g1 > Economia

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o comando da pasta na próxima semana para concorrer ao governo de São Paulo, segundo fontes próximas ao ministro ouvidas pelo blog. A previsão é que Haddad deixe o governo na quinta-feira (19), a tempo de cumprir o período estabelecido pela Constituição. 🗓️ Pela legislação eleitoral brasileira, ministros que desejam disputar eleições precisam se desincompatibilizar — ou seja, deixar seus cargos oficiais — até seis meses antes da votação: o que neste ano ocorre no início de abril. Apesar de ter demonstrado resistência, Haddad aceitou o pedido de Lula, que disse precisar dele na disputa ao Palácio dos Bandeirantes, contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ana Flor: em jantar, Lula diz a Haddad que precisa dele na disputa em SP O acirramento da disputa presidencial, em especial depois da divulgação da pesquisa Datafolha no último sábado (7), foram o argumento final para convencer o ministro. LEIA TAMBÉM Datafolha: Tarcísio lidera todos os cenários para governador no 1º e no 2º turno. Datafolha: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro 43% das intenções de voto no 2º turno, diz pesquisa Haddad argumentava, em conversas internas do governo, que Lula estava em uma situação bem mais positiva na corrida presidencial do que em 2022, quando disputou com Bolsonaro ocupando a cadeira de presidente. Só que as pesquisas têm mostrado um segundo turno muito apertado entre Lula e Flavio Bolsonaro. Por isso, a presença dele na disputa em São Paulo, importante colégio eleitoral, tem sido considerada fundamental para o governo. Fernando Haddad, Ministro da Fazenda do Brasil Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo Disputa em SP Outro ponto importante é que, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no domingo (8), Haddad apresenta um desempenho melhor que outras possibilidades ventiladas pelo governo, como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a ministra Simone Tebet (MDB). O ministro da Fazenda, no entanto, ainda aparece atrás de Tarcísio nas intenções de voto. O atual governador do estado tem 44% das intenções de voto, na pesquisa, ante 31% do ministro da Fazenda.

Avião é visto decolando no céu de Bruxelas, Bélgica, em 10 de março de 2016. Reuters A guerra entre os EUA e Israel contra o Irã está abalando empresas em todo o mundo, elevando os preços da energia, restringindo o fornecimento de matérias-primas essenciais e levantando dúvidas sobre a confiabilidade das rotas comerciais cruciais para o fluxo de mercadorias, desde alimentos até peças de automóveis. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Abaixo estão as principais interrupções até o momento: Caos de viagem A guerra fechou grande parte do espaço aéreo da região e paralisou os aeroportos de Dubai e Doha, dois dos mais movimentados do mundo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos e forçando as companhias aéreas a cancelar cerca de 40 mil voos — a maior interrupção no setor de viagens desde a pandemia de Covid-19. Os governos estão se mobilizando para repatriar os cidadãos, e os aeroportos estão retomando gradualmente as operações, mas apenas com uma fração da capacidade normal. Jatos particulares surgiram como uma alternativa para viajantes isolados no Golfo, enquanto outros embarcaram em longas viagens de táxi pelo deserto até Riade, na Arábia Saudita, na esperança de voar para casa de lá. Remessas que vão desde produtos frescos a peças de avião estão em suspenso, uma vez que o conflito no Oriente Médio comprime a capacidade de carga e aumenta os preços dos fretes. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Companhias aéreas O fechamento do espaço aéreo do Golfo teve um impacto rápido nas redes de companhias aéreas e afetou negativamente as ações do setor. Os preços das passagens aéreas entre a Ásia e a Europa dispararam, algumas companhias aéreas, incluindo a Wizz Air e a Lufthansa, alteraram rotas, e a Ryanair registrou um aumento na demanda por voos de curta distância, já que os europeus estão optando por ficar mais perto de casa durante a Páscoa. Alguns preços do combustível de aviação, a segunda maior despesa para as companhias aéreas depois da mão de obra, dobraram desde o início do conflito, aumentando a pressão sobre as empresas aéreas. As companhias aéreas americanas, que abandonaram a prática de proteção contra os custos de combustível, podem ser as mais afetadas caso a guerra se prolongue. As companhias aéreas europeias e asiáticas mantêm estratégias ativas de proteção contra os custos de combustível. Para os pilotos, a guerra com o Irã está tornando os céus ainda mais perigosos, aumentando a pressão sobre aqueles que os sobrevoam devido a eventos que vão desde incursões de drones até rotas de voo comprimidas pelo conflito. Impacto em Dubai O conflito colocou em risco a imagem cuidadosamente construída do Oriente Médio como um destino turístico seguro e sofisticado, após bilhões em investimentos nos últimos anos, de Abu Dhabi a Dubai. O turismo movimenta cerca de US$ 367 bilhões R$ 1,9 trilhão) anualmente na região. Também revelou o quanto o transporte aéreo global depende de um punhado de centros principais, liderados por Dubai, o aeroporto internacional mais movimentado do mundo . Em Dubai e outros importantes centros comerciais do Oriente Médio, muitas lojas estavam fechadas ou operando com uma equipe reduzida na semana passada. Indústria de defesa Os Estados Unidos lançaram um arsenal de armamentos contra alvos iranianos, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk, caças furtivos e, pela primeira vez em combate, drones de ataque unidirecional de baixo custo, modelados a partir de projetos iranianos. O Pentágono também utilizou serviços de inteligência artificial da Anthropic, incluindo suas ferramentas Claude, durante o ataque. Na semana passada, o Pentágono classificou o laboratório de IA como um "risco para a cadeia de suprimentos", proibindo que contratados do governo utilizem sua tecnologia em projetos para as Forças Armadas dos EUA. Essa decisão foi tomada após meses de disputa sobre a insistência da empresa em medidas de segurança que, segundo o Departamento de Defesa, foram excessivas. O presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se com executivos de sete empresas contratadas do setor de defesa em 6 de março, enquanto o Pentágono trabalha para repor os suprimentos reduzidos pelos ataques dos EUA ao Irã e outras operações militares recentes. Metais críticos e matérias-primas A fundição catariana Qatalum começou a interromper suas operações na semana passada, enquanto a Aluminium Bahrain informou ter suspendido os embarques e declarado força maior por não conseguir transportar metal pelo Estreito de Ormuz. A região do Golfo responde por cerca de 8% do fornecimento global de alumínio. Os preços do alumínio na Bolsa de Metais de Londres dispararam após a notícia, enquanto os prêmios físicos na Europa e nos Estados Unidos atingiram máximas em vários anos. Os produtores de níquel na Indonésia, que dependem do Oriente Médio para 75% do enxofre que utilizam, podem ter que reduzir a produção, já que o transporte marítimo no Golfo está sendo cada vez mais afetado pelo conflito. 'Fast fashion' e mercado de luxo Remessas de roupas da Inditex, proprietária da Zara, e de outras grandes varejistas de vestuário estão retidas em aeroportos de Bangladesh e da Índia, devido às restrições impostas pelo conflito aos voos de carga aérea. O sul da Ásia é uma potência na fabricação de roupas, e as marcas de fast fashion do mundo todo dependem de fábricas em Bangladesh, Índia e Paquistão para um fluxo constante de novas camisetas, vestidos e calças jeans. A crise também está aumentando a pressão sobre o setor de luxo , que já enfrenta dificuldades para se recuperar da desaceleração da demanda, com grupos como Richemont e Zegna entre os mais afetados. Chips e centros de dados Autoridades sul-coreanas alertaram que um conflito prolongado poderia interromper o fornecimento de materiais essenciais para a fabricação de semicondutores provenientes do Oriente Médio, incluindo o hélio, fundamental para a produção de chips e que não possui substituto viável. Os ataques com drones que danificaram alguns dos centros de dados da Amazon nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein levantaram questões sobre as cadeias de suprimentos de tecnologia e o ritmo de expansão das grandes empresas de tecnologia na região.

O presidente dos EUA, Donald Trump REUTERS/Jonathan Ernst O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comprou mais de US$ 1,1 milhão (R$ 5,8 milhões) em títulos da Netflix nos últimos três meses, enquanto a gigante do streaming lutava contra a Paramount Skydance para comprar a Warner Bros Discovery, de acordo com informações do governo americano. Trump comprou mais de US$ 500 mil (R$ 2,6 mihões) em títulos da Netflix em duas transações nos dias 12 e 16 de dezembro, e outros US$ 600 mil (R$ 3,2 milhões) em outras duas negociações nos dias 2 e 20 de janeiro, conforme mostram os documentos divulgados pelo governo. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A Casa Branca informou uma faixa de valores, em vez de quantias exatas, entre pouco mais de US$ 1,1 milhão e US$ 2,25 milhões (R$ 11,9 milhões). As aquisições ocorreram enquanto o presidente republicano e seus funcionários da área regulatória criticavam a Netflix na imprensa, questionando se o acordo resistiria ao escrutínio antitruste e pressionando a companhia a demitir a membro do conselho Susan Rice, ex-assessora do ex-presidente democrata Barack Obama. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Não está claro se Trump lucrou ou perdeu dinheiro com os títulos da Netflix, que pagavam uma taxa de juros de 5,375% e vencem em novembro de 2029, já que o documento não revela se ou quando o presidente vendeu os ativos. O negócio, que teria deixado a empresa combinada com cerca de US$ 85 bilhões em dívidas, pressionou imediatamente os títulos da Poder Executivo de investir em empresas que tenham negócios com o governo. Acredita-se que ele tenha comprado os títulos por meio de um fundo fiduciário administrado por seus filhos. "Os bens do presidente Trump estão em um fundo administrado por seus filhos", disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. "Não há conflitos de interesse." O negócio, que teria deixado a empresa combinada com cerca de US$85 bilhões (R$ 449,5 bilhões) em dívidas, pressionou imediatamente os títulos da Netflix. Eles estavam sendo negociados a US$ 1,03 e US$ 1,04 por valor de face quando Trump os comprou, em 12 e 16 de dezembro, e a US$ 1,04 e US$ 1,03 em sua segunda rodada de compras, em 2 e 20 de janeiro, segundo dados compilados pela LSEG. Trump também adquiriu entre US$ 500.002 (R$ 2,6 milhões) e US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões) em títulos da Warner Bros em duas operações nos dias 12 e 16 de dezembro. Na ocasião, os títulos eram negociados a 91,75 centavos de dólar e 92 centavos de dólar. Agora, valem 95 centavos. Se ele manteve esses papéis, estaria "no lucro" agora. Dias depois do anúncio da fusão da Warner com a Netflix, em 5 de dezembro, Trump começou a questionar a viabilidade do acordo, dizendo a jornalistas que a concentração de poder de mercado "poderia ser um problema". Trump diz que não é amigo da Netflix nem da Paramount em meio a disputa pela Warner A Paramount, dirigida pelo filho de Larry Ellison, aliado de Trump e megadoador republicano, tornou pública sua oferta hostil de aquisição em 8 de dezembro, dando início a uma guerra de lances entre as duas empresas. A Netflix desistiu da disputa após a Paramount apresentar uma oferta de US$ 110 bilhões (R$ 528,8 bilhões) há cerca de duas semanas. A transação com a Paramount será financiada por US$ 39 bilhões (R$ 206,2 bilhões) em novas dívidas fornecidas por Bank of America, Citigroup e Apollo, de acordo com o anúncio feito pelas empresas em 27 de fevereiro. Os últimos relatórios do Escritório de Ética Governamental dos EUA, datados de 27 de fevereiro, foram publicados online na semana passada. Trump, um investidor imobiliário, já declarou anteriormente mais de US$1 bilhão em ativos. Ele mantém interesses comerciais que abrangem criptomoedas, clubes de golfe e outros contratos de licenciamento.

Petróleo Divulgação/Petrobras A Agência Internacional de Energia (AIE) pediu a liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo, informou a ministra das finanças japonesa, Satsuki Katayama a jornalistas nesta segunda-feira (9). O pedido teria sido feito durante uma reunião online com os ministros das Finanças do G7 (grupo das sete democracias mais ricas do mundo). A medida serviria para apoiar o fornecimento global de energia e conter os preços da commodity. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "A AIE pediu que cada país realizasse uma liberação coordenada de reservas de petróleo", disse Katayama. "Em resposta à situação atual [...] o G7 concordou em continuar monitorando de perto os desenvolvimentos no mercado de energia e em tomar as medidas necessárias para apoiar o fornecimento global de energia, incluindo a liberação de reservas de petróleo." Os ministros e representantes da AIE (Agência Internacional de Energia) foram acompanhados por executivos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), bem como do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse Katayama. "Todos estão acompanhando de perto os desdobramentos nos mercados financeiros, no comércio e nos mercados como um todo", afirmou o ministro das finanças alemão, Lars Klingbeil, reforçando que o uso dessa estratégia dependerá de como o mercado da commodity deve evoluir. "Veremos se e quando será o momento certo para seguir essa opção estratégica", completou. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda segundo a ministra japonesa, o G7 realizará em breve uma reunião de ministros da energia para discutir novas medidas. Os preços do petróleo atingiram níveis não vistos desde meados de 2022 nesta segunda-feira (9), com alguns dos principais produtores reduzindo a oferta e o mercado sendo tomado por temores de interrupções prolongadas no transporte marítimo devido à crescente guerra entre os EUA e Israel com o Irã. Quanto petróleo os países do G7 mantêm em reservas de emergência? Os países membros da AIE (Agência Internacional de Energia) que são importadores líquidos de petróleo são obrigados a manter em estoque o equivalente a pelo menos 90 dias de importações de petróleo. Veja abaixo a quantidade que cada país do G7 tem em estoque. Vale destacar, no entanto, que a quantidade que pode ser liberada por dia é limitada pela infraestrutura local. Estados Unidos: possuem 415,4 milhões de barris de petróleo bruto na Reserva Estratégica de Petróleo, em 27 de fevereiro, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA. Além disso, os EUA têm 439,3 milhões de barris de reservas comerciais em mãos privadas. Japão: 260 milhões de barris de petróleo bruto em estoques governamentais, de um total de aproximadamente 470 milhões de barris de equivalente em petróleo no país no final de dezembro. O estoque governamental equivale a 146 dias de importações, segundo o Ministério de Recursos Naturais e Energia do Japão. Outros 180 milhões de barris de combustíveis equivalentes a petróleo estão em estoques privados (dos quais 90 milhões de barris são de petróleo bruto). Alemanha: O governo alemão detém 110 milhões de barris de petróleo bruto e 67 milhões de barris de produtos petrolíferos refinados, que podem ser liberados em poucos dias, segundo o Ministério da Economia da Alemanha. França: Cerca de 120 milhões de barris de petróleo bruto e derivados no final de 2024, segundo os dados mais recentes disponíveis publicamente. Desse total, aproximadamente 97 milhões de barris são detidos pela SAGESS, entidade governamental, sendo cerca de 30% petróleo bruto, 50% gasóleo, 9% gasolina, 7,8% querosene de aviação e uma parte de óleo combustível. Os outros 39 milhões de barris são detidos pelas empresas petrolíferas do país. Itália: A lei exige que o país mantenha reservas de cerca de 76 milhões de barris de petróleo, o que representa 90 dias da média das importações líquidas de petróleo italianas em 2024. O Ministério da Economia da Itália não respondeu a um pedido de comentário sobre o número exato. Reino Unido: Cerca de 38 milhões de barris de petróleo bruto e 30 milhões de barris de produtos refinados, em 26 de fevereiro, segundo o Departamento de Segurança Energética e Net Zero. O governo cumpre sua obrigação exigindo que a indústria mantenha níveis mínimos de estoque. Em julho de 2025, cerca de 15% dos estoques estavam armazenados em território britânico para atender às exigências de outros países ou mantidos no exterior por meio do sistema de bilhetes da AIE (Agência Internacional de Energia) como opções de compra de petróleo estrangeiro em caso de crise. O Canadá não possui reservas estratégicas de petróleo e não é obrigado a tê-las pela AIE (Agência Internacional de Energia), por ser um exportador líquido de petróleo. Quarto maior produtor mundial de petróleo bruto, o Canadá bombeou mais de 5 milhões de barris por dia em dezembro. A maior parte de suas exportações destina-se aos Estados Unidos., *Com informações da agência de notícias Reuters.

Preço do petróleo ultrapassa US$ 100 e países avaliam liberar reservas A Comissão Europeia alertou nesta segunda-feira (9) para um "grande choque inflacionário" caso o conflito no Oriente Médio se prolongue. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "Se a situação se prolongar, com interrupções no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e ataques à infraestrutura energética dos Estados do Golfo, poderá acabar causando um grande choque inflacionário na economia global e europeia", alertou o Comissário Europeu Valdis Dombrovskis. O conflito já causa abalos nas bolsas mundiais e, principalmente, no preço do petróleo. Nesta segunda-feira (9), as bolsas de valores desabaram e os preços do petróleo dispararam até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630). A bolsa de Seul, que até o início do conflito apresentava forte desempenho impulsionado por empresas de tecnologia, fechou o dia em queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%. Na Europa, os principais mercados também operavam no vermelho: Paris caía 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres perdia 1,57%, Madri cedia 2,87% e Milão recuava 2,71%. As bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também encerraram o pregão em baixa nesta segunda-feira. Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street já haviam acumulado queda superior a 2% na semana passada, enquanto o dólar recuperou parte do valor por ser considerado um ativo de proteção em momentos de incerteza. O impacto mais intenso do conflito aparece no mercado de petróleo. Por volta das 9h (horário de Brasília), o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 12,59%, para US$ 102,34. Durante a madrugada, chegou a avançar 30%, atingindo US$ 119,48. Já o Brent, referência global, avançava 12,04%, a US$ 103,85 por barril, após ter superado a marca de US$ 119. 'Imposto sobre a economia global' Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. SAHAR AL ATTAR / AFP O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado, cresce o temor de uma onda inflacionária capaz de afetar a economia global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta do petróleo, destacando a importância de eliminar “a ameaça nuclear do Irã”. "O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!", acrescentou. Analistas, no entanto, alertam para possível impacto severo na economia mundial. "O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Segundo ele, "o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global".

Ataque de Israel atinge refinaria de petróleo em Teerã, no Irã Os preços do petróleo dispararam, enquanto as bolsas de valores caíram diante do temor de que a escalada da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã restrinja a oferta de energia e prejudique indústrias ao redor do mundo. A seguir, as medidas que governos estão adotando ou pretendem adotar para reduzir o impacto da guerra em suas economias. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Coreia do Sul planeja teto para combustíveis O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, afirmou nesta segunda-feira que as autoridades vão impor um teto aos preços domésticos dos combustíveis pela primeira vez em quase 30 anos. O país também buscará fontes de energia além dos carregamentos que passam pelo Estreito de Ormuz e poderá ampliar, se necessário, um programa de estabilização de mercado de 100 trilhões de won (US$ 67 bilhões), acrescentou. Japão orienta depósito nacional de petróleo a se preparar para liberação O governo japonês instruiu uma instalação nacional de armazenamento de reservas de petróleo a se preparar para uma possível liberação de petróleo bruto, disse à Reuters, no domingo, Akira Nagatsuma, membro do partido de oposição Aliança Reformista Centrista. Detalhes como o momento da liberação ainda permanecem indefinidos, afirmou Nagatsuma. Vietnã vai eliminar tarifas de importação de combustíveis O Vietnã planeja eliminar tarifas de importação sobre combustíveis para garantir o abastecimento em meio às interrupções, informou o governo, acrescentando que a medida deve vigorar até o fim de abril. Indonésia vai aumentar subsídios a combustíveis A Indonésia vai aumentar os recursos destinados a subsídios a combustíveis no orçamento, disse o ministro das Finanças nesta segunda-feira. O país atualmente reservou 381,3 trilhões de rúpias (US$ 22,5 bilhões) para subsídios de energia e para compensar a estatal Pertamina e a concessionária de energia PLN por manterem alguns preços de combustíveis e tarifas de eletricidade em níveis acessíveis. A Indonésia, maior produtora mundial de óleo de palma, pode retomar um plano para lançar o B50 — mistura de 50% de biodiesel à base de óleo de palma e 50% de diesel convencional —, afirmou uma autoridade do Ministério de Energia. China pede que refinarias suspendam exportações de combustíveis A China solicitou às refinarias que suspendam a assinatura de novos contratos de exportação de combustíveis e que tentem cancelar embarques já comprometidos, disseram fontes com conhecimento do assunto na semana passada. A orientação não se aplica ao abastecimento de querosene de aviação para voos internacionais, ao fornecimento de combustível marítimo em regime aduaneiro nem a remessas para Hong Kong ou Macau, acrescentaram as fontes. Bangladesh fecha universidades e raciona combustíveis Bangladesh fechará todas as universidades a partir de segunda-feira, antecipando as férias do Eid al-Fitr como parte de medidas emergenciais para economizar eletricidade e combustíveis. Na sexta-feira, Bangladesh, que depende de importações para 95% de suas necessidades energéticas, impôs limites diários às vendas de combustíveis após corrida às compras e formação de estoques.

Maior refinaria de petróleo do Bahrein é atingida por ataque de drones Ataques à infraestrutura hídrica são raros em tempos de guerra, mas têm ocorrido no conflito em curso no Oriente Médio com bombardeios a usinas de dessalinização, um setor essencial para milhões de pessoas na região. Uma usina de dessalinização no Bahrein foi danificada no domingo (8) após um ataque de drone iraniano, disseram autoridades locais, um dia depois de Teerã acusar o país de uma ofensiva semelhante em Qeshm, no Irã, que teria afetado o abastecimento de água de 30 vilarejos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esses tipos de ataques ainda são limitados, mas, como disse à AFP a economista especializada em recursos hídricos Esther Crauser-Delbourg: "Quem se atrever a atacar a água desencadeará uma guerra muito mais devastadora do que a atual". Por que a água dessalinizada é tão importante? Em uma das regiões mais secas do mundo, onde o acesso à água é dez vezes menor que a média global, segundo o Banco Mundial, as usinas de dessalinização desempenham um papel fundamental na economia e no abastecimento de água potável para seus milhões de habitantes. 🔎 Cerca de 42% da capacidade mundial de dessalinização está concentrada no Oriente Médio, de acordo com um estudo recente publicado na revista Nature. Nos Emirados Árabes Unidos, 42% da água potável provém dessas usinas, enquanto o número sobe para 70% na Arábia Saudita, 86% em Omã e 90% no Kuwait, segundo um relatório de 2022 do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri). "Lá, sem água dessalinizada, não há nada", afirmou Crauser-Delbourg. É especialmente estratégica em grandes cidades como Dubai e Riade. Em 2010, uma análise da CIA afirmou que "a interrupção das instalações de dessalinização na maioria dos países árabes poderia ter consequências mais graves do que a perda de qualquer outra indústria ou matéria-prima". Em 2008, o WikiLeaks divulgou um telegrama diplomático dos EUA afirmando que "Riade deveria ser evacuada em uma semana" caso a usina de dessalinização de Jubail - que abastece a cidade - ou seus oleodutos fossem "gravemente danificados ou destruídos". Quais ameaças pairam sobre essas instalações? Além dos ataques relatados neste fim de semana, essas usinas são vulneráveis a cortes de energia e a possíveis contaminações da água do mar, principalmente por vazamentos de petróleo, disseram vários especialistas à AFP. "A segurança e os controles de acesso no perímetro imediato das usinas foram reforçados", explicou à AFP Philippe Bourdeaux, diretor da região África/Oriente Médio da empresa francesa Veolia, que fornece água dessalinizada para a Arábia Saudita em Jubail e para Omã nas regiões de Mascate, Sur e Salalah. "Obviamente, os eventos recentes nos deixaram muito vigilantes. Estamos monitorando de perto a situação nas instalações", acrescentou, especificando que "em alguns países, as autoridades implantaram baterias de mísseis ao redor das maiores usinas ante a ameaça de drones ou mísseis". Em relação aos vazamentos de petróleo, os operadores dispõem de ferramentas para mitigar seus efeitos nocivos. Quais são os precedentes? Na última década, houve diversos ataques a usinas de dessalinização: o Iêmen e a Arábia Saudita se atacaram mutuamente, e Gaza sofreu bombardeios israelenses, segundo o Pacific Institute, um think-tank com sede na Califórnia que monitora conflitos relacionados à água. Antes de 2016, é preciso voltar a 1991 e à Guerra do Golfo para encontrar ataques semelhantes. Quais as consequências em caso de ataque? Caso esses problemas persistam, as consequências podem variar de pequenos inconvenientes a situações muito mais graves. "Podemos ver grandes cidades em êxodo. E depois racionamentos", previu Crauser-Delbourg. Além disso, haveria efeitos em cadeia na economia, especialmente no turismo, na indústria e nos centros de dados, que consomem grandes quantidades de água para sua refrigeração. No entanto, existem medidas de segurança, ressaltou Bourdeaux. Segundo o representante da Veolia, as usinas de dessalinização geralmente são interconectadas, o que pode limitar o impacto da paralisação de uma delas. Elas também costumam ter reservas de água suficientes para vários dias - de dois a sete -, acrescentou, o que pode mitigar a escassez, desde que as interrupções não durem muito tempo. Pessoas desabrigadas em Beirute após a escalada de tensões entre o Hezbollah e Israel, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Reuters
Dólar opera em queda com a escalada da guerra no Oriente Médio; Ibovespa sobe com apoio da Petrobras

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar opera em queda de 0,58% nesta segunda-feira (9), cotado a R$ 5,2134 perto das 13h. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal negativo e operava em alta de 0,25% no mesmo horário, aos 179.818 pontos, puxado pela Petrobras. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O petróleo voltou a disparar após produtores do Oriente Médio — como Kuwait, Irã e Emirados Árabes Unidos — reduzirem a produção diante do fechamento do Estreito de Ormuz. O barril chegou a superar US$ 110, com contratos futuros mais líquidos acima de US$ 100. Há duas semanas, o barril era negociado perto de US$ 70. Com o avanço dos preços, as ações do setor de óleo e gás registravam forte alta e ajudavam a puxar a bolsa brasileira para cima. Entre os destaques, os papéis da Petrobras subiam mais de 4% no mesmo ho´rario, entrão PetroRio subia 5,99%. ▶️ Autoridades dos Estados Unidos e de Israel discutiram uma possível operação com forças especiais dentro do Irã para garantir o controle de estoques de urânio enriquecido do país. ▶️ No Irã, Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi escolhido pela Assembleia de Especialistas para suceder o pai como líder supremo, sinalizando a continuidade da ala mais dura no comando do país. ▶️ No Brasil, o boletim Focus, do Banco Central, mostrou que economistas do mercado financeiro mantiveram em 3,91% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. A projeção para a taxa básica de juros subiu de 12% para 12,13% ao ano no fim de 2026. ▶️ Outro tema que continua no radar é o caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após novas notícias apontarem possíveis relações dele com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,97%; Acumulado do mês: +2,97%; Acumulado do ano: -3,68%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -4,41%; Acumulado do mês: -4,41%; Acumulado do ano: +12%. Petróleo acima de US$ 100 Os preços do petróleo dispararam nos últimos dias e chegaram a subir até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630). A forte alta ocorre em meio às preocupações com a guerra no Oriente Médio, que entra na segunda semana sem qualquer sinal de trégua. Por volta das 9h (horário de Brasília), o petróleo Brent do Mar do Norte, usado como referência global, avançava 12,04% e era negociado a US$ 103,85 por barril, depois de ter ultrapassado a marca de US$ 119. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 12,59%, para US$ 102,34. Durante a madrugada, o barril chegou a disparar 30%, atingindo US$ 119,48. Parte dessa pressão nos preços vem dos ataques registrados nos últimos dias contra campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, no norte do país, o que levou à redução da produção. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também diminuíram a produção após ataques iranianos contra seus territórios. Diante da escalada dos preços, países do G7 estudam liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo de forma coordenada para tentar conter a alta. Uma fonte do governo francês confirmou que o tema deve ser discutido em uma videoconferência entre ministros das Finanças. A Agência Internacional de Energia (AIE) exige que seus membros mantenham reservas equivalentes a 90 dias de importações de petróleo, justamente para lidar com situações de crise no abastecimento. Outro fator que preocupa o mercado é a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Pela região passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por mais tempo, cresce o temor de que a alta acabe pressionando a inflação e afetando a economia global. O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou o aumento dos preços e afirmou que a prioridade é eliminar o que chamou de ameaça nuclear iraniana. "O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos EUA e do mundo", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!", acrescentou. Apesar disso, analistas alertam que a crise pode trazer consequências importantes para a economia mundial. Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, afirma que o conflito começa a atingir diretamente estruturas ligadas à produção de petróleo. “E com isso você vai diminuir você vai diminuir cada vez mais a oferta e o preço tende a subir”, afirma. Ele também chama atenção para o impacto do bloqueio de uma das principais rotas de transporte da commodity. “Além disso o estreito de Ormuz está 100% fechado onde escorre ali mais de 20% da produção de petróleo do mundo. Temos muitos pontos de atenção nesse sentido”, acrescenta Correia. Segundo o analista, a economia global ainda depende fortemente do petróleo, o que pode provocar um efeito em cadeia nos preços. “Aqui no Brasil já não se fala mais nem de 0,5% e sim de 0,25%. Vamos acompanhar para ver os desdobramentos disso, mas realmente o mercado está muito tenso.” Agenda econômica Boletim Focus Os economistas do mercado financeiro mantiveram a previsão de inflação em 3,91% para 2026. Para 2027, a estimativa teve leve alta, passando de 3,79% para 3,80%. Os dados fazem parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC). O relatório reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras consultadas na semana passada. Depois de o Banco Central manter a taxa básica de juros em 15% ao ano no mês passado — o nível mais alto em quase duas décadas —, o mercado ainda acredita que os juros devem cair nos próximos anos. Para o fim de 2026, a previsão para os juros subiu levemente, de 12% para 12,13% ao ano. Já para 2027, a estimativa foi mantida em 10,50% ao ano. Em relação ao crescimento da economia, a expectativa para 2026 permaneceu estável. O mercado projeta uma expansão de 1,82% no Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o desempenho da economia. Os economistas também reduziram ligeiramente a previsão para o dólar no fim deste ano, de R$ 5,42 para R$ 5,41. Para o encerramento de 2027, a projeção para a moeda americana foi mantida em R$ 5,50. Mercados globais Em Wall Street, os mercados começaram a semana pressionados, com os índices futuros caindo mais de 1%. O motivo principal é a disparada do preço do petróleo, que aumentou o medo de que os custos no país continuem subindo. Às 9h43 (horário de Brasília), os índices futuros indicavam queda generalizada: o Dow Jones recuava 1,18%, o S&P 500 caía 1,05% e o Nasdaq perdia 1,13%. Na Europa, as bolsas também recuam, alcançando o menor patamar em mais de dois meses. O aumento no preço do petróleo elevou o receio de custos mais altos, principalmente porque a região depende bastante de combustíveis importados — fazendo crescer o temor de novos impactos sobre energia e transporte, justamente num momento em que a economia europeia já enfrenta dificuldades para crescer. Os principais índices mostram perdas expressivas: o STOXX 600 cai 1,62%; o DAX da Alemanha recua 1,71%; o FTSE 100 do Reino Unido perde 1,23%; e o CAC 40 da França tem queda de 1,98%. Na Ásia, as bolsas terminaram o dia em queda por causa do aumento das tensões no Irã, mas parte das perdas foi reduzida porque alguns investidores aproveitaram os preços mais baixos para comprar ações. No fechamento, a região registrou recuos amplos: em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,35%, a 25.408 pontos. Em Xangai, o SSEC perdeu 0,67%, a 4.096 pontos, enquanto o CSI300 recuou 0,97%, a 4.615 pontos. Em Tóquio, o Nikkei caiu 5,2%, para 52.728 pontos; em Seul, o KOSPI teve queda de 5,96%, a 5.251 pontos; e em Taiwan, o TAIEX registrou baixa de 4,43%, a 32.110 pontos. Dólar Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo *Com informações da agência de notícias Reuters.

Mercado eleva previsão para taxa Selic em 2026 Os economistas do mercado financeiro mantiveram em 3,91% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. A expectativa faz parte do boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras. Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano — quando somou 4,26%. ➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 3,79% para 3,80%; ➡️ Para 2028, a previsão foi mantida em 3,50%; ➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%. 🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento. Taxa de juros Após a taxa básica da economia ter sido mantida 15% ao ano no mês passado — o maior nível em quase 20 anos —, o mercado financeiro segue acreditando que os juros vão recuar neste ano. Para o fim de 2026, a projeção subiu de 12% para 12,13% ao ano. Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano. Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10% ao ano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Atividade econômica Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado de crescimento permaneceu estável em 1,82%. O resultado oficial do PIB do ano passado foi de 2,3%, conforme divulgou o IBGE na semana passada. ➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida em 1,8%. Taxa de câmbio em queda O mercado financeiro reduziu sua estimativa para a taxa de câmbio, ao fim deste ano, de R$ 5,42 para R$ 5,41. Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos para o dólar continuou em R$ 5,50. Pepino se tornou símbolo de inflação na Rússia REUTERS/Alexey Malgavko

Mato Grosso lidera número de pedidos de recuperação judicial. Reprodução Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio saltaram 56,4% em 2025 em relação ao ano anterior, em um cenário de juros elevados, custos de produção em alta e parte dos agricultores endividados, apontou nesta segunda-feira (9) a Serasa Experian. Conforme levantamento da datatech, as solicitações de recuperação judicial atingiram 1.990, o maior volume desde o início da série histórica, em 2021. Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil; entenda Em 2024, a empresa registrou 1.272 pedidos e, em 2023, 534 solicitações. "O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e a uma alavancagem elevada, continuou impactando o fluxo de caixa das operações rurais", afirmou head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota. Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil O número de recuperações judiciais considera a soma de três frentes da cadeia produtiva: produtores rurais que atuam como pessoa física, aqueles que atuam como pessoa jurídica e empresas relacionadas ao setor. De acordo com Pimenta, as condições que elevaram os pedidos de recuperação nos últimos anos mantiveram a pressão sobre a saúde financeira dos produtores e empresários do setor, especialmente aqueles com maior nível de endividamento. "Ainda assim, continuamos ressaltando que a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro são as melhores estratégias, e a recuperação judicial deve ser o último recurso a ser utilizado", completou. Considerando a soma dos pedidos realizados por produtores pessoa física, produtores pessoa jurídica e empresas da cadeia do agronegócio, Mato Grosso foi o estado com o maior número de solicitações de recuperação judicial em 2025. Foram 332 registros no maior produtor brasileiro de soja, milho, algodão e gado. Na sequência aparecem Goiás (296), Paraná (248), Mato Grosso do Sul (216) e Minas Gerais (196). Os produtores rurais que atuam como pessoa física registraram 853 pedidos de recuperação judicial durante o ano, o maior volume entre os perfis monitorados, ante 566 solicitações nessa categoria em 2024 (alta de 50,7%). Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica registraram 753 pedidos de recuperação judicial em 2025, crescimento de 84,1% em relação ao ano anterior. As empresas com atuação relacionada ao agronegócio registraram 384 pedidos, aumento de 29,3% na comparação anual.

Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã No décimo dia da guerra no Oriente Médio — desencadeada por ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã — os preços do petróleo dispararam nos mercados internacionais. O preço de referência do petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022. A alta deve provocar aumentos ainda maiores nos preços da gasolina. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As bolsas asiáticas registraram quedas acentuadas, com o índice Nikkei 225 do Japão fechando em baixa de mais de 5%. Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair mais de 8%, o que levou à paralisação das negociações por 20 minutos —através do "circuit breaker", um mecanismo projetado para conter vendas em pânico. O Kospi acabou fechando em queda de 6%. Os ministros dos países do G7 se reunirão na tarde desta segunda-feira (9) na Europa em caráter emergencial para discutir o impacto econômico da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, incluindo o aumento do preço do petróleo. A reunião virtual será liderada pela França, que detém a presidência rotativa do G7. Na reunião de emergência, está previsto que os ministros discutam uma possível liberação conjunta de reservas de petróleo para conter a alta dos preços. As reservas de petróleo são coordenadas pela Agência Internacional de Energia (AIE), com 32 membros do grupo detendo reservas estratégicas como parte de um sistema coletivo de emergência concebido para crises nos preços do petróleo. Três países do G7, incluindo os EUA, já manifestaram apoio a uma possível liberação conjunta, segundo fontes familiarizadas com as negociações, de acordo com o jornal britânico Financial Times. A grave interrupção no fornecimento de energia da região ameaça provocar aumento de preços para consumidores e empresas em todo o mundo. Cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo costuma ser transportado pelo Estreito de Ormuz. Mas o tráfego por essa estreita passagem praticamente parou desde o início da guerra, há mais de uma semana. O analista Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirmou que o aumento nos preços do petróleo era esperado, considerando a paralisação da produção em alguns países do Golfo e os sinais de um conflito prolongado na região. "As pessoas estão percebendo que isso não vai acabar tão cedo", disse ele, acrescentando que objetivos apresentados pelos EUA estão "se tornando cada vez mais irrealistas". O presidente dos EUA, Donald Trump, que fez campanha eleitoral prometendo reduzir o custo de vida para os americanos, minimizou as preocupações com o aumento dos preços do petróleo. No domingo, ele publicou em sua plataforma Truth Social: "Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar, são um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo. SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!" Seu secretário de Energia, Chris Wright, disse a emissoras americanas no domingo que Israel, e não os EUA, estava mirando a infraestrutura energética do Irã, em meio a certa preocupação com o aumento dos preços da gasolina nos EUA causado pela guerra. Dados da associação de motoristas AAA mostraram que o preço médio da gasolina comum nos EUA subiu 11% na semana passada, chegando a US$ 3,32 por galão. Nova liderança do Irã Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo do Irã Reuters No domingo, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como Líder Supremo, sinalizando que, mais de uma semana após o início do conflito, a ala linha-dura continua no comando do país. Mojtaba Khamenei foi escolhido sucessor do aiatolá Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia do conflito que envolve os Estados Unidos, Israel e o Irã. Ao contrário de seu pai, Mojtaba, de 56 anos, é discreto. Ele nunca ocupou um cargo no governo, nem fez discursos ou concedeu entrevistas públicas, e apenas um número limitado de fotos e vídeos dele foi publicado. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve aceitar a escolha. Embora tenha sinalizado que estaria aberto à possibilidade de alguém ligado à antiga liderança assumir o poder, Trump deixou clara sua oposição a Mojtaba Khamenei. "O filho de Khamenei é inaceitável para mim", disse Trump no início desta semana. A escolha de Mojtaba Khamenei pode se provar controversa dentro do próprio Irã. A República Islâmica foi fundada em 1979, após a queda da monarquia, e sua ideologia se baseia no princípio de que o líder supremo deve ser escolhido por sua posição religiosa e liderança comprovada, e não por sucessão hereditária. No fim de semana, os Estados Unidos e Israel lançaram novas ondas de ataques aéreos no Irã, atingindo vários alvos, incluindo depósitos de petróleo. Enquanto isso, o Irã atacou a infraestrutura energética em países vizinhos do Golfo. Durante a noite, a Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído duas ondas de drones que se dirigiam a um importante campo petrolífero. Líderes do G7 em foto oficial durante reunião em 2025 Ricardo Stuckert/Presidência da República

Preço do petróleo ultrapassa US$ 100 e países avaliam liberar reservas As bolsas de valores desabaram nesta segunda-feira (9), e os preços do petróleo dispararam até 30%, aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630), em meio aos temores provocados pela guerra no Oriente Médio, que entra na segunda semana sem sinal de trégua. Com a perspectiva de impactos do conflito sobre a economia global, os mercados asiáticos ampliaram as perdas registradas na semana passada. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A bolsa de Seul, que até o início do conflito apresentava forte desempenho impulsionado por empresas de tecnologia, fechou o dia em queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%. Na Europa, os principais mercados também operavam no vermelho: Paris caía 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres perdia 1,57%, Madri cedia 2,87% e Milão recuava 2,71%. As bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também encerraram o pregão em baixa nesta segunda-feira. Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street já haviam acumulado queda superior a 2% na semana passada, enquanto o dólar recuperou parte do valor por ser considerado um ativo de proteção em momentos de incerteza. O impacto mais intenso do conflito aparece no mercado de petróleo. Por volta das 9h (horário de Brasília), o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 12,59%, para US$ 102,34. Durante a madrugada, chegou a avançar 30%, atingindo US$ 119,48. Já o Brent, referência global, avançava 12,04%, a US$ 103,85 por barril, após ter superado a marca de US$ 119. O preço do gás natural na Europa também disparava. Os contratos futuros do TTF holandês, referência regional, registravam alta de 30%, para 69,50 euros (quase US$ 80). Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein, em 9 de março de 2026. REUTERS/Stringer Nos últimos dias, ataques atingiram campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, no norte do país, provocando redução da produção. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também reduziram a produção em meio a ataques iranianos contra seus territórios. Os países do G7 estudam recorrer de forma coordenada às reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a alta dos preços. Uma fonte do governo francês confirmou que a possibilidade será discutida em videoconferência entre os ministros das Finanças. A Agência Internacional de Energia (AIE) exige que seus membros mantenham reservas equivalentes a 90 dias de importações de petróleo. 'Imposto sobre a economia global' O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Com a perspectiva de que os preços da energia permaneçam elevados por um período prolongado, cresce o temor de uma onda inflacionária capaz de afetar a economia global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta do petróleo, destacando a importância de eliminar “a ameaça nuclear do Irã”. "O aumento de curto prazo dos preços do petróleo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear do Irã for eliminada, é um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo", escreveu Trump na plataforma Truth Social. "APENAS OS TOLOS PENSARIAM O CONTRÁRIO!", acrescentou. Analistas, no entanto, alertam para possível impacto severo na economia mundial. "O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva", afirmou Stephen Innes, da SPI Asset Management. Segundo ele, "o petróleo acima de 100 dólares não representa apenas uma alta das commodities. Torna-se um imposto sobre a economia global".

A mudança da ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern para a Austrália reacendeu as discussões sobre o 'êxodo de cérebros' do seu país Getty Images/ BBC Para um povo cujo apelido é um pássaro que não voa, mudar-se para o exterior, ironicamente, se tornou uma espécie de ritual de passagem para muitos neozelandeses. Nos últimos anos o número de kiwis (que dá nome ao pássaro e à conhecida fruta) que abandonam o país da Oceania atingiu recordes. Grande parte deles "atravessa o estreito" (uma distância de cerca 1.500 km) para ir morar na Austrália. A ex-primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern (2017-2023) se tornou uma das últimas a aderirem ao êxodo. Seu escritório confirmou que ela e a família se mudaram para Sydney, na Austrália, onde já foram encontrados procurando residência nas populares praias do norte da cidade. A mudança de Ardern deu mais destaque às dificuldades enfrentadas pela Nova Zelândia para reter seus melhores e mais brilhantes cidadãos. O país enfrenta uma economia estagnada, custo de vida em crise e falta de moradia. "A mudança de Ardern, provavelmente, será considerada um símbolo deste padrão maior. Para alguns, parecerá uma deserção", declarou à BBC Alan Gamlen, diretor do centro de migração da Universidade Nacional Australiana. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No ano passado, mais de 66 mil neozelandeses se mudaram para o exterior. O número equivale a 180 pessoas por dia. Este fluxo é parcialmente compensado pelos neozelandeses que retornam ao país. Mas, para uma nação com apenas 5,3 milhões de habitantes, o número de cidadãos que saem é considerável. A Nova Zelândia é um país relativamente seguro, famoso em todo o mundo pelos seus deslumbrantes cenários e as pessoas que vivem ali têm alta expectativa de vida. 🤔 O que está levando tanta gente a se mudar de lá? O kiwi é um pássaro nativo da Nova Zelândia. A ave que não voa é o símbolo dos seus moradores, que estão saindo em grandes números do país Getty Images/ BBC Trata-se, sem dúvida, de uma tendência de longo prazo, especialmente entre os jovens. Muitos deles desejam ganhar experiência no exterior e, depois, retornar para fincar raízes no país. Desde os anos 1970, o fluxo de saída dos neozelandeses sofre surtos esporádicos. Foi o que aconteceu quando o Reino Unido pôs fim a um acordo comercial com a Nova Zelândia e quando a Austrália reduziu as restrições às viagens e trabalho no país. Mas "a tendência ressurgiu consideravelmente nos últimos cinco anos", segundo Gamlen. Cada vez mais jovens neozelandeses se mudam de forma mais permanente. Eles são reticentes a voltar a um país que, para eles, não oferece mais um futuro próspero. A Nova Zelândia enfrenta altas taxas de desemprego, com níveis que não eram observados há uma década, exceto durante a pandemia de covid-19. E os aumentos de salários não acompanharam a inflação. Tudo isso aumentou muito o custo de vida. Os preços dos produtos básicos, por exemplo, estão entre os mais altos do mundo desenvolvido. O aumento dos preços dos imóveis afetou ainda mais os bolsos das pessoas. A falta de moradia elevou os preços de aluguel e compra de imóveis. E também existem grandes desigualdades nos quesitos saúde e educação. Auckland, a capital da Nova Zelândia, não conseguiu reter Nicole Ballantyne Getty Images/ BBC Dez anos atrás, Nicole Ballantyne trocou os subúrbios da zona leste da capital neozelandesa, Auckland, por Sydney. Ela tem hoje 27 anos de idade e foi atraída inicialmente pelas melhores oportunidades de estudo universitário. Mas, agora, acha difícil se imaginar retornando. "Sydney é uma versão melhorada de Auckland", contou ela à BBC. "Há muito mais coisas acontecendo, as oportunidades de carreira são muito boas e também é um pouco mais conectada ao resto do mundo." O irmão de Ballantyne também se mudou para a Austrália e nenhum membro do seu coeso grupo de amigos do ensino médio permanece morando na Nova Zelândia. Ballantyne destaca seu orgulho por ser kiwi. "Sempre vou torcer pelos All Blacks", a seleção neozelandesa de rúgbi. Mas, brincadeiras à parte, ela conta que conseguiu construir na Austrália uma vida que ela não teria na Nova Zelândia. "Se Auckland pudesse oferecer isso, eu teria ficado", ressalta ela. Ela está longe de ser a única. O Reino Unido e os EUA são destinos populares, mas se estima que metade dos neozelandeses que saem para morar no exterior seguem em direção aos portos da Austrália. Lá, eles têm direitos de trabalho essencialmente iguais há mais de meio século. Na Austrália, os tempos atuais também são difíceis. Mas o país oferece melhores perspectivas de trabalho, salário e moradia. "Existe um certo movimento no sentido oposto, mas, atualmente, é muito menor", segundo Gamlen. 'Profundo mal-estar' sobre o estado do país O êxodo dos jovens da Nova Zelândia vem causando angústia entre os legisladores do país, tanto no campo político quanto pessoalmente. "Meu filho mais velho se mudou para Melbourne [na Austrália] porque não consegue encontrar emprego aqui", declarou recentemente ao Serviço Mundial da BBC a parlamentar trabalhista Ginny Andersen (de oposição). "Meu próprio irmão, professor escolar formado, agora trabalha na China porque os salários lá são melhores. Esta é uma realidade para muitas famílias neozelandesas, que foram divididas... para mim, é desolador." Com o país caminhando para eleições gerais em novembro, muitos políticos tentam convencer os eleitores de que têm soluções para o problema. Todos concordam que a Nova Zelândia precisa de uma reviravolta na economia, mas suas visões sobre como fazer isso são diferentes. Elas variam desde reduzir as pressões sobre o mercado de trabalho e infraestrutura com reduções da imigração até criar mais empregos com incentivos a investimentos na construção de moradias. Os parlamentares da coalizão governista destacam que o "êxodo de cérebros" não é um problema novo para o país. Eles afirmam que a recente fase, mais profunda, é uma ressaca da pandemia de covid-19. O ministro da Habitação, Chris Bishop, afirma que seu governo está revertendo a situação Getty Images/ BBC Mas especialistas indicam que a emigração não é tão ruim assim para a Nova Zelândia. Afinal, as pessoas que retornam enriquecem o país com sua experiência e podem promover inovações. "Cada partida representa novas conexões e uma rede em expansão", declarou em 2025 à revista Ingenio, da Universidade de Auckland, Merryn Tawhai, do Instituto de Bioengenharia de Auckland. O ministro da Habitação, Chris Bishop, declarou ao Serviço Mundial da BBC (em inglês), que seu governo vem atingindo "bons progressos" para fazer do país um lugar onde seus cidadãos desejem ficar. "Mas não vou fingir, nem por um momento, que tudo é perfeito na Nova Zelândia", ressalta ele. "Certamente, não é. Existe um profundo mal-estar entre muitos neozelandeses sobre o estado" do país, segundo o ministro. Nicole Ballantyne imagina que a decisão da ex-primeira-ministra de se mudar para a Austrália tem razões mais sutis. "Provavelmente, existe um certo nível de assédio por lá (na Nova Zelândia) e ela é uma figura pública... Na Austrália, talvez ela consiga viver mais discretamente." Ardern saiu da Nova Zelândia pouco depois de deixar a política, em janeiro de 2023, e ganhou uma bolsa na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Seu escritório afirma que a família passou alguns anos viajando e, agora, decidiu se estabelecer na Austrália "por enquanto".

Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã O petróleo de referência dos Estados Unidos disparou para mais de US$ 100 por barril na abertura do mercado neste domingo (8), com investidores se preparando para mais turbulências após o Irã nomear Mojtaba Khamenei como novo líder supremo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O West Texas Intermediate (WTI) subiu mais de 20%, chegando a US$ 119,48 por barril, nível que não era visto desde fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou sua invasão da Ucrânia. Já o contrato internacional de referência Brent avançou mais de 19%, negociado a US$ 119,50 por barril (cerca de R$ 631,82). Os aumentos seguiram a alta de 36% no preço do petróleo bruto dos EUA e de 28% no preço do petróleo Brent da semana passada. Os preços do petróleo dispararam à medida que a guerra, agora em sua segunda semana, envolveu países e locais cruciais para a produção e o transporte de petróleo e gás do Golfo Pérsico. Ainda neste domingo, Donald Trump disse que o aumento do preço do petróleo é um preço "muito pequeno a se pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo". Em seu perfil no Truth Social, o presidente dos EUA afirmou que os preços cairão rapidamente quando "a destruição da ameaça nuclear do Irã terminar". Na Coreia do Sul, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, disse que as autoridades vão instituir um teto para o preço dos combustíveis no mercado interno. Esta é a primeira vez em quase 30 anos que o país cria um dispositivo para minimizar o impacto da alta dos preços do petróleo. Novo líder supremo O que é e o que faz um aiatolá? E o líder supremo do Irã? A Assembleia de Especialistas do Irã nomeou Mojtaba Khamenei, de 56 anos, como novo líder supremo do país, segundo informou a mídia estatal neste domingo (8). Em comunicado, o órgão convocou o povo iraniano a manter a unidade e jurar lealdade ao novo líder. Mojtaba é filho de Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro durante bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos em Teerã. Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e candidato a novo líder supremo do Irã. Foto de 2019. AP Photo/Vahid Salemi/File Mojtaba, clérigo de escalão médio com laços estreitos com os Guardas Revolucionários, já era visto há anos como possível sucessor de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei. Apesar de a ideologia dominante do Irã não favorecer a sucessão hereditária, ele conta com apoio significativo dentro da Guarda e da estrutura política que ainda mantém a influência do falecido líder. Segundo a imprensa iraniana, além do pai, Mojtaba perdeu a esposa e um filho pequeno. Apesar das tragédias pessoais, mesmo ostentando o título de aiatolá, Mojtaba é um clérigo de nível intermediário e uma das figuras mais influentes do establishment clerical iraniano. Ele é conhecido por ter uma postura linha-dura e tem laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã. O anúncio da nomeação foi confirmado pelo membro do conselho Ahmad Alamolhoda e dependia do chefe do secretariado da Assembleia de Especialistas, Hosseini Bushehri, responsável por tornar pública a decisão, segundo a agência iraniana Mehr. De acordo com o The New York Times, a nomeação também reflete a tentativa do governo iraniano de manter a continuidade em meio aos ataques crescentes dos Estados Unidos e de Israel, nove dias após o início da guerra. Mojtaba assume não apenas como a nova autoridade religiosa e política do país, mas também como comandante-em-chefe das Forças Armadas, reforçando sua posição de influência no Irã. Trump ameaça novo líder O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (8) que o próximo líder supremo do Irã “não vai durar muito” se Teerã não obtiver sua aprovação. A afirmação foi feita antes de o regime iraniano ter nomeado Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como o sucessor. “Ele vai ter que obter nossa aprovação”, disse Trump ao canal ABC News. "Se ele não obtiver nossa aprovação, não vai durar muito". Já o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou neste domingo (8) que cabe ao povo iraniano, e não ao presidente dos Estados Unidos, escolher o novo líder do país. O chanceler também exigiu um pedido de desculpas do presidente americano por, segundo ele, ter iniciado a guerra no Oriente Médio. "Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder", declarou Abbas Araghchi no programa "Meet the Press", do canal NBC, depois que Trump afirmou que deveria participar da escolha do próximo líder supremo do Irã. Araghchi também afirmou que o presidente republicano "deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram". Quanto petróleo é produzido pelo Irã? O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris de petróleo por dia (bpd), o que faz dele o quarto maior produtor de petróleo da Opep. É também um dos maiores produtores de gás natural do mundo. O país possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, representando cerca de um quarto das reservas do Oriente Médio e 12% das mundiais, de acordo com a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês). No entanto, a produção iraniana se manteve limitada devido a anos de investimentos baixos e sanções internacionais. Mas o Irã encontrou maneiras de contornar as sanções ocidentais e, atualmente, exporta 90% do seu petróleo para a China. Na realidade, foi a demanda da China que levou o Irã a aumentar a produção de petróleo bruto em cerca de 1 milhão de barris por dia entre 2020 e 2023. A economia iraniana é relativamente diversificada em comparação com outras do Oriente Médio dependentes do petróleo, mas as exportações de energia constituem uma fonte significativa de receita para o governo em Teerã. Em 2023, as empresas petrolíferas do país registraram cerca de 53 bilhões de dólares (R$ 275 bilhões) em receitas líquidas com a exportação do combustível fóssil, de acordo com estimativas da EIA.

