPES DO PIX E FALSO ADVOGADO: ES registra média de 144 casos de estelionato por dia no 1º semestre JUSTIÇA: Mulher que faltou ao trabalho por ser ameaçada pelo ex tem demissão por justa causa revertida Os clientes podem perder dinheiro? Existe essa possibilidade, mas ainda é cedo para afirmar se isso ocorrerá. A auditoria que será contratada deverá analisar o que aconteceu, o tamanho das dívidas e o eventual nível de contágio do problema nos diferentes negócios da Apex. Somente a partir dessas informações será possível saber se haverá perdas para investidores e clientes. O que os clientes devem fazer neste momento? A orientação é aguardar a apuração. A empresa deverá contratar uma auditoria para identificar a origem do problema e dimensionar seus impactos. Ao mesmo tempo, há a decisão judicial que estabeleceu uma blindagem temporária dos ativos. Em nota, a Apex Partners afirmou que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. "A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação". A Apex tem dinheiro público? Os recursos envolvidos são exclusivamente privados. A Apex possui investimentos em galpões, shopping centers, imóveis e também no mercado financeiro. Na sexta, o governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial informando que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. A crise pode afetar a economia do Espírito Santo? A Apex é considerada uma empresa importante para o ecossistema econômico do Espírito Santo, principalmente pelo volume de recursos administrados e pelos investimentos realizados no estado. A crise é negativa para a economia capixaba, para os investidores e para a confiança no mercado. No entanto, ele avalia que não deve haver um impacto significativo no conjunto da economia do Espírito Santo. A crise da Apex pode ser comparada ao caso do Banco Master? Nas redes sociais, a situação da Apex já passou a ser chamada de "Master capixaba", mas é preciso ter cautela com a comparação. Segundo ele, os dois casos são diferentes e a crise da Apex ainda é muito recente. O caso veio a público na quinta (6), enquanto a situação envolvendo o Banco Master já vinha sendo acompanhada há mais tempo. A orientação, neste momento, é aguardar a auditoria para entender exatamente o que aconteceu na Apex. Como funciona uma plataforma de investimentos? De forma simplificada, uma plataforma de investimentos reúne diferentes opções para que o cliente aplique seu dinheiro buscando uma rentabilidade. A lógica é que uma pessoa coloque determinado valor para investir e, ao longo do tempo, obtenha um retorno superior ao que teria deixando o dinheiro parado ou aplicando em uma alternativa de referência, como a taxa básica de juros. A Apex atua nesse mercado por meio de investimentos financeiros e também em negócios da chamada economia real. O que pode ter acontecido na Apex? Ainda não há uma conclusão sobre a origem da crise. Os próprios sócios da empresa afirmaram que Fernando Cinelli e Eduardo Siqueira teriam cometido "gestão temerária" e agido com "má-fé". A acusação foi apresentada pelos sócios após a identificação das inconsistências financeiras. Na sexta (7), os sócios divulgaram uma nota informando que pretendem responsabilizar Fernando Cinelli pelas supostas irregularidades. Essas acusações, no entanto, ainda estão sendo apuradas e não representam uma conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos. Fernando Cinelli, fundador e ex-presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta O que diz Fernando Cinelli? A defesa do fundador da Apex Partners afirmou que o empresário está comprometido em contribuir para a preservação da companhia, dos investidores e dos acionistas. Segundo a nota, o afastamento demonstra a disposição de Cinelli em esclarecer todas as questões levantadas “com total transparência e idoneidade”. Como o mercado reagiu? O BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou saques de um fundo ligado à plataforma capixaba. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Golpe da falsa vaga de emprego: veja como identificar e se proteger Ester Nunes, de 26 anos, entrou para as estatísticas de vítimas de golpes financeiros. A profissional de Recursos Humanos perdeu R$ 1,2 mil após cair em uma falsa promessa de dinheiro fácil por meio de uma vaga de trabalho em home office. No início, o esquema pede que a vítima cumpra tarefas online, como avaliar empresas no Google, em troca de pequenas recompensas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O golpe ganha corpo quando os criminosos passam a exigir depósitos via PIX, sob o argumento de aumentar os lucros, como em supostas operações com criptomoedas ou outras justificativas do tipo. Na etapa final, a vítima faz um depósito mais alto e não recebe nenhum retorno. "Eu não me lembrava de ter enviado currículo para nenhuma vaga, mas resolvi entrar em contato porque parecia uma oportunidade de renda extra", contou a vítima, em um relato publicado por ela no TikTok, que já soma mais de 2 milhões de visualizações. Inicialmente, Ester depositou R$ 300. Para liberar os pagamentos, os golpistas exigiram R$ 900. Ela usou parte de sua reserva financeira e realizou o pagamento. Em seguida, uma nova exigência: mais R$ 2,6 mil. Ao dizer que não tinha esse valor, recebeu a informação de que não conseguiria recuperar nenhum dos depósitos anteriores. "Foi aí que percebi que era um golpe. Eles diziam que, se eu não continuasse pagando, perderia tudo o que já tinha enviado”, diz a vítima. Depois de pesquisar sobre o caso, ela descobriu que o saldo exibido na plataforma era fictício e que o único dinheiro efetivamente transferido havia sido o PIX enviado aos golpistas. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que essa estratégia é conhecida como "golpe das tarefas" e tem como objetivo convencer a vítima de que o investimento vale a pena antes de exigir depósitos cada vez mais altos. Ester Nunes, de 26 anos, compartilhou no TikTok o golpe da falsa vaga de home office. Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais Segundo a plataforma SOS Golpe, as fraudes relacionadas a falsas oportunidades de emprego e promessas de renda extra cresceram 56% entre março e abril deste ano. A modalidade ocupa a segunda posição entre as fraudes mais denunciadas à plataforma, com 17,9% dos registros, atrás apenas do golpe da loja ou empresa pouco conhecida, responsável por 20,9% das denúncias. Veja alguns sinais de que a vaga pode ser um golpe: Você não se candidatou à vaga. O primeiro contato acontece por WhatsApp ou Telegram. Há promessa de dinheiro fácil ou renda extra. O salário é muito acima da média. Há pedido de PIX ou qualquer pagamento. Solicitam documentos pessoais logo nas primeiras etapas. Fraude mira quem busca emprego A busca por recolocação profissional tem se tornado alvo de uma fraude cada vez mais comum no ambiente digital. A principal isca utilizada pelos criminosos são vagas consideradas "imperdíveis", com salários acima da média, benefícios atrativos e processos seletivos simplificados. A abordagem costuma ocorrer por WhatsApp, redes sociais, aplicativos de mensagens e e-mail, geralmente em nome de empresas reconhecidas no mercado. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez um alerta sobre o aumento das tentativas de obtenção indevida de dados pessoais, informações bancárias e pagamentos sob o pretexto de participação em processos seletivos, realização de exames admissionais ou cursos supostamente obrigatórios. 🔎 A entidade orienta que os candidatos confirmem a autenticidade das vagas nos canais oficiais das empresas, verifiquem a identidade dos recrutadores antes de compartilhar informações pessoais e desconfiem de ofertas com salários muito acima da média. Como agem os criminosos Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil, afirma que os golpes envolvendo falsas oportunidades de emprego têm se diversificado, mas costumam seguir um mesmo objetivo: convencer a vítima a transferir dinheiro ou fornecer dados pessoais. Inicialmente, a vítima recebe pequenas quantias para ganhar confiança. Em seguida, é direcionada para aplicativos de mensagens, como o Telegram, onde passa a ser orientada a fazer depósitos sob a promessa de desbloquear tarefas mais lucrativas ou obter retornos financeiros maiores. "O criminoso cria uma relação de confiança pagando pelas primeiras tarefas. Depois, começa a exigir depósitos para liberar novas atividades ou supostos lucros. É nesse momento que a vítima perde o dinheiro e o golpista desaparece", explica. Outra modalidade comum, segundo Ramos, é a das falsas vagas de emprego com cobrança de taxas. Nesse caso, a vítima acredita ter sido aprovada em um processo seletivo, mas é informada de que precisa pagar por cursos, certificados, treinamentos ou exames admissionais para assumir a vaga. Empresas legítimas não cobram qualquer valor para participar de processos seletivos. Quem paga pelos custos da contratação é o empregador, nunca o candidato. O especialista também chama atenção para golpes voltados ao roubo de identidade. Os criminosos simulam processos seletivos e solicitam selfies, vídeos e fotografias de documentos pessoais. Posteriormente, esse material pode ser utilizado para abrir contas bancárias, contratar empréstimos e cometer outras fraudes em nome da vítima. "Os golpistas costumam utilizar o nome de empresas conhecidas para transmitir credibilidade e aumentar as chances de convencer a vítima", afirma Ramos. Entre os principais sinais de alerta, o pesquisador destaca promessas de salários elevados para funções com poucos requisitos, processos seletivos conduzidos exclusivamente por aplicativos de mensagens e pedidos de pagamento durante qualquer etapa da contratação. Ele também recomenda que candidatos evitem compartilhar documentos pessoais antes da aprovação no processo seletivo e do recebimento de uma proposta formal de emprego. Criminosos abordam vítimas através de ligações de celular, mensagens de WhatsApp, texto ou e-mail Reprodução/TV Globo Como se proteger do golpe do falso emprego A pedido do g1, os especialistas também compartilharam outras orientações para as pessoas se protegerem do golpe: 🔎 Pesquise a empresa antes de aceitar a vaga. Confira se ela possui site oficial, endereço, telefone e canais de atendimento. 🪪 Confirme a identidade do recrutador e verifique se o contato foi feito por canais oficiais. 📄 Desconfie de ofertas recebidas sem que você tenha enviado currículo. 🤑 Nunca faça pagamentos para participar de processos seletivos. 🔒 Evite baixar arquivos enviados por WhatsApp, SMS ou redes sociais. 💻 Não clique em links suspeitos. ⚠️ Proteja seus dados pessoais e só envie documentos após confirmar a autenticidade da vaga. 🦠 Mantenha antivírus atualizado no celular e no computador. Criminosos abordam vítimas através de ligações de celular, mensagens de WhatsApp, texto ou e-mail RPC Caí em um golpe. Vou recuperar meu dinheiro? Para casos de golpe envolvendo PIX, o Banco Central dispõe do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta que permite aos bancos tentar bloquear e devolver os recursos enviados ao fraudador. "O mais rápido possível, assim que detectar que sofreu o golpe, entre em contato com seu banco e reporte o problema. Tenha sempre o comprovante do PIX em mãos, que contém informações importantes sobre quem recebeu o valor", orienta o consultor do Banco Central Breno Lobo. Segundo ele, o primeiro passo é comunicar imediatamente o banco para que a instituição possa acionar o MED e tentar bloquear o dinheiro antes que ele seja sacado ou transferido. A vítima tem até 80 dias, contados a partir da transação, para solicitar a devolução. "Após o registro da contestação, o banco da vítima aciona o Banco Central, que comunica o banco do recebedor para bloquear os recursos disponíveis até o valor da fraude. Em alguns casos, porém, não há saldo suficiente para o bloqueio", explica. O caso é analisado em até sete dias. Se a fraude não for confirmada, os valores são desbloqueados. Caso seja comprovada, o dinheiro disponível pode ser devolvido à vítima, total ou parcialmente, em até 96 horas. Uma das limitações do mecanismo é justamente a necessidade de haver saldo na conta usada pelo golpista, já que, em alguns casos, os criminosos sacam ou transferem o dinheiro rapidamente. Se não houver recursos suficientes para a devolução integral, o banco do recebedor deve monitorar a conta e realizar novos bloqueios sempre que houver entrada de dinheiro, até que o valor seja recuperado ou se completem 90 dias da transação original. Se, ao fim desse período, não houver recursos suficientes, o MED é encerrado. O banco da vítima não é obrigado a usar dinheiro próprio para cobrir o prejuízo. Nesse caso, ainda é possível buscar outras formas de tentar recuperar o valor, como recorrer ao Procon ou à Justiça, além de registrar uma reclamação no Banco Central. Lobo ressalta ainda que o MED não se aplica a desacordos comerciais ou problemas relacionados à compra de produtos e serviços. O mecanismo também pode ser utilizado em casos de falha operacional no Pix, como uma transferência realizada em duplicidade pela instituição financeira. Se o erro for confirmado, o dinheiro deve ser devolvido em até 24 horas. Por isso, embora exista um prazo de até 80 dias para solicitar o MED, a orientação é avisar o banco assim que o golpe for identificado. Quanto mais rápido o pedido for feito, maiores são as chances de encontrar recursos na conta do fraudador antes que sejam movimentados. Até o momento, Ester afirma que não recebeu a devolução do dinheiro enviado aos golpistas. Segundo ela, registrou uma reclamação no Banco Central e anexou prints das conversas com os criminosos, os comprovantes dos PIX e o protocolo da solicitação aberta junto ao banco. Em nota enviada ao g1, o Google informou que todas as oportunidades de trabalho na empresa são divulgadas exclusivamente em seu site oficial de carreiras. O Telegram foi procurado, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho

Apesar de o setor de saneamento básico ter registrado, pelo terceiro ano consecutivo, recorde de investimentos, o Brasil ainda enfrenta desafios para universalizar o acesso aos serviços de saneamento. Em 2024, o setor registrou investimentos de cerca de R$ 29,1 bilhões, segundo o Panorama da Universalização do Saneamento 2026, divulgado nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (Abcon). Agora no g1 Atualmente, 780 municípios já atingiram a meta de universalização do abastecimento de água. Em relação ao esgoto, o número é menor: apenas 321 municípios conseguiram universalizar a coleta e o tratamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 5.571 municípios. O levantamento mostra ainda que 3.625 municípios possuem contratos com metas de universalização do abastecimento de água. Para o esgotamento sanitário, são 3.774 municípios com metas estabelecidas para a universalização do serviço. Por outro lado, 1.107 municípios não possuem informações suficientes para avaliar a capacidade de alcançar as metas de universalização do abastecimento de água. Em relação à coleta e ao tratamento de esgoto, 1.431 municípios não têm dados suficientes para essa avaliação, diz o estudo. 75% das residências de Turilândia não têm acesso a saneamento básico g1 Investimentos 💰Em 2024, o setor de saneamento registrou investimentos de cerca de R$ 29,1 bilhões, o terceiro recorde anual consecutivo. O valor representa um crescimento de 9% em relação a 2023. De acordo com a Abcon, o aumento dos investimentos está relacionado à realização de leilões e à ampliação da participação privada no setor. Entre 2020 e junho de 2026, foram realizados 70 leilões, que resultaram na contratação de mais de R$ 227 bilhões em investimentos. Os projetos alcançaram cerca de 100 milhões de pessoas em 2.480 municípios. Outros 31 projetos estão em estruturação, com previsão de R$ 32 bilhões em investimentos em 636 municípios. A expectativa é de que essas iniciativas beneficiem aproximadamente 11,9 milhões de brasileiros. Tratamento de esgoto Mesmo com o aumento dos investimentos, o país ainda trata pouco mais da metade do esgoto gerado. Em 2024, 51,8% do esgoto foi tratado. Entre 2023 e 2024, o volume total de esgoto tratado aumentou 5%. O volume equivalente a cerca de 1,9 milhão de piscinas olímpicas. O levantamento também aponta avanço na oferta regular de água desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento. De acordo com a Abcon, o número de domicílios abastecidos por rede de distribuição de água com disponibilidade diária aumentou 15%, passando de 52,8 milhões para 60,5 milhões de domicílios. Marco Legal do Saneamento Básico O marco legal é uma lei que modifica uma série de normas do setor do saneamento básico do Brasil. O texto aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL). ✍️A lei prevê mecanismos para ampliar, em índices próximos a 100%, a rede de fornecimento de água potável e de coleta de esgoto pelo país até 2033. Também estabelece estímulos para a presença do setor privado.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.043 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (11), em São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso do último domingo (9), uma aposta de Fortaleza (CE) acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 164.895.645,00. A aposta foi feita na Loteria Aldeota, em formato de bolão com 15 números apostados e 100 cotas. Apesar de o prêmio principal ter saído para uma única aposta, o valor será dividido entre os participantes do bolão. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Loterias caixa. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Escritório com decoração natalina Pexels O governo federal definiu as regras para o recesso de Natal e Ano Novo dos servidores públicos federais em 2026. O período será dividido em dois blocos: de 21 a 25 de dezembro e de 28 de dezembro a 1º de janeiro de 2027. A regra vale para servidores e empregados públicos, temporários e estagiários que trabalham em órgãos do governo federal. O recesso é facultativo. Ou seja, quem não quiser aderir deverá trabalhar normalmente, mantendo a jornada habitual. Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026 Como será o recesso Os servidores deverão se dividir entre os dois períodos para garantir que os serviços públicos continuem funcionando, principalmente aqueles que envolvem atendimento ao público. Assim, cada órgão deverá organizar o revezamento dos funcionários entre as duas semanas. O recesso, portanto, não significa que todos os servidores ficarão afastados ao mesmo tempo. As horas não trabalhadas durante o recesso deverão ser compensadas posteriormente. O período para fazer essa compensação começa em 1º de outubro de 2026 e vai até 31 de maio de 2027. Para quem trabalha presencialmente e não participa do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), a compensação poderá ser feita com a antecipação do início da jornada ou com a extensão do horário de trabalho, respeitando o funcionamento do órgão. Já quem participa do PGD, seja presencialmente ou em teletrabalho, deverá compensar as horas por meio do cumprimento das entregas previstas no plano de trabalho. A compensação poderá aumentar a jornada em, no máximo, duas horas por dia para servidores, empregados públicos e contratados temporários. Para estagiários, o limite é de uma hora por dia. Quem aderir ao recesso e não compensar as horas dentro do prazo terá desconto proporcional na remuneração. A regra foi estabelecida pela Portaria SRT/MGI nº 6.342, publicada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no Diário Oficial da União na última terça-feira (4).

EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço A China pediu nesta segunda-feira (10) para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação movida pelo Brasil contra o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos aos parceiros comerciais. Na petição, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” no processo porque a investigação sobre trabalho forçado conduzida pelos EUA e as medidas adotadas a partir dela atingem produtos de origem chinesa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O pedido foi formalizado com base no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do documento foi enviada às delegações do Brasil e dos Estados Unidos e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização. (saiba mais abaixo) O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos EUA junto à própria entidade internacional. Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano. Também nesta segunda-feira, o governo dos Estados Unidos respondeu ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à OMC e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. LEIA MAIS EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço O que significa a participação chinesa? A participação chinesa não significa, neste momento, que Pequim tenha aberto uma disputa própria contra os Estados Unidos. O pedido permite que a China acompanhe e participe das consultas por entender que as medidas discutidas no caso brasileiro também afetam seus interesses comerciais. As consultas são a primeira etapa formal do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O procedimento permite que os países envolvidos tentem chegar a um acordo antes da eventual abertura de um painel para analisar o caso. Para o Brasil, o acionamento da OMC também tem caráter político e institucional. Diplomatas avaliam que levar o caso à organização registra a posição brasileira contra as medidas de Washington e reforça a preferência do país pela solução multilateral de disputas comerciais. A entrada da China nas consultas acrescenta um novo elemento à disputa, ao indicar que parte das medidas americanas questionadas pelo Brasil também tem impacto direto sobre o comércio entre EUA e China. O presidente Lula e a primeira-dama, Janja, são recebidos pelo presidente da China, Xi Jinping. Ricardo Stuckert/PR

Wesley Batista Filho, futuro CEO da JBS. Divulgação/JBS Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de janeiro de 2027. A maior produtora de carnes do mundo anunciou a mudança nesta segunda-feira (10). A mudança faz parte de uma sucessão planejada pela JBS. Gilberto Tomazoni, atual CEO global, deixará o cargo após oito anos e permanecerá na companhia como vice-presidente do conselho de administração e consultor sênior. A transição será conduzida ao longo dos próximos cinco meses. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Filho de Wesley e sobrinho de Joesley Batista, o executivo é o atual presidente-executivo da JBS USA. Ele assumirá o comando da JBS após uma carreira de 15 anos no grupo, com passagens por operações no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai e Paraguai. “Sinto-me honrado por assumir essa responsabilidade e dar continuidade ao extraordinário trabalho realizado por Tomazoni durante sua gestão como CEO”, afirmou. Agora no g1 Quem é Wesley Batista Filho? Wesley Batista Filho começou sua trajetória na empresa em 2011, como trainee na unidade de carne bovina de Greeley, no Colorado, nos Estados Unidos. Antes de ocupar cargos executivos, trabalhou na operação da fábrica. Depois, retornou a São Paulo para atuar na área de exportação de carne bovina. Entre 2012 e 2013, liderou as operações de carne bovina da companhia no Uruguai e no Paraguai. Em seguida, mudou-se para Calgary, no Canadá, onde presidiu a JBS Canadá entre 2014 e 2015. Em 2016, voltou aos EUA para comandar a JBS USA Fed Beef, unidade de carne bovina que a companhia considera seu maior negócio global. Permaneceu no cargo até 2017, quando retornou ao Brasil. Em 2017, voltou a São Paulo e, no ano seguinte, tornou-se CEO da operação brasileira, a JBS Brasil. Ocupou o cargo até 2019. Em 2020, passou a comandar também a Seara, negócio da JBS no Brasil que reúne produtos de maior valor agregado, além das operações de aves e suínos. Em 2022, Batista Filho assumiu o cargo de presidente global de Operações. A função colocou sob sua responsabilidade a estrutura operacional da companhia em diferentes regiões, incluindo América do Norte, América do Sul, Oceania e Europa. No ano seguinte, voltou a Greeley pela terceira vez e foi nomeado CEO da JBS USA, a maior plataforma da companhia em receita. A operação americana reúne mais de 60 unidades de produção de carne bovina, suína e de frango, além de alimentos preparados e outros produtos alimentícios. Segundo a JBS, são mais de 70 mil funcionários distribuídos por 31 estados americanos. SAIBA MAIS JBS anuncia Wesley Batista Filho como novo CEO global a partir de 2027

Wesley Batista Filho, à esqueda, e Gilberto Tomazoni, à direita. Divulgação/JBS A JBS, maior produtora de carnes do mundo, anunciou nesta segunda-feira (10) que Wesley Batista Filho será o novo CEO global da companhia a partir de janeiro de 2027. Ele substituirá Gilberto Tomazoni, que deixará o cargo após oito anos à frente da empresa. A mudança marca o retorno de um integrante da família Batista ao principal cargo executivo da JBS. Wesley Batista Filho, de 34 anos, é filho de Wesley Batista e sobrinho de Joesley Batista, que já comandaram a companhia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Atual CEO da JBS USA, Batista Filho começou a carreira na empresa em 2011, como trainee na unidade de bovinos de Greeley, nos Estados Unidos. Desde então, passou por diferentes áreas e operações do grupo. Ele já comandou negócios da JBS no Uruguai, no Paraguai e no Canadá e também foi CEO da JBS Brasil e da Seara, divisão de alimentos processados de aves e suínos da companhia. Agora no g1 A transição será conduzida por Tomazoni nos próximos meses. Depois de deixar o cargo de CEO global, ele assumirá as funções de vice-chairman do conselho de administração e senior advisor da JBS. O executivo também continuará como chairman da Pilgrim’s Pride Corporation (PPC), subsidiária da JBS nos Estados Unidos. Tomazoni está na JBS há 14 anos, sendo oito deles como CEO global. Durante sua gestão, a empresa ampliou a atuação internacional e diversificou os negócios. A receita anual passou de cerca de US$ 50 bilhões para US$ 86,2 bilhões. Também foi durante sua gestão que a JBS passou a ter ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). A volta por cima dos irmãos Batista: da Lava Jato à diplomacia Continuidade e expansão Wesley Batista Filho será o novo CEO global da JBS a partir de janeiro de 2027 JBS Em entrevista à Reuters, Batista Filho afirmou que a mudança deve ser marcada pela continuidade, já que trabalha com Tomazoni há 14 anos. "É uma transição que tem uma continuidade muito grande. Um CEO novo, que conhece uma empresa do nada, tem que aprender, decidir para aonde vai. No nosso caso, pela transição que estamos fazendo, não é isso." O futuro CEO afirmou que pretende manter a estratégia de expansão internacional da companhia, com atenção especial ao Oriente Médio, ao Sudeste Asiático e à Oceania. Entre os movimentos recentes da JBS nessas regiões estão um acordo bilionário com a Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, e uma aquisição em Omã no início deste ano. Batista Filho também citou como prioridades para os próximos anos a continuidade dos investimentos em produtos de maior valor agregado e a expansão dos negócios de ovos e peixes. SAIBA MAIS Quem é Wesley Batista Filho, que será o novo CEO global da JBS

Governo eleva classificação indicativa do YouTube O YouTube vai aumentar as exigências para que novos criadores possam começar a ganhar dinheiro com anúncios e assinaturas na plataforma. A partir de 1º de fevereiro, será necessário acumular 8 mil horas de exibição qualificadas nos últimos 12 meses ou 20 milhões de visualizações qualificadas de Shorts nos últimos 90 dias. ▶️ Atualmente, o YouTube exige 1 mil inscritos e 4 mil horas de exibição no último ano ou 1 mil inscritos e 10 milhões de visualizações de Shorts nos últimos 90 dias. A mudança vale para novos criadores e não afetará os canais que já fazem parte do Programa de Parcerias do YouTube. LEIA TAMBÉM A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida Exigência aumenta para novos criadores Com a atualização, o tempo de exibição necessário para quem produz vídeos longos será o dobro do exigido atualmente. A mudança torna mais difícil para novos canais alcançarem a monetização, principalmente para criadores que dependem de vídeos curtos. Na prática, será necessário construir uma audiência maior e manter um volume elevado de visualizações para começar a ganhar dinheiro com a plataforma. O YouTube afirma que a alteração acompanha o crescimento da plataforma, que atualmente registra mais de 200 bilhões de visualizações diárias em Shorts e mais de 1 bilhão de horas de conteúdo assistidas em televisores todos os dias. Shorts terão regra específica O YouTube também anunciou uma mudança para os criadores que já fazem parte do programa e recebem dinheiro por meio do Shorts Creators Pool. Para continuar recebendo essa receita, os canais precisarão manter pelo menos 10 milhões de visualizações de Shorts a cada período de 90 dias. Quem ficar abaixo desse número continuará no Programa de Parcerias e poderá seguir ganhando dinheiro com vídeos longos. A receita dos Shorts será retomada quando o canal voltar a atingir a marca de 10 milhões de visualizações em 90 dias. Premium Lite será ampliado Além das mudanças nas regras de monetização, o YouTube anunciou a expansão do Premium Lite para todos os países onde o YouTube Premium está disponível. A modalidade oferece uma experiência sem anúncios na maior parte dos vídeos e permite baixar conteúdos para assistir offline e reproduzi-los em segundo plano. Os criadores recebem uma parcela da receita gerada pelas assinaturas de acordo com o tempo de exibição e o número de visualizações. Segundo o YouTube, 55% da receita fica com criadores de vídeos longos e 45% com criadores de Shorts. A empresa afirma que a expansão do serviço pode aumentar os ganhos dos criadores. Segundo o YouTube, quando um usuário assina o Premium, os parceiros recebem, em média, mais do que receberiam se aquele espectador continuasse assistindo aos conteúdos com anúncios. Outras plataformas também mudam regras O YouTube não é a única rede social a alterar seus programas de remuneração para criadores. O X, de Elon Musk, mudou no fim de semana as regras de seu programa de pagamentos para priorizar conteúdos originais. O Facebook também lançou neste ano um novo programa de monetização para atrair criadores que produzem conteúdo para plataformas como TikTok e YouTube. As mudanças mostram uma disputa entre as grandes redes sociais pelos criadores de conteúdo que conseguem reunir grandes audiências. Logo do YouTube REUTERS/Lucy Nicholson

O cofundador do Facebook Eduardo Saverin comparece ao segundo aniversário da 99.co e ao lançamento do 99PRO em Cingapura em 26 de maio de 2016. Roslan Rahman/AFP/Arquivo O bilionário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, se juntou ao dono da Amazon, Jeff Bezos, em um consórcio que negocia a compra de cerca de um terço do Liverpool Football Club, da Inglaterra. A informação é da Sky News, que apurou que o Fenway Sports Group (FSG), grupo que controla o Liverpool desde 2010, se prepara para anunciar a transação ainda nesta semana. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O consórcio é liderado por Amit Bhatia, genro de Lakshmi Mittal, bilionário do setor siderúrgico. Até recentemente, Bhatia era acionista do Queens Park Rangers, clube da segunda divisão do futebol inglês. Se o negócio for fechado, três dos homens mais ricos do mundo passarão a ser sócios do Liverpool, um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol inglês. Só Bezos tem uma fortuna estimada pela Forbes em mais de US$ 283 bilhões, enquanto Saverin tem patrimônio superior a US$ 33 bilhões. Segundo a Sky News, o negócio deve avaliar o Liverpool em US$ 6 bilhões, o que faria da transação uma das maiores da história do futebol. Embora Bezos nunca tenha se envolvido em negociações para investir em clubes de futebol, sua possível entrada no consórcio mostra como o esporte tem atraído cada vez mais investidores bilionários. Saverin, de 44 anos, fez parte de um consórcio que apresentou, sem sucesso, uma proposta para comprar o Chelsea durante o processo de venda do clube, em 2022. Quem são os brasileiros mais ricos segundo lista de bilionários da Forbes. Quem é Eduardo Saverin Eduardo Saverin, durante conferência realizada em Singapora, em 2013. Roslan Rahman/AFP/Arquivo O empresário Eduardo Saverin segue na liderança do ranking dos brasileiros mais ricos do mundo, com fortuna estimada em mais de US$ 33 bilhões, segundo a revista Forbes. Saverin nasceu em 1982, em São Paulo, mas foi criado nos Estados Unidos. Ele é conhecido por ter ajudado Mark Zuckerberg a fundar o Facebook — os dois se conheceram na faculdade. Hoje, o empresário mora em Singapura com a esposa e o filho. Saverin também é cofundador e copresidente da B. Capital, empresa de investimentos em venture capital. 🔍 Empresas de venture capital — também chamadas de capital de risco — investem em companhias inovadoras em estágio inicial ou de pequeno porte e oferecem apoio para que elas possam crescer. Normalmente, esse tipo de investimento envolve alto risco, mas também pode gerar retornos elevados. Saverin se formou em economia em Harvard, onde conheceu Zuckerberg e ajudou a criar a rede social em 2004. Ele foi responsável pelo investimento inicial necessário para colocar a empresa em operação, segundo o livro "Milionários Acidentais", de Ben Mezrich, publicado em 2012. A fortuna veio de uma participação minoritária na empresa. Ele apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes em 2011, após a abertura de capital do Facebook valorizar sua participação. A participação não foi maior porque Saverin e Zuckerberg romperam a parceria após divergências sobre os rumos da empresa. A disputa foi parar na Justiça e foi retratada no filme "A Rede Social" (2010), em que Saverin é interpretado pelo ator Andrew Garfield. Ainda assim, ele chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024. Na época, sua fortuna foi estimada em R$ 155,9 bilhões, após forte valorização das ações da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Lula: "Trump, a gente tem que passar para o mundo uma certa harmonia" O presidente Donald Trump prorrogou por 90 dias uma autorização especial que permite que navios de bandeira estrangeira transportem petróleo e outras commodities entre portos dos EUA. Entretanto, Trump também impôs novos limites após construtores navais e seus aliados no Congresso argumentarem que a medida prejudicava a indústria marítima nacional, informou a Casa Branca. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A prorrogação, oficializada nesta segunda-feira (10), ocorre em um momento em que a tensão com o Irã perturba o fluxo global de petróleo bruto e eleva os custos dos combustíveis. O cenário aumenta a pressão sobre o governo para aliviar gargalos logísticos e evitar novas altas nos preços da gasolina e de outras fontes de energia. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, a extensão por 90 dias garante que as Forças Armadas e setores estratégicos dos EUA mantenham acesso ininterrupto a recursos essenciais. "Dados mostram que a autorização especial impulsionou um aumento significativo nas entregas internas de produtos essenciais, como gasolina, diesel e combustível de aviação", disse Rogers em uma publicação na rede social X. Sob as novas condições, o governo restringiu o alcance da medida. Cada viagem deverá passar por uma análise individual, em vez de os navios estrangeiros receberem isenções genéricas à Lei Jones (Jones Act), confirmou uma autoridade da Casa Branca. O que é a Jones Act? A Jones Act exige que as cargas transportadas entre portos dos EUA sejam levadas em navios construídos no país, de propriedade de empresas americanas e tripulados por trabalhadores americanos. A autorização especial busca reduzir os preços dos combustíveis ao ampliar a flexibilidade do transporte marítimo e diminuir gargalos logísticos. A autorização venceria em 16 de agosto caso não fosse prorrogada. Trata-se da suspensão mais longa da história da lei, que está em vigor há mais de um século.

