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Saiba como fazer um delicioso bolo de milho Reprodução / TV TEM O Nosso Campo deste domingo (9) ensina a preparar um delicioso bolo de milho. Saiba como fazer: Ingredientes: 6 espigas de milho verde ou 2 latas de milho a medida para os demais ingredientes será a lata de milho 1/2 lata de óleo (125 mL) 1 lata de leite (250 mL) 1 lata de açúcar 1 lata de fubá 2 ovos 1 colher de fermento em pó goiabada Modo de preparo Corte o milho do sabugo, evitando cortes fundos para não amargar; No liquidificador, misture o leite, o óleo, os ovos, o milho, o açúcar e o fubá; Bata até virar uma mistura homogênea; Adicione o fermento e bata mais um pouco; Despeje a massa em uma forma untada, evitando usar farinha; Coloque no forno pré aquecido a 180°C por 50 minutos ou até estar dourado e seco; Finalize com a goiabada por cima. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Receita Nosso Campo: aprenda a fazer um bolo de milho VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Jundiaí tem produção anual de cerca de 40 mil toneladas de uva Reprodução / TV TEM Especialistas da tradicional Escola de Enologia de Conegliano, a mais antiga da Itália, estão em Jundiaí (SP) para ajudar produtores locais a aprimorar a qualidade do vinho durante a preparação para a safra de inverno. A colaboração internacional ocorre por meio de trocas tecnológicas e visitas anuais de professores italianos, que desenvolvem experimentos conjuntos na região. Jundiaí (SP) é um dos principais destaques do setor no estado, com produção anual de cerca de 40 mil toneladas de uva, divididas entre as safras de verão e de inverno. No município, 21 vinícolas industriais e artesanais produzem juntas 8,7 milhões de litros de vinho por ano. O objetivo do projeto é fazer com que as inovações cheguem diretamente aos produtores. De acordo com Eduardo Alvarez, professor responsável pelo Centro de Enologia da Etec Benedito Storani, um dos focos da pesquisa é aperfeiçoar o controle do pH (potencial de hidrogênio) da bebida. Esse indicador define a qualidade do produto, influenciando diretamente o sabor, a cor e a durabilidade do vinho. Para evitar a proliferação de microrganismos indesejados e assegurar a conservação, o vinho precisa manter um nível de pH próximo de 3,0 e sempre abaixo de 3,4, aliado ao teor alcoólico correto. Durante as atividades na Etec, acompanhadas por estudantes e produtores, o enólogo Felipe de Jesus Piazzaroli explicou parte do processo: após as etapas de fermentação e clarificação, o vinho com pH ajustado entre 3,2 e 3,3 retorna ao tanque para finalização da fermentação. O procedimento preserva o aroma e o sabor característicos do fruto, garantindo a identidade e a exclusividade do vinho de acordo com a região. Os testes práticos foram comandados pelo professor italiano Luigi, da Escola de Conegliano. A técnica é aplicada pela primeira vez no Brasil e permite corrigir a acidez, além de remover metais pesados e outros elementos que podem instabilizar a bebida. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Parceria com escola italiana busca aprimorar produção de vinhos em Jundiaí VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

O jovem Lucas Roncoleta, de 15 anos, aprende com o pai, Sérgio, os valores e práticas da agricultura Reprodução / TV TEM Em Getulina, interior de São Paulo, a família Roncoleta soma cinco gerações dedicadas ao campo. Hoje, o jovem Lucas Roncoleta, de 15 anos, aprende com o pai, Sérgio, os valores e práticas da agricultura. A fazenda pertence à família desde o bisavô de Sérgio. O trabalho atravessou décadas e agora ganha continuidade com Lucas. Segundo Sérgio, o segredo para manter a produção está no cuidado com cada etapa: plantar, colher e cortar. Para ele, o conhecimento passado de pai para filho garante qualidade e desperta o interesse das novas gerações. Lucas já planeja o futuro. O adolescente quer cursar agronomia para ampliar as lavouras e assumir a gestão da propriedade. O pai se emociona ao ver o filho repetir sua trajetória. Sérgio lembra dos ensinamentos que recebeu do próprio pai, na mesma terra onde hoje orienta Lucas. O legado, afirma, não é só paixão. Também envolve enfrentar os desafios do campo, como desastres naturais e perdas de safra. Parte da produção já está sob responsabilidade de Lucas. Ele cuida da hidroponia do sítio, acompanha o plantio e controla diariamente os nutrientes das hortaliças. Para Sérgio, ter alguém para dar continuidade é essencial. "A terra não acaba, só vai mudando de dono. As pessoas vão passando e os novos têm que assumir", diz. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Família Roncoleta mantém tradição agrícola há cinco gerações em Getulina VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana Reprodução / TV TEM A 63ª Expo Rio Preto, considerada a maior feira do agronegócio de São Paulo em número de animais, recebeu 50 mil visitantes na primeira semana. O evento acontece até 16 de agosto e reúne mais de mil bovinos e equinos. A programação inclui atividades voltadas à bacia leiteira e o tradicional Torneio Leiteiro, que segue até o fim da feira. Entre os destaques está a raça Tabapuã, originária de Nova Granada (SP). O zebuíno sem chifres é conhecido pelo fácil manejo, docilidade e alta produção de carne. A raça já conquistou o título de tricampeã em julgamentos de qualidade genética. Segundo o encarregado da baia, Anador Felipe Neto, os animais são calmos, adaptados ao manejo e ao pasto, além de apresentarem bezerros fortes e boa produção de leite. A secretária de Agricultura e Abastecimento, Carina Ayres, afirma que o crescimento da Expo Rio Preto está ligado ao resgate das tradições locais e à qualidade dos animais. A feira também promove leilões, julgamentos e debates técnicos sobre o agronegócio. A edição de 2026 tem o maior número de mulheres atuando no manejo dos animais. Elas participam da alimentação e dos cuidados antes dos julgamentos. A estudante de veterinária Tayná Dionísio contou que pretende seguir na área de animais de grande porte e destacou a experiência prática como um aprendizado importante. Veja a reportagem exibida no programa em 9/8/2026: Expo Rio Preto atrai 50 mil visitantes na primeira semana VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais Confira as últimas notícias do Nosso Campo

Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes Câmeras de monitoramento estão entre as soluções mais comuns para tentar desencorajar a ação de criminosos. Agora, em vez de apenas gravar o que acontece no local, esses equipamentos também são usados para prever roubos e outras ocorrências. 🔎 O chamado policiamento preditivo tenta identificar situações fora do padrão antes que elas resultem em delitos. Com apoio de inteligência artificial, essa tecnologia tem sido aplicada em cenários cada vez mais complexos. Imagens de câmeras, antes analisadas por pessoas, passam a ser examinadas por sistemas capazes de emitir alertas quando alguém, por exemplo, permanece parado por muito tempo no mesmo local, em um comportamento considerado suspeito. Esse tipo de ferramenta atrai o interesse de empresas que buscam reforçar a segurança em suas instalações, mas preocupa especialistas, que alertam para a falta de regulação e para o risco de um estado de vigilância permanente sobre pessoas que não estão praticando crimes. Como funciona Sistemas de monitoramento usam IA para identificar movimentações suspeitas Divulgação/NoLeak "O sistema se conecta à câmera, transforma a imagem em metadados e reconhece padrões. Se o padrão da imagem for alterado, ele emite um alerta", explica Nicolau Ramalho, fundador da NoLeak, empresa que desenvolveu um sistema de policiamento preditivo para segurança privada. 🔎 Nesse contexto, metadados são o resultado da conversão de elementos do vídeo em sequências numéricas. Os sistemas são treinados com imagens de situações consideradas normais e, então, conseguem identificar quando algo foge desse padrão. (saiba mais abaixo) No caso da NoLeak, por exemplo, o sistema não toma nenhuma ação por conta própria ao identificar uma situação suspeita. Em vez disso, recomenda que as imagens sejam revisadas por responsáveis, como chefes de segurança da empresa. "Os alertas vão para um sistema de gestão de vídeo, e o operador toma a atitude que achar pertinente, seja acionar diretamente uma força policial ou o time de segurança privada", afirma. A empresa tem mais de 5 mil câmeras conectadas e 100 clientes, incluindo indústrias e condomínios. Segundo a NoLeak, o sistema reduz o cansaço visual dos operadores e permite monitorar até 10 vezes mais câmeras com o mesmo número de funcionários. Outras empresas do setor incluem a Actuate, a AxxonSoft e a Coram, que prometem transformar câmeras de segurança convencionais em sistemas capazes de prever possíveis crimes. Mas especialistas apontam que esse uso da tecnologia pode restringir o direito de ir e vir dos cidadãos. "Não estamos falando somente de criminosos que vão ser efetivamente alcançados, mas também de cidadãos comuns que, a caminho do trabalho, podem passar por um sistema que levou a um erro", alerta Fernanda Rodrigues, coordenadora de pesquisas do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS-BH). Para Fernanda, ferramentas desse tipo demonstram a expansão do uso da inteligência artificial na segurança, apesar das dúvidas sobre sua eficácia e seus impactos. "O que temos visto é um crescimento na busca por ferramentas e tecnologias que vão servir como a solução de um problema da segurança pública, como se existisse uma bala de prata para resolver algo histórico da nossa sociedade." Sistemas de monitoramento com IA podem identificar funcionários sem equipamentos de proteção Divulgação/NoLeak Como é feita a 'previsão' de crimes Os sistemas mais avançados de policiamento preditivo usam modelos de aprendizado de máquina treinados para reconhecer padrões em imagens. Em vez de seguir apenas regras previamente programadas, eles analisam grandes volumes de vídeos para aprender quais comportamentos são considerados normais e, então, passam a emitir alertas quando detectam situações fora desse padrão. Ao ser treinado com imagens de uma via pública, o sistema aprende a identificar onde fica a pista e por quais faixas os veículos devem circular. Se um carro passar pela contramão ou pela calçada, por exemplo, ele pode identificar essa mudança e indicar que algo está fora do padrão. "O sistema precisa de cerca de duas semanas de análise desses metadados para formar uma base de dados suficiente para reconhecer o padrão da imagem", afirma Ramalho, da NoLeak. Para identificar possíveis crimes, a ferramenta analisa apenas movimentações suspeitas de pessoas, e não suas características físicas, explica. "Ele não identifica o rosto para analisar o comportamento. O que ele faz é transformar a imagem em metadados e reconhecer padrões." O fundador da empresa destacou que, além de reforçar a segurança patrimonial, a solução é capaz de verificar se há erros em uma linha de produção e se funcionários estão fora do posto de trabalho. Nesses casos, a ideia é evitar paradas não programadas e aumentar a eficiência das empresas. Sistemas podem usar inteligência artificial para monitorar nível de ocupação em esteiras industriais Divulgação/NoLeak Alerta sobre falta de transparência Para Fernanda, do IRIS-BH, avaliar a precisão de um sistema de policiamento preditivo e a ausência de vieses depende de estudos independentes sobre seu funcionamento. "A opacidade é um dos principais problemas, principalmente por a gente não saber a eficiência dessas ferramentas. Na verdade, o que sabemos é que há estudos que as apontam como significativamente falhas", diz. Essas limitações já foram identificadas em soluções usadas em outros países. "Há muitos exemplos nos Estados Unidos de tecnologias que buscaram usar dados sobre os locais com maior índice de criminalidade, mas que acabaram potencializando a vigilância", afirma. Um dos casos mais conhecidos é o do PredPol, que reunia dados históricos, como data, hora e local de crimes, para orientar onde policiais deveriam fazer rondas nos momentos sem ocorrências. O sistema levou policiais a patrulharem ainda mais bairros com renda familiar mais baixa e menor proporção de moradores brancos. Na prática, houve um aumento de abordagens policiais indevidas a moradores de conjuntos habitacionais de baixa renda, segundo reportagem do site The Markup. O PredPol deixou de ser usado em 2020 pela polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, após pressão de grupos ativistas que criticaram a falta de eficiência do programa e a vigilância excessiva em comunidades negras e latinas. Câmeras instaladas em pontos de maior aglomeração são utilizadas para reconhecimento facial e prender foragidos da justiça no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta O que diz a lei no Brasil O Brasil não tem uma lei específica para regulamentar sistemas de policiamento preditivo, embora a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabeleça regras para o tratamento de informações sensíveis, como a biometria facial. Uma portaria publicada em 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública estabeleceu que as polícias podem usar inteligência artificial, mas devem realizar revisões humanas em casos de possíveis riscos a direitos fundamentais. Um projeto de lei em discussão no Congresso também pode classificar como de alto risco os sistemas de IA usados por policiais para analisar grandes volumes de dados e identificar padrões e perfis comportamentais. O texto, aprovado no Senado e em discussão na Câmara, prevê que ferramentas classificadas como de alto risco tenham supervisão humana, passem por avaliação de impacto, garantam o direito à explicação às pessoas afetadas e adotem medidas para evitar discriminações.

Loja do Pão De Açúcar (GPA) no Rio de Janeiro. MAURO PIMENTEL/AFP Quem vai às compras com frequência nos supermercados, talvez já tenha percebido algumas mudanças nos últimos anos. A principal é que aquela loja que fazia parte da rotina pode ter mudado de nome ou fechado as portas. Foi o que aconteceu com diversas unidades do Extra. Após uma reestruturação do Grupo Pão de Açúcar (GPA), muitas lojas deixaram de operar com a marca e passaram a funcionar sob outras bandeiras do grupo, enquanto outras encerraram as atividades. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Dono das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh e Extra Mercado, o GPA vive uma das maiores reestruturações de sua história. Em março deste ano, a empresa botou em prática um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Um dos gargalos foi a expansão desordenada de lojas físicas. Em 2020, o GPA chegou a ter cerca de 800 lojas, mas reduziu sua presença física após a venda de unidades do Extra Hiper para o Assaí, em 2021. A operação marcou uma mudança de estratégia do grupo, que passou a concentrar esforços em formatos menores e considerados mais rentáveis, como supermercados de bairro e lojas de proximidade. Ao fim de 2025, a companhia tinha cerca de 700 lojas no país. Agora no g1 Outras redes também passaram a rever o modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de unidades. Empresas como Dia, St Marche e Grupo Mateus encontraram dificuldades para sustentar operações maiores em um cenário de juros elevados, crédito mais caro e consumidores mais cautelosos. As redes passaram a priorizar a rentabilidade das unidades existentes, reduzir custos e tornar a operação mais eficiente. O faturamento não é o problema: segundo o Ranking ABRAS 2026, as 10 maiores empresas do varejo alimentar brasileiro movimentaram mais de R$ 361 bilhões em 2025. O líder foi o Carrefour, com faturamento de R$ 123,6 bilhões, seguido pelo Assaí Atacadista (R$ 84,7 bilhões) e Grupo Mateus (R$ 31 bilhões). O GPA continua entre os maiores, e chegou aos R$ 20,6 bilhões. Mas especialistas afirmam que o desafio para todos está no custo de manter uma operação enorme e espalhada pelo país, especialmente quando o ambiente econômico muda. (saiba mais abaixo) Mais lojas, mais custos Durante anos, a expansão física foi vista como um dos principais caminhos para ganhar mercado no varejo alimentar. 🏪 A lógica era simples: redes maiores tinham mais capacidade de negociar com fornecedores, ampliar a presença regional e conquistar consumidores. Especialistas ouvidos pelo g1, porém, afirmam que esse modelo ficou mais difícil de sustentar porque cada nova unidade também aumenta a estrutura necessária para operar. Uma loja física exige gastos com aluguel, funcionários, logística, estoque, manutenção e tecnologia. Em um setor marcado por margens de lucro apertadas, qualquer aumento relevante de custos pode prejudicar o resultado das empresas. “Em tese, aumenta o faturamento, mas também aumenta a estrutura necessária para manter esse crescimento”, explica Ulysses Reis, especialista em varejo da Strong Business School. Segundo ele, a estratégia da loja física só funciona quando a operação também tem ganho de eficiência. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Além dos custos operacionais, a mudança no comportamento do consumidor reduziu a vantagem de simplesmente estar mais perto do cliente. Com mais acesso a informações de preço, comparação de produtos e compras digitais, o consumidor passou a escolher menos pela localização e mais pela combinação entre preço, conveniência e experiência. (saiba mais abaixo) Juros altos mudaram a conta da expansão O ambiente econômico do país também não ajudou, principalmente com o fim de um período de juros mais baixos, quando as companhias conseguiam empréstimos mais baratos para financiar as novas unidades, aumento de estoques e de operações. Em agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19, a Selic, a taxa básica de juros, chegou a 2%, menor nível da história. Mas, com a inflação mais alta após a reabertura econômica, o Banco Central (BC) precisou subir novamente os juros. Em julho de 2025, a Selic chegou a 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. Empresas que dependiam de empréstimos e financiamentos passaram a gastar mais para pagar dívidas e manter as operações, além de paralisarem investimentos. “O custo do dinheiro é muito alto. Quando o endividamento fica caro, isso ‘espreme’ a operação”, explica o advogado especializado em reestruturação empresarial e sócio fundador do Felsberg Advogados, Thomas Felsberg. Segundo ele, o risco aumenta quando a expansão da rede é financiada por empréstimos. Nesses casos, o crescimento das vendas, por si só, não garante que a empresa esteja em uma situação financeira melhor, já que os custos e as dívidas também aumentam. 💰 Uma empresa pode vender mais e, mesmo assim, enfrentar dificuldades se a estrutura criada para sustentar esse crescimento consumir uma parcela cada vez maior do resultado. Diante desse cenário, muitas redes de supermercados precisaram mudar de estratégia. Algumas reduziram o ritmo de abertura de novas lojas. Outras fecharam unidades que davam pouco retorno, renegociaram dívidas ou passaram a investir em formatos menores e mais eficientes. Consumidor mais cauteloso Um dos principais fatores por trás da transformação do setor está no comportamento do consumidor. Com o orçamento mais apertado, os brasileiros passaram a buscar preços menores, comparar mais antes de comprar e trocar marcas tradicionais por alternativas mais baratas. A proximidade da loja deixou de ser o único fator decisivo, uma vez que preço e conveniência ganharam ainda mais peso. Essa mudança aparece em pesquisas de mercado. Segundo levantamento da NielsenIQ (NIQ) publicado em junho deste ano, diante da pressão sobre o orçamento: 66% dos consumidores afirmam buscar opções de menor preço; 45% dizem escolher produtos mais baratos independentemente da marca; 80% afirmam planejar as compras com antecedência. Além disso, 47% dos consumidores brasileiros pretendiam comprar mais produtos de marca própria — itens vendidos com a marca da própria rede de supermercados, que costumam ter preços mais baixos do que os de fabricantes tradicionais. Essa nova postura do consumidor favoreceu formatos como os atacarejos, que oferecem preços menores para compras em maior volume, e aumentou a importância das marcas próprias. Segundo dados da Abras, o varejo alimentar faturou R$ 1,145 trilhão no ano passado. Desse total, os atacarejos responderam por 29% das vendas, com R$ 327,7 bilhões, ficando atrás apenas do autosserviço, que concentrou quase metade do faturamento do setor, com R$ 563,6 bilhões (49%). 🔎 O autosserviço representa o varejo alimentar tradicional, que inclui principalmente supermercados, hipermercados e outros formatos de lojas em que o cliente entra, pega os produtos nas gôndolas e passa pelo checkout. Também acelerou a busca por canais digitais, que permitem comparar preços e pesquisar avaliações sem depender exclusivamente da loja física. Em 2025, o marketplace movimentou R$ 7,3 bilhões o equivalente a cerca de 1% do faturamento total do varejo alimentar. Mesmo com uma participação ainda pequena, o canal já aparece como o quinto maior formato de vendas do setor, segundo a Abras. Essa mudança aumentou a concorrência pelo consumidor. Além dos supermercados tradicionais, empresas como Mercado Livre, Amazon, iFood e 99 passaram a disputar esse espaço, oferecendo a compra de alimentos e bebidas por meio de aplicativos, lojas online e serviços de entrega rápida. Casal criou uma rotina de planejamento, comparação de preços e troca de marcas para reduzir gastos no supermercado. Reprodução/YouTube A estratégia ganha ainda mais relevância em um cenário de endividamento elevado, orçamento mais apertado e maior preocupação das famílias com os gastos. Com menos espaço no bolso, consumidores passaram a buscar alternativas que permitam comparar preços, encontrar promoções e economizar nas compras do dia a dia. Para Matheus Matsumoto e Thalita Brito, ambos de 25 anos e criadores do canal “Casal Ponto Com”, no YouTube, a mudança no comportamento de consumo começou dentro de casa, após os dois enfrentarem dificuldades financeiras. “Quando começamos, estávamos ‘quebrados’ financeiramente. Foi nesse momento que passamos a pensar em formas de economizar e mudamos completamente nossos hábitos. Percebemos, então, que muitas outras pessoas poderiam estar enfrentando uma situação parecida”, conta Thalita. O primeiro passo foi repensar a rotina de compras no supermercado. O casal passou a planejar melhor as idas às lojas, pesquisar preços, montar listas antes das compras e conferir o que já tinha em casa para evitar gastos desnecessários. Também adotou estratégias simples, como não ir ao supermercado com fome, para reduzir as compras por impulso. Entre as mudanças, uma das principais foi abandonar a ideia de que produtos de determinadas marcas eram sempre a melhor escolha e passar a testar alternativas mais baratas, como as marcas próprias dos supermercados. “Antes a gente tinha o costume de pensar: ‘sabão em pó tem que ser de determinada marca, detergente tem que ser daquela outra’. Aí começamos a nos questionar: nas condições em que estávamos, precisando economizar, será que fazia sentido continuar escolhendo sempre a marca mais cara?”, afirma Matheus. A experiência virou conteúdo. O casal passou a gravar a própria jornada de reorganização financeira, mostrando quanto gastava nas compras do mês, quais estratégias usava para economizar e como mudou seus hábitos de consumo. Nos vídeos, eles compartilham dicas de planejamento, controle de gastos e organização financeira, além de estratégias para reduzir despesas sem abrir mão da qualidade de vida. Com a mudança de hábitos, o casal conseguiu reorganizar as finanças e financiar o próprio apartamento. “Para a gente, virou prazeroso viver desse jeito. As pessoas acham que é um sacrifício, mas não é. A gente gosta de aprender a fazer as coisas e percebeu que dá para ter qualidade de vida gastando menos”, afirma Thalita. GPA busca reorganizar dívidas após anos de pressão financeira O caso do Grupo Pão de Açúcar representa um dos exemplos mais conhecidos dos desafios enfrentados por redes que construíram uma grande presença física ao longo dos anos. A companhia apresentou em março deste ano um plano de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. 🔎 A medida permite que a empresa negocie diretamente com credores novas condições de pagamento sem interromper as operações. Diferentemente da recuperação judicial, o processo ocorre fora da Justiça e busca reorganizar o fluxo de caixa antes de uma situação mais grave. A crise do GPA foi resultado de uma combinação de fatores. A empresa acumula prejuízos desde 2022, pressionada pela queda no consumo, pelo aumento dos juros — que encareceu suas dívidas —, pelos custos de reestruturação e pela saída de lojas com baixo desempenho. No fim de 2025, o grupo informou ao mercado que havia dúvidas sobre sua capacidade de manter as operações no longo prazo, diante de um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão relacionado principalmente ao vencimento de dívidas previstas para 2026. O cenário financeiro também aparece nos resultados. No ano passado, o GPA registrou prejuízo líquido de cerca de R$ 651 milhões e encerrou o ano com dívida líquida de R$ 2 bilhões e bruta de R$ 4 bilhões. No segundo trimestre deste ano, entre abril e junho, a companhia teve prejuízo de R$ 204 milhões. Apesar disso, a operação do supermercado melhorou, mas o resultado final foi prejudicado principalmente pelos altos gastos com juros da dívida. Nos últimos anos, a companhia passou por mudanças na gestão e na estrutura societária. O Grupo Coelho Diniz assumiu a posição de principal acionista, com 24,6% das ações, enquanto o grupo francês Casino, antigo controlador, manteve participação de 22,5%. Segundo o GPA, o plano de recuperação busca melhorar o perfil da dívida, reduzir a pressão sobre o caixa e criar condições para a sustentabilidade financeira da companhia. Enquanto isso, as lojas seguem funcionando normalmente e que os pagamentos a fornecedores e parceiros estão em dia. St Marche e Dia apostam em reestruturação Unidade da St Marche em São Paulo Reprodução/Facebook O St Marche, rede de supermercados voltada principalmente ao público de alta renda, entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 574,3 milhões. A empresa também anunciou a venda da operação para o grupo chileno Cencosud, dono do Giga Atacado no Brasil. A companhia atribuiu parte das dificuldades ao aumento do endividamento, aos juros elevados e à redução das linhas de crédito. Outro caso é o da rede Dia, que entrou em recuperação judicial em março de 2024 após acumular mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Na época, a empresa anunciou o fechamento de 343 lojas e três centros de distribuição no país. A estratégia foi concentrar a operação em São Paulo, onde estavam as unidades consideradas mais rentáveis. A rede anunciou a saída da recuperação judicial em junho. Para Ulysses Reis, esses movimentos indicam uma mudança estrutural no setor. Segundo ele, o varejo tende a abandonar o modelo baseado apenas em grandes lojas e expansão acelerada e deve apostar em formatos menores, mais próximos do consumidor e integrados ao ambiente digital. Redes como o Oxxo seguem essa estratégia, com lojas compactas voltadas para compras rápidas e de conveniência. “A expansão física hoje só é viável em alguns nichos. O modelo tradicional de abrir loja em todo lugar está em decadência”, afirma. Segundo o especialista, as unidades físicas devem funcionar cada vez mais como pontos de conveniência, retirada de produtos e apoio logístico, enquanto estoques menores e maior eficiência ganham importância. Grupo Mateus desacelera expansão após anos de crescimento Unidade do Grupo Mateus em Araguaína, Tocantins (TO) Reprodução/Redes Sociais O Grupo Mateus é um dos exemplos de expansão acelerada no varejo alimentar brasileiro. Fundada em 1986, a companhia cresceu a partir do Maranhão e avançou por outros estados do Nordeste com supermercados, atacarejos e lojas de proximidade. Entre 2017 e 2020, o número de lojas mais que dobrou, passando de 75 para 159 unidades, impulsionado principalmente pelo crescimento do formato atacarejo. Nos últimos anos, porém, a companhia reduziu o ritmo de abertura de unidades e passou a priorizar a eficiência operacional. No primeiro trimestre de 2026, inaugurou quatro lojas — três atacarejos e um supermercado — e encerrou o período com 228 unidades de varejo alimentar. Em 2025, também fechou 28 lojas de eletroeletrônicos e encerrou departamentos de eletrônicos em outras 20 unidades. O lucro líquido caiu 21,8% no primeiro trimestre, para R$ 212,9 milhões. Embora a receita tenha crescido 13%, o avanço foi impulsionado principalmente pela aquisição do Novo Atacarejo e pela abertura de novas lojas. Nas unidades já existentes, as vendas recuaram 7,3%. Segundo a companhia, o desempenho foi afetado pela queda dos preços dos alimentos, pelo maior endividamento das famílias e pela busca dos consumidores por produtos mais baratos. “O varejo físico ainda funciona, mas não para qualquer formato. A expansão faz sentido quando existe alta conveniência, baixo custo operacional e giro rápido de estoque”, afirma Reis. Fechar lojas ajuda, mas não resolve imediatamente Uma das medidas adotadas por empresas em dificuldade é o fechamento de unidades consideradas pouco rentáveis. No entanto, a estratégia não gera alívio imediato no caixa. Segundo Thomas Felsberg, a redução da estrutura envolve custos, principalmente relacionados a contratos e funcionários. “Você fechar uma loja tem um custo muito grande por causa dos direitos trabalhistas. O alívio no caixa não é imediato; ele aparece no médio prazo, quando a empresa reduz despesas”, afirma. Para o advogado, reconhecer o problema rapidamente é fundamental em processos de reestruturação. “Quanto mais demora para reconhecer que a situação é ruim, mais difícil fica a recuperação. O ideal é agir enquanto ainda existe caixa e possibilidade de negociação”, diz. Para os especialistas, a crise atual não representa o fim das lojas físicas, mas uma mudança no modelo de crescimento. A expansão baseada apenas na abertura de novas unidades perdeu força. O varejo passa a buscar formatos menores, mais digitais e com maior eficiência operacional. “O futuro não é simplesmente ter mais lojas. É integrar canais, reduzir custos e oferecer conveniência ao consumidor”, afirma Reis. O g1 procurou o Grupo Mateus, o GPA e o St Marche, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Em nota, o Grupo Dia afirmou que o varejo alimentar continua enfrentando um “cenário desafiador”. Segundo a empresa, a combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor "cada vez mais criterioso" exige das companhias "gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante". A cautela também aparece nos indicadores de confiança. Em junho, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), ficou praticamente estável em 88,7 pontos. Segundo a instituição, apesar de as famílias avaliarem melhor sua situação financeira atual, elas seguem mais pessimistas em relação aos próximos meses, principalmente sobre a própria condição financeira e a intenção de comprar bens duráveis. “Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação”, afirmou o grupo Dia. Leia a nota na íntegra: “O varejo alimentar continua operando em um cenário desafiador. A combinação de juros elevados, pressão sobre o orçamento das famílias e um consumidor cada vez mais criterioso exige das empresas uma gestão disciplinada, eficiência operacional e capacidade de adaptação constante. Ao mesmo tempo, esse contexto cria oportunidades para as empresas que conseguem compreender rapidamente as mudanças no comportamento do consumidor e responder com uma proposta de valor consistente. Hoje, o cliente está mais racional, pesquisa mais, compara preços e faz escolhas cada vez mais conscientes, buscando equilibrar economia, qualidade e praticidade. No Dia, esse movimento reforça nosso posicionamento como o Atacadinho de Bairro, oferecendo economia, praticidade e uma experiência de compra próxima da realidade de cada comunidade onde atuamos. Nosso principal desafio é manter o equilíbrio entre competitividade, eficiência operacional e rentabilidade, sem perder de vista a experiência do cliente. Por isso, seguimos trabalhando na simplificação de processos, no ganho contínuo de produtividade, na gestão rigorosa dos custos e na evolução permanente da nossa operação.”

Nos últimos anos, país registrou um forte avanço da geração solar distribuída, gerando desequilíbrio entre oferta e demanda de energia, dizem especialistas Getty Images via BBC Quase 25 anos depois do apagão por excesso de demanda que em 2001 obrigou consumidores de 16 Estados e do Distrito Federal a desligar eletrodomésticos, e prefeituras a reduzirem a iluminação pública, o Brasil enfrenta um drama de sinal inverso. Agora, a ameaça que ronda o Sistema Interligado Nacional (SIN) é a oferta excessiva de energia. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Para evitar uma possível sobrecarga, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), órgão que coordena a geração e distribuição de energia no país, acionou no dia 7 de junho um plano emergencial para frear o ingresso de eletricidade na rede. Na prática, trata-se da redução ou do desligamento da geração de energia, geralmente de parques eólicos e solares — o que é chamado no jargão técnico de curtailment (expressão que se traduz como corte ou redução). Foi a primeira vez que o ONS lançou mão da medida desde que um plano para lidar com o excesso de oferta de energia foi aprovado, em novembro do ano passado. De acordo com o órgão, "trata-se de uma ação excepcional adotada para o processo de controle de frequência do sistema elétrico", que foi necessária naquele domingo de junho para equilibrar a alta geração, combinada a um consumo menor, devido ao final de semana prolongado pelo feriado de Corpus Christi, associado a baixas temperaturas. Cortes também foram realizados em dias de jogos do Brasil na Copa. Agora no g1 Segundo Joisa Dutra, diretora do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ceri), a compreensão da situação exige que se parta de uma premissa: para o sistema elétrico funcionar de forma adequada, a oferta deve ser igual à demanda. Isso significa que a quantidade de energia gerada e transmitida tem de coincidir com a consumida. O que há de novo é que, diferentemente do que ocorria no passado, o país já não depende unicamente da energia gerada por usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares ou por parques eólicos e solares de grande porte, que podem ser ligados ou desligados pelas autoridades conforme as necessidades do sistema. Geração distribuída já abrange 5% dos consumidores no país Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), dos cerca de 90 milhões de consumidores, 4,5 milhões (5% do total) são também micro e minigeradores de energia por meio de painéis solares, que formam a chamada geração distribuída. Desses 4,5 milhões, 3,6 milhões são consumidores-geradores residenciais, e 400 mil, comerciais, que recebem créditos pelos quilowatts aportados ao conjunto. Os 500 mil restantes incluem categorias como poder público, serviço público, rural e outras. A potência instalada desses consumidores-geradores é de 50 gigawatts, que equivalem a cerca de 20% da potência total instalada do país, observa Joisa. "Não podemos normalizar a situação atual por duas razões: esse volume [50 gigawatts] é muito grande e análises do ONS indicam que é subestimado", alerta a diretora do FGV-Ceri. Volume de energia produzido pela geração distribuída é grande e pode estar subestimado, diz pesquisadora da FGV Bloomberg via Getty Images/BBC Segundo a pesquisadora, a subnotificação da geração distribuída poderia chegar a 15 gigawatts ou 30% do total. Essa potência, classificada pelo ONS como "instalações à revelia", configura fraude e prejuízo ao sistema, na medida em que mascara como micro e minigeradores usuários que poderiam ser enquadrados como de grande porte, diz a especialista. Enquanto usinas convencionais e renováveis de grande porte são controladas pelo ONS, a geração distribuída não obedece a nenhum comando centralizado. Em caso de necessidade, seu desligamento da rede depende da ação das concessionárias privadas de distribuição. "Esse volume [de energia proveniente da geração distribuída] tornou-se muito importante, e se o ONS limitar-se a desligar os recursos sob seu controle, a redução de oferta não será suficiente para fazer frente à redução de consumo", afirma Joisa. 'Energia de telhado' A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, afirma que o excesso de produção de energia, ao forçar o curtailment, provoca prejuízo aos investidores do setor. Ela diz que é preciso diferenciar a energia eólica e solar de grande porte, responsável por fazer da matriz energética brasileira a mais renovável do mundo, e a geração solar distribuída ou "energia de telhado". "Nos últimos anos, houve excesso de investimento nessa geração solar distribuída, que, como o próprio nome diz, não é de grande porte e não é controlada pelo ONS", diz Gannoum. Questionada sobre o papel da geração solar distribuída no atual excesso de oferta de energia, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) afirma em nota que "os cortes de geração impostos a usinas solares e eólicas no Brasil — que vêm se intensificando nos últimos anos e meses — configuram a maior crise já enfrentada pelas fontes renováveis no país". A associação avalia, porém, que atribuir esse problema ao crescimento da geração solar distribuída "é uma interpretação simplista que não reflete a realidade do sistema elétrico nacional". Isso porque, segundo a Absolar, "o sistema elétrico brasileiro expandiu significativamente sua capacidade de geração renovável (solar, eólica, biomassa, biogás e outras fontes) sem que houvesse, na mesma velocidade, investimentos equivalentes em mecanismos de flexibilidade operativa, armazenamento de energia, modernização da infraestrutura e gestão da demanda." "Esse desequilíbrio não é resultado da expansão de apenas uma fonte, tecnologia ou modalidade de geração, mas da falta de política pública estrutural adequada para acompanhar essa natural expansão", avalia a entidade representativa. Excesso de subsídio às renováveis Além da proliferação da geração distribuída, os desafios à gestão do sistema elétrico brasileiro incluem fatores que vão do número elevado de dias não-úteis à Copa do Mundo. Este ano, embora o número de feriados nacionais seja o mesmo de 2025, muitos caem no início ou no final da semana, incentivando os feriadões. Além disso, os três jogos do Brasil na fase classificatória da Copa do Mundo, quando o país tradicionalmente para, caíram em dias úteis, assim como a primeira partida do mata-mata, contra o Japão. Com menor atividade econômica e circulação de pessoas nesses dias, o consumo de energia é reduzido, desequilibrando a balança em favor da oferta. Apesar do excesso de oferta, a conta de luz continua assombrando os brasileiros no final do mês: no último ano, a energia elétrica residencial acumula alta de 8,79%, quase o dobro do avanço do índice geral de inflação (em alta de 4,64% no acumulado de 12 meses até junho), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Nivalde Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), atribuir a situação atual do setor elétrico brasileiro à falta de planejamento é equivocado. "Durante o dia, a energia solar e eólica produzida e lançada no sistema é muito superior à demanda", afirma o pesquisador à BBC News Brasil. Esse fenômeno, afirma o professor do Instituto de Economia da UFRJ, não é produzido pela infraestrutura deficiente ou pela fiscalização frouxa, mas pelos subsídios oferecidos pelo Estado brasileiro às fontes renováveis. O pesquisador cita exemplos de outros países, onde o excesso de oferta é corrigido pelo próprio mercado, com a queda do preço da energia produzida por fontes alternativas. "Ninguém vai produzir algo que tenha preço negativo", resume. No Brasil, o estímulo oficial à energia limpa resultou em múltiplos mecanismos de isenção tributária que provocaram uma "corrida do ouro" aos ramos eólico e solar, diz Castro. Esses incentivos vão desde descontos nas tarifas para uso de redes de transmissão e distribuição até isenções de tributos estaduais na compra e importação de equipamentos, passando por linhas de crédito em programas e bancos oficiais. "São jabutis [medidas estranhas ao propósito de um projeto legislativo, inseridas durante a tramitação do texto] que os lobbies desses setores patrocinam e são aprovados pelo Congresso", afirma o coordenador do Gesel. Se o Executivo opta por vetar a medida, acrescenta, o Congresso derruba o veto. "O governo federal perdeu o protagonismo das políticas energéticas", avalia. O excesso de subsídio para as renováveis provocou um aumento enorme de oferta, que se descolou da demanda. Atualmente, a capacidade instalada de geração de energia é mais do que o dobro da demanda média, um cenário que deve persistir nos próximos anos, segundo o Planejamento Anual da Operação Energética 2026-2030 do ONS. Frente a esse cenário, o curtailment é a única política pública adequada em curto prazo, diz o pesquisador. Num futuro próximo, explica, o Brasil prepara-se para investir em sistemas de armazenamento químico, por meio de baterias, e em hidrelétricas reversíveis (aquelas capazes de armazenar energia excedente, bombeando água de um reservatório inferior para um superior). Os dois recursos permitem a conservação da energia renovável gerada, sem o desperdício inerente ao curtailment, observa o pesquisador. O avanço dos sistemas de armazenamento por baterias também é defendido pela Absolar como uma medida urgente. "Essa tecnologia permite armazenar a energia produzida nos momentos de maior geração para utilização nos horários de maior consumo, reduzindo desperdícios, aumentando a flexibilidade operativa do sistema, mitigando congestionamentos nas redes, reduzindo custos para os consumidores, postergando investimentos em infraestrutura e diminuindo a necessidade de acionamento de usinas termelétricas fósseis", destaca a associação. Em outro paradoxo do setor energético brasileiro, ao mesmo tempo que promove a energia renovável, o país destina subsídios a usinas termelétricas, que estão sendo desativadas em todo o mundo em razão do perfil de alto carbono. 'Quem paga o curtailment é o consumidor' A economista, advogada e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Elena Landau utiliza o termo "desarranjo" para definir o quadro atual do sistema elétrico. Ela afirma que, ao fim e ao cabo, o pequeno consumidor residencial é o mais penalizado. "Quem paga o curtailment é o consumidor", observa. Citando um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, a economista diz que entre janeiro de 2023 e maio de 2026 o governo federal e o Congresso aprovaram medidas que adicionarão quase R$ 985 bilhões às contas de luz até 2050. "O estado do setor é muito complicado, mas não começou hoje. Vem de alguns anos para cá, por total falta de governança e planejamento", afirma. Ela elogia o governo do presidente Michel Temer (MDB, 2016-2018) por ter promovido uma consulta pública sobre a área em seus primeiros meses, mas afirma que, nos anos seguintes, houve uma sucessão de equívocos relativos à energia. Landau critica especialmente os jabutis incluídos pelo Congresso na medida provisória (MP) que privatizou a Eletrobras, em 2021, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL, 2019-2022), como a contratação compulsória de termelétricas a gás. "Ali, o Congresso Nacional atropela o planejamento e cria obrigações de contratação totalmente fora dos planos de qualquer planejador ou investidor." Na opinião da economista, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve as distorções no setor ao dar continuidade a subsídios à energia renovável. "Não que os subsídios estivessem errados quando começaram. Você pode querer uma matriz mais limpa, isso tudo é correto", argumenta. "O problema é que os lobbies intensos e acomodados pelo ministro [Alexandre] Silveira [das Minas e Energia] mantiveram e ampliaram os subsídios." O resultado é o excesso de geração, diz. "A solução do problema passa por trocar a governança."

Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção Durante a 21ª Megaleite, realizada em junho, em Belo Horizonte (MG), a vaca Jornada Montross FIV LPN bateu o recorde mundial de produção de leite em um único dia: foram 112,65 kg. Até então, o título pertencia a Fernanda Forbes IS Olhos D´Água, com 111,947 kg de leite em um dia. Ao longo dos três dias de competição, Jornada produziu 337,95 kg de leite. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo o criador Rodrigo Nogueira Ferreira, a campeã recebe um manejo semelhante ao de um atleta de alto rendimento e acaba produzindo mais até do que outras vacas da mesma propriedade, que produzem cerca de 30 kg de leite por dia. "É um número muito alto. Se há 20 anos você falasse isso, a gente chamaria a pessoa de doido, estava sonhando e hoje já é realidade", diz Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite. Claro que o animal está longe de representar a média das vacas leiteiras do país. Ainda assim, como lembra Verneque, o caso chama atenção para uma tendência no setor: as vacas brasileiras produzem bem mais leite hoje do que há 24 anos. A explicação está nos investimentos em genética, bem-estar animal e alimentação. (veja a evolução abaixo) Produtividade das vacas leiteiras mais que dobrou no Brasil em 24 anos Arte g1 LEIA MAIS Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil Genética planejada Verneque, da Embrapa, afirma que a seleção genética foi um dos principais fatores por trás do aumento da produtividade das vacas leiteiras no Brasil. O gir leiteiro, raça zebuína que produzia pouco, passou de uma média de 2 mil kg para 5 mil kg por lactação, período que dura cerca de 10 meses. A própria raça girolando, da qual a Jornada faz parte, foi desenvolvida por meio do melhoramento genético. Ela resulta do cruzamento entre as raças holandesa e gir leiteiro. "Para as nossas condições de clima tropical, é uma raça altamente competitiva, com média de 7 mil kg por lactação", diz o pesquisador. Para Rodrigo Ferreira, proprietário da Jornada, a genética do animal foi fundamental para o recorde. "Um animal que não tem uma genética boa é praticamente impossível você conseguir chegar no resultado", afirma. Com 35% menos vacas, o Brasil produziu mais leite em 13 anos. Arte g1 Animal mais 'exigente' Um animal que produz mais também exige mais cuidados, afirma Verneque. "As exigências dele com relação a conforto, controle de temperatura e questões ambientais têm que ser muito maiores para que ele responda", diz. Cada raça pode exigir condições diferentes, como temperaturas mais altas ou mais baixas. Quando essas necessidades não são atendidas, o animal sofre estresse e, como consequência, produz menos. "Se você estiver com o ambiente com ar-condicionado, na temperatura que você gosta, está ótimo, não é isso? Agora, se você estiver em ambiente de calor extremo, você tem esse estresse térmico. O seu organismo terá que reagir para você sobreviver", exemplifica o pesquisador da Embrapa. O mesmo vale para o barulho de máquinas ou alterações na rotina do animal. Na propriedade onde Jornada vive, Ferreira oferece sombra para o gado descansar e áreas de pastagem. Ela também conta com uma baia exclusiva e uma equipe treinada para monitorar seu bem-estar. Alimentação reforçada Um rebanho pode ser alimentado com pasto, ração ou uma combinação dos dois. Atualmente, ambos evoluíram. O pasto pode incluir gramíneas e leguminosas, enquanto as rações têm formulações mais nutritivas. "A alimentação é um dos itens mais importantes no custo de produção do leite, porque depende de uma dieta bem formulada", afirma Verneque. É o caso da alimentação de Jornada, que passa por análise de qualidade e acompanhamento veterinário. LEIA TAMBÉM Após onda de incêndios, veja como uma raça de vaca quase esquecida ajuda a Espanha a reduzir queimadas Brasileiro come mais vaca do que boi: abate de fêmeas superou o de machos pela primeira vez Jornada Arquivo pessoal

A iraniana Anahita Abdollahi concilia o mestrado na Universidade de Colônia com um minijob em uma biblioteca, experiência que, segundo ela, ajudou na adaptação ao mercado de trabalho alemão e na prática do idioma. Dasha Thyssen/DW Quando inicia seu turno na biblioteca de física da Universidade de Colônia, a iraniana Anahita Abdollahi, de 26 anos, começa conferindo os e-mails para se atualizar sobre os pedidos dos usuários. Ela ajuda estudantes a encontrar livros, atende telefonemas e cuida das plantas do local. Mestranda na instituição, Abdollahi define a função como a de uma "bibliotecária de meio período". Ela afirma gostar de quase todas as tarefas, com exceção das mais repetitivas, como o inventário do acervo. Ainda assim, considera o trabalho tranquilo, já que atua apenas duas vezes por semana, cerca de cinco horas por dia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Seu emprego se enquadra na categoria conhecida na Alemanha como "minijob", modalidade de trabalho com jornada reduzida e baixa remuneração que o governo pretende reformar. Entre as mudanças em discussão estão o fim da isenção de contribuições previdenciárias para os trabalhadores e o aumento dos encargos pagos pelas empresas, com o objetivo de reforçar o financiamento do sistema de aposentadorias. Agora no g1 As propostas despertam reações divergentes. Sindicatos apoiam a reforma por avaliarem que ela pode reduzir a precarização do trabalho e ampliar a proteção social. Já muitos trabalhadores temem uma redução da renda líquida, enquanto representantes empresariais alegam risco de aumento dos custos de contratação e perda de flexibilidade. Modalidade é popular entre mulheres e estudantes O minijob é um tipo de emprego de meio período com remuneração máxima de 603 euros (cerca de R$ 3.538) por mês. Quem permanece abaixo desse limite não paga imposto de renda nem contribuições regulares para a seguridade social. Os trabalhadores também podem optar por não contribuir para a aposentadoria, e a maioria faz essa escolha. Em geral, são necessárias cerca de 10 horas de trabalho por semana para atingir o teto de rendimentos, o que torna a modalidade atraente para estudantes, pais e mães com filhos pequenos e pessoas que exercem outras atividades. Segundo a agência federal responsável pelo setor, as mulheres representam cerca de 57% dos trabalhadores nessa categoria. A mesma agência estima que quase 7 milhões dos 45 milhões de trabalhadores da Alemanha tenham um minijob. Parte deles exerce a atividade como complemento de renda; outros dependem exclusivamente desse tipo de contrato. Criado nos anos 1960 para facilitar empregos de baixa carga horária e reduzir a burocracia, o modelo foi reformulado em 2003 como parte de uma ampla reforma do mercado de trabalho. Sindicatos defendem mudanças nos minijobs por considerarem que o modelo contribui para vínculos precários. Matt Lincoln/Image Source/IMAGO Por que as empresas defendem os minijobs? Empregadores normalmente pagam um imposto fixo de 2% sobre os salários, além de contribuições sociais equivalentes a cerca de 30% da remuneração bruta de um empregado contratado nesse modelo. Muitas empresas consideram o minijob vantajoso por sua flexibilidade. "Existem situações em que faz sentido contratar alguém apenas para uma quantidade muito pequena de horas", afirmou Holger Schäfer, economista especializado em mercado de trabalho do Instituto Econômico Alemão (IW), à DW. Supermercados, por exemplo, precisam de mais caixas aos sábados do que nas manhãs de segunda-feira. Os minijobs permitem ajustar rapidamente a escala de funcionários. Por isso, varejo e hotelaria estão entre os setores que mais utilizam esse tipo de contrato. O que pode mudar No início de julho, porém, a coalizão governista anunciou planos para elevar de 2% para 5% a alíquota fixa incidente sobre os minijobs. Além disso, o governo pretende implementar as propostas apresentadas pela Comissão de Pensões da Alemanha no fim de junho, voltadas à sustentabilidade do sistema previdenciário. Uma das recomendações prevê o fim da possibilidade de renunciar às contribuições para a aposentadoria e a eliminação do status especial dos minijobs. Na prática, os trabalhadores passariam a recolher contribuições sociais como qualquer outro empregado, encerrando o modelo em seu formato atual. Segundo a comissão, a medida fortaleceria os sistemas de seguridade social, reduziria o risco de pobreza na velhice e ajudaria a combater desigualdades de gênero. Para Abdollahi, a mudança poderia representar uma perda mensal de até 130 euros (cerca de R$ 762). Ela afirma que provavelmente tentaria aumentar a carga de trabalho para compensar a redução da renda. Quase 7 milhões de pessoas trabalham nos chamados minijobs, modalidade de emprego parcial criada para reduzir burocracia e facilitar contratações de baixa carga horária. Michael Bihlmayer/CHROMORANGE/picture alliance Apoio dos sindicatos e resistência das empresas Diversos sindicatos receberam a proposta de forma positiva. Entre eles está o NGG, entidade que representa trabalhadores dos setores de alimentação, bebidas, gastronomia e hotelaria. Em nota, o presidente da organização, Guido Zeitler, afirmou que os minijobs não se mostraram um caminho para empregos de melhor qualidade e acabaram consolidando condições de trabalho precárias para milhões de pessoas. Enzo Weber, especialista em mercado de trabalho do Instituto de Pesquisa sobre Emprego (IAB), acredita que a reforma poderá incentivar jornadas maiores e novas trajetórias profissionais. Segundo ele, a medida evitaria que trabalhadores ficassem presos à chamada "armadilha do minijob" e reduziria o risco de estagnação na carreira de muitas mulheres durante os anos dedicados à criação dos filhos, em razão de incentivos tributários considerados inadequados. Representantes empresariais, porém, contestam a proposta. "O fim dos minijobs seria um erro", afirmou Rainer Dulger, presidente da Confederação das Associações Patronais Alemãs. Para ele, a modalidade permite às empresas manter flexibilidade e contar com mão de obra adicional. Schäfer também duvida que a mudança leve trabalhadores a ampliar significativamente suas jornadas. Na avaliação do economista, os benefícios extras gerados por contribuições sociais sobre um emprego de cerca de 600 euros seriam limitados. "Não vale a pena mobilizar toda a máquina da seguridade social para vínculos de trabalho tão pequenos", afirmou. Ainda assim, ele considera que há espaço para mudanças no caso de pessoas que mantêm um minijob paralelo ao emprego principal. "Há uma má alocação econômica quando um trabalhador qualificado prefere entregar pizzas depois do expediente em vez de fazer horas extras em sua ocupação principal", disse. "Mas isso não significa que seja necessário acabar com os minijobs." Sustentabilidade do sistema previdenciário impulsiona reforma no modelo Pond5 Images/IMAGO Estudantes podem ficar de fora da reforma As propostas da Comissão de Pensões preveem uma exceção para estudantes do ensino básico e médio, permitindo que continuem trabalhando sob as regras atuais. Agora, o Partido Social-Democrata (SPD), que integra a coalizão governista, discute estender essa exceção também aos universitários. Abdollahi considera a ideia adequada, especialmente para estudantes estrangeiros. "Eles estão entre os grupos que mais precisam desse tipo de oportunidade, sobretudo os que vêm de fora da União Europeia", afirmou. Segundo ela, o emprego na biblioteca facilitou sua entrada no mercado de trabalho alemão e também contribuiu para o aprendizado do idioma. "Tenho a oportunidade de praticar alemão em um ambiente sem muita pressão", disse. O futuro dos minijobs ainda será definido nos próximos meses. O governo alemão deve discutir formalmente as propostas de reforma ao longo deste ano.