Preços da carne de frango registram altas com menor disponibilidade interna Reprodução Os produtores brasileiros de carne de frango estão em alerta diante o atual conflito no Oriente Médio, segundo agentes do setor consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP). Avicultores consultados pelo Cepea avaliam realocar a carne para outros mercados, dado que os países afetados compram sobretudo o frango inteiro do Brasil. A informação foi divulgada em boletim mais recente, divulgado nesta sexta-feira (6). O Centro de Estudos da Esalq destaca que, em 2025, o Oriente Médio foi destino de 25% dos embarques brasileiros de carne de frango. Mas, diante das incertezas globais desenhadas pela guerra entre os Estados Unidos e Irã, novas exportações para a região podem ser suspensas, estima o Cepea, a partir de relatos de avicultores. Frango Getty Images via BBC O que pode ocorrer? Caso, de fato, as exportações brasileiras da carne sejam bastante comprometidas pelo contexto e pelas consequências das tensões no Oriente Médio, a proteína pode ser destinada e comercializada no mercado interno. Desafios para avicultura brasileira: Agentes relatam que essa alternativa, contudo, traz novos desafios ao setor, já que exigiria algumas adaptações, como embalagens, etiquetas e afins. "Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil. Dados da Secex mostram que, em 2025, foram escoadas mais de 877 mil toneladas da proteína para estes países", destacou o Cepea. Produção de frango Cristiano Estrela/Arquivo/Secom O comércio exterior, ressalta pesquisadores do Cepea, também envolve questões logísticas, legais e fitossanitárias, o que dificulta essa alternativa. "Países vizinhos já foram atingidos pelo conflito, como o Catar, os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano. Além disso, o Irã também anunciou o fechamento do estreito de Ormuz na segunda-feira (2), importante rota marítima que viabiliza comércio com certos países da região da Península Arábica", analisa o Cepea. Leia também: Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil O conflito entre o Irã e os Estados Unidos, que atinge todo o Oriente Médio, pode encarecer os alimentos para os consumidores brasileiros nos próximos meses, apontam economistas. Isso porque alguns custos da produção agrícola já subiram em menos de uma semana de guerra. Veja abaixo os principais motivos. Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil Poder de compra do avicultor paulista Fevereiro de 2026 foi o quarto mês consecutivo de retração no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme análises do Cepea. Os preços do frango vivo tiveram quedas ao longo do período. Até o dia 25 de fevereiro, três dias antes do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, o preço do frango registrou o menor patamar real desde maio de 2024, na série de medições deflacionada pelo IGP-DI de janeiro deste ano. Os preços médios do milho estão praticamente estáveis e os do farelo apresentam pequeno avanço. No estado de São Paulo, dados do Cepea mostram que o valor do frango vivo registra média de R$ 5,04 o quilo até o dia 25 de fevereiro, uma queda de 2,1% em relação à de janeiro. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

Mariene Ramos cresceu ajudando a mãe a cuidar dos filhos de mães solo. Agora, ela busca entender como trabalham essas quase 11 milhões de brasileiras Janaíne Meira via BBC A pesquisadora Mariene Ramos cresceu cercada de mães solo — mulheres que criam seus filhos sem o apoio de um parceiro ou parceira. Nascida em Ponte Alta do Bom Jesus, cidade com pouco mais de 4 mil habitantes no interior do Tocantins, Mariene se mudou com a família para o Distrito Federal aos 7 anos, por motivo de doença de um irmão mais novo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Após o falecimento deste irmão e com o pai aposentado precocemente por um acidente de trabalho, sua mãe passou a complementar a renda da família cuidando dos filhos de vizinhas em Novo Gama, cidade goiana da periferia de Brasília. "Passei cerca de três anos morando com amigos da família para poder estudar, enquanto meus pais trabalhavam no setor de chácaras de Brasília", lembra Mariene, que antes disso estudou em escola rural, onde alunos de diversas idades convivem em uma mesma série. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Quando mudamos para o Novo Gama, eu já tinha 13 para 14 anos, e ajudava minha mãe com essa dinâmica, de deixar e buscar criança na escola, de fazer comida", conta a pesquisadora, hoje com 36 anos. "Eu eu via a luta daquelas mulheres. A maioria eram domésticas, nem todas eram mães solo — mas muitas eram. Enquanto outras eram casadas, mas não podiam contar com os maridos, por questões como o vício em bebida, então, na prática, se tornavam meio mães solo também." Com pai e mãe que não concluíram o ensino fundamental, Mariene se formou no ensino médio, tornou-se funcionária pública e completou duas faculdades, de gestão pública e jornalismo. Nesse meio tempo, porém, tornou-se ela mesma uma mãe solo — tema que decidiu estudar em seu mestrado em políticas públicas no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Sem rede de apoio, após me mudar do Novo Gama para Brasília para o mestrado, precisei levar minha filha para muitas das aulas", lembra Mariene. "Todas as aulas à noite, eu levava, então, no aniversário dela de 14 anos, ela estava em uma aula de Econometria junto comigo." "Foi aí que me deu mais vontade ainda de estudar sobre esse tema", conta a pesquisadora, destacando a importância do assunto em um momento em que o Brasil passou a ter maioria de domicílios chefiados por mulheres. Desde 2022, elas passaram à frente dos homens na chefia dos lares brasileiros, tornando-se responsáveis por 52% dos domicílios. Nos lares monoparentais — aqueles onde apenas um adulto vive com os filhos, sem a presença de um cônjuge — a chefia feminina chega a 92%, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Menos renda e formalização, mais serviço doméstico Coorientada pelos pesquisadores Carlos Corseuil e Marcos Hecksher, a pesquisa de mestrado de Mariene traça um retrato de como trabalham as mães que criam seus filhos sozinhas no Brasil, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, de 2022. No estudo, a pesquisadora considera como mães solo as mulheres chefes de domicílio, com filhos e sem cônjuge. Em 2022, o Brasil somava mais de 10,9 milhões de mães solo responsáveis por domicílio, o equivalente à população total de países como Portugal ou Bélgica. "Os estudos sobre mães solo no Brasil hoje são muito escassos", observa Mariene. "Sempre ouvimos falar de penalidade pela maternidade, mas tratando as mulheres como um grupo homogêneo — mas elas não são iguais." Penalidades pela maternidade são desvantagens profissionais e econômicas que mulheres enfrentam no mercado de trabalho após se tornarem mães, incluindo menor probabilidade de contratação ou promoção e percepção de menor competência, que se expressam, por exemplo, em rendimentos mais baixos. Em 2022, mães solo tinham o menor rendimento médio (R$ 2.322) entre os arranjos familiares, quase 40% abaixo dos pais com cônjuge (R$ 3.869) e 11,5% inferior à renda média das mães com cônjuge — pessoas com cônjuge contam ainda com o rendimento do parceiro para compor a renda familiar. "As mães solo não sofrem penalidade apenas no rendimento, elas sofrem também na questão da precariedade do trabalho", observa Mariene. Em 2022, o grupo apresentava uma taxa de ocupação de 50,2%, inferior aos pais com cônjuges (81%) e às mães com cônjuge (53,2%). Elas também tinham a menor taxa de contribuição previdenciária (28,3%), significativamente inferior aos pais com cônjuge (54,8%) e mesmo às mães com cônjuge (34,7%). "Essa baixa cobertura previdenciária representa uma vulnerabilidade de longo prazo para as mães solo, comprometendo a segurança social na velhice ou em situações de incapacidade", destaca a autora do estudo. Analisando a população ocupada por setores da atividade econômica, Mariene observa que há uma concentração de mães solo em setores historicamente desvalorizados e marcados por baixos salários, como serviços domésticos (21,9%). O percentual de mães solo trabalhando como empregadas domésticas é significativamente superior ao das mães com cônjuge (11,8%) e quase 27 vezes maior que o dos pais com cônjuge (0,8%). "Isso reforça a hipótese de que as mães solo estão confinadas em setores com menores remunerações", destaca a pesquisadora, em sua dissertação. Baixa escolaridade e 'geração sanduíche' A escolaridade é um fator importante para compreender essa precária inserção das mães solo no mercado de trabalho. Pouco mais de 55% têm, no máximo, o ensino médio incompleto, percentual superior ao de pais com cônjuge (46,6%), mães com cônjuge (39,9%) e mulheres sem filhos (47,9%), ficando atrás apenas dos pais solo (61,4%). E apenas 13,7% das mães solo concluíram o ensino superior, abaixo das mulheres sem filhos (22,1%) e também das mães com cônjuge (19,9%). Mariene destaca, porém, que a escolaridade não explica tudo, e que é preciso levar em conta também a discriminação sofrida pelas mães solo no mercado de trabalho. "Muitas vezes, o empregador supõe que aquela pessoa vai ter menos disponibilidade, menos flexibilidade e vai render menos", observa a pesquisadora. "Então, ela acaba não conseguindo ocupar cargos mais altos ou ocupa aqueles com salário um pouco mais baixo." Analisando o perfil racial, 62% das mães solo são negras, sendo 14% pretas e 47% pardas, enquanto 37% são brancas e 2% de outras raças ou cor. O percentual de pessoas negras no grupo é superior ao do conjunto de pais solo (60%), mães com cônjuge (59%), pais com cônjuge (56%) e mulheres sem filhos (50%). Mariene destaca ainda a questão da "geração sanduíche" — mulheres pressionadas simultaneamente pelo cuidado de filhos e de pais idosos. No caso das mães solo, 33,5% residem em domicílios com pessoas acima de 60 anos. Essa proporção é mais que o dobro das mães com cônjuge (15,7%) e supera significativamente a dos pais com cônjuge (19,4%). Mais de 33% das mães solo residem em domicílios com idosos, o que pode implicar em uma rede de apoio, mas também em uma dupla jornada de cuidado Getty Images via BBC "Esses idosos podem representar uma rede de apoio, mas também podem precisar da ajuda dessa mãe, então, muitas delas vivem uma jornada dupla de cuidado, ou uma jornada tripla", diz a pesquisadora. Por fim, ela observa que 57% das mães solo recebem algum tipo de benefício social do Estado, proporção substancialmente superior à dos pais com cônjuge (19%) e também superior à das mães com cônjuge (34%), dos pais solo (49,9%) e das mulheres sem filhos (48,6%). A pesquisadora destaca que isso é consequência direta da falha do mercado de trabalho em absorver adequadamente a mão de obra dessas mulheres. "Como essas mães não estão conseguindo receber [através do trabalho] um rendimento que consiga arcar com suas despesas, o Estado acaba tendo que entrar com benefícios", afirma. Creches e qualificação profissional Para mudar esse quadro, Mariene defende que é preciso aumentar a oferta de creches em tempo integral no país. Um estudo recente da ONG Todos pela Educação mostrou que, em 2024, apenas 41,2% das crianças de até 3 anos eram atendidas por creches no país — ainda distante da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Entre os mais pobres, 30,6% das crianças eram atendidas, enquanto entre as mais ricas, a taxa chegava a 60%. O levantamento também mostrou que quase 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estavam fora da creche em 2024, por dificuldades de acesso, como falta de vagas ou de unidades próximas. Quase 2,3 milhões de crianças de até 3 anos estavam fora da creche em 2024, por dificuldades de acesso, como falta de vagas ou de unidades próximas Altemar Alcantara/Semcom/Agência Senado A pesquisadora do Ipea diz ainda que é preciso reconhecer o tempo de cuidado dessas mães, debate que vem ganhando espaço no Brasil, a partir da aprovação da Política Nacional de Cuidado. Estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP), com base em dados da Pnad Contínua de 2019, mostra que, somadas as horas remuneradas e não remuneradas, as mulheres brasileiras trabalham em média 58,1 horas semanais, ante 50,3 horas dos homens. A carga de trabalho não remunerado das mulheres chega a 21,3 horas semanais, mais do que o dobro das 8,8 horas masculinas, "configurando uma jornada total equivalente a uma escala 7x0: todos os dias da semana, sem folga", destacam os pesquisadores do Made, em estudo lançado neste domingo (8/3), por ocasião do Dia Internacional da Mulher. Por fim, Mariene defende ainda que é preciso investir na qualificação profissional das mães solo, para que um maior número delas possa obter renda suficiente por meio do trabalho. Mas, para isso, ela reforça novamente a importância da oferta de creches, para que essas mães possam estudar e trabalhar. "Hoje, eu entendo minha mãe como uma política pública ambulante", brinca a pesquisadora, sobre o trabalho de sua mãe como cuidadora dos filhos de vizinhas. "Naquela época, eu não entendia assim, mas, hoje, entendo que é isso." "Precisamos olhar para essas mulheres — essa maioria de mulheres nas chefias de lar, essas 11 milhões de mães solo. Não se trata mais de um grupo marginal, mas de uma transformação estrutural do país", considera a pesquisadora. "Quando o mercado e as políticas públicas se ajustam a essa realidade, toda a economia ganha", diz Mariene. "Precisamos inseri-las no mercado de trabalho, não de forma assistencialista, mas para que elas consigam viver do seu próprio trabalho." Fazendo isso, afirma a pesquisadora, será possível ter uma próxima geração, que são os filhos dessas mulheres, talvez com menos dificuldades. "Eu furei essa bolha: me tornei servidora pública, fiz mestrado, e pretendo continuar esse estudo no doutorado. Mas, para que mais pessoas possam furar a bolha, é preciso trazer essas mulheres, essas mães, para um mercado de trabalho menos precário." Gráficos feitos pela Equipe de jornalismo visual da BBC News Brasil O que é o Dia Internacional das Mulheres e como começou a ser comemorado? Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos

A temporada 2026 da Fórmula 1 já está em andamento e os novos carros dominam as conversas. Há pilotos satisfeitos ao volante e outros que enfrentam dificuldades, cada um com sua personalidade. Fora das pistas, os pilotos de F1 também expressam a paixão pela velocidade. Alguns se limitam a aparecer com os carros fornecidos pelas equipes, enquanto outros desembolsam milhões de dólares em coleções particulares. O g1 selecionou três carros das coleções particulares de pilotos da temporada 2026 da F1. Há desde um ícone dos anos 1980 que quase foi destruído até um hipercarro inspirado em protótipos de Le Mans. Veja os modelos abaixo. Max Verstappen: Aston Martin Valkyrie Max Verstappen (esq) participou dos testes do Aston Martin Valkyrie Divulgação / Aston Martin Quando não está em casa, dedicado ao simulador, o tetracampeão mundial já foi visto nas ruas pilotando Porsche 911 GT3 RS, Honda NSX, Aston Martin DB11 e outros modelos. Sem dúvida, o carro mais extremo de sua coleção é o Aston Martin Valkyrie. Verstappen participou dos testes do hipercarro em 2020 e depois foi visto com sua unidade em Mônaco. Em 2023, um vídeo com o piloto abusando da velocidade com o Valkyrie causou polêmica. Max Verstappen participou dos teste do Aston Martin Valkyrie Divulgação / Aston Martin O Valkyrie é inspirado em carros de F1 e protótipos de Le Mans. O foco está na aerodinâmica e no equilíbrio, para manter os 1.171 cv de potência sob controle. Para gerar essa força, a Aston Martin utiliza um motor V12 de 6,5 litros que gira até 11.100 rpm e entrega 1.001 cv, com a ajuda de um motor elétrico de 120 kW acoplado a uma bateria de 1,2 kWh. O peso é de apenas 1.270 kg, semelhante ao de um carro 1.0, e a velocidade máxima chega a 354 km/h. Curiosamente, este não é o carro mais caro da lista: em leilão recente, um Valkyrie foi vendido por quase US$ 3 milhões. Lewis Hamilton: Pagani Zonda LH760 Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 Reprodução / Instagram Lewis Hamilton é piloto da Ferrari, mas sua relação com a Itália não é recente. Em 2014, o heptacampeão publicou nas redes sociais fotos do Pagani Zonda LH760. O modelo foi feito sob encomenda e leva as iniciais de Hamilton. A pintura roxa é chamada de Viola LH, e a carroceria tem acabamentos escolhidos pelo piloto. Este Zonda usa como base a configuração RS, que nasceu por sua vez da versão R, feita somente para as pistas de corrida. A curiosidade é que, apesar de ser uma marca italiana, o motor é da Mercedes AMG. Isso por que o argentino Horacio Pagani, fundador da marca, conseguiu um ótimo acordo com marca alemã. O acerto foi intermediado pelo amigo e compatriota Juan Manuel Fangio. O pentacampeão de F1 era amigo de Pagani. Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 Reprodução / Instagram São 760 cv de potência e 79,5 kgfm de torque gerados por um motor V12 de 7,3 litros, enviados às rodas traseiras por meio de câmbio manual. O carro foi vendido por Lewis Hamilton em 2021. Em 2023, o novo proprietário destruiu a dianteira do Zonda e danificou as suspensões dianteira e traseira. No fim de 2025, o modelo reapareceu restaurado à condição original. Como cada unidade é exclusiva, é difícil estimar o preço. Em 2025, um Pagani Zonda Riviera foi arrematado por mais de US$ 10,1 milhões. Lando Norris: Ferrari F40 Ferrari F40 Divulgação / Ferrari Lando Norris, atual campeão da F1, ganhou as manchetes em 2025 por um acidente em Mônaco, mas não foi em uma pista de corrida nem com o inglês ao volante. Um amigo deu um passeio com a Ferrari F40 de Lando Norris e, após uma curva nas redondezas do principado, perdeu o controle e bateu a traseira do carro contra o guard rail. Norris comentou o incidente algum tempo depois, afirmando que a F40 ainda não havia voltado às ruas e que ele não estava satisfeito com a situação. A Ferrari lançou a F40 em 1987 para celebrar os 40 anos da empresa. O modelo é uma evolução do que a marca já vinha fazendo com a GTO. A F40 foi o último carro apresentado ao público com a presença do fundador, Enzo Ferrari, que faleceu em agosto de 1988. Ferrari F40 Divulgação / Ferrari Os números são superlativos até hoje, especialmente considerando as especificações de 1987. O motor 2,9 V8 biturbo gera 478 cv e 58,8 kgfm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 4,1 segundos, e a velocidade máxima chega a 324 km/h. Em leilão recente, o preço de uma Ferrari F40 superou US$ 3,8 milhões. Lando Norris também tem outro modelo italiano na coleção, um Lamborghini Miura. Resta torcer para que nenhum amigo peça uma volta com ele. Novos carros da Fórmula 1 prometem deixar temporada imprevisível

Oferta restrita de bezerros tem dificultado a reposição de animais em confinamentos no interior de São Paulo TV TEM/Reprodução A oferta restrita de bezerros tem imposto desafios para pecuaristas e confinamentos no interior de São Paulo. A dificuldade de reposição de animais ocorre após três anos de abate elevado de fêmeas no país, movimento que agora dá lugar à retenção de matrizes para recomposição do rebanho. Em um confinamento no município de Bálsamo (SP), com capacidade para 5 mil cabeças de gado, o número atual de animais está pouco acima da metade do total que a estrutura comporta. Para cumprir contratos com frigoríficos, produtores precisam buscar bezerros até fora do estado. Segundo especialistas do setor, o momento é mais favorável para quem trabalha com cria e vende bezerros. Já os confinamentos, responsáveis pela fase de engorda, enfrentam custos maiores para adquirir os animais e precisam investir em estratégias de alimentação para garantir desempenho na terminação. O chamado ágio do bezerro, valor pago acima do equivalente ao preço da arroba do boi gordo, também tem aumentado. Em algumas regiões do país, a diferença passou de cerca de 30% em meados de 2025 para perto de 35% neste ano. Para compensar os custos mais altos de reposição, pecuaristas têm apostado em estratégias dentro das propriedades. Em uma fazenda em Mirassol (SP), por exemplo, o produtor investe no ganho de peso do rebanho e no aproveitamento de matrizes da raça Angus para produção de bezerros. Retenção de matrizes para recompor o rebanho reduziu a disponibilidade de bezerros no mercado TV TEM/Reprodução Com a arroba do boi gordo sendo negociada perto de R$ 350 em São Paulo, produtores também buscam entregar animais mais pesados para o abate, mas ainda jovens. A valorização da arroba não está ligada apenas à menor oferta de animais. A demanda interna aquecida e o volume recorde de exportações também influenciam o mercado. Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, crescimento de 20% no volume e de 40% no faturamento em relação a 2024. Em um frigorífico em Estrela d’Oeste (SP), cerca de 60% da produção é destinada ao mercado externo, principalmente para China e Europa. Apesar da menor oferta de gado para abate, a indústria mantém projeções positivas para o primeiro semestre. Especialistas avaliam que os próximos meses ainda devem refletir esse cenário de oferta mais restrita de animais e preços sustentados no mercado pecuário. Veja a reportagem exibida no programa em 08/03/2026: Oferta de bezerros diminui e custos aumentam para pecuaristas VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Excesso de chuva no oeste paulista tem impactado a produção de látex e provocado perdas nos seringais Reprodução/TV TEM É aproveitando as primeiras horas do dia, quando o calor do sol ainda é mais ameno, que os seringueiros começam a fazer a sangria nos seringais. Em plena safra, a expectativa é de aumento na produção em comparação a 2025. Em uma fazenda no oeste paulista, em Indiana (SP), o produtor Paulo Renato Cardoso espera produzir, neste ano, cerca de 30 mil quilos de látex em quase 10 hectares. Segundo ele, o crescimento é resultado do aumento no número de árvores em produção e do avanço natural da cultura, que tende a produzir mais a partir da quarta safra. Apesar de o momento parecer positivo, a instabilidade das chuvas tem prejudicado a coleta, principalmente quando chove logo após a sangria. As canecas onde o látex é armazenado acabam acumulando água, o que compromete o produto. Em alguns casos, não há tempo suficiente para realizar a coagulação e evitar perdas. Excesso de chuva no oeste paulista tem impactado a produção de látex e provocado perdas nos seringais Reprodução/TV TEM Em Rancharia (SP), o produtor Paulo Mellotti também sentiu o impacto do excesso de chuva. Ele tem 36 hectares de seringueiras em produção. Somente nos primeiros 45 dias do ano, o volume de chuva ficou 40% acima do previsto na região de Presidente Prudente (SP), segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De acordo com a pesquisadora Elaine Tucci Gonçalves, além das perdas do látex já coletado, a própria sangria pode ficar comprometida, já que o corte não é recomendado com a árvore molhada. Mudanças no manejo, como o uso de protetores nas árvores e ajustes no cronograma de extração, podem ajudar a reduzir os prejuízos. No ano passado, o cultivo da borracha natural avançou quase 9% em todo o estado. Segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o valor da produção agropecuária da borracha ultrapassou R$ 1,5 bilhão. Mesmo assim, os produtores enfrentam oscilações no preço pago pelo quilo do látex e aumento nos custos de insumos, como fertilizantes, defensivos e diesel. Veja a reportagem exibida no programa em 08/03/2026: Excesso de chuva atrapalha produção de látex no Oeste Paulista VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Uva BRS Lorena é cultivada em vinhedos de São Roque (SP) e usada na produção de vinhos e espumantes TV TEM/Reprodução A colheita de uvas para produção de vinho teve atraso de pelo menos 15 dias nesta safra em áreas produtoras de São Roque (SP). O frio registrado no ano passado e as chuvas de janeiro também provocaram redução no volume colhido. Apesar da queda na quantidade, produtores avaliam que a qualidade das frutas tem sido positiva. A uva produzida na região é destinada principalmente à fabricação de vinhos e espumantes. No vinhedo do produtor Leodir Ribeiro, em São Roque, uma das variedades cultivadas é a BRS Lorena, plantada em quase dez hectares, com cerca de 36 mil pés. A uva tem perfil aromático intenso e caráter moscatel e vem ganhando espaço entre produtores. Nesta safra de verão, o produtor afirma que conseguiu colher uma fruta mais doce, o que pode resultar em bebidas de melhor padrão. A variedade também é cultivada por outros produtores da região. A família do produtor Fábio foi uma das primeiras a investir na BRS Lorena em São Roque e hoje a propriedade é considerada referência no cultivo da uva. No local, a área plantada soma seis hectares e a fruta é utilizada na produção de três rótulos de vinho branco. Produtor Leodir Ribeiro cultiva cerca de 36 mil pés da variedade BRS Lorena em São Roque (SP) TV TEM/Reprodução Veja a reportagem exibida no programa em 08/03/2026: Uva lorena é uma das preferidas de produtores de vinho de São Roque VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Carolina Nucci e Mariam Tapeshashvili contam como driblaram os julgamentos na carreira g1 "Mocinha, com essa carinha, certeza que foi algum piloto que te deu essa credencial." Carolina Nucci ainda lembra da frase dita na entrada de uma coletiva de imprensa no autódromo de Interlagos. Ela era jornalista de automobilismo, estava escalada para cobrir o evento e tinha autorização para estar ali. Mesmo assim, antes de conferir o crachá, o fiscal decidiu questioná-la. Carolina explicou que trabalhava na cobertura. Não foi suficiente. Precisou acionar a chefia de imprensa — um homem — para confirmar que, sim, estava ali a trabalho. Naquele ambiente majoritariamente masculino, Carolina sentiu que precisava provar o tempo todo que não era uma "Maria Capacete", rótulo comum e pejorativo dado a mulheres que circulavam no paddock. A estratégia encontrada, ainda no início da carreira, foi simbólica. "No início da minha carreira, usei uma aliança falsa de compromisso para ser respeitada. Não inibiu, mas os assédios ficaram mais sutis", lembra. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O episódio aconteceu duas décadas atrás, mas está longe de ser passado. Julgamentos sobre aparência, desconfiança sobre competência, menos oportunidades e episódios de assédio continuam fazendo parte da rotina de muitas mulheres, especialmente das mais jovens. Os relatos individuais encontram respaldo em números. O relatório Women in the Workplace, elaborado pela McKinsey & Company em parceria com a Lean In, ouviu 15 mil trabalhadores em diferentes países e traçou um panorama das desigualdades no ambiente corporativo. Entre as mulheres com menos de 30 anos, quase metade afirma que a idade já impactou negativamente suas oportunidades de trabalho. Outras 36% disseram que a idade foi fator na perda de aumentos, promoções ou chances de progressão. Entre os homens, esse percentual é de 15%. O reflexo aparece na liderança: em média, mulheres ocupam apenas 29% dos cargos de alta administração. Mariam Topeshashvili integra esse grupo que conseguiu chegar a uma posição de comando. Aos 29 anos, é gerente de uma agência internacional que conecta produtores de conteúdo e empresas. Nascida na Geórgia e criada em uma favela no Rio de Janeiro, construiu um currículo com formação na Universidade de Harvard. Ainda assim, ouviu questionamentos. "Já ouvi comentários irônicos, sarcásticos. Sempre velados. Frases que duvidavam da minha capacidade. Por exemplo, tal coisa não foi feita porque era eu que estava ali", conta. Ser jovem, mulher, estrangeira e falar em uma terceira língua compunha uma equação que, muitas vezes, a colocava em posição de constante avaliação. "Eu me sentia um patinho fora d’água. Muitas vezes tinha a sensação de que não era ouvida." Mariam Topeshashvili enfrentou julgamentos e microagressões ao longo de sua vida acadêmica e profissional Mariam Topeshashvili/ Arquivo Pessoal O estudo Women in the Workplace aponta que essas percepções não são isoladas. Microagressões — comentários ou atitudes sutis que colocam em dúvida a competência — fazem parte da rotina de muitas profissionais. 💬 Microagressões são ações ou comentários que desqualificam, discriminam ou questionam de forma sutil determinados grupos. 💬 Etarismo é preconceito ou discriminação contra pessoas por causa da idade. Ele pode se manifestar pro meio de atitudes, estereótipos e exclusão social ou profissional. Segundo o levantamento: 39% das mulheres já foram interrompidas enquanto falavam; 38% tiveram sua área de especialização questionada; 18% foram confundidas com alguém de nível hierárquico inferior; 37% afirmam ter sofrido uma ou mais formas de assédio sexual ao longo da carreira. Além disso, o relatório destaca que mulheres jovens relatam maior incidência de comentários sobre idade, aparência e suposta falta de experiência. Uma pesquisa da Todas Group e da Nexus aponta um padrão semelhante. Entre 1.534 lideranças femininas entrevistadas, 56% dizem que uma das atitudes mais importantes que homens poderiam tomar é interromper falas machistas de outros colegas. Apesar disso, apenas 35% das mulheres afirmam já ter sido defendidas por um homem em situações de preconceito de gênero no ambiente de trabalho. As barreiras não se restringem a um único fator. Elas envolvem machismo estrutural e também etarismo — preconceito baseado na idade. Para Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, a diferença de tratamento é perceptível. "Os homens não são tão julgados quanto as mulheres. Quando um homem jovem é promovido, a reação costuma ser de admiração. Quando é uma mulher, muitas vezes há questionamento". Carolina percebeu isso em diferentes momentos da trajetória. Depois do jornalismo, decidiu estudar engenharia química e ouviu que “não era lugar de menina”. Mais tarde, ao migrar para o marketing, enfrentou novos episódios. "Sempre me viam como uma menina. Não era levada a sério (...) Descobri que meus sócios ganhavam mais e ouvi de outra mulher que eles precisavam mais, porque eram pais de família", conta Carolina, que hoje é CMO e cofundadora da Conectas, empresa de educação corporativa. No início da carreira de jornalista, Carolina Nucci usava uma aliança falsa e mudou sua aparência Carolina Nucci/ Arquivo Pessoal Ela também notou diferença no tratamento ao falar sobre maternidade. “Perguntavam com quem minha filha ficava quando estava doente. Para o meu marido diziam que ‘a paternidade engrandece o homem’.” Impacto na carreira O levantamento da McKinsey & Company e da Lean In mostra ainda que mulheres que enfrentam microagressões frequentes têm maior probabilidade de se sentirem esgotadas, considerar deixar o emprego e perceber o ambiente como injusto. Esse efeito ajuda a explicar outro fenômeno citado no estudo: o "degrau quebrado". O termo descreve a dificuldade que mulheres enfrentam para conquistar a primeira promoção para cargos de liderança. Quando essa etapa não acontece de forma proporcional, a desigualdade se amplia nos níveis mais altos da hierarquia. Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, e Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, aconselham mulheres que sofrem julgamentos no trabalho Arquivo Pessoal Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, afirma que interrupções constantes e desvalorização de ideias afetam a segurança psicológica. “Mulheres que são frequentemente interrompidas e cujas opiniões são ignoradas — mas depois valorizadas quando repetidas por outros — tendem a ter o desempenho impactado.” Para Mariam, esse processo pode levar à autossabotagem. “Você começa a se questionar. Eu chegava em casa e pensava: será que mereço o cargo que tenho? Será que faz sentido estar ali?” O estudo também aponta que ambientes percebidos como injustos aumentam a taxa de demissão voluntária entre mulheres, além de contribuírem para casos de esgotamento profissional. Outro ponto destacado pela pesquisa da Todas Group e da Nexus é que parte da resistência em enfrentar o problema pode estar na própria percepção de desigualdade. Para 51% das mulheres entrevistadas, muitos homens acreditam que já existe igualdade no ambiente corporativo, enquanto 45% dizem que eles enxergam o debate sobre gênero como exagero. Denúncia, rede e estratégia Diante desse cenário, as entrevistadas defendem posicionamento. “Não deixe essas situações passarem. Informe seu gestor. Outras pessoas podem estar vivendo o mesmo”, orienta Mariam. Carolina compartilha reflexão semelhante. "Quando olho para trás, penso: por que não denunciei? Precisamos mostrar que isso é errado". Além da denúncia, as entrevistadas destacam a importância de mentoria, redes de apoio e planejamento de longo prazo. “Às vezes você é uma das poucas que conseguiu chegar ali — e isso pode abrir caminho para outras”, diz Mariam. "Tenha um plano e mantenha comunidades de apoio. Mulheres não competem, se ajudam", afirma Carolina. Para Ana Fontes, a busca constante por conhecimento também é parte da estratégia. "Leia sobre o mercado em que atua, amplie sua visão. Demonstrar preparo e confiança influencia a forma como você é percebida", conclui.

Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos Maria* viveu o que descreve como um dos maiores pesadelos profissionais para uma mãe recente. Tirou seis meses de licença-maternidade e, em seguida, mais 30 dias de férias. Dois meses após retornar ao trabalho, foi demitida. Como nunca havia recebido avaliação negativa ou feedback desfavorável, acredita que o desligamento esteja diretamente relacionado ao afastamento para cuidar do bebê. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Formada em Enfermagem e Biomedicina, ela atua há dez anos na indústria farmacêutica. Para voltar ao trabalho, reorganizou toda a rotina familiar: contratou uma babá e enfrentou o período de introdução alimentar para que o filho dependesse menos dela. “Eu fiquei arrasada. Ser desligada de repente, com um filho pequeno e toda a minha família dependente do plano de saúde da empresa, foi um choque enorme. Eu realmente fiquei sem chão”, relembra a profissional, que conseguiu se recolocar rapidamente por indicação de colegas. Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as mulheres têm direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. O período pode ser prorrogado por mais 60 dias quando a empresa participa do Programa Empresa Cidadã. O período de estabilidade começa na concepção e vai até cinco meses após o parto, ou após a concessão da guarda provisória em casos de adoção. Após esse prazo, a trabalhadora pode ser desligada sem justa causa. Mais de 380 mil desligamentos após a licença Dados do sistema eSocial, obrigatórios desde janeiro de 2020 para o registro de demissões, mostram que a situação relatada por Maria ocorreu com mais de 380 mil mulheres nos últimos cinco anos. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados abrangem demissões realizadas em até dois anos após o término da licença-maternidade. Entre 2020 e 2025, foram registrados: 383.737 dispensas sem justa causa; 265.515 pedidos de demissão; 13.544 distratos (rescisão em comum acordo); 50.545 desligamentos em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã. Dispensas do trabalho entre 2020 a 2025 sem justa causa Arte g1 A Secretaria de Inspeção do Trabalho ressalta que não há levantamento específico sobre demissões ocorridas dentro do período de estabilidade. Isso porque o eSocial não possui campo próprio para registrar gestação ou estabilidade provisória. Assim, casos de demissão nesse período chegam ao Ministério do Trabalho principalmente por meio de denúncias feitas pelas próprias trabalhadoras, o que dificulta a consolidação de estatísticas mais precisas. Esses desligamentos podem indicar dispensa discriminatória ou ausência de políticas de retenção da mão de obra feminina, especialmente diante da falta de ações que incentivem o compartilhamento das responsabilidades de cuidado. Segundo Bemergui, que é coordenadora nacional de Combate à Discriminação, ao Assédio e à Violência e Promoção da Igualdade de Oportunidades no Trabalho (Conaigualdade), a permanência das mulheres no mercado de trabalho após a licença-maternidade ainda é um desafio estrutural. Ela afirma que muitos empregadores não adotam políticas efetivas de apoio ao compartilhamento das responsabilidades de cuidado. Dados do Relatório de Transparência Salarial do segundo semestre de 2025 indicam que menos da metade das empresas com mais de 100 empregados no Brasil possuem políticas de flexibilização de jornada voltadas à parentalidade. Outro problema apontado é a falta de estruturas de apoio para o cuidado com os filhos. Fiscalizações realizadas pela SIT em 2024 e 2025 identificaram alto descumprimento da obrigação prevista na CLT de oferecer local para guarda dos filhos das trabalhadoras ou auxílio-creche. A auditora ainda afirma que a concentração elevada de demissões de mulheres após o retorno da licença-maternidade pode ser um indicativo de discriminação no ambiente de trabalho. A apuração, no entanto, depende de uma ação fiscal que envolve análise documental, técnicas de auditoria e investigação. Caso a prática discriminatória seja comprovada, a empresa pode receber auto de infração e multa administrativa. Bemergui explica ainda que trabalhadoras que se sentirem discriminadas podem registrar denúncia no canal do Ministério do Trabalho, procurar o sindicato da categoria ou o Ministério Público do Trabalho. De acordo com a Secretaria, os dados do eSocial também são utilizados para identificar padrões de desligamento após a licença-maternidade e orientar ações de fiscalização em empresas ou setores que concentrem esses casos. As informações, porém, servem apenas como indícios. A confirmação da discriminação ocorre durante investigação conduzida pela auditoria fiscal do trabalho. A legislação assegura estabilidade no emprego à gestante até cinco meses após o parto — período que inclui a licença‑maternidade de 120 dias. Freepik Denúncias ao Ministério Público do Trabalho crescem Nos últimos três anos, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.229 denúncias envolvendo violações ao direito à licença-maternidade e outras formas de discriminação relacionadas ao cuidado, como gestação e amamentação. Houve um salto significativo no número de registros: de 307 denúncias em 2023 para 559 em 2025, aumento superior a 80% no período. As queixas abrangem todo o ciclo reprodutivo, desde dispensas logo após a confirmação da gravidez até obstáculos enfrentados por mulheres que retornam da licença e tentam exercer o direito aos intervalos para amamentação. Segundo o coordenador nacional da Coordigualdade, Igor Sousa Gonçalves, o órgão identifica um padrão recorrente de “descarte” ou isolamento das trabalhadoras assim que se encerra a estabilidade de cinco meses após o parto. “O Ministério Público do Trabalho tem respondido a esse aumento com mais rigor na fiscalização e por meio de ações, como a criação do Grupo de Trabalho ‘Gênero e Cuidado’, responsável pela elaboração de materiais informativos e pela realização de campanhas de conscientização”, afirma. Outro ponto destacado por Gonçalves é que o número de denúncias parece baixo porque considera apenas registros classificados especificamente na categoria maternidade. Na prática, muitos casos envolvendo gestantes ou lactantes acabam enquadrados em categorias mais amplas, como assédio moral ou discriminação, sem a identificação específica da maternidade, o que faz com que os dados representem apenas parte do problema. Muitas vezes, o denunciante foca no comportamento abusivo do empregador e não na gestação. Por isso, os 559 registros devem ser vistos como um ‘piso’ do problema.” Ainda de acordo com o órgão, nos últimos três anos foram instaurados 471 inquéritos civis, firmados 52 termos de ajustamento de conduta e ajuizadas nove ações civis públicas relacionadas ao tema. Para o MPT, o crescimento dos registros reflete tanto maior conscientização das trabalhadoras — que estão perdendo o medo de denunciar — quanto a persistência de práticas discriminatórias no mercado de trabalho. Empresas cidadãs encolhem 71% em dois anos, e acesso à licença-maternidade ampliada diminui Direitos da gestação até o retorno ao trabalho A legislação brasileira garante uma série de direitos às mulheres desde a confirmação da gravidez até o período posterior ao parto. Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do escritório A. C. Burlamaqui Advogados, a gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez — independentemente de a trabalhadora ou a empresa já terem conhecimento da gestação. Isso significa que, até cinco meses após o parto, a trabalhadora não pode ser demitida sem justa causa. Durante esse período, também tem direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. Nas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, esse prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, fazendo com que a licença chegue a 180 dias. Convenções ou acordos coletivos firmados com sindicatos também podem ampliar esse período. A advogada destaca ainda que mudanças recentes na legislação passaram a prever que o início da licença-maternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido — o que ocorrer por último —, garantindo maior proteção em casos de internação prolongada. Além disso, a CLT assegura outros direitos à gestante, como: Possibilidade de transferência de função, sem redução salarial, quando as atividades representarem risco à saúde da mãe ou do bebê; Liberação para pelo menos seis consultas médicas e exames durante a gravidez, sem prejuízo do salário. Apesar dessas garantias, a advogada ressalta que a estabilidade está vinculada à condição de gestante, e não ao período da licença-maternidade. Assim, após o fim do prazo legal de estabilidade, não há garantia automática de permanência no emprego, exceto quando houver previsão em acordos coletivos ou políticas internas da empresa. Ainda assim, demissões relacionadas à maternidade podem ser consideradas discriminatórias. Segundo Burlamaqui, situações como dispensa logo após o retorno ao trabalho, ausência de avaliações negativas anteriores ou alegações de baixo desempenho sem histórico documentado podem levantar suspeitas de discriminação. Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode reconhecer a prática como discriminação de gênero. Com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias na relação de trabalho, a trabalhadora pode optar entre: Ser reintegrada ao emprego, com pagamento dos salários do período afastado; Receber indenização em dobro, além de eventual indenização por danos morais. “A maternidade não altera, por si só, os parâmetros de desempenho esperados no trabalho. A proteção legal existe justamente para evitar que a maternidade seja tratada como obstáculo à trajetória profissional das mulheres”, afirma a advogada. Ela ressalta que o desafio, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais, é garantir que essa proteção se traduza em condições reais para que as mulheres possam conciliar maternidade e carreira sem sofrer discriminação ou perda de oportunidades. Senado aprova aumento gradual de duração da licença-paternidade, chegando a 20 dias em 2029 Desafios no mercado de trabalho Uma pesquisa da Pluxee mostra que a maternidade ainda representa um obstáculo relevante para muitas mulheres no mercado de trabalho. Segundo levantamento, 60% afirmam já ter enfrentado dificuldades profissionais em razão dos filhos. Entre os principais problemas estão dificuldade para negociar horários flexíveis (42%), perda de oportunidades de promoção (33%) e discriminação em processos seletivos (33%). Diante dessas barreiras, muitas mulheres buscam alternativas para permanecer no mercado. Cerca de 29% passaram a procurar outro emprego na mesma área, enquanto 25% deixaram temporariamente o trabalho para cuidar dos filhos. O levantamento também aponta que 27% das mães dizem não receber nenhum tipo de apoio das empresas. Embora 60% considerem a licença-maternidade adequada, benefícios como horários flexíveis (24%), auxílio-creche (23%) e trabalho remoto (10%) ainda são pouco frequentes. Resultados semelhantes aparecem na pesquisa Mães 2025, da Catho, realizada com mais de 2,4 mil entrevistadas. O estudo mostra que, embora 70% das mães estejam empregadas, muitas relatam desigualdade salarial, preconceito e dificuldades para conciliar carreira e cuidados com os filhos. Quase 40% acreditam receber menos do que colegas homens ou mulheres sem filhos no mesmo cargo, e mais da metade afirma já ter sido questionada, em entrevistas de emprego, sobre filhos ou planos de maternidade — perguntas consideradas discriminatórias pela legislação trabalhista. O impacto da maternidade também aparece nas oportunidades profissionais: mais de um terço das entrevistadas acredita já ter perdido uma promoção por estar grávida ou por ser mãe. Além disso, o medo de represálias no trabalho é recorrente: 60% já deixaram de exercer atividades relacionadas aos filhos por receio de perder o emprego, e quase metade admite ter faltado a momentos importantes da vida deles pela mesma razão. Para Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática (CNP) e especialista em cultura organizacional, esses números mostram que a discriminação contra mães raramente aparece de forma explícita. Isso porque, na maioria das vezes, a discriminação surge em decisões aparentemente pequenas, repetidas e “bem-intencionadas”, mas que acabam limitando a progressão profissional. “A mulher volta e começam as concessões: menos projetos críticos, menos exposição, menos decisão. A carreira estaciona sem que ninguém diga que estacionou”, afirma. Nos processos seletivos, ela destaca que o problema não é questionar a disponibilidade, mas usar essas perguntas como atalho para concluir que mães entregam menos. “Quando a pergunta vira filtro para descartar, aí virou discriminação”, completa. Maior engajamento A 3ª edição do estudo Engaja S/A 2025, realizado pela Flash em parceria com a FGV-EAESP e divulgada em outubro, mostra que políticas de apoio à parentalidade estão associadas a níveis mais altos de engajamento no trabalho. Entre profissionais com filhos e acesso a benefícios parentais, o índice de engajamento chega a 64,7% entre mulheres e 59,7% entre homens, as maiores taxas entre os grupos analisados. Já entre pessoas com filhos sem esse tipo de apoio, o engajamento cai para 38,9% e 36,1%, respectivamente. Os resultados indicam que políticas de cuidado não são apenas uma questão de equidade, mas também estão associadas a maior engajamento, produtividade e retenção de talentos. Engajamento por gênero, filhos e benefícios parentais Arte g1 Os resultados indicam que políticas de cuidado não são apenas uma questão de equidade, mas também estão associadas a maior engajamento, produtividade e retenção de talentos. A experiência de Letícia Lázaro Roque, de 28 anos, ilustra esse cenário. Moradora de São Paulo e coordenadora de implementação na plataforma de RH da Factorial, ela descobriu a gravidez ainda no período de experiência e, ao contrário do que temia, recebeu apoio da empresa. “Eu engravidei com dois meses de casa. Foi um choque para mim e para o meu gestor, mas tive total apoio”, relembra. Letícia havia sido contratada enquanto fazia uma transição de carreira, saindo da área de vendas para atuar em pós-vendas. Mesmo com pouco tempo na empresa, foi promovida a sênior durante a gestação e, após retornar da licença-maternidade de seis meses, recebeu nova promoção, desta vez para coordenadora. Segundo ela, o crescimento foi possível graças ao apoio da liderança e às políticas de flexibilidade da empresa, como modelo híbrido, horários ajustáveis e benefícios voltados à parentalidade, incluindo auxílio-creche e plano de saúde para dependentes. Apesar dos desafios da rotina com duas crianças pequenas, Letícia diz nunca ter enfrentado pressão no trabalho. “Às vezes minhas filhas aparecem no fundo da câmera, mas hoje isso é compreendido. O que importa é o resultado”, afirma. Ela reconhece, no entanto, que sua experiência ainda é incomum. “Conversei com outras mães e percebi o quanto minha realidade foi diferente. Sei que a minha situação ainda é exceção”, completa. Letícia Lázaro Roque é mãe de duas filhas e foi promovida quando estava grávida e após retornar da licença-maternidade. Arquivo Pessoal Soluções que podem reduzir desigualdade Para Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática (CNP) e especialista em cultura organizacional, o problema não está na legislação, mas na forma como as organizações estruturam – ou deixam de estruturar – o ciclo da parentalidade. Segundo ela, muitas empresas ainda tratam a maternidade como uma exceção, quando deveria ser incorporada como uma etapa natural e previsível da vida profissional de qualquer trabalhador — tanto homens quanto mulheres. “Não é um problema a resolver; é um ciclo que exige gestão madura: cobertura bem feita, clareza de escopo, retorno estruturado e avaliação justa”, afirma. Na prática, porém, há um descompasso entre a proteção legal e o impacto na carreira. “A lei protege o vínculo, mas não protege a trajetória.” Já na visão de Ana Minuto, palestrante e CEO da Minuto Consult, o mercado de trabalho brasileiro ainda opera sob a lógica de que o “trabalhador precisa estar integralmente disponível”, um modelo incompatível com a realidade do cuidado, historicamente atribuída às mulheres. Outro ponto crítico é o retorno ao trabalho após a licença. Muitas mulheres voltam sem o suporte necessário e acabam se sentindo deslocadas. Depois de meses afastadas, retornam a organizações que muitas vezes passaram por mudanças — novas lideranças, novos processos e equipes reorganizadas. Sem um programa estruturado de reintegração, é comum relatarem perda de pertencimento, visibilidade e oportunidades. Por isso, Ana defende uma série de políticas organizacionais para apoiar mães e pais e promover maior equidade. Entre as iniciativas mais relevantes estão: Creches internas ou convênios com creches próximas; Programas estruturados de retorno da licença-maternidade, com mentoria e acompanhamento nos primeiros meses; Auxílio-creche; Modelos de trabalho flexíveis; Políticas claras contra discriminação por maternidade; Processos de promoção mais transparentes; Incentivo à licença parental para homens, favorecendo a divisão do cuidado. Segundo Minuto, essas ações não são apenas medidas de equidade, mas estratégias de retenção de talentos. “Quando as empresas apoiam o cuidado, retêm profissionais experientes e qualificadas que, sem suporte, acabam deixando o mercado.” Para reduzir o impacto da maternidade na carreira das mulheres, Marcela destaca que o caminho não passa por discursos institucionais ou benefícios pontuais, mas por processos claros e responsáveis. Isso inclui: Planejamento da cobertura antes da saída; Retorno com escopo e prioridades definidos; Proteção explícita da rota de carreira da profissional; Acompanhamento de indicadores como retenção pós-retorno, promoções e evolução salarial. “Se você não mede, vira opinião. E quando vira opinião, o viés entra pela porta da frente”, afirma. * Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada. Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho

G1 | Loterias - Mega-Sena 2981 O sorteio do concurso 2.981 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (7), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 60 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 15 - 22 - 27 - 32 - 50 - 58. 5 acertos: 41 apostas ganhadoras, R$ 61.085,40 4 acertos: 2.992 apostas ganhadoras, R$ 1.379,77 O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (10). Resultado do sorteio da Mega-Sena deste sábado (7) Divulgação Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

Bombas de extração abandonadas e danificadas ao longo do tempo em um campo da estatal de petróleo PDVSA no Lago de Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela. Reuters A guerra no Irã pode deixar consumidores e empresas em todo o mundo enfrentando semanas — ou meses — de preços mais altos de combustíveis. Isso pode ocorrer mesmo que o conflito, que já dura uma semana, termine rapidamente, já que os fornecedores ainda precisam lidar com instalações danificadas, logística interrompida e riscos elevados no transporte marítimo. O cenário representa uma ameaça econômica global mais ampla e também uma vulnerabilidade política para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às vésperas das eleições de meio de mandato. Eleitores estão sensíveis ao aumento das contas de energia e, em geral, rejeitam novos envolvimentos militares no exterior. "O mercado está mudando seu foco, deixando de precificar o risco geopolítico puro e passando a lidar com a interrupção operacional tangível, à medida que o fechamento de refinarias e as restrições às exportações começam a prejudicar o processamento de petróleo bruto e os fluxos de suprimento regionais", disseram analistas do JP Morgan em uma nota na sexta-feira (6). O conflito já levou à suspensão de cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo bruto e gás natural. Teerã tem atacado navios no estratégico Estreito de Ormuz — entre suas costas e Omã — e também infraestrutura energética em toda a região. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços globais do petróleo subiram 24% na semana, ultrapassando US$ 90 por barril — um movimento que já pressiona os preços dos combustíveis para consumidores em todo o mundo. O fechamento quase total do Estreito fez com que os grandes produtores da região — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait — suspendessem embarques de até 140 milhões de barris de petróleo, o equivalente a cerca de 1,4 dia da demanda global, para refinarias em diversos países. Como resultado, os estoques de petróleo e gás nas instalações do Golfo Pérsico estão se esgotando rapidamente, forçando campos no Iraque a reduzir a produção. Kuwait e Emirados Árabes Unidos provavelmente serão os próximos a fazer cortes, disseram analistas, operadores e outras fontes do setor. "Em breve, todos também se isolarão se os navios não chegarem", disse uma fonte de uma empresa petrolífera estatal da região, que pediu para não ser identificada. Campos petrolíferos que interromperam atividades em todo o Oriente Médio, devido aos problemas no transporte marítimo, podem demorar a voltar ao normal, disse Amir Zaman, chefe da equipe comercial das Américas da Rystad Energy. "O conflito pode ser resolvido, mas isso pode levar dias, semanas ou meses, dependendo do tipo de campo, da idade do campo e do tipo de paralisação que tiveram que fazer antes que a produção possa voltar ao nível anterior", disse ele. Enquanto isso, forças iranianas vêm atacando infraestrutura energética regional — incluindo refinarias e terminais —, forçando operações a serem interrompidas. Em alguns casos, os danos foram graves e exigem reparos. O Catar declarou força maior em suas exportações de gás na quarta-feira, após ataques de drones iranianos, e pode levar pelo menos um mês para voltar aos níveis normais de produção, disseram fontes à Reuters. O país responde por cerca de 20% do GNL mundial. A gigantesca refinaria e o terminal de exportação de petróleo bruto de Ras Tanura, da Saudi Aramco, também foram fechados após os ataques, sem detalhes divulgados sobre os danos. A Casa Branca justificou o ataque ao Irã afirmando que o país representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos, sem fornecer detalhes. Trump também declarou preocupação com os esforços iranianos para obter uma arma nuclear. Perigo no Estreito de Ormuz Um fim rápido da guerra ajudaria a acalmar os mercados. Ainda assim, o retorno aos níveis de oferta e de preços pré-guerra pode levar semanas ou meses, a depender da extensão dos danos à infraestrutura e ao transporte marítimo. "Considerando os danos físicos causados pelos ataques iranianos, até agora não vimos nada que possa ser considerado estrutural, embora o risco permaneça enquanto a guerra continuar", disse Joel Hancock, analista de energia da Natixis CIB. A maior incógnita para o fornecimento de energia é como — e quando — o Estreito de Ormuz voltará a ser seguro para a navegação. Trump ofereceu escolta naval a petroleiros e prometeu apoio financeiro dos EUA a embarcações que operam na região. Ainda assim, a segurança nas rotas marítimas pode ser ilusória, já que o Irã tem capacidade de sustentar ataques com drones contra embarcações por meses, segundo fontes de inteligência e militares. O conflito também pode levar países a reforçar reservas estratégicas de petróleo nas semanas e meses seguintes ao seu término, ao expor os riscos de estoques insuficientes. Esse movimento tende a elevar a demanda e a sustentar os preços. Risco econômico e político global A interrupção no fornecimento de energia já repercute nas cadeias de suprimentos e nas economias da Ásia, região dependente de importações e que obtém cerca de 60% do seu petróleo bruto do Oriente Médio. Na Índia, a estatal Mangalore Refinery and Petrochemicals (MRPL.NS) declarou força maior para cargas de exportação de gasolina nesta semana, segundo fontes, somando-se a um número crescente de refinarias na região que não conseguem cumprir contratos por falta de abastecimento. Pelo menos duas refinarias na China reduziram a produção. O país, grande fornecedor regional, pediu que refinarias suspendessem exportações de combustíveis. A Tailândia também suspendeu exportações de derivados, enquanto o Vietnã interrompeu embarques de petróleo bruto. A crise impulsionou os negócios da Rússia. Os preços do petróleo russo subiram após os EUA concederem às refinarias indianas uma isenção de 30 dias para comprar o produto e substituir o fornecimento perdido do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, Washington pressionou Nova Délhi a reduzir as importações de petróleo russo sob ameaça de tarifas. No Japão, segundo maior importador mundial de GNL, os contratos futuros de energia de base para Tóquio, referentes ao ano fiscal que começa em abril, subiram mais de um terço na semana, em antecipação a combustíveis mais caros. Em Seul, motoristas formaram filas em postos de gasolina, também prevendo alta nos preços. Para os consumidores europeus, a crise no fornecimento de gás e os preços mais altos representam um duplo golpe. A região já havia sido duramente afetada após 2022, quando as sanções às importações de energia russas sucederam a invasão da Ucrânia. A Europa recorreu às importações de GNL para substituir o gás russo recebido por gasoduto. Agora, o bloco precisa adquirir cerca de 180 cargas adicionais de GNL em relação ao ano passado para atingir os níveis de armazenamento considerados necessários antes do próximo inverno. Os riscos de abastecimento para os Estados Unidos são menores, já que o país se tornou, nos últimos anos, o maior produtor mundial de petróleo e gás. Ainda assim, os preços internos de petróleo e combustíveis acompanham os mercados internacionais, de modo que gasolina e diesel sobem nas bombas mesmo quando a oferta doméstica é abundante. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina no varejo atingiu US$ 3,32 por galão na sexta-feira, alta de 34 centavos na semana, segundo a AAA. O diesel chegou a US$ 4,33 por galão, ante US$ 3,76 na semana anterior. A alta da gasolina representa um risco significativo para Trump e para os republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro. "Os preços da gasolina têm um forte impacto psicológico", disse Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial. "Eles representam o índice da inflação que os consumidores veem todos os dias."
Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja brasileira
O Brasil atravessa o auge da colheita da soja, e o cenário atual reafirma a posição do país como um gigante exportador: cerca de dois terços de tudo o que é produzido em solo brasileiro têm como destino o mercado externo
No centro dessa engrenagem está o estado de Mato Grosso, responsável por quase 30% da safra nacional
A história dessa hegemonia começou há pouco mais de 50 anos, impulsionada por incentivos governamentais que levaram agricultores do Sul para o Centro-Oeste.
Naquela época, a produtividade era de 35 sacas por hectare; hoje, graças à pesquisa e tecnologia, chega a atingir 90 sacas por hectare (assista a reportagem completo no vídeo acima).
O gargalo da infraestrutura
Desafio logístico
Apesar do salto tecnológico dentro das fazendas, a infraestrutura externa não acompanhou o mesmo ritmo.
Em Mato Grosso, a capacidade de armazenamento é um desafio: a média de estocagem do estado é de apenas 40% da produção, o que obriga grandes empresas a investirem em silos próprios para garantir eficiência logística
A soja brasileira é a base da alimentação, especialmente no continente asiático, sendo utilizada para óleo e farelo para nutrição animal, além de aplicações industriais como pneus e emborrachados
Para que esse produto chegue ao outro lado do oceano, a logística tornou-se o ponto crucial da operação.
A ascensão do Arco Norte
Alternativas de transporte
Nos últimos anos, a geografia do escoamento mudou. Em vez de a safra "descer" o mapa em direção aos portos do Sul e Sudeste, ela passou a "subir"
É o fortalecimento do chamado Arco Norte, um conjunto de portos e rotas localizados acima do paralelo 16 (linha imaginária que corta o país na altura de Brasília).
Os números mostram essa evolução:
2009: Os portos do Arco Norte escoavam 16% da produção nacional;
2024: Esse volume saltou para 34%
O uso dessas rotas pode reduzir o valor do frete em até 15%, encurtando o caminho entre as lavouras e o destino final
Entre os principais portos estão Mirituba, Santarém e Barcarena, no Pará, e o Porto de Itaqui, no Maranhão.
O caso de Itaqui
O Porto de Itaqui, em São Luís, tornou-se um símbolo dessa expansão. Entre 2020 e 2024, a exportação de soja e milho pelo terminal saltou de 11 milhões para 20 milhões de toneladas.
O crescimento atraiu produtores do Sul que venderam suas terras para investir em áreas maiores no Mato Grosso e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Para quem vive na estrada, como o caminhoneiro Walter, o sistema de agendamento nos portos trouxe alívio para as antigas filas intermináveis.
No entanto, o "nó" logístico ainda persiste no trajeto entre a fazenda e o terminal portuário, onde a dependência do transporte rodoviário — que responde por 66% da carga no país — ainda esbarra em estradas precárias e desafios climáticos.

Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos O número de empresas participantes do Programa Empresa Cidadã sofreu uma queda acentuada nos últimos dois anos. O total de organizações cadastradas passou de 30.545, em 2024, para 8.862, em 2025 — uma redução de cerca de 71%. Em 2026, o número permaneceu praticamente estável, com 8.858 empresas. Segundo a Receita Federal, a redução ocorreu após uma auditoria realizada em 2024, que resultou na exclusão de 22.207 empresas do programa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As organizações foram retiradas por irregularidades cadastrais ou por incompatibilidade com o regime de tributação exigido para usufruir do benefício fiscal. 🔎 Criado em 2008, o Programa Empresa Cidadã permite que empresas ampliem a licença-maternidade de 120 para 180 dias e a licença-paternidade de cinco para 20 dias. Em contrapartida, podem deduzir do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) o valor pago às funcionárias durante os dois meses adicionais. Série histórica das empresas participantes do Programa Empresa Cidadã Arte g1 Entre os setores econômicos, a maior presença de empresas cadastradas está na indústria de transformação, com 1.994 participantes. Em seguida aparecem o comércio e a reparação de veículos automotores e motocicletas, com 1.966 empresas. Também se destacam os setores de informação e comunicação, com 1.065 organizações, e as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, com 1.026 empresas. Antes da auditoria, o programa vinha registrando crescimento ao longo da última década. A série histórica mostra que, em 2010, havia 10.947 empresas participantes. O número continuou aumentando nos anos seguintes até atingir o pico de 30.545 organizações em 2024. Benefício alcança parcela limitada das trabalhadoras Apesar do crescimento observado até recentemente, um estudo de 2024 conduzido por pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da University College London (UCL) revela que a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses no Brasil não alcança a maioria das mulheres e pode aprofundar desigualdades no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa “Respostas de empresas e trabalhadoras às extensões da licença-maternidade remunerada”, apenas 35,7% das mães elegíveis utilizam os dois meses adicionais. A adesão é mais comum em empresas de grande porte, com salários mais altos, maior produtividade e localizadas em regiões mais desenvolvidas. Como resultado, o benefício tende a se concentrar entre mulheres com maior escolaridade e renda, enquanto trabalhadoras informais e de menor renda ficam fora do alcance da política. “Há um claro viés distributivo: o Estado acaba subsidiando principalmente mulheres brancas, de classe média e alta, enquanto trabalhadoras informais — um terço da força de trabalho — ficam totalmente fora do alcance”, afirmam os autores. O estudo também acompanhou mais de 31 mil trabalhadoras ao longo de 10 anos e concluiu que a licença estendida não gera efeitos duradouros sobre empregabilidade, salários ou permanência na mesma empresa. Há apenas um aumento temporário na probabilidade de continuar empregada entre o quinto e o sétimo mês após o parto, período que coincide com a prorrogação da licença. Os pesquisadores também identificaram estratégias adotadas por empresas e trabalhadoras para maximizar o recebimento do benefício: Funcionárias que planejavam sair do emprego adiam a demissão para aproveitar os dois meses adicionais; Empresas também adiam desligamentos e, em alguns casos, reforçam a equipe antes da licença para já prever substituição; Demissões ocorrem com mais frequência logo após o fim da licença ampliada. Os pesquisadores classificam o fenômeno como “moral hazard” (ou risco moral, em português) — quando regras de proteção social levam trabalhadores e empresas a ajustar comportamentos para obter vantagem financeira. Por outro lado, fatores como maior tempo de empresa e disseminação de informação entre colegas aumentam a probabilidade de as mulheres utilizarem o direito. Entre mulheres com menos escolaridade, a adesão aumenta à medida que colegas passam a solicitar o benefício, o que sugere que a falta de informação é uma das barreiras. Segundo a economista Cecilia Machado, uma das pesquisadoras que lideraram o estudo, levantamentos internacionais mostram que homens e mulheres têm trajetórias profissionais quase idênticas até o nascimento do primeiro filho. É a partir desse momento que ocorre a divergência. “A penalidade da maternidade é observada em diversos países, independentemente do nível de desenvolvimento”, afirma. Machado explica que dois fatores se combinam: Cultural: a sociedade ainda atribui às mulheres a responsabilidade principal pelo cuidado; Econômico: como, em média, ganham menos que seus parceiros, elas acabam se afastando mais do trabalho quando a família precisa decidir. A pesquisadora enfatiza que a licença-maternidade é essencial, mas insuficiente. “Sem a licença, muitas mulheres sairiam imediatamente após o parto. Mas, mesmo com ela, os desligamentos continuam ocorrendo — seja por iniciativa da empresa ou da própria mulher.” A especialista também explica que a licença estendida é voluntária — tanto para empresas quanto para funcionárias — o que ajuda a entender por que menos de 36% das mulheres elegíveis utilizam os 180 dias. “Mulheres de menor renda podem ter medo de solicitar a extensão, já que a estabilidade termina aos cinco meses e elas retornam após seis”, afirma a pesquisadora, que atualmente é professora na PUC-Rio. Para a economista, a única forma de reduzir a desigualdade é dividir as responsabilidades de cuidado entre homens e mulheres. Quando só as mulheres tiram licença, reforçamos o estereótipo de que cuidar é tarefa feminina. Ampliar a licença-paternidade mudaria isso e reduziria a discriminação das empresas, porque a ausência temporária poderia acontecer tanto com homens quanto com mulheres.” Machado também defende que o país priorize creches públicas e acessíveis, e não apenas o auxílio-creche vinculado ao emprego formal. “Depois de seis meses, a criança continua precisando de cuidado. Sem creche, a mãe simplesmente não tem como voltar ou permanecer no trabalho”, completa. Senado aprova aumento gradual de duração da licença-paternidade, chegando a 20 dias em 2029 Licença-maternidade e estabilidade no emprego A legislação brasileira garante uma série de direitos às mulheres desde a confirmação da gravidez até o período posterior ao parto. Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do escritório A. C. Burlamaqui Advogados, a gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez, independentemente de a trabalhadora ou a empresa já terem conhecimento da gestação. Isso significa que, até cinco meses após o parto, a trabalhadora não pode ser demitida sem justa causa. Durante esse período, também tem direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. Nas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, esse prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, fazendo com que a licença chegue a 180 dias. Convenções ou acordos coletivos firmados com sindicatos também podem ampliar esse período. A advogada destaca ainda que mudanças recentes na legislação passaram a prever que o início da licença-maternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido — o que ocorrer por último —, garantindo maior proteção em casos de internação prolongada. Além disso, a CLT assegura outros direitos à gestante, como: Possibilidade de transferência de função, sem redução salarial, quando as atividades representarem risco à saúde da mãe ou do bebê; Liberação para pelo menos seis consultas médicas e exames durante a gravidez, sem prejuízo do salário. Apesar dessas garantias, a advogada ressalta que a estabilidade está vinculada à condição de gestante, e não ao período da licença-maternidade. Assim, após o fim do prazo legal de estabilidade, não há garantia automática de permanência no emprego, exceto quando houver previsão em acordos coletivos ou políticas internas da empresa. Ainda assim, demissões relacionadas à maternidade podem ser consideradas discriminatórias. Segundo Burlamaqui, situações como dispensa logo após o retorno ao trabalho, ausência de avaliações negativas anteriores ou alegações de baixo desempenho sem histórico documentado podem levantar suspeitas de discriminação. Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode reconhecer a prática como discriminação de gênero. Com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias na relação de trabalho, a trabalhadora pode optar entre: Ser reintegrada ao emprego, com pagamento dos salários do período afastado; Receber indenização em dobro, além de possíveis danos morais. “A maternidade não altera, por si só, os parâmetros de desempenho esperados no trabalho. A proteção legal existe justamente para evitar que a maternidade seja tratada como obstáculo à trajetória profissional das mulheres”, afirma a advogada. Ela ressalta que o desafio, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais, é garantir que essa proteção se traduza em condições reais para que as mulheres possam conciliar maternidade e carreira sem sofrer discriminação ou perda de oportunidades. Gestante possui estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez Reprodução / Tribunal Superior do Trabalho Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho
Rali da bolsa chegou ao fim? Ibovespa sobe com dinheiro estrangeiro, mas guerra ameaça o bom momento

B3, bolsa de valores brasileira. Divulgação/ B3 Em 2026, o dinheiro estrangeiro voltou com força à bolsa brasileira. Apenas nos dois primeiros meses do ano, o saldo de recursos vindos do exterior na B3 chegou a R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume para o período na última década, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Esse fluxo ajudou a impulsionar o Ibovespa, principal índice da bolsa, que atingiu recorde histórico e superou pela primeira vez os 190 mil pontos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A escalada da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, voltou a trazer incerteza aos investidores. Desde o início do conflito, a bolsa acumula queda de 5% e voltou a ficar abaixo dos 180 mil pontos. Se antes os investidores estavam mais dispostos a correr riscos, em momentos de tensão internacional ocorre o movimento inverso, conhecido como “flight to quality”: investidores deixam as bolsas de valores e passam a preferir aplicações consideradas mais seguras, como dólar e ouro. Diante desse cenário, é possível dizer que a fase de forte valorização da bolsa brasileira chegou ao fim? Para especialistas ouvidos pelo g1, a entrada de capital estrangeiro ainda pode continuar ao longo de 2026, mas o ritmo deve depender do cenário internacional. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Por que o estrangeiro voltou à bolsa brasileira? Alguns fatores ajudam a explicar o retorno do capital estrangeiro ao mercado brasileiro. Juros altos no Brasil: o país costuma oferecer taxas mais elevadas que as de muitas economias desenvolvidas, o que atrai investidores em busca de retornos maiores. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas; Ações baratas: após um período de desempenho fraco, muitas empresas brasileiras passaram a ser vistas como baratas em comparação com companhias de países desenvolvidos, o que atrai investidores em busca de oportunidades; Diversificação: gestores de mercado costumam distribuir aplicações entre vários países para reduzir riscos. Quando o Brasil apresenta preços atrativos e um mercado amplo, volta a ganhar espaço nessas carteiras de investimento; Mais dinheiro circulando no mundo: quando há maior disponibilidade de recursos no mercado internacional ou o dólar perde força, parte dos investimentos tende a migrar para mercados considerados mais arriscados, como o de ações em países emergentes. Recorde na bolsa brasileira A forte entrada de capital estrangeiro no mercado de ações brasileiro teve impacto direto na bolsa. Em janeiro, o Ibovespa registrou entrada de R$ 26,4 bilhões, o maior valor desde fevereiro de 2022. Com os R$ 16,9 bilhões registrados em fevereiro, o total de recursos externos em 2026 chegou a R$ 42,56 bilhões, bem acima dos R$ 26,87 bilhões do mesmo período do ano passado. Apesar da desaceleração no mês passado, é o terceiro maior volume para os dois primeiros meses do ano na última década. O recorde ainda pertence a 2022, quando o investimento estrangeiro na bolsa brasileira somou R$ 119,7 bilhões. Esse movimento é o principal responsável por impulsionar os preços das ações brasileiras. Com isso, o Ibovespa bateu recorde oito vezes em janeiro e outras cinco em fevereiro, totalizando 13 máximas em 2026, contra 32 ao longo de todo o ano passado. Acabou o rali do Ibovespa? Apesar da ampliação do conflito no Oriente Médio, especialistas avaliam que o investimento estrangeiro na bolsa brasileira ainda deve continuar ao longo de 2026, embora o volume dos aportes possa variar de acordo com o cenário internacional. Segundo Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, fatores estruturais ainda favorecem o Brasil. Entre eles estão a perspectiva de queda dos juros no país, ações baratas em dólar e o risco crescente nas bolsas dos EUA, que já operam em níveis elevados de preços com a valorização das ações de tecnologia. “Se a guerra se intensificar durante o mês de março, é provável que o fluxo diminua um pouco. Mas não deve zerar, muito menos se transformar em saída de capital da bolsa brasileira. Esse movimento pode voltar a acelerar assim que o conflito terminar”, diz. Para o investidor, eventuais quedas da bolsa podem abrir oportunidades de compra, avalia o gestor. Na visão dele, o Ibovespa ainda tem potencial para voltar a subir e testar a marca de 200 mil pontos no médio prazo. Já Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, alerta que o cenário internacional pode reduzir o fôlego do mercado no curto prazo, principalmente se ganhar força o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros. “Existe o risco de perda de força do índice se prevalecer um movimento global de ‘flight to quality’, com migração para ativos de refúgio, como dólar e ouro, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio”, afirma. Segundo ele, o aumento das tensões deixa os investidores mais cautelosos. Em momentos de conflito, é comum que as bolsas ao redor do mundo sofram pressão, enquanto o preço do petróleo sobe e ativos considerados mais seguros ganham valor. Nesse cenário, Belitardo avalia que o Ibovespa pode perder força no curto prazo. Se a busca por segurança aumentar, investidores tendem a retirar recursos de mercados mais arriscados — como ações e países emergentes — e direcioná-los para aplicações consideradas mais seguras, como dólar e ouro. LEIA TAMBÉM Por que Trump, Putin e guerras fizeram o ouro e outros ativos seguros dispararem — e vale investir agora?

Ex-técnico do Flamengo, Filipe Luis REUTERS/Rodrigo Valle/Foto de arquivo O técnico Filipe Luís foi demitido do Flamengo nesta terça-feira (3), mesmo após a vitória por 8 a 0 sobre o Madureira, na semifinal do Campeonato Carioca. Ele deixa o cargo com números expressivos: aproveitamento de quase 70% em 101 jogos, com 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas. Ele também deixa o clube como o segundo técnico mais vitorioso da história do Flamengo, com cinco títulos: Copa do Brasil de 2024, Supercopa de 2025, Campeonato Carioca de 2025, Libertadores de 2025 e Brasileirão de 2025. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em 2026, porém, o time não conseguiu manter o desempenho. Das 15 derrotas no comando da equipe, cinco ocorreram neste ano. Foi o pior início de temporada do clube nos últimos 10 anos, com vice-campeonatos na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana. Como explicar uma desvalorização tão rápida de um profissional que enfileirava bons resultados? Especialistas ouvidos pelo g1 dizem que, dadas as devidas proporções, o caso não é tão incomum no mercado de trabalho. Mesmo com excelente histórico e desempenho, o funcionário pode ser desligado a qualquer momento, por diferentes motivos, ainda que nem sempre estejam claros. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que a demissão é juridicamente possível por se tratar de um direito do empregador. Para isso, é necessário o pagamento das verbas contratuais e rescisórias devidas, inclusive eventuais multas previstas em contrato, sem necessidade de aviso prévio ou justificativa formal. É verdade que o esporte tem características próprias. Os contratos costumam ter prazo determinado, e a permanência do treinador está sujeita a forte pressão por resultados. Mas o caso de Filipe Luís surpreendeu. Se nem um treinador que acabou de renovar contrato e apresenta bons resultados tem garantia real de permanência no cargo, imagine a situação do trabalhador comum. “Isso evidencia um traço estrutural do futebol brasileiro: a confiança é extremamente condicionada. O treinador vive sob pressão constante, e nem conquistas recentes garantem previsibilidade ou estabilidade", afirma o especialista. Pior: em menos de 24 horas, o Flamengo acertou a contratação de Leonardo Jardim, que terá contrato — a princípio — válido até o fim de 2027. O clube e a equipe do treinador já vinham alinhando os detalhes antes de Filipe ser avisado da demissão. “O futebol é movido pela torcida, e a torcida quer resultado. Quando ele não vem, a torcida pressiona a instituição e os clubes. Os dirigentes, pressionados, muitas vezes não suportam a cobrança das arquibancadas”, diz Emilio Coutinho, docente do curso de Jornalismo Esportivo do Senac São Paulo. “Existe uma narrativa no futebol brasileiro: quando os clubes contratam treinadores, dizem que está sendo feita uma reformulação, anunciam projetos de médio e longo prazo e falam em identificação com o time. Porém, basta o primeiro ciclo de derrotas ou resultados ruins para que todo esse discurso perca força”, diz. Confiança em jogo A demissão de Filipe Luís ajuda a ilustrar uma dinâmica comum também fora do futebol: o desligamento de lideranças com alto desempenho pode afetar não apenas os resultados imediatos, mas também a confiança e a cultura de toda a organização. Segundo especialistas em gestão ouvidos pelo g1, quando uma instituição decide desligar um profissional de destaque sem explicar com clareza como funcionam os critérios e processos internos, o impacto não se restringe ao trabalhador demitido. “Não estamos falando de um profissional comum. Estamos falando de um multicampeão, com histórico de resultados e enorme peso simbólico”, afirma Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática (CNP), consultoria especializada em cultura organizacional. Para ela, o desligamento de um líder reconhecido funciona como uma mensagem silenciosa à equipe. “Quando alguém desse porte sai sem um processo claramente explicado, a organização não demite apenas uma pessoa. Ela altera o comportamento de todo o sistema. O time deixa de jogar para ganhar e passa a jogar para não ser o próximo”, diz. Outro ponto destacado por Marcela é que, em contextos assim, muitos profissionais passam a evitar riscos ou exposição para não serem os próximos. “No caso do Filipe Luís, a imagem é de ‘virada de chave’: parece menos uma transição e mais uma ruptura. E a ruptura, quando não é bem explicada, vira um recado perigoso: o critério pode mudar de um dia para o outro”, completa. Em empresas, decisões percebidas como improvisadas podem até reduzir a pressão externa no curto prazo, mas provocam custos silenciosos, como insegurança interna, perda de iniciativa, redução da ousadia e aumento de disputas internas. Isso vale para qualquer setor, mas se torna ainda mais sensível quando a pessoa desligada é um profissional de alto desempenho. A equipe pode concluir: se nem ele estava protegido por critérios claros, quem está? “Desligamento é comunicação de cultura. A forma como você demite ensina mais do que qualquer valor escrito em um PowerPoint”, completa. Segundo ela, o desafio está menos na legalidade e mais na gestão. “Demissão sem feedback é gestão por susto. Resolve um problema rápido, mas cria outro: ninguém sabe qual é a régua”, diz. Além disso, a falta de previsibilidade compromete o desempenho no médio e no longo prazo, já que os trabalhadores passam a evitar riscos, esconder problemas e fazer apenas o mínimo necessário. Assim, empresas que dizem buscar inovação e autonomia precisam deixar claras as regras do jogo: o que é erro aceitável, como o desempenho profissional é avaliado, quais são os limites e como ocorre a correção de rota em casos de falhas. Esse tipo de prática também afeta a reputação da organização como empregadora. Em um ambiente conectado, a forma como uma demissão ocorre se espalha rapidamente e influencia a percepção de outros profissionais no mercado. No caso do futebol, a narrativa construída em torno da saída de um treinador pode comprometer futuras contratações de nomes relevantes. Quem quer trabalhar em um lugar onde pode ser dispensado sem aviso prévio? Há ainda a perda de conhecimento acumulado, como processos, sistemas e relacionamentos, que se perdem quando não há tempo para transição. Quando é a hora de arriscar? 🤔 Levando isso em conta, é possível inovar no trabalho, assumir riscos ou tomar decisões sem comprometer a própria carreira? Sim, mas isso exige regras claras. Se a empresa não define quais são os principais critérios de avaliação, o recado acaba sendo simples: “não ouse”. E, por mais que o trabalhador busque feedback para entender seu desenvolvimento e a entrega de resultados no dia a dia, o retorno e o crescimento profissional ainda dependem, em grande parte, da gestão e das decisões da chefia. Segundo Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, outro problema é que as empresas costumam tratar todos os erros da mesma forma, sem distinguir falhas por negligência, erros inevitáveis e erros inteligentes — estes últimos essenciais para a inovação. Filipe Luís, técnico do Flamengo Hussein Sayed/AP Ao punir todos os erros da mesma forma, com demissão, a empresa sufoca a criatividade do trabalhador e reforça uma cultura de curto prazo. Fora do futebol, esse cenário ajuda a explicar o enfraquecimento da segurança psicológica no mercado de trabalho. Em ambientes onde desligamentos ocorrem sem transparência, profissionais evitam riscos, escondem problemas e se comunicam menos. “Gestão de desempenho eficaz exige feedback contínuo. Quando isso existe, uma demissão nunca é surpresa — ela é consequência de um processo”, explica. Para a presidente da ABRH-SP, decisões desse tipo não se encerram no anúncio: elas reverberam interna e externamente, afetando o clima organizacional, o engajamento e a capacidade de atrair e reter talentos. “Na era digital, as decisões de liderança ecoam. Cuidar de pessoas, comunicar com clareza e criar espaço para aprendizado deixou de ser um diferencial. Tornou-se uma necessidade estratégica”, conclui a especialista. Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho

Presidente do BRB fala à TV Globo sobre crise vivida pela instituição Desde que o escândalo do Banco Master foi revelado pela operação Compliance Zero, no fim do ano passado, o futuro do Banco de Brasília (BRB) se tornou "obscuro". Isso, porque o BRB e o governo do Distrito Federal – seu acionista controlador – passaram 2024 e 2025 tentando comprar a maior parte do Banco Master. O banco distrital injetou R$ 16,7 bilhões no Master – e agora, sabe-se que pelo menos R$ 12,2 bilhões desse aporte estão sob suspeita de irregularidades. O Banco Central barrou a compra do Master pelo BRB e, dias depois, definiu a liquidação extrajudicial do Master. Com isso, os ativos que seriam transferidos ao patrimônio do BRB ficaram "congelados" nas mãos do liquidante. As transações fragilizaram o patrimônio do BRB e deixaram o banco sob risco de descumprir as regras prudenciais do sistema bancário – as normas que exigem uma solidez mínima de cada banco para evitar dano aos correntistas e investidores. Desde então, o BRB e o governo do DF vêm atuando em múltiplas frentes para tentar recompor o caixa do banco, seja recuperando o dinheiro investido no Master ou encontrando novos aportes. Entenda abaixo quais riscos já foram apontados, e quais medidas o BRB está tomando para reverter o quadro. O que compõe o 'risco' do BRB? 1. Problemas com o patrimônio 'prudencial' No cenário mais crítico, o BRB pode não conseguir integralizar capital suficiente para se reerguer. O banco entregou ao Banco Central em fevereiro um plano de capital "preventivo" para enfrentar os efeitos da aquisição malsucedida dessas carteiras. ➡️O Banco Central (BC) calcula que o banco pode precisar de ao menos R$ 5 bilhões para cumprir as exigências. Uma das medidas, que será levada à assembleia de acionistas no próximo dia 18, envolve emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias para captar dinheiro no mercado. Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais. Para "embasar" esse aumento de capital, o governo Ibaneis propôs e a Câmara Legislativa do DF aprovou o uso de imóveis públicos do DF como garantia, fundo imobiliário ou até venda direta. O governo avalia que esses imóveis, somados, valem cerca de R$ 6,6 bilhões – valor que passaria a integrar o patrimônio do BRB e reforçaria os níveis prudenciais do banco. Estudo da Câmara do DF indica 'dilapidação do patrimônio público' em projeto de socorro bilionário ao BRB 2. Governança e controles Internos A Fitch Ratings e a Moody's — duas das principais agências internacionais de classificação de risco de crédito — rebaixaram a nota de crédito do Banco de Brasília (BRB) para “CCC” (escala global) e 'CCC(bra)' (nacional), sinalizando: alto risco de inadimplência fragilidades de governança falhas de controles internos e risco operacional elevado. Além disso, o governo do DF está impedido de usar a União como garantidora de um eventual empréstimo. O DF recebeu nota baixa em Capacidade de Pagamento (Capag), um indicador usado pelo Tesouro Nacional para avaliar a saúde financeira de estados, municípios e da capital federal. Houve ainda, o afastamento judicial de executivos, o que reforça a percepção de desorganização e aumentam os riscos da instituição. ➡️ Tudo isso aumenta o custo de um eventual empréstimo. A regra é simples: quanto maior o risco identificado de calote, piores as condições de juros e parcelamento de um crédito. 3. Crise de liquidez Há também o risco de o BRB não conseguir transformar em dinheiro os R$ 12 bilhões em créditos podres herdados do Banco Master. Esses ativos têm baixo valor real e podem ser difíceis de vender ou recuperar. Com isso, o banco pode não ter dinheiro suficiente disponível para honrar compromissos no dia a dia, como pagar clientes, honrar dívidas com credores ou manter suas obrigações operacionais. Esse risco, segundo especialistas ouvidos pelo g1 e pela TV Globo, ainda é considerado pequeno. Isso, justamente porque o BRB tem como acionista controlador o governo do DF – que tem um patrimônio imobliário imenso e pode seguir "socorrendo" o banco para evitar uma quebra ou uma liquidação. O custo, neste caso, é para o governo e para a população do DF, que podem ver o patrimônio público sendo gradualmente dilapidado para essas operações de salvamento. 4. Percepção do mercado Mesmo com o BRB afirmando possuir solidez e plano de capital estruturado, o mercado continua desconfiado. A Fitch retirou a expectativa automática de socorro do GDF. A medida é simbólica, mas importante, porque indica que o apoio político e financeiro do governo do Distrito Federal não é mais considerado garantido pela agência. Além disso, há incerteza sobre o tamanho das possíveis perdas ligadas às investigações, processos judiciais e ações de supervisão que envolvem tanto o BRB quanto o próprio GDF. Esse conjunto de fatores aumenta a dúvida sobre como e em que medida o governo conseguirá apoiar o banco, caso seja necessário. LEIA TAMBÉM: Saiba o que o BRB poderá fazer com os imóveis oferecidos por Ibaneis Distritais acionam MP e governo do DF para barrar Daniel Vorcaro em reunião de acionistas do BRB BRB quer elevar capital em R$ 8,8 bilhões e emitir até 1,67 bilhão de ações para reforçar patrimônio Com nota baixa em gestão fiscal, DF não terá garantia da União para tomar empréstimo e reforçar BRB Para aumentar a nota... O relatório da Fitch destacou alguns fatores que podem, individual ou coletivamente, levar a um aumento da nota de crédito do BRB. Dentre eles: Avaliação clara, completa e feita por técnicos independentes sobre o tamanho do prejuízo; Plano de recapitalização viável e oportuno — que explique o reforço de capital (quanto dinheiro o BRB vai receber, de onde vem esse dinheiro, quando chega, quem autoriza e quais instrumentos serão usados, como por exemplo empréstimos, venda de ativos, etc.); Mostrar que o banco voltou a se financiar normalmente, provando que consegue pegar dinheiro no mercado sem pagar muito caro; Os custos de captação (valor que bancos pagam para conseguir dinheiro no mercado financeiro) voltarem ao normal; Quando os spreads (a diferença entre o que o banco paga para captar e o que cobra para emprestar) pararem de piorar; Melhorar a governança e consertar falhas internas, com processos mais transparentes, investigações concluídas e responsáveis punidos. Os cenários no radar Sede do Banco BRB Getty Images via BBC Até o fim do mês, o BRB precisará dizer ao Banco Central e ao sistema financeiro como vai enfrentar essa crise – na prática, de onde virá o dinheiro para reforçar o patrimônio e garantir a continuidade das operações. Há algumas possibilidades na mesa: 1. Reforço vindo do próprio GDF O governador Ibaneis Rocha (MDB) deve sancionar na próxima semana o projeto de lei que autoriza o uso dos nove imóveis públicos para salvar o BRB. Segundo o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, a hipótese preferencial é constituir um fundo imobiliário com esses imóveis. "Não geraria uma prestação, nem iria mexer na Lei de Responsabilidade Fiscal do governo do Distrito Federal. Assim, esses imóveis seriam teriam rentabilidade para aqueles investidores que estariam conosco", afirmou. ➡️ Nesse formato, o fundo inscreve esses lotes como patrimônio e capta investimentos no mercado. Esses investimentos são remunerados a partir do uso e da valorização desses imóveis. É como se, na prática, cada investidor recebesse parte do "aluguel" dos espaços. Há, ainda, a possibilidade de o governo do DF captar um empréstimo em nome do BRB junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O empréstimo ajudaria a capitalizar o banco, mas geraria parcelas fixas a serem pagas pelo BRB nas próximas décadas. Na prática, apenas "rolaria" a dívida enquanto o banco encontra fontes mais sólidas de capitalização. 🔎 O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade. Esse cenário tende a evitar uma intervenção do Banco Central e manter o BRB como banco distrital. 2. Venda de ativos, recuperação de créditos e reestruturação gradual Desde o início do escândalo com o Banco Master, o BRB tenta reorganizar internamente seu patrimônio – o que inclui se desfazer de ativos e operações para reforçar o caixa. O banco estuda, por exemplo, vender carteiras de crédito e participação em subsidiárias como a BRB Financeira. Segundo o BRB, no entanto, os negócios ainda não foram confirmados. "Não há aprovação pelos órgãos competentes, assinatura de instrumentos vinculantes, definição de termos e condições, ou impactos imediatos. Caso alguma alternativa evolua para decisão formal, a Companhia fará a divulgação devida e tempestiva", afirmou o banco em comunicado oficial. No início do mês, o banco também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir "preferência" na distribuição dos recursos do Banco Master que passaram às mãos do liquidante judicial. Também na Justiça, o BRB conseguiu bloquear R$ 376,4 milhões em participações acionárias de Daniel Vorcaro e mais dois investigados. Ao fim do processo, esse valor pode ser reintegralizado ao BRB para cobrir o dano causado pelo escândalo do Master. A conclusão desse processo, no entanto, pode levar meses ou anos. 3. Federalização ou reestruturação profunda Sem garantias e capitalização, há a possibilidade de federalização do banco, hipótese ventilada no debate político local. O risco cresce se o GDF não tiver espaço fiscal para o socorro. ➡️Federalização significa transferir o controle, a gestão, o capital e as decisões do banco para a União ou para um órgão federal. Em entrevista à TV Globo nesta semana, o presidente do BRB negou a possibilidade de liquidação ou federalização do banco. "O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes", afirmou Souza. O g1 procurou o Ministério da Fazenda, o GDF, o Banco Central e o BRB para comentarem sobre a possibilidade de federalização, mas não recebeu retorno. Câmara Legislativa aprova, com maioria dos votos, o projeto de socorro ao BRB 4- Intervenção ou liquidação É o cenário mais catastrófico e mais remoto, que só ganharia força com nova piora da liquidez, ausência de apoio do GDF e perdas elevadas confirmadas. O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, tem dito que a federalização e privatização são cenários fora de cogitação. Novo inquérito da PF foca na atuação de gestores do BRB Projeto aprovado na CLDF A Câmara do DF aprovou o projeto de lei que repassa nove imóveis públicos da capital federal ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). Entenda a cronologia: ➡️O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, se reuniu com os deputados na segunda (2) para explicar a situação patrimonial do banco. ➡️Na terça (3), os deputados se reuniram a portas fechadas para debater o tema e decidir se levava o projeto à votação em plenário. ➡️ No mesmo dia, os parlamentares aprovaram o projeto por 14 votos a favor e 10 contra nos dois turnos. Agora, o texto vai à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). 🔎Os imóveis servirão para lastrear uma captação de até R$ 6,6 bilhões no mercado financeiro. Ibaneis Rocha, governador do DF, em 3 de fevereiro de 2026 TV Globo Quais imóveis o GDF entregou? Confira a nova lista: SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb): R$ 632 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap: R$ 1,02 bilhão; Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década: R$ 491 milhões; "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – parte da Serrinha do Paranoá, trecho verde que abriga centenas de nascentes: R$ 2,2 bilhões; Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Receita Federal identifica irregularidades em MEIs Um CNPJ pode ser desenquadrado do Microempreendedor Individual (MEI) sem que o empreendedor perceba — e, em 2025, isso ocorreu em uma escala inédita. A Receita Federal excluiu 3.942.902 registros do SIMEI, o sistema de tributação do MEI, após revisões cadastrais e cruzamentos de informações. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Esse número, por si só, não revela uma única causa. Ele engloba situações diferentes: cadastros excluídos por inatividade ou abandono, casos em que o negócio cresceu e ultrapassou os limites permitidos ao MEI, entre outras possibilidades. ⚠️ Em muitos casos, essa permanência irregular ocorre de forma deliberada, com omissão de receita ou divisão de faturamento para manter o valor fixo de tributos que caracteriza a categoria. No ano passado, por exemplo, mais de 3,7 milhões das exclusões do SIMEI foram motivadas por cadastros inativos ou abandonados, enquanto o excesso de faturamento representou mais de 83 mil desligamentos. A seguir, veja a lista completa de motivos: Por que tanta gente saiu do SIMEI? Mesmo com o impacto dos cadastros inativos no total, o excesso de faturamento continuou relevante em 2025. Dos mais de 83 mil MEIs que deixaram o SIMEI por ultrapassar o limite anual sem informar a Receita Federal, 82.948 foram de fato desenquadrados por receita acima do permitido. 18.591 MEIs ultrapassaram o limite em mais de 20%; 60.637 ultrapassaram em até 20%; 3.720 excederam o limite no primeiro ano de atividade. O aumento das detecções está diretamente ligado à expansão dos cruzamentos digitais feitos pela Receita Federal. Hoje, o fisco integra dados da e-Financeira, operadoras de cartão, marketplaces, notas fiscais eletrônicas e transações via Pix para identificar discrepâncias entre o faturamento declarado e a movimentação financeira real. 📈 A mudança na fiscalização ficou mais evidente em 2024, quando mais de 571 mil MEIs foram excluídos ou desenquadrados por faturamento acima do limite — um número 30 vezes maior do que no ano anterior. Além dos limites de receita e da manutenção cadastral, o MEI também perde o enquadramento quando passa a se enquadrar em situações de vedação previstas na legislação. Entre elas: exercer atividade econômica não permitida no Anexo XI; incluir sócio, participar de outra empresa ou alterar a natureza jurídica; abrir filial ou manter mais de um estabelecimento; contratar mais de um empregado ou ultrapassar o limite de remuneração permitido; praticar contrabando ou descaminho. Atalho para sonegação Embora grande parte das exclusões de 2025 esteja relacionada a cadastros inativos e ao excesso de faturamento, a Receita Federal também passou a concentrar atenção no uso indevido do MEI como instrumento de sonegação. Isso ocorre porque o MEI paga um valor fixo de tributos por mês, enquanto micro e pequenas empresas recolhem impostos proporcionais ao faturamento. Entre as exigências para permanecer no regime estão: faturar até R$ 81 mil ao ano; possuir, no máximo, um funcionário; não ter outras empresas em seu nome; atuar somente em atividades permitidas; ter conta gov.br em níveis Prata ou Ouro; não ser servidor público federal ativo. Quando alguém que já não se enquadra no perfil do regime permanece como MEI para ocultar faturamento, configura-se uma forma de sonegação: o contribuinte omite receitas ou fragmenta atividades para evitar os impostos que pagaria se estivesse no regime adequado. Quando vira fraude? 🚫 A irregularidade vira fraude quando há intenção de enganar. Entre os métodos mais identificados pela Receita estão: abertura de MEIs em nome de terceiros para dividir faturamento; uso de múltiplas maquininhas ou contas bancárias para dispersar receitas; registro de operações de alto valor por meio de um CNPJ de MEI; subdeclaração na DASN-SIMEI; omissão de pagamentos em dinheiro ou PIX. Essas práticas são usadas para manter artificialmente a tributação reduzida do MEI mesmo quando o negócio já opera em escala maior. A omissão intencional de receita pode configurar crime contra a ordem tributária (Lei 8.137/90), com pena de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa. Também há risco de enquadramento por falsidade ideológica quando informações sabidamente falsas são declaradas. As penalidades administrativas incluem: desenquadramento retroativo; multas que chegam a 75% do imposto devido, podendo dobrar em caso de fraude; exclusão do Simples Nacional. No desenquadramento retroativo, o CNPJ deixa de ser MEI desde a data da infração, e todos os tributos são recalculados como se fosse microempresa. Quando o faturamento excede o limite em mais de 20%, a retroatividade volta automaticamente para janeiro do ano da infração. Fachada da Receita Federal, em Brasília. Marcelo Camargo/Agência Brasil Fiscalização Hoje, a Receita utiliza principalmente o cruzamento digital para identificar irregularidades. As informações vêm da e-Financeira, das operadoras de cartão de crédito, dos marketplaces, das notas fiscais eletrônicas e das transações por PIX. Esses dados revelam inconsistências como despesas superiores às receitas declaradas, compras incompatíveis com o faturamento informado, ausência de emissão de notas fiscais e movimentações acima do padrão esperado para um MEI. Para Ruzene, a maior parte das irregularidades não ocorre por desconhecimento, mas por tentativa de reduzir a carga tributária. Ele destaca que quem abre um MEI passa por sistemas com orientações claras sobre limites e obrigações. “Se não o faz, não é por desconhecimento nem por falta de acesso à informação de qualidade.” Para permanecer dentro da legalidade, o especialista recomenda que o contribuinte seja transparente em relação aos dados bancários e de compras. Se esses dados forem compatíveis com os declarados na DASN-SIMEI, o risco de autuação e desenquadramento é mínimo. Além disso, Ruzene destaca algumas medidas práticas que ajudam o empreendedor a manter o negócio em ordem: 📊 Monitoramento mensal do faturamento: mantenha um controle próprio e atualizado do fluxo de caixa. Não dependa da memória ou apenas dos extratos bancários. Registre todas as vendas, tanto de produtos quanto de serviços. 📦 Gestão das compras e atenção ao equilíbrio entre entradas e saídas: a Receita costuma presumir omissão de receita quando o volume de compras ultrapassa 80% do faturamento declarado. Acompanhar essa relação evita interpretações equivocadas. 🔐 Separação rígida entre contas pessoal e empresarial: evite misturar contas. Não use a conta jurídica do MEI para despesas pessoais nem receba pagamentos em contas de pessoa física. O cruzamento de dados via PIX e e‑Financeira identifica rapidamente esse tipo de inconsistência. 💳 Cuidado com meios de pagamento eletrônicos: operadoras de cartão e plataformas financeiras informam transações à Receita por meio da DIMP. A soma de todas as maquininhas e chaves Pix deve refletir o faturamento real e respeitar o limite anual do MEI. 📈 Planejamento da expansão do negócio: se o faturamento tende a estourar o limite no fim do ano, o ideal é planejar a migração voluntária para microempresa a partir de janeiro. Esse movimento evita multas e impede o desenquadramento retroativo. 🧾 Emissão regular de notas fiscais: mesmo dispensado de emitir nota para pessoas físicas, o MEI pode usar a nota fiscal como ferramenta de controle. Emitir notas facilita acompanhar o próprio faturamento e reduz o risco de ultrapassar o limite sem perceber.

BYD Atto 8: os absurdos do híbrido mais caro da BYD Apresentado no Salão do Automóvel de 2025, o BYD Atto 8 será o híbrido mais caro e mais completo do portfólio da marca no Brasil. Só perde em preço para o Tan porque não é 100% elétrico. Por R$ 399.990, a montadora quer ganhar espaço no mercado de híbridos — hoje tem cerca de 30% do market share — ao trazer ao país uma opção de SUV de luxo, equipado até os dentes de tecnologia e com bastante espaço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Nesta semana, a marca mostrou o modelo em detalhes e permitiu uma breve experiência ao volante, para que jornalistas pudessem conhecer os principais atributos do lançamento. De início, o espaço é um dos pontos fortes. O Atto 8 tem 20 centímetros a mais de entre-eixos que o Toyota Hilux SW4, o segundo utilitário de sete lugares mais vendido do Brasil. Na prática, um motorista de 1,90 metro deixaria os passageiros da segunda fileira muito confortáveis. A terceira fileira, claro, não acompanha esse grau de conforto. Acessar os assentos do fundo não foi fácil, mesmo para uma pessoa de 1,65 metro. Ao menos há apoio de braço e saída de ar-condicionado. Os passageiros dali vão no aperto, mas não passam calor. A BYD faz o máximo para dar conforto aos viajantes. Há controle de zona para as saídas de ar-condicionado nas fileiras traseiras. O ajuste é feito em uma tela que reúne temperatura, direção do fluxo, intensidade do ar e a opção de deixar tudo no modo automático, para que o carro ajuste o sistema até atingir a temperatura desejada. O couro se mostrou macio e quem viaja na segunda fileira de bancos ainda conta com mimos extras nada comuns em carros deste preço: ventilação, aquecimento e massagem que estão presentes também para o motorista e o passageiro ao lado. Sem a última fileira, o Atto 8 tem 960 litros de porta-malas. É tão grande que um adulto com mais de 1,70 metro consegue até se deitar no assoalho acarpetado. Como anda o BYD Atto 8 BYD Atto 8 divulgação/BYD As impressões ao volante do SUV serão analisadas com mais profundidade no futuro. O primeiro contato do g1 com o carro foi bastante limitado e permitiu apenas destacar os pontos mais chamativos. O primeiro deles é o desempenho, que vai bem: os 488 cv de potência combinada, com torque imediato do híbrido, são suficientes para não deixar o gigante de 2.650 kg parecer lento. Não foi possível avaliar a aceleração de 0 a 100 km/h, mas a marca promete que o Atto 8 cumpre a prova em 4,9 segundos — um número que não desaponta e é o mesmo de um Porsche 718 Cayman. Fica claro que o conjunto é mais do que suficiente para uso urbano e rodoviário, em qualquer situação. Durante o percurso, não houve nenhuma situação em que o Atto 8 desse a entender que faltaria força, até mesmo em pisos sem asfalto, já que o Atto 8 tem tração integral. Ela vem dos dois motores elétricos, um em cada eixo trabalhando junto do a combustão. Inclusive, um ponto relevante no teste ao volante foi o acerto da suspensão, que não lembra em nada os primeiros modelos da BYD vendidos no Brasil. O Atto 8 é mais firme, mas sem deixar de absorver as irregularidades do asfalto. O teste ter ocorrido apenas na cidade ajudou a perceber que os amortecedores não têm o estilo “joão-bobo” de antes — um molejo confortável, mas pouco seguro em velocidades mais altas. BYD Atto 8 Outro ponto que ficou evidente foi a capacidade de rodar no modo 100% elétrico. A bateria é de 35,6 kWh, a maior de um híbrido da BYD. Segundo o Inmetro, o Atto 8 percorre 111 km com apenas uma carga. Não é, porém, o híbrido com maior alcance para as baterias. Essa posição é ocupada pelo GWM Wey 07, com 128 km de autonomia. O painel de instrumentos é um dos mais completos e organizados já vistos em um BYD. Os comandos estavam bem distribuídos, sem exageros ou dados duplicados: velocidade, potência consumida, música tocando e até o mapa com a rota traçada. A tela não parecia poluída mesmo quando a imagem da câmera lateral aparecia com a seta acionada. É um recurso interessante, mas não exatamente inovador. Mesmo assim, agradou. O que incomodou, quando ao volante, foi a quantidade de alertas sonoros emitidos pelo carro. Era quase uma sinfonia de avisos, que chegava a atrapalhar a música que tocava. BYD Atto 8 por dentro Mercado de luxo pode ser favorável à BYD Um estudo da McKinsey, publicado em 2025, mostra que apenas 37% dos clientes de marcas de luxo se consideram leais a uma marca. Dos entrevistados, 35% afirmaram que considerariam mudar de marca e 28% disseram que provavelmente fariam isso já na próxima compra. A aposta da BYD para o Atto 8 é olhar para esse cliente em dúvida. O desejo da BYD é que profissionais bem-sucedidos e suas famílias tirem o olho de carros tradicionais da garagem dos endinheirados, como: Volvo XC60: a partir de R$ 459.950; Audi Q5: a partir de R$ 424.990; Lexus NX 450h+: a partir de R$ 480.990; BMW X2: a partir de R$ 410.950. Em comum, todos são SUVs de marcas premium ou de luxo, voltados a clientes que valorizam acabamento, tecnologia e conforto, mas sem a opção de sete lugares. Preço, mais espaço interno, potência e mais tecnologia fazem parte da estratégia da BYD para compensar a falta de outro item importante desta lista: o logo que estampa a frente, traseira e a chave do carro. A aposta da BYD é quem está aberto ao teste, e o Atto 8 serve para impressionar. i

Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações. O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana. Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30. Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia. Escalada da guerra no Irã A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a “rendição incondicional" do Irã. O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico. Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem. Ataques também atingiram navios que transportam petróleo. Em terra, o conflito também se intensificou. O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos. No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos. Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia. Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades. O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação. Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters Rotas de petróleo entram em alerta Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias. Outros países também adotaram medidas emergenciais. A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes. O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo. Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e inflação A alta do petróleo já começa a gerar preocupações sobre seus efeitos na economia global. Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores. “O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil”, explica. De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo. “O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final”, afirma. Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas. “Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas”, diz. Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar. Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã Os preços do petróleo dispararam cerca de 30% nesta semana, para níveis sem precedentes desde 2023, num contexto em que o conflito no Oriente Médio paralisa boa parte dos fluxos de hidrocarbonetos provenientes do Golfo Pérsico. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O barril de Brent do Mar do Norte fechou nesta sexta-feira (6) em 92,69 dólares, o que representa um aumento de mais de 8% em relação à quinta-feira e de 27,88% na semana. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), encerrou em 90,90 dólares, uma alta de mais de 12% na sessão e de 35,63% na semana. Em poucas sessões, os preços encareceram mais de 20 dólares por barril. Desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares. "Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas", comenta à AFP Ole R. Hvalbye, analista do SEB. "Preocupam-me muito as consequências de longo prazo", em particular a eclosão de uma recessão econômica, acrescenta. O aumento das cotações acelerou-se ainda mais nesta sexta-feira após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma "capitulação" do Irã. O país é um importante produtor de petróleo. Mas o conflito teve sobretudo como consequência paralisar o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial do óleo bruto. "O mercado está passando de uma avaliação puramente geopolítica dos riscos a levar em conta perturbações operacionais tangíveis", destacam em nota os economistas do JPMorgan. "A cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mercado petrolífero fica mais tenso", explicou à AFP Giovanni Staunovo, analista do UBS. Medidas adotadas Alguns países do Golfo já foram obrigados a reduzir o ritmo de sua atividade. "O Iraque já diminuiu seu fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, e o Kuwait parece estar atingindo seus limites de armazenamento e, na prática, fechando a maior parte de sua capacidade de refino destinada à exportação", segundo os especialistas do JPMorgan. Para prevenir a escassez, a China pediu às suas principais refinarias que suspendam suas exportações de diesel e gasolina, de acordo com a agência Bloomberg. E na quinta-feira o governo dos Estados Unidos autorizou, por um mês, o fornecimento à Índia de petróleo russo submetido a sanções, enquanto o conflito no Oriente Médio afeta diretamente o abastecimento de Nova Délhi. A Marinha americana escoltará os navios mercantes que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz "assim que for razoável", assegurou nesta sexta o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright. "Isso pode facilitar a retomada do tráfego, mas não ao nível de antes da guerra", alertam os analistas da Eurasia Group. Segundo Jason Gabelman, da TD Cowen, a reação do mercado tem sido até agora "moderada" graças a "estoques saudáveis" que "poderiam cobrir até um mês de fechamento" do Ormuz. Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. SAHAR AL ATTAR / AFP

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou novas regras para passageiros que violam e desrespeitam regras ou comprometem a segurança de pessoas a bordo de aeronaves ou nas dependências do aeroporto. Os atos incluem agressões físicas ou verbais durante o voo, tumultos a bordo e danos à infraestrutura aeroportuária, por exemplo. 🔎A norma regulamenta a Lei do Voo Simples e passa a valer 6 meses depois da data de publicação no Diário Oficial. Durante esse período, a Anac, as companhias aéreas e a Polícia Federal farão ajustes em relação ao compartilhamento de informações entre os órgãos. As punições podem levar a multas de até R$ 17,5 mil e proibição de realizar voos domésticos. As sanções serão aplicadas conforme a gravidade dos atos praticados. A proposta estabelece um procedimento padronizado para lidar com passageiros indisciplinados, que começa pela aplicação de advertências verbais e pode chegar ao acionamento de autoridades policiais, retirada de pessoas da aeronave e aplicação de punições mais graves pela Anac. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em casos de retirada do voo, a companhia aérea não terá obrigação de transportar o passageiro até o destino final nem de oferecer assistência material, como hotel, alimentação ou reacomodação. Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), os casos que envolvem passageiros indisciplinados cresceram 66% em 2025, em relação ao ano anterior. Foram registradas, ao todo, 1.764 ocorrências no ano passado. Policiais federais entram em avião para retirar passageiro Daiana Cordeiro/Acervo pessoal 'No Fly List', os passageiros proibidos de voar Para casos classificados como gravíssimos, o passageiro poderá ser incluído em uma lista restritiva de impedimento de voo, conhecida como “No Fly List”. Nesses casos, válidos apenas para voos domésticos, a pessoa será impedida de comprar passagens aéreas e embarcar em voos, caso já tenha adquirido algum. A proibição valerá para todas as companhias aéreas. Haverá restituição total dos valores gastos nas passagens nas situações de impedimento de embarque em voos futuros. Outros países e companhias já punem passageiros A França endureceu as regras contra passageiros indisciplinados no fim do ano passado. Quem tumultuar ou perturbar a tranquilidade na aeronave será multado em até 20 mil euros – o equivalente a aproximadamente R$ 124.240, e poderá ser proibido de viajar por quatro anos. A maior companhia europeia de voos domésticos, RyanAir, também aplica multas a passageiros que tenham condutas que levem à expulsão de voos. O valor inicial é de 500 libras. Avião da Ryanair AFP A Índia tem um dos sistemas mais detalhados da chamada “No Fly List”. Para infrações leves a proibição de voar é de até 3 meses, para níveis mais graves passa a ser de 6 meses e em casos de ameaça à segurança o impedimento é de, no mínimo, 2 anos. Os Estados Unidos aplicam sanções severas a passageiros indisciplinados, fiscalizadas pela Federal Aviation Administration (FAA), a agência do governo responsável pela aviação civil do país. Interferir nas funções da tripulação é considerado violação da lei federal e as multas podem chegar a mais de US$ 43 mil por infração. Passageiro retirado de voo em Brasília Em janeiro deste ano um passageiro precisou ser retirado de um voo pela polícia federal (PF) por causa de uma discussão com a tripulação sobre o modo avião de celular. Passageiro é tirado de voo em Brasília após conflito sobre 'modo avião' de celular Segundo passageiros ouvidos pelo g1, o homem afirmou que não colocaria o celular no modo avião e se negou a mostrar o aparelho. A tripulação pediu que ele desembarcasse, mas, diante da recusa, acionou a PF. O voo, que saía de Brasília com destino ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, decolou com quase 2h de atraso por causa do ocorrido.