Trump diz que vai autorizar venda de semicondutores de IA da Nvidia para a China Um grupo de instituições financeiras, incluindo Apollo Global e Blackstone, está trabalhando com a Nvidia para montar um pacote de financiamento de US$ 500 bilhões (R$ 2,55 trilhões) voltado ao desenvolvimento da infraestrutura necessária para a inteligência artificial. A informação é do Financial Times nesta segunda-feira (10). A possível parceria mostra o esforço da Nvidia para levantar recursos para a infraestrutura que sustenta a expansão da inteligência artificial, como chips, geração de energia e centros de processamento de dados. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O grupo também inclui a Global Infrastructure Partners, da BlackRock, a Brookfield Asset Management, o Goldman Sachs e a KKR. Segundo o Financial Times, que ouviu cinco pessoas a par das negociações, as instituições discutem uma parceria com a Nvidia para financiar a expansão da infraestrutura de IA. O acordo pode ser anunciado ainda nesta segunda-feira, segundo o jornal. A BlackRock não quis comentar o assunto. A Nvidia e as demais empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. 'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha Ilustração mostra o logotipo da NVIDIA e a placa-mãe do computador REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço O governo dos Estados Unidos respondeu nesta segunda-feira (10) ao pedido de consultas apresentado pelo Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) e informou estar "à disposição" para discutir o tarifaço. "Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O Brasil acionou a OMC para contestar duas novas tarifas anunciadas pela Casa Branca: uma de 25%, aplicada sob o argumento de que o Brasil adota práticas econômicas consideradas desleais pelos EUA em relação a empresas americanas; outra de 12,5%, aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, falhou na fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Ao acionar a organização, o governo brasileiro argumentou que as novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump são discriminatórias, unilaterais e violam os compromissos assumidos pelos Estados Unidos junto à própria entidade internacional. Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil Embora não tenha feito essa afirmação à OMC, o governo brasileiro tem dito — por meio de declarações do chanceler Mauro Vieira e de comunicados oficiais — que o tarifaço tem motivação política e desconsidera os argumentos técnicos apresentados pelas autoridades brasileiras ao longo das negociações com os responsáveis pelo comércio americano. Governo não espera reversão Embora o governo tenha acionado a OMC, diplomatas dizem que a medida tem caráter simbólico. Ou seja, não acreditam que uma eventual decisão da organização tenha capacidade de reverter o tarifaço americano. LEIA TAMBÉM: 'Mais simbólico do que efetivo': por que o Brasil foi à OMC contra o tarifaço, mesmo com o órgão enfraquecido OMC perde instância máxima de apelação de processos Sete pontos para entender a paralisia que ameaça a OMC Segundo eles, diante da tradição da diplomacia brasileira de defender o chamado multilateralismo, o governo considerou necessário acionar a OMC para reforçar a defesa da solução de conflitos entre países — sejam políticos, econômicos ou militares — por meio de organismos internacionais. Os diplomatas afirmam ainda que o recurso à OMC "marca posição" do Brasil em relação aos EUA e registra a tentativa do país de buscar caminhos para reverter a medida. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance

Discord tem até 2ª feira (10) para apresentar plano de proteção a jovens A primeira-dama Janja da Silva defendeu nesta semana que o Discord deveria ser retirado "imediatamente" do ar no Brasil, citando o caso de uma menina de 13 anos que teria sido coagida por outros usuários a se suicidar durante uma transmissão ao vivo na plataforma. A polícia apreendeu na terça-feira (4/8) cinco adolescentes, de idades entre 13 e 17 anos, e prendeu um homem de 18 anos, acusados de envolvimento na morte da adolescente de Naviraí, em Mato Grosso do Sul, em 22 de julho. As investigações apontam que o grupo usava o Discord e também o aplicativo de mensagens Telegram para atrair vítimas meninas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos. "A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma", disse a primeira-dama, durante uma cerimônia no Palácio do Planalto na quinta-feira (7/8), em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou lei que amplia a punição para quem pratica violência sexual contra crianças e adolescentes. "Não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord, se enforcar e morrer. Não consigo admitir um país desse." O Secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, disse no evento que a polícia chegou a pedir a suspensão da plataforma, mas que o pedido foi negado pelo Judiciário. Já o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que pediu ao Ministério da Justiça que encaminhe todas as informações sobre o caso e sobre o Discord para que seja preparada uma ação civil pública contra a plataforma. Dados da Safernet, organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet, mostram que, de janeiro a julho de 2026, o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54%, na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 406 em 2026 até agora, contra 264 nos primeiros sete meses de 2025, um recorde para o período, na série histórica iniciada em 2017. Nos últimos anos, o Discord tem figurado em episódios de violência extrema, incluindo crimes como venda de armas, drogas e explosivos; planejamento de ataques a escolas e tiroteios em massa; compartilhamento de conteúdo extremista, imagens e vídeos de abusos a crianças e adolescentes, e de tortura contra animais; além de extorsão sexual, tráfico de pessoas e incentivo à automutilação, incluindo suicídio. Ainda assim, especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que bloquear o serviço no Brasil, como pede Janja, não é a solução para os graves problemas de moderação de conteúdo da plataforma. A medida poderia, na verdade, incentivar os usuários a usarem ferramentas para continuar no Discord (como VPNs) ou empurrá-los para outras plataformas que estão fora do alcance das autoridades e leis brasileiras. "Vamos pedir a imediata responsabilização e a retirada de sua utilização pela sociedade brasileira, já que ela não tem compromisso com a sociedade e não protege crianças e adolescentes", disse Messias, segundo o portal G1. A primeira-dama Janja da Silva defendeu que o Discord seja retirado do ar no Brasil. Reprodução/BBC Brasil "Os crimes vão continuar acontecendo, provavelmente dentro do próprio Discord, usando VPNs e outras ferramentas de acesso que contornam bloqueios", diz Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. Uma VPN (sigla em inglês para "rede privada virtual") é uma tecnologia que cria uma conexão criptografada entre o dispositivo e a internet, e criminosos se aproveitam dela para esconder suas identidades em atividades ilegais na internet. Segundo Tavares, elas são amplamente usadas para acessar o Discord em países onde a plataforma está atualmente bloqueada, como Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. "Inclusive, isso tem um efeito contraproducente, porque você acaba disseminando o uso dessas ferramentas de contorno de bloqueios." Thiago Ayub, diretor de tecnologia da empresa especializada em redes Sage Networks, acrescenta que o bloqueio pode fazer os usuários do Discord (e as atividades que se buscava interromper) migrarem para outras plataformas ainda não bloqueadas. "O Discord possui representante legal no Brasil, que serve como ponto de contato com as autoridades. A nova plataforma a ser escolhida possivelmente será uma sem representante, mais distante ainda do alcance das leis brasileiras, representando um efeito rebote daquilo que inicialmente tentou-se reprimir." O Discord afirmou em nota à BBC News Brasil que "não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência e estamos cooperando com as autoridades policiais na investigação deste grave caso". Disse ainda que "mantém um diálogo contínuo com as autoridades brasileiras, incluindo o Ministério da Justiça, e tem atuado de forma proativa ao reportar indivíduos às autoridades policiais brasileiras, contribuindo para operações que resultaram em prisões". Por que crimes proliferam no Discord O Discord é uma plataforma americana, fundada em 2015, como um espaço para jogadores online compartilharem mensagens, imagens, áudios, memes e transmissões em um só lugar. "O Discord integra várias funcionalidades, numa arquitetura que permite a existência de espaços fechados, onde só se entra com convite", observa Tavares, da SaferNet. São os chamados servidores ou "panelas", no caso de um subgrupo dentro de um servidor. "Além disso, a plataforma tem deficiências claras na capacidade de detecção de conteúdos criminosos, e tem poucas barreiras de entrada. Não há, por exemplo, verificação etária, como ficou evidente no caso que resultou no suicídio de uma menina de 13 anos, em que um dos usuários envolvidos declarou uma idade de mais de 140 anos." À esquerda, vídeo de estupro virtual realizado no Discord sendo compartilhado no X; à direita, imagem de servidor de um grupo interessado em realizar ataques a escolas. Reprodução/BBC Brasil Ayub, da Sage Networks, observa que, no Discord, são os administradores de cada comunidade que determinam quem pode entrar e o teor do conteúdo daquilo que vai ser dito, diferentemente das redes sociais mais tradicionais, onde as empresas estabelecem regras e moderam conteúdo. "O Discord se enxerga como fornecedor do software e não como gestor da comunidade. É como se cada comunidade dentro do Discord fosse um condomínio, com seu síndico e suas regras", afirma. Tavares observa que um dos fatores que contribui para a baixa detecção de incidentes graves no Discord é o fato de os modelos da plataforma para isso serem treinados em língua inglesa, e as decisões de moderação e alertas muitas vezes serem tomadas a partir de traduções feitas por sistemas de inteligência artificial. Como os criminosos no Brasil se comunicam frequentemente usando siglas, codinomes e palavras que não fazem sentido em inglês, e o Brasil está entre os cinco maiores mercados para o Discord, Tavares defende que seria necessário que os modelos da plataforma fossem treinados em português, com um time local, e ferramentas customizadas para o uso da plataforma no Brasil. Discord tem até 2ª feira (10) para apresentar plano de proteção a jovens É possível tirar o Discord do ar? Ayub observa que o Estado brasileiro já possui todo um aparato tecnológico e administrativo para retirar do ar nacionalmente qualquer domínio e endereço IP na internet. Endereço IP é o número que identifica equipamentos ligados à Internet. Se esse número é bloqueado, qualquer pessoa no país fica impedida de se comunicar com os servidores do Discord sem usar algum mecanismo para burlar o bloqueio. "Já temos um histórico de bloqueios de grandes plataformas no país, como o YouTube, WhatsApp e, mais recentemente, a rede social X, sob ordem do Supremo Tribunal Federal", lembra Ayub. Em casos de suspensão de uma rede social por ordem judicial, o Judiciário ordena o bloqueio da plataforma à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que repassa a ordem às operadoras de internet, a quem cabe suspender o acesso dos usuários finais. Judiciário ordena o bloqueio de redes sociais à Anatel, que repassa a ordem às operadoras de internet. Reprodução/BBC Brasil Tavares destaca, porém, que embora seja tecnicamente possível, o bloqueio não é 100% efetivo, como revela a experiência do Brasil com plataformas de apostas, conhecidas como bets. No Brasil, existem mais de 20 mil empresas provendo acesso à internet. O bloqueio é implementado em camadas, com a Anatel dividindo as operadoras em três faixas. Possíveis consequências de um bloqueio Tavares observa que o único sentido de um bloqueio seria pressionar economicamente a plataforma, ao reduzir a base de usuários ativos no Brasil. "Talvez esse seja o principal argumento [em favor da suspensão]: para forçar a empresa a olhar com mais atenção para o mercado brasileiro, criando uma condição de acesso a esse mercado", afirma. "Mas talvez existam outras formas de se obter o mesmo resultado sem precisar adotar uma medida extrema como essa." Ayub destaca ainda que, como o Discord é sediado na Califórnia, o bloqueio pode se tornar mais um combustível no atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos. "O governo de Washington terá um bom argumento: a Lei Felca, como ficou conhecido o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital [ECA Digital]", diz Ayub. O especialista em tecnologia observa que a lei, já em vigor, prevê uma gradação de sanções, desde uma advertência, passando por multa e por fim o bloqueio nacional. "Pularmos para o último degrau da sanção pode ser apontado como um desrespeito não só às leis vigentes, como uma desconsideração pela última inovação legislativa no Brasil que endereça exatamente os problemas pelos quais o Discord é famoso", afirma. "Poderá ser percebido como uma primeira represália ao tarifaço." Após a repercussão do caso em Naviraí, a AGU informou que a empresa se comprometeu a apresentar um plano com medidas para aumentar a proteção aos seus usuários. Em paralelo, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ligada ao Ministério da Justiça, apura possíveis falhas da plataforma em seguir o que determina o ECA Digital. A empresa terá de demonstrar que atua para prevenir e combater a exposição de menores a conteúdos que incentivem ou facilitem a automutilação e o suicídio, que tem mecanismos eficazes para verificar a idade dos usuários e que retira conteúdos considerados ilegais e comunica casos graves às autoridades. Se a agência identificar irregularidades, poderá exigir que a plataforma mude suas práticas e aplicar as punições previstas no ECA Digital, entre elas a multa de até R$ 50 milhões por infração. A faixa A envolve 22 empresas, que são as grandes companhias de telecomunicações, como Vivo, Claro, Tim, entre outras, somando 60% dos acessos. A faixa B reúne 229 empresas médias, elevando a efetividade do bloqueio a 80% dos acessos. A grande dificuldade mora nos 20% restantes, onde atuam mais de 20 mil pequenas empresas diferentes, muitas delas fora do escopo de fiscalização da Anatel, destaca o presidente da SaferNet. "Uma parte significativa, 80% geralmente, vai ter o bloqueio efetivado. Os outros 20% provavelmente vão ter uma grande margem de falha", diz Tavares. "E vai ter aquele percentual de usuários que está nos 80% e que vai continuar usando, via VPN e outras ferramentas." Além disso, observa Tavares, um bloqueio judicial restringe o direito de toda uma coletividade, que em sua maioria não tem a ver com os incidentes criminosos. Alguns dos canais do Discord são abertos, e envolvem, por exemplo, divulgação de cultura pop e assuntos de interesse geral. A plataforma também tem sido usada por empresas como espaço para trabalho e por escolas como ferramenta de ensino à distância. "Existe sim uma deficiência na capacidade da empresa de detectar crimes, nas ferramentas de segurança, de verificação de idade, isso está absolutamente provado e evidenciado. Mas é claro que a ferramenta tem usos legítimos", pondera.