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.042 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 165 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (9), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira (6), ninguém acertou as seis dezenas. O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa. A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Polêmica, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros Nonato Sousa/ SupCom ALE-RR A chamada "taxa das blusinhas" – cobrança de imposto de importação, de 20%, sobre as compras com valor abaixo de US$ 50 – retornará em setembro se a medida provisória sobre o assunto não for votada. Publicada em 12 de maio deste ano, a MP transferiu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, a competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50. No começo de julho, a medida foi prorrogada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre — e tem validade assegurada somente até 8 de setembro. ➡️Sem a aprovação da MP pelo Congresso, ou edição de outra norma legal que mantenha a desoneração, o ministro da Fazenda perde a autorização para zerar a alíquota e a tributação volta a vigorar depois que a medida provisória perder eficácia — a partir de 9 de setembro. Entenda Medidas provisórias têm força de lei assim que publicadas, ou seja, entram em vigor imediatamente. Entretanto, precisam ser analisadas posteriormente pelo Congresso Nacional, que pode confirmá-las, alterá-las ou até mesmo barrar a proposta. O prazo máximo é de 60 dias, prorrogável por igual período. 🔎Em meio à corrida eleitoral, a MP ainda aguarda instalação de comissão mista para emitir parecer sobre a proposta. Depois, ainda tem de ser aprovada pela Câmara e, também, pelo Senado. Se o Senado modifica o texto da Câmara, a proposta retorna para nova análise dos deputados. ➡️Apesar do fim do imposto de importação, os estados mantiveram sua tributação, por meio do ICMS, entre 17% e 20%. Essa cobrança permanece de pé. ➡️Independente da decisão do Congresso Nacional, a taxação de encomendas com valor abaixo de US$ 50 retornará em 2027 por meio do tributo federal criado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. ➡️A alíquota a ser cobrada, entretanto, ainda não está definida. Cálculo da consultoria Roit aponta para uma taxa de 9,43% em 2027. ➡️Em junho, o primeiro mês completo sem a incidência da taxação, o número de encomendas internacionais disparou. 'Taxa das blusinhas' voltará em 2027, mas com imposto diferente Conflito entre os setores e no Congresso Polêmica, a "taxa das blusinhas" era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentavam também que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo em determinada cota de compras ao voltar ao país. Por outro lado, varejistas brasileiros avaliam que a isenção favorece as importações, que têm taxação menor em outros países, e pedem "isonomia tributária", ou seja, tributação semelhante para proteger os empregos no país. Esse impasse também adentrou o mundo político. A decisão do governo federal de tributar as compras de baixo valoa foi alvo de críticas da oposição que classificou a medida como mais um “aumento de imposto” e criticou o que chamou de “sanha arrecadatória” do Executivo. Foi preciso muita articulação do governo e dos varejistas brasileiros para que a medida fosse aprovada no Congresso. Já a decisão de editar em maio uma MP revogando a taxa das blusinhas foi vista por quadros do Centrão e da oposição como uma medida eleitoreira deixando a pressão sobre o Congresso de converter em lei ou não uma MP com grande apelo popular. A MP foi editada na esteira da principal derrota de Lula no Congresso em 2026: a rejeição da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). E é justamente a crise entre Alcolumbre, principal articulador da derrota de Messias, e Lula que deixa a votação da MP da taxa das blusinhas incerta. Cabe ao presidente do Senado despachar a MP para a votação na comissão mista, na Câmara e no Senado. Desde o episódio, Lula e Alcolumbre não se falaram até um encontro promovido na semana passada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Apesar da reabertura de diálogo, os dois não discutiram temas específicos e as pendências, incluindo a MP, devem ficar para depois das eleições. A dificuldade em votar a MP passa também pelo calendário. Em meio ao período eleitoral, Alcolumbre definiu somente duas semanas de esforço concentrado no Senado: entre 10 e 14 de agosto, e outra de 31 de agosto a 3 de setembro. Na base governista e na oposição, existem duas avaliações distintas sobre deixar a MP caducar. Uma parte acredita que a medida perder a validade vai expor o caráter eleitoreiro em que o governo a editou e mostrar que a base é fraca no Congresso. Por outro lado, há quem diga que o peso de uma MP de caráter muito popular perder a validade vai cair sobre o Parlamento, podendo reacender o slogan já utilizado anteriormente pela militância petista “Congresso Inimigo do Povo”. ➡️Ao g1, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reconheceu a dificuldade em avançar com a votação da MP. “O tempo está curto sim. Teríamos que acordar a urgência”, afirmou. Argumentos pró e contra Governo acaba com a 'taxa das blusinhas': e agora? Diante da necessidade de análise do fim da taxa das blusinhas pelo Congresso Nacional, produtores nacionais e importadores já estão atuando no Legislativo, e e até mesmo na Justiça, para defender seus interesses. Representante de empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) defende que o Congresso "avance com a aprovação da pauta o quanto antes, decidindo pelo cancelamento definitivo do imposto como forma de estimular a competitividade e democratizar o consumo". "Passados mais de 60 dias da edição da MP que zerou a tributação, o Congresso Nacional ainda não concluiu sua votação. O prazo para aprovação expira em setembro e, caso isso não ocorra, a cobrança poderá ser restabelecida", lembrou a Amobitec,. Por meio de nota, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) manifestou seu posicionamento contrário à MP e fez um "alerta para seus impactos sobre o mercado de trabalho nacional, especialmente em relação aos empregos gerados pelo comércio e pela indústria". Avaliou que qualquer discussão sobre a política tributária precisa "colocar o emprego e a produção nacional no centro das decisões". "Medidas que ampliem a exposição do mercado interno a assimetrias competitivas comprometem os avanços observados na geração de empregos formais, sobretudo nos setores mais intensivos em mão de obra. O Brasil não pode aceitar que decisões dessa natureza coloquem em risco trabalhadores e empresas que produzem, investem e geram oportunidades em todas as regiões do país", diz a nota, assinada pelo presidente da UGT, Ricardo Patah. No fim de julho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a equipe econômica está acompanhando de perto os dados e que pode propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o retorno da taxação. "A gente tem visto que tem aumentado a importação desses produtos. Como a gente tem todo controle, a qualquer momento que a gente perceber que está fora do padrão e gerando falta de isonomia para a produção nacional, é possível propor ao presidente uma mudança desse cenário", declarou Durigan, na ocasião.

Estreito de Ormuz Reuters/Stringer O Irã divulgou, neste sábado (8), uma lista de exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Segundo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, os Estados Unidos precisarão cumprir com as demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações pelo canal marítimo. As informações são do jornal americano "The New York Times" (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana. Entre as exigências estão: a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã; a retirada das tropas americanas das proximidades do país; o pagamento de indenizações de guerra; a liberação de ativos iranianos congelados; o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e o encerramento das ameaças contra o país. Irã diz que Estreito de Ormuz só será reaberto com saída dos EUA Segundo o jornal americano, é improvável que o governo de Donald Trump concorde com as exigências iranianas, o que aumenta preocupações sobre o futuro do Estreito de Ormuz. Na última semana, Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um "acordo" ou a "rendição total" da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã. Além disso, autoridades americanas também já haviam afirmado anteriormente que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse em abrir mão do urânio enriquecido. Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa de armas nucleares iraniano e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Mais cedo neste sábado, o ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou o Irã e o Omã estavam "muito perto" de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." Em junho, um memorando de entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã previa a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão temporária das sanções petrolíferas contra Teerã. No entanto, os dois países tinham interpretações diferentes sobre o tratado e o acordo foi posto em xeque menos de duas semanas após sua assinatura. Preocupações com o petróleo e a inflação A lista de exigências frustra a expectativa do mercado de que um acordo entre o Irã e o Omã poderia reabrir o Estreito de Ormuz, cujo tráfego de navios está limitado desde o início da guerra, em fevereiro. O fechamento do canal, importante rota marítima da região, tem pressionado os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de energia e a inflação mundial. Com um forte aumento nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, diz o NYT, o governo Trump pode ser obrigado a considerar as exigências iranianas para tentar reduzir a inflação americana — o que também pode representar um risco para as eleições de meio de mandato, em novembro. Desde o início da guerra, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, já acumula uma alta de quase 15% até a última sexta-feira (7), quando a commodity encerrou cotada a US$ 83,30 o barril. LEIA MAIS CRONOLOGIA: Veja as principais mudanças de postura de Trump sobre o Irã Vice de Trump diz que iranianos são 'extraordinariamente difíceis' e que acordo deve demorar EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana
Sede da Apex Partners, em Vitória, no Espírito Santo. Ricardo Medeiros/Rede Gazeta Fernando Cinelli, fundador e sócio da Apex Partners, foi afastado do comando da empresa na quinta-feira (6) após uma investigação interna apontar “inconsistências financeiras da companhia”. O diretor financeiro da plataforma de investimentos no Espírito Santo, Eduardo Siqueira, também foi afastado. Por nota, sócios da Apex afirmaram que irão contratar uma auditoria externa para aprofundar a apuração e que medidas judiciais para garantir a responsabilização cível e criminal dos envolvidos também serão tomadas. A presidência interina foi assumida por Marcelo Murad, sócio sênior da companhia. Entenda ponto a ponto da crise: 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp “Gestão temerária” Após o afastamento de Fernando Cinelli, sócios da Apex decidiram acionar o presidente afastado na Justiça. O objetivo, de acordo com a companhia, é responsabilizá-lo por "gestão temerária e má-fé" e, ainda, solicitar o bloqueio de seus bens de forma preventiva. Não foram divulgados mais detalhes sobre o resultado das investigações. “As providências são resultado de um rigoroso processo de apuração interna conduzido pela própria Apex, que identificou inconsistências financeiras. Assim que foram constatadas, a companhia iniciou uma série de medidas para preservar suas operações e aprofundar o esclarecimento dos fatos. Uma das medidas adotadas foi o afastamento imediato dos executivos que ocupavam a Presidência e a Diretoria Financeira", informou a plataforma de investimentos capixaba. Segundo informações do colunista Abdo Filho, os sócios apontam falta de transparência aos balanços e que não tinham noção do tamanho da dívida da companhia. Ainda de acordo com os associados, o ‘problema’ estava localizado no presidente e o diretor financeiro que, por isso, foram afastados. O estopim para a investigação interna na Apex Partners foi o investimento na agência de viagens CVC. Embora já houvesse tensões sobre a conduta de Fernando Cinelli, a situação tornou-se insustentável quando um fundo da Apex adquiriu 15,5% das ações da CVC, que tiveram uma queda de quase 40% em apenas seis meses. Como os investidores tinham a promessa de um rendimento garantido, o prejuízo gerado pelas ações fez com que os sócios optassem pela apuração interna. LEIA TAMBÉM: Mulher que faltou ao trabalho por ser perseguida e ameaçada de morte pelo ex tem demissão por justa causa revertida pela Justiça Fernando Cinelli havia sido indicado para um assento no conselho de administração da CVC em abril do ano passado. No mesmo dia em que foi afastado do comando da Apex, ele também renunciou ao cargo na agência de viagens. Fernando Cinelli, fundador e presidente afastado da Apex Partners Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta Blindagem na Justiça Nesta sexta-feira (7), a Justiça concedeu uma liminar em favor das empresas que compõem a Apex. A decisão do juiz Marcos Sanches, titular da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, suspende execuções para proteger o patrimônio de 178 companhias envolvidas diante de um montante de dívidas que chega a R$ 975 milhões. O magistrado também determinou que as empresas apresentem, em até 30 dias, o pedido de recuperação judicial — sob pena de perda imediata da eficácia da medida cautelar. Foi estabelecida, ainda, a nomeação de uma administradora judicial para realizar uma perícia técnica e verificar as condições operacionais do conglomerado. O prazo para a realização e apresentação desta etapa é de 20 dias. Segundo a decisão, a medida tem como objetivo assegurar a continuidade das atividades econômicas da plataforma e evitar o esgotamento de ativos antes de um possível pedido formal de recuperação judicial. Em nota, a Apex Partners afirmou que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Veja na íntegra: “Seguindo o compromisso de transparência com seus investidores, parceiros e colaboradores, a Apex Partners informa que, nesta sexta-feira (07), obteve o deferimento de uma liminar cautelar. A medida tem caráter preventivo para garantir o patrimônio da empresa, a continuidade das suas atividades regulares, criando um ambiente de estabilidade, enquanto são concluídos os trabalhos da auditoria externa em fase de contratação. Esclarecemos que a medida proposta não se trata de recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar para proteger as atividades da empresa até que a auditoria externa seja concluída. A companhia acredita fortemente nas atividades exercidas nas suas unidades de negócio. Nosso compromisso é dedicar todos os esforços para superar esse momento desafiador que a empresa vem enfrentando e garantir a continuidade e solidez dos trabalhos. Essa decisão não alcança os patrimônios segregados dos fundos de investimento, os patrimônios fiduciários vinculados às emissões de certificados de recebíveis nem os patrimônios de afetação das sociedades de propósito específico (SPEs), preservando integralmente os recursos de terceiros e as competências regulatórias. Importante esclarecer que os valores mencionados na referida ação não representam obrigações vencidas, nem obrigações imediatas - mas sim de longo prazo. O impacto da inconsistência financeira identificada em apuração interna ainda será validado em auditoria externa.” O que disse Fernando Cinelli Por nota, a defesa do presidente afastado informou que "o empresário Fernando Antonio Kulnig Cinelli, fundador da Apex Partners, está dedicado e comprometido a contribuir da melhor forma para a preservação da companhia, seus investidores e acionistas. Com o gesto, ele demonstra sua disposição em esclarecer todas as questões levantadas com total transparência e idoneidade". Reação do mercado O mercado reagiu prontamente aos sinais de instabilidade. O BTG Pactual rompeu o contrato de distribuição com a Apex e travou saques de um fundo ligado à plataforma capixaba. Nesta sexta-feira, o Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), emitiu um comunicado oficial informando que não possui recursos públicos do Tesouro Estadual ou do Fundo Soberano (Funses) investidos na Apex Partners. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Abbas Araqchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, em 17 de dezembro de 2025 Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo O ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou neste sábado (8) que o Irã e o Omã estão "muito perto" de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial Segundo o ministro, os dois países estavam discutindo uma rota de navegação temporária enquanto questões técnicas e legais relativas a uma rota permanente eram resolvidas. Na sexta-feira, um funcionário americano afirmou à Reuters que Washington esperava um acordo em breve entre o Irã e Omã, países localizados em lados opostos do estreito, para que o tráfego normal de petróleo pudesse ser retomado. Agora no g1 "Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve", disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. "Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos." 🔎 Um acordo entre os dois países sobre o controle dessa via navegável estratégica é considerado crucial para um acordo mais amplo que vise pôr fim ao conflito iniciado com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro. Araqchi afirmou, no entanto, que a reabertura do Estreito dependerá de uma série de condições, entre elas uma compensação pelo que o Irã considera uma violação, por parte dos Estados Unidos, do Memorando de Entendimento de Islamabad. O acordo foi firmado entre os dois países com o objetivo de reduzir as tensões e garantir um cessar-fogo no Oriente Médio. Assinado em 17 de junho, o memorando de entendimento foi colocado em xeque menos de duas semanas depois, em meio a divergências sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah, que deram origem a uma série de ameaças, ataques e acusações de descumprimento entre Washington e Teerã. Entre idas e vindas, o presidente americano, Donald Trump, chegou a cancelar um novo ataque contra Teerã no último final de semana, afirmando que "o Irã e outros países do Oriente Médio" teriam pedido que os EUA suspendessem a ofensiva porque "os termos de um acordo" teriam sido definidos. "Com base nesse pedido, concordei, em benefício futuro do MUNDO e, igualmente, da sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível fechar rapidamente um ACORDO", escreveu o presidente em seu perfil no TruthSocial em 1º de agosto, prometendo que as tratativas iniciariam já na segunda-feira (3). À época, no entanto, Teerã negou que tivesse reuniões com os EUA e afirmou que as únicas negociações em andamento ocorriam apenas com o Omã e seriam sobre a gestão conjunta do Estreito de Ormuz. LEIA MAIS Trump e secretário batem boca por falta de mísseis e frustração com conflito no Irã EUA estão vulneráveis? Como a baixa nos estoques de mísseis ameaça a defesa norte-americana CRONOLOGIA: Veja as principais mudanças de postura de Trump sobre o Irã Tráfego de navios segue reduzido Em meio ao conflito na região, o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz segue reduzido. Neste sábado (8), os Emirados Árabes Unidos (EAU) acusaram o Irã de ter atacado um navio-tanque ligado á sua estatal de petróleo, a ADNOC, enquanto a embarcação atravessava o canal. As informações são da agência estatal WAM. A ADNOC afirmou que o navio teria sido alvo de um míssil durante a madrugada e que a situação estava sob controle. Não houve feridos. O Ministério de Relações Exteriores dos EAU afirmou que o ataque violou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a liberdade de navegação e acusou a Guarda Revolucionária do Irã de "atos de pirataria" por visar navios comerciais e usar a hidrovia como instrumento de pressão econômica. O comunicado apelou ao Irã para que cesse os ataques e reabra o estreito de forma plena e incondicional. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado, a reabertura do Estreito de Ormuz depende da aceitação das condições impostas pelo Irã por Washington e não está relacionada às negociações entre Irã e Omã. O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, não especificou as condições, mas afirmou que Washington deve parar de interferir no processo de negociação regional. "Assim que os Estados Unidos aceitarem as condições do Irã, o Estreito de Ormuz certamente será reaberto", disse ele, de acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim. Autoridades americanas, no entanto, têm insistido repetidamente que jamais concordariam com o controle do Irã sobre o acesso à rota comercial mais importante do mundo para o fornecimento de energia. Não ficou claro se elas tentaram alterar os parâmetros do acordo. O Irã tem usado as hostilidades para justificar a cobrança de pedágio sobre petroleiros. Isso, somado aos disparos contra navios que tentam cruzar o estreito sem sua permissão, interrompeu gravemente os embarques globais, causando um aumento nos preços da energia e alimentando a inflação. *Com informações da agência de notícias Reuters.
Como a Selic mexe com tudo na sua vida
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor.
Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano, quarto corte consecutivo.
Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo.
Neste vídeo, você vai entender como a Selic afeta a sua vida — e, às vezes, você nem percebe. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Pesquisa de SC resulta em produção pioneira no Brasil de ostras em lata Uma pesquisa de Santa Catarina resultou na produção pioneira no Brasil de ostras em lata. A ideia é oferecer aos turistas a opção de levar de volta para casa um pouco da culinária de Florianópolis. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) trabalharam no projeto para garantir a segurança sanitária do alimento. A produção de ostras em lata vai ajudar os maricultores a lidar com as variações da criação de moluscos durante o ano e a influência do clima. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🦪🥫Santa Catarina é responsável atualmente por 98% da produção de ostras e mariscos do Brasil. Em Florianópolis, a maricultura foi introduzida na década de 1980. A atividade movimenta a economia local, estimula o turismo e gera renda para centenas de famílias. Mais opções de produção e venda de moluscos A ideia de fabricar ostras enlatadas foi de Helton Costa, que é chef de cozinha em Florianópolis. Ele queria oferecer aos visitantes a opção de levar o alimento para casa. "O turista já vem com a mentalidade que Santa Catarina é a maior maricultura do Brasil e os frutos do mar catarinenses se destacam também como os melhores do Brasil. Podendo levar uma latinha para presentear ou para comer depois, para recordar da viagem, melhor ainda", declarou o chef. Foi necessário um ano e meio de pesquisas e testes para tirar a ideia do papel. Além de ostras e mexilhões, o processo também está sendo aplicado a lulas, polvos e bacalhaus. Uma das maiores dificuldades é manter o gosto original dos frutos do mar. "Esse foi o desafio dos chefs. Os cientistas cuidavam da esterilização, da parte microbiológica. A minha parte cabia que o produto não perdesse em qualidade de textura, de sabor e visual", explicou Costa. A preparação envolve a classificação, aquecimento e pesagem dos produtos antes de serem enlatados. A última etapa da fabricação acontece em uma máquina. Ela é capaz de esterilizar os produtos já dentro da lata. Os cientistas da universidade definiram os parâmetros exatos de temperatura, pressão e resfriamento para cada um dos enlatados. Isso garante a segurança sanitária do alimento. O pesquisador da UFSC Giustino Tribuzi explicou que enlatados, que têm uma vida mais longa nas prateleiras, precisam ainda mais de atenção nesse quesito. "Esses produtos têm que ser isentos de microrganismos que sejam capazes de se desenvolver nas condições de armazenamento", declarou o pesquisador. A empresa, localizada no bairro Saco Grande, recebeu a certificação pelo Serviço de Inspeção Municipal de Florianópolis. O órgão é responsável por assegurar que os produtos de origem animal produzidos no município atendam padrões de qualidade e segurança alimentar. De acordo com a prefeitura, trata-se da primeira indústria de ostras e mexilhões enlatados do país. Os produtos já estão à venda e custam entre R$ 79,12 e R$ 99,23 a lata, dependendo dos moluscos. As opções são lulas, mexilhões, polvos e ostras. Como fenômeno raro tem deixado ostras esverdeadas em Florianópolis Mudanças climáticas afetam produção de ostras em SC Ostras em lata - fabricação de Florianópolis Reprodução/NSC TV Produção em lata pode ajudar a lidar com as instabilidades na maricultura Um dos grandes desafios da maricultura é lidar com as instabilidades da produção. As variações climáticas causam ora o excesso, ora a escassez de ostras. A iniciativa abre caminho para uma nova etapa de industrialização do setor. "É muito importante para a maricultura essa diversificação de produtos e formas de embalagem porque permite uma agregação de valor e que pode, com isso, atender novos mercados diferenciados", declarou Felipe Suplicy, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Este ano, em abril, o setor passou por uma crise histórica, relacionada às mudanças climáticas. Especialistas apontam que a principal causa do problema foi o aumento da temperatura da água do mar. Moluscos em lata produzidos em Florianópolis PMF/Divulgação
El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta O Super El Niño, que pode intensificar chuvas e enchentes nos próximos meses, deve afetar a produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos no Brasil. Em 2026, os efeitos ainda devem ser limitados. Já em 2027, a inflação da alimentação no domicílio pode fechar o ano entre 7,5% e 9,5%. No pico, entre agosto e novembro, pode chegar a 11%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 É o que mostra um estudo da MB Associados, divulgado com exclusividade pela GloboNews. Pelos cálculos da consultoria, o impacto sobre o IPCA pode chegar a 0,9 ponto percentual em 2027. O feijão, cuja produção caiu em 2026, e o arroz, ainda afetado pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul — principal estado produtor —, devem liderar as altas. "O efeito é bastante espalhado na produção agrícola e pecuária brasileira, mas alguns produtos costumam sentir mais, como arroz e feijão, que têm peso importante no IPCA dos alimentos. Também há o efeito sobre o milho, que acaba pressionando as proteínas animais", diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. Quando vou pagar mais caro? Em que? Segundo Vale, o impacto chegará de forma gradual às gôndolas dos supermercados. Historicamente, os maiores efeitos sobre os preços aparecem entre nove e 10 meses após o pico do fenômeno climático, previsto para outubro ou novembro. Os hortifrutigranjeiros podem ser os primeiros afetados, principalmente nas regiões que enfrentarem chuvas intensas, já nos primeiros meses de 2027. No segundo semestre, a pressão deve chegar aos grãos e, em seguida, às proteínas animais, incluindo a carne bovina. O economista também aponta um possível impacto sobre o frete rodoviário. Caso o El Niño provoque seca no Norte e no Nordeste, o escoamento da produção pelos portos dessas regiões pode ser prejudicado. Com dificuldades na navegação pelos rios, parte da carga tende a ser direcionada aos portos do Sul e do Sudeste, aumentando a demanda por transporte rodoviário e pressionando o frete. No último El Niño, entre 2023 e 2024, esse gargalo elevou os custos entre 10% e 22%. Os impactos do evento climático se somam a outros desafios enfrentados pelo agronegócio. Vale cita o aumento da inadimplência no setor e os efeitos da guerra no Oriente Médio, que encareceu combustíveis e fertilizantes. "A gente está falando de um setor que, por onde você olha, tem pressão de custo, de produção, de preço e, agora, da questão climática. Vai ser um ano difícil para a agricultura e, no fim, o impacto pode chegar também ao consumidor", afirma.

'Esta conta não pode usar o WhatsApp': aplicativo mostra aviso quando usuário é suspenso Reprodução Os bloqueios em massa de contas do WhatsApp na última segunda-feira (3) afetaram pessoas em várias partes do planeta, incluindo o Brasil. Mas algumas delas dizem que foram banidas há ainda mais tempo e reclamam que as decisões foram injustas. Usuários ouvidos pelo g1 relataram que estão há mais de um mês sem poder acessar suas contas e que perderam mais de 10 anos de mensagens, fotos e vídeos. No Downdetector, site que monitora falhas em aplicativos, mais pessoas afirmaram ter sofrido bloqueios "sem motivo aparente". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Uma usuária que disse ter sido banida injustamente pelo WhatsApp decidiu processar a empresa. Ela alegou que teve prejuízo após perder contas profissionais derrubadas e pediu uma liminar na Justiça para reverter os bloqueios. O WhatsApp disse que pode banir contas se concluir que elas violam suas regras e que usuários têm o direito de pedir uma revisão adicional, mas não se posicionou sobre as acusações de bloqueios indevidos. Agora no g1 Ainda segundo o WhatsApp, os termos do aplicativo proíbem o envio de spam, a aplicação de golpes e outras atividades que coloquem em risco a segurança de outras pessoas. Mas usuários bloqueados disseram que não chegaram nem perto de cometer alguma das violações citadas pela plataforma. Eles reclamam ainda que não tiveram uma explicação clara sobre as causas dos banimentos. WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos em setembro Prejuízo após bloqueio O mecânico Dionatam Carteri, de Passo Fundo (RS), tinha uma conta no WhatsApp desde 2015. Ele disse ter perdido todas as conversas com clientes após ser bloqueado no final de julho. "Fotos de família, documentos, coisas de contratos, tudo estava ali. Do lado familiar, a gente consegue conversar, atualizar o número. Mas, na parte profissional, estou sem chão", afirmou. "Nunca usei para nada ilícito, nada errado. É totalmente errado o bloqueio da minha conta. Não tem nada que possa ser cogitado que foi ilegal." Ele considera que a perda do histórico de mensagens terá o pior impacto para o seu dia a dia e acredita que o banimento o fará perder dinheiro, já que deixará de receber mensagens de muitos clientes. "Em alguns casos, não tenho o número do cliente salvo na agenda do celular, apenas no WhatsApp. Não posso entrar em contato, passar um orçamento, porque não tenho mais como localizar. Acabo perdendo o serviço, a fonte de renda". 🔎 Quando um usuário é suspenso por violar os termos, o aplicativo mostra o seguinte aviso: "Esta conta não pode usar o WhatsApp". É possível pedir revisão de uma pessoa da plataforma ao clicar no botão "Solicitar análise". Dionatam usou esse recurso, não teve resposta e recorreu à página de contato no site do WhatsApp. Mas a plataforma disse que o uso de outros canais ou de contas de terceiros para questionar um banimento não acelera o processo de revisão. WhatsApp Unsplash/Dimitri Karastelev Processo contra o WhatsApp Bloqueada no WhatsApp Business desde o final de junho, a massagista Débora*, de São Paulo, decidiu processar a Meta após perder a conta que tinha criado há dois anos. Para manter o atendimento, ela criou outra conta, mas foi suspensa por algumas horas cerca de 10 dias depois. O perfil ficou em um "vai-e-volta" até ser banido definitivamente, e Débora decidiu criar uma terceira conta, que também sofreu restrições até ser normalizado em 14 de julho. Débora estima que a perda da primeira conta, usada na divulgação para clientes, a fez perder metade do faturamento no período. No processo, ela pede que a Justiça obrigue o WhatsApp a reverter o funcionamento do perfil. "É uma situação completamente desconfortável. O cliente tenta falar, manda mensagem e não conseguimos responder. Acabamos perdendo a credibilidade", afirmou. A massagista reclamou que não teve uma explicação da plataforma sobre o que levou ao bloqueio de sua conta. "O WhatsApp não fala quais regras foram descumpridas. Se você entra em contato, são todas mensagens de inteligência artificial, não tem uma pessoa para você se comunicar". WhatsApp com nome de usuário: como reservar? É seguro? Tire dúvidas sobre recurso WhatsApp REUTERS/Thomas White O advogado Rafael Barreto, que representa Débora, disse ter enviado notificações extrajudiciais à Meta em nome de outros dois clientes banidos. Nenhuma delas foi respondida pela empresa. "O WhatsApp simplesmente está suspendendo contas sem nenhum motivo. Várias contas estão sendo suspensas de forma aleatória, e várias pessoas estão sem conseguir trabalhar", disse. Para Barreto, a falta de justificativa sobre o que causou o banimento da conta mostra uma falha do WhatsApp. "O WhatsApp devia ter uma política muito mais clara. É ônus deles deixar tudo mais claro para quando alguém aderir ao programa". Bloqueios podem ferir direitos de usuários? O WhatsApp pode aplicar punições a usuários, mas é preciso haver um motivo claro, explicou Luiz Augusto D'Urso, advogado especialista em direito digital. "Quando há um banimento sem justificativas, e a plataforma se resume em responder que baniu por uma decisão própria, isso pode ser discutido no Poder Judiciário", disse. "No processo, se ela não apresentar elementos razoáveis para sustentar o banimento, é muito provável que o juiz reverta o banimento, determinando que a plataforma restabeleça o acesso." O advogado destacou que a Justiça já tem o entendimento de que usuários e plataformas mantêm relações de consumo, mas esclareceu que o Código de Defesa do Consumidor não prevê como as empresas devem agir em casos como esse. "O CDC não prevê especificamente qual deve ser a forma da plataforma apresentar um canal de recurso. Então, não existe uma regra na legislação sobre como isso deve acontecer", comentou. Usuários que buscam reverter o bloqueio no WhatsApp devem começar pelos meios oferecidos pela plataforma, explicou D'Urso. Se não houver resposta da empresa, é possível fazer uma reclamação no site consumidor.gov.br e no Procon ou enviar uma notificação extrajudicial. "Diante do banimento, o usuário deve primeiro esgotar as medidas administrativas e a comunicação extrajudicial. Se, mesmo assim, as razões não aparecerem ou ele entender que o banimento é injusto, aí sim cabe mover uma ação judicial." * Débora é um nome fictício, pois a usuária pediu para não ser identificada.

Agenda Cultural especial para o Dia dos Pais Embora o salário-maternidade seja tradicionalmente destinado às mães, o benefício também pode ser concedido ao pai em algumas situações previstas na legislação. Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), homens segurados da Previdência Social podem ter direito ao benefício quando a mãe morre durante o parto ou enquanto ainda recebe o salário-maternidade. O benefício também pode ser concedido em casos de adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Quando o pai pode receber Se a mãe falecer durante o parto ou no período em que estiver recebendo o salário-maternidade, o pai pode solicitar o benefício, desde que seja segurado da Previdência Social e se afaste do trabalho para cuidar da criança. as Neste Dia dos Pais, escolha um presente útil, prático e pensado para o estilo de vida do seu pai. - Magnific. O salário-maternidade tem duração de até 120 dias. Caso a mãe já tenha recebido parte do benefício, o pai terá direito apenas ao período restante. O pedido deve ser feito até o último dia de vigência do benefício original. Adoção e casais homoafetivos Nos casos de adoção ou de guarda judicial para fins de adoção, o salário-maternidade pode ser solicitado tanto pelo pai quanto pela mãe. No entanto, apenas uma pessoa poderá receber o benefício, que também é pago por 120 dias, independentemente da idade da criança. As mesmas regras valem para casais homoafetivos. Em caso de nascimento, adoção ou guarda judicial para fins de adoção, apenas um dos pais poderá receber o salário-maternidade, conforme a escolha do casal. Como solicitar De acordo com o INSS, não é necessário cumprir um número mínimo de contribuições para ter direito ao salário-maternidade. Basta que o requerente tenha qualidade de segurado da Previdência Social na data do nascimento, da adoção ou da guarda judicial para fins de adoção. O pedido pode ser feito pela Central 135 ou por meio da plataforma Meu INSS, disponível no site e no aplicativo para celulares.

Reforma tributária sobre o consumo englobará todos setores da economia Foto: Reprodução/Canva Após um período de testes neste ano, o governo federal, os estados e os municípios começam a cobrar, de forma efetiva em 2027, os novos tributos sobre o consumo definidos no âmbito da reforma tributária: a CBS federal e o IBS estadual e municipal. 🔎A CBS será cobrada com alíquota cheia a partir do próximo ano. Seu valor, que ainda está sendo calculado pela Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU), será fixado por resolução do Senado em dezembro deste ano. Em 2024, o governo estimou que a alíquota da CBS seria de 8,8%. Entretanto, nos meses seguintes foram feitas novas exceções à cobrança do imposto cheio que elevaram a alíquota. A área econômica não fez nova projeção, mas cálculo da consultoria Roit aponta para uma alíquota de 9,43% em 2027. Estimativas divulgadas em julho pelo Comitê Gestor do IBS, dos estados, apontam que a CBS teria uma taxa de cerca de 9,2% no próximo ano. A alíquota do IBS estadual e municipal, por sua vez, será marginal, de 0,1% em 2027 e em 2028. A partir de 2029, os estados e municípios começam a aumentar, gradualmente, a cobrança do IBS, até 2032. A cobrança integral começa em 2033. ➡️Estimativa divulgada nesta semana pelo Comitê Gestor do IBS aponta que a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo do governo federal, estados e municípios somará cerca de 28% em 2033 — o primeiro ano com tributação cheia. O valor, que supera o teto existente 26,5%, também ficaria acima do registrado nos países ricos. ➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são maiores ainda, com tributação média de cerca de 34% – há dificuldade em calcular os impostos pois há muitas exceções, e eles estão embutidos nos preços dos produtos. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço). Entenda A reforma tributária sobre o consumo determinou a extinção, nos próximos anos, do PIS, a Cofins e o IPI (para a maior parte dos produtos) federais, além do ICMS estadual e do ISS municipal. Em seu lugar, serão criados dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) do governo federal, que começa com cobrança cheia em 2027, com valor ainda a ser definido; o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) dos estados e municípios - com alíquota marginal de 0,1% no próximo ano e em 2028. Até 2032, haverá transição, com essa alíquota aumentando e, a partir de 2033, será feita cobrança integral do IBS. A reforma tributária vai unificar cinco tributos no chamado IVA, o Imposto sobre Valor Agregado ou Adicionado Jornal Nacional/ Reprodução Esses dois novos impostos funcionarão no modelo de imposto sobre valor agregado (IVA), como acontece no resto do mundo, de maneira não cumulativa. Isso significa que, ao longo da cadeia de produção, o imposto é cobrado em cada etapa, mas os contribuintes podem descontar o tributo pago anteriormente. Por exemplo: se o IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá imposto de R$ 20, que, ao final da cadeia, totalizará R$ 20, após os mecanismos de crédito e compensação entre os diferentes empresas da produção e comercialização. Outra mudança é que os tributos sobre o consumo (IVA) serão cobrado no "destino", ou seja, no local onde os produtos são consumidos, e não mais onde eles são produzidos. A migração da origem para o destino será feita de forma gradual durante décadas. Isso contribuirá para combater a chamada "guerra fiscal", nome dado a disputa entre os estados para que empresas se instalem em seus territórios. Para isso, intensificam a concessão de benefícios fiscais. Presidente Lula sanciona regulamentação da Reforma Tributária O que fazer A Secretaria da Receita Federal já está cobrando em fase de teste, desde o início deste ano, que as empresas "destaquem" o valor dos novos impostos na nota fiscal eletrônica, ou seja, que indiquem quanto deve ser pago em CBS e IBS. Embora a legislação tenha previsto uma alíquota de 1% durante o período de adaptação, não há recolhimento efetivo desses valores Desde o começo de agosto, a indicação dos novos impostos nas notas fiscais é obrigatória. Apesar disso, neste primeiro momento, notas fiscais sem o preenchimento dos novos campos do IBS e da CBS não estão sendo rejeitadas automaticamente — enquanto os sistemas das empresas passam por adaptação. "Os documentos fiscais terão a emissão autorizada mesmo quando não contiverem todos os campos relativos à CBS e ao IBS. Contudo, isso não afasta a obrigação de adequação ao novo modelo, nem altera as regras já estabelecidas para o preenchimento dessas informações", informaram a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS, em nota. Reportagem do g1 mostrou, em novembro do ano passado, que a reforma tributária sobre o consumo está exigindo ações na área de processos de gestão e de sistemas de emissão da nota fiscal por parte das empresas como forma de evitar problemas. Em abril, a Receita Federal informou que a penalidade para as empresas que não preencherem os campos relativos aos impostos sobre o consumo, na nota fiscal eletrônica, começará somente a partir de 2027. No começo de agosto, dados oficiais apontam que 88% de todos os documentos emitidos pelos contribuintes alcançados pela obrigatoriedade já foram transmitidos com essas informações, sinalizando que a grande maioria já está preparada para a mudança. Governos Federal, estaduais e municipais publicam regras para implementação da reforma tributária Pessoas físicas e produtores rurais ➡️No mês passado, o governo informou que foi adiada para janeiro de 2027 a obrigatoriedade das pessoas físicas, e dos produtores rurais, terem o chamado "CNPJ técnico". Também foi adiada a necessidade de emitirem a nota fiscal do novo imposto sobre o consumo no âmbito da reforma tributária. O "CNPJ técnico" é uma inscrição cadastral vinculada ao CPF de pessoas físicas que sejam contribuintes dos futuros impostos sobre o consumo (CBS e IBS). Esse cadastro não corresponde à abertura de uma empresa nem transforma a pessoa física em pessoa jurídica. Sua finalidade é identificar esses contribuintes nos sistemas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, o Imposto sobre Bens e Serviços, facilitando a emissão de documentos fiscais e a apuração dos novos tributos. Segundo o órgão, a prorrogação também está alinhada ao desenvolvimento de solução simplificada para inscrição de pessoas físicas no CNPJ, em modelo semelhante ao atualmente adotado para o Microempreendedor Individual (MEI). O adiamento também permite a disponibilização gradual de orientações operacionais, ambientes de testes e manuais técnicos destinados à adaptação dos contribuintes e dos emissores de documentos fiscais eletrônicos. Super sistema da Receita Federal Para viabilizar o recebimento das notas fiscais, o abatimento dos valores pagos em cadeias anteriores da produção (no sistema não cumulativo) e o chamado "cashback" (devolução de parte do imposto para população de baixa renda), o governo federal já está operando uma plataforma tecnológica sem precedentes no mundo. A fachada da Superintendência da Receita Federal. Pillar Pedreira/Agência Senado O sistema é 150 vezes maior do que o PIX – ferramenta de transferências em tempo real do Banco Central. Milhares de pessoas – incluindo técnicos da Receita Federal, desenvolvedores contratados pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), interlocutores do mercado financeiro e até engenheiros das "big techs" (gigantes de tecnologia) – trabalharam para viabilizar a ferramenta. "O gigantismo é para poder receber esse volume de informações que são 100% das notas eletrônicas. Isso que a gente calcula que é em torno de 70 bilhões de documentos por ano que esse sistema vai receber, que é mais ou menos o volume do PIX", disse o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, ao g1, no ano passado. Um dos módulos da plataforma, chamado de "split payment", permitirá que o valor dos tributos seja direcionado em tempo real para o governo, estados e municípios. Com o início do "split payment", a expectativa do governo, já divulgada anteriormente, é de que a sonegação de tributos caia drasticamente. Imposto do pecado em 2027 Ainda no âmbito da reforma tributária, o governo também começará a cobrar, em 2027, o imposto seletivo, conhecido como imposto do pecado. O objetivo é encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente. A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O novo imposto também vai incidir sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais, e sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports. Arte mostra quais itens serão sobretaxados com o imposto do pecado, se regulamentação proposta por deputados for aprovada Reprodução/GloboNews Para começar a valer efetivamente, o Congresso Nacional precisa aprovar a regulamentação do imposto, mas a proposta do governo federal ainda não foi enviada. O Executivo diz que isso será feito até o fim deste ano. ➡️O valor do imposto a ser cobrado de cada produto ainda não está definido. Na regulamentação, que terá de ser feita até o fim deste ano, para valer a partir de 2027, a área econômica irá propor, e o Legislativo definirá, quais serão as alíquotas. ➡️Produtores nacionais dizem esses produtos já têm taxação alta no Brasil, e avaliam que um eventual aumento dos impostos cobrados pressionará as margens de lucro, podendo gerar repasses aos preços, demissões e estímulo ao mercado ilegal. Apesar de defender uma taxação maior por meio do imposto do pecado, para reduzir o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, o governo federal indicou que, pelo menos em um primeiro momento, vai manter a atual carga tributária existente durante um "processo de transição". "A ideia é que pactue com os setores afetados, mantendo a carga tributária que hoje eles têm no IPI, para que faça a transição, com debate aprimorado na sequência. Proposta tem de ser encaminhada neste ano", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em junho deste ano. Cashback para baixa renda Também vai começar, a partir do próximo ano, o chamado "cashback' da reforma tributária — um mecanismo que prevê a devolução de parte dos tributos pagos por famílias de baixa renda. Em um primeiro momento, o cashback envolverá apenas a CBS, o novo tributo federal sobre o consumo. Para viabilizar o pagamento, já está em fase de testes uma plataforma que permite aos contribuintes e empresas acompanhar, simular e testar as novas regras do sistema de impostos sobre o consumo. Já é possível: simular o pagamento de tributos; simular pedidos de ressarcimento; acompanhar, em tempo real, valores a pagar e créditos a receber; simular o funcionamento do cashback, para quem tiver direito. O cashback prevê a devolução de parte dos impostos pagos por famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Há dois formatos previstos: Cashback desconto Aplicado diretamente em contas de serviços essenciais, como água, gás encanado e energia elétrica. Nesse caso, o desconto já vem embutido na fatura. “Não é exatamente uma devolução. O imposto é calculado, mas o valor correspondente ao cashback é abatido automaticamente”, explica Rodrigo Orair, assessor da Secretaria Executiva da Reforma Tributária, ao g1. Cashback devolução Nesse modelo, a família se identifica pelo CPF na compra — por exemplo, em supermercados ou farmácias — e recebe posteriormente a devolução de parte do imposto pago. Segundo a lei, a devolução mínima será de 20% do valor da CBS paga, percentual que pode ser ampliado por decisão do governo. O crédito será feito em conta na Caixa Econômica Federal.