O governo de Donald Trump emitiu nesta sexta-feira (6) uma autorização para a venda de parte do ouro venezuelano aos Estados Unidos, em uma nova flexibilização das sanções de Washington contra Caracas desde a queda de Nicolás Maduro no início do ano. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo um documento publicado no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, as transações com a Companhia Geral de Mineração da Venezuela (Minerven) ou suas filiais voltam a estar autorizadas. A licença permite, por enquanto, apenas as trocas por meio dos Estados Unidos e para empresas estabelecidas no país, as quais estão autorizadas a reexportar o metal precioso. Ela prevê um procedimento de rastreabilidade para garantir que o ouro provenha efetivamente da Venezuela e proíbe transações com destino ao Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba, uma condição que já se aplica às vendas de petróleo venezuelano. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os Estados Unidos já voltaram a autorizar a exportação de petróleo venezuelano. Mas mantêm o controle sobre o processo: o produto gerado pela venda do petróleo bruto, assim como os impostos vinculados, devem ser depositados em um fundo específico supervisionado pelo Departamento do Tesouro e atualmente sediado no Catar. Este procedimento também será aplicado às vendas de ouro. A licença do Tesouro sobre o ouro venezuelano se tornou pública depois que o secretário do Interior do governo Trump, Doug Burgum, concluiu na quinta-feira (5) uma visita de dois dias à Venezuela, e ambos os países anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas. Burgum, que durante a visita manteve conversas com a presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, disse que dezenas de empresas haviam manifestado interesse em investir na Venezuela. O governo Trump afirma que administra de fato a Venezuela e controla os vastos recursos naturais do país após a derrubada de Maduro durante uma incursão de forças especiais americanas em 3 de janeiro. Após a captura de Maduro e da esposa, Cilia Flores, que foram levados de avião para Nova York para serem julgados por acusações de narcotráfico, o secretário de Energia de Trump, Chris Wright, tornou-se em fevereiro o primeiro alto funcionário dos Estados Unidos a viajar para a Venezuela. Além do petróleo, a Venezuela é rica em minerais como ouro e diamantes, além de bauxita, coltan e outros materiais raros usados para fabricar computadores e telefones celulares. Barras de ouro Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa após chegar ao Texas, em 27 de fevereiro de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz A agência alfandegária dos Estados Unidos está preparando um sistema que ficará pronto dentro de 45 dias para processar reembolsos relacionados às tarifas de importação impostas pelo presidente do país, Donald Trump. As sobretaxas foram consideradas ilegais pela Justiça norte-americana e os importadores não terão que arcar com elas, disse um representante norte-americano nesta sexta-feira (6). A declaração de Brandon Lord, um dos principais funcionários da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), foi feita enquanto os advogados do governo se reuniam com um juiz federal de comércio para definir um processo de devolução de US$ 166 bilhões em pagamentos de tarifas para cerca de 330.000 importadores. As tarifas, que eram uma parte central da política econômica do presidente Donald Trump, foram consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte dos EUA no mês passado. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 No entanto, a Suprema Corte não informou como as tarifas cobradas deveriam ser reembolsadas, o que preocupou os pequenos importadores, pois o processo seria proibitivamente caro e demorado. "Esse novo processo exigirá um mínimo de apresentação por parte dos importadores", disse Lord em sua declaração, que foi protocolada na Corte de Comércio Internacional dos EUA no momento em que os advogados do governo Trump começaram a se reunir com o juiz Richard Eaton, da Corte de Comércio Internacional dos EUA. Eaton convocou a reunião para discutir como o governo dos EUA executará sua ordem emitida na quarta-feira, instruindo o CBP a começar a reembolsar tarifas a possíveis centenas de milhares de importadores usando o processo interno existente da agência. Lord disse que a agência alfandegária prevê que o processo de restituição exigirá que os importadores apresentem uma declaração ao sistema de computador do CBP, conhecido como ACE, detalhando os pagamentos de tarifas, e que o sistema e o CBP validarão esses pagamentos e processarão as restituições com juros. Cada importador receberá um único pagamento do Departamento do Tesouro dos EUA, independentemente de quantas entradas separadas de mercadorias o importador tiver feito. Lord não estimou quanto tempo levará para processar as restituições, mas disse que o CBP não será capaz de cumprir a ordem de Eaton na quarta-feira. Eaton contemplou um sistema no qual os reembolsos seriam automaticamente devolvidos aos importadores por meio da plataforma existente, sem documentação ou informações do importador. "Os procedimentos administrativos e a tecnologia existentes não são adequados para uma tarefa dessa escala e exigirão trabalho manual que impedirá que o pessoal cumpra integralmente a missão de fiscalização da agência", disse Lord ao explicar por que a CBP não poderá usar o sistema existente. A ordem de Eaton vai exigir que a agência revise manualmente a documentação de cada encomenda, um processo que, segundo Lord, exigirá mais de 4 milhões de horas de trabalho.

Cúpula do Brics no Rio de Janeiro em 2025 Eraldo Peres/AP/dpa/picture alliance A ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e a retaliação subsequente do regime de Teerã contra países do Golfo expuseram um racha interno no Brics, que não só deixou de emitir uma declaração conjunta até o momento como mostrou posicionamentos públicos divergentes entre seus membros. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Atualmente, o Brics é formado por dez países: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. A Arábia Saudita costuma ser listada como membro, mas ainda não oficializou seu ingresso. Enquanto países como Brasil, Rússia e China emitiram notas condenado a ofensiva conjunta de Israel e os EUA contra o Irã, outros membros, como Emirados Árabes Unidos e Índia se concentraram em condenar as retaliações do Irã. A África do Sul, por sua vez, tentou se equilibrar manifestando preocupação com a escalada do conflito. A falta de coesão e de um posicionamento conjunto contrasta com a reação conjunta observada em junho de 2025, na guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã e que também contou com participação dos EUA. Veja os vídeos que estão em alta no g1 À época, quando a presidência era ocupada pelo Brasil, os dez países do bloco divulgaram uma nota conjunta classificando os ataques israelenses como uma "violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas". O mesmo texto também pedia a abertura de "canais de diálogo" com o objetivo de "desescalar a situação e resolver suas divergências por meios pacíficos". O conflito de 2026 tem diferenças com a guerra de 12 dias do ano passado. Há oito meses, o Irã também retaliou a ofensiva israelense, mas suas ações militares não atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita como ocorreu desta vez. Oficialmente, o Irã afirma que só tem mirado bases dos EUA em países do Oriente Médio. "Não estamos atacando nossos vizinhos nos países do Golfo Pérsico, estamos atacando a presença dos EUA nesses países", disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi. No entanto, foram registrados danos em alvos sem relação direta com os militares dos EUA, como aeroportos civis, refinarias e até prédios de luxo. Em resposta, a Arábia Saudita advertiu que "se reserva ao direito" de reagir ao que chamou de "ataque covarde do Irã". Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos afirmaram descartar ação militar contra o Irã e apelaram para que as Nações Unidas busquem uma solução para o conflito. Para especialistas, a estratégia do Irã de levar o conflito a monarquias do Golfo visa pressionar esses países a cobrarem os EUA por um cessar-fogo. Além da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, mísseis e drones do Irã também atingiram alvos no Bahrein, Catar, Omã, Jordânia, Síria, Iraque e Kuwait. Emirados Árabes Unidos sofreram danos provocados pelo Irã Reuters Racha pós-expansão Em 2001, o economista Jim O'Neill cunhou o termo Bric para identificar Brasil, Rússia, Índia e China como economias que cresciam rapidamente e que tinham potencial para se tornar potências econômicas globais até 2050. Apesar das diferenças em ideologias políticas e estruturas sociais, os formuladores de políticas dos quatro países passaram a trabalhar juntos, inicialmente por meio de conversas informais. Com a consolidação das negociações, a primeira cúpula dos países foi realizada em Ecaterimburgo, na Rússia, em 2009. Um ano depois, a África do Sul foi convidada a juntar-se ao bloco emergente, acrescentando o "S" ao acrônimo Brics. Entre 2023 e 2025, o bloco passou por uma grande expansão, ganhando seis novos membros: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. (Os sauditas foram convidados, mas passaram a evitar oficializar a entrada após seus aliados dos EUA começarem ameaçar com tarifas países que se alinharem ao bloco. À época, a expansão foi em grande resultado de pressão da China, enquanto o Brasil tentou resistir por temor de perder protagonismo no grupo. Após a expansão, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, também afirmou que o grupo "não poderia se expandir indefinidamente", sob o risco de perder "coesão". Em abril de 2025, um encontro do Brics que reuniu ministros do Exterior dos países do bloco já havia terminado sem a divulgação de comunicado conjunto, mas posteriormente, em julho, na reunião de líderes, os membros chegaram a um consenso em temas como reforma das Nações Unidas e solução de dois Estados para os territórios palestinos e Israel, resultando numa declaração oficial. Posições divergentes sobre o atual conflito No momento, a presidência rotativa do Brics é ocupada pela Índia, que mantém relações estreitas com os Estados Unidos e Israel. Entre diplomatas brasileiros, não há expectativa que os indianos convoquem uma reunião para articular um posicionamento comum em relação ao atual conflito. Entre os quatro membros fundadores do Brics, a posição indiana é a que mais tem contrastado. O premiê indiano, Narendra Modi, evitou comentar num primeiro momento o ataque israelense que matou o "líder supremo" do Irã, Ali Khamenei, preferindo condenar publicamente a retaliação iraniana que provocou danos na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, além de denunciar o que chamou de "violação da soberania e da integridade territorial" do Kuwait, Catar e Omã. Nenhuma declaração semelhante em relação ao Irã foi divulgada pelo premiê. No último domingo (01/03), Modi também relatou que teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse ter transmitido "preocupações da Índia" e reiterado "a necessidade de um rápido fim das hostilidades". Modi também não relatou ter contatado qualquer autoridade iraniana. A posição de Modi provocou críticas de membros da oposição indiana. Brasil tentou resistir à expansão que ampliou grupo para dez membros Li Xueren/Xinhua/picture alliance Já a Rússia e a China foram explícitas em se posicionar contra a ação israelo-americana contra o Irã. Poucas horas depois de as bombas israelenses e americanas começarem a atingir Teerã, o representante da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, classificou o ataque como um "ato não provocado de agressão armada contra um Estado-membro soberano e independente da ONU". Em nota, o governo russo também chamou a ação dos EUA e Israel de "irresponsável", "premeditado" que viola "os princípios e normas fundamentais do direito internacional". A Rússia é um dos poucos aliados do regime de Teerã e nos últimos anos dependeu dos iranianos para o fornecimento de drones militares para uso na frente de guerra ucraniana. A China, compradora petróleo iraniano, por sua vez, se expressou em termos semelhantes aos da Rússia, com uma porta-voz afirmando que "os ataques dos EUA e de Israel não foram autorizados pelo Conselho de Segurança da ONU e violam o direito internacional". No entanto, nem Moscou nem Pequim emitiram sinais de que pretendem ir além das condenações verbais contra as ações de Israel e EUA, sinalizando que não vão correr para socorrer os iranianos. A África do Sul, que tem relações hostis com Israel e paralelamente tenta encontrar algum equilíbrio com os EUA de Donald Trump, divulgou uma posição mais genérica. Por um lado, em nota, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou em relação à ofensiva israelo-americana que "a autodefesa antecipada não é permitida pelo direito internacional", mas se concentrou em argumentar que "o confronto militar nunca trouxe uma paz sustentável" e pedir uma solução diplomática. A declaração não menciona os países envolvidos e em geral usa linguagem menos direta que a China e Rússia. Brasil e membros restantes Entre os membros originais do Brics, o Brasil foi a única democracia que divulgou uma condenação explícita contra a ofensiva de EUA e Israel, mencionando diretamente os dois países. "O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região", afirmou o Itamaraty, em nota divulgada no último sábado (28/02). Na segunda-feira, foi a vez de o Itamaraty divulgar uma nova nota, condenando a retaliação do Irã contra países do Golfo. "O Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. O Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia — objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro." Entre os outros membros novatos do Brics, a Indonésia usou linguagem genérica em seu posicionamento, "lamentando o fracasso nas negociações entre os EUA e o Irã" e apelando para que as partes priorizem a diplomacia. O país também se ofereceu como mediador. A Etiópia, por sua vez, se mantém discreta, e expressou publicamente solidariedade ao Kuwait, alvo de retaliação do Irã. Aliado dos EUA, mas receoso do aumento da força de Israel no Oriente Médio, o Egito evitou comentar a ofensiva inicial dos israelo-americana, preferindo instar o Irã a parar de lançar ataques a alvos em países do Golfo e pedir que todos os lados demonstrem contenção.

Em fevereiro, o preço da carcaça suína registrou elevação de 10,8% na comparação com janeiro, passando para R$ 13,20 o quilo. Arquivo Secom Os preços médios do suíno vivo registraram quedas de até 20% em fevereiro de 2026 nas regiões produtoras no interior de São Paulo, incluindo Piracicaba (SP). O movimento de baixa nas cotações no período pode ser explicado pela baixa procura da indústria por lotes de animais no mercado independente. O mês de março deve deixar os agentes do setor ainda mais atentos aos recuos, devido ao conflito no Oriente Médio. Entenda mais, abaixo. "Resultou em um desarranjo da oferta interna", analisam pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) do campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba (SP), divulgado nesta última quarta-feira (4). O suíno vivo foi negociado à média de R$ 6,91 o quilo em fevereiro deste ano. No mês anterior, o animal era cotado em R$ 8,24 o quilo, uma baixa de mais de 16%, na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba). Na comparação com fevereiro de 2025, quando o produto era vendido a R$ 8,66/kg, a desvalorização alcança 20%. "Agentes do setor consultados pelo Cepea estão atentos ao conflito no Oriente Médio, envolvendo principalmente o Irã e que pode se alastrar para outros países. Apesar de a região como um todo não ser um destino importante da carne suína brasileira (por conta sobretudo da religião), o fechamento de canais de escoamento estratégicos e o consequente aumento nos valores dos fretes e seguros marítimos têm gerado preocupações, sobretudo entre exportadores", analisa do Cepea. Veja também Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil; entenda Guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil; entenda Segundo semestre de 2025 Além dos preços mais firmes de venda do suíno vivo, levantamento do Cepea aponta que o valor médio do animal em setembro, de R$ 9,25 o quilo , foi o maior de 2025 –, esse cenário favorável ao suinocultor é influenciado pelas recentes fortes desvalorizações do farelo de soja. A Equipe de Grãos do Cepea mostram que a tonelada do derivado negociado na região de Campinas registrou média de R$ 1.660,53 em setembro, sendo 21,7% abaixo da verificada no mesmo período do ano passado. USP analisa movimentos de preços das carnes concorrentes e reflexos da estiagem em agosto Os preços do suíno vivo e da carne de porco mantiveram altas desde o fim do primeiro semestre de 2025 e as cotações de agosto seguiram firmes, contrariando cenário típico de recuos para esse período do ano. 🐖O mercado independente do suíno vivo, segundo o Cepea, foi favorecido pela demanda aquecida, típica no começo do mês e que ajudou a impulsionar as cotações. Na segunda metade de agosto, a procura seguiu firme, e os valores não recuaram como tradicionalmente ocorre. Desta forma, as médias mensais dos preços do vivo em quase todas as praças acompanhadas pelo Cepea avançaram em relação a julho", observa o Cepea em boletim desta quinta-feira. Quanto à carne, pesquisadores explicam que a demanda também esteve bastante elevada em agosto, levando a aumentos nas cotações da maior parte dos produtos suinícolas no período. 📈O indicador do Suíno Vivo Mensal Cepea/Esalq fechou em R$ 8,57 em Minas Gerais, R$ 8,27 no Paraná, R$ 8,15 no Rio Grande do Sul, R$ 8,19 em Santa Catarina e R$ 8,76 em São Paulo em agosto. Preços da carne suína aumentam em junho Reprodução/TV TEM VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

Veículos da Stellantis produzidos no Brasil para exportação Divulgação / Stellantis As montadoras brasileiras podem não aproveitar uma nova onda de exportações em 2026. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o primeiro bimestre registrou 59,4 mil unidades exportadas, contra 82,4 mil no mesmo período do ano passado. Trata-se de uma queda de 28% nas exportações de veículos em 2026, com destaque para o recuo da Argentina. Os embarques para o país vizinho caíram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades entre janeiro e fevereiro, uma redução de 7,5%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp “Causa preocupação a retração expressiva nas exportações para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025”, afirma o presidente da Anfavea, Igor Calvet. Em 2025, a Argentina foi a principal responsável pela alta de 32% nas exportações de veículos brasileiros. Das 528 mil unidades enviadas ao exterior, 302 mil tiveram como destino o país vizinho. Na comparação com o ano anterior, a alta havia sido de 85%. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Agora, os emplacamentos de automóveis na Argentina em fevereiro caíram 37% em relação a janeiro. O resultado reflete as incertezas do mercado em relação às reformas implementadas recentemente pelo presidente Javier Milei. O resultado das exportações brasileiras só não foi pior por causa dos números do México, que cresceram 318%. No último mês, os embarques para o mercado mexicano saltaram de 2,2 mil para 9,1 mil veículos em relação a janeiro. Já o Chile registrou aumento de 34,1%, passando de 1,6 mil para 2,2 mil unidades. Vendas no Brasil com boa média diária Os dados da Anfavea mostram que as vendas de veículos no Brasil somaram 355,7 mil unidades no primeiro bimestre, uma queda de 0,1% em relação ao mesmo período de 2025. À primeira vista, o número indica estabilidade. Porém, houve aumento de 1,8% nas vendas de automóveis e comerciais leves, que passaram de 334,1 mil para 340,1 mil unidades. Já as vendas de caminhões e ônibus caíram 29,4%, de 22,1 mil para 15,6 mil unidades. Em fevereiro, a média diária de vendas foi de 10,3 mil veículos, na comparação com o mesmo mês de 2025 — a segunda melhor média diária dos últimos dez anos. Já a produção de veículos no Brasil no bimestre foi de 338 mil unidades, queda de 8,9% em relação aos dois primeiros meses de 2025. Os veículos eletrificados acumularam 28,1 mil unidades vendidas, das quais 43% são nacionais. “Esse já é um sinal dos investimentos em tecnologia e produção anunciados pelas fábricas nos últimos anos”, explica o presidente da Anfavea. Taxa Selic alta é inimiga Segundo Calvet, o aumento da taxa Selic ao longo de 2025 pressionou a indústria e o mercado consumidor. “A Selic nesse nível tem o poder de afetar negativamente os investimentos e o poder de consumo. A Selic atinge fortemente os emplacamentos de veículos pesados”, explica. Mesmo com a expectativa de recuo da Selic em 2026, a previsão da Anfavea é que os reflexos demorem a ser sentidos. “O Comitê de Política Monetária já sinalizou que estamos no caminho de redução da Selic, mas o mercado leva, em média, sete meses para sentir o efeito do ajuste. Portanto, devemos ter respostas no começo de 2027”, diz Calvet. Impacto da guerra no Oriente Médio A guerra no Oriente Médio já provoca reflexos no preço do barril de petróleo e na cadeia logística. “Ainda não há alerta de desabastecimento de componentes e matérias-primas, mas estamos monitorando a situação com as fábricas no Brasil”, diz Calvet. Segundo ele, ainda não está claro qual será o impacto do conflito na produção de automóveis no país.

GAC GS3: SUV 'esconde' origem chinesa para disputar mercado de carros a combustão O foco recente do setor automotivo chinês está nos veículos eletrificados, mas o GAC GS3, anunciado nesta sexta-feira (6), faz uma curva de 180 graus e chega ao Brasil apenas com motor a combustão — e nem está entre os mais econômicos. O carro está em pré-venda com sinal de R$ 4 mil, com as primeiras entregas previstas para começar nas duas últimas semanas de março. A GAC não revelou o preço do GS3, mas o g1 apurou que ele custará menos de R$ 200 mil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp GAC GS3 divulgação/GAC Nas dimensões, o GS3 tem porte de SUV que já virou figurinha comum nas ruas brasileiras. No visual, porém, mira em um caminho pouco explorado tanto por chinesas como por marcas tradicionais: a esportividade. Isso fica claro no escapamento com ponteira dupla cromada na traseira, junto de difusores — solução típica de carros esportivos. Outro elemento que reforça a proposta esportiva está nas linhas. As curvas são raras: quase tudo é marcado por ângulos retos. Isso aparece nos vincos da carroceria, no aerofólio traseiro, no desenho dos faróis e das lanternas, e chega até aos retrovisores. Lembra o visual cheio de linhas retas das Lamborghinis mais antigas, como a Diablo? É mais ou menos esse o caminho. Há também um toque de retrofuturismo, que traz o DMC DeLorean na lembrança, famoso pelo desenho quase todo formado por ângulos retos. GAC GS3 Comparar o novo SUV com modelos americanos ou europeus não é por acaso. Por fora, o GS3 foge do minimalismo tão associado aos carros chineses. Para quem vê rapidamente, ele pode até lembrar modelos recentes da Hyundai, Peugeot ou da Renault, sobretudo pela grande tomada de ar frontal. Para completar o pacote esportivo, o GS3 chega ao Brasil com uma única motorização. É um motor 1.5 turbo que gera 170 cv, aliado a um câmbio automatizado de dupla embreagem. Entre SUVs de dimensões semelhantes, perde apenas para o 1.6 turbinado do Hyundai Creta na versão mais cara. Além do visual ousado, as dimensões colocam o GS3 20 centímetros à frente do Volkswagen T-Cross em comprimento, com 9 centímetros a mais de largura e o mesmo entre-eixos. Na prática, pela fita métrica, ele se aproxima mais de SUVs médios como o Volkswagen Taos. Se por fora o GS3 não parece chinês, por dentro a origem aparece apenas no minimalismo das texturas do acabamento do painel. No restante, a inspiração é claramente ocidental. GAC GS3 Lista de equipamentos do GAC GS3 No Brasil o GS3 chega em duas versões, onde a única diferença está na quantidade de itens de série em cada uma: GAC GS3 Elite Central multimídia de 14,6 polegadas; Painel de instrumentos digital; Faróis de LED com acendimento automático; Câmera de ré; Freio de estacionamento eletrônico; Rodas de liga leve com 18 polegadas; Chave presencial. GAC GS3 Elipte Plus tem todos os itens acima, mais: Piloto automático adaptativo; Frenagem automática de emergência; Assistente de permanência em faixa; Câmera 360 graus; Teto solar panorâmico; Rodas de liga leve com 19 polegadas. Quem é GAC? Nova no mercado nacional, a GAC (Guangzhou Automobile Group Motor) é a quinta maior fabricante de automóveis da China e chegou ao Brasil no ano passado. Atuando desde 1955, a empresa não apenas desenvolve seus próprios veículos, como também fabrica para marcas japonesas como Mitsubishi, Honda e Toyota. A GAC também mantém parceria com a BYD. Juntas, as duas montadoras chinesas colaboram no desenvolvimento e na produção de ônibus destinados ao mercado chinês. Em 2023, a GAC vendeu 2,52 milhões de veículos na China e emprega atualmente cerca de 110 mil pessoas. A meta da montadora é atingir 4,75 milhões de unidades comercializadas e alcançar um lucro estimado em US$ 137 bilhões até 2030. Para isso, a empresa tem investido fortemente na expansão internacional. Esse movimento começou em 2021 e, atualmente, a empresa já está presente em países do Oriente Médio, Europa, Ásia, África e América Latina — incluindo mercados como Chile, Bolívia e Panamá.

Caso aconteceu em uma agência do Banco do Brasil Estilo. (foto ilustrativa) Divulgação/Banco do Brasil O Banco do Brasil lançou nesta sexta-feira (6) um recurso que permite a brasileiros usarem o sistema de pagamentos PIX na Argentina. O serviço, desenvolvido em parceria com o Banco Patagonia, instituição argentina controlada pelo Banco do Brasil, permite que qualquer usuário brasileiro do PIX — seja ou não correntista do BB — faça pagamentos na Argentina, ampliando o uso da ferramenta para além das transações realizadas no Brasil. "O lançamento do PIX no exterior reforça a atuação internacional do Banco do Brasil e nosso compromisso com a inovação em meios de pagamentos voltada ao bem‑estar das pessoas", disse Felipe Prince, vice-presidente de controlesiInternos e gestão de risco do banco. Com o novo recurso, brasileiros na Argentina podem escanear um código QR pelo aplicativo bancário para concluir compras em estabelecimentos participantes. O comerciante argentino recebe em moeda local, enquanto o valor é debitado do cliente em reais. A Argentina é o primeiro passo na expansão das opções de pagamento para usuários brasileiros como parte da estratégia global do banco, acrescentou. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A iniciativa também representa um avanço na integração regional, disse o presidente‑executivo do Banco Patagonia, Oswaldo Parre. O Banco do Brasil avalia ainda estender o recurso a outros países das Américas, da Europa e da Ásia, com foco em regiões que concentram grandes comunidades brasileiras. Criado pelo Banco Central (BC), o PIX permite transferências instantâneas, 24 horas por dia, e é gratuito para pessoas físicas. Cerca de 900 instituições já adotaram o sistema, que se tornou o método de pagamento mais utilizado no Brasil, alcançando mais de 170 milhões de pessoas. O Banco do Brasil processa a transação, incluindo a conversão peso‑real e quaisquer impostos aplicáveis, que são exibidos ao cliente na tela de confirmação.

Marca de genéricos Medley Divulgação O Grupo EMS firmou um acordo com a farmacêutica francesa Sanofi para comprar 100% da Medley, uma das principais marcas de medicamentos genéricos do Brasil, informaram as empresas nesta sexta-feira (6). O valor da transação não foi divulgado. Segundo o jornal Valor Econômico, a operação foi avaliada em cerca de R$ 3,6 bilhões (US$ 670 milhões). 🔎Segundo as companhias, a operação pretende combinar a presença da Medley no mercado brasileiro de genéricos com a capacidade industrial e produtiva do grupo brasileiro. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Fundada em 1996, a Medley é uma das principais marcas de genéricos do país e ganhou espaço ao longo dos anos com medicamentos de menor custo. Em 2009, a empresa foi comprada pela farmacêutica francesa Sanofi por cerca de R$ 1,5 bilhão. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O negócio ocorreu após uma disputa que mobilizou diversos laboratórios interessados no ativo. Além da EMS, empresas como Sun Pharma, Hypera, Biolab e Aché também apresentaram propostas pela Medley. Com fábrica em Campinas (SP), a empresa produz comprimidos, cápsulas, drágeas, líquidos, pomadas, cremes e suspensões. Ao todo, a emprega cerca de 1.800 pessoas. Para a EMS, a aquisição deve ampliar o portfólio de medicamentos e reforçar a presença da companhia no segmento de genéricos, considerado um dos pilares de crescimento do grupo. A companhia atualmente lidera o ranking da indústria farmacêutica no Brasil em vendas para no varejo, à frente de empresas como Eurofarma, Hypera Pharma e Sanofi. "A empresa construiu uma marca muito sólida e respeitada no mercado brasileiro e possui medicamentos importantes. Esta aquisição é relevante para o povo brasileiro e para a indústria nacional", afirmou Carlos Sanchez, presidente do conselho de administração do Grupo EMS. "Nossos planos são, por meio da Medley, continuar dando acesso a medicamentos de qualidade a toda a população brasileira, manter sempre as operações separadas e garantir a cadeia de abastecimento da saúde." Para a Sanofi, a venda faz parte da estratégia de concentrar investimentos em medicamentos biofarmacêuticos inovadores e vacinas. A empresa informou que pretende direcionar recursos para áreas com maior potencial de impacto em tratamentos ainda pouco atendidos. Durante o processo de aprovação da operação, a Medley continuará sendo administrada pela Sanofi, mantendo suas atividades normalmente, segundo as empresas. A conclusão do negócio ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de outras condições regulatórias. 💊 Medicamentos genéricos são remédios que têm o mesmo princípio ativo, dose e eficácia que o medicamento de marca, mas são vendidos sem marca e por preço mais baixo. No Brasil, eles são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e são identificados pela tarja amarela com a letra “G” na embalagem. Em 2025, o segmento de genéricos movimentou R$ 23 bilhões, alta de 13,4% em relação a 2024, e responde por cerca de 40% do mercado de medicamentos, segundo a PróGenéricos. Hoje, 75% dos medicamentos mais prescritos no país são genéricos, presentes também em 85% dos itens do Programa Farmácia Popular, programa do Governo Federal de acesso gratuito a medicamentos. Mercado de medicamentos genéricos no Brasil Arte/g1 Com sede em Hortolândia (SP), o Grupo EMS atua há mais de 60 anos no setor farmacêutico e tem cerca de 12 mil funcionários no Brasil. A empresa integra o Grupo NC, conglomerado brasileiro controlado por Carlos Sanchez, que também reúne farmacêuticas como Germed, Novamed e Nova Química, além de atuar em biotecnologia e em investimentos em outros setores. Tentativa de compra da Hypera Dependências da farmacêutica EMS, em Hortolândia (SP) William de Freitas Em 2024, a EMS fez uma proposta para comprar até 20% das ações da Hypera, uma das maiores farmacêuticas do país e concorrente da companhia. A ideia era unir as operações das duas companhias e criar o maior grupo farmacêutico do Brasil. A oferta previa pagar R$ 30 por ação, com prêmio em relação ao preço de mercado, e sugeria que a empresa resultante fosse listada no Novo Mercado da B3. O conselho da Hypera rejeitou a oferta. As duas empresas também disputaram a compra das marcas Buscopan e Buscofem, que pertenciam ao portfólio da farmacêutica Boehringer Ingelheim. Na ocasião, a Hypera Pharma acabou vencendo a disputa contra a EMS, que também demonstrava forte interesse no negócio. Já em 2025, a EMS entrou em um novo mercado ao lançar no Brasil suas canetas injetáveis para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, com os medicamentos Olire e Lirux, à base de liraglutida. A empresa se tornou a primeira fabricante totalmente brasileira a produzir análogos de GLP-1, classe de medicamentos usada no tratamento dessas doenças. Os produtos chegaram às farmácias com preços a partir de cerca de R$ 307, com a estratégia de competir com marcas internacionais oferecendo valores mais baixos.

Material do Sebrae traz dicas sobre produção de camarão em viveiros, além de explicar técnicas de manejo. Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST Quem pensa em investir na criação de camarão e não sabe por onde começar pode contar com uma ajuda simples e gratuita. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) disponibiliza uma cartilha digital com orientações básicas para quem quer iniciar na atividade. A cartilha reúne dicas para iniciar a produção em viveiros, além de apresentar técnicas de manejo e curiosidades sobre o camarão. 📱Acesse aqui

Petrobras registrou um aumento de lucro de 200% em 2025 O lucro obtido pela Petrobras em 2025, 200% maior do que no ano anterior, mostra os esforços da companhia para aumentar sua produção e vendas e dá um sinal claro para que os investidores continuem confiando na empresa, disse à Reuters a presidente da estatal, Magda Chambriard. A Petrobras divulgou na véspera um lucro líquido de R$110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% no comparativo anual, sustentado por aumentos de produção, vendas e exportações e maior eficiência operacional, e a despeito de uma queda dos preços do petróleo ante 2024, para uma média de US$70 por barril, de acordo com o balanço. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 “Quem apostar contra a Petrobras vai perder”, disse Chambriard à Reuters, ao comentar o resultado da companhia. A CEO afirmou que a Petrobras continua observando o comportamento do mercado de petróleo, que vive uma disparada de preços desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, antes de qualquer decisão sobre eventual repasse de preços. Magda Chambriard, presidente da Petrobras, durante coletiva de imprensa sobre os resultados financeiros de 2024 Rafa Pereira / Petrobras "Agora é olhar para a frente e ver o que a Petrobras pode entregar a seus acionistas e ao país no novo cenário de Brent que o contexto mundial está desenhando", adicionou. Algumas distribuidoras de combustíveis já estariam se antecipando e repassando aos postos uma alta de preços pelo impacto da disparada do petróleo no mercado internacional, disse a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) na véspera. O reajuste relatado ocorre apesar de a Petrobras, que responde por cerca de 70% do abastecimento no Brasil, não ter alterado seus preços. O preço do diesel vendido pela Petrobras a distribuidoras está cerca de 30% abaixo da referência internacional, configurando a maior defasagem desde 2022, apontou um relatório do Goldman Sachs enviado a clientes na quinta-feira (5).

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou com queda de 0,81% nesta sexta-feira (6), cotado a R$ 5,2439. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,70%, aos 179.201 pontos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O aumento das tensões no Oriente Médio, voltaram a guiar os mercados nesta sexta-feira. Este 7º dia de conflito começou com novos ataques dos EUA e de Israel ao Irã e ao Líbano. O governo americano ainda afirmou que entrou em uma nova fase da guerra, que envolve um "aumento drástico" do poder de fogo sobre o território iraniano, novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e bombardeios à "infraestrutura do regime" dos aiatolás. Com temores sobre eventuais impactos do conflito no mercado de petróleo, a commodity sinalizava mais um dia de alta nesta. No fechamento do dia, os índices futuros do barril do Brent, referência internacional, subiram 8,5%, cotado a US$ 92. ▶️ No noticiário local, as atenções seguiam voltadas aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou nesta quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e deve ficar em isolamento por 10 dias. A nova fase da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma "milícia privada" chamada "A Turma". O grupo era usado para intimidar e espionar adversários e também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos. ▶️ Na agenda econômica, o destaque ficou com os novos dados do payroll, relatório de emprego oficial dos Estados Unidos. Segundo o documento, a economia americana surpreendeu e fechou vagas de trabalho em fevereiro. Houve uma redução de 92 mil postos. ▶️ O resultado da Petrobras, divulgado na véspera, também fica no radar. A companhia informou um lucro de R$ 110, 1 bilhões em 2025, uma alta de 200% em relação a 2024. O resultado positivo da estatal ocorreu mesmo diante de um cenário considerado desafiador, marcado pela queda nos preços do petróleo no último ano. Com o bom desempenho, as ações preferenciais da estatal subiram 3,74%. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,97%; Acumulado do mês: +2,97%; Acumulado do ano: -3,68%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -4,41%; Acumulado do mês: -4,41%; Acumulado do ano: +12%. Escalada das tensões no Oriente Médio A escalada das tensões no Oriente Médio volta a guiar os mercados financeiros nesta sexta-feira (6), em meio às preocupações dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e seus efeitos no mercado de petróleo. O chefe do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), almirante Brad Cooper, afirmou que os EUA entraram em uma nova fase da guerra com o Irã, que envolve um "aumento drástico" do poder de fogo sobre o território iraniano, novos ataques ao programa de mísseis de Teerã e bombardeios à "infraestrutura do regime" dos aiatolás. “À medida que transitamos para a próxima fase desta operação, desmantelaremos sistematicamente a capacidade futura de produção de mísseis do Irã, e isso já está em andamento”, afirmou. Isso deve levar algum tempo, segundo ele. Pela manhã, tanto Israel quanto os EUA anunciaram novos ataques na região. Nesta semana, analistas do banco J.P. Morgan alertaram que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Diante das preocupações, os preços do petróleo marcavam mais um dia de alta nesta sexta-feira. No fechamento do dia, o barril do Brent, referência internacional, subiu mais de 8%, cotado a US$ 92. Já o WTI, dos EUA, teve alta de 12,34%, a US$ 91,23. Petrobras divulga lucro de R$ 110 bilhões em 2025 Os investidores também avaliam os resultados da Petrobras, divulgados na véspera. A companhia informou um lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, resultado que representa alta de cerca de 200% em relação a 2024, quando a companhia havia lucrado R$ 36,6 bilhões. Na prática, o resultado indica que o lucro da estatal quase triplicou em um ano. Segundo a empresa, o desempenho ocorreu mesmo em um cenário considerado desafiador, marcado pela queda de 14% no preço do petróleo tipo Brent crude oil ao longo do ano. De acordo com a companhia, o resultado foi sustentado principalmente pelo aumento da produção de óleo e gás e pela melhora da eficiência operacional. “O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota. Agenda econômica Payroll dos EUA O destaque na agenda de indicadores fica com o payroll, relatório de emprego oficial dos EUA. Segundo informações do Escritório de Estatística do Trabalho, a economia americana fechou 92 mil postos de trabalho em fevereiro, após a criação revisada para baixo de 126 mil em janeiro. O resultado surpreendeu economistas, que previam a abertura de 59 mil vagas no período. Segundo especialistas disseram à Reuters, os ganhos de empregos em janeiro foram impulsionados por uma atualização do modelo que o escritório de estatísticas usa para estimar quantos empregos foram criados ou perdidos devido à abertura ou fechamento de empresas em um determinado mês. O mercado de trabalho está se estabilizando depois de ter tropeçado em 2025, em meio às incertezas decorrentes do tarifaço de Trump. Além disso, especialistas também indicaram à Reuters que a repressão à imigração do governo Trump reduziu a oferta de mão de obra, o que também contribuiu para a desaceleração do mercado de trabalho. Segundo o analista de inteligência de mercado da Stonex Lucca Bezzon, o resultado mais fraco do que o esperado reforça a perspectiva de que a economia americana pode estar desacelerando rapidamente e aumenta a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) possa ser pressionado a antecipar os cortes de juros no país. "O cenário, no entanto, permanece bastante incerto. Os dados mais recentes têm mostrado sinais contraditórios sobre o ritmo da economia dos Estados Unidos, embora uma das principais fontes de preocupação dos investidores seja justamente o mercado de trabalho", diz, reforçando que os indicadores sinalizam "alguma deterioração no emprego". Mercados globais As preocupaçõe com o conflito no Irã continuam a afetar os mercados globais nesta sexta-feira. Em Wall Street, os três principais índices acionários americanos registraram queda. O Dow Jones caiu 0,93%, enquanto o S&P 500 registrou um recuo de 1,33% e o Nasdaq Composite teve desvalorização de 1,59%. Na Europa, os principais índices acionários também registraram perdas nesta sexta-feira. O índice pan-europeu STOXX 600 registrou sua maior baixa semanal em quase um ano. Nesta sexta, caiu 1,02%, aos 598,69 pontos. Entre os principais índices acionários da região, o DAX, da Alemanha, caiu 0,94%, enquanto o CAC-40, da França, recuou 0,65%. O FTSE Mib, da Itália, desvalorizou 1,02%. Na Ásia, as ações da China e de Hong Kong encerraram uma semana em baixa, apesar da alta desta sexta-feira. O resultado refletiu o peso dos riscos geopolíticos no otimismo do mercado e as poucas surpresas nos sinais políticos da reunião parlamentar anual. No fechamento, o índice de Xangai teve alta de 0,38%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias específicas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,27%. O índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,72%. Entre os demais índices da região, o Nikkei, de Tóquio, subiu 0,6%, enquanto o Kospi, de Seul, teve valorização de 0,02%. Dólar Jornal Nacional/ Reprodução *Com informações da agência de notícias Reuters.

Embraer registra mais de R$ 40 bilhões de receita em 2025, maior número da história da empresa Divulgação/Embraer A Embraer – principal fabricante de aviões do Brasil – registrou uma receita recorde de mais de R$ 40 bilhões de receita em 2025. O número representa o o maior nível anual de todos os tempos. De acordo com o balanço divulgado oficialmente na manhã desta sexta-feira (6), a receita foi de US$ 7,6 bilhões (R$ 41,9 bilhões) no ano passado. O número representa um aumento de 19% em relação à receita de 2024, que foi de R$ 35,4 bilhões. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O lucro líquido ajustado foi de US$ 253 milhões (R$ 1,4 bilhão), uma queda de 45% em relação ao ano anterior. Segundo a Embraer, o principal impacto foram as tarifas dos Estados Unidos. Embraer anuncia evolução dos jatos executivos Praetor Os destaques de 2025 foram as receitas das áreas de Defesa & Segurança e Aviação Executiva, com crescimento anual de 36% e 24%, respectivamente. De acordo com a Embraer, foram entregues 244 aviões em 2025: 78 jatos comerciais – 44 E2s e 34 E1s 155 jatos executivos – 86 leves e 69 médios 3 KC-390 Millennium 8 A-29 Super Tucano O número de aeronaves entregues é 18% maior em relação a 2024, quando a empresa fez a entrega de 2026 aviões. A margem EBIT ajustada em 2025 foi de 8,7%, enquanto o fluxo de caixa livre (sem considera a Eve, que produz os 'carros voadores') superou os US$ 491 milhões (R$ 2,3 bilhões). 🔍 Margem EBIT é um indicador de rentabilidade que mede a eficiência operacional de uma empresa, mostrando a porcentagem da receita líquida que se transforma em lucro, sem considerar as despesas financeiras e impostos. Para 2026, a projeção da companhia brasileira é entrega entre 80 e 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos. A geração de receita estimada está entre US$ 8,2 e US$ 8,5 bilhões. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina %

Cosan Divulgação A Cosan informou nesta quinta-feira (5) que entrou com pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) na sigla em inglês) de sua controlada Compass Gás e Energia no Brasil. O pedido foi enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado financeiro no Brasil. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo a companhia, a venda das ações poderá incluir investidores de fora do país e terá a coordenação de grandes bancos, como BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Citigroup, Itaú BBA, J.P. Morgan, Santander Brasil e XP Investimentos, que vão ajudar a organizar e oferecer os papéis ao mercado. No mesmo dia, a Compass Gás e Energia também pediu para mudar seu nível de listagem na B3 para o Novo Mercado, um segmento da bolsa que reúne empresas com regras mais rígidas de governança e transparência. O pedido ainda está sendo analisado pela bolsa. A Cosan informou que detalhes da operação — como a quantidade de ações que será vendida e o preço dos papéis — ainda serão definidos pelo conselho de administração. O valor final dependerá do interesse de grandes investidores no Brasil e no exterior. A oferta só poderá acontecer depois que a CVM autorizar o registro, a B3 aprovar a mudança para o Novo Mercado e as condições de mercado forem consideradas favoráveis. Empresa de gás natural do grupo Cosan, a Compass atua na distribuição, comercialização e infraestrutura de gás no Brasil e tem participação em ativos do setor, como a Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Empreendedor aposta em tapete pet de papel e cria alternativa ao plástico Comprar ração, petiscos, brinquedos e acessórios faz parte da rotina de quem tem um animal de estimação. Mas um item comum nas casas com cães — o tapete higiênico — foi o ponto de partida para um negócio inovador e sustentável criado no interior de São Paulo. A ideia surgiu quando o empresário Gustavo Ferreira percebeu a quantidade de plástico descartada diariamente após o uso desses produtos. Morador de Atibaia, no interior de São Paulo, Gustavo se surpreendeu ao descobrir que os tapetes higiênicos tradicionais funcionam como verdadeiras fraldas, feitas majoritariamente de plástico e com tempo de decomposição que pode chegar a 450 anos. A constatação veio logo após a chegada de Cindy, a cachorrinha da família, e despertou uma inquietação que rapidamente se transformou em oportunidade de negócio. Com experiência prévia no setor gráfico — a família já atuava com a produção de papéis autoadesivos, rótulos e etiquetas —, Gustavo decidiu testar uma alternativa. Usando papel reciclável, material impermeabilizado e uma camada altamente absorvente, ele criou um tapete higiênico biodegradável capaz de reter o xixi do animal sem vazamentos, odores ou resíduos plásticos. Empresário cria tapete higiênico biodegradável para pets Reprodução/PEGN “Na primeira noite, praticamente não dormi de ansiedade para saber se ia funcionar”, relembra o empreendedor. O teste deu certo: o produto absorveu o líquido, secou rapidamente e pôde ser reutilizado. “Ali eu percebi que tinha criado algo novo”, conta. O investimento inicial foi de cerca de R$ 50 mil, aproveitando parte do maquinário já existente na fábrica da família. Cindy, além de inspiração, virou a mascote da marca e a principal “testadora” do produto. Amigos que experimentaram o tapete em casa ajudaram a validar a ideia e incentivaram Gustavo a produzir em alta escala para vender. Hoje, a empresa produz cerca de 200 mil tapetes por mês. Em 2025, o faturamento chegou a R$ 250 mil. Para 2026, a expectativa é alcançar R$ 2 milhões em receita. Além do apelo ambiental, o produto se destaca no preço: custa entre 10% e 15% menos que os tapetes plásticos disponíveis no mercado. Outro diferencial é a sustentabilidade. Enquanto os modelos tradicionais levam séculos para se decompor, o tapete criado por Gustavo se desfaz em aproximadamente 120 dias. Após o uso, o descarte é simples: uma folha de papel reciclável. “Se eu conseguir tirar ao menos um tapete plástico de um aterro sanitário, já valeu todo o esforço”, afirma. O negócio também se expandiu para além do público de cães. A empresa desenvolveu versões do tapete para clínicas veterinárias, gaiolas de aves, além de roedores como chinchilas, porquinhos-da-índia e coelhos. Empresário cria tapete higiênico biodegradável para pets Reprodução/PEGN As embalagens seguem a mesma proposta sustentável: feitas de papel reciclado, ocupam menos espaço e ainda trazem histórias educativas voltadas à preservação ambiental. A filha de Gustavo, Helena, acompanha de perto o projeto e reforça o propósito da iniciativa. “Quando a gente aprende sobre a quantidade de plástico que existe no planeta, dá ainda mais orgulho de saber que estamos criando algo que não polui”, diz. Mais do que um produto, o empreendedor define o projeto como um negócio com propósito. “Não é só vender tapete higiênico. É educar, cuidar do meio ambiente e dos animais ao mesmo tempo”, resume. Histórias como essa mostram como pequenas inquietações do dia a dia podem dar origem a soluções inovadoras — e sustentáveis — no mercado pet, um dos que mais crescem no país. Um exemplo claro de como empreender também pode ser uma forma de cuidar do planeta, como costuma destacar o Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Empresário cria tapete higiênico biodegradável para pets Reprodução/PEGN CindPaper 📍 Endereço: Rua Projetada 2, Nº 219 - Letra B – Guaxinduva Bom Jesus dos Perdões/SP - CEP 12958-527 📞 Telefone: (11) 97128-3857 📧 E-mail: [email protected] 🌐 Site: https://www.cindpaper.com.br/pagina/pagina-bio.htmlutm_source=ig&utm_medium=social&utm_content=link_in_bio&fbclid=PAdGRzdgP5zSxleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAacovIlI37XRMwtOyxwMW5crtC54fC9fJk5uqvm9f95xYKJlnLHAU-Y3jN85Tw_aem_5HpfQ1yzu5aVH3g13jk3Aw 📸 Instagram: https://www.instagram.com/cindpaper 📘 Facebook: https://www.facebook.com/share/1DSyMKYB6y/

B3, bolsa de valores brasileira. Divulgação/ B3 Em 2026, o dinheiro estrangeiro voltou com força à bolsa brasileira. Apenas nos dois primeiros meses do ano, o saldo de recursos vindos do exterior na B3 chegou a R$ 42,56 bilhões, o terceiro maior volume para o período na última década, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Esse fluxo ajudou a impulsionar o Ibovespa, principal índice da bolsa, que atingiu recorde histórico e superou pela primeira vez os 190 mil pontos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A escalada da guerra no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último sábado, voltou a trazer incerteza aos investidores. Desde o início do conflito, a bolsa acumula queda de 4,41% e retornou aos 180 mil pontos. Se antes os investidores estavam mais dispostos a correr riscos, em momentos de tensão internacional ocorre o movimento inverso, conhecido como “flight to quality”: investidores deixam as bolsas de valores e passam a preferir aplicações consideradas mais seguras, como dólar e ouro. Diante desse cenário, é possível dizer que a fase de forte valorização da bolsa brasileira chegou ao fim? Para especialistas ouvidos pelo g1, a entrada de capital estrangeiro ainda pode continuar ao longo de 2026, mas o ritmo deve depender do cenário internacional. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Por que o estrangeiro voltou à bolsa brasileira? Alguns fatores ajudam a explicar o retorno do capital estrangeiro ao mercado brasileiro. Juros altos no Brasil: o país costuma oferecer taxas mais elevadas que as de muitas economias desenvolvidas, o que atrai investidores em busca de retornos maiores. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas; Ações baratas: após um período de desempenho fraco, muitas empresas brasileiras passaram a ser vistas como baratas em comparação com companhias de países desenvolvidos, o que atrai investidores em busca de oportunidades; Diversificação: gestores de mercado costumam distribuir aplicações entre vários países para reduzir riscos. Quando o Brasil apresenta preços atrativos e um mercado amplo, volta a ganhar espaço nessas carteiras de investimento; Mais dinheiro circulando no mundo: quando há maior disponibilidade de recursos no mercado internacional ou o dólar perde força, parte dos investimentos tende a migrar para mercados considerados mais arriscados, como o de ações em países emergentes. Recorde na bolsa brasileira A forte entrada de capital estrangeiro no mercado de ações brasileiro teve impacto direto na bolsa. Em janeiro, o Ibovespa registrou entrada de R$ 26,4 bilhões, o maior valor desde fevereiro de 2022. Com os R$ 16,9 bilhões registrados em fevereiro, o total de recursos externos em 2026 chegou a R$ 42,56 bilhões, bem acima dos R$ 26,87 bilhões do mesmo período do ano passado. Apesar da desaceleração no mês passado, é o terceiro maior volume para os dois primeiros meses do ano na última década. O recorde ainda pertence a 2022, quando o investimento estrangeiro na bolsa brasileira somou R$ 119,7 bilhões. Esse movimento é o principal responsável por impulsionar os preços das ações brasileiras. Com isso, o Ibovespa bateu recorde oito vezes em janeiro e outras cinco em fevereiro, totalizando 13 máximas em 2026, contra 32 ao longo de todo o ano passado. Acabou o rali do Ibovespa? Apesar da ampliação do conflito no Oriente Médio, especialistas avaliam que o investimento estrangeiro na bolsa brasileira ainda deve continuar ao longo de 2026, embora o volume dos aportes possa variar de acordo com o cenário internacional. Segundo Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, fatores estruturais ainda favorecem o Brasil. Entre eles estão a perspectiva de queda dos juros no país, ações baratas em dólar e o risco crescente nas bolsas dos EUA, que já operam em níveis elevados de preços com a valorização das ações de tecnologia. “Se a guerra se intensificar durante o mês de março, é provável que o fluxo diminua um pouco. Mas não deve zerar, muito menos se transformar em saída de capital da bolsa brasileira. Esse movimento pode voltar a acelerar assim que o conflito terminar”, diz. Para o investidor, eventuais quedas da bolsa podem abrir oportunidades de compra, avalia o gestor. Na visão dele, o Ibovespa ainda tem potencial para voltar a subir e testar a marca de 200 mil pontos no médio prazo. Já Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, alerta que o cenário internacional pode reduzir o fôlego do mercado no curto prazo, principalmente se ganhar força o movimento global de busca por ativos considerados mais seguros. “Existe o risco de perda de força do índice se prevalecer um movimento global de ‘flight to quality’, com migração para ativos de refúgio, como dólar e ouro, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio”, afirma. Segundo ele, o aumento das tensões deixa os investidores mais cautelosos. Em momentos de conflito, é comum que as bolsas ao redor do mundo sofram pressão, enquanto o preço do petróleo sobe e ativos considerados mais seguros ganham valor. Nesse cenário, Belitardo avalia que o Ibovespa pode perder força no curto prazo. Se a busca por segurança aumentar, investidores tendem a retirar recursos de mercados mais arriscados — como ações e países emergentes — e direcioná-los para aplicações consideradas mais seguras, como dólar e ouro. LEIA TAMBÉM Por que Trump, Putin e guerras fizeram o ouro e outros ativos seguros dispararem — e vale investir agora?

Lavoura de café a pleno sol em Divinolândia (SP) Stephanie Rodrigues/g1 O Brasil tem produção agrícola em todo o seu território. Mas quanto custa comprar um pedaço de terra? Isso depende de muitos fatores, por exemplo, se a terra é produtiva ou está localizada em um lugar fácil de escoar para vendas, segundo o Atlas do Mercado de Terras, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O levantamento foi divulgado em dezembro de 2025, a partir de dados do mesmo mês em 2024. Por exemplo, a região de Mogiana (SP), o valor por hectare não agrícola é de R$ 2.433.233,91. Já o valor da terra para agricultura é de R$ 80.911,18. A área é polo de produção de café e cana-de-açúcar e também tem potencial para turismo rural. Por outro lado, no Oeste Amazonense, é possível encontrar a média de R$ 1.525,62 por hectare. O baixo preço é causado por uma combinação de isolamento geográfico com restrições ambientais mais rígidas. Já o preço médio é de R$ 22.951,94 por hectare. Para fazer este cálculo, o Incra usa um método para eliminar os preços muito altos ou muito baixos (como Mogiana e o Oeste Amazonense), considerados atípicos. Evitando, assim, uma média destorcida da realidade da maior parte do país. 🔍Um hectare equivale a 10 mil metros quadrados, similar a um campo de futebol pelas regras da FIFA, em que a medida varia de 7 mil a 8 mil metros quadrados. A média nacional subiu 28% na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2022. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Confire os maiores e menores preços da terra no Brasil Arte / g1 Onde estão os extremos? A pesquisa mostra que os preços variam muito dependendo da localização. 💵Maiores preços A região Sul lidera o ranking nacional, seguida pelo Sudeste. Em estados como Santa Catarina, o hectare pode ultrapassar os R$ 100 mil em áreas de alta produtividade. Caso de Xanxerê, onde o preço médio é de R$ 173.298,67, devido o potencial para pecuária e plantio de grãos. Além das áreas de produção, o relatório considera terras de uso "não agrícola", voltadas para lazer ou expansão urbana, por exemplo. O documento destaca que nessas áreas ocorre uma "sobreposição com o mercado imobiliário". Isso significa que o valor deixa de depender apenas da fertilidade e passa a considerar o potencial para loteamentos ou instalação de indústrias. A proximidade com um maior mercado consumidor e a excelente logística rodoviária garantem que qualquer área disponível tenha um grande valor de mercado. Além de Mogiana, a Região Metropolitana do Maranhão também tem altos preços, sendo uma exceção do Nordeste, com a média de R$ 299.279,01 por hectare. O preço é puxado pela localização estratégica, pela proximidade com portos exportadores e armazéns, por ter solos com alta fertilidade e por fazer parte do Matopiba, grande área produtora, composta também por Tocantins, Piauí e Bahia. Quando a área é destinada a uso não agrícola, o preço pode chegar a R$ 405.641,35 por hectare. 💵Menores preços O Nordeste possui os menores valores médios, seguido pela região Norte. No interior do Amazonas e em partes do Piauí, é possível encontrar hectares abaixo de R$ 2 mil. É o caso do Oeste Amazonense. Os principais motivos apontados pelo relatório do Incra para este preço são: 💰Logística limitada: a região depende de transporte por rios ou aviões. A falta de rodovias encarece o escoamento e reduz a competitividade. 💰Áreas protegidas: grande parte do território é formada por Unidades de Conservação e Terras Indígenas. As restrições legais limitam a expansão agrícola e reduzem o interesse de investidores. 💰 Falta de compradores: o uso restrito da terra e a dificuldade de escoamento reduzem o número de negócios. Com menos compradores, os preços permanecem baixos. Leia também: Tomate e pão francês pesaram no custo da cesta básica nas capitais em janeiro, diz Conab O que faz o preço subir ou descer? O valor da terra não depende apenas do tamanho da área. Também são considerados fatores como: 💰economia, como as expectativas de ganho com a revenda da propriedade e o lucro da produção na comparação com os custos de manutenção e taxas de juros; 💰produtividade, considerando a fertilidade do solo, a topografia (se é plano ou montanhas) e a disponibilidade de água na região. Por exemplo, as terras voltadas para a pecuária foram as que registraram a maior alta de preços no país, com valorização de 31,24%, na comparação entre 2024 e 2022. No mesmo período, as áreas só de plantio subiram 12%; 💰logística, como a proximidade de capitais, rodovias, ferrovias, portos e cadeias de agroindústrias, por exemplo, laticínios e cooperativas; 💰situação legal, caso de áreas com restrições ambientais, também são analisadas as condições na unidade de conservação e se há conflitos agrários por terra. Como foi o ano de 2025 e como fica 2026? O relatório não define um preço exato para 2025 e 2026, mas indica tendências. A expectativa é de valorização em polos agrícolas consolidados, como Mato Grosso e o Matopiba. O avanço da infraestrutura, como a Ferrovia Norte-Sul, e a entrada de novos investidores devem manter o mercado aquecido. Já em áreas de preservação ambiental ou com conflitos fundiários, a tendência é de preços menores e baixa demanda. Saiba mais: Chapéu na roça não terá que ser trocado por capacete; veja o que diz a lei Quais frutas não podem ser guardadas juntas? Veja dicas para evitar perdas Pênis do boi vira petisco para pets e é prato afrodisíaco na Ásia

Edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio Marcos Serra Lima/g1 A Petrobras informou na noite desta quinta-feira (5) que registrou lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, resultado que representa alta de cerca de 200% em relação a 2024, quando a companhia havia lucrado R$ 36,6 bilhões. Na prática, o resultado indica que o lucro da estatal quase triplicou em um ano. Segundo a empresa, o desempenho ocorreu mesmo em um cenário considerado desafiador, marcado pela queda de 14% no preço do petróleo tipo Brent crude oil ao longo do ano. De acordo com a companhia, o resultado foi sustentado principalmente pelo aumento da produção de óleo e gás e pela melhora da eficiência operacional. “O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Produção e geração de caixa A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras alcançou 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2025, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Com isso, o fluxo de caixa operacional — dinheiro gerado pelas operações regulares da empresa — chegou a R$ 200 bilhões (US$ 36 bilhões) no ano. Segundo o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da companhia, Fernando Melgarejo, o resultado reflete a estratégia da empresa de ampliar a produção com disciplina de capital. “Mesmo em um cenário de forte queda do Brent, geramos R$ 200 bilhões de caixa operacional no ano. Continuamos a apresentar um fluxo de caixa robusto, apoiado por projetos de qualidade que ampliam a produção, com alto retorno e rápida geração de caixa”, afirmou. Investimentos A Petrobras informou que investiu R$ 112,9 bilhões (US$ 20,3 bilhões) em 2025, valor dentro da faixa prevista pela companhia para o período. A maior parte dos recursos foi destinada ao segmento de exploração e produção, que respondeu por cerca de 84% dos investimentos. O montante incluiu a aceleração de projetos e o avanço de unidades de produção em campos do pré-sal. Entre os fatores que contribuíram para o aumento da produção estão: início da operação e aumento da capacidade dos FPSOs Almirante Tamandaré e Marechal Duque de Caxias; manutenção do topo de produção do FPSO Sepetiba; ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Anna Nery e Alexandre de Gusmão; maior eficiência operacional na Bacia de Santos (UN-BS) e no campo de Búzios. As novas unidades adicionaram 585 mil barris por dia de capacidade nominal de produção operada pela Petrobras, segundo a companhia. Exportações recordes A estatal também informou que as exportações de petróleo atingiram recorde anual, com média de 765 mil barris por dia. No quarto trimestre de 2025, o volume chegou a 999 mil barris por dia, o maior nível já registrado em um trimestre. Impactos cambiais e indicadores Outro fator que influenciou o resultado do ano foi a valorização do real frente ao dólar, que gerou impacto positivo nas contas da companhia. Desconsiderando efeitos cambiais e outros eventos considerados exclusivos do período, o lucro líquido teria sido de R$ 100,9 bilhões (US$ 18,1 bilhões). O EBITDA ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 244,3 bilhões (US$ 43,8 bilhões), também sem eventos extraordinários. A dívida bruta da Petrobras encerrou 2025 em US$ 69,8 bilhões. Segundo a empresa, o valor foi impactado principalmente pela inclusão de contratos de afretamento de plataformas na contabilidade da dívida. Dividendos e tributos O conselho de administração da Petrobras aprovou o envio à assembleia de acionistas de uma proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos, referente ao quarto trimestre de 2025. Os pagamentos estão previstos para maio e junho de 2026. No total, a companhia informou ter distribuído R$ 45,2 bilhões em proventos ao longo de 2025, sendo R$ 17,6 bilhões destinados ao grupo de controle. A Petrobras também informou que pagou R$ 227,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios no ano passado. Além disso, cerca de R$ 2 bilhões foram destinados a investimentos socioambientais, patrocínios e doações. Reservas e refino Em 2025, a empresa informou ter incorporado 1,7 bilhão de barris de óleo equivalente em reservas, alcançando um índice de reposição de reservas de 175%, mesmo com produção recorde. A relação entre reservas provadas e produção, indicador conhecido como R/P, ficou em 12,5 anos. No refino, o parque da companhia operou com fator de utilização total de 91%, com diesel, gasolina e querosene de aviação representando 68% da produção total de derivados.