Governo Trump diz que PIX prejudica competição de empresas americanas O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (10) um relatório de gestão do PIX, sistema de pagamentos e transferências em tempo real lançado pela autoridade monetária em 2020. A instituição destaca a evolução da ferramenta nos últimos anos, com funcionalidades como "PIX Cobrança", "PIX Saque", "PIX Agendado" e "PIX por Aproximação". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O BC também prevê novidades para os próximos anos, como a cobrança híbrida, o uso para quitar duplicatas, o chamado "split tributário", relacionado à reforma tributária, além do "PIX Internacional" e do "PIX em Garantia". (veja detalhes mais abaixo nessa reportagem) A instituição também informou que discute medidas contra o uso indevido do campo de descrição das transações, como o envio de mensagens ofensivas ou ameaçadoras, além da padronização dos chamados alertas de golpe. ➡️ Em 2025, o PIX registrou R$ 35,36 trilhões em transferências, um novo recorde. O valor movimentado cresceu 33,6% na comparação com 2024, quando as transações totalizaram R$ 26,46 trilhões. ➡️ O sistema de pagamentos brasileiro está na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem aplicado sobretaxas a produtos brasileiros. Mensagens indevidas "Originalmente concebido para que o pagador registre informações objetivas sobre o pagamento, esse campo tem sido utilizado, em algumas situações, para fins alheios ao propósito original, como veículo para mensagens ofensivas, intimidatórias ou ameaçadoras, frequentemente associadas a transferências de valor irrisório", explicou o Banco Central. Por conta disso, a instituição criou neste ano um grupo de trabalho no âmbito do Fórum PIX, com a participação de associações representativas do sistema de pagamentos. O objetivo é discutir alternativas para preservar a integridade da ferramenta e a experiência dos usuários, sem comprometer as características essenciais do PIX. "Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens", concluiu o BC. Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? Marcello Casal Jr/Agência Brasil Alerta de golpe O Banco Central informou que trabalha na evolução do chamado "alerta de golpe" para transferências via PIX. A funcionalidade já é utilizada por algumas instituições para avisar os clientes sobre possíveis fraudes no momento em que uma transação é iniciada, com base em critérios considerados suspeitos pela própria instituição. "O BC está discutindo com o mercado, no âmbito do Fórum PIX, como padronizar essa experiência, visando tornar essa padronização obrigatória por meio da definição de critérios mínimos para emissão desses alertas e da forma como devem ser enviados para os clientes", informou a instituição. 🔎 Em outubro do ano passado, as instituições financeiras passaram a disponibilizar um botão de contestação para que uma transação possa ser questionada sem a necessidade de interação humana. Evolução nos últimos anos 📩 PIX Cobrança: passou a funcionar como uma alternativa ao boleto, permitindo que empresas e prestadores de serviços emitam cobranças e recebam pagamentos de forma mais rápida, com conciliação automática e comunicação direta com o cliente. 💵 PIX Saque e PIX Troco: permitem que lojas e outros estabelecimentos funcionem como pontos de saque, descentralizando o acesso ao dinheiro e reduzindo custos para o comércio ao incentivar o uso de pagamentos eletrônicos. 📅 PIX Agendado: facilitou pagamentos periódicos e transferências com datas definidas, oferecendo mais previsibilidade e organização financeira. 📱 PIX por Aproximação: disponível inicialmente apenas para Android, permite pagamentos por aproximação, em uma experiência semelhante à dos cartões com essa tecnologia. 🔄 PIX Automático: facilita pagamentos recorrentes ao funcionar de forma semelhante ao débito automático, permitindo cobranças de serviços contínuos. 🌐 Integração com o Open Finance: ampliou o alcance das transações digitais ao permitir que pagamentos sejam iniciados por diferentes plataformas, especialmente em compras online e pelo celular. Agenda evolutiva do PIX, divulgada em março Reprodução de apresentação da 28ª reunião plenária do Fórum PIX O Banco Central não informa, no relatório de gestão do PIX, quando as novas funcionalidades serão lançadas. Entretanto, em uma reunião do Fórum PIX realizada em março deste ano, o BC estimou para 2026 a implementação da cobrança híbrida, do pagamento de duplicatas e do split tributário. Para os próximos anos, o BC prevê o "PIX Internacional" e o "PIX em Garantia". Já o "PIX Parcelado" não foi citado no relatório. A padronização dessa modalidade poderia ampliar a competição entre os bancos e reduzir reclamações. Para 2026 Cobrança Híbrida: permitirá pagar por QR Code uma cobrança que também oferece a opção de pagamento por boleto. A modalidade já é oferecida de forma facultativa, mas a previsão é que se torne obrigatória a partir de novembro deste ano. Duplicata: permitirá o pagamento de duplicatas escriturais — títulos de crédito — via PIX, facilitando a antecipação de recebíveis, com informações atualizadas em tempo real e redução de custos operacionais. O objetivo é oferecer uma alternativa aos boletos bancários. Split tributário: vai adequar o PIX ao sistema de pagamento de impostos em tempo real desenvolvido pela Receita Federal no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. De 2027 em diante, a CBS — tributo federal sobre o consumo — será paga no ato da compra quando o pagamento for feito por meio eletrônico. Próximos anos PIX em garantia: será um tipo crédito consignado para trabalhadores autônomos e empreendedores do setor privado. A ideia é que esses trabalhadores possam dar, em garantia de empréstimos bancários, "recebíveis futuros", ou seja, transferências que irão receber por meio do PIX — possibilitando a liberação dos recursos e juros mais acessíveis. PIX por aproximação (modelo offline): ideia é permitir o pagamento por aproximação mesmo que o usuário não esteja com seu dispositivo conectado, ou seja, ligado à rede por Wi-Fi ou 5G. PIX internacional: modalidade que já é aceita em alguns países, como Argentina, Estados Unidos (Miami e Orlando) e Portugal (Lisboa), entre outros. O BC avalia que o formato atual de utilização do PIX, em outros países, é "parcial", focada em estabelecimentos específicos ou por meio de acordos entre instituições financeiras. A ideia é que os pagamentos transfronteiriços possam ser feitos de forma definitiva, entre países, no futuro. A ideia é interligar sistemas de pagamento instantâneos. ➡️ No caso do PIX Internacional, o BC observou que parcerias entre instituições financeiras brasileiras e estrangeiras têm permitido a geração de QR Codes e a confirmação da transação em tempo real. "O PIX é feito, em reais, instantaneamente da conta do brasileiro para a conta da instituição brasileira, que pode ser ou não um participante. Em um segundo momento, a instituição brasileira realiza a remessa de recursos para o exterior, da forma tradicional, sem usar a infraestrutura do Pix – que permite apenas transações domésticas –, fazendo com que os recursos sejam creditados em moeda local na conta do estabelecimento comercial na instituição parceira no exterior", explicou o BC. PIX parcelado ➡️ O Banco Central não faz referência, em seu relatório, ao chamado PIX Parcelado, apontado pela instituição como uma alternativa para 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso ao cartão de crédito. 💵 O parcelamento por meio do PIX já é oferecido por várias instituições financeiras como uma linha de crédito. O BC, porém, quer padronizar as regras, o que pode ampliar a competição entre os bancos e contribuir para a redução dos juros. Essa padronização ainda não tem prazo definido.

Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais Hollie Adams/Reuters A Meta, que já foi condenada duas vezes nos EUA neste ano por danos causados a jovens, agora terá de enfrentar quatro estados americanos que acusam a empresa de ter desenvolvido o Instagram e o Facebook para torná-los viciantes. A seleção do júri começará na quarta-feira (12), em um tribunal federal de Oakland, perto de São Francisco, informou a agência de notícias France Presse. O julgamento começará em 18 de agosto e deve se estender por cerca de seis semanas, com o veredicto previsto para o início de outubro. O caso é considerado um dos mais importantes entre os inúmeros processos movidos contra redes sociais nos EUA. Os procuradores-gerais da Califórnia, do Colorado, do Kentucky e de Nova Jersey pedem uma série de restrições ao funcionamento do Instagram e do Facebook para menores de idade, além de multas que podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões), valor equivalente à capitalização de mercado da Meta. Mark Zuckerberg está entre as principais testemunhas que a acusação pretende interrogar até o fim de setembro. Esta seria a segunda vez em seis meses que o diretor-executivo da Meta prestaria depoimento, após comparecer a um tribunal de Los Angeles, onde o júri considerou seu testemunho pouco convincente. Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil? Arquivos do Facebook O julgamento de Oakland, o primeiro em um tribunal federal, é resultado de uma batalha judicial iniciada no fim de 2021, quando a ex-funcionária da Meta Frances Haugen vazou milhares de páginas de pesquisas internas. O vazamento, que ficou conhecido como "Arquivos do Facebook", mostrou que a empresa investigava internamente os impactos do Instagram na saúde mental dos adolescentes, enquanto afirmava publicamente que a plataforma não era prejudicial. As revelações levaram dezenas de estados a abrir uma investigação conjunta. Dois anos depois, cerca de 30 procuradores-gerais entraram com uma ação contra a Meta. Dos estados envolvidos na ação, quatro foram selecionados para participar do julgamento em Oakland. Se a Meta for derrotada, o resultado poderá abrir caminho para um acordo mais amplo com os demais estados, nos moldes do que ocorreu no passado com a indústria do tabaco. TikTok, Snapchat e YouTube, do Google, também são alvo de ações apresentadas por milhares de famílias, escolas e procuradores nos Estados Unidos. Em março, em uma decisão histórica, um júri de Los Angeles considerou a Meta e o YouTube responsáveis pela dependência de uma adolescente da Califórnia e concedeu à jovem uma indenização de US$ 6 milhões (R$ 30,5 milhões). Posteriormente, no Novo México, a Meta foi condenada a pagar quase US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em multas e indenizações, além de cumprir restrições sem precedentes para contas de menores de idade no estado. Meta vai recorrer A Meta anunciou que recorrerá das duas decisões e afirmou ter "confiança" em seu histórico de "proteção dos adolescentes no ambiente on-line". A empresa argumentará que a saúde mental dos jovens "não pode ser atribuída a um único aplicativo" e que algumas das funcionalidades questionadas são protegidas pelas garantias de liberdade de expressão da Constituição americana. Em maio, Snapchat, TikTok, YouTube e Meta optaram por pagar US$ 27 milhões (R$ 137,4 milhões) a um distrito escolar de Kentucky para evitar outro julgamento, que poderia abrir precedente para ações semelhantes de cerca de 1.200 comunidades escolares. Imunidade sobre os conteúdos Os quatro estados acusam a Meta de violar leis de proteção ao consumidor e a Lei Federal de Proteção da Privacidade Infantil (COPPA) ao criar recursos para fazer com que crianças e adolescentes passem mais tempo nas plataformas, como rolagem infinita, notificações intrusivas ou enviadas durante a noite e alertas de "curtidas". Segundo a acusação, a empresa minimizava publicamente os riscos desses recursos. Essa estratégia contorna a imunidade concedida às plataformas nos Estados Unidos em relação ao conteúdo gerado pelos usuários: o alvo da ação é o design dos aplicativos, e não o conteúdo publicado neles. O valor de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,1 trilhões) reivindicado resulta de um cálculo segundo o qual cada menor afetado representaria uma infração independente, sujeita a multas de vários milhares de dólares, de acordo com a acusação. O júri terá apenas função consultiva. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que já presidiu o julgamento entre Apple e Epic Games e a batalha judicial entre Elon Musk e os criadores do ChatGPT no primeiro semestre deste ano, determinará as sanções e medidas corretivas. No tribunal, pais de adolescentes afetados pelas redes sociais poderão voltar a prestar depoimento, como ocorreu em Los Angeles, enquanto o restante do país poderá acompanhar o processo ao vivo pelo YouTube.