Os chamados kill switches ("botões de desligamento", em tradução livre) são mecanismos de emergência projetados para interromper uma IA antes que ela cause mais danos BBC/Getty Images Muita gente já se perguntou o que aconteceria se a inteligência artificial (IA) escapasse ao controle humano. Quem assistiu à franquia de filmes O Exterminador do Futuro, em que a humanidade entra em guerra contra a Skynet, uma IA que se torna poderosa demais, provavelmente também se pergunta isso. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 E esse vilão fictício deve ter vindo à mente de muita gente no início deste mês, quando surgiram relatos de que um agente de IA (um programa capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca ou nenhuma supervisão humana) saiu do controle durante um teste e invadiu os sistemas da Hugging Face, empresa que desenvolve ferramentas para computação. Criado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, esse agente de IA burlou um teste que avaliava a sua capacidade de explorar falhas de segurança e roubou as respostas dos servidores da Hugging Face. Durante dias, nem mesmo seus criadores parecem ter percebido o que havia acontecido. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Depois, na quarta-feira (29/7), a OpenAI informou que o agente também havia atacado vários "serviços disponíveis publicamente". A OpenAI não deu mais detalhes, mas afirmou que está investigando os ataques. "Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes", afirmou a OpenAI. A invasão inicial, descrita como o primeiro caso confirmado de um sistema de IA que teria invadido de forma autônoma uma empresa de verdade, já havia sido suficiente para alarmar especialistas em todo o mundo e reacender o debate sobre os chamados kill switches ("botões de desligamento" ou "interruptores de emergência", em tradução livre): mecanismos de emergência projetados para, nesses casos, interromper ou desligar uma IA antes que ela cause mais danos. Mas especialistas ouvidos pela BBC News afirmam que a questão é mais complexa. Cathy O'Neil, matemática e cientista de dados, disse ao Serviço Mundial da BBC que o problema começa na forma como as empresas de IA reagem quando seus sistemas apresentam comportamentos inesperados. Na avaliação de O'Neil, a OpenAI se apressou em atribuir o ataque à Hugging Face ao agente autônomo, em vez de reconhecer falhas em seus próprios métodos de avaliação. O'Neil, que escreveu o best-seller Algoritmos de Destruição em Massa: Como o Big Data Aumenta a Desigualdade e Ameaça a Democracia (Ed. Rua do Sabão, 2021), no qual defende maior transparência e responsabilização das grandes empresas de tecnologia, disse à BBC News: "Há alguns anos, uma falha de computador deixou centenas de voos da American Airlines em solo nos Estados Unidos. Foi um grande constrangimento para a empresa. Imagine se ela tivesse tentado se defender dizendo: 'Ah, isso aconteceu porque o computador era mais inteligente do que nós.' Foi, essencialmente, isso que a OpenAI tentou fazer." A Hugging Face não foi o único alvo do agente da OpenAI Getty Images via BBC Nos EUA, onde está sediada a maioria das maiores empresas de IA, não existe uma legislação federal sobre o tema. A regulação se baseia em uma combinação de normas específicas para diferentes setores e compromissos voluntários assumidos pelas próprias empresas. "Estamos dando aos proprietários desses sistemas de IA um poder absurdo", afirma O'Neil. "Me recuso a dizer que foi a IA que fez isso [o ataque à Hugging Face]. Quem fez isso foi a OpenAI. A empresa deveria assumir a responsabilidade pelo projeto falho do sistema e pedir desculpas." IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI A cientista de dados Rumman Chowdhury, ex-diretora de ética em aprendizado de máquina do Twitter (hoje X), também defende uma regulamentação mais rigorosa para as empresas de IA, especialmente na área de segurança. Para Chowdhury, essas empresas deveriam ser obrigadas a demonstrar que seus sistemas contam com "mecanismos eficazes de desligamento", inclusive por meio de testes independentes. Mas também alerta para o risco de responsabilizar os agentes de IA — em vez das empresas que os desenvolvem — por ataques como o que atingiu a Hugging Face. "Tratar esse episódio como um problema que seria resolvido com um botão de desligamento mais eficiente desvia a atenção do verdadeiro problema de arquitetura dos sistemas: os agentes estão recebendo acesso a ferramentas e credenciais de que não precisam", disse Chowdhury à BBC News. "O que realmente acontece é que modelos treinados para cumprir objetivos passam, em determinados contextos, a interpretar instruções para interromper uma tarefa como um obstáculo ao objetivo final e procuram formas de contorná-las. [...] Esse é um problema de projeto e de treinamento, não de consciência." O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT AP/Michael Dwyer, Arquivo Se as empresas de IA se recusarem a resolver esse problema e, em vez disso, optarem por culpar seus agentes autônomos, apenas aumentarão a carga de trabalho dos profissionais de cibersegurança, que já enfrentam diariamente ataques de hackers, afirma Oli Buckley, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Para Buckley, o problema não é que "a IA queira escapar ou prejudicar as pessoas", mas o desenvolvimento de agentes que "estão se tornando cada vez mais capazes de encontrar caminhos inesperados para cumprir uma tarefa". "Na cibersegurança, é exatamente isso que os invasores fazem", afirma Buckley. "Mais do que um alerta sobre uma 'IA rebelde', este caso mostra que nossas premissas de segurança precisam evoluir junto com os sistemas que estamos desenvolvendo." Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente Bloomberg via Getty Images/BBC Konstantinos Gkoutzis, especialista em IA do Imperial College London, no Reino Unido, concorda que a forma como a OpenAI apresentou o caso não ajudou. "A principal conclusão para o público deveria ser que nenhuma máquina decidiu se voltar contra nós. Foi uma empresa que perdeu o controle de um teste de suas próprias capacidades", disse Gkoutzis à BBC News. E, segundo ele, um kill switch não teria resolvido o problema. "Desligar o sistema não desfaz o que já aconteceu", afirma. "Se um sistema já foi comprometido, continuará comprometido, por mais rápido que alguém o tire da tomada." Além disso, quem — ou o que — desligasse o sistema só poderia fazê-lo depois que o problema fosse identificado. Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente. Depois, um porta-voz da empresa rebateu a reportagem da Reuters afirmando à agência de notícias que o texto continha "várias imprecisões".

Menos cerveja no copo? O número de cervejarias na Alemanha está caindo, tendência reforçada pela redução no consumo da bebida, indicam dados divulgados nesta semana, em que também foi comemorado o Dia Internacional da Cerveja, na sexta-feira (7). De acordo com o Escritório Federal de Estatística (Destatis), em 2025, o país tinha 1.415 cervejarias em atividade. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Isso representa 53 cervejarias a menos, uma queda de 3,6% em relação a 2024, e 137 a menos do que em 2019, recuo de 8,8%. Naquele ano, foi registrado o maior número de cervejarias em três décadas. Segundo o Destatis, a queda nas vendas da bebida foi um dos fatores determinantes para esse movimento. As vendas recuaram 15,7% em comparação com 2019. Em 2025, foram comercializados cerca de 7,8 bilhões de litros de cerveja no país, abaixo dos 8,3 bilhões de litros de 2024 e dos 9,6 bilhões de litros de 2016. Na Alemanha, o estado da Baviera continua liderando, com 588 cervejarias, seguido por Baden-Württemberg (190) e Renânia do Norte-Vestfália (131). Com exceção de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt, os demais estados federais registraram queda no número de estabelecimentos que produzem a bebida. Na Baviera, por exemplo, 60 cervejarias fecharam entre 2019 e 2025. Na Renânia do Norte-Vestfália, foram 31. Na Alemanha, país mundialmente conhecido pela cultura da cerveja, o consumo da bebida vem caindo drasticamente Robert B. Fishman/picture alliance De acordo com a pesquisa, pouco mais da metade das cervejarias alemãs (821) é de pequeno porte, com produção de até 100 mil litros por ano. Em contrapartida, há poucos estabelecimentos de grande porte. Em 2025, apenas oito produziram pelo menos 200 milhões de litros de cerveja. Segundo o Destatis, o número de cervejarias também vem diminuindo em quase todas as faixas de produção. Além disso, uma pesquisa anterior indicou que cerca de um terço dos entrevistados afirmou ter abandonado completamente a cerveja com álcool. Por outro lado, um levantamento do instituto YouGov mostrou que as variedades sem álcool estão se tornando mais populares. Entre os motivos estão a preocupação com a saúde e o menor consumo de álcool entre os mais jovens. Mudanças estruturais O setor cervejeiro enfrenta há anos mudanças nos hábitos de consumo e custos crescentes, principalmente com energia. Segundo o presidente da Veltins, Volker Kuhl, as cervejarias passam por uma "crise estrutural manifesta". O executivo de uma das maiores cervejarias alemãs prevê que a onda de fechamentos continue. "Os fechamentos de fábricas vão se multiplicar, pois a produção de cerveja está perdendo a viabilidade econômica em muitas instalações que, do ponto de vista técnico, já estão ultrapassadas há muito tempo", disse ele à agência dpa. 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Seven Hands Para o setor, a cerveja sem álcool é hoje uma das principais apostas. De acordo com a Associação das Cervejarias da Alemanha (Deutsche Brauer-Bund), a variedade já representa 11% do consumo total da bebida no país. Os 750 milhões de litros registrados no ano passado representaram um recorde e um crescimento de 7,6%. Esses números não são contabilizados nas estatísticas fiscais oficiais. "As cervejas sem álcool há muito deixaram de ser um produto de nicho para se tornarem um importante motor de crescimento do nosso setor", comemorou Christian Weber, presidente da Brauerbund.

Serviço de moto por aplicativo oferecido pela empresa Uber em São Paulo e várias outras cidades do Brasil. Bruno Peres/Agência Brasil Na próxima vez que você chamar um Uber ou pedir comida por aplicativo, há uma boa chance de que o trabalhador responsável pela corrida ou entrega receba algum benefício do governo. Em 2025, empresas como DoorDash, Lyft e Uber estavam entre os principais empregadores dos Estados Unidos com maior número de trabalhadores beneficiários do Supplemental Nutrition Assistance Program (SNAP), programa de assistência alimentar do país. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O dado consta de um novo relatório do Government Accountability Office (GAO), órgão de fiscalização do governo americano. O cenário representa uma mudança significativa em relação a 2020, quando um levantamento anterior do GAO apontava Walmart e McDonald’s nas primeiras posições entre os empregadores com maior número de trabalhadores atendidos pelo SNAP. Agora no g1 O dado pode surpreender muitos americanos, que costumam enxergar o trabalho por aplicativos como um “bico” para complementar a renda. Na prática, porém, essas atividades têm se tornado cada vez mais importantes como fonte de sustento, embora nem sempre sejam suficientes para cobrir despesas básicas, como alimentação e cuidados médicos. Como pesquisador de política urbana, considero esse resultado parte de um cenário mais amplo identificado em uma pesquisa com mais de 1 mil moradores de Michigan, realizada pelo meu instituto em parceria com o Michigan Metro Area Communities Study. Cerca de 22% dos entrevistados afirmaram já ter realizado algum tipo de trabalho por aplicativos ou plataformas. Entre eles, aproximadamente metade disse que essa atividade era essencial ou importante para atender às necessidades básicas. Ao mesmo tempo, programas de proteção social — financiados pelos contribuintes — acabam preenchendo parte da lacuna deixada pelas plataformas, que recorrem a trabalhadores de baixa renda sem oferecer benefícios tradicionalmente associados ao emprego formal. Flexibilidade como uma faca de dois gumes Grandes plataformas, como Uber e Lyft, costumam apresentar esse tipo de trabalho como uma oportunidade de obter renda com liberdade para definir os próprios horários. Nesse aspecto, a percepção dos trabalhadores coincide com o discurso das empresas. Na pesquisa, nove em cada 10 disseram valorizar a flexibilidade, enquanto mais de dois terços avaliaram suas experiências de forma positiva. Apesar disso, os profissionais também apontaram preocupações importantes, principalmente relacionadas à transparência, à remuneração e à falta de benefícios. A questão, portanto, não é se os trabalhadores querem flexibilidade, mas se a renda obtida dessa forma é suficiente para que consigam se sustentar. O trabalho por aplicativos pode funcionar como complemento de renda, mas nem sempre é uma escolha. Em um cenário em que quase metade dos americanos afirma ter dificuldades para fechar as contas, essas atividades tendem a ganhar importância como estratégia de sobrevivência financeira. Isso não significa, porém, que essas atividades estejam substituindo os empregos tradicionais. A pesquisa mostrou que apenas 6% dos trabalhadores reduziram a jornada ou deixaram outro emprego para se dedicar ao trabalho por aplicativos. Quando esse trabalho se torna uma fonte necessária de renda, a ausência de benefícios — como seguro-saúde, cobertura por incapacidade e proteção em caso de acidentes de trabalho — aumenta a dependência desses profissionais de programas públicos. Se as grandes plataformas não oferecem remuneração suficiente para garantir condições adequadas de vida ou benefícios, sob o argumento de que esse é o preço da “flexibilidade”, o governo muitas vezes acaba preenchendo essa lacuna. Em outras palavras, parte dos custos relacionados à proteção social desses trabalhadores acaba sendo financiada pelos contribuintes. Cresce o número de trabalhadores inscritos no Medicaid O relatório do Government Accountability Office também mostrou que, juntas, as plataformas ocupam agora a terceira posição entre os empregadores dos EUA com maior número de trabalhadores inscritos no Medicaid, programa público de saúde voltado principalmente à população de baixa renda e às pessoas com deficiência. Em 2020, essas empresas não apareciam sequer entre as cinco primeiras. Além disso, mudanças recentes nas regras do Medicaid podem tornar a situação ainda mais difícil para esses profissionais. O amplo pacote tributário e migratório aprovado em 2025, durante o governo do presidente Donald Trump, incluiu alterações que afetam estados que expandiram o Medicaid ao longo dos últimos 15 anos. Pelas novas regras, beneficiários passam a enfrentar exigências mais rígidas, incluindo a comprovação de 80 horas mensais de trabalho ou estudo para manter a cobertura. As atividades realizadas por meio de aplicativos contam para cumprir essa exigência. No entanto, profissionais que trabalham em várias plataformas podem enfrentar dificuldades para comprovar a jornada. Isso ocorre porque os aplicativos utilizam formatos diferentes para registrar a jornada, e esses profissionais não recebem um comprovante de pagamento padronizado que informe o total de horas trabalhadas. Também não há um empregador tradicional ou supervisor que possa facilitar essa comprovação. Além disso, os registros nem sempre consideram o período em que o trabalhador fica aguardando uma corrida ou entrega. As oscilações na demanda também tornam a jornada e a renda imprevisíveis. A complexidade e a burocracia das novas exigências podem fazer com que beneficiários percam a cobertura mesmo quando cumprem as 80 horas mensais. Essas barreiras podem retirar mais pessoas do Medicaid e aumentar a dependência de outros programas sociais, especialmente diante do aumento das despesas médicas e do comprometimento da renda familiar. A perda da cobertura também pode ter consequências mais graves. Sem acesso ao seguro-saúde, algumas pessoas podem deixar de procurar atendimento básico ou preventivo, aumentando o risco de problemas que posteriormente exijam hospitalização. Benefícios portáteis podem ser uma alternativa? Em alguns estados, legisladores começam a discutir formas de reduzir a dependência de programas públicos por parte dos trabalhadores de plataformas. Uma das alternativas são os chamados “benefícios portáteis”. Nesse modelo, empresas ou usuários dos aplicativos contribuem para fundos destinados aos trabalhadores. Os benefícios acompanham o profissional mesmo quando ele presta serviços para diferentes plataformas. Na pesquisa, 61% dos trabalhadores de aplicativos disseram apoiar a proposta. A ideia também recebeu o apoio de mais da metade dos profissionais que atuam em outras modalidades de trabalho. Dois estados americanos oferecem exemplos de como esses modelos podem funcionar. No estado de Nova York, o Black Car Fund, criado inicialmente para motoristas de táxi e limusines, passou a atender também motoristas de aplicativos em 2014. Trata-se de um fundo de benefícios sem fins lucrativos, autorizado pelo estado e administrado por um conselho formado por representantes do setor, incluindo motoristas. A adesão é automática para os profissionais abrangidos pelo programa, e os benefícios são financiados por uma tarifa adicional cobrada dos passageiros nas corridas. O modelo ganhou destaque em 2023, quando o estado fechou um acordo de US$ 328 milhões após Uber e Lyft terem retido pagamentos e benefícios de trabalhadores. O acordo também estabeleceu licença médica remunerada obrigatória, remuneração mínima e outros direitos. Com esse sistema, parte dos custos relacionados ao trabalho de baixa remuneração deixa de ser bancada pelos contribuintes e passa a ser financiada pelos usuários dos serviços. A existência de um fundo centralizado também amplia o poder de negociação e permite oferecer aos motoristas proteção em caso de acidentes de trabalho, além de diferentes opções de cobertura médica, odontológica e por incapacidade. Atualmente, as plataformas não contribuem diretamente para o fundo. Caso passassem a fazer isso, os benefícios poderiam ser ampliados. Califórnia adotou um modelo diferente A Califórnia seguiu outro caminho e mostra como o desenho das políticas públicas pode influenciar o acesso aos benefícios. O estado optou por trabalhar com empresas de tecnologia na elaboração da Proposition 22, medida que buscou oferecer benefícios limitados a motoristas e entregadores de aplicativos sem alterar sua classificação como trabalhadores autônomos. A proposta, aprovada em 2020, deixou a implementação a cargo das próprias plataformas e estabeleceu um conjunto mais restrito de benefícios, que não acompanham integralmente os profissionais quando eles trabalham para diferentes aplicativos. O modelo também impõe mais barreiras para o acesso a essas proteções. As empresas, por exemplo, consideram apenas as chamadas “horas engajadas” para calcular o tempo mínimo necessário para que o profissional tenha direito aos benefícios. Na prática, entram nessa conta somente os períodos em que o trabalhador está realizando uma corrida ou entrega, deixando de fora o tempo de espera por uma nova solicitação. Como o sistema não é totalmente integrado entre as plataformas, quem atua em diferentes aplicativos também pode ter mais dificuldade para cumprir os requisitos. Um estudo constatou que apenas 10% dos motoristas da Califórnia recebem o auxílio para despesas de saúde criado pela legislação. O papel das próprias plataformas na definição de quem pode receber os benefícios tornou-se alvo de críticas. Sindicatos e organizações de defesa dos direitos trabalhistas relatam problemas frequentes relacionados ao acesso e aos critérios de elegibilidade. Em Nova York, por outro lado, uma entidade independente é responsável por determinar quem tem direito aos benefícios e administrar os pagamentos. Embora os dois estados tenham adotado caminhos diferentes, as experiências mostram que flexibilidade e proteção ao trabalhador não precisam ser tratadas como objetivos incompatíveis. Na ausência de benefícios federais universais para trabalhadores de aplicativos, governos estaduais e locais podem buscar alternativas para evitar que os custos sociais desse modelo sejam transferidos para os contribuintes, por meio dos impostos, ou para os próprios profissionais, na forma de maior insegurança financeira. Como se identifica o adoecimento mental no trabalho

Projeto de lei quer obrigar postos a detalhar preço dos combustíveis na nota fiscal, inclusive Lucro Marcelo Camargo/Agência Brasil Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados quer obrigar postos de combustíveis a informar na nota fiscal como é formado o preço pago pelo consumidor, incluindo a margem de lucro na distribuição e na venda dos combustíveis. A proposta, de autoria do deputado licenciado Guilherme Boulos (PSOL-SP), prevê um detalhamento maior dos componentes que formam o preço final da gasolina, do etanol, do diesel e do gás de cozinha. O PL 4788/2025 teve um requerimento de urgência aprovado pelo Plenário em abril de 2026 e, por isso, pode ser analisado diretamente pelos deputados. 🔎 Na tramitação, o texto passou pela Comissão de Defesa do Consumidor e está também na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado. Governo aumenta etanol na gasolina para 32%; veja quais carros serão afetados Pelo texto, a nota fiscal ou documento equivalente deverá apresentar os valores nominais e percentuais de cada componente do preço. A medida altera a Lei 12.741/2012, que já determina a informação sobre a carga tributária nos documentos fiscais, e passaria a exigir um detalhamento específico para combustíveis e gás liquefeito de petróleo (GLP). Entre os itens que teriam de aparecer no documento estão: O valor recebido pelo produtor ou importador; O custo do biocombustível incorporado ao combustível, como o etanol anidro na gasolina ou o biodiesel, quando houver; Os tributos federais, que incluem CIDE, PIS/Pasep e Cofins, além do ICMS estadual; A margem bruta de comercialização, que reuniria os custos e as margens de lucro das empresas de distribuição e revenda. As informações teriam de ser apresentadas de forma clara e em local de fácil visualização no documento entregue ao consumidor. O projeto também prevê que produtores, importadores e distribuidores informem, nos documentos fiscais de suas próprias operações, os dados referentes às etapas pelas quais são responsáveis. A intenção é permitir que o consumidor acompanhe a formação do preço ao longo da cadeia. Na justificativa, Boulos afirma que a legislação atual avançou ao exigir a indicação dos tributos, mas que o consumidor ainda não consegue visualizar como o preço final é formado. Divulgação de lucro Advogados ouvidos pelo g1 concordam que o consumidor pode ter acesso a mais informações. Eles, porém, fazem ressalvas principalmente à divulgação das margens de lucro das empresas. Para os especialistas, o projeto pode ampliar a transparência, mas precisa estabelecer limites para evitar a exposição de informações comerciais e a criação de obrigações difíceis de cumprir. Para Bruno Boris, sócio-fundador do Bruno Boris Advogados, a proposta amplia uma obrigação que já existe. A legislação atual determina que o consumidor receba informações sobre os tributos e outros dados relacionados ao preço. O problema começa, na avaliação do advogado, quando o projeto passa a exigir a divulgação da margem de lucro das empresas. Segundo Boris, a divulgação detalhada desses dados pode gerar problemas de concorrência, já que uma empresa poderia usar informações sobre os custos de outra para ajustar sua estratégia comercial. Por isso, ele afirma que, mesmo se aprovado, o projeto pode ser questionado do ponto de vista jurídico e constitucional. Lorena Bentes, advogada do departamento cível e empresarial do Fonseca Brasil Serrão Advogados, considera que o consumidor já tem direito a informações claras sobre o produto, o preço e os impostos. O que não existe atualmente é uma obrigação geral para que uma empresa revele quanto gastou, quanto custa sua operação ou quanto ganha em cada venda. “Transparência de preço não é necessariamente transparência da contabilidade interna da empresa”, diz a advogada. Na avaliação de Lorena, há justificativa para que os combustíveis tenham uma regra diferente de outros produtos. Ela destaca que se trata de um mercado regulado, com produtos essenciais e de forte impacto na economia. Por isso, segundo a advogada, o fato de outros setores não precisarem divulgar suas margens não é suficiente para impedir a criação de uma regra específica para combustíveis. A principal ressalva de Lorena está na quantidade de informações que seria divulgada. Para ela, o debate mais importante é saber se é necessário mostrar a margem de cada empresa ou se dados médios e informações consolidadas seriam suficientes. A advogada também chama atenção para o risco de informações individuais afetarem a concorrência. Assim, sua avaliação é favorável à transparência, mas com limites. Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli, Porto & Andreghetto Advogados, também entende que o projeto pode criar uma regra específica para os combustíveis. Ela ressalta que o consumidor hoje não pode exigir a abertura completa dos custos e do lucro de uma empresa. Para Daniela, o projeto faz sentido porque os combustíveis têm características próprias e seus preços afetam outros setores da economia. Ela, porém, aponta dificuldades práticas. Um posto, por exemplo, pode não ter acesso a todos os dados sobre custos e margens das etapas anteriores da cadeia. A advogada defende que, caso a proposta avance, os dados sejam padronizados e verificáveis, deixando claro quem fornece cada informação e quem será responsável por eventuais erros. "A diferença entre o preço de compra e o de venda não representa necessariamente lucro, já que desse valor ainda saem despesas como salários, aluguel, energia, transporte e manutenção", diz a especialista. A reportagem do g1 entrou em contato com a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), mas não houve retorno. Segundo Rodrigo Zingales, diretor executivo da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbraLivre), a entidade já defendia uma medida semelhante em 2021, quando houve a discussão sobre a divulgação dos custos dos combustíveis. Na época, a AbraLivreve argumentava que, além dos custos, o consumidor deveria ter acesso ao preço pago pelo posto à distribuidora. Para Zingales, essa informação é importante porque permite acompanhar melhor a formação do preço ao longo da cadeia. Segundo ele, o projeto de lei em discussão na Câmara pode corrigir justamente essa lacuna. Ele também avalia que a medida pode ajudar na fiscalização de eventuais aumentos considerados abusivos e permitir que postos e consumidores identifiquem diferenças de preços entre distribuidoras e revendedores. "Com esta transparência, será mais fácil os órgãos fiscalizadores descobrirem quem realmente abusa de aumento de preços", diz Zingales. Na avaliação do diretor da AbriLivre, a divulgação do preço de compra também permitiria comparar com mais clareza os valores praticados pelas distribuidoras e pelos postos, aumentando a transparência nas relações comerciais entre os dois segmentos. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM

Dia dos Pais: expectativa de vendas é 10% maior, em comparação com o ano passado A celebração do Dia dos Pais deve movimentar cerca de R$ 8,52 bilhões no comércio brasileiro em 2026, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa uma alta real de 2,9% em relação a 2025, já descontada a inflação, e mantém a data como a quarta mais importante do calendário do varejo em volume de vendas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A expectativa de maior movimentação também aparece nas pesquisas de intenção de compra. Levantamento realizado pela DM, empresa especializada em serviços financeiros e concessão de crédito, aponta que 75,7% dos consumidores pretendem comprar presentes para a data e que 47,2% planejam gastar mais do que no ano passado. Entre os entrevistados que afirmaram que vão presentear, 34,8% pretendem gastar mais de R$ 500. O cartão de crédito parcelado aparece como a principal forma de pagamento, escolhida por 59,3% dos consumidores, enquanto 24,3% devem pagar no crédito à vista. O PIX aparece em terceiro lugar, com 6,8% das respostas. Dia dos Pais em Atibaia Divulgação Apesar da preferência pelo crédito, a maior parte dos consumidores deve evitar parcelamentos longos: 64,5% afirmam que dividirão as compras em até quatro vezes. “O parcelamento é, para grande parte dos brasileiros, uma estratégia de gestão financeira, que garante as compras sem comprometer demais o orçamento. E os parcelamentos mais curtos indicam um cuidado dos consumidores em manter o equilíbrio financeiro”, afirma Victor Hugo Soares, gerente nacional comercial da DM. A situação financeira é um dos principais fatores que influenciam a decisão de compra. Segundo a pesquisa, 26,7% dos consumidores apontam o próprio orçamento como o aspecto mais importante na escolha do presente. As promoções aparecem como decisivas para 21,6% dos entrevistados. A pesquisa da DM ouviu 2.500 clientes da empresa em todas as regiões do Brasil para avaliar a intenção de compra e o comportamento de consumo no Dia dos Pais de 2026. Churrasco e refeições em família impulsionam supermercados Além dos presentes, a data também deve movimentar o consumo de alimentos e as refeições fora de casa. Entre os consumidores que pretendem comprar presentes, 79% afirmam que também farão compras em supermercados para celebrar a ocasião com a família. Para Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Dia dos Pais movimenta diferentes setores da economia, como lojas de roupas e calçados, perfumarias, comércio eletrônico, restaurantes e supermercados. Segundo ele, o desempenho deve ser positivo, mas sem uma explosão do consumo, principalmente por causa dos juros e do endividamento das famílias. “Os juros e o endividamento devem limitar os presentes mais caros”, afirma Tonegutti, diretor da Mix Fiscal, empresa de inteligência tributária para o varejo. Especialistas recomendam planejamento para evitar dívidas Apesar da movimentação esperada no comércio, especialistas alertam para os cuidados com o orçamento. Segundo Tonegutti, o consumidor deve definir um limite de gastos antes de escolher o presente e observar o valor total da compra, não apenas o tamanho da parcela. “No ano passado, 35% dos consumidores que pretendiam presentear já tinham contas atrasadas. E 13% poderiam deixar uma conta sem pagar para comprar o presente”, afirma. Para o especialista, parcelar uma compra pode ser uma alternativa, desde que o consumidor considere o impacto das prestações no orçamento dos meses seguintes. “Parcelar o presente pode fazer sentido. Parcelar carne, carvão e sobremesa transforma o churrasco de domingo numa lembrança que aparece na fatura até o Natal”, diz. No caso dos supermercados e restaurantes, a estratégia para aumentar as vendas passa por facilitar a decisão do consumidor. Tonegutti afirma que a criação de kits e combinações de produtos pode ajudar o cliente a organizar toda a comemoração em um único lugar, reunindo itens como carnes, acompanhamentos, bebidas, sobremesas e presentes.

Discord: AGU discute medidas após Janja defender bloqueio A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu nesta sexta-feira (7) um processo de fiscalização contra o Discord para apurar possíveis falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes. A investigação reúne informações sobre um episódio de automutilação e suicídio de uma adolescente de 13 anos e busca verificar se a empresa cumpriu as obrigações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, em vigor desde março de 2026. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entre os pontos investigados estão possíveis falhas na prevenção e no combate à exposição de menores a conteúdos que incentivem ou facilitem a automutilação e o suicídio. A ANPD também apura se o Discord possui mecanismos eficazes para verificar a idade dos usuários e se cumpriu as regras para retirar conteúdos considerados ilegais e comunicar casos graves às autoridades. Após reunião com AGU, Discord deve apresentar, até a próxima segunda, plano para ampliar proteção na plataforma Procurado, o Discord não respondeu ao pedido de posicionamento até a conclusão desta reportagem. Segundo a ANPD, o processo vai apurar: possíveis falhas na adoção de medidas exigidas pela lei para prevenir e reduzir o risco de menores de 18 anos serem expostos a conteúdos ou contatos que incentivem, estimulem ou facilitem a automutilação e o suicídio; a ausência de mecanismos considerados eficazes para verificar a idade dos usuários; possíveis falhas na retirada de conteúdos que violem as regras de proteção de crianças e adolescentes; possíveis falhas na comunicação de casos às autoridades responsáveis pela investigação. O Discord terá cinco dias úteis para apresentar à ANPD informações sobre os mecanismos existentes na plataforma para prevenir e combater violações graves contra crianças e adolescentes. Menina é induzida a se automutilar durante transmissão ao vivo no Discord Reprodução/TV Globo Caso a agência constate irregularidades, poderá determinar mudanças nas práticas da empresa e aplicar as punições previstas no ECA Digital. Entre elas está multa de até R$ 50 milhões por infração. A atuação da ANPD ocorre de forma complementar à de outros órgãos públicos. A Polícia Civil e o Ciberlab, laboratório da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) voltado à investigação de crimes cibernéticos, também apuram o caso que envolve o Discord. Morte de adolescente A investigação começou após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí, em Mato Grosso do Sul, no dia 22 de julho. Segundo a Polícia Civil e o Ministério da Justiça, a adolescente teria sido coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, que durou cerca de 45 minutos. Adolescentes suspeitos de induzir suicídio de menina foram apreendidos com itens neonazistas e conteúdos de abuso infantil, revela polícia Durante o cumprimento de mandados da operação, que teve como alvo seis integrantes do grupo investigado em diferentes estados, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e o Ministério da Justiça afirmam ter encontrado materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil. Segundo as investigações, o grupo utilizava o Discord e o Telegram para atrair vítimas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos. As vítimas identificadas na apuração eram meninas. Por que o Discord tem sido terreno fértil na internet para crimes de extremismo Getty Images Discord terá de apresentar plano à AGU Além da fiscalização da ANPD, representantes do Discord se reuniram nesta sexta-feira com integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir medidas de adequação da plataforma às normas brasileiras. A empresa se comprometeu a apresentar, até a próxima segunda-feira (10), um plano com medidas para ampliar a proteção dentro da plataforma, especialmente de mulheres, crianças, adolescentes e animais. Na reunião, os representantes do Discord também assumiram obrigações relacionadas ao chamado dever de cuidado, que exige das plataformas a adoção de medidas para reduzir riscos e proteger seus usuários. A empresa deverá apresentar uma versão mais detalhada de como pretende cumprir as medidas discutidas com a AGU. Segundo apuração da GloboNews, integrantes da Advocacia-Geral da União consideraram a reunião desta sexta-feira produtiva.

Agora no g1 O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7), por ampla maioria, um projeto que pode abrir uma nova frente de tarifas comerciais para o Brasil. A proposta endurece as sanções contra a Rússia e autoriza o presidente Donald Trump a taxar países que continuam comprando petróleo e derivados russos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O texto autoriza tarifas de até 500% sobre importações provenientes da Rússia, incluindo petróleo e gás, e também permite a aplicação de tarifas de até 100% sobre produtos de países considerados grandes compradores de combustíveis russos. Embora o Brasil não seja citado nominalmente na proposta, o projeto coloca o país em alerta por ser um dos principais compradores de diesel russo desde o início da guerra na Ucrânia. Hoje, a Rússia responde por cerca de 60% das importações brasileiras de diesel. O projeto segue agora para a Câmara dos Representantes. Como o Congresso dos EUA está em recesso de verão, a expectativa é que a análise ocorra apenas a partir de setembro. O que prevê o projeto Além das tarifas, o texto amplia as sanções contra autoridades russas, oligarcas, instituições financeiras e a chamada "frota fantasma", usada para contornar as restrições às exportações de petróleo da Rússia. Caso a proposta seja transformada em lei, o próprio presidente russo, Vladimir Putin, poderá ser alvo das sanções, ao lado de outras autoridades do governo russo. Os defensores da medida afirmam que reduzir as receitas obtidas pela Rússia com petróleo e gás é uma forma de enfraquecer a capacidade de Moscou de financiar a guerra na Ucrânia. "Esta lei nos aproxima do fim do conflito", afirmou o senador republicano Jim Risch, presidente da Comissão de Relações Exteriores. A senadora democrata Jeanne Shaheen afirmou que o projeto "atinge com muita força os setores energético e financeiro da Rússia". O texto recebeu o nome do senador Lindsey Graham, que morreu em 11 de julho após dedicar mais de um ano à articulação da proposta. Pouco antes de morrer, ele anunciou ter chegado a um acordo com a Casa Branca sobre uma versão revisada do projeto. A Embaixada da Rússia nos EUA criticou a iniciativa e afirmou que ela "prejudica a atual administração americana". A votação ocorre em meio ao aumento da pressão internacional sobre Moscou. No mês passado, a União Europeia aprovou uma nova rodada de sanções contra a Rússia, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou a aprovação do projeto pelo Senado americano. "Juntos, vamos eliminar as fontes de financiamento da Rússia para que ela não possa continuar uma guerra que não pode vencer", escreveu a dirigente europeia no X. *Com informações da Agence France-Presse Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio Jornal Nacional/ Reprodução

Crise em Ceuta completa uma semana ainda sem respostas A União Europeia pediu nesta sexta-feira (7) que as plataformas Meta Platforms e TikTok intensifiquem o monitoramento de conteúdos e fortaleçam a checagem de fatos após o aumento do fluxo de migrantes em Ceuta, território espanhol no norte da África, na semana passada. A comissária europeia para soberania tecnológica, segurança e democracia, Henna Virkkunen, afirmou que a Comissão Europeia conversou com as duas empresas e pediu medidas mais rigorosas para conter a disseminação de informações falsas em períodos de crise. Mais de 70 mil pessoas cruzaram do Marrocos para a cidade espanhola de Ceuta, provocando uma crise humanitária e alterando a diplomacia regional Getty Images "O monitoramento deve ser intensificado, e a cooperação com verificadores de fatos, fortalecida", disse Virkkunen. Segundo ela, as plataformas precisam "agir de forma decisiva para preservar a integridade do espaço digital, especialmente durante situações de crise". Qual a origem da aliança entre EUA e Marrocos — e qual o papel dela na crise migratória de Ceuta Meta é condenada a pagar R$ 2,9 bilhões para estado dos EUA por caso envolvendo menores nas redes O pedido ocorre após o aumento da chegada de migrantes a Ceuta, cidade autônoma espanhola localizada na costa norte da África, próxima ao Marrocos. A UE tem ampliado a pressão sobre as grandes plataformas digitais para que cumpram regras de combate à desinformação previstas na legislação europeia.

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag Jornal Nacional/ Reprodução A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reclamou nesta sexta-feira (7) de uma suposta "politização" do acordo entre União e DF para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB). Celina não citou nominalmente quem estaria "politizando" o tema, mas deu a declaração ao ser questionada sobre as falas do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Na quinta (6), Durigan negou que haja "inércia" federal sobre o tema – e disse que as pendências em torno do empréstimo são de responsabilidade do governo do Distrito Federal. "A gente tem muita responsabilidade com o BRB. Politizar esse tema é um erro. Acho que por parte de qualquer ministro que venha a politizar esse tema é um erro. Nós temos aposentadoria de servidores públicos que estão lá dentro. São vários fatores, a gente precisava de ter maturidade política para falar sobre isso", afirmou Celina. Ainda de acordo com Celina Leão, toda a "parte do Distrito Federal" no acordo foi cumprida. "O prazo é algo importante para nós, no mercado financeiro e tal. Não pode ser quando as pessoas quiserem, na forma que quiserem", emendou Celina. Incomodado com a demora na liberação do empréstimo, o governo do Distrito Federal voltou a acionar o STF nesta semana e pediu uma nova audiência de conciliação com bancos e governo federal. União nega 'inércia' Relator do acordo, o ministro Luiz Fux marcou o compromisso para a próxima semana – o que irritou membros do governo federal. A insatisfação foi citada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. "[A acusação de inércia] Gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo. Parece bastante estranho quando a gente lembra que o problema do BRB tem origem crimonosa no BRB e no governo do DF", disse Durigan nesta quinta. O ministro afirmou que as equipes envolvidas nas tratativas ficaram "profundamente incomodadas", e que as informações pendentes para a conclusão do acordo devem ser prestadas pelo próprio governo do DF. "E eu aqui gostaria de rechaçar: não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF. Estarei na audiência pública para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes. Essa insatisfação atrapalha o andamento", emendou. DF criticou União e FGC em ofício No ofício enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal reclama da "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado em maio. "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais", diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo. Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco ➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master. ➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Plano ainda não deu frutos Como mostrou o g1, o prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao Banco Central em fevereiro terminou nesta quarta – mas as medidas de maior impacto ainda não foram implementadas. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Orientador fala sobre informações que tornam um currículo mais atrativo Stacey Duguid diz acreditar que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA estão colocando as mulheres de meia-idade em desvantagem Reprodução/BBC Brasil O medo de se tornar dispensável devido aos avanços da inteligência artificial é compartilhado por milhões de trabalhadores, mas será que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA representam uma ameaça específica para mulheres que tentam retornar ao mercado de trabalho? Após uma carreira de décadas, com cargos corporativos de alto nível no setor de moda e um período como freelancer, Stacey Duguid, de 52 anos, decidiu buscar "um último emprego". O que se seguiu foram 16 meses enviando "uma infinidade" de currículos, recebendo pouco mais do que algumas respostas automatizadas, apesar de nunca ter tido dificuldade para encontrar trabalho anteriormente. Sentindo-se "solitária e envergonhada" e questionando se o problema estava nela mesma, ela publicou uma mensagem nas redes sociais perguntando se outras mulheres da sua idade estavam passando pela mesma experiência. A resposta foi avassaladora: milhares de mulheres relataram enfrentar dificuldades semelhantes. Stacey, que mora no norte de Londres, diz acreditar que as ferramentas de recrutamento impulsionadas por IA podem estar contribuindo para o problema e decidiu fazer uma espécie de "Botox" em seu currículo, removendo referências à sua idade e tempo de experiência. "A IA é um espelho da sociedade. Ela reflete os nossos preconceitos", disse ela. "Não estou dizendo que essa é uma questão exclusiva das mulheres, pois também recebi mensagens de homens. O meu ponto é sobre o etarismo de gênero." Um baque na confiança Desde então, a BBC conversou com mais de 60 mulheres, com idades entre 40 e 65 anos e de diversos setores, que têm enfrentado dificuldades para encontrar emprego. A maioria possui décadas de experiência em cargos de alto nível e relata ter enviado inúmeros currículos, recebendo apenas rejeições automatizadas ou nenhuma resposta. Assim como Stacey, muitas acreditam que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA têm um papel relevante nessa situação. Koeyli Jaluka diz que, após se candidatar a mais de 400 vagas, sua autoconfiança foi abalada Reprodução/BBC Brasil Koeyli Jaluka, de 49 anos, ocupou cargos de liderança nos setores industrial, corporativo e de saúde. "Nunca estive nessa situação antes. Nos últimos 10 a 12 anos, eu era procurada por recrutadores. Agora, sou eu quem busca vagas e recebo sucessivas rejeições." Após ser dispensada há nove meses, ela se candidatou a 442 vagas, mas obteve retorno em pouquíssimos casos. Ocasionalmente, ouve que é "muito sênior" — o que ela interpreta como um eufemismo para "velha". Apesar de duas décadas de experiência e duas graduações, ela afirma que sua autoconfiança foi abalada. 'Nem para comer me chamavam': entenda o que é a solidão corporativa e como pode afetar sua carreira Ela diz acreditar que orçamentos mais restritos, a triagem por inteligência artificial e critérios de contratação cada vez mais rígidos contribuem para esse cenário. "Muitas de nós recebemos orientações de consultores de carreira para remover os primeiros dez anos de experiência profissional do currículo, apenas para evitar passar a impressão de que trabalhamos há tempo demais." 'Estou recebendo o auxílio-desemprego' Anna Cowie diz que já perdeu a conta de quantos currículos enviou Reprodução/BBC Brasil Anna Cowie, de 52 anos, teve uma carreira de 30 anos na publicidade, mas está desempregada há quase quatro anos. Ela perdeu a conta de quantos currículos enviou, apesar de nunca ter ficado sem emprego anteriormente. Após décadas trabalhando para grandes marcas, ela agora recebe o auxílio-desemprego. Anna passou a atuar como voluntária em festivais comunitários e descobriu que fazer networking com pessoas reais é uma abordagem muito mais promissora. "Você é vista como um ser humano, e não apenas como linhas em um papel." 'Enormes repercussões' Embora em muitos casos seja impossível saber se ferramentas de IA desempenharam algum papel na triagem ou na rejeição de candidatos — visto que os empregadores raramente divulgam detalhes de seus processos de recrutamento —, há um receio generalizado de que essas ferramentas estejam prejudicando mulheres de meia-idade. A força-tarefa Women Pivoting to Digital, de Londres, voltada para mulheres nos setores de serviços financeiros, manifestou preocupação com o uso crescente de IA no recrutamento e seu impacto sobre as mulheres. A presidente do grupo, Caroline Haines, afirmou que a pesquisa realizada pela força-tarefa revelou uma preocupação significativa de que a IA utilizada para triar candidaturas e currículos não reconhece as competências que muitas mulheres experientes podem oferecer. Caroline Haines afirma haver preocupação de que a IA usada no recrutamento não leve em conta as habilidades de muitas mulheres Reprodução/BBC Brasil "Há uma grande preocupação de que a IA, na fase inicial de recrutamento, não leve em conta as habilidades de um vasto contingente de mulheres que poderiam ser muito eficazes e, assim, promover o crescimento econômico", disse ela. Por exemplo, mulheres que se afastaram do trabalho para cuidar dos filhos podem apresentar lacunas em seus currículos que alguns sistemas de triagem baseados em IA poderiam interpretar negativamente. Mais de 2,5 milhões de mulheres não trabalharam para cuidar de parentes ou das tarefas domésticas, diz IBGE Em uma perspectiva mais ampla, o grupo de trabalho estima que a IA e a automação poderão eliminar centenas de milhares de empregos ocupados por mulheres até 2035. Com base em dados do relatório Market and Skills Projections: 2020 to 2035, o grupo estima que, sem investimentos significativos em requalificação, as empresas poderão enfrentar custos de rescisão superiores a £ 750 milhões, o equivalente a cerca de R$ 5,2 bilhões. Em uma pesquisa recente realizada pelo grupo de trabalho sobre o setor digital com mais de mil mulheres, 68% afirmaram não ter recebido de seus empregadores a oportunidade de requalificação ou de transição para funções na área digital. "Em um momento em que o país precisa desesperadamente de crescimento econômico, precisamos aproveitar todos os recursos disponíveis, incluindo o potencial das mulheres que estão em uma fase intermediária de suas carreiras e experiências. Se elas deixarem o mercado de trabalho, as repercussões serão enormes", afirmou Haines. Laura Holden diz acreditar que as ferramentas de recrutamento baseadas em IA têm o potencial de causar 'danos significativos' Reprodução/BBC Brasil Como funciona o recrutamento por IA A BBC apurou que algumas empresas sediadas em Londres deixaram de usar ferramentas de IA por receio de vieses em seus processos de recrutamento. Laura Holden, advogada especializada em IA e fundadora da consultoria jurídica Bonsai AI, afirmou que as empresas muitas vezes não compreendem o funcionamento dessas ferramentas, o que pode causar "danos significativos". Ela argumentou que é difícil identificar a existência de vieses porque "há uma falta de regulamentação global que obrigue os fornecedores a demonstrar como suas ferramentas operam". Ela citou ferramentas de triagem de currículos e entrevistas avaliadas por IA como exemplos de situações em que vieses podem surgir. Uma dessas ferramentas, segundo ela, classifica currículos de A a D, incentivando os recrutadores a priorizar candidatos com melhor pontuação. Outras sinalizam fatores como uma lacuna de sete anos na carreira como um ponto de atenção, o que pode influenciar decisões de forma injusta. Holden observou que os fornecedores se apressam em afirmar que suas ferramentas são seguras e reduzem vieses, ao mesmo tempo em que as desenvolvem e comercializam de maneira a incentivar empregadores a rejeitar um grande número de candidatos com base em pontuações geradas pela IA. Embora as empresas as descrevam como ferramentas de apoio à decisão, ela afirmou que, frequentemente, elas funcionam como "sistemas de tomada de decisão automatizada". Ela defendeu a realização de testes obrigatórios e a implementação de uma regulamentação mais rigorosa antes da adoção de ferramentas de recrutamento baseadas em IA, argumentando que a legislação atual não foi elaborada levando essa tecnologia em consideração. Lógica 'completamente falha' Eleanor Drage, pesquisadora sênior da Universidade de Cambridge, afirmou que as preocupações de que a IA possa prejudicar as mulheres em processos de recrutamento são "muito justificadas". Ela argumentou que recrutadores humanos têm maior capacidade de reconhecer o valor de candidatos que retornam de pausas na carreira — como a licença-maternidade — e as habilidades transferíveis que eles trazem consigo, qualidades que a IA pode deixar passar despercebidas. Embora tenha ressaltado ser "muito difícil" provar que as ferramentas são inerentemente enviesadas, Drage sustentou que a lógica que rege seu funcionamento é "completamente falha", pois elas não conseguem avaliar o valor intrínseco ou a personalidade de uma pessoa da mesma maneira que um recrutador humano faria. Ela acrescentou que muitos recrutadores não compreendem totalmente o funcionamento dessas ferramentas e afirmou que as empresas deveriam utilizar a IA para avaliar suas próprias práticas de contratação, em vez de avaliar "populações vulneráveis, como mulheres mais velhas que estão retornando ao mercado de trabalho ou pessoas que fizeram uma pausa na carreira". Embora Drage reconheça os benefícios do uso dessas ferramentas — incluindo o auxílio aos gerentes de contratação na identificação de candidatos com características semelhantes às de pessoas contratadas anteriormente —, ela afirma que, muitas vezes, elas "não estão do lado de quem busca emprego". 'Rigorosamente testado' As preocupações levantadas pelos entrevistados nesta reportagem referem-se ao uso de ferramentas de recrutamento baseadas em IA de forma mais ampla e não são direcionadas a nenhum fornecedor específico. A Workday, desenvolvedora de um popular software de recursos humanos com tecnologia de IA, enfrenta alegações de que violou a legislação da Califórnia milhares de vezes ao descartar candidatos a vagas em diversas grandes empresas por motivos discriminatórios. O processo segue em andamento, com uma decisão prevista para o final deste ano. A BBC entrou em contato com a Workday, que afirmou serem falsas as alegações do processo, acrescentando que suas ferramentas não tomam decisões de contratação. De modo geral, a Workday ressalta que suas ferramentas de recrutamento ajudam os recrutadores a identificar os candidatos que melhor se adequam à descrição da vaga com base em suas habilidades e experiência, apoiando — e não substituindo — o julgamento humano. A empresa declarou que sua IA foi "rigorosamente testada" por meio de seu programa de responsabilidade e "não leva em consideração características como idade ou gênero". A Workday acrescentou que, quando utilizada de forma responsável, a IA pode ajudar candidatos qualificados a evitar que seus perfis "se percam na multidão" de candidaturas. Ferramentas de recrutamento baseadas em IA muitas vezes 'não estão do lado de quem procura emprego', diz a pesquisadora Eleanor Drage Reprodução/BBC Brasil O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, manifestou preocupações quanto ao uso de IA em processos de contratação, observando que a tecnologia não tornou o recrutamento "mais justo". Um porta-voz do governo declarou: "Embora a IA possa ajudar os empregadores a gerenciar grandes volumes de candidaturas e reduzir a carga administrativa, é fundamental que os processos de recrutamento permaneçam justos, transparentes e acessíveis. As proteções legais existentes, incluindo as leis de igualdade e de proteção de dados, já se aplicam aos sistemas de IA, e agiremos sempre que forem necessárias proteções adicionais." Um porta-voz do prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que a IA apresenta tanto oportunidades quanto desafios, especialmente porque as mulheres têm maior probabilidade de atuar em funções suscetíveis aos impactos da IA. Segundo ele, o prefeito apoiou as recomendações da Força-Tarefa de IA e Empregos de Londres para ajudar os empregadores a adotar a tecnologia de forma responsável e apoiar os trabalhadores durante essa transição. Quanto a Stacey, ela criou um chat e uma plataforma comunitária para ajudar as mulheres a se sentirem menos sozinhas e para ajudar as empresas a lidarem com as questões em pauta. "Quero que nós, como grupo, sejamos ouvidas e vistas. E que o preconceito de gênero relacionado à idade se torne coisa do passado, porque, se tivermos sorte, todas nós envelheceremos."

Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou a tentativa de demitir a diretora do Federal Reserve (Fed) Lisa Cook, depois que a Suprema Corte americana impediu, em junho, que ele a afastasse do cargo, segundo uma carta obtida pela Reuters. A Casa Branca informou Cook, em uma carta enviada nesta semana, que o presidente estava “considerando” removê-la da função e exigiu que ela apresentasse uma resposta, em até três semanas, a acusações ainda não comprovadas de fraude hipotecária — alegações que o advogado da governadora classificou como “sem fundamento”. A nova ofensiva contra Cook é a segunda vez nesta semana que Trump retoma uma medida que havia sido barrada anteriormente pela Suprema Corte. O presidente também publicou uma nova ordem tentando restringir a cidadania americana por direito de nascimento, depois que a Corte rejeitou sua tentativa anterior de limitar quem poderia ser automaticamente considerado cidadão dos EUA. A carta enviada a Cook, assinada pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Dan Scavino, e divulgada inicialmente pela ABC News, afirma que ela teria cometido crimes que poderiam resultar em até 30 anos de prisão. De acordo com a Reuters, o documento também acusa a governadora de negligência, alegando que sua conduta colocaria em dúvida sua confiabilidade para permanecer no cargo no Fed, segundo a ABC. Em nota, o advogado de Cook afirmou que “não existe uma causa válida” para retirar a governadora da instituição. “Assim como fizemos anteriormente, vamos contestar esse novo pretexto e preservar sua posição e o papel histórico do Federal Reserve”, disse o advogado Abbe D. Lowell. O Federal Reserve não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters. A Casa Branca também não se manifestou de imediato. Não é a primeira tentativa No ano passado, Trump já havia citado suposta fraude hipotecária ao tentar demitir Cook, a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira de governadora do Fed. Ela negou as acusações e afirmou que elas eram apenas um pretexto para afastá-la por divergências sobre a condução da política monetária. Em junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos impediu temporariamente a demissão de Cook, mantendo a proteção à independência do banco central diante de um desafio sem precedentes feito pelo presidente republicano. Por uma decisão apertada, de 5 votos a 4, a Corte bloqueou a tentativa de Trump de remover Cook do cargo por enquanto, estabelecendo uma proteção específica para os dirigentes do Fed. Há mais de um século que isso não acontecia Desde a criação do banco central americano, em 1913, nenhum outro presidente havia tentado retirar um governador do Federal Reserve. O presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, responsável pelo voto que orientou a decisão, afirmou que Trump “não garantiu a Cook as proteções processuais previstas em lei”. Segundo ele, sem essas garantias, a governadora não teria condições adequadas de contestar as acusações feitas pelo presidente. Suprema Corte dos EUA proíbe Trump de demitir diretora do Fed Roberts e o também conservador Brett Kavanaugh se juntaram aos três juízes liberais da Corte para formar a maioria. Os conservadores Clarence Thomas, Samuel Alito, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett foram contrários à decisão. Embora a decisão proteja os dirigentes do Fed contra demissões arbitrárias por parte de um presidente, a Suprema Corte afirmou que não estava avaliando a validade das acusações feitas contra Cook. O caso foi devolvido às instâncias inferiores da Justiça. “Permanece, ao menos por enquanto, uma questão em aberto sobre o que exatamente aconteceu e, de fato, se Cook cometeu ‘negligência grave’, muito menos uma ‘conduta enganosa e potencialmente criminosa’, como afirma a carta do presidente”, escreveu Roberts. Ele acrescentou que Cook deve ter a oportunidade de responder às acusações feitas contra ela. *Reportagem em atualização

Logotipo da startup chinesa Moonshot AI ao lado do aplicativo Kimi exibido na tela de um celular, em imagem ilustrativa de 24 de julho de 2026. REUTERS/Florence Lo/Ilustração/Foto de Arquivo/Foto de Arquivo O Kimi K3, principal modelo de inteligência artificial da startup chinesa Moonshot, conseguiu escapar de um ambiente isolado usado para testes de segurança digital, segundo informou nesta quinta-feira (6) a empresa de pesquisa Frontier Security. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Durante esse tipo de teste, os sistemas de IA costumam ser executados em "sandboxes" — ambientes isolados que impedem o acesso a informações externas. O objetivo é avaliar até que ponto esses modelos conseguem resolver problemas por conta própria, sem interferências do mundo real. De acordo com a Frontier Security, empresa americana especializada em segurança cibernética, o Kimi K3 conseguiu contornar uma dessas "sandboxes", passando a acessar informações que deveriam estar bloqueadas durante o teste. Os pesquisadores afirmam que, se um "modelo de alto raciocínio" foi capaz de encontrar esse atalho, outros sistemas com características semelhantes e acesso equivalente também podem fazer o mesmo. Agora no g1 Como o Kimi K3 é disponibilizado publicamente, os pesquisadores alertam que ele pode ser explorado por "atores mal-intencionados", o que tornaria o incidente potencialmente mais grave. A Moonshot não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters. O episódio se soma a uma série de incidentes semelhantes relatados recentemente por empresas como Meta, OpenAI e Anthropic, aumentando as preocupações sobre a segurança de modelos de inteligência artificial cada vez mais sofisticados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Congresso do país quer regulamentar o setor de inteligência artificial (IA) "até acabar com ele". A declaração foi dada em entrevista ao Punchbowl News, publicada na sexta-feira (7). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A fala de Trump ocorre em meio a um debate cada vez mais intenso em Washington sobre qual deve ser o nível de fiscalização de um setor que avança rapidamente e, até agora, opera sem uma legislação federal específica. Nos últimos meses, parlamentares apresentaram diferentes propostas para regular a tecnologia, mas nenhuma delas avançou. Entre elas está um projeto de lei que obrigaria as empresas responsáveis pelos modelos de IA mais avançados a submetê-los a auditorias independentes de segurança antes de sua utilização. Agora no g1 Testes de segurança aumentam pressão por regras A discussão sobre a regulamentação da IA ganhou força nas últimas semanas após a OpenAI e a Anthropic informarem que seus sistemas apresentaram comportamentos inesperados durante testes de segurança. Em um dos casos, um agente de IA da OpenAI realizou um ataque que comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, startup que mantém uma plataforma usada por desenvolvedores para armazenar, compartilhar e desenvolver modelos de inteligência artificial de forma colaborativa. O episódio reforçou preocupações antigas de especialistas de que sistemas de IA cada vez mais avançados possam representar riscos à segurança. Também mostrou que até as empresas que lideram o desenvolvimento dessa tecnologia podem ser surpreendidas por falhas ou comportamentos que seus próprios modelos conseguem explorar. Separadamente, na sexta-feira, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Comércio dos EUA, apresentou uma proposta de diretrizes para avaliar sistemas de IA e abriu uma consulta pública para receber contribuições da sociedade. Responsável por desenvolver padrões técnicos nas áreas de ciência e tecnologia, o NIST afirmou que as diretrizes foram elaboradas para organizações que desejam "avaliar o impacto de seus sistemas de IA". Segundo Ike Harris, diretor-executivo do Frontier Security Institute — organização sem fins lucrativos sediada em Washington e voltada para inteligência artificial e segurança nacional —, as diretrizes representam "o primeiro passo para padronizar a maneira como o governo federal avalia sistemas de IA, tanto para uso próprio quanto para seus contratados".

Carros da Leapmotor desembarcam no porto Divulgação / Leapmotor A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea. Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O avanço das importações acontece em sentido contrário ao desempenho das exportações brasileiras. De janeiro a julho, o país embarcou 255,9 mil autoveículos para outros mercados, contra 323 mil no mesmo período de 2025. A queda nas exportações foi de 20,8%. Em julho, porém, as exportações somaram 39,3 mil unidades, alta de 6,8% em relação a junho. Para a Anfavea, o volume de importações já representa uma parcela relevante em relação à produção das fábricas instaladas no país. "Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos", afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos A Argentina teve papel importante na retração das vendas externas. Os embarques brasileiros para o país, que é o principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo, caíram 35,4% no acumulado do ano. Segundo a Anfavea, com exceção da Colômbia, houve redução dos embarques brasileiros para todos os países da América Latina. Apesar da maior entrada de veículos importados e da queda nas exportações, a produção brasileira cresceu. As fábricas instaladas no país produziram mais de 1,6 milhão de veículos nos primeiros sete meses de 2026, alta de 8,3% sobre as 1,5 milhão de unidades fabricadas no mesmo período de 2025. Em julho, foram produzidas 253,9 mil unidades, crescimento de 3,1% sobre junho e de 5,9% na comparação com julho do ano passado. O desempenho colocou o Brasil entre os países produtores de veículos com maior crescimento no período. No acumulado até julho, a produção brasileira avançou 8,8%, atrás apenas da Índia, que registrou alta de 14,5%. No mesmo levantamento, o Japão teve crescimento de 2,9%, enquanto Estados Unidos e China apresentaram quedas de 11,7% e 4%, respectivamente. "É um resultado expressivo da nossa indústria, apesar das dificuldades nas exportações e da entrada de importados bem acima da média dos anos anteriores", afirmou Calvet. Produção de veículos na fábrica da Stellantis em Goiana (PE) Divulgação/Stellantis Mês recorde de vendas As vendas de veículos novos tiveram em julho o melhor resultado do ano. Foram emplacados 279,5 mil autoveículos no mês, alta de 2,6% em relação a junho e de 14,9% na comparação com julho de 2025. O resultado ocorreu mesmo durante o período de férias escolares. No acumulado de janeiro a julho, os emplacamentos passaram de 1,7 milhão de unidades. O volume representa crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A média diária de vendas, porém, apresentou uma pequena queda. Julho teve 23 dias úteis, contra 21 em junho. Com isso, foram vendidos, em média, 12,2 mil veículos por dia, o menor ritmo dos últimos quatro meses. Mesmo com a redução na média diária, o ritmo de julho ficou acima do registrado no mesmo mês de 2025. Naquele período, foram 10,6 mil unidades vendidas por dia. O resultado mantém a projeção revisada pela Anfavea, de crescimento de 12,1% nas vendas ao longo de 2026. Os veículos eletrificados também tiveram destaque no mês. Elétricos e híbridos responderam por 23,5% de todos os emplacamentos realizados no país em julho, a maior participação registrada até então e acima da previsão. A participação dos eletrificados avançou de forma significativa em um ano. Em julho de 2025, os modelos elétricos e híbridos, somados, representavam menos de 11% das vendas. No acumulado de 2026, o crescimento dos emplacamentos desses veículos chega a 120,8%. Entre os eletrificados, os carros totalmente elétricos registraram em julho o maior volume da série histórica. Foram 25,8 mil unidades emplacadas no mês. O resultado de julho combina, portanto, o maior volume mensal de vendas de veículos no ano com uma participação recorde dos eletrificados. No acumulado até julho, o mercado registra crescimento de 17,9% nos emplacamentos, enquanto os eletrificados avançam 120,8%. Ofensiva chinesa A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028. O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla DFM no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses. O Brasil se tornou o maior importador de carros da China no primeiro semestre de 2026 A Chery International confirmou a chegada da iCAUR ao Brasil e anunciou também os planos para Lepas, Luxeed e Freelander. Segundo o cronograma da empresa, que já opera Omoda e Jaecoo no país, iCAUR e Lepas começarão a ser vendidas em 2027. Hu Peng, CEO da Chery International para o Brasil, apresenta a iCAUR Divulgação / iCAUR No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano. Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla DFM. Segundo Felipe Amaral de Souza, chefe de vendas e expansão de rede, os veículos serão apresentados oficialmente ao público nas próximas semanas. A DFM já tem 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários e pretende estar presente em 21 estados e no Distrito Federal. A IM, divisão de luxo da MG, também deve chegar ao Brasil. A matéria explica que, embora a MG tenha origem britânica, a marca foi adquirida pela chinesa SAIC e atualmente não tem ligação com os modelos que fizeram dela um ícone da indústria automotiva britânica nas décadas passadas. A expansão das marcas chinesas amplia a disputa no mercado brasileiro e coloca novas empresas para concorrer com fabricantes tradicionais. Esse aumento da concorrência já aparece nos preços dos carros novos. Segundo um estudo da Bright Consulting, o preço médio dos veículos zero km teve queda real de 1,5% em 2026, descontada a inflação. O preço médio sugerido pelas montadoras subiu nominalmente 1,4%, para R$ 166,9 mil, enquanto a inflação oficial acumulada no período foi de 3,18%. Segundo analistas, a expansão das montadoras chinesas foi o principal fator por trás da queda dos preços, ao aumentar a competição e forçar fabricantes tradicionais a reduzir suas margens. Apesar da maior oferta e da pressão sobre os preços, o carro zero quilômetro continua distante do bolso de grande parte dos brasileiros. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que renda estagnada e juros elevados do crédito veicular dificultam a compra.

Agora no g1 O governo federal iniciou as articulações para levar o modelo do Concurso Público Nacional Unificado (CNU), conhecido como "Enem dos Concursos", para estados e municípios. 📎 Realizado pela primeira vez em 2024, o CNU reúne vagas de vários órgãos públicos em um único concurso. Em vez de cada órgão fazer sua própria seleção, todos usam a mesma prova, aplicada ao mesmo tempo em centenas de cidades do país. Em documento antecipado com exclusividade ao g1, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) e a organização República.org firmam um compromisso para adaptar e disseminar, em estados e municípios, as inovações desenvolvidas no Concurso Público Nacional Unificado (CNU). A iniciativa não significa que haverá um concurso único para todos os estados nem que governadores e prefeitos serão obrigados a adotar o modelo. (Abaixo, veja o que muda na prática). O objetivo, neste momento, é abrir uma agenda de cooperação para compartilhar experiências, produzir estudos e apoiar governos interessados em avaliar formatos inspirados no CNU. A carta foi assinada durante o 136º Fórum Nacional de Secretários de Estado da Administração, em Teresina (PI). O anúncio da iniciativa será sexta-feira (7). "A gente imagina várias formas [de apoio]. Uma forma é a questão do conteúdo das provas, de pensar a forma de seleção. (...) e tem um lado de fato de compartilhar infraestruturas", afirmou a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Segundo ela, a experiência acumulada pelo governo federal poderá ser compartilhada tanto na elaboração dos certames quanto na logística necessária para sua realização. Milhares de candidatos fazem prova do Concurso Público Nacional Unificado em Fortaleza Isaac Macedo/SVM De acordo com representantes das entidades participantes, a proposta nasceu em um momento em que estados e municípios enfrentam desafios para planejar, financiar e executar concursos públicos, especialmente para cargos ligados à gestão da máquina pública. Samuel Pontes, presidente do Consad, afirma que esse é um problema frequentemente apontado por gestores estaduais em diferentes regiões do país. "É urgente fortalecer o serviço público, a contratação de servidores, mas é muito pesada a máquina que você precisa fazer girar para planejar, contratar a banca, realizar as provas, atrair os servidores, garantir planos de carreira que realmente sejam atrativos para profissionais qualificados." Segundo a ministra, alguns governos já procuraram o Ministério da Gestão demonstrando interesse em conhecer ou até adotar soluções inspiradas no modelo do CNU. Ela citou o Piauí, cujo secretário de Administração e atual presidente do Consad, Samuel Pontes, foi um dos primeiros a defender a ideia, além de municípios como Juiz de Fora e estados como Bahia e Rio de Janeiro. Esther Dweck ressalta, porém, que ainda não há adesões formalizadas e que o objetivo da parceria é justamente estruturar os estudos necessários para eventuais projetos futuros. A avaliação das instituições que assinaram a carta é que parte da experiência acumulada pelo governo federal na implementação do CNU pode ajudar a enfrentar esses desafios, reduzindo desigualdades de capacidade técnica entre diferentes entes federativos e ampliando o acesso a soluções já testadas pela União. Para Isadora Modesto, diretora-executiva da República.org, uma das principais inovações do CNU foi permitir que candidatos de diferentes regiões do país participassem das seleções sem a necessidade de longos deslocamentos para capitais ou grandes centros. "Você conseguir levar a mesma prova não só nos grandes centros tradicionais, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Você conseguir levar a mesma prova de do Oiapoque ao Chuí é uma inovação gigantesca." A carta também destaca outros resultados observados na experiência federal, como a racionalização de custos, a incorporação de tecnologias, o fortalecimento da governança dos processos seletivos e o aumento da eficiência administrativa. A expectativa é que parte dessas experiências possa servir de referência para estados interessados em modernizar seus próprios sistemas de recrutamento e seleção de servidores. Para Dweck, os principais ganhos para governos estaduais e municipais estão relacionados à redução de custos, ao aumento da segurança dos concursos e ao aperfeiçoamento dos processos seletivos. "Eu acho que o primeiro é segurança e redução de custos. Como eu falei, eu acho q ue essas duas coisas são importantes. E o terceiro é a gente pensar junto a forma de seleção." O que muda Para quem pretende prestar concurso público, nada muda imediatamente. O acordo não cria novos concursos, não estabelece regras para estados e municípios e não fixa um cronograma para adoção de modelos inspirados no CNU. Na prática, o que foi criado é uma agenda de cooperação para a realização de estudos, compartilhamento de metodologias e intercâmbio de experiências entre União, estados e entidades parceiras. A partir dessa articulação, governos interessados poderão avaliar se algumas das soluções desenvolvidas no CNU podem ser adaptadas às suas realidades. A própria carta ressalta que qualquer iniciativa futura dependerá de análises técnicas, jurídicas e operacionais e que a decisão final continuará sendo de cada governo estadual. Em outras palavras, a adesão a eventuais projetos inspirados no CNU será voluntária. O que os estados esperam obter com a parceria Para Pontes, a expectativa é que o governo federal compartilhe não apenas o conhecimento acumulado durante a implementação do CNU, mas também parte da infraestrutura e da capacidade operacional desenvolvidas para o projeto. "Não adianta também a união só compartilhar a cartilha, só os documentos. É importante que ela compartilhe a sua infraestrutura pública, que tem um grande valor investido de orçamento público (...) e que isso possa reverter é para os estados também." Ao explicar a proposta, o presidente do Consad comparou a discussão a modelos já existentes em outras áreas da administração pública federal. "O Enem, ele é feito com recursos (...) justamente para não onerar as universidades com a realização de certames tão caros, tão complexos, tão custosos. (...) A gente busca a construção de solução semelhante." Segundo ele, o objetivo é aproveitar estruturas e conhecimentos já desenvolvidos pela União para reduzir custos e facilitar a implementação de iniciativas cooperativas entre os estados. Embora a carta não preveja a criação imediata de concursos estaduais unificados, os estudos previstos pela parceria deverão se concentrar inicialmente em áreas consideradas estratégicas para o funcionamento da máquina pública. Uma das prioridades é discutir formas de fortalecer carreiras ligadas à gestão pública, responsáveis por atividades como planejamento, gestão de pessoas, elaboração de políticas públicas e apoio à administração governamental. É nesse contexto que entram as chamadas carreiras transversais, citadas na carta de compromisso como um dos focos dos estudos que serão desenvolvidos pela parceria. São cargos que podem atuar em diferentes áreas do governo, como saúde, educação, segurança e planejamento, levando competências de gestão para diversas políticas públicas. De acordo com Pontes, caso os estudos avancem, as primeiras discussões sobre modelos cooperativos de recrutamento devem se concentrar justamente em funções da área administrativa. "é onde a gente tem a maior carência de servidores efetivos nos estados." Discussões envolvendo áreas como educação, saúde e segurança pública também poderão ocorrer futuramente, mas ainda dependem dos estudos previstos na parceria e da adesão dos governos interessados. Por que agora A carta cita a proximidade de uma renovação política nos estados como uma das razões para o lançamento da iniciativa. Segundo o documento, novos governadores e novas equipes de gestão assumirão o comando de diversos estados brasileiros em 2027, abrindo espaço para discussões de longo prazo sobre recrutamento de servidores e fortalecimento da gestão pública. Isadora Modesto afirma que a iniciativa também busca dar continuidade ao processo de inovação iniciado com o CNU. "A expectativa das instituições é que os primeiros estudos sejam iniciados ainda neste ano, permitindo que futuras administrações tenham acesso a diagnósticos e propostas já estruturadas.O nosso objetivo real para esse período é plantar essa raiz (...) para que a gente tenha continuidade nesse processo de inovação em processos seletivos para o serviço público." Sobre o 'Enem dos Concursos' O Concurso Público Nacional Unificado surgiu com a proposta de mudar a lógica tradicional dos concursos federais. Antes, cada ministério, autarquia ou órgão público costumava organizar sua própria seleção. Com o novo modelo, diferentes órgãos passaram a concentrar suas vagas em um único certame, compartilhando etapas e estrutura. Isso permitiu ao governo realizar uma seleção de grande porte de forma centralizada. O formato ficou conhecido como "Enem dos Concursos" porque reúne várias oportunidades em uma mesma seleção e leva as provas para centenas de cidades espalhadas pelo país, reduzindo a necessidade de deslocamento dos candidatos para capitais e grandes centros. A primeira edição, realizada em 2024, resultou na nomeação de 8.689 servidores, distribuídos entre 33 órgãos federais e 40 cargos diferentes. Na segunda edição, o modelo foi ampliado. A previsão é de 4.056 nomeações para 41 órgãos públicos e 58 cargos, aumentando o alcance da seleção dentro da administração pública federal. Segundo a ministra Esther Dweck, o CNU já responde por uma parcela significativa das contratações autorizadas pelo governo federal nos últimos anos. "Desde o início de 2023, a gente autorizou já em provimentos mais ou menos 25 mil pessoas. (...) Mais ou menos metade veio do CPNU. Quase 13 mil pessoas desses 25.600 vieram do CPNU." A ministra também afirmou que os números indicam uma recomposição moderada dos quadros federais. Segundo ela, das cerca de 25,6 mil autorizações concedidas, aproximadamente 23,3 mil servidores já ingressaram no serviço público, enquanto cerca de 18,1 mil deixaram a administração federal no mesmo período por aposentadorias e outras saídas, resultando em um ganho líquido de cerca de 5 mil servidores. Dweck afirma que o governo já trabalha para manter o modelo como uma política permanente, mas diz que uma nova edição em 2027 dependerá da disponibilidade orçamentária e da quantidade de vagas autorizadas. "A gente está fechando o orçamento para ver se é possível ter um espaço para novos concursos ano que vem e, tendo uma quantidade de vagas mínima, a gente viabiliza um CPNU 3." A ministra acrescentou que a participação de estados e municípios pode aumentar a viabilidade de futuras edições. "É claro que se tiver a participação de estados e municípios, aí mesmo com menos vagas no nível federal a gente também consegue fazer. Porque vão ter vagas de estados e municípios que justificam então uma prova unificada."
Embrapa lança nova cultivar de braquiária com potencial de aumentar ganho de peso bovino por hectare

Embrapa lançou uma nova cultivar de Brachiaria decumbens, espécie de capim muito utilizada na alimentação do gado no Brasil. Reprodução/Embrapa A Embrapa lançou este ano uma nova cultivar de Brachiaria decumbens, espécie de capim muito utilizada na alimentação do gado no Brasil. Chamada BRS Carinás, ela chega como uma nova opção para a formação de pastagens no país (veja material completo aqui). A Brachiaria decumbens, conhecida popularmente como braquiarinha, se destaca pela resistência e está presente principalmente em propriedades do Centro-Oeste. Durante cerca de 60 anos, os pecuaristas brasileiros tiveram apenas uma cultivar comercial dessa espécie à disposição: a Basilisk. A BRS Carinás foi desenvolvida para oferecer maior produção de forragem e de folhas, permitindo colocar mais animais na mesma área de pastagem e aumentar a produção de carne por hectare. Segundo a Embrapa, com a nova cultivar, foi possível constatar um ganho de peso bovino de 13,3 arrobas por hectare ao ano, contra 11,9 arrobas ao ano em comparação com a Basilisk. A diferença representa um ganho de produtividade de cerca de 12%.

JBS inaugura centro de pesquisa e desenvolvimento no Sapiens Parque A JBS anunciou nesta sexta-feira (7) uma parceria estratégica com o Danantara Investment Management, unidade do fundo soberano da Indonésia, para acelerar sua expansão na Ásia e Oceania. A operação poderá movimentar até US$ 5 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões, na cotação atual), que serão destinados a aquisições e investimentos na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e outros mercados do Sudeste Asiático. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Venda de participação Pelo acordo, o veículo de investimentos da Indonésia comprará 25% de participação nas operações da JBS na Austrália e na Nova Zelândia por US$ 2,5 bilhões. Atualmente, a empresa produz na Austrália carne bovina, suína e ovina, além de pescado e alimentos preparados. Joesley Batista dono da JBS Joesley Batista dono da JBS Recursos para expansão A nova empresa que será formada pela JBS e pelo fundo soberano da Indonésia também pretende levantar até US$ 2,5 bilhões em empréstimos no mercado internacional. Com isso, os recursos para financiar a expansão poderão alcançar US$ 5 bilhões. Segundo a JBS, o dinheiro será destinado ao financiamento de aquisições, projetos greenfield (construídos do zero) e outras oportunidades de crescimento na Indonésia, Austrália, Nova Zelândia e demais mercados do Sudeste Asiático. IPO está nos planos As empresas também acertaram um período de cinco anos de lock-up, durante o qual manterão suas participações na joint venture. Além disso, manifestaram a intenção de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) do veículo criado para a parceria. A conclusão da operação ainda depende das aprovações regulatórias na Austrália e do cumprimento das condições usuais para esse tipo de transação, informou a JBS.

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,46% nesta sexta-feira (7), cotado a R$ 5,0835. O Ibovespa, por sua vez, recuou 1,73%, aos 172.513 pontos. Com isso, o principal índice da bolsa brasileira encerrou semana com queda de 3,08%. O principal destaque da sessão desta sexta foi a divulgação de novos dados de emprego nos Estados Unidos. Com o mercado de trabalho menos aquecido, aumentou a expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central do país, não eleve suas taxas de juros. Esse cenário tende a reduzir a atratividade do dólar e beneficia o real ante a moeda americana. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O payroll, principal relatório de emprego americano, indicou que a economia do país registrou uma perda inesperada de vagas fora do setor agrícola em julho, com o corte de 23 mil postos de trabalho. ▶️ Enquanto isso, o recuo do Ibovespa aconteceu na esteira da forte queda nas ações da Petrobras. Apesar de a petroleira ter anunciado, na quinta-feira, um lucro 98% maior no segundo trimestre, investidores se frustraram com a notícia de que a estatal não deverá distribuir dividendos extras. ▶️ A queda nas ações da Vale e de grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, também pesou negativamente para o Ibovespa. ▶️ As perdas do índice na semana contrastam com o tom mais duro do Banco Central do Brasil (BC), que indicou que deverá manter os juros em patamares elevados por mais tempo, apesar do corte de 0,25 ponto percentual na reunião da última quarta-feira (5). 🔎 Uma taxa Selic ainda elevada mantém a renda fixa atrativa, oferecendo bons retornos com menos risco que a bolsa. ▶️ Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, explica que os juros em patamares elevados também criam “um ambiente mais desafiador para as ações de empresas ligadas ao consumo interno”, o que pesa sobre o Ibovespa. ▶️ Nesta sexta, o conflito no Oriente Médio também seguiu no radar. Apesar das recentes indicações de avanço nas negociações entre EUA e Irã, a possibilidade de o Parlamento iraniano proibir a entrada de embarcações americanas, israelenses e de outros países considerados hostis voltou a gerar preocupações sobre o Estreito de Ormuz, importante rota marítima da região. Apesar disso, o barril do Brent, referência internacional, recuava 0,41% por volta das 17h, cotado a US$ 82,15. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha alta de 0,34%, a US$ 77,03 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,27%; Acumulado do mês: +0,27%; Acumulado do ano: -7,38%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -3,08%; Acumulado do mês: -3,08%; Acumulado do ano: +7,07%. Conflito no Oriente Médio Apesar das indicações recentes de que os EUA e o Irã caminham para um acordo nos próximos dias, notícias circularam pelo mercado afirmando que o parlamento iraniano estuda um plano para impedir que embarcações americanas, israelenses e de outros países considerados hostis, passem pelo Estreito de Ormuz. O canal é uma das mais importantes via marítima da região, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. A indicação aumenta a percepção de que a reabertura total do Estreito deve ser adiada e aumenta as preocupações com a oferta global de petróleo e uma eventual crise de energia. Segundo a Reuters informou nesta semana, o Irã quer ter "controle total" sobre o tráfego de entrada de navios comerciais no Estreito de Ormuz e poder para intervir quando julgar necessário. Os EUA não haviam se pronunciado publicamente sobre o plano iraniano. Bolsas globais Nos EUA, os sinais de que o Fed pode manter os juros inalterados na próxima reunião, em vez de aumentá-los, contribuíram para a alta dos índices de Wall Street. O Dow Jones subiu 0,28%, enquanto o S&P 500 teve alta de 0,62%, aos 7.757,46 pontos, atingindo fechamento recorde. O Nasdaq Composite, por sua vez, avançou 1,30%. A percepção sobre os juros dos EUA também ajudou a impulsionar as bolsas europeias. O bom desempenho também foi puxado por papéis de tecnologia e balanços corporativos. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,3% aos 660,25 pontos. Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve alta de 0,69% e o CAC-40, da França, subiu 0,17%. O FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,31%. Na Ásia, as ações da China fecharam em alta nesta sexta-feira, à medida que dados comerciais melhores do que o esperado na região ajudaram a recuperar o otimismo do mercado. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,9%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,5% e o Nikkei, do Japão, perdeu 0,12%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,6%. *Com informações da agência de notícias Reuters.

WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa Daqui a exatamente um mês, o WhatsApp deixará de funcionar em celulares Android mais antigos. A mudança entra em vigor em 8 de setembro de 2026, quando o aplicativo passará a ser compatível apenas com aparelhos que rodam Android 6.0, lançado em 2015, ou versões posteriores. Com a mudança, aparelhos que pararam nas versões 5.0 ou 5.1 do Android perderão acesso ao aplicativo, como já aconteceu com sistemas anteriores. Em sua Central de Ajuda, o WhatsApp exibe a mensagem: "a partir do dia 8 de setembro de 2026, o WhatsApp será compatível apenas com Android 6 e posterior. Para continuar usando o aplicativo, a pessoa precisa atualizar o sistema Android ou transferir a conta para um aparelho com uma versão mais recente. ⚠️ Para quem usa iPhone, uma mudança está prevista para 30 de novembro de 2026: a partir dessa data, o WhatsApp será compatível apenas com o iOS 15.5 ou versões posteriores. WhatsApp deixará de funcionar em celulares antigos em setembro; veja se o seu será afetado Unsplash/Amanz 👉 Veja abaixo como conferir a versão do seu Android e se há atualização disponível: Clique no ícone de "Configurações" do celular; Em seguida, toque em "Sobre o dispositivo" (ou "Sobre o telefone"); Em alguns modelos, é necessário clicar em "Informações do software" na sequência; Verifique a "Versão do Android"; Por que isso acontece? O WhatsApp está sempre fazendo correções de falhas, principalmente de segurança, e incluindo novas funcionalidades no aplicativo. Nem sempre esses modelos mais velhos conseguem suportar essas atualizações. Vale lembrar que as atualizações de segurança são constantes em qualquer aplicativo e fundamentais para evitar que o usuário — e especialmente seus dados pessoais — fiquem vulneráveis. A empresa explica que, anualmente, faz uma revisão dos sistemas Android e iOS (iPhone) mais antigos e com menor número de usuários. Com base nesse levantamento, a empresa pode definir uma nova versão mínima exigida para o funcionamento do app. A Meta não divulga uma lista oficial dos aparelhos que deixarão de suportar o app de mensagens. O que ela informa é com quais sistemas ele é compatível. Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo

Material ensina como criar galinhas poedeiras e frangos caipiras. Divulgação/Emater-MG Quer entender como criar galinhas poedeiras e frangos caipiras? A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) disponibiliza gratuitamente uma cartilha com orientações sobre boas práticas. O material traz informações sobre a infraestrutura necessária para a criação das aves, além de orientações para a seleção dos animais e o manejo no dia a dia. A cartilha também reúne dicas para garantir uma alimentação balanceada e cuidar da saúde das aves. 📱Acesse aqui Carimbo na carne: saiba o que significa e se ele oferece riscos

União Europeia exige que Meta mude o 'design viciante' do Facebook e do Instagram Um juiz do Novo México, no sudoeste dos Estados Unidos, determinou nesta quinta-feira (6) que a Meta pague US$ 567 milhões (R$ 2,9 bilhões) após uma ação movida pelo estado contra a empresa por causar "perturbação pública" e prejudicar menores de idade. A controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram já havia sido condenada, em março, a pagar US$ 375 milhões (R$ 1,9 bilhão) em indenizações ao Novo México, após um júri concluir que a empresa expôs crianças a predadores em suas plataformas, entre outros prejuízos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Discordamos da decisão e vamos recorrer", afirmou a Meta em comunicado enviado à AFP nesta quinta-feira. "Trabalhamos arduamente para manter as pessoas seguras em nossas plataformas e temos sido transparentes sobre os desafios de identificar e remover agentes mal-intencionados e conteúdos nocivos", acrescentou. O juiz incluiu em sua decisão uma série de medidas inéditas, que serão aplicadas por cinco anos às contas de adolescentes no Novo México. A Meta deverá, por exemplo, limitar a 90 horas por mês o tempo total de uso do Facebook e do Instagram por menores de 18 anos. Pais preocupados O procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, processou a empresa em 2023 por não proteger menores dos perigos presentes na internet. Durante as alegações finais, a promotora Linda Singer afirmou ao júri que os algoritmos da Meta direcionavam adultos a conteúdos publicados por adolescentes, enquanto a empresa ocultava conclusões internas sobre os riscos para os jovens. Em março, o júri concluiu que a Meta violou a Lei de Práticas Desleais do estado ao enganar os consumidores sobre a segurança de seus produtos para menores. "Este caso sempre teve como objetivo proteger as crianças, defender as famílias e garantir que uma das maiores empresas de tecnologia do mundo não possa lucrar com práticas que colocam os jovens em risco sem enfrentar consequências", declarou Raúl Torrez em comunicado divulgado nesta quinta-feira. Parte dos US$ 567 milhões (R$ 2,9 bilhões) será destinada a tratamentos de saúde mental, e o pagamento será feito ao longo de cinco anos. Os recursos também financiarão programas de conscientização e prevenção, além de outras iniciativas voltadas à proteção dos usuários contra riscos no ambiente digital. Julgamentos exemplares Logos do Instagram, TikTok, Snapchat, YouTube, Facebook, Twitch e Reddit aparecem na tela de um celular, nesta ilustração feita em 9 de dezembro de 2025. REUTERS/Hollie Adams/Ilustração/Foto de arquivo. Milhares de ações judiciais foram movidas contra empresas de redes sociais nos Estados Unidos por supostos danos a crianças e à saúde mental. Mais de 30 estados processam a Meta por acusações semelhantes, e um julgamento pode começar em agosto, em Oakland, na Califórnia. Em julho, um adolescente americano retirou a ação contra a Meta poucos dias antes do início do julgamento. O jovem também firmou acordos confidenciais com o YouTube, o TikTok e o Snap. O caso era considerado um julgamento-modelo que poderia estabelecer um precedente para a resolução de milhares de ações semelhantes em todo o país. O primeiro julgamento sobre danos à saúde mental atribuídos às redes sociais foi concluído em março, quando um júri de Los Angeles determinou que a Meta e o Google pagassem US$ 6 milhões (R$ 30 milhões) a uma mulher de 20 anos. Em maio, a Meta, a Snap, o TikTok e o YouTube firmaram acordos confidenciais com um distrito escolar de Kentucky.

Análise: Brasil teve o maior aumento de tarifas Um ano após o início do tarifaço dos Estados Unidos, em 6 de agosto do ano passado, as exportações brasileiras para o mercado americano mudaram de perfil. Para mostrar como essas mudanças se distribuíram pelo país, o g1 analisou dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comparando as vendas aos EUA no primeiro semestre de 2025, antes da entrada em vigor das tarifas, com as do primeiro semestre deste ano, quando as medidas já afetavam parte dos produtos brasileiros. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No mapa, o saldo representa a diferença entre o valor exportado em cada um dos dois períodos. Quando é positivo, indica que o estado ampliou as vendas aos EUA. Quando é negativo, mostra que houve redução. No infográfico abaixo, veja quais estados ganharam ou perderam mais espaço no mercado americano, os produtos que mais influenciaram esses resultados e como o comércio entre os dois países mudou ao longo de um ano de tarifaço. Tarifaço redesenha exportações brasileiras para os EUA Arte/g1

Amizade no trabalho ajuda ou atrapalha a carreira? Entenda os limites Amizades no trabalho podem tornar a rotina mais leve, fortalecer o senso de pertencimento, ampliar o networking e até impulsionar o desenvolvimento profissional. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que é preciso manter limites claros para que os laços pessoais não interfiram em decisões, feedbacks ou responsabilidades do dia a dia. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas será que você consegue separar amizade e profissionalismo? Responda ao QUIZ preparado pelo g1 com apoio de especialistas e descubra como você lida com essas situações no ambiente de trabalho. Ao final, veja qual perfil mais combina com você e confira dicas para construir relações saudáveis sem comprometer a carreira. Você sabe separar amizade e trabalho? Como construir amizades saudáveis no trabalho? Os especialistas recomendam alguns cuidados para manter relações positivas sem comprometer o desempenho profissional: Evitar privilégios a colegas próximos em promoções, avaliações ou distribuição de tarefas; Respeitar os limites pessoais dos outros profissionais; Separar critérios profissionais das relações pessoais; Manter imparcialidade em feedbacks e decisões; Preservar informações confidenciais; Evitar que conflitos pessoais interfiram nas atividades da equipe. Também é importante observar alguns sinais de que a amizade pode estar ultrapassando os limites: Você evita dar feedback por medo de perder a amizade; Decisões passam a ser tomadas por afinidade e não por mérito; Informações confidenciais são compartilhadas fora do contexto profissional; Há percepção de favorecimento ou formação de grupos fechados; Conflitos pessoais começam a afetar o desempenho da equipe. Segundo Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), a principal regra é simples: "A amizade deve adicionar valor ao seu trabalho, não subtrair a sua objetividade." Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, resume a discussão em uma palavra: maturidade. "A amizade ajuda até certo ponto. É preciso entender quando ela contribui e quando começa a atrapalhar", afirma. Ele lembra que amizades também mudam com o tempo e que a saída de colegas faz parte da dinâmica natural do mercado de trabalho. "As relações evoluem. Pessoas entram e saem das empresas. É importante entender isso como um ciclo", completa. Na avaliação dos especialistas, amizades podem fortalecer o ambiente de trabalho, ampliar o bem-estar e contribuir para o crescimento profissional. Mas esses benefícios só aparecem quando caminham lado a lado com ética, equilíbrio, maturidade e profissionalismo. Como perceber que você está vivendo a solidão corporativa? A solidão corporativa nem sempre significa trabalhar sozinho. Segundo especialistas, alguns sinais podem indicar que o problema está afetando sua rotina: Você sente que não faz parte da equipe, mesmo trabalhando cercado de colegas; Evita interações ou percebe que raramente é incluído em conversas e atividades do grupo; Tem dificuldade para criar vínculos ou sente que não pode ser autêntico no ambiente de trabalho; Perde a motivação para ir ao trabalho e sente que seus esforços passam despercebidos; Apresenta sintomas como ansiedade, estresse, desânimo ou esgotamento relacionados ao trabalho. Quando procurar ajuda? Se a sensação de isolamento for persistente e começar a afetar sua saúde mental, seu desempenho ou sua qualidade de vida, especialistas recomendam conversar com a liderança, com o RH ou buscar apoio psicológico. Em ambientes saudáveis, o acolhimento e o senso de pertencimento também fazem parte das responsabilidades da empresa. Você sabe separar amizade e trabalho? Faça o quiz e descubra. Reprodução/Freepik

Lúpulo da cerveja é 'parente' da cannabis e depende de luz artificial ao anoitecer no Bras Celebrado nesta sexta-feira (7), o Dia Internacional da Cerveja é uma oportunidade para conhecer o caminho percorrido pela bebida até chegar ao copo. Da produção do lúpulo ao trabalho da levedura, cada etapa influencia o sabor, o aroma e as características finais da cerveja. Um dos maiores desafios da produção nacional está justamente no cultivo do lúpulo, uma das principais matérias-primas da bebida. A planta precisa de longos períodos de luminosidade para se desenvolver, condição comum em países como Estados Unidos e Alemanha durante o verão, mas rara no Brasil. Para contornar esse obstáculo, produtores brasileiros recorrem à iluminação artificial e "enganam" a planta, simulando dias mais longos para estimular seu crescimento. Além de ser um ingrediente essencial da cerveja, o lúpulo também desperta curiosidade por pertencer à mesma família botânica da cannabis, a Cannabaceae. Apesar do parentesco, as semelhanças praticamente terminam aí. "O lúpulo não tem o THC, por exemplo, que a maconha produz. Então, ela não é uma planta que vai dar o efeito entorpecente que a maconha dá", explica o produtor Murilo Ricci. Segundo ele, a planta produz apenas um efeito relaxante e tem cultivo permitido no Brasil. 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Alvorada O que realmente vai para a cerveja A parte mais valiosa do lúpulo está na flor. Nela ficam pequenos grãos dourados chamados lupulina, responsáveis por boa parte do amargor e dos aromas característicos da cerveja, além dos óleos essenciais utilizados na produção da bebida. Depois da colheita, as flores passam por um processo cuidadoso. Elas não podem ser lavadas para evitar a oxidação. Em seguida, são limpas manualmente e levadas para a secagem, etapa que reduz a umidade natural da flor e dura entre 16 e 20 horas. Mundo bebe cada vez menos cerveja, e cervejarias em crise penam para se reinventar 'Rotas da Cerveja' é lançado com circuitos em Sorocaba, Votorantim, Jundiaí e região Divulgação/Cervejaria Pangea "No processo de fabricação da cerveja, a gente costuma usar o lúpulo no formato que chamamos de pellet", explica Guilherme Manganello, engenheiro de alimentos e cervejeiro. Triturado e prensado, o ingrediente se torna mais prático para ser incorporado ao processo de fabricação. Não é só o lúpulo Embora seja um dos ingredientes mais conhecidos, o lúpulo está longe de ser o único componente da cerveja. Segundo Manganello, a base da maioria das receitas é o malte pilsen, também chamado de malte claro ou malte base. Nas cervejas classificadas como puro malte, a bebida é produzida apenas com malte, sem a adição de outros cereais. Além do malte de cevada, também é possível utilizar malte de trigo, responsável pelas tradicionais cervejas de trigo. Outras receitas podem incluir ingredientes conhecidos como adjuntos cervejeiros, como milho, arroz, centeio e sorgo. Taça, copo, cerveja, álcool, bebida alcoólica. Reprodução/EPTV Quem faz a cerveja é a levedura Na fábrica, os grãos são moídos e misturados à água para formar um líquido adocicado chamado mosto. Apesar de toda a tecnologia envolvida, Guilherme destaca que essa etapa ainda não produz a cerveja. "Nós, enquanto cervejeiros, não fazemos cerveja. A gente faz mosto. Quem faz a cerveja é a levedura", afirma. Após um primeiro período de descanso e resfriamento, o mosto recebe a levedura, microrganismo responsável pela fermentação. É ela que consome os açúcares presentes no líquido e os transforma em álcool, gás carbônico e diversos compostos responsáveis pelos sabores e aromas da bebida. Segundo o cervejeiro, esse processo leva entre 15 e 20 dias. Só depois disso a cerveja segue para o envase, recebe tampa e rótulo e vai para a câmara fria, onde permanece refrigerada para preservar o frescor. Afinal, qual é a diferença entre cerveja e chopp? Uma dúvida comum entre consumidores é se existe diferença entre cerveja e chopp. No Brasil, convencionou-se chamar de cerveja a bebida pasteurizada — aquela que passa por aquecimento para aumentar a durabilidade —, enquanto o chopp não é submetido a esse processo. Guilherme explica que, na cervejaria onde trabalha, a opção é não pasteurizar a bebida. "A gente quer manter essa cerveja o mais fresca possível", diz. Segundo ele, embora a pasteurização aumente o tempo de conservação, o processo também reduz parte do frescor que caracteriza a bebida. A favorita dos brasileiros Entre os diversos estilos produzidos no país, a pilsen continua sendo a preferida dos brasileiros. O estilo é conhecido pela coloração dourada, amargor moderado e teor alcoólico geralmente entre 4,5% e 4,8%, características que ajudam a explicar sua popularidade.