Cadillac confirma chegada oficial ao Brasil em 2026 Carlos Cereijo/g1 A General Motors confirmou, nesta quinta-feira (5), que vai vender oficialmente modelos da Cadillac no Brasil. O anúncio foi feito por Thomas Owsiaski, presidente da General Motors América do Sul. As vendas começam com três lojas nas cidades de São Paulo, Brasília e Curitiba. "O país reúne maturidade no segmento e ambiente adequado para a expansão de uma marca global de luxo”, afirma Owsianski. Os veículos confirmados até o momento são os utilitários esportivos Lyriq, Optiq e Vistiq . A estratégia da Cadillac é começar as vendas em 2026. “Estamos convencidos que existe espaço para a Cadillac", diz Fábio Rua, vice-presidente da General Motors América do Sul. Segundo o executivo, a oferta de carros será feita de modo gradativo. "Vamos investir na experiência do cliente", explica. A marca não confirmou as versões que serão oferecidas nem data exata de abertura de lojas. Porém, o g1 apurou que a Cadillac vai oferecer as configurações topo de linha. Sempre com opção de dois motores elétricos e maior pacote de equipamentos. Dessa maneira, os preços dos modelos devem ficar entre R$ 600 mil e beirar R$ 1 milhão. As lojas já estão em processo de montagem e as equipes de vendas e manutenção também passam por treinamento. A General Motors do Brasil já realizou clínicas, um tipo de teste de produto sigiloso com potenciais clientes, e definiu sua estratégia. Durante a apresentação da Cadillac foi possível experimentar um dos principais atributos da marca: o requinte no acabamento. Todos os modelos se destacam pela qualidade dos materiais e construção da carroceria. O foco é entregar tecnologia com DNA mais sóbrio na cabine. Parece que estamos numa primeira classe ou jato particular. Veja a seguir detalhes dos modelos que serão vendidos no Brasil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Cadillac Lyriq Cadillac Lyriq durante evento de anúncio da chegada da marca ao Brasil Divulgação O Lyriq foi apresentado em 2021, começou a ser produzido em 2022 como modelo 2023 e foi o primeiro SUV 100% elétrico da Cadillac. À época, os destaques eram o design ousado, a plataforma Ultium e o conjunto de baterias de 100 kWh. O Brasil vai receber a versão 2026, que traz atualizações em relação ao lançamento, como novo sistema de som com 23 alto-falantes, controle de cruzeiro adaptativo mais moderno, head-up display com realidade aumentada e opções de rodas de 22 polegadas. As baterias de íons de lítio agora têm capacidade de 102 kWh, e há duas opções de motorização. A primeira conta com um motor elétrico no eixo traseiro, com 369 cv de potência e 44,9 kgfm de torque. Segundo dados da Cadillac nos Estados Unidos, a versão com tração traseira percorre 524 quilômetros com uma carga completa. Cadillac Lyriq Divulgação Já o Lyriq com tração integral (AWD) tem dois motores elétricos, um em cada eixo, que entregam juntos 522 cv de potência e 62,2 kgfm de torque. Dependendo da configuração, a autonomia varia entre 487 km e 513 km. Esse método de medição é diferente do utilizado pelo Inmetro no Brasil. O modelo tem 4,99 m de comprimento, 2,20 m de largura com os retrovisores, 1,63 m de altura e entre-eixos de 3,09 m. A configuração com dois motores pesa 2.648 kg. Para efeito de comparação, um Toyota Corolla híbrido pesa 1.450 kg. Nos Estados Unidos, onde é fabricado, o Lyriq custa entre US$ 65 mil e US$ 83 mil. Cadillac Lyriq Divulgação Cadillac Optiq Cadillac Optiq apresentado no anúncio da chegada da marca ao Brasil Divulgação O Optiq foi lançado em 2024 como um “novo ponto de entrada para o luxo do carro elétrico”, segundo a Cadillac. Chegou com dois motores elétricos de série, mas na linha 2026 passou a oferecer também versão com um motor no eixo traseiro. A configuração de entrada gera 319 cv de potência e 45,9 kgfm de torque. A versão mais potente entrega 446 cv e 68,9 kgfm. São 10 módulos de bateria — no Lyriq são 12 — que totalizam 85 kWh. A autonomia varia entre 487 km e 510 km. As medidas são mais modestas se comparadas às do Lyriq, mas isso não significa que o Optiq seja pequeno. Ele tem 4,82 m de comprimento, 2,12 m de largura com os retrovisores, 1,64 m de altura e entre-eixos de 2,95 m. Cadillac Optiq Divulgação A versão com um motor pesa 2.423 kg, e a topo de linha, com dois motores, pesa 2.323 kg. O SUV é fabricado no México e custa entre US$ 52 mil e US$ 55 mil nos Estados Unidos. No Brasil o preço deve ficar acima dos R$ 500 mil. Cadillac Vistiq Cadillac Vistiq Divulgação Com aceleração até 100 km/h em menos de 4 segundos, o Vistiq se destaca pelo parentesco com o Escalada IQL. O interior tem tela de 33 polegadas, sistema de som com 23 alto-falantes e cabine luxuosa. Cadillac Vistiq apresentado no anúncio da chegada da marca ao Brasil Divulgação O conjunto de baterias tem 102 kWh e os dois motores elétricos entregam 615 cv. Com isso o Vistiq consegue números de desempenho de fazer inveja a muito cupê esportivo. Interior Cadillac Vistiq apresentado no anúncio da chegada da marca ao Brasil Divulgação A combinação de madeira, couro e plásticos de boa qualidade deixa a cabine do Vistiq em outro patamar. Está no mesmo nível de modelos topo de linha da Mercedes-Benz e BMW. Em tecnologia o suv traz, por exemplo, câmera térmica. Com ela é possível ver na escuridão pedestres, cilcistas e animais com antecedência. Importação independente Já existem modelos atuais da Cadillac rodando no Brasil. Essas unidades chegaram por meio de importadores independentes. O processo é burocrático, envolve diversos formulários e taxas que podem dobrar o valor do veículo quando ele chega ao porto. Em fevereiro, o g1 mostrou como modelos da Cadillac, Tesla e de outras marcas chegam ao país. Saiba mais na reportagem abaixo. Como pode um Tesla aparecer nas ruas mesmo sem vender no Brasil; saiba regras e custos

G1 | Loterias - Mega-Sena 2980 O sorteio do concurso 2.980 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (5), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 50 milhões. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 03 - 14 - 27 - 33 - 43 - 45. 5 acertos: 77 apostas ganhadoras, R$ 24.100,61 4 acertos: 5.245 apostas ganhadoras, R$ 583,20 O próximo sorteio da Mega será no sábado (7). Mega-Sena, concurso 2.980 Caixa Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

Pedágio 'free flow' na Rodovia Carlos Tonani, em Jaboticabal (SP) Divulgação/EcoNoroeste O Ministério dos Transportes afirmou, nesta quinta-feira (5), que pretende suspender as multas por evasão de pedágio aplicadas a motoristas que passaram pelo sistema “free flow” e não pagaram a tarifa. A medida também incluiria a suspensão dos pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aplicados por causa da infração. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O pedágio eletrônico, ou “free flow”, é um sistema de cobrança que dispensa cabines de atendimento e não exige o uso de tag pelo motorista. No entanto, as concessionárias utilizam sistemas diferentes de cobrança, e motoristas têm relatado dificuldade para realizar os pagamentos. Segundo o Ministério dos Transportes, a suspensão serviria para que fossem feitos os ajustes necessários e para que as concessionárias pudessem adotar uma comunicação integrada com o sistema do governo federal. Para emitir a multa, o governo federal recebe a comunicação da concessionária da rodovia e registra a infração no aplicativo CNH do Brasil. A evasão de pedágio, seja em praças tradicionais ou no free flow, gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. "Está em elaboração uma deliberação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para prorrogar o prazo de homologação até dezembro de 2026. A proposta ainda está em tramitação interna e aguarda manifestação da Consultoria Jurídica", disse a pasta em nota. Assim, o motorista que passar pelo pórtico do “free flow” e não fizer o pagamento terá uma segunda chance de quitar a dívida sem a cobrança de multa. Não se trata de perdão: a penalidade continuará valendo caso o pagamento não seja feito até dezembro. (veja a íntegra da nota abaixo) O que é o pedágio eletrônico (free flow)? Nesse sistema, o motorista não precisa reduzir a velocidade para que os dados do veículo sejam lidos. Outra vantagem é a cobrança proporcional ao trecho percorrido, já que o sistema identifica onde o carro entrou e saiu da rodovia. O pedágio eletrônico já é adotado em mais de 20 países, como Noruega, Portugal, Estados Unidos, Itália, China e Chile — um dos pioneiros na América Latina a implementar o sistema em suas rodovias. No Brasil, o sistema já funciona em rodovias federais, como a BR-101 (Rodovia Rio-Santos), e foi autorizado para uso em vias urbanas e rurais, abrangendo estradas e rodovias federais, estaduais, distritais e municipais em todo o país. Pórtico free flow divulgação/Concessionária Novo Litoral O pedágio free flow aplica multa? Não. A função do pedágio eletrônico é apenas identificar corretamente o veículo para realizar a cobrança. As câmeras e sensores instalados nos pórticos são usados exclusivamente para esse propósito. A multa por evasão de pedágio é aplicada apenas quando o pagamento não é efetuado. Trata-se de uma infração grave, com penalidade de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Como acontece a cobrança do pedágio? O sistema de cobrança do free flow utiliza a mesma tecnologia das tags já comuns no Brasil, com avanços importantes para identificar corretamente cada tipo de veículo. Diversas câmeras e sensores são instalados nos pórticos fixos nas rodovias. Eles identificam os veículos com tag ou fazem a leitura das placas para determinar quem será cobrado. Algumas câmeras possuem lentes duplas para capturar imagens em 3D, permitindo identificar o tipo de veículo, o número de eixos e quais estão suspensos. Isso garante a cobrança correta de acordo com o porte do veículo, como no caso dos caminhões. Luzes infravermelhas são utilizadas para garantir a identificação dos veículos mesmo em condições adversas, como neblina ou fumaça. Veja a íntegra da nota divulgada pelo Ministério dos Transportes: Em relação aos questionamentos sobre a homologação dos sistemas de livre passagem (free flow), a Resolução Contran nº 1.013/2024 estabeleceu que esses sistemas devem ser previamente homologados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) antes do início de sua operação, fixando prazo de 180 dias, contados da publicação do normativo específico, para o cumprimento dessa exigência. Esse normativo foi publicado em 12 de junho de 2025, por meio da Portaria Senatran nº 442, que definiu os procedimentos para a homologação. O módulo sob responsabilidade da Senatran, voltado ao envio de informações cadastrais, já está desenvolvido e tecnicamente concluído. No entanto, foram identificados ajustes necessários na arquitetura de interoperabilidade para garantir compatibilidade com as soluções utilizadas pelas concessionárias. Diante disso, a Senatran, em conjunto com o Ministério dos Transportes, estuda uma alternativa regulatória para permitir uma transição adequada. Nesse contexto, está em elaboração uma deliberação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para prorrogar o prazo de homologação até dezembro de 2026. A proposta ainda está em tramitação interna e aguarda manifestação da Consultoria Jurídica. Em relação à infração prevista no art. 209-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a deliberação deverá estabelecer uma regra de transição, permitindo a suspensão da exigibilidade das multas aplicadas até então, caso o usuário regularize o pagamento dos pedágios em aberto. É importante destacar que não se trata de perdão do pedágio, mas apenas da garantia de uma nova oportunidade para o pagamento da tarifa antes da aplicação da multa.

Supervisor da multinacional do setor alimentício BRF tinha histórico de assédio moral Reprodução A MBRF firmou acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para afastar trabalhadoras grávidas que atuam em áreas com ruído elevado na unidade de Lucas do Rio Verde (MT), após investigação do órgão apontar intercorrências na gestação de funcionárias expostas a ambientes barulhentos. Segundo a procuradora do Trabalho Priscila Dibi Schvarcz, responsável pelo processo, os efeitos chamados "extrauditivos" podem atingir o sistema cardiovascular e metabólico das gestantes. O MPT registrou 77 abortos confirmados e 113 partos prematuros entre 2019 e 2025. A MBRF é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, formada pela fusão entre Marfrig e BRF. Dona de marcas como Sadia e Perdigão, a companhia tem receita anual combinada de cerca de R$ 150 bilhões e presença em mais de 100 países. O acordo foi homologado pela Justiça e passa a valer enquanto o processo principal segue em análise pela Justiça. Nele, a empresa se comprometeu a realocar imediatamente todas as gestantes expostas a níveis de ruído iguais ou superiores a 80 decibéis para setores com exposição comprovadamente inferior a esse limite. A mudança deve ocorrer sem redução de salário, benefícios ou direitos trabalhistas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o Laudo Técnico das Condições Ambientais do Trabalho, existem 23 setores na unidade com níveis abaixo de 80 decibéis. Para o MPT, isso demonstra que é possível transferir as gestantes sem prejuízo à operação. Mesmo assim, a investigação apontou que trabalhadoras grávidas atuavam em áreas com ruído que pode chegar a 93 decibéis. Quando a ação foi apresentada, apenas três gestantes estavam em setores considerados adequados. Além da realocação, a empresa se comprometeu a implementar um programa específico de gestão de saúde para gestantes. A iniciativa prevê identificação ativa do estado gestacional, avaliação imediata dos riscos do posto de trabalho, realocação obrigatória quando houver agentes nocivos não neutralizados e acompanhamento médico multidisciplinar durante toda a gravidez. O acordo também determina a criação de um protocolo específico de atendimento a gestantes dentro da unidade. Agora, a MBRF deverá manter fluxogramas visíveis em todos os setores, garantir atendimento presencial por médico ou enfermeiro do trabalho antes de qualquer liberação e disponibilizar um veículo exclusivo para transporte emergencial, com funcionamento 24 horas por dia. O veículo deverá ter equipamentos básicos de primeiros socorros e comunicação direta com o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT). Caso as cláusulas do acordo sejam descumpridas, a empresa poderá pagar multa de R$ 50 mil por irregularidade constatada, além de R$ 20 mil por trabalhadora prejudicada. Os valores serão destinados ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou ao Fundo de Direitos Difusos (FDD). Investigação A investigação começou após um caso registrado em abril de 2024. Uma funcionária venezuelana, grávida de oito meses de gêmeas, sofreu aborto espontâneo na portaria da empresa. Segundo o MPT, ela passou mal durante o expediente, foi levada a uma sala de descanso e não houve acionamento imediato de atendimento médico. Após o episódio, a trabalhadora processou a empresa e foi indenizada. A partir desse caso, o Ministério Público ampliou a apuração para verificar se havia problemas estruturais nas condições oferecidas às gestantes. Foram avaliados documentos de saúde ocupacional e segurança do trabalho apresentados pela própria empresa. Com base nesse material, o MPT identificou 144 registros de aborto ou ameaça de aborto, dos quais 77 foram confirmados. Também foram registrados 113 casos de parto prematuro. Além disso, o levantamento apontou 71 atestados médicos com diagnósticos como hipertensão, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal. Para o MPT, essas condições podem ser agravadas pela exposição a níveis elevados de ruído. De acordo com o órgão, o protetor auricular fornecido pela empresa protege a trabalhadora, mas não elimina possíveis impactos ao feto. A unidade de Lucas do Rio Verde emprega cerca de 4.800 pessoas. Desse total, 74 são gestantes, o equivalente a aproximadamente 1,5% do quadro. Para o MPT, esse percentual não compromete a organização do trabalho em caso de remanejamento. Antes de ingressar com a ação, o MPT realizou duas audiências com a empresa, mas não houve acordo naquele momento. Com a homologação judicial, as medidas passam a ser obrigatórias. Além das obrigações previstas no acordo, o Ministério Público do Trabalho pede na ação civil pública o pagamento de R$ 20 milhões por danos morais coletivos. O pedido ainda será analisado pela Justiça. O que diz a MBRF A MBRF informa que segue rigorosamente a legislação vigente e reitera seu compromisso com a saúde e segurança dos seus profissionais. Sobre exposição a ruídos, fornece e garante o uso de EPIs certificados pelo Ministério do Trabalho. De acordo com avaliação médica e com os atestados apresentados, não foi identificada correlação entre os casos citados no processo e as atividades desempenhadas. A empresa ainda irá apresentar a sua defesa na referida ação e, à exceção do número atual de gestantes, não reconhece os dados apresentados pelo MPT à reportagem. A companhia reforça que possui um programa estruturado de acompanhamento às gestantes com suporte médico, adequações de função de acordo com a etapa gestacional e monitoramento contínuo. Desde 2017, a iniciativa já acompanhou mais de 13 mil colaboradoras.

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/Redes Sociais As instituições financeiras que integram o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anteciparão, neste mês, cinco anos de contribuições ao fundo, em um total de R$ 32,5 bilhões. O recolhimento será feito em 25 de março, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (5) pelo FGC. "A medida tem por finalidade assegurar a solidez patrimonial do FGC e garantir a plena capacidade de cumprimento de suas obrigações, em estrita observância à legislação vigente e às disposições estatutárias", informou o FGC em nota. A antecipação de contribuições está prevista no Estatuto do Fundo. A necessidade de recompor o caixa ocorre após uma série de liquidações extrajudiciais anunciadas pelo Banco Central (BC) desde o ano passado. Até o momento, pelo menos sete instituições ligadas ao Banco Master tiveram a liquidação decretada. Como mostrou a reportagem do g1, apenas as liquidações dos bancos Master, Will Bank e Pleno devem gerar um rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC. O valor tem como base estimativas feitas pelo próprio fundo. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda de acordo com o FGC, até esta quinta-feira (5) foram pagos R$ 38,4 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master (Banco Master, Master de Investimento e Letsbank). Ao todo, cerca de 675 mil credores já receberam os valores. "O processo de pagamento aos credores, pessoas físicas, do Banco Master, Banco Master de Investimentos e Letsbank segue pelo aplicativo do FGC. É importante que as pessoas mantenham ativas as notificações do aplicativo para serem alertadas quanto à necessidade de alguma atuação para a evolução de seu processo", informou o fundo em nota. Em relação ao Will Bank, o FGC estima que serão pagos R$ 6,3 bilhões em garantias. Com a liquidação do Banco Pleno, o fundo estima que as garantias a serem pagas a credores da instituição somem R$ 4,9 bilhões. Revisão do FGC Os recursos do FGC vêm dos próprios bancos associados, que fazem contribuições mensais. Antes do caso Master, o fundo tinha mais de R$ 140 bilhões em caixa para cobrir emergências e preservar a estabilidade do sistema financeiro. Como mostrou o g1 em reportagem da semana passada, agora será preciso recompor esse valor. Especialistas defendem uma revisão ainda mais profunda do modelo de financiamento do FGC, para que instituições mais arriscadas contribuam com valores maiores. Hoje, os bancos pagam uma taxa mensal de 0,01% sobre o saldo dos depósitos cobertos pelo fundo — caso de CDBs, poupança, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), por exemplo. Em agosto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) criou uma cobrança adicional para instituições mais expostas a riscos, elevando a taxa para 0,02%, e determinou que mantenham uma parcela maior de recursos aplicada em títulos públicos. Para o advogado Roberto Panucci, as medidas aumentam o custo para bancos que assumem riscos excessivos, mas não resolvem o problema central. “Ao encarecer o uso da cobertura do FGC, o regulador reconhece que o modelo atual gera incentivos distorcidos. A reforma é, na prática, uma admissão de que a garantia estimula comportamentos de risco.” Saiba mais na reportagem abaixo. ‘Prejuízo Master’: o que o colapso do banco mostrou sobre os limites da garantia do FGC Fundo alerta sobre fraudes O FGC e as instituições em liquidação alertaram, ainda, para tentativas de fraude e golpes relacionados ao pagamento da garantia. "O FGC e as instituições em liquidação não realizam contatos por telefone, aplicativos de mensagens ou redes sociais para solicitar dados pessoais, senhas ou códigos de verificação. Toda comunicação oficial é feita exclusivamente por meio dos canais institucionais, divulgados nos sites oficiais", informou o fundo em nota. O FGC ainda destacou que "não há qualquer relação com terceiros que ofereçam intermediação, facilitação ou antecipação de valores mediante pagamento ou fornecimento de dados". "Em caso de dúvida, o cliente deve procurar apenas os canais oficiais", completou.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Geraldo Alckmin, informou nesta quinta-feira (5) que deixará o comando do ministério no dia 4 de abril. Apesar da lei não exigir que o vice-presidente da República deixe o cargo de vice-presidente caso vá disputar a reeleição, Alckmin precisa deixar a pasta ministerial para poder participar da disputa. A informação foi dada no começo da entrevista coletiva de divulgação dos dados da balança comercial de fevereiro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Situação da disputa em São Paulo O futuro político do vice-presidente é parte das negociações envolvendo palanques eleitorais em São Paulo, que também incluem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na última semana, Lula recebeu Haddad para um jantar no Palácio da Alvorada. No encontro, segundo relato de um assessor do presidente ao blog da Ana Flor, o ministro ouviu de Lula que precisa dele para ajudar a consolidar sua reeleição. Lula e Alckmin em cerimônia Ricardo Stuckert/PR Haddad, muito resistente a concorrer a qualquer cargo em 2026, vem cedendo diante da insistência de Lula. Segundo uma pessoa próxima ao presidente, Lula conseguiu convencer o ministro a avaliar a possibilidade de concorrer em São Paulo. Segundo um assessor do presidente, a chapa ideal de Lula teria ainda o vice-presidente Geraldo Alckmin, quatro vezes governador de SP. Pesquisas eleitorais nas últimas semanas mostrando uma consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência e um afunilamento no segundo turno da disputa com Lula ligaram o alerta dos estrategistas de campanha e são parte do argumento para levar Haddad a concorrer. Mesmo com o favoritismo do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), integrantes do núcleo próximo do presidente veem Haddad como o nome que pode diminuir a diferença e trazer votos essenciais para Lula no estado.

Balança comercial tem melhora no mês de fevereiro Divulgação/Portos RS A balança comercial registrou superávit de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (5). 🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário. O valor representa melhora em relação ao ano passado, quando o saldo foi deficitário em US$ 467 milhões. Esse também foi o maior superávit para meses de fevereiro desde 2024 (+US$ 5,13 bilhões). O destaque de fevereiro foi o forte crescimento nas exportações de petróleo, principalmente por conta do valor exportado, o preço recuou no mês passado. Já em março, o preço do produto está em alta por conta da guerra no Oriente Médio. 💵 Segundo o governo, em fevereiro: As exportações somaram US$ 26,3 bilhões, com alta de 28,5% pela média diária; As importações somaram US$ 22,1 bilhões, com aumento de 5,7% pela média diária; Destaques das exportações em fevereiro Óleos brutos de petróleo: US$ 3,7 bilhões, com alta de 76,5% Soja: US$ 2,93 bilhões, com aumento de 15,5% Minério de ferro: US$ 2,09 bilhões, com alta de 20,9% Carne bovina: US$ 1,33 bilhão, com crescimento de 41,8% Café não torrado: US$ 1,02 bilhão, com queda de 1,1% Carnes de aves e suas miudezas: US$ 856 milhões, com alta de 9,8% Acumulado do ano Nos dois primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 8,02 bilhões, informou o governo. Com isso, houve melhora na comparação com o primeiro bimestre de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 1,87 bilhões. No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 50,92 bilhões (alta 13,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária). Já as importações somaram US$ 42,9 bilhões no primeiro bimestre de 2026, com queda de 0,2% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária. Relação com os EUA Ainda sob impacto do tarifaço dos EUA na maior parte do mês passado, as exportações brasileiras para os EUA recuaram para US$ 2,52 bilhões em fevereiro deste ano, contra US$ 3,17 bilhões no mesmo mês do ano passado. Um recuo de 20,3%. Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos norte-americanos também recuaram no mês passado, para US$ 2,79 bilhões. O recuo foi de 16,5% frente ao mesmo período de 2025 (US$ 3,33 bilhões). ➡️Com estes resultados, a balança comercial com os EUA registrou um déficit de US$ 265 milhões no segundo mês de 2026. O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio. Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil. Ainda assim, foi divulgada uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes. Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau. Ainda assim, parte da pauta continuou tarifada. Em 20 de fevereiro, porém, a Justiça dos EUA decidiu que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor o chamado "tarifaço" a outros países sem autorização do Congresso Nacional. Por isso, revogou as sobretaxas específicas impostas a várias nações, mantendo apenas a tarifa geral de 10%. A situação da balança comercial brasileira em janeiro só não foi pior porque o país conseguiu ampliar as exportações para outros mercados, como China, México, União Europeia e Oriente Médio. Esse movimento ajudou a compensar os efeitos do tarifaço dos EUA, ainda vigente em boa parte do mês de fevereiro. Para o Mercosul, porém, foi registrada queda. Exportações para outros blocos e regiões em fevereiro: China: alta de 38,7%, para US$ 7,22 bilhões; Mercosul: queda de 19,5%, para US$ 1,56 bilhão; União Europeia: alta de 34,7%, para US$ 4,23 bilhões; México: crescimento de 24,3%, para US$ 634 milhões; Oriente Médio: alta de 10,8%, para US$ 1,23 bilhão.

Renault lança Koleos no Brasil e quer clientes de SUVs chineses A Renault quer se reposicionar aos olhos dos brasileiros. Deixar de ser vista como a marca dos carros populares para ser reconhecida pelo requinte nos segmentos mais caros. O capítulo mais recente dessa estratégia, que já incluiu Kardian e Boreal, é o Koleos. O SUV tem proporções generosas, maiores que as do Jeep Commander, e aposta em uma cabine chamativa e em um conjunto híbrido de 245 cv para fisgar clientes que hoje compram BYD Song Plus e GWM Haval H6. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Renault ainda não divulga o preço, mas o g1 apurou e já consegue fazer uma estimativa: algo na casa dos R$ 260 mil. O Koleos segue o padrão global de design da Renault. As linhas vincadas da carroceria ganham destaque com a pintura cinza acetinada. Detalhes azulados e apliques pretos completam o visual futurista. Será o suficiente para conquistar o cliente brasileiro? A resposta talvez esteja no interior do Koleos. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Painel com três telas No interior, a Renault priorizou a experiência de motorista e passageiros. São três telas alinhadas no painel, cada uma com 12,3 polegadas. Uma está logo atrás do volante e funciona como cluster de instrumentos. No meio, alinhada com o console central, está a tradicional tela do multimídia. A novidade é a terceira tela, logo a frente do carona. Nela é possível ajustar o ar-condicionado, escolher músicas no sistema de som Bose com 10 alto-falantes e até assistir à série favorita em serviços de streaming. Painel com 3 telas do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Essa tela do passageiro tem um efeito de discrição semelhante ao de películas de privacidade usadas em celulares. Quem observa de lado não consegue ver o conteúdo, que aparece escuro. Assim, o passageiro pode assistir a vídeos sem distrair o motorista. A má notícia é que a legislação brasileira não permite a reprodução de vídeos com o carro em movimento, mesmo com esse recurso na tela. Portanto, filmes e séries só podem ser assistidos com o Koleos parado. A qualidade dos materiais e do acabamento é superior. Por outro lado, a combinação de telas e revestimentos em preto brilhante acumula muitas marcas de dedo. A iluminação ambiente colore os painéis das portas e harmoniza com as costuras azuis e vermelhas. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Comparado ao interior do Song Plus 2027, por exemplo, o Koleos integra melhor os elementos ao painel. A gigante tela flutuante do BYD rouba o protagonismo. A Renault transmite sensação de tecnologia sem recorrer a telas giratórias ou botões chamativos. O teto panorâmico reforça o ambiente sofisticado. Resta saber se o cliente brasileiro prefere a ousadia de alguns modelos ou a proposta mais discreta do Koleos. Banco traseiro generoso É de se imaginar que quem busca um veículo desse porte não quer passar aperto no banco traseiro. A plataforma CMA, também usada por Volvo e Geely, garante 2,82 m de entre-eixos e posiciona a bateria de forma compacta no centro do carro. O resultado é um assoalho praticamente plano e bom espaço para joelhos, ombros e cabeça. Além do espaço generoso, os ocupantes do banco traseiro contam com saídas de ar-condicionado com ajuste próprio de temperatura e bancos aquecidos, algo raro na segunda fileira. Também é possível reclinar o encosto, o que torna a viagem mais confortável. Bancos traseiros do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Equipamentos e preço para brigar O Koleos será vendido no Brasil em versão única, sem opcionais. A lista inclui rodas de 20 polegadas com acabamento diamantado, pacote visual Esprit Alpine, bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, carregador de celular por indução, conectividade com Android Auto e Apple CarPlay, head-up display e outros itens de conforto. No lançamento, a Renault afirmou que o Koleos poderá ser comprado em qualquer um dos mais de 250 pontos de venda da marca. A empresa não confirmou preço, prazo de garantia, planos de manutenção nem expectativa de vendas. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação O g1 apurou que a Renault considera como principais concorrentes do Koleos o BYD Song Plus e, nas versões mais completas, o GWM Haval H6. A lista também inclui Volkswagen Tiguan, Chevrolet Equinox e Jeep Commander. Com esses concorrentes na mira e o pacote de equipamentos oferecido, é possível estimar um preço próximo de R$ 260 mil. A confirmação dos valores e de informações como a garantia será feita no dia 1º de abril. “Não vamos brigar por volume de vendas, mas para ser referência no segmento”, explica Guilherme Ruibal, gerente de produto da Renault. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação São 29 sistemas de assistência ao motorista O Renault Koleos consegue fazer manobras de estacionamento de forma autônoma; o motorista não precisa nem acelerar. Há também condução semiautônoma de nível 2. Em vias rápidas, o SUV mantém velocidade e distância do veículo à frente de forma adaptativa. Ele identifica a faixa de rolamento e mantém o carro centralizado. O SUV conta com frenagem automática e assistente de manobras evasivas. Nesse caso, o sistema identifica quando a força aplicada pelo motorista pode não ser suficiente para evitar uma colisão e adiciona mais assistência à direção. Há câmera 360 graus, farol alto automático, limitador de velocidade, assistente de partida em rampa, alerta de distância segura do veículo à frente, alerta de colisão com frenagem automática inclusive em curvas, alerta de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego, alerta e frenagem para tráfego cruzado traseiro e frontal, aviso para saída segura dos ocupantes, alerta de colisão traseira, entre outros recursos. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Concorrentes plugáveis O motor 1.5 turbo com injeção direta do Koleos é movido apenas a gasolina e gera 144 cv, com torque de 23,4 kgfm. Os dois motores elétricos, acoplados à transmissão de três marchas, entregam juntos 136 cv e 32,6 kgfm de torque. A potência combinada chega a 245 cv. Os dados oficiais da Renault indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. Segundo o Inmetro, o consumo é de 13,1 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada — números que não impressionam para um híbrido. O g1 já experimentou o Koleos pelas ruas de São Paulo, mas as impressões de como o modelo se comporta ao volante só podem ser compartilhadas mais para frente. Motor 1.5 turbo do Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Divulgação Já é possível comparar o Renault com alguns dos modelos apontados como concorrentes. O BYD Song Plus acaba de ser atualizado, custa R$ 249.990 e entrega 239 cv. Além disso, a bateria de 26,3 kWh do modelo chinês permite rodar até 99 km no modo elétrico, sem acionar o motor a combustão. O GWM Haval H6 PHEV19 é vendido por R$ 249 mil e tem mais força. A potência combinada do motor 1.5 turbo com o elétrico chega a 326 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,6 segundos, mais rápida que a do Koleos. Já deu para perceber que a concorrência é pesada, tanto em preço quanto em números de desempenho. Renault Koleos esprit Alpine full Hybrid E-Tech Motor a combustão: 1.5 turbo, quatro cilindros em linha, gasolina Potência: 144 cavalos Torque: 23,4 kgfm Motores elétricos: 2 Potência: 136 cavalos Torque: 32,6 kgfm Bateria: Íon de lítio Capacidade da bateria: 1,64 kWh Tanque de combustível: 55 litros Câmbio: 3 marchas Tração: Dianteira Suspensão: McPherson (dianteira), multibraços (traseira) Direção: Elétrica Freios: Discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira) Consumo gasolina: 13,1 km/l (cidade) e 12,1 km/l (estrada) 0 a 100 km/h: 8,3 segundos Velocidade máxima: 180 km/h Comprimento: 4,78 m Largura: 1,88 m Altura: 1,68 m (com as barras do teto) Entre-eixos: 2,82 m Peso: 1.804 kg

Movimentação de candidatos antes da abertura dos portões para a realização das provas do Concurso Nacional Unificado (CNU) 2025. WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) prorrogou por mais um ano a validade da primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), conhecido como “Enem dos Concursos”. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (5) em edital no Diário Oficial da União e amplia o prazo para a convocação de candidatos aprovados para o serviço público federal. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Com a prorrogação, o governo federal passa a ter mais 12 meses para fazer novas convocações dentro do cadastro de aprovados. Nos cargos que não exigem curso de formação, cuja homologação ocorreu em 7 de março de 2025, a validade do concurso foi estendida até 6 de março de 2027. Já para as carreiras que exigem curso de formação ou prova didática, a nova data de validade depende da homologação do resultado final de cada cargo. Nesses casos, os prazos passam a variar entre abril e setembro de 2027. A prorrogação abrange praticamente todos os cargos da primeira edição do CNU. A exceção é o cargo de Analista em Tecnologia da Informação (ATI), para o qual todos os candidatos aprovados no cadastro de reserva já foram convocados, segundo o ministério. Na prática, a medida dá mais tempo para que órgãos federais convoquem candidatos aprovados, tanto para preencher vagas imediatas quanto para reposições ou novas autorizações de nomeação durante o período de validade do concurso. O edital publicado pelo Ministério da Gestão também traz tabelas com todas as carreiras incluídas na prorrogação, organizadas por blocos temáticos. Para cada cargo, são informados: o órgão responsável pela vaga; o cargo; a especialidade ou a área de formação exigida; o código do cargo no edital; e, nos casos com curso de formação, a nova data final de validade do concurso. Confira, nas tabelas a seguir, as novas datas de vigência para cada cargo: A primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado foi realizada em 2024 e ofertou cerca de 6.640 vagas em 21 órgãos públicos, distribuídas em oito editais — um para cada bloco temático (área de atuação). O concurso reuniu cargos organizados em oito blocos temáticos da administração pública federal: sete destinados a cargos de nível superior (blocos 1 a 7) e um voltado a cargos de nível médio (bloco 8). A distruição funcionou da seguinte forma: Bloco 1: Infraestrutura, Exatas e Engenharias Bloco 2: Tecnologia, Dados e Informação Bloco 3: Ambiental, Agrário e Biológicas Bloco 4: Trabalho e Saúde do Servidor Bloco 5: Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Direitos Humanos Bloco 6: Setores Econômicos e Regulação Bloco 7: Gestão Governamental e Administração Pública Bloco 8: Nível Intermediário Em 2025, a segunda edição reuniu 3.652 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, com salários iniciais que variam entre R$ 4 mil e R$ 16 mil. As listas de classificação para vagas imediatas e as listas de espera foram divulgados em fevereiro. CNU 2025: como será formato, pesos, critérios e regras da prova discursiva

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair As preocupações com o conflito no Oriente Médio voltaram a guiar os mercados nesta quinta-feira (5) e trouxeram mais um dia de alta para o dólar, que fechou cotado a R$ 5,2865, no maior patamar desde 23 de janeiro (R$ 5,2867). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caiu 2,64%, aos 180.464 pontos, no menor nível desde 26 de janeiro, quando encerrou aos 178.721 pontos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ No 6º dia de conflito no Oriente Médio, o chefe militar de Israel afirmou que a ofensiva contra o Irã entrou em sua próxima etapa, com operações destinadas a desmantelar ainda mais as capacidades militares da república islâmica. Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que "precisa se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder supremo" do país. A escalada das tensões e a incerteza sobre quanto a guerra ainda pode durar continuam a trazer cautela para os mercados financeiros. A principal preocupação diz respeito ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Com temores sobre eventuais impactos no mercado, a commodity registrava mais um dia de alta nesta quinta-feira (5). O petróleo tipo Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. O avanço dos preços acontece mesmo depois de Trump ter afirmado que garantiria o tráfego de petroleiros pelo canal. ▶️ No noticiário local, investidores seguiram atentos aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou nesta quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e deve ficar em isolamento por 10 dias. A nova fase da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma "milícia privada" chamada "A Turma". O grupo era usado para intimidar e espionar adversários e também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos. ▶️ Na agenda de indicadores, o destaque ficou com a taxa de desemprego do Brasil, que ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. O resultado representa uma estabilidade em comparação aos três meses anteriores. Também no radar, a balança comercial do país registrou um superávit (quando as exportações superam as importações) de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, puxado pelo forte crescimento das vendas de petróleo ao exterior. ▶️ Já no exterior, as atenções ficaram voltadas para os novos números de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. As solicitações somaram 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, ligeiramente abaixo da expectativa de economistas, de 215 mil. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,97%; Acumulado do mês: +2,97%; Acumulado do ano: -3,68%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -4,41%; Acumulado do mês: -4,41%; Acumulado do ano: +12%. Oriente Médio e petróleo A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e em meio às incertezas sobre a duração da guerra voltou a se refletir nos preços do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42. Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo informações da agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo dados de empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem. O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Agenda econômica Desemprego no Brasil A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos resultados. "Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou. Veja os destaques da pesquisa: Taxa de desocupação: 5,4% Taxa de subutilização: 13,8% População desocupada: 5,9 milhões População ocupada: 102,7 milhões População fora da força de trabalho: 66,3 milhões População desalentada: 2,7 milhões Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões Trabalhadores informais: 38,5 milhões Ela também destacou que, na comparação anual, houve melhora mais clara no indicador. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou. Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters esperavam um número ligeiramente maior, de 215 mil solicitações. O mercado de trabalho norte-americano ainda se recupera de um período de incerteza vivido no ano passado. Na época, economistas apontaram que as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump — com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional — geraram insegurança econômica e afetaram as contratações. Posteriormente, essas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações e afirmou que a alíquota deverá subir para 15%. Apesar disso, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode ganhar fôlego ao longo deste ano, impulsionado por cortes de impostos que tendem a estimular a atividade econômica e a demanda. Outro levantamento divulgado nesta quinta-feira pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro. O número representa uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% na comparação com fevereiro do ano passado. Os planos de contratação, por sua vez, aumentaram 140% frente a janeiro, mas ainda ficaram 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025. Mercados globais Em Wall Street, a escalada das tensões no Irã voltaram a pressionar os mercados americanos. O clima de cautela ganhou força depois que o Irã lançou mísseis contra Israel e após senadores republicanos bloquearem uma tentativa de interromper os ataques aéreos conduzidos pelos EUA. Perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,83%. O S&P 500 caía 1,02%, e o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%. As bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira no campo negativo, em meio a um cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos. Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,61%, para 23.815,75 pontos; o FTSE 100, do Reino Unido, cedeu 1,45%, a 10.413,94 pontos; e o CAC 40, da França, teve baixa de 1,49%, encerrando aos 8.045,80 pontos. Já os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional. A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após Pequim anunciar planos para aumentar investimentos em inovação. Esse otimismo ajudou a impulsionar os principais índices da China e de Hong Kong. No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,6%, enquanto o CSI300 subiu 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,3%. Outros mercados asiáticos também tiveram fortes ganhos: o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,9%, chegando a 55.278 pontos; o KOSPI, em Seul, avançou 9,63%, para 5.583 pontos; e o TAIEX, em Taiwan, teve alta de 2,57%, alcançando 33.672 pontos. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

Desemprego fica em 5,4% no trimestre terminado em janeiro, diz IBGE A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, a taxa é o menor nível da série para trimestres encerrados em janeiro e indica estabilidade em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro. A especialista explica que, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba por conta do fim das vagas temporárias. “Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou. Ela também destacou que, na comparação anual, a melhora foi mais evidente. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou. Veja os destaques da pesquisa: Taxa de desocupação: 5,4% Taxa de subutilização: 13,8% População desocupada: 5,9 milhões População ocupada: 102,7 milhões População fora da força de trabalho: 66,3 milhões População desalentada: 2,7 milhões Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões Trabalhadores informais: 38,5 milhões A população desocupada somava 5,9 milhões de pessoas no trimestre encerrado em janeiro, número estável em relação ao trimestre de agosto a outubro de 2025. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, houve queda de 17,1% — o equivalente a 1,2 milhão de pessoas a menos sem trabalho. Já a população ocupada chegou a 102,7 milhões. O total ficou praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,7% em relação a um ano antes, com a entrada de mais 1,7 milhão de pessoas no mercado de trabalho. Com isso, o nível de ocupação — que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada — ficou em 58,7%, estável no trimestre e 0,5 ponto percentual acima do registrado um ano antes. A população subocupada por insuficiência de horas — pessoas que trabalham menos do que gostariam — somava 4,5 milhões no trimestre encerrado em janeiro e permaneceu estável tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período do ano passado. Já a população fora da força de trabalho chegou a 66,3 milhões de pessoas. O contingente ficou estável frente ao trimestre anterior, mas aumentou 1,3% na comparação anual, o que representa mais 846 mil pessoas. Entre os que desistiram de procurar emprego, a chamada população desalentada somava 2,7 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas caiu 15,2% em relação a um ano antes, o equivalente a 476 mil pessoas a menos nessa condição. 🔎 Desalentados são pessoas que estão fora da força de trabalho no momento da pesquisa, mas gostariam de trabalhar e estavam disponíveis para assumir uma vaga. Mesmo assim, não procuraram emprego naquele período — geralmente por acharem que não conseguiriam uma oportunidade. Com isso, a taxa de desalento ficou em 2,4%, estável no trimestre e 0,4 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Formalidade x informalidade No mercado de trabalho formal e informal, os principais tipos de vínculo apresentaram os seguintes resultados no trimestre: 💼 Empregados no setor privado com carteira assinada (exceto domésticos): 39,4 milhões. O total ficou estável no trimestre e cresceu 2,1% em relação a um ano antes, com cerca de 800 mil vagas a mais. 📄 Empregados sem carteira no setor privado: 13,4 milhões, com estabilidade tanto no trimestre quanto na comparação anual. 🧑💻 Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões. O número ficou estável no trimestre, mas aumentou 3,7% em um ano — alta de 927 mil pessoas. 🏠 Trabalhadores domésticos: 5,5 milhões. O contingente ficou estável no trimestre, mas caiu 4,5% na comparação anual, com redução de 257 mil pessoas. A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais. No trimestre encerrado em outubro, esse percentual era de 37,8% (38,8 milhões), enquanto no mesmo período do ano anterior era de 38,4% (cerca de 38,8 milhões). 💰 Já o rendimento real habitual de todos os trabalhos foi estimado em R$ 3.652, com alta de 2,8% no trimestre e de 5,4% na comparação anual. 💵 A massa de rendimento real habitual — que representa a soma de todos os salários pagos no país — chegou a R$ 370,3 bilhões, crescimento de 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e de 7,3% em um ano (mais R$ 25,1 bilhões). Força de trabalho fica estável e emprego cresce em alguns setores A força de trabalho no país — que reúne pessoas ocupadas e aquelas que estão procurando emprego — somou 108,5 milhões no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026. O total ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro, mas aumentou 0,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, o que representa mais 472 mil pessoas. Ao analisar a ocupação por setores da economia, a pesquisa mostra que, na comparação com o trimestre anterior, os principais movimentos foram: 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: alta de 2,8% (mais 365 mil pessoas) 🧰 Outros serviços: crescimento de 3,5% (mais 185 mil trabalhadores) 🏭 Indústria geral: queda de 2,3% (menos 305 mil pessoas) Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o levantamento mostra: 💻 Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: alta de 4,4% (mais 561 mil pessoas) 🏛️ Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais: crescimento de 6,2% (mais 1,1 milhão de pessoas) 🏠 Serviços domésticos: queda de 4,2% (menos 243 mil trabalhadores) Mercado de trabalho resiliente, mas com atenção à inflação Para analistas, os dados da PNAD de janeiro reforçam que o mercado de trabalho brasileiro segue aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e renda em alta. Ao mesmo tempo, o cenário ainda pede cautela na política monetária, já que a combinação de emprego forte e salários em alta pode pressionar a inflação. O economista Maykon Douglas avalia que o resultado foi positivo principalmente porque a taxa mínima de desemprego veio acompanhada de mais pessoas trabalhando e de aumento da renda. Na avaliação dele, diferentemente de alguns momentos do fim do ano passado, esta divulgação não trouxe sinais contraditórios. “A taxa de desemprego sustentou a mínima histórica devido ao aumento no número de empregados, mesmo com a alta na taxa de participação. Além disso, a massa salarial renovou a máxima histórica e voltou a acelerar na comparação anual, registrando o maior crescimento desde meados do ano passado”, afirma. Na avaliação do economista, trata-se de “uma leitura mensal sólida”, que confirma o dinamismo do mercado de trabalho no país. Ele acrescenta que esse cenário tende a reforçar uma postura mais cautelosa do Banco Central, já que o aumento do emprego e dos salários pode pressionar a inflação mais ligada ao consumo. Douglas também projeta leve alta da taxa de desemprego nos próximos meses — movimento que considera comum no início de cada ano. “A taxa de desemprego deve subir 0,1 ou 0,2 ponto percentual nos próximos meses”, diz. Ainda assim, a expectativa dele é que o indicador feche 2026 com média anual de 5,2%, abaixo do nível observado em 2025. Avaliação semelhante é feita por Rafael Perez, economista da Suno Research, que vê o resultado como sinal de resiliência do mercado de trabalho. Segundo ele, a taxa de 5,4% ficou em linha com as projeções e reflete, em parte, o padrão típico do início do ano, quando o fim das vagas temporárias criadas no período de festas costuma elevar o desemprego. Mesmo assim, Perez ressalta que vários indicadores continuam em níveis recordes, como o número de pessoas ocupadas, o total de empregos formais e a massa de rendimentos. “O país atravessa um quadro de desemprego em mínimas históricas, crescimento real dos salários e elevado grau de formalização”, afirma. De acordo com o economista, esse ambiente tende a impulsionar a renda e o consumo das famílias, mas também pode tornar mais difícil a volta da inflação para a meta. Por isso, ele avalia que o Banco Central deve manter um ritmo cauteloso e gradual no processo de cortes de juros ao longo do ano. Carteira de trabalho Divulgação

Preço do petróleo pode disparar durante a guerra O petróleo voltou a subir nesta quinta-feira (5), refletindo a preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte da commodity no mundo. A alta passava de 3% por volta das 14h, próximo dos US$ 85. Mesmo assim, parte dos mercados mostrou recuperação após as fortes quedas registradas nos últimos dias por causa da guerra no Oriente Médio. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na Ásia, as bolsas reagiram de forma positiva. Em Seul, o índice Kospi disparou 9,63%, recuperando parte das perdas após ter despencado mais de 12% na quarta-feira, em meio ao pânico provocado pela alta dos preços de energia. Em resposta à volatilidade, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, anunciou a ativação de um fundo de estabilização de US$ 68 bilhões (cerca de R$ 356 bilhões) para apoiar o mercado financeiro. Segundo ele, a medida busca evitar novas turbulências. Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 1,9%, após cair 3,61% na sessão anterior. Já na China, os principais mercados também avançaram: a bolsa de Hong Kong ganhou 0,3% e a de Xangai, 0,6%. O movimento veio após o governo chinês anunciar a meta de crescimento econômico para este ano, entre 4,5% e 5%, a mais baixa em cerca de três décadas. A melhora no humor dos investidores também foi influenciada pelo desempenho de Wall Street na quarta-feira (4), quando os principais índices americanos subiram após a divulgação de indicadores econômicos melhores do que o esperado. Por volta das 14h, no entanto, as bolsas inverteram o sinal: Dow Jones passou a cair 1,47%, S&P 500 recuava 0,59% e Nasdaq registrava baixa de 0,20%. Na Europa, os principais mercados encerraram o dia no vermelho: Londres caiu 1,45%, Frankfurt recuou 1,78%, Milão perdeu 1,61% e Paris registrou baixa de 1,49%. No Brasil, o Ibovespa, principal índice da bolsa, recuava 1,88% por volta das 14h12, aos 181.742 pontos. Segundo Jonas Goltermann, economista da Capital Economics, muitos investidores ainda acreditam que o conflito pode ter impacto limitado na economia global, como ocorreu em 2025, quando ataques pontuais dos Estados Unidos contra instalações iranianas aumentaram a tensão, mas não provocaram efeitos duradouros. Ele alerta, porém, que esse cenário pode ser otimista demais. “Esta perspectiva é otimista, levando em consideração que o conflito já se propagou por toda a região e o Estreito de Ormuz está fechado. Os mercados podem enfrentar uma grande decepção em caso de agravamento da situação”, disse o analista em entrevista à France Presse. Ataques a petroleiros continuam Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo a agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem. O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu poucas horas depois de fracassarem tentativas em Washington de interromper os ataques americanos. Na quarta-feira, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos. No mesmo dia, sistemas de defesa aérea da Otan interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia. Analistas do J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Se o bloqueio continuar, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters

Bandeira da China. Maxim Shemetov/Reuters A China estabeleceu uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5% para este ano — a mais baixa em décadas —, vista como peça central da estratégia para enfrentar a fraqueza do consumo interno e a crise no mercado imobiliário. Pequim também aproveitou a tradicional reunião política anual, conhecida como “Duas Sessões”, para anunciar um aumento de 7% no orçamento de defesa, o segundo maior do mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A medida busca contrabalançar a influência militar dos Estados Unidos e reforçar as reivindicações territoriais da China sobre Taiwan e o Mar do Sul da China. Com isso, o país deve destinar 1,9 trilhão de yuans (US$ 276,8 bilhões, ou cerca de R$ 1,4 trilhão) às forças armadas. Ainda assim, o valor equivale a aproximadamente um terço do orçamento militar dos EUA. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 A China é a segunda maior economia do mundo e responde por cerca de um terço do crescimento global. Apesar das exportações fortes, o país enfrenta problemas estruturais e pressões comerciais dos EUA. “As conquistas do ano passado foram muito difíceis de alcançar”, afirmou o primeiro-ministro Li Qiang ao abrir, na manhã de quinta-feira (5), a sessão anual da Assembleia Popular Nacional (APN), o parlamento chinês. “Raramente enfrentamos um cenário tão complexo, em que desafios externos se somaram a dificuldades internas e exigiram decisões políticas difíceis”, acrescentou. Segundo análise da AFP, a meta de crescimento anunciada é a mais baixa desde 1991. A única exceção foi 2020, quando Pequim deixou de fixar um objetivo oficial por causa do impacto da pandemia de Covid-19 na economia. Metas para o desenvolvimento Milhares de parlamentares e líderes de todo o país se reuniram no Grande Salão do Povo, em Pequim, para o encontro, organizado com rigor e acompanhado de perto pelo presidente Xi Jinping. Durante a reunião, serão aprovados projetos de lei e reformas que, em grande parte, já foram definidos pela liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). Para analistas, o evento funciona sobretudo como a formalização de decisões políticas já tomadas. O governo chinês defende que o modelo de crescimento do país precisa se afastar dos motores tradicionais, como exportações e indústria, e passar a depender mais do consumo interno. Entre as metas econômicas para 2026 estão uma inflação ao consumidor em torno de 2% e o aumento da renda da população em ritmo semelhante ao do crescimento da economia, segundo relatório apresentado por Li. A economia chinesa vem desacelerando gradualmente nos últimos anos, à medida que o país se consolida como uma das principais potências econômicas. Mesmo assim, o forte desempenho das exportações ajudou o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 5% em 2025. O país também registrou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 6,2 trilhões), apesar de meses de tensões com os EUA. Durante as “Duas Sessões”, Pequim também deve apresentar o 15º Plano Quinquenal, que vai definir as diretrizes de desenvolvimento até 2030. O plano deve priorizar avanços tecnológicos em áreas como inteligência artificial, setores de alta tecnologia e segurança energética e de recursos naturais.