Desenrola Adimplentes começa hoje após ajustes para atrair os bancos O Desenrola Adimplentes começa a operar nesta segunda-feira (10) com novas regras para a participação das instituições financeiras. A modalidade oferece crédito em condições mais favoráveis para trabalhadores informais que mantêm suas dívidas em dia e para estudantes e empresas adimplentes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o governo, a expectativa é que até 500 mil trabalhadores informais e 100 mil beneficiários do Fies procurem o programa. Segundo o Ministério da Fazenda, 30% do valor das operações virão das próprias instituições financeiras, enquanto os 70% restantes serão bancados pela União. A regra foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião extraordinária na última sexta-feira (7), após a publicação da Medida Provisória nº 1.382, em 1º de agosto. O Desenrola Adimplentes é uma nova etapa do Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal em junho. 🔎 Para os trabalhadores informais, a modalidade permite trocar uma dívida mais cara por um novo crédito, com juros menores. Já no caso do Fies, há linhas de crédito voltadas ao financiamento de atividades empreendedoras. O que mudou Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20) Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo A medida provisória que criou o Desenrola Adimplentes previa inicialmente que os recursos transferidos pela União ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal poderiam ser combinados com dinheiro próprio dessas instituições para viabilizar as operações, inclusive em parceria com outras instituições financeiras. Uma mudança feita posteriormente pela MP nº 1.382 permitiu que o dinheiro repassado pelo governo seja somado a recursos dos próprios bancos e de outras instituições financeiras autorizadas a participar do programa. Com isso, todas as instituições participantes terão de utilizar 30% de capital próprio nas operações do programa. Os outros 70% serão compostos pelos recursos repassados pela União. Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança tem como objetivo incentivar a participação de mais instituições financeiras no programa, ao mesmo tempo em que mantém o uso dos recursos públicos de forma eficiente. O CMN também revogou uma regra que previa a cobrança de encargos pelos agentes financeiros das demais instituições participantes pelo uso de recursos próprios nas operações. Trabalhadores informais A modalidade é destinada a trabalhadores que atuam no mercado informal e têm histórico recente de pagamento em dia. Podem participar trabalhadores sem vínculo com carteira assinada (CLT) que não sejam servidores públicos, aposentados ou pensionistas do INSS. Para se enquadrar, é preciso ter uma operação de crédito pessoal não consignado ainda com saldo devedor e ter pago pelo menos quatro parcelas. A dívida deve estar em dia ou ter atraso de, no máximo, 90 dias — tanto na data da Medida Provisória nº 1.373, de 29 de junho de 2026, quanto na data da contratação da nova operação. O saldo devedor deve ser de até R$ 15 mil por instituição financeira. Condições da renegociação A operação prevê a contratação de um novo crédito para quitar integralmente a dívida anterior. As condições são: Juros: até 1,99% ao mês; Prazo: igual ao período que ainda faltava para quitar a dívida original, com possibilidade de extensão de acordo com o prazo restante: até 1 mês para dívidas com até 6 meses restantes; até 2 meses para dívidas com mais de 6 e até 12 meses restantes; até 4 meses para dívidas com mais de 12 e até 24 meses restantes; até 6 meses para dívidas com mais de 24 meses restantes; Valor da parcela: a nova prestação não poderá superar 90% da parcela original; Crédito adicional: poderá ser liberado até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela continue dentro do limite de 90% da prestação anterior. Garantia do FGO As operações contam com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que protege as instituições financeiras contra eventuais perdas. A garantia cobre 50% das primeiras perdas da carteira e é integral para cada operação, de acordo com as regras do programa. Fies O programa também prevê condições especiais para estudantes adimplentes com contratos do Fies e novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas que pretendem financiar atividades empreendedoras. Para estudantes com contratos do Fies celebrados até 2017, que estavam em fase de amortização em 4 de maio de 2026 e tinham menos de 90 dias de atraso nessa data, o programa oferece desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida, inclusive o principal, para pagamento à vista. Além da renegociação, o programa prevê novas linhas de crédito para pessoas físicas e empresas adimplentes com o Fies. Segundo o governo, parte relevante desse público conclui cursos ligados a profissões autônomas e precisa de capital para começar a trabalhar. Parte dos beneficiários já possui CNPJ. Para ter acesso ao crédito destinado à atividade empreendedora, o graduado precisa: estar adimplente com o Fies há pelo menos 36 meses; não ter feito renegociação da dívida. Os juros poderão ser de até 11% ao ano (0,87% ao mês). O limite é de R$ 80 mil para pessoas físicas e R$ 180 mil para pessoas jurídicas. O prazo máximo é de 60 meses para pessoas físicas e de 96 meses para empresas. Como contratar o Desenrola Adimplentes 'Bons pagadores' do Fies cobram descontos iguais aos de inadimplentes No início do programa, as linhas de crédito serão oferecidas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Outras instituições financeiras poderão aderir posteriormente. Clientes que têm dívidas em outros bancos também poderão procurar as duas instituições públicas. Nesse caso, será feita uma nova análise de crédito para verificar se a operação atende às regras do programa. Trabalhadores informais O cliente deve procurar a Caixa ou o Banco do Brasil e solicitar uma análise de crédito. O banco avaliará o perfil do cliente e verificará se a operação se enquadra nas regras do programa. A dívida precisa ser de crédito pessoal não consignado, ter saldo de até R$ 15 mil, pelo menos quatro parcelas já pagas e estar em dia ou com até 90 dias de atraso. Se a operação for aprovada, a dívida será substituída por um novo crédito, com juros de até 1,99% ao mês. Também poderá ser liberado um valor adicional de até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela fique dentro do limite estabelecido pelo programa. A contratação deve ser feita exclusivamente pelos canais oficiais das instituições. No Banco do Brasil, informações sobre o programa estão disponíveis em bb.com.br/site/pra-voce/desenrola-brasil. O WhatsApp oficial do BB é (61) 4004-0001. Na Caixa, informações sobre o programa podem ser consultadas em caixa.gov.br/desenrola. O WhatsApp oficial da Caixa é 0800 104 0104. Beneficiários do Fies No Banco do Brasil, a contratação do Desenrola Fies pode ser feita pelo aplicativo BB, no caminho Soluções de Dívidas > Central de Renegociações > FIES. Quem não tiver acesso ao aplicativo pode procurar uma agência do banco. Mais informações estão disponíveis no site do banco ou no WhatsApp oficial do BB: (61) 4004-0001. Os estudantes terão até 31 de dezembro de 2026 para aderir às condições especiais. Na Caixa, a renegociação pode ser feita pelo SIFESWEB, em uma agência do banco e, futuramente, pelo aplicativo FIES. O acesso ao SIFESWEB está disponível em sifesweb.caixa.gov.br. Mais informações sobre o programa podem ser consultadas em caixa.gov.br/desenrola e no WhatsApp oficial da Caixa: 0800 104 0104. Bloqueio para apostas Como condição para participar do Desenrola Adimplentes, o beneficiário terá de aceitar o bloqueio do CPF em plataformas de apostas online por seis meses. A medida foi adotada pelo governo para evitar que o crédito oferecido pelo programa, com juros mais baixos, seja utilizado em apostas. O bloqueio impede o cadastro e o acesso a contas de apostas vinculadas ao CPF durante o período.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta de 0,53% nesta segunda-feira (10), cotado a R$ 5,1106. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,19%, aos 172.180 pontos. ▶️ Investidores acompanham a nova alta do petróleo em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste domingo (9) que não reabrirá a passagem até que os Estados Unidos atendam às suas condições. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O presidente dos EUA, Donald Trump, ironizou a exigência de indenização por parte de Washington e disse que o regime iraniano deveria indenizar "todas as pessoas que matou e feriu gravemente". Como consequência do novo impasse, os preços do petróleo fecharam em alta de cerca de 5%. O barril do Brent, referência internacional, avançou 5,01%, para US$ 87,74. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subiu 5,13%, a US$ 82,19 o barril. ▶️ Na agenda econômica desta semana, novos dados de inflação do Brasil e dos EUA ficam no centro das atenções. ▶️ Após os dados de emprego dos EUA virem abaixo do esperado na sexta-feira, o indicador de preços deve dar novos sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. ▶️ Por aqui, também fica no radar a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que será divulgada nesta terça-feira. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,53; Acumulado do mês: +0,81%; Acumulado do ano: -6,89%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -0,19%; Acumulado do mês: -3,27%; Acumulado do ano: +6,86%. Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo, seguem no radar dos investidores. Em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, o petróleo fechou em alta de cerca de 5% nesta segunda-feira. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial No fim de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do Estreito e afirmou que os EUA precisarão atender às demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também afirmou que o país e Omã estavam "muito perto" de um acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Na última semana, no entanto, o presidente americano, Donald Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã. Autoridades americanas também já haviam afirmado que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse a abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa iraniano de armas nucleares e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz. As divergências entre os dois países voltam a gerar dúvidas sobre a reabertura do Estreito e, consequentemente, preocupações com os impactos sobre a oferta global de petróleo e os preços da energia. Bolsas globais Em Wall Street, os índices operavam em queda nesta segunda-feira, com investidores ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Perto das 15h40, o Dow Jones caía 0,33%, enquanto o S&P 500 recuava 0,10% e o Nasdaq Composite tinha perdas de 0,43%. Já na Europa, as principais bolsas da região fecharam mistas, em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O DAX, da Alemanha, teve ganhos de 0,02%, enquanto o CAC-40, da França, caía 0,03% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 0,43%. Na Ásia, a maioria das bolsas de valores da região fechou em alta nesta segunda-feira, conforme investidores avaliavam novos dados de produção industrial da China e a notícia de que o BC chinês se comprometeu, em seu plano quinquenal, a manter a taxa de câmbio do iuan basicamente estável, além de ampliar o uso da moeda no comércio e nos investimentos internacionais. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,16%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,25%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,05% e o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 2,08%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,65%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar vive disparada nos últimos dias Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo

Embraer entrega 65 aviões no segundo trimestre de 2026 e aumenta receita em relação a 2025 A Embraer, fabricante brasileira de aviões com sede em São José dos Campos (SP), divulgou nesta segunda-feira (10) que registrou receita de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, o maior valor já alcançado pela empresa em um trimestre de abril a junho. O resultado recorde representa crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o balanço financeiro divulgado pela empresa, de abril a junho a Embraer entregou 65 aviões, sete a mais do que no segundo trimestre de 2025. É o melhor resultado da Embraer para esse período em 16 anos. A maior parte das entregas foi de aviões executivos. Foram 45 aeronaves desse segmento, que representa cerca de 69% do total. A empresa também entregou 20 aeronaves comerciais e de defesa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Com esse resultado, no primeiro semestre a Embraer chegou a 109 aeronaves entregues, contra 91 nos seis primeiros meses de 2025, um crescimento de aproximadamente 20% em 2026. Embraer divulgou balanço de segundo trimestre nesta segunda. Reprodução/TV Vanguarda Além do aumento da receita e das entregas, a Embraer terminou o segundo trimestre com uma carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela companhia. O número representa crescimento de 16% em relação ao segundo trimestre de 2025 e é o sétimo recorde consecutivo da carteira de pedidos. A carteira reúne aeronaves que já foram encomendadas pelos clientes, mas ainda não foram entregues. Novos contratos O resultado ocorre após uma série de acordos anunciados pela Embraer nas últimas semanas. Durante o Farnborough International Airshow, uma das principais feiras da indústria aeronáutica do mundo que foi realizada em julho na Inglaterra, o grupo Abra, que reúne empresas como Avianca e Gol, anunciou um acordo para comprar 20 E195-E2, além de opções e direitos de compra que podem levar o negócio a até 45 aeronaves. A empresa também anunciou um acordo com a Azorra para até 30 E-Freighters, versão de aeronaves da família E-Jets adaptada para o transporte de cargas. O contrato prevê 20 pedidos firmes e direitos de compra para outros 10 aviões. E-175 da Embraer Divulgação Na área de defesa, Embraer e Saab anunciaram um acordo para a possível produção de 20 novos caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Também em julho, a empresa anunciou novos pedidos de aeronaves E2 pela Binter e pela Luxair, além de outros acordos comerciais durante o evento no Reino Unido. Modelos mais produzidos A aviação executiva, responsável por 45 das 65 aeronaves entregues no segundo trimestre de 2026, teve receita de R$ 3,7 bilhões, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. A área reúne os jatos usados principalmente em viagens particulares e corporativas. A divisão de Defesa e Segurança também apresentou crescimento. A receita foi de R$ 1,5 bilhão, 22% acima da registrada um ano antes. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado principalmente pelo avanço da produção e das entregas do KC-390 Millennium. Em Serviços e Suporte, a receita chegou a R$ 2,9 bilhões, crescimento de 11%. Já a aviação comercial teve receita de R$ 3,2 bilhões, uma queda de 2% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Segundo a Embraer, o resultado foi afetado principalmente pela valorização do real em relação ao dólar. Embraer. Divulgação/Embraer Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Mercado financeiro reduz pela 6ª semana seguida a expectativa de inflação de 2026 O mercado financeiro reduziu outra vez sua estimativa para a inflação em 2026, que caiu para 5,02%. Esta é a sexta semana seguida de recuo. As expectativas fazem parte do "Boletim Focus", divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. A queda na estimativa de inflação acontece apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociações. Entretanto, o Irã impõe condições. ➡️ Para 2026, a estimativa de inflação caiu de 5,03% para 5,02%; ➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4,22%; ➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,80%; ➡️ Para 2029, a estimativa ficou estável em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Corte dos juros Mesmo com a estimativa de inflação ainda acima da meta central no primeiro trimestre de 2028 (objetivo no qual o BC está mirando para calibrar a taxa de juros), o mercado financeiro continua prevendo mais um corte de juros neste ano. Atualmente, a taxa está em 14% ao ano — após quatro cortes neste ano. A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano na última semana, embutindo uma última redução maior da taxa neste ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou 10,50% ao ano. Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado recuou de 1,99% para 1,98%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,57% para 1,52%. Taxa de câmbio O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos continuou em R$ 5,28 por dólar.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) Ricardo Stuckert / PR Antes do encontro que selou, na última semana, a retomada das relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o senador ajudou a construir a neutralidade da federação União Brasil-Progressistas (PP) tanto no cenário nacional quanto em estados-chave. A atuação de Alcolumbre também foi decisiva para afastar partidos do centrão em importantes colégios eleitorais do PL de Flávio Bolsonaro. A articulação do presidente do Senado pode ajudar a enfraquer palanques que dificultavam a posição eleitoral de Lula. Um novo encontro entre os dois deve ocorrer nos próximos dias. No Rio de Janeiro, por exemplo, reduto eleitoral da família Bolsonaro. A posição neutra era importante para Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo do estado, mas também para Lula, por enfraquecer o palanque de Flávio Bolsonaro. A neutralidade veio depois de uma longa reunião entre integrantes da campanha de Paes, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, Alcolumbre, que participou por telefone, e nomes fortes do PP. Em Minas, a federação União Brasil-PP optou por apoiar o atual governador, Mateus Simões (PSD) e deixar o PL de Flávio Bolsonaro sozinho. Um dos maiores colégios eleitorais do país, São Paulo é o que dá situação mais confortável a Flávio Bolsonaro (PL), pelo desempenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, nas pesquisas ao governo estado. Em outros, até mesmo quando coligados ao PL, candidatos ao governo evitam mostrar Flávio como candidato ao Palácio do Planalto. A relação entre Lula e Alcolumbre, rompida desde a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), começou a ser reconstruída a partir dos interesses de palanques do PT. Nos planos de Alcolumbre, a reeleição ao comando do Senado move a tentativa de se reaproximar de Lula, à frente nas pesquisas, mesmo que por pequena margem. Para os partidos do centrão, a neutralidade também ajuda na eleição de bancadas maiores para Câmara e Senado. LEIA TAMBÉM: Com o fim das convenções, Lula e Flávio Bolsonaro definem palanques nos oito maiores colégios eleitorais União Brasil decide ficar neutro na disputa presidencial nas Eleições 2026 Progressistas adota neutralidade, e Tereza Cristina não será vice de Flávio Bolsonaro

Veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia O mercado de tecnologia reúne salários acima da média e alta demanda por profissionais. Mas as empresas enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados — um desequilíbrio que ajuda a explicar os altos rendimentos de algumas carreiras. Um estudo divulgado com exclusividade ao g1 pelo Inteli, instituto de tecnologia e liderança, em parceria com a consultoria WKS, mostra o tamanho desse desafio: entre 2019 e 2024, a demanda por profissionais de tecnologia chegou a 665 mil, enquanto a oferta de novos trabalhadores ficou em cerca de 464 mil. A diferença representa um déficit de 30,2%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura da Inteli, esse desequilíbrio também está relacionado à concentração geográfica das oportunidades. “Quando você pega dentro do estudo, dá para ver isso. A concentração de vagas e necessidades das empresas dentro do Sudeste, particularmente São Paulo, é avassaladora”, afirma. A falta de profissionais ocorre em um momento em que a tecnologia deixou de ser uma demanda restrita às empresas do setor e passou a ser estratégica para praticamente toda a economia. Bancos, varejistas, hospitais, indústrias e empresas do agronegócio disputam os mesmos profissionais para avançar na transformação digital. Hoje, o setor representa 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Para mapear as carreiras mais valorizadas, a Inteli analisou 72,7 mil anúncios de emprego publicados entre abril e junho de 2025. Após a aplicação de filtros metodológicos, a pesquisa chegou a uma base de 19.655 vagas de tecnologia. O levantamento mostra um mercado com muitas oportunidades, mas também derruba alguns mitos sobre as carreiras da área. Abaixo, saiba mais sobre o setor a partir dos seguintes pontos: 🤖 IA não domina contratações 💰 Onde estão os melhores salários 🧠 Competências mais buscadas 🌱 Nem toda área é boa para quem está começando Há oportunidades para programador de sistemas Sora Shimazaki/Pexels IA não domina contratações A inteligência artificial (IA) se tornou o principal assunto quando o tema é carreira em tecnologia. Entre os profissionais ouvidos pela pesquisa, 79% apontaram a área como a mais relevante do mercado atualmente. Quando os pesquisadores analisaram as vagas efetivamente abertas, porém, encontraram outro cenário. A maior parte das oportunidades continua concentrada nas áreas responsáveis por construir, integrar e manter os sistemas que sustentam as operações das empresas. As áreas que mais contratam no mercado de tecnologia são: Desenvolvimento de Software (35,7%); Infraestrutura e Suporte (23,2%); Dados e Inteligência Artificial (17,7%); Projetos e Gerenciamento (12,9%); Testes e Controle de Qualidade (5,7%); Segurança da Informação (2,5%); Automação de Processos e Sistemas (2,3%). Quase seis em cada 10 vagas abertas no país estão concentradas em desenvolvimento de software e infraestrutura. Para Niemeyer, a diferença entre o interesse dos profissionais e a realidade das contratações ocorre porque a inteligência artificial representa uma das áreas mais avançadas da tecnologia, enquanto muitas empresas brasileiras ainda estão em etapas anteriores da digitalização. “É muito comum que a área que esteja em maior ascensão ou no maior interesse das pessoas seja a área tecnologicamente mais avançada, da novidade. Mas a grande verdade é que o Brasil ainda tem uma maturidade tecnológica muito baixa nas empresas”, explica. Segundo ele, cerca de 80% das pequenas e médias empresas têm baixa maturidade tecnológica, o que mantém a demanda concentrada em funções mais tradicionais, como infraestrutura e suporte. Onde estão os melhores salários A disputa por profissionais qualificados ajuda a elevar os salários, principalmente em funções estratégicas. As maiores remunerações estão concentradas em cargos de liderança e gestão de tecnologia, além de áreas como segurança digital e inteligência artificial. Confira o ranking dos maiores salários do setor: Chief Technology Officer (até R$ 53,6 mil por mês); Chief Security Officer (R$ 52,5 mil por mês); Chief Information Officer (até R$ 49,5 mil por mês); Gerente de Dados (até R$ 37,9 mil por mês); Gerente de Segurança da Informação (até R$ 37,2 mil por mês); Gerente de TI Generalista (até R$ 35 mil por mês); Especialista em IA e Machine Learning (até R$ 32,5 mil por mês); Gerente de BI (até R$ 29,4 mil por mês); Gerente de Infraestrutura (até R$ 27,9 mil por mês); Engenheiro de Inteligência Artificial (até R$ 27,1 mil por mês). Apesar de os salários mais altos aparecerem principalmente em cargos de liderança, Niemeyer destaca que a carreira técnica também pode levar a remunerações elevadas, sem necessariamente passar por posições tradicionais de gestão. Segundo ele, o avanço da tecnologia tem criado estruturas mais horizontais, com menos camadas de gestão e mais espaço para profissionais especializados, capazes de gerar alto impacto técnico. Esse movimento ganha relevância em um cenário em que cada vez mais jovens demonstram menos interesse por cargos tradicionais de liderança, como já mostrou o g1. Competências mais buscadas A Inteli também identificou competências que podem aumentar a remuneração dos profissionais de tecnologia. O conhecimento em inteligência artificial é um dos principais diferenciais. Entre as vagas com faixa salarial divulgada, as oportunidades que mencionam IA aparecem com mais frequência nas faixas de remuneração mais altas. Entre as vagas com salários acima de R$ 10 mil, a presença de oportunidades que exigem conhecimento em IA é aproximadamente o dobro da observada entre as que não mencionam a tecnologia. O inglês é outro diferencial. Apenas 7,5% das vagas com remuneração divulgada exigem explicitamente o idioma. Entre elas, porém, 46,2% oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nas vagas que não exigem inglês, essa proporção cai para 22,3%. A exigência também aumenta conforme a senioridade. Entre as vagas para profissionais plenos e seniores, 8,7% pedem inglês. Entre as oportunidades para juniores, o índice é de 6,6%. As certificações técnicas também são pontos de destaque. Segundo o estudo, 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por candidatos com certificações ou conhecimentos especializados, principalmente em computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial. O levantamento mostra ainda que as empresas procuram profissionais que combinem conhecimentos técnicos e habilidades comportamentais. Abaixo, veja as soft skills mais valorizadas: Comunicação (21%); Criatividade (17,8%); Organização (15,8%); Trabalho em equipe (11,4%); Liderança (7,6%). Entre os conhecimentos técnicos mais citados nas vagas estão: Computação em nuvem (13,8%); Metodologias ágeis (6,7%); AWS (5,9%); Azure (5,8%); Windows (5,1%). Essas competências formam uma base técnica comum a diferentes áreas da tecnologia, independentemente da especialização escolhida pelo profissional. Nem toda área é boa para quem está começando Os salários mais altos não significam que todas as áreas ofereçam as mesmas oportunidades para quem está no início da carreira. Por isso, a Inteli buscou identificar quais áreas são mais acessíveis para quem está começando e quais exigem mais experiência. Veja a proporção de vagas para iniciantes em cada uma: Infraestrutura e Suporte: 43% das vagas são destinadas a profissionais iniciantes. Automação de Processos e Sistemas: 40% das oportunidades são para profissionais juniores. Testes e Controle de Qualidade: 26% das vagas. Projetos e Gerenciamento: 24% das oportunidades. Desenvolvimento de Software: 22% das vagas. Dados e Inteligência Artificial: 18% das oportunidades. Segurança da Informação: 17% das vagas. Para quem está entrando na área, Niemeyer afirma que o avanço da inteligência artificial não deve ser visto como motivo para abandonar a carreira em tecnologia, mas como uma oportunidade de participar das transformações em curso. “Estar dentro da área de tecnologia permite que os jovens estejam à frente desse movimento e criando as transformações, e não só sendo passageiros dessa revolução que está acontecendo”, diz. A principal mudança está no perfil procurado pelas empresas. O profissional mais valorizado combina conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e boa comunicação.

O sistema de "financiamento circular" pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance Relatos de que a Nvidia negocia oferecer apoio financeiro de quase 250 bilhões de dólares à OpenAI para um gigantesco projeto de data centers revelam os dois lados do boom da inteligência artificial (IA). Por um lado, isso mostra a dimensão colossal dos recursos financeiros e do potencial da IA. Por outro, expõe os riscos de um sistema de financiamento chamado "circular", que está no coração do ecossistema da IA. A pergunta é: se uma peça de dominó cair, as outras cairão junto? 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A natureza interconectada do ecossistema de IA é real", afirma Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments. "Mas os riscos no curto prazo são mitigados por sólidos balanços patrimoniais, fluxos de caixa e qualidade de crédito dos principais atores que financiam a expansão." Jan Frederik Slijkerman, estrategista de tecnologia do ING, afirma que a robustez financeira de empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google) ajuda a mitigar esses riscos. Ele ressalta que o grau de colaboração no que diz respeito à IA é "fascinante", mas não vê um risco sistêmico devido a esse tipo de interdependência. Agora no g1 O modelo circular O financiamento circular geralmente funciona da seguinte forma: uma empresa paga outra por um produto ou serviço, faz um investimento nela ou concede um empréstimo ou contrato de leasing. Em seguida, essa empresa que recebeu os aportes passa a comprar produtos ou serviços da primeira companhia. Essa alternativa é observada em diversos negócios ligados à IA. Para muitos, a revolução da IA começou com o lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, em novembro de 2022. As capacidades do chatbot levaram a inteligência artificial ao grande público. Seu sucesso rapidamente atraiu um investimento de 10 bilhões de dólares da Microsoft, o que permitiu à empresa desenvolver modelos ainda mais poderosos. Em contrapartida, a OpenAI tornou-se uma cliente estratégica dos serviços de nuvem da Microsoft, área na qual a empresa vem aumentando continuamente seus investimentos à medida que o boom da inteligência artificial ganha força. Esse acordo acabou servindo de modelo para negociações futuras. Amazon e Alphabet passaram a investir bilhões de dólares na Anthropic, rival da OpenAI e criadora do bem-sucedido chatbot Claude. Em troca, a Anthropic utiliza os serviços de nuvem da Amazon e do Google, além de comprar chips dessas empresas. Chips da Nvidia estão no centro do ecossistema de IA Ina Fassbender/AFP/Getty Images Nvidia, a "rainha da selva" Ainda assim, tudo isso é peixe pequeno diante do que a Nvidia trouxe para a mesa. "A Nvidia está no centro do ecossistema da IA, atuando não apenas como fornecedora de tecnologia, mas também como investidora estratégica que ajuda a acelerar a adoção de sua plataforma", afirma Tan. Segundo Slijkerman, a Nvidia desempenha um papel fundamental ao contribuir para o desenvolvimento de uma ampla gama de novos negócios, da área da saúde à direção autônoma. "Seus investimentos ajudam a impulsionar o crescimento do ecossistema de IA como um todo, ao mesmo tempo que facilitam a implantação da infraestrutura necessária para a inteligência artificial", afirma. A notícia de que a Nvidia negocia fornecer 250 bilhões de dólares à OpenAI, revelada inicialmente pelo Wall Street Journal, seria apenas o mais recente megainvestimento financiado pela empresa, avaliada em 4,6 trilhões de dólares. A empresa de Jensen Huang está no centro do boom da IA graças aos seus chips, líderes de mercado. Desde 2024, a Nvidia tem investido pesadamente em diversas startups de IA, incluindo OpenAI, Mistral e aSpaceX, de Elon Musk. Em contrapartida, todas essas empresas se comprometem a usar chips da Nvidia. A companhia também passou a investir fortemente nas chamadas "neoclouds", como CoreWeave e Nebius. Essas startups alugam capacidade de armazenamento em nuvem voltada para aplicações de IA. Além de investir nelas, a própria Nvidia também contrata serviços de nuvem. Neste ano, a Nvidia aumentou os investimentos e fez novos acordos. Recentemente, a empresa fechou uma parceria com o conglomerado sul-coreano SK Group no valor de até 500 bilhões de dólares. Ao longo de 2026, esse tipo de negociação circular tornou-se ainda mais evidente em todo o setor. A OpenAI fechou acordos que somam quase 1 trilhão de dólares com empresas como Microsoft e a fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD), chegando se tornar uma das maiores acionistas da AMD. Microsoft e Nvidia também fizeram investimentos significativos na Anthropic, e a Anthropic comprometeu-se a ampliar compras de armazenamento em nuvem e chips fornecidos por ambas. Vantagens – e riscos A dimensão dessa simbiose tem vantagens. "Ecossistemas interligados podem acelerar a inovação ao alinhar os incentivos de fornecedores de infraestrutura, desenvolvedores de modelos, empresas de aplicações e usuários finais, ajudando novas tecnologias a ganhar escala mais rapidamente", afirma Gary Tan. Slijkerman diz não considerar essa tendência de financiamento circular uma forma de "engenharia financeira". "Essas relações fazem sentido do ponto de vista estratégico porque ajudam os participantes a ampliar seu alcance de mercado e acelerar a adoção de novas tecnologias", afirma. "Além disso, elas podem gerar benefícios financeiros mútuos." Mas há riscos. Os temores de uma possível "bolha da IA" continuam pairando sobre os mercados globais. As ações de empresas de tecnologia e de fabricantes de semicondutores caíram vertiginosamente na semana passada, em meio a dúvidas sobre a rentabilidade do setor diante das quantias gigantescas investidas em data centers e em outras frentes ligadas à IA. Se as receitas geradas pela inteligência artificial não crescerem o suficiente, empresas que receberam aportes dos grandes grupos do setor poderão enfrentar dificuldades financeiras. Nesse cenário, elas podem reduzir ou interromper a compra de produtos dessas mesmas empresas que as financiaram, enquanto suas avaliações de mercado tendem a cair. Alguns analistas têm traçado paralelos com a bolha das empresas de internet e o colapso que se seguiu, depois que as avaliações dessas companhias dispararam nos primeiros anos da web, na década de 1990. O financiamento circular também desempenhou um papel naquela crise. Ainda assim, muitos observadores acreditam que o boom da IA está apoiado em fundamentos mais sólidos. "Embora algumas empresas ou modelos de negócio específicos possam acabar decepcionando, o ciclo mais amplo de investimentos parece ser sustentado por uma demanda real e pela efetiva geração de valor econômico", afirma Slijkerman. Tan concorda e afirma que um risco ainda maior para o setor no futuro está ligado aos juros. Na avaliação dele, uma alta das taxas de juros poderia ter um impacto significativo sobre muitas empresas de IA, já que elas levarão anos para se tornar lucrativas e tendem a ser mais penalizadas nesse cenário. "Os fluxos de caixa da inteligência artificial estão projetados para um horizonte de longo prazo. Por isso, a trajetória da curva de juros talvez acabe sendo mais importante do que a própria disponibilidade de capital", finaliza o gestor da Allspring Global Investments.

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Nas últimas duas semanas, relatos de modelos de inteligência artificial que ultrapassam os limites esperados — sejam eles técnicos ou éticos — tornaram-se comuns. O que começou com um pequeno episódio — a OpenAI, criadora do ChatGPT, admitindo que sua IA havia invadido o site Hugging Face — foi seguido por uma enxurrada de empresas e institutos revelando que descobriram casos de IA fora de controle 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Anthropic, empresa criadora do Claude, a Meta e o Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) relataram incidentes que parecem pintar um quadro preocupante de um mundo onde a tecnologia agindo de forma descontrolada é a norma. Na realidade, cada caso oferece uma visão diferente dos riscos representados por agentes de IA cada vez mais poderosos — e da importância de se testar seus limites antes de que sejam lançados. O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI O incidente com a OpenAI no final de julho serviu de "alerta" para a indústria de tecnologia, como descreveu Thomas Wolf, cofundador da Hugging Face. Foi um momento crucial que levou grandes empresas a refletirem sobre seus próprios sistemas e, em alguns casos, a verificarem se não haviam deixado passar algo igualmente chocante. A Anthropic foi a primeira a agir. Na sexta-feira, a empresa encontrou três casos, entre milhares, em que seu modelo Claude conseguiu acessar a internet. Na terça-feira, o AISI, agência governamental do Reino Unido que avalia modelos de ponta, afirmou ter detectado um "incidente de segurança" durante uma avaliação de rotina. A organização vinha testando modelos da OpenAI e da Anthropic e descobriu que ambas também tentaram realizar ataques cibernéticos, o que levou a um apelo por "análise rigorosa, transparência e ação". Por fim, veio a Meta, que revelou que um de seus modelos de IA havia obtido acesso à internet inadvertidamente devido a uma "configuração incorreta" durante um teste realizado por terceiros. Testes Antes de os modelos de IA serem disponibilizados ao público em geral, eles são testados em uma série de avaliações internas e externas. O objetivo é descobrir o potencial deles para o bem ou para o mal, bem como o desempenho em indicadores que medem suas habilidades. Normalmente, esses experimentos ocorrem em locais conhecidos como "sandboxes". São espaços protegidos, projetados para simular sistemas reais, mas com rígidas medidas de segurança. No incidente entre a OpenAI e a Hugging Face, a IA atacou o próprio ambiente de testes (sandbox), encontrando uma vulnerabilidade que lhe permitiu acessar a internet e agir por conta própria. Já o AISI afirmou que o incidente envolvendo suas tecnologias — em que duas poderosas ferramentas de IA criaram perfis humanos falsos para tentar enganar pessoas em tentativas de ataques cibernéticos — não foi causado por um problema no ambiente de testes (sandbox). O motivo foi a forma como os testes forma conduzidos. Os modelos testados receberam acesso à internet, e o AISI também desativou os filtros integrados que normalmente bloqueariam ataques cibernéticos perigosos. "Em certa medida, nossas escolhas de projeto de avaliação e configurações específicas possibilitaram esse comportamento", afirmou, observando, ao mesmo tempo, "sinais inesperados de comportamentos novos e potencialmente enganosos". Alan Woodward, professor de Segurança Cibernética da Universidade de Surrey, disse que esses casos — embora distintos — contam uma história importante. "Durante 30 anos, uma regra dos testes de software permaneceu inalterada: tudo o que acontece no ambiente de teste permanece no ambiente de teste", disse ele. "No último mês, essa regra foi quebrada três vezes." "Um dos modelos conseguiu escapar. Outro passou por uma porta que havia sido deixada aberta por engano. Um terceiro recebeu as chaves de propósito para que os testadores pudessem medir seu comportamento." Ele disse que eram causas diferentes, mas que ambas tinham a mesma lição: "o risco agora reside no laboratório de testes". Ele disse à BBC que, à medida que os modelos se tornam mais capazes, é preciso fazer mais para garantir a segurança dos ambientes onde são testados. "Testar um agente de IA é menos como verificar um código e mais como lidar com um material perigoso: salas seladas, monitoramento constante do que sai do prédio, um plano de contenção ensaiado", disse ele. "A AISI conteve o incidente em uma hora. Outra organização pode não conseguir isso." Capacidades crescentes Para aqueles que desenvolvem ferramentas de IA projetadas para realizar ações em nome de uma pessoa, é preciso encontrar um equilíbrio delicado entre aproveitar seus benefícios e expor seus riscos. O benefício é significativo. Em teoria, poderíamos nos livrar de tarefas tediosas e repetitivas, como responder a emails, participar de reuniões ou gerenciar calendários e agendas, delegando-as a bots eficientes. A desvantagem é que, com grande poder, vem grande responsabilidade e risco. Isso fica particularmente evidente quando entregamos o poder a ferramentas que não são, como nós, capazes de trazer uma gama de valores, contexto e compreensão para as decisões que tomamos. "Incidentes recentes envolvendo modelos de IA de ponta realizando ações não autorizadas e, em alguns casos, comportamentos enganosos semelhantes aos humanos na internet aberta são um sério lembrete dos riscos que as capacidades da IA representam", disse Ollie Whitehouse, diretor de tecnologia do Centro Nacional de Segurança Cibernética, na terça-feira (04/08). Alguns acreditam que o enorme volume de tarefas que serão executadas por essas ferramentas significa que a supervisão humana pode não ser suficiente para conter o problema de modelos que se descontrolam. Entretanto, muitos acreditam que o fortalecimento da supervisão geral é vital para que o desenvolvimento continue no mesmo ritmo frenético. E agora? É improvável que a Meta será a última empresa a apresentar resultados de modelos capazes de reconhecer e explorar lacunas nos sistemas. Para alguns, esses episódios apontam para falhas de segurança evidentes por parte das empresas de IA que lideram o desenvolvimento dessa tecnologia revolucionária. Para outros, são apenas mais um espaço para as empresas de tecnologia promoverem seus modelos poderosos e competirem com os rivais. Para mim, ambas as teorias contêm um fundo de verdade. Agentes de IA já estão se tornando parte de nossas vidas digitais por meio de serviços como ChatGPT, OpenClaw e Claude Getty Images via BBC Mas, ao surgirem um após o outro, esses eventos, sem dúvida, suscitaram receios sobre as capacidades da IA e para onde ela está caminhando à medida que a tecnologia avança. E a questão inevitavelmente se volta para os órgãos reguladores e o que eles podem e devem fazer. Michael Birtwistle, diretor associado do Instituto Ada Lovelace, destaca que o Reino Unido não oferece incentivos legais para que as empresas de IA impeçam o desenvolvimento de sistemas com capacidades que possam representar perigos, e que não há consequências caso os protocolos de teste falhem. Imogen Stead, gerente de políticas de IA do Centro para Resiliência a Longo Prazo, disse à BBC que, com as oportunidades de testar sistemas de IA de ponta cada vez mais escassas para muitos, os governos deveriam seguir o Reino Unido na criação de institutos dedicados a testes. Ela afirmou que aprimorar as avaliações de terceiros com iniciativas como um "esquema de testadores confiáveis" para os tipos de desafios mais arriscados também poderia ser usado para limitar os impactos negativos. Em vez de temer um apocalipse cibernético causado pela IA, Woodward afirma: "O importante é manter a calma e resolver os problemas". Reportagem adicional de Philippa Wain e Imran Rahman-Jones