O governo federal decidiu reduzir a geração de energia das hidrelétricas para armazenar mais água nos reservatórios e reforçar a segurança hídrica do sistema elétrico para enfrentar os efeitos do El Niño, previsto para o segundo semestre deste ano. 🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O evento, que costuma ocorrer a cada dois a sete anos, altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta. No Brasil, pode intensificar o calor, aumentar o risco de seca em partes do Norte e Nordeste e provocar chuvas acima da média no Sul. A medida faz parte de um pacote de ações aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo o colegiado, a probabilidade de ocorrência do El Niño no segundo semestre é de 70%. Entre as demais medidas adotadas estão: acompanhamento intensivo das condições hidrometeorológicas que afetam o sistema elétrico; criação de uma sala de monitoramento do abastecimento de combustíveis para os sistemas de geração da Região Norte; e participação em grupos interinstitucionais sobre o fenômeno, com órgãos como a Casa Civil e a Defesa Civil. O plano também prevê o monitoramento e a adoção de medidas preventivas por agentes dos setores de geração, transmissão e distribuição de energia. Usina hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo Acervo Secom El Niño Reportagem do Fantástico mostrou que o El Niño deve aumentar o risco de eventos climáticos extremos no Brasil nos próximos meses. Segundo especialistas, o fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru, já começou a influenciar o clima e tende a favorecer tempestades severas e enchentes, especialmente na Região Sul. A previsão ocorre em um momento em que diferentes partes do mundo enfrentam uma sequência de desastres relacionados ao clima. Na Europa, incêndios florestais ganharam força com o aumento das temperaturas. Índia e China registraram enchentes e ondas de calor, enquanto o Chile enfrentou nevascas e inundações. No Brasil, o Rio Grande do Sul foi atingido por chuva intensa, granizo e tornados. Segundo meteorologistas, o excesso de chuva registrado recentemente no Sul já indica uma antecipação da influência do El Niño. "O que a gente vem observando é uma antecipação de potencial influência desse fenômeno nesse excesso de chuva que a gente viu recentemente no Sul do país", afirma um especialista ouvido na reportagem. De acordo com os pesquisadores, o fenômeno já está formado e seus efeitos devem ficar mais intensos ao longo dos próximos meses. "Ele agora já está influenciando. Já está favorecendo essas tempestades severas, inundações no Sul, e o pico que se espera desses eventos deve acontecer daqui a alguns meses", disse.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.041 da Mega-Sena foi realizado na noite desta quinta-feira (06), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 147 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 165 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 16 - 21 - 24 - 31 - 43 - 54 5 acertos: 88 apostas ganhadoras, R$ 52.843,18 4 acertos: 6.903 apostas ganhadoras, R$ 1.110,41 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3041 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. Fernando Frazão/Agência Brasil A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, informou a companhia nesta quarta-feira (6). Segundo a estatal, o desempenho foi impulsionado pelo aumento da produção, pelas maiores exportações de petróleo e pela forte alta das cotações internacionais da commodity. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia “O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, afirmou Fernando Melgarejo, diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, em relatório. 🔎 O petróleo do tipo Brent é a principal referência internacional para a commodity. As cotações dispararam após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, com impactos sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo. Em seu balanço, a Petrobras informou que o preço médio do barril de Brent passou de US$ 67,82, no segundo trimestre de 2025, para US$ 104,52 no mesmo período de 2026, uma alta de 54%. Agora no g1 No segundo trimestre, a estatal reportou avanço da produção de novos sistemas, o início da operação da plataforma P-79 (uma nova unidade de produção no pré-sal) e maior eficiência operacional. O resultado foi um aumento de 3,4% na produção total. No refino, a estatal registrou recorde de uso das refinarias, com utilização de 101,2% da capacidade. A produção de derivados cresceu 5,6% na comparação com o trimestre anterior, com 68% concentrados em produtos de maior valor agregado, como diesel, querosene de aviação (QAV) e gasolina. A Petrobras também registrou forte geração de caixa — ou seja, recursos gerados por suas operações —, com fluxo de caixa operacional de R$ 61,8 bilhões, alta de 46% em 12 meses, e fluxo de caixa livre de R$ 38,6 bilhões, avanço de 100,6% no período. “Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras”, afirmou Malgarejo, diretor da companhia. O Ebitda ajustado da estatal, indicador que mede o desempenho operacional da companhia antes de despesas financeiras, impostos e outros efeitos contábeis, somou R$ 93,8 bilhões entre abril e junho, alta de 79,6% em relação ao segundo trimestre de 2025. Segundo a Petrobras, foram pagos R$ 88,6 bilhões em tributos à União, estados e municípios entre abril e junho deste ano. Remuneração aos acionistas O conselho de administração da Petrobras aprovou, também nesta quinta-feira, o pagamento de R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas, o equivalente a R$ 1,34814262 por ação ordinária e preferencial em circulação. O valor corresponde a uma antecipação dos pagamentos previstos para o exercício de 2026 e foi aprovado com base no balanço do segundo trimestre. O pagamento será feito em duas parcelas, nos meses de novembro e dezembro. * Com informações da agência de notícias Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 6 de agosto de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein A Casa Branca impôs nesta quinta-feira (6) preços mínimos de importação e uma tarifa de 15% sobre produtos feitos de polissilício, matéria-prima usada na fabricação de semicondutores — incluindo chips de inteligência artificial — e de painéis solares. A medida, adotada por Donald Trump com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, tem como objetivo proteger os fabricantes americanos de polissilício da concorrência chinesa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia 🔎 O polissilício é uma forma de silício de alta pureza obtida após processos de purificação. Ele é usado na fabricação de lâminas de silício, que dão origem a células solares e componentes eletrônicos. Na energia solar, essas células são reunidas em módulos ou painéis usados na geração de eletricidade. As medidas entrarão em vigor em 4 de dezembro, informou o governo Trump. Segundo um documento da Casa Branca, Trump estabeleceu preços mínimos de importação de: US$ 21 por quilograma para o polissilício; US$ 100 por quilograma para lingotes e lâminas de polissilício; US$ 0,22 por watt para células solares e; US$ 0,38 por watt para módulos solares. Agora no g1 A medida também autoriza o Departamento de Comércio a criar um programa de incentivos para empresas que investirem em fábricas de polissilício ou produtos derivados. "O plano de ação estabelecido nesta proclamação ajudará, entre outras medidas, a garantir a viabilidade comercial da produção de polissilício e de seus derivados nos Estados Unidos, necessária para atender às necessidades econômicas e de segurança nacional do país", diz a Casa Branca. As fabricantes americanas de equipamentos solares acusam, há mais de uma década, suas concorrentes chinesas de praticarem dumping de painéis solares, receberem subsídios governamentais considerados injustos e transferirem sua produção para outros países para driblar as tarifas impostas pelos EUA. O país tem duas fábricas de polissilício. A Hemlock Semiconductor, que opera uma unidade em Michigan, é uma joint venture entre a Corning e a japonesa Shin-Etsu Handotai. A Wacker Chemie, sediada em Munique, mantém uma fábrica no Tennessee. "A decisão de hoje incentiva a continuidade dos investimentos na capacidade produtiva dos Estados Unidos e fortalece a competitividade do país no longo prazo", afirmou à Reuters um porta-voz da Corning. A fabricação doméstica de semicondutores depende da indústria solar porque a maior demanda desse setor por polissilício ajuda a sustentar a produção do material necessário para os chips. Segundo a Semiconductor Industry Association, a indústria de chips responde por 2,4% da demanda global por polissilício. A indústria solar dos EUA vem ampliando sua capacidade de produção desde que o Congresso criou incentivos fiscais em 2022. Grande parte desse crescimento, porém, concentrou-se na montagem de painéis, deixando os fabricantes dependentes da importação de wafers e células, cuja produção exige investimentos de prazo mais longo.
Crise do BRB: Durigan nega 'inércia' da União e diz que reclamação do governo do DF prejudica acordo

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag Jornal Nacional/ Reprodução O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contestou nesta quinta-feira (6) a reclamação do governo do Distrito Federal sobre uma suposta "inércia" do governo federal nas tratativas do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para socorrer o Banco de Brasília (BRB). O governo Celina Leão (PP) fez a reclamação diretamente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que homologou um acordo no fim de maio para viabilizar o empréstimo. Em resposta, Fux marcou uma nova audiência de conciliação para a próxima semana. "[A acusação de inércia] Gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo. Parece bastante estranho quando a gente lembra que o problema do BRB tem origem crimonosa no BRB e no governo do DF", rebateu Durigan. O ministro afirmou que as equipes envolvidas nas tratativas ficaram "profundamente incomodadas", e que as informações pendentes para a conclusão do acordo devem ser prestadas pelo próprio governo do DF. "E eu aqui gostaria de rechaçar: não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF. Estarei na audiência pública para levar, inclusive, essa fala de indignação das equipes. Essa insatisfação atrapalha o andamento", emendou. DF criticou União e FGC em ofício No ofício enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal reclama da "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado em maio. "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais", diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo. Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco ➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master. ➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Plano ainda não deu frutos Como mostrou o g1, o prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao Banco Central em fevereiro terminou nesta quarta – mas as medidas de maior impacto ainda não foram implementadas. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia A OpenAI, dona do ChatGPT, está desenvolvendo seu primeiro dispositivo próprio de inteligência artificial, um aparelho compacto, sem tela, que deve custar mais de US$ 300 (cerca de R$ 1,6 mil). Segundo a Bloomberg, o lançamento está previsto para 2027. O equipamento terá formato circular, parecido com uma rosquinha, e foi pensado para ser carregado facilmente pela casa com uma mão. A ideia da empresa é criar um “computador de IA” que ajude o usuário em tarefas do dia a dia e vá além das funções dos atuais alto-falantes inteligentes, dominados por empresas como Amazon e Google. Diferentemente de caixas de som inteligentes tradicionais, o dispositivo da OpenAI será desenvolvido com a IA como principal função. Ele deverá conversar com o usuário de maneira mais natural, usando modelos avançados de IA semelhantes aos presentes no modo de voz do ChatGPT em celulares. A empresa espera que o aparelho seja usado ao longo de todo o dia, escreveu a Bloomberg. Com o tempo, ele poderá aprender preferências, rotinas e hábitos do usuário para personalizar respostas e interações, funcionando como uma espécie de assistente pessoal. Dispositivo terá movimentos, luzes e sensores O aparelho terá componentes móveis para indicar quando está respondendo ou interagindo com alguém. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a movimentação foi pensada para tornar o equipamento mais “vivo” do que os alto-falantes inteligentes atuais, que ficam parados em um único lugar. O dispositivo também terá microfones e alto-falantes para receber comandos de voz e conversar com o usuário. Por funcionar com bateria, poderá ser usado em diferentes locais, como na mão, em uma mesa de cabeceira ou na cozinha. [bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT Getty Images Além disso, o equipamento contará com luzes para sinalizar quando está ouvindo ou processando informações. Câmeras e outros sensores permitirão que a inteligência artificial compreenda o ambiente ao redor e use essas informações nas respostas. A longo prazo, a companhia tem o objetivo de desenvolver produtos capazes de substituir algumas funções realizadas atualmente pelos smartphones. Parceria com ex-designer da Apple O projeto foi desenvolvido em parceria com o estúdio LoveFrom, criado pelo designer britânico Jony Ive, conhecido por liderar o desenvolvimento visual de produtos como iPhone, iPad, iPod e Apple Watch durante sua passagem pela Apple Inc.. O dispositivo terá aparência premium, com materiais de alta qualidade, incluindo metal. A OpenAI avalia cobrar entre US$ 300 e US$ 400 por unidade — valor acima da maioria das caixas de som inteligentes disponíveis atualmente, mas ainda abaixo do preço de um iPhone. Disputa com a Apple envolve acusações sobre tecnologia Logotipo da Apple Reuters O lançamento ocorre em meio a uma disputa judicial entre OpenAI e Apple. De acordo com a Bloomberg, a fabricante do iPhone acusa a empresa de inteligência artificial de utilizar informações confidenciais e técnicas de design que pertenceriam à Apple. A OpenAI nega as acusações. A Apple afirma, no processo, que a OpenAI teria procurado um fornecedor tradicional da companhia para desenvolver uma técnica de acabamento em metal semelhante à utilizada em seus produtos. A OpenAI, porém, argumenta que a acusação é vaga e que seu dispositivo foi criado de forma independente. Segundo pessoas próximas ao projeto, a empresa realizou uma investigação interna após a abertura do processo e concluiu que o aparelho não utiliza segredos comerciais da Apple. Apesar da disputa, a OpenAI continua avançando no desenvolvimento do produto. A empresa pretende apresentar o dispositivo antes do lançamento oficial, previsto para 2027, embora a ação judicial possa afetar os planos.

Alta no querosene de aviação encarece passagens aéreas no Brasil A alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Oriente Médio, elevou em R$ 5,2 bilhões os gastos das companhias aéreas brasileiras com querosene de aviação (QAV) em 2026. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), com o reajuste de 1,9% anunciado pela Petrobras em 1º de agosto, o aumento acumulado do combustível chegou a 49% desde o fim de fevereiro, quando o conflito teve início. Avião Embraer E195-E2 LATAM/Divulgação A forte exposição das empresas aéreas à volatilidade do mercado internacional fez o preço do QAV praticamente dobrar em maio na comparação com o período anterior à guerra. Após o novo reajuste, o combustível passou a representar 39% dos custos operacionais das companhias aéreas, ante 32% antes do início do conflito. BNDES aprova R$ 8 bilhões em crédito No final de julho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou uma linha de crédito de até R$ 8 bilhões para reforçar despesas de quatro companhias aéreas que operam em voos domésticos no Brasil: Azul, Abaeté, Gol e Latam. BNDES aprova crédito de R$ 8 bilhões para Azul, Gol, Latam e Abaeté Os recursos, provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), poderão ser utilizados até dezembro de 2026. A medida busca dar investimento rápido às empresas diante da forte alta nos custos do combustível de aviação, que quase dobrou entre abril e maio deste ano em consequência da escalada da guerra no Oriente Médio. A linha de financiamento é destinada às empresas de transporte aéreo regular doméstico.

iCAUR chega ao Brasil com o V27 no ano que vem. Divulgação / iCAUR A Chery International confirmou nesta quarta-feira (5) a chegada da iCAUR ao Brasil e anunciou os planos para outras três marcas do grupo. Segundo o cronograma da multinacional, que já opera a Omoda & Jaecco no Brasil, os modelos da iCAUR e da Lepas começarão a ser vendidos em 2027. Em 2028, será a vez das marcas de luxo Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira da Exeed. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Com a chegada das novas marcas, a Chery International pretende continuar a expansão e encerrar 2031 com mais de 1 mil lojas e mais de 500 mil carros vendidos no ano. Roger Corassa, vice-presidente da Omoda & Jaecco, afirmou que o grupo estuda a instalação de uma fábrica no Brasil e que ainda analisa os incentivos oferecidos por cada estado. “É natural que, para ter escala no Brasil, seja necessário ter uma linha de montagem no país. Mas ainda estamos analisando as possibilidades”, disse o executivo. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos Em maio, o Grupo Chery lançou a marca Omoda & Jaecco na Argentina e confirmou a intenção de abrir uma linha de montagem no país vizinho. A empresa também anunciou um centro de distribuição de peças para atender a região. Corassa não quis comentar a operação na Argentina, mas afirmou que uma integração com os países vizinhos faz sentido. A iCAUR (pronuncia-se “Ai Car” sem a letra “u”), aposta em SUVs de linhas quadradas, com clara inspiração em modelos da Land Rover. O primeiro modelo a chegar será o V27, equipado com a tecnologia REEV, em que a propulsão é elétrica e o motor a combustão é usado apenas para recarregar as baterias. A marca ainda não confirmou os dados técnicos para o mercado brasileiro, já que o modelo passa pelo processo de homologação. No site internacional da iCAUR, o V27 topo de linha aparece com dois motores elétricos, potência de 449 cv e torque de 51,5 kgfm. iCAUR V23 está confirmado para o Brasil. Divulgação / iCAUR Também foi confirmada a venda do V23, um jipinho 100% elétrico, além de outros dois utilitários esportivos: o V25 e o V29. A Lepas, também confirmada para o Brasil, adota uma proposta diferente da iCAUR. A marca aposta em SUVs de linhas mais tradicionais, que lembram modelos vendidos no país pela Caoa Chery. O nome Lepas é uma junção das palavras "leap" (saltar, em inglês), "passion" (paixão, em inglês) e "leopard" (leopardo, em inglês). Já as marcas Freelander, Luxeed e Exeed serão comercializadas sob a bandeira Exeed. A estratégia é concentrar a atuação em veículos de menor volume de vendas, posicionados no segmento de luxo e com maior valor agregado. A Chery chegou a cogitar trazer a Exeed ao Brasil há alguns anos, mas impasses com o grupo Caoa, que assumiu a operação da marca Chery no país, fizeram a montadora chinesa desistir do plano. A Jetour também pertence à Chery International. No entanto, sua operação no Brasil e em outros mercados é independente. Tanto que, durante o evento da iCAUR, o CEO da Chery International no Brasil, Hu Peng, não considerou os números da Jetour no planejamento da empresa para o país. Também ainda não está claro como será a relação entre a Chery International e a Caoa Chery no mercado brasileiro. Até porque o grupo Caoa anunciou recentemente a criação da Caoa Changan Brasil, que passará a vender modelos das marcas Changan e Avatr. Hu Peng, CEO da Chery International para o Brasil, apresenta a iCAUR Divulgação / iCAUR Mais marcas A Dongfeng confirmou a chegada ao Brasil e, por aqui, adotará a sigla DFM. O chefe de vendas e expansão de rede, Felipe Amaral de Souza, confirmou os planos da marca e afirmou que, nas próximas semanas, os veículos serão apresentados oficialmente ao público. Segundo o executivo, a DFM já tem 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários. A marca pretende estar presente em 21 estados e no Distrito Federal. A IM, divisão de luxo da MG, também deve chegar ao Brasil. Apesar de a MG carregar a história de uma tradicional marca britânica, ela foi adquirida pela chinesa SAIC e hoje já não tem ligação com os modelos que a transformaram em um ícone da indústria automotiva britânica nas décadas passadas. Thiago Marques, head de marketing da MG Motors, afirmou que, apesar da operação ainda ser pequena, a MG Motors e a IM contam com o respaldo do grupo e pretendem crescer no país sem descartar a instalação de uma linha de produção própria. O g1 acompanhou o lançamento oficial do MG4 Urban, modelo que será montado no Ceará, na mesma linha de produção que também fabricará os Chevrolet Captiva e Chevrolet Sonic para o mercado brasileiro. A chegada dessas novas marcas é mais um capítulo do chamado "efeito China", que vem transformando o mercado automotivo brasileiro. Preço médio do carro zero no Brasil Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano. Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens. 💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo) Margem para negociação Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil. A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados. Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento. Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil g1 Efeito China Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado. Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem. "Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins. Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos. 🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui. O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor. "Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV. Carro mais barato não é fácil de comprar Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos. As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%. "Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV. BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil Divulgação / BYD

A balança comercial registrou superávit de US$ 7,1 bilhões em julho, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (6). 🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário. O saldo positivo registrou alta de 1% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 7 bilhões. As exportações para os Estados Unidos caíram 5% em junho na comparação com o ano passado, passando de US$ 3,8 bilhões para US$ 3,6 bilhões. Agora no g1 Comércio com os EUA Apesar da queda em julho, técnicos do Mdic dizem que não é possível atribuir à tarifa de 25% anunciada pelos norte-americanos com ao resultado, visto que passou a taxa vigorar plenamente no dia 29. 🔎 Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. 🔎 Na investigação comercial, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. "O que acontece normalmente é uma antecipação, se isso tivesse ocorrido, poderíamos até atribuir, mas, como o comércio está muito afetado por tarifas e instabilidade, é dificel fazer avaliação sem fazer um estudo mais aprofundado das informações", disse Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estadísticas e Estudos de Comércio Exterior. "Mas em relação às últimas medidas, é possível afirmar que o movimento de julho ainda não sofreu esse impacto diretamente", complementou. Segundo o MDIC, os bens mais impactos pela queda das exportações de julho foram: Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 62,1% Ferro gusa: 31,4% Café não torrado: 27,6% Sucos de frutas ou vegetais: 22,5% Acordo do Mercosul com a União Europeia O diretor avalia que os efeitos do acordo devem diminuir custos, ainda que os benefícios da exportação sejam dados aos importadores, sendo capturado no destino da mercadoria não na origem. As negociações entre os dois blocos duraram 27 anos e resultaram em um tratado que abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O acordo envolve cerca de 720 milhões de pessoas e economias que somam mais de US$ 20 trilhões. Números da balança 💵 Segundo o governo, em julho: As exportações somaram U$ 34,119 bilhões com aumento de 6,2% pela média diária. As importações somaram US$ 27,052 bilhões, com aumento de 7,6% pela média diária. Entre os produtos exportados pelo país, se destacaram em julho: Óleos brutos de petróleo: US$ 0,96 bilhões, com alta de 23,8%; Soja: US$ 0,87 bilhões, com aumento de 17,4%; Animais vivos, não incluído pescados ou crustáceos: US$ 0,03 bilhões, com alta de 29,9%; Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): US$ 0,53 bilhão, com crescimento de 63%; Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas: US$ 0,22 bilhões, com alta de 31,8%. Exportações para outros blocos e regiões em julho: China: alta de 8,6%, para US$ 10,6 bilhões; Mercosul: queda de 0,4%, para US$ 2,2 bilhões; União Europeia: alta de 3,9%, para US$ 4,7 bilhões; México: queda de 4,4%, para US$ 768 milhões; Oriente Médio: alta de 9,8%, para US$ 1,3 bilhão. Balança comercial tem superávit de US$ 7,1 bilhões em julho Divulgação/FIEP Acumulado do ano Até julho deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$49 bilhões, informou o governo. Com isso, houve aumento 31,9% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 37,2 bilhões. No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 218,6 bilhões – alta 10,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária. Já as importações somaram US$ 169,5 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, com alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária.

Agora no g1 O endividamento das famílias brasileiras bateu um novo recorde em julho: 82% dos consumidores disseram ter algum tipo de dívida a vencer, o maior nível desde o início da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Ao mesmo tempo, embora a inadimplência tenha recuado levemente após três meses do Desenrola 2.0, aumentou a parcela de brasileiros com mais da metade da renda comprometida com pagamentos. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (6). O levantamento mostra que o percentual de famílias com dívidas subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando estava em 81,6%, e avançou 3,5 pontos percentuais na comparação com julho de 2025, quando era de 78,5%. Com o resultado, o indicador alcançou o sexto recorde consecutivo na série histórica da pesquisa. Entre os principais tipos de dívida estão cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas. Crescimento do endividamento das famílias g1 Crescimento do endividamento das famílias g1 Qual a diferença entre endividamento e inadimplência? Endividamento: Ter dívidas não significa necessariamente estar com problemas financeiros. O indicador mede a parcela de famílias que possuem algum compromisso financeiro a vencer, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja. Uma pessoa que parcela uma compra no cartão ou paga um financiamento em dia, por exemplo, entra na estatística de endividamento. Inadimplência: Já a inadimplência indica quando a dívida não foi paga no prazo combinado. Ou seja, são consumidores com contas vencidas e em atraso. Uma família pode estar endividada e não ser inadimplente, caso esteja pagando as parcelas normalmente. Por outro lado, quem deixa uma dívida vencer passa a fazer parte do grupo de inadimplentes. Inadimplência recua, mas peso das dívidas aumenta Apesar do avanço do endividamento, a parcela de famílias com contas em atraso teve uma pequena melhora em julho. O índice passou de 29,9% para 29,8% entre junho e julho. No mesmo mês de 2025, a taxa era de 30%. O resultado ocorre após os primeiros 90 dias de funcionamento do Desenrola 2.0, programa federal de renegociação de dívidas lançado em maio. Desenrola 2.0: veja perguntas e respostas sobre o novo programa O principal alerta da CNC, porém, está no comprometimento da renda. Em julho, 19% das famílias afirmaram ter mais da metade dos rendimentos comprometidos com o pagamento de dívidas, maior nível desde março deste ano. Para a economista e professora da FGV Carla Beni, a leve queda da inadimplência não significa que as famílias estejam menos pressionadas financeiramente. "A inadimplência é a última coisa que uma família quer. Ela provoca estresse e normalmente é consequência de uma combinação de fatores, como crédito caro, renda limitada e facilidade para contratar empréstimos", afirma. Em média, os consumidores endividados destinam 29,5% da renda mensal para honrar compromissos financeiros. Homem segura cartão de crédito na mão enquanto digita em um notebook Rupixen.com/Unsplash/Reprodução Segundo a economista, o elevado nível de endividamento também reflete a cultura do parcelamento no Brasil. "Nós naturalizamos o parcelamento. Hoje praticamente tudo pode ser dividido em várias prestações. Isso amplia o endividamento porque qualquer compromisso financeiro em aberto entra nessa estatística", diz. Para Carla Beni, o crédito ficou mais acessível, mas não necessariamente mais barato. "O grande vilão continua sendo o cartão de crédito. Muitas pessoas recebem limites maiores do que conseguem suportar, enquanto os juros seguem extremamente elevados, especialmente no rotativo", afirma. A economista afirma que o crédito pode ser um instrumento importante quando usado de forma planejada, principalmente para a aquisição de bens de maior valor. "O crédito deve ser direcionado para bens de maior valor agregado, como um carro, por exemplo, quando há planejamento. Quanto maior o número de parcelas, maior o comprometimento da renda. O problema é quando o parcelamento passa a ser usado para despesas do dia a dia, porque isso aumenta muito o risco de desequilíbrio financeiro", diz. Contas atrasadas ficam menos antigas Mesmo com a pressão sobre a renda, alguns indicadores mostraram melhora no mês. O tempo médio de atraso das dívidas caiu pelo terceiro mês consecutivo e chegou a 64,6 dias, menor nível desde dezembro de 2025. Também recuou a parcela de consumidores inadimplentes com contas vencidas há mais de 90 dias. O percentual passou para 48,5%, menor patamar desde agosto de 2025. Na percepção dos próprios consumidores, aumentou a parcela de famílias que se consideram pouco endividadas, de 34,2% em junho para 35% em julho. Já o grupo que se declara muito endividado teve leve queda, passando de 17,2% para 17,1%. Famílias de menor renda sentem mais pressão O avanço das dívidas ocorreu de forma desigual entre as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9% em julho, o maior nível entre os grupos analisados. Essa faixa também foi a única a registrar aumento da inadimplência no mês: a proporção de famílias com contas em atraso subiu de 38,3% para 38,5%. Além disso, cresceu o percentual de consumidores de menor renda que dizem não ter condições de pagar as dívidas vencidas, de 17,6% para 17,8%. Segundo Carla Beni, a combinação entre renda instável e facilidade de acesso ao crédito aumenta o risco de desequilíbrio financeiro. "Muitas pessoas trabalham, mas têm renda variável, especialmente na informalidade. Quando gastos básicos, como combustível e farmácia, passam a ser parcelados, o risco de entrar em uma espiral de endividamento aumenta bastante", afirma. Na outra ponta, entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento também avançou no ano e chegou a 72% em julho. Apesar disso, a inadimplência caiu no mês, passando de 15,4% para 15,1%. CNC vê sinais positivos, mas pede cautela Dinheiro; real; reais; notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 50; moeda de R$ 1 Marcello Casal Jr/Agência Brasil Para a CNC, a melhora em alguns indicadores pode estar relacionada ao programa de renegociação de dívidas, ao avanço da renda média e ao controle da inflação. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirma que o aumento do endividamento exige atenção. "Completar seis meses seguidos de novos níveis recordes no endividamento da população tem impactos que são sentidos em curto e médio prazo, não só no comércio. Vemos sinais positivos de resiliência, seja pelo pagamento das dívidas com o programa Desenrola, seja com a massa de rendimentos e ocupação aumentando. Porém, os números mostram que é preciso avançar em medidas que aliviem o bolso do trabalhador e, consequentemente, estimulem uma melhora do setor produtivo", diz. Segundo a confederação, o cenário exige cautela porque, mesmo com menos atrasos, o orçamento das famílias continua pressionado pelo volume de dívidas acumuladas.

Donald Trump anunciou o plano de infraestrutura para inteligência artificial nos EUA. Ao lado dele estão Masayoshi Son, CEO do SoftBank, Larry Ellison, cofundador da Oracle, e Sam Altman, da OpenAI AP/Julia Nikhinson Em uma rara demonstração de convergência, democratas e aliados conservadores de Donald Trump criticam a resposta limitada da Casa Branca aos recentes ataques realizados por agentes de inteligência artificial. Para eles, a proximidade do presidente com a indústria de tecnologia ajuda a explicar a falta de medidas mais rígidas. Há duas semanas, a OpenAI informou que um de seus agentes de IA agiu de forma autônoma e invadiu os sistemas da empresa Hugging Face. Depois disso, a Anthropic disse ter identificado que alguns de seus modelos também invadiram sistemas de três empresas. A Casa Branca afirmou que acompanha a situação, e Trump disse que analisava possíveis controles para a IA. Agora no g1 Steve Bannon, aliado de longa data de Trump e ex-assessor da Casa Branca, afirmou que a regulação da IA pelo governo é insuficiente diante dos riscos à segurança nacional e atribuiu a situação à influência das empresas de tecnologia. "Há uma relação muito próxima entre as empresas e a equipe, não apenas na Casa Branca, mas também, acredito, no aparato de segurança nacional", disse Bannon à Reuters. "Por que você permitiria que eles estivessem no controle? (...) Você precisa de pelo menos uma estrutura rudimentar de algum tipo de aparato regulatório" para regular a IA, acrescentou. O senador democrata Ron Wyden, do Oregon, fez críticas semelhantes. "Trump sumiu porque acha que os bilionários donos de empresas de IA estão do lado dele. Em vez de tentar resolver esses problemas, Trump e seus aliados estão focados em bloquear as leis estaduais sobre IA e derrubar as proteções básicas que empresas como a Anthropic impuseram sobre o uso de seus modelos", afirmou. A Anthropic e o governo dos EUA também romperam relações neste ano, após a empresa se recusar a permitir que as Forças Armadas usassem seus modelos de IA para vigilância doméstica em massa e sistemas de armas totalmente autônomos. A Casa Branca e a OpenAI não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. Um porta-voz da Anthropic também se recusou a comentar. As críticas de Bannon e Wyden refletem uma preocupação compartilhada por integrantes de diferentes correntes políticas: a de que a proximidade de Trump com as grandes empresas de tecnologia possa reduzir a disposição do governo para adotar medidas mais duras diante dos riscos da IA. Empresas de tecnologia e seus executivos doaram mais de US$ 300 milhões para apoiar a campanha de reeleição de Trump em 2024 e a MAGA Inc., comitê de ação política alinhado ao presidente. Além disso, Trump nomeou profissionais do setor para cargos importantes no governo. Em junho, o governo anunciou que pediria a empresas como OpenAI e Anthropic que submetessem voluntariamente modelos de IA com capacidades avançadas de invasão de sistemas a testes de cibersegurança antes do lançamento ao público. Até o momento, porém, não detalhou como esses testes funcionarão. A Reuters informou que apenas alguns modelos deverão participar dessa avaliação voluntária. O deputado democrata Gregorio Casar, do Texas, afirmou que Trump está "falhando completamente" em proteger os americanos dos riscos da IA. "Ele recebeu milhões dos bilionários da IA. Agora, diante de problemas extremamente perigosos de cibersegurança envolvendo IA, diz que implementou uma revisão 'voluntária' que ninguém viu. Está dormindo ao volante. Está ocupado demais lucrando para proteger nossos empregos ou a segurança nacional", escreveu na rede social X. Setor da tecnologia e Trump O presidente dos EUA, Donald Trump, e Elon Musk participam de uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, em 30 de maio de 2025. Reuters/Nathan Howard Executivos e investidores do setor de IA estiveram entre os maiores doadores individuais da MAGA Inc. em 2025. O presidente da OpenAI, Greg Brockman, e sua esposa, Anna Brockman, doaram juntos US$ 25 milhões ao comitê, segundo registros da Comissão Federal de Eleições (FEC). A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, investidora da OpenAI, e seus cofundadores, Ben Horowitz e Marc Andreessen, doaram juntos US$ 12 milhões ao comitê desde a segunda posse de Trump. Nenhum deles respondeu aos pedidos de comentário da Reuters. A investidora do Google Asha Jadeja, o CEO da SpaceX, Elon Musk, e o CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, doaram pelo menos US$ 5 milhões cada ao comitê em 2025, segundo registros da FEC. A Blackstone investe em infraestrutura de IA, incluindo um empreendimento de computação em nuvem voltado para IA com o Google. Jadeja, Musk, Schwarzman e a Blackstone também não responderam aos pedidos de comentário. Amy Kremer, organizadora conservadora e apoiadora de Trump que ajudou a organizar o comício de 6 de janeiro antes da invasão ao Capitólio, acusou a indústria de tecnologia de construir "um fosso ao redor da Casa Branca". Trump também levou executivos do setor para o governo. Entre eles estão Elon Musk, que supervisionou os cortes na força de trabalho federal nos primeiros meses do segundo mandato; David Sacks, nomeado czar da IA da Casa Branca; Sriram Krishnan, da Andreessen Horowitz; e Michael Kratsios, da Scale AI. Sacks e Krishnan já deixaram o governo, embora Sacks continue atuando como assessor externo da Casa Branca para temas de tecnologia. Sacks defende uma política de menor intervenção na regulação da IA, sob o argumento de que regras mais rígidas podem desacelerar a disputa das empresas americanas com concorrentes chinesas. O governo Trump também tentou convencer o Congresso a aprovar uma lei que restringisse regulamentações estaduais sobre IA, proposta rejeitada pelo Senado dos EUA. Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu nesta quinta-feira (6) uma preocupação com a expectativa de crescimento da dívida pública brasileira, que já avançou mais de 10 pontos no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atingiu o maior nível desde 2021. Em entrevista exclusiva à GloboNews, ele afirmou que o governo federal continuará tentando, se reeleito, melhorar o perfil das contas públicas em um eventual novo mandato, controlando as despesas e reduzindo benefícios fiscais existentes. "Têm números que mostram resultado do ano, olhar o orçamento, fazer os cortes, bloqueios, que a gente tem feito. O que aparece como preocupante é a projeção para a dívida para frente. Sei lidar com o fiscal de forma melhor, fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas", declarou o ministro. Durigan negou que haja um cenário de descontrole, citando uma melhora nos últimos anos, com a obtenção das metas propostas – apesar de as contas ainda permanecerem no vermelho. Agora no g1 Mas reconheceu que há uma "discussão", uma dificuldade, sobre a chamada "rolagem da dívida pública", ou seja, a emissão de novos títulos no mercado financeiro para pagar os que estão vencendo. Nos últimos meses, o Tesouro Nacional tem encontrado dificuldade em emitir papéis com juros reais (acima da inflação) de 8% ao ano – patamar considerado elevado. Analistas atribuem a resistência do mercado em comprar esses papeis ao aumento de gastos públicos e ao alto nível do endividamento brasileiro – fatores que aumentam a desconfiança dos agentes econômicos. "Para o futuro, há discussão sobre rolagem da dívida. Não há descontrole e crise fiscal, há desafio para endereçar questão dos juros para diminuir endividamento. Como a explicação dos juros é mais complicada, a variável que está em controle do governo é a politica fiscal. Por isso é importante melhorar a politica fiscal [relativa às contas públicas]", acrescentou Durigan. Ele avaliou que o "aspecto fiscal", ou seja, comportamento das contas públicas, de fato afeta o patamar da taxa de juros brasileira – atualmente em 14% ao ano. Em termos reais, é a maior taxa de juros do mundo, segundo levantamento da MoneYou. Mas o ministro lembrou que conflitos militares e aumento da taxa de juros norte-americana também impactam os juros de longo prazo brasileiros – determinados pelo mercado financeiro. "Há um desafio de entender para onde o mundo vai. Vamos ter guerra, choque do petróleo? Arcabouço fiscal veio para ficar, precisamos reforçar nosso fiscal. Não reputo má vontade [por parte do mercado com o governo], mas um grau de incerteza, e ansiedade no momento de eleição, para tomada de decisão sobre o mercado tomar juros de longo prazo. É isso que está em jogo", afirmou Durigan. O titular da equipe econômica concluiu dizendo que o compromisso do governo é "fazer todo possível do ponto de vista fiscal para endereçar a questão dos juros [altos] nos próximos anos". "Juro machuca muito a economia, não só o governo", finalizou. Dario Durigan Washington Costa/MF

Milton Maluhy Filho assume presidência do Itaú Unibanco Divulgação O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou nesta quinta-feira (5) que os juros brasileiros seguem elevados e devem continuar a se refletir em altos níveis de inadimplência e a impactar o orçamento das famílias. "Não há quem defensa juros nesse patamar. O juro real [descontado a inflação] no Brasil, hoje, é muito alto [...] e o que a gente precisa realmente é trabalhar para levar as taxas para um patamar mais baixo", afirmou o executivo em entrevista ao Radar GloboNews, destacando que o ideal seria que as taxas caíssem para apenas um dígito. "É [com os juros em patamares mais baixos] que conseguimos crescer a carteira [de crédito] com vigor, onde as famílias de fato tomam boas decisões de financiamento de imóvel, consumo ou da compra de um veículo, e onde as empresas conseguem investir com muito mais qualidade", completa. As falas de Maluhy Filho vêm apenas um dia após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) reduzir a taxa básica de juros (Selic) pela quarta vez consecutiva, em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic ficou em 14% ao ano e atingiu o menor patamar desde março e 2025. Agora no g1 No comunicado, o colegiado afirmou que entre os fatores que trazem riscos para uma possível alta de preços estão: a inflação acima da meta por um período mais prolongado; a alta no petróleo no mercado internacional; eventos climáticos que afetem a produção agrícola e os custos de energia — como o El Niño; os preços ainda elevados de serviços; e uma eventual desvalorização do real. O BC também alertou que estímulos ao consumo podem aquecer a economia além do esperado, aumentando a pressão sobre os preços. Segundo Maluhy Filho, o comunicado do Banco Central foi conservador ao mostrar uma preocupação com o cenário macroeconômico, deixando em aberto a possibilidade de um corte na próxima reunião do Copom. "A gente acredita que ainda tem espaço para corte na próxima reunião, juro nesse patamar ainda é muito restritivo", afirmou. Eleições e cenário fiscal O presidente do Itaú também falou sobre as políticas de transferência de renda do governo federal e sobre o que espera para as eleições presidenciais deste ano. De acordo com Maluhy Filho, apesar da importância na manutenção das políticas sociais e de transferência de renda, o governo precisa recalibrar o quadro fiscal. "Vimos um aumento da massa salarial, mas que não é sustentável no longo prazo, na medida em que o custo dessas transferências [de recursos] para o país tende a crescer no tempo se você não fizer uma priorização de gastos. Somos a favor da agenda social de transferências, mas precisamos ajustar o fiscal no longo prazo", afirmou. O executivo ainda reforçou a importância de que os candidatos à Presidência da República tragam mais informações sobre a trajetória da dívida pública em seus debates. "Os candidatos podem falar mais claramente sobre seus planos de ajuste orçamentário e gastos fixos, bem como quais reformas orçamentárias devem fazer e em qual intensidade. Priorizar os gastos é importante", disse. Bets e carteira de crédito O presidente do Itaú também falou sobre o impacto das apostas esportivas no acesso ao crédito. "É muito importante dizer que todo cidadão que acaba fazendo uso das bets tem uma qualidade de crédito pior com o passar do tempo. Não é nosso papel defender ou não [as apostas], mas é dizer que, se não for feito com moderação e cuidado, você muitas vezes pode acabar comprometendo o orçamento da família", disse Maluhy Filho. Ainda de acordo com o executivo esse cenário somado aos juros ainda elevados no país também tendem a manter o difícil acesso ao crédito. "A gente tem visto todos os indicadores de mercado piorando de forma muito relevante. E o principal produto do banco é entregar crédito para a sociedade. Quando o crédito passa a ter uma inadimplência alta, todos nós perdemos com isso", afirmou. O Itaú divulgou os seus resultados do segundo trimestre na última quarta-feira (5). O banco registrou um lucro de R$ 12,4 bilhões no período, um aumento de 7,8% em comparação aos mesmos três meses de 2025. A carteira de crédito do banco ficou em R$ 1,5 trilhão ao final de junho — avanço de 9,6% em relação ao segundo trimestre do ano passado e de 2,7% na comparação trimestral. Casos Master e Americanas Por fim, o presidente do Itaú também comentou sobre o caso Americanas. Maluhy Filho afirmou que o banco continua a acompanhar os desdobramentos do caso e defendeu a integridade das instituições financeiras afetadas. "É ilógico imaginar que os bancos foram coniventes com uma fraude em que os próprios bancos perderam bilhões de reais", disse o executivo. "Se você considerar as receitas dessas operações, as perdas foram bilionárias. Não há operação de risco sacado que compense as perdas que a gente teve", completa. PF faz nova operação sobre fraude nas Americanas; relembre o escândalo contábil que levou a varejista à crise No caso do Banco Master, Maluhy Filho foi citado nas investigações após a Polícia Federal identificar uma série de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro pedindo que o empresário Thiago Miranda monitorasse o presidente do Itaú. Na troca de mensagens, Vorcaro diz que Maluhy Filho está lhe “causando muito problema”. Entre as informações solicitadas por Vorcaro estavam dados de identificação civil, número de CPF e informações de caráter pessoal. Em outros momentos, o presidente do Itaú já havia criticado publicamente a venda de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) do Master com taxas irreais. "Passando pelo dossiê, é claro que a situação é grave e que gera um certo desconforto, especialmente quando chega na família. Mas acho que o mais importante é trabalharmos firmes para que métodos como esse não perpetuem. É papel de todos nós defendermos a rigidez do sistema financeiro", completou.

Entenda como vai funcionar o alerta em publicidade de bets As apostas online, conhecidas como bets, provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. O estudo foi elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), com base em dados do Banco Central, das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica (Epae) e em análises próprias. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O levantamento chama de saída líquida a diferença entre tudo o que os apostadores colocaram nas plataformas de apostas e o dinheiro que voltou para eles em forma de prêmios. Ou seja, o cálculo mostra quanto de recurso, no saldo final, saiu do bolso dos jogadores e ficou no setor de apostas. De acordo com o levantamento, entre outubro de 2024 e março de 2026, essa perda média foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês. 🔎 Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, criticou os dados. A entidade afirmou que o levantamento comete "erros graves", "ignora fatores macroeconômicos" e disse que a receita bruta oficial do setor foi de R$ 37 bilhões em 2025, contestando a estimativa apresentada pelos secretários de Fazenda. (leia a nota completa no fim desta reportagem) Segundo o estudo do Comsefaz, somente em 2025, a saída líquida de recursos das famílias para as bets chegou a R$ 62,5 bilhões, o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível das famílias. "Esse montante representa uma transferência expressiva de renda das famílias para esse setor, com potencial impacto sobre sua capacidade de honrar compromissos financeiros", afirma o levantamento. Segundo os pesquisadores, o dinheiro destinado às apostas reduz os recursos disponíveis para outros gastos e pode aumentar a pressão sobre o orçamento doméstico, especialmente em um cenário de elevado endividamento e comprometimento de renda. O estudo destaca que a expansão das bets se tornou um fator adicional de vulnerabilidade financeira para as famílias brasileiras, ao somar-se a um ambiente de juros elevados e maior dificuldade para administrar as despesas. Em junho, por exemplo, 81,6% das famílias brasileiras afirmaram ter algum tipo de dívida, como cartão de crédito, financiamento, empréstimo pessoal, cheque especial ou carnê de loja, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para os autores, essa transferência de recursos ajuda a explicar por que o consumo das famílias tem crescido em ritmo menor que o esperado, mesmo com o mercado de trabalho aquecido e a renda em alta. Além disso, o relatório destaca que as bets têm baixo efeito multiplicador sobre a economia. 💰 Diferentemente dos gastos com bens e serviços, os recursos direcionados às plataformas de apostas geram menos circulação de renda, empregos e atividade econômica, reduzindo o impacto positivo que outras formas de consumo poderiam ter sobre a economia. Pix impulsionou expansão O levantamento mostra ainda que o Pix virou a principal ferramenta usada pelos brasileiros para colocar dinheiro nas plataformas de apostas, com uma explosão no volume de transferências para empresas ligadas a esse setor após a regulamentação das bets. Antes da regulamentação das bets, em janeiro de 2025, as transferências mensais de pessoas físicas para empresas do segmento de artes, cultura, esporte e recreação giravam em torno de R$ 5 bilhões. Poucos meses depois, esse volume superou R$ 25 bilhões e chegou perto de R$ 42 bilhões. Segundo a análise, a expansão das bets adicionou, em média, R$ 24,1 bilhões por mês às transações via Pix entre outubro de 2024 e março de 2026. No acumulado de 2025, esse volume adicional foi estimado em R$ 350,97 bilhões. O estudo também indica que as famílias de menor renda tiveram participação relevante no mercado de apostas. Como evidência, os pesquisadores citam a restrição criada pelo governo federal em outubro de 2025 para impedir que beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) utilizassem recursos de benefícios em plataformas de apostas. A medida foi adotada após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar que valores destinados à assistência social fossem usados nas chamadas bets. Segundo o relatório da Comsefaz, depois da medida, o ritmo de crescimento das transferências via Pix para plataformas de apostas diminuiu. Para os pesquisadores, isso é um sinal de que beneficiários de programas sociais tinham uma participação relevante no uso de casas de apostas. "Esse resultado reforça o diagnóstico de vulnerabilidade financeira das famílias brasileiras no atual ciclo econômico", afirma o estudo. Veja a nota da ANJL na íntegra A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) vem a público repudiar a divulgação de dados falsos, pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), sobre um suposto volume de transações por pix no Brasil atribuído ao mercado de apostas on-line. Além de cometer erros graves na linha temporal à qual as transações se referem, o levantamento ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento, em diversos setores da economia, do uso do pix como meio de pagamento. Não procede a informação de que “famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões” para as bets em 2025. Segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas, a receita bruta do setor, no ano passado, foi de R$ 37 bilhões, quase a metade, portanto, do estimado pelo Comsefaz. Importante destacar que as transações que constam do estudo se referem a transferências líquidas de pessoas físicas para pessoas jurídicas para quatro segmentos: artes, cultura, esportes e recreação, nos quais estão se inserem uma enorme variedade de prestadores de serviços de entretenimento, não apenas as bets. Soma-se a isso a omissão de processos de mudanças na dinâmica do consumo no país, com o aumento da bancarização, fazendo com que mais pessoas passassem a usar o pix em vez de outras formas de pagamento. Por fim, a ANJL destaca que, segundo dados oficiais da SPA-MF, de outubro de 2024 a dezembro de 2025, exatamente o período ao qual o levantamento se refere, 25 mil sites de apostas ilegais foram bloqueados e pelo menos 550 contas bancárias foram encerradas. Os dados mostram que avaliar meramente um enorme montante financeiro, que abrange não só vários setores, mas também contas ligadas a empresas ilegais, causa uma miopia sobre o mercado legalizado. A indústria de apostas, mais uma vez, se manifesta contrária a divulgações irresponsáveis, tendenciosas e generalistas, de dados financeiros que não correspondem à realidade do setor, cujo retrato fiel é monitorado e divulgado apenas pelo poder regulador. Bets tiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, aponta estudo Reprodução/TV Verdes Mares

Mark Zuckerberg durante o Meta Connect em setembro de 2025 REUTERS/Carlos Barria A Meta lançou na quarta-feira (5) o Muse Code, uma inteligência artificial capaz de escrever código de software de forma autônoma. Com isso, a empresa entra no segmento mais lucrativo do competitivo mercado de IA generativa. A programação assistida por IA tornou-se a principal fonte de receitas do setor, superando os chatbots, como ChatGPT e Gemini. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Segundo a Meta, controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp, o software é capaz de planejar a execução de um projeto, dividi-lo em tarefas, escrever programas e verificar os resultados. Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo O sistema também pode delegar tarefas a outros "subagentes", afirmou o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, em publicação na rede social Threads. A Microsoft foi pioneira nesse segmento com o GitHub Copilot, antes da chegada dos chamados "agentes", sistemas capazes de executar simultaneamente diversas tarefas complexas. Entre eles estão o Claude Code, da Anthropic, o Codex, da OpenAI, e o Cursor, cuja aquisição pela SpaceX, de Elon Musk, está perto de ser concluída. O Muse Code, atualmente em versão beta, é cobrado por uso, e não por assinatura, com preços inferiores aos dos concorrentes, como parte de uma estratégia deliberada para ganhar espaço no mercado. A gigante das redes sociais, cujas receitas dependem quase integralmente da publicidade, busca monetizar diretamente seus modelos de IA, sob pressão de investidores preocupados com o tamanho de seus gastos. Em meados de 2025, Zuckerberg desembolsou mais de US$ 14 bilhões para adquirir uma participação de 49% na Scale AI. Ele nomeou o então diretor-executivo da empresa, Alexandr Wang, para comandar o Meta Superintelligence Labs, onde também recrutou executivos da OpenAI, Anthropic e Google. Logo da Meta, empresa dona do Instagram e Facebook. Tony Avelar/AP Um incidente de segurança envolvendo uma versão anterior do modelo da Meta, o Muse Spark 1.1, foi revelado na quarta-feira pelo site especializado em tecnologia The Information. Durante um teste de cibersegurança realizado pela empresa Irregular, o Muse Spark obteve acesso aos sistemas de uma empresa que não teve o nome divulgado. Segundo um porta-voz da Meta, o incidente, cuja data não foi informada, foi provocado por "um erro na configuração" da Irregular. Ele também afirmou que a empresa pretende publicar um relatório detalhado da investigação. Dois incidentes semelhantes ocorreram nas últimas semanas durante testes parecidos na OpenAI e na Anthropic. Segundo o texto, os modelos dessas empresas se aproveitaram de ambientes mal isolados para acessar, sem autorização, sistemas reais. Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel Por que ‘Brasil’ virou ‘sutiã’ no ranking da Fifa traduzido para o português?