Caso Master: perícia em celulares de Vorcaro revelam engrenagem criminosa movida por corrupção Na quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes bilionárias ao sistema financeiro nacional praticadas por ele por meio do Banco Master. Além dele, outras três pessoas, investigadas também por fazerem parte de uma suposta organização para monitorar e ameaçar adversários do banqueiro também foram presas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A operação de quarta-feira também atingiu dois servidores do Banco Central suspeitos de atuarem em favor de Vorcaro. Este foi o mais recente episódio de uma crise que se acentuou em novembro de 2025 e que, desde novembro de 2025, já fez com que o Banco Central liquidasse três bancos — Master, Will Bank e Pleno — além da gestora de fundos de investimento Reag, todos vinculados direta ou indiretamente a Vorcaro. A quebra do Master, Will Bank e Pleno deverá gerar um rombo de R$ 51 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma associação privada mantida por contribuições dos bancos e que funciona como uma espécie de seguro para os investidores. A quebra do Master e dos outros bancos que vieram na sequência geraram o maior desembolso do fundo desde que ele foi criado, em 1995. Na prática, pessoas físicas e empresas que aplicaram até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em títulos como CDBs (certificados de depósito bancário) deverão receber integralmente seus recursos, evitando perdas sobretudo entre pequenos investidores. Mas se por um lado, especialistas afirmam que o FGC evitou uma corrida desenfreada por resgates e um clima de desconfiança generalizada no sistema financeiro, por outro, a onda de liquidações ligada ao Master levantou uma outra questão: em que medida toda essa garantia não seria, também, parte do problema? É precisamente esta a tese defendida pelo professor de finanças e consultor financeiro Michael Viriato, que já deu aulas no Insper, na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e na USP e que atua há 27 anos no mercado financeiro. Segundo ele, o FGC, principal mecanismo de proteção do sistema financeiro, cria incentivos para que crises como a atual se repitam. "O sistema de segurança do Sistema Financeiro Nacional incentiva, sim, o surgimento de novos banqueiros como Daniel Vorcaro, que têm uma disposição maior ao risco e que, eventualmente, pode deixar um problema para o sistema financeiro", afirmou Viriato em entrevista à BBC News Brasil. Segundo o especialista, o FGC cumpre uma função essencial ao proteger investidores e preservar a confiança no sistema bancário. O problema, afirma, não estaria na existência do mecanismo, mas nos incentivos gerados pelo seu desenho atual. De um lado, ele explica, como o FGC garante o ressarcimento de até R$ 250 mil, muitos investidores deixam de avaliar a solidez dos bancos nos quais eles pretendem aplicar e priorizam apenas taxa de retorno. Com isso, ele diz, produtos financeiros com remuneração mais elevada tendem a atrair mais recursos, ainda que estejam associados a instituições que precisam pagar mais caro justamente por apresentarem maior risco. O segundo efeito aparece do lado das instituições financeiras. Segundo Viriato, banqueiros dispostos a assumir estratégias mais agressivas podem utilizar a garantia do FGC como argumento para captar recursos oferecendo taxas acima da média do mercado. O problema é que, para sustentar essas promessas de alta rentabilidade, afirma Viriato, os banqueiros precisam fazer aplicações ou investimentos cada vez mais arriscados. Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro confirmou essa tese. "O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo", disse Vorcaro, que nega as acusações contra ele, à PF. Viriato defende mudanças no mecanismo de funcionamento do FGC para evitar novas crises como a do Master. Na avaliação do economista, possíveis mudanças poderiam envolver uma redução do percentual ao qual os investidores teriam direito em caso de quebra do banco. Viriato também comentou sobre o suposto envolvimento de funcionários de carreira do BC com Daniel Vorcaro. Segundo o especialista, a reputação do BC não fica afetada por isso e que é preciso separar a atuação dessas pessoas do restante da instituição. A maior parte da entrevista foi feita antes da deflagração da fase mais recente da operação, mas na quarta-feira, Viriato respondeu a questionamentos relacionados às revelações mais recentes divulgadas sobre o caso. Confira abaixo os principais trechos da entrevista: Banqueiro Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal, nega irregularidades na condução dos negócios do Banco Master Reprodução/Polícia Federal BBC News Brasil - Nos últimos meses, o Brasil teve três bancos e uma gestora de fundos de investimento liquidados e mais um banco entrando em recuperação judicial. Tem alguma coisa errada no sistema financeiro nacional? Michael Viriato – Do jeito que está estruturado, o sistema de segurança do sistema financeiro nacional incentiva, sim, o surgimento de novos banqueiros como o Daniel Vorcaro, que têm uma disposição maior ao risco e que, eventualmente, pode deixar um problema para o sistema financeiro. BBC News Brasil - Mas em grande parte, os investidores desses bancos estão sendo ressarcidos pelo FGC. Por que, na sua avaliação, esse sistema que está protegendo uma boa parte dos investidores estaria errado? Viriato – A existência do FGC é essencial para a estabilização do sistema financeiro. Ele permite que novos bancos surjam e evita que todo o mercado fique concentrado apenas nos grandes bancos. Nesse sentido, ele cumpre um papel importante. O problema não está na existência do FGC, mas no incentivo econômico que o seu desenho acaba gerando para o pequeno investidor. Como aplicações dentro do limite de cobertura estão protegidas (hoje até R$ 250 mil por instituição financeira e CPF ou CNPJ) o investidor deixa de se preocupar com a qualidade do banco emissor do ativo no qual ele investiu. Ele passa a olhar quase exclusivamente para a taxa de retorno. E, no sistema bancário, taxas mais altas normalmente são oferecidas justamente pelas instituições mais frágeis, que precisam pagar mais caro para captar recursos. O investidor percebe que, se o banco der certo, ele ganha uma taxa maior, mas se o banco quebrar, o FGC devolve o dinheiro. Isso cria um incentivo claro para escolher sempre a maior taxa disponível, independentemente do risco da instituição. É daí que surge a lógica do "quanto pior, melhor". O FGC é fundamental para evitar corridas bancárias e proteger o sistema, mas, da forma como está estruturado, ele acaba estimulando o investidor a aplicar justamente nos bancos mais arriscados, sem avaliar a saúde financeira dessas instituições. BBC News Brasil - Como é que esse sistema fez com que, na sua avaliação, Daniel Vorcaro assumisse mais riscos? Viriato – Precisamos entender a evolução do sistema para entender como chegamos aqui. No passado, os bancos médios não tinham um sistema de distribuição dos seus CDBs e dos seus outros produtos da forma ampla como se tem agora, por meio das distribuidoras como XP, Genial, BTG, etc. Hoje, vivemos um momento em que basta um banqueiro ser um pouco mais agressivo e oferecer taxas mais altas aos investidores para ele conseguir captar recursos para o seu banco. BBC News Brasil - Mas ele captar mais recursos para o seu banco não é necessariamente ruim. Qual é o problema em oferecer taxas acima da média como aconteceu com o Banco Master? Viriato – A matéria-prima do banco é dinheiro. O banco capta dinheiro prometendo uma taxa ao investidor e depois empresta ou aplica esse dinheiro em outros ativos que ele acredita que vão se valorizar mais do que o crédito que ele tem que pagar a quem investiu nele. Na medida em que eu ofereço taxas mais altas, eu tenho que investir em ativos mais arriscados. Isso traz mais risco. Quando dá errado, todo o sistema paga a conta, que é o que a gente está vendo acontecer agora. Não é que o sistema como um todo esteja errado, mas quando ele permite você captar mais simplesmente porque, do outro lado, tem alguém investindo sem fazer avaliação de risco porque o investimento está seguro pelo FGC, então, isso, sim, está errado. Itaú, Banco do Brasil e Bradesco estão entre os maiores bancos do país e são os principais contribuintes do FGC Getty Images/Agência Brasil BBC News Brasil - No depoimento que Vorcaro deu à Polícia Federal, ele disse que o modelo seu modelo de negócio estava baseado 100% no FGC. O que é um modelo 100% baseado no FGC? Isso é bom ou ruim? Viriato - Eu diria que não é nem bom nem ruim. Ele é apenas muito mais arriscado. Os investidores que colocaram dinheiro no Banco Master não precisavam fazer qualquer avaliação se o Banco Master ia ser bem-sucedido ou não. Por quê? Porque ele tinha 100% dos seus recursos protegidos. Por um lado, o Daniel não precisava prestar contas aos investidores dele. E o investidor dele também não estava interessado em saber se ele estava investindo em um crédito arriscado ou não, porque ele tinha 100% do seguro baseado no FGC. Nem Vorcaro tinha que prestar contas sobre o risco que ele estava correndo e nem o investidor estava interessado em ouvir se ele corria risco ou não porque, na prática, ele não corria risco pois tinha a garantia do FGC. BBC News Brasil – Mas isso não é uma estratégia economicamente suicida? Viriato - O sistema permite que todo mundo faça isso. Nenhum banco precisa prestar contas ao pequeno investidor porque ele está 100% seguro pelo FGC. Existem outros bancos médios que também não prestam contas aos seus pequenos investidores. Mas a maior parte dos banqueiros é conservadora em relação a captar e aplicar os recursos. Não é que eles não façam investimentos de risco, mas são mais diligentes para não correr o risco de quebrar. Mas o sistema permite que novos aventureiros cheguem porque eles podem chegar e captar um monte de recursos distribuídos em plataformas de investimento praticando taxas mais altas e, se der errado, paciência, deu errado. Eventualmente, o cara vai correr risco sobre o seu patrimônio. Se ele não tinha patrimônio grande, vai começar do zero e terminar no zero. Mas se der certo, ele vai terminar bilionário. BBC News Brasil - Já que o sistema, na sua avaliação, cria esses incentivos moralmente equivocados, o que é que, do ponto de vista prático, precisa mudar para evitar o surgimento de novos casos como esse? Viriato - Para evitar casos como esse, o investidor precisa ser corresponsável pelo seu investimento sobre o seu investimento. Ele não pode ter 100% da garantia envolvida. Outra alternativa seria o banqueiro que está pegando esses recursos pagar uma fatia maior pelo seguro, de forma que o custo aumente e para ele. Hoje, do jeito que está, o FGC cria um cenário parecido com o de um jovem que compra um carro, mas quem paga o seguro é um terceiro. O jovem não tem incentivos para ser prudente. BBC News Brasil - Mas o Master não contribuía para o FGC? Viriato – Sim, mas muito pouco. Quem paga realmente o FGC são os cinco maiores bancos do Brasil. Entre 70% e 80% dos recursos do FGC vem dos cinco maiores bancos. São eles que pagam a conta no final do dia. Michael Viriato trabalha no mercado financeiro há 27 anos. Para ele, regras atuais como a que regula o FGC precisam mudar para diminuir os riscos de novas crises como a do Banco Master Acervo pessoal BBC News Brasil - Da forma que está, você vê janela para mudanças no sistema? Viriato – Desde que o FGC foi criado, todos os anos a gente via um banco ou outro quebrando. Mas eles eram pequenos e essas quebras não incomodavam os grandes bancos. Agora, a quebra do Master acordou os grandes bancos para o fato de que se outros banqueiros aventureiros fizerem a mesma coisa, quem vai pagar a conta são eles. Já se está discutindo, por exemplo, como vai ser feita a capitalização do FGC. Quando você é chamado para pagar a conta, você vai pedir para mudar o sistema. Os grandes bancos já estão se mexendo para mudar isso. BBC News Brasil - Não é um contrassenso defender que os investidores, especialmente os pequenos, arquem com o prejuízo causado por práticas não necessariamente regulares dos bancos? Viriato - Você está 100% certo, mas no final do dia, o pequeno investidor já está pagando, de uma forma ou de outra. Na hora em que o FGC teve que pagar esses R$ 50 bilhões por conta da quebra do Master, por mais que os investidores do Master não tenham perdido dinheiro, isso significa que todo o sistema financeiro vai ficar mais caro no futuro. Se os grandes bancos vão pagar a maior parte da conta do FGC, esse custo vai ser repassado para os clientes. Isso pode acontecer com um custo maior para tomar crédito ou com uma remuneração menor pelos investimentos. BBC News Brasil – Falamos aqui sobre aumentar a responsabilização dos investidores e dos bancos, mas e os órgãos reguladores? Eles não têm responsabilidade alguma sobre o que aconteceu com o Banco Master? Viriato – O Banco Central agiu de forma correta, mas o problema não é no regulador. O problema está na regulação. Não adianta você ter um bom juiz com uma lei ruim. E nem adianta ter uma lei boa com um juiz ruim. O que temos hoje é uma regulação ultrapassada para o momento atual. O Banco Central não tem como dizer: "Não pode entrar um cara novo". Na verdade, os bancos centrais querem, sim, a chegada de novos atores para aumentar a competição e melhorar o sistema financeiro. O que não se quer é que se corra mais riscos que o adequado, que foi o que aconteceu. O regulador agiu da forma certa. Mas o FGC, da forma como existe, está ultrapassado porque vivemos um momento de muita disponibilidade de ativos. Não podemos ter toda a população pagando a conta de um ou de outro. Cada um tem que ser responsável pela sua conta. Temos que ter algum pedaço de responsabilidade, nem que seja pequeno. BBC News Brasil – O sistema tem como se prevenir contra o surgimento de um novo banco Master? Viriato – Acho que a única forma de se prevenir é que as pessoas fossem um pouco mais conscientes e pensassem: "Não vou comprar um CDB com rentabilidade mais alta porque isso pode dar problema no futuro". Mas ninguém vai fazer isso. Da forma como está hoje, é muito difícil prevenir que surja um novo entrante agressivo no mercado. O sistema não previne. Ele incentiva que surja. Só não tem surgido mais banqueiros como Daniel porque, na maioria das vezes as pessoas não são tão agressivas como ele. BBC News Brasil - A operação de hoje aponta para a possível infiltração de Vorcaro junto a funcionários do Banco Central que deveriam cuidar da fiscalização do seu banco. Isso de alguma forma mancha a atuação do Banco Central em relação ao caso? Viriato - É importante separarmos as pessoas das instituições. Uma pessoa ou duas, dentro de uma instituição como o Banco Central, não mandam nela. Pelo que eu li, essas pessoas teriam orientado o Vorcaro, mas as outras pessoas dentro do BC acompanharam o processo e tomaram outras decisões. Na minha avaliação, o Banco Central continua sólido, conta com excelentes profissionais e tomou excelentes decisões. Mas, como em qualquer outra instituição, sempre vai haver alguém que não segue os princípios da instituição que é o de servir ao país. Não podemos dizer que toda a instituição é ruim por conta de uma ou duas pessoas. Sede do Banco Master na Faria Lima, em SP Reuters/Amanda Perobelli

Foto de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025 Reuters/Carlos Barria/File Photo Um juiz do tribunal comercial dos Estados Unidos determinou, na quarta-feira (4), que o governo comece a pagar bilhões de dólares em reembolsos a importadores que tiveram de pagar tarifas consideradas ilegais pela Suprema Corte no mês passado. Richard Eaton, do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, em Manhattan, determinou que o governo conclua o cálculo dos valores de milhões de remessas que entraram no país sem a cobrança das tarifas, segundo documentos do processo. Ele também decidiu que os valores devolvidos incluam juros. 🔎 Quando uma mercadoria chega aos EUA, o importador paga inicialmente um valor estimado de impostos. O cálculo final costuma ser concluído cerca de 314 dias depois, em um processo chamado de liquidação. Eaton determinou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras conclua esse processo sem considerar as tarifas, o que deve resultar na devolução dos valores pagos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 “A Alfândega sabe como fazer isso”, afirmou o juiz durante uma audiência na quarta-feira, segundo gravação disponível no site do tribunal. Segundo ele, a agência tem capacidade de ajustar o sistema para emitir os reembolsos — algo que já ocorre quando um importador paga impostos acima do valor devido. “Eles fazem isso todos os dias. Finalizam registros e realizam reembolsos”, disse. Eaton também marcou uma nova audiência para sexta-feira (6) e pediu atualizações sobre o plano da Alfândega para efetuar os pagamentos. Na decisão, o magistrado afirmou ainda que o juiz-chefe do tribunal indicou que ele será responsável por conduzir os casos relacionados aos reembolsos das tarifas. Em documentos apresentados à Justiça, a Alfândega e Proteção de Fronteiras afirmou que recalcular os valores das remessas sem aplicar as tarifas é uma tarefa “sem precedentes” pelo volume envolvido e pode exigir a revisão manual de mais de 70 milhões de registros. Em manifestações anteriores, a agência havia solicitado até quatro meses para avaliar alternativas para realizar os pagamentos. Procurada, a Alfândega não respondeu ao pedido de comentário. “A redação da decisão sugere com clareza uma interpretação ampla, indicando que os importadores têm direito ao reembolso das tarifas impostas com base na IEEPA”, afirmou Ryan Majerus, ex-alto funcionário do Departamento de Comércio dos EUA e atualmente sócio do escritório King & Spalding. “O governo pode contestar o alcance da decisão ou, ao menos, pedir mais tempo para que a Alfândega execute o que certamente será uma tarefa de grande porte.” US$ 130 bilhões em tarifas O governo dos EUA arrecadou mais de US$ 130 bilhões com tarifas consideradas ilegais, que foram centrais na política comercial do ex-presidente Donald Trump. A Suprema Corte, no entanto, não definiu regras claras sobre como os reembolsos devem ser feitos, o que gerou incertezas sobre o processo. A decisão de Eaton foi tomada em um processo movido pela Atmus Filtration, que afirmou em documentos judiciais ter pago cerca de US$ 11 milhões em tarifas consideradas ilegais. Os advogados da Atmus não responderam ao pedido de comentário.

Como a guerra no Oriente Médio pode encarecer preço dos alimentos no Brasil O conflito entre o Irã e os Estados Unidos, que atinge todo o Oriente Médio, pode encarecer os alimentos para os consumidores brasileiros nos próximos meses, apontam economistas. Isso porque alguns custos da produção agrícola já subiram em menos de uma semana de guerra. Veja abaixo os principais motivos. ➡️Fertilizantes: a agricultura brasileira é dependente de adubos importados e uma parte importante da matéria-prima vem do Oriente Médio. Nesta semana, as cotações dos fertilizantes já subiram. ➡️Transporte marítimo: o Irã fechou o estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo. Sem ela, navios com compras e vendas brasileiras precisaram ser redirecionados, aumentando o custo de frete. ➡️Diesel mais caro: a região também é importante fornecedora de petróleo. Com isso, o combustível pode subir e encarecer o uso de máquinas no campo e o transporte de alimentos. O aumento dos custos causados pelo conflito chega em um momento em que o produtor já lida com outras pressões, como juros altos e dificuldades em conseguir crédito, afirma Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global. “A questão é o quanto o conflito vai impactar na produção e o quanto essa guerra vai perdurar. Provavelmente não vai ser uma coisa rápida de ser resolvida”, afirma. Para ele, o impacto ao produtor é imediato, mas pode levar alguns meses para chegar ao consumidor. Já Felippe Serigati, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Agro, afirma que ainda é cedo para saber qual será o tamanho desse impacto. Segundo ele, há outros fatores que podem ajudar o consumidor e controlar os preços. É o caso da queda do dólar, que acontece desde o início do ano, e o clima favorável à produção. O Oriente Médio e o preço dos fertilizantes O Oriente Médio é a quarta maior região fornecedora de fertilizantes químicos para o Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), de 2025. A liderança é da Europa, seguida por Ásia e África. Analisando os países individualmente, a Rússia lidera o ranking, com China e Canadá logo atrás. As nações do Oriente Médio aparecem mais abaixo na lista, como Arábia Saudita (6º), Israel (8º), Omã (9º), Catar (11º) e Irã (22º). Apesar disso, o Oriente Médio tem um papel central no mercado de fertilizantes. A região responde, por exemplo, por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia, destaca Tomás Rigoletto Pernías, analista da StoneX Brasil. Portanto, tudo o que acontece na região impacta diretamente os preços globais. Tanto é que as cotações dos fertilizantes saltaram rapidamente após o início do conflito. “O impacto nos preços foi instantâneo e severo, com altas de cerca de 10% a 12% em apenas um dia, em mercados como o do Brasil e do Oriente Médio”, diz Pernías. O contrato futuro para março da ureia no Brasil, por exemplo, subiu US$ 39 entre os dias 2 e 3 deste mês. O analista diz que os preços já estavam pressionados antes do conflito devido aos preparos do plantio de grãos dos EUA e da China e à forte demanda da Índia. “Além disso, o Irã já enfrentava paralisação de fábricas por falta de gás natural." “Com a eclosão do conflito, os vendedores de fertilizantes do Médio Oriente e de outras regiões suspenderam as suas vendas para tentarem entender qual é o real valor do produto que eles têm na mão”, destaca Pernías. “Além disso, produtores na região estão diminuindo a produção pelo receio de não conseguirem escoar a mercadoria”, acrescenta. Em que momento da safra o Brasil está Para os produtores brasileiros, esse encarecimento deve afetar apenas as safras que são plantadas a partir do segundo semestre, aponta Paulo Pavinato, professor associado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP). Isso ocorre porque o fertilizante usado agora já foi comprado. Nos Estados Unidos, a situação é diferente: os produtores ainda estão adquirindo o produto e podem sentir o impacto de forma imediata. No Brasil, os produtores costumam comprar adubos fosfatados e potássicos para o plantio de soja entre maio, junho e julho, detalha Pernías, da StoneX Brasil. Já a procura por adubos nitrogenados, como a ureia, ganha tração mais tarde, em novembro, dezembro e janeiro, visando a recomposição de estoques para a safra de milho. O Brasil é dependente das importações de fertilizantes. Uma alternativa ao Oriente Médio pode ser o Canadá, diz Serigati, pesquisador da FGV Agro. Mesmo que os produtores procurem outros países para o fornecimento, os preços devem se manter altos, aponta Gilio. “Essa elevação de custo é bastante preocupante, porque a gente está vivendo um momento no agro, justamente, em que os produtores já estão pressionados por esses valores”, explica. Produtos que o Brasil mais compra do Irã. Arte/g1 Cálculo de rota O Irã controla uma das rotas comerciais mais importantes do mundo: o Estreito de Ormuz, que foi fechado pelo Irã. A rota conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. A passagem também é usada para transportar fertilizantes e outros produtos da região. Isso não significa que as exportações serão paralisadas, mas há o aumento de custos, até mesmo para fazer o desvio de rotas, pontua Gilio, da Insper. O conflito eleva o custo do frete, do seguro do transporte, o preço do carregamento do contêiner e o valor do diesel, explica Serigati, da FGV Agro. E esse encarecimento não é apenas para os produtos que vão para o Oriente Médio. “Isso faz com que o preço, a cotação dessas commodities, aumente praticamente para todo mundo, independentemente de onde esteja”, afirma o professor. Serigati explica que o mercado internacional está completamente conectado. Dessa forma, mesmo que um fornecedor não consiga entregar o produto, a demanda continua, o que faz o preço subir. Diesel mais caro Com a elevação do custo do diesel causado pelo conflito, o preço para os produtores operarem maquinários na lavoura também vai crescer, pressionando ainda mais o custo de produção, aponta o professor da FGV, Serigati. Do mesmo modo, fica mais caro o processo de escoar a safra por meio de caminhões. A colheita da soja, por exemplo, acontece desde janeiro e está em fase de transporte para os portos, podendo ser afetada. Ainda assim, Serigati pontua que a situação é diferente de quando começou a guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Na época, os preços do petróleo também dispararam. “Naquele momento, a gente vivia no mundo com uma escassez de petróleo.[...] Agora, o mercado não está trabalhando com escassez. Muito pelo contrário, o que você tem é um excesso de oferta. Então, ainda tem algum espaço para acomodar a turbulência ali junto ao Irã”, explica. Exportações do Brasil também são impactadas Além do impacto nos preços internos, as exportações brasileiras também devem ser afetadas. Países do Oriente Médio podem enfrentar dificuldades para receber produtos como frango, carne bovina e açúcar, avalia Gilio. No caso das exportações de frango, isso já está acontecendo desde o início do conflito, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. "Tem muita carne que está na água. Somente os Emirados Árabes compraram, em janeiro, 44 mil toneladas. A Arábia [Saudita] comprou 33 mil. Então, tem contêineres na água e eles são redirecionados", diz Santin. "As novas rotas são mais demoradas e caras. Os armadores, que são as empresas de navios, já implementaram uma 'taxa de guerra' para cobrir seguros e custos extras de armazenamento e refrigeração, já que a carne precisa ser mantida entre -16ºC e -18ºC", acrescenta. "Além disso, novas reservas de navios estão temporariamente suspensas", informa. Produtos que o Brasil mais vende para o Irã. Arte/g1 Os Emirados Árabes são os maiores compradores de frango do Brasil, seguidos pelo Japão e Arábia Saudita. "Outros compradores relevantes [no Oriente Médio] incluem Kuwait, Catar, Omã e Iêmen", diz Santin Especificamente sobre o Irã, o país ocupou a 11ª posição entre os países para os quais o agro brasileiro mais vendeu em 2025, conforme o Agrostat, banco de dados do Ministério da Agricultura. No milho, por exemplo, o país foi o maior cliente do Brasil. Contudo, os embarques para o país acontecem apenas a partir de junho, afirma Luiz Fernando Roque, especialista de grãos da consultoria Hedgepoint. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse que exportadores estão preocupados com um possível prolongamento do conflito no Oriente Médio. A região é destino de cerca de 10% dos embarques do produto do Brasil, disse Roberto Perosa, presidente da Abiec, em entrevista à Reuters nesta terça-feira (3). Perosa afirmou que as empresas da Abiec estimam que de 30% a 40% dos embarques também passem pelo Oriente Médio antes de chegar aos mercados do Sudeste Asiático e da China, tornando a situação extremamente preocupante. "Não há nada que possamos fazer. Está fora do nosso controle."

Kristalina Georgieva, diretora do FMI Sergei Karpukhin/Reuters A economia global está “sendo testada mais uma vez” pela guerra no Oriente Médio, afirmou nesta quinta-feira, em Bangkok, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. “Vivemos em um mundo em que os choques são mais frequentes e mais inesperados, e temos alertado nossos membros há algum tempo de que a incerteza agora é a nova normalidade”, disse ela em uma conferência sobre a Ásia em 2050. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O conflito começou após bombardeios dos EUA e de Israel em Teerã, que mataram o líder supremo Ali Khamenei e autoridades iranianas de alto escalão, no sábado (28). Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e contra países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas. 6º dia de guerra no Oriente Médio começa com troca de fogo entre Irã e Israel A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã entrou no sexto dia nesta quinta-feira (5). Nesta quarta (4), o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assumiu a autoria de um ataque de submarino contra um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka. A ação deixou 87 mortos e 32 feridos e é considerada histórica: foi uma das poucas ocasiões em que um submarino afundou um navio desde a Segunda Guerra Mundial. Hegseth também disse, em coletiva de imprensa, que os EUA estão “vencendo a guerra” e que as forças americanas detêm o controle absoluto neste quinto dia de conflito. O Pentágono prometeu novas ondas de bombardeios. “A Força Aérea do Irã não existe mais. A Marinha deles descansa no fundo do Golfo Pérsico. Eles estão acabados e sabem disso”, afirmou o secretário. Impactos na economia A escalada das tensões e o início da guerra no Oriente Médio, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e a expansão do conflito para países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Neste início de semana, o petróleo ultrapassou US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, analistas projetam aumento significativo nos preços nos próximos meses — o que deve pressionar os combustíveis no Brasil. Outro fator que pode estimular a inflação é a cotação do dólar, por seu impacto nos preços de produtos e insumos importados. A moeda norte-americana avançou 0,6% nesta segunda-feira (2), para R$ 5,16, e continuava em alta nesta terça-feira. Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio — o que também pode limitar o ritmo de crescimento da economia brasileira. Segundo economistas, essa variação nos preços do petróleo e do dólar pode afetar não apenas os preços atuais, mas também as projeções do mercado e do Banco Central para a inflação neste ano e nos próximos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável por buscar o cumprimento das metas de inflação, toma decisões com base nas projeções futuras, já que os efeitos demoram de seis a 18 meses para aparecer plenamente na economia. Neste momento, por exemplo, o Banco Central busca atingir, por meio da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% no acumulado de 12 meses até setembro de 2027.

Por que o agronegócio europeu se sente ameaçado pelo acordo com o Mercosul Meses de protestos e presidentes de nações importantes da União Europeia se posicionando contra o acordo com o Mercosul não vão impedir que o tratado de livre-comércio entre em vigor provisoriamente. O acordo pode passar a valer no Brasil nos próximos 2 meses. Isso porque o Senado brasileiro aprovou nesta quarta-feira (4) decreto que viabiliza o acordo comercial. Essa é a última etapa de análise no Brasil para a entrada em vigor do tratado. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o acordo começa a ser aplicado 60 dias após a assinatura do presidente Lula. Em fevereiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen disse que o tratado teria validade provisoriamente após as ratificações dos países do Mercosul. A Argentina e Uruguai também já concluíram seus processos legais internos. Imagem da assinatura do acordo do Mercosul-UE Reprodução/YouTube O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o anúncio da aplicação provisória do acordo foi uma "surpresa ruim". O país é um dos maiores opositores do acordo. O presidente tenta agradar os agricultores do país, que já colocaram até mesmo esterco em sua casa de praia. Para os economistas ouvidos pelo g1, porém, o tratado é apenas parte de um problema maior na relação entre os agricultores e os governos europeus. Os agricultores europeus já vinham reclamando de políticas ambientais adotadas pelos governos do bloco. Essas regras exigiram mudanças na produção e elevaram os custos, acreditam Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre, e Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank. Na visão desses produtores, o acordo agrava a situação, pois eles passariam a enfrentar a concorrência de países com alta produtividade e o custos mais baixos, caso do Brasil. Apesar de ser verdadeiro que o Brasil é mais competitivo, o acordo prevê mecanismos para proteger os europeus. Entre eles, estão as salvaguardas e as cotas de importação. Acordo UE-Mercosul: como o agro brasileiro deve se beneficiar A agricultura tem forte peso político na União Europeia e é vista como parte do patrimônio cultural do bloco. Por isso, o setor historicamente recebe mais proteção, o que ajuda a explicar os protestos, segundo Lia Valls, pesquisadora associada da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre. Saiba quais são os principais produtores agrícolas da UE Arte g1 Competição Hoje Brasil e União Europeia já disputam mercados importantes, como o asiático. Atualmente, o mercado europeu de commodities agrícolas (produtos primários, como soja, milho, café, açúcar e carne) é dominado pelos próprios países do bloco. Na comparação com o Brasil, além de os europeus terem custos de produção maiores, possuem uma produtividade mais baixa, afirma Valls. Tudo isso estimula o sentimento de ameaça. Para impedir que os agricultores locais fiquem em desvantagem, os parlamentares europeus aprovaram em dezembro as chamadas salvaguardas. Elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local. Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de três anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios. Os integrantes da Comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis. A Comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia. Além disso, alimentos considerados sensíveis, como as carnes bovina e de frango, terão cota. Esses limites definem volumes menores para o uso de tarifas reduzidas. Para Une, tanto as salvaguardas quanto as cotas são rígidas o suficiente para evitar uma entrada excessiva de produtos brasileiros no mercado europeu. Ele acredita também que os produtos europeus possuem uma demanda alta e resiliente. Um exemplo é o presunto de Parma, que só pode ser produzido na região italiana de Parma por causa da indicação geográfica prevista no acordo. Essa regra determina que nenhum outro país poderá fabricar e comercializar produtos com o mesmo nome de alguns alimentos que são considerados tradicionais das nações. Saiba também: O que a UE fez para tentar agradar o agro europeu e conseguir a aprovação do acordo com o Mercosul No Brasil, as salvaguardas europeias não foram bem recebidas pelo setor, que sentiram que o acordo ficou menos vantajoso. Por isso, nesta quarta-feira (4), o presidente Lula assinou o decreto que regulamente a aplicação de salvaguardas brasileiras. Não é tudo sobre o acordo Para Une, do Rabobank, o acordo é apenas o estopim de uma insatisfação que já vinha crescendo entre os agricultores europeus. Segundo ele, outras decisões da União Europeia contribuíram para esse descontentamento. Desde 2023, a UE passou a adotar regras ambientais mais rígidas para a agricultura, explica o pesquisador. Essas medidas deixaram os produtores mais organizados e ativos em protestos. Para Une, a principal queixa é que “está ficando difícil ganhar dinheiro”. Um exemplo é a lei de restauração ambiental, que entrou em vigor em agosto de 2024. Ela determina a recuperação de até 20% dos ecossistemas dos países-membros. A norma foi vista como dura para os agricultores. Em geral, eles têm propriedades menores que as do Brasil e acreditam que teriam de reduzir suas áreas produtivas. Há ainda outras medidas, como a diminuição do uso dos agrotóxicos, da emissão de carbono e a preocupação com a transição energética. Tudo isso aumenta os custos para os agricultores, afirma Lia Valls, da FGV Ibre. Em contrapartida, o Parlamento Europeu adiou a lei que proíbe a importação de produtos ligados ao desmatamento para o fim de 2026. Além disso, questões geopolíticas internacionais, como a guerra entre a Ucrânia e a Rússia, aumentaram os preços dos insumos, como fertilizantes, também gerando insatisfação. Assim como no Brasil, o setor agrícola europeu, principalmente o francês, tem grande força política. Por isso, o país foi o grande porta-voz da insatisfação com o tratado entre os dois blocos. Ainda assim, o presidente da França está com baixa popularidade entre seus eleitores, explica Valls. "Toda vez que os agricultores franceses se sentem ameaçados, eles levam os tratores para Paris", relata. Saiba mais: Acordo pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil 'Patrimônio cultural' Para muitos europeus, especialmente os franceses, proteger a agricultura é proteger um patrimônio cultural, afirma Valls. "A agricultura é relacionada às vilas, às tradições, é importante preservar pela paisagem", explica. Por isso, os países europeus oferecem diversos subsídios ao setor. Entre eles está a política de preço mínimo, em que o governo define um valor mínimo a ser pago ao produtor. Segundo Valls, essa preocupação acompanha a União Europeia desde a sua formação. "Um dos pedidos da França era estender a política de proteção que os franceses já faziam em relação aos seus produtos agrícolas para o restante da comunidade", explica. Do mesmo modo, a União Europeia também tem uma Política Agrícola Comum (PAC), que define um orçamento para os agricultores. Este ano, para acalmar os agricultores, a Comissão Europeia modificou sua proposta orçamentária para 2028-2034, para permitir que os agricultores tenham acesso antecipado a cerca de 45 bilhões de euros (R$ 286 bilhões). O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul

Trump trava campanha de pressão econômica contra Cuba e impede venda de petróleo Dois terços de Cuba, incluindo a capital Havana, ficaram sem energia elétrica nesta quarta-feira (4), devido a uma falha na rede nacional. A ilha passa por aguda crise econômica, agravada pelo bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos. A rede elétrica cubana sofre cortes de abastecimento regulares devido ao envelhecimento de sua infraestrutura e à escassez de combustível. Desde o fim de 2024, a ilha de 9,6 milhões de habitantes passou por cinco apagões generalizados. A União Nacional Elétrica (UNE) informou que a "desconexão do Sistema Eletroenergético Nacional (SEN)" ocorreu às 12h41 locais (14h41 no horário de Brasília) no oeste e no centro do país. Segundo a UNE, uma caldeira da usina Antonio Guiteras, a cerca de 100 km da capital, sofreu avarias que causaram o apagão. Dez das 15 províncias do país foram afetadas. "Todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já estão ativados", assegurou o Ministério de Energia e Minas no X. Semáforos estão apagados em Havana nesta quarta-feira Yamil Lage/AFP Além dos apagões generalizados, os cubanos enfrentam longos cortes programados diariamente. A capital tem registrado desligamentos de mais de 10 horas. Nas províncias, os cortes podem se prolongar por mais de um dia. Bloqueio energético dos EUA As interrupções de energia se agravaram desde que o governo do presidente americano Donald Trump impôs um bloqueio energético após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana. As pressões de Washington para interrupção dos envios de petróleo de Caracas também impactam a ilha. Desde 9 de janeiro, nenhum petroleiro chegou a Cuba, o que obrigou o governo de Miguel Díaz-Canel a adotar medidas drásticas de economia, incluindo a suspensão da venda de diesel e o racionamento da gasolina, assim como a redução de alguns serviços de atendimento hospitalar. Para justificar essa política, Washington cita a "ameaça excepcional" que Cuba, uma ilha caribenha situada a 150 km da costa da Flórida, representa para a segurança nacional dos Estados Unidos. Entre 1º de janeiro e 15 de fevereiro, a disponibilidade de energia elétrica no país foi reduzida em 20% em comparação com 2025, ano em que Cuba mal conseguiu cobrir metade de suas necessidades, segundo dados oficiais coletados e analisados pela AFP. As oito usinas termelétricas do país, quase todas inauguradas nas décadas de 1980 e 1990, sofrem avarias com regularidade ou precisam permanecer fechadas por longos períodos de manutenção. Em fevereiro, toda a região oriental da ilha, onde fica Santiago de Cuba, a segunda cidade do país, ficou no escuro devido a outra falha na rede. O governo cubano afirma que as sanções dos Estados Unidos o impedem de reparar sua rede elétrica, mas economistas apontam uma falta crônica de investimento do Estado nesse setor. 'Isso já não é vida' O apagão desta quarta-feira caiu como um balde de água fria sobre os cubanos, que diariamente lidam com limitações de transporte e uma inflação galopante. "É imprevisível quando será restabelecida [a eletricidade] e é bem trabalhoso só de pensar nessa situação", disse Beatriz Barrios, de 47 anos, trabalhadora do setor de turismo. Alfredo Menéndez já não sabe mais como pedir a Deus "que aconteça algo que [...] melhore a vida" dos cubanos, porque "isso já não é vida". "Estamos vivendo assim, na incerteza", afirmou o aposentado de 67 anos. Como consequência da crise energética, o transporte público na ilha foi substancialmente reduzido. O preço da passagem dos poucos táxis privados que ainda circulam em Havana e dos triciclos elétricos que servem de transporte coletivo, assim como o de alguns alimentos, dobrou.

Imagem da assinatura do acordo do Mercosul-UE Reprodução/YouTube O Senado aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que pode criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O Senado é a última etapa de análise no Brasil para a entrada em vigor do acordo entre os blocos. 🌍O tratado, assinado em 17 de janeiro no Paraguai, prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. Negociado há mais de 25 anos, o tratado prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. No Senado, a relatoria ficou a cargo da líder do PP, Tereza Cristina (PP-MS), que chamou o acordo de "incomensurável" em função das possibilidades que ele abre em relação a redução de tarifas e desenvolvimento econômico das regiões envolvidas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “O alcance do Acordo ultrapassa, de forma incomensurável, a redução de tarifas ou o estabelecimento de quotas. Seu potencial realmente transformador reside nas disciplinas voltadas a temas emergentes que estruturam as bases da competitividade contemporânea: investimentos, fluxos financeiros, serviços, meios de pagamento, transferência de tecnologia, acesso a compras governamentais e regras de concorrência, entre outros”, disse Cristina. 700 milhões de pessoas O acordo criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas. A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro Apesar da investida de legisladores da União Europeia, que impuseram um revés ao acordo comercial ao encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia — movimento que pode atrasar a implementação em até dois anos —, a expectativa de diplomatas é que o documento passe a ser aplicado de forma provisória já em março. União Europeia vai aplicar provisoriamente acordo com o Mercosul "O mundo atual é mais fragmentado, mais cético e mais protecionista. Isso torna o acordo com nossos parceiros europeus ainda mais atual — e ainda mais necessário", afirmou a relatora. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enalteceu o compromisso e a celeridade do Congresso Brasileiro para aprovação da proposta que está em discussão há três décadas. "O parlamento brasileiro demonstra mais uma vez uma maturidade institucional que nós temos e que a cada movimento como este é a constatação de que o parlamento brasileiro está ao lado dos grandes temas de interessa da sociedade". Salvaguardas bilaterais Ainda na tarde desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de "salvaguardas bilaterais" , ou seja, são mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária. A medida pode ser aplicada, por exemplo, ao acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As normas não serão exclusivas para a União Europeia e valerão para outros acordos que contenham cláusulas de salvaguarda. As salvaguardas poderão ser adotadas quando houver aumento significativo das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, capaz de ameaçar ou causar prejuízo à indústria brasileira. Na prática, é como um “freio” previsto em acordos comerciais, assim o país pode, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar uma "fôlego" aos produtores locais, enquanto o setor se ajusta à concorrência externa. Procedimento é repetido nos países Além da tramitação no Brasil, o acordo Mercosul-União Europeia precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, de acordo com seus próprios ritos legislativos. Somente após a ratificação por todos é que o tratado estará plenamente em vigor. Até lá, o acordo pode entrar em funcionamento em momentos distintos em cada país, a depender do avanço dos processos internos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (4) um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de "salvaguardas bilaterais", ou seja, mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária. A salvaguarda pode ser aplicada, por exemplo, no âmbito do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As normas não serão exclusivas para a União Europeia e valerão para outros acordos que contenham cláusulas de salvaguarda. 🔎As salvaguardas poderão ser adotadas quando houver aumento significativo das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, capaz de ameaçar ou causar prejuízo à indústria brasileira. Na prática, elas servirão como um “freio” previsto em acordos comerciais, permitindo ao país, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar uma "fôlego" aos produtores locais, enquanto o setor se ajusta à concorrência externa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A norma estabelece que essas medidas só poderão ser aplicadas após uma investigação conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior. A decisão final caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex), com base em parecer técnico. Entre as atribuições da Camex estão: aplicação de medidas provisórias ou definitivas, prorrogação dessas medidas, a eventual alteração das recomendações técnicas decisão sobre aplicar ou não as salvaguardas. O decreto também determina que a Secretaria de Comércio Exterior será responsável por iniciar e encerrar investigações. Já o Departamento de Defesa Comercial será a "autoridade investigadora" para avaliar a existência de prejuízo ou ameaça à indústria brasileira. Assinatura do tratado do acordo entre Mercosul e União Europeia Reprodução/TV Globo Acordo Mercosul e UE O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia que será votado no Senado nesta quarta-feira reacendeu o debate sobre mecanismos de proteção comercial as chamadas salvaguardas. Enquanto a União Europeia aprovou regras específicas para proteger seus produtores agrícolas, o Brasil editou um decreto para organizar a aplicação de seus próprios instrumentos de defesa comercial de maneira mais genérica, mirando não só o acordo do Mercosul com a UE. Embora tratem do mesmo tema, os modelos adotados pelos dois lados são diferentes. O que a União Europeia aprovou A União Europeia regulamentou a aplicação das salvaguardas previstas no acordo com o Mercosul com foco especial em produtos agrícolas considerados sensíveis para os produtores locais, como carne bovina e aves. Agricultores europeus comemoram em Estrasburgo, na França, a decisão do Parlamento Europeu de levar acordo comercial UE-Mercosul à Justiça, no dia 21 de janeiro de 2026 Yves Herman/Reuters Os dispositivos estabeleceram gatilhos objetivos para iniciar uma investigação. Os mecanismos poderão ser acionados quando: as importações dos produtos forem cerca de 5% acima da média dos últimos 3 anos; as importações estiverem pelo menos 5% abaixo do preço relevante no mercado interno da UE. Esses critérios funcionam como um “sinal de alerta” e, caso sejam atingidos, permitem à Comissão Europeia abrir investigação e, se for constatado prejuízo, suspender temporariamente preferências tarifárias concedidas ao Mercosul. Os gatilhos estabelecidos pela União Europeia geraram preocupação, principalmente no setor de agronegócio brasileiro. A avaliação é que produtos brasileiros, como a carne vermelha e o frango, já superam os gatilhos mesmo sem o acordo entre os blocos.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em coletiva de imprensa de fim de ano em Moscou em 19 de dezembro de 2025. Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS A Rússia pode interromper o fornecimento de gás para a Europa, em meio a uma alta nos preços da energia desencadeada pela crise com o Irã, alertou o presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira (4). Ele ainda vinculou a possibilidade ao desejo da União Europeia de proibir a compra de gás russo e gás natural liquefeito. Os preços do petróleo e do gás dispararam após o ataque dos EUA e de Israel ao Irã e os ataques de Teerã contra países árabes vizinhos do Golfo. O conflito paralisou a navegação no Estreito de Ormuz e forçou a interrupção da produção de GNL do Catar e da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Putin afirmou que os preços do petróleo estavam subindo devido à "agressão contra o Irã" e às restrições ocidentais ao petróleo russo, enquanto os preços do gás na Europa estavam subindo porque os consumidores estavam dispostos a comprar volumes de gás a preços mais altos devido aos eventos no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Questionado por Pavel Zarubin, principal correspondente do Kremlin na televisão estatal russa, sobre os planos europeus de impor uma proibição total às importações russas de gás natural por gasoduto até o final de 2027 e de proibir novos contratos de curto prazo de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin disse que poderia ser mais benéfico para a Rússia parar de vender gás agora. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Agora outros mercados estão se abrindo. E talvez seja mais vantajoso para nós parar de abastecer o mercado europeu neste momento. Para entrarmos nesses mercados que estão se abrindo e nos estabelecermos neles", disse Putin, segundo uma transcrição divulgada pelo Kremlin. "Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que se chama de reflexão em voz alta. Vou certamente instruir o governo a trabalhar nesta questão em conjunto com as nossas empresas", disse o presidente russo. A Rússia detém as maiores reservas de gás natural do mundo e é o segundo maior exportador de petróleo. Moscou perdeu grande parte de seu lucrativo mercado europeu depois que a Europa buscou reduzir sua dependência da energia russa devido à invasão da Ucrânia em 2022. O lugar da Rússia no mercado europeu foi ocupado pela Noruega, pelos Estados Unidos e pela Argélia. O mercado de gás perdido da Rússia A Rússia costumava fornecer cerca de 40% do gás natural que chegava aos gasodutos da União Europeia. No ano passado, esse percentual caiu para apenas 6%, segundo a própria UE. Em 2007, a Gazprom, gigante russa do gás controlada pelo Estado, era a terceira maior empresa do mundo, com um valor de mercado superior a US$ 330 bilhões. Hoje, seu valor é de apenas US$ 40 bilhões. Putin afirmou que a Rússia era um fornecedor confiável, mas que o caos energético desencadeado pela crise com o Irã havia levado os compradores a estarem dispostos a pagar preços altíssimos por grandes volumes de gás. "Surgiram clientes dispostos a comprar o mesmo gás natural a preços mais altos, neste caso devido aos acontecimentos no Oriente Médio, ao fechamento do Estreito de Ormuz e assim por diante", disse Putin. "Isso é natural; não há nada aqui, não há agenda política – são apenas negócios." "Se surgirem compradores desse nível de qualidade, então eu acho, e até tenho certeza, que alguns fornecedores tradicionais, como os americanos e as empresas americanas, certamente deixarão o mercado europeu em busca de mercados que paguem mais", disse Putin. Com a Europa se afastando do gás russo, Moscou tem se voltado cada vez mais para a China, o maior consumidor e importador de energia do mundo, para a venda de petróleo, gás natural canalizado e GNL. "A Rússia sempre foi e continua sendo uma fornecedora de energia confiável para todos os nossos parceiros, incluindo, aliás, os europeus", disse Putin. "E continuaremos a trabalhar dessa maneira com aqueles parceiros que também são parceiros confiáveis — por exemplo, aqueles da Europa Oriental, como a Eslováquia e a Hungria."

A nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), em que o banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser preso, também afastou dois servidores que ocuparam cargos importantes nos últimos anos no Banco Central (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Os dois, que já eram alvo de investigação interna do Banco Central, comandaram, respectivamente, a Diretoria de Fiscalização (Difis) e o Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Eles foram afastados pelo BC em janeiro. 🔎O BC possui oito diretorias. Elas estão diretamente ligadas à presidência da instituição (veja mais abaixo). Os diretores são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Nas funções, os dois servidores afastados nesta quarta-feira (4) chegaram a assinar uma série de documentos hoje sob foco da PF por terem dado sobrevida a negócios suspeitos do Master. A auditoria do Banco Central investigava fatos relativos ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro conseguiu autorização para comprar o Banco Máxima. Entenda quais as atribuições dessas áreas chave do Banco Central. Diretoria de Fiscalização Como diz o nome do cargo, a Diretoria de Fiscalização (Difis) do Banco Central é a principal responsável pela supervisão das instituições autorizadas a operar no Brasil. Essa diretoria precisa estar sempre atenta ao risco que cada instituição apresenta e à saúde do sistema financeiro como um todo. No monitoramento feito das instituições, a chamada Difis acompanha o modelo de negócio e a solvência financeira dos bancos, ou seja, se eles têm condições de honrar obrigações, especialmente, as de longo prazo, e se estão cumprindo as normas e os regulamentos vigentes. No desempenho dessas atribuições, cabe ao chefe da Difis, por exemplo, representar o Banco Central no Comitê de Supervisão Bancária da Basileia em assuntos relacionados à área de fiscalização. Esse comitê é o fórum internacional para discussão e formulação de recomendações para o gerenciamento de riscos e de crises do sistema financeiro. Departamento de Supervisão O Departamento de Supervisão Bancária (Desup) está no guarda-chuva da Diretoria de Fiscalização do Banco Central. O Desup monitora o capital e a liquidez dos bancos e acompanha as práticas de gestão e de controle interno das instituições. Esse é o departamento que sinaliza sobre a necessidade de medidas preventivas e o que cuida da classificação de risco das instituições. Os integrantes do Desup também supervisionam conglomerados financeiros liderados por bancos, como é o caso do Master e das instituições ligadas a ele. INFOGRÁFICO - Organograma do Banco Central Arte/g1 Posicionamento do BC Em nota, o Banco Central declarou que a instituição está convicta no trabalho desenvolvido pela Polícia Federal (PF). O Banco Central informa que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal. O Banco Central afirmou ainda "que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei."

Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou. A defesa disse que "em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades". As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, que assumiu no mês passado. 🔎 Segundo a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. Veja as principais informações da operação ponto a ponto: Por que Daniel Vorcaro foi preso de novo? Daniel Vorcaro foi preso novamente após pedido da PF. O ministro André Mendonça concordou com o pedido da polícia e fundamentou a prisão na necessidade de garantir a ordem pública e econômica, evitar destruição de provas e coação de testemunhas e para assegurar a aplicação da lei penal. As principais justificativas do ministro para decretar a nova prisão foram: Ocultação patrimonial: segundo o pedido de prisão, após ser solto liberdade, Vorcaro continuou ocultando recursos. A PF afirmou que, em janeiro de 2026, foram bloquados mais de R$ 2,2 bilhões de uma conta vinculada ao pai de Vorcaro. A defesa do pai de Vorcaro afirmou que desconhece a conta e o dinheiro. (veja mais detalhes) Ataques ao BC: De acordo com a investigação, logo após a soltura de Vorcaro em 2025, a organização criminosa que seria liderada por ele teria iniciado o "Projeto DV", contratando influenciadores para atacar a reputação do Banco Central. Periculosidade e uso de violência: A investigação da PF revelou diálogos em que Vorcaro emite ordens diretas para que sua "milícia privada", que tinha a alcunha de "A Turma", praticasse atos violentos. Entre os episódios citados, destaca-se o plano de forjar um assalto para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, do jornal "O Globo". Vorcaro explicitou a intenção de mandar "quebrar todos os dentes" do profissional. Obstrução de justiça e monitoramento ilegal: Vorcaro utilizava um grupo liderado Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", para acessar ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e da Interpol. Vorcaro teria tido acesso antecipado a informações sobre diligências investigativas, o que coloca em risco a integridade dos servidores públicos envolvidos na apuração. Risco de fuga e dilapidação patrimonial: No pedido de prisão, a PF relatou que Vorcaro possui jatos privados e extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais, além de evidências de que estaria dilapidando esses bens para evitar a aplicação da lei penal. PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Reprodução INFOGRÁFICO - Entenda nova fase da operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro Arte/g1 Quem mais foi preso? Além de Daniel Bueno Vorcaro, Mendonça decretou a prisão preventiva de outros três investigados, apontadas como necessárias para neutralizar o braço armado e financeiro da organização visando garantir a integridade física de autoridades, jornalistas e testemunhas. Fabiano Campos Zettel: Identificado como o operador financeiro e cunhado de Vorcaro. Ele era responsável por intermediar pagamentos, estruturar contratos simulados para lavar dinheiro e custear as atividades da "Turma". Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão: Preso em Belo Horizonte (MG), atuava como o líder operacional de "A Turma", a milícia privada do grupo. Era o responsável por coordenar o monitoramento de adversários, obter dados sigilosos ilegalmente, e executar atos de intimidação e coação. Marilson Roseno Da Silva: Policial federal aposentado que integrava a estrutura de monitoramento e intimidação e também foi preso em Belo Horizonte (MG). Utilizava sua experiência e contatos na carreira policial para coletar dados sensíveis e realizar vigilância de indivíduos considerados críticos aos interesses do Banco Master. Outros alvos da operação Além dos presos, outros investigados foram alvos da operação e vão ter que cumprir medidas cautelares. São eles: Paulo Sérgio Neves de Souza, Belline Santana, Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva. As restrições incluem: uso de tornozeleira eletrônica; proibição de manter contato com qualquer testemunha ou investigado da operação; proibição de ausentar-se da comarca de residência e do país, com entrega obrigatória do passaporte em 48 horas; suspensão do exercício de função pública e proibição de acesso às dependências do Banco Central (BC), especificamente para Paulo Sérgio e Belline. A dupla já havia sido afastada pelo BC. Paulo Sérgio e Belline ocupavam cargos de chefia no Banco Central. Em nota, o BC afirmou que já havia identificado indícios de 'vantagens indevidas' recebidas pelos dois e que afastou os servidores, do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas. Além disso, informou a PF sobre o caso. 'Puxão de orelha' na PGR Em um dos trechos da decisão, Mendonça deu "puxão de orelha" na Procuradoria-Geral da República (PGR). Em 27 de fevereiro, a PF pediu ao STF a prisão preventiva dos investigados, ao afirmar que o grupo mantinha uma “estrutura de vigilância e coerção privada” voltada ao monitoramento de alvos e à intimidação de pessoas ligadas às investigações. Ao receber o pedido, Mendonça concedeu 72 horas para manifestação da PGR. O órgão afirmou que não havia, no pedido, “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”. Na decisão, o ministro rebate essa avaliação. Segundo ele, a representação da Polícia Federal “traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão”. Mendonça afirma ainda que a urgência do caso é clara. “É preciso ressaltar que a urgência na tramitação deste feito decorre do perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância e de envergadura constitucional”, destacou. O relator afirma que a avaliação da PGR ignorou indícios relevantes apresentados pela investigação. Em um trecho mais direto, Mendonça diz lamentar a postura da PGR diante de "robusto quadro fático-probatório" e que a demora revela-se "extremamente perigosa para a sociedade". Como funciona "A Turma"? "A Turma" é descrita nas fontes como um núcleo de intimidação e obstrução de justiça, funcionando como uma estrutura de vigilância e coerção privada, definida como uma "milícia privada", a serviço dos interesses de Daniel Bueno Vorcaro e do Banco Master. Liderança e composição Comando estratégico: Daniel Vorcaro emitia ordens diretas para atos de intimidação contra concorrentes, ex-empregados e jornalistas; Coordenação operacional: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (o "Sicário") era o responsável por organizar as diligências, coordenar as equipes e executar as ordens de monitoramento e pressão; e Operador técnico: Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, utilizava sua experiência e contatos para realizar vigilância, localizar alvos e coletar dados sensíveis. Modus operandi Obtenção ilegal de dados: O grupo acessava sistemas restritos de órgãos como a **Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até organismos internacionais como FBI e Interpol**, utilizando credenciais de terceiros para obter informações sigilosas. Monitoramento e vigilância: Realizavam o acompanhamento presencial e telemático de alvos, incluindo autoridades e profissionais da imprensa. Violência e coação: Há registros de ordens para "moer" funcionários e planos detalhados para forjar assaltos com o intuito de agredir fisicamente jornalistas. Atuação digital: O grupo simulava solicitações oficiais de órgãos públicos para remover perfis e conteúdos críticos em plataformas digitais. Estrutura financeira Remuneração: Mensagens indicam que Luiz Phillipi recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para dividir entre "a turma" e "os meninos". Operacionalização: Os pagamentos eram viabilizados por Fabiano Zettel e Ana Claudia Queiroz de Paiva, utilizando empresas como a Super Empreendimentos e a King Participações como contas de passagem para ocultar a origem do dinheiro. Ameaças a jornalista e empregados As ameaças e ações de coerção visavam silenciar críticos e garantir os interesses do Banco Master. Entre os alvos, o jornalista Lauro Jardim. Vorcaro demonstrou descontentamento com notícias publicadas pelo profissional e ordenou monitoramento constante. "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto", escreveu o banqueiro. Luiz Phillipi Mourão confirmou que colocaria pessoas seguindo o jornalista para "pegar tudo dele". Vorcaro também utilizava "A Turma" para exercer controle e intimidar colaboradores que considerava uma ameaça. Ao se sentir ameaçado por uma funcionária, Vorcaro ordenou: "Tem que moer essa vagabunda", solicitando em seguida que seu endereço fosse levantado para futuras ações. Para intimidar um funcionário que teria feito uma gravação indesejada, Vorcaro sugeriu agressões a um chefe de cozinha ligado ao funcionário. "O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar", escreveu. Luiz Phillipi Mourão realizava o acompanhamento presencial e telemático de ex-colaboradores, chegando a questionar Vorcaro se havia telefones específicos para monitorar. Espionagem e acesso ilegal a dados O grupo utilizava credenciais de terceiros para acessar sistemas sigilosos para obter informações sensíveis sobre alvos de interesse. Luiz Phillipi Mourão também fraudava solicitações oficiais de órgãos públicos, para remover perfis e links negativos em plataformas digitais. O grupo obtinha informações sigilosas mediante o acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos. Para isso, utilizavam credenciais funcionais pertencentes a terceiros, o que permitia a extração de dados protegidos por sigilo institucional. De acordo com a PF, o grupo acessou ilegalmente bases de dados da: Polícia Federal (PF); Ministério Público Federal (MPF); Organismos internacionais, especificamente o FBI e a Interpol. As atividades incluíam a obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas, concorrentes empresariais e ex-empregados. Marilson Roseno da Silva realizava vigilância presencial, localizava alvos e realizava diligências informais para levantamento de informações estratégicas. O grupo monitorava até mesmo telefones de indivíduos de interesse para acompanhar seus passos. Viagem à Disney; propina para servidores A atuação de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, servidores do BC é descrita como uma cooptação institucional para servir aos interesses privados do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro. Ambos os servidores atuavam como uma espécie de "consultores informais" e Vorcaro e do Banco Master. Paulo Sérgio dava sugestões a Vorcaro sobre como se comportar e quais argumentos utilizar em reuniões com o próprio presidente do Banco Central. Os servidores também revisavam documentos como minutas de ofícios e comunicações que o Banco Master pretendia enviar ao Departamento de Supervisão Bancária, onde trabalhavam, antes da formalização dos documentos, sugerindo alterações e ajustes estratégicos. Também utilizavam seus cargos para antecipar informações sensíveis da autarquia. Paulo Sérgio chegou a alertar Vorcaro antecipadamente sobre movimentações financeiras que haviam sido detectadas pelos sistemas de monitoramento do BC, permitindo que o banco tomasse medidas para evitar questionamentos regulatórios. Existia um grupo de mensagens específico entre Vorcaro, Paulo Sérgio e Belline para a discussão direta de estratégias e compartilhamento de documentos de interesse do Banco Master. Recebimento de vantagens indevidas A "assessoria" prestada pelos servidores era remunerada por meio de mecanismos ilícitos. Belline Santana recebeu propostas de contratação simulada por meio da empresa Varajo Consultoria para justificar o repasse de propinas. Segundo a PF, há fortes indícios de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio custeando despesas pessoais, como a contratação de guias para uma viagem do servidor e sua família aos parques da Disney e Universal, em Orlando (EUA). As investigações identificaram uma estrutura de lavagem de dinheiro para que os pagamentos não saíssem diretamente de Vorcaro para os servidores, utilizando "contas de passagem" e empresas interpostas. R$ 2 bilhões 'ocultados' na conta do pai Segundo a PF, Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome do pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido solto no fim de 2025. O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, que autorizou nova ordem de prisão no âmbito do caso do Master. Vorcaro foi preso. 🛫 Segundo o documento, a PF sustenta que o risco de fuga de Vorcaro permanece elevado, citando a existência de “jatos privados” à disposição do investigado e um “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”. 💵 Os investigadores também afirmam que começam a aparecer sinais de dilapidação desse patrimônio, o que reforçaria a necessidade da prisão. Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, afirmou que "são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade". "A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas", disseram os advogados. As autoridades relatam que as descobertas só foram possíveis após a Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026. 💰 Na ocasião, medidas de bloqueio financeiro revelaram um montante de R$ 2.245.235.850,24, registrado na conta do pai do banqueiro e mantido junto à CBSF DTVM, mais conhecida no mercado como REAG. Ocultação ocorria enquanto FGC sangrava No mesmo trecho, a PF faz uma comparação direta entre a ocultação dos recursos e o prejuízo causado pelo Banco Master, que teria deixado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro — valor atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). "Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade", afirmou a PF. Os investigadores afirmam ainda que a conduta delitiva “se perpetuou mesmo após” a soltura do banqueiro, reforçando a tese de reiteração criminosa.

Donald Trump, presidente dos EUA, e Pedro Sanchez, primeiro-ministro da Espanha Yves Herman/Reuters Após Trump ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha na terça-feira (3), a Casa Branca disse nesta quarta-feira (4) que o país aceitou cooperar com o exército dos EUA. Minutos depois, o ministro das Relações Exteriores espanhol negou "de forma categórica" que o país vá cooperar, em entrevista à rádio Cadena SER. Karoline Leavitt, porta-voz da Casa-Branca, disse em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira: "Sobre a Espanha, acho que eles ouviram a mensagem de Trump ontem de forma alta e clara. E entendo que nas últimas horas eles concordaram em cooperar com os militares dos EUA. Sei que as Forças Armadas dos EUA estão coordenando com seus correspondentes na Espanha". Vinte minutos depois, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, desmentiu “de forma categórica” a informação e disse que "não tinha a mínima ideia” do que Leavitt estava dizendo. “A posição do Governo da Espanha sobre a guerra no Oriente Médio, os bombardeios no Irã e o uso das nossas bases não mudou uma vírgula sequer”, afirmou Albares. “Nossa posição de ‘não à guerra’ continua sendo clara e contundente (...) Há um acordo bilateral, e fora do marco desse acordo não haverá nenhum uso das bases sob soberania espanhola. Qualquer operação precisa estar dentro do marco da ONU.” Mais cedo, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez disse que Trump está "brincando de roleta russa" com o destino de milhões de pessoas com a guerra contra o Irã e que ele não seria cúmplice das ações norte-americanas apenas pelo medo de retaliação. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: ACOMPANHE as últimas notícias sobre a guerra no Oriente Médio A fala de Sánchez ocorreu após Trump ter ameaçado cortar as relações comerciais com a Espanha devido à posição do país sobre o conflito. O líder norte-americano reclamou que os espanhóis não deixaram os EUA utilizarem suas bases para lançar ataques contra o Irã (leia mais abaixo). “É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, disse Sánchez a Trump em pronunciamento nacional televisionado. As tensões entre os dois aliados da Otan aumentaram após Sánchez ter classificado os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã como imprudentes e ilegais e, posteriormente, proibir o uso de aeronaves americanas nas bases que os EUA têm no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã. Veja no mapa abaixo onde elas estão: Mapa mostra bases dos EUA na Espanha, que o governo espanhol proibiu a utilização para ataques contra o Irã. Dhara Pereira/Arte g1 A Comissão Europeia também saiu em defesa da Espanha nesta quarta-feira ao afirmar que está “pronta” para defender os interesses da União Europeia. Sánchez também afirmou que o mundo não pode resolver seus problemas com conflitos e bombas, e que o governo espanhol é totalmente contra essa guerra. “A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: ‘Não à guerra’. Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, afirmou Sánchez, em aparente referência às ameaças comerciais de Trump. Sánchez destacou os efeitos colaterais negativos da Guerra do Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até a disparada nos preços da energia, para argumentar que as consequências deste ataque ao Irã são igualmente incertas e que ele não levará a uma ordem internacional mais justa. Trump ameaçou cortar relações comerciais com a Espanha Trump fala na Casa Branca em 03 de março de 2026 Mark Schiefelbein/AP Donald Trump afirmou na terça-feira (3) que os EUA iriam Pocortar todas as relações comerciais com a Espanha depois que o governo espanhol não autorizou o uso de suas bases pelos militares norte-americanos no ataque ao Irã. "A Espanha tem sido terrível. Na verdade, eu disse ao Scott [Bessnet, secretário do Tesouro] para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la", disse Trump. Após a fala de Trump, o governo espanhol disse que os EUA devem seguir as regras do direito internacional e os acordos bilaterais de comércio com a União Europeia. A declaração de Trump foi dada durante entrevista na Casa Branca. Ele falou sobre a ofensiva americana ao Irã enquanto recebia o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz. Seguindo com sua postura otimista, Trump falou sobre o ataque feito ao prédio da Assembleia dos Peritos, responsável por escolher o próximo líder supremo do país, e afirmou: "Tudo foi destruído no Irã. Estamos muito bem. Hoje houve outro ataque à nova liderança. O pior cenário é que alguém tão ruim quanto o anterior assuma o poder. Gostaríamos de ver alguém lá que seja melhor". O presidente norte-americano também aproveitou para condenar o governo iraniano e acusou Teerã de atacar civis. "O Irã está atacando países que não têm nada a ver com o que está acontecendo. Está atingindo apenas instalações civis", afirmou. Também nesta terça, um general da Guarda Revolucionária iraniana advertiu que se os bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã continuarem, "todos os centros econômicos" do Oriente Médio serão alvo de represálias. "Dizemos ao inimigo que, se decidir atacar nossos principais centros, nós atacaremos todos os centros econômicos da região", afirmou o general Ebrahim Jabari. "Fechamos o estreito de Ormuz. Atualmente, o preço do petróleo passa dos 80 dólares e em breve atingirá os 200 dólares", acrescentou, citado pela agência de notícias Isna. O barril do Brent superou, nesta terça-feira, os 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024.

EUA afirmam ter atacado mais de 20 navios do Irã Diante do temor de que a guerra se prolongue, os super-ricos de Dubai começaram a deixar o opulento centro de negócios por todos os meios possíveis, às vezes pagando centenas de milhares de dólares. A cidade dos Emirados Árabes Unidos recebe há décadas pessoas ricas atraídas pelos baixos impostos, pela segurança, pelo luxo e por um governo favorável aos negócios. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 No entanto, nos últimos dias, com drones e mísseis cruzando os céus, alguns estão pagando grandes quantias para garantir uma rota de fuga segura. A tarefa é difícil porque o espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos está parcialmente fechado. "Quando vimos o fogo, dissemos: 'OK, é hora de ir embora'", contou Evrim, uma mulher turca, mãe de dois filhos, referindo-se à explosão causada por destroços de um míssil que atingiram um hotel de luxo perto de sua casa, em Palm Jumeirah, o arquipélago artificial que se tornou símbolo da ostentação da cidade. Ela, o marido e os dois filhos pagaram US$ 200 mil (R$ 1,03 milhão) para voar do vizinho sultanato de Omã até Genebra, na Suíça, onde pretendem esperar o fim da guerra. Para chegar à capital omani, Mascate, tiveram de dirigir seis horas pelo deserto. "Estamos muito nervosos (...), principalmente por causa das crianças. Quando ouviram o som da explosão, ficaram assustadas", disse à AFP, referindo-se às interceptações de mísseis. Evrim temia que sair se tornasse ainda mais difícil se o conflito se agravasse, sobretudo caso a Arábia Saudita, que controla grande parte do espaço aéreo regional, entrasse na guerra. Com grandes parques temáticos e hotéis de luxo, o prédio mais alto do mundo e até um enorme shopping com pista de esqui coberta, Dubai se tornou destino popular entre ricos e celebridades. Mas seu status de refúgio seguro em uma região volátil agora está em risco. Desde o último sábado, os Emirados foram alvo de mais de 800 drones e 200 mísseis, que deixaram três mortos, no que representa a parte mais intensa da campanha de represálias do Irã contra países do Golfo após a ofensiva de Estados Unidos e Israel que matou seu líder supremo, Ali Hosseini Khamenei. Entre os locais atingidos estão aeroportos e infraestruturas petrolíferas. "Nosso lar" Mulher caminha por rua após ataque, em meio ao conflito das duas nações com o Irã, em Teerã Majid Asgaripour/WANA via Reuters Vários governos estrangeiros, incluindo os do Reino Unido e da Alemanha, estão enviando aviões a Omã para evacuar seus cidadãos, já que poucos voos operam a partir dos Emirados. Mesmo assim, muitos super-ricos estão encontrando maneiras de fugir. Segundo Glenn Phillips, encarregado de relações públicas da Air Charter Service, empresa que organiza voos em jatos privados, "a demanda está aumentando claramente". "Já organizamos vários voos de evacuação e há mais programados para hoje e amanhã, principalmente a partir de Mascate, em Omã, para pessoas que querem sair de Dubai", explicou. Os preços estão disparando devido à escassez de aeronaves, já que muitas estão em aeroportos fechados. Além disso, operadores de jatos privados hesitam em voar por motivos de segurança. A rota por Omã é a mais popular, acrescentou Phillips, mas o congestionamento na fronteira com os Emirados é tão grande que alguns chegam a esperar três ou quatro horas para atravessá-la. Se a guerra se prolongar, haverá cada vez menos aviões disponíveis, advertiu. Também aumentou a demanda por carros particulares para sair dos Emirados, especialmente entre ricos de países ocidentais, disse Mike D'Souza, coordenador de operações da empresa Indus Chauffeur, em Dubai. Muitos estão deixando o país pela Arábia Saudita, cujos aeroportos continuam operando. No entanto, conseguir visto para entrar no reino tem sido um desafio para alguns evacuados. LEIA TAMBÉM Gasolina, indústria e agro: veja como a guerra no Irã pode pesar no bolso do brasileiro Entre os que ficaram retidos, os que têm renda mais modesta enfrentam ainda mais dificuldades para sair. Um britânico que preferiu não revelar o nome disse à AFP que conseguir lugar em um voo comercial a partir de Mascate foi extremamente difícil para ele, sua esposa grávida e seu filho de três anos. "Os preços são extremamente altos e os assentos desaparecem rapidamente quando tentamos reservar", afirmou. No fim, conseguiram passagens para um voo até Hyderabad, na Índia, de onde pretendem seguir para a Tailândia. "Embora meu filho não entenda o que está acontecendo, ele está claramente confuso, e minha esposa também tem estado nervosa", contou. "Dito isso, claro que amamos Dubai e a consideramos nosso lar. Pretendemos voltar assim que nosso filho nascer e as coisas se acalmarem", acrescentou. Uma vista geral do luxuoso Hotel Burj al-Arab na área de Jumeirah, em Dubai, Emirados Árabes Unidos Karim Sahib/Reuters

Miriam: celulares de Daniel Vorcaro tinham ameaças a adversários, inclusive jornalistas A crise envolvendo o Banco Master teve novo desdobramento nesta quarta-feira (4), com a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição. A detenção, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorre em meio a investigações da Polícia Federal (PF) sobre uma rede que envolve fraudes, corrupção de servidores públicos e até o uso de uma "milícia privada" para intimidar opositores. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O banqueiro era controlador do Master, cujo encerramento das atividades no ano passado por decisão do Banco Central (BC) também resultou na liquidação de outras empresas do grupo, afetando milhões de clientes e exigiu o ressarcimento de bilhões de reais pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Veja abaixo os principais pontos para entender o colapso do conglomerado e a investigação que levou à nova prisão de Vorcaro. O que é o Banco Master e quais empresas faziam parte do grupo? Quais foram os principais motivos da liquidação do Banco Master? Por que o BRB tentou comprar o Banco Master? Quais foram as consequências das transações entre BRB e Master? Quem é Daniel Vorcaro e por que ele foi preso? O que diz a decisão de André Mendonça que levou à nova prisão de Vorcaro? Qual é a relação do ministro Dias Toffoli com o caso? Como ficaram os clientes dos bancos liquidados? O papel do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) 1. O que é o Banco Master e quais empresas faziam parte do grupo? Foto de 28 de fevereiro de 2026 mostra o prédio que abrigava o Banco Master, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, cercado por tapumes Felipe Cordeiro/g1 O Banco Master teve origem em 1974, como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Ao longo das décadas, passou por expansões e mudanças societárias até se transformar em um conglomerado financeiro com atuação em crédito, investimentos e gestão de recursos. Sob o controle do banqueiro Daniel Vorcaro, a instituição ganhou visibilidade ao oferecer produtos de renda fixa, como CDBs, com rendimentos muito acima da média do mercado — estratégia que acabou encobrindo uma grave crise de liquidez e insolvência. O Banco Central classificava o Master como um conglomerado de pequeno porte (segmento S3), com cerca de 0,57% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em 18 de novembro de 2025, o grupo sofreu liquidação extrajudicial devido ao comprometimento de sua situação econômico-financeira e ao descumprimento de normas do sistema bancário. As principais empresas do Conglomerado Master ou ligadas ao grupo eram: Banco Master S/A – instituição líder do conglomerado. Banco Master de Investimento S/A – braço voltado a operações de investimento. Banco Letsbank S/A – anteriormente ligado ao Banco Master e liquidada pelo BC Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – corretora do conglomerado. Banco Master Múltiplo S/A – entidade submetida a regime especial para tentar preservar as controladas. Will Bank (Will Financeira S.A.) – banco digital voltado a clientes de baixa renda, adquirido em 2024 e liquidado em janeiro. Banco Pleno – outra instituição do grupo que também entrou em processo de liquidação. Reag Investimentos – embora apresentada como gestora independente, investigações indicam que era ligada ao Banco Master e teria participado da estruturação de fundos usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição. Em janeiro, o BC decretou aliquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Trata-se da empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos. Volte ao índice. 2. Quais foram os principais motivos da liquidação do Banco Master? A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, foi motivada por uma combinação de deterioração financeira acelerada, indícios de fraude e descumprimento de normas regulatórias. Segundo os documentos oficiais, os principais fatores foram: Crise de liquidez e risco de insolvência: o BC apontou “comprometimento da situação econômico-financeira” e “deterioração da liquidez”, indicando que o banco já enfrentava risco concreto de quebra. Captação a custos elevados: para cobrir rombos operacionais, a instituição passou a oferecer CDBs com taxas muito acima do mercado — até 40% superiores à média ou entre 130% e 180% do CDI. Especialistas interpretam essa estratégia como um sinal de emergência financeira, após a perda de acesso a crédito mais barato. Exposição a ativos de alto risco: o banco concentrou recursos em investimentos considerados arriscados, como precatórios de recebimento incerto e empresas em dificuldades. Fraudes e emissão de títulos sem lastro: a Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, apurou a criação de carteiras de crédito fictícias. O Master teria emitido cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovar capacidade de pagamento, usando ativos inexistentes adquiridos da empresa Tirreno para inflar artificialmente o patrimônio. Descumprimento de regras do sistema financeiro: o BC citou violação às normas bancárias e desobediência a determinações da própria autoridade monetária. Fracasso nas tentativas de venda: negociações para evitar a quebra, como a proposta envolvendo o Banco de Brasília (BRB), não avançaram por falta de transparência, questionamentos de órgãos de controle e vínculos com investigações criminais. A liquidação foi decretada após o anúncio de uma nova tentativa de venda para a Fictor Holding, considerada inviável pelo BC diante da insolvência do grupo. Além da liquidação, houve bloqueio de bens dos controladores e a primeira prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, acusado de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. À época, ele foi preso em flagrante, mas deixou a prisão após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que também determinou a soltura dos outros quatro executivos do banco. Volte ao índice. 3. Por que o BRB tentou comprar o Banco Master? Agentes da Polícia Federal entram no BRB, Banco de Brasília, durante uma operação contra a emissão fraudulenta de títulos de crédito por instituições financeiras, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, em Brasília, Brasil, 18 de novembro de 2025. Reuters/Mateus Bonomi A tentativa de compra de 58% do capital do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), anunciada em março de 2025 por cerca de R$ 2 bilhões, teve como principais motivações a expansão estratégica da instituição e o respaldo político do governo do Distrito Federal. Segundo as fontes, os objetivos da operação incluíam: Formação de um grande conglomerado: a meta era criar uma instituição financeira de maior porte, com aproximadamente R$ 100 bilhões em ativos totais. Ampliação da atuação nacional: o BRB buscava reforçar sua presença fora do Distrito Federal, onde já mantinha agências em diversos estados. Fortalecimento patrimonial e estratégico: o plano previa que o BRB assumisse o controle do Master, com a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total. Apoio do Governo do DF: o governador Ibaneis Rocha foi um dos principais defensores da transação e sancionou em tempo recorde a lei aprovada pela Câmara Legislativa que autorizava a compra. “Socorro” financeiro sob investigação: embora apresentada publicamente como uma estratégia de expansão, investigações da Polícia Federal indicam que a operação teria funcionado como um alívio financeiro para o Banco Master, que enfrentava custos elevados de captação. A PF passou a apurar ainda se houve uso de créditos falsos para reforçar o caixa da instituição no mesmo período em que o BRB tentava viabilizar a compra e convencer os órgãos de controle sobre a solidez do negócio. A negociação foi barrada pela diretoria colegiada do Banco Central em setembro, sob o argumento de que não foram apresentados documentos suficientes para comprovar a viabilidade econômico-financeira da operação. Posteriormente, o fracasso dessa transação e de outras iniciativas malsucedidas contribuiu para desgastar o patrimônio e a credibilidade do BRB no mercado. Volte ao índice. 4. Quais foram as consequências das transações entre BRB e Master? A tentativa frustrada de compra e a aquisição de ativos suspeitos entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master geraram impactos financeiros, jurídicos e políticos, com reflexos sobre o patrimônio público do Distrito Federal. Entre as principais consequências estão: Deterioração do patrimônio e da credibilidade do BRB, que precisou apresentar um plano preventivo de capitalização ao Banco Central; Afastamento do então presidente Paulo Henrique Costa e investigações da Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta; Prejuízo de R$ 12,2 bilhões na compra de créditos considerados inexistentes da empresa Tirreno, vista como possível socorro irregular ao Master. Diante do rombo, o governador Ibaneis Rocha propôs transferir imóveis públicos ao BRB para viabilizar captação de recursos. O BC exigiu que o banco reservasse R$ 3 bilhões adicionais. O caso também provocou desgaste político e questionamentos de órgãos de controle, como o Ministério Público do DF e o Ministério Público de Contas. Volte ao índice. 5. Quem é Daniel Vorcaro e por que ele foi preso? Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Banco Master Daniel Vorcaro é o controlador do Banco Master e começou sua trajetória quando a instituição ainda era a Máxima Corretora, que transformou em conglomerado financeiro até a liquidação do banco. Ele foi preso duas vezes na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A primeira, em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, ocorreu durante tentativa de deixar o país e envolveu suspeitas de emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem lastro, por meio de créditos inexistentes da empresa Tirreno. As acusações incluem gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A segunda prisão aconteceu nesta quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após análise de mensagens no celular do empresário, com indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens para ressarcir prejuízos ao sistema financeiro. Volte ao índice. 6. O que diz a investigação que levou à nova prisão de Vorcaro? A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), foi baseada na existência de uma organização criminosa com atuação violenta, interferência em órgãos reguladores e risco à apuração dos fatos. Foi a primeira medida de grande impacto de Mendonça após assumir a relatoria do caso, no lugar de Dias Toffoli. Os principais fundamentos da decisão foram: “Milícia privada”: as investigações apontam a existência de um grupo chamado “A Turma”, usado para monitorar e intimidar ilegalmente opositores, autoridades e jornalistas. Ameaças de violência: mensagens indicam ordens para agredir um jornalista e “quebrar todos os dentes” em um assalto forjado, além de menções à simulação de sequestros. Cooptação de servidores do BC: a decisão descreve o suborno de chefias da supervisão bancária do Banco Central, que atuariam como “consultores informais” do banqueiro, revisando documentos e antecipando fiscalizações em troca de pagamentos mensais de até R$ 1 milhão. Espionagem e invasão de sistemas: o grupo é acusado de acessar ilegalmente bases sigilosas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Interpol e do FBI. Risco à ordem pública e à investigação: segundo Mendonça, a liberdade dos investigados poderia gerar novas intimidações, destruição de provas e continuidade da lavagem de dinheiro. Danos bilionários: o esquema envolve a fabricação de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em CDBs sem comprovação de liquidez. Além da prisão de Vorcaro, a decisão determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens e valores do grupo, o afastamento de servidores do Banco Central (com uso de tornozeleira eletrônica) e a suspensão das atividades de cinco empresas ligadas ao banqueiro. Volte ao índice. 7. Qual é a relação do ministro Dias Toffoli com o caso? Ministro Dias Toffoli, durante a sessão plenária do STF. Gustavo Moreno/STF O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, teve papel central no caso do Banco Master: foi relator do inquérito, concentrou decisões no STF, decretou sigilo e autorizou buscas e bloqueios de valores. Sua atuação passou a ser questionada após a confirmação de que é sócio da Maridt Participações, empresa familiar que realizou negócios com fundo ligado à Reag Investimentos, grupo relacionado ao Master, incluindo a venda de participação no resort Tayayá. Também surgiram controvérsias sobre um voo em avião particular com advogado ligado à defesa e menções a seu nome em mensagens do celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou a relatoria por “interesse institucional”. O caso foi redistribuído ao ministro André Mendonça, que passou a conduzir o inquérito e autorizou nova prisão de Vorcaro. Volte ao índice . 8. Como ficaram os clientes dos bancos liquidados? Will Bank: liquidado pelo BC, banco digital cresceu com foco em clientes de baixa renda Divulgação A crise do grupo Master levou o Banco Central a decretar a liquidação de sete instituições do conglomerado desde novembro de 2025, entre elas o o Banco Letsbank (BlueBank), Banco Pleno, Will Bank e corretoras vinculadas. A medida suspendeu imediatamente as operações dos bancos, deixando milhões de clientes com saldos bloqueados, que dependem do ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e dos procedimentos dos liquidantes. A situação varia conforme o tipo de produto e a instituição: 1. Clientes com investimentos (CDB, LCI, LCA e poupança) Esses investidores estão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Limite: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo principal e rendimentos até a data da liquidação. Banco Master: o processo está avançado; cerca de 84% dos credores (653 mil pessoas) já receberam, somando R$ 37,2 bilhões. Os casos pendentes envolvem situações mais complexas, como inventários e contas de menores. Will Bank e Banco Pleno: as listas de credores ainda não foram concluídas pelo liquidante, e o FGC não iniciou o pagamento geral. Houve apenas uma antecipação para clientes do Will Bank com até R$ 1 mil a receber. 2. Clientes do Will Bank (contas de pagamento) Este é o caso mais crítico, pois o banco digital tinha cerca de 12 milhões de clientes, em sua maioria de baixa renda. Sem cobertura do FGC: por ser instituição de pagamento, os saldos das contas digitais não são garantidos pelo FGC. Devolução integral via BC: por lei, esses recursos devem ficar segregados e custodiados no Banco Central, devendo ser devolvidos aos clientes. Bloqueio: a liberação depende da conclusão do levantamento contábil do liquidante; enquanto isso, há relatos de dificuldades para pagar despesas básicas. 3. Valores acima do teto do FGC Quem tinha mais de R$ 250 mil investidos tornou-se credor da massa liquidanda. O recebimento do excedente não é garantido e depende da venda dos ativos das instituições ao longo do processo. Investidores institucionais, como fundos de pensão de servidores públicos, que aplicaram quase R$ 2 bilhões no grupo, também estão nessa fila, sem proteção do FGC. 4. Empréstimos e cartões Dívidas: a liquidação não extingue obrigações. Parcelas de empréstimos, financiamentos e faturas devem continuar sendo pagas para evitar juros e negativação. Cartões: os cartões do Will Bank tiveram a aceitação suspensa pela Mastercard por inadimplência da financeira. Aplicativos: permanecem acessíveis apenas para consulta de saldo e extratos; transferências, saques e PIX estão desativados. Volte ao índice . 9. O papel do FGC no caso Master Fundo Garantidor de Créditos (FGC) Reprodução/LinkedIn O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teve papel central no caso do Banco Master, atuando desde o socorro financeiro inicial até o ressarcimento em larga escala de investidores após a quebra das instituições do grupo. As principais funções e impactos do FGC, segundo as fontes, foram: Socorro financeiro pré-liquidação Antes da decretação da liquidação extrajudicial, o FGC tentou evitar o colapso do Banco Master. Em maio de 2025, concedeu uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões à instituição, renovada duas vezes enquanto o banco buscava compradores. Após a liquidação, o FGC passou a ser responsável por devolver recursos à maioria dos clientes, dentro dos limites legais. Limite de cobertura: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ para investimentos em CDB, LCI, LCA, poupança e depósitos à vista. Volume de pagamentos: estima-se um desembolso de cerca de R$ 51 bilhões para cobrir as quebras de Master, Will Bank e Banco Pleno. Status do Master: aproximadamente 84% dos credores (653 mil pessoas) já receberam, totalizando R$ 37,2 bilhões. Antecipação no Will Bank: devido ao perfil mais vulnerável dos clientes do banco digital, o FGC antecipou pagamentos para cerca de 6 milhões de pessoas com até R$ 1 mil a receber. O volume elevado de saques drenou significativamente os recursos do FGC, que perdeu quase um terço do seu caixa, antes estimado em cerca de R$ 140 bilhões. Para recompor o patrimônio e preservar a estabilidade do sistema financeiro, o fundo estuda medidas como: antecipação das contribuições dos bancos associados; criação de cobranças extras e aumento das taxas para instituições de maior risco (de 0,01% para 0,02% ao mês sobre os depósitos); uso de parte do depósito compulsório junto ao Banco Central. Volte ao índice.

Presidente do BRB fala à TV Globo sobre crise vivida pela instituição A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou nesta terça-feira (3) o projeto de lei que autoriza o repasse de nove imóveis públicos da capital federal ao patrimônio do Banco de Brasília (BRB). Foram 14 votos a favor e 10 contra nos dois turnos. O texto vai à sanção do governador Ibaneis Rocha (MDB). Em entrevista exclusiva à TV Globo nesta quarta-feira (4), o presidente da instituição Nelson Antônio de Souza disse que, agora, a melhor opção é criar um fundo de investimento imobiliário (FII) e vender as cotas dos imóveis para investidores qualificados. "Não geraria uma PNT ou uma prestação nem iria mexer na Lei de Responsabilidade Fiscal do governo do Distrito Federal. Assim, esses imóveis seriam teriam rentabilidade para aqueles investidores que estariam conosco", afirmou. 🔎 O FII foi criado pela Lei Federal 8.668/93 e é regulamentado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). São carteiras compostas por imóveis selecionados e administrados por uma instituição financeira, previamente autorizada pela Comissão a operar. Os lucros dos FIIs devem ser distribuídos periodicamente aos cotistas. Segundo Nelson de Souza, o BRB é responsável, atualmente, por 64% dos financiamentos imobiliários do DF e injeta R$ 215 milhões na economia local. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Plano de recuperação O presidente da instituição garantiu que o plano de recuperação vai ser apresentado ao Banco Central dentro do prazo, no fim deste mês. Ele também defendeu a responsabilização dos responsáveis pelo prejuízo bilionário. "Nós vimos que faltou um pouco, faltou um pouco de governança e alguns fluxo no processo não foi observado e aquela tentativa talvez de salvar uma liquidez de outro banco ou do próprio capital levou a fragilidades", diz Nelson de Souza. Ainda segundo estimativas do próprio banco, uma eventual liquidação do BRB causaria um impacto de R$ 20 a R$ 25 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que faz o ressarcimento dos credores. 🔎 O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade. Nelson de Souza nega a possibilidade de liquidação ou federalização do banco. "O BRB sairá bem mais forte e será capitalizado mais forte que ele era antes", afirmou o presidente da instituição. Banco Central determina que BRB reserve R$ 3 bilhões para manter operações em segurança Reprodução/TV Globo Quais são os imóveis? O g1 teve acesso aos imóveis e valores especificados pela Terracap: SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb): R$ 632 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote G: R$ 632 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote I: R$ 364 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote H: R$ 361 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB: R$ 547 milhões; SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap: R$ 1,02 bilhão; Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década: R$ 491 milhões; "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – o documento não diz o endereço com precisão: R$ 2,2 bilhões; Setor de Áreas Isoladas Norte SAIN (antigo lote da PM): R$ 239 milhões. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Irã afirma que tomou controle do estreito de Ormuz e mercados asiáticos despencam A guerra entre os Estados Unidos e o Irã se intensificou nesta quarta-feira (4), depois que um ataque norte-americano atingiu um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo e interrompeu o fluxo vital de petróleo e gás do Oriente Médio. O ataque do submarino norte-americano ao navio iraniano ocorreu no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu fornecer segurança e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços da energia. LEIA TAMBÉM: EUA reivindicam ataque de submarino a navio de guerra do Irã; 80 morreram, e há desaparecidos Trump desafia Irã e diz que EUA vão escoltar navios no Estreito de Ormuz 'se necessário' Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, bem como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo, incluindo Iraque, Arábia Saudita e Catar, de acordo com estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic. Por que o Estreito de Ormuz é tão importante? Centenas de outras embarcações permaneceram fora de Ormuz, sem conseguir chegar aos portos, segundo dados de transporte marítimo. A hidrovia é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e GNL. O navio porta-contêiner Safeen Prestige, com bandeira de Malta, também foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção ao extremo norte do Estreito de Ormuz, levando a tripulação a abandonar o navio, segundo fontes do setor de transporte marítimo. O Catar suspendeu sua produção de gás e o Iraque reduziu sua produção de petróleo, pois ambos ficaram sem espaço para armazenamento. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuweit também estavam com dificuldades para carregar petróleo, mas ainda não estava claro se eles reduziram a produção. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1 Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz Reuters

BYD Song Plus ganha turbo e mantém preço da versão anterior, de R$ 249.990 A BYD renovou o Song Plus, segundo híbrido mais vendido do Brasil em 2025. Por fora, quase nada muda, mas o modelo evoluiu em eficiência e reforça a disputa com seu principal rival, o GWM Haval H6 PHEV. A principal novidade está no conjunto mecânico: o motor 1.5 aspirado, usado desde o lançamento do Song Plus no Brasil, em 2022, foi substituído por um propulsor turbo. Ele trabalha em conjunto com o motor elétrico, ampliando desempenho e eficiência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A bateria também aumentou, passando de 18,3 kWh para 26,3 kWh. Com essa nova capacidade, o SUV médio consegue andar 99 km com uma carga e reduz a diferença em autonomia quando comparado aos modelos que mais rodam no modo 100% elétrico, segundo o Inmetro: GWM Wey: 128 km com uma carga; GWM Haval H6 GT e PHEV35: 119 km com uma carga. BYD Song Plus divulgação/BYD Com a nova bateria, a BYD promete alcance combinado de até 1.150 km, somando energia elétrica e combustível. O valor chama atenção, mas fica abaixo dos 1.200 km declarados para o BYD Song Plus sem motor turbo. Para facilitar a recarga da bateria, o BYD Song Plus passou a contar com carregador rápido, que permite carga completa em 55 minutos — antes, o processo levava cerca de três horas na tomada. Com isso, fica claro que a BYD teve como principal alvo o GWM Haval H6 ao decidir atualizar o Song Plus no Brasil. O Wey 07 foca em um público mais abastado ao custar consideravelmente mais: R$ 429 mil. Song Plus será produzido no Brasil Além das novidades técnicas do SUV médio, a BYD já havia confirmado que o Song Plus está entre os modelos que serão montados na fábrica de Camaçari (BA), onde antes operava a planta da Ford responsável por veículos como o EcoSport. Com isso, o Song Plus será o quarto modelo produzido no Brasil. Os anteriores foram: Dolphin Mini King Song Pro A meta da BYD é alcançar uma produção anual de 600 mil veículos, volume superior ao registrado por concorrentes com grandes fábricas no Brasil, como o grupo Stellantis na unidade de Betim (MG), que produziu 525 mil unidades em 2025. As demais fábricas do grupo, responsável por marcas como Fiat, Peugeot e Jeep, colocaram 317 mil veículos no mercado: 250 mil produzidos em Goiana (PE) e outros 67 mil em Porto Real (RJ). Concorrência cresceu para o Song Plus Quando chegou ao Brasil, em 2022, o BYD Song Plus encontrou um mercado praticamente sem concorrentes com sistema híbrido plug-in. A GWM ainda não atuava no país, e as marcas já presentes demonstravam pouco interesse nesse tipo de tecnologia. Estes foram os 10 carros híbridos plug-in mais vendidos em 2022, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE): Caoa Chery Tiggo 8: 1.941 emplacamentos; Volvo XC60: 1.879 emplacamentos; BMW X5: 1.003 emplacamentos; Land Rover Discovery: 935 emplacamentos; Volvo XC90: 879 emplacamentos; Porsche Cayenne: 787 emplacamentos; BMW X3: 759 emplacamentos; BMW 330e: 609 emplacamentos; Land Rover Range Rover: 537 emplacamentos; Audi Q5: 437 emplacamentos. Esse cenário favorável levou o modelo à segunda colocação no ranking dos veículos eletrificados mais vendidos do Brasil já no ano seguinte. O Song Plus ficou atrás apenas do Toyota Corolla Cross XRX Hybrid, que somou 10.283 emplacamentos, contra 7.669 unidades vendidas da versão GS do SUV da BYD. Na comparação com o líder de 2022 no segmento de híbridos plug-in, o Song Plus registrou um volume de vendas quase quatro vezes maior. Em 2024, o Song Plus superou o Corolla Cross no ranking geral de eletrificados e manteve essa posição em 2025. No entanto, perdeu a liderança para outros modelos da própria BYD, como o Dolphin Mini GS e o Song Pro GS. Hoje, o Song Plus enfrenta concorrentes diretos que vão além do Haval H6, com preço circulando na mesma faixa de preço. Um deles é o Jaecoo 7, que adota visual mais aventureiro e aposta em uma autonomia combinada de até 1.200 km, com bateria carregada e tanque cheio. O preço sugerido do Jaecoo 7 parte de R$ 234.990 e chega a R$ 256.990, a depender da versão escolhida. Outro concorrente recente é o Leapmotor C10, que aposta em um visual mais arredondado. Ele não promete a mesma autonomia total dos rivais, mas se destaca por ser o primeiro híbrido do tipo REEV vendido no Brasil. Nesse tipo de veículo, o motor a combustão funciona apenas como gerador de energia para as baterias. Elas alimentam os motores elétricos, que são os únicos responsáveis pela tração do SUV. No Brasil, o C10 híbrido custa R$ 219.990. Nomenclatura da BYD é confusa Apesar de compartilharem o mesmo nome, diferenciados apenas pelo sufixo, Song Plus e Song Pro são modelos distintos e com preços em patamares diferentes: BYD Song Plus (2025): R$ 249.900; BYD Song Pro: entre R$ 189.990 e R$ 199.990. BYD Song Pro será um dos modelos produzidos no Brasil Divulgação Enquanto no iPhone a versão Pro é mais completa e cara que a Plus, nos Song Plus essa lógica é invertida. De forma resumida: o BYD Song Pro é uma versão mais comprida, só que com menos espaço no porta-malas, acabamento com menor quantidade de áreas com toque macio e menos equipada que o Plus. Ambos compartilham o mesmo sistema híbrido DM-i com motor 1.5 a gasolina, mudando a capacidade da bateria — menor no Pro. Há ainda uma segunda variação do Song Plus, chamada Song Plus Premium. Entre os diferenciais estão a tração integral, mais alto-falantes distribuídos pela cabine e um carregador adicional de celular por indução. Essa versão também estreou o motor 1.5 turbo, agora adotado no Song Plus sem sufixo. Com esse pacote mais completo, o BYD Song Plus Premium tem preço de R$ 299.800. *Essa reportagem está em atualização.

'O Globo' repudia iniciativas criminosas contra Lauro Jardim A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) repudiaram as ameaças feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal "O Globo". Veja a nota das associações na íntegra ao final desta reportagem. Nesta quarta-feira (4) a Polícia Federal voltou a prender o empresário, que é dono do Banco Master, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo a PF, Vorcaro comandava uma milícia privada para intimidar e atacar opositores. As investigações revelaram trocas de mensagens pelo WhatsApp entre o banqueiro e seus colaboradores, com planos de atacar o jornalista. Em nota, a ANJ afirmou que trata-se de um episódio grave que atinge não apenas o profissional, mas a própria liberdade de imprensa. "A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira." Já a AIR reiterou a Declaração de Princípios sobre a Liberdade Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, destacando que “o assassinato, sequestro, intimidação ou ameaça aos comunicadores sociais [...] viola os direitos fundamentais das pessoas e restringe severamente a liberdade de expressão". "A AIR valoriza as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras para investigar esses fatos e proteger o exercício da atividade jornalística, manifesta sua solidariedade ao jornalista Lauro Jardim e a todos os profissionais da comunicação no Brasil, e reafirma seu compromisso permanente com a defesa da liberdade de expressão e de imprensa nas Américas", disse em nota. Por fim, a Abert afirmou que as ameaças de Vorcaro que visavam intimidar um profissional de imprensa não são compatíveis com uma democracia e "violam frontalmente o Estado de Direito". "A Abert cumprimenta as autoridades pela adoção de medidas que protegem a liberdade de expressão e atividade jornalística em nosso país". LEIA TAMBÉM Decisão de Mendonça que levou a prisão de Vorcaro cita organização criminosa, danos bilionários e ameaça às investigações 'A Turma': quem é quem no grupo investigado por ameaças que levou à nova prisão de Vorcaro Defesa de Vorcaro nega acusações; advogado diz que Zettel está à 'disposição' Planos de Vorcaro A manifestação faz referência à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou a existência de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para simular um assalto com o objetivo de “prejudicar violentamente” o jornalista. De acordo com as investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, mensagens trocadas por WhatsApp indicam que Vorcaro teria ordenado um ataque contra Lauro Jardim após a publicação de reportagens contrárias a seus interesses. "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, diz Vorcaro em uma das mensagens. A investigação também aponta a existência de uma estrutura chamada “A Turma”, voltada à intimidação e ao monitoramento ilegal de opositores. Na nota, a ANJ classifica a tentativa de intimidar um jornalista por meio de violência como um “ataque inaceitável à liberdade de expressão”. A entidade acrescenta que “métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira”. Além de prestar solidariedade ao veículo e ao colunista, a associação também destacou o trabalho das autoridades. A ANJ cumprimentou a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça “pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística”. O próprio jornal "O Globo" também divulgou nota repudiando as ameaças e afirmando que seus profissionais “não se intimidarão” e seguirão acompanhando o caso. A reportagem está em atualização. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Banco Master Veja as notas de repúdio das associações Associação Nacional de Jornais (ANJ) A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta sua solidariedade ao jornal O Globo e a seu colunista Lauro Jardim e expressa veemente repúdio às intenções criminosas que, segundo decisão do ministro André Mendonça, tinham por objetivo “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. A determinação do ministro baseou-se na descoberta de um plano do ex-banqueiro Daniel Vorcaro de simular um assalto para “prejudicar violentamente” o jornalista. A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira. A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística. Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) A Associação Internacional de Radiodifusão (AIR) condena energicamente as graves ameaças dirigidas contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo no Brasil. As ameaças teriam sido proferidas no contexto das investigações relacionadas ao caso do Banco Master, incluindo expressões de violência destinadas a intimidar o jornalista pelo exercício de sua atividade jornalística. Como estabelece o Princípio nº 9 da Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, “O assassinato, sequestro, intimidação ou ameaça aos comunicadores sociais, bem como a destruição material dos meios de comunicação, viola os direitos fundamentais das pessoas e restringe severamente a liberdade de expressão. É dever dos Estados prevenir e investigar esses fatos, punir seus autores e assegurar às vítimas uma reparação adequada.” A AIR valoriza as medidas adotadas pelas autoridades brasileiras para investigar esses fatos e proteger o exercício da atividade jornalística, manifesta sua solidariedade ao jornalista Lauro Jardim e a todos os profissionais da comunicação no Brasil, e reafirma seu compromisso permanente com a defesa da liberdade de expressão e de imprensa nas Américas. Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) repudia com veemência as violentas ameaças dirigidas ao colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, e planejadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dentro das investigações sobre o caso do Banco Master. As iniciativas criminosas que visavam intimidar um profissional de imprensa são incompatíveis com uma democracia e violam frontalmente o Estado de Direito. A ABERT cumprimenta as autoridades pela adoção de medidas que protegem a liberdade de expressão e atividade jornalística em nosso país.

Irã afirma que tomou controle do estreito de Ormuz e mercados asiáticos despencam Os preços do petróleo passaram a cair nesta quarta-feira (4), após terem sido pressionados nos últimos dias pelo temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por ataques a instalações de energia. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Pela manhã, o Brent — referência internacional — chegou a subir 0,98%, a US$ 83,07 por barril, diante do receio de interrupções no fornecimento. Com o avanço do dia, porém, o movimento perdeu força: por volta das 11h, a cotação recuava 0,22%, a US$ 81,22. No mesmo horário, o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, caía 1,02%, com o barril sendo negociado a US$ 73,78. A virada ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na véspera, de que a Marinha americana poderia escoltar petroleiros na região, se necessário. A sinalização reduziu parte das preocupações sobre o transporte da commodity. O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para a exportação de petróleo, o, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Seu fechamento ameaça interromper um quinto do fluxo global do produto e elevar drasticamente os preços do petróleo bruto. Produção de petróleo e gás Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026. SAHAR AL ATTAR / AFP O fechamento do Estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevou o risco para o abastecimento global de petróleo e acendeu o alerta nos mercados. A passagem, localizada entre Omã e o Irã, é responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo e é considerada vital para a economia global. Com a escalada do conflito no Oriente Médio, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, o que provocou forte alta nos preços da energia. No domingo, dia seguinte ao conflito, o petróleo disparou cerca de 13% e superou US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025. Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado. O Catar suspendeu a produção após ataques a instalações, a Arábia Saudita fechou temporariamente sua maior refinaria, e campos de gás em Israel foram paralisados. No Irã, explosões atingiram áreas próximas ao principal terminal de exportação do país.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou a sessão desta quarta-feira (4) em queda de 0,89%, cotado a R$ 5,2175, em um movimento de correção após a forte alta da véspera. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou em alta de 1,24%, aos 185.366 pontos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ O conflito no Oriente Médio continuou no centro das atenções. A guerra se intensificou nesta quarta-feira (4), depois que um ataque americano atingiu um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. 🔎 O canal é uma das principais rotas marítimas do mercado de petróleo e gás no Oriente Médio, e a preocupação no mercado é que seu fechamento por um período prolongado possa afetar a oferta e encarecer a commodity ainda mais. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, desafiou o Irã e afirmou que os EUA estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja ameaçado. O republicano reiterou que a Marinha americana escoltará as embarcações se necessário. "Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO", afirmou Trump em uma publicação em seu perfil no Truth Social. Já nesta quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, sem dar mais detalhes, que o Pentágono e o Departamento de Energia dos EUA trabalham em um plano para garantir a segurança da navegação no Estreito. ▶️ No noticiário local, o foco ficou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que voltou a ser preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras. Segundo a PF, o esquema envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou na Superintendência da PF. Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF ▶️ Ainda no Brasil, o Banco Central (BC) autorizou que instituições financeiras direcionem para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios — recursos que os bancos são obrigados a manter no BC como garantia. ▶️ Na agenda econômica, o destaque ficou com o relatório de emprego ADP nos EUA. Segundo o documento, o país criou 63 mil vagas de trabalho no setor privado em fevereiro, acima do esperado pelo mercado, de 50 mil novos postos. O Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também ficou no radar. Segundo o documento, a atividade econômica dos EUA cresceu um pouco e os preços aumentaram no país. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,63%; Acumulado do mês: +1,63%; Acumulado do ano: -4,94%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,81%; Acumulado do mês: -1,81%; Acumulado do ano: +15,04%. De olho no Oriente Médio Apesar de o pregão desta quarta-feira (4) ser marcado por um movimento de correção nos principais mercados acionários, cambiais e de commodities, os investidores seguem atentos aos desdobramentos da guerra no Irã, em busca de sinais sobre a duração do conflito. As tensões continuaram altas nesta quarta, após os EUA assumirem o ataque a um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka. O ataque aconteceu no momento em que o presidente americano, Donald Trump, prometeu fornecer segurança e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços da energia após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, na véspera. Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, bem como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo, incluindo Iraque, Arábia Saudita e Catar, de acordo com estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic. Apesar das preocupações com o transporte de petróleo pelo Estreito, os preços da commodity caíam nesta quarta-feira (4), em ajuste após as fortes altas dos últimos dias. Perto das 16h45, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, tinha leve alta de 0,02%, cotado a US$ 81,40. Mercados globais O movimento de ajuste também era visto em Wall Street, onde os principais índices americanos registravam alta nesta quarta-feira, ainda atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Perto das 17h, o Dow Jones subia 0,64%, o S&P 500, tinha alta de 0,98% e o Nasdaq Composite avançava 1,55%. Na Europa, as bolsas da região também mostravam recuperação e fecharam em alta, após terem atingido níveis mais baixos no dia anterior, ainda sob a influência das tensões no Oriente Médio. O índice europeu Stoxx 600 avançava 1,37%. Entre os principais mercados, o DAX de Frankfurt subiu 1,79%; o FTSE 100 de Londres avançou 0,80%; e o CAC 40 de Paris avançou 0,79%. O movimento de queda também foi visto na Ásia. As bolsas da China e de Hong Kong encerraram o pregão em baixa, puxadas por empresas do setor de petróleo e transporte marítimo. No fechamento: o SSEC de Xangai caiu 1%; o CSI300, 1,1%; e o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 2%, chegando ao menor nível em seis meses. Outros mercados também tiveram baixas: em Xangai, o SSEC fechou em –0,98%, a 4.082 pontos; em Tóquio, o Nikkei caiu 3,61%, a 54.245 pontos; em Seul, o KOSPI desvalorizou 12,06%, a 5.093 pontos; e em Taiwan, o TAIEX caiu 4,35%, para 32.828 pontos. Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025. Tatan Syuflana/ AP