Lauren Sánchez e Jeff Bezos caminham de mãos dadas durante um evento esportivo em Miami (EUA), em 2024 Getty Images Em março, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou o imóvel mais caro já vendido até hoje em Miami, nos Estados Unidos. Ele pagou US$ 170 milhões (cerca de R$ 872 milhões) por uma mansão em construção de quase 2,8 mil metros quadrados, na ilha particular de Indian Creek. Mas este não é o imóvel mais caro à venda na cidade do sul da Flórida. O recorde de Zuckerberg pode ser batido em breve pela casa do corretor de títulos mobiliários John Daveney, em Key Biscayne, que está à venda por US$ 237 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão). Se você for apreciador de cinema, é possível que reconheça aquela casa. Ela aparece no famoso filme Scarface (1983), dirigido por Brian de Palma e protagonizado por Al Pacino. É a mansão do narcotraficante Frank López. Ali, vemos pela primeira vez a personagem Elvira, interpretada por Michelle Pfeiffer, descendo em um icônico elevador de vidro. Para 99,9% da população mundial, é impossível se propor a pagar estes valores extraordinários por uma residência. Mas, para o 0,1% que detém essas condições, Miami passou a ser um dos destinos mais procurados. Brasileiros tem R$ 32 milhões “perdidos” em moedas de 1 centavo "Existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida, em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami", explica à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o jornalista especializado no mercado imobiliário residencial E. B. Solomont, do jornal americano The Wall Street Journal. "A criminalidade é baixa, o clima é ótimo, há belas comunidades e não existem impostos estaduais", destaca Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby's International Realty, uma das corretoras de imóveis ultraluxuosos mais famosas do sul da Flórida. Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon; Larry Paige e Sergei Brin, criadores do Google; e a filha do presidente americano Donald Trump Ivanka, com seu marido Jared Kushner. "Quando você tem um, dois ou três líderes empresariais influentes que se mudam, outros observarão os benefícios e irão segui-los", explica Solomont. "De repente, eles deixam de ser pioneiros. De repente, existe toda uma comunidade." Foto real do elevador por onde desceu Michelle Pfeiffer, no filme Scarface 1 Oak studios Mayi De la Vega defende que o mercado imobiliário de Miami entrou "em uma nova era dos 'imóveis troféus', pois a quantidade de vendas de casas de mais de US$ 60 milhões [cerca de R$ 308 milhões] vem aumentando e o mercado permanece em crescimento." "Se analisarmos 2025, nosso último ano completo, tivemos vendas no valor de mais de US$ 517 milhões [cerca de R$ 2,7 bilhões], todas de imóveis de mais de US$ 60 milhões." Mas por que Miami? Por que esta cidade do sul da Flórida passou a ser um local tão atraente para as pessoas mais ricas do mundo? Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon 1 Oak studios A influência da pandemia Com seu clima, suas praias e facilidade de transporte aéreo, Miami é historicamente um destino atraente para pessoas com grandes fortunas, principalmente da América Latina. "Mas foi durante a pandemia de covid-19 que os americanos perceberam que a Flórida estava aberta para os negócios", explica E. B. Solomont. Durante a pandemia, a Flórida gerou polêmica ao ser um dos primeiros Estados americanos a levantar as restrições de mobilidade para as pessoas em espaços públicos, eliminando a obrigação de uso de máscaras e reabrindo escolas, bares e restaurantes. Estas decisões valeram muitas críticas à Flórida. Mas também transformaram o Estado, governado pelo republicano Ron DeSantis, em um destino ideal para pessoas de alta renda que moravam em outros lugares, com medidas de saúde pública muito mais rigorosas, como os Estados de Nova York, Califórnia e Illinois. "Somando-se a isso o fato de que a Flórida é um paraíso fiscal [cujos moradores não pagam imposto estadual, ao contrário de outros Estados americanos], Miami se tornou imensamente popular, não apenas pelo local e pelo estilo de vida, mas devido a este grande incentivo tributário", explica Solomont. Os primeiros personagens influentes do mundo da tecnologia e dos negócios a chegarem à Flórida incluíram um dos fundadores do PayPal, Peter Thiel, e o criador do fundo de investimentos Citadel, Ken Griffin. Com isso, foi surgindo um "fenômeno acumulativo", explica De la Vega. "Em parte, isso tem relação com a moda", destaca ela. São "pessoas que dizem 'esta pessoa tem o mesmo dinheiro que eu e comprou ali, será que eu também devo comprar ali?'" Este fenômeno multiplicou as ofertas direcionadas ao mercado de ultraluxo em algumas regiões, com consequente aumento dos preços. O mercado de imóveis residenciais de Miami passou por um crescimento exponencial na última década Getty Images Ultramilionários em Miami Mayi de la Vega acredita que exista uma regra clara em referência aos preços do mercado imobiliário. "Algo primordial que se aprende no setor de imóveis é o conceito dos três 'L': localização, localização e localização." No condado de Miami-Dade, isso significa vista para o mar ou para a baía. "Os preços dos imóveis em frente à água são mais altos por serem muito poucos", explica Solomont. "Na situação atual, temos mais compradores do que moradias disponíveis em frente à água. E, até que isso mude, os preços continuarão subindo." O local que talvez reflita melhor esta realidade é a mais exclusiva das ilhas particulares de Miami, Indian Creek. O local, segundo De la Vega, "continua liderando, em termos de preços astronômicos". Indian Creek é conhecida como o "bunker dos multimilionários". Na ilha, ficam as mansões de Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Ivanka Trump. Embora não seja muito maior que o Central Park, em Nova York, Indian Creek conta com seu próprio prefeito e policiamento. O acesso se dá através de uma discreta ponte branca, vigiada por duas guaritas de segurança. "A pergunta é 'por que Indian Creek?'", prossegue De la Vega. "Porque, como se trata de uma ilha particular, ela tem muitas comodidades, lotes grandes e está rodeada de água, o que faz dela um paraíso para os proprietários de barcos, além de ter uma segurança incrível." "É uma ilha particular com campo de golfe, uma 'ilha de milionários' com terrenos que são vendidos por US$ 200 milhões", cerca de R$ 1 bilhão, explica De la Vega. Mas o mercado de ultraluxo não se limita a comunidades isoladas como Indian Creek. North Bay Road é uma rua com cerca de 6,5 km de comprimento em Miami Beach. Lá ficam as casas de estrelas como Shakira e o casal David e Victoria Beckham. O The Wall Street Journal calcula que existam em North Bay Road cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em imóveis, que a transformam na rua com maior valor patrimonial dos Estados Unidos. Existem também à venda imóveis de mais de US$ 60 milhões em regiões mais tradicionais de Miami, como Coconut Grove, Coral Gables e Key Biscayne. A Flórida abriu suas praias apenas três meses depois da declaração de emergência relativa à covid-19 nos Estados Unidos, em 2020 Getty Images Mudanças O corretor de títulos John Devaney afirma que, quando comprou os imóveis que, hoje, compõem sua residência de US$ 237 milhões, em 2003, seu atrativo foi o imenso heliporto de cerca de 1 mil metros quadrados que se estende sobre a água. O ex-presidente americano Richard Nixon (1913-1994) chegou a fazer uso daquela instalação. "Um dia, com 33 anos, eu voava de helicóptero e vi este heliporto", conta Devaney. "Eu, que cresci em Key Biscayne, disse: 'Adoraria que ele fosse meu para aterrissar com meus helicópteros." Naquele momento, em uma negociação que bateu todos os recordes da época, ele pagou US$ 15 milhões pelo lote onde está construída a casa. E pagou em seguida mais US$ 15 milhões pelo lote ao lado. Estes eram os preços normais em Miami antes da pandemia, segundo De la Vega. "Lembro que um dos imóveis que vendemos naquela época foi o de Shaquille O'Neill em Star Island [outra ilha particular na entrada de Miami Beach] por US$ 16 ou US$ 18 milhões. Uma das causas do aumento desmedido dos preços dos imóveis do mercado de ultraluxo nos últimos anos é a quantidade de dinheiro à disposição dos mais ricos. Dados do chamado "Índice da Desigualdade", elaborado por economistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e da Escola de Economia de Paris, na França, o patrimônio do 0,1% mais abastado da população se multiplicou em quase 13 vezes nos últimos 50 anos. O estudo considerou como parte do 0,1% pessoas que detêm patrimônio de mais de US$ 43 milhões (cerca de R$ 220 milhões). Para Solomont, esta disponibilidade de recursos faz os preços pagos pelas compras dessas pessoas dispararem. "Os corretores de imóveis dizem que o valor é aquilo que alguém está disposto a pagar por alguma coisa", explica ele. "Para você e para mim, pagar US$ 1 milhão [cerca de R$ 5,1 milhões] por um imóvel pode ser inconcebível. Para outros, pagar US$ 10 milhões [cerca de R$ 51 milhões] seria um exagero." "Mas, quando você tem bilhões na sua conta, comprar um imóvel de US$ 60 milhões pode não ser algo excepcional", prossegue ele. "Muitos pagam em dinheiro vivo." "Não é que não haja uma desconexão entre o que as pessoas comuns podem pagar por uma moradia e essas mansões multimilionárias", prossegue Solomont, "mas o volume de negociações [por mais de US$ 60 milhões] sendo realizadas evidencia que existe um mercado que continua ampliando seus limites." O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou aquele que, até o momento, é o imóvel mais caro já vendido em Miami. Getty Images Para De la Vega, este crescimento dos imóveis de maior valor também impulsiona os preços das moradias de faixas inferiores. Tudo isso se reflete diretamente nos preços pagos pelos moradores comuns de Miami. Os dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos indicam que a área de Miami, Ft. Lauderdale e Palm Beach superou Nova York em termos de custo de vida no país. O custo de vida na região conhecida como Costa Dourada ("Gold Coast", em inglês), atualmente, é cerca de 5% mais alto que o da área metropolitana de Nova York e seus subúrbios. Além disso, os preços ao consumidor no sul da Flórida aumentaram em 36% desde 2019, segundo o Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos. O canal de TV Fox Business noticiou que os preços de moradia no sul da Flórida dispararam em 79% desde a pandemia e que o prêmio médio anual de seguro residencial da região é o mais alto do país. Por tudo isso, não surpreende que, após o pico de entrada de novos moradores devido à pandemia, o sul da Flórida venha perdendo habitantes nos últimos anos. O mercado de ultraluxo em Miami parece não ter teto, mas seu crescimento gera dúvidas entre os analistas. "De certa forma, as pessoas querem saber se existe uma bolha. É realista pagar US$ 75 milhões [cerca de R$ 385 milhões] por uma casa perto da água?", questiona Solomont.