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar encerrou esta quinta-feira (6) em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,1070. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, também fechou em baixa, de 1,22%, aos 175.555 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Investidores repercutem nesta quinta-feira a nova decisão e juros do Banco Central do Brasil (BC). Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu fazer o quarto corte seguido na taxa básica de juros nesta quarta, levando a Selic para 14% ao ano — menor patamar desde março de 2025. ▶️ No exterior, as negociações entre os Estados Unidos e o Irã seguem no radar. Na véspera, Teerã afirmou que teria chegado a um acordo com Omã sobre a divisão e a administração do Estreito de Ormuz, importante rota marítima da região. Segundo o presidente americano, Donald Trump, um acordo pode sair nos próximos dias. O barril do Brent, referência internacional, teve alta de 1,76%, cotado a US$ 80,29. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 0,88%, a US$ 75,88 o barril. ▶️Na agenda econômica, investidores avaliam indicadores econômicos e balanços corporativos. Nos EUA, as atenções ficam voltadas para os dados de pedidos de seguro-desemprego e de produtividade. Já no Brasil, o foco fica com a balança comercial de julho e com a divulgação de resultados da Petrobras e de outras empresas. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,15%; Acumulado do mês: +1,15%; Acumulado do ano: -6,57%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -0,15%; Acumulado do mês: -0,15%; Acumulado do ano: +10,30%. Copom leva Selic ao menor patamar em mais de um ano O Copom decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Este é o quarto corte consecutivo da taxa. A decisão foi unânime. Brasil continua com o maior juro real do mundo; veja ranking No comunicado, o Copom afirmou que a decisão está alinhada ao objetivo de trazer a inflação de volta para perto da meta. Segundo o comitê, a medida também ajuda a reduzir oscilações na atividade econômica e a estimular a geração de empregos. O Copom disse ainda que o cenário internacional continua incerto, em meio aos conflitos no Oriente Médio e às dúvidas sobre os próximos passos dos bancos centrais de países desenvolvidos. Para o comitê, esse ambiente exige cautela dos países emergentes. O colegiado também reforçou que as próximas decisões sobre os juros dependerão da evolução da economia e do comportamento da inflação. Segundo o BC, o tamanho total dos ajustes na taxa básica será definido com base nos dados que forem divulgados daqui para frente, para garantir que a inflação volte à meta. A decisão vem apenas uma semana após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter decidido manter as taxas básicas americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%, e já era esperada pelo mercado financeiro. A projeção é de que a Selic encerre o ano em 13,75% ao ano, o que pressupõe mais um corte na reunião de novembro. Acordo entre EUA e Irã pode estar próximo O Irã disse, nesta quarta-feira (5), que chegou a um acordo com o Omã sobre a divisão e administração do Estreito de Ormuz e a rota de passagem de navios. Segundo o ministério de Relações Exteriores do país, os negociadores das duas partes estão finalizando os detalhes da administração conjunta da passagem e do controle do tráfego de embarcações. "As coordenadas geográficas da rota proposta pelos dois países já foram definidas. Se não houver interferência de terceiros, a declaração conjunta, que reunirá os principais pontos de consenso e as considerações acordadas, também está em fase final de revisão e redação", disse o porta-voz Esmaeil Baqaei. Baghaei acrescentou, porém, que um eventual acordo entre Irã e Omã não seria suficiente, por si só, para garantir a segurança na passagem marítima. O impasse segue ligado ao bloqueio americano a portos iranianos e à oposição dos Estados Unidos a pedágios ou autorizações iranianas. A proposta prevê um novo arranjo para o trânsito de navios, diferente das rotas usadas antes da guerra. As embarcações vão entrar no Golfo Pérsico por uma rota sob controle iraniano para, depois, sair por uma passagem controlada por Omã. O Omã também propôs um mecanismo regional de gestão conjunta, com contribuições voluntárias de empresas de navegação para cobrir segurança, proteção ambiental e serviços de resgate. Na mesma fala, o chanceler também negou que o Irã tivesse sessões de negociação com os Estados Unidos. A fala contraria as declarações mais recentes do governo de Donald Trump, que na última terça-feira (4) disse que há avanços nas tratativas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, mas ainda não há acordo fechado. Em meio às incertezas, o petróleo operava em alta nesta quinta-feira. Bolsas globais Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta quinta-feira, conforme preços mais altos do ouro impulsionaram ações relacionadas ao metal e compensaram a retração nos papéis do setor de tecnologia. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,2%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,6%. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1,5% e o Nikkei, do Japão, perdeu 0,93%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 4,58%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters

O Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) estimou que a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo do governo federal, estados e municípios somará cerca de 28% em 2033, o primeiro ano com tributação cheia, conforme a regra da reforma tributária aprovada em 2024. Esse será o nível necessário para manter a atual carga tributária sobre o consumo, ou seja, o peso dos impostos sobre essa base de tributação, uma determinação da reforma tributária. Tributos altos sobre o consumo, por sua vez, penalizam a população de baixa renda — uma vez que uma parte maior de sua renda é destinada aos impostos. A projeção dos estados supera a estimativa inicial da Secretaria Extraordinária da Reforma Tributária (Sert) do Ministério da Fazenda, que calculou uma alíquota de referência de 26,5% para o ano 2033. "A estimativa inicial da Sert considerava alíquota de referência total de aproximadamente 26,5%. Com a evolução da regulamentação da reforma tributária, as estimativas públicas passaram a indicar alíquota de referência em torno de 28%", informou o CGIBS, em resolução publicada no Diário Oficial da União. ➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são maiores ainda, com tributação média de cerca de 34% – há dificuldade em calcular os impostos pois há muitas exceções, e eles estão embutidos nos preços dos produtos. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço). Agora no g1 Alíquota maior do que países ricos Em 28%, a alíquota dos futuros impostos sobre o consumo será maior do que os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — fórum que 38 países com economias desenvolvidas. "A alíquota média de imposto geral sobre o consumo na OCDE é de 19,4%. A Hungria apresenta a alíquota mais alta, de 27%, enquanto os Estados Unidos têm a mais baixa, de 7,5%", diz levantamento da Tax Foundation, de 2025. A Tax Foundation é uma organização sem fins lucrativos que atua há mais de 80 anos fazendo avaliações sobre impostos e coletando dados sobre tributos ao redor do mundo. Devedor contumaz: Câmara aprova proposta que combate contribuinte que não paga impostos de maneira intencional Jornal Nacional/ Reprodução 'Trava' de 26,5% Pelas regras da reforma tributária, há uma "trava" para que os futuros impostos sobre o consumo não ultrapassem a alíquota de 26,5%, conforme regra da reforma tributária. Entretanto, esse limite não entra em vigor de imediato. A carga será calculada, no primeiro ano de vigor das novas alíquotas cheias, para manter a atual carga tributária. Se a alíquota ultrapassar essa trava, a norma diz que o Poder Executivo "deverá encaminhar ao Congresso Nacional projeto de lei complementar propondo medidas que reduzam o referido percentual ao patamar igual ou inferior a 26,5%". Benefícios elevam alíquota para todos A aprovação de exceções à alíquota cheia dos futuros impostos sobre o consumo durante a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, ou seja, de benefícios para setores e produtos, é uma das responsáveis pelo elevado nível da tributação estimada para os futuros impostos — algo que foi apontado, à época, por exemplo, pela indústria nacional. A explicação é que, quanto maior é o número de exceções, ou regimes diferenciados — com tratamento favorecido —, mais alta é a chamada "alíquota padrão", ou seja, que os demais setores da economia, não englobados por benefícios, têm de pagar. Isso porque uma das premissas da reforma vai manter o atual patamar da carga tributária — valor que se arrecada na proporção com o PIB. Com setores e produtos beneficiados por exceções aprovadas pelo Legislativo, com tributação menor, todo os consumidores pagam a mais na alíquota normal (chamada de padrão). Entre os benefícios aprovados na tramitação da reforma tributária, estão alíquota zero para a cesta básica, incluindo as proteínas (o que, segundo especialistas, beneficia a população mais rica), para uma lista de medicamentos e dispositivos médicos. O Congresso aprovou ainda alíquotas reduzidas para serviços de educação e saúde; medicamentos e dispositivos médicos; produções artísticas, culturais, jornalísticas e audiovisuais nacionais; atividades desportivas; e profissões regulamentadas e fiscalizadas por conselhos profissionais. Além disso, a regulamentação criou regimes específicos para setores como combustíveis, serviços financeiros, planos de saúde, mercado imobiliário, cooperativas, bares e restaurantes, hotelaria, parques temáticos, transporte coletivo de passageiros e agências de turismo, entre outros.

Conselho da Warner Bros. recomenda que acionistas rejeitem oferta da Paramount A autoridade de concorrência do Reino Unido (CMA) aprovou nesta quinta-feira (6) a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. O governo britânico decidiu não intervir na operação após receber garantias legalmente vinculantes da empresa. Apesar do aval, a fusão ainda precisa superar etapas pendentes nos Estados Unidos antes de ser concluída. A aprovação representa mais um avanço para uma das maiores operações da história recente da indústria do entretenimento. O negócio, anunciado em fevereiro, está avaliado em cerca de US$ 110 bilhões (aproximadamente R$ 562 bilhões). O principal entrave agora está nos Estados Unidos. Uma coalizão formada por 12 estados, liderada pela Califórnia, entrou na Justiça para tentar impedir a fusão. Os procuradores-gerais argumentam que a união entre as empresas reduzirá a concorrência na produção e distribuição de filmes e programas de TV, poderá elevar preços e enfraquecer a disputa por empregos no setor. Na terça-feira (4), um juiz federal da Califórnia marcou o julgamento do caso para março de 2027. A Paramount concordou em não concluir a aquisição até que a Justiça decida sobre a ação ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro. Além da ação movida pelos estados, o sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos, o Writers Guild of America, também contesta a operação. A entidade afirma que a fusão reduzirá a concorrência por trabalhos de escrita em Hollywood. A Paramount, por sua vez, nega que o acordo prejudique a concorrência. A empresa afirma que a união com a Warner Bros. Discovery permitirá ampliar a produção de conteúdo e fortalecer a indústria do entretenimento em um momento de forte competição com plataformas de streaming. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Caso a conclusão do negócio seja adiada por um período prolongado, a Paramount poderá desembolsar até US$ 1,7 bilhão em pagamentos previstos no acordo firmado com os acionistas da Warner Bros. Discovery. Entenda a fusão Se aprovada definitivamente, a operação criará um dos maiores grupos globais de mídia e entretenimento. A nova empresa reunirá marcas como HBO, Max, CNN, Warner Bros. Pictures, DC Studios, Discovery, CBS, Paramount Pictures, Nickelodeon, MTV e Comedy Central. O objetivo da Paramount é ganhar escala para competir com gigantes do streaming, como Netflix e Disney, em um mercado cada vez mais concentrado e disputado. Veja os números da junção entre Warner e Paramount Arte/g1 *Em atualização

Antenas falsas usadas para disparar golpes via SMS alcançam cerca de 2 km, segundo gerente da Anatel Reprodução/Anatel Ganhos com apostas, oferta de crédito e confirmação de compras: estas são algumas das abordagens falsas usadas em golpes por SMS. E parte delas chega às vítimas por meio de antenas ilegais que bloqueiam o sinal verdadeiro de operadoras. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) apreendeu 11 antenas falsas desde 2025, sendo nove na cidade de São Paulo e duas no Rio de Janeiro. E há indícios de que os equipamentos irregulares são usados em outras cidades. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A maioria das antenas falsas estava em bairros de grande circulação, como Pinheiros e Moema, em São Paulo. O objetivo é atrair mais vítimas, visto que os equipamentos conseguem disparar 100 mil mensagens fraudulentas por dia. Por meio delas, os golpistas conseguem interceptar o sinal da operadora e enviar SMS para quem está em um raio de cerca de 2 km da antena falsa. Para isso, eles exploram uma falha de segurança na antiga rede 2G. (veja abaixo como se proteger) Agora no g1 As antenas falsas exigem alto investimento e conhecimento técnico, explicou ao g1 a superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Teles. "Estamos falando de equipamentos que podem custar mais de R$ 100 mil. O que a gente acredita é que há criminosos especializados e com poder financeiro para comprar esse tipo de equipamento e treinar quem vai operá-lo", afirmou. A operação ilegal é geralmente denunciada por operadoras que notam interferências no sinal por conta das antenas falsas, também chamadas de ERBs fakes (sigla para "estação rádio-base"). A Anatel mantém um trabalho conjunto com a Polícia Civil para identificar locais em que as ERBs fakes são usadas e como elas chegam ao Brasil. "Já teve caso em que encontramos um homem que estava montando a ERB fake. Ele pegava os componentes, montava e colocava no mercado ilegal", disse Gesiléa. "Foi uma investigação que envolveu as polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo". Programa de computador usado para disparar golpes via SMS Reprodução/Anatel O uso de bloqueadores de sinal no Brasil só é liberado para alguns órgãos públicos, como os que administram presídios. Eles precisam de autorização da Anatel para manter esse tipo de equipamento. A operação de antenas falsas é considerada uma atividade clandestina. A prática pode levar a detenção de dois a quatro anos, período que pode ser aumentado pela metade se houver danos a terceiros, além de multa de R$ 10 mil. Como as antenas falsas são encontradas Após receber uma denúncia, a Anatel envia uma equipe à região informada para iniciar a busca pela antena ilegal. Os técnicos recorrem, então, a analisadores de espectro, equipamentos que tentam detectar interferências de sinal. Os aparelhos ajudam a direcionar a busca para onde a interferência é maior e, assim, encontrar o local. Essa etapa pode levar dias porque a antena falsa não fica à mostra para quem está na rua. Equipamentos da Anatel permitem direcionar busca por antenas falsas Reprodução/Anatel Segundo a agência, os golpistas costumam alugar apartamentos em andares altos em bairros de alta circulação. Eles permanecem no local por um prazo curto, na tentativa de não serem percebidos. "Os criminosos tentam colocar esses equipamentos em lugares de grande movimento e, geralmente, com uma situação um pouco mais desenvolvida", explicou Gesiléa, da Anatel. Com a identificação do ponto exato, a Anatel aciona a Polícia Civil, que pede à Justiça autorização para entrar no local. Em outro caso, uma antena foi colocada em um carro para disparar mensagens em vias congestionadas de São Paulo. Além da antena, o golpe usa uma caixa preta que funciona como um transmissor e de um notebook com o programa responsável por disparar as mensagens para quem está na região. Polícia descobre central que funcionava como unidade móvel de golpes Como se proteger de antenas falsas O golpe da antena falsa explora uma brecha no 2G, que faz o celular aceitar dados de qualquer antena que conseguir interagir com ele, explicou Daniel Nunes, professor do Instituto Nacional de Telecomunicações. "Nas gerações modernas, como 4G para cima, há uma autenticação de mão dupla: a rede autentica o dispositivo, e o dispositivo autentica a rede. No caso do 2G, a rede autentica o dispositivo, mas o dispositivo não autentica a rede", afirmou. Com essa brecha, os criminosos interceptam o 4G e o 5G e forçam o celular do usuário a "cair" para o 2G. Assim, mesmo em um bairro movimentado, o aparelho entende que está em uma área remota, com menos cobertura de sinal. "Isso é praticamente impossível de ser feito em móveis que estão do 4G para cima", explicou o professor, que recomenda manter o celular conectado apenas às redes mais modernas e impedir o acesso por meio de antenas 2G. No Android, essa opção costuma ser encontrada em um caminho parecido com esse: Configurações > Conexões > Redes móveis. Em seguida, desative a opção "Permitir serviço 2G" – os nomes podem variar de acordo com a marca do celular. No iPhone, siga este caminho: Ajustes > Privacidade e Segurança > Modo de Isolamento. Clique em "Ativar o Modo de Isolamento" e confirme a escolha – o recurso aumenta a segurança, mas limita o funcionamento de outros aplicativos. Para evitar golpes via SMS, a orientação é não clicar em links nem atender a pedidos de instalação de aplicativos que chegam nessas mensagens. Outra medida importante é manter o sistema atualizado para ter recursos de segurança mais avançados. Em mensagens, golpistas tratam sobre compras e empréstimos para induzir vítimas a ligar para centrais de atendimento falsas e clicar em links maliciosos Reprodução/Anatel

Amizade no trabalho ajuda ou atrapalha a carreira? Entenda os limites Quem acessou as redes sociais nos últimos meses provavelmente se deparou com vídeos sobre amizades no trabalho. Trends no TikTok mostram como profissionais criaram relações no escritório que acabam ultrapassando o expediente. É o caso das biólogas marinhas Mônica Pontalti e Carolina Iozzi Relvas. Elas se conheceram em 2017, durante o primeiro embarque de Carolina para atuar como observadora de mamíferos marinhos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A convivência durante os 45 dias embarcadas fortaleceu a amizade entre elas, que evoluiu para uma parceria profissional. Hoje, Carolina é uma das principais instrutoras da empresa de treinamentos e cursos fundada por Mônica. Ao longo dos anos, elas ministraram cursos presenciais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de diversas capacitações on-line. Segundo Carolina, ter uma amiga a bordo sempre tornou o trabalho mais leve e acolhedor. “Em embarcações, onde os profissionais passam longos períodos longe da família e dos amigos, contar com alguém de confiança faz diferença”, conta. As biólogas marinhas Mônica Pontalti e Carolina Iozzi Relvas transformaram uma parceria de trabalho em uma amizade que atravessa anos e projetos profissionais. Arquivo Pessoal Outro exemplo é o das engenheiras Catherine Ferreira e Lívia Cipriano Magalhães, cuja amizade nasceu durante um treinamento a bordo. Catherine ingressou em uma empresa especializada em automação e sistemas de tecnologia para embarcações e teve Lívia como instrutora em sua primeira viagem de trabalho. Mesmo após deixarem de atuar no mesmo departamento, Catherine e Lívia mantiveram a proximidade. Hoje, elas trabalham em áreas diferentes da mesma empresa e raramente embarcam juntas, mas procuram se encontrar durante as folgas, organizar viagens e participar de encontros com outros colegas. As engenheiras Lívia Cipriano Magalhães e Catherine Ferreira se conheceram durante um embarque e transformaram a parceria profissional em uma amizade que dura até hoje. Arquivo Pessoal Limite entre amizade e profissionalismo Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que construir vínculos no ambiente corporativo é saudável e traz benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. O desafio está em impedir que a relação pessoal interfira nas decisões profissionais. "É inevitável que a gente crie relações que vão além do profissional. A gente passa muito tempo do nosso dia no trabalho", afirma Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half. Segundo ele, amizades favorecem a colaboração, tornam a comunicação mais fluida, fortalecem a troca de conhecimento e contribuem para o desenvolvimento da carreira por meio do networking. Na avaliação do especialista, essas relações também fazem parte do chamado salário emocional — fatores que não aparecem no contracheque, mas influenciam diretamente a satisfação e a permanência dos profissionais nas empresas. Um bom ambiente de trabalho, boas relações e a sensação de pertencimento pesam muito quando alguém decide ficar ou sair de uma empresa. Solidão no trabalho afeta quase metade dos brasileiros Arte g1 Uma pesquisa do Indeed Brasil, realizada com 1.065 trabalhadores em janeiro de 2025, mostra que as amizades no trabalho são percebidas como um fator que favorece o desempenho profissional. Segundo o levantamento: 57% acreditam que esses vínculos melhoram a colaboração entre equipes; 52% afirmam que tornam o trabalho mais agradável; 50% dizem que ter alguém com quem conversar ajuda a reduzir o estresse; 45% associam as amizades ao aumento da motivação e da produtividade; apenas 7% afirmam que elas não influenciam o desempenho profissional; 54% dizem ter um melhor amigo no trabalho. Outro levantamento, do Índice de Confiança do Trabalhador, do LinkedIn, mostra que 55% dos profissionais brasileiros dizem ter amigos no ambiente de trabalho, mas apenas 35% consideram esse tipo de relação necessário. Nos Estados Unidos, uma pesquisa da KPMG com 1.019 trabalhadores encontrou resultados semelhantes. Segundo o estudo, 87% consideram muito importante ter amigos próximos no ambiente profissional, e 84% afirmam que esses vínculos são essenciais para a saúde mental. Além disso, 57% dizem que aceitariam um emprego com salário 10% menor em uma empresa onde pudessem construir amizades próximas, em vez de trabalhar em outra que pagasse 10% acima do mercado, mas não proporcionasse essas conexões. "Elas criam um tecido de confiança que acelera a colaboração, aumenta a fluidez das entregas e amplia a sensação de pertencimento. Ninguém entrega o seu melhor em um ambiente onde se sente sozinho”, explica Camilla Pádua, sócia-líder da área de consultoria em gestão de pessoas da KPMG no Brasil. Quando a amizade vira problema? Apesar dos benefícios, especialistas alertam que a amizade não pode se sobrepor ao profissionalismo. Para Eliane Aere, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), o principal risco surge quando a relação pessoal passa a influenciar decisões que deveriam ser pautadas por critérios técnicos e de mérito, como avaliações de desempenho, promoções, distribuição de tarefas e feedbacks. "A amizade deve adicionar valor ao seu trabalho, não subtrair a sua objetividade", afirma. Segundo ela, sinais como favorecimento, dificuldade para tratar todos os colegas com os mesmos critérios e formação de "panelinhas" indicam que a relação deixou de ser saudável. Lucimara Costa, diretora de Recursos Humanos da Nexti, concorda e afirma que o problema começa quando o vínculo pessoal interfere nas responsabilidades profissionais. "Quando você deixa de dar um feedback necessário para não magoar um amigo ou toma decisões baseadas em afinidade, e não em competência, esse limite foi ultrapassado", explica. Outro desafio aparece quando amigos passam a ocupar posições de liderança. Para Rodrigo Vianna, transparência e profissionalismo são essenciais nesses casos. "O cuidado é garantir que a amizade não influencie decisões da empresa nem gere percepções de favorecimento", afirma. A confraternização da empresa é um evento social para integrar e motivar colaboradores fora do ambiente de trabalho. Freepik/ Reprodução Ausência de vínculos também preocupa Se as amizades fazem bem, a falta delas também pode trazer consequências. Marcela Zaidem, fundadora da consultoria Cultura na Prática, explica que especialistas têm chamado de solidão corporativa a sensação de isolamento vivida por profissionais que, mesmo cercados por colegas, reuniões e mensagens, não conseguem criar conexões significativas. "Amizade é um recurso relacional, não um modelo de gestão. Cultura séria não se constrói no acaso", afirma. Segundo ela, pertencimento depende de fatores como confiança, respeito, segurança psicológica e qualidade da liderança. Muller Gomes lembra que o ser humano não foi feito para viver isolado. "A falta de interação pode afetar a produtividade, a saúde mental e até o desenvolvimento profissional, já que o networking é fundamental para oportunidades de carreira", explica. Bruno Gonçalves acrescenta que a solidão corporativa está associada ao aumento do absenteísmo, à queda da criatividade e ao enfraquecimento do engajamento. "Tem gente empregada que se sente tão sozinha quanto quem não tem emprego nenhum", completa. Segundo um levantamento da Pluxee com mais de 2 mil brasileiros, 47% dizem se sentir sozinhos no trabalho, seja frequentemente ou às vezes. Outro dado chama atenção: 78% consideram essencial ter amizades verdadeiras no ambiente profissional, indicando que a qualidade das relações influencia diretamente a experiência no emprego. As conexões ajudam a retenção de talentos. Em uma escala de 1 a 5, os entrevistados atribuíram nota média de 3,39 ao impacto das amizades na decisão de permanecer ou deixar uma empresa. Como construir amizades saudáveis no trabalho? Os especialistas recomendam alguns cuidados para manter relações positivas sem comprometer o desempenho profissional: Evitar privilégios a colegas próximos em promoções, avaliações ou distribuição de tarefas; Respeitar os limites pessoais dos outros profissionais; Separar critérios profissionais das relações pessoais; Manter imparcialidade em feedbacks e decisões; Preservar informações confidenciais; Evitar que conflitos pessoais interfiram nas atividades da equipe. Também é importante observar alguns sinais de que a amizade pode estar ultrapassando os limites: Você evita dar feedback por medo de perder a amizade; Decisões passam a ser tomadas por afinidade e não por mérito; Informações confidenciais são compartilhadas fora do contexto profissional; Há percepção de favorecimento ou formação de grupos fechados; Conflitos pessoais começam a afetar o desempenho da equipe. Muller Gomes resume a discussão em uma palavra: maturidade. "A amizade ajuda até certo ponto. É preciso entender quando ela contribui e quando começa a atrapalhar", explica. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

STF amplia a isenção na compra de veículos pra pessoas com deficiência e autismo O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta semana ampliar o direito à isenção de impostos na compra de automóveis zero km para pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) e pessoas com deficiência, independentemente do grau de severidade. Com a decisão unânime do Plenário da Corte, foram retirados trechos da regulamentação da Reforma Tributária (Lei Complementar 214/2025) que restringiam o acesso ao benefício. A depender do veículo, a isenção pode reduzir o preço de compra em até 30%. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O texto original excluía do benefício pessoas com deficiência leve ou com autismo nível 1 de suporte. O STF considerou essas expressões inconstitucionais. A Justiça passa a considerar a situação específica da pessoa e as barreiras que ela enfrenta, e não uma classificação abstrata entre casos leves e graves. Permanece a necessidade de cumprir os requisitos de segurança para dirigir ou de adaptação do veículo, quando for o caso. O intervalo entre uma isenção e outra foi mantido em três anos. Portanto, quem tem direito ao benefício não pode adquirir outro veículo com esse desconto antes desse prazo. Já motoristas profissionais, como taxistas, podem solicitar a isenção a cada dois anos. A seguir, veja perguntas e respostas sobre as novas regras e descubra se você tem direito ao benefício: Quem tem direito à isenção de imposto na compra de carro? Quais são os critérios para o laudo médico ser aceito? Tenho deficiência física, mas minha CNH não tem restrição compatível. Posso pedir isenção? Pessoas com deficiência, sem CNH, podem pedir isenção de IPI? Qual carro pode ter abatimento de imposto? Carros tem desconto de impostos para o pessoas com deficiência e autistas. Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil Quem tem direito à isenção de imposto na compra de carro? Segundo a Receita Federal, a isenção de impostos na compra de veículos pode ser concedida a taxistas, cooperativas e permissionárias de táxi, além de pessoas com deficiência física, visual, mental ou com transtorno do espectro autista, inclusive menores de 18 anos representados legalmente. Já a isenção de IOF tem regras mais restritas. Além de taxistas e cooperativas, o benefício é destinado apenas à pessoa com deficiência física que tenha incapacidade para conduzir um automóvel convencional, comprovada por laudo emitido pelo Detran com a indicação das adaptações necessárias no veículo. Quais são os critérios para o laudo médico ser aceito? Para ser aceito pela Receita Federal, o laudo deve ser emitido por uma única unidade de saúde e conter as assinaturas do médico responsável pelo exame, do psicólogo, nos casos de deficiência mental ou transtorno do espectro autista, e do responsável pela unidade emissora. Além disso, os profissionais e o estabelecimento de saúde precisam estar regularmente cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), conforme as exigências do Ministério da Saúde. Laudos com profissionais vinculados a unidades diferentes não são aceitos. Tenho deficiência física, mas minha CNH não tem restrição compatível. Posso pedir isenção? Sim. O pedido pode ser apresentado, mas a Receita Federal destaca que a deficiência física precisa causar comprometimento funcional e dificultar o desempenho de atividades para dar direito à isenção de impostos. Se a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não registrar restrições compatíveis com essa condição, a orientação é realizar uma nova perícia no Detran para reavaliar a capacidade de condução antes de solicitar o benefício. Pessoas com deficiência, sem CNH, podem pedir isenção de IPI? Sim. A Receita Federal permite a concessão da isenção de IPI para pessoas com deficiência que não possuem CNH. Nesses casos, porém, é obrigatório indicar pelo menos um condutor devidamente habilitado para dirigir o veículo. Qual carro pode ter abatimento de imposto? A isenção de IPI é destinada à compra de veículos novos equipados com motor de até 2.0, com pelo menos quatro portas (incluindo a do porta-malas), movidos a combustível renovável, com motorização flex ou com propulsão híbrida ou elétrica. A isenção de IOF só pode ser utilizada uma única vez. O benefício é restrito a automóveis de passageiros com potência bruta de até 127 hp, conforme o padrão de classificação da Society of Automotive Engineers (SAE).

Concurso da Dataprev abre 1,8 mil vagas com salários de até R$ 10,6 mil Rafa Neddermeyer/Agência Brasil As inscrições para o novo concurso público da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) terminam nesta quinta-feira (6), às 16h. Ao todo, são oferecidas 212 vagas imediatas e 1.611 para cadastro de reserva, totalizando 1.823 oportunidades. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp ➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO As inscrições devem ser feitas pelo site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso. A taxa de inscrição é de R$ 110. Candidatos inscritos no CadÚnico e doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde puderam solicitar isenção da taxa, conforme o cronograma previsto no edital. Agora no g1 As oportunidades são destinadas a candidatos com nível superior em áreas como Arquitetura, Administração, Tecnologia da Informação, Engenharia, Direito, Ciências Contábeis e Comunicação Social, entre outras. A remuneração inicial varia de acordo com o cargo e a jornada de trabalho. (veja na tabela abaixo a distribuição de vagas) Analista de Tecnologia da Informação (várias especialidades): jornada de 40 horas semanais e remuneração inicial de R$ 10.685,44. Analista de Processamento: jornada de 30 horas semanais e remuneração inicial de R$ 8.273,94. Além do salário, os contratados pelo regime CLT terão direito aos seguintes benefícios, conforme o Acordo Coletivo de Trabalho e os normativos internos da empresa: Ticket alimentação/refeição de R$ 1.357,20; Auxílio pré-escolar ou escolar de até R$ 1.758,35 para filhos; Auxílio para tratamento especializado de até R$ 1.230,00 para filhos com deficiência; Assistência à saúde, por meio de reembolso, conforme regras específicas; Previdência complementar, por meio da Prevdata; Participação nos Lucros e Resultados (PLR); Gratificação variável por resultado; Seguro de vida em grupo; Possibilidade de progressão na carreira. As vagas e o cadastro de reserva estão distribuídos entre diversas localidades, incluindo Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Florianópolis (SC), conforme o perfil do cargo. Do total de vagas, 25% são reservadas para candidatos negros (pretos e pardos), 5% para pessoas com deficiência, 3% para candidatos indígenas e 2% para candidatos quilombolas. Conforme o edital, o processo seletivo será composto pelas seguintes etapas: Prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, para todos os cargos; Procedimento de heteroidentificação e avaliação biopsicossocial para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas para negros (pretos e pardos), quilombolas, indígenas e pessoas com deficiência. As provas serão aplicadas em todas as capitais e no Distrito Federal no dia 11 de outubro, das 13h às 17h (horário de Brasília). Os portões serão fechados, impreterivelmente, às 12h30. No momento da inscrição, o candidato deverá escolher a capital onde realizará a prova. Para todos os cargos e perfis, a prova objetiva será composta por 70 questões, sendo: 40 de Conhecimentos Gerais (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Raciocínio Lógico-Matemático, Atualidades e Inteligência Artificial e Legislação de Segurança da Informação); 30 de Conhecimentos Específicos. O concurso terá validade de dois anos, contados da homologação do resultado final, podendo ser prorrogado uma única vez por igual período. As contratações ocorrerão após a homologação do resultado final e respeitarão o término da vigência do concurso anterior, realizado em 2024, que permanece válido até 13 de janeiro de 2027. Cronograma do concurso Inscrições: de 6 de julho a 6 de agosto; Pagamento da taxa de inscrição: até 7 de agosto; Prova objetiva: 11 de outubro de 2026, das 13h às 17h (horário de Brasília); Recursos contra o gabarito preliminar: em até dois dias úteis após a divulgação do gabarito preliminar; Divulgação da imagem do cartão de respostas: após o resultado da prova objetiva, permanecendo disponível por 15 dias corridos após a divulgação do resultado final; Convocação para avaliação biopsicossocial e heteroidentificação: 11 de novembro; Avaliação biopsicossocial e entrevista de heteroidentificação: 22 de novembro; Concurso do IBGE com mais de 9 mil vagas tem edital publicado; veja detalhes

Como funciona a Mega-Sena? O concurso 3.038 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 150 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (6), em São Paulo. No concurso da última terça (4), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 03 - 16 - 24 - 30 - 49 - 54. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Compartilhe essa notícia no WhatsApp O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Prédio-sede do BRB em Brasília, em imag Jornal Nacional/ Reprodução O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux marcou, para o próximo dia 13, uma nova audiência de conciliação no acordo entre a União e o Banco de Brasília (BRB) para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para a instituição. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (5) e atende a um pedido do governo do DF, que disse haver "inércia" da União e do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) no cumprimento do acordo homologado no fim de maio. "Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo [...] não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise nem há pela União o cumprimento das disposições contratuais", diz a reclamação feita pelo governo do DF ao Supremo. Pela decisão de Fux, devem participar da audiência representantes do governo do DF, do BRB, da Advocacia-Geral da União, do Ministério da Fazenda, do Banco Central, do FGC e do Ministério Público Federal. O Banco do Brasil também deverá enviar um representante, em nome do consórcio de bancos que estuda a concessão do empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Presidente do BRB explica modelagem do empréstimo que pode salvar o banco ➡️O governo do DF tem pressa para finalizar a contratação do empréstimo e recompor o patrimônio do BRB, danificado pelas transações malsucedidas com o Banco Master. ➡️O BRB não divulga seu balanço patrimonial desde novembro de 2025, justamente em razão da fragilidade deixada por essas operações. O governo do DF, como acionista controlador do banco, é o ente responsável por sanear o quadro. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Plano ainda não deu frutos Como mostrou o g1, o prazo de 180 dias para que o BRB executasse o plano de capitalização apresentado ao Banco Central em fevereiro terminou nesta quarta – mas as medidas de maior impacto ainda não foram implementadas. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. É essa a etapa que deve ser discutida na audiência de conciliação convocada por Fux. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Leia mais notícias sobre a região no .

Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 20 de maio de 2026 REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo Uma inteligência artificial da Meta, dona do Instagram, do WhatsApp e do Facebook, também fez um ataque hacker a outra empresa, revelou nesta quarta-feira (5) o site The Information. Segundo a reportagem, o modelo conhecido como Muse Spark 1.1 invadiu o sistema de uma empresa e fez mudanças por conta própria. O nome da companhia atacada não foi revelado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A Meta afirmou que o incidente aconteceu devido a um erro de configuração que permitiu a um de seus modelos acessar a internet durante testes. A empresa afirmou que está investigando o caso. Este é o caso mais recente de falhas de segurança exploradas por modelos de inteligência artificial. A OpenAI, dona do ChatGPT, e a Anthropic, do Claude, também relataram incidentes. IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI Experimentos com IA costumam ser feitos em sistemas fechados, com pouco ou nenhum acesso à internet. As barreiras de proteção das versões voltadas para usuários comuns são desligadas para testar as capacidades dos agentes. Na prática, é como se esses modelos de IA tivessem liberdade total para fazer o que quiserem em um ambiente cercado. O que preocupa é que, agora, eles mostraram ser capazes de ultrapassar os "muros" criados pelas empresas. IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão 'sem precedentes' por modelo da OpenAI O modelo "explorou uma vulnerabilidade de segurança em um serviço de terceiros, de maneira semelhante a casos relatados anteriormente com outras empresas", disse a Meta. Ainda segundo o The Information, o erro de configuração foi da Irregular, empresa parceira da Meta nos testes do Muse Spark 1.1. Com a brecha no ambiente de testes, também chamado de "sandbox", o modelo conseguiu explorar uma vulnerabilidade de segurança de terceiros. Um porta-voz da Irregular disse à Reuters que o incidente envolveu "exatamente o mesmo problema de ambiente de avaliação que já havia sido divulgado pela Anthropic na semana passada" e que não envolveu uma "fuga do sandbox ou uma ação cibernética sofisticada". "Não há problemas em aberto no momento. A Irregular está desenvolvendo um artigo técnico para compartilhar as melhores práticas de contenção e execução segura de avaliações cibernéticas", disse a Irregular, em comunicado.
Como a Selic mexe com tudo na sua vida
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. A sigla significa “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”, mas, na prática, representa os juros cobrados entre bancos e serve de referência para diversas taxas aplicadas ao consumidor.
Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano, quarto corte consecutivo.
Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro. Isso reduz empréstimos, investimentos e contratações, esfria o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula investimentos, contratações e o consumo.
Neste vídeo, você vai entender como a Selic afeta a sua vida — e, às vezes, você nem percebe. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
Vista área de Vitória, Terceira Ponte e Vila Velha, no Espírito Santo Reprodução/A Gazeta/Arquivo Vitória voltou a ocupar a posição de cidade com o metro quadrado mais caro do país. Com R$ 15.448, a capital capixaba desbancou Balneário Camboriú (R$ 15.295) e Itapema (R$ 15.403), ambas cidades de Santa Catarina, no Sul do país. Segundo os dados de julho do Índice FipeZAP de Venda Residencial, o valor médio do metro quadrado de Vitória também coloca a ilha à frente de metrópoles como Florianópolis (R$ 13.461), São Paulo (R$ 12.099), Rio de Janeiro (R$ 11.131) e Brasília (R$ 10.238). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A aceleração não fica restrita apenas a Vitória. No acumulado dos últimos 12 meses, Vila Velha disparou 15,57%, alcançando a maior valorização do país entre as 56 cidades monitoradas. Com esse resultado, a cidade canela-verde atingiu o preço médio do metro quadrado de R$ 11.341 – sendo a nona cidade desse ranking, superando capitais do Sudeste, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro. No acumulado de 2026, enquanto a inflação oficial (IPCA-15) marca 3,43%, Vitória acumula alta de 8,82% e Vila Velha lidera o ranking geral nacional, com 9,68%. LEIA TAMBÉM: INVESTIGAÇÃO: Feto é encontrado dentro de lixeira em UPA na Serra ACIDENTE: Caminhão cai de ribanceira e mulher morre ao ser arremessada na BR-262, no ES Agora no g1 O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES), Alexandre Schubert, pediu cautela ao analisar os dados. "Esse preço médio não reflete a realidade do mercado, pois não considera a variação das tipologias dos imóveis e nem dos bairros. É um valor médio que não dá informação suficiente para a precificação, pois não são de empresas e sim de proprietários que estão vendendo seus imóveis", atenta. Schubert ainda chama a atenção para a variação do CUB, que é o custo de construção de uma obra, e que no acumulado do ano ficou em 9,22%. "A valorização de Vitória, dentro da pesquisa do FipeZap ficou em 8,82%, abaixo do CUB do Espírito Santo, que teve a maior variação do país. Somado a isso está ainda a escassez de terrenos na Capital, o que ajuda a compor os preços", disse. Convento da Penha. Vista aérea Vitória. Morro Mestre Álvaro. Espírito Santo. Yuri Barichivich/Setur ES Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Como a Selic mexe com tudo na sua vida O Brasil tem o maior juro real do mundo mesmo após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira (5). 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída da inflação prevista para os próximos 12 meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, o indicador no país ficou em 9,30%. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A segunda posição do ranking ficou com a Rússia, que registrou uma taxa real de 9,09%. A Colômbia apareceu na terceira posição, com juros reais de 6,16%. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o MoneYou afirmou que a alta das expectativas de inflação para os próximos 12 meses reduziu os juros reais na maioria dos países, em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. A Argentina, que passou por um forte choque econômico sob o governo de Javier Milei, tem oscilado no ranking. Neste mês, o país ficou na 5ª posição, com juro real de 4,51%, em meio a um cenário econômico ainda desafiador e de inflação elevada. Veja abaixo os principais resultados da lista de 40 países. Ranking de juros reais em agosto de 2026. Arte/g1 Queda da Selic Nesta quarta-feira, o Copom anunciou a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Trata-se do quarto corte consecutivo. O movimento ocorre em meio à retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e pode pressionar a inflação brasileira por meio do aumento dos combustíveis. Selic: a trajetória da taxa básica de juros Arte/g1 Juros nominais Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação projetada), a taxa brasileira ocupou a terceira posição, ao lado da Rússia. Veja abaixo: Turquia: 37% Argentina: 29% Brasil: 14% Rússia: 14% Colômbia: 12% África do Sul: 7% México: 6,50% Hungria: 5,75% Indonésia: 5,75% Índia: 5,25% Filipinas: 4,75% Chile: 4,50% Austrália: 4,35% Hong Kong: 4% Israel: 3,50% Polônia: 3,75% Reino Unido: 3,75% Estados Unidos: 3,75% República Tcheca: 3,75% China: 3% Malásia: 2,75% Coreia do Sul: 2,75% Alemanha: 2,40% Áustria: 2,40% Espanha: 2,40% Grécia: 2,40% Holanda: 2,40% Portugal: 2,40% Bélgica: 2,40% França: 2,40% Itália: 2,40% Nova Zelândia: 2,50% Canadá: 2,25% Taiwan: 2% Dinamarca: 1,85% Suécia: 1,75% Tailândia: 1% Japão: 1% Cingapura: 0,90% Suíça: 0% Sede do Banco Central em Brasília Raphael Ribeiro/BCB

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,25% para 14% ao ano. Este é o quarto corte consecutivo da taxa. A decisão foi unânime. Copom reduz taxa de juros para 14% ao ano No comunicado, o comitê afirma que "entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego." O Copom afirmou que o cenário externo segue incerto, em meio aos conflitos no Oriente Médio e às dúvidas sobre a política monetária de economias avançadas. Segundo o comitê, esse ambiente “exige cautela” por parte de países emergentes. Fachada do Banco Central Jornal Nacional/ Reprodução O colegiado também reforçou que as próximas decisões sobre os juros dependerão da evolução do cenário econômico e dos riscos para a inflação. "Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta." Taxa segue uma das mais altas do mundo Com o novo recuo, a Selic passa ao menor nível desde março de 2025, alcançando o patamar mais baixo em pouco mais de um ano. Ainda assim, descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa de juros real do Brasil continua entre as mais altas do mundo. Selic: a trajetória da taxa básica de juros Arte/g1 A decisão já era esperada pelo mercado financeiro. A projeção é de que a Selic encerre o ano em 13,75% ao ano, o que pressupõe mais um corte na reunião de novembro. A expectativa de continuidade no ciclo de redução dos juros permanece mesmo diante da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e pode pressionar a inflação brasileira por meio do aumento dos combustíveis. No último domingo (2), porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende realizar novas rodadas de conversas com o Irã – que, por sua vez, negou as negociações. Como funciona a decisão 🔎A taxa básica da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 5,03%, 4,22% e 3,80% – todas acima da meta central de inflação.

Dia dos Pais: Procon reforça orientações para evitar problemas durante compras O mundo pode enfrentar uma nova onda de inflação dos alimentos, impulsionada pela combinação da guerra entre Irã e Israel, do conflito na Ucrânia e dos efeitos do El Niño sobre a produção agrícola. O alerta é de Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que prevê uma alta dos preços das commodities agrícolas ainda neste ano, com impacto mais forte sobre os alimentos no fim de 2026 e ao longo de 2027. Mesa com alimentos: Segundo especialistas, o mais importante é prestar atenção aos sinais de fome e criar maior consciência sobre o que se está comendo. Getty Image Em entrevista à Reuters, Torero afirmou que a transmissão do aumento das commodities para o preço pago pelo consumidor costuma levar de três a seis meses. "Acreidto que os preços das commodities comecem a subir mais agora, e que os alimentos passem a encarecer até o fim do ano. No ano que vem, com certeza, a alta será ainda maior", disse. Os alimentos tiveram papel central na disparada da inflação global em 2022. Neste ano, porém, os preços permaneceram relativamente comportados, ajudando até a amenizar, em alguns países, o impacto da alta dos custos de energia. Segundo o economista, essa estabilidade deve ser temporária. Isso porque a alta do petróleo, a redução da oferta de fertilizantes provenientes da região do Golfo, a escassez de diesel em algumas partes do mundo e os eventos climáticos extremos estão elevando os custos de produção agrícola. Esse aumento, segundo ele, inevitavelmente chegará ao consumidor, ainda que com algum atraso. Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda Embora os preços de commodities como trigo, milho e arroz tenham subido nos últimos meses, eles ainda refletem boas safras recentes e não incorporam plenamente as dificuldades esperadas para o próximo ciclo agrícola. Frutas, verduras e legumes ricos em água ajudam a manter a hidratação e a alimentação equilibrada das crianças nos dias de calor intenso. DB Supermercados Ormuz preocupa setor agrícola Torero destacou que o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo e do gás natural comercializados no mundo, tornou-se um fator de preocupação para o setor agrícola. "O Estreito de Ormuz afeta todos os insumos da agricultura. O petróleo Brent é usado no bombeamento de água, nas embalagens, no processamento e no transporte. Já o gás natural é essencial para a produção de fertilizantes", afirmou. Ao mesmo tempo, os ataques da Ucrânia à infraestrutura russa de petróleo e gás reduziram a oferta exportável de diesel e gás natural — dois insumos fundamentais para a produção de alimentos. Como os preços das commodities são determinados globalmente, os efeitos acabam sendo sentidos em diversos países, ainda que as economias mais ricas tenham maior capacidade de proteger seus produtores. "Estamos ouvindo isso na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil e na Ásia. As margens apertadas estão influenciando as decisões de plantio", disse Torero. Trump já afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos REUTERS Nos Estados Unidos, por exemplo, produtores das nove principais culturas agrícolas podem acumular perdas de US$ 32 bilhões (R$ 164,48 bilhões) em 2027 sem apoio do governo federal, segundo a American Farm Bureau Federation. A entidade estima que todas as culturas analisadas devem operar abaixo do ponto de equilíbrio financeiro no próximo ano. Os efeitos já começam a aparecer na produção mundial O plantio de trigo e milho diminuiu nos três primeiros meses da guerra envolvendo o Irã, enquanto parte dos agricultores americanos migrou para a soja, cultura que exige menos fertilizantes. Na Austrália, um dos maiores exportadores agrícolas do mundo, o governo prevê uma queda de 21% na produção das culturas de inverno, atribuída, em parte, ao forte aumento dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes, além das incertezas sobre a disponibilidade desses insumos. Como o El Niño impacta a alimentação Outro fator de pressão é o El Niño, que neste ano deve ser especialmente intenso. O fenômeno altera os padrões de chuva em diversas regiões do planeta, reduz a produtividade agrícola, eleva os preços das commodities e pode levar dezenas de milhões de pessoas à insegurança alimentar grave. El Niño forte e Atlântico aquecido acendem alerta para calor extremo e seca no Amazonas Arquivos/Rede Amazônica Na Índia, por exemplo, a temporada de monções já começou com atraso e as previsões apontam chuvas abaixo da média neste mês, o que pode prejudicar a produção de arroz e pressionar ainda mais os preços globais dos alimentos.