Imposto de Renda 2026 Marcello Casal Jr./Agência Brasil A Receita Federal está fechando os últimos detalhes da declaração anual de ajuste do Imposto de Renda das Pessoas Físicas de 2026, em que os contribuintes informam os dados de 2025. Assim como no ano passado, prazo terá início em meados de março, mas a data exata ainda não foi definida, e terminará em 29 de maio. Serão cerca de dois meses e meio para o contribuinte acertar as contas com o Leão. A Receita Federal deve definir, na próxima semana, a data de abertura do prazo. A ideia é que a declaração pré-preenchida, modelo em que as informações são inseridas automaticamente no sistema, sem a necessidade de digitação pelo contribuinte, já esteja disponível logo no início do prazo de entrega. Os detalhes da declaração de ajuste do IR serão divulgados na segunda-feira (16) pela Receita Federal, com a publicação das regras no "Diário Oficial da União". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os últimos dados da Receita mostram que 45,64 milhões de pessoas físicas enviaram as declarações do IR em 2025, 41% da população economicamente ativa (PEA), que somou, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 110,7 milhões de pessoas em fevereiro do ano passado. Quem é obrigado a declarar De acordo com cálculos do diretor tributário da Confirp Contabilidade, Welinton Mota, deverá ser obrigado a declarar, em 2026, quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00 em 2025. Esse valor ainda é uma estimativa, a ser confirmada posteriormente pela Receita Federal. Em 2025, foi obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888,00 em 2024. ➡️ Veja outras regras de obrigatoriedade que valeram em 2025, mas que também precisam ser confirmadas pela Receira 2026: contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2024, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2024, receita bruta em valor superior a R$ 169.440,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2024, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2024; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; Possui trust no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2024 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior. Contribuinte deve se preparar Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Consultoria Contábil, recomendou que os contribuintes se antecipem e comece a separar os documentos antecipadamente. Quem entrega mais cedo, sem erros ou omissões, também recebe a restituição do Imposto de Renda nos primeiros lotes (após os grupos prioritários). "Nos dias que antecedem a abertura do prazo é importante mobilizar-se para reunir documentos e solicitar segundas vias do que estiver faltando. Também é fundamental cobrar os informes de rendimentos das fontes pagadoras, instituições financeiras e demais comprovantes necessários", informou Richard Domingos, da Confirp. De acordo com a consultoria, a organização antecipada reduz riscos de inconsistências, facilita a análise de possíveis deduções legais e permite planejamento tributário mais eficiente. ➡️Parte das informações buscadas pelo Fisco podem ser importadas da declaração do IR de 2025, ano-calendário 2024, caso o contribuinte tenha enviado o documento. Veja os documentos necessários Informes de rendimentos Bancos e instituições financeiras, inclusive corretoras de valores Salários Pró-labore Distribuição de lucros Pensão Aposentadoria Aluguéis de bens móveis e imóveis recebidos Programas fiscais como Nota Fiscal Paulista e similares Juros sobre Capital Próprio Previdência privada Comprovantes e controles de recebimentos Doações Heranças Livro Caixa e DARFs de Carnê-Leão Resgate de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Seguro de vida Indenizações Acordos com redução de dívidas Informes de pagamentos Assistência médica Assistência odontológica Seguro saúde (médico e odontológico) Reembolsos realizados por seguro saúde e/ou odontológico Despesas com educação (creche, pré-escola, ensino fundamental, médio, superior, pós-graduação, mestrado, doutorado etc.) Previdência privada Na ausência dos informes, será necessário reunir todos os comprovantes de pagamento, como notas fiscais, recibos e boletos. Comprovantes de Pagamentos e Deduções Efetuadas Comprovante de pagamento de previdência social Recibos de doações efetuadas Recibos de pagamentos realizados a prestadores de serviços, pessoas físicas ou jurídicas Comprovantes de gastos com profissionais da área da saúde: médicos de qualquer especialidade, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos Exames laboratoriais e radiológicos Aparelhos e próteses ortopédicas Próteses dentárias Cadeiras de rodas e andadores ortopédicos Despesas com internações e cirurgias, inclusive estéticas Comprovantes de bens e direitos Notas fiscais ou recibos de venda, compra e permuta de bens como automóveis, motocicletas, aeronaves, embarcações e imóveis Documentos que comprovem construção, reforma ou ampliação de bens Contratos de empréstimos concedidos a terceiros com saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025 Demonstrativo de saldo de ações por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de criptoativos por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de ETFs por ativo em 31/12/2025 apurados a custo médio Demonstrativo de saldo de moedas estrangeiras por moeda em 31/12/2025 apurados a custo médio Dívidas e ônus Documentos comprobatórios da aquisição de dívidas e ônus com indicação do saldo em 31/12/2024 e 31/12/2025 Apuração de ganho de capital e renda variável Operações comuns em mercado à vista, opções e derivativos Operações day trade Memória de cálculo do Imposto de Renda sobre renda variável Operações com fundos imobiliários Memória de cálculo do imposto referente a fundos imobiliários Informações gerais Nome, CPF, grau de parentesco e data de nascimento dos dependentes Endereço atualizado Cópia completa da última Declaração de Imposto de Renda entregue Dados bancários para restituição ou débito das cotas do imposto Atividade profissional exercida atualmente
Ana Flor: Mendonça vê elo entre servidor do Banco Central e Vorcaro
Na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que levou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro nesta quarta-feira (4), o ministro vê um servidor do Banco Central como "funcionário" de Vorcaro.
A nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal também levou ao afastamento de dois servidores do BC, que já era investigados internamente pela autarquia. A PF trabalhou com dados que a sindicância interna do BC havia reunido.
Segundo fontes que acompanham as investigações, a PF recebeu do Banco Central uma série de informações levantadas em uma sindicância interna iniciada no fim do ano passado — que levou ao afastamento desses servidores pelo próprio banco, um deles visto como funcionário de Vorcaro.
Os dois servidores afastados ocuparam cargos importantes na cadeia técnica do BC.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup), que respondia pela estabilidade do mercado financeiro. Souza já ocupou a diretoria de Fiscalização do BC.
A auditoria do Banco Central investigava fatos relativos ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro conseguiu autorização para comprar o banco Máxima. A partir daí, ele muda o nome para banco Master.
Os dois servidores assinaram uma série de documentos hoje sob foco da PF por terem dado sobrevida a negócios suspeitos do Master.
- Esta reportagem está em atualização

Café robusta Globo Rural/Tv Globo As estimativas de safra com colheita recorde impactaram nas cotações domésticas do café arábica, o mais consumido no Brasil, em fevereiro de 2026. Depois de reação positiva em janeiro, o preço médio do grão registrou o menor patamar desde julho do ano passado em São Paulo, com recuo de mais de 14% nas cotações em São Paulo, segundo análise do Centro de Estudos em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Cepea-Esalq), o campus da USP em Piracicaba (SP), divulgada nesta quarta-feira (4). 📉Preços: em fevereiro, o Indicador Cepea/Esalq do arábica no posto na capital paulista teve média de R$ 1.864,51 saca de 60 quilos, com queda de R$ 311,31 por saca. A marca representa queda de 14,3% em relação a de janeiro. "A pressão veio, sobretudo, de projeções indicando possibilidade de colheita recorde no Brasil na safra 2026/27, fato que não ocorre desde 2021. O patamar de fevereiro ficou 66,32 reais acima do preço da saca do registrado em julho de 2025, em termos reais com os valores deflacionados pelo IGP-DI, período em que o Brasil passava pelo pico da colheita da safra 2025/26", detalhou o boletim do Cepea. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram 📲 Segundo dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no início de fevereiro, a primeira estimativa para a produção de café em 2026 aponta para uma produção de 66,2 milhões de sacas. O volume equivale a aumento de 17,1% em relação ao registrado no ciclo do ano anterior. "Em ano de bienalidade positiva, o crescimento previsto é influenciado pelo incremento de 4,1% na área em produção em relação a 2025, estimada em 1,9 milhão de hectares na atual temporada, algo esperado para o ciclo", detalha a Conab. Em São Paulo, outro importante produtor de arábica, a expectativa é de uma safra de 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior. Produção de café arábica Crédito: Divulgação O Centro de Estudos da Esalq-USP analisa que, apesar das recentes desvalorizações da variedade, o atual patamar de negociação do arábica ainda é relativamente elevado. A média de fevereiro do arábica, por exemplo, é a terceira maior para o mês, em termos reais, atrás apenas da registrada há um ano e no mesmo mês de 1997, considerando-se a série histórica do Cepea, iniciada em setembro de 1996. Reação positiva em janeiro após negociações restritas Após um período de negociações restritas, com ausências de vendedores e compradores ativos no mercado doméstico, as vendas do setor cafeeiro voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026, conforme análise do Cepea. Agentes consultados pelo Cepea indicam que, com a virada do ano, alguns agricultores tinham necessidade de fazer caixa, o que colaborou para o aumento da liquidez no período. As cotações dos cafés robusta e arábica, o mais consumido no Brasil, fecharam a R$ 1,2 mil e R$ 2,2 mil a saca, respectivamente. Os valores são considerados positivos e atendem os patamares desejáveis pelos produtores, segundo o Cepea. Café fica 34,9% mais caro em Campinas, aponta levantamento Segundo o centro, o movimento de alta se intensificou a partir de 6 de janeiro, quando os contratos futuros (de março de 2026) registraram aumento de 1.450 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures). O movimento na bolsa de valores aumentou o volume comercializado no mercado brasileiro. Embora o mercado tenha esteja em viés de retomada, o cenário de pouca chuva em importantes regiões produtoras do Brasil preocupa agentes do setor cafeeiro em relação à safra 2026/2027, segundo o boletim divulgado pelo Cepea. "Dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condição que pode comprometer a formação dos grãos, resultando em cafés chochos", analisa o Cepea. Compra de fertilizantes O poder de compra de fertilizantes pelos produtores de café de São Paulo aumentou nos últimos meses de 2025. Os preços da saca de 60 kg do café arábica operou em cerca de R$ 2,2 mil em outubro. Os valores do café robusta fecharam em torno dos R$ 1.350 a saca. Com as cotações nesse patamar, os produtores de São Paulo precisavam de 1,16 saca de arábica do tipo 6 para adquirir uma tonelada do adubo em 2025. 💰Em outubro de 2024, era preciso 1,44 saca de café para compra de fertilizante. Desde o início dos levantamentos feitos pelo Cepea, em 2011, a média histórica indica a necessidade de 2,6 sacas de café para pagar uma tonelada de fertilizante. "O poder de compra dos agricultores frente a importantes fertilizantes é considerado bom neste ano. Pesquisadores ressaltam que a retomada das chuvas nas regiões produtoras de café tende a viabilizar a realização de adubações nas lavouras, visando um bom desenvolvimento da safra 2025/26", detalham. Colheita do café arábica Ari Melo Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

Daniel Vorcaro é preso pela PF em SP A liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro do ano passado, e a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono da instituição, marcam mais um capítulo de uma crise que já vinha se desenhando há meses e que também levou à liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, integrantes do mesmo grupo. Vorcaro foi preso novamente nesta quarta-feira (4), em São Paulo, pela Polícia Federal, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos atribuídos a uma organização criminosa. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O banco operava sob risco elevado de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado. Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações. O g1 explica a polêmica envolvendo o banco e os fatores que levaram à sua liquidação, além das prisões de investigados por fraude ao sistema financeiro. LEIA MAIS Banco Central determina a liquidação extrajudicial do Banco Master SAIBA MAIS: Como ficam correntistas e investidores após a liquidação pelo BC? ENTENDA: O que é FGC e qual seu papel no caso do Banco Master? PASSO A PASSO: Tem investimento no Master? Saiba como reaver seu dinheiro Breve história do Banco Master O Banco Master surgiu em 1974, inicialmente como Máxima Corretora de Valores e Títulos Mobiliários. Ao longo das décadas, a empresa passou por expansões e alterações societárias até se tornar o conglomerado financeiro conhecido atualmente como Banco Master. Nos anos 2000 e 2010, o grupo expandiu sua atuação para áreas como crédito, investimentos, gestão de recursos e outras operações. Nos anos mais recentes, ganhou destaque ao oferecer produtos com rendimentos muito acima do mercado, atraindo milhares de investidores. A partir de 2022, começaram a surgir dúvidas sobre a saúde financeira do banco, diante da captação cara, da exposição a ativos de risco e das negociações de venda que não avançavam. Tentativas frustradas de venda e deterioração financeira O Banco Master voltou ao centro das atenções em março do ano passado, quando avançou nas negociações para vender 58% do capital ao Banco de Brasília (BRB) por cerca de R$ 2 bilhões. A operação, que formaria um conglomerado com cerca de R$ 100 bilhões em ativos, passou a ser monitorada por órgãos de controle, como o Ministério Público do Distrito Federal e o Ministério Público de Contas, que pediram esclarecimentos sobre as condições da compra. O processo se arrastou enquanto o Master enfrentava dificuldades de caixa. Em maio, o banco obteve uma linha de crédito emergencial de R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), renovada duas vezes. Ao mesmo tempo, buscava compradores para o Will Bank, seu braço digital. Na véspera da liquidação, a instituição recebeu outra oferta: a holding Fictor e um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos propuseram um aporte imediato de R$ 3 bilhões e a compra das ações do fundador Daniel Vorcaro, excluindo o Will Bank e o Master Investimentos. Com a liquidação decretada pelo Banco Central, a proposta perdeu validade. Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC CDBs a juros impossíveis O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição. 🔎 O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa em que o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Essa remuneração pode ser pré-fixada (definida no momento da aplicação) ou pós-fixada (atrelada a indicadores como o CDI). Segundo o planejador financeiro e especialista em investimentos Jeff Patzlaff, o problema não era o CDB em si, mas o que justificava taxas tão elevadas. “No mercado financeiro, bancos saudáveis conseguem captar dinheiro barato, pagando algo entre 100% e 105% do CDI. Quando você via o Banco Master oferecendo 130%, 150% ou até 180% do CDI, isso não era generosidade — era um pedido de socorro”, diz o planejador. Segundo o especialista, esse movimento foi uma tentativa de captar dinheiro rapidamente após o banco perder acesso a crédito barato de grandes instituições financeiras. Esses investidores já haviam interrompido os repasses porque os números do Master não fechavam havia algum tempo. Sem acesso a crédito barato, o banco recorreu ao investidor pessoa física, oferecendo taxas "irresistíveis" para captar recursos rapidamente e tentar cobrir rombos operacionais. O risco também estava na qualidade dos ativos utilizados pelo banco: “Para pagar 150% do CDI, o banco precisaria emprestar a 200% ou 300% para ter lucro. Isso só é possível quando você empresta para quem ninguém mais quer, como projetos duvidosos ou precatórios judiciais incertos.” “As investigações indicam que o banco mantinha ativos ruins registrados como se fossem de boa qualidade e utilizava o dinheiro de novos investidores — captado por meio de CDBs com juros elevados — para pagar investidores antigos e manter a operação funcionando. Era uma dinâmica insustentável a longo prazo sem uma injeção real de capital, que nunca veio”, afirma Patzlaff. Após o Banco Central vetar a compra do Banco Master pelo BRB, o mercado passou a desconfiar (ainda mais) da situação do banco. Isso levou muitos investidores a tentar vender, no mercado secundário, seus CDBs do Master para evitar ficar “presos” ao título até o vencimento. Com a corrida por vendas, quase não havia compradores. Para atrair interessados, as taxas dos CDBs precisaram subir muito — chegando a 177% do CDI, ante os cerca de 120% praticados antes da crise. O banco já vinha pagando taxas muito altas para captar recursos, e decisões ruins sobre o uso desse dinheiro deixaram a instituição perto do calote e da falência. Quando os clientes tentaram se desfazer dos títulos, muitos não conseguiram vendê-los ou tiveram de aceitar descontos para encontrar compradores. Infográfico - Entenda a polêmica dos CDBs do Banco Master Arte/g1 Na mira das investigações Segundo a Polícia Federal, as investigações sobre o Banco Master começaram em 2024, a partir de uma requisição do Ministério Público Federal, para apurar a suposta fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira. 🔎 Esses títulos teriam sido repassados a outro banco e, após fiscalização do Banco Central do Brasil, substituídos por outros ativos sem a devida avaliação técnica. Nesta quarta-feira (4), o dono do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em São Paulo na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras, envolvendo a venda de títulos de crédito falsos e suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e há ainda outros mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. No ano passado, durante audiência na CPI do Crime Organizado, no Senado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens de até R$ 22 bilhões para impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo investigado. Vorcaro já havia sido preso em novembro do ano passado, quando tentava deixar o país em um voo particular. Na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, a Polícia Federal investiga a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa. Desde o ano passado, a investigação também apura: O Banco Master emitiu R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) prometendo juros acima das taxas de mercado e sem comprovar que tinha liquidez, ou seja, que conseguiria pagar esses títulos no futuro. Ao comprar um CDB, o cliente empresta o dinheiro ao banco e recebe juros em troca. Para reforçar essa impressão de liquidez, o Master aplicou parte desses R$ 50 bilhões em ativos que não existem, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno. O Master não pagou nada por essa compra, mas logo em seguida vendeu esses mesmos créditos ao BRB — que pagou R$ 12,2 bilhões, sem documentação, para "socorrer" o caixa do Banco Master. Essas transações aconteceram no mesmo período em que o BRB tentava comprar o próprio Banco Master — e convencer os órgãos de fiscalização de que a transação era viável e não geraria risco aos acionistas do BRB, incluindo o governo do DF. Liquidação expôs limites do FGC Após a liquidação do Banco Master, a maioria dos clientes ficou protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Aplicações como CDB, RDB, LCI, LCA, poupança, depósitos à vista e letras de câmbio são garantidas até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, incluindo os rendimentos acumulados até a data da decretação da liquidação. A maior parte dos pagamentos já foi realizada, sobretudo para pessoas físicas. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar cerca de R$ 51 bilhões para ressarcir clientes de Master, Will Bank e Banco Pleno, que entraram em liquidação desde novembro. Até agora, já foram pagos R$ 37,2 bilhões, beneficiando 653 mil credores do Master (84% do total). Com a forte redução do caixa — que antes superava R$ 140 bilhões —, o FGC estuda medidas para recompor recursos, como antecipar contribuições dos bancos, criar cobranças extras e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório. 🔎 O g1 preparou uma série especial de reportagens que investiga as repercussões do caso do Banco Master e seus desdobramentos. A apuração analisa as causas da liquidação, o funcionamento e limites do FGC, bem como os efeitos que vão além das perdas imediatas. LEIA A SÉRIE ESPECIAL ‘O dinheiro está todo sequestrado’: o drama de clientes do Will Bank após a liquidação pelo BC ‘Prejuízo Master’: o que o colapso do banco mostrou sobre os limites da garantia do FGC Os casos ainda pendentes envolvem situações que exigem análise mais detalhada, como empresas, menores de idade e inventários, o que torna o processo mais lento. Já quem tinha valores acima do teto do FGC passou a integrar a lista de credores da massa falida e só poderá receber conforme a venda dos ativos do banco. Com a liquidação extrajudicial, todas as operações foram interrompidas imediatamente, a diretoria foi afastada e o Banco Central nomeou um liquidante para assumir o controle da instituição, organizar ativos e credores e apurar as causas da quebra. Saques, transferências e pagamentos originados no banco ficaram suspensos, enquanto parcelas de empréstimos e financiamentos devem continuar sendo pagas normalmente. Fundos de investimento não dependem do FGC, pois o patrimônio é separado do banco e apenas ocorre a troca de administrador. Fachada do Banco Master na cidade de Ssão Paulo em 18 de novembro de 2025. Werther Santana/Estadão Conteúdo

Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF Dono e principal controlador do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central (BC), Daniel Vorcaro, de 42 anos, voltou a ser alvo da Polícia Federal em uma investigação que apura um esquema de fraudes financeiras. Ele foi preso nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Além da prisão de Vorcaro, a Polícia Federal cumpre outros três mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração conta com apoio técnico do Banco Central do Brasil. A Justiça também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, com o objetivo de impedir a movimentação de recursos ligados ao grupo e preservar valores possivelmente associados às irregularidades. Nascido em 6 de outubro de 1983, em Belo Horizonte, Vorcaro integra uma geração de empresários que expandiu seus negócios para os setores financeiro, tecnológico e corporativo. Formado em Economia, com MBA em Business/Managerial Economics pelo Ibmec, ele ganhou projeção nacional após o Banco Master firmar operações de grande porte com o governo do Distrito Federal por meio do Banco de Brasília (BRB). O BRB adquiriu títulos de crédito emitidos pelo Banco Master — operações que estão no centro das investigações da Polícia Federal. Vorcaro também é acionista da Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG. Ele detém 20,2% da SAF do clube por meio do fundo Galo Forte Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia (FIP). A origem dos recursos usados na operação é apurada por possível ligação com o PCC. A liquidação do Banco Master A crise do Banco Master culminou na liquidação determinada pelo Banco Central em novembro do ano passado e na nova prisão de seu dono, Daniel Vorcaro, nesta quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. 💰Desde 2024, a instituição e o executivo vinham sendo investigados por um esquema que envolvia a emissão de CDBs com juros muito acima do mercado para captar recursos e a criação de carteiras de crédito falsas para simular solidez financeira. Parte dos valores teria sido aplicada em ativos inexistentes ou de baixa qualidade, registrados como se fossem créditos sólidos, enquanto novos recursos serviam para pagar investidores antigos, em uma dinâmica considerada insustentável. As tentativas de venda do banco fracassaram e agravaram a crise. Uma negociação avançada com o Banco de Brasília (BRB) foi barrada por órgãos de controle e pelo BC, diante de questionamentos sobre transparência e riscos ao sistema financeiro. Na véspera da liquidação do Banco Master, surgiu ainda uma proposta da holding Fictor e de investidores dos Emirados Árabes Unidos para injetar capital e comprar as ações de Vorcaro, mas a operação perdeu validade com a decretação da liquidação. Com a liquidação, as operações foram interrompidas e um liquidante foi nomeado. A maior parte dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite legal, mas o caso expôs os limites do fundo diante do volume elevado de recursos envolvidos. Nesta terça-feira (3), o Banco Central (BC) publicou resolução que permite que os bancos direcionem para o FGC os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios. O recolhimento do depósito compulsório é um mecanismo que o BC pode utilizar para garantir a estabilidade do sistema financeiro. PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Reprodução

Plataforma de extração de petróleo da Petrobras em Angra dos Reis EDSON PASSARINHO/AFP via Getty Images Distante mais de 10 mil quilômetros de Teerã, a capital do Irã, o Brasil pode se transformar em um dos potenciais "beneficiários" do conflito iniciado no Oriente Médio depois que os Estados Unidos e Israel realizaram ataques ao Irã, no sábado (28/2). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, isso aconteceria porque, na segunda-feira (2), o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde estima-se que passe aproximadamente 20% da produção global de petróleo. Neste cenário, países da Europa e da Ásia, entre eles a China, Índia e Japão, teriam que buscar novas fontes de petróleo bruto para suprir a queda no fluxo do produto represado no Golfo Pérsico e isso poderia alavancar as exportações de petróleo do Brasil, que desde 2024 se tornou o principal item da pauta de exportação do Brasil, superando a soja e o minério de ferro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o Brasil estaria bem posicionado para atender uma eventual demanda resultante do agravamento da crise no Oriente Médio, uma vez que o Brasil já tem uma rede estruturada de portos e oleodutos voltados para a exportação de petróleo e porque a rota entre o país e esses mercados não passa por pontos sensíveis como o Estreito de Ormuz. Eles avaliam, no entanto, que o Brasil só deverá se beneficiar desse cenário se a situação se prolongar pelas próximas quatro semanas ou mais e se o Brasil conseguir ampliar sua produção para além dos patamares atuais. A crise e a oportunidade Mapa regional destaca o Irã em branco, com seu nome em preto. Os países que sofreram ataques do Irã estão marcados em vermelho: Israel, Kuwait, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Chipre, Líbano e Arábia Saudita. Os países vizinhos estão em cinza. BBC A atual crise no Oriente Médio começou no sábado (28/2), depois que os Estados Unidos e Israel iniciaram uma série de ataques a alvos iranianos. Os ataques atingiram prédios oficiais e alvos civis e mataram o então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Além dele, pelo menos outros três oficiais do alto comando do governo iraniano também teriam sido mortos. O presidente norte-americano, Donald Trump, alegou que os ataques tinham o objetivo de eliminar "ameaças iminentes do regime iraniano", que o Irã teria tentado reconstruir o seu programa nuclear e continuaria a desenvolver um programa de mísseis de longo alcance capaz de ameaçar países europeus e, futuramente, os Estados Unidos. O regime iraniano rebate essas acusações e afirma que seu programa nuclear tinha fins pacíficos. Em resposta aos ataques dos Estados Unidos e Israel, o Irã disparou uma série de mísseis em direção a Israel e a instalações norte-americanas localizadas em países do Golfo Pérsico como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Kuwait. Na tarde de segunda-feira, um porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã anunciou que o país fecharia o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. Essa passagem tem cerca de 33 quilômetros de largura e recebe um fluxo intenso de navios petroleiros que transportam o óleo produzido por diversos países árabes, além do Iraque e do Irã. Matt Smith é consultor da empresa Kpler, uma das maiores firmas de análise de dados de navegação do mundo. Ele diz à BBC News Brasil que os maiores compradores do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz são os países asiáticos como China, Índia e Japão. "A China, sozinha, consome metade de todo o petróleo produzido no Oriente Médio e uma parte significativa disso é escoada pelo Estreito de Ormuz. Se a situação se prolongar, a China, por mais que tenha estoques, vai ter que procurar alternativas de suprimento. E o Brasil está bem posicionado para atender essa nova demanda e pode se tornar uma opção viável", explica. Estreito de Ormuz Reuters via BBC Dados do governo brasileiro apontam que a China já é o principal destino do petróleo exportado pelo Brasil. Em 2025, o Brasil exportou US$ 44 bilhões em petróleo bruto para o mundo todo. Desse total, US$ 20 bilhões (45%) foram para a China. O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy, diz à BBC News Brasil que ainda é cedo para estimar se a crise no Irã vai beneficiar a indústria do petróleo brasileira. Ele afirma, porém, que se o cenário se agravar ou se mantiver nos níveis atuais, a tendência é de que o Brasil, possa, sim, ser um dos potenciais beneficiados. "Nós não sabemos quanto tempo durarão os estoques estratégicos dos principais países. Calculamos algo em torno de três ou quatro meses. Se as coisas continuarem assim, com a queda dos estoques, países como o Brasil, Argentina, Nigéria e Guiné Equatorial vão despontar como fornecedores alternativos para o petróleo represado do Golfo Pérsico", diz Ardenghy. Smith afirma que outros países também poderiam procurar o Brasil buscando substituir, ao menos temporariamente, o petróleo que passa por Ormuz. "Quanto mais a crise se prolongar, mais preocupados os consumidores da Ásia e da Europa vão ficar e eles terão que procurar novas alternativas. O Brasil, portanto, não se beneficiaria apenas vendendo para a China, mas também para a Europa". Ardenghy alerta para um outro fator que pode limitar o quanto o Brasil pode se beneficiar ou não de uma mudança, ainda que temporária, da cadeia global de petróleo: a capacidade de produção brasileira. Segundo ele, o Brasil produz, em média, 3,6 milhões de barris de petróleo por dia e exporta 1,6 milhão. O restante, é consumido pelo próprio mercado interno. Ele estima que, até 2029, o Brasil conseguiria aumentar sua produção para 4,2 milhões de barris apenas com base nos projetos em andamento, o que poderia levar o Brasil a chegar ao posto de sexto maior produtor mundial de petróleo. Ardenghy pondera, no entanto, que na atual conjuntura, o Brasil teria dificuldades para suprir demandas adicionais de petróleo imediatamente. "Não tem como aumentar a exportação no curto prazo. A curva de crescimento da produção é gradual, podendo levar alguns meses ou anos para que tenhamos mais produção e um impacto positivo sobre a exportação", diz. Efeito misto sobre a economia O potencial aumento do preço e da procura por petróleo brasileiro já se refletiu nos valores das ações da Petrobras e de outras petroleiras brasileiras. As ações preferenciais da Petrobras, por exemplo, subiram 3,57% entre sexta-feira e terça-feira, acompanhando movimentos similares de petroleiras ao redor do mundo. A expectativa entre os investidores é de que o aumento do preço do petróleo no mercado internacional eleve as margens de lucro dessas companhias. Os analistas e o governo brasileiro avaliam que a crise no Irã e o seu impacto sobre a indústria do petróleo podem gerar efeitos mistos sobre o Brasil. Para o governo, por um lado, o aumento no preço do petróleo pode aumentar a quantidade de dividendos que ele recebe da Petrobras, já que o governo federal é o principal acionista da companhia. Em 2024 (último ano cujos dados estão disponíveis), o governo recebeu R$ 28,8 bilhões em dividendos pagos pela companhia, um valor que ajudou a fechar as contas públicas. Além disso, o aumento no preço ou nas exportações de petróleo pode aumentar, também, a arrecadação de tributos. "O governo vai passar a arrecadar mais dinheiro por conta do pagamento de royalties do petróleo, participações especiais e com a própria arrecadação de tributos", explica Ardenghy. Ao portal UOL, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que a crise no Irã pode ter esse efeito positivo sobre a economia brasileira. Ele porém, avalia que esse aumento no preço do petróleo pode ter efeitos negativos como pressão inflacionária. Roberto Ardenghy, do IBP, explica como o prolongamento da crise pode afetar o Brasil negativamente. "O Brasil exporta petróleo, mas importa gasolina e diesel. Quando você tem uma mudança no patamar do preço do petróleo, isso afeta a cadeia petroquímica. Isso vai fazer com que a refinaria aumente o preço dos seus produtos e isso pode ter um impacto sobre outros setores da economia", afirma. Tanto Smith quanto Ardenghy ponderam que o aumento da procura pelo petróleo brasileiro só deverá se concretizar se a crise no Oriente Médio demorar a ser solucionada. "É preciso que a instabilidade se mantenha por pelo menos quatro semanas para que a gente veja uma mudança no fluxo de compra do petróleo. Se o Estreito de Ormuz, por exemplo, for reaberto logo, talvez a gente não veja essa busca por parceiros alternativos neste momento", diz Smith. O analista diz, ainda, que o fechamento de Ormuz pode ser visto como um movimento de desespero do governo iraniano, mas que, no longo prazo, tende a prejudicar o próprio país. "A maior parte das exportações de petróleo do Irã também passa por lá. Fechar o Estreito de Ormuz acaba prejudicando a economia do Irã, cuja principal fonte de renda é, justamente, o petróleo". Ele destaca que mesmo em meio à instabilidade da região, do ponto de vista logístico, o petróleo do Oriente Médio é mais competitivo que o brasileiro por conta da distância. Em média, um petroleiro pode levar um mês e meio para chegar à China, enquanto um navio leva em torno de 20 dias para sair do Golfo Pérsico e chegar ao país asiático. Ardenghy diz, também, que um fechamento do Estreito de Ormuz por muito tempo é uma situação sem precedentes e que não ocorrerá sem reações ou pressões geopolíticas. "Há um interesse estratégico das superpotências para manter a navegabilidade do Estreito de Ormuz e um dos principais interessados é a China que vai exercer algum tipo de pressão para que a situação se resolva", diz.

PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto O Brasil fechou 2025 com o PIB em alta de 2,3%, desemprego no menor nível da história e renda média recorde. Ainda assim, o endividamento segue elevado — e o cartão de crédito continua concentrando uma boa parte das dívidas no país. Dados da Recovery, obtidos pelo g1 em primeira mão, mostram que ao menos 19 milhões de brasileiros tinham dívidas no cartão de crédito no ano passado. Isso porque o levantamento considera a base da empresa, que tem 34 milhões de brasileiros com dívidas administradas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Apesar de um leve recuo de 2% em relação a 2024, a modalidade continua, com ampla vantagem, no topo da lista das que mais concentram inadimplência no país. A dimensão do endividamento sob gestão da empresa ajuda a entender o cenário: ⏰ São mais de 80 milhões de débitos em atraso em 2025; 🤝 6 milhões de dívidas renegociadas e transformadas em acordos; 👤 Apenas 193 mil registros têm origem em empresas — a maior parte é de pessoas físicas. Além disso, a distribuição regional das dívidas também chama atenção: São Paulo: cerca de 4,4 milhões de endividados no cartão; Rio de Janeiro: aproximadamente 2,4 milhões; Bahia: cerca de 1,4 milhão. Outras modalidades de crédito também ficaram mais pressionadas. As dívidas ligadas a empréstimos e cheque especial cresceram cerca de 7% no ano passado, passando de 12,7 milhões para 13,5 milhões de registros. Nesse grupo, os maiores volumes estão no Sudeste: São Paulo: aproximadamente 3,8 milhões; Rio de Janeiro: 1,6 milhão; Minas Gerais: 1,2 milhão. Mulher checando informações do cartão de crédito Reprodução Freepik Inflação, juros e inadimplência O avanço da inadimplência ocorre em um ambiente de crédito mais caro. Em 2025, o Banco Central elevou a taxa básica de juros em 2,25 pontos percentuais, levando-a a 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas. Isso significa que tomar dinheiro emprestado ficou mais caro. O rotativo do cartão, os parcelamentos e os empréstimos passaram a pesar mais no orçamento, dificultando a reorganização das finanças de quem já estava com contas em atraso. 📈 A inflação oficial, medida pelo IPCA, fechou o ano em 4,26%, o melhor resultado desde 2018. Ainda assim, isso não significa queda de preços, mas apenas um ritmo menor de reajustes. Para muitas famílias, o orçamento continuou apertado. Como o g1 mostrou, o consumo das famílias cresceu apenas 1,3% em 2025, bem abaixo do avanço de 5,1% registrado em 2024. Mesmo com desemprego em mínima histórica e rendimento médio recorde, as compras passaram a depender quase exclusivamente da renda do trabalho, sem estímulos extras. LEIA TAMBÉM: 'O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada': por que o brasileiro não sente a melhora da economia? PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE Nesse cenário, o cartão de crédito acaba funcionando como uma solução imediata para fechar as contas do mês — mas pode se transformar rapidamente em uma dívida de longo prazo, especialmente quando há atraso e incidência de juros elevados. Helena Passos, head de Dados e Planejamento na Recovery, ressalta que o momento exige cautela. “Para milhões de brasileiros endividados, 2026 será crucial para a reconstrução financeira", afirma. Segundo ela, o cenário demanda maior foco em educação financeira, uma abordagem consciente na renegociação de dívidas e a implementação de políticas que incentivem a retomada responsável do crédito, evitando, assim, a repetição do ciclo do superendividamento. A especialista também aponta uma mudança no perfil das renegociações, cada vez mais concentradas nos canais digitais. “Atualmente, 77% das negociações feitas na Recovery acontecem nesses canais, o que reforça o avanço da transformação digital no mercado de cobrança.”

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se concentra numa área estratégica para o abastecimento global de energia. O Oriente Médio reúne algumas das maiores reservas de petróleo do planeta – o Irã tem a terceira maior, e a Arábia Saudita, a segunda – e concentra importantes instalações de produção e refino. Toda essa produção precisa atravessar o Estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, para abastecer os setores produtivos dos quatro cantos do mundo. Cerca de 20% do volume total de petróleo comercializado passa por esse corredor, que foi fechado pelo governo iraniano. Um cenário que pode se agravar caso a ameaça do general da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Jabari, se concretize: caso os bombardeios de Estados Unidos e Israel continuem, irá atacar “todos os centros econômicos” do Oriente Médio. Para explicar como o fechamento do Estreito de Ormuz abre um efeito cascata na economia global, Natuza Nery conversa com José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados. Ele, que foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998, comenta também os impactos da guerra na produção e distribuição de gás natural e fertilizantes, e como isso repercute nas economias de Brasil e Estados Unidos, inclusive com possível alta no preço dos alimentos. Convidado: José Roberto Mendonça de Barros, fundador e sócio da consultoria MB Associados, foi secretário de política econômica do Ministério da Fazenda entre 1995 e 1998. O que você precisa saber: Irã lança drones contra a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita Fechamento da principal rota marítima de escoamento do petróleo do Oriente Médio acende alerta nos mercados internacionais PONTO A PONTO: Por que a guerra começou? O que deve acontecer agora? MAPA: Veja como o conflito se espalha no Oriente Médio SANDRA COHEN: Arrastados para o conflito, países calibram resposta ao Irã O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Amanda Polato, Sarah Resende, Carlos Catelan e Luiz Gabriel Franco. Apresentação: Natuza Nery. O impacto da guerra no preço dos alimentos O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. MoradoreS ao lado de prédios residenciais danificados em Teerã Moradores observam de uma rua ao lado de prédios residenciais danificados perto da praça Niloufar, em Teerã, durante a campanha militar conjunta EUA-Israel no Irã, em 2 de março de 2026.

G1 | Loterias - Mega-Sena 2979 O sorteio do concurso 2.979 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (3), em São Paulo. Uma aposta de Eusébio, no Ceará, acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 158.039.482,14. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 18 - 27 - 37 - 43 - 47 - 53. 6 acertos: 1 aposta ganhadora, que vai receber R$ 158.039.482,14; 5 acertos: 128 apostas ganhadoras, cada uma vai receber R$ 38.728,95; 4 acertos: 7.902 apostas ganhadoras, cada uma vai receber R$ 1.034,09. Números da Mega-Sena, concurso 2979 g1 O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (5). O prêmio previsto para o concurso 2.980 é de R$ 45 milhões. Para apostar na Mega-Sena Como funciona a Mega-sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Mega-Sena bilhete volante Loterias Millena Sartori/g1

Navio passa pelo estreito de Ormuz REUTERS/Hamad I Mohammed/File Photo O Exército dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (3) que afundou 17 barcos do Irã desde o início da guerra no sábado (28). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O exército afirmou ainda que "não há nenhuma embarcação iraniana em operação no Golfo Arábico, no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Omã". Ainda segundo as forças norte-americanas, mais de 2 mil alvos foram atingidos no Irã. A informação foi divulgada por um comandante do Comando Central dos EUA em um vídeo publicado no X. "Os EUA degradaram severamente as defesas aéreas do Irã e destruíram centenas de mísseis balísticos, lançadores e drones", disse. O comandante afirmou ainda que o Irã já lançou mais de 500 mísseis balísticos e mais de 2 mil drones em ataques retaliatórios. Mais cedo, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja ameaçado. Trump diz que 'praticamente tudo foi destruído no Irã' Em publicação na rede Truth Social, o republicano declarou que, se necessário, a Marinha norte-americana poderá escoltar embarcações que transportam petróleo pela região. “Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu. A manifestação ocorre após declarações da Guarda Revolucionária do Irã de que a passagem não seria segura. Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do estreito e afirmou que poderá atacar embarcações que tentem atravessar a rota. O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca, em Washington REUTERS/Jonathan Ernst Rota não oficialmente bloqueada Apesar da ameaça, autoridades militares dos Estados Unidos afirmaram que a via marítima não está oficialmente bloqueada. O impasse elevou a tensão em uma das áreas mais sensíveis para o abastecimento global de energia. No texto publicado, Trump também informou que determinou, “com efeito imediato”, que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, especialmente o transporte de energia. Segundo ele, as medidas estarão disponíveis a todas as companhias de navegação e terão custo “muito razoável”. A escalada de declarações teve impacto imediato nos mercados internacionais. Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (3), refletindo o temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, que o estreito seja efetivamente fechado e que ataques atinjam instalações do setor de energia. Durante a manhã, o barril do Brent para entrega em maio subia 8,43%, cotado a US$ 84,29. Mais tarde, às 15h, a alta desacelerava para 7,04%, com o preço em US$ 83,21. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), com vencimento em abril, avançava 8,79%, negociado a US$ 77,49. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Ele conecta os grandes produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estima-se que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passe por essa faixa estreita de mar. Qualquer interrupção no tráfego na região pode reduzir a oferta global e pressionar ainda mais os preços da commodity, com reflexos sobre combustíveis, transporte e inflação em diversos países. Por isso, as declarações de autoridades iranianas e americanas foram acompanhadas de perto por investidores e governos, em meio ao receio de que o conflito ganhe novas dimensões e afete diretamente o mercado internacional de energia. *Com informações da AFP Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

Como o colapso do Banco Master mostrou os limites da garantia do FGC O Banco Central (BC) publicou nesta terça-feira (3) resolução que permite que os bancos direcionem para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) os recursos recolhidos dos depósitos compulsórios. O recolhimento do depósito compulsório é um mecanismo que o BC pode utilizar para garantir a estabilidade do sistema financeiro. Reforço no caixa Quando uma pessoa vai a um banco e realiza um depósito, parte desse dinheiro é recolhida pela instituição financeira no BC na forma de um depósito compulsório. O depósito compulsório é, portanto, uma parcela do dinheiro dos correntistas que os bancos são obrigados, pelas regras do sistema financeiro, a manter no BC. Segundo estimativas do BC, a medida, negociada com mercado, poderá liberar cerca R$ 30 bilhões em 2026, contribuindo para recompor o FGC. 🔎O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade. Proteção correntistas Com a liquidação do Banco Master e das instituições financeiras ligadas a ele, parte dos recursos do fundo teve que ser utilizada para ressarcir os correntistas. Polícia Federal abre inquérito para investigar grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master Jornal Nacional/ Reprodução As liquidações do conglomerado, incluindo a do próprio Master, do Will Bank e do Pleno, devem consumir R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados. O valor tem como base estimativas feitas pelo próprio fundo. Antes do caso vir à tona, o FGC possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa, para o exercício de sua atividade. Sistema financeiro Em fevereiro, o BC passou a exigir uma antecipação obrigatória de contribuições mensais ordinárias para sua recomposição patrimonial. “A recomposição de sua capacidade de atuação atende ao interesse público associado à manutenção da confiança no sistema financeiro e insere-se no exercício regular de suas atribuições institucionais”, acrescentou a autoridade monetária. Em nota, o BC afirmou que a medida "confere às instituições financeiras discricionariedade para alocar a dedução entre os recolhimentos compulsórios incidentes sobre recursos à vista ou a prazo. Essa flexibilidade amplia a efetividade do instrumento e potencializa seu alcance".

Trump diz que 'praticamente tudo foi destruído no Irã' O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (3) que os Estados Unidos estão preparados para agir caso o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz seja ameaçado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em publicação na rede Truth Social, o republicano declarou que, se necessário, a Marinha norte-americana poderá escoltar embarcações que transportam petróleo pela região. “Se necessário, a Marinha dos Estados Unidos começará a escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”, escreveu. O presidente também destacou que o poder econômico e militar americano é “o maior da Terra” e afirmou que novas ações poderão ser anunciadas. A manifestação ocorre após declarações da Guarda Revolucionária do Irã de que a passagem não seria segura. Na segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do estreito e afirmou que poderá atacar embarcações que tentem atravessar a rota. O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca, em Washington REUTERS/Jonathan Ernst Rota não oficialmente bloqueada Apesar da ameaça, autoridades militares dos Estados Unidos afirmaram que a via marítima não está oficialmente bloqueada. O impasse elevou a tensão em uma das áreas mais sensíveis para o abastecimento global de energia. No texto publicado, Trump também informou que determinou, “com efeito imediato”, que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, especialmente o transporte de energia. Segundo ele, as medidas estarão disponíveis a todas as companhias de navegação e terão custo “muito razoável”. A escalada de declarações teve impacto imediato nos mercados internacionais. Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira (3), refletindo o temor de que a guerra no Oriente Médio se prolongue, que o estreito seja efetivamente fechado e que ataques atinjam instalações do setor de energia. Durante a manhã, o barril do Brent para entrega em maio subia 8,43%, cotado a US$ 84,29. Mais tarde, às 15h, a alta desacelerava para 7,04%, com o preço em US$ 83,21. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), com vencimento em abril, avançava 8,79%, negociado a US$ 77,49. O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Ele conecta os grandes produtores do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estima-se que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passe por essa faixa estreita de mar. Qualquer interrupção no tráfego na região pode reduzir a oferta global e pressionar ainda mais os preços da commodity, com reflexos sobre combustíveis, transporte e inflação em diversos países. Por isso, as declarações de autoridades iranianas e americanas foram acompanhadas de perto por investidores e governos, em meio ao receio de que o conflito ganhe novas dimensões e afete diretamente o mercado internacional de energia. *Com informações da AFP Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1

O impacto da guerra no Oriente Médio sobre a economia mundial vai depender de quanto tempo o conflito durar e do tamanho dos danos à infraestrutura e às indústrias da região, especialmente se a alta nos preços da energia for passageira ou mais prolongada. A avaliação é do vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dan Katz. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo ele, se a incerteza persistir e os preços da energia continuarem elevados por mais tempo, os bancos centrais devem agir com cautela e avaliar os desdobramentos antes de tomar decisões. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Katz afirmou que o conflito pode afetar a inflação, o crescimento e outros indicadores, mas que ainda é cedo para medir o tamanho desse impacto. Antes da escalada recente, o FMI projetava crescimento global de 3,3% em 2026, apoiado, entre outros fatores, pelos investimentos em inteligência artificial e pela expectativa de ganhos de produtividade. Impactos imediatos Agora, a instituição monitora possíveis efeitos sobre o comércio, a atividade econômica, os preços da energia e a volatilidade dos mercados financeiros. O FMI também avalia os impactos diretos na região, como danos à infraestrutura e interrupções em setores importantes, como turismo, transporte aéreo e, principalmente, energia. Ataques ao Irã ATTA KENARE / AFP Nesta terça-feira, o petróleo voltou a subir, após o Irã ameaçar atacar navios no Estreito de Ormuz. O barril do Brent chegou a US$ 83, cerca de 15% acima do nível da sexta-feira. Katz afirmou que, se a alta da energia for temporária, os bancos centrais tendem a não reagir de imediato, já que costumam dar mais peso à inflação que exclui itens mais voláteis. No entanto, se o choque for duradouro e começar a afetar as expectativas de inflação, pode haver resposta na política de juros. Ele lembrou que, após a pandemia, o avanço da inflação em 2022 foi influenciado pelo aumento dos preços de energia ligado à guerra na Ucrânia, o que acabou pressionando outros preços na economia. Infográfico: Mapa dos ataques no Oriente Médio; Irã, Israel e EUA travam guerra na região Editoria de Arte/g1

Gif home - troca de ataques entre EUA, Israel e Irã Arte g1 A escalada de tensões e a eclosão da guerra no Oriente Médio, com o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a propagação do conflito a países vizinhos, como o Líbano, pressionam o preço do petróleo e a cotação do dólar no Brasil. Neste início de semana, o petróleo ultrapassou o patamar de US$ 82 por barril, o valor mais alto desde janeiro de 2025. Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã , analistas projetam aumento substancial nos preços nos próximos meses — pressionando o preços dos combustíveis no Brasil. Outro fator que pode estimular a inflação é a cotação do dólar no país, por seu impacto nos preços de produtos e insumos importados. A moeda norte-americana avançou 0,6% nesta segunda-feira (2), para R$ 5,16, e continuava subindo nesta terça. Com dólar e petróleo mais caros, cresce a expectativa de aumento nos preços de combustíveis e de energia, que têm efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e até o agronegócio - limitando, também, o ritmo de crescimento da atividade doméstica. Segundo economistas, essa "mudança de preços relativos" de ativos (petróleo e dólar), no jargão da economia, pode contaminar não somente os preços correntes, mas também as projeções do mercado e da autoridade monetária para a inflação neste e nos próximos anos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), colegiado responsável buscar o atingimento das metas de inflação, toma suas decisões olhando para a frente, pois elas demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, o Banco Central está buscando atingir, por meio da fixação da taxa de juros, a meta central de inflação de 3% em doze meses até setembro de 2027. EUA emitem alerta para 14 países do Oriente Médio ➡️A lógica é que se a guerra não acabar no curto prazo, seu impacto na inflação (via aumento do petróleo e do dólar) pode ser mais duradouro, contaminando as projeções de inflação dos próximos anos e limitando intensidade e o ritmo dos cortes na taxa de juros no país. ➡️O Copom, do Banco Central, diz que apenas reage ao cenário da economia na fixação dos juros. Se há uma piora com impacto inflacionário, tem de adequar seu panorama esperado para o futuro. Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom avaliava que o cenário externo seguia incerto. "Elevações das tensões geopolíticas e seus desdobramentos seguem sendo monitorados, porém no contexto atual os preços das principais commodities permaneceram contidos, e as condições financeiras, favoráveis", dizia o Copom, antes da eclosão da guerra no Oriente Médio. ➡️Até a semana passada, antes do conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro projetava que a taxa Selic começaria a ser reduzida neste mês, passando de 15% para 14,5% ao ano — com base em sinalização do próprio BC. E que a taxa continuaria caindo no futuro, fechando 2026 e 2027 em 12% e 10,5% ao ano, respectivamente. Alta do petróleo pode chegar aos combustíveis no Brasil O que dizem analistas Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, avalia que o aumento recente do preço do petróleo não gera uma necessidade imediata de aumento dos combustíveis pela Petrobras — o que acontecerá somente se o preço permanecer elevado por um período mais prolongado. Além disso, com o atual patamar do petróleo, ela argumenta que um eventual reajuste, próximo de 10%, teria um impacto limitado na inflação. Avalia, também, que o dólar abaixo de R$ 5,50 não traz uma "preocupação maior" para as expectativas de inflação deste ano. Outro ponto, segundo Rafaela Vitória, é que a economia vive um momento demanda mais fraca, com desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB). Ela diz que, por isso, um possível aumento da gasolina não teria um impacto estrutural no rumo da taxa de juros no Brasil. E segue prevendo corte da taxa Selic para 14,5% ao ano pelo BC, em meados de março. "Mas, dependendo da magnitude desse impacto [da alta do preço do petróleo], você pode ter uma cautela um pouco maior pelo Copom de, ou postergar esse início de corte de juros, ou começar com um ritmo um pouco mais fraco, de 25 pontos [neste mês]", afirmou Rafaela Vitoria, do banco Inter. Leonardo Costa, economista do ASA, observou que a escalada de tensões no Oriente Médio eleva de forma relevante os riscos para energia, mas que o impacto final dependerá essencialmente da duração e da intensidade do conflito. "No Brasil, a política de suavização de preços da Petrobras tende a retardar o repasse da alta internacional para combustíveis, com o diesel devendo subir antes da gasolina, dado o maior peso das importações e a defasagem acumulada", disse Leonardo Costa, do ASA. Terceiro dia de confrontos no Oriente Médio Jornal Nacional/ Reprodução Em termos inflacionários, disse ele, um aumento de 10% na gasolina adiciona cerca de 0,20% a 0,25% ao IPCA anual, enquanto o diesel impacta majoritariamente de forma indireta, via custos e cadeia produtiva. "A persistência de um preço do petróleo mais elevado pode elevar a projeção de inflação doméstica", concluiu. Já Fabiano Zimmermann, head de fundos de renda fixa do ASA, afirmou que o conflito não deve alterar, neste momento, o plano do Banco Central de iniciar o ciclo de cortes de juros na reunião de março. "No entanto, caso a crise se prolongue, seus desdobramentos podem interromper a sequência de valorização do real [queda do dólar] e provocar uma mudança no patamar dos preços do petróleo, fatores que tenderiam a limitar a magnitude do ciclo de flexibilização monetária [corte dos juros]. Esse cenário já começa a se refletir na curva de juros, com a elevação do prêmio na parte intermediária", acrescentou Fabiano Zimmermann, do ASA. INFOGRÁFICO - Entenda a escalada do conflito entre EUA e Israel contra o Irã. Arte/g1

Consumo das famílias ficou estagnado no 4º trimestre de 2025, segundo o IBGE Getty Images via BBC A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, abaixo da alta de 3,4% registrada em 2024, informou informou nesta terça-feira (3) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o mais baixo crescimento registrado pela economia brasileira desde a queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) ocorrida em 2020, sob impacto da pandemia de covid-19. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O resultado, no entanto, veio em linha com a expectativa do mercado, que já previa uma desaceleração da economia no ano passado, diante dos efeitos dos juros elevados. Com a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) em 15% desde junho de 2025, fica mais caro para empresas e famílias emprestarem dinheiro, o que funciona como um "freio" para a atividade econômica – por isso a taxa de juros é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação. Para 2026, os analistas preveem uma nova desaceleração da atividade econômica, projetando uma alta de apenas 1,8% para o PIB em pleno ano de eleições presidenciais, segundo a mediana de projeções colhidas pelo jornal Valor Econômico. A guerra no Irã adiciona incerteza neste cenário, com a alta nos preços do petróleo podendo impactar a inflação e manter os juros altos por aqui durante mais tempo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como a guerra no Irã pode impactar o PIB em 2026 "O conflito entre Estados Unidos e Irã representa um risco adicional ao crescimento econômico, principalmente se a guerra se estender por um período muito prolongado", avalia Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais da gestora de crédito Multiplike. Se isso acontecer, a principal influência ocorre por meio da alta do petróleo, que encarece combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação, diz o analista. Navio ancorado na costa dos Emirados Árabes Unidos devido a interrupções na navegação no Estreito de Ormuz, em Dubai, em 2 de março Getty Images via BBC Com a inflação mais elevada, o Banco Central tende a manter os juros altos por mais tempo, dificultando a retomada da atividade econômica. "Juros elevados reduzem o acesso ao crédito, afetando negativamente o consumo das famílias. Além disso, a maior incerteza internacional tende a desestimular investimentos produtivos", diz Rizzo. "Assim, embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo." Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, tem avaliação similar. "A escalada do conflito entre EUA e Irã pode influenciar o PIB indiretamente, sobretudo se provocar alta persistente do petróleo e pressionar a inflação, o que tende a manter os juros elevados por mais tempo", diz Lima. "Assim, embora o dado do PIB mostre resiliência, o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026." PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto Consumo das famílias estagnado no 4º tri No quarto trimestre, o PIB brasileiro cresceu apenas 0,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, também em linha com a expectativa do mercado. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a alta foi de 1,8%. O crescimento modesto na margem foi puxado pelo setor de serviços (0,8%) e pela agropecuária (0,5%), enquanto a indústria registrou queda de 0,7%, sempre na comparação com o trimestre imediatamente anterior. Na ponta da demanda, o consumo do governo teve alta de 1% e o das famílias se manteve estável (0%), enquanto o investimento registrou uma forte queda de 3,5%. Na área externa, as exportações cresceram 3,7%, enquanto as importações caíram 1,8%. Exportações cresceram 3,7% e importações caíram 1,8% no 4º tri, em relação ao trimestre anterior, o que contribuiu positivamente para o PIB do período Bloomberg via Getty Images Matheus Pizzani, economista da PicPay, avalia que o elevado endividamento de famílias e empresas explica a forte queda do investimento e a estagnação do consumo das famílias no fim do ano passado. Isso inibiu os efeitos positivos do mercado de trabalho dinâmico e da renda em expansão, beneficiada ainda pela queda da inflação ao longo do ano, avalia. Segundo Pazzini, o resultado só foi ligeiramente positivo no trimestre graças à contribuição do setor externo, com a balança comercial favorável (isto é, com exportações superando importações) contribuindo para o crescimento no período. Em 2025, safra recorde e consumo contido No ano de 2025 como um todo, a desaceleração do PIB foi puxada tanto pela indústria (alta de 1,4%, ante 3,1% em 2024) quanto pelos serviços (alta de 1,8%, ante 3,8% em 2024). Já na agropecuária, houve crescimento de 11,7% em 2025 (ante queda de 3,7% em 2024), reflexo da safra recorde no ano passado. Na ponta da demanda, o consumo das famílias desacelerou para alta de 1,3% (ante 5,1% em 2024), enquanto o investimento cresceu 2,9%, após recuar 6,9% no ano anterior e o consumo do governo avançou 2,1% (quase igual à alta de 2% de 2024). Já o setor externo teve contribuição positiva no ano, com exportações em alta de 6,2%, superando o avanço das importações (4,5%), apesar das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil a partir de julho. Em 2024, as importações haviam crescido fortes 15,6%, superando em muito a alta das vendas externas (2,8%), o que é negativo para o crescimento, pois nesse cenário parte maior da demanda interna é atendida por produtos importados.

O ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, informou nesta terça-feira (3) que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso Nacional, sobre o fim da jornada 6 por 1, se julgar que o tema não está caminhando com a "velocidade desejada" nos textos em análise pelo Legislativo. 🔎Projetos com urgência de autoria do presidente da República trancam a pauta do Congresso caso não seja analisado em até 45 dias pela a Câmara e, posteriormente, em até 45 dias pelo Senado. "Motta [presidente da Câmara dos Deputados] se comprometeu a tocar as PECs que estavam lá, mas que trabalharia também os projetos de lei vigentes. PL pode ter uma velocidade maior do que as PECs. Mas o governo não descarta, a depender da conversa com o Hugo Motta e Alcolumbre [presidente do Senado], mandar um projeto de lei com urgência se perceber que as coisas não irão caminhar na velocidade desejada", disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Principal bandeira de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na economia em sua busca por uma nova reeleição no fim deste ano, o projeto que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sofre resistência do setor produtivo. O principal argumento é que haverá aumento de custos, o que tende a ser repassado ao consumidor. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais na economia. Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade. De acordo com o ministro Luiz Marinho, o debate sobre a redução da jornada de trabalho é uma necessidade cobrada pela sociedade brasileira. Ele afirmou, porém, que já há empresas que vem antecipando esse debate, reduzindo voluntariamente a jornada de seus trabalhadores. Segundo ele, há necessidade de enquadramento das empresas que não desejam. "Aí é lei, não haverá um acordo coletivo que leve à redução da jornada máxima. A partir da jornada máxima, empresas podem fazer adequações para menos, mas não podem para mais", explicou. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Geraldo Magela/Agência Senado