Wesley e Joesley Batista BBC/ Getty images É 2017. Um advogado está sentado em frente ao computador em um escritório digno de um consultor jurídico de dois dos homens mais ricos e poderosos do Brasil. Ele termina de digitar, clica em "enviar" e se dirige à porta. Mas algo o incomoda, uma sensação persistente que não consegue ignorar. Ele se vira, volta à sua mesa e abre a pasta de e-mails enviados. Seu sangue gela. Para seu desespero, ele percebe que anexou o arquivo de áudio errado ao e-mail, uma mensagem destinada diretamente ao Ministério Público Federal (MPF). O anexo deveria salvar seus clientes. Em vez disso, seu erro os levará para a prisão. LEIA TAMBÉM: JBS anuncia investimento de US$ 5 bilhões para expandir negócios na Ásia Esta é a história de dois dos mais famosos irmãos brasileiros: Wesley e Joesley Batista, de 54 e 53 anos, respectivamente, cada um com uma fortuna atualmente estimada em US$ 5,7 bilhões (R$ 29 bi). JBS inaugura centro de pesquisa e desenvolvimento no Sapiens Parque A história da família Batista está ligada ao crescimento econômico do Brasil e ao sucesso da JBS, a maior produtora de carne do mundo. Ao mesmo tempo, seu passado também remete a um dos maiores escândalos de corrupção da história do país. E apesar de serem lembrados no Brasil e no mundo por sua associação aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, os irmãos Batista passaram por uma espécie de "volta por cima" nos último anos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Após uma temporada fora dos holofotes, hoje eles estão mais ricos do que nunca, com suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e participando até mesmo de reuniões na Casa Branca. Relembre, a seguir, a história da queda e da ascensão de Wesley e Joesley Batista, contada no programa Good Bad Billionaire (O bom e mau bilionário, em tradução literal), do BBC World Service* O pai Tudo começou com o pai de Wesley e Joesley, José Batista Sobrinho. Em 1953, ele abriu um açougue em Anápolis, no interior de Goiás. O Brasil passava por uma rápida modernização naquela época, e José se mudou para a recém-construída capital Brasília, atraído por uma isenção fiscal de quatro anos. Ele começou vendendo carne nas cantinas dos canteiros de obras da nova cidade e, alguns anos depois, comprou seu primeiro frigorífico, também em Goiás. A família Batista reunida: da esquerda para a direita, Wesley, fundador da JBS, o pai José, sua esposa, Flora Mendonça Batista, e Joesley, posando na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 2025 BBC/ Getty images Em 1972, ele renomeou a empresa para Friboi e teve dois filhos, Wesley e Joesley, que nasceram com apenas dez meses de diferença. Eles tinham um irmão mais velho e três irmãs. Naquele momento, o Brasil possuía vastas áreas de pastagem e 105 milhões de cabeças de gado. O país era o quarto maior produtor mundial de carne, atrás da Índia, da União Soviética (URSS) e dos Estados Unidos. O problema era a taxa de abate: apenas 12% do rebanho era abatido anualmente, em comparação com 24% na Argentina e 40% nos Estados Unidos. As pastagens eram pobres, e o gado demorava mais para engordar: cinco anos, em comparação com 30 meses na Argentina ou 16 meses nos EUA. O governo brasileiro decidiu então transformar a carne bovina em um negócio de exportação. Transferiu a pecuária para o estado de Mato Grosso e financiou a modernização dos frigoríficos. Tudo isso bem ao lado de Goiás, sede dos negócios de Batista. A terra e os salários eram baratos, então o Brasil rapidamente começou a competir com os EUA em carne enlatada, hambúrgueres e ração para animais de estimação. Os irmãos Wesley e Joesley cresceram no ramo. Ainda adolescentes, já compravam e vendiam gado e lidavam com os clientes. Wesley certa vez disse que ele e o irmão não tinham formação acadêmica, mas aprenderam o ofício na prática. Aos 17 anos, ambos abandonaram a escola para administrar os matadouros da família. Durante as décadas de 1980 e 1990, o irmão mais velho, José Junior, liderou a Friboi. O pai foi se afastando gradualmente dos negócios. Wesley e Joesley ficaram responsáveis pela expansão da empresa. "Crescimento está no nosso DNA", diz Wesley. Entre 1993 e 2005, a Friboi adquiriu 12 matadouros e unidades de processamento. O crescimento da empresa estava ligado ao crescimento dos supermercados, que substituíam os açougues de bairro em várias partes do país. Como os supermercados exigiam volumes maiores e controles sanitários mais rigorosos, os matadouros menores não conseguiam acompanhar a demanda e acabaram batendo à porta da família Batista para vender seus produtos. Com o aumento da urbanização e da renda, o mundo também passou a consumir cada vez mais carne. E, graças ao melhor acesso à refrigeração, as exportações começaram a crescer. A Froboi estava em condições de abastecer os supermercados e, ao fazê-lo, cresceu cada vez mais BBC/ Getty images Em 2004, a empresa transferiu sua sede para São Paulo. Em 2005, José Júnior entrou para a política — sem muito sucesso — e deixou os negócios nas mãos de Wesley e Joesley. Naquela época, o faturamento da Friboi era de quase US$ 2 bilhões: aos 33 anos, os irmãos já eram milionários. Do Brasil para o mundo Chegou a hora de expandir para além do Brasil, e o vento estava a seu favor. O Brasil fazia parte do grupo Bric (mais tarde Brics), as economias emergentes que estavam mudando o cenário econômico global. E o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia lançado um programa para transformar empresas brasileiras em gigantes multinacionais. O país estava se desenvolvendo a passos largos, e os irmãos Batista acompanhavam o ritmo. Eles compraram a Swift-Armour, a maior exportadora de carne da Argentina, por US$ 200 milhões em 2005, com um empréstimo de US$ 80 milhões do BNDES. Em 2006, já operavam 21 unidades de processamento no Brasil e cinco na Argentina, processando 20 mil cabeças de gado por dia. Seu próximo alvo eram os Estados Unidos, mas as normas sanitárias daquele país não permitiam a importação de carne bovina brasileira. Eles precisavam comprar acesso a esse mercado. Para financiar a expansão, abriram o capital da empresa. Em março de 2007, a JBS teve a melhor estreia na bolsa de valores da história do Brasil até então. A Friboi ficou conhecida como JBS, em homenagem às iniciais do pai. Alguns meses depois, fizeram sua maior aquisição: a Swift & Co., a terceira maior processadora de carne dos EUA, com vendas anuais de US$ 9 bilhões. A aquisição custou US$ 1,4 bilhão. O BNDES contribuiu com a compra de US$ 500 milhões em novas ações da JBS. A Swift proporcionou à empresa uma marca global e acesso a muitos novos mercados. "Com essa aquisição, nos tornamos a maior empresa de carne do mundo", anunciou Joesley. Um apetite insaciável "Nasce a maior empresa de carnes do mundo. E ela é brasileira", dizia placa na sede da JBS SA em São Paulo, em 2007 BBC/ Getty images Na década seguinte, a JBS adquiriu mais de 40 empresas em quatro continentes. Quando o dólar se desvalorizou, eles compraram mais nos EUA, como a divisão de carnes da Smithfield Foods, por US$ 500 milhões. Mas quando tentaram adquirir a National Beef, o Departamento de Justiça americano bloqueou a transação devido a preocupações com monopólio. Temiam que um gigante daquele porte definisse os preços, pagando menos aos pecuaristas e cobrando mais dos consumidores. Segundo o próprio Wesley, foi essa tentativa fracassada que permitiu à JBS investir em outras áreas. Os irmãos diversificaram para o setor de frango e adquiriram uma participação majoritária na empresa americana Pilgrim's Pride, que estava em falência, por US$ 800 milhões. Em 2011, os irmãos controlavam 22% do fornecimento de carne bovina dos EUA. Mas, embora estivessem vendendo muito e ampliando rapidamente sua presença internacional, os lucros ainda não eram suficientes para financiar sozinhos uma maratona global de aquisições. Entre 2005 e 2014, a empresa comprou dezenas de concorrentes no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa, numa expansão avaliada em cerca de US$ 20 bilhões. Como financiar uma operação dessa magnitude? A resposta passou pelo BNDES, que fez aportes bilionários no negócio. Em 2014, o Estado brasileiro, por meio do banco de desenvolvimento, era o maior acionista individual da companhia, controlando quase 35% de suas ações. Na prática, um banco público de desenvolvimento havia se tornado dono de cerca de um terço de uma multinacional privada que já faturava bilhões e expandia operações em vários continentes. Algo não fazia sentido. Então veio a Lava Jato... Até então, essa era a história que os irmãos, sua família e a empresa contavam. Mas depois descobriu-se que nem tudo era verdade. A gravação do presidente Temer desencadeou manifestações em massa exigindo "Fora Temer" e "Fora todos eles", e até inspirou obras de arte urbana BBC/ Getty images Então veio a Operação Lava Jato e suas revelações sobre um esquema de corrupção gigantesco, no qual grandes empresas pagavam propinas a políticos em troca de contratos e favores políticos. Em 2016, os irmãos já eram suspeitos formais. O risco para eles era enorme: o presidente de outra empresa bilionária, Marcelo Odebrecht, havia sido condenado a 19 anos de prisão. Em 2017, Wesley e Joesley Batista fizeram um acordo com o Ministério Público para entregar todas as provas que possuíam em troca de imunidade parlamentar. Eles contaram tudo. Subornos a funcionários para resolver pendências fiscais e para liberar empréstimos — eles confessaram ter subornado três presidentes brasileiros, algo que todos negam. No total, cerca de US$ 200 milhões foram distribuídos entre quase 1,9 mil políticos. Joesley chegou a afirmar que, sem essas propinas, a empresa não teria crescido tão rápido. Ele também revelou que o esquema com o BNDES começou em uma reunião em 2005 com Guido Mantega, então presidente do banco e posteriormente Ministro da Economia. Para o primeiro empréstimo para a compra da Swift-Armour na Argentina, Joesley disse que subornaram um associado de Mantega com US$ 3,2 milhões, continuando a pagá-lo até 2009, quando alegaram ter começado a negociar diretamente com Mantega. O BNDES negou tudo. Mantega foi preso e libertado quase imediatamente. Entre os subornados, segundo seu depoimento, estava o então presidente do Brasil, Michel Temer, que teria recebido US$ 4,6 milhões. Joesley chegou a gravar uma conversa com ele, usando um microfone escondido, na qual, segundo a Procuradoria-Geral da República, Temer aprovou o pagamento para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso e poderia incriminar importantes líderes políticos. O ex-presidente nega as acusações e, embora tenha sido investigado e posteriormente preso em um desdobramento da Lava Jato, Temer não foi condenado nos principais processos relacionados a esse caso. Reviravoltas inesperadas O acordo dos irmãos com o MPF lhes garantiu imunidade contra processos por corrupção. A empresa, no entanto, pagou uma multa recorde de US$ 3,2 bilhões, distribuída ao longo de 25 anos. Mas houve duas reviravoltas inesperadas. Milhões de cabeças de gado, milhões de dólares, milhões em subornos, milhões em multas... e uma temporada na prisão BBC/ Getty images Você se lembra do advogado do início do texto? Em vez de enviar a gravação do diálogo com Temer ao MPF , ele enviou os áudios de outra conversa, entre Joesley e um executivo da empresa, Ricardo Saud. Na gravação, Joesley parecia admitir que havia ocultado informações cruciais dos promotores, e discutia como influenciar o Procurador-Geral da República para melhorar o acordo de delação premiada. Ambos pareciam relaxados, estavam até rindo. Em um dado momento, Joesley pode ser ouvido dizendo: "Somos a joia da coroa. Vamos sair dessa numa boa com todo mundo, e eles não vão nos impedir." Dias após o erro monumental do advogado, os dois se entregaram à polícia. Mas o golpe final para os irmãos Batista foi financeiro: dias antes da notícia sobre a existência de uma gravação secreta com o presidente Temer se tornar pública, os irmãos venderam US$ 90 milhões em ações da JBS. Quando o escândalo estourou, a bolsa de valores brasileira despencou e teve que suspender temporariamente as negociações após uma queda de quase 9%, a maior em nove anos. Wesley e Joesley foram presos sob suspeitas de insider trading (uso de informação privilegiada) e manipulação de mercado. Eles sempre negaram as acusações. Após cerca de seis meses em prisão preventiva, eles receberam autorização para seguir em prisão domiciliar à noite e nos fins de semana. Medidas cautelares, porém, os proibiam de deixar o país e de ocupar cargos na JBS. A volta por cima E a empresa? Em vez de afundar, ela prosperou. Quando Joesley foi libertado da prisão, em março de 2018, as ações da JBS subiram cerca de 3,6%. Pouco depois, um aumento na demanda por carne da China impulsionou os lucros no Brasil em quase 116% no início de 2019. Naquele mesmo ano, Wesley e Joesley estrearam na lista de bilionários da Forbes com US$ 1,3 bilhão cada. A prisão não prejudicou os negócios: pelo contrário, os impulsionou. A conquista de Wall Street: a placa da JBS NV na Bolsa de Valores de Nova York marcou sua chegada após anos de oposição BBC/ Getty images Com a chegada da pandemia de covid-19, a Justiça suspendeu a proibição de que eles ocupassem cargos executivos. Na época, a JBS fornecia 25% do mercado alimentício brasileiro e empregava 260 mil pessoas. Aparentemente, eles eram importantes demais para serem punidos. Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil os absolveu das acusações de uso de informação privilegiada. No ano seguinte, eles retornaram oficialmente ao conselho de administração da JBS, que havia consolidado sua posição como a maior empresa de carnes do mundo, com mais de US$ 77 bilhões em receita anual. Era, e ainda é, um bom momento para estar no ramo de carnes. Após anos de boom vegano no Ocidente, esse produto teve um forte retorno, impulsionado pela divulgação massiva dos benefícios da proteína. Em 2025, Wesley indicou que o aumento dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 (as canetas emagrecedoras) estava impulsionando a demanda por proteína para prevenir a perda muscular. "Antes, os médicos diziam para não comer tantos ovos ou tanta proteína. Agora é o contrário", observou ele. No entanto, a JBS ainda tinha um obstáculo a superar: a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York. O órgão regulador americano havia negado repetidamente o pedido da empresa para entrar na bolsa devido à forte oposição bipartidária no Congresso, onde havia se formado um grupo chamado de "Ban the Batistas" (Proíbam os Batistas). Tudo mudou com o retorno de Donald Trump à Casa Branca. A abertura de capital ocorreu em 2025, apenas dois dias depois de ser revelado que o maior doador para o comitê de posse de Trump havia sido a Pilgrim's Pride, uma subsidiária da JBS, com uma contribuição de US$ 5 milhões. Era uma quantia astronômica: cinco vezes maior do que a doada por gigantes da tecnologia como Amazon, Meta, Uber, Nvidia ou Microsoft, que contribuíram com um milhão de dólares cada. A JBS negou qualquer tratamento preferencial. Sua estreia em Wall Street foi um sucesso estrondoso. Naquele dia, a fortuna de cada um dos irmãos aumentou em US$ 200 milhões. Hoje, a fortuna de cada um deles chega a US$ 5,7 bilhões. A escuridão A carne pode ser deliciosa e nutritiva, mas como ela chegou ao seu prato? BBC/ Getty images Não se trata apenas de carne e dinheiro. Em 2025, a JBS pagou uma multa de US$ 4 milhões após a descoberta de que crianças da América Central trabalhavam à noite limpando fábricas da empresa nos Estados americanos de Colorado, Minnesota e Nebraska. Elas manuseavam produtos químicos e algumas chegavam à escola com queimaduras. Em 2017, outra investigação revelou que a JBS comprava carne de uma fazenda suspeita de usar mão de obra em condições de escravidão moderna. Também houve alegações de maus-tratos a animais. Em 2017, a Humane Society divulgou imagens de galinhas sendo espancadas em uma fazenda da Pilgrim's Pride. Em 2018, outro vídeo mostrou trabalhadores espancando e mutilando leitões sem anestesia. A JBS afirmou, em ambos os casos, que abriu investigações e rompeu relações com os fornecedores envolvidos. As acusações de desmatamento também persistiram. Em 2017, a empresa pagou uma multa de US$ 7,7 milhões e, em 2024, foi novamente sancionada pelas autoridades brasileiras em uma operação contra a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, embora a empresa tenha negado qualquer irregularidade. No mesmo ano, o Procurador-Geral de Nova York processou a JBS por supostamente ter descumprido suas promessas de atingir emissões líquidas zero até 2040, acusação que a empresa também rejeitou. Grande demais para cair O retorno dos irmãos Batista não se limitou ao setor financeiro. Foi acompanhado por uma enorme influência política. No Brasil de hoje, eles são fotografados com frequência ao lado do presidente Lula (PT) em eventos públicos. No cenário internacional, os irmãos também começaram a circular nos altos círculos diplomáticos. Um exemplo disso foi o encontro particular de Joesley com Donald Trump em 2025, pouco depois de os EUA imporem uma tarifa de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, medida que Washington acabou eliminando por completo. A influência dos irmãos nessa decisão foi tamanha que um empresário brasileiro chegou a afirmar que a remoção da tarifa se deveu em 99% aos Batista. Joesley também ajudou a aproximar Trump e Lula e desempenhou um papel importante na operação dos EUA na Venezuela, viajando entre Washington e Caracas para tentar amenizar as tensões com o governo venezuelano. Talvez esse retorno à cena política não seja uma surpresa. Os irmãos Batista revolucionaram a indústria alimentícia brasileira, transformando-a em uma potência global na exportação de carne. No mundo dos negócios, alguns os veem como heróis empreendedores por levarem o orgulho brasileiro a Wall Street. Em última análise, a lição incômoda é de puro realismo financeiro: você pode estar envolvido nos piores escândalos, mas se sua fortuna for grande o suficiente, o sistema sempre manterá uma porta aberta.