Currais em São Paulo usam biometria facial em bois O setor de carne bovina brasileiro deve enfrentar um cenário internacional bem mais desafiador ao longo de 2026. A combinação de conflitos geopolíticos, imposição de novas tarifas e barreiras comerciais no exterior tem criado obstáculos adicionais para a cadeia produtiva, segundo avalia o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. 🐂 Em 2025, o rebanho bovino brasileiro foi estimado em 195,5 milhões de cabeças, mantendo o país na liderança mundial em número de animais destinados à produção comercial a frente dos EUA. Durante evento do setor em São Paulo nesta quarta-feira (5), o presidente da ABIEC destacou que a situação macroeconômica global e as decisões unilaterais de grandes parceiros comerciais exigirão maior flexibilidade e capacidade de adaptação das indústrias brasileiras. "Enfrentamos questões geopolíticas, recessões, tarifas, cotas e salvaguardas impostas unilateralmente. Tudo isso cria ainda mais dificuldades para o setor produtivo", afirmou Perosa a participantes da Exposição Internacional de Proteína Animal. A mudança no ambiente externo já se reflete de maneira direta nas projeções de oferta e processamento do país. Segundo estimativas apresentadas pela Abiec, o volume de abate no Brasil deve girar em torno de 40 milhões de cabeças de gado em 2026, indicando uma desaceleração no ritmo de produção industrial em comparação com o período anterior. Gado confinado em Barretos, São Paulo. Joel Silva/Reuters Como foi o ano passado: recordes de abate e forte ritmo de produção O cenário de maior cautela esperado para a pecuária brasileira em 2026 contrasta com o desempenho registrado no ano passado. Em 2025, o setor viveu um período de oferta elevada de animais e forte ritmo de produção nos frigoríficos. Ao longo do ano, o Brasil movimentou cerca de 42 milhões de cabeças de gado, impulsionado por um momento favorável do ciclo pecuário e pela demanda internacional aquecida. O bom desempenho das exportações também ajudou a sustentar o setor. A China continuou como principal destino da carne bovina brasileira, enquanto mercados mais exigentes, como o europeu, mantiveram as compras de cortes de maior valor agregado. Relembre: Brasil registra maior abate de bovinos da história pelo 2º ano consecutivo Em 2025, a União Europeia importou mais de US$ 1,04 bilhão em carne bovina brasileira. O resultado ajudou os frigoríficos nacionais a manterem bons níveis de operação e a posição de liderança do Brasil no comércio global de proteína animal. Em 2026, setor enfrenta pressão de grandes mercados Para este ano, o cenário é mais desafiador. O setor deve lidar com uma desaceleração das compras chinesas, após anos de forte crescimento, além dos impactos de medidas protecionistas e mudanças nas regras de comércio internacional. Na Europa, novas exigências também aumentam a pressão sobre produtores e exportadores. A União Europeia passou a cobrar uma rastreabilidade mais ampla para comprovar que a carne importada não teve contato com determinados antimicrobianos durante toda a vida do animal. Antes, o controle era concentrado nos últimos 100 dias de engorda por meio da chamada lista Trace. A mudança exige uma adaptação dos produtores e da indústria, que pode levar até dois anos para ser totalmente implementada. Mesmo com os desafios, representantes do setor avaliam que a diversidade de mercados compradores ajuda a reduzir os impactos. A estratégia das empresas é ampliar vendas para países do Sudeste Asiático, fortalecer negócios no Oriente Médio e buscar novas oportunidades nas Américas. Entenda: Veto da UE atinge carne e mel brasileiros enquanto ganhavam espaço no mercado europeu UE compra pouco da carne bovina do Brasil, mas paga mais e abre portas para outros mercados *Contém informações da Reuters

Raphaël Graven, streamer conhecido como Jean Pormanove, morreu durante live na Kick Divulgação; X/@JeanPormanove O tribunal criminal de Nice, na França, condenou nesta quarta-feira (5) os streamers Naruto e Safine a penas de prisão suspensas, multas e a um “banimento digital” de seis meses por atos de violência e humilhações online que antecederam a morte do influenciador Jean Pormanove, em agosto de 2025. Owen Cenazandotti, conhecido como Naruto, de 27 anos, foi condenado a dois anos de prisão com suspensão condicional e ao pagamento de multa de 15 mil euros (cerca de R$ 88 mil). 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Já Safine Hamadi, conhecido como Safine, de 24 anos, recebeu pena de 18 meses de prisão com suspensão condicional e multa de 5 mil euros (aproximadamente R$ 29 mil). 🔎 O termo “prisão com suspensão condicional” significa que os streamers foram condenados, mas não terão de cumprir a pena na prisão imediatamente. Eles permanecerão em liberdade durante um período determinado e deverão cumprir condições impostas pela Justiça. Caso descumpram as regras ou cometam novos crimes, a pena poderá ser executada. Os dois organizavam transmissões ao vivo em canais na internet, inicialmente na plataforma Twitch e depois na Kick, rede social conhecida por ter regras de moderação mais flexíveis. O caso ganhou repercussão após a morte de Jean Pormanove, nome pelo qual era conhecido o francês Raphaël Graven, de 46 anos. O influenciador morreu durante uma transmissão ao vivo realizada em agosto de 2025, em um ambiente onde participava de conteúdos que envolviam episódios de violência, humilhações e agressões praticadas por outros criadores. Segundo as investigações, os vídeos exibidos nas transmissões mostravam Graven sendo submetido a situações de abuso, que eram acompanhadas por espectadores na plataforma Kick. As autoridades francesas abriram uma investigação para apurar as circunstâncias da morte e possíveis crimes relacionados à violência contra uma pessoa vulnerável e à divulgação de imagens de agressões. Antes da morte, reportagens investigativas já haviam apontado que os conteúdos produzidos pelo grupo envolviam práticas de humilhação e violência como forma de entretenimento e monetização. Os vídeos reuniam milhares de espectadores e eram publicados em canais como o “Le Lokal”, na Kick. Após o caso, a plataforma anunciou o banimento dos criadores envolvidos e passou a ser alvo de questionamentos na França sobre a responsabilidade das redes sociais na fiscalização de conteúdos violentos transmitidos ao vivo. A Kick, criada em 2022, ganhou popularidade entre criadores de conteúdo por oferecer uma divisão de receita mais favorável aos streamers e por adotar uma política de moderação considerada menos restritiva em comparação com concorrentes como a Twitch. A plataforma afirmou, na época, que estava revisando as circunstâncias da morte de Jean Pormanove e que suas regras proibiam conteúdos que retratassem ou incentivassem violência extrema. Morte de influenciador em live: o que é a Kick, rede social que abrigou transmissão *Com informações das agências RFI e France Presse

Por que tanta gente está falando do Claude? Conheça a IA mais perigosa do mundo O modelo de inteligência artificial Claude Mythos 5, da Anthropic, considerado um dos modelos de IA mais perigosos do mundo, criou identidades falsas para tentar convencer um desenvolvedor a aprovar alterações maliciosas em um projeto de código aberto durante um teste de segurança cibernética. O caso foi divulgado pelo AI Security Institute e é o mais recente de uma série de incidentes envolvendo os sistemas mais avançados de IA. Segundo o instituto, o comportamento foi identificado durante avaliações rotineiras para medir a capacidade dos modelos de executar ataques cibernéticos e não gerou nenhum impacto no mundo real. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Ao todo, os pesquisadores registraram 17 ações do Mythos 5 e outras duas do GPT-5.6-Sol, da OpenAI, relacionadas a tentativas de burlar mecanismos de segurança utilizando classificadores cibernéticos. O episódio reforça as preocupações de especialistas de que modelos de IA cada vez mais sofisticados estejam desenvolvendo capacidade para combinar habilidades técnicas com estratégias de manipulação de pessoas, conhecidas como engenharia social. Modelo acende alertaM O Claude Mythos é considerado por especialistas o modelo de IA mais perigoso do mundo atualmente. O sistema é descrito como extremamente rápido e capaz de encontrar brechas de segurança que passariam despercebidas por humanos. O chatbot Claude, da Anthropic, está entre os mais populares, rivalizando com o ChatGPT e o Gemini Reuters via BBC "Se o Mythos for parar em mãos erradas, empresas podem ser paralisadas da noite para o dia", explicou ao g1, Izabela Anholett, especialista em IA e fundadora da Nura AI. Segundo ela, o risco está na capacidade do modelo de identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas digitais. "O Mythos Preview [versão de teste] já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo algumas em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web", afirmou a Anthropic. "Devido ao seu alto poder e aos riscos que representa para a segurança nacional e geral, ele não foi liberado para o público comum. Em vez disso, a Anthropic criou um consórcio de empresas e agências governamentais com acesso à ferramenta", explica Diogo Cortiz. Entre os integrantes do grupo estão Amazon, Apple, Microsoft, Google, Nvidia, Broadcom e Mozilla. Cortiz lembra que um exemplo da eficácia do modelo veio de um relatório da Mozilla. Ao utilizar o Mythos para analisar o navegador Firefox, a organização identificou uma grande quantidade de vulnerabilidades e falhas até então desconhecidas. Ainda segundo a própria Anthropic, versões preliminares encontraram milhares de vulnerabilidades de alta gravidade em sistemas operacionais e navegadores, motivo pelo qual seu acesso foi restrito a um grupo de empresas e órgãos governamentais. Neste ano, uma versão derivada do modelo, chamada Fable 5, chegou a ter sua distribuição suspensa temporariamente pelo governo dos Estados Unidos por preocupações relacionadas à segurança nacional antes de voltar a ser liberada. Entenda na matéria abaixo: Novo episódio amplia preocupações No fim de julho, a Anthropic informou que um erro de configuração deu ao Mythos acesso à internet durante avaliações de segurança cibernética, permitindo que o modelo acessasse os sistemas de três empresas reais. Já a OpenAI revelou que um de seus modelos experimentais conseguiu explorar vulnerabilidades e comprometer um servidor de testes após receber acesso a ferramentas externas. Embora todos os episódios tenham ocorrido em ambientes de teste, eles aumentaram a preocupação sobre o potencial desses sistemas para executar ataques digitais cada vez mais complexos. LEIA TAMBÉM: OpenAI descobre mais casos em que sua IA escapou de isolamento, diz agência
Dólar cai e fecha a R$ 5,12, em dia de nova decisão de juros e com eleições no radar; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,06% nesta quarta-feira (5), cotado a R$ 5,1281. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,09%, aos 177.726 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ Os investidores ficaram à espera da decisão de juros do Banco Central do Brasil (BC). A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) faça um novo corte na taxa básica de juros nesta quarta, levando a Selic para 14% ao ano. ▶️ Os sinais de que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã pode sair em breve também ficaram no radar. Nesta quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que um tratado para a reabertura do Estreito de Ormuz, importante rota marítima global, pode ser anunciado nos próximos dias. O Irã, no entanto, segue contradizendo o republicano. Em meio às incertezas, o petróleo oscilava nesta quarta-feira. O barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 0,05% por volta das 17h, cotado a US$ 79,40. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 0,86%, a US$ 75,12 o barril. ▶️As eleições brasileiras também seguiram no centro das atenções. Nesta quarta-feira (5) o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como o candidato à vice-presidência de sua chapa. Gaspar é ex-promotor de Justiça, foi procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública do estado. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,15%; Acumulado do mês: +1,15%; Acumulado do ano: -6,57%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado da semana: -0,15%; Acumulado do mês: -0,15%; Acumulado do ano: +10,30%. Decisões de juros ficam no radar Após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ter decidido manter as taxas básicas americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75% na semana passada, investidores voltam as atenções para o BC brasileiro. A expectativa é que o Copom promova o quarto corte consecutivo da Selic, de 14,25% ao ano para 14% ao ano na reunião desta quarta-feira. Caso confirmado, esse será o menor patamar da taxa básica desde março de 2025. A projeção de corte nos juros vigora apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, mesmo com o novo corte, as expectativas de inflação mais elevadas por parte do mercado, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da economia pedem que o BC ainda aja com cautela nas suas decisões de política monetária. "A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência na condução dos juros", disse. Acordo entre EUA e Irã pode estar próximo O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que um acordo sobre o Estreito de Ormuz poderia ser fechado já na quarta (5) ou quinta-feira (6), enquanto o Irã e Omã se aproximavam de um tratado para reabrir a importante via navegável e potencialmente ajudar a pôr fim à guerra. Trump foi questionado por repórteres que viajavam com ele na Califórnia sobre uma reportagem do site de notícias Axios, que afirmava que um anúncio sobre o Estreito de Ormuz poderia ser feito na quarta-feira. “Pode acontecer. Amanhã ou depois de amanhã”, disse ele, falando na noite de terça-feira, horário da Califórnia, que já era manhã de quarta-feira no Oriente Médio. “Muitos progressos foram feitos.” O possível acordo resultante das negociações entre o Irã e Omã prevê que os navios entrem no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e saiam por uma rota controlada por Omã, disseram dois funcionários regionais à Associated Press. Seriam cobradas taxas de serviço para garantir a segurança e preservar o meio ambiente marítimo, afirmaram os funcionários. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou na terça-feira que as negociações entre Teerã e Omã estavam focadas em "estabelecer rotas marítimas seguras de entrada e saída", rotas que "respeitem os direitos soberanos e, ao mesmo tempo, abordem as considerações de segurança nacional tanto do Irã quanto de Omã". “Os resultados finais dessas negociações serão anunciados assim que forem concluídas”, acrescentou ele, segundo a agência de notícias estatal iraniana IRNA. Bolsas globais Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam sem direção única, de olho nos preços do petróleo e na divulgação de resultados corporativos. O Dow Jones teve alta de 0,49%, enquanto o S&P 500 recuou 0,22%. O Nasdaq Composite, por sua vez, encerrou em queda de 0,83%. O alívio das tensões no Oriente Médio se refletiu positivamente nos mercados europeus nesta quarta-feira. O índice pan-europeu STOXX 600 fechou com ganho de 0,04%, a 657,14 pontos. Entre os demais índices da região, o alemão DAX caiu 0,29%, enquanto o francês CAC-40 teve alta de 0,03%. O FTSE 100, do Reino Unido, subiu 0,08%. Na Ásia, as ações chinesas alcançaram a maior cotação da semana, à medida que os fortes ganhos nos papéis de fabricantes de chips superaram a queda vista em empresas de módulos ópticos. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 1,2%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,5%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,2% e o Nikkei, do Japão, avançou 3,66%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,76%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters
Alliança Saúde protocola plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 1,1 bilhão em dívidas

Grupo Alliança, dono de marcas como o laboratório CDB, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 1,1 bilhão Divulgação A Alliança Saúde informou nesta quarta-feira (5) que entrou com um pedido na Justiça para homologar seu plano de recuperação extrajudicial, etapa que busca oficializar um acordo para renegociar cerca de R$ 1,1 bilhão em dívidas. Segundo a empresa, o pedido foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e faz parte do processo de reestruturação financeira iniciado após a mudança no controle da companhia. 🔎 Na recuperação extrajudicial, a empresa negocia diretamente com os credores e leva o acordo à Justiça apenas para homologação. Já na recuperação judicial, o processo é conduzido sob supervisão do Judiciário desde o início, com regras mais amplas para reorganizar as dívidas e preservar as atividades da empresa. Apesar de extrajudicial, a recuperação precisa ser homologada pela Justiça para que o acordo entre empresa e credores tenha validade jurídica. A regra está na Lei de Recuperação Judicial e Falências. Agora no g1 De acordo com a Alliança, o plano já conta com a adesão de mais de 83 credores, entre instituições financeiras, fornecedores, prestadores de serviços e proprietários de imóveis e equipamentos. Juntos, eles representam cerca de 54% das dívidas incluídas na recuperação, percentual suficiente para atender ao quórum previsto na legislação para que o plano possa ser homologado pela Justiça. A companhia informou que as negociações com outros credores continuam e que espera obter novas adesões antes e depois da decisão judicial. Como funciona o plano Segundo a Alliança, o plano proposto oferece diferentes alternativas para os credores receberem os valores devidos. A principal opção permite que o credor troque a dívida por ações da empresa de saúde, tornando-se acionista da empresa. De acordo com a Alliança, mais de 92% do valor das dívidas dos credores que já aderiram ao plano será convertido em participação acionária. 📉 Considerando o fechamento desta quarta-feira (5), as ações da Alliança, negociadas na B3 sob o ticker AALR3, estavam cotadas a R$ 3,15. Desde o início deste ano, os papéis da companhia acumulam desvalorização de cerca de 37%. Outra alternativa prevê o pagamento de 30% da dívida em 11 parcelas anuais, após um período de carência de um ano. Os 70% restantes seriam perdoados. Há ainda uma terceira opção para credores com valores menores, com o pagamento de até R$ 15 mil em parcela única, em até 180 dias após a homologação do plano. O documento homologado pela companhia na Justiça também aborda condições específicas para fornecedores considerados estratégicos e para proprietários de imóveis alugados pela empresa, com formas de pagamento diferenciadas para preservar as relações comerciais. Objetivo é reduzir endividamento Segundo a Alliança, a conversão de parte das dívidas em ações e o alongamento dos prazos de pagamento devem reduzir o endividamento da companhia e melhorar sua situação financeira. A empresa também informou que o plano permite a captação de novos recursos para reforçar o caixa, cumprir as obrigações previstas na recuperação e reorganizar sua estrutura de capital. A Alliança afirmou que a recuperação extrajudicial tem escopo exclusivamente financeiro e não altera suas obrigações com pacientes, colaboradores, operadoras de planos de saúde, seguradoras e cooperativas médicas. O pedido de homologação foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia e ainda será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária. A Alliança é a mais recente empresa do setor de saúde a recorrer à recuperação extrajudicial. No mês passado, a Oncoclínicas, uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. Segundo a empresa, o objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar novas condições de pagamento com os credores, sem interromper as operações da companhia. A recuperação extrajudicial ocorreu após meses de dificuldades financeiras enfrentadas pela Oncoclínicas. A companhia acumulou um elevado nível de endividamento, em um cenário de juros altos, e passou a negociar com credores para reorganizar sua estrutura de capital. No início deste ano, a companhia encerrou as negociações com a Porto Seguro e o Fleury para a criação de uma nova empresa de oncologia para reduzir o endividamento da Oncoclínicas.

Loja da Starbucks na Coreia do Sul. A rede virou alvo de investigação após uma campanha publicitária que gerou críticas por fazer referência ao uso de tanques durante a repressão aos protestos pró-democracia de Gwangju, em 1980 Reuters A polícia sul-coreana realizou buscas nesta quarta-feira (5) nos escritórios da Starbucks, informou à AFP a operadora local da rede de cafeterias. A operação faz parte da investigação aberta após uma campanha publicitária ser acusada de difamar ativistas mortos nos protestos pró-democracia de 1980, um dos episódios mais marcantes da história recente do país. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Um grupo da sociedade civil e familiares das vítimas apresentaram uma queixa contra integrantes do Grupo Shinsegae, que opera a Starbucks na Coreia do Sul, acusando-os de difamação. As buscas representam o mais recente desdobramento da crise, que já havia levado a empresa a pedir desculpas publicamente, demitir seu principal executivo no país e promover treinamentos obrigatórios para os funcionários. Agora no g1 A controvérsia começou em 18 de maio, quando a Starbucks Korea lançou uma campanha para divulgar uma nova linha de copos térmicos de grande capacidade chamada "SS Tank". A empresa classificou a data como "Tank Day" ("Dia do Tanque"), coincidindo com o 46º aniversário do Levante de Gwangju. 🔎 O levante ocorreu em maio de 1980, quando estudantes e moradores da cidade de Gwangju protestaram contra a ditadura militar. A repressão foi conduzida pelo Exército, que enviou soldados, tanques e outros veículos militares às ruas. Segundo o balanço oficial, 165 civis morreram na operação, embora grupos de direitos humanos afirmem que o número real de vítimas pode ter sido maior. A campanha foi amplamente criticada por banalizar um dos principais símbolos da luta pela democracia na Coreia do Sul e por desrespeitar a memória das vítimas, consideradas mártires por muitos sul-coreanos. O anúncio também utilizava o slogan "Bata na mesa!", expressão associada por críticos a uma frase usada por autoridades em 1987 para tentar encobrir a morte sob tortura do estudante e ativista Park Jong-chol, cuja morte ajudou a impulsionar os protestos que culminaram na redemocratização do país. Diante da reação negativa, o Grupo Shinsegae retirou a campanha do ar poucas horas após seu lançamento. A empresa também demitiu o CEO da Starbucks Korea e divulgou um pedido público de desculpas por meio de seu presidente, Chung Yong-jin, reconhecendo a gravidade da repercussão. Em junho, a Starbucks anunciou uma série de medidas para tentar restaurar sua imagem. Pela primeira vez desde a chegada da rede à Coreia do Sul, em 1999, todas as mais de 2.000 lojas do país fecharam mais cedo para que os funcionários participassem de um treinamento obrigatório sobre história e sensibilidade social. Executivos e empregados da sede assistiram a aulas ministradas por professores de história e sociologia, enquanto os demais colaboradores acompanharam a gravação da sessão. Segundo a empresa, a iniciativa buscava evitar que episódios semelhantes voltassem a ocorrer. A Coreia do Sul é o terceiro maior mercado da Starbucks no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China, o que dá ainda mais visibilidade à crise enfrentada pela companhia no país.

Gasolina e alimentos pressionam, e inflação nos EUA atinge maior patamar em 40 anos em maio Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar as petroleiras americanas a reduzir os preços da gasolina. Em publicação nas redes sociais, ele reclamou dos lucros das empresas do setor e afirmou que os consumidores não deveriam arcar com preços tão elevados, que começaram a subir após a escalada do conflito com o Irã no Oriente Médio. ➡️ Na segunda-feira, o preço médio da gasolina atingiu US$ 4,095 por galão nos EUA, cerca de 30% acima do registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados da American Automobile Association (AAA). Trump afirmou que as empresas deveriam repassar aos consumidores os benefícios das medidas adotadas por seu governo para ampliar a produção de petróleo. "Não gosto disso. Eu deveria ser a última pessoa a dizer isso, porque sou um grande defensor da livre iniciativa, ninguém mais do que eu. Estão surpresos por eu dizer isso? Vou dizer em alto e bom som. Não estou satisfeito", disse o presidente a jornalistas na Casa Branca. O presidente dos EUA também criticou publicamente o CEO da Chevron, Mike Wirth, por não reconhecer o papel de sua administração no fortalecimento da indústria do petróleo. Na Truth Social, afirmou que seu governo "salvou" o setor e citou o retorno da Chevron à Venezuela como prova. Também estendeu as críticas a outras gigantes do setor, como a ExxonMobil, uma das maiores produtoras de petróleo do mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Petróleo ainda em alta O petróleo é uma commodity negociada globalmente. Isso significa que qualquer ameaça à oferta mundial afeta rapidamente as cotações internacionais, mesmo em países que produzem grandes volumes, como os EUA. A alta dos preços do petróleo foi impulsionada pela crise no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial. Sempre que surgem ameaças de bloqueio da região, investidores passam a projetar uma oferta menor de petróleo e o preço sobe. A situação fez disparar os lucros das petroleiras. Juntas, ExxonMobil e Chevron lucraram US$ 29 bilhões (R$ 147 bilhões) no segundo trimestre, mais de três vezes o valor registrado no mesmo período do ano anterior. 🔍🛢️ O Brent é a principal referência usada no mercado internacional para acompanhar o preço do petróleo. Durante a escalada da guerra no Oriente Médio, o barril passou de cerca de US$ 70 para US$ 126, antes de recuar para perto de US$ 80 nesta terça-feira (4), com sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã. Segundo Nivaldo de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mesmo quando a tensão diminui, os preços não recuam imediatamente. "As refinarias trabalham com estoques e contratos de curto, médio e longo prazo. Por isso, uma eventual queda do petróleo leva tempo para chegar ao consumidor." Como o preço da gasolina nos EUA acompanha as cotações internacionais do petróleo, o combustível ficou mais caro e voltou a pressionar o orçamento das famílias. Evolução do preço médio da gasolina nos Estados Unidos Reprodução/American Automobile Association - AAA Em maio, consumidores relataram que passaram a reduzir as viagens de carro, concentrar compromissos em trajetos mais curtos e recorrer com maior frequência ao transporte público para economizar combustível. Na época, o preço médio do galão de gasolina comum era ainda mais alto: US$ 4,52 (R$ 22,64). Uma pesquisa da Ipsos, divulgada pelo Washington Post e pela ABC News, mostrou que 44% dos americanos diminuíram o número de viagens de carro em razão da alta da gasolina. Para especialistas ouvidos pelo g1, a pressão de Trump sobre as petroleiras tem efeito político, mas capacidade limitada de alterar os preços pagos pelos consumidores. Embora os EUA sejam hoje o maior produtor mundial de petróleo, a gasolina vendida no país continua fortemente influenciada pelas cotações internacionais da commodity, pela estrutura do parque de refino e pelos custos de distribuição. Há uma contradição no discurso de Trump? Para Ticiana Alvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), existe um contraste entre a cobrança feita por Trump às petroleiras e a política externa adotada pelos EUA. Segundo ela, conflitos internacionais elevam a percepção de risco dos investidores e pressionam o preço internacional do petróleo. "O preço do petróleo é formado em um mercado global e incorpora expectativas. Quando aumenta o risco de interrupção da oferta, o barril sobe rapidamente." A especialista lembra que os EUA também ampliaram sua participação nas exportações de petróleo e gás natural nos últimos anos, o que beneficia parte do setor energético quando as cotações internacionais sobem. "A valorização do petróleo aumenta a receita de parte dessas empresas, ao mesmo tempo em que encarece a gasolina para o consumidor americano." Por que a gasolina continua cara nos EUA? Pode parecer contraditório que o maior produtor mundial de petróleo tenha gasolina tão cara, mas especialistas dizem que parte das refinarias dos EUA foi projetada para processar tipos de petróleo mais pesados do que o produzido atualmente em grande escala no país. Por isso, empresas americanas exportam parte do petróleo extraído no país e continuam importando outros tipos de petróleo cru para abastecer suas refinarias. São compras que acompanham as cotações internacionais. Segundo Castro, da UFRJ, essa característica torna o mercado americano mais exposto às oscilações globais. "Os Estados Unidos exportam parte do petróleo que produzem e importam outro tipo de petróleo para abastecer suas refinarias. Isso faz com que os preços internos acompanhem muito mais de perto as oscilações do mercado internacional." Ele explica que, além disso, a cadeia de combustíveis nos EUA é formada por diversas empresas privadas responsáveis pela produção, pelo refino, pela distribuição e pela revenda, o que reduz a capacidade de coordenação do governo sobre todo o setor. Por que o Brasil sente esses efeitos de forma diferente? Assim como os EUA, o Brasil também acompanha as oscilações do mercado internacional de petróleo. A diferença está na forma como a cadeia de combustíveis é organizada. No Brasil, a Petrobras ainda concentra boa parte da produção de petróleo e da capacidade de refino, o que garante maior integração entre essas etapas da cadeia. Segundo Castro, essa característica reduz parte da exposição imediata às oscilações internacionais, embora os preços domésticos também sejam influenciados pelo mercado externo. "A integração entre produção e refino permite amortecer parte dos impactos das oscilações internacionais. Isso não significa que o Brasil fique imune às altas do petróleo, mas o repasse pode ocorrer de forma diferente do observado nos Estados Unidos." Nos EUA, por outro lado, a cadeia é mais pulverizada. Empresas diferentes atuam na produção, no refino, na distribuição e na venda dos combustíveis, o que limita a capacidade de coordenação do governo sobre o setor.

Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel A disputa entre empresas de telefonia em torno de um sistema criado para evitar ligações indesejadas mostra a dificuldade para definir em quais casos é preciso derrubar chamadas logo na origem. Ao menos sete empresas buscaram a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para reclamar sobre ligações legítimas derrubadas pelo "anti-spam" da Vivo, que alega bloquear apenas quem faz chamadas em massa e sem identificação. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O sistema promete criar uma camada de proteção adicional contra ligações excessivas. E, em alguns casos, resolve um problema que não foi solucionado nem mesmo com ferramentas como o "Não Me Perturbe", criado para acabar com o telemarketing de operadoras e bancos. Mas por que tanta gente ainda é impactada por chamadas indesejadas? A resposta está na limitação do "Não Me Perturbe", na possibilidade de adulterar números de origem e no período de transição de um sistema que pode ao menos acabar com as chamadas fraudulentas. Ligações automáticas indesejadas, chamadas de "robocalls" Fantástico Batizado de "Origem Verificada", ele faz uma autenticação em tempo real das ligações e garante que o número exibido no seu celular é, de fato, de uma empresa legítima. O sistema autenticou 6,6 bilhões de chamadas em junho de 2026, segundo a ABR Telecom. A Anatel obriga empresas que fazem mais de 500 mil ligações por mês a aderirem ao sistema. Mas a exigência para que todas usem a ferramenta só começará em 2028. (saiba mais ao final) Enquanto isso, consumidores que querem evitar ligações excessivas podem aderir aos sistemas já existentes, aos recursos disponíveis nos sistemas dos seus celulares e a aplicativos de terceiros. (confira abaixo como fazer) 23 mil ligações por segundo: o Fantástico investiga como funcionam os robôs programados para tirar você do sério Por que ligações indesejadas são tão comuns? Muitas das ligações indesejadas são automatizadas e não têm uma pessoa do outro lado da linha. Conhecidas como "robocalls", essas chamadas ficam mudas e caem sozinhas depois de alguns segundos. Isso acontece porque empresas ligam para vários números ao mesmo tempo: quando alguém atende, as demais chamadas são encerradas. A estratégia serve ainda para call centers verificarem números que estão ativos e enriquecerem suas listas de contatos. Brasil teve mais de 10 bilhões de "robocalls" por mês em 2025 Por que recebemos ligações mudas que desligam sozinhas – e como evitá-las Autores de ligações excessivas chegam até mesmo a adulterar seus números para que eles fiquem parecidos com os de linhas telefônicas comuns e não sejam bloqueados pelas operadoras. É o chamado "spoofing numérico", que pode ser feito por meio de servidores VoIP (sigla em inglês para "Voz sobre Protocolo de Internet"), programas de computador que se conectam à rede de telefonia via internet. Servidores VoIP são usados para gerenciar ramais de empresas, mas a possibilidade de alterar o número de origem atrai pessoas com interesses indevidos. A Anatel chegou a criar o prefixo 0303 para identificar ligações de telemarketing, mas derrubou a obrigatoriedade após perceber uma alta rejeição a esse tipo de chamada. Fim da exigência do prefixo 0303 para telemarketing foi criticado por Procons e Idec Ligações de números parecidos: entenda como as chamadas adulteradas são feitas Como diminuir ligações indesejadas O "Não Me Perturbe" promete acabar com ligações indesejadas de todas as empresas de telefonia, obrigadas a se adequarem ao sistema, e de 74 instituições financeiras, que aderiram ao programa de forma voluntária. O cadastro pode ser feito no site www.naomeperturbe.com.br e começa a valer em até 30 dias. Mas lembre-se: algumas chamadas podem continuar acontecendo porque golpistas e algumas empresas de vendas ignoram o cadastro. 'Não Me Perturbe' não funciona? Por que pessoas recebem ligações de telemarketing Alguns celulares Android têm recursos para identificar e bloquear chamadas suspeitas. A ferramenta costuma ser encontrada ao acessar a página de "Configurações" e pesquisar por "Proteção ID" ou "Spam". O iPhone, por sua vez, tem o recurso "Perguntar motivo da ligação", que faz todas as chamadas serem atendidas automaticamente por um robô (saiba mais aqui). Uma alternativa é baixar aplicativos de identificação de chamadas como o Whoscall e o Truecaller, que podem mostrar quem realmente está ligando e bloquear chamadas. Os serviços podem cobrar por recursos avançados. Em último caso, a saída é bloquear chamadas de números desconhecidos. A medida acaba com o problema, mas pode fazer você perder ligações realmente importantes. A Anatel também orienta consumidores a registrar reclamações, caso o problema não seja resolvido. A denúncia pode ser feita neste link. A agência indica ainda a plataforma "Qual Empresa Me Ligou", que permite verificar o nome e o CNPJ de quem fez a ligação. Acesse www.qualempresameligou.com.br, digite o número, clique em "Sou humano" e selecione "Consultar". O que vem por aí? O "Origem Verificada" é a aposta da Anatel contra ligações abusivas. Ele atua em duas frentes: autenticação, com selo de verificação em ligações legítimas, e identificação, que mostra o nome e o logo da empresa, além do motivo da chamada. O sistema usa o protocolo internacional STIR/SHAKEN, que analisa o número que está ligando a partir do banco de dados da ABR Telecom, associação que reúne operadoras. A partir de outubro de 2028, a autenticação será obrigatória para todas as ligações de empresas para consumidores. A identificação com nome e logo da companhia será opcional. Hoje, o "Origem Verificada" tem 63 empresas de telefonia parceiras, incluindo Vivo, Claro, TIM e Algar. A Anatel prevê que, com a chegada do prazo, metade das ligações de empresas serão autenticadas. O serviço é gratuito para clientes, que precisam ter o celular conectado a uma rede 4G ou 5G e com um desses sistemas: iPhone com iOS 18.2 ou superior e celulares Android a partir do Android 11 (aparelhos Samsung são compatíveis a partir do Android 10). Como é uma ligação de número autenticado no Android g1/Thalita Ferraz Fim das robocalls? Veja se seu celular é compatível com ferramenta contra golpes

Solidão corporativa: entenda o que é e como ela pode afetar a saúde mental e a carreira Geovanna Santos, de 28 anos, acumula uma década de experiência na área administrativa. Apesar de sempre ter facilidade para fazer amizades no ambiente de trabalho e manter vínculos com ex-colegas, no ano passado ela viveu uma situação completamente diferente e descobriu, na prática, o que especialistas chamam de solidão corporativa. Após deixar uma empresa de atuação nacional para trabalhar em um negócio familiar, Geovanna imaginava encontrar apenas uma nova rotina. Em vez disso, deparou-se com um ambiente onde se sentia completamente isolada. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Eu ficava literalmente olhando para a parede", relembra. Sua mesa ficava isolada em uma sala, enquanto o gerente, único colega no ambiente, passava boa parte do dia fora. Enquanto isso, as outras três funcionárias da equipe trabalhavam juntas em outro ambiente. Geovanna tentou se aproximar, mas as conversas não evoluíram. No horário de almoço, os grupos saíam juntos para restaurantes, deixando-a para trás. '"Eu ia sozinha. Nem para comer me chamavam”, lembra a trabalhadora. A situação começou a afetar sua saúde mental. Ela passou a acordar sem vontade de ir ao trabalho, acumulou atrasos e desenvolveu crises de ansiedade, síndrome do pânico e sintomas físicos relacionados ao estresse. A empresa também não ofereceu um processo estruturado de integração. A ausência de acolhimento aumentou a sensação de isolamento e prejudicou seu desenvolvimento profissional. "Eu me sentia invisível. Não tinha ninguém para olhar e reconhecer o meu esforço”, conta. Depois de três meses de desgaste emocional, Geovanna pensou em pedir demissão. Antes disso, porém, foi desligada da empresa logo após apresentar um atestado médico. "Foi péssimo", resume. Geovanna Santos encontrou no trabalho amizades que transformaram sua rotina, mas, após mudar de emprego, passou a enfrentar a solidão e a dificuldade de criar novos vínculos no ambiente profissional. Arquivo Pessoal Segundo um levantamento da Pluxee com mais de 2 mil brasileiros, 47% dizem se sentir sozinhos no trabalho, seja frequentemente ou às vezes. Outro dado chama atenção: 78% consideram essencial ter amizades verdadeiras no ambiente profissional, indicando que a qualidade das relações influencia diretamente a experiência no emprego. As conexões ajudam a retenção de talentos. Em uma escala de 1 a 5, os entrevistados atribuíram nota média de 3,39 ao impacto das amizades na decisão de permanecer ou deixar uma empresa. Um segundo estudo, realizado pela Vittude em parceria com o Opinion Box, reforça esse cenário. Embora o trabalho remoto integral seja desejado por muitos profissionais, o levantamento indica que esse modelo pode intensificar o isolamento social e dificultar a construção de redes de apoio. Entre os trabalhadores que atuam 100% em home office, 11,4% apresentam níveis críticos de sofrimento mental. Para 30,8% dos entrevistados, o senso de equipe e a interação social são os principais motivos para preferir o trabalho totalmente presencial. Solidão no trabalho afeta quase metade dos brasileiros Arte g1 Quase metade dos brasileiros se sente sozinha no trabalho Arte g1 O que é a solidão corporativa? O conceito de solidão corporativa não significa necessariamente trabalhar sozinho, mas sentir-se isolado mesmo em meio a colegas. Ela é caracterizada pela falta de vínculos significativos, de relações de confiança e de senso de pertencimento no ambiente de trabalho. "O problema não é estar sozinho fisicamente, mas sentir-se desconectado, mesmo cercado de colegas", explica Camilla Pádua, sócia-líder da área de consultoria em gestão de pessoas da KPMG no Brasil. Segundo ela, esse sentimento costuma surgir quando o profissional não consegue construir relações, trabalha em ambientes excessivamente competitivos ou sente que não pode ser autêntico. "Os líderes têm um papel central em construir ambientes em que a conexão humana não seja vista como algo secundário, mas como parte da estratégia do negócio. Marcela Zaidem, fundadora da consultoria Cultura na Prática, afirma que o fenômeno ganhou visibilidade nas redes sociais, mas já vinha sendo identificado por pesquisas internacionais há muitos anos. "Não estamos falando de gente 'carente de escritório'. Estamos falando de um ambiente em que muita gente está cercada de reunião, meta, canal, call e cobrança, mas ainda assim se sente sozinha", explica. Muller Gomes, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, destaca que o isolamento também pode comprometer a carreira. "O ser humano é biopsicossocial. A gente precisa do outro. Ter com quem conversar, compartilhar e até desabafar ajuda a lidar melhor com os problemas”, explica. Segundo ele, a falta de interação afeta a produtividade, a saúde mental e até o desenvolvimento profissional, já que o networking é fundamental para novas oportunidades de carreira. "O ser humano não foi feito para viver isolado", afirma. Home office ampliou o desafio Especialistas afirmam que a expansão do trabalho remoto reduziu os momentos espontâneos de convivência entre colegas. "Perdemos aquela conversa de corredor, o café depois do almoço ou o comentário sobre o tempo. São esses pequenos momentos que geram proximidade", afirma Lucimara Costa, diretora de Recursos Humanos da Nexti. Para Bruno Gonçalves, especialista em experiência do colaborador e felicidade corporativa, o problema não é o home office em si, mas a falta de adaptação das empresas. "No trabalho remoto, esses momentos precisam ser desenhados intencionalmente. Produtividade depende de pessoas conectadas de verdade, e não apenas monitoradas." Apesar disso, Geovanna Santos acredita que o formato de trabalho, sozinho, não explica a sensação de isolamento. Durante a pandemia, ela conta que trabalhou por um ano em home office e nunca se sentiu sozinha. "Mesmo no home office eu tinha uma ótima conexão com o time. A gente falava o tempo todo", conta. "O problema é a cultura, é a forma como as pessoas acolhem ou não." Mesmo cercados de colegas, muitos profissionais relatam sentir isolamento no trabalho. Freepik Cultura organizacional faz diferença Na avaliação dos especialistas, combater a solidão corporativa depende menos de happy hours e eventos esporádicos e mais da construção de ambientes em que as pessoas se sintam acolhidas desde o primeiro dia de trabalho. Isso passa por processos de integração mais estruturados, lideranças mais próximas das equipes, espaços para diálogo e uma cultura baseada em confiança, pertencimento e segurança psicológica. "Quando a empresa não constrói esse contexto, a solidão aparece. E, quando aparece, ela não é um detalhe emocional. É sintoma de liderança fraca, vínculos frágeis e uma cultura insuficiente para sustentar as pessoas", resume Marcela Zaidem. Depois daquela experiência, Geovanna voltou a trabalhar em outro ambiente e percebeu que o problema nunca foi o modelo de trabalho, mas a forma como foi recebida. Como perceber que você está vivendo a solidão corporativa? Segundo especialistas, alguns sinais podem indicar que o problema está afetando sua rotina: Você sente que não faz parte da equipe, mesmo trabalhando cercado de colegas; Evita interações ou percebe que raramente é incluído em conversas e atividades do grupo; Tem dificuldade para criar vínculos ou sente que não pode ser autêntico no ambiente de trabalho; Perde a motivação para ir ao trabalho e sente que seus esforços passam despercebidos; Apresenta sintomas como ansiedade, estresse, desânimo ou esgotamento relacionados ao trabalho. Quando procurar ajuda? Se a sensação de isolamento for persistente e começar a afetar sua saúde mental, seu desempenho ou sua qualidade de vida, especialistas recomendam conversar com a liderança, com o RH ou buscar apoio psicológico. Em ambientes saudáveis, o acolhimento e o senso de pertencimento também fazem parte das responsabilidades da empresa. NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho

Do cachorro-quente ao churrasco: negócios simples que viraram empresas milionárias Cachorro-quente, brigadeiro e churrasquinho são produtos comuns. Mas, quando ganham gestão, estratégia e um diferencial, podem se transformar em negócios de sucesso. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Foi o que aconteceu com Dona Eny Matos e o filho, Hugo Matos. O que começou como uma barraquinha de cachorro-quente em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ), virou uma rede que hoje fatura cerca de R$ 4 milhões por ano. Em Porto Alegre, uma confeiteira criou um rodízio de brigadeiros e alcançou um faturamento de cerca de R$ 108 mil por mês. Já um ex-açougueiro começou vendendo churrasquinho na garagem de casa e hoje tem uma churrascaria que fatura aproximadamente R$ 300 mil mensais. As três histórias mostram que o diferencial nem sempre está no produto, mas na forma como ele é vendido. Investir na experiência do cliente, manter a qualidade e executar bem a operação faz diferença no crescimento do negócio. Para quem quer empreender, a principal lição é que a pergunta não deve ser se a ideia já existe, mas como fazer melhor do que já é feito. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Cachorro quente Caled Oquendo/Pexels Leandra Winck apostou nos brigadeiros e hoje fatura R$ 108 mil por mês — Foto: Leandra Winck Leandra Winck

Oliveira pega fogo durante um incêndio florestal no vale de Mégara, Grécia REUTERS/Louisa Gouliamaki O calor extremo, a seca prolongada e os incêndios florestais vêm aumentando a pressão sobre a agricultura europeia, especialmente sobre os olivais do sul do continente. Produtores alertam que a combinação desses fatores tem reduzido a produtividade das lavouras, comprometido a qualidade dos frutos e elevado os custos de produção, o que pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos como o azeite de oliva. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Estudos climáticos mostram que o número de dias de verão com condições extremas favoráveis à propagação de incêndios, combinação de calor, seca e vento, dobrou desde 1981, reforçando a vulnerabilidade estrutural dos olivais e de outras culturas mediterrâneas. A preocupação é compartilhada por instituições e entidades do setor agrícola. No início de julho, a Comissão Europeia apontava uma redução dos preços do azeite de oliva desde abril, devido ao excesso da produção italiana. Agora no g1 Contudo, revisou sua previsão para a produção de azeite do bloco, que deve recuar 5% no ciclo 2025/26. A queda é puxada sobretudo pela Grécia, onde a produção deve encolher 18%. O relatório alertava que as perspectivas para a próxima safra dependiam da ausência de novos eventos climáticos extremos, devido à vulnerabilidade dos olivais. Poucas semanas depois, esse cenário de risco começou a se concretizar. Segundo o jornal britânico The Guardian, a associação agrícola espanhola ASAJA afirma que os incêndios florestais que se intensificaram no país a partir de meados de julho atingiram pomares, vinhedos, áreas agrícolas, estufas e olivais, afetando produtos como frutas cítricas, abacates, amêndoas, hortaliças e azeitonas. Milhares de hectares foram devastados. Para a entidade, a principal preocupação não é a redução das exportações, mas o aumento dos custos de produção, que tende a ser repassado aos consumidores. A Espanha também segue enfrentando restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o risco de queda prematura das azeitonas. Além disso, antes mesmo dos incêndios de julho, a colheita de cereais no país já havia sido revista para baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre os preços agrícolas. Por ser a maior produtora mundial de azeite, a Espanha tem papel central na formação dos preços globais. O portal Data España ressalta que a estabilidade do mercado continua frágil após a queda recente dos custos do azeite, que sucedeu um período de valores recordes. No início do ano, chuvas intensas provocaram alagamentos em áreas produtoras e reduziram as previsões de colheita. Agora, a seca extrema e os incêndios voltam a ameaçar a produção. Trabalhadores usam ramos de oliveira para tentar apagar as chamas no vale de Mégara, Grécia REUTERS/Louisa Gouliamaki Grécia luta contra destruição de olivais O impacto sobre o azeite é particularmente relevante na Grécia. “É uma sensação terrível quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de conseguir”, disse a produtora Anastasia Hatzoglou à Reuters sobre as queimadas no país. As chamas, que se espalharam rapidamente, destruíram florestas exuberantes e causaram grandes danos a oliveiras poucos meses antes da colheita, um ritual anual muito aguardado em muitos lares gregos. Ela afirmou que sua casa sofreu danos extensos e que suas oliveiras foram queimadas. "Foi tanto esforço, e quando você dedica cuidado à sua propriedade, à sua terra, ao azeite que produz todos os anos, não é nada bom", contou. Segundo o portal grego Neakriti, o déficit hídrico, agravado pelas ondas de calor e pelos incêndios tem reduzido a produtividade dos olivais no país. Além dos danos provocados diretamente pelo fogo, produtores relatam prejuízos causados pela fumaça, pela piora da qualidade do ar e pela maior incidência de pragas e doenças favorecidas pelas temperaturas elevadas. O resultado pode ser a redução do tamanho dos frutos e da qualidade do azeite produzido. O portal italiano Dissapore descreve cenário semelhante em outros países mediterrâneos. De acordo com a publicação, incêndios atingiram olivais na Grécia, Itália e Portugal. O calor prolongado facilita também o avanço de pragas. Helicóptero de combate a incêndios florestais em ação no Monte Kitheronas, perto de Psatha, a oeste de Atenas, Grécia REUTERS/Louisa Gouliamaki Produção agrícola afetada Os impactos climáticos não se limitam às oliveiras. Segundo o jornal The Guardian, a associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró. Em algumas regiões, a produção pode cair até 50% devido à falta de chuva e à escassez de água. O clima extremo ainda afeta vinhedos de regiões tradicionais como Champagne, Bordeaux e Borgonha, onde o amadurecimento acelerado das uvas ameaça reduzir os rendimentos da safra. A Europa enfrentou em junho e julho de 2026 uma das ondas de calor mais severas já registradas, com temperaturas acima de 40 °C em países como Alemanha, França, Dinamarca e República Tcheca. O calor extremo provocou mais de 1.300 mortes apenas na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento de asfalto e cancelamento de eventos em várias cidades europeias. Cientistas afirmam que esse tipo de evento teria sido "praticamente impossível” sem o aquecimento global, e que a Europa já aquece duas vezes mais rápido que a média mundial, com temperaturas médias 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse conjunto de fatores consolidou 2026 como um dos verões mais extremos do continente, agravando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis.

Exportações para União Europeia cresceram entre setores que devem ser embargados pelo bloco A carne bovina e o mel brasileiros vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado europeu nos últimos anos. Esse cenário pode mudar com a proibição da exportação desses produtos para a União Europeia a partir de 3 de setembro. O bloco europeu alega que o governo brasileiro não fiscaliza adequadamente o uso de antimicrobianos na produção de proteína animal. Empresários brasileiros dos setores afetados, no entanto, afirmam que a medida é protecionista. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A carne bovina, por exemplo, registrou aumento de 19% no volume exportado no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Foram enviadas 51,2 mil toneladas aos países do bloco europeu. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec). O crescimento já vinha sendo registrado nos anos anteriores. Em 2025, o Brasil exportou 7% mais carne bovina para a UE do que em 2024. Esse aumento também se refletiu na receita das exportações do setor. Entre 2024 e 2025, o valor das vendas brasileiras de carne bovina para a União Europeia aumentou 18%, passando de US$ 895,7 milhões para US$ 1,06 bilhão. O mel orgânico brasileiro também vem ganhando espaço no mercado europeu. Entre janeiro e junho deste ano, as exportações para o bloco renderam US$ 6,35 milhões — o dobro do registrado no mesmo período de 2025, quando somaram US$ 3,18 milhões. Os dados são da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel). No ano passado, as vendas de mel para a UE corresponderam a cerca de 5% do total exportado pelo Brasil. No primeiro semestre deste ano, essa participação ficou próxima de 10%. Carne bovina é produto de origem animal mais vendido para a União Europeia. Arte/g1 Mercados substitutos Para qualquer produto de exportação, é necessário tempo para encontrar novos mercados e negociar com compradores. No caso da carne bovina, o bloco europeu importa principalmente cortes nobres de alto valor agregado, como filé mignon, contrafilé e alcatra. Por isso, a União Europeia lidera em preço médio pago pela carne brasileira. O mercado asiático também está entre os destinos para os quais o Brasil ampliou as exportações de carne nos últimos anos. No entanto, esses países têm interesse em outros tipos de corte, como os miúdos. No caso do mel, também é improvável que outros mercados absorvam todo o volume destinado à UE. Em 2025, o Brasil foi o 7º maior exportador de mel do mundo em volume e o 8º em valor. Os principais destinos foram Estados Unidos (84%), Canadá (8%) e Alemanha (4%). A proibição europeia preocupa ainda mais os setores diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Apesar de a carne bovina e o mel terem ficado isentos, empresários consideram imprevisível a relação com o mercado norte-americano. Até então, a Europa era vista como um destino mais seguro.
Como o mercado financeiro reage às notícias? Manchetes sobre guerra, inflação, PIB, decisões do Banco Central e tarifas anunciadas pelos Estados Unidos podem movimentar bilhões de reais na bolsa de valores em poucos segundos. Isso acontece porque o mercado financeiro não reage apenas aos fatos, mas também ao impacto que eles podem ter sobre os lucros futuros das empresas e a economia. Ao comprar uma ação, o investidor adquire uma pequena parte de uma empresa. O preço desse ativo reflete a expectativa sobre a capacidade da companhia de gerar resultados no futuro. Em geral, o crescimento da economia, a queda dos juros e o aumento dos lucros tendem a favorecer a valorização das ações. O fator decisivo, porém, é a diferença entre a expectativa e a realidade. Quando um resultado supera o que o mercado esperava, as ações podem subir. Se os números apenas confirmam as projeções ou ficam abaixo delas, os papéis podem cair, mesmo diante de um lucro recorde. Por isso, a bolsa é vista como uma aposta no futuro, e não como um retrato do presente. Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.

Raphael Ribeiro/BCB O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (5) e deve promover o quarto corte seguido na taxa básica de juros da economia — de 14,25% para 14% ao ano. Essa é a expectativa da maior parte do mercado financeiro. 🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Confirmada em 14% ao ano, a Selic atingirá o menor nível desde março de 2025, ou seja, em pouco mais de um ano. O anúncio do Banco Central será feito após as 18h. Mesmo com o corte, em termos reais (descontada a inflação projetada para os próximos doze meses), a taxa ainda é uma das mais altas do mundo. Para o fim do ano, a aposta do mercado financeiro é de que o juro básico fique em 13,75% ao ano — o que embute uma nova queda em novembro. A projeção de corte nos juros vigora apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis). Neste domingo (2), porém, o presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociações com Irã. Miriam Leitão: IPCA-15 assegura queda dos juros Como as decisões são tomadas Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%. Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia. Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028. Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 5,03%, 4,22% e 3,80% - todas acima da meta central de inflação. Especialistas comentam Para o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, o atual cenário da economia, mesmo com as estimativas de inflação do mercado acima da meta central neste e nos próximos anos, permite a continuidade do ciclo gradual de corte de juros nesta reunião do Copom, para 14% ao ano, "mas recomenda cautela na comunicação e menor comprometimento com os passos futuros da política monetária". "O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista. A ausência de resolução do conflito no Oriente Médio e o ambiente externo muito incerto reforçam a necessidade de prudência adicional na condução dos juros", avaliou Felipe Salles, do C6 Bank. O economista Marco Antonio Caruso, do Santander, observou que os dados de inflação nos últimos meses têm sido favoráveis. Para ele, o IPCA-15 de julho surpreendeu significativamente para baixo, "apresentando uma composição mais benigna e sinais encorajadores nos indicadores de núcleo". "Os dados não resolvem o problema da inflação, nem eliminam o fato de que a inflação de núcleos e a de serviços permanecem acima dos níveis compatíveis com a meta. No entanto, eles reduzem a urgência de uma mudança para uma postura mais restritiva (hawkish) e reforçam a visão de que a deterioração qualitativa da inflação pode ter deixado de se acelerar", concluiu Marco Antonio Caruso, do Santander, em comunicado.

Sede do Banco de Brasília, em imagem de arquivo Jornal Nacional/ Reprodução Termina nesta quarta-feira (5) o prazo de 180 dias para que o Banco de Brasília (BRB) execute as medidas do plano de capitalização entregue ao Banco Central no início do ano. O documento foi apresentado em 6 de fevereiro como um "plano de capital preventivo". O material incluía uma série de providências para reforçar, se necessário, o patrimônio do BRB após a sequência de transações malsucedidas com o Banco Master. De lá para cá, a necessidade de reforço foi confirmada. O BRB divulgou alguns dos números do rombo (veja abaixo) e algumas medidas para combatê-lo – entre elas, um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e um acordo com um fundo para negociar outros R$ 15 bilhões em ativos do Master. As ações, no entanto, não saíram do papel. Relembre plano entregue pelo BRB ao Banco Central no início do ano O empréstimo segue pendente, aguardando sinal verde dos principais bancos públicos e privados do país. Já o acordo com o fundo Quadra Capital foi desfeito em junho, como noticiou o g1. O plano preventivo de capital do BRB segue sob sigilo, 180 dias após a apresentação. Por isso, não é possível saber exatamente quantas e quais medidas foram incluídas nele. Desde fevereiro, o BRB anunciou outras ações para tentar reverter parte do prejuízo: a responsabilização cível de pelo menos 12 ex-gestores do banco (que pode gerar indenizações ou ordens de ressarcimento ao banco, ao fim do processo); o pedido de bloqueio de bens do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro e de outros sócios para, ao fim do processo, reaver esses recursos; a ampliação do capital social do banco, já aprovada em assembleia, para absorver a venda de novas ações e outros aportes de capital. Como não divulga seus balanços patrimoniais desde 2025, no entanto, o BRB ainda não conseguiu detalhar o benefício gerado por essas medidas – e nem quanto ainda falta para equalizar o patrimônio. Que crise é essa? A atual crise do BRB está ligada às negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança. O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. Na prática, "crédito podre" que pode se transformar em um rombo no patrimônio do banco. O governo diz que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões. Entenda a relação entre o Banco BRB e o Banco Master Empréstimo segue pendente O empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para recuperar a maior parte do rombo foi definido em um acordo mediado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux. Passados mais de dois meses, no entanto, o crédito ainda não foi assinado. ➡️ O governo do DF é acionista controlador do BRB. Por isso, as regras bancárias definem que cabe ao governo pegar esse empréstimo e arcar com o seu pagamento – mesmo que o dinheiro seja transferido ao BRB, e mesmo que o banco ajude o governo a quitar a dívida no futuro. Procurado, o banco afirma que segue confiante na conclusão das medidas e não menciona pedido de ampliação do prazo. “A instituição reforça que mantém diálogo permanente técnico e transparente com o Banco Central, prestando todas as informações requeridas no âmbito da supervisão prudencial, em conformidade com as normas aplicáveis”, diz comunicado. A nota informa ainda que as tratativas para efetivação do empréstimo seguem em andamento. O Banco Central não quis se manifestar. Balanços seguem pendentes Esse é mais um descumprimento do prazo pelo BRB. Em junho, a instituição adiou mais uma vez a divulgação do balanço consolidado de 2025. Os números seguem sem divulgação desde novembro de 2025, quando a operação Compliance Zero revelou irregularidades envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. O presidente do BRB chegou a dizer que divulgaria os números até junho, mas o prazo não foi cumprido também. Relembre: BRB vai divulgar balanço de 2025 até 30 de junho, diz presidente 'Socorro' pode vir em período eleitoral Os 180 dias desde a entrega do plano preventivo não são o único prazo que gera algum alerta no BRB e no governo do DF. Uma resolução de 2003 do Senado, aprovada para regulamentar um trecho da Lei de Responsabilidade Fiscal, proíbe prefeitos e governadores de pegarem empréstimo nos últimos quatro meses de mandato. Em tese, infringir essa regra poderia até tornar inelegível a atual governadora Celina Leão (PP), que é pré-candidata à reeleição. A Procuradoria-Geral do Distrito Federal, no entanto, afirma que o acordo no Supremo “autoriza expressamente a contratação do empréstimo junto ao FGC e afasta a aplicação dos limites, condições e demais requisitos constitucionais, legais e infralegais aplicáveis à operação”. De fato, o acordo homologado pelo STF diz que o empréstimo a ser contratado pelo governo do DF fica dispensado "da observância dos limites, condições e demais requisitos constitucionais, legais e infralegais aplicáveis". O Ministério da Fazenda, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o STF não quiseram responder ao g1 se o trecho permite que o empréstimo seja feito nesse período. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam, no entanto, que um eventual crédito tomado nessas condições pode ser contestado na Justiça. O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Alexandre Andrade, explica que a contratação do empréstimo com menos de 120 dias do fim do mandato fere o artigo 42 da LRF. O artigo proíbe a contratação de "despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito". “A medida evita a prática de um ‘oportunismo político de fim de período’, impedindo que um governante contraia novas dívidas cujos recursos sejam integralmente usufruídos em sua gestão, mas cujo ônus de pagamento (as parcelas de amortização e juros) seja transferido para o governante sucessor”, explica. Acionada, a Secretaria de Economia do DF alega que a contratação do empréstimo não se confunde com uma despesa. Outros impasses Para piorar o cenário, os R$ 6,6 bilhões previstos para o empréstimo até aqui podem não ser suficientes para resolver o patrimônio do BRB. A falta de divulgação do balanço de 2025 deixa incertezas sobre o déficit no capital do banco. Há duas semanas, o g1 mostrou que o consórcio Quadra Capital recuou do acordo que previa a compra de até R$ 15 bilhões de ativos ligados ao Banco Master que foram internalizados pelo BRB desde 2004. Com isso, além da dúvida sobre o empréstimo em negociação, o BRB e o governo do DF terão de achar uma nova saída para movimentar esses papéis. Passadas duas semanas desde que o acordo entre BRB e Quadra Capital foi desfeito, o banco ainda não anunciou novo parceiro para essa negociação. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (4) a ampliação do atendimento remoto em saúde mental a pessoas com necessidades relacionadas às apostas. O teleatendimento é sigiloso, possui caráter orientativo e extensivo aos familiares daqueles que desenvolveram algum tipo de vício aos jogos. O teleatendimento é conduzido por profissionais de saúde, como psicólogos e enfermeiros. Especialista alerta para riscos psicológicos de jogos de apostas online RPC Como acessar o teleatendimento? O acesso ao serviço é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, que direciona o usuário à plataforma da AgSUS, parceira da iniciativa. Para acessar o aplicado Meu SUS Digital, é preciso possuir uma conta gov.br. Em seguida, o usuário deve clicar em "Miniapps" e selecionar a opção "Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta". Após realizar o autoteste, será direcionado à plataforma da AgSUS. É necessário ainda é aceitar o "Termo de Uso" para iniciar o acolhimento digital e responder a um formulário. As consultas psicológicas são realizadas por videochamada, têm duração aproximada de 50 minutos e ocorrem, preferencialmente, uma vez por semana. O profissional poderá indicar um ciclo inicial de até dez sessões, seguido de uma nova avaliação. A partir dessa avaliação, o paciente poderá receber alta, ser encaminhado para um novo ciclo de teleconsultas ou para atendimento presencial. O Ministério da Saúde informou que quem tem o aplicativo Meu SUS Digital instalado no celular já recebeu uma notificação. "O SUS ampliou o cuidado para quem tem problemas com apostas e para familiares. Agende pelo app Meu SUS Digital. O cuidado é para todos, sem julgamento", diz a mensagem com o alerta do Ministério da Saúde. Procura atendimentos O Ministério da Saúde lançou o serviço em março em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com uma oferta inicial de 600 teleatendimentos mensais. Agora, ainda de acordo com a pasta, a capacidade de atendimento está sendo ampliada para até 100 mil teleatendimentos mensais. A razão para a ampliação, de acordo com a pasta, é a alta procura pelo cuidado em saúde mental no ambiente digital. O Ministério da Sáude alertou que são sinais de uma relação problemática com jogos e apostas alterações no sono, na alimentação ou no humor, ansiedade e irritabilidade quando a pessoa não está jogando. Regulamentação bets No mês passado, o Ministério da Fazenda publicou regras para a publicidade de apostas online — conhecidas como bets —, e estabeleceu que toda publicidade de bet deverá ser acompanhada de uma advertência, semelhante com o que acontece com propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas. Em dezembro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei para regulamentar o mercado de apostas esportivas online no Brasil. A lei tributa empresas e apostadores, bem como definiu regras para a exploração das apostas e para a distribuição dos recursos arrecadados pelo governo com a atividade.

Como funciona a Mega-Sena? O sorteio do concurso 3.040 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (4), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertaressem as seis dezenas era de R$ 133 milhões. No entanto, nenhum apostador levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 150 milhões. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp Veja os números sorteados: 03 - 16 - 24 - 30 - 49 - 54 5 acertos: 89 apostas ganhadoras, R$ 47.258,21 4 acertos: 6.555 apostas ganhadoras, R$ 1.057,65 O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube. Acompanhe os sorteios no site do g1 Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos. Resultado do concurso 3040 da Mega-Sena. Reprodução / Caixa Para apostar na Mega-Sena A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1

Paramount faz oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela Warner A Justiça dos Estados Unidos marcou para março de 2027 o julgamento das ações que contestam a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount, segundo uma decisão judicial. O processo vai analisar se a operação viola as leis de defesa da concorrência e poderá definir o futuro do negócio. Segundo a Reuters, até lá, a conclusão da compra continuará suspensa. De acordo com documento apresentado à Justiça, a operação ficará bloqueada até que seja julgada a ação movida por uma coalizão de 12 estados americanos, liderada pela Califórnia, ou até 1º de junho de 2027. Califórnia e outros 11 estados processam acordo de US$ 110 bilhões entre Paramount e Warner Bros. A suspensão tem como objetivo impedir que a fusão avance antes da análise dos possíveis impactos sobre a concorrência. Estados alegam risco de concentração no mercado A Califórnia e outros 11 estados processam o acordo de aproximadamente US$ 110 bilhões (R$ 565,4 bilhões) entre Paramount e Warner Bros. Discovery. Paramount concorda em adiar fechamento da compra da Warner Bros. Discovery até decisão judicial nos EUA Na ação, os estados argumentam que a união das duas empresas poderá concentrar excessivamente o mercado de entretenimento, reduzindo a concorrência nos setores de cinema e televisão por assinatura e levando ao aumento dos preços de filmes e programas de TV. Os procuradores também afirmam que, se a compra for concluída antes da decisão da Justiça, a Paramount poderá promover demissões, integrar operações e compartilhar informações estratégicas com a Warner Bros. Discovery. Caso a fusão seja considerada ilegal posteriormente, essas mudanças seriam difíceis de reverter. Foto ilustrativa mostra logotipos da Paramount e da Warner Bros Reuters Paramount rebate acusações A Paramount nega as acusações e afirma que a ação faz uma interpretação equivocada da legislação antitruste dos Estados Unidos. Em nota enviada à Reuters, um porta-voz da empresa disse estar confiante de que as alegações dos procuradores-gerais "não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais". A companhia também sustenta que um atraso na conclusão da operação prejudica trabalhadores da indústria do entretenimento e pode elevar os custos da transação. Uma das maiores aquisições do setor Anunciada em fevereiro, a aquisição é considerada uma das maiores da história da indústria do entretenimento. Se for aprovada, dará origem a um grupo com aproximadamente 200 milhões de assinantes de streaming e um catálogo que reúne marcas como HBO, CNN, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, CBS, Paramount Pictures e Nickelodeon. A expectativa é fortalecer a posição da empresa na disputa com concorrentes como Netflix e Disney.

Casal é suspeito de furtar bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena em MT Um bilhete de loteria premiado com 1 milhão de euros (aproximadamente R$ 6 milhões) foi recuperado do lixo na Itália depois que a vencedora, desesperada, pediu ajuda aos coletores de lixo para encontrá-lo, informou à AFP a empresa responsável pela coleta de resíduos. O bilhete estava "milagrosamente intacto" depois que os funcionários vasculharam montes de lixo dentro do caminhão de coleta, contou Roberto Nicola Toscano, administrador da empresa SANB, na região da Puglia, no sul da Itália. Segundo Toscano, a mulher foi no domingo até uma lotérica para conferir o bilhete. A máquina informou que ele "não era pagável", porque estabelecimentos menores só podem pagar prêmios de baixo valor. A vencedora — cuja identidade não foi divulgada — não percebeu que havia acertado o prêmio principal. "Ela sempre jogava os mesmos números, porque estavam ligados à lembrança de uma pessoa querida", explicou Toscano. Bilhete premiado é encontrado por garis, na Itália. ALBERTO PIZZOLI / AFP Ao voltar para casa, um familiar informou que os números que ela costumava apostar haviam sido sorteados. Eles correram de volta ao estabelecimento, mas descobriram que o bilhete já havia sido jogado no lixo e que a coleta já tinha passado. Foi então que a mulher entrou em contato com Toscano. "Reconstruímos o caminho percorrido pelo bilhete, embora tivéssemos pouca esperança de encontrá-lo, já que ele já havia sido recolhido pelo caminhão de lixo", disse o administrador à AFP. Por sorte, eles conseguiram identificar qual caminhão havia feito a coleta e o interceptaram antes que os resíduos fossem descartados. Como o lixo poderia conter materiais perigosos, o veículo foi levado a uma empresa especializada, equipada para realizar a busca com segurança. Os trabalhadores passaram mais de um dia revirando o conteúdo do caminhão. Encontraram diversos bilhetes e comprovantes de apostas. "Entre eles estava justamente o bilhete que procurávamos, milagrosamente ainda inteiro", contou Toscano à AFP nesta terça-feira (4). Quando ele avisou à vencedora que o bilhete havia sido encontrado, ela "chorou de emoção", disse. "Eu teria dado um abraço nela, mas estávamos falando por telefone." A operação para evitar o prejuízo, porém, teve um custo. Como a SANB, sediada em Bitonto, perto de Bari, é uma empresa pública, as despesas da busca seriam pagas pelos contribuintes. Por isso, Toscano afirmou que fez a mulher assinar um compromisso de arcar com todos os custos extras da operação — uma aposta que, nesse caso, certamente valeu a pena.

Criminosos utilizam inteligência artificial para clonar vozes e aplicar golpes Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e Alphabet assumiram compromissos de cerca de US$ 1,09 trilhão (R$ 5,6 trilhões) em pagamentos futuros, principalmente para alugar centros de processamento de dados - conhecidos como data centers - que serão usados para expandir a inteligência artificial (IA). Segundo informações da Reuters, esses contratos ainda não começaram a valer, mas mostram que uma parcela significativa dos investimentos das gigantes da tecnologia em IA já está garantida. Como as instalações ainda não estão prontas para uso, esses compromissos não aparecem como dívidas nos balanços financeiros das empresas. Se a demanda por inteligência artificial continuar crescendo, esses data centers serão fundamentais para ampliar a oferta de serviços de computação em nuvem, usados para armazenar dados e executar aplicações de IA. Mas, se esse crescimento desacelerar, as empresas poderão ficar presas a contratos caros e de longo prazo para manter estruturas que talvez não sejam totalmente utilizadas. Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas Inteligência Artificial O valor comprometido é quase quatro vezes maior que os cerca de US$ 285 bilhões (R$ 1.464,9 trilhão) em contratos de aluguel que já aparecem como obrigações nos balanços das empresas, segundo levantamento da Reuters com base em documentos das companhias. A diferença ocorre por causa das regras contábeis. Mesmo depois de assinar um contrato de locação, uma empresa normalmente só registra essa obrigação como dívida quando o imóvel ou a instalação fica disponível para uso. Até lá, ela apenas informa os pagamentos futuros nas notas explicativas que acompanham as demonstrações financeiras. Esses compromissos não estão escondidos e já podem ter sido considerados por agências de classificação de risco. Ainda assim, o volume chama atenção porque revela o tamanho da expansão da infraestrutura para IA que ainda não aparece nas principais métricas financeiras das empresas. Isso não significa, porém, que os US$ 1,09 trilhão possam ser somados diretamente à dívida das companhias. O valor representa pagamentos previstos ao longo de muitos anos. Já as dívidas registradas nos balanços são calculadas pelo valor equivalente desses pagamentos no momento atual, seguindo critérios contábeis. Escritório da Oracle em Dubai Oracle /Divulgação Oracle concentra o maior risco Entre as empresas analisadas, a Oracle é a que apresenta a maior concentração de compromissos futuros. A companhia informou US$ 260 bilhões (R$ 1.336,4 trilhão) em contratos que ainda não começaram a valer, quase sete vezes mais do que os US$ 37,9 bilhões (R$ 194,8 bilhões) já registrados em seu balanço. A maior parte desses contratos está ligada a data centers que devem entrar em operação entre os anos fiscais de 2027 e 2029 e têm duração de 15 a 19 anos. A própria Oracle alertou que existe um risco: os prazos, preços e condições desses contratos podem não coincidir com os contratos firmados com seus clientes. Se parte desses clientes deixar de renovar os serviços ou não cumprir os pagamentos, a empresa poderá continuar arcando com os custos dos data centers. Segundo cálculos da Reuters, a dívida da Oracle equivalia a cerca de 4,4 vezes o Ebitda - indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional de uma empresa - no fim de maio. Quando também são considerados os contratos de aluguel já registrados no balanço, esse índice sobe para aproximadamente 5,7 vezes. A agência de classificação de risco S&P Global Ratings afirmou que já incluiu os US$ 260 bilhões (R$ 1.336,4 trilhão) em contratos futuros da Oracle em sua análise da dívida da empresa e espera que esse indicador fique em torno de 4,4 vezes o Ebitda no ano fiscal de 2027. Quanto cada empresa já comprometeu A Microsoft lidera a lista, com US$ 329 bilhões (R$ 1.691,06 trilhão) em contratos futuros, frente a US$ 88,5 bilhões (R$ 454,89 bilhões) já registrados em seu balanço. A Meta informou US$ 279 bilhões (R$ 1.434,06 trilhão) em contratos ainda não iniciados e, em julho, assinou mais US$ 68 bilhões em acordos para novos data centers. Com isso, o total conhecido de compromissos das cinco empresas chega a cerca de US$ 1,16 trilhão (R$ 5,96 trilhões). A Alphabet informou US$ 85,2 bilhões (R$ 437,9 bilhões) em contratos futuros, enquanto a Amazon declarou US$ 137,2 bilhões (R$ 705,208 bilhões). No caso da Amazon, a comparação é menos direta porque esse valor inclui não apenas data centers, mas também contratos de aluguel de armazéns, escritórios, aeronaves e veículos.

E195-E2 da Embraer Divulgação/Embraer O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, nesta segunda-feira (3), uma operação de financiamento para que a Embraer exporte até 19 jatos do modelo E195-E2 para a companhia aérea canadense Porter Aviation Holdings Inc. O montante negociado varia entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões, cobrindo parte da encomenda total de 75 aeronaves feita pela empresa estrangeira. Essa é a primeira operação de financiamento direto de exportação de aeronaves da fabricante brasileira para uma companhia do Canadá. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Carteira de pedidos da Embraer foi de 34 bilhões e meio de dólares no 2º trimestre de 2026 O crédito conta com a cobertura do Seguro de Crédito para a Exportação do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), operado pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), garantindo prazos de entrega que se estendem até o ano de 2030. A encomenda global da Porter faz parte de um plano de expansão iniciado em 2023. Das 75 aeronaves encomendadas junto à fábrica em São José dos Campos (SP), 54 já foram entregues, incluindo três jatos viabilizados pelo acordo direto firmado com a instituição financeira pública no fim de 2025. A entrega mais recente ocorreu em junho deste ano, na sede da fabricante no Vale. De acordo com o BNDES, o aporte financeiro tem como foco sustentar o ritmo de produção da fábrica nacional e assegurar postos de trabalho no setor aeronáutico do país. O financiamento à exportação de aeronaves do BNDEs consiste na venda a prazo, mas com recebimento dos recursos do Banco à vista. Nesse caso, o devedor no exterior assume e paga a dívida junto ao BNDES. No caso dos aviões, o valor mínimo para o financiamento é de R$ 40 milhões. A Porter Airlines utiliza o modelo E195-E2 para conectar destinos no Canadá, Estados Unidos, México, Caribe e América Central. Já a Embraer acumula mais de 9 mil aeronaves entregues desde a sua fundação e se consolida como a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Teste do novo BYD Song Pro com motor flex O g1 já testou, em primeira mão, o BYD Song Pro GS com motor flex e novo design. O SUV é o segundo modelo da marca com motorização bicombustível e já está em pré-venda nas lojas. O preço oficial do novo Song Pro Flex na versão GS é de R$ 199.990; na versão GL é R$ 176.990. Segundo os vendedores, a expectativa é que as entregas comecem em setembro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O preço é o mesmo praticado na versão anterior, mas o SUV agora tem mais equipamentos, novo design e, claro, motor flex. A potência total combinada caiu com a calibração flex. São 219 cavalos na versão GS e 218 cv na versão GL. Antes, a versão GS tinha 235 cv. Segundo vendedores, esse valor deve ser mantido apenas durante o lançamento, com possibilidade de reajuste no futuro. A atualização de design será feita nas duas versões. BYD Song Pro GS com motor flex Carlos Cereijo/g1 Lista de equipamentos As medidas do novo Song Pro mudaram pouco: Comprimento: 4,74 m Largura: 1,86 m Altura: 1,71 m Entre-eixos: 2,71 m O peso é de 1.700 kg na versão GL e 1.760 kg na configuração GS. A unidade do Song Pro Flex GS testada pelo g1 vinha com uma longa lista de equipamentos de série, incluindo o teto solar panorâmico. No interior, a GS ainda se diferencia da GL pelo carregador de celular por indução, item ausente na versão de entrada. Além do ADAS. BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel GL - R$ 176.990 Pacote ADAS 2; Controle de cruzeiro adaptativo (ACC); Controle de cruzeiro inteligente (ICC); Alerta de colisão frontal (FCW); Alerta de mudança de faixa (LCW); Assistência de permanência em faixa (LKA); Frenagem automática de emergência (AEB); Reconhecimento de placas de trânsito (TSR); Assistente automático de farol alto (IHBC); Controle inteligente de limite de velocidade (ISLC); Seis airbags; Central multimídia de 12,8"; Google Automotive Services; Apple CarPlay e Android Auto sem fio; Atualizações remotas OTA (Over-the-Air); Pacote de dados 4G; Sistema de som com oito alto-falantes; Chave presencial. BYD Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel GS - R$ 199.990 Além dos itens da GL, acrescenta: Alerta de colisão traseiro (RCW); Alerta de tráfego cruzado traseiro (RCTA); Frenagem automática em tráfego cruzado traseiro (RCTB); Aviso de abertura de portas (DOW); Detector de ponto cego (BSD); Bancos com ajustes elétricos para motorista e passageiro; Teto solar panorâmico; Sensor de chuva; Retrovisor interno fotocrômico; Carregador de celular por indução ventilado de 50 W. Na parte de multimídia, o novo Song Pro GS Flex tem uma tela com melhor definição e mais nitidez. O ar-condicionado é digital de duas zonas, com saídas para o banco traseiro. Na parte mecânica, apesar de a versão passar a ser flex, pouca coisa muda nas sensações ao volante. Segundo os lojistas, o conjunto manteria potência combinada de 235 cv, somando o motor elétrico e o 1.5 aspirado, além da transmissão de uma marcha. O conjunto de baterias da versão testada pelo g1 comporta 18,3 kWh, já a versão GL tem só 13,1 kWh nas baterias. Com isso, a autonomia somente na bateria é, respectivamente, de 72 km e 57 km. Porém, o g1 apurou que o conjunto deve diminuir a potência para cerca de 220 cv. A BYD confirmou no lançamento que a potência combinada total ficou em 218 cv na versão GL e 219 cv na versão GS. O torque em ambas as configurações é de 30,6 kgfm. Os números de desempenho são parecidos nas duas configurações, com 0 a 100 km/h em menos de 9 segundos. A velocidade máxima é de 180 km/h em ambas as versões. O motor a combustão 1.5 de ciclo Atkinson passou por alterações para operar com gasolina e etanol e integra o novo sistema híbrido DM-i 5.0. Segundo a BYD, a eficiência térmica subiu de 43,04% para 46,06%, o que melhora o aproveitamento da energia gerada pelo motor, usado para alimentar a bateria e auxiliar a tração em situações de maior demanda. De acordo com a (PBEV), o novo Song Pro Flex é o SUV médio com o menor consumo energético do país. O índice é de 0,53 MJ/km na versão GL e de 0,55 MJ/km na GS. A fabricante afirma que a nova grade ativa, com aletas de abertura e fechamento automáticos, contribui para esse resultado. O consumo de combustível aferido pelo Inmetro é: Gasolina 15,9 km/l na cidade 13,5 km/l na estrada Etanol 11,7 km/l na cidade 10,5 km/l na estrada BYD Song Pro GS com motor flex Carlos Cereijo / g1 A proposta da versão flex não é transformar a experiência ao volante do Song Pro, mas oferecer ao cliente a possibilidade de abastecer o carro com 100% de etanol. O g1 testou o carro pelas ruas da capital paulista e percebeu que ele tem acelerações bem acertadas, boa resposta ao pedal e retomadas consistentes. A calibração do conjunto de suspensão foi refeita e agrada. Somado ao novo interior, o Song Pro reúne atributos para conquistar o público. Na cabine, a nova versão representa um avanço em relação ao modelo anterior. A qualidade de construção e montagem permanece a mesma, mas a renovação deixou o ambiente mais sóbrio. Há um novo painel com quadro de instrumentos integrado de 8,8 polegadas. Os bancos foram redesenhados e, na versão GS, contam com ajustes elétricos para motorista e passageiro. O seletor de marchas foi transferido para a coluna de direção, enquanto o revestimento interno passou a utilizar couro ecológico em tom cinza escuro. A central multimídia passou a ser de 12,8 polegadas e adotou o sistema Google Automotive Services. O modelo também oferece Apple CarPlay e Android Auto sem fio, atualizações remotas OTA, pacote de dados 4G, sistema de som com oito alto-falantes e acesso por chave digital via NFC. Na versão GS, o carregador de celular por indução passou a ser ventilado e teve a potência ampliada para 50 W. O Song Pro anterior abusava de linhas muito fluidas, quase orgânicas. Já o novo adota uma proposta mais clássica, com uma grande peça em black piano atravessando a região atrás da tela e do volante, console central com elementos mais quadrados e volante de aparência mais robusta, com comandos mais fáceis de manusear. Galerias Relacionadas A impressão é de que a BYD está aprendendo que não precisa reinventar cada detalhe do carro para conquistar o cliente. Um ponto que ainda precisa evoluir é a lógica do sistema multimídia, que continua com aparência de equipamento aftermarket do mercado asiático. A próxima evolução das marcas chinesas, incluindo a BYD, passa por tornar a interface mais amigável e facilitar a navegação entre os diferentes menus no uso diário. O espaço no banco traseiro é adequado para famílias. Não houve sensação de aperto, mesmo com o teto solar panorâmico, que costuma reduzir o espaço interno em alguns modelos, mas não causou esse problema neste caso. O porta-malas tem 530 litros, capacidade muito próxima à da versão do Song Pro já comercializada. Como a estrutura do veículo não mudou, também não havia motivo para uma alteração significativa nesse compartimento. Motor 1.5 aspirado do BYD Song Pro GS com motor flex Carlos Cereijo / g1 Ao volante, a BYD não precisou mudar a receita. Como a principal novidade está na motorização flex, sem alterações nas dimensões do veículo, permanecem o bom acerto da suspensão, com calibração um pouco mais firme e esportiva, e o desempenho proporcionado pela potência combinada de 219 cavalos, adequado à proposta do segmento. Na faixa dos R$ 200 mil, o Song Pro disputa espaço com diversos concorrentes, entre eles Jeep Compass, Honda HR-V Touring, Toyota Corolla Cross, Volkswagen Taos e híbridos de marcas chinesas, como o GWM Haval H6 One e o Geely EX5 E-MI. Agora, resta saber se a BYD demorou demais para atualizar o Song Pro. O projeto e o design apresentados neste lançamento existem desde 2024. Com a nova identidade visual e a proposta flex, o desafio passa a ser manter a competitividade em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro. Uma das novidades é que a BYD vai oferecer aos clientes do Song Pro a oportunidade de comprar painéis solares parcelados em até 36 vezes. Galerias Relacionadas

À esquerda, Otto Lobo durante sabatina no Senado; à direita, Antonio Carlos Berwanger Reprodução/TV Senado e FGV O presidente Lula (PT) indicou o servidor de carreira Antonio Carlos Berwanger para ocupar a última vaga aberta na diretoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O nome foi encaminhado ao Senado e publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (4). Berwanger ainda terá de passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos e ser aprovado pelo plenário do Senado antes de assumir o cargo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Formalmente, a indicação é para a vaga aberta com o término do mandato de Otto Lobo como diretor, em dezembro de 2025. Depois de deixar a diretoria, Otto foi indicado por Lula e voltou à CVM em junho, desta vez como presidente. Na mesma ocasião, o advogado Igor Muniz assumiu uma das diretorias. Se Berwanger for aprovado, o colegiado, formado por cinco integrantes, voltará a ficar completo. Agora no g1 A escolha ocorre após a indicação de Otto para a presidência ter sido cercada por questionamentos sobre decisões tomadas por ele durante o período em que comandou a CVM interinamente, no segundo semestre de 2025. A principal controvérsia envolveu a Ambipar e fundos ligados ao Banco Master. A área técnica da CVM havia entendido que os fundos atuaram em conjunto com o controlador da empresa na compra de ações e, por isso, deveriam realizar uma oferta pública de aquisição, conhecida como OPA, aos acionistas minoritários. O julgamento terminou empatado. Já como presidente interino, Otto votou contra a exigência da oferta e usou o voto de qualidade, o equivalente ao voto de desempate, para fazer prevalecer sua posição. A Procuradoria Federal Especializada junto à CVM questionou o procedimento e apontou possível fragilidade na decisão. Críticos avaliaram que o resultado beneficiou o Banco Master. Durante a sabatina para a presidência da CVM no Senado, Otto negou qualquer favorecimento. “Não houve benefício ao Banco Master no caso Ambipar porque a lei é muito clara, não se pode impor OPA contra o não controlador, e essa parte da decisão foi unânime. Então eu não consigo entender como eu e o diretor Accioly auxiliamos o fundo Master se essa parte da decisão foi unânime”, afirmou. A controvérsia não impediu a aprovação de Otto pelo Senado. Nomeado por Lula em junho, ele promoveu, em seu primeiro ato como presidente, uma ampla troca no primeiro escalão da CVM. Segundo a autarquia, foram substituídos os titulares de seis superintendências, além do superintendente-geral. Os servidores deixaram os cargos de confiança, mas permaneceram no quadro da instituição. Quem é Antonio Carlos Berwanger Servidor da CVM desde 2005, Berwanger é atualmente superintendente de Desenvolvimento de Mercado, área responsável pela elaboração de normas sobre companhias abertas, fundos de investimento, ofertas públicas e outros segmentos do mercado de capitais. Ele começou na autarquia como inspetor, atuou na fiscalização e na área de processos sancionadores e, entre 2011 e 2015, foi gerente de Aperfeiçoamento de Normas. Comanda a Superintendência de Desenvolvimento de Mercado desde março de 2015. Berwanger é formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Também é mestre em Direito da Regulação pela Fundação Getulio Vargas e tem especialização em regulação de fintechs e inovação financeira pela Cambridge Judge Business School. É considerado internamente um especialista em inovação e ativos digitais. Em maio, ele esteve entre os 27 integrantes da cúpula da CVM que assinaram uma manifestação pela escolha de um servidor de carreira para a vaga restante no colegiado. O grupo argumentou que a presença de um funcionário da casa ajudaria a preservar a memória regulatória e a estabilidade das decisões da autarquia. GloboPop: veja os vídeos do palco da Julia Dualibi
Café: entenda como inverno atípico e chuvoso em julho pode impactar exportação e qualidade da bebida

Café robusta Globo Rural/Tv Globo As chuvas atípicas registradas em julho nas principais regiões produtoras de café arábica no Brasil — como o interior paulista e o Sul de Minas — ameaçam a qualidade dos grãos e o padrão da bebida, acendendo o alerta para as exportações do setor. O cenário é desafiador porque cerca de 30% da safra brasileira 2026/2027 ainda não tinha sido colhida e ficou sujeita aos danos do clima. A análise consta no boletim mais recente do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), de Piracicaba (SP). Além de atrasar os trabalhos no campo, o excesso de água reflete diretamente na avaliação sensorial da bebida — um dos critérios mais rigorosos de classificação do café e valor no mercado estrangeiro. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Para avaliar os desdobramentos do clima tanto na lavoura quanto na xícara do consumidor, o g1 ouviu especialistas da área acadêmica e do mercado de cafés especiais. Veja na reportagem, abaixo. Lavoura de café arábica no Sul de Minas Gerais Lavoura de café arábica no Sul de Minas Gerais – Crédito: Divulgação As precipitações se concentraram principalmente nos últimos dias do mês, momento em que a colheita se encaminha para o fim e a varrição passa a ser a atividade de maior demanda. "Tradicionalmente, a colheita do café ocorre no inverno, período mais seco. Neste ano, tivemos 'um verão no inverno', com muita chuva. Além de desacelerar o serviço no campo, a umidade afeta o processo de secagem e prejudica o produto final", explica Renato Garcia Ribeiro, pesquisador responsável pela área de café no Cepea. De acordo com o Cepea, embora não seja possível mensurar os prejuízos em volume absoluto neste momento, os grãos que ficaram expostos no chão ou no pé sofreram perda direta de qualidade. "Esta safra era muito aguardada em termos de volume, vindo de anos com problemas climáticos. Havia a expectativa de uma safra recorde, e o produtor receava que isso pressionasse os preços", complementa Ribeiro. Café tipo robusta Arquivo Pessoal Qualidade da bebida x exportação Segundo o pesquisador, o impacto real só será dimensionado à medida que os lotes forem provados, beneficiados e comercializados — processo que pode levar de dois a três meses. “Nesse período, o tamanho do grão do café já está formado, não tem muito o que mudar. Mas, [o cenário] prejudica principalmente a bebida, que é um dos critérios nas fases de classificação do café. Quanto melhor a bebida - um café que secou mais bem - mais valorizado ele é. É o principal produto nosso de exportação”, explica o pesquisador. Leia mais: Projeção de safra com colheita recorde pressiona preço médio do arábica Inverno atípico e chuvoso em julho pode impactar exportação do café, preços e qualidade da bebida Claudia Assencio/g1 Café com gosto de remédio? O barista Júnior Damada, especialista em cafés de qualidade e mestre de torra, explica o que muda no sabor e no aroma do café na xícara quando um lote do produto sofreu com excesso de chuva e fermentação indesejada na secagem dos grãos. Um café influenciado com umidade pode apresentar sabor diferente do padrão da bediba. “As características sensoriais que geralmente são encontradas nas bebidas feitas com lotes que sofreram algum tipo de contaminação ou tiveram algum descuido no processamento nos revelam nuances sensoriais que nos remetem a medicamentos, sabores acético, adstringentes que ‘amarram’ a boca”, exemplifica. Júnior Damada é especialista em Cafés de Qualidade e Mestre de Torra da Breathe Co em Piracicaba Adrian Dona/Júnior Damada Classificação Para que um lote seja classificado como café especial, ele precisa ser totalmente isento de defeitos e apresentar doçura e complexidade sensorial. Lotes afetados pela umidade do solo ou colhidos na varrição dificilmente atingem esse patamar, sendo rebaixados para categorias como gourmet, superior ou tradicional. "Caso não se enquadre neste critério, não será classificado como especial. Poderá ser classificado com outros adjetivos que contemplam as características do respectivo lote, como Gourmet, Superior ou Tradicional", detalha. Segundo o especialista, o consumidor comum pode identificar, ao tomar um café em casa ou na rua, se aquele grão foi prejudicado por problemas de umidade na colheita. "Tudo começa pela percepção sensorial, bebeu e não gostou ou notou diferença em relação ao anterior, o produto sofreu alguma alteração durante o percurso, ou ainda no seu desenvolvimento na lavoura, mas todos os envolvidos no segmento, trabalham para que esse diferença de sabor não traga impacto negativo ao mercado de forma geral", conclui. Barista Júnior Damada, de Piracicaba (SP), explica sobre os critérios que faz um café ser considerado especial e como as condições climáticas podem afetar a qualidade da bebida Adrian Dona/Júnior Damada Densidade e tamanho A densidade e o tamanho dos grãos mudam quando café passa por variações climáticas inadequadas à cultura. Isso exige ajuste de receitas de preparo na cafeteria. Damada pontua que se grãos que sofreram com a umidade no terreiro ou no café de varrição, eles se comportam de forma diferente na hora da moagem e da extração na máquina, de espresso ou no coado. "Desequilíbrios climáticos sempre afetam de alguma forma, tamanho dos grãos, o enchimento do frutos, os nutrientes do solo, a densidade. Cada safra tem suas particularidades e o mercado sempre encontra a melhor forma de utilizar os frutos colhidos. Tanto as torrefações artesanais, as industriais, as cafeterias e o consumidor em casa, encontra uma forma de fazer a bebida ser a melhor possível na xícara", pondera. Conheça os fatores que influenciam o preço do café para o consumidor Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta terça-feira (4), com avanço de 0,87%, cotado a R$ 5,1312. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão em queda de 0,07%, aos 177.883 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ O novo dado de emprego dos Estados Unidos foi o destaque da agenda econômica desta terça-feira. Os números devem dar indicações sobre o mercado de trabalho americano e novos sinais sobre as taxas de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). No Brasil, as atenções ficam com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) e novos balanços corporativos. ▶️ O mercado também seguiu à espera pela decisão de juros do Banco Central do Brasil (BC). Prevista para amanhã, a expectativa é que o Comitê de Política Monetária (Copom) decida por mais um corte na taxa básica de juros (Selic), levando-a ao patamar de 14% ao ano. ▶️ Além disso, o petróleo também continuou na mira dos investidores. O Catar afirmou, hoje, que os mediadores estão fazendo progressos nos esforços para pôr fim à guerra entre EUA e Irã, embora Teerã tenha negado a afirmação do presidente americano, Donald Trump, de que as negociações já estavam em andamento. Com o maior otimismo, os preços do petróleo voltaram a cair no mercado internacional. O barril do Brent, referência internacional, caiu 5,26%, cotado a US$ 79,36. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, recuou 5,69%, a US$ 75,77 o barril. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +1,22%; Acumulado do mês: +1,22%; Acumulado do ano: -6,51%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: 0%; Acumulado do mês: 0%; Acumulado do ano: +10,47%. Maior otimismo com o petróleo O Catar afirmou nesta terça-feira que os mediadores estão fazendo progressos nos esforços para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irã , embora Teerã tenha negado a afirmação do presidente Donald Trump de que as negociações já estejam em andamento. Em meio à expectativa de que um acordo possa retomar tráfego pelo Estreito de Ormuz, que permanece bloqueado, os preços do petróleo operavam em queda. Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com Teerã haviam começado e que o Irã enfrentava uma "última chance" para chegar a um acordo. Autoridades iranianas insistiram que não havia negociações em andamento com os Estados Unidos. O Irã afirma que suas únicas conversas são com Omã sobre o estreito e que nenhuma reunião importante estava planejada para esta semana. "Elas estão acontecendo agora", disse Trump a repórteres em um evento no Salão Oval na segunda-feira, quando questionado sobre as negociações, acrescentando que as discussões estavam ocorrendo a pedido do Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar. "Esta é a última chance para eles (Irã) assinarem um bom documento." O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, afirmou que os contatos diplomáticos atingiram "estágios muito avançados". Ansari afirmou, ainda, que mediadores, incluindo representantes do Catar, Paquistão e Omã, estavam coordenando estreitamente para facilitar as negociações e a troca de propostas preliminares entre Washington e Teerã. "Muita coisa está acontecendo nos bastidores. Estamos conversando com os dois lados. Nosso único objetivo neste momento é fazer com que ambas as partes pelo menos concordem em começar a dialogar", disse um alto funcionário da segurança paquistanesa à Reuters. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta nesta terça-feira (4), após previsões mais otimistas divulgadas pela Caterpillar e pela Palantir reforçarem a confiança dos investidores na demanda impulsionada pela inteligência artificial. No fim do pregão, o Dow Jones subiu 1,72%, o S&P 500 avançou 1,81% e o Nasdaq Composite teve alta de 2,58%. O maior otimismo com a possibilidade de uma cordo de paz entre EUA e Irã trouxe um dia positivo para os mercados europeus. No encerramento do pregão, o STOXX 600 avançou 0,77%, o DAX subiu 0,77%, o CAC 40 ganhou 0,61% e o FTSE 100, de Londres, teve alta de 0,20%. Na Ásia, os mercados chineses subiram nesta terça-feira (4), conforme papéis do setor de inteligência artificial e de chips apresentaram forte recuperação. O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 1,3%, enquanto Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,6% e o Nikkei, do Japão, subiu 0,32%. O Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 1,62%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar. Murad Sezer/ Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo enquanto responde a perguntas da imprensa após assinar uma ordem executiva que estabelece a Comissão Presidencial para Cônjuges de Militares, que será presidida por Jennifer Rauchet, esposa do secretário de Defesa Pete Hegseth, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 3 de agosto de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein Vinte e cinco Estados americanos entraram com processos na Justiça contra o governo do presidente Donald Trump na segunda-feira (03/08) devido a uma onda de tarifas contra dezenas de países que entrou em vigor em julho. Os EUA afirmam que as tarifas, que variam entre 10% e 12,5%, foram impostas devido ao fato de parceiros comerciais — incluindo Brasil, Reino Unido, China e União Europeia — não terem combatido adequadamente o trabalho forçado. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Em um documento legal consultado pela BBC, uma aliança de Estados — entre eles, Califórnia e Nova York — governados por políticos do Partido Democrata afirma que a decisão de Trump foi "arbitrária, impulsiva e contrária à lei". Em resposta, o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse: "Os EUA estão usando sua autoridade legal" para lidar com práticas que prejudicam as empresas americanas. Agora no g1 Desai acrescentou que o fato de qualquer país não combater a importação de produtos produzidos com trabalho forçado era "inaceitável" e precisava ser enfrentado. As novas tarifas, que entraram em vigor em julho, foram impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, uma legislação concebida para atingir países que utilizam trabalho forçado. As tarifas abrangem 99,4% das importações dos Estados Unidos, segundo o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). O processo alega que o governo Trump "não pode usar trabalho forçado como pretexto para dar continuidade ao seu esquema ilegal de tarifas". "As tarifas impostas pelo USTR são tão abrangentes que desafiam os próprios objetivos declarados do USTR e ridicularizam a legislação usada para justificá-las", afirmou. "As tarifas ilegais do presidente Trump nada mais são do que um imposto sobre as famílias trabalhadoras", disse a governadora de Nova York, Kathy Hochul. "Apesar de ter perdido em todas as instâncias, Trump está tentando mais uma vez causar mais caos às famílias trabalhadoras e às empresas locais do Oregon", disse o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, em um comunicado. "Todos nós estamos pagando o preço por essas tarifas ilegais, não os governos estrangeiros", acrescentou. Diversos parceiros comerciais afetados expressaram decepção com as novas tarifas. Os governos do Brasil e do Japão reagiram classificando as medidas como "injustificadas". Em nota, o governo brasileiro classificou a ação como "arbitrária" e "injustificada" e afirmou que o governo americano "optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais." O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, descreveu as tarifas como uma "desculpa para manipulação política". Washington e Pequim estão envolvidos em uma guerra de tarifas retaliatórias — que está atualmente suspensa. Alguns analistas também questionaram como os países seriam capazes de demonstrar que abordaram adequadamente as alegações de trabalho forçado. O processo movido pelos Estados americanos representará um "grande desafio" às tarifas de Trump, afirmou o professor de administração Alex Capri, acrescentando que espera "exceções e recuos que gradualmente reduzirão o impacto dessas tarifas". Segundo Capri, da Universidade Nacional de Singapura, faltam evidências confiáveis que sustentem as alegações de que os países acusados prejudicaram empresas americanas por meio de violações relacionadas ao trabalho forçado. Essa medida representa o passo mais recente em uma série de políticas comerciais anunciadas por Trump desde que ele retornou ao cargo em janeiro de 2025. Muitas das abrangentes tarifas que Trump impôs aos parceiros comerciais globais em suas chamadas tarifas do "Dia da Libertação", em abril do ano passado, foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. "A Suprema Corte deixou claro que este governo não pode ignorar a lei para impor tarifas abrangentes", disse Hochul. A decisão do tribunal resultou em reembolsos de dezenas de bilhões de dólares para empresas que haviam pago os impostos. O presidente argumenta há muito tempo que as tarifas protegem os trabalhadores americanos e impulsionam a economia dos EUA. As tarifas que foram anuladas foram substituídas por uma taxa temporária de 10% sobre todas as importações globais. Essas tarifas expiraram em julho. Mais tarifas podem ser implementadas no futuro, já que os EUA estão atualmente investigando 16 países por alegações de excesso de capacidade produtiva.